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29.11.04
 


100 discos com MINGUS

1.*unknown titles (1945, unknown)
2.*Charles Mingus Sextet (1945, Excelsior)
3.*Charles Mingus Sextette (1946, Excelsior)
4.*Baron Mingus And His Octet (1946, 4 Star)
5.*Charles 'Baron' Mingus Presents His Symphonic Airs (1946, Fentone)
6.*Baron Mingus And His Rhythm (1946, Fentone/Dolphins Of Hollywood)
7.*Charles Mingus And His Orchestra (1946, Rex Hollywood)
8.*The Chill Of Death (1947)
9.The Young Rebel (1946-52, Swingtime) LP
10.Debut Rarities Volume 4 (1952/53, OJC)
11.Jazzical Moods (1954, Period)
12.Jazz Composers Workshop (1954/55, Savoy)
13.Debut Rarities Volume 2 (1951/53, OJC)
14.*Newport, Rhode Island (1955, VOA)
15.[December 23, 1955, Cafe Bohemia, New York City - Charles Mingus Jazz Workshop]
a.Mingus At The Bohemia (OJC)
b.Charles Mingus Quintet Plus Max Roach (OJC)
16.Pithecanthropus Erectus (1956, Atlantic)
17.*Freebody Park (1956, VOA)
18.*Cafe Bohemia (1956)
19.The Clown (1957, Atlantic)
20.Charles Mingus Trios (1953/57, Jazz Door)
21.Mingus Three (1957, Roulette)
22.Debut Rarities Volume 1 (1953/57, OJC)
23.New Tijuana Moods (1957, Bluebird)
24.*Great River, Long Island (1957, VOA)
25.East Coasting (1957, Bethlehem)
26.Debut Rarities Volume 3 (1957, OJC)
27.A Modern Jazz Symposium Of Music And Poetry (1957, Bethlehem)
28.The Complete Debut Recordings (1951-58)
29.*Shadows (1958)
30.Jazz Portraits - Mingus In Wonderland (1959, Blue Note)
31.Blues & Roots (1959, Atlantic)
32.Mingus Ah Um (1959, CBS)
33.Mingus Dynasty (1959, CBS)
34.The Complete 1959 CBS Charles Mingus Sessions (Mosaic) 4LP
35.Mingus Revisited (1960, Mercury)
36.Mingus At Antibes (1960, Atlantic)
37.Charles Mingus Presents Charles Mingus (1960, Candid)
38.Mingus (1960, Candid)
39.Reincarnation Of A Lovebird (1960, Candid)
40.Mysterious Blues (1960, Candid)
41.Newport Rebels (1960, Candid)
42.The Complete Candid Recordings Of Charles Mingus (1960, Mosaic)
43.Oh Yeah (1961, Atlantic)
44.Tonight At Noon (1957/1961, Atlantic) LP
45.Passions Of A Man: The Complete Atlantic Recordings 1956-1961 (Rhino)
46.The Complete Town Hall Concert (1962, Blue Note)
47.Live At Birdland 1962 (Jazz View)
48.Vital Savage Horizons (1951/61/62, Alto) LP
49.In Concert (1962, Jazzman)
50.Charles Mingus (1962, Musica Jazz) LP
51.The Black Saint And The Sinner Lady (1963, Impulse!)
52.Mingus Plays Piano (1963, Impulse!)
53.Mingus, Mingus, Mingus, Mingus, Mingus (1963, Impulse!)
54.Town Hall Concert (1964, OJC)
European Tour, April 1964
55.[April 10, 1964, Amsterdam]
a.Concertgebouw Amsterdam, Vol. 1 (Ulysse AROC)
b.Concertgebouw Amsterdam, Vol. 2 (Ulysse AROC)
56.[April 12, 1964, Oslo]
a.Live In Oslo 1964 (JazzUp)
b.Orange (Moon)
c.Live In Oslo 1964 - Vol. 1 (Landscape)
d.Live In Oslo 1964 - Vol. 2 (Landscape)
57.[April 13, 1964, Stockholm]
a.Live In Stockholm 1964
b.Meditations On Integration (Bandstand)
58.[April 14, 1964, Copenhagen]
a.Astral Weeks (Moon)
b.Live In Copenhagen 1964 (Landscape)
59.[April 16, 1964, Bremen]
a."Hope so Eric" vol. 1 (Ingo) LP
b."Fables of Faubus" vol. 2 (Ingo) LP
c."Parkeriana" vol. 3 (Ingo) LP
60.[April 17-18, 1964, Salle Wagram, Paris]
a.Revenge! (Revenge)
b.Meditation (France's Concert) LP
61.[April 19, 1964, Theatre des Champs-Elysees, Paris]
a.The Great Concert, Paris 1964 (Musidisc)
62.[April 26, 1964, Wuppertal]
a.Mingus In Europe, Volume 1 (Enja)
b.Mingus In Europe, Vol. 2 (Enja)
63.[April 28, 1964, Stuttgart]
a.Mingus In Stuttgart (Unique Jazz) LP
64.Right Now: Live At The Jazz Workshop (1964, OJC)
65.Mingus At Monterey (1964, JVC/Fantasy)
66.My Favorite Quintet (1965, Charles Mingus) LP
67.*Village Gate (1965, Ozone)
68.Charles Mingus Octet Recorded Live At Monterey (1965, East Coasting) EP
69.Monterey Jazz Festival (1965, Malpaso)
70.Music Written For Monterey 1965, Not Heard (1965, Jazz Workshop) 2LP
71.*Lennie's-on-the-Turnpike (1966, soundtrack)
72.[March 31, 1970, Slug's, New York]
a.Dizzy Atmosphere - Live At Historic Slug's Vol. 1
b.Fables Of Faubus - Live At Historic Slug's Vol. 2
1 73.Statements (1970, Lotus) LP
74.[October 28, 1970, Paris, France]
a.Charles Mingus In Paris 1970 (DIW)
b.Charlie Mingus Sextet Live (Blu Jazz)
75.[October 31, 1970, Paris, France]
a.Pithycanthropus Erectus (sic) (1970, Musidisc)
b.Reincarnation Of A Lovebird (1970, Prestige) 2LP
76.Charles Mingus Sextet in Berlin (1970, Beppo) LP
77.Charles Mingus Group With Orchestra (1971, Denon)
78.Shoes Of The Fisherman's Wife (1959/1971, CBS)
79.Let My Children Hear Music (1971, CBS)
80.Charles Mingus And Friends In Concert (1972, CBS)
81.*Newport In New York Jam Session (1972, Cobblestone)
82.*Ronnie Scott's (1972, CBS unissued)
83.In The Kingdom of Glass - Jazz i Glasrike (1972, Jazz på Rällen)
84.Live In Chateauvallon, 1972 (France's Concert)
85.Parkeriana (1972, Bandstand)
86.Blue Skylark (1972, Original Revival Collection)
87.Mingus Quintet Meets Cat Anderson (1972, Unique Jazz)
88.Mingus Moves (1973, Atlantic)
89.Mingus At Carnegie Hall (1974, Atlantic)
90.Changes One (1974, Atlantic)
91.Changes Two (1974, Atlantic)
92.Mingus in Åhus 1975 (1975, Jazz på Rällen)
93.Keystone Korner (1976, Jazz Door)
94.Stormy & Funky Blues (1972-77, Moon)
95.Three Or Four Shades Of Blues (1977, Atlantic)
96.Cumbia & Jazz Fusion (1977, Atlantic)
97.Spain '77 (1977, Excelsior) LP
98.Final Work (1977, CMA Jazz)
99.Me, Myself An Eye (1978, Atlantic) LP
100.Something Like A Bird (1978, Atlantic) LP

 
 

Apollo
Saxophone Quartet

Contemporary
Classical


Wednesday 01 Dec 04
7.30pm
at Union Chapel, Compton Terrace, London N1

The Apollo Saxophone Quartet has set out to develop an original repertoire, combining contemporary classical, jazz, folk and world music. Dedicated to a policy of commissioning and performing new works by today’s leading composers, the Apollo Saxophone Quartet is defined by its unique repertoire and has firmly established its position at the forefront of contemporary performance. Michael Nyman, Richard Rodney Bennett, Michael Torke, Django Bates, Graham Fitkin, Howard Skempton, Dominic Muldowney, Bob Mintzer and Barbara Thompson are amongst the composers who feature in the quartet’s ever-growing repertoire of over 80 works.

A celebration of their forthcoming CD “Short Cuts” on the Quartz label, this concert features contemporary classical music from Portugal (Luis Tinoco, Carlos Azevedo, Christopher Bochmann, Joao Madureira, Mario Laginha, Pedro Moreira and Bernardo Sassetti) especially written for the Apollo Saxophone Quartet, plus music by UK composers Barbara Thompson & Joby Talbot.

All Atlantic Waves 2004 concert-goers will receive an exclusive CD, Exploratory Music from Portugal 04, which features exclusive unreleased recordings by many of the participating artists. You can hear all of these and other Portuguese music on Musa Lusa, on Resonance 104.4 FM. Broadcast live across London on 104.4 FM every Monday, 3.30-4.30pm, with simultaneous worldwide web streaming.

For further information on Atlantic Waves 2004:

T: 020 7908 7622 E: info@atlanticwaves.org.uk W:
www.atlanticwaves.org.uk



 
 

A voz de Molly Jane Sturges cai-me muito bem. Ex-estudante de música da Wesleyan University (outro nome para Anthony Braxton), a cantora, que também compõe, tem vindo a especializar-se em processos de criação musical que fundem elementos de composição com a experimentação e a performance sobre técnicas vocais de extremo arrojo e beleza formal. Têm-me chegado ecos de trabalhos seus e de colaborações diversas com artistas da nova música improvisada americana, de que o sexteto Bing é um bom exemplo, com o saxofonista soprano Chris Jonas, mas também com grandes vultos da escrita e improvisação, como o próprio Braxton ou o violinista Malcolm Goldstein (deste último recomendo a audição do recital a solo no Fire in The Valley Festival de 1997, publicado pela Eremite, actualmente esgotado).
mJane é um dos vários projectos de Molly Jane Sturges que segue a estratégia de investigação e descoberta de novas combinações sonoras. Prayers From The Underbelly (
Pax Recordings) é um disco muito interessante, que reproduz um concerto gravado durante a estreia do quinteto no Second Annual High Mayhem Festival/2003, no Novo México. Nele, electrónica e samplers fundem-se com instrumentação acústica, vozes femininas (Molly Sturges e a convidada especial Julie West) e percussão, num ambiente abstracto e intimista de estética sofisticada, grandes espaços tingidos por tonalidades escuras, energia espectral. Paisagens de mistério inspiradas na experiência pessoal da compositora, que mostra não ter receio de se aventurar com segurança pelo desconhecido adentro. Surpresas? Uma mão cheia delas.
MJane: Molly Jane Sturges – voz, composição, harmónio e condução; CK Barlow – samplers, electrónica; DJ Ultraviolet – gira-discos; Mostafa Stefan Dill - alaúde; Jefferson Voorhees – percussão.



 
28.11.04
 

Will Holshouser Trio em CONCERTO na Loja da Trem Azul, em Lisboa

Will Holshouser – acordeão / Ron Horton – trompete / David Phillips - contrabaixo

"De passagem por Portugal para uma série de concertos, nomeadamente em Coimbra (2/12), Braga (7/12) e Faro (11/12), alguns workshops e para a gravação do seu segundo disco (ao vivo no Teatro Lethes de Faro), o trio de Will Holshouser apresenta-se na Trem Azul Jazz Store para concerto único em Lisboa. Esta poderá ser também uma ocasião única para ver ao vivo o trio que causou sensação com a edição do disco Reed Song (Clean Feed, 2002)
O que significa tocar acordeão no início do século XXI? A resposta poderá ser dada por alguns dos maiores estetas deste instrumento, como Guy Klucevsek ou Andrea Parkins, só para citar dois dos mais insignes músicos da actual cena downtown nova-iorquina. Mas uma nova geração de acordeonistas, entre os quais se inclui Will Holshouser, está apostada em enformar novos caminhos, experimentando novas possibilidade e introduzindo nos seus projectos a sonoridade especial de um instrumento tão poucas vezes utilizado em contextos jazzísticos como é o caso do acordeão.
O único trabalho de Holshouser como líder dá pelo nome de Reed Song (Clean Feed 005) e apresenta precisamente a mesma formação que irá actuar neste concerto, mas, como a presença deste trio em Portugal se deve em parte à gravação do seu segundo disco, também para a Clean Feed, são de esperar novas composições.
Poder-se-á imaginar a música do trio de Will Holshouser como uma matéria compósita, que encontra as suas fundações no jazz, mas que se alarga a um vasto espectro de outras músicas que são incorporadas de forma mais ou menos evidente. Trata-se de uma música urbana e folk, estruturada e improvisada a partir de referências que passam pelo Tango ou Klezmer, sem esquecer a tradição da balle musette parisiense. Os cinéfilos não hesitarão em reconhecer pontos de contacto com Fellini – leia-se Nino Rota – mas esta é apenas uma das muitas leituras possíveis de uma música que parece soar a algo de familiar e conhecido... Um concerto a não perder!
Will Holshouser (acordeão) tocou como sideman de músicos que vão da área do Jazz a outras como a experimental e o Folk. Toca com David Krakauer e o seu grupo Klezmer Madness, onde pode ser ouvido no último CD gravado para a etiqueta francesa Label Bleu. Will trabalhou também com nomes como Dave Douglas, Phillip Johnston, Michael Hashim, David Garland, Andy Statman, Lenny Pickett, Michael Hermon e a popular banda Nova Iorquina Brock Mumford. Toca e arranja para a Raymond Scott Orchestrette, com um primeiro CD editado em 2002. Em 1990 recebeu uma bolsa para estudar música Cajun e Criola na Louisiana.
Ron Horton (trumpete) toca regularmente com Andrew Hill onde é director musical do seu sexteto e da sua Big Band, e é membro da New York Composers Collective. Trabalhou também com Jane Ira Bloom, Phillip Johnston, Matt Wilson, Ted Nash, Michael Blake, Ben Allison entre muitos outros. O seu último CD “Genius Envy”, gravado para a editora Omnitone, recebeu criticas entusiásticas de diversas publicações musicais.
David Phillips (contrabaixo) lidera o grupo Freedance, cujo CD foi editado pela Naxos Jazz. Começou os seus estudos de contrabaixo com o seu pai, o lendário Barre Phillips, e posteriormente formou-se na Julliard School. David é um especialista na utilização do arco sendo, por isso, muito requisitado para trabalhos em áreas como a clássica ou a música para teatro".
Segunda-feira, 6 de Dezembro, na Trem Azul Jazz Store, às 19h00
Rua do Alecrim, 21-A 1200 – 014 Lisboa

 
 

Carlos Zíngaro
© Nuno Martins. 2003

Dia 2 de Dezembro próximo, o ZFP Quartet, grupo nascido no Guimarães Jazz de 2002, vai tocar no Bluecoat Arts Centre, em Liverpool (UK), naquela que será a primeira apresentação no Reino Unido do quarteto da nova improvisação livre (o que definem como 'extreme advanced string techniques', a reinvenção do quarteto de cordas), que integra Carlos Zíngaro (violino e electrónica), Márcio Mattos (violoncecelo e electrónica), Simon H. Fell (contrabaixo) e Mark Sanders (bateria e electrónica). O concerto serviria para o lançamento do primeiro disco desta formação, Music For Strings, Percussion and Electronics, mas a edição foi adiada para uns dias depois. Experimentação garantida.
 
 

Esta semana, no Jazz on 3 (BBC Radio 3), o baterista Jack Dejohnette, o guitarrista John Scofield e o organista Hammond, Larry Goldings, homenageiam a Lifetime Band de Tony Williams e o jazz rock dos anos 70. A não perder.



 
27.11.04
 

Há anos que perseguia este disco. Desde a Loja da Música do Coliseu, e vão dez anos. Já dele me tinha esquecido até. Subitamente, deu-se o encontro (Encounter!) hoje ao fim da tarde, com o contentamento próprio destas situações. Falo da reunião do fantástico baritonista do hard-bop, mestre Pepper Adams, homem de Detroit, com o tenor da West Coast, o diáfano Zoot Sims, numa sessão Prestige gravada em Nova Iorque em 11 de Dezembro de 1968. Com Tommy Flanagan, piano, Ron Carter, contrabaixo e Elvin Jones, bateria. Uma festa! E mais: há dois temas originais de Joe Henserson, um de Billy Strayhorn e outro de Thad Jones, além do material com que os participantes contribuem. Diz Ira Gliter nas notas do disco: "Pepper Adams is a wise owl; jazzwise and otherwise". Não podia estar mais de acordo com o senhor Gliter.
 
 


Ainda sob os ecos da prestação de Cecil Taylor, Tony Oxley e Bill Dixon no Guimarães Jazz deste ano, a que não assisti e sobre a qual já ouvi e li opiniões muito díspares (para uns, muito bom; para outros, nem tanto) como é bom e saudável que haja, repesco uma opinião há tempos publicada na Tomajazz sobre o concerto de Taylor & Oxley em Fevereiro deste ano, no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa:

"Está há muito esgotada a discussão sobre se o que Cecil Taylor toca é jazz ou música contemporânea. Outra coisa será, porque o que desde há décadas se conhece com a marca do mestre, e, em particular, o que se ouviu no Centro Cultural de Belém, na noite de 17 de Fevereiro de 2004, foi algo que está para além dos limites do jazz, um meta-jazz, se se quiser; mas que, por outro lado, também não se enquadra nos estritos parâmetros da música contemporânea ou da new music. É, diria, um tertium genus inclassificável, pesem embora as tentativas de arrumação nesta ou naquela categoria, tarefa por demais estulta. Cecil Taylor é, quase sempre, referenciado como um músico de Jazz. Este, quer-me parecer, estará para a música de Taylor, como o Latim está para as actuais línguas latinas. Isto é, está-lhe nas fundações, na estrutura, na massa do sangue que lhe circula nas veias, no ritmo interior, na respiração. Pressente-se, mais do que se vê; está-lhe ainda nalgum vocabulário e na articulação expressiva. Porém, na raíz, corpo e espírito, no mais recôndito do ser, do que se trata é de música improvisada total, no que isto tem de reflexo num tempo presente e na mais remota ancestralidade. Foi esta música simultaneamente temporal e intemporal - no duplo sentido em que nela cabe o tempo todo, e que não pertence a tempo nenhum - a que nos foi oferecida em criação directa, imediata e espontânea, por Taylor & Oxley. Uma música tensa e ritualística, música sacra de culturas tribais imaginárias, que tanto podem ser do passado, como do futuro. A execução, organizada em dois sets de tema único, cuja duração me pareceu próxima dos 45 minutos cada (é-me difícil calcular, porque a certa altura perdi a noção do tempo), a que acresceu um breve encore, mostrou-nos dois criadores de comprovado e inquestionável virtuosismo técnico, em excelente forma física e criativa. Taylor fez uso intensivo dos seus inesgotáveis recursos pianísticos, com os característicos clusters de acordes dissonantes, em permanente discurso atonal, fortemente percussivo, que ora ascendia a cumes de intensidade emocionalmente opressiva, ora descomprimia, distendido em breves momentos de contido lirismo poético, libertário e encantatório. Do lado direito do palco, em absoluta compatibilidade, Tony Oxley, ícone do experimentalismo e da free improv britânica, contrapontuava de forma densa e polirrítmica, preenchendo o resto da tela com as cores personalizadas do seu kit. Produziu as mais requintadas sonoridades, dispostas em camadas de ritmo e melodia, plenas de detalhe e riqueza tímbrica e textural, fornecendo a Taylor o ambiente perfeito para sobre ele escrever e rescrever páginas e páginas da mais entusiasmante improvisação livre. A isto acresce a fantástica linguagem corporal do duo, como se os músicos estivessem a dançar um bailado de movimentos livres, uma dança mágica que, desde a noite dos tempos, convoca os espíritos para a celebração da beleza musical em estado puro, patente na magnitude de cada nota, célula e fragmento temporal. Cecil Taylor & Tony Oxley transportam a Música, enquanto arte, a estados superiores de transparência e de transcendência tais que, mais puro que o seu som, só o silêncio absoluto. E esse, sabemos, é impossível".

 
 

Os nomes de Peter Brötzmann e de Joe McPhee são geralmente sinónimo de música free-energética, de antes quebrar que torcer. Desta vez a ideia, segundo o produtor John Corbett, não era deixá-los abrir as goelas aos saxophones e soltar a imensa fúria urgente, mas organizar uma sessão baladeira, explorando o lado mais lírico, menos pesado e macio de McPhee (e o de Brötzmann, que também o tem...) – fazer um disco porventura mais soul. O que saíu foi menos uma sessão típica de love songs for lovers (até o diabo se ria...), que um disco delicadamente intenso, com a carga típica de dois dos maiores pesos-pesados da história do jazz dos dois lados do Atlântico. Digamos que trataram de amansar a fera durante alguns minutos. Mas o perigo espreita e risco de explosão está sempre eminente. E nunca é de fiar em aparentes e insuspeitos adoçares de boca que apenas sensíveis por um ouvido menos atento e incauto. Diga-se em abono da verdade que também não há aqui nada de amargo ou de adverso à boa degustação musical. Brötzmann & McPhee, com a famosa "secção rítmica" de Chicago – Kent Kesler & Michael Zerang – não são meninos para se perderem em rodriguinhos e maciezas que tenham o público do jazz mainstream como alvo. Nada disso. Em Tales Out of Time o ambiente tem peso, é meditativo e elegíaco. Propício à introspecção, sem cair no torpor dormente. Só assim se poderia condignamente homenagear gente tão ilustre, como o trio contrabaixistas da livre-improvisação, Fred Hopkins ("Master of a Small House") Peter Kowald e Wilbur Morris; o escritor Irving Stone e o “Holy Ghost” Albert Ayler (“Blessed Assurance”). Belo disco, que é também a banda sonora de uma visita digna e respeitosa a alguns mestres e amigos que repousam no panteão da música improvisada.
>Peter Brötzmann, Joe McPhee, Kent Kessler, Michael Zerang
>TALES OUT OF TIME
>(Hatology 589)
 
 
Esta semana, no sítio do costume... [PuroJazz], Roberto Barahona oferece-nos a música de "Bean", aka "The Best and Only" e Coleman Hawkins, assinalando o centenário do nascimento do pai do saxofone tenor moderno. Não do instrumento em si mesmo, cujo foi, como se sabe, um senhor belga chamado Antoine Joseph Adolphe Sax, mas da arte de tocar jazz nesse instrumento, que lhe conferiu uma marca genética fundamental.

"Esta semana celebramos el centenario del saxofonista Coleman Hawkins, quien nació el 21 de noviembre de 1904 en Saint Joseph, Missouri.
De los instrumentos que se usan en el jazz, sin considerar la sección rítmica, yo diría que el más importante es el ubicuo saxofón tenor. Los grandes nombres del jazz eran saxos tenor, Ben Webster, Lester Young, Dexter Gordon, Stan Getz, Sonny Rollins, John Coltrane y el innovador Coleman Hawkins. Pero esto no era así cuando el jazz se inició. Pasaron casi tres décadas hasta que surgiera Coleman Hawkins, saxo tenor de la orquesta de Fletcher Henderson de los años 20. Hoy el saxo tenor no sólo lo aceptamos como instrumento del jazz sino que consideramos que es la esencia del jazz, y en gran parte se lo debemos a Hawkins.
Hawkins reinó como el más importante saxofonista por años hasta que a mediados de la década de los años treinta viajó a Europa, invitado por el director de orquesta británico Jack Hylton a participar en varias giras por el continente. Hawkins pensó que ésta duraría algunas semanas o meses, pero no estaba preparado para el recibimiento que tuvo por parte de los entusiastas aficionados al jazz europeos. La gira duró cinco años.
A fines de la década, Hawkins emprendió su regreso a América, en gran parte por la eminente guerra que estaba pronta a irrumpir y, más importante aun, su indiscutible puesto como el líder de su instrumento lo desafiaban importantes nuevos exponentes del saxo tenor; principalmente Ben Webster y Lester Young. Una de sus primeras actuaciones las hizo en el club Kellys Stables en Nueva York con una banda de nueve músicos desconocidos. Esa actuación no tuvo gran éxito, por lo menos el público no apareció como se esperaba. Luego participó con el mismo grupo en una sesión de grabación, la que resultó en gran éxito para Hawkins y que afectó el rumbo de su carrera. Se dice que una vez que la sesión concluyó, con sólo tres temas, el productor le propuso a Hawkins, quien regañadientes accedió, que tocara una balada más sugiriendo Body and Soul, uno de los temas que había entrepretado en el Kellys Stables.
El tema lo inicia el pianista Gene Rodgers con una introducción improvisada, Hawkins entra inmediatamente a la melodía. Su tono es suave, y el tempo seguro. Después de dos compases, abandona el tema y se limita a insinuarlo durante todo el solo. Es una rapsodia improvisada, llena de ideas. Este concepto lo mantiene durante dos coros y una coda, sin regresar al tema. Magistral. Si el Body and Soul de Coleman Hawkins no es la improvisación más celebrada del jazz en sus primeros 100 años, debe ser sin duda una las más aclamadas. De más hablar del éxito que tuvo esa grabación, lo identificó por el resto de su carrera.
Este domingo en PuroJazz, 28 de noviembre, 2004, el saxofonista radicado en Cuba, Raúl Gutiérrez, comparte una selección de la música de Coleman Hawkins, la que iniciaremos con la versión original de 1939 de “Body and Soul”
El sábado, 27 de noviembre, 2004, oiremos nuevamente a la pianista Stoko Fujii, pero esta vez dirige una big band poblada de estrellas del jazz actual en su CD “Bluepprint”.
Concurso Quincenal:
Las reglas para participar en nuestro próximo concurso quincenal se encuentran en este lugar".
 
26.11.04
 
Que me lembre, nunca antes tinha ouvido Mike Osborne como líder; ele que, com John Surman, nos anos 60, fazia parte da orquestra de Mike Westbrook. Foi apenas há dias que me estreei na audição do muito aclamado trio/quinteto maravilha, em gravações 1974 e 1977, hoje raras, Border Crossing e Marcel's Muse. Dois LP´s num CD Ogun de ouvir e gemer por mais uma dose de Orborne, herói do brit-jazz dos anos 70. O trio com Harry Miller (o expatriado sul-africano fundador da editora Ogun) e Louis Moholo não é para brincadeiras, mais a mais quando gravado ao vivo no Peanuts Club. A sessão com quinteto é de estúdio, mas nem por isso é menos intrigante. Assinam o livro Harry Miller, Jeff Green, Marc Charig e Peter Nykyruj. Anoto que o saxofonista britânico soa melhor que nunca aos ouvidos de hoje, no seu timbre especial entre o áspero e o agri-doce, marca de quem muito investiu na formulação de um som encorpado, que parte da enunciação melódica para a exploração free-jazzística em elevadas temperaturas. Sopram agradáveis ventos do quadrante Ornette.


 
25.11.04
 

Uma boa notícia para quem andava à procura deste disco. Denis Charles IVtet, Captain of the Deep - um dos grandes discos de Denis Charles, e um dos melhores de 1998 para muito boa gente, foi reeditado pela Eremite.

"Captain is an imposing live set led by the late drummer Charles (he died the day this was released). With a resume that included time with Steve Lacy and Cecil Taylor, Charles was firmly ensconced in the restless beauty of the free jazz world, and that sort of passion and joy overflows here. His group draws its sound from Albert Ayler and early Ornette Coleman, with stirring folkish themes that turn into blazing marathon solos. Its all-encompassing exuberance draws funeral wails, blues, African rhythms and down-the-line bebop into one roaring vortex. This band includes veteran avant-gardist Jemeel Moondoc on alto and Nathan Breedlove, now with the Skatalites, on trumpet. Their music is consisently powerful but controlled. They are both careful never to go so far out that they leave the other musicians behind or destroy the fabric of the melody. They are uplifting both on the crazed, martial air of 'We Don't' and the bluesy improvisations of 'Round About.' Add Wilbert DeJoode's deep-souled bass and Charles powerful drumming and you have an amazing, hot-blooded session with the best features of modern jazz. It sounds both ancient and up to the minute at the same time."
-- Jerome Wilson, Option 1 January 1991 Holland. Winner Jazziz Magazine Critics Picks Top Ten Recordings 1998, Cadence Magazine Reviewers' Choice Best Recording 1998.
 
 
Remexo a gaveta à procura de um disco. Vem-me à mão Large Music 2, a segunda parte de uma sessão gravada para a CIMP por Paul Smoker, Bob Magnuson, Ken Filiano e Lou Grassi. Inclui seis temas, à altura dos que integraram Large Music 1. A mesma intensidade freebop percorre as duas sessões. É um prazer ouvir Smoker, Magnuson, Filiano e Grassi, quatro dos melhores e menos conhecidos improvisadores da actualidade, numa das raras oportunidades em que gravaram juntos. Música de arrebitar a orelha, com tamanha liberdade improvisacional. Gravação de Março de 2000.
 
24.11.04
 

Evocar Duke Ellington remete imediatamente para o seu parceiro no piano e na composição, a partir de 1939. Juntos, tornaram o jazz um lugar mais elegante e um género respeitado muito para além das das suas fronteiras. Billy Strayhorn compôs clássicos que toda a gente conhece, como “Lush Life” e “Take the A Train”. William Thomas Strayhorn ("And His Mother Called Him Bill", título do disco que Ellington gravou em sua homenagem, em 1967, dois anos depois do desaparecimento de Strayhorn - uma das maiores obras de Duke). Ou Billy "Sweet Pea" Strayhorn.
"... Billy Strayhorn was my right arm, my left arm, all the eyesin the back of my head, my brainwaves in his head, and his in mine." -- Duke Ellington.
Estima-se que Ellington tenha composto cerca de 4700 temas. Não se sabe quantos deles beneficiaram do “toque” de Strayhorn, apesar das dezenas de anos de estudos musicológicos, que ainda prosseguem.

You must take the "A" train
To go to Sugar Hill way up in Harlem
If you miss the "A" train
You'll find you missed the quickest way to Harlem
Hurry, get on, now it's coming
Listen to those rails a-thrumming
All aboard, get on the "A" train
Soon you will be on Sugar Hill in Harlem.


Hoje aqui, ao serão. Antes de passar ao camarada Anthony Braxton, que já há dias me anda a apetecer. Também ele se enche de espanto ao ouvir estes sons incrivelmente humanos.


 
 

Quando Ella cantava, Duke encantava-se. E Benny Goodman também.
 
 
Steve Lehman’s Camouflage Trio - Interface
(Clean Feed)


Não é segredo para ninguém que Steve Lehman bebe nas fontes de Jackie McLean e Anthony Braxton, com quem estudou e de quem herdou a velocidade, a força, destreza, a inventividade e uma certa cor. E que, ao ouvi-lo, nos remete para a memória recente da tradição dos grandes saxofonistas do jazz moderno. Não há aqui, no entanto, especial originalidade; apenas excelência ao nível da execução.

Recordo tê-lo visto ao vivo em 1999, no Old Office da Knitting Factory, em Nova Iorque, e de ter reparado no seu elevado potencial enquanto instrumentista, ideia que reforcei aquando da sua vinda a Lisboa, integrado no decateto de Anthony Braxton, para uma actuação no festival «Jazz em Agosto» da Fundação Calouste Gulbenkian.
Muitas opiniões têm posto em relevo a sua relativa pouca idade, factor que não valorizo por aí além, pois a história do jazz está repleta de grandes artistas que deram o melhor de si em tenra idade. No entanto, este aspecto não deixa de ser surpreendente, pois um tal nível de maturidade musical é mais vulgar encontrar‑se em gente mais adiantada no somatório de anuidades vivenciais. De qualquer modo, não será despropositado ter em conta que a revista DownBeat, em 1997, lhe atribuiu o prémio de "melhor saxofonista alto na classe sub-21". isto pode querer dizer qualquer coisa...
Steve Lehman é, pois, um saxofonista (alto e sopranino) com ouvido e sensibilidade estética apurados, artista talentoso e tecnicamente bem apetrechado. Num contexto ao vivo, mercê do imediatismo da criação espontânea em directo, estas características fazem-se notar com maior acuidade. Percebe-se melhor quer o pensamento musical, quer o trabalho sobre composições (Lehman escreveu para grande orquestra), quer ainda a técnica de execução instrumental, a cuja investigação se tem dedicado com afinco.
Uma boa amostra desse labor de mente e coração é o recente Interface, gravado em Coimbra, num concerto ao vivo realizado no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra. Com Mark Dresser e Pheeroan akLaff, um par de músicos que tanto deve à robustez motora, como à subtiliza no desenho rítmico, nos contrastes dinâmicos e nos detalhes de construção harmónica, Lehman dá uma lição do estado da arte quanto aos mais recentes avanços estéticos do saxofone alto no jazz actual.
Dresser assume-se como o complemento ideal, ao criar um quase efeito de drone no contrabaixo. Este, domina a estruturação das composições, reforçada pela tensão gerada pelos cambiantes percussivos de akLaff, que faz incidir raios de luz sobre o fraseado impressionante de Steve Lehman, numa lógica entrecruzada de momentos de grande intensidade, seguidos de lírico relaxamento, tudo na mais ampla liberdade de expressão artística. Em Interface, Steve Lehman demonstra uma combatividade, um fulgor e uma urgência de dizer, que impressiona muito favoravelmente.
 
23.11.04
 

No sábado passado, o jazz comemorou o centenário do saxofonista norte-americano Coleman Hawkins. “Bean”, que faria 100 anos em 20 de Novembro de 2004, foi o pai de todos os saxofonistas modernos, a meias com Lester Young. Hawkins iniciou-se no piano aos 4 anos, teve uma breve passagem pelo violoncelo e, antes de completar 10 anos, abraçou o sax tenor. Tornou-se um profissional ainda na adolescência, em Kansas City. Nas décadas de 20 e 30 tocou na orquestra de Fletcher Henderson. O resto da década de 30 leva-o até à Europa. Regressado aos EUA, estabeleceu-se comoo mais respeitado dos saxofonistas de jazz. Ajudou a mudar a face do género e a impulsionar gerações de saxofonistas, do swing (Ben Webster) do bop (Dexter Gordon), passando pelos modernistas Sonny Rollins e John Coltrane. Hawkins marcou profundamente o Século XX, atravessando o jazz desde os primórdios até ao final dos anos 60. "Body and Soul".




 
  Tribute to Eric Dolphy
Oliver Lake, famoso saxofonista de St Louis, membro do World Saxophone Quartet, com David Murray, Hamiet Bluiett, e o entretanto falecido Julius Hemphill - o grande Oliver Lake tocou no passado dia 17 de Outubro, no Bimhuis de Amsterdão. Não chore quem não viu, porque vai poder ouvir a primeira parte desse concerto (a segunda seguir-se-á dentro de dias) no Jazz op Vier, da rádio holandesa VPRO. Integram o quarteto, Oliver Lake, saxofones, o trompetista Peck Allmond, o contrabaixista Reggie Washington e o baterista Bill McLellan Oliver.
O programa é dedicado a homenagear Eric Dolphy, consabidamente uma grande e benéfica influência na música de Lake.
 
 
Que fartura tem Nova Iorque... e a horas excelentes, na minha perspectiva. Em Lisboa, quando é, é tudo "à volta da meia-noite" (as mais das vezes, muito para lá disso) durante a semana. Os programadores devem pensar que as pessoas que gostam de jazz residem todas nas imediações dos locais dos concertos e não têm que trabalhar no dia seguinte. Provavelmente enganam-se e ninguém beneficia com isso.
Na Bowery, Mr. Dee Pop não brinca em serviço. À falta de outras possibilidades, vale a pena dar uma espreitadela ao que acontece para a semana num dos ambientes mais interessantes de NYC - o clube de rock underground CBGB, cujo Lounge alberga noites de improvisação que, como diz o Village Voice, compensam o habitual "white kids screaming".
"Best home furnished environment to experience avant-jazz" -- Village Voice

Sunday November 28
7pm - daniel carter, joe morris, dee pop
8pm - j.a. granelli, jerry granelli, briggan krauss
9pm - trio tarana: jason hwang, shanir blumenkranz, ravish momin
10pm - andrew dangelo, morten olsen, anders hana

Thursday December 2
7:30pm - jemeel moondoc quartet
8:30pm - other dimensions in music
9:30pm gary lucas, mark plakias, ernie brooks, jason candler, dee pop
10:30pm - jemeel moondoc quartet meets other dimensions in music

Sunday december 5
7pm - golden circle w/ soon kim (from New Zealand)
8pm - FREEDOMLAND: dee pop, william parker, daniel carter, david hofstra, dave sewelson
9pm - tyshawn sorey quartet: loren stillman, carl maguire, carlo derosa, tyshawn sorey
10pm - Ras Moshe, Saco Yasuma, Matt Heyner, Anders Nilsson & Jackson Krall


 
22.11.04
 

Desde 6.ª feira e durante toda esta semana, Jazz on 3 (BBC Radio 3) difunde dois concertos gravados no recente London Jazz Festival: na primeira parte da emisão a pianista norte-americana Carla Bley com o quarteto Lost Chords (Andy Sheppard, sax tenor; Steve Swallow, baixo; Billy Drummond, bateria). O israelita Gilad Atzmon, com o seu Orient House Ensemble (Frank Harrison, piano; Romano Viazzani, acordeão; O. D. Fratila violino; Yaron Stavi, contrabaixo; Asaf Sirki, bateria), preenche a segunda parte da emissão. Nada mau, hem?!
A elegância da Sr.ª Bley parece refinar com o tempo, tal como a marca fortemente politizada do saxofone de Atzmon. A ouvir, claro está.


 
21.11.04
 

Jeff Kaiser Ockodektet
13 Themes for a Triskaidekaphobic
(pfMENTUM)
No vasto catálogo dos medos que assolam a humanidade avulta a triscadecafobia, que outra coisa não é que o medo do número 13. Há quem não receie nada relacionado com o 13 e encare a associação dos dois algarismos como um facto sem qualquer relevância fora da aritmética. Mas também há quem se apavore só de os imaginar associados. Sem medo, ou na tentativa de sublimar a fobia enfrentando-a corajosamente, Jeff Kaiser resolveu enfrentar a questão pela via musical. Estejamos perante caso ou outro, o certo é que Kaiser, trompetista, compositor, arranjador e director de orquestra, abordou a questão com sentido de humor, talvez crente nos benefícios da terapia musical para si próprio ou para terceiros, que possam buscar alívio em 13 Themes for a Triskaidekaphobic. A brincar a brincar, a questão é levada muito a sério: são 13 os temas humoristicamente denominados segundo títulos de The Life and Opinions of Tristram Shandy, Gentleman, de Laurence Sterne, novela cómica em nove volumes, publicada entre 1759 e 1767 (exemplos: My Uncle Toby's Apologetical Oration; Gravity Was an Errant Scoundrel; The Stranger's Nose Was No More Head Of, etc.), com a duração total de 1 hora, 13 minutos e 13 segundos. Rigorosamente. Para adensar o clima supersticioso (ou não), Kaiser fez afixar na capa uma citação de Carl Jung a propósito das inomináveis coisas da psique, de que o discípulo de Freud era reputado especialista: “Number helps more than anything else to bring order into the chaos of appearances”. Assim seja.

Pondo de lado as considerações extra-musicais, 13 Themes for a Triskaidekaphobic está organizado como uma longa suite, executada pelo Ockodektet de Jeff Kaiser (18 elementos, como o próprio nome indica), que inclui Vinny Golia, Ernesto Diaz-Infante e cerca de dezena e meia de músicos da melhor safra da West Coast dos EUA. Kaiser mobiliza toda aquela gente na criação de uma estética baseada na livre‑improvisação moderna, em formato big band, de pendor fortementemente abstraccionista, que tanto soa às congéneres britânicas de Barry Guy, por exemplo, como às menos tradicionais orquestras de jazz norte‑americanas, privilegiando igualmente sonoridades camerísticas mais próximas da tradição musical europeia. Um organismo complexo, que executa música de elevada complexidade na sua estruturação e desenvolvimento.
A obra chega a ser impressionante na sua magnitude, tanto ao nível dos efeitos de massa e arranjos para diferentes conjuntos instrumentais, como nos detalhes dos solos, com especial destaque para os sopros (a secção é generosa e inclui saxofones tenor, alto e soprano; clarinetes; flautas; trompetes; trombones e tuba), que recolhem a parte de leão.
Jeff Kaiser compõe música de difícil abordagem, que requer da parte do ouvinte uma atitude de audição construtiva, isto é, apela à concentração e ao empenhamento necessários para acompanhar cada momento criativo, tarefa nada ligeira, se se considerar que o programa é deveras ambicioso e por vezes algo pesado. Recomenda-se que se comece por audições parcelares, à fatia, antes do abalançar à totalidade da sequência, para a qual é preciso fôlego e algum jogging auditivo. Se é caso de se ter as orelhas robustecidas por muito fitness, e se não se é supersticioso, o desafio de 13 Themes for a Triskaidekaphobic pode ser altamente estimulante e satisfatório. Cruzes canhoto!

Jeff Kaiser Ockodektet - Kaiser/Diaz-Infante Sextet
The Alchemical Mass/Suite Solutio
(pfMENTUM)
Fora de brincadeiras, e num registo ideológico – que não musical – muito mais sério, Jeff Kaiser brindou-nos uns tempos depois de 13 Themes for a Triskaidekaphobic, com duas belas peças musicais: The Alchemical Mass, com o Jeff Kaiser Ockodektet e o ensemble vocal Ojai Camerata, e Suite Solutio, com o Kaiser/Diaz-Infante Sextet.
The Alchemical Mass é, como o nome indica, uma missa (Introitus; Kyrie; Collecta e Gloria; Epistola e Graduale; Offertorium; Ave Maria e Commune), que, inspirada na homónima, escrita algures entre 1490 e 1516, funde a forma clássica da missa com elementos de uma certa religiosidade primitivista, presentes através do canto (Ojai Camerata) e reforçadas com os motivos afro‑exóticos que dão à música um colorido fascinante, simultaneamente erudito e popular. Kaiser é o homem certo para este tipo de grandes produções de new music, em que os aspectos convencionais se articulam com um tipo de escrita inovadora e execução experimental.
A segunda peça do disco, interpretada pelo Kaiser/Diaz-Infante Sextet (Jeff Kaiser, Ernesto Diaz-Infante, Scot Ray, Jim Connolly, Brad Dutz, Richie West) é muito diferente da missa. O que aqui temos é uma gravação de 2001, incluída no mesmo CD. Ainda bem que Kaiser tomou a decisão de associar ambas as peças, oportunidade soberana de escutar um sexteto de jazz (trompete, guitarra, trombone, contrabaixo e bateria e percussão) a la Kaiser/Diaz‑Infante, que improvisa colectivamente dentro de um estilo free‑bop experimental, servido por boas composições, rasgos de Kaiser e demais pessoal, com destaque para as guitarradas de Diaz-Infante, que infundem respeito, tal a gana com que trabalha as seis cordas. Comum a ambas as peças é também o tom sombrio que as envolve e lhes confere uma aura de mistério, algo que emerge de tempos imemoriais e se desenrola em directo à nossa frente. Belo e arrepiante.

 
 

Are you Experienced ? - The Jimi Hendrix Experience (Mitch Mitchell e Noel Redding)
O primeiro disco de Jimi Hendrix (Seattle, 1942 - Londres, 1970), artista da guitarra eléctrica blues/rock/soul, publicado em 12 de Maio de 1967. Produção de Chas Chandler, ex-baixista dos Animals. Seguiram-se, ainda em 1967, Axis: Bold as Love, e em 1968, Electric Ladyland.

But first, are you experienced?
Uh-have you ever been experienced-uh?
Well, I have.



 
20.11.04
 
Ontem, numa breve passagem pela AnAnAna, o amigo João Santos deu-me a ver uma preciosa curiosidade:
«Flammable Material - 2004 Tour Poster Boxset Opus»
(Caixa Posters + CD Atavistic)
conteúdo: 20 posters diferentes, assinados e numerados, em papel com tratamento de brilho especial (cada poster foi criado por um artista diferente para a digressão «Elements», dos Vandermark 5). Tamanho individual a rondar os 35x25.CD «Elements: Live From The Green Mill», fabricado à mão, em cartão, assinado pelos artistas, com design de Dan Grzeca. Caixa original, numerada, limitada a 60 exemplares.
A Folha Informativa diz assim:

"A 11 de Agosto de 2000, Ken Vandermark veio a Lisboa confirmar tudo o que de melhor tinha sugerido ao longo de uma década de gravações. Nessa altura já conhecíamos 3 álbuns dos Vandermark 5 e outros tantos dos seus trios DKV e AALY, havíamos já sugerido a sua gravação dedicada à música de Joe Harriott, outra no Octeto de Peter Brötzmann, outra ainda com o NRG Ensemble de Hal Russell, e o seu nome saltava à vista em colaborações com Joe Morris, Joe McPhee, Fred Anderson ou Paul Lytton. À nossa escala era demais e difícil de gerir. Mas esse festival de Jazz em Agosto, tornou a sua discografia subitamente redundante pelo impacto dos seus concertos. Os discos serão sempre discos, mas o bilhete de entrada para essa noite foi investido pelo poder da transcendência, da beleza e do testemunho directo do grau mais elevado da capacidade humana. Vandermark não fazia apenas bons discos – parava a rotação da terra, suspendia o tempo, anulava de uma só voz a nossa efémera condição. E depois foi só esperar por mais. Territory Band, Spaceways Incorporated, Tripleplay em concerto - e os bilhetes guardados, à parte – numa caixa ou numa gaveta - ou junto aos discos. Hoje, Vandermark está numa posição única no mundo da música. Reconhecido e respeitado sem que nada - mas absolutamente nada - do que diz, do que deseja ou daquilo em que toca, deixe de ficar iluminado pela urgente radiação que reconhecemos no que, muitas vezes inexplicavelmente, pressentimos como inabalavelmente verdadeiro. A sua consistência, num quotidiano de progressiva volatilidade, é uma benção rara. Ainda para mais temperada pela humildade e pelo seu amor e admiração genuínos por tudo aquilo que, antes de si, fizeram figuras como Ornette Coleman, Cecil Taylor, Sonny Rollins, Joe McPhee, Archie Shepp, Don Cherry, Eric Dolphy, Sun Ra, Julius Hemphill, Carla Bley, Frank Wright, Jimmy Giuffre, Lester Bowie ou Anthony Braxton (para nos ficarmos apenas por aqueles representados em versões nos vários volumes dos «Free Jazz Classics» gravados pelos V5). Já dissemos que não lhe reconhecemos ainda um sinal de fadiga, uma cedência ao facilitismo virtuosístico ou criativo, a renuncia a qualquer desafio ou uma indulgência auto-referencial. E mantemo-lo. Agradecemos o privilégio de assistir a um processo histórico em pleno andamento. Hão de haver, certamente, mais concertos, e, para lá de qualquer dúvida, dezenas de discos".
 
 
The Burton Greene/Roy Campbell Quartet
MONDAY NOVEMBER 22
at
Zebulon
258 Wythe Ave, Brooklyn, NY
(betwen north 3rd & Metropolitan)
(718) 218-6934
2 sets starting at 10 PM

Roy Campbell, Jr. - trumpet
Burton Greene - piano
Adam Lane - bass
Lou Grassi - drums

No Cover Charge!!!
 
  Tim Berne's Science Friction

Hey Folks,
Here are SOME UPCOMING THINGS with Science Friction plus the legendary Herb Robertson ......... Could be the last hurrah for electricity for awhile so dig in...... Tim

Science Friction + Herb Robertson:
Nov. 22 NYC/USA 55 Bar
Nov. 24 NYC/USA 55 Bar
Nov. 27 Warsaw/Poland
Nov. 29 Katowice/Poland
Nov. 30 Wien/Austria
Dec. 1 Cadiz/Spain
Dec. 2 Jerez/Spain
Dec. 3 Sevilla/Spain
Dec. 4 Barcelona/Spain
Dec. 5 Zurich/Switzerland

 
19.11.04
 
Roberto "PuroJazz" Barahona, por ele próprio:
"El programa [PuroJazz] del domingo, 21 de noviembre de 2004, lo dedicaremos en gran parte a saxofonistas alto, algunos conocidos y otros menos.
Aunque Oliver Nelson es considerado más como compositor y arreglista, su talento como saxofonista, los tocaba todos pero su instrumento preferido era el alto, es indiscutible. Nació en 1932 en St. Louis, y después de graduarse de la universidad en 1958 se instaló en Nueva York, donde se estableció en las bandas de Erskine Hawkins, Wild Bill Davis, y Louie Bellson y al mismo tiempo hcomo el arreglista del Apollo Theatre en Harlem. Despueés de algunos años liderando y grabando con sus conjuntos, en 1961 grabó el trabajo por el cual es más conocido “The Blues and the Abstract Truth” con músicos que ya eran o pronto serían, estrellas del jazz moderno: Eric Dolphy, Bill Evans, Roy Haynes y Freddie Hubbard. El éxito de este LP transformó la carrera de Nelson, colocándolo entre los principales compositores y arreglistas de la época. Sus arreglos eran codiciados por artistas como Cannonball Adderley, Johnny Hodges, Wes Montgomery, Jimmy Smith, Stanley Turrentine, y otros.
Este éxito mudó su carrera cuando Hollywood le ofreció oportunidades en los estudios que le fueron difícil de rechazar. El resto de su carrera se dedicó primordialmente a componer música y escribir arreglos para el cine y la televisión, con esporádicas escapadas en que se presentaba como saxofonista en algún club. El estrés de sus actividades le causaron una muerte prematura por un ataque cardíaco a los 42 años.
Otro saxo alto que oiremos es Thomas Chapin, quien nació en 1957 en Manchester, estado de Connecticut. En la univesidad estudió con dos grandes del jazz: Jackie McLean y Kenney Barron. Se inició en la banda de Lionel Hampton, en la que estableció su reputación como saxofonista principal y director musical, trabajo que duró más de 6 años.
Después trabajó por algunos años en el quinteto de Chico Hamilton. Desde 1989 lidera sus ensambles, entre las cuales la más famosa fue su trío junto a Mario Pavone y ,Michael Sarin en bajo y batería. Este grupo alcanzó gran fama en Nueva York, transformándose en la insignia del club the Knitting Factory y luego el sello del mismo nombre fundado por el club poco después. Su último CD “Sky Pieces”, grabado en 1996, fue editado póstumamente, principalmente porque Chapin insistía en terminar el trabajo de post producción, a pesar de estar en las últimas etapas de leucemia, trabajo que finalizó una semana antes de su muerte. De ese trabajo escucharemos su composición “Night Bird Song”.
Saludos,
Roberto Barahona

 
 
Este mês foi posto à venda o DVD da actuação do Masada de John Zorn, na versão quarteto original (John Zorn, sax alto; Dave Douglas, trompete; Greg Cohen, contrabaixo; e Joey Baron, bateria), ao vivo em 1999 no TONIC, o famoso clube do Lower East Side de Nova Iorque, que é uma espécie de sede operacional de Zorn. O concerto, registado com três câmaras e um conjunto de microfones estrategicamente colocados no palco do Tonic pelo realizador Antonio Ferrara (a acústica é muito boa e permite captar o som "natural" dos instrumentos), tem 11 temas: Hath-Arob, Sippur, Jair, Ne’eman, Kedushah, Beeroth, Kochot, Shechem, Paran, Ashnah e Katzatz. Uma hora e picos de Masada escaldante.
 
18.11.04
 
The tenor is a rhythm instrument,
and the best statements
Negroes have made of what their soul is
have been on the tenor saxophone
-- Ornette Coleman
 
 

Li no colega Improvisos ao Sul e saquei do Programa do CCB:

É um verdadeiro encontro de gigantes o que ocorre este ano no Galp Jazz, ao juntar no mesmo palco Mulgrew Miller e Steve Nelson, dois expoentes do jazz contemporâneo.De um lado está Mulgrew Miller, um dos pianistas mais requisitados no meio jazzístico de Nova Iorque e o segundo presente em maior número de discos (400!). De outro lado está Steve Nelson, que aos 20 anos já fazia soar o seu vibrafone juntamente com o lendário guitarrista Grant Green. Com influências de pianistas como McCoy Tyner e Wynton Kelly, Miller iniciou a aprendizagem do piano aos seis anos de idade e veio a tocar com a orquestra de Duke Ellington, dirigida por Mercer Ellington, os Jazz Messengers, Woody Shaw e Betty Carter.
Quanto a Steve Nelson, ganhou proeminência no jazz ao integra o quarteto, quinteto e orquestra de Dave Holland e também pela sua associação com o lendário pianista George Shearing, tendo actuado no Estoril Jazz em 1995.
Nascido em 1954, em Pittsburgh, Nelson cedo se mudou para NYC e aí começou a gravar com músicos como James Spaulding, e Kenny Barron. Depois de concluídos os estudos na Rutgers University, o vibrafonista gravou com Bobby Watson, tendo posteriormente começado a tocar com músicos como Mulgrew Miller, Ray Drummond, Donald Brown e Geoff Keezer
.
11 de Dezembro, Grande Auditório do Centro Cultural de Belém
Mulgrew Miller, piano/Steve Nelson, vibrafone

 
17.11.04
 
Ontem falei aqui no novo disco de Kali Z. Fasteau, Making Waves, e na sua anunciada participação no UNCOOL Festival de 2005. Pois a artista especializada no chamado world-jazz mandou um mail agora há pouco, dizendo que gostaria muito de vir a Portugal tocar por alturas de Maio de 2005, depois da actuação no UNCOOL.
Se houver alguém em condições de tratar disso, ou que saiba de alguém capaz de tratar da vinda da multi-instrumentista...

 
 
Sou apreciador da Marilyn Crispell na versão ECM. Não muito, mas admitamos que sou. Esta minha relutância tem que ver com a anemia (Ken Waxman) de que padecem os discos gravados para a casa alemã. Atenção: discos anémicos não quer dizer discos maus. Significa discos em que os desafios e o atrevimento estético ficaram à porta, em favor de uma certa moleza contemplativa, que deve render uns mais que legítimos cobres ao trio com Gary Peacock e Paul Motian, pois o produto musical é talhadinho à medida do gosto ecêémico médio. Não tenho nada contra. Nem muito a favor. Mas, quando comparamos esses discos com outros da obra da pianista, de antes e depois da ECM, aí é que se vê que o sangue não tem pinga de cor e que os níveis de ferro e de outros minerais andavam muito por baixo. Um exemplo? Então, e que tal a Crispell de Odyssey, com Barry Guy e Paul Lytton (Intakt)? Ah, pois é... . Há dias, conversando como o amigo Francisco Girão, a propósito não sei de quê, convergimos ambos na grande admiração de Odyssey. Que disco... As composições são de Barry Guy, novas e antigas, o que muito ajuda ao resultado. E Lytton é Lytton, não há volta a dar. Que não haja dúvidas: este, não sendo essencialmente um disco de Marilyn Crispell enquanto líder, tem a sua marca bem vincada. E isso, não fazendo toda a diferença, faz muita: uma obra-prima do piano trio. Harmos, Double Trouble, Odyssey... Só não ouço estas peças agora, como tinha planeado esta tarde, porque... não encontro o disco no meio das pilhas arrumadas de acordo o mais puro critério de empilhamento. Vou prosseguir a busca, antevendo os momentos de emoção que o reencontro me reserva. Se não o encontrar entretanto, tenho a noite feita com After Appleby e Natives and Aliens. Com Evan Parker como bónus, o caso muda de figura. Enquanto não chega o recente Ithaca. Outra vez Crispell/Guy/Lytton. O eterno retorno.
 
16.11.04
 

The Charles Gayle Trio
Sexta-feira, 19 de Novembro, no Zebulon
258 Wythe Ave, Brooklyn, NY, dois trepidantes sets, com:

Charles Gayle - alto sax
Hill Greene - bass
Lou Grassi - drums


Os biógrafos e críticos musicais que se debruçam sobre a figura de Charles Gayle, nado e criado em Buffalo, Nova Iorque (1939), são geralmente unânimes em fazer sobressaír o lado físico e a intensidade das suas actuações ao vivo, bem como a sua mitológica ascensão a partir da condição de sem-abrigo, vivendo e tocando nas ruas e nos corredores do metro de Nova Iorque durante perto de vinte anos, até se tornar na "estrela" que hoje é nos meios jazz mais vanguardistas. A imagem do sem-abrigo que Gayle efectivamente foi colou-se-lhe à pele até aos dias de hoje, apesar de actualmente ser uma figura disputada para actuar nos melhores palcos internacionais, e de possuir uma discografia relativamente vasta. Foi a editora americana Knitting Factory quem primeiro descobriu e procurou valorizar o que à época (anos 80) lhe pareceu um diamante em bruto que merecia ser conhecido de audiências mais atenta sque os distraídos transeuntes.
Anos passados, é possível afirmar que raras são as figuras do jazz actual tão pouco consensuais, num espectro que vai da fervorosa admiração à repulsa e até à indignação. Porquê? Simplesmente, porque Charles Gayle toca uma música visionária, de uma intensidade emocional por vezes difícil de suportar, crua, despojada, gritante e indomável, mas simultaneamente tão bela quanto o pode ser a natureza em estado selvagem. Charles Gayle é um místico, um profeta de rua que fala aos homens sobre Deus e a comunhão com a divindade. Fá-lo através do som apocalíptico que extrai do saxofone tenor, sem menosprezar outros veículos, como o clarinete baixo, o violino e o piano, que aborda da mesma forma electrizante. Sem ser um músico de escola, Gayle chega a espantar os seus detractores pela emoção com que toca, invulgar capacidade técnica e coesão das suas coruscantes livre-improvisações. Se ele diz amar Armstrong acima de tudo, certo é que também cultivou Charlie Parker, Coltrane, Cecil Taylor e Albert Ayler, influências que se manigfestaram na construção da sua controversa persona.
Charles Gayle é o tenor mestre do registo altíssimo, o mais free dos saxofonistas free. Por esse facto, discos como Repent, Testaments, Consecration e More Live at the Knitting Factory, são peças de difícil abordagem para o comum dos amantes de jazz. No entanto, muito para lá de alguma superficial "gritaria", é possível perceber-se um instrumentista cheio de soul, pleno de capacidade improvisacional e fervilhante de ideias musicais, que fazem dele um saxofonista de primeira água. Que o digam William Parker e Rashied Ali, que com ele gravaram o já clássico Touchin' on Trane (FMP), e Cecil Taylor, que o convidou para integrar asua banda e gravar o fantástico Always a Pleasure (FMP). (Foto: © Nuno Martins)

 
15.11.04
 
O mail tem poucas horas. Nele, Kali Z. Fasteau, improvisadora norte-americana que irá participar na próxima edição do UNCOOL 2005, JAZZ IMPROVISED PLANETARY AND COSMO MUSIC, anuncia que tem um novo CD com três dos maiores improvisadores da velha guarda: Edward "Kidd" Jordan, Bobby Few e Sirone. O disco, Making Waves, acabou de saír na Flying Note.
Kali Z. em discurso directo:

MAKING WAVES, illuminated by the tremendous creativity of these legendary pioneers of free jazz, offers entirely original works ranging from the cosmic and sublime to earthy and wild. This music is warm, exciting, full of heart and passion, a memorable listening experience. On MAKING WAVES, Kali’s fifteenth album as a leader, she debuts her beautiful new sounds on synthesizer, as well as sharing her amazing versatility on soprano sax, drums, cello, voice and mizmar, with Kidd Jordan’s masterful tenor, Bobby Few’s effervescent piano, and Sirone’s mellow bass. These spontaneous compositions are empathic communications shining with joy.

“Part of New York’s original free-jazz scene, Kali’s music is fierce… pure and constant rapture.” -- The New York Times

“Multi-instrumentalist improv-goddess Kali Z. plays truly wonderful music. Highest recommendation!”-- Other Music

“Fasteau plays with agility and grace, with precision and freedom, with driving force and haunting beauty.”-- Signal to Noise

Biographies:

KALI. Z. FASTEAU comes from a musical family, playing piano, cello, flute and voice since early childhood in Paris and New York. After her university training in World Music and Jazz, she traveled for fourteen years, living in India (1981-83), Turkey (1976-77), Nepal, Morocco, Senefal, Congo, Italy, Holland, France, Denmark, Belgium, Switzerland, Yugoslavia, Germany, Greece, Haiti and America, performing in many festivals, concerts, radio, television and film soundtracks. Her recording and performing associates include: Donald Rafael Garrett, William Parker, Archie Shepp, Rashied Ali, Kidd Jordan, Joe McPhee, Beaver Harris, Hamid Drake, Oliver Lake, Joseph Jarman, Warren Smith, Bobby Few, Noah Howard, Andrew Cyrille, Sabir Mateen and many others. Kali. Z. has led her ensembles at New York’s Town Hall, Lincoln Center and Guggenheim Museum, the Museum of Modern Art in Paris, the Museum Theatre in Chennai (Madras), India, the National Museum of Haiti, Boston Center for the Arts, and hundreds of other noted venues worldwide. MAKING WAVES is Kali’s fifteenth album as a leader.

KIDD JORDAN hails from New Orleans and is one of the few great avant-gardists from the Crescent City. During his illustrious career he has performed with Ray Charles, Stevie Wonder, Aretha Franklin, the Supremes, Ornette Coleman, Ed Blackwell, Cannonball Adderly, Cecil Taylor, Fred Anderson, William Parker and many others. For many years Mr. Jordan has been a Professor of Music at Southern University in New Orleans. He has conducted music education and cultural exchange programs in West Africa.

BOBBY FEW is originally from Cleveland, Ohio, but has made Paris his home for more than thirty years. He has toured worldwide, playing and recording with Albert Ayler, Reverend Frank Wright, Archie Shepp, Noah Howard, Alan Silva, Muhammad Ali, Sunny Murray, Steve Lacy, Booker Ervin, Kenny Clarke, Joe Lee Wilson, Kali Z. Fasteau, Marzette Watts, and many others.

SIRONE (a.k.a. Norris Jones) is from Atlanta, and has made his home in New York and Berlin. He has performed with Jerry Butler, Albert Ayler, Pharoah Sanders, George Adams, Lonnie Liston Smith, Dewey Redman, Marion Brown, Leroy Jenkins, Jerome Cooper, Noah Howard, Dave Burrell, Marzette Watts, Byard Lancaster, Eddie Moore, Sonny Sharrock, Andrew Cyrille, Charles Gayle, Frank Lowe, John Tchicai, Billy Bang, James “Blood” Ulmer, and many more.
 
 
Cá está o disco ideal para quem só de ouvir a expressão free jazz, alternativa ou cumulativamente, fica com os cabelos em pé, apetece-lhe sacar imediatamente da pistola e fazer fogo sobre o fogo (Fire Music, Archie Shepp), ou mais desesperadamente correr pela ladeira abaixo em busca do primeiro abrigo que lhe salte ao caminho (sugere-se que se tenha todo cuidado, que é sempre pouco, com esta última reacção, pois ela pode reservar-lhe surpresas musicais ainda mais... supreendentes, passe a redundância).
Twice Told Tales (DIW, 2003), coincidência ou não, segue o título da novela de Nathaniel Hawthorne (esse mesmo, o de A Letra Escarlate, traduzido para português pelo nosso ultra citado e infra lido Pessoa), é um miminho de livre-improvisação, despreocupadamente preguiçosa, que chega a fingir que é desconcentrada sem deveras ser, e sem perder a coesão interna. Embora seja tendencialmente verdade que quem vê caras não vê corações (eu próprio sou disso um exemplo eloquente, porque só conhecendo-me se perceberá o quanto o aparentemente inócuo frontispício é assaz enganador), pelas carinhas larocas da fotografia é imediatamente reconhecível estarmos vis-a-vis com quatro rapazes da maior simpatia pessoal e, adivinha-se, empatia musical. Ouvido o disco, assim se confirma o que venho de dizer. Ou não se tratasse de Louie Belogenis (na foto, à esquerda) e Tony Malaby (à direita), dois bravos tenoristas de Nova Iorque, pessoal de uma certa "Downtown", formiguinhas muito activas da Grande Maçã, aqui coadjuvados por Trevor Dunn (do zorniano Electric Masada e do pattoniano Fantomas) nas quatro cordas verticais, e por Ryan Sawyer, nos tambores e pratos. Em boa verdade, não se pode dizer que os rapazes neste disco dêem novos mundos ao Mundo, à maneira dos navegadores de antanho. Mas já se pode dizer com maior propriedade que aprofundam percursos anteriores, revisitam lugares de outrora e contemplam a paisagem futura numa perpectiva simultaneamente de grande angular e de zoom sobre os ínfimos detalhes sonoros. Depois da descoberta, geralmente segue-se o povoamento, e este disco trata disso mesmo: povoa-nos de sonhos nocturnos e retempera-nos as energias para o dia seguinte. Sem ter outros pontos de referência, levei algum tempo a identificar e a caracterizar o som de cada saxofonista, mas penso que consegui lá chegar: Além da qualidade vocal de ambos os timbres, Louie Belogenis soa a madeira seca, talvez um pouco adstringente no final; Tony Malaby é mais macio, espesso e cremoso. Combinam tão bem quanto um bom vinho tinto e um doce à sobremesa. Final feliz.
 
14.11.04
 
A tarde de ontem rendeu uma excelente entrada na colecção: Sonoluminescence (Nine Winds, 1996), de Matthew Goodheart, pianista da Baía de S. Francisco, terra de boa improvisação. Goodheart é daqueles raros músicos que se aproxima da improvisação free com a grande bagagem da música contemporânea, contaminando-a no melhor sentido. De entre vários motivos de interesse deste disco, avulta, além da estreia discográfica de Goodheart, a combinação do taylorismo do pianista (que não se esgota nessa influência marcante; basta ouvir a mão esquerda com atenção), com a lava quente do tenor de Glenn Spearman, que aqui atinge momentos grandiosos. Mas há mais: o disco está estruturado ao modo “Goodheart com convidados”. E estes não se negam a fazer a festa da estreia: Spearman, Lisle Ellis e Donald Robinson respondem com o melhor que sabem e de que são capazes, em duos, trios e quarteto a condizer.

Outro disco que não perdeu a oportunidade de se fazer ao caminho foi a edição da (re)editora espanhola Definitive Records, que reune em CD dois LP’s de um dos maiores baritonistas da história e mestre da elegância sonora, Serge Chaloff.
Blue Serge e Boston Blow Up, gravações de 1956 e 1955, repectivamente. Chaloff, por esta altura, dava com força na heroína, o que lhe prejudicou muito a carreira e apressou a morte, aos 33 anos, em 1957. Ficaram alguns discos, entre os quais Blue Serge, por muitos considerado a sua obra-prima. Talvez a única vez em que as coisas lhe correram de feição, de modo a poder conjugar vida e música.
Blue Serge, com Sonny Clark, piano; Leroy Vinnegar, contrabaixo; Philly Joe Jones, bateria. Boston Blow Up, com Herb Pommeroy, trompete; Boots Mussulli, sax alto; Ray Santisi, piano; Everett Evans, contrabaixo; e Jimmy Zitano, bateria.
 
 
Volto a Verbs of Will, disco de 2003 do Mark Helias's Open Loose (Radio Legs Music). Duas audições seguidas recolocam-me no ponto em que ficara há meses atrás: o trio Open Loose improvisa com bravura sobre estruturas compostas por Mark Helias, contrabaixista de renome, que lidera e funciona como o coração deste organismo vivo e pulsante. Tony Malaby, saxofonista de som cheio e discurso fluente (lembra-me Sonny Rollins no som, que não no estilo), está permanentemente com um pé dentro outro fora, mantendo um equilíbrio difícil entre a disciplina e a ordem pré-definidas, e a capacidade de se soltar pela rua abaixo, sem no entanto perder o rumo e a noção do que se está a passar à sua volta. Só um grande saber e um ouvido muito afinado permite recuperar assim tão naturalmente da abstracção para a forma, e partir novamente para o rasgo. Tom Rainey segura as pontas e cria a base rítmica que é também parte da chave do sucesso deste trio enquanto tal. É ele que une os fios e põe a funcionar esta eficiente máquina de jazz, que ora swinga, ora não swinga. O que vai dar no mesmo: grande música improvisada moderna.
 
13.11.04
 
Hoje, sábado 13NOV2004, às 22 horas, na Universidade do Minho - Pólo de Guimarães:

Cecil Taylor / Bill Dixon / Tony Oxley

[VICTO cd 082
Recorded Live on May 19th. 2002

at 19th Festival International de Musique Actuelle at Victoriaville.
Cover Paintings by Bill Dixon].


 
 
Como é que se pode não gostar deste disco?
Johnny Hodges e Gerry Mulligan encontraram-se em Hollywood, em 1959. Em 17 de Novembro gravaram um Verve tipicamente West Coast. A sessão é natural e descontraída, não há quaisquer irupções, barítono e alto conversam amigavelmente, acompanhados pela macieza do piano de Claude Williamson, pelo bom gosto de Buddy Clark, servidos pelo toque elegante do grande Mel Lewis. Sabe muito bem ouvir um grande clássico deste calibre. Não é o melhor Mulligan nem o melhor Hodges, mas estes 33 minutos pedem insistentemente que se transformem em 66, 99...
 
12.11.04
 

 
 

J. Lima Barreto © Nuno Martins 2003
Jorge Lima Barreto : Vitor Rua : Sunny Murray : Jac Berrocal
+
Carlos ‘Zíngaro’ : Günter Müller : John Butcher : Martin Tétreault


a very special improvisation night with a great double bill of international collaborations led by leading Portuguese musical visionaries

Thursday 18 Nov 04 7.30pm, at Purcell Room, South Bank Centre

“A nourishing and succulent musical repast”-- Jazz Weekly, USA

A superb international double bill of improv-avant-jazz not to be missed.

Portuguese pianist Jorge Lima Barreto and guitarist Vitor Rua have been playing together as Telectu since 1982 and have recorded more than 30 albums ranging from art rock, minimalism, jazz-off, modern classical and improvisation. American Sunny Murray was one of the early avant-garde's most inventive and influential drummers, doing a great deal to establish the role of the drums in free improvisation. The fourth element will be French provocateur Jac Berrocal (trombone, trumpet).

Portuguese Carlos “Zingaro” (violin, electronics) will be playing with British saxophonist John Butcher, Canadian DJ, bruit turntablist and improviser Martin Tétreault, and Swiss percussionist and electro-acoustic improviser Günter Müller.

All Atlantic Waves 2004 concert-goers will receive an exclusive CD, Exploratory Music from Portugal 04, which features exclusive unreleased recordings by many of the participating artists.

For further information on Atlantic Waves 2004:
T: 020 7908 7622 E: info@atlanticwaves.org.uk W: www.atlanticwaves.org.uk


Vitor Rua © Nuno Martins 2003

 
 
O trio The Flying Luttenbachers, rapazes com um pancadão tamanho, como há poucos por esse mundo fora, ataca de novo na reformulada equação jazz / metal / noise compacta.
Em
entrevista à ScenePointBlank.com, Weasel Walter, líder do trio inspirado na figura e na música de Hal Russel (Luttenbacher era o verdadeiro nome de Russell) conta como é o novo disco THE VOID, um alegado "regresso às origens", editado há dias pela Troubleman Unlimited. Parece que o lado free jazzista, digamos, uuhhhhmmm... pouco ortodoxo, está menos evidente em VOID, que conta com dois novos guitarristas, Ed Rodriguez (do Gorge Trio) and Mike Green (Burmese). A coisa promete e eu gosto muito destes ruídos insuportavelmente absurdos.
O texto promocional do disco desafia-nos assim: "Find out why this band is one of the most fucked up and important bands of the last decade". Não sei se é das mais importantes; que é fucked up, é com certeza. E que faz um tremendo estardalhaço, isso é garantido.
A edição é em CD e em LP. Neste último formato foram feitas 1000 cópias. Óptimas para testar as válvulas dos amplificadores dos mais exigentes audiófilos. Se resistirem aos Flying Luttenbachers, resistem a tudo.
 
11.11.04
 
Talvez boa gente não se tivesse dado conta, mas há precisamente um mês atrás foi publicada pela Fantasy uma caixa com 11 cd´s, 88 temas, intitulada Dexter Gordon: The Complete Prestige Recordings. Dexter gravou 15 discos para a casa Prestige, a partir de 1960 e até 1973, como lider e sideman. Todos aqueles discos, incluindo uma sessão de 1950 com Wardell Gray (Wardell Gray Memorial, Vol. 2) e Gene Ammons, bem como uma sessão gravada fora da Prestige, The Resurgence of Dexter Gordon, em 1960, fazem parte desta edição.
Detalhadamente, a compilação reune a totalidade da música que Long Tall Dexter gravou enquanto vivia em Copenhaga: The Resurgence Of Dexter Gordon (1960), The Tower Of Power! (1969), More Power! (1969), The Panther! (1970), The Jumpin’ Blues (1970), Tangerine (1972), Generation (1972) Ca’Purange (1972), L.T.D. (1969), XXL (1969), With Junior Mance At Montreux (1970), The Chase! (1970) e Blues à la Suisse (1973). Ou seja, úm total de oito discos de estúdio e de cinco gravados ao vivo, como líder ou co-líder.
Com Jaki Byard, Clark Terry, Buster Williams, James Moody, Barry Harris, Bobby Timmons, Juniro Mance, Tommy Flanagan, Wynton Kelly, Albert "Tootie" Heath, Larry Ridley, Alan Dawson, Freddie Hubbard, Cedar Walton, Billy Higgins, Richard Boone, Martin Banks, Dolo Coker, Charles Green, Lawrence Marable, etc, etc.
Oportunidade de confirmar a ideia de que Dexter Gordon foi o homem com o mais bonito som de saxofone tenor de toda a história do jazz. "With Dexter it wasn’t a flurry of notes. It was the way he played the notes that he played! It was like he gave more attention to each note rather than a slew of ideas. Charlie Parker came with rapid fire, and Dexter came with single shots, but they were well-aimed". Não diria melhor.
 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

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