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31.10.06
 

Scott Yanow ouviu e gostou de Spiritualized. No All Music Guide deu 4,5 estrelas (num máximo de 5) ao disco dos Lisbon Improvisation Players, de Rodrigo Amado, com Bruno Pedroso, Ulrich Mitzlaff e Dennis González. Spiritualized foi gravado e editado antes de Teatro.

When one thinks of free improvisations, it is often of high-energy barrages of sound or esoteric sound explorations. The Lisbon Improvisation Players, a quartet/quintet (cellist Ulrich Mitzlaff is on the final two of the six selections) whose best-known member is trumpeter Dennis Gonzalez, plays a different type of free jazz. Not shying away from melodies, tonality and rhythms, the group develops all three as the music progresses. The results are consistently fascinating as the musicians literally create music out of thin air. The players are all very familiar with other styles of jazz and they draw their ideas from all eras while looking ahead. "Time-Rising Spirits," a free bop piece that sounds like a rollicking blues in one chord, is a highlight. The constant and quick reactions of the musicians to each other's ideas makes this chancetaking program a complete success. Altoist-baritonist Rodrigo Amado, bassist Pedro Goncalves, drummer Bruno Pedroso and cellist Ulrich Mitzlaff and also Gonzalez deserve to be much better known. - S.Y.

 
 

Wayne Shorter Quartet, Marc Copland Trio & Tim Hagans, trio de Abdullah Ibrahim, Andrew Hill 4tet e Charlie Haden Liberation Music Orchestra featuring Carla Bley, na 15.ª edição do Guimarães Jazz, de 8 a 18 de Novembro.

 
 

Atente-se nas cinco mais recentes edições da incrível NUSCOPE Recordings, de Dallas, Texas. Se quatro delas já têm algum tempo de rua, uma acabou de sair. Não é demais chamar a atenção para esta fornada de discos, de pendor preponderantemente europeu. À cabeça, dois grandes pianistas europeus, o sueco Sten Sandell, e o alemão Georg Graewe, em discos de piano solo. Depois, um trio de improvisadores de primeira escolha, em refinados ambiente electroacústicos: os holandeses Luc Houtkamp, em saxofones e electrónica, Cor Fuhler, piano, e o percussionista alemão Martin Blume. Continuando na Holanda, pianista Achim Kaufmann, soprador Frank Gratkowski e contrabaixista Wilbert deJoode, juntam-se para um projecto de trio de piano heterodoxo. A fechar a conta, o disco da saxofonista alto e flautista sueca Biggi Vinkeloe, com o contrabaixista norte-americano Damon Smith, e o sueco percussionista Kjell Nordeson, esta sim, a grande novidade do conjunto.

Sten Sandell - Solid Musik
Georg Graewe - Fantasiestücke I-XIII
2nd Outlet (Houtkamp / Fuhler / Blume) - Burnt Sienna
Kaufmann / Gratkowski / de Joode - Unearth
Vinkeloe / Smith / Nordeson - Elegans


 
 
A história e a lenda contam-no de várias maneiras, mas há traços comuns a ambas: Duke Reid, polícia e, depois da mulher ter ganho uns cobres na lotaria de Kingston, Jamaica, vendedor de bebidas alcoólicas numa loja onde montou um sistema de som como chamariz para a clientela, que nas tardes de ócio pouco mais tinha que fazer que vaguear e certamente fumar uns porros jeitosos. O negócio começou frutificar e Reid arquitectou uma maneira de levar a promoção das bebidas aos quatro cantos da Ilha, que, com o seu sound system ambulante, passou a calcorrear com regularidade. A ideia era simples: vinde cá meninos e meninas, ouçam uns hits de R&B, umas malhas de ska e bebam uns copos, divirtam-se à grande, que assim ganhamos todos. Tanto assim foi que cedo, para transportar o sistema de terra em terra, Reid teve que adquirir uma camioneta cuja marca era Trojan. “Aí vem o Trojan”, gritava o povo quando via chegar o empresário e self-made man da Jamaica ao volante da sua bela e reluzente camioneta, para materializar os sonhos da rapaziada do início dos anos 60. E a editora que fundou a seguir naturalmente ficou conhecida pelo nome da camioneta. Reid começou por gravar artistas do submundo do rock steady e do ska, evoluindo depois para formas mais elaboradas, ao mesmo tempo que promovia o reggae na antiga colónia, o Reino Unido, o que se revelou um negócio da China. Em traços largos, assim começou a história da Trojan, a mais importante e influente editora de reggae, muito antes de nascerem os nomes, Bob Marley à cabeça, que viriam a colocar esta específica forma de música caribenha nas bocas do mundo, em todo o Mundo, influenciando músicos das mais diversas áreas musicais. Duke Reid era um caso especial de jeito para o negócio. A visão prospectiva aguda que possuía levou-o a adquirir os direitos de edição de muitos artistas que não tinham onde cair mortos, promovendo-os e fazendo render os activos através da venda e promoção em Londres. Daí que hoje a Trojan, com os seus mais de 40 anos de actividade, possua o melhor e mais vasto arquivo de reggae antigo, representando para o reggae o que a Chess representa para o blues norte-americano.
A compilação Muzik City, The Story of Trojan, 100 temas que cobrem o período dos primeiros hits de Reid até à actualidade (a primeira edição é de 2003), passa pelos momentos altos e baixos da editora, raridades, bizzarias, clássicos e tesouros da Trojan, tudo embalado em quatro CDs: 'Tighten Up Time - The Early Years, 1968 to 1971'; 'None Shall Escape The Judgment - The Fall & Rise Of The Trojan Empire, 1971 to 2003'; 'Loop De Loop - Rarities & Oddities'; e 'Solid Sounds - Rare & Unreleased Gems from the Vaults' . A história principal e as pequenas histórias que a complementam vêm contadas num livrete de 50 páginas ilustradas com fotografias de pessoas que marcaram a vida da editora, cartazes, selos de discos e memorabilia vária. A não perder, pela música e pelo design gráfico. Distribuição portuguesa pela Dwitza.

 
30.10.06
 

All About Jazz New York // Novembro
On the Cover: BOBBY HUTCHERSON
Interview: GUNTHER SCHULLER
Artist Feature: FRANCOIS HOULE
Label Spotlight: MCG JAZZ
Club Profile: LONDEL'S SUPPER CLUB
Encore: IRA SULLIVAN
Megaphone: CONNIE CROTHERS
Lest We Forget: DUKE JORDAN
CD Reviews


 
 

Travei há dias conhecimento com o novo disco de Matt Davignon, SoftWetFish, com carimbo de saída na Edgetone Records datado de Agosto de 2006. SoftWetFish vem na sequência de um primeiro disco de Davignon, Bwoo, também na Edgetone, e acentua a impressão satisfatória deixada pelo disco precedente, do qual não se afasta de forma assinalável, antes aprofunda e desenvolve algumas das pistas anteriormente esboçadas.
Se atentarmos na instrumentação utilizada num caso e noutro – uma simples caixa de ritmos manipulada de acordo com técnicas e objectivos que suponho não serem convencionais em matéria de funcionalidade e de resultado (não se ouvem beats ou clicks próprios da função dançante ou outra, por exemplo), e processamento sequencial – dir-se-á que este peixe nada em águas escuras e profundas, onde o tempo se mede de outra maneira, longe da superficial e sofisticada espuma tecnológica habitualmente associada aos projectos musicais de base electrónica, v.g., laptops, samplers, sintetizadores e toda a sorte de maquinaria disponível no mercado.
É justamente o lado low-tech (e até obsolete-tech) de SoftWetFish que acentua os resultados em presença, fruto da utilização daquela ferramenta única nos trabalhos de experimentação e pesquisa sonora. Desta forma, o músico de Oakland, Califórnia, consegue elevados níveis de eficiência, se se quiser, pois obtém mais resultado com menor investimento.
O desenho das composições de Davignon retém traços de algum formalismo, enquanto estruturas que sustentam a progressão sonora. Esse movimento consegue-se através de técnicas como a sobreposição de camadas, a produção de ondas vibratórias e a geração de micro-sons, dispostos em cursos pré-ordenados e espacialmente orientados em várias direcções. É este subtil aperto formal que afasta o disco da tentação aleatória de ligar a máquina e deixar andar, e disciplina a manufactura de sons fragmentados, que saltando da superfície plana, projectam-se no espaço e adquirem interessantes efeitos a três dimensões. Sem deslaçar, as estruturas adquirem vibrações próprias e acabam por constituir blocos texturais e padrões de cor com apuradas variações tímbricas e dinâmicas de efeito oscilante.
Mesmo sem apresentar um trabalho cujo valor principal seja a marcante diferença conceptual em relação ao projecto anterior, de que importou o figurino de confecção, adaptando-o, com SoftWetFish, qual bilhete de passagem para outra dimensão emocional e sensorial, Matt Davignon consegue um resultado muito atraente e perdurável na memória do ouvinte.

 
29.10.06
 

Impressões de Kurt Gottschalk sobre o Jazz em Agosto/2006, na All About Jazz.

 
 

Mr. Blentwell é o rei da misturada - an ongoing document of the evolution of blended music. No seu estabelecimento pode-se encontrar de tudo o que há em matéria de beats e misturas de todos os lotes. Das várias secções que visitei, gostei bastante do trabalho de Funkusion // Contemporary Global Grooves, na monotape. broken beat, funk, hip-hop, nu-jazz.

 
 
Depois de Blackwater Bridge (Gary Hassay e Anne LeBaron, 2002), álbum que desenhou novos trilhos de confluência entre o saxofone alto e a harpa, e, num plano mais vasto, ajudou a redefinir o quadro de relações entre instrumentos de sopro e de cordas, elevando-as a um novo patamar discursivo, a Drimala Records voltaria a apostar no talento de Gary Hassay. O saxofonista, recorde-se, é um dos criadores do excepcional Another Shining Path, do trio Ye Ren, em parceria com William Parker e Toshi Makihara – um dos melhores discos de 1999, também na Drimala.
Em Tribute to Paradise, a articulação vocal de Ellen Christi, fantástica cantora da free form, assenta como uma luva na sonoridade de madeira do saxofone alto de Gary Hassay. Dois casos extremos de subexposição, num mundo em que a música improvisada deste calibre se vê condenada a uma inexorável e progressiva guetização, em favor de produtos e subprodutos de menor valia estética e musical.
Christi canta uma sucessão de onomatopeias (scat) de brilhante definição e limpidez - "um estilo forte e cristalino, improvisando com o fraseado de Albert Ayler e a intensidade de John Coltrane”, nas palavras do New York Times. Hassay serve-se de tonalidades e texturas pouco usuais, fundind-se com o som de Christi num canto a capella de muito bom gosto.
Parte do encanto desta gravação está no progressivo deslindar dos mistérios da criação musical espontânea; na arte de decifrar estruturas complexas que afinal se traduzem em linhas melódicas de fácil assimilação. Conquista cuja realização felizmente está ao alcance de quem se disponha a ouvir com profundidade o tanto que que se pode esperar desta promessa de "novo paraíso". Recordo este disco com o desgosto de saber que a Drimala Records fechou portas.


 
28.10.06
 

John Carter/Bobby Bradford New Art Jazz Ensemble. Seeking, peça de 1969, com Tom Williamson, contrabaixo, e Bruz Freeman, bateria. A west coast dos sixties, na reconfiguração dos trâmites pós-Ornette e pós-Dolphy, e reformulação da sua herança rítmica, harmónica e melódica. John Carter toca saxofones alto e tenor, mais flauta e clarinete. Bobby Bradford, trompete. Seeking é essencial para compreender o que aconteceu nos anos seguintes à década de ouro de um dos mais importantes centros produtores e difusores do jazz norte-americano (hatology 620).

 
27.10.06
 
É de truz! Ou, por outra, são de truz. Dois discos inteiros resumem a excursão que Adam Lane (n. 1968) fez ao Cadence Building, da família Rusch, Redwood, NY, em Fevereiro deste ano. O contrabaixista está em ascensão. Trabalha que se farta e tem tido a sorte e o mérito de agradar ao público e aos críticos. Além das inúmeras colaborações que lhe têm sido pedidas, os projectos em nome próprio têm vindo a crescer em número e em qualidade: solos, duos (excelente Tandem Rivers, com o saxofonista alto Blaise Siwula); outro, mais recente, com John Tchicai, na CIMP (Dos); o quarteto com John Tchicai, Paul Smoker e Barry Altschul, que produziu Fo(u)r Being(s); a Full Throtlle Orchestra, a Supercharger Jazz Orchestra (de que saiu Hollywood Wedding na Cadence Jazz Records) e outras iniciativas entre Los Angeles e Nova Iorque.
Zero Degree Music e Music Degree Zero, é Adam Lane Trio a dobrar, com Vinny Golia, saxofones tenor e soprano, e o baterista Vijay Anderson. «We play a free swing, hard bop, avant swing similar to Mingus and Ellington on the Money Jungle record, but with a bit more of a modern feel» - sintetiza Adam Lane nas notas.
Sublinho o groove que se projecta na música do trio, e os elevados padrões de improvisação e interactividade, a que mestre Vinny acrescenta considerável valor. Esta é uma das raras oportunidades de o ouvir tocar saxofones tenor e soprano em grupos de reduzida dimensão, num registo mais próximo da tradição jazz dos instrumentos (como faz Joe McPhee no Trio X, por exemplo, ao harmonizar força física e elevação espiritual), que da new music braxtoniana praticada noutros instrumentos da família dos saxofones e na gestão de ensembles de grande magnitude, como os que se podem ouvir via Nine Winds. Aqui Vinny Golia desce ao terreiro do trio de saxofone-baixo-bateria (Vijay Anderson está bem para os dois, imaginativo nas figuras e cheio de instinto groove), cumpre as prescrições de Lane, e, por entre elas, sopra que se desunha, com intenção, bom gosto e espessura sonora. Zero Degree Music e Music Degree Zero, companheiros inseparáveis, são duas obras a ter em muito boa conta. Grau Zero?! Só com grande dose de ironia.

Vinny Golia
 
26.10.06
 

A partir do edifício do Séc. XVIII da Rua da Barroca, ao Bairro Alto, em Lisboa, de onde já se expandiu para outras paragens, como o recente Espaço NEGÓCIO para artes performativas, à Rua de “O Século”, nos últimos 12 anos a Galeria Zé dos Bois (ZDB) programou exposições, acolheu a livraria Ler Devagar, organizou milhares de actividades multidisciplinares ligadas às artes, e divulgou artistas emergentes, estabelecidos e decadentes das diversas áreas da música electrónica, rock, jazz, improvisada e outras correntes estéticas que convivem entre si alegremente no espaço público da associação.
Neste dia de aniversário, concertos de Blectum from Blechdom, Intermezzo Video Strip with MARGOT e Mushi DJ Set, a rematar a noite. Felicitações ao Natxo Checa, Nelson & Pedro Gomes, e à restante rapaziada zedebiana. Pelo trabalho feito e por aquele que há-de vir a ser, para bem das artes e cultura contemporâneas.
Sexta, dia 1 de Novembro... a luta continua com Tetuzi Akiyama em concerto boogie-solo. Até lá, em colaboração com a ZDB, conto publicar aqui uma entrevista que fiz ao cowboy japonês, o homem que vai de Onkyo ao Delta, por assim dizer.
(Foto © Keith Fullerton Whitman)

 
25.10.06
 

São conhecidos como a "orquestra das nações unidas". Espalham "joie de vivre" nos palcos onde levam a vibração efusiva de energia e calor sonoro que os caracteriza, desde que se formaram em 2001.
A Tora Tora Big Band reúne doze músicos consagrados de seis nacionalidades diferentes num poderoso naipe de metais e secção rítmica. Uma palete sonora abundante gerada pelo intercâmbio geográfico e cultural dos seus elementos, disperso por territórios tão diversos como Portugal, Brasil, Alemanha, E.U.A., Dinamarca e Itália.
Portugal foi o cenário inspirador para este projecto, que nasceu com o propósito de criar uma orquestra que toque música para dançar, recuperando o espírito das antigas Big Bands e simultaneamente acrescentando outros elementos e tendências sonoras como o Afro, o Arabic, o Latin e o Funk.
Vêm à praça do improviso apresentar o álbum "TORA TORA", editado pela Music Mob Records, enquanto preparam a entrada em estúdio para gravar o tão aguardado segundo registo de originais.
Preparem-se para o jazz contagiado por ritmos caribenhos, brasileiros e africanos numa verdadeira injecção de energia sonora.

Concerto a 26 de Outubro, às 00h00
Clube Mercado
Rua das Taipas, 8 – Bairro Alto
EAT MORE FRUIT ... and DANCE !

 
 

De ascendência polaca e romena, nascida na Argentina e a viver em Nova Iorque desde 2000 (venceu o BMI Foundation/Jerry Harrington Jazz Composers Award, em 1997), Laura Andel, membro da Jazz Composers Alliance Orchestra, reuniu a Electric Percussive Orchestra, um ensemble electroacústico formado por Kyoko Kitamura, Taylor Ho Bynum, Carl Maguire, Ursel Schlicht, Kenta Nagai, Joel Harrison, Khabu Young, David Simons, Andrew Drury e Harvey Wirht.
Com a EPO, graças ao financiamento da Jerome Foundation, Laura compôs, dirigiu e produziu In::tension:. (Rossbin, 2005), original sob a forma de suite em sete partes (I Notícias; II Resonancias; III Descuido; IV Caídas; V Puntos; VI Dos; VII Ecos), peça gravada ao vivo no Roulette, em Dezembro de 2004, misturada por Elliott Sharp no seu Studio ZOaR, em Nova Iorque. Antes, gravara SomnambulisT (music for 14 musicians and conductor), com a Laura Andel Orchestra, para a canadiana Red Toucan.
A designação Electric Percussive Orchestra capta a essência duma música em que a toada percussiva é o elemento dominante, seja ela dada pela componente eléctrica (três guitarras e piano eléctrico Fender Rhodes) e fontes electrónicas, quer pelos instrumentos especificamente de percussão, quer ainda pela abordagem percussiva de piano acústico, trompete e acordeão.
As secções em que a compositora organiza a panorâmica criam elas próprias um propósito de liberdade dentro da estrutura, procurando acentuar tonalidades escuras e sons espectrais, pontos de tensão variável numa linguagem musical soturna que, de inícialmente estranha, se vai tornando irresistivelmente misteriosa. Muito por causa da escolha das texturas e da ousada combinação tímbrica, vibrante pulsão interior e andamento sombrio, elementos que a compositora/regente habilmente gere. Como murmúrios próximos e distantes que nos chegam por entre densas camadas de nevoeiro.
Nas notas, Laura Andel conta que se inspirou num filme mongol sobre um cão, cuja alma, depois de morto, vagueia través de um sucessão de memórias. Pessoalmente, lembrou-me qualquer coisa próxima de uma banda sonora apropriada para as Tales of Mystery and Imagination, de Edgar Allan Poe. A voz de Kyoko Kitamura arrepia mesmo quem seja razoavelmente batido em histórias de mistério e horror. Será o sangue romeno a puxar por Laura Andel? Na verdade, eles vivem e parecem aproximar-se perigosamente. Noutro registo, quase nos antípodas daquela emoção – mérito acrescido de Andel – há aqui um lado tranquilo, delicado e apaziguador que contrasta com os momentos em que a tensão se avoluma até ao limite do precipício sem fim. Experimentei ouvir o disco na penumbra duma noite destas e a ilusão ainda se torna mais perfeita. Pessoas impressionáveis, acima de todas as outras, devem procurar ouvir isto. The Pit and the Pendulum...

 
24.10.06
 

Cream - Wheels of Fire (1968). O disco 2, concerto, tem uma versão de Crossroads, de Robert Johnson, que é de ir às lágrimas de contentamento sofrido. Mas não só. Spoonful, de Willie Dixon, piece de resistence do disco, também recebeu tratamento condigno. Se no disco 1, o trio - Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker - trabalha os temas originais com todas as artes de estúdio, ao vivo (Filmore e Winterland, de S. Francisco) ferve em pouca água.

 
 

Inaugural Conference of the International Society for Improvised Music

The University of Michigan, Ann Arbor, Michigan USA - December 1-3, 2006
Steve Coleman, Janne Murto, Stephen Nachmanovitch, Pauline Oliveros

 
 

Innerland #1, a 28 de Outubro, na Bor Land, Porto. A ideia é promover um "concerto-cd-jantar" para apresentação de Success In Cheap Prices, disco novo de Most People Have Been Trained To Be Bored.

“Na falta de dados que o confirmem, pode-se dizer que a afirmação que dá nome ao projecto de Gustavo Costa é uma generalização. Não consta que haja números que apoiem a tese, não é provável que este disco seja uma pesquisa, pelo que não podemos aceitar a frase como facto. Música electrónica? Experimental? Improvisada? Ambiental? Noise? Electroacústica? Algum destes carimbos há-de ser colado. Gustavo Costa colabora e participa desde 1989 com diversas formações e músicos ligados ao rock underground e à música experimental como Genocide, Stealing Orchestra, Três Tristes Tigres, Drumming, Gregg Moore, Ethos Trio, Damo Suzuki ou John Zorn. Success In Cheap Prices é apresentado em Portugal a 28 de Outubro no Innerland #1”.

Most People Have Been Trained To Be Bored
28 Outubro / Porto / "casa" Bor Land / 19h30
Limitado a 30 pessoas / € 10.

 
 
Faz par com a já referenciada e excelente proposta discográfica de Zimbabwe Nkenya and the New Jazz, esta outra saída na High Mayhem de um grupo que dá pelo nome de Uninvited Guests. Carlos Santistevan, um dos entusiastas da organização que acolhe a editora, e organizador do homónimo festival anual de Santa Fé, Novo México, lidera o projecto que em 2001 começou por ser um trio de improvisação, mas evoluiu para um ensemble de pequenas dimensões (até septeto), sem formação fixa.
Live Recordings 01 documenta uma série de cinco improvisações em directo, no total de uma hora, escalonadas entre Abril de 2002 e Janeiro de 2005.
O tema de abertura (Aztec Café, 4-27-2002) é o único do conjunto em que toca o trio base (à excepção do guitarrista Steve Powell), formado por Tom Brejcha (sopros), Al Faaet (bateria) e Carlos Santistevan (contrabaixo). Nos outros quatro variam as formações, mas permanece o sentido de unidade, como se do mesmo grupo se tratasse, ainda que apenas Carlos Santistevan seja o denominador comum. A coesão advém de um mesmo nível de intensidade e interacção comum a todos os temas. Chris Jonas, saxofone soprano, J. A. Deane (samplers) em Cinema Café, 4.3.2003; Ultraviolet (gira-discos), Jeremy Bleich (baixo eléctrico), Milton Villarubia (bateria) em Bar B, 6.2.2004; Joshua Smith (saxofone tenor, electrónica e melódica), Dave Wayne (bateria) em Bar B, 7.21.2004; Chris Jonas (saxofone soprano) e Yozo Suzuki (guitarra) em High Mayhem Studio, 1.14.2005 - completam a lista dos uninvited guests que, com Santistevan, partilharam os palcos de Santa Fé em concertos de improvisação electroacústica emergente do jazz.

Estas Live Recordings 01 deixam-me na expectativa em relação a próximos volumes que Santistevan resolva publicar. Se o que tem em arquivo está a este nível, convém que se apresse. Edição limitada a 500 exemplares, de que me coube o n.º 338. Charlie, you should dig this.


 
23.10.06
 
A obscura Radioactive Records há anos que anda debaixo de fogo do pai, James Allen Hendrix, e outros herdeiros de Jimi Hendrix, donos da Experience Hendrix, empresa com sede em Seattle. Em causa estão direitos de edição das gravações do guitarrista norte-americano. Desde 2004 que editora de bootlegs tem vindo a editar material não-oficial de Hendrix, até que este ano perdeu uma acção judicial nos tribunais britânicos, acção que já foi julgada e decidida no High Court de Londres. Entretanto, condenado mas não se dando por achado, James Plummer, proprietário da Radioactive Records, mudou o nome da empresa para Reclamation Records e toca a publicar mais uns discos antes que o Hendrix pai lhe caia de novo em cima neste jogo do gato e do rato. Ratices à parte, parece que a edição de 10 discos contendo exclusivamente material de estúdio - sobretudo outtakes e bootlegs - vale a pena, pelo conteúdo e pela qualidade sonora. O preço, pelas razões supra, é convidativo. Embora afirme que a edição à venda (Jimi Hendrix - 'In The Studio…Volumes 1-10') tem o beneplácito da empresa do ex-manager de Hendrix, Michael Jeffrey, a ideia com se fica é que a Spin Cds também arrisca bater com as costas no tribunal pelas mesmas razões da Radioactive: pirataria da grossa. Quem estiver interessado que se apresse, antes que o tribunal feche a loja e lá se vai a caixa de 10 CDs com raridades originais de Jimi Hendrix por 40 £.


 
 

O acontecimento é histórico e merece referência: o Iridium Jazz Club, de Nova Iorque, acolhe durante duas noites (26 e 27 de Outubro) um grupo de peso – o Cecil Taylor Trio. Há 40 anos que Henry Grimes não toca com Cecil Taylor, e esta será uma oportunidade de ouro para os felizardos que lá puderem ir recuperarem memórias de Conquistador, Unit Structures e Into the Hot – os três discos resultantes da antiga associação Taylor-Grimes – e presenciar a criação actual destes “monstros”, que não envelhecem. O trio completa-se com Phreeroan akLaff, bateria.

 
 
Fundada em 2001, a High Mayhem Emerging Arts, dirigida por Max Friedenberg, é uma associação sem fins lucrativos, e simultaneamente uma editora discográfica, promotora de concertos, festivais e workshops com sede em Santa Fé, no Novo México. Privilegia a mostra de artistas das diversas áreas da inovação musical e do experimentalismo ligado à improvisação, ao jazz e ao rock, vídeo, artes performativas e galeria de exposições, numa tentativa esforçada de educação pela arte e de contrariar a padronização e homogeneização que tomou conta da música dita “comercial”, a que o jazz também não escapa.
Neste âmbito, a associação organiza o High Mayhem Annual Festival, que entre 6 e 8 do corrente, cumpriu a 6ª edição. Todas as edições do festival são gravadas e têm vindo a ser publicadas conjuntamente com discos gravados em estúdio, num esforço que visa simultaneamente dar a conhecer o trabalho de artistas a quem faltam meios de edição, e obter fundos para manter a organização em funcionamento.
Foram já editados CDs de artistas como The Uninvited Guests, DERAIL, Ray Charles Ives, Late Severa Wires, Out of Context, William A.Thompson IV e Zimbabwe Nkenya – um conjunto de discos das melhores castas regionais, de que destaco, como exemplo maior, o excelente Zimbabwe Nkenya and the New Jazz.
A designação agrupa um colectivo de músicos do Novo México e de outras paragens norte-americanas, que inclui, além de Zimbabwe Nkenya, nativo do Novo México (contrabaixo, violino baixo), Chris Jonas (saxofone soprano), Dan Pearlman (trompete) e Dave Wayne (percussão), e a que se junta o nova-iorquino Rob Brown como convidado especial num dos temas (Africa in Effect II).
Zimbabwe Nkenya chegou-me aos ouvidos pelo que dele conheci em associações diversas com Ori Kaplin, William Parker e Daniel Carter. O disco de que falo inclui quatro temas de contrabaixo solo de grande expressividade, gravados em concerto no Center for Contemporary Arts de Santa Fé. Revelam um contrabaixista sólido, com um som macio e poderoso, de proporções assimétricas e irregulares, um pouco na linha do som de William Parker ou de Peter Kowald, com maior peso dos elementos africanos. Os restantes temas do disco, que ronda os 70 minutos, homenageiam o segundo daqueles grandes contrabaixistas, desaparecido em 2002.
Em quarteto - e pontualmente em quinteto - o grupo pratica um estilo inscrito na moderna improvisação norte-americana, a que também se chama vulgarmente creative improvised music, numa abordagem entusiástica, variação rítmica, muito groove e solos a contento de toda a gente. Tudo envolvido em swing moderno, enriquecido por um suave perfume afro.
Vale a pena descobrir Zimbabwe Nkenya, ele que nos anos 90 liderou o African Space Project, e o Black Jazz Culture, na década precedente. Enquanto compositor e contrabaixista, é figura de primeiro plano artístico, a que só falta a projecção mediata que lhe há muito lhe deveria corresponder. Este é (ainda) o seu primeiro disco em nome próprio. Uma boa amostra do talento criativo de Zimbabwe Nkenya.

 
21.10.06
 


GARDEN : SPACE : BEYOND
Sei Miguel & Rafael Toral

Espaço NEGÓCIO da ZDB.
Rua do Século 9, porta 5 (Bairro Alto), Lisboa
21 de Outubro de 2006, 21h30

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Em lugar de enunciarem a sequência em directo dos seus mais recentes discos, Space, de Rafael Toral, e The Tone Gardens, de Sei Miguel, os músicos optaram inteligentemente por encenar aquela apresentação, pondo ênfase na confluência dos dois trabalhos, mostrando de forma mais evidente o modo como os dois sistemas e mundos sonoros são afinal afins e tributários um do outro (movimentos Garden e Space, a que seguiria o passo seguinte, Beyond).
Transversal aos três momentos foi a percussão de César Burago, disposta sobre uma base de “dead radio” (em sintonia de chuva fina, constante e persistente), logo no duo de abertura com Sei Miguel em trompete de bolso, a trabalhar sobre diversos tons de madeira, primeiro com e depois sem surdina.
Dado o mote inicial, sucederam-se os quadros da exposição, o segundo dos quais com Rafael Toral já em palco, munido das suas luvas midi com terminais electrónicos e sensores ópticos, artefacto que faz parte do seu Space Program, com o qual explorou a dimensão espacial e visual (som e luz em movimento), com sugestões de incidência sobre processos criativos sofisticados de base electrónica. Ondas micro e macro numa interessante articulação entre o silêncio (ausência de som) e o acontecimento sonoro, temperada por amplos espaços para a respiração.
Nas peças seguintes o trio foi acrescentado de Fala Mariam, em trombone alto, e Pedro Lourenço, em baixo eléctrico. Já sem as luvas, Toral optou pelo uso alternativo de um artefacto electrónico que não sei nomear, de onde se soltavam electro-erupções plasticamente moldadas. Com a entrada do segundo sopro, a música ganhou outra intensidade e um maior equilíbrio nas formas e estados. Do gasoso inicial, passa-se sucessivamente ao estado sólido, alternando o som entre este e o estado líquido.
Este benefício resulta essencialmente do acrescento que o diálogo trompete trombone permitiu estabelecer por cima da manta intermitente da percussão minimalista de César Burago, e das linhas ascendentes e descendentes do insinuante baixo eléctrico de Pedro Lourenço, entrecruzadas pelas formas angulosas da electrónica. Daqui para afrente seria este tipo de preparo e de combustível que iria fazer propulsionar o quinteto, em regime de baixo volume e temperatura branda, até final.
Globalmente, o concerto apresentou uma unidade feita de três partes, uma proposta assaz elaborada, que se expande em sons parentes e outros afins do jazz, que na sua coerência total formam um conjunto sonoro cuja arquitectura é simultaneamente desafiante e agradável de apreender.
Há aqui um conceito deveras interessante, um pano de fundo, se se quiser, que deriva do jazz (o trompete de Sei Miguel fala as línguas de Bill Dixon, Miles Davis e Don Cherry), dele se afastou e que procura o caminho de regresso a casa. Só que, quando o encontra, já outras são as dimensões espacial e temporal, e não há como resolver o problema. Mas há que tentar, através de uma prática e de uma aprendizagem colectivas, dos músicos entre si e com o público, num todo integrado. É isso, na minha perspectiva, o que Sei Miguel e Rafael Toral têm procurado fazer. E é nessa lógica que se inscreve Beyond, a terceira figura do tríptico que se iniciara com Garden e Space – janela de onde se espreita a invenção que está para vir.
Fotos © Crista (clique para aumentar). Agradecimentos são devidos.


 
 

Bela noite de música, ontem (21.10.06) no Cefalópode, em Lisboa. A sala tem uma acústica deveras funcional para o tipo de propostas como a que o Diggin’, versão quarteto, apresentou: Alípio C. Neto, ao volante (saxofone tenor), Jean-Marc Charmier (trompete e fliscórnio), Ben Stapp (tuba) e Paulo Bandeira (bateria).
Posta a empresa em movimento, saltou de imediato à vista a intersecção de códigos e sinais das mais díspares proveniências, com pendor acentuado de duas linhas de força dominantes, a afro-mediterrânica e a euro-americana, confluindo ambas para formar massas sonoras elásticas, que ora se concentravam em núcleos de onde emanava um calor tórrido, força bruta que vem de dentro, ora se compraziam num doce desfiar de delicadezas subtis.
Toda a gente contribui ao mesmo nível para moldar tempo e espaço no decurso da exposição de cada tema, e da improvisação que aconteceu dentro e fora dos limites flexíveis das estruturas, partilha da mesma energia infinita que está na base da criação. É ela que e dá a medida do talento individual e colectivo.
Paulo Bandeira, um dos quatro homens da noite, com a conta, peso e medida que a música pedia, muito solto e com drive seguro – uma das chaves do balanço empolgante que a sacudiu de uma ponta a outra, mercê de uma adequada gestão da temperatura do forno que Bandeira soube fazer.
Não se sabe onde Ben Stapp vai buscar tanta força para soprar daquela maneira, com perfeita articulação das linhas de baixo, contraponto com os outros sopros e refinação melódica. Impressiona mais ainda quando se trata de um músico muito jovem, com uma avenida enorme à sua frente para se fazer um dos maiores da tuba a nível mundial.
Jean-Marc Charmier põe cada vez mais fogo no desenho das suas arriscadas figuras. Atrevido, brilhou pela solidez do ataque, afirmação e resposta, colocação, entoação, aumentando o espectro colorista. Distribuidor de jogo e arranjador de bom gosto, assume, com saber e gosto, ser uma das sólidas torres de sustentação do edifício Diggin’.
Alípio C. Neto, líder e mestre da banda, assume por inteiro algumas das suas qualidades mais apreciáveis: a de temível improvisador, que esta noite puxou forte pelo seu lado pharaónico (Pharoah Sanders), mas também a de saber gerir as operações, evitar a saturação da panorâmica, sem que daí resultasse prejuízo para a sua enorme verve discursiva, potencial de tiro e desenho melódico, ao mesmo tempo que cria espaço para dar livre curso ao carrossel de ideias que brotam a cada movimento. Inesquecíveis, as aberturas para a improvisação contrapontística a três sopros, com Bandeira a segurar as pontas e a permear no groove.
Essencialmente, o Diggin’ deu mais uma mostra do seu jazz progressivo de elegante recorte e atitude fulminante. Emoção equilibrada numa fina comissura, apta a ser partilhada tanto pelo público conhecedor, como pelo neófito, tal é ductilidade daquilo que o Diggin’ exteriorizou num conjunto de composições antigas, com renovados arranjos, novos temas de Alípio C. Neto, e a estreia na escrita de Ben Stapp. Todas elas eixos de expressão da individualidade dos seus autores, veículos para, de modo diversificado, permitir ao grupo trabalhar melodia, harmonia, textura, timbre e cor: Violet Furs (Alípio C. Neto), Tug Boat Song (Ben Stapp), Canto de Xangô (Baden Powell e Vinicius de Moraes), Nunc Age (B. Stapp), Hina S Fate (A. C. Neto), 2 Shantih (A. C. Neto), Fujiamor (Jean-Marc Charmier), Une Rose Rouge (J.-M. Charmier), Pajeú (A. C. Neto) e Eléctrico 28 (A.C. Neto), a que não faltou uma dedicatória ao baterista Clarence Becton (protagonista em 1968 da rocambolesca viagem de automóvel do contrabaixista Henry Grimes de Nova Iorque para Los Angeles), que se encontrava na audiência, e ao recentemente desaparecido Dewey Redman.
Música íntegra, sem compromissos nem concessões à cómoda repetição de clichés e fórmulas tradicionais, vive do risco permanente e da capacidade de seduzir o ouvinte, de o atrair para o centro das operações, como telepático participante. Esta mais recente edição do Diggin’ apresenta uma banda com elevado potencial, totalmente empenhada em sulcar imprevisíveis vias de criação artística.
Fotos © Rodrigo Amado (clique para aumentar). Agradecimentos da casa.


 
 

Ainda não ouvi New Monastery: a view into the music of Andrew Hill (Cryptogramophone), a nova saída do guitarista norte-americano Nels Cline (Wilco), mas estou capaz de nele colocar todas as minhas fichas. Como o título sugere de modo expresso, Cline presta homenagem ao pianista e compositor Andrew Hill, um dos seus mentores, num disco que, além desse aliciante, conta com outros cinco: Bobby Bradford, Ben Goldberg, Andrea Parkins, Devin Hoff e Scott Amendola. Para já, só consigo imaginar o que lá vai dentro, mas isso resolve-se num próximo pedido à Verge Music Distribution.

 
 

Há muitos e bons motivos para prestar especial atenção a Teatro (European Echoes 001), disco recente de Rodrigo Amado (saxofones tenor e barítono), em trio com o norte-americano contrabaixista Kent Kessler e o percussionista norueguês Paal Nielssen-Love. Tive o gosto de ter sido o primeiro a elencar algumas razões que me pareceram pertinentes, num escrito que antecedeu o lançamento daquele que, até à data, considero o melhor e mais consistente disco do saxofonista português, relativamente a quem não é demais exaltar o espírito de entrega, a sinceridade e a capacidade de ir à luta, arriscando partilhar o palco com dois pesos-pesados do jazz contemporâneo. Por essas e por outras, Teatro é um disco sólido e substancial, de que todos nos podemos orgulhar. Vai estar nas americanas Downtown Music Gallery (Bruce Lee Gallanter também gostou) e SquidCo, e na lisboeta ((flur)).


 
 

Começou a 19 de Outubro e prolonga-se até 5 de Novembro. Earshot Jazz Festival, em Seattle, EUA. A mais que fadista Ana Moura também está no cartaz.

 
 

Disco com risco ao meio, uma ideia da Savoy. De um lado (assim era dantes) o Bill Dixon 7-Tette; do outro, em total concomitância, Archie Shepp e os seus magníficos New York Contemporary Five. Dois em um, que mais quereis?! As equipas alinharam do seguinte modo: Dixon, com Ken McIntyre, George Barrow, Howard Johnson, David Izenzon, Hal Dodson e Howard McRae; Shepp, com Ted Curson, John Tchicai e Don Cherry, Ronnie Boykins e Sunny Murray. Ano? 1964… Prélios destes nem na RTP Memória passam.

 
20.10.06
 

Tão discreto que quase não se dá por ele, tal é o baixo volume em que progride. Salvo um ou outro pico de maior efervescência, os "acidentes" não comprometem a fluidez do discurso. Eis Tripwire, grupo do alemão Lars Scherzberg, saxofones, e de dois norte-americanos, John Hughes, contrabaixo, e Jeff Arnal, bateria. O trio já vai no terceiro disco, um primeiro na Oaksmus, de 2000, um segundo na Generate, de 2002, e o mais recente, de 2006, Looking in My Ear, saído na portuguesa Creative Sources Recordings. Uma proposta na confluência das correntes mais avançadas do jazz actual com a improvisação livre de matriz europeia.


 
 

SCREAM (The Southern California Resource for Electro-Acoustic Music) comemora vigésimo aniversário (já?!), com um encontro de compositores oriundos do meio universitário da Califórnia do Sul (CalArts, USC, UCLA, Long Beach State University e Harbor College), das áreas de new music e da electroacústica. No Music Recital Hall da Los Angeles Harbor College (Wilmington), dia 4 de Novembro, terá lugar um concerto em que serão apresentadas em concerto obras de Roger Bourland, David Bradfield, Tom Flaherty, Frederick Lesemann, Samuel Magrill, Rodney Oakes, Barry Schrader e Mark Waldrep.

 
19.10.06
 



Dezembro de 1973 - Outubro de 2006. Adeus ao CBGB




 
 
Marcello Maggi_trombone
Bruno Parrinha_clarinete
Ricardo Guerra Pires_guitarra
Gonçalo Castro_baixo
Paulo Henriques_bateria
Quinta, 19.10_22h30
Luso Café_Tv. da Queimada, Lx



 
 

O novo volume da série New York Noise, da britânica Soul Jazz, cobre o período 77-84. Eventualmente menos virado para as pistas que os dois precedentes, mantendo embora um certo enfoque no apelo desse tipo de funcionalidade, o terceiro capítulo concentra a atenção no groove electrónico e no experimentalismo trans-genérico que cruzou as diferentes comunidades musicais de Nova Iorque, numa época de grande agitação criativa.

 
 

Já foi da Decca e voltou a sair na Dutton Vocalion, o disco do ensemble dirigido pelo trompetista Neil Ardley, The New Jazz Orchestra, de que faziam parte Trevor Watts, em saxofone alto e flauta, e Paul Rutherford, em trombone, enquadrados num ambiente orquestral que naquela altura remetia para o modelo norte-americano de Gil Evans, e suas luxuriantes orquestrações. Em 1965 estreou com Western Reunion London 1965, disco deveras curioso aos ouvidos de hoje. Em boa hora reeditado, recupera um período profícuo do british jazz, essencial para compreender as movimentações seguintes da cena britânica, tanto no jazz como na livre-improvisação.

 
 
RODRIGO AMADO CONCRETE ENSEMBLE em concerto.

21 de Outubro, 22h30
Auditório do Goethe Institut
Campo dos Mártires da Pátria, 37 - Lisboa

Rodrigo Amado Concrete Ensemble: Agrupamento formado por computadores (a cargo de Carlos Santos e André Gonçalves, aka OK Suitcase) e instrumentos convencionais (os saxofonistas Rodrigo Amado e Paulo Curado, o guitarrista Nuno Rebelo e o percussionista José Oliveira), o Concrete Ensemble associará “found sounds” e música instrumental, num entendimento da “musique concrète” que passa pelos conceitos da livre-improvisação, do jazz e do rock. Amado tem-se notabilizado, precisamente, na área do free jazz, mas os seus interesses musicais são bastante latos, indo desde o hip-hop (colabora com Rocky Marsiano) ao experimentalismo electroacústico (colaborações com Vítor Joaquim e Vitriol).

 
 
Sábado, 21 de Outubro, 21h30 - concerto no Espaço Negócio, Rua de O Século, 9 - porta 5, ao Bairro Alto, em Lisboa:

«Space» (Staubgold, 2006) e «The Tone Gardens» (Creative Sources Recordings, 2006), os registos mais recentes de, respectivamente, Rafael Toral e Sei Miguel, são trabalhos de grande importância para os autores e reflectem o momento excepcional que ambos atravessam. O espectáculo tem uma relação directa com aqueles discos e celebra a intensa colaboração entre os dois músicos. Terá três partes, com formações diferentes, sem intervalo e com uma duração aproximada de 60 minutos.

Rafael Toral
Na apresentação escrita de «Space», mais recente álbum de Rafael Toral acabado de sair pela reverenciada Staubgold, Toral fala dos conteúdos deste novo disco como uma realização de uma direcção que o jazz acabou por não tomar, de plataforma e instrumentação puramente electrónicas (à excepção do uso do «pocket trumpet» de Sei Miguel – de quem Toral afirma ter um papel decisivo neste novo curso do seu trabalho – e do trombone de Fala Mariam), que nos surge em avançado estado de maturação.
Em «Space», Toral criou uma série de instrumentos passíveis de serem executados e desenhados dentro de um universo de dinâmicas e espaços-jazz, mas não se limitou apenas a isso. Reconheceu a necessidade desses instrumentos serem criados de forma a que pudessem albergar primeiro um léxico, também gerado por Toral, e ainda uma técnica para cada um deles, integrando-os numa dinâmica orquestral.
«Space» é uma materialização de um futurismo tão delirante quanto genial, que transporta para o presente várias hipóteses tecnológicas desaproveitadas pelo passado do jazz. É um passo tremendo tanto para esse género como para a música electrónica.
Rafael Toral é dos mais celebrados artistas portugueses em qualquer meio artístico, cujo trabalho tem tido largas repercussões em todo o mundo - conferir, a título de exemplo, o extenso destaque que a revista britânica Wire lhe acabou de conferir. Já colaborou com criadores como John Zorn, Christian Fennesz, Evan Parker, Thurston Moore, Sei Miguel, Phill Niblock, Keith Rowe, David Toop ou Jim O’Rourke. O seu trabalho não inclui apenas labor em som, mas também várias peças em forma de instalação e vídeo. Depois de largos anos a explorar, em forma de avanços, o «ambient», «Space» marca uma nova era do trabalho de Toral, em desenvolvimento constante desde 2004.


Sei Miguel
O jazz, enquanto género, trouxe sempre consigo uma cultura nos seus músicos que instiga o avanço, a transgressão, a inovação. Com o advento da “new thing”, pela mão de vários criadores, como Ornette Coleman, Cecil Taylor, Albert Ayler ou John Coltrane, os passos dados em frente foram tão fortes, que ainda hoje, quando pensamos nas vanguardas do jazz, imediatamente nos reportamos ao jazz dito “free”. Este, nos seus contornos originais de música do êxtase continuo, prossegue actualmente ao encontro novas adensações de expressão, estilo e forma.
Sei Miguel assume-se trompetista, arranjador, produtor e director. A sua música, sendo livre, não corresponde exclusivamente aos cânones do “free”, aos seus arquétipos de abertura e/ou desconstrução, mas descende sim de todas as décadas do jazz. Música pensada e executada com notável propriedade, o jazz que o trompetista pratica reveste-se de múltiplas singularidades: a maneira como (não suas palavras) “espaço e tempo, silêncio e timbre” são geridos, a qualidade da presença e de ausência do trompete, a escolha de instrumentos e materiais, as temáticas do seu conceptualismo, muitas vezes a própria ideia de orquestração, e ainda o trabalho muito próximo aos seus executantes aqui tornados criadores.
Com duas décadas de trabalho a solo editado prestes a serem celebradas, Sei Miguel acaba de lançar na Creative Sources Recordings (da responsabilidade de Ernesto Rodrigues) «The Tone Gardens».

César Burago - percussão
Pedro Lourenço - baixo eléctrico
Fala Mariam - trombone
Sei Miguel - trompete
Rafael Toral - electrónica


 
 

Amanhã, 20, Matthew Shipp toca a solo em Hollywood, L.A.

It has been almost 5 years since Matthew Shipp has played in Los Angeles. Please come celebrate the 3 1/2 year run of the Cryptonight New Music series as we present this great artist in our final event of 2006.
With his unique and recognizable style, pianist Matthew Shipp creates music in which free jazz and modern classical intertwine. He first became known in the early '90s as the pianist in the David S. Ware Quartet, and soon began leading his own dates -- most often including bassist William Parker -- and recording a number of duets with a variety of musicians, from the legendary Roscoe Mitchell to violinist Mat Maneri.
What makes Matthew Shipp's recent solo piano recording, "One" on Thirsty Ear Records so different and special is that he has returned to just an acoustic piano, after a great deal of experimentation with beats, samples and even some synth. The entire CD seems to work as suite of connected pieces, creating a mood that moves in organic waves. Much of this is quite contemplative and much less dense than the dark waves that Matt is known for. 'One' is one of Matthew Shipp's crowning achievements; A truly dynamic voyage.
Cryptogramophone - Creative Jazz / Modern Instrumental Jazz / Los Angeles


 
 

HOJE, 19/10! /////// Alípio C. Neto e o seu Diggin’ (cada vez mais deep, diria) tocam em Évora, no Café da Cidade, às 22h00. E dia 20 no Cefalópode, em Lisboa. Esta formação do quarteto traz Ben Stapp, tubista californiano a residir em Lisboa, o trompetista francês Jean-Marc Charmier, e o baterista luso Paulo Bandeira.
No alforge, composições originais do saxofonista, vestidas com novos arranjos. O Diggin' é um grupo que se caracteriza pela constante exploração e renovação do espírito contrapontístico. O diálogo melódico e o desenvolvimento de uma linguagem tímbrica entre os instrumentos assume um relevante destaque, permitindo que os músicos explorem intensamente um vasto acervo de referências rítmicas e melódicas que conduzem a surpreendentes propostas de composição e improvisação.
Depois da gravação que realizou com o quarteto nova-iorquino Kenosis, que lidera (Herb Robertson, Ken Filiano e Michael T. A. Thompson), cujo registo aguarda publicação, tem pronto novo disco com outro grupo seu, no caso o Violet Furs (Jean-Marc Charmier, os suecos Torbjörn Zetterberg e Joakim Rolandson, e Paulo Bandeira), a sair em 2007. A versão final deste último, que acabei de ouvir remasterizada e com um som matador, está pronta. A música está ao nível das melhores realizações do saxofonista brasileiro, como a do Contra-Banzo, grupo que apresentou ao vivo em Setembro passado no Auditório ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian, em Lisboa (Fórum Imigração).


Alípio C. Neto's
Diggin’, sexta-feira, 20 de Outubro no
Cefalópode.

(Fotos de Alípio C. Neto e de Alípio C. Neto com Ben Stapp © Eduardo Chagas)

 
18.10.06
 

Bela malha de Alan Wilkinson & Eddie Prévost, So Are We, So Are We (Matchless Recordings). Devo-o ao Francisco Girão, a quem agradeço a amabilidade de mo ter oferecido. Uma gentileza de rapaz, o Giro, não desfazendo. So Are We, So Are We são seis duetos de saxofone alto/barítono e percussão, gravados entre Janeiro e Março deste ano, em Londres. Alan Wilkinson tem um som poderoso que infunde respeito e admiração, e Prévost sabe-a toda nas peles, dentro e fora do AMM. Juntos fazem uma parceria invencível. Comecei agora a ouvi-los nesta que suponho ser a sua mais recente aventura em disco.

 
 

Como Scott Yanow apropriadamente destaca nas informativas notas que acompanham Peace Warrior, o filadelfiano Khan Jamal compõe um estilo influenciado pelo percurso que realizou no período do Loft Jazz da Nova Iorque, de meados dos anos 70, com acabamento dado pela assimilação das soluções a que ao longo do tempo chegou, em diferentes registos, a santíssima trindade do vibrafone-jazz, Hampton, Jackson e Hutcherson. Assim se compõe uma personalidade musical das mais interessantes na forma personalizada como integra as diferentes referências do jazz clássico e moderno com a herança da revolução da New Thing e da fusion com tons de calipso. O disco, com os notáveis esforços de Monette Sudler (guitarra), Byard Lancaster (saxofone alto e flauta), Mark Kramer (piano e sintetizador), Bernard Samuels (piano), Warren Otree e Reggie Curry (contrabaixo), Dwight James (bateria) e Omar Hill (percussão), espelha bem a conseguida síntese daquelas estéticas, resultando numa solução que, sem ser compromissória, colhe frutos daquelas árvores.
Passa-se bem sem ele, sem dúvida; uma vez ouvido, não cai mal, mesmo que às vezes pareça resvalar para alguma superficialidade atmosférica induzida pelos sintetizadores, facto que ainda assim não retira interesse ao disco, um original de 1989, editado pela Stash sob a designação Don't Take No!, título do tema de abertura. Entretanto, a Random Chance fez corresponder o título actual ao de outro dos temas, Peace Warrior. Qual será o título do disco em próxima reedição? Scandanavian Dawn, One For Hamp, Three For All, Body And Soul, Nubian Queen, Lovely Afternoon, ou The Angry Young Man? Por mim pode ser Lovely Afternoon, que foi isso que me aconteceu esta tarde, ao ouvir o disco. Mas se se quer um Khan Jamal como soa melhor, totalmente acústico e sem vestígios de uma certa “gordura” dos anos 80, é mister procurar na CIMP ou na Eremite, que os há e bons, dele e com ele.

 
 

Na edição on-line do Bloomberg, canal de notícias especializado em economia, negócios e finanças, Mike Zwerin entrevista o trompetista Dave Douglas. No centro da conversa a velha polémica Dave Douglas vs. Wynton Marsalis, artistas que têm em comum o facto de serem dois dos maiores trompetistas, compositores e produtores da actualidade. O que é que os separa essencialmente? De um lado, a atitude progressista – “Progressive music means improvised music that investigates elements of, for instance, classical music, world music, electronics, and rock, music that conservatives don't want to encourage”; do outro, a conservadora retro, mais interessada em preservar as tradições e em recriar o espírito e a forma dos anos 40 e 50, um olhar sobre o passado que tem como pano de fundo questões raciais. O que de certa forma é paradoxal, pois cada vez menos a juventude negra americana se volta para o jazz, mais interessada noutros estilos, como o hip-hop e suas derivações. “Conservatives speculate that Douglas wins so many polls because he's white, and white critics relate to him more easily than to Marsalis”. A contenda, que já dura há mais de 10 anos e retoma a velha querela entre conservadores e progressistas, “reflecte o clima político da América”, segundo o fundador do Festival of New Trumpet Music, com os primeiros a querer abrir o jazz à saudável contaminação de outros géneros, e os tradicionalistas, ciosamente apostados em preservar a suposta pureza eugénica do jazz, atitude que teve como paradigma o recente episódio de apartheid estético fomentado por Marsalis na pele de programador do Lincoln Center de Nova Iorque, quando vetou a inclusão de nomes como os de Anthony Braxton, Dewey Redman ou Albert Mangelsdorf. “It's easy to fall into a dangerous kind of Mussoliniland. Mostly, it's such a waste of time. Let's just try and make some good music happen”, remata Dave Douglas.

 
 

John Blum Astrogeny Quartet. John Blum (piano), Antonio Grippi (saxofone alto e clarinete alto), William Parker (contrabaixo) e Denis Charles (bateria). Gravação ao vivo no Open City Center de Nova Iorque, em 11 de Fevereiro de 1998, representa a simultânea epifania e oclusão de um quarteto extraordinário, qualquer que seja o critério usado para a análise, nominal, histórico, musical ou outro.
O disco agora publicado pela Eremite Records carrega consigo dois acontecimentos marcantes, que reforçam a ideia de irrepetibilidade ligada à criação instantânea, para o que contribuem os elementos de drama que acentuam a ideia de fatalidade do destino: apesar de se ter reunido a pensar num trabalho regular e sistemático, o quarteto, cujo nome encontra ressonância na ideia de nascimento das estrelas e da sua relação com o espaço sideral (astrogenia) acabou por se reunir uma única vez para este concerto do Open City Center, data que marcou igualmente a derradeira performance pública do baterista Denis Charles em território caseiro. Charles viria a falecer pouco mais de um mês depois, a 28 de Março de 1998, no termo de uma digressão europeia que o devolveu a casa exausto e com a vida por um fio.
Por outro lado, sugestão ou não, ao longo dos 46 minutos e meio do concerto sente-se uma impressionante sensação de urgência, algo que está na iminência de acontecer, como se os músicos tivessem o tempo a correr contra eles, razão desta “pressa” de tocar e de sublinhar o que tinham para dizer, talvez porque não viesse a ser possível fazê-lo de novo.
John Blum (n. 1968) é um “monster player”, como lhe chamou o crítico e saxofonista soprano Chris Kelsey nas páginas da revista Jazz Times. Pouco conhecido mesmo nos meios do jazz, pese embora o excelente disco a solo que a recém posta entre parêntesis Drimala Records publicou em 2002 (Naked Mirror), Blum ocupa um território situado algures entre dois grandes rios expressionistas de enorme caudal, Borah Bergman e Cecil Taylor, estilo que tem vindo a personalizar através da partilha de palcos com Sunny Murray, Raphe Malik, Sabir Mateen, Cooper-Moore, Daniel Carter e outros heróis do free jazz nova-iorquino.
A música é fortemente percussiva, ou não estivessem William Parker e Denis Charles a bordo com o seu groove irresistível. A dupla prepara adequadamente o terreno para a sementeira conjunta de John Blum e do pós-coltraneano e lyonista de ascendência italiana, António Grippi, saxofonista alto que, além de co-assinar com o pianista a composição de quatro dos cinco temas, está aqui como peixe na água, assumindo uma parte importante do protagonismo e da direcção conjunta dos acontecimentos. Esta sessão de 11 de Fevereiro emparceira perfeitamente com a de Captain of the Deep, de Janeiro de 1991, sob a liderança de Denis Charles, com Jemeel Moondoc, Nathan Breedlove e Wilbert deJoode, também na Eremite Records. Qualquer deles é disco para dar p’os peitos a um cavalo, e Michael Ehlers voltou a marcar pontos.

 
17.10.06
 

All About Jazz New York, edição de Outubro, com renovados motivos de interesse a captar a atenção do público interessado nas voltas menos óbvias do jazz de aquém e de além mar. É assim que Kurt Gottschalk traz para a capa a figura de grande saxofonista, dentro e fora do World Saxophone Quartet, que é Oliver Lake. Fundador em 1968 do Black Artists Group, de St. Louis, de que foi activista até 1972 juntamente com Julius Hemphill, Hamiet Bluiett, J.D. Parran, o grande e esquecido(?) Luther Thomas e outros, Oliver Lake está aí para as curvas, como demonstram a intensa actividade concertista e discográfica em que tem se tem enredado (ver o que se passa na Passin' Thru).
Outros destaques importantes são o especial sobre a discreta pianista Marilyn Crispell, umas das grandes em actividade. Mal se dá por ela, apesar de gravar a aparecer com frequência nos palcos de todo o Mundo. Pisa as tábuas de mansinho, é esse o caso. E não tem tido a tenção nem os favores da “grande” imprensa. Tão votada está à fabricação de sucessos rápidos, a que basta juntar água, ou em reeditar memórias gloriosas, que nem repara que a senhora está viva e bem viva, e que já anda nisto há mais de 20 anos, com vasta obra em voz própria, que definiu no estudo aprofundado de John Coltrane e de Cecil Taylor, intensamente trabalhada nos anos que passou no Anthony Braxton Quartet e no Reggie Workman Ensemble, tal como actualmente na Barry Guy New Orchestra, no trio de Henry Grimes e no Quartet Noir, com Urs Leimgruber, Joëlle Léandre e Fritz Hauser, entre outras participações.
Mas há mais neste número: uma entrevista com o histórico Ben Riley, grande mestre baterista de Savannah, Geórgia, que é e foi de muitos nomes, mas bastaria um para aquilatar da sua relevância: Thelonious Monk; Outubro foi tempo de visitar a Mighty Quinn Records e de recordar de Thomas Chapin, essa flor de saxofonista alto (os Knits estão esgotados ou alguém pegou neles?) que já lá vai fisicamente há, deixa cá ver, oito anos (1957-1998). All About Jazz New York.

 
16.10.06
 
Dan Warburton (crítico musical, violinista, pianista, improvisador, membro do quarteto The Return Of the New Thing, com discos na Leo Records, na NotTwo Records e na Ayler Records), gosta de dar os seus passeios pelo campo. Vai ele e o gravador por montes e vales em busca de aventuras. Já se tinha feito ouvir na Stasisfield, em 2004, com A Walk Through L., a que se seguiu outra jornada na mesma editora, A Walk Through D., pretendendo o D. referir-se à localidade de Domecy-sur-le-Vault, Burgundy, França (Warburton vive e trabalha em Paris). Passeia a pé e vai captando os sons à sua volta. Outras vezes despeja e volta a encher recipientes com água, serra metal, apanha moscas e entretém-se com múltiplas actividades ociosas ao ar livre e dentro de casa, regista tudo, sons ambientais, urbanos e naturais. Quando chega a casa passa o resultado para o computador, adiciona alguma manipulação electrónica, monta, edita, e assim compõe peças electroacústicas a partir das gravações de campo. No final de Setembro publicou A Walk Through M. (12'56) na CONV, netlabel especializada em arte sonora experimental, onde há tempos Ernesto Rodrigues lançou Sable, com os improvisadores libaneses Christine e Sharif Sehnaoui.

'A Walk Through M' is the fifth in a series of 'Walks' - brief electroacoustic compositions sourced exclusively in field recordings made on location. The 'M' in the title here refers to the village of Mouthiers-Haute-Pierre, in the Doubs department in Eastern France close to the Swiss border, where the source recordings were made on August 16th 2004 - Dan Warburton.

 
15.10.06
 

Arturo Ortega, aka Piscis, de Guadalajara, México, acaba de publicar um novo conjunto de propostas de electrónica ruidista de suave recorte, ocasionalmente escarpada na sua granular microscopia sonora. Uva Ulular merece interesse e atenção concentrada. Pode aceder-se via stream ou download através da página da ruidismo, entidade que, a partir de Granada, Espanha, difunde episódios e histórias ruidistas de grande proveito emocional e intelectual.

 
14.10.06
 


Nas nuvens com Weather Report, Sweetnighter (1973). Hoje não chove.


 
 

Para Ken Vandermark a luta continua mesmo sem Jeb Bishop e sem o seu trombone ágil e atlético, visto que entrou em licença sabática em virtude de algum cansaço (pudera) e problemas de saúde que está a tratar, segundo confidenciou em entrevista à Cadence Magazine, número de Janeiro (Vol 32, no. 1, pp. 5-14). Li noutros sítios que se continua a especular sobre as putativas e misteriosas razões para a inopinada saída de Bishop do quinteto, ou seja, as comadres do jazz entretidas na intrigalhada do costume, à falta de assunto e de interesse na vida. Não sei porquê tanta badalação e frivolidade, se o próprio há quase um ano disse preto no branco por que é que resolveu pôr-se ao fresco, tratar da perda auditiva que sente, fazer uma paragem na roda-viva em que andava com os Cinco de Vandermark, o Tentet de Brötzmann (de tão mavioso só faz bem aos ouvidos, não percebo como é que alguém se pode queixar...), a Territory Band, o seu próprio trio, e o permanente para cá e para lá entre a Europa e os States. Não deve ser vida fácil. Lê-se na longa entrevista à Cadence que, provavelmente por ter tocado guitarra em bandas de rock e frequentado muitos concertos (preparemo-nos, que somos a seguir), nos últimos anos Jeb Bishop tem sofrido problemas de audição, zumbidos e perda de acuidade auditiva, pelo que, forçado à pausa para tratamento, resolveu aproveitar o retiro para pensar sobre as direcções a empreender quanto à carreira, compor novos temas, preparar projectos, dar umas curvas, tirar umas dúvidas de trombone comigo, etc.
Mais uma aventura dos Cinco em Chicago, sem o cão Tim nem Enid Blyton, mas com o violoncelista Fred Lonberg-Holm na cadeira deixada vaga com a saída de Bishop. O resto da turma mantém-se vigilante nos respectivos postos: Dave Rempis, saxofones alto e tenor, Kent Kessler, contrabaixo, e Tim "afinal havia um Tim" Daisy, bateria.
Com A Discontinuous Line perdeu-se algum brilho metálico (nada se perde, nada se cria, tudo se transforma, já dizia Lavoisier em 1789) e está diferente a capacidade de explosão nos momentos cruciais, mas ganhou-se em profundidade mingusiana e em novas soluções harmónicas, muito pela passagem das quatro cordas a regime de oito, o que por vezes dá ao som uma textura de chocolate quente a derreter no ponto. O passo não está tão frenético e apressado (Vandermark vai apurando com a idade) e a variação rítmica dentro dos temas passou a ser maior. The Vandermak 5 está de boa saúde, recomenda-se, e mais ligado à terra, é isso. Como sempre, na Atavistic Worldwide, grande casa de discos de Chicago.


 
13.10.06
 

O Jazz on 3 (BBC Radio 3) desta semana propõe uma retrospectiva de alguns dos melhores e mais representativos momentos da recente edição do Vision Festival, que Nova Iorque tem visto nascer ano após ano, e que já vai na XI edição. Para afastar a cortina do programa, Jez Nelson escolheu o quinteto de Hamid Drake, BINDU, de recente agremiação, com Sabir Mateen, Daniel Carter, Greg Ward e Ernest Dawkins. Logo depois, o David S. Ware Quartet, a grande arena do saxofonista (na foto), com Matthew Shipp, William Parker e Guillermo E. Brown. Para fechar em grande plano, a escolha recaiu sobre o Billy Bang Quintet, com James Zollar, Andrew Bemkey, Todd Nicholson e Newman Taylor Baker.


 
 


Luís Lopes – Bruno Pedroso – Paulo Curado



Bicaense, Lisboa – 11 de Outubro de 2006
(Fotos © Crista)


 
 
Nos dias de hoje, além do hip-hop e estéticas congéneres, que têm na samplagem e colagem via estúdio uma ferramenta de trabalho primordial, também na música improvisada há quem saiba e tenha gosto por explorar as potencialidades dos estúdios de som modernos, apetrechados com o estado da arte da gravação multipista e reprodução digital, mais toda a sorte de microfones das mais diversificadas sensibilidades e funcionalidades físicas. É este o caso do estúdio P4, de Berlim, onde em 2003 se instalou o quarteto Schwimmer - clarinetista Michael Thieke, saxofonista soprano Alessandro Bosetti, flautista Sabine Vogel e percussionista Michael Griener. A regra estabelecida foi a de usar tesoura e cola digitais de modo a reorganizar sons previamente gravados (microfones, auscultadores), estruturando o espaço sonoro de forma horizontal, em progressão linear. Posto em prática, o processo revelou-se sobremaneira eficaz em termos harmónicos (veja-se o gráfico de representação que acompanha o disco, no qual a cada músico cabe uma cor, permitindo-se ao ouvinte acompanhar, vendo de fora, o desenrolar das operações). Jogo entre a produção e a pós-produção, improvisação sobre tema previamente gravado, um instrumento de cada vez, de maneira que só o último tem acesso à totalidade da informação sonora. A acção de 7x4x7 (Creative Sources Recordings) culmina no último tema, síntese de um processo que é menos interessante em si mesmo, que quanto aos resultados conseguidos. Interessantes aventuras micro-tonais que assumem uma forma de ocupação e organização do espaço tributária do recente reducionismo alemão, de onde parece querer libertar-se, e da insect music britânica de antanho, que reinventa.

 
 
Love Me Two Times, CD duplo de Jason Lescalleet, artista sonoro da áera da electrónica, noise, e composição contemporânea, com o duo bostoniano nmperign, de Bhob Rainey, saxofone soprano, e Greg Kelley, trompete. Profusão de sons microscópicos e em larga escala, últimos desenvolvimentos da tecnologia computacional à mistura com acidentes de electrónica vintage, sintetizadores analógicos, parafernália de teclados e amplificadores obsoletos, fita magnética remontada em vários sentidos, improvisação electroacústica resultante do cruzamento e enxerto da maquinaria mutante com os aspectos físicos da execução instrumental, sopro, gorgolejo, raspagem, etc., investigações espaciais levadas a cabo ao longo de seis anos de trabalho conjunto em estúdio e em concerto. Duas horas de música incómoda, perigosa e ilusória, que sublima a arte da transmutação sonora. Há aqui muito a que prestar atenção. Disco do momento na Intransitive Records, de Howard Stelzer.

 
12.10.06
 

The Beloved Music... Anda à procura de um pouco de paixão incendiária na sua vida? Ou será que é de um lenitivo para retemperar forças e recuperar das agruras do dia-a-dia que necessita?; ou de um bálsamo para as dores do relacionamento com a entidade patronal ou com os malvados dos professores? Já não pode com uma gata pelo rabo? E porque não recorrer a um manual de auto-ajuda musical one size fits all, pronto a usar? Não procure mais, que encontrou. Deixe-se envolver pelas barbas do profeta Paul Flaherty e massajar pelas batidas de Chris Corsano (o jovem, digamos, irreverente da foto infra, esse mesmo) e verá que o mundo ganha outra cor, menos negra e escaveirada que a da capa de The Beloved Music, que está ali só para disfarçar. Como nas televendas, é 100% garantido! Caso não fique totalmente satisfeito(a) ao primeiro embate, tem muito por onde tentar novamente. E não esqueça: uma dose de Flaherty-Corsano a day keeps the doctor away…




 
 

Herb Robertson!


 
 

Destination: Out: "Instead of our usual posts of rare and out-of-print tracks, this week Destination: Out is offering up our Beginner’s Guide to Free Jazz - featuring some of the most fun and friendly entry points to this music. It’s our humble attempt to make Free Jazz (aka Avant Garde Jazz aka Adventurous Jazz aka That Horrible Racket) more understandable to folks who don’t normally listen to much jazz at all" (continua... ).

Olá, a ideia seria absurda se o resultado não fosse tão engraçado... o óptimo Destination-Out quer levar a grande música a todas as outras, por isso, para os fãs de Funk, Electrónica, Kraut Rock, Punk, Música Indiana, Ambient, Exótica, Blues, Hardcore ou Clássica, as minhas preferidas: inevitavelmente Swamini Turiyasangitananda (Alice Coltrane para os infiéis), Don Cherry em delírio free-funk-world-beat; e o Archie Shepp de uma óptima fase que culmina com "Attica Blues", "The Cry of my People" e"Kwanza"...
See the visions that God will send,
JS

 
 

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA

ernesto_rodrigues violin, viola, conduction; guilherme_rodrigues cello, pocket trumpet; hernâni_faustino double bass; nuno_rebelo portuguese guitar; mara_mccann voice; sei_miguel pocket trumpet; eduardo_chagas trombone; ben_stapp tuba; miguel_bernardo clarinet; nuno_torres alto saxophone; alípio_carvalho_neto tenor saxophone; rui_horta_santos tenor saxophone; peter_baastian alto saxophone, poetry; antónio_chaparreiro electric guitar; armando_gonçalves_pereira accordion; travassos tapes; carlos_santos electronics; césar_burago percussion; monsieur_trinité percussion, objects; josé_oliveira drums, acoustic guitar.
Trem Azul JazzStore, Lx - 9.11.2006



 
 
Sou grande admirador do trabalho do saxofonista Ivo Perelman, que desde há uns anos tem vindo a combinar luz e som nas telas e nos discos, enquanto manifestações exteriores de uma mesma energia que lhe vem de dentro. “As minhas mãos ouvem música enquanto pintam formas dançantes, cores que cantam, ritmos vivos que se desenvolvem. Sinfonia de linhas e curvas, som de tudo o que vejo, imagens das harmonias que ouço”, diz Perelman a propósito da mais recente edição da Cadence Jazz Records (1198), Soul Calling, disco em duo com o contrabaixista Dominic Duval, um live in studio gravado em Nova Iorque no ano 2000. Nove composições creditadas a Ivo, das quais duas (7 Octaves, 7 Days e Mingmen) são breves solos de saxofone tenor e contrabaixo, respectivamente.
No geral, o saxofonista brasileiro faz ampla utilização da gama de registos médios e agudos, dir-se ia a sua marca de água, utilizando um tipo de progressão mais lento que o habitual, por comparação com a ousadia das saídas em trio ou em quarteto, dado o carácter mais essencialmente intimista, reflexivo e concentrado desta sessão. Por entre arco e pizzicato, com ou sem amplificação, Duval dá espaço e presta assistência à realização de alguns dos mais interessantes voos da carreira do pintor/músico, onde se reconhece a similitude dos traços sonoro e pictórico do artista.

Quem sentiu as orelhas a queimar com a fúria abrasiva e chamejante de alguns dos anteriores discos do jazz and canvas colorist, tem aqui uma boa oportunidade de o ouvir em estado de quase contemplação, fruto da paz interior que diz ter encontrado na sua jornada através da pintura, na procura do que designa por universal vocabulary of gesture.
Soul Calling é uma hora e tal do mais sincero e tranquilo Ivo, o que nele é sempre sinónimo de inquietação com a vida e com a arte.

 
 

É bom que se treine o fôlego para a nova entrega de Anthony Braxton na Leo Records, 4 Compositions (Ulrichsberg) 2005 Phonomanie Viii, uma por cada disco.
Anthony Braxton (sopros e electrónica); Taylor Ho Bynum (trompete); Aaron Siegel (percussão); Genevieve Foccroulle (piano), com o Ulrichsberg Tri-Centric Ensemble.
Disco 1: Composition 301 for solo piano (Genevieve Foccroulle);
Disco 2: Compositions No. 96 + 134 (Ulrichsberg Tri-Centric Ensemble);
Disco 3: Composition 323a for trio (with electronics) - Anthony Braxton, Taylor Ho Bynum & Aaron Siegel;
Disco 4: Compositions No. 169 + 147 (Ulrichsberg Tri-Centric Ensemble).


 
11.10.06
 

Sound on Survival. American Roadwork (CIMP). Trio fenomenal.

 
 
Há quanto tempo não me reencontrava eu com o Evangelho dos Blues segundo S. Coltrane? Já não sei dizer, mas soma anos. Gémeo de My Favorite Things, isto é, nascido da mesma sessão de Outubro de 1960, publicada em 1962. Coltrane Plays The Blues, marca também a epifania do que ficou conhecido como classic quartet de John Coltrane, com McCoy Tyner, recém-chegado a bordo, Steve Davis, que viria dentro em breve a ser substituído por Jimmy Garrison, e o novato Elvin Jones cheio de gás, o que lhe mereceu do líder a dedicatória do primeiro tema do disco. Havia líderes simpáticos… e cheios de vontade de trabalhar. Grupo novo, editora nova, ideias novas, tudo novo, a pedir estrada e andamento. Que mais precisava J. Coltrane? De tempo.
Coltrane and the boys estão totalmente à vontade nesta linguagem dos 12-bar blues. Pudera, foi nos blues que lhes nasceram os dentes e é deles que lhes vem a força para morder da maneira que se conheceu antes, durante e depois.
A recente reedição do clássico da Atlantic Records (Rhino) é nada menos que amigável para o desembolsante, categoria na qual me tive que incluir, pois não sei já o que é feito do CD anterior, menos ainda do velho LP, entretanto passado à situação de reforma, tal era o desgaste acumulado. A sorte é que o remasterizado fonograma posto a circular inclui como bónus nada menos que uma mão cheia de alternate takes de Blues to Elvin e de Blues to You, mais um inédito da correspondente sessão, Untitled Original.

 
 

Não é só de agora. Kali. Z. Fasteau, anda habitualmente nas melhores companhias. Desde tenra idade que assim tem sido, veja-se a debutação com o grande e a caminho do esquecimento, Donald Rafael Garrett (não consta que fosse parente, sequer afastado, do nosso Almeida Garrett, poeta das Folhas Caídas e prosador de outras grandes Viagens), contrabaixista, menos referenciado como clarinetista, companheiro da revolução coltraneana (exemplifico com dois títulos paradigmáticos, Kulu Se Mama e Live in Seattle) e cúmplice do visionarismo colorido do grande Rahsaan Roland Kirk, e amigo dilecto de Zusaan Kali Fasteau (era assim que a menina assinava por alturas de 71) Garrett nos tempos gloriosos dos primeiros Esp-Disk. Esta casa de discos, cuja interessante divisa “the artists alone decide what you will hear” – coisa estranha impossível pelos padrões industriais de hoje –, era dirigida pelo advogado e produtor Bernard Stollman, que lhes deitou olhos e ouvidos e resolveu acolher o projecto o que veio a ficar conhecido como The Sea Ensemble (Fasteau & Garrett), de onde saiu o título We Move Together (1974), e mais tarde Memoirs of a Dream (duplo de 1975-77), então já na editora por si fundada e até hoje mantida pela multi-instrumentista norte-americana (Donald Rafael Garrett, a terra lhe seja leve, faleceu em 1989), a Flying Note Records.
Tudo isto é história e boa história, essencial para perceber e sentir o fascínio de Zusaan pelo nomadismo cultural e geográfico (depois dos anos de formação musical, viveu anos a fio na índia e na Turquia, com estadias várias numa série de ouros países asiáticos e europeus) e por uma vasta área musical que viria décadas mais tarde a ser designada pelo substantivo colectivo desastrado de world music, que só piora quando traduzido para música do mundo.
Rótulos à parte, a obra de Kali Z. tem sido quase sempre do outro mundo, numa dupla e alternativa acepção, pois ou é realmente apreciada e justamente considerada de altíssimo nível criativo (Sun Ra gostava dela que se pelava), ou é sobranceiramente ignorada pela dita comunidade do jazz, que a olha como produto bizarro ou simplesmente merecedor de uma sucinta nota de rodapé.
Compreende-se: a senhora vem marcada com o “opróbio” do free jazz, um valor muito negativo nestes tempos de contra-reforma comandada globalmente pela multinacional Marsalis & Crouch, Lincoln Center, Inc., que, entre outras coisas, auto-proclama o direito de determinar urbi et orbi, “isto é jazz, aquilo não é, e o resto logo se vê”. Apesar da política de homogeneização, pasteurização e liofilização levada a cabo pelos poderes industrio-mediáticos dominantes, num processo crescente de downbeatalização do jazz, continua felizmente a haver gente teimosa e avessa aos modismos prevalecentes, que persiste em resistir ao formato standard com que a indústria nos brinda, e com o qual vai enchendo os cofres, de fusão em fusão, enquanto chora as quebras de vendas e os downloads dos putos e mais crescidinhos. Que pena que eu tenho.
Kali Z. Fasteau tem novo disco. Novinho, acabado de sair do forno. Motivo de celebração? Claro, e já digo porquê. Entretanto, as boas companhias dos últimos 40 anos têm variado bastante, é certo, mas são sempre de altíssimo nível. Foi assim no disco anterior a este, Making Waves, em que o horror da capa (Kali, please, I beg you, continua a tocar e deixa o design gráfico para quem tenha jeito, é o que te peço encarecidamente) era inversamente proporcional à qualidade da música nele contida, tocada por Kidd Jordan, Bobby Few e Sirone; assim continua a ser em People of the Ninht (o título pretende homenagear a heroicidade das pessoas do Ninth Ward of New Orleans, a gente de Kidd Jordan), que além do repetente saxofonista tenor, tem o aliciante especial de trazer Michael T. A. Thompson à bateria, consumadamente um dos grandes das peles e pratos no activo. E que trio este é! Encontrada a equipa, foram para estúdio a 25 de Setembro de 2005, na ressaca do furacão Katrina, ainda sob os efeitos emocionais da destruição da cidade de New Orleans e da zona envolvente, terra do Professor Jordan, cuja família sofreu directamente com as duas catástrofes, a do furacão herself (já que tem nome feminino) e a do abandono a que foram votados pelas autoridades locais, regionais e nacionais, com Bush, claro, à cabeça (a terceira...).
Kidd Jordan, T. A. Thompson e Kali, ela própria uma antiga residente em New Orleans, onde em tempos havia sido militante do Congress of Racial Equality, exorcizam a dor através da do potencial de healing force of the Universe (Albert Ayler) da música criada e partilhada em conjunto. Kali Z. em piano, violoncelo, saxofone soprano, nai (instrumento oriental da família das flautas, com palheta) e aquasonic (jarro de metal com água, tocado com arco), e Kidd, som quente, cheio e poderoso de saxofone tenor, o maior da Crescent City, servidos ambos pela mestria rítmica de T. A., e pelo seu conceito de soundrhytium, que hei-de explicar em próxima oportunidade.
Para meu gosto e do conhecimento aprofundado que me gabo de ter da obra de Kali Z. Fasteau, com discos importantes, como sejam Worlds Beyond Words, Memoirs of a Dream, Prophecy, Sensual Hearing, Comraderie, Vivid, Oneness ou Making Waves, todos na Flying Note Records, sem menosprezo por aqueles títulos que compõem uma obra com elevado valor artístico, arrisco afirmar que este é o melhor disco da artista, o mais maduro, concentrado e profundo que realizou até hoje. Aquele que melhor combina a força espiritual da sua música, a discreta etnicidade e a extraordinária musicalidade, graça, liberdade e agilidade que resulta da interacção de três músicos, mais que compatíveis, em comunhão plena e entrega total. Palavras para quê?! Aposto que John Coltrane, Sun Ra e Don Cherry não desdenhariam de People of the Ninth (New Orleans and the Hurricane 2005). Já ganhei!

 
10.10.06
 

Sun Ra and His Space Arkestra. Nova Iorque, 23 de Julho de 1973

The Sun Ra Arkestra. Chicago, 25 de Setembro de 1978

 
 
Luís Lopes_guitarra eléctrica
Paulo Curado_saxofones
Bruno Pedroso_bateria
quarta, 11 de Outubro
Bicaense, Lx



 
 

Modo Trio: The Uninvited e Greg Burk: The Way In - novidades na 482 music.


 
 

Alan Sondheim e a Fire Museum Records têm prontos para lançamento dois discos que vão seguramente marcar a agenda editorial do jazz e da música improvisada nos próximos tempos. Com edição oficial marcada para 24 de Outubro próximo, mas já adquiríveis através da Fire Museum, estão SKI/NN, do próprio mestre Alan Sondheim – uma inesperada viagem de 75 minutos pela improvisação livre, folk, blues e gospel, Eugene Chadbourne e Derek Bailey de braço dado em solos improvisados de guitarra acústica e de cítara, com a particularidade de Sondheim tocar apenas instrumentos vintage, como uma Martin Tenor Guitar de 1927, uma Parlor Guitar do Séc. XIX, e duas cítaras, uma Elegie Alpine de 1860 e outra, Prime Alpine, dos anos 20 do século passado –, e Sound Catcher, do trio What We Live (Lisle Ellis, contrabaixo; Larry Ochs, saxofones tenor e sopranino; e Donald Robinson, bateria e percussão), de S. Francisco, com a improvisadora vocal turca Saadet Türköz (Istambul, 1961), radicada na Suíça, com vários discos na Intakt Records (atenção às novidades, Alexander von Schlippenbach piano solo, George Lewis, com a nata da improvisação mundial, Irène Schweizer piano solo) e na Amori Records.



What We Live
com Saadet Türköz.

 
 

Festival of New Trumpet Music
apresenta
NEW TRUMPET UNDERGROUND
10-14 de Outubro
Cornelia Street Cafe
29 Cornelia Street, West Village
New York

Amy Horvey
In this performance, the solo trumpet, playen by Amy Horvey, will be used as a laboratory for a performative journey through the architecture of the instruments acoustic identity - an attempt to rethink the concept of "trumpet" from a different perpsective, farthe from the cultural idea of "what the trumpet is" and closer to ita acoustical properties.
Trumpeter Amy Horvey, 25, has worked internationally with a range of performance projects specializing in cutting- edge contemporary music. In 2005 she premiered Philip Matuczewisky's Concerto for Trumpet. Amy currently plays in the Thunder Symphony Orchestra and works as a trumpet instructor at Lakehead University.

Chris DiMeglio Group
The Chris DiMeglio Group combines elements of rock, classical, jazz, and experimental music, presenting original pieces with concrete and unusual forms, free improvisation inspired by photography, unique trumpet and percussion effects, and an integration of poetry both recited and sung.

Bart Mitelberger and
The Chance Trio
UK-born trumpet player Bart Mitelberger is a lyrical and melodic player who first appeared in FONT Music in Trumpet Nation on the opening night of the 2nd annual Festival. He has studied with Dennis Sansole and was an American Composers Forum grant winner in 2003. He has worked with a variety of artists including Fathead, G-Love and Special Sauce, Conjunto 23, the Diable Planets, Jon Fadis, James Moody, Dave Liebman, Tyrone Brown, Farid Barron and Tom Lawton.

 
 

Assumed Possibilities designa o quarteto do britânico Chris Burn, músico que habitualmente passa mais tempo dentro do piano do que na posição ortodoxa, ou entretido com pianos de brincar. Os pianos que Burn traz para Still Point (Rossbin, 2002) combinam com os sons esparsos do harpista Rhodri Davies, e dos outros dois cordofones, o violino de Phil Durrant e o violoncelo de Mark Wastell. Espécie heterodoxa de quarteto de cordas, Assumed Possibilities improvisa num estilo minimal, extremamente sossegado, com ênfase nos detalhes tímbricos e texturais, e no tempo que lhes é dado para que se produzam e se desenvolvam em ambiente de rarefacção sonora. Como brisa outonal que espalha folhas de árvores num jardim, permanecendo o ouvinte suspenso até ao próximo movimento. Variante reducionista da improvisação livre (não-idiomática, chamou-lhe Derek Bailey) que exige do ouvinte atenção devotada, Still Point, assinala o terceiro aniversário do quarteto e constitui um interessante progresso a partir das ideias formuladas no disco homónimo do grupo, editado em 1998 pela Confront Recordings, de Mark Wastell, de que foram publicados apenas 100 exemplares. Ainda que extremamente delicado, Still Point pode soar estranho a quem não esteja familiarizado com as linguagens da escola Inglesa, inscritas numa linha de continuidade acústica pós-AMM e pós-SME.

 
 
ポルトガル語らしいです。

AO
Endlessly, Sweetly and Slightly




 
9.10.06
 

15TH FESTIVAL OF EXPERIMENTAL MUSIC
OTOMO YOSHIHIDE’S ANODE
BERNARD PARMEGIANI
ROEL MEELKOP
TOM CHANT & SHARIF SEHNAOUI
ANDREA NEUMANN
TIM BARNES
TEXTURIZER
TOMAS KORBER
OLIVIA BLOCK
CHRIS CORSANO
KEITH ROWE
PLUS VERY SPECIAL GUESTS TBC

De 15 a 17 de Dezembro, em Londres, 15ª edição do festival do London Musicians' Collective. No arquivo, em formato mp3, podem encontrar-se improvisações de Veryan Weston, John Butcher e de Mark Wastell, Tisha Mukarji, Toshimaru Nakamura eTomas Korber.
Na foto, Spontaneous Music Ensemble, no Betterbooks Basement, em Londres, a 23 de Março de 1967. Da esquerda para a direita: Paul Rutherford (trombone), Derek Bailey (guitarra), Chris Cambridge (contrabaixo), John Stevens (bateria), Trevor Watts (oboé), Evan Parker (saxofone tenor). © Jak Kilby.


 
 

Para assinalar os 70 anos de Steve Reich (3 de Outubro de 1936), a nonesuch editou uma retrospectiva da obra daquele é um dos mais importantes e influentes compositores do Séc. XX norte-americano, não apenas do minimalismo, de que foi pioneiro, e do qual se foi afastando progressivamente. Reich orientou a sua obra em múltiplas direcções, com predominânicia do uso da tecnologia na produção e gravação sonora, loops, fita magnética, padrões e fases em que dois ou mais instrumentos interpretam frases idênticas, mas em diferentes velocidades. Phases: A Nonesuch Retrospective – o essencial de Steve Reich. Pena que tenham ficado de fora Four Organs (1970) ou Music for a Large Ensemble (1978), por exemplo, mas compreende-se que havia que fazer opções. De qualquer modo, a colecção de obras contida nos cinco discos da caixa é representativa dos 40 anos de carreira de Steve Reich.
Disc One: Music for 18 Musicians (1976) 67:42; Disc Two: Different Trains (1988) 26:51; Tehillim (1981) 30:29; Eight Lines (1979) 17:29; Disc Three: You Are (Variations) (2004) 27:00 New York Counterpoint (1985) 11:19; Cello Counterpoint (2003) 11:36; Electric Counterpoint (1987) 14:43; Triple Quartet (1999) 14:43; Disc Four: Come Out (1966) 12:48; Proverb (1995) 14:04; The Desert Music (1984) 48:04; Disc Five: Music for Mallet Instruments, Voices, and Organ (1973) 16:50; Drumming (1971) 56:43.

 
7.10.06
 

Ainda há pouco aqui toquei ao de leve neste assunto, que é um caso sério. Michael Ehlers, da Eremite Records, foi ao arquivo da Dogtown Records e sacou um disco do inicial de Khan Jamal com o Creative Arts Ensemble, gravado em 1972, andava eu de calções com os joelhos permanentemente em ferida, e não era de ir a Fátima. O momento merece sublinhado, já que Jamal é daqueles artistas que mereceria ter tido outra sorte, se a sorte fosse coisa que se merecesse. Isto porque gravou pouco e muito esparsamente, as últimas coisas (excelentes!) a poderem ser ouvidas na Creative Improvised Music Projects - CIMP. De comum com umas e outras edições está o mesmo e apurado som de entre Chicago e St. Louis (AACM e BAG, respectivamente - associações congéneres, uma a Norte e a outra, a Black Artists Group, a Sul), o experimentalismo atrevido que o aproxima dos cenários que se identificam mais com a ainda agora falada AACM, e com os propósitos do padroeiro deste estabelecimento, o grande Sun Ra – a vida lhe seja longa, colorida e aprazível em Saturno. Vibrafone, claro, e marimba também, que são da mesma família, linha colateral. Mas, e que tal ouvir mestre Khan Jamal em clarinete, uhm? Também eu não estava à espera, embora, confesse, cá por coisas sempre me pareceu que o fraseado dele tinha muitas afinidades com o de um instrumento de sopro. São sessões destas que me deixam de orelhas fitas, tal como certamente ficaram as Monette Sudle, guitarra, Billy Mills, contrabaixo e baixo eléctrico, e as dos bateristas Alex Ellison e Dwight James. O título apanha o espírito de época: Drum Dance To The Motherland. Está na Eremite e é de não deixar fugir. O mesmo se diga relativamente a Total Music Meeting 1977, registo de um dos míticos encontros de Peter Brötzmann e Han Bennink, em Berlim, terra das bolas, duo actualmente em digressão americana. Ainda bem que Michael Ehlers decobriu a sua própria unheard music series.


 
 

We, the Classical Music Villains..............There's nothing like the American cinema to incarnate nightmarish villains. These purveyors of evil and doom know how to put a chill on the bone and shiver up the spine. There's Virgil "the Turk" Sollozzo from the Godfather ("I don't like violence, Tom. I'm a businessman. Blood is a big expense"); Darth Vader ("You don't know the power of the dark side"); the Wicked Witch of the West ("I'll get you my pretty, and your little dog too"); Jason from the Friday the 13th franchise (he gets away without saying much); and, well, Mozart.
That's right, Mozart. Although he has yet to be portrayed sporting an eye patch and scar, let alone Freddy Krueger's glove-of-knives (which would make playing scales quite a chore), make no mistake: Wolfy is one dastardly dude
. (
continua... )

Estas Stories of Irony (at Best) and Injustice (at Worst) in Today's American Popular Cultures (With No Mention Whatsoever of Mozart's 250th Birthday), de Gregg Wager, e outras lendas divertidas e edificantes, com um fundo moral espesso e cremoso, podem ser lidas na íntegra na edição de Outubro/Novembro da Perfect Sound Forever, The online music magazine with warped perspectives.

 
 

Ecos próximos e longínquos da Association for the Advancement of Creative Musicians - AACM, a que estão ligados os nomes mais importantes das sucessivas gerações de músicos e pensadores que Chicago deu à luz, e que contribuiram para fixar um som com identidade própria, vêm aportar a este novo ponto de convergência formado pelo saxofonista Ed Wilkerson (do 8 Bold Souls), a flautista Nicole Mitchell, o contrabaixista Harrison Bankhead, e o baterista Avreeayl Ra. O quarteto Transparency propõe numa sessão tributária do espírito e da forma dos velhos tempos da Delmark, recuperando memórias e injectando sangue novo num corpo que, nos últimos 40 anos, não cessou de se transformar. Respeito pela tradição, criatividade sem limites e afirmação de progresso é o credo de Frequency. Cada vez mais Ancient to the Future. Edição da Thrill Jockey, com provável distribuição em Portugal pela Dwitza, de João Santos. Se amanhã for às Berlengas levo este disco comigo.

 
 

Prosseguindo a série de projectos artísticos ligados à música de Bach, Mahler, Wagner e Mozart, o pianista norte-americano Uri Caine avança para as harmonias e melodias folk adaptadas de Béla Bartók. O sexteto nova-iorquino completa-se com Chris Speed, clarinete e saxofone tenor; Joyce Hamman, violino; Miklos Lukacs, zimbalão; Drew Gress, contrabaixo e Jim Black, bateria. Uri Caine: The Bartók Project estreia a 10 de Outubro, no Joe’s Pub, em Nova Iorque, sob os auspícios do Hungarian Cultural Center.

 
6.10.06
 

Bruce Lee Gallanter, da Downtown Music Gallery também gostou de Teatro, disco do trio de Rodrigo Amado, com Kent Kessler e Paal Nilssen-Love (European Echoes).

«Excellent trio effort recorded live at the Spectrum Festival in Oporto in February of 2004 and featuring Rodrigo Amado on tenor & baritone saxes, Kent Kessler on double-bass and Paal Nilssen-Love on drums. Portuguese saxist, Rodrigo Amado, has a fine trio disc with Carlos Zingaro & Ken Filiano, as well as two great discs with the Lisbon Improvisation Players (w/ Steve Adams & Filiano), all three on Clean Feed. Rodrigo put together a great international trio with Kent Kessler (bassist for the Vandermark 5) and Paal Nilssen-Love (drummer for The Thing, Scorch Trio & various projects also w/ Vandermark) for this live date. "The Iconoclast" opens with the trio quietly burning, spinning forcefully together. There is an organic resonance here as the bass and drums move in waves together, the sax riding the waves, cresting and coasting, but never screaming. The recording is especially well-done and perfectly balanced so that this trio sounds like one solid force. I dig the way Paal uses thin chains on his drums, coaxing sizzling sounds, as well as creating a sly, understated dialogue with his two partners. On "Pandora's Box" the trio start softly and build slowly to a most exciting storm, the rhythm team spinning faster and higher as they go with Rodrigo dancing on their intense rhythmic cushion. Kent's eerie bowed bass and Rodrigo's dark, wooden-toned bari open "Teatro" as Paal sprinkles delicate cymbals. Everything moves in slow motion as is we are floating in a dream world. "Chasin' Pirandello" erupts open and with some fine blasting bari and an intense tight-knit rhythm team attached. Only six minutes long, yet colossal throughout».

 
 


Wet Paint


 
 
umbrella festival 2006



 
 

Uhmm… a coisa promete: no Jazz on 3 de hoje e do resto da semana (BBC Radio 3), entre outros assuntos de monta e proveito, como uma introdutória conversa com Pat Metheny e Brad Mehldau, a finalizar a emissão passa um concerto do Veryan Weston Quintet of Uncertainty, casa de improvisação que alberga Satoko Fukuda (violino), Yedo Gibson (sopros), Hannah Marshall (violoncelo) e Nana Tsiboe (percussão), gente de quatro continentes: Europa, Ásia, África e América do Sul. No estúdio Phoenix Sound, o quinteto gravou os três temas da noite: Disoriental, Pent Up e Chains.

 
 

Arias, Ricardo / Müller, Günter / Tammen, Hans
Intersecting a Cone with a Plane


 
5.10.06
 
Carl Grubbs saiu com um disco na CIMP, em Maio passado, que é um consolo. Falo desse Carl Grubbs, o primo da Naima, aquela que foi mulher de John Coltrane, de quem é sobrinho e com quem estudou, boa gente de Filadélfia. Carl Grubbs, dos The Visitors da década de 70, com discos na Muse Records, e uma passagem nos anos 80 pelo Julius Hemphill Saxophone Sextet (recorde-se Fat Man and the Hard Blues), altura em que passou a residir em Baltimore e desapareceu dos estúdios e das discográficas vá-se lá saber porquê. Regressou entretanto aos discos pela mão de Bob Rusch com este Brother Soul, depois de ter aparecido ao lado de Odean Pope noutro CIMP em quarteto, Two Dreams, com Tyrone Brown e Craig McIver, e noutro ainda, Stepping Around the Giant, com Chris Sullivan e Newman Baker.
Nesta mais recente sessão, gravada em Junho de 2005, Grubbs estreou-se em saxofone tenor, instrumento que passou a adicionar aos habituais alto e soprano. Convidou outro grande saxofonista tenor, mestre Salim Washington, também em oboé e flauta, o contrabaixista Steve Neil e o baterista Ronnie Burrage. Washington é uma personalidade musical viva, pouco conhecida para o talento que tem mostrado ter, por exemplo, ao lado de Ahmed Abdullah. Steve Neil é mais conhecido pelo que fez junto de Pharoah Sanders e Frank Lowe, enquanto Burrage, mais discreto, tem acompanhado Grubbs neste seu mais recente ressurgimento.
O programa de Bother Soul é muito variado e inclui oito originais de Grubbs, um deles a meias com Salim Washington, um tema de Earl Grubbs, irmão de Carl, e uma versão de Smile, o velho hit de de Charlie Chaplin, de 1954, popularizado por Nat 'King' Cole (Smile though your heart is aching, Smile even though it’s breaking...).
É difícil escolher pontos (mais) altos neste disco, todo ele com uma qualidade média elevada, embora haja um ou outro tema que sobressai pela maneira particular como toca o ouvinte: Neptune, composição de finais de 60, incluída no disco de estreia de Grubbs, em 1971, e Gordon, homónima do filho mais velho do saxofonista, serão talvez os que prefiro. Mas há outros a este nível, temas rápidos, tempos médios e baladas, uma boa amostra da vitalidade do jazz inspirado nos clássicos, que não se deixa prender pelo repisar de velhas fórmulas, antes procura abrir a música a outras influências, como a oriental, a lembrar Yusef Lateef, além da marca notória do Coltrane inicial. Sinais que no seu conjunto compõem um disco muito agradável de ouvir, inspirado nas tradições do bop e do gospel, destiladas num som colectivo quente e robusto, à moda de Filadélfia.

 
 
Novas da SquidCo. É lá que vai o bom e o bonito:

89 new listings, another exciting set of releases as the Northern Hemisphere gets colder and our ears stay warm by staying inside listening! Highlights this month include Derek Bailey's sessions from David Sylvian's Blemish album; a new Keiji Haino album; live Steve Lacy from Paris in 1975; 3 important issues from Recommended UK - Henry Cow Concerts finally remastered, Picchio dal Pazzo's masterpiece Abbiamo Tutti I Suoi Problemi, and a new album from Hail; Innova's Harry Partch series wraps up with an excellent documentary and series of filmed works; a fascinating Michael Renkel/Sonja Bender DVD on Absinth; two new Musica Genera titles; Creative Sources releases its latest, including an ea-improv album from Arias/Müller/Tammen; two extended James Plotkin pieces on Utech; two new Tzadik titles from Billy Martin & Evan Parker; a host of new No Label/Jeffrey Shurdut titles; Fe-Mail collaborates with Carlos Giffoni for unusual results; and readers take note of new Wire and Signal to Noise issues.


Arias, Ricardo / Müller, Günter / Tammen, Hans: Intersecting a Cone with a Plane (Creative S.)
Bailey, Derek: To Play: The Blemish Sessions (Samadhi Sound)
Bennink, Han / Ex, Terrie: The Laughing Owl (Terp Records)
Bisio, Michael / Boni, Raymond / Duval, Dominic / McPhee, Joe: Port of Saints (CJR)
Blum, John Astrogeny Quartet: (Eremite)
Braxton Quartet, Anthony: The Coventry Concert (West Wind)
Butcher, John / Graewe, Georg: Light's View (Nuscope)
C.T. String Quartet with Joe McPhee: Reqiphoenix Nexus (Cadence Jazz Records (CIMP))
Davidson, Neil: Grain (Creative Sources)
Demand / Woellwarth / Demand / Kleinemas / Winger: Beside the Cage (Creative Sources)
Diskaholics Anonymous Trio: Weapons of Ass Destruction (Smalltown)
Eisenbeil / Kugel / Robinson / Evans / Greene: Carnival Skin (Nemu Records)
Flaherty / Corsano / Yeh: A Rock In the Snow (IMPORTANT RECORDS)
Gjerstad, Frode / Shurdut, Jeffrey Hayden: The Organic Plastic Band (No Labels)
Goatette, The Jeff Gauthier: One and the Same (Cryptogramophone)
Irazoki, Joseba: Olatuetan (Creative Sources)
Jamal, Khan: Drumdance to the Motherland (Eremite)
Kaufmann / Moore / van der Schyff: Kamosc (Red Toucan)
Lacy, Steve Quartet: Esteem (Live In Paris, 1975) (Atavistic)
Martin, Billy: Starlings (Tzadik)
Matthews / Rodrigues / Saadé / Rodrigues: Oranges (Creative Sources)
Microscopic Septet, The: Seven Men in Neckties (Cuneiform)
Neumática: Alud (Creative Sources)
Parker, Evan: Time Lapse (Tzadik)
Perelman, Ivo / Duval, Dominic: Soul Calling (Cadence Jazz Records (CIMP))
Prévost, Eddie / Wilkinson, Alan: So Are We, So Are We (Matchless)
Rechtern, Mario / Siwula, Blaise / Shurdut, Jeffrey Hayden: Awfully Happy (No Labels)
Rodrigues / Rodrigues / Sehnaoui / Sehnaoui: Undecided (A Family Affair) (Creative Sources)
Rodrigues, Ernesto / Werchowski, Mathieu / Rodrigues, Guilherme: Drain (Creative Sources)
Roof: The Untraceable Cigar (Red Note)
Shurdut / Carter / Welcome / Dulberger: Everything is Everything (No Labels)
Shurdut / Osborne / Dunbar / Chang: Imaginary Control Systems Pt. 2 (No Labels)
Shurdut / Thomas / Shimizu / Chang: Finally! Total Unity (No Labels)
Shurdut, J. Hayden / Gianni, Epifanio L. Pasquale: The Euro-American Songbook (No Labels)
Takase, Aki: Tarantella (psi)
Takayanagi And New Direction Unit, Masayuki: Eclipse (Iskra)
Various Artists: Free Zone Appleby 2005 (psi)

 
 

Happy Birthday, Bill!

 
 

A partir de amanhã, a Oxigénio, que ouço diariamente em 102.6 FM, Lisboa, passa a investir mais nos ouvintes, com O2 Banda Larga à sexta-feira, entre as 7 e as 19 horas. Pena é a respiração da Oxigénio seja a pulmão único, mistura rica mas quase exclusivamente composta por episódios pop (do melhor e do menos bom), em detrimento de outras músicas com outros arejamento e atrevimento. Pode ser que agora com a participação directa dos ouvintes se abram as janelas de par em par e a respiração passe a regime de plenos pulmões. O rádio da foto é um Zvezda (1954) de fabrico soviético.

 
 

experimentaclub 06 - Madrid, 4-8 de Outubro

whitehouse . carter tutti
david thomas and pale gagarins
otomo yoshihide . chris cutler . keith rowe
dat politics . vladislav delay . philip jeck
rag-time (grimo + pierre bastien)
augsburger tafelconfect . a*class . jorge haro
pap a rappper . incite/ . alfredo costa monteiro
nista nije nista . bruno & michel are smiling with skipperrr
peeesseye . william bennett (dj) . tra$h converters
oriol rossell . jesús brotons . lost in heaven . elena cabrera
rafaël (+ tektun) . iván gómez-españa . nikky schiller
+
festival minúsculo:
sonido> pablo rega . riccardo massari . ingar zach . wade matthews
vídeo> ruth barberán . elois s. + nicolas ferrier . zol . adolf alcañiz
+
ideas - charlas sobre alternativas musicales:
música grabada . música malexplicada . música aplicada . música plasmada
+
gramophonia

 
 

Steve Reich, aos 70.

“There’s just a handful of living composers who can legitimately claim to have altered the direction of musical history and Steve Reich is one of them”.—The Guardian

 
4.10.06
 

Gravada nas alturas da Toscânia num dia frio de Dezembro de 2005, a música de Sono Contento di Stare Qua (Edgetone Records, 2006) contrasta pela temperatura cálida que dela emana. Thollem McDonas, pianista norte-americano, viajou para Itália para se avistar com o saxofonista Edoardo Ricci, veterano improvisador italiano, o “pai da moderna improvisação italiana”, que marcou a primeira geração de improvisadores europeus nos anos 60. O duo decidiu assinalar o encontro em S. Giuseppe, Nippozano, Florença, com uma hora de improvisação, que teve lugar numa casa de pedra rústica situada algures nas montanhas de Nippozano.
Para o evento convidaram Andrea Caprara, que levou três microfones e gravador portátil na bagagem. Edoardo Ricci levou o saxofone alto e Thollem McDonas usou o velho e desafinado piano de parede que havia em casa (“rickety piano”), assim naturalmente “preparado”. Um face-a-face registado numa hora de intensa improvisação protagonizada por dois artistas de grande criatividade e empolgante brilhantismo técnico. Em diferentes movimentos, do lento sonambulismo à mais estonteante velocidade, o duo entende-se numa comunicação fácil, que só o é dada a categoria dos intervenientes, que convergem na procura de uma base comum de expressão, reflexo do contentamento por tocarem juntos.
Conheço bem os três discos de piano solo de Thollem McDonas, bem como os dois outros que gravou em duo com o baterista Rick Rivera. Faltava ouvir Thollem McDonas, extraordinário pianista, num contexto deste tipo, com um soprador de grande marca. E aqui está a ocasião, que ele e Edoardo Ricci souberam magnificamente aproveitar e transformar numa experiência fascinante.
Edoardo Ricci & Thollem McDonas - Sono Contento di Stare Qua (Edgetone Records)

 
3.10.06
 

Paris Transatlantic Magazine, edição de Outubro: Dan Warburton, Clifford Allen, Jon Dale, Nate Dorward, Lawrence English, John Gill, Stephen Griffith, Massimo Ricci e Derek Taylor.
Editorial
In Concert: Guelph Jazz Festival
On Room40: Friedl & Vorfeld / Davis & Jerman / Lloyd Barrett / DJ Olive / Samartzis & English / Samartzis & Inada / Luciano Berio
On DVD: Misha Mengelberg
VINYL SOLUTION: Chen Yi / Verfassung / Noxagt & Ultralyd / Park Attack / Trockeneis / Gendreau & Lopez
JAZZ & IMPROV: Rose, Abrahams & Thomas / Robin Hayward / Carchesio & Craig / Sun Ra / PdConception / Spin Marvel / Kaufmann, Moore, van der Schyff / Bullock & Rawlings / Doug Theriault / Filip & Nakamura / Chang & Howard / Will Guthrie / Charles Mingus
CONTEMPORARY: Matt Rogalsky / Nico Muhly / Dan Joseph / Tim Hodgkinson / Morton Feldman / Hervé Boghossian
ELECTRONICA: Daniel Menche / Hampton & Hess / Biffplex / Ethan Rose / Surface10 / Forest Jackson / Coincident

 
 
The Electrics, com Sture Ericson, Axel Dörner, FlIngebrigt Håker Flaten e Raymond Strid. O disco anterior dos “eléctricos”, Chain of Accidents, de 2000, outro live, então na Copenhagen Jazz House, deu brado. Este, não o deve fazer por menos. Foi gravado faz exactamente hoje um ano (3 e 4 de Outubro de 2005), no Glenn Miller Café, Estocolmo, a casa onde há melhor jazz por metro quadrado do mundo. Suponho e espero que a receita do quarteto continue a ser a mesma de Chain of Accidents: swing electrizante, a fazer jus ao nome do grupo, composições tesas e improvisação de encher as medidas. Há que aguardar mais uns dias por mais este feito de Jan Ström, o nosso homem na capital sueca, e da sua Ayler Records.
Entretanto, Jan Ström publica este mês uma nova edição do Frode Gjerstad Trio, com William Parker e Hamid Drake, em versão exclusivamente digital, que estará à venda nas lojas digitais por esse mundo fora, à semelhança do que irá acontecer com outras edições da Ayler. Na calha, está um Joel Futterman solo, já deste ano, e um Luther Thomas em quarteto. A pouco e pouco o CD vai sendo substituído pelo formato exclusivamente digital. É a vida...

 
 

Manhã dylaniana. Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde. 1965 e 1966 pariram disto. O segundo deste belo par é o meu preferido de Bob Dylan. De longe.

 
 
Michael Bisio, contrabaixista de Seattle, a trabalhar em Nova Iorque, publicou este Connections em 2005, disco que foi parar a muitas listas de melhores do ano, entre as quais a minha, se bem me lembro. Eclético no estilo, Connections impressiona positivamente, mais de um ano sobre a primeira e subsequentes audições, que deram para todo um verão. Bisio dirige uma sessão muito agradável, entre o freebop corrente e laivos de ressurgimento do som west coast, rica em fluidez e em inesperadas mudanças de tempo. Na frente do quarteto ajudam os homens dos sopros, Avram Fefer, músico que, volta não volta, tem andado na companhia do pianista Boby Few, em saxofones (tenor, alto e soprano), clarinete baixo e flauta; e Stephen Gauci, saxofone tenor. O resto, que é muito, fica por conta de Michael Bisio – uma das grandes figuras do contrabaixo actual, e o ubíquo Jay Rosen, bateria e percussão.
Excelente sessão, a que não faltou a curiosidade de um pequeno incidente durante a gravação, mesmo no final do segundo tema duma sequência de oito (Basic Deconstruction), quando subitamente se partiu uma peça do contrabaixo de Bisio (ouve-se o impacto de madeira a cair e a rolar pelo chão da Spirit Room) pormenor conscientemente assumido pelos artistas e produtores, e que, como tal, foi deixado para a posteridade. Grande som CIMP. Há quem dele fuja por o achar demasiado seco e outras coisas mais. Pessoalmente, sou daqueles que desde o início aprecia o lado cru, directo e imediato da produção caseira da casa dirigida por Bob Rusch a partir do seu rancho situado ao Norte do estado de Nova Iorque, quase no Canadá.

 
2.10.06
 

Em 2006 comemoraram-se os 25 anos de My Life in the Bush of Ghosts, álbum de Brian Eno e David Byrne, produzido segundo as técnicas da colagem e samplagem de sons, fundindo electrónica, ambient e world music. Para assinalar da data, a dupla seguiu o figurino habitual nestas coisas, ou seja, reeditou o disco em versão remasterizada, aditando-lhe um conjunto de temas inéditos. Mas não se deixaram ficar por aqui. Criaram um site (Bush of Ghosts), onde colocaram dois temas do disco (Help Me Somebody e A Secret Life), desafiando os admiradores a produzirem e enviarem as suas próprias versões, associando-se desse modo às festividades do 25º aniversário. Segundo a história contada por Marc Weidenbaum, na disquiet.com, a página recebeu mais de 200 versões remisturadas nos primeiros 6 meses.
Entretanto, Marc Weidenbaum teve uma ideia: convidar doze músicos da sua preferência, principalmente gente ligada à cultura das netlabels, que não tivesse não participado no projecto de remisturas dos autores de My Life in the Bush of Ghosts, e pedir-lhes novas versões da temática de Eno e Byrne, fossem elas mais próximas das formas originais, ou meras reflexões mais ou menos remotamente inspiradas no disco. O resultado está em Our Lives in the Bush of Disquiet. Vale a pena ouvir o trabalho de AllThatFall, MrBiggs, Prehab, Ego Response Technician, Roddy Schrock, Pocka, doogie, Mark Rushton, My Fun, Stephane Leonard, (dj) morsanek e john kannenberg.

 
 

Quiet American

 
 

A impressão de ter ouvido algo a puxar para o lado académico, como um longo exercício de composição em estilo pós-braxtoniano, que subsiste após duas audições seguidas de From the Diary of Dog Drexel, disco de 2002 do Scott Fields Ensemble, é mitigada por outros aspectos a valorizar, quais sejam, a ductilidade das composições de Scott Fields e a capacidade do colectivo saber interpretar e voar para além da partitura, deitando por terra as fronteiras entre composição e improvisação.
Esta versão do Scott Fields Ensemble inclui Carrie Biolo (vibrafone, marimba e percussão diversa), Kyle Bruckmann (oboé e trompa) Guillermo Gregorio (saxofone alto e clarinete), Greg Kelley (trompete), Scott Fields (guitarras eléctrica e acústica), Stephen Dembski (direcção, temas 1-4) e Gregory Taylor (“constructor”, tema 5). O grupo desenvolve cinco movimentos de uma suite de câmara para cordas, sopros e percussão, correspondentes a diferentes estados emocionais retirados do diário da “personagem” ficcional Dog Drexel: Conflicted, Pissed, Bummed, Agitated e Medicated. Nos quatro primeiros segmentos o guitarrista de Madison deu indicações específicas aos membros do ensemble sobre como pretendia que o programa fosse desenvolvido, procurando sobretudo harmonizar o processo lógico de articulação entre as partes e o todo. No quinto e último movimento o desafio foi de outro tipo: gravar improvisações separada e individualmente, e conglomerá-las através da electrónica de Gregory Taylor. Daí a sua creditação como “construtor” neste grupo de músicos baseados em Chicago e Boston (Greg Kelley, trompetista do duo nmperign, com Bhob Rainey), que prima pela boa gestão das tensões, equilíbrio de elementos e interessantes combinações de cor e vocabulário.
Scott Fields Ensemble - From the Diary of Dog Drexel (Rossbin Records, 2002)

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

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