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30.10.06
 

Travei há dias conhecimento com o novo disco de Matt Davignon, SoftWetFish, com carimbo de saída na Edgetone Records datado de Agosto de 2006. SoftWetFish vem na sequência de um primeiro disco de Davignon, Bwoo, também na Edgetone, e acentua a impressão satisfatória deixada pelo disco precedente, do qual não se afasta de forma assinalável, antes aprofunda e desenvolve algumas das pistas anteriormente esboçadas.
Se atentarmos na instrumentação utilizada num caso e noutro – uma simples caixa de ritmos manipulada de acordo com técnicas e objectivos que suponho não serem convencionais em matéria de funcionalidade e de resultado (não se ouvem beats ou clicks próprios da função dançante ou outra, por exemplo), e processamento sequencial – dir-se-á que este peixe nada em águas escuras e profundas, onde o tempo se mede de outra maneira, longe da superficial e sofisticada espuma tecnológica habitualmente associada aos projectos musicais de base electrónica, v.g., laptops, samplers, sintetizadores e toda a sorte de maquinaria disponível no mercado.
É justamente o lado low-tech (e até obsolete-tech) de SoftWetFish que acentua os resultados em presença, fruto da utilização daquela ferramenta única nos trabalhos de experimentação e pesquisa sonora. Desta forma, o músico de Oakland, Califórnia, consegue elevados níveis de eficiência, se se quiser, pois obtém mais resultado com menor investimento.
O desenho das composições de Davignon retém traços de algum formalismo, enquanto estruturas que sustentam a progressão sonora. Esse movimento consegue-se através de técnicas como a sobreposição de camadas, a produção de ondas vibratórias e a geração de micro-sons, dispostos em cursos pré-ordenados e espacialmente orientados em várias direcções. É este subtil aperto formal que afasta o disco da tentação aleatória de ligar a máquina e deixar andar, e disciplina a manufactura de sons fragmentados, que saltando da superfície plana, projectam-se no espaço e adquirem interessantes efeitos a três dimensões. Sem deslaçar, as estruturas adquirem vibrações próprias e acabam por constituir blocos texturais e padrões de cor com apuradas variações tímbricas e dinâmicas de efeito oscilante.
Mesmo sem apresentar um trabalho cujo valor principal seja a marcante diferença conceptual em relação ao projecto anterior, de que importou o figurino de confecção, adaptando-o, com SoftWetFish, qual bilhete de passagem para outra dimensão emocional e sensorial, Matt Davignon consegue um resultado muito atraente e perdurável na memória do ouvinte.

 


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