07NOV, 19:30 - Festa de Aniversário da TREM AZUL Jazz STORE
Michaël Attias Trio
Michaël Attias_ saxofone alto
Sean Conly_ contrabaixo
Takeaki Toriyama_ bateria
IMI kollektief
Alípio Carvalho Neto_saxofone tenor
Elsa Vandeweyer_vibrafone
Jean-Marc Charmier_trompete, fliscórnio, acordeão
João Hasselberg_contrabaixo
Rui Gonçalves_bateria
+++ Jam Session +++ Comes e Bebes +++ 10% desconto +++ Atribuição dos «Prémios da Pândega»
Miguel Zenón Quartet no Seixal Jazz

Na penúltima noite do Seixal Jazz/2005, actuou o quarteto de Miguel Zenón, saxofonista e compositor de origem porto-riquenha, creditado como antigo membro do SF Jazz Collective, da Liberation Music Orchestra, de Charlie Haden, e da Mingus Big Band, entre outras relevantes colaborações.
Miguel Zenón trouxe ao Seixal um jazz de sabor latino, de tonalidades quentes, cristalino como as águas do Caribe. Música que rompe fronteiras, contaminando o jazz com cores e ritmos daquelas latitudes. Trata-se afinal de outro tipo de fusion, que amplia o receituário já conhecido do jazz latino em versão afro-caribenha, que cruza a música das ruas de Puerto Rico com o mais refinado academismo de Berkeley.
Assim que soaram as primeiras notas do solo de saxofone alto com que Zenón introduziu o primeiro tema, deu para perceber estar-se perante um saxofonista cheio de soul, vibrante e extrovertido a cada nota. Com um som próximo do de Greg Osby ou de Rudresh Mahanthappa, tem em comum com eles a mesma articulação, velocidade e riqueza tímbrica. A estas características acresce a originalidade das composições do saxofonista, enriquecidas pelo swing sem mácula, espantosa musicalidade e polirritmia do quarteto, rodado até não faltar ponta por trabalhar.
Numa leitura apressada ou distraída, a música do Miguel Zenón Quartet pode ter parecido superficial. Porém, por debaixo da primeira e mais brilhante camada de verniz acetinado, à medida em que se foi desenvolvendo, revelou um tesouro poliédrico em toda a sua extensão e profundidade.
Zenón foi superior na execução de baladas, onde se reconheceram traços do Charlie Parker de Lover Man, por exemplo, presentes no domínio absoluto sobre a complexidade rítmica e harmónica. Isto, sem contudo cair na rotina ou no show-off gratuito, riscos que o quarteto soube prudentemente evitar, mesmo que por vezes se acercasse do limite, muito perto do abismo. O cuidado posto nos acabamentos em nada prejudicou a fluidez do corpo colectivo, impulsionado pela melhor secção rítmica que passou pelo Seixal Jazz, com Luis Perdomo (piano), Hans Glawischnig (contrabaixo), e Henry Cole (bateria).
Outro aspecto interessante foi perceber a forma inteligente como os músicos conseguiram tornear obstáculos, por vezes a alta velocidade, pisando o risco sem passar para o lado do etnicamente correcto, afirmando a inscrição da sua música na corrente principal do jazz, temperada pelo bem doseado acento latino.
Por tudo isto, foi gratificante ouvir Miguel Zenón e a sua música de delicada sensibilidade, que mais não visa que servir finalidades de emoção e diversão do público.
Miguel Zénon Quartet - Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, 28.10.2005 - 21h30
IMI Kollektief ao vivo em Cacilhas

Instantâneos do IMI Kollektief, em actuação ontem (29/10) à noite no Cais do Ginjal, em Cacilhas. Alípio Carvalho Neto (saxofone tenor), Elsa Vandeweyer (vibrafone), Jean-Marc Charmier (trompete, fliscórnio, acordeão), João Hasselberg (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria), tocam uma música extraordinariamente melódica e contrapontual. O grupo tem uma presença especial e dá particular atenção às nuances e pormenores, articulando-se conjuntamente como um verdadeiro e original colectivo.
Alinhamento: Hole in My Sole, Tango, Thierry na Catinga, Truth and Reality, Red Clay, Festa, Ovo e Prof. Boum Boum.
Atenção a este quinteto, em rápida ascensão a caminho do estrelato.
IMI K., a revelação do ano e um dos melhores grupos em actividade.
Jean-Marc Charmier
Elsa Vandeweyer (pintura flamenga do Sec. XVII, autor conhecido)
Alípio Carvalho Neto e Jean-Marc Charmier
João Hasselberg
Rui Gonçalves
A 7 de Novembro, o IMI Kollektief toca na Trem Azul, às 19h30.
Plaza de Toros é um grande disco do James Finn Trio. Não sei o que é me me dá mais vontade de rir, se o texto opinativo original, se a tradução automática do mesmo feita pelo babble fish.
Jazz on 3
A emissão de Jazz on 3 para hoje (esta semana, em webcast no sítio do
costume), devota-se inteiramente a três nomes importantes do jazz actual, outras tantas manifestções da riqueza e diversidade do género. Na primeira parte pode ouvir-se uma sessão gravada em estúdio por David Murray, convidado do programa para uma actuação em Londres, por ocasião do seu quinquagésimo aniversário. Com ele, tocam o pianista Julian Joseph, Mark Hodgson, contrabaixo, e Mark Mondesir, bateria. Um bom quarteto, ágil e swingante, co
mo Murray sabe dirigir, toca durante cerca de 20 minutos. Na segunda parte, passa uma entrevista com Brad Mehldau, em que o pianista, um dos melhores da sua geração, fala sobre o novo trio com o repetente Larry Grenadier (contrabaixo), e Jeff Ballard (bateria), depois daquele que manteve durante os últimos 10 anos, com que já se sentia demasiado "confortável", e sobre uma quantidade de outras coisas que estão em marcha. O pianista pensa vir a experimentar nas áreas do free jazz, mais no modelo Ornette que no de Cecil Taylor, segundo diz. A conversa, interessante, prende a atenção.
A terceira parte deste Jazz on 3 de luxo, compõe-se com a gravação do c
oncerto de Peter Brötzmann na última edição do Vision Festival, em Nova Iorque. Brötzmann em duo com o excelente baterista Nasheet Waits, que a maioria referencia ao trabalho com Geri Allen, Andrew Hill, e outros, razão pela qual convém avisar que ao volante está Brötzmann, e quando assim é, o que se pode esperar é poder de fogo e intensidade ao rubro. Neste caso, durante 45 minutos. Parafraseando Jezz Nelson, se tiver em casa restos de papel de parede, daquele mais recalcitrante, e já tentou todo o tipo de lixa, palha de aço, diluente, decapante, etc, experimente ouvir a terceira parte em máximo volume e encostar as colunas do seu aparelho de alta fidelidade à parede. Verá que o papel sai sem oferecer mais resistência. Brötzmann é duma eficácia... Jazz on 3.

O Ricardo Tavares (e não o Freitas, que nesta matéria está inocente) mandou-me esta curiosa versão alternativa de uma putativa (nada de começar já a fazer trocadilhos abusivos e disparatados) capa para o disco da boa Krall, que, entre outros afazeres, também canta.
Agradeço a oferta, que sugere o efeito indutor de sono associado a uma conhecida marca de medicamentos muito em voga entre a juventude nos anos 80 (passe a publicidade). Porém, o problema, a haver algum, pode ter a ver com cama, mas não é de sono. Com o devido respeito, que é muito, direi que, apesar de tudo, prefiro a capa “oficial”, a das Christmas Songs, mais verdadeira e, aliás, muito conseguida, como deve ter ocorrido aos criativos da Verve, que não dão ponta, digo, ponto sem nó, e passo a demonstrar: enquanto a música natalícia enche de calor os corações dos inocentes petizes e de suas avózinhas, e as senhoras discutem a cor e o formato dos cortinados, outros membros da família poderão deixar seguir a imaginação ao sabor da sugestão visual concedida pela Krall. Neste último capítulo podia ter sido mais generosa, é verdade, mas o que releva é que este é o disco que verdadeiramente encarna o espírito do Natal - ideal para toda a família. E, melhor ainda, mesmo que ninguém acredite nisto, como há quem não acredite no Pai Natal, não faltará quem venha escrever tratar-se de um disco de Jazz.
David Binney no Seixal Jazz

Na sua actuação no Seixal Jazz 2005 (1º set), David Binney optou por apresentar as composições sob a forma de suite em cinco ou seis partes, na provável tentativa de criar um concept cujo propósito, a ter existido, não resultou em mais que no mero encadeado de temas, evitando pausas entre cada enunciado. Em palco, o sexteto soou a maior parte do tempo como seis peças deslaçadas, um patchwork incaracterístico e pouco vistoso, pesem a favor as interessantes variações rítmicas, aqui e ali desvalorizadas por alguma falta de sentido dinâmico e deficiente gestão da intensidade, os músicos demasiadamente presos ao formalismo e sem vontade de correr riscos. Nas partes improvisadas, tiveram dificuldade em resolver os problemas criados pela dispersão aleatória em sentidos diferentes, o que, a ouvidos menos familiarizados com o género, poderia confundir-se com genuina improvisação livre. Mas não, do que se tratava realmente era de falta de direcção geral, de alguém que tomasse conta das operações, situação (mal) consentida por Binney, e à qual só conseguia pôr cobro quando retomava o tema, prosseguindo até ao remate e final feliz, com muitas palmas.
Binney mostrou bom trabalho ao nível dos uníssonos, arranjos e intensidade no saxofone (mais Binney, com o seu farto vocabulário, concisão e articulação espantosas, que Mark Turner, saxofonista tenor em noite de frouxidão, assumido especialista do anti-climax) e baladas contemplativas com vista para belas paisagens, tudo muito bonito, como postais ilustrados onde nada aconteceu de especialmente empolgante ou sequer interessante.
As coisas não chegaram a melhorar (bem pelo contrário) nas fases em que o sexteto pendeu para o “épico”, exibindo uma balofa tentativa de estilo grandiloquente, ideal para servir de genérico a um filme de aventuras que, já agora, também trate de bons sentimentos. Deslocado esteve o guitarrista Adam Rogers. O seu estilo pastoso e entaramelado diminuiu em vez de acrescentar ao colectivo, com solos longos e inibidores da continuidade narrativa, que por esta altura sofria há quase numa hora. Muita parra e pouca uva, este senhor Rogers. Dan Weiss e Scott Colley por mais de uma vez tiveram problemas de comunicação, muito agarrados à bola e a resvalar para a mostra de serviço individual, com prejuízo para o resultado colectivo.
Esta sucessão de pontos fracos acabou por macular a fluidez e a movimentação no grande plano, ressalvado os bons momentos, que os houve, nos detalhes dos arranjos. Saliente-se o investimento realizado nos uníssonos, de que resultou um trabalho limpo em termos de panorâmica, enquadramento comum a boa parte da actividade de David Binney ao longo dos últimos anos, mais apreciável e apetecível nos tempos rápidos, que no doce baladear, que roça o aborrecimento.
Falta falar de Craig Taborn. Que mal se ouviu, ora apagado, ora remetido à função de terceira ou quarta voz nos uníssonos com os sopros. Excepção feita à parte final, quando o set passou momentaneamente a trio de piano, e Taborn, Colley e Weiss arrancaram fulgurantes para os melhores cinco minutos de todo o concerto, sacudindo a poeira que se tinha vindo a acumular desde início. Taborn, salvou a honra do convento.
Do que já vi e ouvi de David Binney, comparando com este sexteto (1º set), penso que o quarteto é porventura o formato ideal para o músico conseguir explanar as suas ideias musicais e deixar brotar a energia e a eloquência do saxofonista. Assim não aconteceu no Seixal, o que resultou num concerto desequilibrado. Parece que quem ficou para o segundo set teve mais sorte.
David Binney Sextet - Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, 27.10.2005 - 21h30
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Bom, bom, foi o concerto de Miguel Zénon e seu quarteto, na noite de ontem, 28.10. Já tardava que o Seixal Jazz mostra
sse alguma coisa que se ouvisse com gosto e entusiasmo. Mas essa fica para depois, que hoje é dia de descanso do pessoal e logo à noite, às 22 horas, há um concerto do IMI Kollektief, no Cais do Ginjal, 53-54, em Cacilhas. Depois do que se ouviu na Jazz Store da Trem Azul, há duas semanas atrás, o novo e estaladiço grupo de Alípio Carvalho Neto (na foto, saxofone tenor), Elsa Vandeweyer (vibrafone), Jean-Marc Charmier (trompete, fliscórnio, acordeão), João Hasselberg (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria), vai fazer subir a maré... A entrada é livre e a saída promete ser a sorrir. A imicização é garantida.

Preparemo-nos para o embate. Estamos quase no Natal e a Verve reserva-nos o que antecipo virá a ser uma das maiores secas natalícias de que haverá memória: nem mais nem menos que Diana Krall a cantar canções de Natal... Gente de bom gosto, incautos bem intencionados, fugi de centros comerciais, elevadores, átrios de hotel e edifícios congéneres, porque, a partir de 1 de Novembro p.f., vai começar o massacre auditivo. Para já, tomemos contacto com a capa do disco. Topem a pose ordinária. Uma senhora não se senta (?) assim na cadeira (menos ainda daquele tipo e com a simbologia que lhe está associada), nem se enrola nos cortinados, de pernas abertas, numa interpretação pessoalíssima do que é o espírito natalício. Realmente, só nos faltava esta ave rara canora para piorar a situação. Krall, andas a pedi-las, andas...

As composições cosmo-espaciais de Sun Ra de volta à terra, na Knitting factory, em Nova Iorque! Em 1995, o contrabaixista Reuben Radding formou um grupo com Tim Otto, saxofone tenor; Anthony Coleman, órgão; Briggan Krauss, saxofone alto; e Ed Ware, bateria – a fina flor da Downtown de NYC – que tomou a forma de uma cover band chamada Myth-Science, para interpretar no bar da Knitting Factory, na Leonard St., um conjunto de temas de sua cosmo-majestade, Sun Ra. Desses, foram escolhidos 7 para integrar o disco a que deram o título de Love in Outer Space (Knitting Factory, 1995). O resultado é magnífico: groove raiano, impregnado de blues e swing até à medula, em 70 minutos de felicidade completa e ininterrupta.
Reuben Radding pergunta-se na notas porque será que as composições de Sun Ra não são tão tocadas como as de Monk, Ellington ou Mingus. Pergunta muito pertinente, para a qual também não encontro explicação racional. Tal como as daqueles grandes mestres, também as composições de Sun Ra são imediatamente identificáveis e inesquecíveis, não deixando margem para dúvidas. Mesmo quando se trata de improvisações livres, sem qualquer vestígio de escrita antecipada, a marca de Ra é de tal forma indelével e inconfundível que, anos passados, a experiência permanece na memória do sujeito, como um ra-io que trespassa o cérebro. Se por ventura tal não aconteceu com alguém, é porque provavelmente o sujeito em causa não teria cérebro onde pudessem ser impressas as imagens musicais e visuais sugeridas por esta música maravilhosa. Jamais um ra-problema.
Quem não assobia de vez em quando Discipline (Children Of The Sun), ou Love In Outer Space, ou ainda esse monumental hit do soul-jazz-funk, que é Space Fling? Há mistérios destes por explicar, ou não fora Sun Ra ele próprio um personagem de mistério...
Década a década, foi este sumariamente o percurso daquele que também se chamou Herman Blount: no início dos anos 50, em Chicago, quando formou a Arkestra, tocava bop futurista, onde já se descortinavam elementos de experimentação, o uso dos primeiros teclados eléctricos e improvisação fora dos acordes dos temas. Na década seguinte, estabelecido em Nova Iorque, Ra foi largando o bop, privilegiando outros estilos de composição, harmonicamente mais abertos e ritmicamente luxuriantes. Na década de 70, a residir em Filadélfia, aprofunda a estética da improvisação livre misturada com electrónica e com o swing que recuperara dos anos 50, modificado com tonalidades espaciais, uma big band de ficção científica. Até 1993, altura em que Ra partiu para Saturno, a Arkestra foi sucessivamente assumindo diferentes geometrias, enriquecida com a entrada e saída de músicos. Permaneceram fixos durante várias décadas, os principais pilares do universo musical de Sun Ra: John Gilmore, Pat Patrick e Marshall Allen, este último ainda vivo e actual líder da Arkestra, protagonista de uma das maiores aventuras musicais do Séc. XX.
Myth-Science - Love in Outer Space (KF, 1995)

Charles Gayle, ao longo da carreira, tomou várias direcções, intimamente ligadas ao instrumento que em cada fase trabalhou mais em profundidade. Seguiu de início pela avenida do saxofone tenor, tocando durante vinte anos nas ruas de Nova Iorque. Mais tarde, retomando o seu instrumento do tempo da escola, tocou piano em vários contextos, tendo chegado a gravar um disco de piano solo para a Knitting Factory, em 2001 (Jazz Solo Piano). Seguiu-se a fase mais intensa com saxofone tenor e, recentemente, o investimento assumido no saxofone alto, de que se aguardam novas para breve.
É público, mas não muito conhecido, que Charles Gayle tocou piano em trios de blues na sua Buffalo natal, antes de descobrir a queda para os sopros, a par da subsequente queda social, que o fez viver nas ruas anos a fio e ter de pôr a carreira de pianista entre parêntesis. Só em 1994 Gayle teve ensejo de fazer o gosto ao dedo, quando a Victo o convidou para gravar um disco a solo no Silent Sound Studio, em Montreal, Canadá. Unto I Am, o primeiro solo de Charles Gayle, reúne cinco composições espontâneas, tocadas em piano, saxofone tenor, clarinete baixo, bateria e voz. Excelente Gayle.

O jazz actual tem vindo a sugerir combinações instrumentais as mais diversas, algumas raras ou pouco usuais. É o caso do trio Nils Wogram’s Nostalgia. Com o jovem trombonista alemão (1972), tocam Florian Ross, em órgão Hammond B3, e Dejan Terzic, bateria – o mesmo trio que gravou o disco Daddy’s Bones. O concerto, que inclui um programa variado, desde a interessante revisão do clássico A Flower is a Lonesome Thing, de Billy Strayhorn, com que abre a sessão, até originais dos três membros do grupo, foi gravado em Setembro passado no Science Centre NEMO, em Amesterdão, Holanda, e é emitido em webcast no programa 4fm: de laatste jazz, da rádio holandesa VPRO. Ouvi, gostei e recomendo. Wogram é um bom trombonista, como se poderá comprovar, e está muito bem acompanhado.

Muito interessante, o blog de Rui Azul, Registos Autónomos, onde o saxofonista e desenhador deixa as suas reflexões, trabalhos gráficos, ilustrações, pranchas de BD, informações e temas em formato mp3, que podem ser ouvidos e descarregados.
Conversa inacabada com Frode Gjerstad

Em 2003, antecipando a vinda de Frode Gjerstad a Portugal, para tocar no Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, Hernâni Faustino conversou com o saxofonista/clarinetista norueguês. A certa altura a conversa foi interrompida. Frode Gjerstad preparava-se para entrar em digressão.
Hernâni Faustino - Como é que surgiu o teu interesse pelo jazz e a opção pelo saxofone? Frode Gjerstad - Por volta dos meus 10 anos de idade, o meu pai comprou um gira‑discos para mim e para a minha irmã. Naquela altura havia imensos discos de 78 rotações com tangos, polkas e EPs da história do Benny Goodman, tirados do filme sobre a banda de Goodman. Essa música era completamente nova para mim, eu era uma criança e não percebia praticamente nada de música, mas estas novas sonoridades produziram em mim enorme fascínio. Primeiro porque era uma música alegre e cheia de energia e isso era algo que eu nunca tinha ouvido; depois existia nela uma sensação de liberdade...eram músicos excepcionais e com um dom especial que lhes permitia tocarem juntos de forma espontânea.
Por esta altura comecei a tocar corneta numa marching band da minha escola, eu gostava muito e tentava tocar como o Harry James, que era o trompetista que eu ouvia nos EPs do Goodman. Um dia, durante um ensaio, o director ausentou-se durante uns minutos e eu sugeri que devíamos fazer uma jam, os meus colegas perguntaram o que isso era e como se fazia, eu respondi "tocamos todos juntos...."; é claro que o resultado não foi grande coisa, o que me deixou algo desapontado... nunca me tinha ocorrido que era necessário aprender algumas regras.
Mais tarde descobri que existia um programa de rádio que todas as quartas-feiras passava jazz. Foi lá que pela primeira vez ouvi, Don Byas, Lester Young, Coleman Hawkins, Louis Armstrong, etc, bem como Eric Dolphy, que tocava flauta como um pássaro. Todos estes músicos possuíam a energia e a alegria que tinha escutado pela primeira vez na banda de Goodman, e tinha a certeza absoluta de que eles sabiam algo que eu desconhecia.
Toquei corneta até aos meus 15 anos, fase em que ouvi os Beatles. Por esta altura, uns amigos convidaram-me para tocar numa banda de rock. Eu seria o guitarrista! A minha abordagem era improvisar, mas deparei com um problema: o outro guitarrista fazia os acordes e eu senti que não existia a ligação entre os acordes e os meus solos. Demorou algum tempo até descobrir a forma de interligação musical entre as duas guitarras, embora naquela época sentisse que não era o caminho. O mais importante era tocar através do coração e dos sentimentos.
Durante uma tarde assisti na TV a um concerto do trio de Ornette Coleman no Golden Circle. Ornette tocou violino como um louco e deixou-me cheio de interrogações. Na altura, eu desconhecia-o totalmente. Mais tarde descobri a sua importância para a música, a sua convicção e intensidade eram fantásticas, era algo novo que produziu em mim uma enorme influência. Música integralmente baseada em emoções.
Ouvi também o quarteto de Gerry Mulligan com Art Farmer, o que me deixou completamente KO!
O saxofone tornou-se uma prioridade, mas os meus pais não me deixaram comprar um, porque eu não sabia tocar.
Decidi deixar a banda de rock onde estive durante dois anos, e comecei a estudar jazz. Peguei na corneta e desatei a praticar com os LPs de Miles, Cannonball, Coltrane, Monk, Dizzy, Ellington, Latteef.
Aos 21 anos comecei a tocar com uma banda de blues. A secção de metais era constituída por um trompete e um saxofone. Um dia o saxofonista desistiu e os outro
s membros da banda convidaram-me a sair, a não ser que quisesse tocar saxofone, o que aceitei de imediato. HF – Como é que conheceste John Stevens?
FG – Conheci o John em 1978, durante um concerto em Londres. Conversámos um pouco e ele deu-me o seu número de telefone. Tinha lido várias entrevistas suas e senti alguma cumplicidade com as concepções musicais dele. No final de 1981, tinha uma sessão com o meu amigo e pianista Eivin One Pedersen, mas por alguma razão faltava-nos uma baterista. Foi então que me lembrei: porque não tentar tocar com um baterista autêntico? O primeiro nome que me veio à cabeça foi o de John Stevens. Telefonei-lhe e ele veio. Ensaiámos e tocámos, e eu senti-me tão livre e recebi tanta energia em tocar com o John, que tive alguma dificuldade em assentar no final do concerto. O John ficou em minha casa, falámos, bebemos durante toda a noite, ele tinha um sentido de humor ao qual eu não estava habituado, tinha sempre respostas engraçadas. Durante a conversa sugeriu-me o nome de Johnny Dyani, o seu contrabaixista favorito, para a formação de um quarteto. Fizemos a primeira digressão com o grupo Detail, já com o Jonnhy. Em Março de 1982, tocámos no Molde Festival, e no final do ano o pianista desistiu. Isto aconteceu no fim da digressão, na véspera da nossa primeira gravação.
Quando fomos para estúdio senti-me mais livre, a ausência do piano tornou-se um alívio para mim. O primeiro disco que gravamos foi Backwards and Forwards, para a label Impetus. A DownBeat deu-lhe 4 estrelas, o que foi bom para uma estreia discográfica. Mais tarde editámos, também na Impetus, o último concerto do trio com o Johnny Dyani, gravado em Oslo com o nome Ness. Alguns meses antes da morte de Dyani, em 1986, fizemos uma digressão em Inglaterra com o trompetista Bobby Bradford. Durante este período o trio contou com a colaboração de músicos importantes: Paul Rutheford, Barry Guy, Dudu Pukwana, Evan Parker, Harry Beckett, etc. Desta forma, e através do John, consegui conhecer músicos incríveis e absorver muito da sua capacidade como músico. Ficámos grandes amigos.
HF – Achas que o John Stevens foi importante para o teu desenvolvimento como músico criativo?
FG – Acho que o John plantou em mim uma semente que continua a crescer. Ele era um homem generoso e não tinha problemas em transmitir todos os seus conceitos. Muitos músicos guardam segredos para eles próprios; o John partilhava, não era nada académico, possuía uma forma muito humana de ver a música. A maior parte da minha música é baseada na colaboração que tive com o John, embora nos dias de hoje isso já não seja assim tão óbvio. Mas eu continuo a sentir a sua presença – foram 13 anos de colaboração que perdurarão para sempre na minha memória. Por outro lado, John apresentou-me a muitos músicos ingleses, com os quais tive o privilégio de tocar.
HF – Qual é a tua opinião sobre os improvisadores britânicos?
FG – Tive a oportunidade de contactar com eles através do John, mas penso que a minha forma de tocar foi pouco influenciada pela cena britânica. A abordagem do John no Detail era muito diferente do que ele fazia com o Spontaneous Music Ensemble, qualquer coisa entre o jazz e o free. Este é um dos problemas da actualidade, porque a minha música é demasiado jazz para as pessoas que estão mais relacionadas com a música improvisada, e demasiado improvisada para as pessoas que estão mais ligadas ao jazz.
HF – Os teus trios tocam uma música com forte ligação às raízes afro-americanas. Sentes-te mais confortável a tocar nessa área?
FG- Sinto-me bem com isso. Eu gosto do jazz como ele é. Nunca poderei tocar o verdadeiro jazz da form
a que os músicos de jazz o fazem, mas adoro incluir alguns elementos do jazz na minha música. A tradição é muito rica e cheia de oportunidades. Quando toco com músicos americanos, sinto claramente que sou europeu. Eles possuem uma formação diferente, o que lhes permite tocar de outra forma. No entanto, estas ligações dão frutos, que nascem das nossas diferenças. HF – Durante anos tocaste em trios. É este o teu formato de eleição?
FG – Para ter um trio a funcionar tenho que me sentir muito forte e positivo, porque é necessário muita energia para que o todo funcione bem. Detail foi o meu primeiro trio, com o qual tive momentos fantásticos. De uma forma geral, os trios têm sido tentativas de recriar toda a criatividade que existia com o Detail, mas com personalidades diferentes e características muito fortes. Tive muito prazer em tocar com todos eles. Actualmente, toco e ensaio bastante com o baterista Paal Nilsen-Love e com o contrabaixista Storsund. Às vezes, Peter Brötzmann junta-se a nós, o que nos enche de contentamento. Gostaria de ter outros músicos a tocar com o trio, mas não vou forçar nada, gosto que as coisas aconteçam naturalmente. Ter outra personalidade é bom para revitalizar o trio.
HF – Em 1984 gravaste um dueto com o John Stevens. Pensas em voltar a gravar um dueto com outro baterista?
FG – Em tempos gravei um dueto com o baterista norueguês Terje Isungset, que tem um som muito especial, e outro com o percussionista Steve Hubback, ambos editados pela FMR Records. Recentemente gravei um dueto com o Nilssen-Love.

GRANULAR 7.9 QUINTAS (CENTRO CULTURAL DE BELÉM - BAR TERRAÇO)
Rui Costa < > André Gonçalves < > João Hora
27 de Outubro, 19:00
«Três computadores portáteis numa música - improvisada - baseada em drones (continuuns sonoros) que tem em conta as tradições minimalista, do ambientalismo e da electroacústica erudita, mas que ultrapassa essas tendências organizadas da música do século XX, em busca de um novo paradigma ou até da constatação de que a criação musical presente só pode ser órfã de quaisquer padrões definitivos. Os field recordings constituem a base das operações deste trio para o qual o laptop é não só instrumento como laboratório de investigação, utensílio pessoal mas também de socialização, vocacionado para situações colectivas - um instrumento folk por excelência, como disse a compositora Laura Spiegel. O segredo estará em não se saber quem faz o quê, num domínio da música de hoje em que o ego não intervém, tal como John Cage sonhava, e a autoria é secundária». REP

O CAMP (Creative Arts and Music Project), festival internacional de música electrónica e artes visuais, realizou uma edição em Montemor-o-Novo, Portugal, este ano, entre 31 de Julho e 6 de Agosto passado. Este Outubro, terá lugar outra edição em Estugarda, Alemanha. O CAMP reúne artistas das áreas do video, instalação, projecção e multimédia, que interagem ao vivo com criadores dediferentes áreas da música electrónica e improvisada. Durante uma semana os artistas organizam-se em pequenos grupos, tocam, exibem as suas obras e debatem ideias entre si e com o público. De Portugal, seguem para Estugarda Vitor Joaquim e António Jorge Gonçalves.
CAMP ((05))
creative arts and music project
international festival for visual music and klangkunst 28.october - 29.october 2005 wagenhalle, stuttgart-nord
Toma!
É deveras interessante o debate sobre jazz em Portugal. Quando se diverge do status quo opinativo ciosamente guardado por meia-dúzia de prima-donas do tempo da outra senhora, aqui-del-rei, anda aí um gajo qualquer, cujas "credenciais" não conhecemos, que se compraz em atacar despudoradamente o nosso rico jazzinho de trazer por casa. Isto, quando não me carregam o mail com anónimas tentativas de insulto ou vãs pauladas digitais, que tenho muito gosto em receber, devo dizê-lo, embora preferisse discutir ideias. Mas isso deve ser pedir muito à rapaziada nova do antigamente é que era bom, com muita escolinha de jazz no pêlo. Melhor só quando o de antigamente é feito hoje, não é verdade? A mais recente incursão da turba reaccionária chegou a propósito do que aqui escrevi sobre o concerto de Kurt Rosenwinkel. Querem ver que é forçoso curvar-se a gente em unanimismo respeitoso perante o estulto virtuosismo do moço, e louvar a sua música superiormente azeitada?! É isso mesmo, caro Luiz Pacheco!
Em 1998, o Quartet Noir – Urs Leimgruber (saxofones tenor e soprano), Marilyn Crispell (piano, percussão), Joëlle Léandre (contrabaixo) e Fritz Hauser (bateria) – deu um concerto no festival de Victoriaville, no Canadá. Editado pela Victo no ano seguinte, o disco ficou para a história como um dos grandes registos da década de 90.Cinco anos mais tarde, o quarteto teve nova aparição ao vivo em Lugano, Suiça, em concerto gravado pela Rádio Suiça.
Diz quem ouviu que o Quartet Noir, como se esperava, cumpriu a primeira regra da música improvisada, qual seja a de não repetir o trabalho anteriormente realizado, empenhado no processo de procura da ascese através da pesquisa sonora abstracta. Quatro mestres postos ao serviço da criação musical instantânea.
«Quartet Noir span a significant body of experience – individually, first of all, and then in various ensemble groupings. Urs Leimgruber and Fritz Hauser share an extended history, as a duo, and bassist makes three – Joëlle Léandre is a longstanding partner. Marilyn Crispell has worked with Leimgruber and Hauser at least since 1994. Nor is this their initial convergence as quartet: see their previous eponymous Victo release from 1999. How do these experiences combine into a single groupthink? Given what we may know about them in other contexts, risks are inevitable – remember, this is improvisation, before and after – and indeterminacy reigns. But in this case, experience provides continuity, and collaboration proves the process of tacit agreement.
All music seems to flow, of course, in the ear/mind of the listener, and this is one reason why Quartet Noir’s long-form improvisations create an ambience filled with details that are new and unfamiliar, and yet may be experienced as whole, cohesive, and satisfying – unpredictable, but not unknown. It is possible to be comfortable within the environment they create, which has been influenced by past experiences (theirs, in what they have done; ours, by what we have heard) and collaborative efforts in the here-and-now, and which takes a form dependent as much upon our sense of receptive engagement as their actively creative interaction. The joy is in the ear of the beholder, then and now». - Art Lange, Chicago, July 2005
Kurt Rosenwinkel Quintet no Seixal Jazz
Não há nada de distintivo na música que Kurt Rosenwinkel e o seu quinteto tocaram este sábado, 22 de Outubro, no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal. As composições, as tais que lhe têm vindo a granjear aura de “autor”, são episódios de vulgaridade, ao estilo melódico de um Pat Metheny de 5ª (vá lá, 3ª) categoria. O timbre é o mesmo de legiões de colegas seus, com a especificidade de que Rosenwinkel joga quase permanentenmente ao centro do espectro sonoro.Por outro lado, em nada ajudou o arraial de exercícios de escalas, recorrentes subidas e descidas em socalcos pelo braço da guitarra. Infeliz foi o uso de pedal de reverb, em particular nos solos introdutórios, e o pífio acto de cantar por sobre o solo ou o desenho da melodia, habitualmente captado por um microfone estrategicamente escondido na vestimenta.
Não quero com isto beliscar a inquestionável capacidade técnica do músico, apreciável na boa sustentação da mão esquerda e na fluidez ritmica da mão direita. Na verdade, a boa educação e uma adequada formação escolar nunca fizeram mal a ninguém. Facto é que a "técnica" há muito (desde sempre) que deixou de ser assunto relevante por si só, posto que continua (?) a ser um meio para atingir finalidades diversas. No capítulo da emoção e da capacidade de transportar o ouvinte para outra galáxia, o falhanço foi rotundo, mas quem me manda esperar outra coisa?! Nem Serenity, de Joe Henderson, na qual coloquei todas as minhas fichas, salvou a situação, fazendo apenas aumentar a saudade do grande saxofonista tenor. Também na música a natureza tem horror ao vazio, e neste capítulo o espaço da frescura emocional e da desejável comunicação vibrante com o público foi substituido por um produto post-fusion pré-cozinhado, homogeneizado e pasteurizado, com corantes e conservantes, servido com abundantes artifícios técnicos pour épater le bourgeois. Escândalo?! Q
ual quê, de tão frequente, tornou-se vulgar nos dias de hoje. Daí que o aplauso do público fosse particularmente estusiasta nos momentos em se ouvia mais um rodriguinho, ou quando o som subia de volume (à falta de outros argumentos, que remédio...), ou ainda no desenrolar de uma sucessão de efeitos publicitários desenhados mais para encher o olho que a alma – um estilo próximo do smooth jazz para consumo das massas, que pode (e deve) passar despercebido ao vivo no lobby de um hotel perto de si. Chris Cheek (sax tenor), Aaron Goldberg (piano), Omer Avital (contrabaixo) e Eric Harland (bateria), estiveram tão sintonizados com este espírito, que merecem referência enquanto funcionários medianamente cumpridores.
Em palco, Rosenwinkel – ele que é exultado e reverenciado por diversos quadrantes do establishment crítico – exibe a pose de anti-herói, compondo uma figura frágil de adolescente tardio, ar triste e abandonado, ideal para tocar a corda sensível e despertar corações mais propensos a deixarem-se levar pelo instinto maternal; o correlativo no jazz do estilo pop internacional de Enrique Eglésias, herdado de seu pai Julio, outro paradigma da devastação coronária. A avaliar pelo facies de algumas pessoas à saída, Rosenwinkel consegue ser fulminante neste aspecto. A questão mais séria é outra e coloca-se assim: que relevância pode ter esta música no contexto do jazz actual, passado ou futuro? A resposta, óbvia, teve que ser ruminada durante o que me pareceu uma eternidade. O que não deixa de ser curioso é que já vi escrito algures que Rosenwinkel reinventa o Jazz no Séc. XXI. É isso, “lava mais branco”.
Kurt Rosenwinkel Quintet. Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, 22.10.2005 - 21h30/23h30
Novo disco do Paraphrase: pre-emptive denial
Tim Berne - saxofones
Drew Gress - contrabaixo
Tom Rainey - bateria
1) trading on all fours - 24:00
2) we bow to Royalties - 25:30
Recorded live to no budget by David Potaux - Razel at the Stone, May 2005 - Mastered by David Torn / cell labs (Screwgun)
> Novidades editoriais EMANEM e PSI:
AGUSTÍ FERNÁNDEZ & MATS GUSTAFSSON, ‘Critical mass’ (2004) – psi 05.06
A sequence of piano and (tenor & baritone) saxophone free improvisations recorded in Barcelona – 8 duets and 2 solos. 55 minutes.
FOXES FOX, ‘Naan Tso’ – psi 05.07
EVAN PARKER (tenor saxophone), STEVE BERESFORD (piano), JOHN EDWARDS (double bass) & LOUIS MOHOLO-MOHOLO (percussion) recorded at Gateway Studio on the eve of Moholo’s return to Cape Town. 69 minutes. 
BADLAND, "The Society of the Spectacle" (2003) - EMANEM 4120
Badland is SIMON ROSE (alto saxophone), SIMON H FELL (double) and STEVE NOBLE (drums) - a very fiery free improvisation trio that includes more than a hint of free jazz. They have been in existence for a decade (with some change of personnel), and this is their third and (perhaps) best CD. 67 minutes.
Kurt Rosenwinkel Quintet no Seixal Jazz/2005
Chris Cheek – saxofone tenor
Kurt Rosenwinkel – guitarras
Aaron Goldberg – piano
Joe Martin – contrabaixo
Eric Harland – bateria
Sábado, 22 de Outubro - 21h30 e 23h30Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal.

Wayne Escoffery Quintet no Seixal Jazz
Três quartos do Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal assistiram ao concerto inaugural do Seixal Jazz/2005, a cargo do quinteto do saxofonista tenor inglês, há muito radicado nos EUA, Wayne Escoffery.Durante hora e meia foi servido um programa de neo-hard-bop que, decorrido o interessante solo de abertura, seguiu o figurino habitual neste tipo de contexto: ao tempo rápido seguiu-se o médio, a balada e assim sucessivamente até final, com a habitual sequência de solos, tudo como mandam os cânones do estilo.
Escoffery e os seus músicos sabem tocar, são tecnicamente bem dotados, têm a escola toda, por assim dizer. Porém, a música, repassada de neo-classicismo, não passou da mediania académica, demasiado previsível no cumprimento à risca de um programa burocrático eivado de clichés e formas retro.
Jeremy Pelt (trompete e fliscórnio), foi o melhor em palco, mesmo que as figuras por si desenhadas tivessem padecido de alguma repetição de tema para tema. Valeu a tentativa esforçada de insuflar vida num corpo colectivo pouco dado a vivacidades, marcado pelo peso de uma secção rítmica rotineira, composta por Rick Germanson (piano), Hans Glawischnig (contrabaixo), Jason Brown (bateria). Um trio de "estrelas emergentes" mas pouco brilhantes na noite do Seixal.
Estreia morna do Seixal Jazz/2005, que apenas aqueceu a espaços, instilada pelo swing e pelo sentido melódico do quinteto, sobretudo quando enveredou por um estilo tributário do trabalho de Wayne Shorter e do Segundo Quinteto de Miles.
Wayne Escoffery Quintet. Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, 20.10.2005 - 21h30/23h30
Hoje, 21 de Outubro, no mesmo horário e local, toca o Quinteto de Laurent Filipe ( trompete), com Mário Delgado (guitarras), Rodrigo Gonçalves (piano), Nelson Cascais (contrabaixo), Alexandre Frazão (bateria).
Já saiu!
Of Invention
Jazz aos Quadradinhos # 1

«Intrigou-me a t-shirt que Rashied Ali usou na recente passagem em Portugal, durante a actuação no Fórum Lisboa, e por isso decidi usar o tema para escrever o primeiro Jazz aos Quadradinhos, aqui no Jazz e Arredores.
Como o Eduardo analisa bem melhor que eu, tenham a bondade de ler a recensão do concerto aqui. Eu fico-me pelo mexerico da minha cabeça. Porquê o raio da t-shirt com a cara do Miles e o dedo ameaçador na frente dos lábios a mandar calar a malta, ou a dizer para fazerem pouco barulho, "sshhhh…"?! Uso uma t-shirt porque isso pode dizer algo sobre a minha pessoa, e é a forma de transmitir uma qualquer mensagem, com excepção das que uso para jogar à bola... . Se uso uma t-shirt num determinado contexto social, é porque existe algo que quero partilhar, militância, opinião pessoal, um impropério, eu sei lá... .
Existe um pouco de rebeldia juvenil em certas t-shirts, mas não devo omitir que só tive coragem de escrever o artigo quando li as liner notes de SONGLINES (FMP CD53), com Peter Brötzmann/Fred Hopkins/Rashied Ali. Steve Lake escreveu assim: "I remember that Rashied Ali wore a Stars'N'Stripes [bandeira Americana] t-shirt. I don’t know if this was a political statement or if he’d just reached the bottom of his road wardrobe". Muitas vezes a militância resume-se a usar uma t-shirt, o que é uma merda, porque me chateia não fazer mais que isso. Não me passou pela cabeça usar uma t-shirt com a bandeira portuguesa (na verdade, só com a bandeira estampada ainda não vi nenhuma; os nossos designers devem ser envergonhados...), sem ser em jogos da selecção nacional. Défice patriótico?!
Fora este um artigo científico e teria partido da hipótese "t-shirt = militância", para chegar à conclusão que eu ando sem paciência para Portugal. What about Rashied?!
Sobre aquele disco, Peter Brötzmann escreve a Steve Lake o seguinte:
"Steve, old friend, (...) I did not really get the impression that a saxophone trio was on stage. There was a bass player, a drummer, a saxophonist. Three people don’t necessarily make a trio. In a way, I have always been prepared to bend through (subtle) pressure from my fellow musicians, if I had the impression it would serve the cause. (...) I still get the feeling, quite often, that YOU - and now I rather cheekily put you in the same bag with the rest of the critics – don’t have the time and sometimes not even the ability - to listen".
Brötzmann não precisa de usar t-shirts...».
João Henriques
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Jazz aos Quadradinhos é, como diz João Henriques, uma espécie de coluna foto-escrita sem periodicidade certa, acerca dos seus devaneios pessoais sobre jazz. Esta das t-shirts é primeira da série. Vistamo-la. Foto e texto do autor.
Hannes Enzlberger - Songs to Anything That Moves
Aparentemente, não há como a editora alemã Between the Lines para valorizar o trabalho composição dos contrabaixistas de jazz. Há outras que o fazem, mas, como nenhuma outra, a BTL tem dado a alguns artistas deste instrumento espaço para criar e apresentar projectos. Primeiro, foram Peter Herbert e John Lindberg, cujas iniciativas a editora de Frankfurt acarinhou e soube projectar. Em 2002, foi a vez do contrabaixista e compositor vienense Hannes Enzlberger dar um ar da sua graça. Enzlberger formou um quarteto com Thomas Berghammer (trompete e fliscórnio), Oskar Aichinger (piano) e Hans Steiner (clarinete baixo), para elaborar sobre composições suas, inspiradas na música de Carla Bley. Mais concretamente, nos álbuns Escalator Over The Hill e Social Studies, cujas composições foram por Enzlberger estudadas e dissecadas, de forma a extrair-lhes a seiva com que o compositor haveria de animar a sua própria música. Por outras palavras, é esta ideia que Enzlberger faz sobressair nas notas que escreveu para Songs to Anything That Moves. «Carla Bley arrived in my life when I first started to take an interest in jazz, and has been there ever since», escreveu.A audição atenta revela um quarteto com fulgor interpretativo, que se equilibra ao longo da linha que separa (?) composição de improvisação, sem que se consiga perceber por onde se dá aquela aparente clivagem. O mesmo sucede de alguma forma no cosmos de Carla Bley, madrinha deste projecto de música centro europeia, temperado com o típico lirismo vienense, situado a meio caminho entre o cumprimento das regras do jazz, a que não obedece, e dos cânones da música clássica, que não reverencia.
Hannes Enzlberger - Songs to Anything That Moves (Between the Lines, 2002)
London Jazz Festival

The Bad Plus, Italian Instabile Orchestra, Archie Shepp, Liam Noble, Branford Marsalis Quartet + Joey Calderazzo, Vienna Art Orchestra, Uri Caine, Maria Schneider Big Band (só big bands são umas poucas...), Jason Moran + Gwilym Simcock, John Surman e outros, de 12.11.2005 em diante, no LONDON JAZZ FESTIVAL.

Ya tenemos 15!!
«Las páginas de este último número de ORO MOLIDO para este año nos ha llevado, sin pretenderlo, a dedicar nuestros seleccionados contenidos, y en casi todas las secciones del fanzine, a Portugal. La razón es muy sencilla: con el verano de por medio, la proliferación de festivales hizo que nuestros colaboradores portugueses nos confiaran sus crónicas y la actualidad de sus entrevistas y comentarios más recientes. Esta es la razón que, de manera detallada y con mi agradecimiento a los autores y colaboradores, te ampío:
Desde el número anterior, nuestro último colaborador incorporado al staff es Eduardo Chagas, también portugués, quien realiza una crónica de los festivales lisboetas Jazz em Agosto y forUmusic; también escribe para la sección de discos, entre otras, algunas de las últimas novedades del sello discográfico Clean Feed. Rogelio Pereira aporta en este número una entrevista exclusiva con el artista sonoro norteamericano Brandon LaBelle, y continúa y finaliza Sopladores Electroacústicos II: su anteriormente planteado cuestionario de preguntas comunes a músicos dedicados a este campo. Las respuestas de Alessandro Bosetti y Axel Dörner por separado finalizan este pequeño dossier (no nos quedó mucho tiempo ni hueco para repasar sus discografías a fondo, sinceramente). En este apartado, Rui Eduardo Paes y Rubén Gutiérrez escriben de ello.
La escapada al festival Jazz à Luz, en los Pirineros franceses quedó escrita, como aportación personal, en forma de crónica para Escenarios.
ORO MOLIDO 15 contiene también las secciones habituales que esperamos no dejes de leer como tampoco, si te es posible, asistir a la amplia selección de Próximas Citas que te añadimos en cada número. Con mi agradecimiento, pása página y saborea la diferencia.
IMI Kollektief ao vivo na Trem Azul
Casa cheia para assistir à estreia na Jazz Store da Trem Azul, em Lisboa, do IMI Kollektief, co-liderado pelo saxofonista tenor Alípio Carvalho Neto e pela vibrafonista Elsa Vandeweyer.
O quinteto [vibrafone, saxofone tenor, trompete (fliscórnio, acordeão), contrabaixo e bateria] tocou música com vários parentescos visu
ais e sonoros, marcada por uma interessante coolness actual, tingida de classicismo e modernidade. Durante rápidos 50 minutos, em ambiente descontraído e familiar, o som fluiu naturalmente, circulou de lá para cá, passou de uns para outros como que por osmose, filtrado, resumido e ampliado a escalas que chegaram a abanar a casa. Tempo suficiente para o grupo, partindo de composições originais de Alípio Carvalho Neto, Elsa Vandeweyer e de Jean-Marc Charmier, operar a síntese de planos e propósitos de depuração sonora. O que em nada prejudicou o desenvolvimento das ideias e a multiplicidade de direcções em que a música disparou, na procura consequente do ponto de equilíbrio entre o grande plano e o ínfimo detalhe.
As interessantes interacções tímbricas e tonais, a par de ousados contrastes e aproximações, potenciaram a liberdade de expressão dentro de cada tema. Assinale-se a mudança de papéis em cada composição, alternando posições de solo e acompanhamento, com os músicos circunstancialmente organizados em sub-grupos. Neste aspecto particular, destacaram-se as secções saxofone tenor/trompete e aquele que foi um dos momentos mais líricos e emocionais do concerto – o mano-a-mano entre Elsa Vandeweyer e Rui Gonçalves.
Gonçalves, o melhor baterista português em actividade, é um caso à parte. Além de possuir as
qualidades técnicas e rítmicas que se esperam de um baterista, Gonçalves, sendo intuitivo, sabe ser eficaz, directo e imediato, pertinente sem se deter em arrebiques, maneirismos ou ornamentos despropositados. Neste aspecto foi o paradigma dos outros quatro músicos. Elsa Vandeweyer, mais do que simples colorista no vibrafone, impressionou pelo sentido rítmico e harmónico e capacidade de criar climas propícios aos voos picados e rasantes de Alípio Carvalho Neto (belo timbre, cru e granulado!), e ao contrastante lirismo metálico de Jean-Marc Charmier. Ambos com costela de bons sopradores (Charmier também tocou acordeão), Alípio e Jean-Marc carregaram fogo e lenha para o centro das operações, ajudados por João Hasselberg, contrabaixista discreto na marcação do tempo e competente no desenho de figuras com interesse para a economia e a dinâmica globais. Pese embora a categoria dos seus membros, o IMI vale sobretudo enquanto colectivo, pela capacidade de transportar a música para outra dimensão.
Em síntese, o IMI Kollektief tocou jazz progressivo com gana e vontade de exprimir uma riqueza emocional nascida da tensão dialéctica entre ternura e agressividade. Simples (sem facilitismo), conciso e eficaz. Muito bom. A ovação final foi a merecida resposta por parte do público.
IMI Kollektief - Alípio Carvalho Neto (saxofones), Elsa Vandeweyer (vibrafone), Jean-Marc Charmier (trompete, fliscórnio, acordeão), João Hasselberg (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria). - Trem Azul Jazz Store, Lisboa, 17.10.2005, 19h30

Sai amanhã, 18 de Outubro: Steve Lehman - Demian as Posthuman (Pi Recordings). Steve Lehman (saxofones alto e sopranino), Vijay Iyer (piano), Me'Shell NdegeOcello (contrabaixo), Eric McPherson, Tyshawn Sorey (bateria) e Jahi Lake (gira-discos).
11º aniversário da ZDB
Quinta-feira, dia 20 Outubro
Terminal do Cais de Sodré (Ferries)
Hora de embarque: 21h30
Weird_Psyco_Pop_Sessions
Animal Collective

«O impressionante percurso do colectivo norte-americano (com parcial sede em Lisboa, por parte do membro fundador, Panda Bear) conheceu, este ano, mais momento tremendo, após um período de aproximadamente cinco anos em que apenas editaram álbuns de estatura maior, um atrás do outro. O seu novo longa-duração «Feels», que vêm apresentar nesta ocasião, é, como o colectivo nos tem habituado, uma progressão imensa (continuam sem se repetir minimamente) dento do campo da canção pop psicadélica. A sua cadência tem um passo que não é deste planeta. O seu espectro harmónico uma lucidez para lá da esquizofrenia. O rasgo criativo e qualidade inovadora – novamente – sem qualquer tipo de paralelo nos campos da canção, da experimentação e da música livre, possui uma raríssima qualidade universalizante, que parece unir imaginários colectivos pancontinentais até ao âmago, enquanto os faz explodir todos ao mesmo tempo numa só voz musical. Dos nomes mais importante da música moderna do século XXI, num evento de características logísticas muito particular».
Alan Courtis

«Figura de importância imensa no activismo de música e artes extremas na América do Sul das últimos décadas, o argentino Alan Courtis é dono de uma obra tão tremenda quando longa de manifestações livres em som.O seu trabalho veio ao conhecimento público principalmente pela via do mítico trio Reynols, constituído por ele, Roberto Conlazo e pelo vocalista/guru Miguel Tomasín, um artista de características físicas raras neste meio, visto sofrer de síndrome de Down. Ao longo dos últimos dez anos Courtis também tem vindo a colaborar com uma miríade de músicos, tanto quanto tem executado variados registos a solo.Os pontos estéticos unificadores do trabalho de Courtis assentam num misticismo muito particular, de características e identidade marcadamente locais, possuindo um ritualismo denso, escuro, oblíquo, que se acerca a referências como Red Krayola, No-Neck Blues Band, Dead C ou MEV. Trabalha o drone, estranhas procissões sonoras, canção avariada e explorações de ambient rudes, de disformidade invulgar, violentamente arquitectada. O seu trabalho activista de organização de eventos em Buenos Aires e arredores, é porventura o principal dínamo da música exploratória argentina.Num longuíssimo currículo, destacam-se colaborações com criadores como Pauline Oliveros, Lee Ranaldo, Francisco López, Birchville Cat Motel, Nihilist Spasm Band, Damo Suzuki, KK Null, Yoshimi, Masonna, Axel Dörner, Skaters ou Michael Snow. Editoras que publicaram o seu trabalho encontram exemplos na Trente Oiseaux, RRR, American Tapes, Locust, Celebrated Psi Phenomenon ou Jewelled Antler».
Diatribes é um projecto novo de jazz meets electronica, acabado de estrear pela dupla de improvisadores suíços com raízes na tradição do jazz, Cyril Bondi, bateria, e Gael Riondel, saxofones. A eles somou-se D’Incise, produtor e designer sonoro da área da electrónica, que, tal como os outros dois, trabalha habitualmente em Genebra.Mémoires Disséquées/Dissected Memories, o EP, é o segundo lançamento da recém-formada netlabel italiana Zymogen, que pretende dar a conhecer novas concepções musicais no campo da electroacústica improvisada, produzindo e distribuindo música à escala global através da internet.
A música do trio Diatribes apresenta interessantes fracturas sonoras e uma propensão natural para gerar atmosferas melancólicas, que se transmutam em episódios de momentânea euforia e explosão. Efeito bipolar acentuado pela incisiva crepitação electrónica, que polvilha o ambiente com sucessivas doses de ruído digital. Cinco composições de jazztronica free impregnadas de sinais urbanos, tocadas com precisão e total liberdade criativa.
Diatribes - Mémoires Disséquées/Dissected Memories (Zym02)
Se o assunto é jazz-space-funk, há aqui muito a explorar:
«BURNT SUGAR is a territory band, a neo-tribal thang, a community hang, a society music guild aspiring to the condition of all that is molten, glacial, racial, spacial, oceanic, mythic, antiphonal and telepathic. Some of us play with Steve Coleman, some of us play in Rolling Stone cover bands, some have stints with Jeff Buckley, Gary Lucas and The The on their resumes, others can list James Blood Ulmer, The Holmes Brothers, Carl Hancock- Rux, Norah Jones, P-Funk, Sheryl Crow and Earthdriver. At least one of us is a graduate of The Actors Studio.
Most are amazingly proficient and prolific composers and bandleaders in their own right. Post-Grunge to Post-Philly International to Post-Subotnick the flavors run. All take hats off to Miles Davis, Eddy Hazel, A.R. Kane, Sun Ra, Jimi Hendrix and the like for opening the gates and pushing us through.
Butch Morris's Conduction System for orchestral improvisation is the preferred mode of channeling for this Gotham based ensemble of African-Americans, South Asians, Middle-Easterners, Oregonians, Minnesotans, Ohioans and Europeans. Everyone of them is a border crossing trans-national whether they'll admit it or not. Spontaneous combustion being an occupational hazard in Gotham, Burnt Sugar is how we keep it real, surreal, arboreal, aquatic, incendiary. If only because we might be mistaken for the world's second fully improvisational acid-funk band.
To quote Arthur Jafa, we don't strive to be original, but aboriginal. Like the songlines and the dreaming, like Tracey Moffatt and The Last Wave, like Cubase and Cabrini Green. One foot in the prehistoric, the other in the post human. In this journey, you're the journal and we're the journalists. Houston, do you read and whatnot.
Oh, the utter negrocity of it all...» - Greg Tate
As primícias sanderianas, ainda muito longe do fogo ardente do pós-coltraneanismo e da fase Impulse!, posterior a 1967. Pharoah's First: Cada lado, uma faixa, Bethera e Seven by Seven. Será que Pharoah Sanders, em 1964, jogava conscientemente na antecipação, procurando pela via Rollins chegar lume ao rastilho de John Coltrane, ele que viria a ser o seu primeiro acólito no episódio seguinte? Stan Foster, trompete; Jane Getz, piano; William Bennett, contrabaixo; Marvin Patillo, bateria e percussão. ESP-Disk, reeditado e complementado com uma série de entrevistas.
Festa, festa, é com a Arkestra.
"It's the hidden things, the subconscious that lies in the body and lets you know: you feel this, you play this".
- Ornette Coleman
"IMAGENSPROJECTADAS"
> 3, 4 e 5 de NOVEMBRO 2005
> Sala Polivalente do Centro de Arte Moderna
> Uma produção da GRANULAR com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian
Produzido pela
GRANULAR com o apoio da
Fundação Calouste Gulbenkian, o tema é dado pelas
projecções sonoras e visuais, tenham estas últimas a forma de filme, vídeo, fotografia ou desenho. Dois artistas de renome nesta área actuarão ao vivo com alguns dos principais nomes das músicas criativas portuguesas: o autor de banda desenhada
António Jorge Gonçalves e o realizador de cinema
Edgar Pêra. De carácter intermedia é ainda o espectáculo agendado do projecto
Resonant Bodies, protagonizado pelo violinista e
laptoper Carlos “Zíngaro” e pelo coreógrafo e dançarino
Ludger Lamers.
Os três dias de performances e sessões de visionamento incluem uma homenagem ao compositor e cineasta experimental norte-americano Phill Niblock, com intervenção do próprio e a constituição de várias formações instrumentais para a interpretação ao vivo da sua música, de um ensemble de cordas de arco a um quarteto de computadores, passando por um grupo de guitarras eléctricas. Deste grande pós-minimalista veremos ainda os filmes que dirigiu nos anos 60 e 70 e a série que vem dedicando ao trabalho manual, com imagens captadas na Ásia, em África e na América Latina.
Centro de Arte Moderna, Sala Polivalente > 3, 4 e 5 de Novembro. + info.

Antecipando a interessante entrevista que DAVE DOUGLAS deu a António Branco, incluida no nº 3 da revista JAZZ.PT, a sair dentro de dias, a L.A. Weekly dá a conhecer um pouco melhor a personalidade do grande trompetista norte-amaericano, que se reflecte no gosto por Burt Bacharach, Sammy Davis Jr., cinema mudo, etc.

Alô Galera! Na BBC tem Hermeto Pascoal live at the Jazz Café!
Depois do assombro que foi o concerto de Lisboa, a 8 de Outubro, Jez Nelson passa no Jazz on 3 (BBC Radio 3) uma actuação de Hermeto Pascoal gravada em 25 de Julho no Jazz Café de Londres.
Já ouvi o concerto e posso afirmar que são cerca de 80 fantásticos minutos de fusão afro-brasileira, pela banda do albino que, por isso mesmo, quando era miúdo, em vez de ir brincar com os outros para o sol, tinha que ficar preso à sombra. O que lhe valeu ocupar parte do tempo a descobrir sons de instrumentos musicais, entre eles o acordeão, que aos 11 anos manejava com mestria.
Com Hermeto Pascoal (teclados, flauta, voz, corno de vaca), tocam Fábio Pascoal (percussão), Márcio Bahia (bateria), Itiberê Zwarg (baixo eléctrico), Vinícius Dorin (saxofones, flauta), André Marques (piano) e Aline Morena (voz e guitarra).
(5 stars) "full of delight and surprise, and one of those fantastic nights that reminds us why we love music so much" - The Guardian
«Yes, Hermeto is one of jazz's foremost eccentrics, but more importantly his music is wonderful too - crazy time signatures, very distinctive harmony, great melodies and arrangements, and infectious Brazilian rhythms.
A bit like Sun Ra or Captain Beefheart, Hermeto has a loyal team of sidemen and women who have been with him for years, who have been drilled within an inch of their lives to know the music back to front. The first half of tonight's concert makes you feel a bit like you're going through a spin cycle as the band barely stop for breath between pieces.
Pascoal is a cult figure amongst musicians and listeners alike - a statement backed up by the amount of calls and emails we got from jazzers we know asking if we could do them a CD-r of the gig. We said no and told them to tune in like everyone else at 11.30». - Jazz on 3.

«O regresso de Henry Grimes tornou-se numa das melhores histórias de 2003. Longe dos holofotes durante 35 anos, o contrabaixista regressou ao activo e, em poucos meses, recuperou a mestria que sempre o caracterizou. Na Casa da Música, o norte-americano faz-se acompanhar pela pianista Marilyn Crispell e pelo baterista Andrew Cyrille.
Eleito "Músico do ano" em 2003, pela revista nova-iorquina «All About Jazz», e nomeado "Artista de Jazz do ano" em 2003 e 2004 pelo «L.A. Weekly», Henry Grimes foi aclamado no seu regresso e, desde então, não parou de tocar. No início dos anos 50 o talento de Henry Grimes despertou a atenção de vários músicos de jazz norte-americanos que o convidaram para os seus registos, ainda muito jovem. Participou em meia centena de álbuns e manteve-se brilhantemente no top da cena jazzísitica nos EUA. Uma década mais tarde, ao lado de Cecil Taylor, contribuiu para o desenvolvimento do free-jazz. Em 1967, com apenas 31 anos, Grimes desapareceu da cena musical.
Para além da desilusão e frustração com o Jazz, o contrabaixista sofreu alguns problemas mentais. Obrigado a vender o instrumento, por não ter dinheiro para a sua recuperação, Grimes instalou-se em Los Angeles onde entrou num período obscuro da sua vida, dedicando-se à poesia e ao teatro. Há 20 anos a viver no mesmo quarto de hotel, o contrabaixista foi reconhecido pelo escritor e assistente social Marshall Marrotte que, com a ajuda da editora e jornalista do Jazz Attack!, Margaret David, publicou um anúncio onde pedia um contrabaixo. Apesar da demora, a resposta veio do exímio baixista e representante de free-jazz William Parker que lhe ofereceu o seu Olive Oil, assim se chamava o imponente instrumento de cor verde. A primeira preocupação de Marrotte, quando encontrou Grimes, foi reintroduzi-lo no mundo da música. "Fiquei espantado quando ouvi os álbuns de Cecil Taylor, Albert Ayler e até alguns meus", recorda Grimes. "Na altura não lhes prestei muita atenção mas quando os voltei a ouvir fiquei deslumbrado. Nunca me tinha apercebido da sua qualidade e abrangência", concluiu. Apesar dos anos perdidos, o contrabaixista não se arrepende de nada: "estou a endireitar as coisas e, desta vez, vim para ficar!".
No final de 2002, Henry Grimes recomeçou a tocar e, poucos meses depois, vieram os pequenos concertos e depois os festivais de jazz. Em 2004, Grimes juntou-se à pianista Marilyn Crispell e ao baterista Andrew Cyrille. É este trio que poderemos ver e ouvir na Casa da Música. Completamente rejuvenescido, Grimes aprofundou os mistérios mais ocultos e dá-los a conhecer através de conceitos negros de forma emocional e bastante inspirada».
"The return of Henry Grimes was remarkable because so many musicians fall by the wayside and are never heard from again. The world needs these musicians. Yes, the world needs every good creative spirit to make his or her contribution immediately" - William Parker
Hoje à noite, Henry Grimes, Marilyn Crispell e Andrew Cyrille na Casa da Música. Porto.
A netlabel húngara Complementary Distribution, dirigida por András Hargitai (Soutien Gorge), o homem por detrás da Bitlab Records, editou há dias TRIDENT, a mais recente realização do especialista do clicks&cuts alemão, Lomov. Paisagens urbanas ao lusco-fusco contrabalançam o bulício do dia, a caminho de se fazer noite. É então que as micro-particulas sonoras se transformam em estrelas num imenso firmamento de melancolia.
«(...) Listen to trident at night. In a way the tracks are 'nocturnes' made out of my melancholic mood. I love the tranquility of night hours when the city sleeps, when the mind gets more and more calm. This is the right moment to switch off thinking back and forth, to leave past things and don't care about next steps. This mood of "open-eyed dreaming" being awake and unconscious at the same time is the base for my music. There are no pictures, visions, or structures I want to create. It's only a constant flow from somewhere beyond my 'ego'. Maybe the music evolves pictures when someone listens to it, but it is not my intention. Artists of the last century called this approach "concrete" - the artificial result tells its own tale». - Lomov

O quinteto do trompetista português Laurent Filipe é uma das seis atracções musicais que compõem o cartaz principal de espectáculos do 8º Festival Internacional Seixal Jazz, que se realiza de 14 a 29 de Outubro.
De acordo com a programação divulgada pela organização e direcção artística do Seixal Jazz, este ano vão ser apresentados 12 espectáculos principais, a cargo de quatro formações norte-americanas, uma portuguesa e uma porto-riquenha. Laurent Filipe e os seus músicos actuam no dia 21, antecedendo o concerto de encerramento do festival com o quinteto norte-americano de Mike Fahn e Mary Ann McSweeney, que se apresenta pela primeira vez em Portugal.
Também estreante em território luso, o quarteto do saxofonista porto-riquenho Miguel Zenón actua no Seixal no dia 28.
Oriundo dos Estados Unidos, o quinteto do saxofonista Wayne Escoffery toca no dia 20, abrindo o ciclo de concertos principais.
Organizado pela Câmara Municipal do Seixal, o festival inclui sessões de pequenos concertos gratuitos no espaço informal Seixal Jazz Clube, onde vão actuar, entre outros, a Escola Moderna de Jazz do Seixal e o músico e professor norte-americano George Garzone, que orientará dois workshops de saxofone. Entre as actividades complementares, a programação do evento destaca a projecção em vídeo de concertos, uma exposição multimedia, acções de divulgação nas escolas, venda de discos e o lançamento do livro de fotografias "Jazz", da autoria de Rosa Reis.
Os concertos do cartaz de espectáculos principal decorrem no Fórum Cultural do Seixal e os restantes nos antigos refeitórios da Mundet. - LUSA
Don't call me Mr. Ra! Call me Mistery!!
MECHANICS
Alípio Carvalho Neto, sax tenor
Johannes Krieger, trompete
Lars Arens, trombone
Ricardo Freitas, baixo el
Rui Gonçalves, bateria
Quinta, Sexta e Sábado, 13, 14 e 15 Outubro 2005
Hot Clube de Portugal
Pr. da Alegria 39, Lisboa
Com data de saída prevista para 13 de Novembro próximo, muitos de nós vamos finalmente poder conhecer The Songs, a obra que marcou a estreia em disco de Alan Sondheim & Ritual All 770, um bando de músicos que vivia e tocava num loft em Providence, Rhode Island.Originalmente editado pela ora defunta Riverboat Records, The Songs não ficou tão conhecido (se assim se pode falar de material que circulou sempre de mão-em-mão nos meios underground do free jazz e campos sonoros limítrofes) como outros dois de Alan Sondheim com a tribo Ritual All 770: RITUAL e T'OTHER LITTLE TUNE, publicados por Bernard Stollman na ESP-Disk. Gravado em Março de 1967, The Songs passou a figurar a partir de então nas listas de melhores de sempre da música improvisada experimental, pela ousadia que se traduziu em baralhar por completo as fronteiras da música improvisada, experimental e contemporânea, desacademizando as diferentes formas musicais. Obviamente datada, a música de Sondheim & Ritual All 7-70 consegue, todavia, soar hoje fresca e actual.
Alan Sondheim toc
a guitarras eléctrica e acústica, violino, flauta, vários outros tipos de instrumentos de sopro, xilofone, saxofone alto, shenai, bandolim, koto, cítara, etc. Barry Sugarman toca percussões, tabla, dholak e naquerra; Chris Mattheson, contrabaixo; Robert Poholek, trompete; Ruth Ann Hutchinson e June Fellows, vozes; e J.Z. bateria. The Songs está organizada sob a forma de peça única com vários movimentos sequenciais, em que as vozes, não dirigidas, cantam o libretto escrito por Alan Sondheim, intitulado "Oratorio on the End of Visions", mas que, por qualquer motivo não explicado, acabou por soar a "Oratorio on the End of Illusions". A música que sustenta as palavras não foi escrita, mas sugerida no momento pelas diferentes modulações que as cantoras iam dando ao texto, cantado de frente para trás e de trás para a frente, com acentuação em determinadas passagens.
Segundo Sondheim, a liberdade de criação foi total; a regra da sessão, gravada em dois takes de que se aproveitou a segunda versão (40 minutos), foi apenas uma: para não abafar o som dos instrumentos mais delicados, ninguém mais tocaria assim que soasse a guitarra acústica ou o koto... . Importante reedição da Fire Museum Records, de S. Francisco, califórnia, realizada a partir de um disco de vinil, conseguindo obter uma muito razoável qualidade sonora. Alan Sondheim & Ritual All 770 - The Songs (FM 04).
Alan Sondheim

Cheese Cake:::::::::Jorge Queijo (bateria) + convidados
Cheese Cake Project é um projecto liderado por Jorge Queijo, membro de várias formações de jazz (Lifftof, Cool Train) e de música tradicional (Realejo, Segue-me à Capela). Tem vindo a compôr especificamente para este projecto, que tem apresentado com diferentes formações em duo e trio, mas também a solo. Reservou este projecto de jazz para a exploração e experimentação e por isso tem integrado nas suas percussões alguns componentes electrónicos que permitem apresentar uma sonoridade original. Além disso, nos seus concertos, intercala as suas composições originais com alguns momentos de improvisação mais inspirada no Free Jazz.
Trem Azul::::::::::dia 13 de outubro:::::::::19H30

Antecipando a digressão europeia que já deve ter começado ou está aí a rebentar, o duo de Dave Rempis (saxofones) e Tim Daisy (bateria) publicou há dias Back to the Circle, o primeiro disco de estúdio desta dupla fenomenal, que trabalha junta há anos no Triage, Dave Rempis Quartet, Dave Rempis Percussion Quartet, Vandermark 5, e noutras colaborações avulso a partir da base que é Chicago. A edição de Back to the Circle, numerada, é de apenas 800 exemplares, pelo que se recomenda algum afã na aquisição ou adeus ó vindima.
O mesmo se diga da mais recente realização da Territory Band, Company Switch, o quarto episódio, que é também a quarta formação da TB, diferente das três anteriores. Na exploração intensa das composições do incansável Ken (nem a Barbie resolve o assunto), estão agora Fredrik Ljungkvist, Dave Rempis, saxofones; Paul Lytton e Paal Nilssen-Love, percussão e bateria; Jeb Bishop, trombone, Axel Dörner, trompete, Kent Kessler, contrabaixo, Fred Lonberg-Holm, violoncelo, Jim Baker, piano, e Lasse Marhaug, electrónica. Okka Disk. Dave Rempis/Tim Daisy – Back to the Circle
Territory Band-4 – Company Switch

Do património artístico de Joe McPhee sai este Pieces of Light, há muito desaparecido do convívio com o público. A sessão é de 1974, com Joe McPhee em trompete, saxofones, outros sopros e percussão, e John Snyder em sintetizador analógico ARP 2600. Recente reedição da Unheard Music Series/Atavistic. McPhee essencial, a par de discos como o primeiro, Underground Railroad (1969), seguido de Nation Time (1970) e de Trinity (1971), os quatro originalmente editados pela CJR (iniciais de Craig Johnson Records, a não confundir com as mesmas de Cadence Jazz Records), igualmente reeditados pela UMS/Atavistic. Pieces of Light é um disco de fronteira, que marca o termo da editora CJR (entretanto reactivada para editar um concerto do saxofonista com Mike Bisio, Raymond Boni e Paul Harding, gravado no festival Earshot), e o início da segunda fase da carreira de Joe McPhee, coincidente com o nascimento da suíça Hat Hut.
Daqui a pouco, às 21h30, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Nils Petter Molvaer. O trompetista norueguês tem-se movimentado na vanguarda de um novo e alternativo electro-jazz-pop audio-visual, partindo de instrumentação acústica e electrónica, programação e improvisação. A música de Nils Petter Molvaer absorve os ritmos e as vibrações da música electrónica para consumo nas pistas (house, techno, breakbeats, etc), com estratégias do pop, fundindo tudo numa paisagem sonora high-tech, rica em sinais do tempo presente.
David Pleasant, percussionista versátil e completo, toca e grava habitualmente com figuras importantes do free jazz actual, como Charles Gayle [Charles Gayle Quartet, Repent (Knitting Factory); CG Trio, Homeless (Silkheart); CG Trio, Spirits Before (Silkheart)], e recentemente com Patrick Brennan, no Sonic Openings Under Pressure. Pleasant investiga a fundo a tradição afro-americana. Nesse âmbito, criou o RiddimAthon, Inc, método de ensino e performance que procura sintetizar as tradições musicais afro-americanas e caribenhas, que lhe abriu perspectivas novas para o estudo e a investigação musicológica nas diversas áreas da cultura Gullah/Geechee da Georgia/Carolina do Sul. Em 2004 escreveu THE DRUM IS A VOICE, publicado em The Brooklyn Rail.
Luso Café apresenta:
O novo e espectacular "power-groove trio" da improvisação livre sem rede… nem roque, onde as únicas barreiras são… eles próprios! Estreia mundial a não perder! Porque se trata de uma escaldante actuação de:
WC.JC (west coast jazz combo)
Abdul Moimême - sax; Sergue - contrabaixo; António Watts - bateria
Quinta–feira 13, Out. 2005, pelas 10h30 em ponto! (primeiro set)
Travessa da Queimada, 14 - Bairro Alto, Lisboa (ao lado da porta do Restaurante Luso)
De 1977, um disco de duetos de Peter Brötzmann e Han Bennink, gravados na Floresta Negra. Peter & Han virados para a coisas do ambiente e da natureza em flor, imagine-se. Daí que Bennink, incorrigível romântico, percuta paus, pedras e tudo o mais que vai encontrando pelo caminho, contangiando Brötzmann, que se deixa embalar pela onda groovy com passarinhos, rios, lagos, núvens e casinhas da floresta. A edição original é da alemã FMP. A reedição da Unheard Music Series/Atavistic, às 10 faixas originais, acrescentou outras tantas, arranjando material para um CD duplo que é de ir às lágrimas de contentamento auditivo. Peter Brötzmann/Han Bennink, Schwarzwaldfahrt.

Em meados de Setembro referi aqui que Rodrigo Amado, saxofonista luso das especialidades alto, soprano e barítono, iria realizar um curto périplo por terras norte-americanas. A volta incluia um concerto a 25 de Setembro na Downtown Music Gallery, de Nova Iorque, com o quarteto Dee Pop and Friends, e a 28 de Setembro, a apresentação no Barbès, em Brooklyn, com Herb Robertson, trompete, Ken Filiano, contrabaixo e Lou Grassi, bateria, posto o que desceria até Dallas, Texas, para uma aparição a 30 de Setembro, com o Yels at Eels, de Dennis González, Aaron González e Stefan González.
Regressado a Lisboa, perguntei-lhe como tinha corrido a digressão. «Correu tudo às mil maravilhas. Fartei-me de tocar e conhecer músicos novos. Fiz dois concertos em NY (Downtown Music Gallery, com Dee Pop, Avram Fefer e Mike Bisio, e Barbès, com Ken Filiano, Lou Grassi e Herb Robertson), e dois em Dallas (com o Unconscious Collective - grupo do Stefan Gonzalez - e com os Yells at Eels - Dennis, Stefan e Aaron González). Correram todos muito bem e o concerto do Barbès estava cheio e com bastantes músicos na assistência (Mike Bisio, Michaël Attias, Jason Wang, Thomas Ulrich...). Para além disso, saiu um destaque ao concerto no New York Times(*), juntamente com concertos do Ben Allison, The Bad Plus ou Keith Jarrett... . Durante a estadia em NY toquei quase todos os dias em sessões com Lou Grassi, Ken Filiano, Matt Lavelle, Mike Bisio, François Grillot, Anders Nilsson, Kenny Wessel e Avram Fefer. Algumas das sessões e concertos foram gravados. Não podia ter corrido melhor» - Rodrigo Amado.
(*) «Selective listings by critics of The New York Times of new and noteworthy cultural events in the New York metropolitan regions this week, denotes a highly recommended film, concert, show or exhibition. Theater Approximate running times are in parentheses. Theaters are in Manhattan unless otherwise noted.
RODRIGO AMADO (Wednesday). A baritone and alto saxophonist prominent in the free-improvising scene of his native Portugal, Mr. Amado works here with some of his American contemporaries: the trumpeter Herb Robertson, the bassist Ken Filiano and the drummer Lou Grassi. 8 p.m., Barbes, 376 Ninth Street, at Sixth Avenue, Park Slope, Brooklyn, (718) 965-9177; cover $8. (Nate Chinen)» - The New York Times.
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Entretanto...
4ª feira, dia 12 de Outubro, às 22:30::::::::Lisboa Jazz Sessions
Bicaense:::::Rua da Bica, 38 (ao Elevador da Bica)
Lisbon Improvisation Players
Rodrigo Amado - saxofones
João Moreira - trompete
Pedro Gonçalves - contrabaixo
Bruno Pedroso - bateria
Já que estamos em maré de reedições importantes (neste caso, trata-se de uma primeira edição oficial), outra novidade é que manhã, 11 de Outubro, sob o selo da norte-americana Impulse! (Universal) sai One Up, One Down: Live at the Half Note, de John Coltrane. CD duplo, contém gravações ao vivo no clube Half Note de Nova Iorque, efectuadas em 26 de Março e 7 de Maio, respectivamente, para servir o propósito de emissão radiofónica. No palco do Half Note, John Coltrane (saxofones soprano e tenor) e o quarteto da época: McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (contrabaixo) e Elvin Jones (bateria). É assim que, finalmente, e a pedido de milhares de famílias, o bootleg do pai John toma foros de edição oficial pela mão do filho Ravi, no papel de produtor.De notar que é no primeiro dos dois disco que se encontra a tal versão de 28 minutos de One Down, One Up; para alguns especialistas em Coltrane, uma das melhores improvisações registadas ao vivo pelo saxofonista.
Pode ser que, com este esforço (não se compreende como é que um lançamento destes, com elevada rentabilidade garantida à partida, sofre tanta demora e hesitação), a Impulse!/Universal ganhe balanço para editar oficialmente as afamadas gravações no Birdland, em 1962 e 1963, bem como as que se conhecem entre os bootleggers como The Showboat (Philadelphia) Tapes.
«Within seconds, the tenor cascades and leaps, and cymbals splash and toms thump. Eventually the bounding piano lines overtake the movement and draw the song to a smooth, swinginger passage, grounded and guided by Garrison's now confident bass. The sound stream trills and skips and runs through increasingly pronounced rapids before tumbling over another fall, potent and tremulous. Really excellent playing». - Dan Alford.
Não se esperava menos, caro amigo.
Disco 1:
1. Introductions And Announcements
2. One Down, One Up
3. Announcements
4. Afro Blue
Disco 2:
1. Introductions And Announcements
2. Song Of Praise
3. Announcements
4. My Favorite Things

A semana passada foi editado na Connoisseur Series da Blue Note, Tex Book Tenor, do grande saxofonista texano, Booker Ervin. Gravado em 1968 e mais tarde publicado em LP duplo, intitulado Back From the Gig, em Tex Book Tenor tocam, além de Booker Ervin (saxofone tenor), Woody Shaw (trompete), Kenny Barron (piano), Jan Arnet (contrabaixo) e Billy Higgins (bateria). Material de primeira há décadas a ganhar pó nos armazéns da Blue Note. Primeira edição em CD.
«Heavy Metal: de uma spiritual reunion com o Albert Ayler no Esgoto ao asfalt tango da Fanfare Ciocarlia no Cine-Teatro de Alcobaça!»Título complexo?! Nem tanto. Depois de ler o texto percebe-se bem. A propósito da recente passagem da banda romena FANFARE CIOCÂRLIA por Alcobaça, num texto originalmente publicado em Tinta Fresca, e referenciado na página oficial de Albert Ayler (What’s New), José Alberto Vasco traça um percurso pessoal iniciado em 1973, com a leitura de Revolução do Jazz, de Jorge Lima Barreto, passando por Underground, de Emir Kusturica, até chegar ao “heavy metal" cigano da Ciocarlia. Texto integral.
Spontaneous Music Ensemble
«A New Distance»
«A nova edição do Spontaneous Music Ensemble vinda do baú de Martin Davidson, o responsável da etiqueta Emanem, é um documento de suma importância histórica – poucos meses depois destas gravações de 1993 e 94, John Stevens, o mentor do colectivo (o termo “líder” não se lhe aplica, dado o pendor acentuadamente democrático da sua filosofia musical), morreria prematuramente. Este CD mostra-nos, pois, a música que fazia na altura com improvisadores hoje na ribalta, como o saxofonista John Butcher, o guitarrista Roger Smith e, em duas das faixas, a adição de Neil Metcalfe na flauta. As gravações foram feitas ao vivo e em estúdio e incluem considerandos e reflexões proferidos por este exímio baterista que ao longo dos anos foi reduzindo as componentes do seu instrumento até ficar com o mínimo indispensável para produzir som. A i
nclusão das suas introduções faladas no disco foi uma ideia feliz de Davidson, permitindo ao ouvinte que não conheça os seus escritos um primeiro encontro com as ideias sobre a música e sobre a vida, uma e outra sempre relacionadas no seu pensamento, deste grande pedagogo da improvisação que viria a influenciar todos ou quase todos os praticantes britânicos (e não só) deste tipo de música. Esta é acentuadamente abstracta, nada tendo que ver com a vertente freebop que Stevens também explorou, mas revela um entrosamento de grupo e uma tal empatia entre os intrumentistas, parecendo estes adivinhar individualmente o que os outros vão fazer de seguida, que o que poderia parecer “difícil” toma um extraordinário carácter de elementar simplicidade. Excelente» - REP/AnAnAnA
ps. - music for sketching ghosts in the dark
ps., aka Filipe Cruz, jovem experimentador sonoro de Vila Nova de Gaia, e entusiasta da netlabel lusa Enough Records, lançou há pouco tempo um EP na congénere sueca mirakelmusik. Este projecto surge na sequência de outros ligados à música electrónica em que Filipe Cruz se tem envolvido, em paralelo com a actividade ligada à engenharia de computadores e ao experimentalismo pseudogenerativo. O EP de que falo, denominado music for sketching ghosts in the dark, consubstancia-se em três peças, tituladas respectivamente 1) Like butterflies dancing without wings; 2) She simply doesn't care anymore; e 3) Harnessing low voltage under an ivory iron curtain. As peças - duas longas, à volta dos 12 minutos cada, com uma de 4 pelo meio - mesclam sons de electroestática digital com ondas dronológicas em fundo, desenvolvendo-se as texturas e os sinais sonoros em diferentes planos, com enorme profundidade de campo. A massa sonora de glitch e micro-sons (como ondas-curtas) move-se lentamente, criando ambientes minimalistas tensos e escuros, quase sinistros, sublinhados por ocasionais descargas de baixas frequências. Trabalho muito bem feito. Pode ser descarregado e ouvido a partir da página da mirakelmusic.ps. - music for sketching ghosts in the dark (mir013)
Um... dois... três discos de estreia da RogueArt, nova editora francesa independente. Já ouvi este material de ponta a ponta. Excelente apresentação e conteúdo, vezes três. Distribuição em Portugal: Trem Azul.

A sétima edição da Feira Internacional do Disco de Lisboa arrancou ontem no segundo piso da Gare do Oriente, no Parque das Nações, e reúne algumas das maiores lojas nacionais de CD e vinil de colecção.
«Entre os stands nacionais encontram-se vendedores orientados para rock progressivo e sinfónico, ou música portuguesa, das mais diferentes latitudes. Nos estrangeiros, a música brasileira e o vinil destacam-se. Do norte do país ao Algarve são centenas de milhares de CD e dezenas de milhares de discos em vinil, disponíveis para compra, naquela que é a oportunidade de adquirir raridades, discos perdidos ou edições esquecidas.
Em relação às anteriores edições, não há grandes diferenças. O espaço é o mesmo e entre os participantes há um aumento de lojas que operam na Internet e que substituem as "físicas", que entretanto desapareceram. O horário é igual ao de anos anteriores, com hora de abertura sempre marcada para as 11.00. Hoje o fecho é às 23.00 e amanhã e domingo às 20.00.
A organização espera uma afluência semelhante à de outros anos, embora reconheça que a conjuntura seja menos favorável. Ainda assim, esperam-se os habituais visitantes, entre os quais estrangeiros que costumam vir de países como a Espanha, a França e a Inglaterra ou até a Finlândia.
A Feira Internacional do Disco de Lisboa realizou-se pela primeira vez no ano 2000, mas só em 2002 se mudou para a Gare do Oriente. Além desta edição anual, existem ainda versões reduzidas que se realizam em diversas cidades do país como Braga ou Évora. Em anos anteriores, vários foram os países representados nesta feira, entre os quais se destacava um vendedor japonês de raridades na área do rock progressivo e sinfónico». - DN

A (re)editora espanhola Gambit Records lançou há pouco tempo no mercado um CD contendo os dois primeiros álbuns de Rahsaan Roland Kirk (1936-1977). O primeiro, Third Dimension, de 1956, gravado em Nova Iorque quando Kirk contava apenas 20 anos, originalmente publicado pela Bethlehem; com James Madison (piano) Carl Pruitt (contrabaixo) e Henry Duncan (bateria). O segundo, Introducing Roland Kirk, de 1960, gravado em Chicago, com selo original da Argo. Com Ira Sullivan (trompete e sax tenor), Bill Burton (piano e órgão), Donald Rafael Garrett (contrabaixo) e Sonny Brown (bateria).
Third Dimension, o primeiro, dos verdes anos, puxa para o clássico e está ainda muito longe das aventuras que o multi-instrumentista haveria de realizar anos mais tarde, e que estabeleceram um marco importante na história do jazz da segunda metade do Séc. XX. É um encanto ouvir o jovem Kirk a soprar na tonalidade escura que viria a caracterizar o seu som ao longo dos 20 anos seguintes, a embalar em cru temas como Easy Living, Stormy Weather, ou The Nearness of You, já com um impressionante grau de domínio sobre os três saxofones (alto, tenor e soprano), tocados por vezes em simultâneo.
Introducing Roland Kirk, 4 anos mais tarde, representou um salto na configuração do som de Kirk. Continuando a exibir a extraordinária capacidade de tocar três saxofones em simultâneo, a música parece emergir das profundezas do soul jazz, derivação do hard bop contaminada pelos blues e pela força expressiva do manzello, do stritch e do saxofone tenor.
A recuperação de Third Dimension e de Introducing Roland Kirk, faz de Third Dimension and Beyond - assim se chama a esta edição compósita da Gambit - um disco importante, mais ainda porque facilita o acesso à música de uma das maiores figuras do jazz de todos os tempos, que é fundamental conhecer ou redescobrir.

Pela fresca, ouço RENKU (Playscape Recordings), o muito jeitoso e recente disco de Michaël Attias (com John Hebert, contrabaixo, e Satoshi Takeishi, bateria), trio que vem tocar ao Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra / 2005.
Enquanto isso, divirto-me à brava com o estudo analítico, sem dó nem piedade, que João Pedro George faz sobre os livros da, digamos, escritora, Margarida Rebelo Pinto. “Valha-nos S. Bernardo!”. Imperdível.
«Margarida Rebelo Pinto sempre se queixou da incompreensão e da indiferença do meio literário. Com alguma razão, reconheça-se. Afinal, é a escritora mais lida em Portugal, vende dezenas, centenas de milhares de livros, e a crítica literária, ocupada no seu próprio tédio, nunca tem tempo para a ler. Ignora-a. Não faz o seu papel, não emite opiniões fundamentadas e especializadas. É inaceitável, por exemplo, que os portugueses, pelo menos aqueles que a lêem, se vejam privados das solenes meditações de um António Guerreiro ou de um Manuel de Freitas, isto para referir apenas dois nomes, dos mais destacados, que representam as últimas gerações da crítica literária jornalística. Ora isto é de uma injustiça feroz. Perante tal situação, perante a crónica incapacidade dos críticos para lidar com obras de inusitado êxito comercial, decidi mergulhar, de cabeça, na obra completa de Margarida Rebelo Pinto, até agora oito livros: cinco romances – Sei Lá (SL), Não Há Coincidências (NHC), Alma de Pássaro (AP), I’m in Love with a Pop Star (LPS), Pessoas Como Nós (PCN) – e três colectâneas de crónicas e minificções publicadas em jornais e revistas – As crónicas da Margarida (CM), Artista de Circo (AC) e Nazarenas & Matrioskas (NM). Todos eles foram lidos, relidos, minuciosamente sublinhados, rabiscados e anotados nas margens, as páginas dobradas, amarrotadas e vincadas. Regressado à superfície, posso afirmar, com propriedade, que Margarida Rebelo Pinto despertou o masoquista que há em mim. Que lê-la, do primeiro ao último livro, foi um tormento digno da Bíblia». Segue o texto integral.

Atenção merece o belo trabalho fotográfico de João Henriques, publicado em Jazz Blink. «Gostaria de esclarecer que esta é uma galeria de trabalho. As fotos são acabadas para mostrar aos músicos, imprensa, promotores, etc, tendo optado por publicar de modo mais alargado. O site passa a ser uma selecção pessoal de trabalhos meus. As foto-reportagens dos eventos mais recentes serão publicadas em 1ª mão em Jazzportugal, que tem vindo a dar apoio ao meu trabalho, o que desde já agradeço ao Zé Duarte. Os eventos recentes passarão a estar expostos em Jazzportugal».
Praxis. Jon Lloyd escreveu a composição, dividida em secções. Para a interpretar convocou músicos da cena berlinense, o violinista Aleks Kolkowski e o trombonista Marc Boukouya, a somar aos britânicos Stan Adler, violoncelo; John Edwards, contrabaixo; e Mark Sanders, bateria e percussão. Jon Lloyd toca saxofones alto e soprano. Para quem conheça o trabalho anterior (e posterior) de Jon Lloyd em quarteto, este sexteto coloca questões interessantes, no sentido em que evolui para terrenos mais próximos da estruturação da new music, sem perder a qualidade essencial da free improv. Gravação de Agosto de 1997, ao vivo na St. Stephen’s Church, Bournemouth, Inglaterra. Edição da britânica Future Music Recordings (FMR).

Hoje, 6 de Outubro, às 23h00, no Luso Café (Travessa da Queimada, 14, Bairro Alto, Lisboa), tocam Ernesto Rodrigues, violino e viola, Abdul Moimême, saxofone tenor e vários, Miguel Martins, percussão e diversos, e a revelação sonora do momento, o jovem Travassos, hábil manipulador da bela tape e de um vasto sortido de utensílios afins.

Ascent - Bernardo Sassetti Trio2
Culturgest – Grande Auditório
4 de Outubro, 21h30
Bernardo Sassetti - piano, Adja Zupančič - violoncelo, Jean-François Lezé - vibrafone, Carlos Barretto - contrabaixo, Alexandre Frazão - bateria.
‘…ao encontro de uma procura intemporal, quase distorcida (…) da realidade...’
…uma árvore distorcida através da vidraça, um travelling silencioso sobre um vitral de imagens desfocadas, craquelé de vidros ausentes, nuvens estriadas sobre a intensidade de um céu cor de lazulite… silêncio, mais silêncio… perspectivas incompletas de um homem numa rua qualquer… em Paris? Tudo preenchido pelos breves sons de uma sala repleta de público, na expectativa de ouvir algo surpreendente. Lançando a tónica ambiental, na forma de projecções sobre a grande tela atrás dos seis músicos em palco, o pianista deu início a um ambicioso programa (1h30), apresentando o seu novo projecto Ascent neste contexto multimédia.
A música foi gerida com um grande grau de austeridade formal, tendo Sassetti optado por subdividir o sexteto num duplo trio (daí a denominação Trio2 em vez de sexteto). O piano, situado ao centro, acabou por funcionar como charneira entre dois universos que apenas se sobrepuseram numa ocasião. À sua direita situou-se o trio jazzista por excelência, com contrabaixo e bateria, do outro lado colocou-se o violoncelo e o vibrafone compondo um conjunto de música de câmara.
Para além de explorar as potencialidades da relação da música com a imagem, fixa ou móvel, Sassetti usou esse pretexto para investigar o seu vocabulário próprio, numa pesquisa introspectiva, marcada pela serenidade de quem não tem nada a provar. A música esteve sempre em estado puro para quem a quis absorver. Atitude reforçada pela articulação económica dos arranjos.
O trio de câmara funcionou a uma só voz, com o violoncelo a complementar o piano na afirmação das linhas melódicas, salientando-se menos como instrumento solista. O vibrafone funcionou sobretudo como extensão tímbrica e harmónica do teclado. O trio de jazz resultou como contraponto, recorrendo a uma abordagem mais dentro dos cânones tradicionais, com excelentes solos dos três músicos a pontuar os temas.
Ao todo, o programa resultou como uma grande viagem pelos estados de alma do compositor, proliferação de paisagens sonoras onde o romantismo, os modos latinos, a abstracção (ao estilo de Messian), os vamps e os grooves em ritmo quaternário se encaixaram perfeitamente num todo coeso e coerente.
Ainda não tive oportunidade de ouvir o disco mas, a julgar pelo concerto, promete ser uma obra marcante na carreira de Sassetti, assim como da discografia nacional (há algo de intrinsecamente lusitano no som do pianista… não me perguntem porquê!). Sassetti tem a vantagem de contar com um público maioritariamente jovem (na casa dos 20-30) o que à partida é um bom presságio.
Única ressalva relativamente ao concerto: a duração excessiva, que teria sido resolvida com um intervalo a meio.
ﺫﻡﺫﻡﻭﻡ ﻝﻭﺩﺏﺍ
(Sheik Abdul Moimême)

Encerrado o episódio de despojamento sonoro que representou a incursão pela acústica experimental de 29.Water - Piano Improvisations, Jess Rowland regressa ao seu instrumento de eleição, o estúdio. É lá que encontra as ferramentas que põe ao serviço da criação de novos sons, fruto da colagem de materiais audio e vídeo. Desse processo nasceu Scenes from the Silent Revolution, duplo álbum de experimentação multimédia, cuja matéria-prima são vídeos promocionais de duas das marcas mais simbólicas da cultura pop norte-americana (e das sociedades ocidentais em geral). Com eles elabora panfletos humorístico-digitais, esculturas sonoras que pretendem desancar a paranóia do consumismo na sociedade actual, colonizada pela corporate culture, que é too important to just let it happen. Daí os títulos MacDonaldland is Changing, The Barbie Explosion, e Ashcroft vs. The Space Librarians (Rowland põe o Attorney General norte-americano a cantar Let The Eagle Soar), um conjunto de obras satíricas apresentadas ao vivo em festivais de experimentação em S. Francisco, agora reunidas em CD e DVD pela Pax Recordings. Scenes from the Silent Revolution é pura bizarria sonora e imagética, improvisação electro-acústica-visual ao serviço de uma das mais antigas actividades humanas, a crítica social e de costumes. Jess Rowland tem ideias e sabe organizá-las, reciclando e reutilizando tudo o que lhe vem à mão, procurando separar o supérfluo do essencial na actividade de conceptualização abstracta. Nessa medida, Scenes... é um notável trabalho de síntese.
Frank Zappa, numa foto que situo algures entre finais de 70 e inícios de 80, atribuída a Rainer Rygalyk.Há um disco de Frank Zappa que faz tempo não revisito: STUDIO TAN (1978), ou The Adventures of Greggery Peccary, peça que é uma obra-prima de composição (1972), execução e de manipulação sonora em estúdio, a par de Revised Music For Guitar And Low-Budget Orchestra. Esta versão é mais condensada que a de King Kong, álbum de Jean-Luc Ponty/Frank Zappa (atenção ao trombone de Bruce Fowler), que fecha o lado A do LP. O lado B abre com a minuatura pop Let Me Take You to the Beach, e fecha com RDNZL. Um polígono impressionante, gravado entre 1974 e 1976, um dos períodos mais criativos de mestre Zappa. «Information is not knowledge. Knowledge is not wisdom. Wisdom is not truth. Truth is not beauty. Beauty is not love. Love is not music. Music is the best». - Frank Zappa (1940-1993).

Na Greanleaf Music, e não na Premonition Records, como antes escrevera (obrigado, João Santos), provavelmente por vir em trânsito de uma para a outra: «Keystone, Dave Douglas' new project, features new Douglas compositions inspired by the great and unfairly maligned Roscoe 'Fatty' Arbuckle, one of America's earliest and funniest movie stars. The electric-invoked scores are warm, funny, funky, and experimental, perfectly capturing the atmosphere of the films. Keystone is a two disc release: a CD with 11 music tracks and a DVD presenting two Arbuckle films with original "scores" by Dave Douglas».
O disco terá lançamento em Portugal pela distribuidora nacional Dwitza, no fim deste mês. Entretanto, recomenda-se uma vista de olhos pelo acervo de informação nova sobre Dave Douglas, incluindo o blog e a Greenleaf Radio.

Hoje, 4 de Outubro, é dia de ASCENT na Culturgest. Apresentação ao vivo do novo disco de Bernardo Sassetti.
Piano, Bernardo Sassetti; violoncelo, Adja Zupancic; vibrafone, Jean-François Lezé; contrabaixo, Carlos Barretto; bateria, Alexandre Frazão.
«Ascent é o título do meu mais recente trabalho de exploração da composição e interpretação musicais em comunhão com as artes visuais, nomeadamente a fotografia e o cinema. Este último, por exemplo, tem-me acompanhado desde o princípio dos anos 80, sobretudo no interesse que tenho pela relação das imagens com a música, ou melhor, na representação psicológica, emocional ou circunstancial, que nos é transmitida pela banda sonora - complemento fundamental da imagética do cinema.
(...) O Carlos Barretto tem uma forma única de tocar contrabaixo, muito irrequieto e sempre à procura do possível e também do improvável, sem nunca perder a consciência do tempo e do espaço no grupo; num registo que percorre todo o instrumento, desde o acompanhamento (em notas simples) até à execução dos improvisos mais irreverentes, admiro-lhe a espontaneidade e a agitação das suas linhas e dos seus movimentos harmónicos; estes são, por si só, um estímulo para qualquer solista que o acompanhe, seja qual for a formação. Gosto especialmente quando ele diz “esta parte podia ser mais astrológica!”.
O Alexandre Frazão é também, para mim, um músico de referência. Basta-me não dizer nada para que ele perceba tudo, sem nunca dar a entender que percebeu, sem dizer coisa nenhuma e nada fazer para que eu perceba. Perceberam? Para além de ser a imagem do prazer de tocar, tem um conhecimento muito vasto sobre as diferentes linguagens e ritmos da música de expressão étnica ou tradicional, dos vários continentes; gosta de ensaiar - o que é uma vantagem nos dias que correm! - e consegue transformar os temas que lhe apresento em desafi os artísticos, sem nunca recorrer a ritmos ou acompanhamentos vulgares. Quando toco com o Alexandre, os conceitos de energia, força e subtileza, ganham mais sentido pelo entendimento musical que possui e, tão ou mais importante, pela forma versátil como ouve (e segue) a música que o rodeia.
Para este projecto, contamos com a participação especial de Ajda Zupancic e Jean-François Lezé, de forma a criar um novo trio de violoncelo, vibrafone e piano - este último como elemento de união entre os dois trios.
Conheci a Ajda Zupancic numa altura em que as composições para orquestra se tornaram mais regulares, nomeadamente as bandas sonoras para cinema com a orquestra Sinfonietta de Lisboa. Sempre ouvi o seu violoncelo como uma voz (quase) defi nitiva, um exemplo de expressividade e entrega musicais, tanto a solo como em grupo. O controlo que tem no movimento do arco é, entre outras, a característica que mais lhe admiro. Não posso deixar de referir a preocupação que tem com o resultado final do grupo, o que a levou, ironicamente, a dizer-me assim um dia: “Esta passagem está mal escrita para violoncelo! Ai, ai, estes rapazes do jazz!”.
O Jean-François é um músico versátil no campo da percussão orquestral. Trabalhámos juntos pela primeira vez numa composição arriscada mas que me trouxe um enorme entusiasmo: Música para Piano, Marimba e Tuba. Desde logo percebi que ele se movimentava em vários estilos de música com naturalidade. O vibrafone em Ascent não é utilizado como instrumento melódico nem com presença impositiva, mas sim como elemento que surge em função das ressonâncias do piano ou como continuação delas. Isto é conseguido graças à sua subtileza e silêncio necessários - coisa de quem percebeu a música que tem nas mãos». - Bernardo Sassetti

Desde ontem que ando a ouvir No Work Today: Nine For Steve Lacy, o mais recente disco a solo de Joe Giardullo. Nove peças dedicadas ao grande saxofonista soprano, com quem o Giardullo tocou pouco antes do desaparecimento do mestre. Bela edição da Drimala Records. Até a embalagem é um mimo.
O violinista vietnam vet Billy Bang (hence the title) tratado no Village Voice por Tom Hull: «Billy Bang Is in the House», antecipando a actuação de Bang na sala de Zorn, The Stone, a 8 de Outubro.Entretanto, naquele palco prossegue «A Don Cherry Celebration», por ocasião do 10º aniversário do passamento do trompetista, ocorrido a 19 de Outubro de 1995, em Málaga, Espanha.
Recorda o REP, sobre o evento GRANULAR 7.9 QUINTAS, no CCB:
Rodrigo Amado < > Paulo Galão < > Paulo Curado > 6 de Outubro > 19:00
Três músicos com uma panóplia alargada de instrumentos de palheta: os saxofones alto, tenor e barítono de Rodrigo Amado, os clarinetes soprano e baixo de Paulo Galão, os saxofones alto e soprano e a flauta em dó de Paulo Curado. Em contexto de improvisação total, vários mundos musicais serão inevitavelmente convocados: os do hard bop/free jazz de Amado, os da "clássica" contemporânea de Galão e os jazzísticos e de música para teatro e desenhos animados de Curado, entre muitos outros ingredientes que fazem parte dos seus respectivos "backgrounds" e gostos musicais. Rodrigo Amado é o mentor do projecto Lisbon Improvisation Players, que já proporcionou encontros de músicos internacionais de renome como Steve Adams e Ken Filiano com improvisadores portugueses; Paulo Galão tem-se evidenciado nas suas colaborações com os compositores Vítor Rua e Hugo Maia; Paulo Curado passou por Janita Salomé, Júlio Pereira, os Shish de José Peixoto e parcerias com Carlos "Zingaro". Juntos, têm condições para ser nada menos do que surpreendentes.
ATENÇÃO: o concerto de 20 de Outubro com o Random Guitar Trio (António Chaparreiro, Emídio Buchinho e Filipe Bonito) foi cancelado pelo CCB, por motivos de força maior.
Está quase pronto a sair o n.º 3 da revista JAZZ.PT (Outubro/Novembro de 2005), o melhor de sempre. Está aqui, está na rua.
Festival COSMOPOLIS na ZDB
4, 5, 6 e 7 Outubro às 22h00
Terça_4 de Outubro, às 22h00
My Cat Is An Alien (IT) Rafael Toral (PT) Keith Fullerton Whitman (US)
Quarta_5 de Outubro, às 22h00
Icarus (UK) We Shall Say Only The Leaves (PT) Oval (DE)
Quinta_6 de Outubro, às 22h00
Jane (US) Blevin Blectum (US) Evil Moisture (US)
Sexta_7 de Outubro, às 22h00
Candie Hank (DE) Duran Duran Duran (U.S) Ciné-mix DJ-Act (Fr)
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Festival Cosmopolis ZDB
Na sua sexta edição, o Festival Cosmopolis entregou à Galeria Zé dos Bois parte da sua programação. Este encargo curatorial proporcionou uma programação de concertos divididos, de uma forma quasi-temática, ao longo dessas quatro noites, sendo o carácter exploratório destas músicas e a sua natureza electrónica os seus principais pontos de convergência. As iniciativas no campo da imagem a tomar lugar na ZDB serão inteiramente constituídas por artistas residentes na capital francesa, escolhidos pelo corpo de programação do Cosmopolis.
O primeiro dia do Cosmopolis na ZDB irá pautar-se pela presença de três projectos que se focam no campo da experimentação, tendo todos eles um passado rico no trabalho sobre o drone. Assim, teremos o emblemático duo de música cósmica italiana My Cat Is An Alien, o português Rafael Toral, e o norte-americano Keith Fullerton Whitman.
O segundo dia do festival, que a decorrer no dia 5, irá contar com projectos que encontram um ponto de união através de uma muito palpável sensibilidade e riqueza melódicas, inseridas em contextos desconstrutivistas de meios electrónicos e fontes tanto digitais quanto analógicas. Marcarão presença nesta noite Oval, o duo Icarus, bem como a banda/colectivo lisboeta We Shall Say Only The Leaves.
A programação de quinta-feira, dia 6, será preenchida por três projectos cujos trabalhos convergem num profundo distanciamento de cadências harmónicas, rítmicas e texturais comuns e usuais, encontrando empatias em estranhezas íntimas, resultados de tentativas extremamente conseguidas de escape a normalidades melódicas e percussivas. Ao palco irão subir os Jane, duo de Panda Bear (membro dos Animal Collective) e Scott Mou, bem como Blevin Blectum a solo (depois de alguns anos a repartir trabalho com Kevin Blectum nas Blectum From Blechdom) e o francês Evil Moisture.
O último dia serão apresentados artistas da área da electrónica, que possuem uma forte intersecção criativa com os campos da dança performativa. Nesta noite irão actuar os norteamericanos Duran Duran Duran e o projecto alemão Candie Hank.
Nesta data será também apresentado o filme «Étude sur Paris» (André Sauvage, 1928, 80’), que será acompanhado por um live set dos DJs parisienses Antipop e Shamon Takahashi.
Paralelamente, irão tomar lugar uma série de iniciativas no domínio das artes visuais, a decorrer na Sala Verde da Galeria ao longo deste quatro dias, inseridos no projecto Cityvideodrome. Uma programação de vídeo nocturna, que questiona a existência ou não de uma ou mais identidades no vídeo francês do século XXI, explorando a relevância do som neste campo de trabalho estético particularmente preocupado com a exploração, dissecação e apresentação da vida, da cidade e de si próprio. Os protagonistas desta iniciativa são Anri Sala, Valérie Mréjen, Mélik Ohanian, Olivier Dollinger, Laurent Grasso, Joël Bartoloméo, Pierre Joseph, Brice Dellsperger, Franck Scurty, Sandy Amerio, Ange Leccia, Adel Abdessemed, Cecile Paris e Mircea Cantor.
Galeria Zé dos Bois.
Repescado da prateleira, estou a ouvir Sonny Stitt este serão. Fazia tempo que não acompanhávamos. The Sonny Stitt Quartet, Personal Appearance (Verve, 1957, reed. 2004), disco na quase totalidade dedicado à recriação de standards. Em 1957, Edward “Sonny” Stitt soprava que se fartava, ia-se aos clássicos e instilava-lhes vida nova e brilho especial. O “imitador” de Charlie Parker, como foi apelidado... . Influenciado por Parker e inspirado nos seus ensinamentos, penso que ninguém põem em dúvida. Daí a clone de Charlie Parker... . Em caso de dúvida, o melhor é ouvir este disco, para crer. É que Stitt, em 1957, dois anos depois de Parker desaparecer, tinha personalidade, ideias e capacidade argumentativa próprias, as quais, se muito deviam à benigna influência do mentor, representavam já um caminho que se expandia noutros sentidos, e veio a dar origem a mais de uma centena de gravações. No caso de Personal Appearance, o acompanhamento é de Bobby Timmons, pianista muito jovem nesta altura, Edgar Willis, contrabaixo, e Kenny Dennis, bateria, quase desconhecidos, então como agora. Não há nem Gene Ammons, nem “Lockjaw” Davis para elevar a temperatura, mas não se dá pela falta de outro soprador, de tal maneira Stitt faz as despesas do saxofone, virtuoso sem ser exibicionista. E com um som desmedido, ainda por cima. Na ementa, um original de Stitt e oito clássicos revigorados, que parecem novinhos em folha com o tratamento que o quarteto lhe dá. Easy To Love, Easy Living, Autumn In New York, You'd Be So Nice To Come Home To, For Some Friends, I Never Knew, Between The Devil And The Deep Blue Sea, East Of The Sun (And West Of The Moon), Original?, Avalon e Blues Greasy, a fechar a sequência. Tenho a impressão de que, desta fase, Personal Appearance é do melhore que ouvi a Sonny Stitt, apesar do momento ainda relativamente precoce. Vintage Stitt.

Creation. Das portas do silêncio para cá, passa um crescente drone electrónico, pontuado por uma bateria acústica e farrapos de texturas electrónicas. Criam-se as fundações de um mundo orgânico e palpável, que evolui para um groove trespassado por uma guitarra mutante. We shall say only the leaves, verso do poema Ode to the Confederate Dead, de Allen Tate. Exploding Whales são cinco peças distintas que misturam vestígios ocasionais do post-rock e da electrónica, que ora alternam ora se confundem numa paisagem de harmonias meticulosamente trabalhadas. Melodias com sentido dinâmico e apetência para lidar criativamente com a repetição de padrões, loops e fragmentos, dão mostras de uma eficiente e discreta manipulação sonora, em particular quanto à tessitura da guitarra e do ruido electrónico. Pomme de Terre é talvez o melhor exemplo desta estreita ligação. Ocasionalmente opressiva e saturada (Tight Circumference), outras vezes fina e despojada (Cheese Slices), a música do projecto Exploding Whales, de We shall say only the leaves, colectivo com epicentro em Lisboa, fornece pistas interessantes para futuros desenvolvimentos analógico-digitais. Inúmeras pontas ficam soltas (inacabadas?) a aguardar o regresso que se deseja para breve. Oportunidade a investigar no próximo dia 5 de Outubro, na Galeria ZdB, em Lisboa, no âmbito do Cosmopolis, festival de música electrónica. A seguir.
tube'024
We shall say only the leaves
Exploding Whales