
ALL ABOUT JAZZ - NEW YORK
Fevereiro de 2008, # 70
On the Cover: JIMMY SCOTT
Interview: BARRY ALTSCHUL
Artist Feature: STEFANO BOLLANI
Label Spotlight: JAZZHEADS
Club Profile: UNIVERSITY OF THE STREETS
Encore: MARION BROWN
Lest We Forget: BOBBY JASPAR
Megaphone: DAVID PLEASANT
CD Reviews


Whistleblower é a oitava e ainda recente saída de Vladislav Delay, artista finlandês que cruza todos os fios possíveis da electrónica actual. Delay, que actua sob várias capas – Sasu Ripatti (nome do registo civil), Luomo, Uusitalo, Conoco e outros menos conhecidos, consoante o estilo abordado. Delay, oriundo do jazz, baterista de formação e improvisador acústico, evoluiu para a música electrónica, meio onde improvisa e experimenta sobre estruturas dub, ecos, distorções, linhas de graves, longas extensões vibratórias, acentuações marcadas a tinta escura, sons que evocam ambientes espaciais alienígenas. Paisagens sonoras analógico-digitais, percorridas por eflúvios e vapores em movimento repetitivo e irregular, de que são exemplo Lumi e I Saw a Polysexual, duas amostras daquilo que as notas que acompanham o disco qualificam como "a resurgence of his older drug-infused sound-states". Whistleblower (Huume Recordings) foi votado melhor álbum de música electrónica de 2007 pela revista The Silent Ballet. (Design: Peter Prautzsch)


Décimo volume, sem contar com os live – a caixa da polaca NotTwo Records, por exemplo, é de ir às lágrimas repetidas vezes – das aventuras do bostoniano radicado em Chicago, Ken Vandermak com os Vandermark 5, a marca mais populista (no bom sentido) desse homem de muitas, tantas formações. Uma marca de sucesso originária de Chicago, exportada para todo o mundo desde 1997, com Single Piece Flow (Atavistic) e a segunda saída já sem o trombonista Jeb Bishop. Ken Vandermark (exclusivamente em sax barítono e clarinetes, de fora fica o tenor, bem confiado às mãos de Rempis), Fred Lonberg-Holm (violoncelo e electrónica), Tim Daisy (bateria), Dave Rempis (saxofones alto e tenor) e Kent Kessler (contrabaixo). Beat Reader tem um pouco menos de impacto que obras anteriores do V5 – sem Bishpo é natural que assim seja. Inclui 8 composições e arranjos do líder, sempre à volta da temática que tão bem tem tratado: jazz, blues, funk, groove, swing, rock... As habituais dedicatórias incidem desta vez em Gyorgy Ligeti, Andreas Gursky, Bernd And Hilla Becher, Lee Friedlander, Max Roach, Paul Rutherford, Walker Evans e Daido Moriyama. Acabadinho de sair, Beat Reader é certamente para todos: completistas, que não perdem um ai de Vandermark; iniciados, pois é uma das facetas mais facilmente abordáveis da obra do prolífico compositor; e os outros, os que ainda têm seis milímetros de espaço disponível na prateleira e estão doidos para alargar o segmento onde já figuram várias dezenas de vandermarias. Na Atavistic.

Berio Conducts Berio :: Sinfonia (1968-1969); Epifanie (1965)
(Columbia MS 7268 / RCA LSC-3189)
Sinfonia (1968-1969), for eight amplified voices and orchestra, was part of a wider pattern of response to the musical crisis of the 1960s, during which avant-garde composers began once again to look to music of the past for material and inspiration – a turn towards so-called "meta music", or music about music. The third movement of Sinfonia is one of the most famous and remarkable examples of this approach: a dense fabric of verbal quotations contained within a musical quotation, the Scherzo from Mahler's Symphony No. 2, which is borrowed virtually wholesale and then used as a kind of musical armature around which Berio concocts a dazzling semantic and musical labyrinth, including further quotations (from Mahler, Ravel and Debussy, among others) and chattering texts drawn from Samuel Beckett's The Unnameable. The four outer movements frame this central tour de force with further, though more understated, explorations of the relationship between text and note – most tellingly in the second movement, "O King", a moving homage to Martin Luther King which gradually constructs a quietly intoned vocal setting of his name out of its constituent vowel sounds – a procedure analagous to that used in Circles.
Epifanie is an epiphany of sorts in modern vocal writing. The opening section is the longest, setting out what appear to be purely abstract musical figures, murmurs, sudden clashes of percussion, staccato notes scurrying across the "page" of perception. Then quietly, the voice enters. Proust’s text is opaque – he sees three trees, but what is he looking at? Berio’s setting of the vocal line reflects the circular logic of the text. How fortunate he was to have a partner like Berberian who could shape the phrases to his idiosyncratic needs. No one has ever, to my knowledge mastered his distinctive melismas as she has. Towards the end, she recites, as in spoken language. It’s a contrast to the musical shaping of the earlier music, yet it also bridges a return to the orchestral section that follows. Yet the music itself reflects speech – sudden outbursts and moments of quietness, the scurrying single notes like scraps of conversation. The Stück für Orchester mit gesprochenen Einwürfen is a fascinating interplay; disjointed interjections of speech over long expressive lines in the music.

Resonance FM Podcast: PERSIAN ELECTRONIC MUSIC
Mashayekhi’s work is woefully unknown to us the in the west, despite his completely unique and innovative methods and career that spans back to a pre-Shah Iran. From score writing to painting Mashayekhhi’s work reflects the unique way he thinks. Many thanks to Sub-Rosa Records for allowing us to podcast these pieces. We also hear a short interview with artist Anahita Rezvani on her work, recently shown here at the Paraava gallery. She is interviewed at our request by her friend, who remains unnamed. This show was produced and presented by Fari Bradley and broadcast from the Resonancefm studios in 2007.
Há acasos felizes. Sem saber que existia, veio até mim esta realização em trio de John Butcher, Torsten Müller e Dylan van der Schyff. Assim à primeira, poder-se ia pensar tratar-se de um disco, mais um, de três músicos que já deram a saber tudo aquilo de que são capazes, outra oportunidade de montar e exibir um arraial de técnicas, mostruário completo do que é possível fazer com saxofones, contrabaixo e percussão. Mas não é isso. Ou não é isso principalmente. Porque se é verdade que o ponto de partida é o desfiar de toda a sorte de técnicas instrumentais conhecidas e acabadas de inventar, o mais importante – e é esse que conta neste deve e haver – é o modo como aplicam o domínio instrumental na produção colectiva de som, sem exibicionismos histriónicos ou vaidades estultas. É isso: três grandes inventores de som, o britânico Butcher, o gemânico radicado no Canadá, Müller, e o canadiano van der Schyff, apresentam um incrível set de música improvisada que se desenvolve de forma milimétrica em campo aberto, espaço que vão estruturando em tempo real. Abstraccionismo free, dentro e fora da criação jazzística, é o credo simples deste novo trio, apresentado ao vivo no Jazz and Blues Society de Vancouver, Canadá, em 24 de Junho de 2007. O trio, pensado para ter continuidade e reincidência, apresenta-se com este belo cartão de visita, intitulado Way Out Northwest (Drip Audio) – uma amostra promissora, carregada de referências passadas e futuras, mas, sobretudo, de interessantes pontos de partida para memória e reelaboração futura. Um grande "bem-hajam", como diz o outro.



Braga Jazz 2008!
Dias 6, 7, 8 , 14 e 15 de Março, no Theatro Circo de Braga.
Organização: Theatro Circo de Braga/ Município de Braga.
Direcção artística: José Carlos Santos.
> 6 de Março (22h00)
Orquestra de jazz de Matosinhos com Chris Cheek
Criada em 1999, com o apoio da Câmara Municipal de Matosinhos, a OJM tem vindo a afirmar-se como uma das formações mais dinâmicas do jazz português, sob a direcção de Carlos Azevedo e Pedro Guedes. A partir de 2001 esta orquestra (que este ano se tornou a primeira formação portuguesa de Jazz a actuar no célebre Carnegie Hall de Nova Iorque, justamente com Lee Konitz) começou a colaborar com músicos de renome mundial, um projecto notável em que ao longo dos anos participaram músicos como Ingrid Jensen, Bob Berg, Conrad Herwig, Stephan Ashbury, Carla Bley, Mark Turner, Rich Perry, Dieter Glawischnig e Chris Cheek (parceria que deu origem a um CD editado pela prestigiada Fresh Sound). É precisamente com Chris Cheek, esse fantástico saxofonista norte-americano, que a OJM abre as portas do Bragajazz 2008, num concerto aguardado com grande expectativa.
> 7 de Março (22h00)
BassDrumBone
Ray Anderson (trombone), Mark Helias (contrabaixo) e Gerry Hemingway (bateria e percussão)
O trio BassdDrumBone utiliza uma instrumentação pouco habitual com um som único. Um verdadeiro colectivo onde composição e improvisação estão condimentadas no ponto perfeito. Este trio actua nos palcos e todo o mundo há mais de trinta anos (o trio foi criado em 1977), sendo constituído por músicos de excepção como o enorme trombonista Ray Anderson (cinco vezes nomeado como o melhor trombonista do ano pela revista norte americana Downbeat), considerado por muitos como o melhor trombonista da sua geração, pelo contrabaixista Mark Helias e pelo baterista Gerry Hemingway, um dos mais famosos percussionistas do jazz actual.Com sete Cds publicados em 2005, o trio gravou o cd “The Line Up” para a editora portuguesa Clean Feed, trabalho altamente apreciado pela crítica europeia e norte-americana, que será apresentado em Braga neste certame.
> 8 de Março (22h00)
George Schuller “Circle Wide”
Donny McCaslin (saxofones), Brad Shepik (guitarra), Tom Beckham (vibrafone), Dave Ambrosio (contrabaixo) e George Schuller (bateria)
Nascido em Nova Iorque, residente em Boston desde 1967, o baterista George Schuller estudou no New England Conservatory of Music, curso que finalizou em 1982. Nos 12 anos seguintes, encontrámo-lo como umas das figuras proeminentes do jazz actual tendo tocado com músicos tão distintos como Herb Pomeroy, Jaki Byard, Jerry Bergonzi, George Garzone, Mick Goodrick, John Lockwood, Ran Blake, Billy Pierce, Bruce Gertz, John LaPorta ou Hal Crook. Filho de uma das figuras mais controversas da música contemporânea (Gunther Schuller), George Schuller tem vindo a afirmar-se progressivamente na cena jazz nova-iorquina, tendo tocado e gravado nestes últimos 14 anos com músicos tão distintos como Joe Lovano, Lee Konitz ou Dave Douglas. O quinteto Circle Wide é um grupo de geometra variável, cujo último trabalho, a apresentar no Bragajazz 2008 joga em torno da esplêndida música do quinteto americano dos anos 70 do pianista Keith Jarrett, explorando temas como Survivors Suite, Rotation, Common Mama, e De Drums, numa abordagem fresca e criativa.
> 14 de Março (22h00)
John Taylor Trio
John Taylor (piano), Palle Danielsson (contrabaixo) e Martin France (bateria)
De terras de Sua Majestade, visita o Bragajazz 2008 o aclamado pianista J. Taylor, um dos melhores pianista europeus, com uma carreira e reputação irrepreensíveis, ao9 lado de figuras tão distintas como Kenny Wheller, Peter Erskine ou John Surman. John Taylor nasceu em Manchester em 25 de Setembro de 1942. Nos anos 70 forma o famoso trio Azimuth com a sua esposa Norma Winstone e Kenny Wheller. Nos anos 80 Taylor trabalhou com Jan Garbarek, Enriço Rava, Gil Evans, Lee Konitz e Charlie Mariano. J. Taylor participa habitualmente nos ensembles de Kenny Wheller, no quarteto de John Surman e no trio de Peter Erskine. Em 2002 criou o aclamado trio com os norte-americanos Marc Johnson (contrabaixo) e Joey Baron (bateria). Em 2004 formou outro trio com Palle Danielsson no contrabaixo (uma das figuras emblemáticas do jazz nórdico) e o jovem baterista britânico Martin France. Em 2006 foi publicado o cd “Angel of the presence” para a editora italiana CAM jazz com soberbas críticas um pouco por todo o mundo. Imperdível!
> 15 de Março (22h00)
Indigo Trio
Nicole Mitchell (flauta e voz), Harrison Bankhead (contrabaixo, violoncelo voz) e Hamid Drake (bateria)
Três dos músicos mais requisitados de Chicago, a saber, a flautista Nicole Mitchell (prémio “Rising star flutist” no ano 2006 pelos críticos da revista americana Dowbeat) o contrabaixista Harrison Bankhead e o aclamado Hamid Drake, bateria e percussão, constituem este surpreendente trio que pratica da música mais original feita nos nossos dias. Um som intenso, de grande intercomunicação dos três músicos, faz da arte do “Índigo Trio” um dos libelos da liberdade musical que orienta os nossos dias, sem descurar um olhar pela tradição. Os três músicos são cúmplices do movimento de Chicago AACM, produzindo uma música próxima de uma síntese do sentido dos blues do saxofonista Rahsaan Roland Kirk, da modernidade do flautista/saxofonista Eric Dolphy ou do etnocentrismo do flautista/saxofonista Yusef Lateef. Aguarda-se uma festa para os sentidos na versão da grande música negra.
Ainda a propósito de Don Cherry (1936-1995) e da sua breve passagem pela editora Sonet durante a estadia nórdica, recordo Eternal Now (1974), ou Tibet, como também ficou conhecido depois de reeditado pela Piccadilly Records em 1981, disco que faz um lindo par com o não menos interessante Live in Ankara, já aqui comentado. Enquanto em Ankara, de 1969, Cherry tocou com um trio de músicos turcos, em Tibet optou pela prata da casa: Bernt Rosengren, Agneta Ernström, Christer Bothén e Bengt Berger. Don Cherry não toca trompete neste disco. Avulso, isto é, sem ser emparelhado com o outro Sonet, só há em LP e é um pau. Eternal Now: 1. Gamela Stan - The Old Town by Night; 2. Love Train; 3. Bass Figure for Ballatune (Two Pianos and Three Piano Players); 4. Moving Pictures for the Ear; 5. Tibet. Uma Obra do Senhor Don Cherry.
Don Cherry - Tibet
![[ankara.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_zt5PCCq_t4A/R2gudeCQ0nI/AAAAAAAAAG8/-tLZ5zcUNjg/s1600/ankara.jpg)
Em 1969, Don Cherry, já profundamente embrenhado na fase free jazz-meets-world music, correlativa, em certa medida, da estética que o Art Ensemble of Chicago prosseguia por outras formas, editou dois discos na micro-editora sueca Sonet: Eternal Now e Live in Ankara, este último gravado a 23 de Novembro daquele ano, ao vivo na embaixada americana da capital turca, com músicos locais: Selcuk Sun (contrabaixo), Okay Temiz (bateria e percussão) e Irfan Sümer (saxofone tenor e percussão). Difícil de encontrar durante décadas, sobreviveu como raridade em LP e em CD com edição japonesa. Há menos tempo, a Universal licenciou a edição conjunta em CD das gravações Sonet. Além de originais do trompetista, Live in Ankara revisita composições de Ornette Coleman (Ornette's Concept e Ornette’s Tune) e de Pharoah Sanders/Leon Thomas (The Creator Has a Master Plan).

Fac-simile da primeira das 4 páginas de notas escritas originalmente por Anthony Braxton para a primeira edição de For Alto. O duplo Lp de saxofone alto solo (73') que a Delmark editou em 1969, foi um disco revolucionário, o segundo de A. Braxton. A versão do famoso texto agora publicada, com texto revisto em 1970, sofreu ligeiras e recentes alterações pelo punho do autor. Aparecem entre parêntesis no texto.

Looop Volcanic Tounge Sound323 Second Layer Mimarogulu Music Sales Freak Animal Anoema Molehill Tiger Apartment White Noise Staalplaat Ground Fault Metamkine RRRecords Archive Some Place Else
O Freedom of the City Festival – a festival of radical & improvised music – co-organizado por uma 'tróica' formada por Martin Davidson, da Emanem, por Eddie Prévost, da Matchless Recordings, também percussionista, e por Evan Parker, já agora, da Psi, e também saxofonista tenor e soprano, é hoje um dos acontecimentos mais relevantes do Reino Unido (e da Europa, vamos lá) de entre os realizados em prol da música improvisada tocada ao vivo. Desde há uns anos que tem vindo a fazer o seu caminho e chegado à mais recente edição, de 6 e 7 Maio último, tem já um considerável acervo de documentos sonoros que registam o que por lá se tem passado de mais interessante. A segunda parte deste disco de um quarteto fenomenal que dá pelo nome de Barkingside, e compreende o clarinetista Alex Ward, Alexander Hawkins (piano), Dominic Lash (contrabaixo) e Paul May (percussão) vem justamente do concerto que abriu o segundo dia de festividades londrinas. Apostei neste grupo e já ganhei. Comecei pelo tema 3 (Carnauzer), gravado no Red Rose, espaço que acolhe o Freedom of the City. São 24 minutos de mão-cheia, de um total de 60 que o disco comporta, divididos por duas outras composições instantâneas (Alopekis e Basenji). Os acontecimentos sucedem-se lentamente a princípio. Mal se ouve um ai, um suspiro. Depois, passos irregulares de contrabaixo, um bater de castanholas, o piano pinga aqui e ali, o clarinete pipila e chilreia por um bando de pardais à solta, os putos, os putos. Não são bem putos, já fazem a barba, andam nisto há tempo suficiente para ter memória e, é seguro, ouviram muita música improvisada. Surpresas não faltam. Há daquelas que são meias só, outras inteiras. Gestos inesperados, evoluções insuspeitas, mesmo para quem se ache batido e versado nas linguagens europeias do improviso. Alex Ward, nesta lei que vale só para consumo da casa, é um dos mais inventivos clarinetistas que já ouvi. O segundo que me acode à memória é o alemão Michael Thieke, de outro género, menos expansivo talvez. Também gosto de Kai Fagaschinski, outro alemão da nova escola. De volta ao quarteto, Martin Davidson escreve que são todos excelentes jovens improvisadores, o que subscrevo, a viver em Londres e que, apesera do nome por que se apresentam em público, Barkingside, nunca na vida algum deles se deslocou ao homónimo subúrbio londrino. Graçola da rapaziada, está-se a ver. É bom sinal. Se não tiverem sangue na guelra e força onde devem ter nesta altura, onde e quando é que a haveriam de ter? Num registo mais formal e a puxar ao “crítico”, subvertem as noções tradicionais de 'pitch' e intervalo, numa performance de imensa fisicalidade e maturidade estilística. Blheac! Falta dizer que os outros dois temas foram gravados no Bateman Auditorium, em Cambridge, Setembro de 2006. E para terminar o arrazoado que já vai longo, direi como um amigo me perguntou uma vez a propósito já não sei de quê: “devia haver mais discos destes, não achas?” Acho, acho. Não exactamente assim, pois, mas lá perto. Que é chegar longe. Barkingside acabou de sair na Emanem.
I am overwhelmed by the architecture of vibration. i believe vibration to be the type of information that remains the most objective after it has been processed by the nervous system, the least perceptually eroded, and therefore, the clearest. this dimension of thought is where my work is created. in my work, i organize vibrational artifacts and reform them in a particular way with the intent to create a synergetic vibration patchwork that will resonate with the receptors of the human nervous system. my intent is to use vibration to analyze and atomize the perceptual aural palette and fill the negative space with shimmering particles of sound. - Cory Allen: Satori in Atlantis [Test Tube]



Günter Christmann/Thomas Lehn
'Temps Durée'
(Edition Explico)

STEIM Season Opening Concert 2008 featuring:
Byungjun Kwon (NL/KR) - digital & analog sound-image drawing tools
Cor Fühler (NL) - analog & digital electronics
Rafael Toral (PT) - "space studies": sensor gloves and modified MS-2 amplifier
Date: Thursday, January 24
Venue: STEIM, Utrechtsedwarsstraat 134, Amsterdam
Time: 20.30 hrs. Entrance: 5 euros
Reservations and more information: knock@steim.nl (knock@steim.nl) or 020-6228690
"Musicianship in Live Electronic Music" was one of the themes for our concert series last year. We hosted most of the performances in our studio space to create a concentrated and critical platform for both the musicians and the audience. We feel that the intimate space intensifies the relationship between the two sides where one can really feel whether the artist is able to engage his/her audience or not. In 2008, we plan to continue this theme along with other new directions.
Please join us at our season-opening concert with three seasoned electronic performers. Each artist shares a passion to extend their musical expression through unique unconventional instruments. Best wishes to everyone in 2008 and hope to see you soon!

KARST ft ABSTRAL COMPOST [insub23]
Cyril Bondi: drums, percussions, objects
d'incise: objects, anti-percussions, a little bit of laptop yet
Abstral Compost: voice, texts, loops
KARST est un duo d'improvisation libre entremêlant objets et instruments, créant une architecture de percussions, grincements, frottements, pulsions irréelles, mathématique instinctive du son et de sa ré-organisation constante. KARST est la volonté de deux musiciens se côtoyant depuis longtemps de se retrouver en face-à-face, sans barrière mais aussi sans esquives possibles, dans une situation ou le moindre geste, même infime, est à assumer dans son intégralité. KARST est un paysage au relief sculpté par la corrosion, aceré, scabreux, rongé de cavités souterraines ou mille chemins s'offrent à l'ouïe aventeureuse.


Miguel Sousa Tavares tem uma frase pintada nas paredes do Metro e em outdoors gigantes espalhados pela cidade, que também já vi escrita na contracapa do seu último best-seller: «Tenho medo que a liberdade se torne um vício». Não conheço o contexto da frase elevada a soundbyte para vender livros – e realmente vende, é moda, não há menina ou senhora que não se passeie com o tijolo um pouco por todo o lado. Mas, agarrar-se a gente à liberdade como algo vital não me parece que seja razão para sentir temor. Se ela passa à condição de indiferente isso é que dá que pensar. Liberdade é poder escolher, e escolher não é um vício. Não poder escolher é que é mau. É falta de liberdade. Isso é medonho. Mas não me importa discutir os medos e os vícios de Sousa Tavares ou das suas personagens. Nem me interessa a coça que Vasco Pulido Valente lhe deu ou tentou dar (não bate quem quer…) à conta dos erros e imprecisões históricas que alegadamente conspurcam as águas do Rio das Flores. Lembrei-me disto a propósito do “vício” em que se está a tornar a nova edição da netlabel italiana Zymogen. Falo de Tisza meets Dunav (zym018), novo ensaio electroacústico de Sasa Vojvodic, artista sonoro sérvio radicado em Paris, mais conhecido pelo nome artístico de Letna. Letna anda nesta vida há alguns anos. Além de curador da SEM label, desenha paisagens sonoras abstractas de refinada nostalgia e apurado sentido poético.
![[steve.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_neM4Rj140GU/R4FbmRqbKPI/AAAAAAAAAiY/adtzagm_ta0/s1600/steve.jpg)
Ó que belo par! Não havia em CD desde 1993 (os LPs são de 1977, 30 aninhos já lá vão e, como acontece com as coisas boas da vida, melhoraram com o tempo), último e breve vestígio da Noite Mais Longa de John Stevens e Evan Parker, tão longa que foram precisos dois discos para a encapsular. Porém... Quando a esmola é grande o pobre desconfia, mas desta vez é para levar a sério. Faz até pensar noutro casos em que apesar de estarem em causa documentos importantíssimos, além de inquestionáveis obras de arte, é estranha a indiferença e o laxismo com que muitas editoras de todos os tamanhos e feitios tratam os arquivos de que (não) tomam conta e teimam em manter em círculo fechado, quando não ao mais relaxado e indigno abandono. Tem havido muitas e boas excepções, felizmente, mas se nos lembrarmos do que para aí vai de inéditos a apanhar pó e de obras esgotadas há decénios, a coisa passa para o nível do criminoso. Foi desta que a Ogun deitou cá para fora The Longest Night, Volumes 1 & 2, associado a outra maravilha que é Corner to Corner (são três Lps Ogun, por junto), iniciativa que já está a fazer a felicidade de muitos lares por esse mundo fora. Ai isso sim. Agradecido estou a Hazel Miller, viúva do contrabaixista e fundador da Ogun em 1974, Harry Miller. Quem quiser conhecer o produto antes de arriscar adquirir a cópia legítima (que é isso de arriscar, quando o que está em causa são maravilhas da criação humana como é o caso destas duas, homem?, nem parece teu - há quem diga que Evan Parker não é humano, o que só lhe fica bem, já que esta raça não é lá grande coisa, sinceramente), poderá fazê-lo (ou refazê-lo) através da possibilidade que este vosso dedicado amigo proporciona no sítio que bem sabeis e outro não é que este mesmo.
John Stevens & Evan Parker - Corner to Corner & The Longest Night (Ogun CD 022/023)
Fixar as coordenadas, estabelecer o lugar do Ensemble 0, encontrar um ou mais pontos de apoio para o ouvinte se situar, não é tarefa isenta de riscos, na mesma medida em que a música aqui erigida se apresenta de modo avesso a quaisquer classificações, refractária a qualquer esforço de catalogação. Na melhor, o Ensemble Zero é um quarteto francês de composição/improvisação lowercase, composto pelo pianista Joël Merah, que assina Music of Wheel, composição que no original tem uma duração superior à do CD (no limite, chega a levar duas horas e meia de execução), daí que tenha sido opção deliberada do autor destacar 6 fragmentos da peça para inclusão no CD, confinado a uma hora e três minutos de duração total. A execução ficou a cargo, além de Joël Merah, em piano, do guitarrista Sylvain Chauveau, da violoncelista Maitane Sebastian e do trombonista Stéphane Garin, também em glockenspiel e címbalo. O curriculum dos membros do Ensemble Zero impressiona: trabalharam com o Ensemble Intercontemporain, sob a direcção de Pierre Boulez, com a Filarmónica de Tóquio, com Phil Durrant e Mauricio Kagel, entre outros, e editaram na FatCat, Ant-Zen, Type, Amanita, DSA, Ameson, e agora na Creative Sources. O Zero pega onde ficaram os avanços de John Cage e Morton Feldman, e fazem evoluir a música no sentido da completa simbiose entre composição prévia e criação instantânea, através de uma escrita totalmente aberta, na qual os espaços de som e de silêncio se articulam enquadrados por uma moldura virtual de extrema flexibilidade, fixada com reserva, contenção e dinâmica restringida ao mínimo. O paralelo nas artes plásticas encontrar-se-á no expressionismo abstracto de Mark Rothko e na sua criação de atmosferas e combinações de cor espaço e forma, de forma a transcender os símbolos e as referências comummente aceites e validadas pela prática reiterada de repetição de fórmulas sucessivamente reinventadas. A escrita de Joël Merah, caracterizada por privilegiar a mais ampla espacialização, decorrente dos aspectos aleatórios associados, facilita a apreensão da variedade tímbrica e a intersecção de diferentes planos, com um mínimo de sobreposição, favorecendo a criação de atmosferas de extrema limpidez. Enfim, uma música bela, cheia de espaços em suspensão e silêncios misteriosos, para fruir de maneira puramente emocional. Para meu gosto e satisfação pessoal, Music of Wheel é uma das melhores edições de sempre da Creative Sources Recordings.
Vale a pena dar atenção ao tanto que se vai passando na belga idiosyncratics records. A mais recente e feliz descoberta é Barne Hotsa (17'04), trabalho de um trio basco com sede em Bilbao, Espanha, composto por Edorta Izarzugaza (guitarra eléctrica), Tüsüri (laptop) e Xedh (misturadora e ruído de estática). A imagem é de Sara Santos Casillas.



Da Bielorrússia (Minsk), KNYAZ MYSHKIN, uma novidade interessante e um trio recomendável: Leonid Naruszewicz (guitarra), Victor Semashko (flauta e clarinete) e Vladimir Kravchenko (bateria). O Knyaz Myshkin, que já leva 16 anos de trabalho em trio, mas só agora conheci, tem um CD (Various Improvisations) na digitalbiotope, independent netlabel dedicated to improvised & experimental music.

CD 1: DIE LIKE A DOG - Fragments of music, life and death of Albert Ayler uses very short quotations out of Albert Ayler's music in different variations (Prophet, Ghosts, Spirits, Bells and others), composed by Peter Brötzmann recorded on August 19, 1993 during the Free Concerts series at the Townhall Charlottenburg, Berlin, Germany. (FMP)
CD2: LITTLE BIRDS HAVE FAST HEARTS, NO. 1 recorded live on November 7 and 8, 1997 during the Total Music Meeting at the Podewil in Berlin, Germany;
CD3: LITTLE BIRDS HAVE FAST HEARTS, NO. 2 recorded live on November 8 and 9, 1997 during the Total Music Meeting at the Podewil in Berlin, Germany;
CD4: AOYAMA CROWS recorded live on November 3, 1999 during the Total Music Meeting at the Podewil in Berlin, Germany
Peter Brötzmann (saxofones, clarinete, tarogato); Toshinori Kondo (trompete, electrónica); William Parker (contrabaixo); Hamid Drake (bateria, percussão).
ANTHONY BRAXTON
12+1tet (Victoriaville) 2007
This concert offers a striking opportunity to hear the ensemble in full force. The 70-minute piece builds an inner logic of staggering detail, while never loosing the propulsive flow. The shifting layers and counter-structures mount with scorching intensity and then break into pools of quiet tension only to explode off again. The momentum can march along with a galvanizing pulse, fracture into freedom, or cascade with a roiling sense of swing. Braxton has stated that the music played by this ensemble is the culmination of the Ghost Trance series. But as is always the case with Braxton, the consummation of one phase simply serves as the launching point for what is to come. And for both those who have been following his career for decades and initiates alike, the search is sure to bring new rewards. - Michael Rosenstein

Com o tempo do CD a esmaecer a olhos vistos – não é uma questão de desaparecimento mas do progressivo declínio iniciado há alguns anos, e não se culpe apenas a pirataria, as razões têm muito a ver com as fases seguintes do desenvolvimento da era digital e com a procura de novas respostas para o suporte e intermediação musical, passando confinar-se a nichos de mercado, como acontece com o LP – vai crescendo exponencialmente o número de editoras e de edições em suporte virtual em todos os géneros musicais. Volta não volta, surgem projectos interessantes como este da MODISTI, a new independent netlabel dedicated to improvised, electroacoustic & experimental music, com um punhado de boas edições em carteira. É o caso do projecto menorqunino Snowman Lost His Head, com o título The Dharma Projeckt, que se assim se define: Experimentación minimalista y conceptual creada con el programa Ableton live 5 a partir de la manipulación de texturas y sonidos electrónicos. Música electromagnética que trata la decadencia de la consciencia humana en relación a la consciencia universal.

Paul Rutherford / Paul Lovens (Po Torch LP-76/77)
1. And when I say slowly, I mean as soon as possible (27.24)
2. Tape/2nd half: Du chat botté (09.08)
3. Tape: Armand schultess (04.54)
4. Tape: As deafness increases (12.04)
P. Rutherford - trombone, euphonium // P. Lovens - percussion, zither, etc.

BMC/NYC
ORCHESTRUTOPICA
27 de Janeiro, Domingo - CCB Pequeno Auditório - 17h00
No concerto BMC/NYC, a OrchestrUtopica leva-nos até à década de cinquenta na América, com um programa composto por obras de Earle Brown, John Cage, Morton Feldman, Christian Wolff. A OrchestrUtopica apresenta um concerto em torno da música influenciada pelo movimento artístico dos anos cinquenta, criado no famoso Black Mountain College, e nas suas ligações à escola de Nova Iorque - a propósito da obra do pintor Robert Rauschenberg, do compositor John Cage, e de outros artistas. O concerto BMC/NYC propõe a revisitação da criação musical aberta ao ready-made e à pop-art, em busca das suas disseminações na música e nas artes de hoje. Uma forma de compreender e reviver gestos e experiências de rompimento e de provocação.
JOHN CAGE
- Music for Piano 4-19
- Music for Marcel Duchamp (Prepared Piano)
- 4'33''
- Credo in US (11', 12')
MORTON FELDMAN
- Ixion
CHRISTIAN WOLFF
- For 5 or 10 Players
EARLE BROWN
- December 1952
"Robert Rauschenberg encontrou John Cage e Merce Cunningham no Black Mountain College em 1949. Algumas das suas primeiras pesquisas, as “white paintings” designadamente, são paralelas à radicalidade de propósitos de Cage, por exemplo na célebre peça silenciosa, “4’33’’.A influência de Cage e dos “happenings” no Black Mountain College é de fundamental importância no percurso de Rauschenberg, influência que, de resto, este transmitiu a Jasper Jonhs; a 15 de Maio de 1958, no Town Hall de Nova Iorque, ocorreu mesmo um concerto retrospectivo de 25 anos de obras de Cage, produzido por Rauschenberg, Johns e o cineasta Emílio de Antonio. Inclusive as suas famosas “Combines” são também elas aproximáveis do princípio da “music of chances” desenvolvido por Cage.Mas, se a também designada “New York School” teve em John Cage o seu pólo de referência, as relações entre as artes, e nomeadamente entre música e pintura, foram também recorrentes na obra de outro dos maiores compositores norte-americanos, Morton Feldman. Em torno da relação da relação Rauschenberg-Cage, este concerto evoca a paisagem artística extraordinariamente fértil que se constituíu no eixo Black Mountain College – New York City". - Augusto M. Seabra


O Space LP [Rafael Toral] já saiu na TAIGA Records. Edição limitada de 500 cópias, das quais 100 em vinil transparente. O LP é duplo, com capa "gatefold" e a impressionante fotografia de Daniel Malhão cobre toda a superfície da capa desdobrada. Foi feito com "Direct Metal Mastering" e em vinil virgem de 200 gramas. Além da totalidade do "Space", no lado D inclui uma gravação inédita ao vivo com César Burago (percussão), uma versão de Space Study 1 (luvas, sinewaves), gravada em Aalst (Bélgica).

17 de Janeiro, quinta, às 19h, Miguel Martins e a Livraria de Artes acolhem um concerto de Abdul Moimême (aka Rui Horta Santos) em saxofone solo. © Vera Marmelo
| BRÖTZMANN/WILKINSON QUARTET One Night In Burmantofts | |||||
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Em Novembro último, os membros do MUJICIAN, quarteto britânico de free jazz, convergiram para The Sage Gateshead, numa das suas raras apresentações ao vivo. O encontro, acontecimento musical completamente espontâneo e sem estruturação prévia quanto ao que se iria passar ao longo da hora seguinte, foi gravado pela BBC para emissão em webcast. O que acontecerá hoje, a partir das 23h30 de Londres e durante toda a semana que vem, no programa Jazz on 3, da BBC Radio 3. MUJICIAN live at The Sage, Gateshead. Thursday, 8th November 2007. Paul Dunmall (saxofone tenor), Keith Tippett (piano), Paul Rogers (contrabaixo de 7 cordas) e Tony Levin (bateria). Peça única: The Wise Sage (Paul Dunmall / Tony Levin / Paul Rodgers / Keith Tippett).

É digno de encómio e referência: Surface, disco de Rodrigo Amado, com o próprio em saxofones barítono e alto, Carlos Zíngaro (violino), Tomas Ulrich (violoncelo) e Ken Filiano (contrabaixo), editado pela European Echoes, editora criada e dirigida pelo saxofonista português, foi escolhido por Bob Rush, editor da Cadence Magazine, como um dos melhores discos de 2007. Felicitações a Rodrigo Amado, Zíngaro, Ulrich e Filiano!
Bob Rusch (Cadence) NEW RELEASES
1 Mark Murphy Love Is What Stays (Verve)
2 Benjamin Koppel Babop (Cowbell)
3 Brooklyn Repertory Ensemble Pragmatic Optimism (360º)
4 Rodrigo Amado, Surface (European Echoes)
5 Sam Newsome Monk Abstractions (Sam Newsome)
6 Steve Lacy & Roswell Rudd Early and Late (Cuneiform)
7 Alan Barnes & Scott Hamilton Zootcase (Woodville)
8 Hanna Richardson Live at the Fleece (Lala)
9 Joe Fonda & Ramon Lopez Silent Cascade (Konnex)
10 Irene Schweizer-Hamid Drake-Fred Anderson Willisau & Taktlos (Intak)




Issue 15 - January 2008
Page One: a column by Bill Shoemaker
What's New?: The PoD Roundtable
A Fickle Sonance: a column by Art Lange
The Book Cooks: Howard Mandel & Kabir Sehgal
Far Cry: a column by Brian Morton
Moment's Notice: Recent CDs Briefly Reviewed
A European Proposal: column by Francesco Martinelli
Travellin' Light: Ron Miles
Free Jazz: The Point of Departure Contest
Tinha-se fixado em 1962 na Dinamarca, ano em que iniciou no Velho Continente a sua segunda carreira. Até 1976 ficou por cá, e a partir de então, passou a dividir o tempo entre a Europa e a América. Em 1973 havia já uns anos em que Dexter Gordon não tocava em Paris. Aos 50 anos, mestre Dexter atravessava um pico de forma e maturidade musical. Em Fevereiro daquele ano surgem dois convites, para uma sessão no estúdio da Maison de la Radio, e um concerto na École Normale Supérieure de Paris, inicialmente programado para quarteto, com o trio do pianista George Arvanitas (Jacky Samson, contrabaixo, e Charles Saudrais – não confundir com Cais do Sodré – bateria), passado a quinteto com a adição do trompetista jamaicano, radicado em França desde os anos 50, Sonny Grey. A gravação de 16 de Fevereiro de 1973 é de qualidade razoável e dá para perceber como Long Tall Dexter contagiou toda a gente em palco, ao longo desta típica jam session de hard bop, em que os tempos são sobretudo médio-rápidos, variando entre os 9 e os 12 minutos por peça. Com duração total superior a 70 minutos, a francesa Futura publicou a gravação na íntegra em 2002, sob o título Dexter Gordon, Sonny Grey & George Arvanitas - Parisian Concert (1. Caloon Blues; 2. Fried Bananas; 3. United Ballad; 4. Some Othe Blues; 5. No Matter How; 6. Dexter Leaps Out; 7. Fried Bananas, alt.). Antes disso, tinha havido edições parcelares noutras editoras, como sucedeu inicialmente com a Spotlite e mais tarde com a EPM. A imagem é da edição Spotlite, reduzida a metade da duração para poder caber num LP simples. À boleia de Dexter Gordon e dos seus amigos parisienses, este foi um serão hard-boppish como já andava a sentir falta. Lembrei-me de o fazer por causa de uma conversa tida há coisa de uma semana, em que se falou de Dexter Gordon.

Domingo (20 Jan) e Segunda-feira (21 Jan), 19h00 - Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian: Johannes Brahms, Ein Deutsches Requiem Op. 45
Orquestra de Câmara da Europa + Coro Gulbenkian + Thomas Hengelbrock (maestro) + Joahannette Zomer (soprano) + James Creswell (barítono).
Nova saída na californiana Edgetone Records, de Rent Romus. Oakland é um constante fervilhar de ideias e projectos, não admira que Romus tenha à porta uma bicha de gente para editar que deve dar duas voltas ao quarteirão. Desta vez, um duo denominado Son of Gunnar, Ton of Shel de que fazem parte o norte-americano Aram Shelton e o finlandês Gudmundur Steini Gunnarson. Shelton toca saxofone, clarinete baixo, trompete e carrega nos botões do processamento electrónico. Gunnarson (alto, reparei agora que a denominação do duo resulta de um anagrama dos sobrenomes dos dois rapazes, curioso, ora reparai, Son of Gunnare, Ton of Shel, pois é...) toca guitarra preparada e bisa no processamento electrónico. O que temos aqui? Um disco de música experimental que se ouve muito bem, estruturado através de colagem, sequenciação e sobreposição de camadas de som electroacústico. O processamento, usado para aumentar as propriedades sonoras dos instrumentos acústicos, também ajuda a desenvolver e dar acabamento a todas as sete peças. Son of Gunnar, Ton of Shel não será talvez disco para todas as horas, admito que não, mas nalgum momento do dia ou da noite há-de calhar bem. Esta, por exemplo, é uma boa hora.
Fascinados pela complexidade dos sons microscópicos e por tudo o que está para lá do som convencional e de não menos convencionais instrumentos musicais, Birgit Ulher (trompete), Ernesto Rodrigues (viola), com Carlos Santos no processamento electrónico em tempo real, procuram em Doppelgänger (Creative Sources Recordings) a redefinição, mais que do papel dos instrumentos, do seu próprio conceito e daquilo que se conhece como resultante possível da execução instrumental. Inomináveis possibilidades sonoras são-nos propostas para funcionar em diferentes planos e contextos, texturas granulares, atrito, afagar de superfícies planas e rugosas, distensão, focagem próxima do objecto, eco, revisão, distância e refocagem. Expressionismo abstracto, pontilhismo, nuance delicada. A par da extensão e criação de um vocabulário alargado, o uso para além dos limites conhecidos do potencial acústico de instrumentos tradicionais, cobrindo zonas escondidas, insuspeitas e improváveis, e pondo em causa o paradigma anteriormente definido. A tónica é colocada no som enquanto ruído ventilado ou raspado, quase se pode ver o ar a circular por dentro do tubo de metal, modulado pela intensidade do sopro, talhado e esculpido pelo accionar das válvulas, ou nascido do afagar, raspar e percutir das cerdas do arco nas cordas metálicas em tensão, num curioso e eficaz mimetismo de sons electrónicos, que nuns casos surgem intencionalmente, noutros são puro acaso. Este aspecto é acentuado com criativo live sampling de Carlos Santos, que consiste em escolher e captar sons acústicos gerados em cada instante e reformulá-los, aumentando as suas propriedades acústicas ou pondo em evidências determinados detalhes, reintegrando-os, desfasados no tempo, na panorâmica geral. Com maquinaria sofisticada ou sem ela, o mais importante é o factor humano, e esse sobressai através da interacção espontânea, da procura de novos códigos de comunicação, choque e aproximação de imaginários, comunhão de ideias sem cálculo nem estudo prévio, aceitando à partida correr os riscos próprios da performance sem rede, na qual ou os artistas se equilibram no fio ou se estatelam cá em baixo. Doppelgänger aí está para provar que tudo correu bem. Como na música do compositor norte-americano Morton Feldman, o silêncio é a moldura na qual os sons são dispostos, sucessivamente projectados. Num curioso paralelismo, tal como a música de Feldman se relaciona intimamente com a pintura, no sentido em que a música é um forma concreta de definição espacial através da cor e da forma na procura da tridimensionalidade, compatível com também redução ou ausência de som. Em Doppelgänger há o mesmo tipo de relação, aqui mais próxima do cinema que das artes plásticas (Doppelgänger é o termo alemão para duplo de cinema), patente não apenas nos títulos escolhidos para os seis episódios (The Idle Class; The One; Welt am Draht; The Third Man; Face/Off; e Johnny Stecchino), mas no mesmo tipo de conceitos, movimentos e de uma dualidade entre o positivo e o negativo da película que é projectada numa tela imaginária. Há um foco de luz entre músico e instrumento e a projecção no tempo e no espaço. Entre Ulher, Rodrigues e Santos há um acordo tácito em cujos termos compor em tempo real é demarcar um território sonoro, é assinalar coordenadas que no instante anterior não estavam lá, mas nascem do sensível equilíbrio entre acção e inércia; é flutuar, forma ilusória de suspensão; é movimento real e aparente, transparência, experimentação, um processo em que música e executante se fixam entre o que é determinado (aquilo que é querido e corresponde a uma vontade deliberada) e indeterminação (o caminho que os sons fazem por si próprios, autonomamente, depois de libertados no espaço). No fundo, Doppelgänger é uma tentativa bem sucedida de responder à questão, a um tempo simples e complexa, de saber onde, como e quando colocar os sons no espaço invisível à nossa frente. O que resulta num desafio para os artistas e num apelo à imaginação do ouvinte, para que também ele organize a sua própria composição enquanto ouve.![[Foto+Double+Bind+actual.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_NfmL3Fz-YxQ/R12rdgmdu3I/AAAAAAAAASU/_0rmxo1rdaE/s1600/Foto%2BDouble%2BBind%2Bactual.jpg)

No 15º aniversário da Thrill Jockey, editora independente de Chicago, fundada e dirigida por Bettina Richards, uma mix em podcast.





Luiz Pacheco (1925-2008). Grande figura, o escritor libertino e fundador da editora Contraponto tinha 82 anos e morreu este sábado. Pacheco publicou artigos em jornais e revistas, incluindo o antigo Diário Popular e a Seara Nova. Acabaria por fundar a editora em 1950, onde publicou Raul Leal, Mário Cesariny, Natália Correia, António Maria Lisboa, Herberto Hélder e Vergílio Ferreira. Deu a conhecer Mário Cesariny e António Maria Lisboa. Luiz Pacheco dedicou-se à crítica literária e cultural, e publicou Carta-Sincera a José Gomes Ferreira (1958), O Teodolito (1962), Crítica de Circunstância (1966), Textos Locais (1967), Exercícios de Estilo (1971), Literatura Comestível (1972) e Pacheco versus Cesariny (1974). Conheci Luiz Pacheco no princípio dos anos 80, à porta da Cinemateca. Propôs-me um negócio inesquecível. Eu pagava-lhe o bilhete e ele dava-me uma dose da bomba para a asma que tirou do bolso da gabardine, a rir com os olhinhos a brilhar atrás das lentes grossas...
Gentle Fire - Group Composition IV, 1972 JazzWerkstatt Wien - Music from Vienna/Austria It is a long term goal of JazzWerkstatt to establish itself as an institution for creation and presentation of contemporary Music in the field of Jazz/Improvisation, connected to similar institutions all over the world, offering an alternative to the mainstream for musicians, composers and listeners. Podcasts
Sábado, 5 de Janeiro, na Fábrica de Braço de Prata... SERENDIP
Entrada 6 €, com direito a assistir aos três concertos que decorrem na mesma noite na Fábrica Braço de Prata, Lisboa.

The Fourth Annual Bent Festival - Coast to Coast!
The Bent Festival is a three day event celebrating the art of modifying existing circuits (and creating new ones!) for the purpose of creating music, art, and mischief. There are performances from musicians who incorporate these circuits into their live act, art installations made from these circuits, and workshops showing you how to do it yourself. The festival is all about reappropriating existing technologies - hacking apart old toys, building new ones from old parts - to create something fun and new and STRANGE.
LA Bent Festival - April 12th-14th
Minneapolis Bent Festival - April 19th-21st
New York Bent Festival - April 26th-28th

Velha escola ou escola nova? Ou escola de meia-idade? É debate que pouco importa, face ao trabalho que este trio de renomados e experientes improvisadores europeus nos apresenta. Da velha escola emerge, por ventura, a formação clássica de trio de saxofone, contrabaixo e bateria, triângulo responsável por algumas das mais importantes páginas do jazz e da música improvisada em geral, de há 50 anos a esta parte, com particular ênfase para os anos quentes do free jazz. Da escola intermédia, digo assim, já que me meti por este caminho, encontram-se as bases em que assentou a também designada Escola Inglesa de improvisação total, que começou em meados de 60 e daí para a frente não mais parou de se transformar até aos nossos dias. Cá se descobre o mesmo tipo de estratégia, a horizontalidade da progressão, a igual preponderância entre os instrumentos na criação de um som que só releva enquanto criação colectiva, os gestos, a permutação tímbrica, a combinação e a recombinação de padrões. É evidente que o trio ouviu muito bem Evan Parker, Trevor Watts e Spontaneous Music Ensemble, por exemplo. E da nova escola? A utilização de técnicas heterodoxas na abordagem dos instrumentos, o primado das texturas e dos timbres sobre a harmonia e a melodia, atonalismo versus as novas cores do som, mutações lowercase, invenção espontânea, a expressividade levada para campos desconhecidos, a ausência de marcação de tempo, realidade imponderável. Vem isto a propósito de The Long and The Short of It (Creative Sources Recordings), disco de 2007 (Fevereiro) do trio de Stefan Keune (saxofones alto e sopranino), Hans Schneider (contrabaixo) e Achim Kramer (bateria e percussão). O que eles fazem é free music no sentido amplo do termo, com permanente injecção de energia e intensa actividade em pouco espaço, afirma-se hoje tal como nasceu e cresceu na Europa como acção positiva no sentido de procurar um espaço próprio e enquanto reacção inteligente ao jazz massivamente importado dos EUA ou imitado e produzido localmente para consumo interno. The Long and The Short of It é um excelente disco, nove temas (67') cheios de surpresas, variações dinâmicas, espaços de silêncio, musicalidade e expressividade. A coisa funciona em pleno e faz faísca.
A partir dos anos 20, terminado o período formativo e escritas as primeira peças, nas quais se nota a influência marcante de um romantismo de cariz expressionista, Paul Hindemith (1895-1963) seguiu um caminho inspirado na música de Bach. A série de sete concertos que compôs entre 1922 e 1927, intitulada Kammermusik, de que fazem parte os dois concertos deste disco – Kammermusik No 5 op.36/4 (1927), for Viola solo and Large Chamber Orkestra, e Konzertmusik op.48 (1929/30), for Viola and Large Chamber Orchestra –, vai beber directamente aos Concertos Brandenburgueses de J. S. Bach. Encerrada a década de 20, a música de Hindemith vai ganhando maior complexidade, dissonância e modernidade. É nos anos 30 que compõe algumas das obras cimeiras, como são Concert Music for Strings and Brass (1930), a ópera Mathis der Maler (1934-1935), o coral Six Chansons, sobre poemas de Reiner Maria Rilke (1939), o bailado Nobilissima Visione (1938), Der Schwanendreher (1935), Concerto for Viola and Small Orchestra after old folk songs; Trauermusik (1936), for Viola and String Orchestra. Destas, as duas últimas também fazem parte do disco editado pela Classic Produktion Osnabrück (CPO), dedicado à música de Hindemith para viola e orquestra. Toca a Queensland Symphony Orchestra, dirigida por Werner Andreas Albert. Em viola, Brett Dean (1961, Austrália).
