Concerto_quarta-feira_1 de Março
Trem Azul Jazz Store_19h30:
Luís Lopes_guitarra eléctrica
Eduardo Lála_trombone
Número de Março da All About Jazz-New York:
Andrew Hill, George Wein, Bobo Stenson, Ictus Records, Issue Project Room, os 80 anos de Cobi Narita, calendário de eventos, críticas de discos e muito mais. Download, aqui.

No mais recente lote de edições da Creative Sources Recordings, focado em artistas europeus da livre-improvisação, como David Chiesa, Birgit Ulher, Sascha Demand, Wade Matthews (norte-americano, há muito radicado em Espanha) e Ingar Zach, há um disco que chama particularmente a atenção: Rocca, o primeiro registo de um duo que já conta um bom par de actuações ao vivo em concertos e festivais, formado por Agnès Palier (voz) e Olivier Toulemonde (dispositivo electroacústico). Palier veio da canção francesa, do canto lírico e do jazz, para se consagrar por inteiro à improvisação não-idiomática. Toulemonde começou por tocar saxofone (o que ainda faz), mas deixou-se cativar pela maquinaria produtora de sons, que combina com objectos sortidos. A dupla harmoniza as diferentes noções de tempo que os seus instrumentos lhes permitem ter, articulação permanente entre o som criado num ambiente virtual e o outro, produzido pelo corpo humano, em que fôlego e ressonância são vitais na produção sonora.
Em seis peças de exploração sonora ávida do instante e consciente da sua fragilidade, mistura-se electricidade metálica, percussão acústica, sopro, sons guturais, chios, gemidos, canto, onomatopeias, e o uso de uma considerável variedade de técnicas vocais avançadas, algumas das quais se podem ouvir em improvisadores como o britânico Phil Minton, por exemplo.
Saudam-se os belos momentos de contraste entre estas duas matrizes essenciais e o trabalho na procura da complementaridade – que nunca é garantida, mas conquistada a cada passo, segundo a segundo – a fusão de duas realidades, uma virtual e digital, outra física e orgânica, que os músicos fazem convergir e coabitar em baixo volume, facto que em nada faz diminuir a intensidade do resultado.
É claro que o encontro homem-máquina, no que à criação musical diz particularmente respeito, é tudo menos novo. Onde realmente desponta a novidade é na permanente tentativa de encontrar diferentes soluções de combinação sonora, que apenas a livre-improvisação permite. Nessa medida – e este é um dos pontos altos do disco – está-se constantemente a ser surpreendido pela inventividade e pela audácia deste par de improvisadores. Rocca foi gravado em Tossiat, França, a 17 e 18 de Fevereiro de 2005.

Há dias, Andrew Hill era assim visto por Ben Ratliff, no New York Times.
Foto ©1999 Jack Vartoogian.

Começaram a surgir no mercado reedições da Vocalion, editora com uma história que remonta aos primórdios da edição discográfica, reactivada em finais de 50 com o contributo da Decca, que lhe passou a reeditar o fundo de catálogo, ao mesmo tempo que editava novidades. Finalmente relançada sob a designação Dutton Vocalion. Desde que Michael Dutton pegou na Vocalion, esta especializou-se na reedição de obras gravadas entre os anos 20 e os anos 70, como esta pérola de 1972, Jazz In Britain ’68/’69, que integra material de finais de 60 gravado por nomes dos mais importantes do brit-jazz, como John Surman, Alan Skidmore, Mike Osborne, Harry Miller, Kenny Wheeler e John Taylor, etc., em intensa actividade na viragem da década, quando a cena britânica efervescia e avançava esteticamente. Reedição da Dutton Vocalion, em Fevereiro de 2006. «This album, recorded during the sessions that yielded Skidmore’s ‘Once Upon a Time’ LP, paired Surman, Skidmore and drummer Tony Oxley with a stellar cast of British jazz musicians in a set of complex and beautiful original compositions. The band is wonderfully cohesive, and the loose-yet-disciplined playing/soloing of such giants as Kenny Wheeler, Mike Osborne and Harry Beckett - not to mention Surman, Skidmore and Oxley - gives the music a completely organic and natural feel, as only musicians like these can produce».
Através de download, a Leo Records está a disponibilizar uma série de discos dos géneros Experimental, Contemporânea, Free Improv, Avant Jazz, Noise e World, das editoras russas Long Arms e Dom Records. Edições que, ou se encontram esgotadas e não esperam reedição, ou são muito difíceis de encontrar no mercado. É o caso de Petroglyphs, o primeiro CD do alemão Peter Brötzmann a ter sido gravado, produzido e editado na Rússia (Moscovo), em 2002. Solos e trios, com Ed Sivkov e Nick Rubanov.

Depois de um primeiro ep na Stasisfield, e de um segundo na italiana ctrl-alt-canc, Ernesto Rodrigues (viola) trisa com nova edição na Conv, netlabel de música experimental. Em trio, com os artistas libaneses Christine e Sharif Sehnaoui (saxofone e guitarra eléctrica, respectivamente). Sable, o ep, foi gravado em Lisboa, em 18 de Novembro de 2004.
«(...) A musical universe is conjured which, lacking any figurative tendencies, can be characterised as a very hylic affair - dealing as it does with the 'lowest' portion of musical matter, letting for no instance of sublimation. The grittiness, the very elemental quality of the sonorities are something of a very coarse-definition blow-up of the respective instrument's material properties (being violin, guitar & saxophone), a white-noise produced by solely analogue mechanics. Under the stress & strain of several extended techniques the acoustic possibilities that these instruments intrinsically possess are elicited from the marrow of their material structure, which is not a pretty picture. It is, in fact, not a picture at all, but rather an instance of the deconstruction of Maya». - Mark Pauwen

A ESQUILO anuncia que adicionou à sua loja online uma série de novas editoras, quase todas em exclusivo total para Portugal e Espanha. A saber: Improvised Music From Japan (Japão), Doubtmusic (Japão), For 4 Ears (Suiça), Cut (Suiça), A Bruit Secrét (França), Musica Genera (Polónia). A juntar a estas também alguns itens de várias editoras como o novo de Tetuzi Akiyama na Utech Records, ou cópias de alguns álbuns da limitadíssima Why Not Limited da Malásia.

José Carlos Santos, director artístico do BragaJazz (9, 10 e 11 de Março próximo), vai ministrar um CURSO DE HISTÓRIA DO JAZZ - NÍVEL BÁSICO. Com início a 14 de Março, e durante um mês, todas a terças-feiras, das 22h00 às 23h30, na Velha-a-Branca - Estaleiro Cultural, em Braga, o público em geral pode adquirir umas noções elementares sobre História do Jazz.
Inscrições no local (Largo da Senhora-a-Branca, 23 Braga); na Universidade do Minho, e através do tel. 253 618 234 ou endereço info@velha-a-branca.net
O Curso de História de Jazz - nível básico, que se realiza pela terceira vez na Velha-a-Branca, pretende dar aos seus frequentadores uma noção geral da evolução do Jazz desde os primeiros "ensaios" até aos dias de hoje. Além da audição dos trechos musicais mais relevantes na história do Jazz, as quatros sessões contarão também com a exibição de pequenos documentários em vídeo sobre alguns dos movimentos e dos seus músicos. Posteriormente, num curso mais avançado a decorrer no fim deste, serão ministrados conhecimentos mais aprofundados sobre algumas das épocas abordadas neste curso de iniciação.
José Carlos Santos, nasceu em Viana do Castelo no dia 25 do mês de Abril de 1960. Os estudos preparatórios e secundários realizou-os na sua cidade natal, tendo posteriormente cursado Filosofia na Universidade de Letras da cidade do Porto. Em Viana do Castelo foi um dos sócios fundadores do Cine Clube local e organizou inúmeros concertos de jazz, paixão que desde a juventude o vem atormentando. Residente em Braga desde 1989, aderiu nesse ano, sem condições, ao projecto da Rádio Universitária do Minho que desde 1989, semanalmente, projecta às sextas das 22h à meia-noite via ondas hertzianas, as sessões "SóJazz". Organiza ainda sessões da História do Jazz nas escolas do Minho e em instituições de carácter público e privado. Desde 2000 que é o director artístico do festival anual BragaJazz.

NO FILTER TRIO
Luso Café, 16FEV2006
Hernâni Faustino (contrabaixo),
Eduardo Chagas (trombone),
Miguel Martins (trompete, melódica, train whistle, sinos).
Foto: Rui Portugal
A Sabedoria do Corpo - Nos Trilhos de Ra
Café Luso, quinta-feira, 16 de Fevereiro
"Tu dizes «eu» e orgulhas-te desta palavra. Mas há qualquer coisa de maior, em que te recusas a acreditar, é o teu corpo e a sua grande razão; ele não diz Eu, mas procede como Eu. Aquilo que a inteligência pressente, aquilo que o espírito reconhece nunca em si tem o seu fim. Mas a inteligência e o espírito quereriam convencer-te que são o fim de todas as coisas; tal é a sua soberba. Inteligência e espírito não passam de instrumentos e de brinquedos; o Em si está situado para além deles. O Em si informa-se também pelos olhos dos sentidos, ouve também pelos ouvidos do espírito. O Em si está sempre à escuta, alerta; compara, submete; conquista, destrói. Reina, e é também soberano do Eu".
- Friedrich Nietzsche, in 'Assim Falava Zaratustra'
O breve concerto de quinta-feira passada, no Café Luso, propôs uma música para o corpo, no sentido em que o instinto é mais rápido e sábio que a razão. Neste contexto e para alem das estratégias estruturadas pelo intelecto, Miguel, Hernâni e Eduardo, dosearam e misturaram sensibilidades na razão justa. Souberam transpor os obstáculos da técnica para se instalarem, ouvidos abertos e dedo no gatilho, numa inteligente troca sonora de texturas e acentuadas dinâmicas. A variada sucessão de ideias deixou espaços suficientes para se ouvir com clareza as três vozes distintas. Apesar da energia ter esmorecido ligeiramente no final do set, esta acabou por regressar à intensidade inicial com uma conclusão diga da restante actuação.
Miguel tocou com o sentido da oportunidade que o caracteriza: o estritamente necessário para marcar veementemente a sua presença, desocupando o restante espaço de forma tão altruística como inteligente. Uma clara atitude de ‘contra-arte’ confirma, neste caso, um grande sentido estético.
Hernâni teceu a textura base do grupo e deu-lhe a projecção e andamento necessário. Funcionar como o motor principal, consolidando a forma musical. Uma ampla gama de harmónicos, com arco, antecedeu as suas irrequietas e rápidas malhas com técnica dedilhada.
A intervenção do Eduardo ‘Jorge Lewis’ foi uma surpresa! Os seus limitados recursos técnicos não foram um impedimento para dar largas a um som poderoso, tão redondo como nítido, pontuando a noite com um fortíssimo ataque, preciso e convicto. A noção de arranjo, oportunidade e contenção, foram próprias de quem tem os ouvidos abertos e um amplo imaginário guardado no arquivo da memória. Pondo, já agora, as coisas em contexto metafísico, foi ainda fiel ao mote "precision and discipline", do seu mentor espiritual: o próprio Sun Ra, The Living Myth! Com o espírito do mestre no coração (afinal uma parte indissociável do corpo!) explorou ainda as dinâmicas mais subtis e os infinitos cromatismos que o seu novo instrumento lhe permitiam. Haverá ainda muito trabalho de casa para fazer (e quem não o tem?), mas na sua estreia absoluta, ou foi beginners luck, ou então o Eduardo mostrou que ainda há um vasto filão por explorar. Para já, um contrato exclusivo com a Saturn Records, a não ser que alguma editor nacional dê o primeiro passo em frente! CALLING PLANET EARTH! Calling…Calling Planet OUI-RTH...!
- Abdul Moimême

Fragmentos de uma jornada em torno e ao interior de um contrabaixo. Em duas peças únicas, com a duração média de 20 minutos cada, David Chiesa (nasc. 1970), contrabaixista francês autodidacta, desce às profundezas do instrumento e descobre segredos escondidos, que traz à superfície. Chiesa orienta o seu trabalho na direcção de outras artes, a poesia, a dança, o cinema. Cinematográfica é a sucessão de imagens que o contrabaixista sugere, pizzicato, percussão e movimentos com arco na transformação da música em palavras, fonografia de amplo vocabulário e riqueza imagética. A música de David Chiesa, complexa na sua estruturação, nasce de um processo de composição em tempo real e exige do ouvinte algo mais que a mera passividade na fruição – a decifração de uma linguagem que se vai tornando inteligível e familiar à medida em que o ouvinte se deixa envolver e seduzir. Phonèmes foi gravado em Juillaguet, França, por Laurent Sassi, com a assistência do contrabaixista norte-americano Kent Carter, em Novembro de 2005. Edição da Creative Sources Recordings, 2005.

Muito bom, o trabalho fotográfico, em imagens fixas e animação, de Philippe LENGLET.
«Né en 1960 à Tourcoing, il commence par apprendre la clarinette et le solfège à 11 ans, dans une harmonie municipale. A 15 ans, marqué par Jimi Hendrix et Frank Zappa, il abandonne cet instrument pour la guitare qu'il apprend presque en autodidacte. En 1982, c'est la découverte de la musique improvisée et la pratique de la guitare préparée. Il joue dans le MMD, formation régionale de free-jazz et participe à la création de l'orchestre des 100 guitares sous la direction de Rhys Chatham. En 1985, il se met à la photographie, un peu par hasard, au cours d'un voyage en Chine à la suite duquel une première exposition, en noir et blanc, sera réalisée. D'autres suivront, avec un travail réalisé en duo avec sa compagne Marie-Noëlle Dufromont, dans lequel les photographies sont associées à des textes et mises en couleurs et en situation».
IRÈNE SCHWEIZER
A Film by Gitta Gsell
O IV Portalegre Jazz Fest está a decorrer até 25 de Fevereiro. Com Contra3aixos, Quinteto Rui Luís Pereira, Sexteto Henri Texier e Dee Dee Bridgewater no programa.

Jacques Demierre, Barry Guy, Lucas Niggli, Zoubek & Hubweber, Low Frequency Orchestra, Quartet Noir, Valve Divison, Use, ZFP-Quartet, Roscoe Mitchell Trio, Earl Howard, Gustavo Aguilar, JR3, Will Holshouser Trio, e projecção de filmes. No Jazzatelier Ulrichsberg, a partir de 4 de Março próximo.

O contexto é mais que um pormenor, um incidente ou uma atmosfera. Recriar temas de Albert Mangelsdorff, o grande trombonista alemão, é trabalho arriscado a que ainda ninguém se havia proposto. E não faltariam motivos de interesse: Mangelsdorff deixou obra farta, volumoso livro de composições e técnica ágil e inovadora, com uso intensivo das chamadas multiphonics, técnica que consiste em tocar mais do que uma nota em simultâneo, ou em tocar e vocalizar mesmo tempo, explorando as possibilidades sonoras do instrumento.
Joe Fiedler fê-lo bem e ainda em vida do mestre. Nome cimeiro do trombone actual, Fiedler tem tocado com Lee Konitz, Kenny Wheeler, Cecil Taylor, Anthony Braxton e Roswell Rudd, entre outros. Esteve recentemente em Portugal, integrando o grupo Fast’n’Bulbous, que actuou no encerramento do Jazz em Agosto. Foi o primeiro a desbravar o acervo de Albert Mangelsdorff, falecido em Julho último, aos 76 anos.
Nesta gravação de 2003, o trombonista mostra ter o necessário engenho e arte para a missão, conseguindo escapar às armadilhas que um disco de tributo pode encerrar, dando à obra a adequada lógica, coerência e flexibilidade interpretativa, fazendo jus à versatilidade estilística do homenageado.
Joe Fielder realça o aspecto “autoritativo” de Mangelsdorff. A sua marca identitária salta-nos ao caminho, imediatamente reconhecível às primeiras notas do tema de abertura, Wheat Song. Seguem-se os restantes oito temas de Plays de Music of…, nos quais Fiedler comunica o seu profundo respeito e admiração por Mangelsdorff, cuja música valoriza com o seu som quente e volumoso.
O acompanhamento de John Hebert, contrabaixo, e de Mark Ferber, bateria, está à altura da situação e contribui assinalavelmente para o êxito deste projecto, do qual a Clean Feed tem bons motivos para se orgulhar. O enigma da música de Albert Mangelsdorf, vindo à superfície e dando-se a conhecer parcialmente nos seus limites exteriores, permanece por desvendar.
«Inspirados em «The Doors of Perception» de Aldous Huxley, os The Crack decidiram perseguir a senda dos shaman,usando a improvisação espontânea como veículo para ultrapassar os limiares do entendimento e vislumbrar o que está para além das portas da percepção. A simbiose gerada entre instrumentos da Antiga China, da música clássica e os aparelhos do mundo mecanizado de hoje, procuram gerar o estado hipnótico que permitirá passar para o outro lado da fenda e captar esse momento de fuga».
THE CRACK ::::: Travassos :: cracklebox, tapes ::: Hernâni Faustino :: contrabaixo ::: Abdul Moimême :: aquaphone, percurssões, flauta ::: Guilherme Rodrigues :: violoncelo::::
LUSO CAFÉ :: 2 MAR :: 23H

Domingo, dia 5 de Março, na Livraria Cultura, Recife, Brasil, actua o Quarteto de Alípio Carvalho Neto e Johannes Krieger, com Alípio C. Neto (saxofone tenor), Johannes Krieger (trompete), Helinho (contrabaixo e baixo eléctrico) e Ebel Perrelli (bateria).
«Alípio Carvalho Neto vive há dez anos na Europa onde tem realizado um intenso trabalho como músico e escritor. Sua produção musical vem sendo objeto da melhor crítica de jazz portuguesa. Recentemente, a revista jazz.pt, em seu último número, publicou em destaque uma longa entrevista com Alípio, considerando-o uma das revelações musicais do ano de 2005, ao lado de nomes como Alexander Von Schlippenbach e John Hollenbeck.
Juntamente com Johannes Krieger, um músico reconhecido por sua versatilidade na cena musical portuguesa, Alípio formou um núcleo criativo de músicos-compositores, o Wishful Thinking, um ensemble que elabora composições originais no limite que propõe o jazz, a música improvisada de uma forma geral e a música contemporânea.
Outro destaque do Wishful Thinking é Alex Maguire, grande pianista inglês que tem atuado ao lado de Evan Parker, Elton Dean, Roswell Rudd, Han Bennink, Tony Oxley, Steve Noble, Michael Moore, Sean Bergin, Tristan Honsinger, Pip Pyle, Richard Sinclair, Phil Miller, Simon Fell, entre outros.
Ricardo Freitas e Rui Gonçalves completam o quinteto por partilharem uma estética musical que encontra sua maior expressão na intensidade e na diversidade de suas respectivas linguagens como compositores e instrumentistas. O nome do projeto surgiu quando Alípio e Alex ouviam no disco Festa dos Deuses de Hermeto Pascoal o tema "Pensamento Positivo". Alípio lançará dois álbums este ano: THE BOOK OF COMPLAINTS com o Wishful Thinking e SNUG AS A GUN, com o IMI Kollektief, ambos pela Clean Feed Records. Johannes Krieger terá, no próximo mês de Março lançado em Portugal o album TORA TORA, como compositor e líder da big band homônima.
Para apresentar parte do repértório destes ensembles no concerto em Recife, Alípio convidou Ebel Perrelli (bateria) e Helinho (baixo elétrico e contrabaixo)». Entretanto - digo eu - Alípio & Johannes estão a aquecer a caldeira para participar activamente nas festas pré-canavalescas que a Prefeitura da cidade brasileira do Recife está a organizar. É na apoteose desses dias de grande folia, que, na terça-feira 28 de Fevereiro, que os dois músicos vão participar na Orquestra Multicultural do Recife, com outros 150 (cento e cinquenta!!!) elementos, e será regida pelos maestros Spok, Ademir Araújo, Clovis Pereira, Duda, Edson Rodrigues, Geraldo Santos, Zé Menezes, Nunes, Forró e Fábio César.

Para comemorar o quinquagésimo aniversário do saxofonista britânico Paul Dunmall, ocorrido em 2003, a BBC encomendou-lhe a escrita de uma peça musical. Dunmall aproveitou a oportunidade para juntar à sua volta catorze amigos, alguns dos melhores e mais marcantes improvisadores do brit-jazz contemporâneo, parceiros das colaborações com vários grupos, entre os quais os de Elton Dean e o Mujician (Keith Tippett, Paul Rogers e Tony Levin). A obra, intitulada I Wish You Peace, pensada para orquestra – a Moksha Big Band, querendo Moksha significar o estádio de libertação final da alma, o tal que, segundo Dunmall, John Coltrane havia atingido –, foi apoiada por Janinka Deverio, da agência Mind Your Own Music e pelo programa da BBC Radio 3, Jazz on 3. A gravação realizou-se a 29 de Março de 2003 nos estúdios Gateway, em Londres. Presente, o quem é quem da cena britânica: John Adams, Chris Bridges, Howard Cottle, Paul Dunmall, Philip Gibbs, Brian Irvine, Hilary Jeffery, Tony Levin, Gethin Liddington, Simon Picard, David Priseman, Paul Rogers, Paul Rutherford, Mark Sanders, Keith Tippett e Annie Whitehead. Três saxofones, três trombones, dois trompetes, duas guitarras, piano, autoharp, contrabaixo e duas baterias. I Wish You Peace desdobra-se em três peças sob a forma de suite, com duração entre os 13 e os 21 minutos, melodias esfusiantes unidas por um fio condutor de intensidade e energia que emana de um grupo que improvisa com brilho e paixão. Altamente estimulante. Edição de 2004 da norte-americana Cuneiform Records.

Já é possível ouvir a emissão da Oxigénio FM online. Agora, na net, good vibrations a todas as horas, desde que se goste de funk, soul, dub, reggae, chill-out, r&b e lounge em diferentes formatos, derivações, cruzamentos e contaminações do pop com a música negra. "Oxigénio, música para respirar". Ao sábado à noite, entre as 20h00 e as 22h00, há "Planeta Jazz", «o jazz conjugado no passado, presente e futuro - um programa para amantes do género e simples curiosos, que percorre os múltiplos caminhos do jazz, desde a génese à transfiguração actual». As escolhas e combinações sonoras são de Tiago Santos (Spaceboys Soundsystem).

Passei há dias na FLUR, a Santa Apolónia, em Lisboa, e trouxe comigo este disco belíssimo:
TIBETAN BUDDHIST RITES FROM THE MONASTORIES OF BHUTAN
recorded by John Levy
SR222
"Recorded by
John Levy (1010-1976), a London ethnomusicologist, in 1971, more than 140 minutes of some of the most powerful music ever recorded on earth.
John Levy, an Englishman in Bhutan early seventies: Released by Lyrichord in mid-70', all the people who have listen to these vinyls know that it doesn't exist something more powerful, more prodigious and pure than them. John Levy was a London ethnomusicologist who took refuge in tibetan buddhism. So he had all the possibilities to record -- with his nagra-stéreo -- all the rituals (even the most sacred). We can say that what is discovered here is unique and far beyond all what was done after that. All the material is fully remastered and we propose the Levy's collection divided into two discs of ritual and chanting (this CD) and one of instrumentals and folk music (forthcoming as SR230).
The great power of the rituals of the Drupka and Nyingmapa Order: On the first volume, a double CD with extended notes, Rituals of the Drupka Order, the primary instrument is the long golden trumpet, along with various drums and percussion and a deep droning bass. Rather than soothingly meditative, the music can be a bit dissonant to Western ears. Chanted and played by 76 Lamas and Monks with long trumpets, shawms, cymbals, drums and other Tibetan instruments in sacred temples. Invited by the king of Bhutan, Levy was afforded every facility for recording monastic music in the principal dzongs (great fort-like monasteries) of the Nyingmapa Order. The ethereal Polytonal throat chanting, the long trumpets, shawms and percussion instruments, the processional music and spectacular mask dances, Tibetan and Bhutanese secular songs and poems, All reproduced with incredibly sonic fidelity! A truly remarkable collection, with extensive liner notes, photographs, and musical illustrations by John Levy».

Na webzine One Final Note, em recente actualização: artigo de Marc Medwin sobre o pianista e multi-instrumentista Cooper-Moore, intitulado “Deep Communicative Roots”; as imperdíveis UnAmerican Activities, de Ken Waxman, esta semana sobre o contrabaixista canadiano Normand Guilbeault; e as habituais críticas de discos. Neste último capítulo, os novos de Anthony Braxton Quintet – Live at the Royal Festival Hall (Leo Records); Badland – The Society of the Spectacle (Emanem); Zu – How to Raise an Ox e The Way of the Animal Powers (Atavistic + Xeng); Aram Shelton – Arrive (482 Music); e do Lars Göran Ulander Trio – Live at Glenn Miller Café (Ayler Records).

Novas da netlabel alemã subsource: Wave to Mr. Smith - Akinom - live session recorded at Kornhaus Bern, Switzerland - April 2005 - Music by Benfay (double bass, effects) & Roger Stucki (Soundscapes) - [sub058]
«Please Mr. Smith, tell me! What’s your pitch? What is it that unifies us? There is something inbetween. Dark and mellow pads, interrupting clicks, a day in the life of Mr. Smith:
"Woke up, got out of bed. Dragged a comb across my head. Found my way downstairs and drank a cup and looking up, I noticed I was late. Found my coat and grabbed my hat. Made the bus in seconds flat. Found my way upstairs and had a smoke. Somebody spoke and I went into a dream. Ah" (Beatles Lyrics). That’s where we start...»

Amanhã, 21 de Fevereiro, é dia de lançamento oficial do novo disco do quinteto de Andrew Hill, Time Lines (Blue Note), produzido por Michael Cuscuna. Com Charles Tolliver (trompete), Greg Tardy (saxofone tenor e clarinete), John Hebert (contrabaixo) e Eric McPherson (bateria). Quarenta e dois anos depois, a Blue Note volta a assinar contrato de gravação com Andrew Hill, prolongando assim uma relação intermitente iniciada em 1963, quando o jovem pianista chamou a atenção de Alfred Lion e Francis Wolff, os então manda-chuvas da casa, ligação que veio a dar origem a títulos como Black Fire, Judgement!, Point of Departure, Passing Ships, Eternal Spirit e But Not Farewell, antes de Andrew Hill migrar para a Palmetto Records e assinar por Dusk e Beautiful Day.
Klaus Kugel e Albrecht Maurer fundaram em Colónia, Alemanha, a Nemu Records. Além de obras dos fundadores, lá podem encontrar-se gravações em que participaram Claudio Puntin, Dieter Manderscheid, Robert Dick, Ursel Schlicht, Bruce Eisenbeil, Perry Robinson, Hilliard Green, Norbert Rodenkirchen, Petras Vysniauskas, Vyacheslav Ganelin e Kent Carter.

Em 1996, o compositor Arthur Lipner começou a explorar as possibilidades ténicas e o enorme potencial da net para tornar globalmente disponível a sua música. Assim nasceu a primeira experiência, MalletWorks Music. E agora lançou a ComposersWorks, mais abrangente, para divulgar a actividade de compositores de todo o mundo. É desta forma inteligente que os compositores, colectivamente organizados, podem dar a conhecer as suas biografias, trabalhos, estudos, videos, partituras em formato pdf, e tudo o mais que se relacionar com a actividade.

Limitada a 900 exemplares numerados à mão, a caixa Moserobie Jazz Manifesto capta em 6 CD's uma boa panorâmica daquela que é, neste princípio de Século XXI, uma das cenas mais criativas do jazz - a nórdica. A Moserobie veicula novas manifestações do espírito da New Thing, de quando editoras como a Esp-Disk, a Impulse! e a Blue Note ousavam afastar a apatia e mostravam o caminho, sem esquecer um olhar crítico de revisão do modalismo, do soul-jazz e do pós-bop.
Os seis discos foram gravados ao vivo num festival que serviu para dar a conhecer a grande variedade de artistas deste importante centro difusor de novos conteúdos para uma música que tem sido capaz de se renovar, pesem embora as tentativas de a encapsular num certo passado e de aí conservar como se de algo imutável e não evolutivo se tratasse. A partir de Estocolmo, a Moserobie está a dar um importante contributo nesse sentido. Convém que a gente se vá habituando a nomes como Filip Augustson Quartet, Fredrik Nordström Quintet, Dog Out, Magnus Broo Quartet, Nacka Forum , LSB, Ludvig Berghe Trio, Jonas Kullhammar Quartet, The Torbjörn Zetterberg Hot Five, Mathias Landæus House Of Approximation, Moksha, Sonic Mechatronik Arkestra, e muitos mais que estão a despontar e a fazer o seu caminho.
Hoje acordei os vizinhos assim...

PuroJazz - programa de rádio feito em Monterey, Califórnia, por Roberto Barahona, emitido de Santiago do Chile, através da Radio Beethoven, e retransmitido a partir de Buenos Aires, Argentina, via página de Alberto Varela -, dedica esta semana a Charles Gayle, More Live at Knitting Factory, 1993. Charles Gayle (saxofone tenor, clarinete baixo e violino); William Parker (violino, violoncelo e contrabaixo); Vattel Cherry (contrabaixo); Michael Wimberly, Marc Edwards (bateria e percussão). A propósito de Charles Gayle, Jan Ström, da Ayler Records, informou que, no passado domingo, dia 12 de Fevereiro, gravou a actuação do Charles Gayle Trio, com Gerald Benson, contrabaixo, e Michael Wimberly, bateria, no Glenn Miller Café de Estocolmo, a pensar numa próxima edição em CD.


IVO PERELMAN - INTROSPECTION (2006)
Leo Rec LR 455
*Ivo Perelman: Sax
*Rosie Hertlein: Violino e Vocais
*Dominic Duval: Baixo Acústico
*Newman Baker: Bateria
Alguns passos à frente
«Com o cd “Introspection”, lançado na Europa em Janeiro de 2006 pela gravadora Leo, Ivo Perelman continua desenvolvendo sua música com instrumentos de cordas. Dessa vez acompanhado pelo violino de Rosie Hertlein que também faz algumas vocalizações acompanhando seu dissonante violino. Às vezes, se assemelha ao atonalismo da música erudita contemporânea. No encarte do cd constam nove pinturas abstratas do próprio Ivo. Nove músicas correspondendo a cada uma das nove pinturas. Cada tema tem a duração de 4 a 14 minutos que nos levam ao mundo deste talentoso saxofonista e artista plástico brasileiro que conseguiu unir de forma harmoniosa música e pintura abstrata.
O diálogo e o entrosamento entre os músicos é incrível. Dominic Duval (baixo), Newman Baker (bateria) e Rosie Hertlein (violino) desenvolvem uma complexa sonoridade para as “pinturas sonoras” de Ivo ao sax.
Não é um álbum de fácil audição. É necessária bastante atenção e introspecção para apreciarmos a qualidade das composições e dos músicos. Mesmo se chamando “Introspection”, o cd tem força, é um disco poderoso, tem uma qualidade raramente encontrada nos atuais lançamentos de ‘jazz’.
“Introspection” a cada audição se revela melhor, mais ousado, com excelentes temas que não se limitam ao que se entende normalmente por ‘jazz’. Ele vai além.
O nome de algumas músicas como “All Power Emanates From One Source”, “Spiritual Destiny”, “Divine Awareness” nos faz lembrar de John Coltrane, Albert Ayler, Pharoah Sanders, Archie Shepp. Mas o sax de Ivo é único, tem identidade própria e as semelhanças com os “mestres” terminam aí.
As faixas “Introspection“, “Karmic Forces“, “Faith”, “Extended Conciouness”, as duas últimas citadas com aproximadamente dez minutos cada, são algumas das faixas mais impressionantes do cd.
Neste cd podemos ouvir complexas sonoridades atonais e temas que explodem em poderosos “free-jazz”.
Acredito que com “Introspection” Ivo avançou mais alguns passos não só no fechado meio do “free-jazz”, mas também deu uma valiosa contribuição para a música contemporânea.
Altamente recomendado para aqueles que querem ampliar os horizontes musicais».
- Cláudio Penteriani - 07 de fevereiro de 2006 (Agradecimentos são devidos).

O quarteto norueguês Supersilent, visto em Lisboa na edição do Jazz em Agosto de 2000) lançou há tempos o sétimo volume da série que empreendeu em 1998, imediatamente a seguir à estreia no Bergen Jazz Festival de 1997.
Supersilent 7, em formato DVD, incorpora uma performance do grupo realizada na capital norueguesa em 2004. Arve Henriksen (trompete e electrónica), Helge Sten (“audio virus”, electrónica artesanal, gravadores vintage, theremin, filtros, samplers, etc.), Stale Storlokken (teclados) e Jarle Vespestad (bateria).
Grande é a curiosidade para ouvir o que o Supersilent tem para oferecer em som e imagem, já que nos habituou à imprevisibilidade das suas actuações e edições discográficas, não obstante o som do grupo ser facilmente identificável, na forma como combina trejeitos de electro-jazz, livre-improvisação, noise e paisagismo industrial. Sabe-se que os quatro não ensaiam, não estabelecem estratégias antecipadas nem definem linhas de orientação antes de se encontrarem para tocar. Tocam e pronto. Tudo em tempo real e sem outros truques que não os da ilusão criada em frente ao espectador.
«The sold out concert took place in Oslo in August last year and was beautifully captured by Kim Hiorthøy and friends to 16 mm black and white film, and later edited by Hiorthøy. The sound was recorded by Athletic Sound and mixed by Helge Sten. Needless to say, it looks and sounds fantastic. The concert itself was rewarded a six out of six review at the time in Norway´s major national paper Aftenposten. You get the complete concert, 109 minutes, 6 tracks, in the same order as on the night, there are no overdubs or repairs. And there is no bonus material, not even a menu. This is a conscious decision by the direct or, artist and label» - Rune Grammofon.


Enquanto se desespera pelo número 4 da revista de Bill Shoemaker, a imprescindível POINT OF DEPARTURE (não deve tardar um fósforo), tem a gente que se entreter a ler e a reler nas entrelinhas o número 3, passado mas ainda actual. E feito com inteligência e bom gosto, coisas arredadas das vistas de boa parte da saloia e lusa crítica "oficial" de jazz, que algum arejamento haveria de ganhar tomando uma pitada diária, semanal, mensal, vá lá, anual que fosse, de Point of Departure. Um bom ponto de partida, por certo. Na capa está Roscoe Mitchell, captado em actuação no Guelph Jazz Festival de 2005, em foto de Lyssa Nielsen.

O percussionista norte-americano de origem porto-riquenha, Ray Barretto, internado desde Janeiro num hospital de New Jersey, não resistiu aos problemas coronários, hepáticos e renais que o acometiam, tendo falecido hoje, aos 76 anos. «Pienso que la guajira y el blues están unidos por lazos poderosos. Son el fruto de los trabajadores, de los que cortan la caña en Cuba y en Puerto Rico, o de los que recogen el algodón en el sur de los Estados Unidos. La música, en definitiva, es el reflejo de esa gente, y ella más bella cuando nace del pueblo».
Nascido em Brooklyn, em 29 de Abril de 1929, Raimundo "Manos Duras" Barretto foi o maior tocador de conga do jazz, tendo intensificado a aproximação e a fusão do género com a música latina. Em quase cinco décadas de carreira, Barretto tocou com inúmeros músicos, entre os quais Tito Puente, Art Blakey, Dizzy Gillespie, Wes Montgomery, Lou Donaldson, Roy Haynes, Donald Byrd, Max Roach... So long, Ray!


Gostei muito de ter tocado ontem à volta da meia-noite com o Hernâni Faustino (contrabaixo) e o Miguel Martins (melódica, trompete, train whistle e sinos) no Luso Café, ao Bairro Alto, em Lisboa. O espaço, além de bonito e bem decorado, tem excelente acústica e é ideal para ouvir grupos de reduzida dimensão. Pessoalmente, foi um privilégio partilhar o cenário com os amigos e fazer música com dois improvisadores do nível, garra e inventividade do Miguel e do Hernâni. Tenho a certeza de que o No Filter Trio vai voltar ao crime, naquele ou noutro local. It’s all about the sound, boys…

Keith Utech (Milwaukee, Wisconsin), atento aos sinais e às movimentações de artistas das várias tendências da música improvisada global, prossegue o trabalho editorial da sua UTECH RECORDS com a publicação este mês de Fevereiro de três novas gravações. No pacote deste mês cabem propostas oriundas dos EUA, de Itália e do Japão. A abrir, Stagger, do Triage, trio de Dave Rempis (sopros), Jason Ajemian (contrabaixo) e Tim Daisy (bateria), baseado em Chicago. Stagger é o título do duplo CD gravado ao vivo em 5 de Setembro de 2004, no Westcott Community Center, em Syracuse, Nova Iorque. A proposta italiana é subscrita pelo colectivo iconoclasta Sinistri, que preparou Timing the 183k Pulse para a Utech. Manuele Giannini e Mattia Di Rosa (guitarras), Roberto Bertacchini (bateria), Dino Bramanti (baixo e outros efeitos), Alessandro Bocci (sintetizador, microfone de contacto) e Massimo Carozzi (sintonizador rádio e efeitos) definem-se com um grupo cuja música se baseia em “nonmetric rhythms, minimal riffs and improvisational vamps that bear traces of proto-punk, black and contemporary classical music”. Finalmente, o guitarrista japonês Tetuzi Akiyama, membro destacado da cena free improv / free folk japonesa, oferece-nos Striking Another Match, um conjunto de peças para guitarra acústica solo gravadas em Abril passado, em Tóquio. Todas as edições são limitadas a 200 exemplares por título.

Não pode a gente baldar-se a um concerto, que não fique desconcertado com a crítica que lê nos dias imediatos. Faltei ao Brad Mehldau no CCB. Respeito o pianista, mas confesso não ser dos que mais me tocam ou seduzem. Admirando embora a capacidade técnica e emocional do artista, já me cansam as versões de clássicos dos Beatles, dos Radiohead (para os mais modernos); ou dos Soundgarden (para os mais alternativos). Isto, sem prejuízo de lhe aplaudir as escolhas. Quando me dá para aqueles lados (os do piano-jazz), na família classizante ainda não consegui ouvir melhor que os primos Jarrett e Evans. Outra espessura, outra maturidade, outra densidade. Tão bons, que me fazem apetecer voar para outras paragens nas asas de Paul Bley.
Mas que li eu de tão extravagante? Nada, só alguma variedade de opiniões, umas quase nos antípodas de outras, o que é saudável e só abona a favor da crítica e do criticado. Mal do artista que cai nas armadilhas do consensual, e, já agora, dos críticos que seguem a mesma pavloviana cartilha ou grelha de análise.
No "Diário de Notícias" leio em título e em fervorosa crítica, empolgadas referências à “transcendência”, qualidade própria do maravilhoso “estado de graça” do grande "génio" do qual apenas Jarrett se abeiraria no trio Standards, por entre desvalorizações de outros sub-géneros do jazz (free e pós-free, expressamente nomeados). Como se para dizer bem de alguém tivessemos que arrasar os parentes. Tss... Se a qualidade do produto é intrínseca - como é o caso -, faz sentido apoucar para enaltecer? Permito-me duvidar do método e dos objectivos.
No "Correio da Manhã", igualmente enlevado e quase de lágrima ao canto do olho, impressionou-me a carga metafórica empregada no comentário sobre o concerto‑missa. Em Belém (não há coincidências) foi vista a Luz do novo Messias do Jazz.
Calma, não dramatizemos em excesso: é apenas um bom, um excelente pianista. Porquê começar já a hiperbolizar, sob pena de gastarmos todas as munições logo na abertura da caça? Só estamos ainda em Fevereiro e já bradamos pela transcendência, já apelamos ao sublime, ao sobrenatural e ao mais que está para lá do céu!? Compreende-se: se a clássica tem Mozart, o jazz não lhe pode ficar atrás: Mehldau!
Lidas estas pungentes cenas metafísicas, fizeram-me elas recordar a história dos três pastorinhos videntes. Faltaria um, claro, mas esse não escreve em jornais, que eu saiba; mandou apenas um mail carregado de adjectivação da mais superlativa e encomiástica que encontrar se possa. Qual Cavaco, Mehldau à presidência e já!
A seguir passei ao "Blitz". Que sim, foi um bom concerto, com alguns pontos fracos (heresia! anátema! fogueira!), mas não tantos que chegassem para arruinar a prestação do trio. Bem assinala o semanário que Mehldau, além de respeitado, é “venerado”. O que atrás se conta não deixa mentir e confirma tão peculiar acepção. Para o "Blitz", o melhor do piano de Mehldau parece ter sido o contrabaixo de Grenadier. O que é bem possível e não custa a crer.
No "Público", li algo pelo mesmo tom de afrontoso desafio à fé; que sim, mas também, e tal, venha outro que este já está arrumado. Deste lado, a propensão para as coisas da imanência não assumiu o mesmo peso específico. Pareceu-me até que acintosamente raiou a mais impenitente e secularizada análise crítica, dando razão aos que afirmam ser este problema (a secularidade) uma questão central nas sociedades ocidentais.
Nos blogues, o que li também pendeu mais para o profano, sem embandeiramentos em arco ou bentas afirmações em demasia. Ninguém parece ter saído defraudado (era o que faltava…), embora um ou outro escriba tivesse assinalado a previsibilidade e a preguiça do pianista em soltar-se dos clichés em que se foi enredando ao longo dos últimos anos. Também não espanta que tal pudesse ter acontecido a Mehldau (blasfémia?), ideia que me parece aceitável mesmo para uma parte dos que acreditam ter ele sido concebido sem o pecado da "mnemónica artificial" (ou seria Mena Mónica ao natural?) e ungido pela graça pianal, com o patrocínio da casa Steinway & Sons.
Erm suma: de um lado, os crentes que contemplaram a Verdade; do outro, os do profano, que não vêem nada de transcendente nesta art of the trio; apenas a esperada competência de um pianista de primeira água.
Está-me a querer parecer que a agenda política actual contaminou decisivamente o discurso crítico do jazz. Estará em preparação uma nova cruzada? Será que vai haver bandeiras queimadas, sedes de clubes incendiadas, o CCB apedrejado, efígies várias derrubadas, sei lá que mais?! Não tarda, vem aí o Prof. Freitas com outro comunicado a esgrimir contra a "licenciosidade" do jazz não clássico. E tem toda a razão. A César o que é de César. Ora porra!
«Terrifying Street Trees de Tetuzi Akiyama é o primeiro número na série Instant Series do Esquilo que documenta gravações ao vivo de música improvisada. Gravado em 2004, este set apresenta Akiyama no seu lado freeform/freestyle aplicando à guitarra as suas peculiares preparações e artefactos (como espadas de samurai entre outros) com muita modulação tonal e harmónica pelo meio. Esta é uma gravação bastante crua, e perfurante por vezes, mas sempre recompensadora para o ouvinte.
Este é o primeiro lançamento a solo de Tetuzi Akiyama na sua abordagem freeform à guitarra eléctrica e será tido, certamente, como um dos seus melhores. É ruidoso e pacífico, acutilante e meditativo, bluesy e drony, e sempre focado. Tons, sobretons e arpegios deslumbrantes saem da guitarra tangida, raspada e dedilhada com o característico som tape-delayed. Por vezes soa tudo menos a uma guitarra lembrado gongos, sopros ou um qualquer típico instrumento de arco.
Terrifying Street Trees faz parte da campanha de Akiyama com o objectivo de lançar bootlegs oficiais de concertos passados, directamente vindos do seu arquivo pessoal.
A edição vem num caixa gatefold de cartão branco de luxo com arte original da pintora japonesa Yoko Naito em serigrafia».
A 21 de Fevereiro saem os novos discos de Erik Friedlander (com Andy Laster, Stomu Takeishi e Satoshi Takeishi) e de Ben Goldberg (com Devin Hoff, Carla Kihlstedt, Ches Smith e Rob Sudduth) na Cryptogramophone:
«Erik Friedlander is the foremost jazz cellist in the world today, a consummate artist that Billboard Magazine has lauded as "One of today's most ingenious and forward-thinking musical practitioners". Prowl is Friedlander's fourth CD with his group Topaz, which includes saxophonist Andy Laster and the amazing Takeishi brothers on electric bass and percussion. Prowl features eight original compositions based on vibrant African rhythms, and a haunting version of the traditional "A Closer Walk With Thee"».
«Clarinetist Ben Goldberg is a member of Tin Hat (formerly Tin Hat Trio). His new CD The door, the hat, the chair, the fact is a loving tribute to the late, great saxophonist Steve Lacy, a longtime mentor of Goldberg's. This inspired work of art also features Tin Hat violinist Carla Kihlstedt».

«Quinta-feira, 16 de Fevereiro, às 23h, no LUSO CAFÉ, actua um dos mais portentosos e experimentados trios de free jazz lusitano, constituído por este vosso servo, Miguel "Bowie" Martins (melódica, trompete, train whistle, sinos), Hernâni "Holland" Faustino (contrabaixo) e a revelação do momento, Eduardo "Lewis" Chagas (trombone)».
- Miguel Martins (Vice-Presidente da Comissão para a Elevação de Fonte de Boliqueime a concelho)

Jan Ström, o entusiasta e devotado editor da sueca Ayler Records, já se sabia, não hesitou quando chegou à fase da aposentação: em vez de seguir a via mais comum e dedicar-se ao golfe ou à pesca do arenque fumado, decidiu empatar as economias de uma vida ao serviço da paixão que dele tomou conta desde a juventude: o jazz, nas suas expressões mais livres e inconvencionais. Ainda bem que assim, foi; de outro modo, ver-nos-iamos provavelmente privados da possibilidade de ouvir tantas e tão boas propostas musicais que mestre Ström de quando em quando saca do baú. Na verdade, de há uns anos a esta parte, Ström tem realizado um trabalho ímpar, ao dar a conhecer obras que a história guardou só para si, inéditos de John Stevens, Albert Ayler e Jimmy Lyons, dando ainda particular atenção ao que de novo tem vindo a acontecer. Neste último aspecto, Jan Ström tem privilegiado a edição de actuações ao vivo naquele que é já um espaço de referência e de primeiro plano na cena nórdica: o Glenn Miller Café, restaurante e clube de jazz de Estocolmo, aberto às experiências jazzísticas menos reverentes da forma e da tradição. Dessa série, um dos mais interessantes grupos que Ström ajudou a revelar neste início de década foi o Exploding Costumer, quarteto cujo primeiro disco passou despercebido da generalidade do público do jazz, mesmo da parte habitualmente mais interessada e atenta às movimentações fora do jazz mainstream.
Integram o Exploding Costumer, o vibrafonista do School Days, Kjell Nordeson, aqui na função de baterista, o saxofonista Martin Küchen, o trompetista Tomas Hallonsten, e o contrabaixista Benjamin Quigley. Em
2002, o quarteto gravou Live at Glenn Miller Café (Ayler 030), disco que se veio a revelar um sucesso artístico inversamente proporcional aos resultados económicos gerados, segundo o próprio Jan Ström. Daí que o produtor tenha hesitado em publicar outras gravações subsequentes, jejum a que veio a pôr termo recentemente, com o lançamento de uma gravação realizada no Tampere Jazz Happening, Finlândia, em Novembro de 2004. O quarteto de saxofone, trompete, contrabaixo e bateria, que teve o zénite estético em Ornette Coleman, tem vindo a ser renovado e aprofundado nos últimos 40 anos, chegando aos dias de hoje num estado de reinvenção e assinalável fulgor. Para tal contribuíram hordas de bons executantes, como é o caso do Masada, o célebre quarteto de John Zorn e Dave Douglas, Greg Cohen e Joey Baron. Curiosamente, há aspectos do Masada que parecem inspirar o grupo sueco, perceptíveis numa certa agilidade melódica e na utilização de elementos inspirados nas tradições musicais do médio-oriente. Ken Vandermark também lhes passou pelos ouvidos, tal como o compatriota Mats Gustafsson e The Thing, cujos traços são reconhecíveis no lado mais rocker do Exploding Costumer.
Como o próprio nome indica, quarteto não está com meias medidas quanto ao modo de actuar: verve, truculência, energia e altas rotações, ausência de truques, revivalismos ou maneirismos, são algumas das marcas essenciais do seu programa de acção. Aquele em que acreditam e praticam com denodo e muita convicção. É ouvir para crer. Exploding Costumer, Live at Tampere Jazz Happening.

No OTITES, a não perder, a entrevista com Pedro Leitão, da netlabel portuguesa Test Tube:
"O OTITES tem vindo a observar o crescente dinamismo nas netlabels nacionais. Como tal, e após uma falsa partida com uma entrevista à Mimi, recuperamos este tema no qual desejamos chamar a atenção e divulgar estes projectos nacionais. Reiniciamos as conversas com o Pedro Leitão da Test Tube, netlabel direccionada para sonoridades mais experimentais e com grande actividade de lançamentos (...)"
O dispositivo pelo qual Wade Matthews optou em Aspirations and Inspirations, conjunto de improvisações a solo realizadas entre os anos de 2002 e 2004, favorece a utilização do silêncio e a atenção ao detalhe na exploração das possibilidades técnicas e emocionais do clarinete baixo e da flauta alto. Na base, estão os dois primeiros actos que todos praticamos, inspirar e expirar, o que imediatamente nos remete para matérias relacionadas com o sopro vital. E tudo se passa como se a vida se suspendesse entre cada fase e de imediato regressasse à plenitude pela via do som.Ouvi o disco várias vezes sem antes ter lido os créditos, e não fora essa leitura a posteriori ficaria convencido de que boa parte dos sons seriam electronicamente gerados – a grande ilusão, que é também uma das mais interessantes ironias deste disco.
No meio da aparente dispersão, Matthews consegue estabelecer um fio condutor não narrativo, fragmentado, rico em nuances e variações microestruturais, em estreita ligação com outros dispostivos fundamentais na realização da obra: os microfones e o seu particular posicionamento, “multiple mics panned across the stereo spectrum”, que captam toda a acção dentro e fora da flauta, aumentando assim o potencial expressivo do instrumento.
Além da ausência de traços de convencionalismo e do trabalho microscópico que, a traço grosso, caracteriza a idiossincrasia de Wade Matthews, em Aspirations and Inspirations é possível admirar o virtuosismo do soprador, posto não ao serviço da potência sonora ou da exibição de capacidade pulmonar – marcas que decididamente não se inscrevem no seu estilo – e sobretudo, o controle sobre os sons e a maneira como se combinam, de tal forma que cada vez que se ouve Aspirations and Inspirations (Solo Improvisations 2002/2004), parece tratar-se de um disco diferente.
Delicado no toque, vagaroso e afirmativo, Aspirations and Inspirations situa-se no vasto espaço de exploração das infindáveis potencialidades dos instrumentos acústicos, associadas ao papel da alta tecnologia na captação e mediação sonora. Matthews, mercê de uma individualidade difícil de aprisionar em escolas ou estilos definidos, afirma-se através do modo peculiar e personalizado como trabalha a matéria‑prima sonora.
Early Morning Blues, com Howlin' Wolf.
The Red Rooster
I had a little red rooster too lazy to crow for day
I had a little red rooster too lazy to crow for day
Keep everything in the barnyard upset in every way
Oh, them dogs begin to bark, hounds begin to howl
Oh, them dogs begin to bark, hounds begin to howl
Oh, Watch out strange kin people, little red rooster's on the prowl
If you see my little red rooster, please drag him on home
If you see my little red rooster, please drag him on home
There ain't no peace in the barnyard since my little red rooster's been gone

Jez Nelson continua a folhear as melhores páginas da mais recente edição do London Jazz Festival. Para esta edição de Jazz on 3, Maria Schneider, a propósito daquela que constituiu a sua primeira aparição britânica com a Maria Schneider Orchestra, em concerto no Queen Elizabeth Hall, a 16 de Novembro de 2005. Do programa consta essencialmente música do "grammyado" Concert in the Garden, o grande sucesso da herdeira estética de Gil Evans, com quem trabalhou entre 1985 e 1988.
Jez abre a emissão à conversa com Schneider, uma das primeiras compositoras/directoras de orquestra a eliminar o que ela designa pelo "middle man", querendo com isto significar que chegou a uma fase da carreira em que possui total controlo sobre a sua música, desde o momento em que compõe, executa e a disponibiliza junto do público na sua página pessoal. Para trás ficaram os intermediários da edição, distribuição e retalho, agora que a net lhe permite estabelecer uma ligação directa com o consumidor final. A terminar a emissão, homenagem a Elton Dean: "Artist Soft Bounds (Elton Dean, Hugh Hopper, Simon Goubert, Sophia Domancich)".

"Insubordinations is a netlabel dedicated to improvised music - freejazz or electroacoustic or other experimentations - catched without artifices, energy explosions, spontaneous constructions, abused structures, unstabilities, confrontations or simply absolute liberty".
KREISEL é novo projecto de Claus van Bebber e Michael Vorfeld, dois artistas plásticos e sonoros alemães que operam na área de influência da editora germânica Nurnichtnur, na linha do que Martin Tétreault, Christian Marclay, Philip Jeck, Otomo Yoshihide e outros artistas da broken music têm vindo a fazer.Mais antigo que qualquer daqueles, desde os anos 70 que Bebber trabalha com gira‑discos. Neste sentido, pode ser considerado um veterano do turntablismo, forma de arte em que o gira-discos, de aparelho reprodutor, é elevado à categoria de produtor sonoro.
Montada a habitual bateria de aparelhos obsoletos com design dos anos 50 e 60, é neles Claus van Bebber toca, não quaisquer discos de vinyl, mas material que previamente prepara (discos partidos e colados, superfícies onde as agulhas possam riscar, etc.) que vai sobrepondo de forma a criar efeitos rugosos irregulares e intermitentes, ciclos encantatórios de obsessiva repetição. Em parte, instalações visuais, noutra fontes de criação sonora, em KREISEL, Claus van Bebber ensaia manifestações da ideia de concerto de discos (“Schallplattenkonzert”), aqui partilhada com Michael Vorfeld, artista de Berlim, colaborador regular em percussões e instrumentos de corda da sua própria manufactura. A combinação das percussões tocadas com diferentes de técnicas e artefactos (arcos, blocos, peles, cordas), produz imensa variedade de sons, seccionando os círculos concêntricos que se deslocam em rotações diferenciadas. Trabalho aturado sobre a forma, que prende a atenção e convida ao encontro com as novas formas de dadaismo. Produção da Nurnichtnur para a Creative Sources Recordings.
«As Micro Sessions vão compor uma performance que se prolongará ao longo da tarde de sábado, onde o músico se propõe tocar breves trechos de guitarra a solo de hora a hora.
A ideia é interagir com o ambiente da loja, reagindo aos contextos que vão surgindo ao longo do dia: jogar com a presença dos clientes, os ruídos que permeiam o espaço (vindos a rua e do próprio interior da loja), e finalmente, com a luz que vai mudando com o decorrer das horas.
Não será exigido o silêncio nem o desligar de telemóveis! Todos os ruídos serão bem-vindos e material de reacção não reflexiva.
É impossível combater a dispersão que permeia cada vez mais o nosso meio e consequentemente as nossas mentes. Ou aprendemos a lidar com ela ou corremos o risco de não ser compreendidos». - Abdul Moimême
Trem Azul - Sábado, 11 de Fevereiro de 2006 / 15:00 - 19:30

Henry Grimes, Charles Gayle e William Parker no FIMAV de 2004
(foto: Martin Morissette)
«(...) And then there was the last-minute invitation of double-bassists William Parker and Henry Grimes with Charles Gayle on alto. Parker affectionately called them the “Emergency Replacement Band”, as they subbed for the ailing Derek Bailey, who was to play with John Zorn and Ikue Mori. The trio performed for the first time during their sound check, and the set itself served as a taster to their highly anticipated appearance a week later here in New York at the Vision Festival with the addition of two more bassists, Sirone and Alan Silva, which wound up being as overblown an affair as well. Parker played predominantly fast-paced walking pizzicato lines over Grimes' rushed arco, and the two occasionally role-swapped. Grimes' short, quick stroke technique was unrelenting, in effect removing any space or breathing room out from under the music itself. Gayle's pure, strong, spirited, and imaginative lines on alto were both harsh and warm delivered with a characteristic intense tone. He would have been much more successful, though, with one less bassist, or even as the fourth invited unaccompanied soloist to the festival. Gayle fluttered overtones that were at once slow then jumpy, but for 45 minutes there lacked any character development in the collective (an occupational hazard for many under-rehearsed avant garde ensembles); Gayle at least kept things musical and interesting as the focal point. It was the much shorter near 5-minute second number that made their set worthwhile, however, featuring a briefly unaccompanied and much more patient and resonant Grimes (...)» - Laurence Donohue-Greene.
Amanhã, 10 de Fevereiro, há Brad Mehldau no CCB.
«Com formação clássica, mas desde cedo apaixonado pelo jazz, Brad Mehldau é considerado actualmente um dos mais geniais pianistas de jazz do mundo. Influências tão variadas como Beethoven, Bill Evans, Schumann e Keith Jarrett fizeram com que Mehldau não criasse barreiras musicais. Exemplos disso são as participações em várias bandas sonoras e a revisão pessoal de temas dos Radiohead, Beatles, Paul Simon e Nick Drake. Elogiado pelas suas composições e capacidade de improvisação, Brad Mehldau desloca-se a Lisboa acompanhado do contrabaixista Larry Grenadier e do baterista/percussionista Jeff Ballard. O trio formou-se em meados dos anos 90, editando o disco de estreia: «Introducing Brad Mehldau», em 1995. É em formato trio que Mehldau explora a sua paixão pelo jazz, na vertente mais pura, do que são prova os álbuns intitulados «Art of the Trio», já com diversos volumes. Por não se rever apenas num estilo musical, é considerado um dos músicos mais arrojados e inovadores da actualidade. Participou nas bandas sonoras dos filmes «Meia-noite do Jardim do Bem e do Mal», de Clint Eastwood, «De Olhos Bem Fechados», de Stanley Kubrick e «Million Dollar Hotel – O Hotel» de Wim Wenders. A sua admiração por áreas mais populares da música levou-o a reinterpretar temas dos britânicos Radiohead – “Paranoid Android” e “Exit Music (For a Film)” – e Beatles – “Blackbird”. Com o novo disco «Day is Done» de 2005 na bagagem, o Brad Mehldau Trio desloca-se ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém para um concerto que, tendo em conta o bem sucedido espectáculo com que Mehldau presenteou os lisboetas no verão passado (também promovido pela Incubadora d’Artes), se antevê mais um sucesso retumbante» - CCB.
Através da UbuWeb, é possível ouvir uma entrevista que Derek Bailey deu a Henry Kaiser em 07.02.1987.
Silent Knowledge. Um disco que é bem o paradigma de toda a carreira de Elton Dean: inteiro, determinado, livre no pensamento e na acção. Com Elton Dean tocam a pianista Sophia Domancich e três dos Mujician de Keith Tippett: Paul Dunmall, Paul Rogers e Tony Levin, naquela que foi a primeira edição norte-americana (Cuneiform Records) deste poderoso quinteto. Um som cheio, carregado de sentido e tremendamente intenso. “The music here is a presentation of all that was played that day – a good day. May we all rediscover our silent knowledge”, escreveu Elton Dean.
Em Dezembro passado foi Derek Bailey. Agora, Elton Dean (1945-2006). Membro destacado do Soft Machine (Wyatt, Hopper, Ratledge, Dean), da chamada Canterbury Scene, participante no Keith Tippet Sextet, Just Us e noutras importantes formações de décadas passadas e da actualidade, algumas delas derivadas do Soft Machine. Saxofonista extraordinário do free jazz e da new music britânica. Desapareceu ontem aos 61 anos. RIP.

Concebido e organizado por Francesco Martinelli, o Italian Instabile Festival teve início em 1997, na cidade italiana de Pisa, terra natal de Martinelli. A primeira edição do festival foi inteiramente dedicada à Italian Instabile Orchestra e aos diversos sub-grupos em que a mesma se desdobra. Neles tomaram parte as figuras mais gradas do jazz e da música livremente improvisada de Itália. Pelo Teatro Verdi, Pisa, passaram Carlo Actis Dato, Enrico Rava, Gianluigi Trovesi, Jacopo Martini, Franco Nesti, Tiziano Tononi, Pino Minafra, Eugenio Colombo, Umberto Petrin, o Grupo Romano Free Jazz (Mario Schiano, Giancarlo Schiaffini e Bruno Tommaso), Sebi Tramontana, Vincenzo Mazzone, e por aí fora. A música da IIO é estilisticamente muito variada. Num tom geralmente bem-humorado e descomprometido, abarca os vocabulários conhecidos da livre improvisação europeia, melodias populares de sabor mediterrâneo e médio-oriental, influências do jazz norte-americano e de bandas sonoras cinema italiano, um caldo que constitui uma experiência auditiva única. Resumindo três dias de festival, a edição dupla da Leo Records (LR 262/263), produzida por Francesco Martinelli, reúne mais de duas horas de Italian Instabile Orchestra. Um luxo!


Ao very very circus que para aí vai por causa da dúzia de cartoons, prefiro de longe o Very Very Circus de Henry Threadgill. Não ofende sentimentos religiosos ou susceptibilidades de outra índole, aquece sem queimar a alma e não destrói coisa nenhuma, a não ser eventuais dúvidas ou preconceitos intolerantes e fundamentalistas. Ali como aqui, sem relativismo, “licenciosidade”, correcção política ou limites à liberdade de expressão. Só música de criação superior, com extraordinária e fulminante perícia. Para ouvir sem a gente ter que se ajoelhar e pedir desculpa. Spirit of Nuff…Nuff (Black Saint, 1991). Saxofone alto, flauta (Henry Threadgill), trombone (Curtis Folkes), duas guitarras eléctricas (Brandon Ross e Masujaa), duas tubas (Marcus Rojas e Edwin Rodriguez) e bateria (Gene Lake). Spirit of Nuff…Nuff. Incrível efeito, este dos instrumentos em dobro a tocar linhas separadas e independentes, solos breves, a técnica dos “written themes sandwiched into the middle of performances” (Kevin Whitehead), a fluidez decorrente da política de contenção individual e primado ao colectivo orgânico. Composições e arranjos labirínticos como nunca visto, salvo talvez em Mingus ou no Prime Time ornettiano, receita que Threadgill leva ainda mais longe no disco seguinte, Too Much Sugar for a Dime, em que o credo da Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM) – do antigo para o presente, a caminho do futuro –, assume todo o seu explendor: África, New Orleans, Chicago, jazz, blues, funk, música contemporânea. Isto, durante os anos 90. Depois veio o grupo Make a Move, a seguir o sexteto Zooid, e o fenómenal Threadgill ainda se tornou mais exuberante. Se ele cá viesse tocar haveria de ser o bom e o bonito.

OFFCYCLES#07 - Tinnitus, produzido pela granular, é o encontro de Julean Simon, ex-saxofonista dedicado a um híbrido entre o novo jazz e a música contemporânea, tem vindo a desenvolver novas técnicas de utilização do wax5, um instrumento de sopro midi que liga a um computador, através do max/msp para controlar dispositivos de síntese modular. Especialmente interessado na variabilidade e na flexibilidade dos sons electrónicos, o seu trabalho, seja a solo ou integrado em várias formações - por vezes com a dança e o vídeo como interlocutores - caracteriza-se por uma abordagem polifónica e "multivoice". Os seus companheiros neste evento são, Carlos "Zíngaro", violino, electrónica, Paulo Galão, clarinetes, Ulrich Mitzlaff, violoncelo e Carlos Santos, electrónica. Dia 16 de Fevereiro, em Lisboa, no auditório do Goethe Institut, às 22:00 horas.

Duas assinaláveis novidades editoriais na Mutable Music: Homage, de Thomas Buckner (voz barítono), Elisabeth Martinez (spoken word), Mel Graves (contrabaixo) e George Marsh (percussão); e The Art of Improvisation, do Leroy Jenkins' Driftwood, este segundo gravado ao vivo numa sessão na Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM). Leroy Jenkins (violino), Min Xiao-Fen (pipa), Denman Maroney (piano) e Rich O'Donnell (percussão). Estou a ouvir estes dois que têm muito que contar. Lá mais para diante falaremos.
Vem aí o novo de William Parker...
«William Parker's new album, Long Hidden: The Olmec Series, explores and expands on the ancient DNA/cultural codex that connects Africa to The Americas - reflecting William Parker's long abiding interest in and study of the continental connection between the Manding people of West Africa and the Olmec of ancient Mexico (root culture of the Maya forward). A listening meditation exercise toward your enduring pertinence in the present world? A ten-track introductory manual on how to comport yourself in the reigning parallel? Yes to both questions. 2012 is on its way, after all».
William Parker_6-string doson ngoni, percussion
Todd Nicholson_bass
Dave Sewelson_baritone sax, alto sax
Omar Payano_congo, güiro, voice
Gabriel Nunez_timbale, bongos
Luis Ramierez_accordion
Isaiah Parker_alto sax

O norte-americano Wade Matthews, saxofonista, clarinetista, electronicista, especialista em composição electroacústica com grau académico atribuído pela Universidade de Columbia, esteve recentemente em Portugal para um conjunto de apresentações em diferentes contextos e locais. Ouvi-lo tocar ao vivo foi um grande prazer, que agora recordo através da audição de dois dos três discos que recentemente publicou na discográfica portuguesa Creative Sources Recordings. É o caso, primeiro, da gravação que realizou com Ingar Zach. Wade M
atthews e o percussionista norueguês, colaborador de luminárias como Derek Bailey, Michel Doneda, Rhodri Davies e Jon Balke, entre outros, co-director da editora de música improvisada nórdica SOFA, ambos a viver com um pé em Espanha há alguns anos, acabam de publicar Mørke–Lys (cs057). Explorações intensivas de timbres e texturas de fonte electrónica e acústica, que se ajustam numa infinidade de frequências. Sons que vão do estalido breve e isolado ao limiar do ruído branco (white noise), quando aquelas frequências se juntam produzindo um efeito sonoro semelhante ao da luz branca, que tudo ofusca com o seu brilho intenso. É, aliás, na relação dialéctica entre luz e trevas que se desenvolvem os seis quadros de síntese musical, realidade e simulação de sons digitais e analógicos, fricção de metais, sons percussivos de peles, madeiras e plásticos, vasto leque de texturas. Oscilações, ciclos, contraciclos, vibrações da matéria em exercícios de compatibilidade sonora.
Seis alegorias sobre as relações entre trevas e luz, ou como estas duas ideias se verbalizam em Inglês, Norueguês, Espanhol, Italiano, Alemão e Francês. De comum a todos os temas, há um núcleo incandescente que varia de intensidade, circundado por milhares de pontos de luz que rasga a escuridão, faíscas, chispas e faúlhas que estalam, brasas que cintilam, relâmpagos que cortam o ar em explosões luminosas com as mais diferentes gradações de cor num espectro sonoro de forte sugestão visual. Wade Matthews e Ingar Zach, reafirmando o compromisso com a música livremente improvisada, conseguem aqui um interessante equilíbrio de formas e intensidades, mescladas com bom gosto, conta, peso e medida. Um passo mais na mudança de paradigma em curso na música improvisada europeia, que aprofunda e investiga novas formas de organização de sons electrónicos e acústicos.
Neste outro disco em que participa Wade Matthews, Dining Room Music (cs039), encontramos um quarteto formado por Quentin Dubost (guitarra), o próprio Wade Matthews (clarinete baixo e flauta alto), Stéphane Rives (saxofone soprano) e Ingar Zach (percussão), disposto em círculo na sala de jantar da Maison Bustros, um palacete situado em Beirute, Líbano. A gravação é de Agosto de 2004. A música, geralmente tranquila e em baixo volume, expõe toda a riqueza de padrões e complexidade da trama e da teia com que se tece, algures entre o lowercase e arroubos de maior expressividade. Ocasionalmente, há um ou outro som que rompe a barreira das frequências médias, sulcando o gratinado quase constante. As parcerias e combinações ad-hoc entre os dois franceses, o norte-americano e o norueguês, improvisadores de diferentes backgrounds e vocabulários, são bem demonstrativas da extrema versatilidade e adaptabilidade das estratégias individuais postas ao serviço de uma linguagem comum. A improvisação colectiva, que ocupa a maior parte dos 40 e poucos minutos de duração do disco, não anula a intervenção individual, sobretudo no tema final, permitindo que se ouça uma ou outra voz por cima da animada conversa, coisa normal durante um jantar. A luz que entra pelas janelas do palacete ilumina este festim de diferentes timbres instrumentais que se harmonizam em longas passagens, sem jamais perderem interesse e concentração. Duas vezes Wade Mattews, em duo e quarteto. Num e noutro caso, material de primeira qualidade.

No Aural Innovations, hoje escolho The Ear-Relevant Music Hoedown, de Bret Hart, programa dedicado aos experimentalismos do jazz e do rock. Embora o assunto principal das emissões seja o space rock, Aural Innovations comporta uma grande variedade de géneros e sub-géneros nas diferentes secções, rubricas e programas, com designações como Space Rock & Psychedelic Radio, Electronic Music Show, All Genres Underground Music, Stoner & Heavy Rock Radio, Live Shows from Majic Cat & Friends, Electronic Musicians Collective, 1980's-90's Cassette Culture, Psychedelic Music Radio, Experimental/Avant-Garde Show. É só escolher.

A Big O Magazine disponibiliza esta semana na rubrica "ROIO of the Week" [Recordings of Indeterminate Origin] uma gravação inédita do Art Ensemble of Chicago: Live at Fabrik. Hamburgo, Alemanha, 14 de Julho de 1987. Lester Bowie, Joseph Jarman, Roscoe Mitchell, Malachi Favors e Don Moyé. Quatro improvisações livres do AEC, mais Ghost, de Albert Ayler, e No Woman, No Cry, de Bob Marley. Registo stereo de uma emissão radiofónica em FM.

My Name Is Albert Ayler, o filme, estreou no Earshot Jazz Festival, em Seattle, Washington. Entre 1998 e 2004, o realizador sueco Kasper Collin (n. 1972) pesquisou arquivos, reuniu e tratou as poucas imagens em movimento que de Albert Ayler se conhecem, desencantou raridades dispersas, como concertos ao vivo e gravações audio realizadas entre 1963 e 1970, e entrevistas de Albert. Falou com familiares, o pai Edward e o irmão Donald, amigos e músicos como Michael Sampson, Mary Maria, Sunny Murray e Gary Peacock (estes dois últimos, cúmplices de Spiritual Unity). Ao todo, uma viagem de 79 minutos pela vida e obra de Albert Ayler, entre a natal Cleveland, Ohio, e Nova Iorque, onde morreu em 1970, aos 34 anos. Suicídio ou homicídio, ainda se discute. Indiscutível é a qualidade da música de Albert Ayler, bem como o interesse e a oportunidade do documentário de Kasper Collin. Primeira abordagem compreensiva de material que até agora permanecia desconhecido, disperso e sem organização, sobre uma das figuras mais importantes e inovadoras do jazz da segunda metade do Séc. XX.

Ori Kaplan, sax alto, Andrew Bemkey, piano; Susie Ibarra, bateria, tympani, djembe, kulintang, gong, bellafon e percussão; Geoff Mann, percussão, djun-djun e bandolim: o Ori Kaplan Percussion Ensemble. O quarteto gravou GONGOL em 2000 (Knitting Factory, 2001), inspirado em diferentes formas de música étnica, de África, Ásia e do Médio-Oriente, uma tradição com raízes fundas no jazz dos anos 60, sobretudo. Por todos, Alice Coltrane da fase Impulse!. As composições de Ori Kaplan, num estilo sóbrio e para-rapsódico que favorece o trabalho rítmico do piano e das percussões, dão sequência ao trabalho que ao longo dos anos tem vindo a fazer com Geoff Mann, Susie Ibarra, John Zorn, Roy Campbell, e com a Little Huey Creative Music Orchestra, de William Parker. Gongol é um disco supreendente a que se regressa com gosto.

Esta semana, no Jazz on 3, David S. Ware Quartet em concerto gravado ao vivo em Nova Iorque, a 31 de Março de 1999, ano em que actuou em Lisboa, no Centro Cultural de Belém. David Spencer Ware, saxofone tenor; Matthew Shipp, piano; William Parker, contrabaixo; e Guillermo E. Brown, bateria. Quatro temas: Sentient Compassion (8'31), Autumn Leaves (7'57), Yesterdays (12'15) e Gospelized (8'30). Dois standards e dois originais do saxofonista.
«As far as what I try to do with a standard, it's part of the same work that goes on with all the material - it's a search for an original modality, a way of thinking about the structure of harmony which asks whether there isn't some new side to sound, some new relationship between tones which working from a specific musical form can reveal. Think about what Coltrane did with My Favorite Things - no one had ever played that song in quite that way, and that's because he played it in a new modality. We are always on a method quest, a search for free flow method and that's what I try to do with all my music, not just the standards.
As for why I pick some older tunes, well, there's a level on which they just appeal to me as melodies, and on another level they're suggestive of intervals or motifs which seem to me to flow well within that tune, from which I can build something even more freely flowing - something the tune has always suggested without ever having been made explicit, and which comes forth once its motif has been freed of the original structure». [David S. Ware, Perfect Sound Forever]

Domingo, 5 de Fevereiro, às 23h, no Luso Café, sito no lisboeta Bairro Alto: KEN FILIANO em concerto solo.
«Assistir a uma performance a solo de Ken Filiano é uma experiência inesquecível, pela sua técnica arrebatadora tanto no arco como em pizzicato, e pela generosidade com que nos agracia a cada nota. Considerado pela crítica como "um músico de primeira linha", Ken Filiano absorveu toda a história do contrabaixo, dotando os inúmeros grupos em que participa com a sua identidade intuitiva e criativa, funcionando sempre como elemento catalizador» - Jazzin' Tondela. (Foto: Nuno Martins)
Entrada: € 3.
Este Sábado, 4 de Fevereiro, a fotógrafa e programadora Cristina Cortez, dá início às Tardes de Jazz n’A OUTRA FACE DA LUA – um ciclo que se pretende venha a ter periodicidade regular, num novo espaço lisboeta aberto às diversas tendências e expressões do jazz actual. A abrir a parada, o Trio de Sei Miguel apresenta LUASHOW: Seis Métricas para Iansã. Com César Burago, percussão; Pedro Lourenço, baixo eléctrico; e Sei Miguel, trompete e direcção.Sábado, 4 de Fevereiro às 18h00. Entrada livre.
A Outra Face da Lua. Rua da Assunção, 22 (perpendicular à Rua Augusta).
Festa dos 20 anos da INTAKT Records!
1 de Março:
CO STREIFF SOLO
Co Streiff: Alto Saxophone
DEMIERRE – GUY – NIGGLI TRIO
Jacques Demierre: Piano; Barry Guy: Bass; Lucas Niggli: Drums
CD-Vernissage: Demierre-Guy-Niggli. Brainforest. Intakt CD 107
2 de Março:
FRED FRITH SOLO
Fred Frith: guitar, electonics
KOCH – SCHÜTZ – STUDER
Hans Koch: Saxophones, Clarinets, Electronics; Martin Schütz: El. 5-String-Cello, Cello, Electronics; Fredy Studer: Drums, Percussion
3 de Março:
YANG JING SOLO
Yang Jing: Pipa
LES DIABOLIQUES
Irène Schweizer: Piano; Maggie Nicols: Voice
Rob Price, Jim Black, Trevor Dunn e Ellery Eskelin
ao vivo no Tonic, a 22 de Agosto de 2005 (foto: Scott Friedlander)

Notícias da SQUIDCO:
Jazz & Improv fans: Portugal's excellent Clean Feed label introduce 8(!) new albums, including Vinny Golia and Joe Morris CDs; Tzadik's latest includes a new Zorn Filmworks, the great duo of Mark Feldman and Sylvie Courvoisier playing Zorn compositions, the complex rock of Muddy World and a minimalist Jon Gibson concert from 1979; we add the rest of Japan's Doubtmusic label to our roster (Kato Hideki, Kazutoki Umezu, Mats Gustafsson and Andrew d'Angelo); 2 new releases on Ayler Records; 3 Asian Improv CDs including new Tatsu Aoki and Jason Kao Hwang; Collectif Inaudible and News from the Shed on Emanem, while psi brings us Agusti/Gustafsson and Louis Moholo's last London release with Evan Parker and company; Fred Frith/Carla Kihlstedt and Stevie Wishart improvise on Intakt; James Blood Ulmer's Odyssey band is back at long last on Pi Recordings, while we fill in Pi back-catalog; Dorgon is pitted against Greg Kelley; Han Bennink meets Dave Douglas on Songlines while Anthony Braxton teams with Douglas on Splasc(h).
Carlos Barretto (DIGGIN'), na Trem Azul, 31.01.06 (foto © Crista)

Zé Eduardo (contrabaixo), Jesús Santandreu (saxofone tenor) e Bruno Pedroso (bateria). A Unit "editou em 2004 «A Jazzar No Zeca», trabalho sobre os «motifs» melódico-líricos presentes na obra de Zeca Afonso, mesclados com improvisação de jazz, escola do hard bop, entretecida com o conhecimento do «free» como visto por Coltrane ou Steve Lacy. Celebrado docente, arranjador e músico na Península Ibérica, Zé Eduardo tem sido figura presente, há mais de 20 anos, em escolas, orquestras e workshops de jazz por Portugal e Espanha, deixando obra em todos os locais por onde passa, sempre em estadias de vários anos e de trabalho constante".

Nunca tinha ouvido falar de David Haney. Fiquei agora a saber que o pianista líder desta sessão é de origem canadiana e vive actualmente em Portland, Oregon. De Caramel Topped Terrier, disco em que Haney se estreia naquela função, não posso dizer que seja qualquer coisa por aí além. Pese embora percorrer caminhos que outros já trilharam anteriormente e em abundância, o disco de Haney tem alguns pontos de interesse que justificam audições repetidas. Desde logo, a escolha dos parceiros. Não se pode ficar indiferente quando os músicos envolvidos são Julian Priester, Wilbert de Joode e Han Bennink, mesmo que, dos 12 temas, 5 sejam solos de piano. David Haney segura-se bem. Cultiva um estilo marcadamente pós tayloriano, eventualmente mais sinuoso e saltitante, que combina a economia de notas com predomínio dos aspectos rítmicos, situado algures entre os territórios do jazz e da música contemporânea. Nas restantes peças, Haney alterna entre o trio com Bennink e de Joode, ou o duo com Priester, sem que jamais se ouçam os quatro músicos a tocarem juntos. Daí que a designação David Haney Quartet seja falaciosa. Pessoalmente, prefiro os temas em que o piano dialoga com o trombone, embora quer os solos quer as outras combinações instrumentais despertem curiosidade e interesse suficientes.
David Haney - Caramel Topped Terrier (CJR 1136)
Grande Tolliver!
Diggin', ao vivo na Trem Azul
A estreia do trio Diggin’, em concerto na Jazz Store da Trem Azul, teve o mérito principal de deixar claros alguns aspectos da música desta nova formação. Um inquestionável ponto a favor é que Alípio Carvalho Neto, saxofone tenor, Carlos Barretto, contrabaixo, e Rui Gonçalves, bateria, não deixaram que se instalassem dúvidas quanto à forma e aos fundamentos daquilo que se ouviu. Quer isto dizer que, longe de se ter ouvido qualquer coisa de indistinto, turvo ou confuso, a música apresentou propósitos claros, direcção definida e sentido das proporções, resultado do domínio que se esperava da parte de três instrumentistas talentosos e experimentados.É certo que poderiam ter ido muito mais longe nessa afirmação de princípios e de propósitos, bem como na demarcação porventura mais clara do território em que pretendem inscrever a música do Diggin’, grupo que, segundo Alípio Carvalho Neto, parte da ideia de procura, de «arqueologia da novidade», que esteve na base do convite a Carlos Barretto e a Rui Gonçalves para, em conjunto, fazerem a experiência.
Porém, e compreensivelmente, ressalvados os 10/15 minutos iniciais, o Diggin' arriscou pouco nesta primeira investigação “arqueológica”, tendo optado por navegar à vista das composições, uma sequência de três temas originais do saxofonista: Nissarana, que tem a ver com a ideia de libertação (going out), de carácter barroco e inspiração dolphyana; Tripus, que se funda na noção de trio, assente em três centros tonais e três escalas diferentes; e Snug as a Gun, inspirado num verso do poeta irlandês Seamus Heaney. A estes três somou-se um quarto tema de improvisação colectiva, a finalizar.
Ao longo dos cerca de 45 minutos de actuação, sentiu-se algum receio de soltar amarras, principalmente de Carlos Barretto, algo preso à exibição das malhas com que tece o virtuosismo que lhe é conhecido, ora hesitante em fazer trepidar a sala e catapultar os outros dois, ora tímido no arranque, quando Alípio pontualmente tentava incendiar o cenário. Noutras alturas era o saxofonista quem, inesperadamente, lançava água na fervura, travando Barretto e Rui Gonçalves, que, entre um e outro, ficava à espera de decisões claras e inequívocas, abstendo-se também ele de assumir a sua quota no comando do trio. Que neste aspecto ganhará tanto mais quanto maior vier a ser a autonomia e a capacidade decisória instantânea de cada elemento. Para já, o nível de interacção que se ouviu é muito interessante e deixa antever boas perspectivas. Uma coisa é certa: aqui há matéria-prima para trabalhar, canalizando recursos para o discurso colectivo, com prejuízo do monólogo expositivo.
Em suma, sem prejuízo dos bons momentos proporcionados a uma assistência interessada, e há muito trabalho pela frente e decisões importantes a tomar quanto ao que é manter, acrescentar ou lançar fora, assim seja essa a vontade colectiva. Além de remar para o mesmo lado, é preciso chegar à beira do abismo, questionar-se e arriscar o mergulho em águas profundas, onde se joga tudo, para ganhar ou perder. É lá que se esconde o mistério que o Diggin’ ainda há de revelar. Por enquanto, há três músicos com um trio em construção. O que não é pouco, para quem se encontrou para tocar a primeira vez juntos, enquanto tal, uma hora antes do concerto.