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28.2.06
 
Concerto_quarta-feira_1 de Março
Trem Azul Jazz Store_19h30:
Luís Lopes_guitarra eléctrica
Eduardo Lála_trombone


 
 



Número de Março da All About Jazz-New York:
Andrew Hill, George Wein, Bobo Stenson, Ictus Records, Issue Project Room, os 80 anos de Cobi Narita, calendário de eventos, críticas de discos e muito mais. Download, aqui.

 
 

No mais recente lote de edições da Creative Sources Recordings, focado em artistas europeus da livre-improvisação, como David Chiesa, Birgit Ulher, Sascha Demand, Wade Matthews (norte-americano, há muito radicado em Espanha) e Ingar Zach, há um disco que chama particularmente a atenção: Rocca, o primeiro registo de um duo que já conta um bom par de actuações ao vivo em concertos e festivais, formado por Agnès Palier (voz) e Olivier Toulemonde (dispositivo electroacústico). Palier veio da canção francesa, do canto lírico e do jazz, para se consagrar por inteiro à improvisação não-idiomática. Toulemonde começou por tocar saxofone (o que ainda faz), mas deixou-se cativar pela maquinaria produtora de sons, que combina com objectos sortidos.
A dupla harmoniza as diferentes noções de tempo que os seus instrumentos lhes permitem ter, articulação permanente entre o som criado num ambiente virtual e o outro, produzido pelo corpo humano, em que fôlego e ressonância são vitais na produção sonora.
Em seis peças de exploração sonora ávida do instante e consciente da sua fragilidade, mistura-se electricidade metálica, percussão acústica, sopro, sons guturais, chios, gemidos, canto, onomatopeias, e o uso de uma considerável variedade de técnicas vocais avançadas, algumas das quais se podem ouvir em improvisadores como o britânico Phil Minton, por exemplo.
Saudam-se os belos momentos de contraste entre estas duas matrizes essenciais e o trabalho na procura da complementaridade – que nunca é garantida, mas conquistada a cada passo, segundo a segundo – a fusão de duas realidades, uma virtual e digital, outra física e orgânica, que os músicos fazem convergir e coabitar em baixo volume, facto que em nada faz diminuir a intensidade do resultado.
É claro que o encontro homem-máquina, no que à criação musical diz particularmente respeito, é tudo menos novo. Onde realmente desponta a novidade é na permanente tentativa de encontrar diferentes soluções de combinação sonora, que apenas a livre-improvisação permite. Nessa medida – e este é um dos pontos altos do disco – está-se constantemente a ser surpreendido pela inventividade e pela audácia deste par de improvisadores. Rocca foi gravado em Tossiat, França, a 17 e 18 de Fevereiro de 2005.
Agnès Palier e Olivier Toulemonde - Rocca (Creative Sources, 2005)

 
 

Há dias, Andrew Hill era assim visto por Ben Ratliff, no New York Times.
Foto ©1999 Jack Vartoogian.

 
 

Começaram a surgir no mercado reedições da Vocalion, editora com uma história que remonta aos primórdios da edição discográfica, reactivada em finais de 50 com o contributo da Decca, que lhe passou a reeditar o fundo de catálogo, ao mesmo tempo que editava novidades. Finalmente relançada sob a designação Dutton Vocalion. Desde que Michael Dutton pegou na Vocalion, esta especializou-se na reedição de obras gravadas entre os anos 20 e os anos 70, como esta pérola de 1972, Jazz In Britain ’68/’69, que integra material de finais de 60 gravado por nomes dos mais importantes do brit-jazz, como John Surman, Alan Skidmore, Mike Osborne, Harry Miller, Kenny Wheeler e John Taylor, etc., em intensa actividade na viragem da década, quando a cena britânica efervescia e avançava esteticamente. Reedição da Dutton Vocalion, em Fevereiro de 2006.
«This album, recorded during the sessions that yielded Skidmore’s ‘Once Upon a Time’ LP, paired Surman, Skidmore and drummer Tony Oxley with a stellar cast of British jazz musicians in a set of complex and beautiful original compositions. The band is wonderfully cohesive, and the loose-yet-disciplined playing/soloing of such giants as Kenny Wheeler, Mike Osborne and Harry Beckett - not to mention Surman, Skidmore and Oxley - gives the music a completely organic and natural feel, as only musicians like these can produce».

 
27.2.06
 
Através de download, a Leo Records está a disponibilizar uma série de discos dos géneros Experimental, Contemporânea, Free Improv, Avant Jazz, Noise e World, das editoras russas Long Arms e Dom Records. Edições que, ou se encontram esgotadas e não esperam reedição, ou são muito difíceis de encontrar no mercado. É o caso de Petroglyphs, o primeiro CD do alemão Peter Brötzmann a ter sido gravado, produzido e editado na Rússia (Moscovo), em 2002. Solos e trios, com Ed Sivkov e Nick Rubanov.

 
26.2.06
 

Depois de um primeiro ep na Stasisfield, e de um segundo na italiana ctrl-alt-canc, Ernesto Rodrigues (viola) trisa com nova edição na Conv, netlabel de música experimental. Em trio, com os artistas libaneses Christine e Sharif Sehnaoui (saxofone e guitarra eléctrica, respectivamente). Sable, o ep, foi gravado em Lisboa, em 18 de Novembro de 2004.

«(...) A musical universe is conjured which, lacking any figurative tendencies, can be characterised as a very hylic affair - dealing as it does with the 'lowest' portion of musical matter, letting for no instance of sublimation. The grittiness, the very elemental quality of the sonorities are something of a very coarse-definition blow-up of the respective instrument's material properties (being violin, guitar & saxophone), a white-noise produced by solely analogue mechanics. Under the stress & strain of several extended techniques the acoustic possibilities that these instruments intrinsically possess are elicited from the marrow of their material structure, which is not a pretty picture. It is, in fact, not a picture at all, but rather an instance of the deconstruction of Maya». - Mark Pauwen

 
25.2.06
 


A ESQUILO anuncia que adicionou à sua loja online uma série de novas editoras, quase todas em exclusivo total para Portugal e Espanha. A saber: Improvised Music From Japan (Japão), Doubtmusic (Japão), For 4 Ears (Suiça), Cut (Suiça), A Bruit Secrét (França), Musica Genera (Polónia). A juntar a estas também alguns itens de várias editoras como o novo de Tetuzi Akiyama na Utech Records, ou cópias de alguns álbuns da limitadíssima Why Not Limited da Malásia.

 
24.2.06
 

José Carlos Santos, director artístico do BragaJazz (9, 10 e 11 de Março próximo), vai ministrar um CURSO DE HISTÓRIA DO JAZZ - NÍVEL BÁSICO. Com início a 14 de Março, e durante um mês, todas a terças-feiras, das 22h00 às 23h30, na Velha-a-Branca - Estaleiro Cultural, em Braga, o público em geral pode adquirir umas noções elementares sobre História do Jazz.
Inscrições no local (Largo da Senhora-a-Branca, 23 Braga); na Universidade do Minho, e através do tel. 253 618 234 ou endereço info@velha-a-branca.net

O Curso de História de Jazz - nível básico, que se realiza pela terceira vez na Velha-a-Branca, pretende dar aos seus frequentadores uma noção geral da evolução do Jazz desde os primeiros "ensaios" até aos dias de hoje. Além da audição dos trechos musicais mais relevantes na história do Jazz, as quatros sessões contarão também com a exibição de pequenos documentários em vídeo sobre alguns dos movimentos e dos seus músicos. Posteriormente, num curso mais avançado a decorrer no fim deste, serão ministrados conhecimentos mais aprofundados sobre algumas das épocas abordadas neste curso de iniciação.

José Carlos Santos, nasceu em Viana do Castelo no dia 25 do mês de Abril de 1960. Os estudos preparatórios e secundários realizou-os na sua cidade natal, tendo posteriormente cursado Filosofia na Universidade de Letras da cidade do Porto. Em Viana do Castelo foi um dos sócios fundadores do Cine Clube local e organizou inúmeros concertos de jazz, paixão que desde a juventude o vem atormentando. Residente em Braga desde 1989, aderiu nesse ano, sem condições, ao projecto da Rádio Universitária do Minho que desde 1989, semanalmente, projecta às sextas das 22h à meia-noite via ondas hertzianas, as sessões "SóJazz". Organiza ainda sessões da História do Jazz nas escolas do Minho e em instituições de carácter público e privado. Desde 2000 que é o director artístico do festival anual BragaJazz.

 
 

NO FILTER TRIO
Luso Café, 16FEV2006
Hernâni Faustino (contrabaixo),
Eduardo Chagas (trombone),
Miguel Martins (trompete, melódica, train whistle, sinos).
Foto: Rui Portugal

A Sabedoria do Corpo - Nos Trilhos de Ra
Café Luso, quinta-feira, 16 de Fevereiro


"Tu dizes «eu» e orgulhas-te desta palavra. Mas há qualquer coisa de maior, em que te recusas a acreditar, é o teu corpo e a sua grande razão; ele não diz Eu, mas procede como Eu. Aquilo que a inteligência pressente, aquilo que o espírito reconhece nunca em si tem o seu fim. Mas a inteligência e o espírito quereriam convencer-te que são o fim de todas as coisas; tal é a sua soberba. Inteligência e espírito não passam de instrumentos e de brinquedos; o Em si está situado para além deles. O Em si informa-se também pelos olhos dos sentidos, ouve também pelos ouvidos do espírito. O Em si está sempre à escuta, alerta; compara, submete; conquista, destrói. Reina, e é também soberano do Eu".

- Friedrich Nietzsche, in 'Assim Falava Zaratustra'

O breve concerto de quinta-feira passada, no Café Luso, propôs uma música para o corpo, no sentido em que o instinto é mais rápido e sábio que a razão. Neste contexto e para alem das estratégias estruturadas pelo intelecto, Miguel, Hernâni e Eduardo, dosearam e misturaram sensibilidades na razão justa. Souberam transpor os obstáculos da técnica para se instalarem, ouvidos abertos e dedo no gatilho, numa inteligente troca sonora de texturas e acentuadas dinâmicas. A variada sucessão de ideias deixou espaços suficientes para se ouvir com clareza as três vozes distintas. Apesar da energia ter esmorecido ligeiramente no final do set, esta acabou por regressar à intensidade inicial com uma conclusão diga da restante actuação.
Miguel tocou com o sentido da oportunidade que o caracteriza: o estritamente necessário para marcar veementemente a sua presença, desocupando o restante espaço de forma tão altruística como inteligente. Uma clara atitude de ‘contra-arte’ confirma, neste caso, um grande sentido estético.
Hernâni teceu a textura base do grupo e deu-lhe a projecção e andamento necessário. Funcionar como o motor principal, consolidando a forma musical. Uma ampla gama de harmónicos, com arco, antecedeu as suas irrequietas e rápidas malhas com técnica dedilhada.
A intervenção do Eduardo ‘Jorge Lewis’ foi uma surpresa! Os seus limitados recursos técnicos não foram um impedimento para dar largas a um som poderoso, tão redondo como nítido, pontuando a noite com um fortíssimo ataque, preciso e convicto. A noção de arranjo, oportunidade e contenção, foram próprias de quem tem os ouvidos abertos e um amplo imaginário guardado no arquivo da memória. Pondo, já agora, as coisas em contexto metafísico, foi ainda fiel ao mote "precision and discipline", do seu mentor espiritual: o próprio Sun Ra, The Living Myth!
Com o espírito do mestre no coração (afinal uma parte indissociável do corpo!) explorou ainda as dinâmicas mais subtis e os infinitos cromatismos que o seu novo instrumento lhe permitiam. Haverá ainda muito trabalho de casa para fazer (e quem não o tem?), mas na sua estreia absoluta, ou foi beginners luck, ou então o Eduardo mostrou que ainda há um vasto filão por explorar. Para já, um contrato exclusivo com a Saturn Records, a não ser que alguma editor nacional dê o primeiro passo em frente! CALLING PLANET EARTH! Calling…Calling Planet OUI-RTH...!

- Abdul Moimême

 
 


Fragmentos de uma jornada em torno e ao interior de um contrabaixo. Em duas peças únicas, com a duração média de 20 minutos cada, David Chiesa (nasc. 1970), contrabaixista francês autodidacta, desce às profundezas do instrumento e descobre segredos escondidos, que traz à superfície. Chiesa orienta o seu trabalho na direcção de outras artes, a poesia, a dança, o cinema. Cinematográfica é a sucessão de imagens que o contrabaixista sugere, pizzicato, percussão e movimentos com arco na transformação da música em palavras, fonografia de amplo vocabulário e riqueza imagética. A música de David Chiesa, complexa na sua estruturação, nasce de um processo de composição em tempo real e exige do ouvinte algo mais que a mera passividade na fruição – a decifração de uma linguagem que se vai tornando inteligível e familiar à medida em que o ouvinte se deixa envolver e seduzir. Phonèmes foi gravado em Juillaguet, França, por Laurent Sassi, com a assistência do contrabaixista norte-americano Kent Carter, em Novembro de 2005. Edição da Creative Sources Recordings, 2005.

 
 


Muito bom, o trabalho fotográfico, em imagens fixas e animação, de Philippe LENGLET.

«Né en 1960 à Tourcoing, il commence par apprendre la clarinette et le solfège à 11 ans, dans une harmonie municipale. A 15 ans, marqué par Jimi Hendrix et Frank Zappa, il abandonne cet instrument pour la guitare qu'il apprend presque en autodidacte. En 1982, c'est la découverte de la musique improvisée et la pratique de la guitare préparée. Il joue dans le MMD, formation régionale de free-jazz et participe à la création de l'orchestre des 100 guitares sous la direction de Rhys Chatham. En 1985, il se met à la photographie, un peu par hasard, au cours d'un voyage en Chine à la suite duquel une première exposition, en noir et blanc, sera réalisée. D'autres suivront, avec un travail réalisé en duo avec sa compagne Marie-Noëlle Dufromont, dans lequel les photographies sont associées à des textes et mises en couleurs et en situation».

 
23.2.06
 


IRÈNE SCHWEIZER
A Film by Gitta Gsell
(Intakt)

 
 


O IV Portalegre Jazz Fest está a decorrer até 25 de Fevereiro. Com Contra3aixos, Quinteto Rui Luís Pereira, Sexteto Henri Texier e Dee Dee Bridgewater no programa.

 
 


Jacques Demierre, Barry Guy, Lucas Niggli, Zoubek & Hubweber, Low Frequency Orchestra, Quartet Noir, Valve Divison, Use, ZFP-Quartet, Roscoe Mitchell Trio, Earl Howard, Gustavo Aguilar, JR3, Will Holshouser Trio, e projecção de filmes. No Jazzatelier Ulrichsberg, a partir de 4 de Março próximo.

 
 

O contexto é mais que um pormenor, um incidente ou uma atmosfera. Recriar temas de Albert Mangelsdorff, o grande trombonista alemão, é trabalho arriscado a que ainda ninguém se havia proposto. E não faltariam motivos de interesse: Mangelsdorff deixou obra farta, volumoso livro de composições e técnica ágil e inovadora, com uso intensivo das chamadas multiphonics, técnica que consiste em tocar mais do que uma nota em simultâneo, ou em tocar e vocalizar mesmo tempo, explorando as possibilidades sonoras do instrumento.
Joe Fiedler fê-lo bem e ainda em vida do mestre. Nome cimeiro do trombone actual, Fiedler tem tocado com Lee Konitz, Kenny Wheeler, Cecil Taylor, Anthony Braxton e Roswell Rudd, entre outros. Esteve recentemente em Portugal, integrando o grupo Fast’n’Bulbous, que actuou no encerramento do Jazz em Agosto. Foi o primeiro a desbravar o acervo de Albert Mangelsdorff, falecido em Julho último, aos 76 anos.
Nesta gravação de 2003, o trombonista mostra ter o necessário engenho e arte para a missão, conseguindo escapar às armadilhas que um disco de tributo pode encerrar, dando à obra a adequada lógica, coerência e flexibilidade interpretativa, fazendo jus à versatilidade estilística do homenageado.
Joe Fielder realça o aspecto “autoritativo” de Mangelsdorff. A sua marca identitária salta-nos ao caminho, imediatamente reconhecível às primeiras notas do tema de abertura, Wheat Song. Seguem-se os restantes oito temas de Plays de Music of…, nos quais Fiedler comunica o seu profundo respeito e admiração por Mangelsdorff, cuja música valoriza com o seu som quente e volumoso.
O acompanhamento de John Hebert, contrabaixo, e de Mark Ferber, bateria, está à altura da situação e contribui assinalavelmente para o êxito deste projecto, do qual a Clean Feed tem bons motivos para se orgulhar. O enigma da música de Albert Mangelsdorf, vindo à superfície e dando-se a conhecer parcialmente nos seus limites exteriores, permanece por desvendar.

 
22.2.06
 
«Inspirados em «The Doors of Perception» de Aldous Huxley, os The Crack decidiram perseguir a senda dos shaman,usando a improvisação espontânea como veículo para ultrapassar os limiares do entendimento e vislumbrar o que está para além das portas da percepção. A simbiose gerada entre instrumentos da Antiga China, da música clássica e os aparelhos do mundo mecanizado de hoje, procuram gerar o estado hipnótico que permitirá passar para o outro lado da fenda e captar esse momento de fuga».

THE CRACK
::::: Travassos :: cracklebox, tapes ::: Hernâni Faustino :: contrabaixo ::: Abdul Moimême :: aquaphone, percurssões, flauta ::: Guilherme Rodrigues :: violoncelo::::
LUSO CAFÉ :: 2 MAR :: 23H

 
 


Domingo, dia 5 de Março, na Livraria Cultura, Recife, Brasil, actua o Quarteto de Alípio Carvalho Neto e Johannes Krieger, com Alípio C. Neto (saxofone tenor), Johannes Krieger (trompete), Helinho (contrabaixo e baixo eléctrico) e Ebel Perrelli (bateria).

«Alípio Carvalho Neto vive há dez anos na Europa onde tem realizado um intenso trabalho como músico e escritor. Sua produção musical vem sendo objeto da melhor crítica de jazz portuguesa. Recentemente, a revista jazz.pt, em seu último número, publicou em destaque uma longa entrevista com Alípio, considerando-o uma das revelações musicais do ano de 2005, ao lado de nomes como Alexander Von Schlippenbach e John Hollenbeck.
Juntamente com Johannes Krieger, um músico reconhecido por sua versatilidade na cena musical portuguesa, Alípio formou um núcleo criativo de músicos-compositores, o Wishful Thinking, um ensemble que elabora composições originais no limite que propõe o jazz, a música improvisada de uma forma geral e a música contemporânea.
Outro destaque do Wishful Thinking é Alex Maguire, grande pianista inglês que tem atuado ao lado de Evan Parker, Elton Dean, Roswell Rudd, Han Bennink, Tony Oxley, Steve Noble, Michael Moore, Sean Bergin, Tristan Honsinger, Pip Pyle, Richard Sinclair, Phil Miller, Simon Fell, entre outros.
Ricardo Freitas e Rui Gonçalves completam o quinteto por partilharem uma estética musical que encontra sua maior expressão na intensidade e na diversidade de suas respectivas linguagens como compositores e instrumentistas. O nome do projeto surgiu quando Alípio e Alex ouviam no disco Festa dos Deuses de Hermeto Pascoal o tema "Pensamento Positivo".
Alípio lançará dois álbums este ano: THE BOOK OF COMPLAINTS com o Wishful Thinking e SNUG AS A GUN, com o IMI Kollektief, ambos pela Clean Feed Records. Johannes Krieger terá, no próximo mês de Março lançado em Portugal o album TORA TORA, como compositor e líder da big band homônima.
Para apresentar parte do repértório destes ensembles no concerto em Recife, Alípio convidou Ebel Perrelli (bateria) e Helinho (baixo elétrico e contrabaixo)».

Entretanto - digo eu - Alípio & Johannes estão a aquecer a caldeira para participar activamente nas festas pré-canavalescas que a Prefeitura da cidade brasileira do Recife está a organizar. É na apoteose desses dias de grande folia, que, na terça-feira 28 de Fevereiro, que os dois músicos vão participar na Orquestra Multicultural do Recife, com outros 150 (cento e cinquenta!!!) elementos, e será regida pelos maestros Spok, Ademir Araújo, Clovis Pereira, Duda, Edson Rodrigues, Geraldo Santos, Zé Menezes, Nunes, Forró e Fábio César.

 
 

Para comemorar o quinquagésimo aniversário do saxofonista britânico Paul Dunmall, ocorrido em 2003, a BBC encomendou-lhe a escrita de uma peça musical. Dunmall aproveitou a oportunidade para juntar à sua volta catorze amigos, alguns dos melhores e mais marcantes improvisadores do brit-jazz contemporâneo, parceiros das colaborações com vários grupos, entre os quais os de Elton Dean e o Mujician (Keith Tippett, Paul Rogers e Tony Levin). A obra, intitulada I Wish You Peace, pensada para orquestra – a Moksha Big Band, querendo Moksha significar o estádio de libertação final da alma, o tal que, segundo Dunmall, John Coltrane havia atingido –, foi apoiada por Janinka Deverio, da agência Mind Your Own Music e pelo programa da BBC Radio 3, Jazz on 3. A gravação realizou-se a 29 de Março de 2003 nos estúdios Gateway, em Londres. Presente, o quem é quem da cena britânica: John Adams, Chris Bridges, Howard Cottle, Paul Dunmall, Philip Gibbs, Brian Irvine, Hilary Jeffery, Tony Levin, Gethin Liddington, Simon Picard, David Priseman, Paul Rogers, Paul Rutherford, Mark Sanders, Keith Tippett e Annie Whitehead. Três saxofones, três trombones, dois trompetes, duas guitarras, piano, autoharp, contrabaixo e duas baterias. I Wish You Peace desdobra-se em três peças sob a forma de suite, com duração entre os 13 e os 21 minutos, melodias esfusiantes unidas por um fio condutor de intensidade e energia que emana de um grupo que improvisa com brilho e paixão. Altamente estimulante. Edição de 2004 da norte-americana Cuneiform Records.

 
 

Já é possível ouvir a emissão da Oxigénio FM online. Agora, na net, good vibrations a todas as horas, desde que se goste de funk, soul, dub, reggae, chill-out, r&b e lounge em diferentes formatos, derivações, cruzamentos e contaminações do pop com a música negra. "Oxigénio, música para respirar". Ao sábado à noite, entre as 20h00 e as 22h00, há "Planeta Jazz", «o jazz conjugado no passado, presente e futuro - um programa para amantes do género e simples curiosos, que percorre os múltiplos caminhos do jazz, desde a génese à transfiguração actual». As escolhas e combinações sonoras são de Tiago Santos (Spaceboys Soundsystem).

 
21.2.06
 


Passei há dias na FLUR, a Santa Apolónia, em Lisboa, e trouxe comigo este disco belíssimo:

TIBETAN BUDDHIST RITES FROM THE MONASTORIES OF BHUTAN
recorded by John Levy
SR222

"Recorded by John Levy (1010-1976), a London ethnomusicologist, in 1971, more than 140 minutes of some of the most powerful music ever recorded on earth. John Levy, an Englishman in Bhutan early seventies: Released by Lyrichord in mid-70', all the people who have listen to these vinyls know that it doesn't exist something more powerful, more prodigious and pure than them. John Levy was a London ethnomusicologist who took refuge in tibetan buddhism. So he had all the possibilities to record -- with his nagra-stéreo -- all the rituals (even the most sacred). We can say that what is discovered here is unique and far beyond all what was done after that. All the material is fully remastered and we propose the Levy's collection divided into two discs of ritual and chanting (this CD) and one of instrumentals and folk music (forthcoming as SR230).
The great power of the rituals of the Drupka and Nyingmapa Order: On the first volume, a double CD with extended notes, Rituals of the Drupka Order, the primary instrument is the long golden trumpet, along with various drums and percussion and a deep droning bass. Rather than soothingly meditative, the music can be a bit dissonant to Western ears. Chanted and played by 76 Lamas and Monks with long trumpets, shawms, cymbals, drums and other Tibetan instruments in sacred temples. Invited by the king of Bhutan, Levy was afforded every facility for recording monastic music in the principal dzongs (great fort-like monasteries) of the Nyingmapa Order. The ethereal Polytonal throat chanting, the long trumpets, shawms and percussion instruments, the processional music and spectacular mask dances, Tibetan and Bhutanese secular songs and poems, All reproduced with incredibly sonic fidelity! A truly remarkable collection, with extensive liner notes, photographs, and musical illustrations by John Levy».

 
 

Naked City + Cobra + Masada = Electric Masada. Upgrade de Bitches Brew?

 
 


Na webzine One Final Note, em recente actualização: artigo de Marc Medwin sobre o pianista e multi-instrumentista Cooper-Moore, intitulado “Deep Communicative Roots”; as imperdíveis UnAmerican Activities, de Ken Waxman, esta semana sobre o contrabaixista canadiano Normand Guilbeault; e as habituais críticas de discos. Neste último capítulo, os novos de Anthony Braxton QuintetLive at the Royal Festival Hall (Leo Records); BadlandThe Society of the Spectacle (Emanem); ZuHow to Raise an Ox e The Way of the Animal Powers (Atavistic + Xeng); Aram SheltonArrive (482 Music); e do Lars Göran Ulander TrioLive at Glenn Miller Café (Ayler Records).

 
20.2.06
 

Novas da netlabel alemã subsource: Wave to Mr. Smith - Akinom - live session recorded at Kornhaus Bern, Switzerland - April 2005 - Music by Benfay (double bass, effects) & Roger Stucki (Soundscapes) - [sub058]

«Please Mr. Smith, tell me! What’s your pitch? What is it that unifies us? There is something inbetween. Dark and mellow pads, interrupting clicks, a day in the life of Mr. Smith:
"Woke up, got out of bed. Dragged a comb across my head. Found my way downstairs and drank a cup and looking up, I noticed I was late. Found my coat and grabbed my hat. Made the bus in seconds flat. Found my way upstairs and had a smoke. Somebody spoke and I went into a dream. Ah" (Beatles Lyrics). That’s where we start...»


 
 

Amanhã, 21 de Fevereiro, é dia de lançamento oficial do novo disco do quinteto de Andrew Hill, Time Lines (Blue Note), produzido por Michael Cuscuna. Com Charles Tolliver (trompete), Greg Tardy (saxofone tenor e clarinete), John Hebert (contrabaixo) e Eric McPherson (bateria).
Quarenta e dois anos depois, a Blue Note volta a assinar contrato de gravação com Andrew Hill, prolongando assim uma relação intermitente iniciada em 1963, quando o jovem pianista chamou a atenção de Alfred Lion e Francis Wolff, os então manda-chuvas da casa, ligação que veio a dar origem a títulos como Black Fire, Judgement!, Point of Departure, Passing Ships, Eternal Spirit e But Not Farewell, antes de Andrew Hill migrar para a Palmetto Records e assinar por Dusk e Beautiful Day.

 
 

Big Satan: Marc Ducret, Tim Berne, Tom Rainey.

 
19.2.06
 
Klaus Kugel e Albrecht Maurer fundaram em Colónia, Alemanha, a Nemu Records. Além de obras dos fundadores, lá podem encontrar-se gravações em que participaram Claudio Puntin, Dieter Manderscheid, Robert Dick, Ursel Schlicht, Bruce Eisenbeil, Perry Robinson, Hilliard Green, Norbert Rodenkirchen, Petras Vysniauskas, Vyacheslav Ganelin e Kent Carter.

 
 


Em 1996, o compositor Arthur Lipner começou a explorar as possibilidades ténicas e o enorme potencial da net para tornar globalmente disponível a sua música. Assim nasceu a primeira experiência, MalletWorks Music. E agora lançou a ComposersWorks, mais abrangente, para divulgar a actividade de compositores de todo o mundo. É desta forma inteligente que os compositores, colectivamente organizados, podem dar a conhecer as suas biografias, trabalhos, estudos, videos, partituras em formato pdf, e tudo o mais que se relacionar com a actividade.

 
 

Limitada a 900 exemplares numerados à mão, a caixa Moserobie Jazz Manifesto capta em 6 CD's uma boa panorâmica daquela que é, neste princípio de Século XXI, uma das cenas mais criativas do jazz - a nórdica. A Moserobie veicula novas manifestações do espírito da New Thing, de quando editoras como a Esp-Disk, a Impulse! e a Blue Note ousavam afastar a apatia e mostravam o caminho, sem esquecer um olhar crítico de revisão do modalismo, do soul-jazz e do pós-bop.
Os seis discos foram gravados ao vivo num festival que serviu para dar a conhecer a grande variedade de artistas deste importante centro difusor de novos conteúdos para uma música que tem sido capaz de se renovar, pesem embora as tentativas de a encapsular num certo passado e de aí conservar como se de algo imutável e não evolutivo se tratasse. A partir de Estocolmo, a Moserobie está a dar um importante contributo nesse sentido. Convém que a gente se vá habituando a nomes como Filip Augustson Quartet, Fredrik Nordström Quintet, Dog Out, Magnus Broo Quartet, Nacka Forum , LSB, Ludvig Berghe Trio, Jonas Kullhammar Quartet, The Torbjörn Zetterberg Hot Five, Mathias Landæus House Of Approximation, Moksha, Sonic Mechatronik Arkestra, e muitos mais que estão a despontar e a fazer o seu caminho.

 
 

Hoje acordei os vizinhos assim...

 
 

PuroJazz - programa de rádio feito em Monterey, Califórnia, por Roberto Barahona, emitido de Santiago do Chile, através da Radio Beethoven, e retransmitido a partir de Buenos Aires, Argentina, via página de Alberto Varela -, dedica esta semana a Charles Gayle, More Live at Knitting Factory, 1993. Charles Gayle (saxofone tenor, clarinete baixo e violino); William Parker (violino, violoncelo e contrabaixo); Vattel Cherry (contrabaixo); Michael Wimberly, Marc Edwards (bateria e percussão).
A propósito de Charles Gayle, Jan Ström, da Ayler Records, informou que, no passado domingo, dia 12 de Fevereiro, gravou a actuação do Charles Gayle Trio, com Gerald Benson, contrabaixo, e Michael Wimberly, bateria, no Glenn Miller Café de Estocolmo, a pensar numa próxima edição em CD.



 
18.2.06
 

IVO PERELMAN - INTROSPECTION (2006)
Leo Rec LR 455

*Ivo Perelman: Sax
*Rosie Hertlein: Violino e Vocais
*Dominic Duval: Baixo Acústico
*Newman Baker: Bateria

Alguns passos à frente

«Com o cd “Introspection”, lançado na Europa em Janeiro de 2006 pela gravadora Leo, Ivo Perelman continua desenvolvendo sua música com instrumentos de cordas. Dessa vez acompanhado pelo violino de Rosie Hertlein que também faz algumas vocalizações acompanhando seu dissonante violino. Às vezes, se assemelha ao atonalismo da música erudita contemporânea.
No encarte do cd constam nove pinturas abstratas do próprio Ivo. Nove músicas correspondendo a cada uma das nove pinturas. Cada tema tem a duração de 4 a 14 minutos que nos levam ao mundo deste talentoso saxofonista e artista plástico brasileiro que conseguiu unir de forma harmoniosa música e pintura abstrata.
O diálogo e o entrosamento entre os músicos é incrível. Dominic Duval (baixo), Newman Baker (bateria) e Rosie Hertlein (violino) desenvolvem uma complexa sonoridade para as “pinturas sonoras” de Ivo ao sax.
Não é um álbum de fácil audição. É necessária bastante atenção e introspecção para apreciarmos a qualidade das composições e dos músicos. Mesmo se chamando “Introspection”, o cd tem força, é um disco poderoso, tem uma qualidade raramente encontrada nos atuais lançamentos de ‘jazz’.
“Introspection” a cada audição se revela melhor, mais ousado, com excelentes temas que não se limitam ao que se entende normalmente por ‘jazz’. Ele vai além.
O nome de algumas músicas como “All Power Emanates From One Source”, “Spiritual Destiny”, “Divine Awareness” nos faz lembrar de John Coltrane, Albert Ayler, Pharoah Sanders, Archie Shepp. Mas o sax de Ivo é único, tem identidade própria e as semelhanças com os “mestres” terminam aí.
As faixas “Introspection“, “Karmic Forces“, “Faith”, “Extended Conciouness”, as duas últimas citadas com aproximadamente dez minutos cada, são algumas das faixas mais impressionantes do cd.
Neste cd podemos ouvir complexas sonoridades atonais e temas que explodem em poderosos “free-jazz”.
Acredito que com “Introspection” Ivo avançou mais alguns passos não só no fechado meio do “free-jazz”, mas também deu uma valiosa contribuição para a música contemporânea.
Altamente recomendado para aqueles que querem ampliar os horizontes musicais».

- Cláudio Penteriani - 07 de fevereiro de 2006 (Agradecimentos são devidos).

 
 

O quarteto norueguês Supersilent, visto em Lisboa na edição do Jazz em Agosto de 2000) lançou há tempos o sétimo volume da série que empreendeu em 1998, imediatamente a seguir à estreia no Bergen Jazz Festival de 1997.
Supersilent 7, em formato DVD, incorpora uma performance do grupo realizada na capital norueguesa em 2004. Arve Henriksen (trompete e electrónica), Helge Sten (“audio virus”, electrónica artesanal, gravadores vintage, theremin, filtros, samplers, etc.), Stale Storlokken (teclados) e Jarle Vespestad (bateria).
Grande é a curiosidade para ouvir o que o Supersilent tem para oferecer em som e imagem, já que nos habituou à imprevisibilidade das suas actuações e edições discográficas, não obstante o som do grupo ser facilmente identificável, na forma como combina trejeitos de electro-jazz, livre-improvisação, noise e paisagismo industrial. Sabe-se que os quatro não ensaiam, não estabelecem estratégias antecipadas nem definem linhas de orientação antes de se encontrarem para tocar. Tocam e pronto. Tudo em tempo real e sem outros truques que não os da ilusão criada em frente ao espectador.
«The sold out concert took place in Oslo in August last year and was beautifully captured by Kim Hiorthøy and friends to 16 mm black and white film, and later edited by Hiorthøy. The sound was recorded by Athletic Sound and mixed by Helge Sten. Needless to say, it looks and sounds fantastic. The concert itself was rewarded a six out of six review at the time in Norway´s major national paper Aftenposten. You get the complete concert, 109 minutes, 6 tracks, in the same order as on the night, there are no overdubs or repairs. And there is no bonus material, not even a menu. This is a conscious decision by the direct or, artist and label» - Rune Grammofon.



 
 

Enquanto se desespera pelo número 4 da revista de Bill Shoemaker, a imprescindível POINT OF DEPARTURE (não deve tardar um fósforo), tem a gente que se entreter a ler e a reler nas entrelinhas o número 3, passado mas ainda actual. E feito com inteligência e bom gosto, coisas arredadas das vistas de boa parte da saloia e lusa crítica "oficial" de jazz, que algum arejamento haveria de ganhar tomando uma pitada diária, semanal, mensal, vá lá, anual que fosse, de Point of Departure. Um bom ponto de partida, por certo. Na capa está Roscoe Mitchell, captado em actuação no Guelph Jazz Festival de 2005, em foto de Lyssa Nielsen.

 
17.2.06
 

O percussionista norte-americano de origem porto-riquenha, Ray Barretto, internado desde Janeiro num hospital de New Jersey, não resistiu aos problemas coronários, hepáticos e renais que o acometiam, tendo falecido hoje, aos 76 anos.
«Pienso que la guajira y el blues están unidos por lazos poderosos. Son el fruto de los trabajadores, de los que cortan la caña en Cuba y en Puerto Rico, o de los que recogen el algodón en el sur de los Estados Unidos. La música, en definitiva, es el reflejo de esa gente, y ella más bella cuando nace del pueblo».
Nascido em Brooklyn, em 29 de Abril de 1929, Raimundo "Manos Duras" Barretto foi o maior tocador de conga do jazz, tendo intensificado a aproximação e a fusão do género com a música latina. Em quase cinco décadas de carreira, Barretto tocou com inúmeros músicos, entre os quais Tito Puente, Art Blakey, Dizzy Gillespie, Wes Montgomery, Lou Donaldson, Roy Haynes, Donald Byrd, Max Roach... So long, Ray!

 
 

Gostei muito de ter tocado ontem à volta da meia-noite com o Hernâni Faustino (contrabaixo) e o Miguel Martins (melódica, trompete, train whistle e sinos) no Luso Café, ao Bairro Alto, em Lisboa. O espaço, além de bonito e bem decorado, tem excelente acústica e é ideal para ouvir grupos de reduzida dimensão. Pessoalmente, foi um privilégio partilhar o cenário com os amigos e fazer música com dois improvisadores do nível, garra e inventividade do Miguel e do Hernâni. Tenho a certeza de que o No Filter Trio vai voltar ao crime, naquele ou noutro local. It’s all about the sound, boys…

 
 


Keith Utech (Milwaukee, Wisconsin), atento aos sinais e às movimentações de artistas das várias tendências da música improvisada global, prossegue o trabalho editorial da sua UTECH RECORDS com a publicação este mês de Fevereiro de três novas gravações. No pacote deste mês cabem propostas oriundas dos EUA, de Itália e do Japão. A abrir, Stagger, do Triage, trio de Dave Rempis (sopros), Jason Ajemian (contrabaixo) e Tim Daisy (bateria), baseado em Chicago. Stagger é o título do duplo CD gravado ao vivo em 5 de Setembro de 2004, no Westcott Community Center, em Syracuse, Nova Iorque. A proposta italiana é subscrita pelo colectivo iconoclasta Sinistri, que preparou Timing the 183k Pulse para a Utech. Manuele Giannini e Mattia Di Rosa (guitarras), Roberto Bertacchini (bateria), Dino Bramanti (baixo e outros efeitos), Alessandro Bocci (sintetizador, microfone de contacto) e Massimo Carozzi (sintonizador rádio e efeitos) definem-se com um grupo cuja música se baseia em “nonmetric rhythms, minimal riffs and improvisational vamps that bear traces of proto-punk, black and contemporary classical music”. Finalmente, o guitarrista japonês Tetuzi Akiyama, membro destacado da cena free improv / free folk japonesa, oferece-nos Striking Another Match, um conjunto de peças para guitarra acústica solo gravadas em Abril passado, em Tóquio. Todas as edições são limitadas a 200 exemplares por título.

 
16.2.06
 


Não pode a gente baldar-se a um concerto, que não fique desconcertado com a crítica que lê nos dias imediatos. Faltei ao Brad Mehldau no CCB. Respeito o pianista, mas confesso não ser dos que mais me tocam ou seduzem. Admirando embora a capacidade técnica e emocional do artista, já me cansam as versões de clássicos dos Beatles, dos Radiohead (para os mais modernos); ou dos Soundgarden (para os mais alternativos). Isto, sem prejuízo de lhe aplaudir as escolhas. Quando me dá para aqueles lados (os do piano-jazz), na família classizante ainda não consegui ouvir melhor que os primos Jarrett e Evans. Outra espessura, outra maturidade, outra densidade. Tão bons, que me fazem apetecer voar para outras paragens nas asas de Paul Bley.
Mas que li eu de tão extravagante? Nada, só alguma variedade de opiniões, umas quase nos antípodas de outras, o que é saudável e só abona a favor da crítica e do criticado. Mal do artista que cai nas armadilhas do consensual, e, já agora, dos críticos que seguem a mesma pavloviana cartilha ou grelha de análise.
No "Diário de Notícias" leio em título e em fervorosa crítica, empolgadas referências à “transcendência”, qualidade própria do maravilhoso “estado de graça” do grande "génio" do qual apenas Jarrett se abeiraria no trio Standards, por entre desvalorizações de outros sub-géneros do jazz (free e pós-free, expressamente nomeados). Como se para dizer bem de alguém tivessemos que arrasar os parentes. Tss... Se a qualidade do produto é intrínseca - como é o caso -, faz sentido apoucar para enaltecer? Permito-me duvidar do método e dos objectivos.
No "Correio da Manhã", igualmente enlevado e quase de lágrima ao canto do olho, impressionou-me a carga metafórica empregada no comentário sobre o concerto‑missa. Em Belém (não há coincidências) foi vista a Luz do novo Messias do Jazz.
Calma, não dramatizemos em excesso: é apenas um bom, um excelente pianista. Porquê começar já a hiperbolizar, sob pena de gastarmos todas as munições logo na abertura da caça? Só estamos ainda em Fevereiro e já bradamos pela transcendência, já apelamos ao sublime, ao sobrenatural e ao mais que está para lá do céu!? Compreende-se: se a clássica tem Mozart, o jazz não lhe pode ficar atrás: Mehldau!
Lidas estas pungentes cenas metafísicas, fizeram-me elas recordar a história dos três pastorinhos videntes. Faltaria um, claro, mas esse não escreve em jornais, que eu saiba; mandou apenas um mail carregado de adjectivação da mais superlativa e encomiástica que encontrar se possa. Qual Cavaco, Mehldau à presidência e já!
A seguir passei ao "Blitz". Que sim, foi um bom concerto, com alguns pontos fracos (heresia! anátema! fogueira!), mas não tantos que chegassem para arruinar a prestação do trio. Bem assinala o semanário que Mehldau, além de respeitado, é “venerado”. O que atrás se conta não deixa mentir e confirma tão peculiar acepção. Para o "Blitz", o melhor do piano de Mehldau parece ter sido o contrabaixo de Grenadier. O que é bem possível e não custa a crer.
No "Público", li algo pelo mesmo tom de afrontoso desafio à fé; que sim, mas também, e tal, venha outro que este já está arrumado. Deste lado, a propensão para as coisas da imanência não assumiu o mesmo peso específico. Pareceu-me até que acintosamente raiou a mais impenitente e secularizada análise crítica, dando razão aos que afirmam ser este problema (a secularidade) uma questão central nas sociedades ocidentais.
Nos blogues, o que li também pendeu mais para o profano, sem embandeiramentos em arco ou bentas afirmações em demasia. Ninguém parece ter saído defraudado (era o que faltava…), embora um ou outro escriba tivesse assinalado a previsibilidade e a preguiça do pianista em soltar-se dos clichés em que se foi enredando ao longo dos últimos anos. Também não espanta que tal pudesse ter acontecido a Mehldau (blasfémia?), ideia que me parece aceitável mesmo para uma parte dos que acreditam ter ele sido concebido sem o pecado da "mnemónica artificial" (ou seria Mena Mónica ao natural?) e ungido pela graça pianal, com o patrocínio da casa Steinway & Sons.
Erm suma: de um lado, os crentes que contemplaram a Verdade; do outro, os do profano, que não vêem nada de transcendente nesta art of the trio; apenas a esperada competência de um pianista de primeira água.
Está-me a querer parecer que a agenda política actual contaminou decisivamente o discurso crítico do jazz. Estará em preparação uma nova cruzada? Será que vai haver bandeiras queimadas, sedes de clubes incendiadas, o CCB apedrejado, efígies várias derrubadas, sei lá que mais?! Não tarda, vem aí o Prof. Freitas com outro comunicado a esgrimir contra a "licenciosidade" do jazz não clássico. E tem toda a razão. A César o que é de César. Ora porra!

 
15.2.06
 

Novidade na ESQUILO: Tetuzi Akiyama, Terrifying Street Trees

«Terrifying Street Trees de Tetuzi Akiyama é o primeiro número na série Instant Series do Esquilo que documenta gravações ao vivo de música improvisada. Gravado em 2004, este set apresenta Akiyama no seu lado freeform/freestyle aplicando à guitarra as suas peculiares preparações e artefactos (como espadas de samurai entre outros) com muita modulação tonal e harmónica pelo meio. Esta é uma gravação bastante crua, e perfurante por vezes, mas sempre recompensadora para o ouvinte.
Este é o primeiro lançamento a solo de Tetuzi Akiyama na sua abordagem freeform à guitarra eléctrica e será tido, certamente, como um dos seus melhores. É ruidoso e pacífico, acutilante e meditativo, bluesy e drony, e sempre focado. Tons, sobretons e arpegios deslumbrantes saem da guitarra tangida, raspada e dedilhada com o característico som tape-delayed. Por vezes soa tudo menos a uma guitarra lembrado gongos, sopros ou um qualquer típico instrumento de arco.
Terrifying Street Trees faz parte da campanha de Akiyama com o objectivo de lançar bootlegs oficiais de concertos passados, directamente vindos do seu arquivo pessoal.
A edição vem num caixa gatefold de cartão branco de luxo com arte original da pintora japonesa Yoko Naito em serigrafia».

 
 

A 21 de Fevereiro saem os novos discos de Erik Friedlander (com Andy Laster, Stomu Takeishi e Satoshi Takeishi) e de Ben Goldberg (com Devin Hoff, Carla Kihlstedt, Ches Smith e Rob Sudduth) na Cryptogramophone:

«Erik Friedlander is the foremost jazz cellist in the world today, a consummate artist that Billboard Magazine has lauded as "One of today's most ingenious and forward-thinking musical practitioners". Prowl is Friedlander's fourth CD with his group Topaz, which includes saxophonist Andy Laster and the amazing Takeishi brothers on electric bass and percussion. Prowl features eight original compositions based on vibrant African rhythms, and a haunting version of the traditional "A Closer Walk With Thee"».

«Clarinetist Ben Goldberg is a member of Tin Hat (formerly Tin Hat Trio). His new CD The door, the hat, the chair, the fact is a loving tribute to the late, great saxophonist Steve Lacy, a longtime mentor of Goldberg's. This inspired work of art also features Tin Hat violinist Carla Kihlstedt».

 
14.2.06
 

«Quinta-feira, 16 de Fevereiro, às 23h, no LUSO CAFÉ, actua um dos mais portentosos e experimentados trios de free jazz lusitano, constituído por este vosso servo, Miguel "Bowie" Martins (melódica, trompete, train whistle, sinos), Hernâni "Holland" Faustino (contrabaixo) e a revelação do momento, Eduardo "Lewis" Chagas (trombone)».
- Miguel Martins (Vice-Presidente da Comissão para a Elevação de Fonte de Boliqueime a concelho)

 
 

Jan Ström, o entusiasta e devotado editor da sueca Ayler Records, já se sabia, não hesitou quando chegou à fase da aposentação: em vez de seguir a via mais comum e dedicar-se ao golfe ou à pesca do arenque fumado, decidiu empatar as economias de uma vida ao serviço da paixão que dele tomou conta desde a juventude: o jazz, nas suas expressões mais livres e inconvencionais. Ainda bem que assim, foi; de outro modo, ver-nos-iamos provavelmente privados da possibilidade de ouvir tantas e tão boas propostas musicais que mestre Ström de quando em quando saca do baú. Na verdade, de há uns anos a esta parte, Ström tem realizado um trabalho ímpar, ao dar a conhecer obras que a história guardou só para si, inéditos de John Stevens, Albert Ayler e Jimmy Lyons, dando ainda particular atenção ao que de novo tem vindo a acontecer. Neste último aspecto, Jan Ström tem privilegiado a edição de actuações ao vivo naquele que é já um espaço de referência e de primeiro plano na cena nórdica: o Glenn Miller Café, restaurante e clube de jazz de Estocolmo, aberto às experiências jazzísticas menos reverentes da forma e da tradição.
Dessa série, um dos mais interessantes grupos que Ström ajudou a revelar neste início de década foi o Exploding Costumer, quarteto cujo primeiro disco passou despercebido da generalidade do público do jazz, mesmo da parte habitualmente mais interessada e atenta às movimentações fora do jazz mainstream.
Integram o Exploding Costumer, o vibrafonista do School Days, Kjell Nordeson, aqui na função de baterista, o saxofonista Martin Küchen, o trompetista Tomas Hallonsten, e o contrabaixista Benjamin Quigley. Em 2002, o quarteto gravou Live at Glenn Miller Café (Ayler 030), disco que se veio a revelar um sucesso artístico inversamente proporcional aos resultados económicos gerados, segundo o próprio Jan Ström. Daí que o produtor tenha hesitado em publicar outras gravações subsequentes, jejum a que veio a pôr termo recentemente, com o lançamento de uma gravação realizada no Tampere Jazz Happening, Finlândia, em Novembro de 2004.
O quarteto de saxofone, trompete, contrabaixo e bateria, que teve o zénite estético em Ornette Coleman, tem vindo a ser renovado e aprofundado nos últimos 40 anos, chegando aos dias de hoje num estado de reinvenção e assinalável fulgor. Para tal contribuíram hordas de bons executantes, como é o caso do Masada, o célebre quarteto de John Zorn e Dave Douglas, Greg Cohen e Joey Baron. Curiosamente, há aspectos do Masada que parecem inspirar o grupo sueco, perceptíveis numa certa agilidade melódica e na utilização de elementos inspirados nas tradições musicais do médio-oriente. Ken Vandermark também lhes passou pelos ouvidos, tal como o compatriota Mats Gustafsson e The Thing, cujos traços são reconhecíveis no lado mais rocker do Exploding Costumer.
Como o próprio nome indica, quarteto não está com meias medidas quanto ao modo de actuar: verve, truculência, energia e altas rotações, ausência de truques, revivalismos ou maneirismos, são algumas das marcas essenciais do seu programa de acção. Aquele em que acreditam e praticam com denodo e muita convicção. É ouvir para crer. Exploding Costumer, Live at Tampere Jazz Happening.

 
13.2.06
 


No OTITES, a não perder, a entrevista com Pedro Leitão, da netlabel portuguesa Test Tube:

"O OTITES tem vindo a observar o crescente dinamismo nas netlabels nacionais. Como tal, e após uma falsa partida com uma entrevista à Mimi, recuperamos este tema no qual desejamos chamar a atenção e divulgar estes projectos nacionais. Reiniciamos as conversas com o Pedro Leitão da Test Tube, netlabel direccionada para sonoridades mais experimentais e com grande actividade de lançamentos (...)"

 
12.2.06
 

O dispositivo pelo qual Wade Matthews optou em Aspirations and Inspirations, conjunto de improvisações a solo realizadas entre os anos de 2002 e 2004, favorece a utilização do silêncio e a atenção ao detalhe na exploração das possibilidades técnicas e emocionais do clarinete baixo e da flauta alto. Na base, estão os dois primeiros actos que todos praticamos, inspirar e expirar, o que imediatamente nos remete para matérias relacionadas com o sopro vital. E tudo se passa como se a vida se suspendesse entre cada fase e de imediato regressasse à plenitude pela via do som.
Ouvi o disco várias vezes sem antes ter lido os créditos, e não fora essa leitura a posteriori ficaria convencido de que boa parte dos sons seriam electronicamente gerados – a grande ilusão, que é também uma das mais interessantes ironias deste disco.
No meio da aparente dispersão, Matthews consegue estabelecer um fio condutor não narrativo, fragmentado, rico em nuances e variações microestruturais, em estreita ligação com outros dispostivos fundamentais na realização da obra: os microfones e o seu particular posicionamento, “multiple mics panned across the stereo spectrum”, que captam toda a acção dentro e fora da flauta, aumentando assim o potencial expressivo do instrumento.
Além da ausência de traços de convencionalismo e do trabalho microscópico que, a traço grosso, caracteriza a idiossincrasia de Wade Matthews, em Aspirations and Inspirations é possível admirar o virtuosismo do soprador, posto não ao serviço da potência sonora ou da exibição de capacidade pulmonar – marcas que decididamente não se inscrevem no seu estilo – e sobretudo, o controle sobre os sons e a maneira como se combinam, de tal forma que cada vez que se ouve Aspirations and Inspirations (Solo Improvisations 2002/2004), parece tratar-se de um disco diferente.
Delicado no toque, vagaroso e afirmativo, Aspirations and Inspirations situa-se no vasto espaço de exploração das infindáveis potencialidades dos instrumentos acústicos, associadas ao papel da alta tecnologia na captação e mediação sonora. Matthews, mercê de uma individualidade difícil de aprisionar em escolas ou estilos definidos, afirma-se através do modo peculiar e personalizado como trabalha a matéria‑prima sonora.
Wade Matthews - Aspirations and Inspirations (Creative Sources Recordings)

 
 

Early Morning Blues, com Howlin' Wolf.

The Red Rooster

I had a little red rooster too lazy to crow for day
I had a little red rooster too lazy to crow for day
Keep everything in the barnyard upset in every way

Oh, them dogs begin to bark, hounds begin to howl
Oh, them dogs begin to bark, hounds begin to howl
Oh, Watch out strange kin people, little red rooster's on the prowl

If you see my little red rooster, please drag him on home
If you see my little red rooster, please drag him on home
There ain't no peace in the barnyard since my little red rooster's been gone

 
11.2.06
 



Jez Nelson continua a folhear as melhores páginas da mais recente edição do London Jazz Festival. Para esta edição de Jazz on 3, Maria Schneider, a propósito daquela que constituiu a sua primeira aparição britânica com a Maria Schneider Orchestra, em concerto no Queen Elizabeth Hall, a 16 de Novembro de 2005. Do programa consta essencialmente música do "grammyado" Concert in the Garden, o grande sucesso da herdeira estética de Gil Evans, com quem trabalhou entre 1985 e 1988.
Jez abre a emissão à conversa com Schneider, uma das primeiras compositoras/directoras de orquestra a eliminar o que ela designa pelo "middle man", querendo com isto significar que chegou a uma fase da carreira em que possui total controlo sobre a sua música, desde o momento em que compõe, executa e a disponibiliza junto do público na sua página pessoal. Para trás ficaram os intermediários da edição, distribuição e retalho, agora que a net lhe permite estabelecer uma ligação directa com o consumidor final.
A terminar a emissão, homenagem a Elton Dean: "Artist Soft Bounds (Elton Dean, Hugh Hopper, Simon Goubert, Sophia Domancich)".

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

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