
Teatro Académico Gil Vicente e Salão Brasil, Coimbra, 3 - 5 de Novembro de 2005
Romano/Sclavis/Texier
Aldo Romano - bateria
Louis Sclavis - saxofone soprano e clarinete
Henri Texier - contrabaixo
Aldo Romano, Louis Sclavis e Henri Texier, consensualmente, são três das importantes personalidades do jazz francês actual. O trio, enquanto tal, data dos inícios da década de 90, altura em que empreendeu uma viagem à África Central, acompanhando o fotógrafo Guy Le Querrec. Jornada que deu origem a Carnet de Routes (Label Bleu), registo musical das experiências vividas, maravilhoso livro de viagens que este ano celebra 10 anos de edição.
Ao longo do tempo, vários discos e muitos concertos depois, a música de Romano/Sclavis/Texier atingiu um nível de excelência e de perfeição técnica absolutamente fora do comum, quer se aborde a música na perspectiva do individuo, quer se tome o colectivo como referência. Para tal contribui a profunda ligação matricial a África, a terra dos tambores, dos rituais e das celebrações pela música, mas também o Continente onde a aventura humana é mais pungente e sofrida.
As várias viagens ao continente africano (à jornada pela zona central do Continente Negro, três anos depois, seguiu se novo roteiro pictórico-musical pela África do Sul e Oriental), produziram Suite Africaine (Label Bleu) segunda obra temática, que retém, em disco e em fotografia, as profundas impressões recolhidas entre as gentes daquelas remotas paragens.
Este ano viu nascer um terceiro capítulo, African Flashblack (Label Bleu), inspirado
nos 30 anos de memórias fotográficas de Le Querrec, com lançamento em finais de Outubro e estreia mundial ao vivo nesta 2.ª Parte do Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra. De novo e sempre a imagem musical de uma África fascinante e misteriosa nas suas grandezas e misérias, que inspira e conduz o trio às origens mais profundas do jazz, integrando os ecos dessa memória ancestral com sinais marcantes da modernidade.
É esta compósita realidade euro-africana, síntese bem elaborada de passado, presente e futuro, que transporta a música de Romano/Sclavis/Texier a um patamar único no panorama do jazz europeu.
Alberto Conde Trio
Alberto Conde - piano
Baldo Martinez - contrabaixo
Nirankar Khalsa - bateria
Compositor e pianista de jazz, nascido na Galiza em 1960, Alberto Conde formou-se em guitarra pelo Conservatório de Ourense, sob a orientação do maestro Tomás Camacho. Os primeiros contactos com o jazz, teve-os Conde em Banyoles (Girona), no âmbito de vários workshops organizados pelo Taller de Músicos de Barcelona. A partir de 1980, Banyoles proporcionou-lhe a oportunidade de interagir com Thad Jones, Chuck Israels, Ben Riley, Cláudio Roditi, Steve Brown e outros músicos americanos em trânsito por terras de Espanha.
Depois destes contactos, Conde resolveu estudar e aprofundar aquelas experiências na Califórnia, onde passou a residir e a frequentar a San Diego School of Performing Music. Regressado à Galiza, decidiu partilhar a experiência adquirida, pondo a funcionar uma escola e várias formações de jazz, actividades que foi desenvolvendo em paralelo. Entretanto, escreveu composições e arranjos para pequenos combos e orquestras, preside à Associação de Músicos de Jazz da Galiza, gravou quatro discos e realizou concertos em Espanha, França e Portugal com o Alberto
Conde Trio, que integra o também galego Baldo Martinez (contrabaixo) e o norte americano Nirankar Khalsa (bateria), músicos talentosos e criativos com quem, em 2002, gravou o CD Entremares, co-produzido por Alberto Conde e Baldo Martinez. O disco reflecte os dotes composicionais do pianista e revela três versáteis executantes com estilos diferentes, atravessados por uma marcante influência da música tradicional, resultando num world jazz de sabor galego (a chamada Muiñeira-jazz).
Conceptualmente, a música de Alberto Conde parte de uma base folk fresca e original, a que se adicionam melodias simples e espaço para a improvisação e experimentação sonora. É esta proposta que Alberto Conde convictamente trás ao Jazz ao Centro/2005.
Fredrik Nordström Quintet
Fredrik Nordström – saxophone tenor
Magnus Broo - trompete
Mattias Ståhl - vibrafone
Ingebrigt Håker Flaten - contrabaixo
Fredrik Rundqvist - bateria
Fredrik Nordström, sueco, nascido em 1974, começou a tocar saxofone alto por volta dos 10 anos. Aprendidas as primeiras notas, frequentou várias escolas de música, até se decidir pela via do jazz, incentivado por mestres como Joakim Milder, Mats Gustafsson, Örjan Fahlström, Bobo Stenson e Palle Danielsson, com quem se relacionou a partir da segunda metade dos anos 90, no Royal University College of Music de Estocolmo.
Em 1998, gravou Urgency, o disco de estreia com o octeto Fredrik Nordström's 08 (Dragon Records, 2000), a que se seguiu o trio com o contrabaixista Palle Danielsson e o baterista Fredrik Rundqvist, em 2001. Em 2002, recebe o prémio Jazz in Sweden, que lhe proporcionou a possibilidade de gravar O
n Purpuse, o primeiro disco em quinteto, com uma formação idêntica à que vamos poder ver em Coimbra, à excepção do contrabaixista, que em 2002 era Filip Augustson. Durante a temporada que se seguiu a On Purpuse, o grupo realizou digressões pela Suécia e Finlândia, foi ganhando maturidade e entrosamento, até que se lhe deparou a oportunidade de fazer um périplo pelo Canadá, que chamou a atenção da crítica canadiana e norte-americana. Embalado pelo relativo sucesso entretanto granjeado, Fredrik Nordström, então já com o contrabaixista norueguês Ingebrigt Håker Flaten na formação, abalançou-se ao segundo disco em quinteto, Moment, gravado para a novel editora sueca, Meserobie (2004).
O FNQ, composto por cinco das mais relevantes figuras da música improvisada nórdica actual, e num contexto europeu mais alargado, é um dos grupos em que se pode depositar maior confiança quanto à capacidade de reformulação e rejuvenescimento do jazz. Sobretudo pela maneira inteligente como combina os elementos imediatamente associados à tradição americana, incluindo o continuum pós-ornettiano, com as idiossincrasias da música improvisada europeia. Um certo swing moderno, aliado à liberdade estilística e formal, permitem afirmar que o Fredrik Nordström Quintet bebe do melhor que brota de ambas as fontes.
Michaël Attias Trio
Michaël Attias - saxofone alto
John Hebert - contrabaixo
Takeaki Toriyama - bateria
Tido como um saxofonista que toca com autoridade e paixão, assim que se ouve Michaël Attias é-se de imediato levado a pensar que o qualificativo apontado é inteiramente merecido. Não apenas porque Attias sopra vincadamente, mas sobretudo porque as suas composições comunicam ideias fortes, geradas por uma mente que sabe o que diz e como fazê-lo de forma efi
caz e directa. Temos então um músico completo, enquanto instrumentista e compositor, que além destes pergaminhos, tem ainda toda uma história pessoal que certamente contribui para enriquecer a música que compõe. Nascido de pais marroquinos em Haifa, Israel, em 1968, Attias viveu parte da infância em Paris e a adolescência nos EUA. Aqui estudou com gente tão diferente como Pat Moriarty, Lee Konitz, Alan Silva e Anthony Braxton, e tocou desde duetos à grande orquestra. Outras associações de Attias incluem os nomes de Anthony Coleman, Marty Ehrlich, Ellery Eskelin, Mark Helias, Oliver Lake, Mat Maneri, Tom Rainey e Herb Robertson.
Em 1994, mudou-se para Nova Iorque, onde percorreu o circuito dos clubes e tocou com toda a gente disponível. Chegado o ano de 2005, gravou o álbum Renku (a expressão designa um tipo de poesia japonesa), com um trio homónimo, formado por John Hebert, contrabaixista da Downtown de Nova Iorque, e o japonês Satoshi Takeishi, bateria. A música deste trio, o mesmo que vem tocar à 2.ª Parte dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, com a excepção do baterista, substituído na ocasião por Takeaki Toriyama, situa se no vasto campo de possibilidades entre a escrita musical e a improvisação, explorando sobretudo originais de Attias.
Depois de Renku (Playscape, 2005), na calha, para edição próxima, está um disco com o sexteto CREDO, a sair na editora portuguesa Clean Feed.
Para o concerto dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, o trio propõe-se explorar sobretudo originais do saxofonista, sob a forma de estruturas abertas e flexíveis, que acomodam espaço generoso para a intervenção individual. Pretextos ideais para as after hours do Jazz ao Centro.
Eduardo Chagas
Space 2005 parte 2: festival de música experimental e improvisada
Space é um Festival de Música que procura abordar os novos rumos da música contemporânea, possibilitados pelas vias da experimentação e improvisação, e pelas novas tecnologias digitais. O festival nasceu em 1999, em Coimbra, e é organizado pela Associação Cultural Rock’n’Cave. Face às dificuldades encontradas pelos músicos portugueses em levar ao palco as suas iniciativas mais originais, o Space visa servir de plataforma de ensaio para novas formas e formações musicais, contribuindo para uma melhor divulgação.Neste momento, o objectivo do Space é juntar uma série de músicos seleccionados individualmente pelos seus percursos e desafiá-los a criar projectos musicais e de entretenimento. Com qualidade e correndo riscos, normalmente apresentando conceitos experimentais e originais.
Resultado disto foram apresentados nos últimos anos vários projectos que consideramos terem potencial para possuirem o seu “espaço” e atenção no panorama nacional:
• Orquestra de instrumentos não convencionais.
• Grupos de música improvisada: Oh!malone, Cheese Cake, Gheegush, Spy Quintet, Tenaz
• Quad Quartet + quarteto de saxofones.
• Zzzzzzzzzzzzzzzzzp! : quarteto de laptops
• Stealing Orchestra, Table Of Random Numbers, In Pro Vision
• Projecto Arzath: música improvisada para filmes de banda desenhada
• PlayStations: jogos de improvisação para big bands
• RadioStations: programas de rádio ao vivo e em edição de autor
Apostando sempre na diversidade e na selecção dos espaços, organizamos concertos em teatros, auditórios, livrarias, galerias, rádios, corredores, barcos, e em diferentes localidades, para irmos de encontro a diversos públicos: Porto, Coimbra, Aveiro, Braga e Lisboa.
Space visto pelos músicos:
“Perguntaram hoje qual era a "filosofia" do Space... entre uma agressão cartesiana e um desprezo socrático, pus-me a pensar que talvez seja no carácter "anónimo" dos músicos que reside a força do Space. A pergunta não me foi dirigida a mim, claro, mas arriscaria essa resposta: nenhum participante empresta um "nome" ao Space; limitamo-nos todos a fazer música, uns com os outros, no ambiente de experimentação que o contexto Space nos proporciona. Voltando aos princípios de tudo isto e ao que diziam os Ohmalone a propósito do que nos propomos a fazer:
A ideia é fazer música. Mais nada. Com o público presente. Tudo em tempo real.
A ideia é fazer música. Fazer mesmo. No momento. Neste, porque no seguinte será outra coisa.
A ideia é fazer música. Experimentando e improvisando. Que não é bem a mesma coisa.
A ideia é fazer música. Com esta (in)certeza só:
Which is more musical? A truck passing by a factory, or a truck passing by a music school? (John Cage)
João Martins
http://joaomartins.blogspot.com/
“The Space Festival has been gathering musicians from different places and backgrounds to combine their musical ideas since 1999. More than a festival that promotes truly independent and improvised music, is a challenge and a motivation for musicians to play and reinvent their own conventions.”
Gustavo Costa
http://www.letsgotowar.com/
Programa (provisório)
• 6 de Outubro: Trem Azul, Lisboa: GheeGush
• 9 de Outubro: Passos Manuel, Porto: Space Ensemble musicando o filme “As Aventuras do Principe Achmed”, Berlim 1926: primeira longa-metragem de animação europeia, realizada por Lotte Reiniger com silhuetas articuladas (Parceria com o Festival de Avanca).
• 13 de Outubro: Trem Azul, Lisboa: Cheese Cake
• 16 de Outubro: Velha-à-Branca, Braga: sets de improvisação 2x2: por Alexandre Gamelas, José Miguel Pinto, entre outros.
• 22 de Outubro: Teatro Esther de Carvalho, Montemor-o-Velho: Space Ensemble musicando o filme “As Aventuras do Principe Achmed”, Berlim 1926: primeira longa-metragem de animação europeia, realizada por Lotte Reiniger com silhuetas articuladas (Parceria com o Festival de Avanca).
THE ORIGINAL SILENCE>Thurston Moore (Sonic Youth)
>Jim O' Rourke (Sonic Youth)
>Terrie Ex (The Ex)
>Mats Gustafsson (The Thing, Brötzmann Tentet)
>Paal Nilssen-Love (The Thing, Brötzmann Tentet, Atomic)
>Massimo Zu (Zu)
>27 settembre, Torino, Teatro Juvarra
>28 settembre, Roma, RomaEuropaFestival
>29 settembre, Milano, Leoncavallo
>30 settembre, Reggio, Emilia Teatro Valli

Aposto nisto!
Triptych Myth, o novo trio do pianista norte-americano Cooper-Moore, o gigante do piano, velho conhecido cá da casa, com o baixista Tom Abbs e Chad Taylor, bateria. Em estúdio, gravaram The Beautiful para a AUM Fidelity.
Triptych Myth the group is commited to breaking barriers both inside and out of the music -- the sound streams above will give you a taste to proceed from in understanding this commitment. The Beautiful ranges from gorgeously melodic (heart-breaking and re-building) new songs from Cooper-Moore, tone-poem explorations of the Now, new definitions of “swing”, excursions into energy music that will confound pre-conceived notions, New American Folktales waiting for the New America to be born, and cinematic colorations that carve sound into mountains. All True.

Já se falou lá mais para trás do Programa do Total Music Meeting deste ano. Chegou agora o cartaz, desta vez inspirado na paisagem alentejana... . António Branco, que me dizes tu disto?!

Atenção a este mui ousado e atractivo programa para a noite de 6 de Outubro p.f..
Pelas 23h00 daquela quinta-feira sobem ao Luso Café - casa do Bairro Alto que é já uma referência da música improvisada lisboeta - Ernesto Rodrigues, violino e viola, Abdul Moimême, saxofone tenor e vários, Miguel Martins, percussão e diversos, e aquele que constitui a revelação sonora do momento, o jovem Travassos, hábil manipulador da bela tape e de um vasto sortido de utensílios afins.
Um quarteto taludo!
É definitivo! Programa da 2.ª parte do Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, 2005:
Teatro Académico Gil Vicente, Coimbra, 3 - 5 de Novembro
Quinta-feira, 03.11 - 21h30 - Romano/Sclavis/Texier
Aldo Romano - bateria
Louis Sclavis – clarinetes, saxofone soprano
Henri Texier – contrabaixo
Sexta-feira, 04.11 - 21h30 - Alberto Conde Trio
Alberto Conde – piano
Baldo Martinez – contrabaixo
Nirankar Khalsa – bateria
Sábado, 05.11 - 21h30 - Fredrik Nordström Quintet
Fredrik Nordström - saxofones
Mats Äleklint - trombone
Mattias Ståhl - vibrafone
Torbjörn Zetterberg - contrabaixo
Fredrik Rundqvist – bateria
Salão Brasil
Qui. 03.11/Sex. 04/Sáb. 05 - 00:00 - After Hours - Michael Attias Trio
Michael Attias – saxofone alto
Sean Conly – contrabaixo
Takeaki Toriyama - bateria
... E incríveis sessões de DJ-ing, com os Space Boys Jazz System, todas as noites no Quebra Club.
Para o fim da tarde, enquanto não soa o apito da fábrica, Weather Report. O terceiro álbum da série meteorológica, Sweetnighter (1973), com Joe Zawinul, Wayne Shorter, Miroslav Vitous, Dom Um Romão, Eric Gravatt, Maruga, Andrew White III e Herschel Dwellingham. Não se pense que este material é só para os indefectíveis da fusion, não senhor. Que tal um programa à base de Fender Rhodes com pedal wah-wah (Zawinul), atravessado por ondas etéreas de saxofone soprano (Wayne Shorter), e ritmos afro-latinos de irresistível marcação?! Quem gosta de um bom groove (groove rules!) com funk instrumental à mistura, tem muito que sacar deste disco, ideal para servir como música de fundo interactiva. Enquanto se trabalha, por exemplo.
O longo e sinuoso risco de luz atravessa o campo auditivo, emergindo subitamente vindo do silêncio. Guitarras? Electrónica? Provavelmente as duas juntas, unindo esforços para criar o drone de corrente eléctrica que se estende flutuante e atravessa o campo auditivo em múltiplas direcções, transportando o ouvinte numa viagem por entre pontos de luz, Blue. Há sinapses que se ligam e acordam tocadas pelo clarão azulado. Novas pontes unem paisagens que se desvendam em reverberações sonoras num espaço contínuo sem limites. Outra vez, Thyme. E volta-se a Blue com o prazer de (re)descobrir as duas faces de Endlessly, Sweetly and Slightly, a última realização de AO, artista sonoro japonês, aka Aogu Yoshida. Edição nº 23 da netlabel lusa test tube. Vale a pena ouvir e deixar-se levar na onda.
Parece-me muito interessante o trabalho que o COEVAL, duo malaguenho actualmente a trabalhar em Madrid, tem vindo a fazer nos tempos mais recentes. Juan Carlos Blancas e Jose Alberto Gaspar são dois talentosos designers sonoros que trabalham nos meios digital-art e computer music da capital espanhola. Projectos vários em curso, para além do COEVAL, são a Madrid Laptop Orquesta e The Infinity Process. Atenta às movimentações do duo, a netlabel japonesa -N incluiu Fluido Y Neutro na sua compilação de estreia, tema que chamou a atenção da comunidade digital e, consequentemente, abriu portas para o EP que está à disposição dos interessados em conhecer melhor a arte do COEVAL, através de download gratuito. Distante, peça em seis partes, é uma suite que o duo improvisou no festival Sonar 2005, baseada em sequências e sobreposições de drones e de field recordings.

Em 1965, sob a égide cooperativa de músicos de Chicago, de entre os mais inovadores e arriscados membros da cena local, com epicentro no pianista e compositor Muhal Richard Abrams, fundava-se a Association for the Advancement of Creative Musicians. De então para cá, a AACM influenciou determinantemente as diferentes linguagens musicais, posicionando-se à frente na definição das novas linhas de orientação estética que definitivamente marcariam o jazz tal como o passámos a conhecer dali para a frente. Sob o lema Great Black Music, Ancient to The Future, por lá passaram Leroy Jenkins, Anthony Braxton, Henry Threadgill, Joseph Jarman, John Stubblefield, Fred Hopkins, Wadada Leo Smith, Thurman Barker, Frank Gordon, Amina Claudine Myers, Reggie Nicholson, Roscoe Mitchell e George Lewis. E também Fred Anderson, Harrison Bankhead, Lester Bowie, Jodie Christian, Pete Cosey, Ernest Dawkins, Kahil El' Zabar, Douglas Ewart, Malachi Favors Maghostut, Chico Freeman, Steve McCall, Famoudou Don Moye, Matana Roberts, Nicole Mitchell e muitos mais.
Quatro décadas depois da fundação, a AACM continua a organizar actividades, sobretudo workshops e concertos, expandindo os horizontes do jazz para um conceito abrangente, que abarca várias formas da música contemporânea, de base acústica e electrónica. Entretanto, prosseguem as comemorações dos 40 anos da AACM, com um aliciante programa de concertos. É nesse âmbito que, além da impressionante série de Chicago, no dia 8 de Outubro, em Nova Iorque, tocam o Reggie Nicholson Ensemble e o Roscoe Mitchell Ensemble, e a 11 de Novembro, Muhal Richard Abrams realiza um programa duplo de piano solo e orquestra. E o mais que se verá.
E que tal um concerto do quinteto que Alexander von Schlippenbach juntou para interpretar a música de Therlonious Monk? Monk's Casino: Alex von Schlippenbach, piano; Axel Dörner, trompete; Rudi Mahall, clarinete baixo; Jan Roder, contrabaixo; e Uli Jennesen, bateria. De um total de 66 temas gravados em 14 de Maio de 2005, no Bimhuis de Amsterdam, o programa Jazz Op Vier, da rádio holandesa VPRO, transmite para já 17, em cerca de uma hora. Até Monk se ri... .
Atenção apreciadores e candidatos: o Jazz on 3, programa de rádio que passa jazz with a cutting edge no Canal 3 da BBC, está a passar esta semana a reprise de um concerto do Free Music Ensemble (FME). É assim que se designa o energético e musculado trio de Ken Vandermark (saxofones tenor e barítono), Nate McBride (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria), que actuou em Abril no já famoso no Cheltenham Jazz Festival, evento anual que este ano comemorou o 10.º aniversário.No Cheltenham o trio improvisa sobre três composições de Vandermark: Necessary, Sentence e Slip. Como diz Jez Nelson, a go at blowing your speakers by pushing up the volume for our repeat of Ken Vandermark's Cheltenham Live Show set. If you didn't hear this first time round, don't miss it. We love it - we listen to it all the time in the office - and many of you obviously did too - we've had many emails asking to hear it again.
Tive o gosto de ter contribuido para isso com um modesto e-mailinho a cravar Jezz Nelson para repetir a graça, porque, tal como sucedeu a muito boa gente, só dei por ela quando já tinha passado. E o FME é um dos meus trios de eleição. Como diz o povo, quem não chora não mama. Aqui está a prova: fomos muitos a pedir bis e agora todos podemos voltar a ouvir (e a gravar...) um grande (mas curto) concerto do fenomenal trio de Vandermark, McBride e Nilssen-Love - FME. Já não é chita... .

Cheguei agora do Patrick Brennan, na Trem Azul. O homem está a tocar saxofone alto duma maneira... Mais em jeito que em força, como se diz no futebol, subtil, fresco e vigoroso na concepção sonora. Ouvido fino e resposta pronta de saxofonista free completo, neste sentido: de todas as opções possíveis em cada momento, Brennan faz instantaneamente a melhor escolha, com total controlo e liberdade de direcção. A acentuada complexidade rítmica, o bom domínio das técnicas do instrumento e uma equilibrada gestão do tempo e das dinâmicas, foram decisivos para o bom resultado. Meia casa para assistir a uma sessão suave e intimista, uma hora de jazz sem espinhas mas não isento de interrogações e propostas interessantes para o ouvinte, fossem elas sob a forma de questões antigas de Ornette (abriu com Chronology) ou de Monk – duas das mais marcantes e assumidas influências do som, fraseado e da composição de Brennan, oportunamente recolocadas em jogo pelo saxofonista – ou originais seus, reestruturados com arranjos diferentes daqueles com que os vestiu em disco, moldados à medida em que os episódios se iam sucedendo, como foi o caso feliz de Which Way What, tema com que Patrick Brennan fechou o recital. Daqui a pouco sigo para a ZdB, sala que se afeiçoa a este som. Para mais, será um set de Brennan ao desafio com Peter Bastiaan. À vista do que ouvi cá em baixo, lá em cima a coisa promete Arte. Suspeito disso. Até depois, que se faz tarde.
Winds of Manhattan
22 Set. 24h00
Patrick Brennan – Ao Vivo a solo no Luso Café (Bairro Alto, Lisboa)
Depois de um longo interregno nova-iorquino, Patrick Brennan regressou a todo o vapor tocando temas seus, visitando ainda Chronology de Ornette assim como dois temas de Monk. Logo no arranque do concerto, tecendo uma densa filigrana de polirrítmos, e obstinados ‘riffs’, Brennan fez surgir Chronology de forma inesperada do interior desse complexo emaranhado sónico; brilhante exercício de apropriação e incorporação da música alheia numa linguagem própria.
Depois deste aquecimento passou ao seu repertório, onde Backatcha (do CD Walk, Saunter, Ambles) resultou num momento de grande tensão dramática. Usando a mão para tapar a campânula do saxofone e baseando o som em efeitos sonoros na forma de tensas sequências de harmónicos, Brennan levou-nos numa viagem pelas raízes do jazz, onde a essência do trompete de Louis Armstrong esteve vivamente presente, carregada do grito contido de quem procura a libertação de todos os constrangimentos. Em Drums Not Bombs, do seu último registo para a CIMP com o mesmo nome, explorou uma elaborada arquitectura rítmica, onde, nos diversos silêncios, estava implícita a interacção com um conjunto de músicos virtuais.
O grande remate (não à baliza mas sim à mente do ouvinte) foi em Which Way What, tema emblemático do seu CD de autor, gravado em Lisboa em 1995, com Acácio Salero (bateria) e Rashiim Ausra-Sahu (contrabaixo). Patrick Brennan elevou o tema a novas alturas conseguindo emular de uma só vez o complexo arranjo para trio, a uma velocidade verdadeiramente estonteante. O seu velho Conn (um cadillac entre os saxofones) reverberou à altura das rigorosas exigências do mestre que regressa em plena forma. Os ares de Manhattan devem ser mesmo bons.
No final do concerto, uma sessão de improviso colectivo foi espontaneamente provocada pelo violonista Ernesto Rodrigues, contando com a participação de vários dos músicos presentes.
- Abdul Moimême
Faça aqui ao lado o download gratuito do seu desktop exclusivo Dizzy Atmospheres, um brinde de Jazz e Arredores aos seus leitores por ocasião das comemorações do 1.º Aniversário, ocorrido no passado dia 18/9 (oops, passou-me da ideia...). Warning: In case of dizziness, Jazz e Arredores is not liable for any hazardous consequences to your mental health!
Jazz Legends, programa de Julian Joseph na BBC Radio 3, uma vez por semana, às quaintas-feiras dedica a emissão a uma figura de grande relevo na história do jazz, a partir dos arquivos da estação britânica de radiodifusão.Esta semana, SUN RA. Julian Joseph procurará traçar o perfil do compositor e improvisador, a partir de uma conversa com Marshall Allen, saxofonista da Sun Ra Arkestra e companheiro de Ra durante décadas, intervalada com temas dos álbuns THE FUTURISTIC SOUNDS OF SUN RA, JAZZ IN SILHOUETTE, OUTER SPACEWAYS INCORPORATED, SUN RA: THE SINGLES, AT THE VILLAGE VANGUARD, STAY AWAKE: VARIOUS INTERPRETATIONS OF MUSIC FROM VINTAGE DISNEY FILMS, SECOND STAR TO THE RIGHT, SPACE IS THE PLACE O.S.T.. Em webcast a partir de hoje, 23 de Setembro (16h00-17h00), e até à próxima quinta-feira.
PATRICK BRENNAN, saxofonista alto e compositor norte-americano, já viveu vários anos em Portugal. Volta agora ao Rectângulo para uma série de concertos a solo, em duo, e com uma formação eventualmente mais alargadada. A solo, toca hoje, 22 de Setembro no Luso Café, cerca das 23h00. Amanhã, 23, às 19h30, na Jazz Store da Trem Azul, em Lisboa. No mesmo dia, ou noite, pelas 23h30, soará em improvisação livre com o saxofonista holandês, Peter Bastiaan, na Galeria ZdB, ao Bairro Alto, em Lisboa. Dois dias depois, a 25 de Setembro, Domingo à tardinha, Brennan toca no Convento de S. Francisco, em Montemor-o-Novo, sede da Associação Cultural de Arte e Comunicação, com o saxofonista tenor Abdul Moimême e uns quantos mais. Há que aproveitar, que Patrick Brennan é um saxofonista de categoria e as oportunidades de o ouvir ao vivo não são frequentes.
Está anunciada para Dezembro próximo mais uma edição do festival Other Minds. Organizado pela homónima organização sem fins lucrativos, baseada em S. Francisco, Califórnia, em co-produção com a Swedenborgian Church e a Piedmont Piano Company, agrupa compositores, estudantes e ouvintes da nova música contemporânea.O festival inspira-se nas ideias e concepções musicais de John Cage, compositor norte-americano falecido em 1992, e num obituário publicado pelo jornal The New Yorker, em que se dizia ter Cage escrito música “in other peoples’ minds”. Daí a denominação daquele que é considerado um dos maiores festivais intenacionais de new music.
O director artístico e executivo é Charles Amirkhanian, ele próprio um compositor de música electroacústica de renome. Enquanto músico e pensador, Amirkhanian interessou-se pela música de John Cage deste o início dos anos 50. Com outros compositores foi agregando vontades. Assim, entre 1988 e 1991, co-dirigiu com John Lifton aquele que foi o antecessor do Other Minds, o Composer-to-Composer Festival, por onde passaram John Cage, Lou Harrison, Brian Eno, Pauline Oliveros, Morton Subotnick, Laurie Anderson, Henry Brant, Wadada Leo Smith, Louis Andriessen, Conlon Nancarrow, Jin Hi Kim, Joan La Barbara, I Wayan Sadra, Eleanor Alberga, Peter Sculthorpe, Alan Hovhaness, Tom Zé, Terry Riley e Sarah Hopkins.
Para se ter uma ideia da diversidade estética e da importância musical associadas ao festival, repare-se nos nomes que já integraram o Other Minds Advisory Board: Muhal Richard Abrams, Laurie Anderson, Henry Brant, Gavin Bryars, Luc Ferrari (falecido o mês passado), Philip Glass, Lou Harrison, George Lewis, György Ligeti, Meredith Monk, Kent Nagano, Terry Riley, Frederic Rzewski, Tan Dun, Trimpin e Julia Wolfe. Other Minds Festival.
Aqui estão as primeiras fotos de Jason Guthartz sobre "Anthony Braxton at 60: A Celebration", comemorações do 60º aniversário de Anthony Braxton, na Wesleyan University, Middletown, CT. (Foto de 15 de Setembro de 2005, Anthony Braxton - saxofone alto solo).
ROOSEVELT SYKES, Blues By The Honeydripper (Smithsonian Folkways). Gravado no Cue Recording Studio, Chicago, em 13 de Janeiro de 1961. Produzido por Memphis Slim e editado originalmente em 1962 pela Folkways, foi reeditado em CD em 1995 pela Smithsonian/Folkways Recordings. Roosevelt Skyes (voz e piano), com a participação de Memphis Slim (piano). Sykes, que exerceu actividade entre os anos 20 e 80, foi um grande cantor e pianista de blues. Este disco faz-lhe inteira justiça, captando o prolífico Sykes com som brilhante, voz granulada, quase metálica, capaz de revelar toda a extensão da sua personalidade multifacetada de bluesman. Não há nada de triste na música de Honeydripper, como era conhecido no meio, só boogies divertidos e letras por vezes hilariantes. Um gozão, este maduro, para quem a vida era para ser vivida com leveza e bom humor.A edição de Blues By The Honeydripper, cuidada como são sempre os trabalhos da Smithsonian/Folkways, inclui as notas originais da jornalista Val Wilmer, bem como as letras das histórias que Roosevelt Sykes conta com voz acharutada de barrelhouse player, ele que foi um dos maiores pianistas de blues de todos os tempos.
Carlos Bechegas e Barry Guy em Oeiras
Foi pena o público ter sido escasso, porque o recital do português Carlos Bechegas (flautas e electrónica) e do britânico Barry Guy (contrabaixo de cinco cordas), no âmbito do Festival Música Viva / Entr'Artes 2005, merecia ter tido mais gente na assistência. As altas expectativas para o encontro entre os dois improvisadores foram totalmente cumpridas. Assistiu-se ao desvendar de um vasto universo de concepção improvisada, na permanente procura das possibilidades expressivas dos instrumentos. As intervenções alternaram-se entre duos e solos, explorando intensamente técnicas, registos e timbres, do suave e subtil ao mais extremo. Carlos Bechegas e Barry Guy entenderam-se bem, numa conversa inventiva e original, que primou pelos contrastes, oposições e aproximações, diálogo vivo e estimulante. Dois artistas no topo da investigação sonora, no melhor da sua forma e sensibilidade. Excelente concerto, de dois em pipa.
Abdul Moimême viu a coisa assim:
«Achei interessante o contraste entre a exuberância tecnológica de Carlos Bechegas e o uso minimalista que Barry Guy faz da electrónica. De todos os contrabaixistas que têm passado por cá e que usam de alguma forma a electricidade como modo de moldar o seu som, Guy é aquele com o qual este elemento está mais discretamente fundido com a acústica do próprio instrumento. Guy não pretende com certeza alterar o seu timbre, querendo apenas ampliar certos contornos que sem um pedal de volume não seria possível projectar a um fórum alargado. O que o distingue é o subtil domínio dessa técnica sendo quase impossível discernir entre as dinâmicas endógenas (devidas ao ataque que o instrumentista usa) e aquelas permitidas pela aplicação do 'turbo-sonico’. A sua concentração incide primordialmente sobre as infinitas possibilidade tímbricas do contrabaixo propriamente dito. Aqui Guy é mestre. Depurando o seu discurso ao essencial, os elementos tradicionalmente conotados com a criação musical: melodia, harmonia e ritmo dão lugar a texturas, dinâmicas e um sentido de encenação dramática. Assim, permanece apenas o denominador comum de todas as músicas: o ritmo. Na invenção Guy foi imparável usando cada milímetro quadrado do seu instrumento como potencial estímulo rítmico: o justo equilíbrio entre o aleatório e o propositado. O seu último gesto: deixar cair ao chão o bilro - com o qual transformara o baixo numa autentica marimba - exemplifica essa intencionalidade. Bechegas esteve no seu melhor a solo e na segunda parte do concerto. A complexa tarefa de 'sintonizar' máquinas abafou inicialmente a projecção do seu som, contrastando com a clareza e brilho (quase metálico) do contrabaixo. Já de rédeas na mão, Bechegas soltou a sua característica e voluptuosa verve num discurso onde o humor funcionou como arma de subversão de um discurso erudito. A solo o seu som ganhou a clareza e projecção dignas de um excelente improvisador. Na sua complexa arquitectura de sobreposição de vozes, em vários registos simultâneos, foi curioso ouvir uma nítida linha melódica nos registos agudos com os médios e graves a funcionar apenas como textura de fundo e não necessariamente como contra melodias. Um dos momentos de maior clímax foi um breve trecho em que flauta e baixo voaram até as regiões rarefeitas dos registos 'altíssimo', criando um sentido de poderosa vertigem sonora. No entanto, momentos empolgantes proliferaram em suficiente número para transformar o evento numa grande noite de música. Só foi pena a falta de promoção. Não fosse um encontro fortuito com o próprio Barry Guy, à entrada de um restaurante.... Assim: BOOTLEGGERS DE PORTUGAL, UNI-VOS! Divulguem vocês! » - Abdul Moimême
Última chamada para o concerto de hoje à noite, em Oeiras:
FESTIVAL MÚSICA VIVA / ENTR’ARTES 2005
“Open Secrets”
Carlos Bechegas – Flauta
Barry Guy – Contrabaixo
20 de Setembro de 2005 – 22:00
Oeiras – Auditório do Centro de Apoio Social de Oeiras
Proposta do flautista Carlos Bechegas para confrontação criativa de múltiplas atitudes, conceitos e tipologias, centrado numa plataforma para desenvolver colaborações em duo com diferentes contrabaixistas. Depois de Peter Kowlad, com o qual iniciou este projecto, apresenta-se no Festival Música Viva com Barry Guy, figura de referência da improvisação, compositor e instrumentista virtuoso, considerado um dos mais criativos e inovadores protagonistas desta linguagem.
Sob a forma de duos e solos, sem prévia estruturação determinista, na melhor tradição da improvisação europeia, terão o palco como momento único de opções, dando corpo à essência heterodoxa e polidiomática de “Open Secrets“: flauta e contrabaixo em oposição de tessituras e diversidade de registos tímbricos; confrontação e sobreposição de técnicas contemporâneas, moldando transfigurações acústicas dos instrumentos; confluência e alternância de linguagens.
Intervenções que tangem por vezes registos extremos, em passagens que vão do climax gritante e denso a partir de clusters e estruturas multifónicas subsidiárias do free jazz, a subtis texturas de harmónicos e artificiosos pontilismos rítmicos; materiais e recursos expostos com uma envolvência e prestação vibrantes.

CARLOS BECHEGAS
Compositor e improvisador, nasce em Lisboa em 1957. Licenciado em Educação Visual e Tecnológica, é docente desde 1975.Inicia actividade publica em 1977, investindo simultaneamente numa formação e experiência multifacetada. Tira o curso de flauta no Conservatório de Lisboa, frequenta Seminários de Composição com Emmanuel Nunes, Técnicas Contemporâneas com Pierre-Yves Artaud, Teatro Musical com Constança Capdeville e Fernando Grillo, Teatro com o Grupo Inglês Welfare State Internacional. Novas Tecnologias na Composição na Universidade do Minho, Workshops de Improvisação com alguns dos mais importantes nomes desta área como Steve Lacy, Evan Parker, Peter Kowald, Richard Teitelbaum.
Centrado no saxofone, inicia-se no Jazz, abordando posteriormente diversos tipos de música Rock e do Jazz à Musica Improvisada. Colabora vários anos com Jorge Palma, e integra o trio Plexus de Carlos Zíngaro. Com as novas tecnologias, compõe musica para Dança, Video, Teatro e Televisão.
A partir de 1989, inicia a sua actividade a solo, utilizando a electrónica com controle em tempo real. Cria e apresenta vários concertos a solo, espectáculos multimédia, e orienta Workshops sobre as Novas Tecnologias. Apresenta-se em duo com Carlos Zíngaro em Moscovo e a Solo em Paris nos III Encontros de Improvisação.
Com oito CDs editados, gravou com nomes históricos como Derek Bailey, Alex v Schlippenbach e Peter Kowald, e participa em alguns dos mais importantes Festivais da Europa, a solo e com outras figuras centrais da improvisação, como Phil Minton, Han Bennink, Fred Van Hove, Gunter Sommer e William Parker, sendo actualmente considerado pela critica internacional, como um flautista de referência, percursor ao afirmar este instrumento na improvisação contemporânea, virtuoso e inovador, pela forma criativa e complexa como combina e domina as múltiplas técnicas.

BARRY GUY
Barry Guy é um inovador contrabaixista e compositor, cuja diversidade criativa nas áreas da improvisação jazzística, dos recitais a solo, de apresentações em conjuntos de câmara e orquestras concentra em si o resultado de uma formação prática polivalente pouco usual e de um enorme entusiasmo pela experimentação, sublimados na sua dedicação ao contrabaixo e ao ideal da comunicação através da Música.Barry Guy é fundador e director artístico da Orquestra de Compositores de Jazz de Londres (London Jazz Composers Orchestra), para a qual compõe e grava.
As suas obras para concerto têm sido interpretadas com alguma frequência e a sua capacidade técnica e inventiva tem dado origem a um excepcional conjunto de obras: Flagwalk (1983), The Eye of Silence (1988), Look Up! (1990), After the Rain (1992), Bird Gong Game (1992), Fallingwater (1996) e Redshift (1998). Look Up! recebeu o Prémio da Royal Philharmonic Society de Composição para Câmara em 1991-92.
Assim, as suas obras demonstram grande frescura sem recorrer aos excessos que podem “sufocar” os intérpretes, fazendo com que cada apresentação se transforme num teste ou julgamento das suas performances. Todavia as suas partituras revestem-se de grande virtuosismo e apresentam muitas vezes novas sonoridades e técnicas instrumentais alargadas; a avaliação dessas possibilidades é naturalmente feita pelo próprio, na sua qualidade de intérprete.
Barry Guy continua a realizar recitais a solo pela Europa e E.U.A., bem como tocando com o Evan Parker/Paul Lytton Trio. Mais recentemente tem integrado a formação que acompanha o pianista americano Cecil Taylor e o grupo ROOM de Larry Ochs, sediado na Califórnia.
Este compositor gravou mais de 80 albuns com variadíssimas formações de Jazz, entre as quais o duo Arcus com Barre Phillips. Em 1993 foi editado pela NMC, o album “After the Rain” com a City of London Simphony Orchestra, sob a direcção de Richard Hickox e em 1996, esta mesma formação estreou a sua obra Fallingwater.
A BGNO – Barry Guy New Orchestra –, a sua nova big band aparece referida na Intakt no CD “Inscape – Tableaux”, que ganhou o prestigiado prémio francês CHOC 2001.

The SUN RA / TRANSPARENCY é uma série de DVD’s com a duração total de 35 horas, contendo material filmado de SUN RA. Foram já editados dois volumes, sendo o primeiro um concerto em Palomino, 1988, com Lester Bowie, Don Cherry, John Gilmore, Marshall Allen e Philly Jo Jones. Inclui entrevistas com Sun Ra e Don Cherry, perfazendo o total de 93 minutos. O segundo volume de The SUN RA / TRANSPARENCY, com a duração de 153 minutos, recolhe dois concertos, um em Berlim Oriental, de 1986, e outro em Berlim Ocidental, de 1983. O resto do tempo é preenchido com a aparição de Ra num programa de televisão em França, em 1970.
Sun Ra Arkestra: Volume One: Live at the Palomino, L.A.
Sun Ra Arkestra: Volume Two: East Berlin and West Berlin
Since writing about Creative Sources earlier in 2005, over a dozen new recordings have been released on Ernesto Rodrigues’ fine imprint. Still concentrating, roughly speaking, on micro-improv and electroacoustics, the label has developed several specific areas of concentration: solos, duos, and group improvisations.
GRANULAR 7.9 QUINTAS - CENTRO CULTURAL DE BELÉM
Américo Rodrigues < > Carlos Santos > 22 de Setembro, 19:00 Bar Terraço
Encontro de um poeta sonoro e vocalista da improvisação, Américo Rodrigues, com um compositor e improvisador de música por computador, Carlos Santos, especializado no tratamento de "field recordings" (gravações de campo) que diz que, antes mesmo do "laptop", o seu instrumento é o microfone. Se Rodrigues já utiliza técnicas extensivas, como as do canto bifónico do Tibete e de Tuva, na Sibéria, entre muitas outras, que multiplicam as capacidades naturais da voz, Santos trabalhará esta por meios electrónicos de forma a levar o seu grão sonoro e a sua expressividade para situações totalmente imprevistas, assim construindo um jogo de espelhos e de causa e efeito.
Próximos concertos
Ernesto Rodrigues < > Manuel Mota > 29 de Setembro
Rodrigo Amado < > Paulo Galão < > Paulo Curado > 6 de Outubro
António Chaparreiro < > Emídio Buchinho < > Filipe Bonito > 20 de Outubro
Rui Costa < > André Gonçalves < > João Hora > 27 de Outubro
G R A N U L A R
E M E 2 0 0 5
E N C O N T R O S d e M Ú S I C A E X P E R I M E N T A L
SETÚBAL
PALMELA
2 1 a 2 4 S E T E M B R O - 2 0 0 5P O R Q U Ê
Será possível determinar o ponto de fronteira que delimita a música composta da música improvisada? Ou mesmo, o ponto onde cessa o domínio da música e se inicia o do som? Existirá porventura uma fronteira, em qualquer dos casos?Fará sentido avaliar e separar a criação em função dos meios utilizados? Um piano não poderá ser tomado como um instrumento de elevada complexidade quando tocado por um nativo da Nova Guiné? Um computador portátil não representará a mesma proporção de análise aos olhos de um europeu médio?
A estas e outras questões, diferentes pessoas, dar-nos-ão diferentes respostas. E todas elas, em função do momento, do seu estado de espírito e sobretudo da memória que foram construindo ao longo dos anos (cultural em geral, e musical em particular).
Em valores absolutos, diria que a maior diferença entre um piano e um laptop está no peso de cada um.
Mais do que respostas ou verdades absolutas, pretendem estes EME lançar questões a partir de trabalhos de artistas com propostas musicais, sonoras e visuais bastante diversificadas. O campo de intervenção, abre-se pois às artes visuais e digitais ligadas ao vídeo e à “dinâmica hard disk” e live processing.
Em comum, têm como objectivo o alargamento de fronteiras e um sentido de procura incessante, onde as ideias de sucesso ou fracasso não fazem grande sentido. A ideia de descoberta sobrepõe-se a qualquer ditadura estética, e quanto ao discurso –ou estilo- cada um tem o seu! Tal como os rostos.
Estes EME, pretendem pois ser um lugar de reflexão por oposição a um lugar de certezas, questionar mais do que responder, e sobretudo estimular, na esperança de que uma vez criado o estímulo, surja a reacção. E então sim, ver-se-á fechado o ciclo e chegado o momento da renovação, por meio de um novo ciclo. - vitor joaquim
21/09 22:00 Carlos Zíngaro + Nuno Rebelo [PT] Setúbal
22/09 21:30 Phoebus + Stolen Images Inc [PT] 22:30 Draftank + PL [PT] Palmela
23/09 21:30 Boca Raton [NL] 22:30 Freiband [NL] Palmela
24/09 21:30 Stephan Mathieu [Ger] 22:30 Stephan Mathieu + N:O -Naja Orchestra [Ger, PT] Palmela
E N C O N T R O S D E M Ú S I C A E X P E R I M E N T A L . S E T Ú B A L / P A L M E L A - P O R T U G A L contacto: vitorjoaquim@mail.telepac.pt tel_ 96.3290150 http://joaquim.emf.org/EME/EME.htm 1 / 9 E N C O N T R O S D E M Ú S I C A E X P E R I M E N T A L . S E T Ú B A L / P A L M E L A - P O R T U G A L contacto: vitorjoaquim@mail.telepac.pt tel_ 96.3290150

Prossegue série de concertos comemorativos do 60º aniversário de Anthony Braxton, BRAXTON AT 60: A CELEBRATION, que tem lugar no WESLEYAN UNIVERSITY’S CENTER FOR THE ARTS AND MUSIC DEPARTMENT. Sábado, 17 de Setembro, foi assim:
Two GTM compositions were played, each extending over 1 hour (I don't know the composition numbers). The Ghost Trance Musics have really evolved and seem to now incorporate the whole of AB's music system and compositions. Within the music I heard several older compositions and I believe that at one point during the evening I heard a percussion pulse track.
AB played alto and sopranino in both pieces. The 12tet has a wide variety of instrumentation (bassoon. oboe, harp, tuba etc.) which makes for an exciting sound pallett. In the second composition there was a breathtakingly beautiful duo section between AB and the harpist idea for a duo release??). Of the two compositions the first was more serene and organized. The second of the evening was a bit more messy, but enjoyable just the same. Like the previous night, Taylor Ho Bynum plays a large role in AB's world and serves as an alternative conductor for the GTM performance. Jay Rosen on tuba was excellent and contributes mightily to the 12tet. One of the things that impressed me was how interactive this music is, with individual members selecting add-on compositions and musician groupings, it is almost like watching a stage play take place.
I have always enjoyed the GTM series, however seeing them performed live adds an additional level of understanding and appreciation of the music and musicians.
Da Suécia, uma editora nova a ter debaixo de olho e, sobretudo, debaixo de ouvido: MOSEROBIE - Independent Jazz for World Peace.
Em pouco tempo de existência, editou um considerável número de trabalhos de artistas da cena nórdica, que se impõe descobrir e divulgar: Jonas Kullhammar Quartet, The Torbjörn Zetterberg Hot Five, Alberto Pinton Quintet, Mathias Landaeus, Sonic Mechatronik Arkestra, Dog Out, LSB, MOKSHA, Magnus Broo Quartet, Filip Augustson, Fredrik Nordström Quintet, Mattias Welin, e outros. Como manifesto, a Moserobie apresenta cinco ideias-força:
- editar e distribuir jazz independente;
- servir de alternativa a certas editoras discográficas, na sua atitude para com os músicos
;
- apoiar músicos na produção dos seus próprios discos;
- investir os proventos obtidos em novas edições;
- salvar o mundo através da música.
Festival Música Viva / Entr'Artes 2005
No coração da Nova Música e da Música Electrónica. Cruzamento das artes e da música; dança, escultura, vídeo, instalações, ateliers, de 16 a 24 de Setembro em Sintra, Oeiras e Lisboa:

OPEN SECRETS
Carlos Bechegas: flauta e electrónica
Barry Guy: contrabaixo
A não perder! No Auditório do Centro de Apoio Social de Oeiras / 22h00

Como já foi amplamente noticiado, no passado dia 4 de Junho, o multi-instrumentista / compositor / escritor / professor / “Genius” da MacArthur Fellowship, ANTHONY BRAXTON completou 60 anos de idade e 38 de carreira. Foi em 1967 que A. Braxton se estreou em disco, com uma participação em Levels And Degrees of Light, de Muhal Richard Abrams, pontapé de saída para uma carreira discográfica de qualidade e quantidade impressionantes, a rondar os 250 títulos.
Esta será uma excelente oportunidade para conhecer ou aprofundar a conhecimentos sobre a música de um dos maiores criadores deste e do século passado. A propósito, quem sabe se é agora que os álbuns da fase Arista regressam ao convívio dos admiradores do compositor, discos cujas cópias circulam por aí clandestinamente e em abundância entre os traders, facto que Braxton não ignora e inclusivamente incentiva.
Entretanto, prosseguem as actividades do festival ANTHONY BRAXTON AT 60: A CELEBRATION, que cobre os meses de Setembro, Novembro e Dezembro, dividido em três partes. Sexta-feira passada, dia 16, no WESLEYAN UNIVERSITY’S CENTER FOR THE ARTS AND MUSIC DEPARTMENT, ouviu-se a Composition 103 for 7 Trumpets, em estreia mundial, peça interpretada pelo Braxton Trumpet Ensemble: Taylor Ho Bynum, Tim Byrnes, Peter Evans, Sam Hoyt, John McDonough, Kelly Pratt, Nate Wooley, seguido de Diamond Curtain, pelo Wall Trio: Anthony Braxton (sopros e electrónica), Tom Crean (guitarra) e Taylor Ho Bynum (trompete e fliscórnio).
Um “hardcore fan” de Anthony Braxton, que assina mstfreejazz, mandou-me as suas impressões do concerto que abriu as comemorações:
I attended the Braxton at 60 concert last night. This was my first time seeing AB live after many years of being a hardcore fan. He didn't let me down.
Composition 103 for 7 Trumpets received its world premier. The piece reminded me somewhat of Comp 96 with its overlapping layers of sound. It also had a taped intro of Spainsh music that Talor Ho Bynum soloed over at the start. The combinations of sounds and textures generated by 7 trumpets (each with 4 or 5 trumpet mutes) was astounding and nothing like I have ever heard. The composition is one of the Ritual pieces and all musicians were dressed in Spanish/Latin costumes with AB conducting. All of the trumpet players made impressive contributions to the piece. What a variety of sounds!
After the intermission the US premier of the Diamond Curtain/Wall Trio took place. Interesting to note, AB only played his large saxophones and electronics. (Contra-bass, baritone and one in-between). Tom Crean has an entirely unique way of playing guitar and stringed instruments. I haven't listened to much Derek Bailey, but I imagine that Crean is influenced by Bailey with his non-traditional fingering. Several passages almost had some hard rock fingering which was amusing to see AB in this context. Taylor Ho Bynum played multiple brass (tr, flg, tb) and he is an up and coming major player. I have never seen anyone get the variety of sounds from a trumpet. As far as the music, I don't know how to describe it. It is unlike anything Braxton has ever done. Electronics are used but are supportive to the music and not front and center. As far as I could gather, the electronics are used in the backgound and also to signal transitions in the compositions. The sounds and textures created by Crean lay a foundation that AB and Bynum improvise over. My overall impression of the Diamond Curtain/Wall musics was favorable although the composition was a little flat at the end of the piece. I expect that these musics will evolve quickly like the GTM series has.
Tonight is the Ghost Trance Twelvtte with Electronic Components. I can't wait!
> Novidades editoriais na Bruce's Fingers:
- ZFP QUARTET (Carlos Zíngaro, Márcio Mattos, Simon H. Fell e Mark Sanders - Music For Strings, Percussion & Electronics
- SU LYN - Clay Angels
- SIMON H. FELL - Composition No. 62
- IAN SMITH / SIMON H. FELL / HARRIS EISENSTADT - K 3
- ALEX WARD / LUKE BARLOW / SIMON FELL / STEVE NOBLE - Help Point
- LONDON IMPROVISERS ORCHESTRA - Responses, Reproduction & Reality

WISHFUL THINKING 5tet
Alípio Carvalho Neto, sax tenor
Johannes Krieger, trompete
Alex Maguire, piano
Ricardo Freitas, baixo eléctrico
Rui Gonçalves, bateria
«Fundado pelo saxofonista brasileiro Alípio Carvalho Neto, residente em Portugal, e pelo reputado pianista britânico Alex Maguire, este é um dos melhores grupos que circulam no momento em Portugal, revelando superiores instrumentistas dotados de grande empatia. O trabalho de composição é original, oposto a veleidades mainstream e optimizando as potencialidades de cada um dos seus instrumentistas, também interessados em transcender os limites que habitualmente se colocam ao jazz, explorando a improvisação e estéticas contemporâneas» - Jazz im Goethe-Garten

Depois de há 10 anos atrás ter gravado The Crux (Leo Records), Intervals, Solo Work for Woodwinds, 2001, saberá quem já o ouviu, é um disco solo de Ned Rothenberg (na foto, com o contrabaixista Mark Dresser ao fundo), a estreia da marca de discos por si fundada, a Animul Records. Intervals é um CD duplo que recolhe gravações de um dos grandes improvisadores do saxofone alto, clarinete, clarinete baixo e shakuhachi, com mais de 20 anos de trabalho no formalo solo. Um compêncio da arte de bem tocar instrumentos de sopro com absoluto controlo, concentração, sentido espacial e capacidade de compor enquanto executa, daí resultando peças estrut
uradas e desenvolvidas no momento, tão bem acabadas que mais parecem ter sido previamente escritas. Rothenberg, nome que inexplicavelmente é raro aparecer citado na imprensa, ombreia sem favor com os grandes sopradores multi-instrumentistas mais conhecidos, como John Zorn, Roscoe Mitchell, Anthony Braxton ou Evan Parker, com quem gravou uma série de duetos que bem gostaria de conhecer. Por enquanto, revisito Intervals, um disco a ouvir com a máxima atenção, para não perder pitada do muito que cá se passa.
RECO-RECO ou TRATACTUS PORCOMUSICOLOGICUS
A musicologia oficiosa é uma rosquinha de merda de porco - a estética académica nunca desceu tão baixo; dois ou três recos jet set e mais a legião de imbecis ministeriáveis e/ou deputáveis a roncar teorias sobre música e mais o cochon comissário de festival suinóide e os agentes da porcaria, em lavagices capitalizantes; pigs…etnoporquitos cor-de-rosa, instrumentistas que aspiram a cevados compositores, famosos porcalhões do empresariado, berrões a guinchar pelo lugar na chafurdice máxima. Acontece - umas focinhadas na pauta e mais umas iconografias porcinas a armar ao ciberporco, ronco-reuniões, conferências-saca-rolhas como as pirocas dos porcos; sectores votados à música de instituições genoporcinas; netmerda de cochino multicultural, cibercaca musical; musicografia/gamela.Assim ficamos reduzidos a montes de estrume literário, crítica vendida à ração, propaganda-brucelose – ainda por cima apresentando-se como porcus musice – pocilga político-partidária de qualquer burovarrão - …pimba pigs…todos interligados pela música via TV, exclusivamente caganeira ligeira em dó maior, e na rádio a debitar salsichas com emulsionantes e conservantes; vejam lá! chama-se música àquele pacote mercantil hemorroidal e estandardizado peidolar e grunhir…como acontece entre os porcalhões no lar-doce-lar: putedo de marrã, paneleiragem, peidofilia, fressura, e vice-versa de erotismo cropófago…lamentável! pigs…não interessam nem à Musicologia nem à Veterinária nem ao menino Jesus… narinas de reco, tomadas eléctricas conectadas ao talho da censura, traques badalhocos via satélite, bandeira-forriqueira-cagofonia, terrorismo escroto de berrão - onde os artiodáctilos suídeos se emboligam tipo perfodança ao som de cagadelas new wave…pigs… fato com reflexos asa de mosca da merda, e gravata porky: em limusinas matadouros; mamões! sempre a cobiçar um lugar no pestilento pocilgo da publicidade; varas de júris suinomusicólogos, só para punir ou eleger as estrelas do estrume, pela rara sabedoria de imitar, continuar a fétida pseudo-música canónica; camarilha a babar ideologia musical sebenta, indigna dum leitão da Bairrada que se preze. Pusmoderno, porcópera, escatomerdalogia sónica.
Filas de porquinhos lambões a baterem-se à condecoração, ao prémio, ao subsídio chorudo.
Trabalho multimerda suplementado por uma hóstia de schwein mal cagada dita CD; infodarte reca; um chiqueiro sonoro mixfedor…pigs...enfim…pigs… moral da história: quanto mais a porcalogia musical alçava o rabo mais o sumo porcalhote lhe enterrava o nabo…os sons que daí se ouviam eram escatofetos uma suínaria inaudível….tudo uma grande porcaria…pigs…estamos ameaçados por uma nova espécie genética:
o musoporco.
Para o forno, orelhas bem tostadinhas, JÁ!
Jorge Lima Barreto
Começa a jornada com a audição do de disco Thollem / Rivera, Everything's Going Everywhere, um suplemento de energia positiva que se liberta deste piano e desta bateria, em perfeita concomitância. Discos deste nível não há muitos e os que há devem fazer bom proveito.
Não sei já quem me disse há dias que este novo disco do saxofonista canadiano, Michael Blake, Right Before Your Very Ears, não era grande coisa. Alertado pelo aviso, ouvi-o um pouco de pé atrás, como à espera de poder confirmar aquela acepção. Nada de mais enganador. Michael Blake, Ben Allison e Jeff Ballard empreendem um percurso muito interessante pelos caminhos do trio de saxofone, contrabaixo e bateria, terreno já muito pisado mas em que ainda é possível chamar a atenção pela positiva, desde que para tal se possua engenho e arte; e uma boa dose de frescura e originalidade. É esse manifestamente o caso de Michael Blake e companhia, músicos com jeito tanto para a arquitectura sonora, como para a esforçada construção do edifício.O trio beneficia do facto de estar muito rodado, o que empresta consistência e fluidez ao desempenho. Por outro lado, Blake, Allison e Ballard, jogam sempre ao ataque, sem tentarem imitar ninguém ou encostarem-se às tábuas da catalogação fácil, mesmo quando entram por territórios demarcados por Monk (San Francisco Holiday), compositor por quem Michael Blake parece ter especial admiração, ou se embrenham no trabalho sobre standards (Careless Love recebe um tratamento condigno). A contribuir para a felicidade do produto final está uma gravação sem arredondamentos de estúdio, que preserva o timbre natural dos instrumentos. Com Right Before Your Very Ears Michael Blake deu o seu tempo por bem empregue e conseguiu um bom disco de jazz moderno.
Michael Blake Trio - Right Before Your Very Ears (Clean Feed, 2005)
Prosseguem alegremente as comemorações do aniversário de Anthony Braxton, que este ano apaga 60 velas. As festividades decorrem até Dezembro, um programa extenso e diversificado, com ênfase na multifacetada pesonalidade musical de Braxton, que ao longo dos últimos 40 anos fez avançar as linguagens do jazz e da new music, enquanto compositor, saxofonista improvisador e professor. Braxton at Sixty.
«On the event of his 60th birthday, Wesleyan University's Center for the Arts, Music Department, and a wide array of scholars, students and professional musicians have joined forces to perform and examine his work».
Este mês (daqui a dias), em Nova Iorque, nas instalações do clube Collective: Unconscious, 279 Church St, tem lugar o Second Annual ErstQuake Festival - o festival da Erstwhile.
Sexta, 23 de Setembro:
Mark Wastell/Tim Barnes
Keith Rowe/Tomas Korber
Julien Ottavi/Dion Workman 
Joe Colley/Jason Lescalleet
Keith Rowe/Toshimaru Nakamura
Sábado, 24 de Setembro:
Joe Colley solo
Toshimaru Nakamura/Taku Unami/Sean Meehan
Tomas Korber/Tim Barnes
nmperign/Jason Lescalleet
Keith Rowe/Julien Ottavi
Domingo, 25 de Setembro:
Greg Kelley/David Daniell/Sean Meehan
Keith Rowe/Mark Wastell
Taku Unami/Margarida Garcia
Tomas Korber/Julien Ottavi
Toshimaru Nakamura/Mark Wastell/Tim Barnes

Rodrigo Amado saxofonista luso das especialidades alto, soprano e barítono, em forma crescente, toca a 25 de Setembro na Downtown Music Gallery, de Nova Iorque, com o quarteto Dee Pop and Friends. A 28 de Setembro, apresenta-se no Barbès, em Brooklyn, com Herb Robertson, trompete, Ken Filiano, contrabaixo e Lou Grassi, bateria. E a 30 de Setembro, com o Yels at Eels, em Dallas, Texas. Com gravações de estúdio em perspectiva. Bela excursão, Mr. Amado! É assim mesmo!
«Every Wednesday is a NIGHT OF THE RAVISHED LIMBS, a new music series curated by Michael Attias. - Rodrigo Amado - Rare NY appearance of Portuguese improvising saxophonist Rodrigo Amado, leader of Lisbon Improvisation Players and co-founder of the Jazz label Clean Feed. Rodrigo has played or recorded with musicians such as Steve Swell, Carlos Zíngaro, Ken Filiano, Steve Adams, Alex Cline, Bobby Bradford, Vinny Golia, Paal Nilssen-Love, Phill Niblock, and many others. He will be joined by Ken Filiano - Double Bass, Lou Grassi – Drums, and Special guest Herb Robertson, trumpet». (Foto de Nuno Martins).
A ler: entrevista de David Marchese a Sonny Rollins, «A Colossus Nears the End of the Road: Sonny Rollins at 75», publicada na PopMatters em 25 de Agosto passado.«I'm always in danger of sounding too different than I did on my last record, but it's what I have to do. I don't have any choice about it. I'm not gonna copy my past performances».
Amigos em Los Angeles (ou em trânsito para a Disneyland com a criançada), saibam pois que no REDCAT (Roy and Edna Disney/CalArts Theater), organização daquela cidade californiana, nos dias 30 de Setembro e 1 de Outubro próximos (sexta e sábado), há Electric Ascension ao vivo: Chris Brown, Nels Cline, Fred Frith, Ikue Mori, Don Robinson, Otomo Yoshihide, Carla Kihlstedt, Jenny Scheinman e o Rova Saxophone Quartet.
_Electric Ascension_: OrkestRova L.A. Plays John Coltrane's _Ascension_
The Rova Saxophone Quartet is augmented by guitar luminaries Nels Cline and Fred Frith and other guest artists for a brilliant new interpretation of John Coltrane’s _Ascension_--the monumental 1965 piece that stands as one of the key watersheds of post-bop free jazz. In addition to Rova’s four reeds—-Bruce Ackley, Steve Adams, Larry Ochs and Jon Raskin—-the 12-piece ensemble features the violins, electric guitars, percussion and an array of electronics, samplers and turntables of guests Jeff Gauthier, Earl Harvin, Ronit Kirchman, Tom Recchion and Mark Trayle. The two performances at REDCAT mark the 40th anniversary of Coltrane’s contribution to the emergence of structured improvisation.
Sobre Orkestrova: ELECTRIC ASCENSION, uma obra-prima recentemente publicada pela Atavistic, que não me canso de ouvir e de louvar, escreveram The Wire, All About Jazz e Paris Transatlantic:
«This is _Ascension_’s long-awaited apotheosis and a masterpiece of the truest kind». —The Wire
«Forty years along, _Ascension_ remains a seminal work in the emergence of free jazz. _Electric Ascension_ demonstrates just how far the concept has evolved and been shaped both by years of experience and the advent of new technologies to expand its rich possibilities». —John Kelman, All About Jazz
«The individual and ensemble performances are simply inspired, from Ochs’s opening tenor broadside onwards, and the whole glorious edifice is underpinned by Frith’s marvelously spacious and melodic bass work, which keeps the flame of the original tiny modal cell burning brightly even in the wilder moments. These, when they come, are indeed noisy and ebullient, but genuinely ecstatic rather than par-for-the-course free jazz big band blowouts. Instead of jumping in and blasting the place to pieces, it’s as if the musicians are floating above, able at all times to grasp the overall structure… I like to think that if Coltrane had lived long enough to incorporate live electronics into his music… he would have done so without a moment’s hesitation. The otherworldly textures of the electronics and the Radulescu-like spectra of the violins are perfectly in line with his all-encompassing vision of a planetary music». —Dan Warburton, Paris Transatlantic Magazine

Duas coisas já não me aconteciam há algum tempo: ver o Benfica a jogar bem à bola e ouvir Miles Davis at Fillmore: Live at the Fillmore East (New York City, 17-20 de Junho de 1970). Mais raro ainda (inédito até), foi fazer ambas as coisas em simultâneo. Cortado o som à televisão, poupei-me aos comentários dos doutores da bola de serviço. Optei então por pôr o Miles a relatar, com a sua equipa de comentadores. No canal esquerdo, Keith Jarrett, em órgão Farfisa (que mimo!); no esquerdo, Chick Corea, piano Fender Rhodes; no miolo, Dave Holland, baixo eléctrico; e entre a esquerda e o centro, o sax soprano e a flauta de Steve Grossman;
ah, e a bateria e percussão de Jack DeJohnette e de Airto Moreira. Há quem não goste deste Miles porque a música sofreu muitas tesouradas de Teo Macero e tal, o que é verdade e não lhe fez nada de bem, é certo. Mas, pondo isso de lado, o que se ouve é Miles do melhor (do Fillmelhor...), na máxima forma. A tal scraggly funkified static groove music, como lhe chamou a JazzTimes. A juntar à noite da Luz, é o que se chama ganhar em dois tabuleiros.
Pergunta: - Que fazem Eric Barber - Rob Blakeslee - Jessica Catron - Daphne Chen - Alex Cline - Brad Dutz - Bruce Fowler - John Fumo - Jeff Gauthier - Ludvig Girdland - Vinny Golia - Ed Harkins - Ivan Johnson - Jeff Kaiser - Ronit Kirchman - Alan Lechusza - Marc Lowenstein - Devin Maxwell - Joe McNally - Guenevere Meascham - Jason Mears - George McMullen - Hal Onserud - Wayne Peet - Andrew Pask - Bill Plake - Scot Ray - Kim Richmond - Bill Roper - Jennifer Roth - Eric Sbar - Sara Schoenbeck - Jonathan Stenney - Phil Teele - Michael Vlatkovich - Rob Zimmerman, todos juntos (não vale olhar para o boneco)?
Resposta: - Fazem o Vinny Golia Large Ensemble, a mais famosa e qualificada big band da Costa Oeste, evidentemente! Que comemora 20 anos (parabéns Vinny!), com o lançamento de um DVD do concerto gravado ao vivo em 15 de Março de 2002, no Walt Disney Modular Theater, California Institute of the Arts, Valencia, CA. Vem na página da Nine Winds, aqui.Ontem falei das fotografias de Nuno Martins e do crescente interesse que o seu trabalho tem vindo a despertar junto da comunidade do jazz e da música improvisada. Na galeria de imagens da Nine Winds há mais exemplos desse bom trabalho - a nossa segunda exportação, depois da Autoeuropa.

Já e conhecido o programa oficial do TOTAL MUSIC MEETING 2005 (International Artists Festival For Improvised Music), este ano dedicado à memória de Albert Mangelsdorff, grande trombonista alemão, falecido a 25 de Julho último, que terá lugar na Berlinische Galerie, em Berlim (o cartaz ao lado é da edição de 2004). Confirmadas estão as presenças de Manfred Schoof, Urs Leimgruber, Wadada Leo Smith, Evan Parker, John Butcher, Wolfgang Fuchs, etc. Concertos, filmes, workshops, a diversidade de eventos que faz a riqueza de um dos mais importantes festivais mundiais de música improvisada. De 3 a 6 de Novembro deste ano.

Recriação de Abdul Moimême, a partir de uma ideia gráfica da igreja fundada em 1971 pelo bispo Franzo King e sua mulher Marina King, a Church of Saint John Will-I-Am Coltrane. Esta confissão religiosa, subsidiária da Igreja Ortodoxa Africana, professa que o santo John Coltrane foi uma incarnação de Deus. Actualmente, enfrenta severos problemas logísticos, ré numa acção de despejo que a visa desalojar das instalações que ocupa desde a sua fundação, na cidade de S. Francisco, Califórnia. O Reverendo Roberto De Haven, ministro desta igreja, apela aos donativos do generoso povo coltraneano, com o objectivo de salvar a organização de ir para o olho da rua e construir um edifício de raiz, onde haja lugar para o culto religioso ao patrono São Coltrane, aulas de música, um estúdio de gravação, concertos, obra social com a população mais desfavorecida, confecção de refeições para gente necessitada, alojamento de sem‑abrigo, etc. Mais informação.
A página do trompetista Herb Robertson tem a cara lavada. Disco novo - e que disco é Elaboration! -, página nova. No frontispício, uma foto de Nuno Martins, fotógrafo português com trabalho internacionalmente reconhecido, cada vez mais requisitado pelos nomes importantes da cena euro-americana. Ele é David S. Ware, Dominic Duval, Joe McPhee, Dave Holland ... .

Foi no sábado passado que, aos 81 anos, faleceu Clarence 'Gatemouth' Brown, cantor e guitarrista de blues de Orange, Texas. “American music, Texas style”, assim descrevia a sua filosofia musical. RIP.
Da ficha técnica constam Pat Metheny à cabeça (guitarra, guitarra sintetizador), Ornette Coleman (saxofone alto e violino), Charlie Haden (contrabaixo), Jack De Johnette (bateria) e Denardo Coleman (bateria e percussão). O disco foi gravado no estúdio Power Station, em Nova Iorque, entre os dias 12 e 14 de Dezembro de 1985. Sobre ele já se escreveu um mar de análises e comentários; não vou ensaiar nada do género. Trata-se apenas de assinalar os 20 anos de SONG X e, simultaneamente, os 75 do saxofonista de Fort Worth, Texas. Um grande disco de Metheny com Ornette, que também é um disco de Ornette com Metheny, e destes dois com os outros três. Mais de Ornette que de Metheny, bem vistas as coisas (basta perguntar a um fan típico do guitarrista o que é que ele achou da gracinha...), facto que se manifesta de forma evidente na estrutura das composições e na dissonância que Coleman manipula a seu gosto. Não faltam uns toques de bop, com Haden e De Johnette a puxar a acção para terrenos mais jazz-reconhecíveis, conseguindo o melhor equilíbrio instável em anos. Há 20 que gosto muito de Song X. Não conto perder a edição comemorativa, que inclui 6 temas deixados de fora da original.
Que uma parte das ideias finais de Miles Davis se cruzou com o universo peculiar de Sun Ra, disso já todos sabíamos ou andávamos desconfiados. Onde? No imaginário de quem investiga a música de um e de outro, certamente. Mas também no trabalho de artistas que procuraram aquele território comum, uma imensa zona de intersecção que se começou a desenhar nos finais de 60, começos de 70, com o estabelecimento de um nov
o groove, paradigma da música improvisada daquele tempo. É nesta dupla matriz que se enquadra este interessante ensaio de Julian Priester, desde logo porque o trombonista havia tocado durante longo tempo com Sun Ra, sem desdenhar um olhar atento e curioso sobre as emergentes movimentações de Herbie Hancock e do Weather Report. Foi neste contexto de novas combinações spacey-funk com instrumentos de sopro, que o sintetizador e o piano eléctrico Fender Rhodes fizeram escola e modificaram para sempre a paisagem do jazz, contribuindo para o alargar da brecha que separou os campos. De um lado, os fiéis à tradição acústica e às regras do jazz tal como definidas pelos founding fathers, o que quer que isto pudesse significar; do outro, gente mais virada para o futuro, ávida de novos sons, que levava por diante a ideia de que o jazz sempre foi e será uma linguagem musical híbrida, mestiça, evolutiva por excelência, que integra na sua corrente todas as contaminações que apanha pelo caminho.
Love, Love é produto daquela época. Nasceu depois da estadia de Priester na orquestra de Duke Ellington, a que se seguiu o tirocínio com grupo de Herbie Hancock, pré-Head Hunters. Com sequela em Polarization (ECM,1977), Love, Love foi editado em 1974 e reapareceu este ano em formato de CD pela mão da originária ECM. Em boa hora o fez, para que possamos hoje fruir a espantosa plasticidade desta música, qualidade que lhe permitiu envelhecer bem e manter intacta toda a fleuma que há mais de 30 anos lhe soprou um vento fresco na alma.
Julian Priester (trombone, sintetizador, percussão); Bill Connors (guitarra); Hadley Caliman, Mguanda David Johnson (flauta, saxofone); Bayete Umbra Zindiko (teclados); Pat Gleeson (sintetizador); Ron McClure, Nyimbo Henry Franklin (baixo); Eric Gravatt, Ndugu Leon Chancler (bateria e percussão).

Em 2003, a Sra. D. Carla Bley espantou (é o termo) meio mundo com um disco de big band chamado Looking for America. Passado o bruá que se lhe seguiu, a inquieta criadora voltou aos discos com The Lost Chords, agora com um quarteto homónimo formado pelo britânico Andy Sheppard, saxofones, e pelos norte-americanos Steve Swallow, baixo, e Billy Drummond, bateria. The Lost Chords é mais um passo firme no percurso fortemente personalizado da grande senhora. Os seus mais de 40 anos de actividade criativa continuam a revelar a mesma indomável liberdade de espírito. Proeza que não é para todos; a música, sim. (Watt/ECM).
Baseada em Chicago, a ATAVISTIC («The finest out-jazz on Earth»), trabalha em várias frentes em simultâneo. Desde logo, põe em relevo o trabalho de músicos da casa, como Jim O'Rourke, Ken Vandermark, David Grubbs ou John Corbett. Edita as sinfonias de Glenn Branca, ao mesmo tempo que investiga afinidades com determinadas franjas do rock americano (Swans, Jarboe, Mars, Don King, Elliot Sharp, Lydia Lunch, e outros), sem esquecer o trabalho de reedição e edição original de grandes clássicos do free jazz americano e europeu das décadas de 60 e 70 («Unheard Music Series»).Atenção às novidades editoriais para os próximos 2 meses:
- Vandermark 5, «The Color Of Memory»
- Mats Gustafsson & David Stackenäs, «BLUES»
- Dieter Scherf Trio, «INSIDE-OUTSIDE Reflections»
- Lydia Lunch, «Willing Victim»
- Han Bennink, «Schwarzwaldfahrt»
- Joe McPhee, «Pieces Of Light»
- Jarboe, «The MEN Album»
- Zü vs. Mats Gustafsson, «How To Raise An Ox»
- Michael Snow, «Solow Pianow»
CICLO INTERNACIONAL DE JAZZ OEIRAS 2005
22 de Setembro:
Trio de Bernardo Sassetti (POR)
Bernardo Sassetti (piano), Carlos Barretto (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria)
23 de Setembro:
Moutin Reunion Quartet (FRA+EUA)
Stéphane Guillaume (saxofones tenor e soprano), Pierre De Bethmann (piano), François Moutin (contrabaixo) e Louis Moutin (bateria)
24 de Setembro:
Sheila Jordan + Serge Forté Trio (EUA+FRA)
Sheila Jordan (voz), Serge Forté (piano), Marc-Michel Le Bévillon (contrabaixo), Stéphane Grémaud (bateria)
29 de Setembro:
Quinteto Rodrigo Gonçalves + Tribology (POR+ESP)
Libert Fortuny (sax alto), Mário Delgado (guitarra), Rodrigo Gonçalves (piano), Demian Cabaud (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria)
30 de Setembro:
Christian Brewer Quintet (ING):
Christian Brewer (sax alto), Jim Hart (vibrafone), Leon Greening (piano), Tom Herbert (contrabaixo) e John Blease (bateria)
1 de Outubro:
Ben Allison Quartet (EUA)
Ron Horton (trompete), Steve Cardenas (guitarra), Ben Allison (contrabaixo) e Michael Sarin
Câmara Municipal de Oeiras, Auditório Eunice Muñoz
(Quintas, sextas e sábados, às 22h00)

Mas há mais de John Coltrane este Outono. Informa a agência Reuters:
NEW YORK - Jazz legend John Coltrane's oft-bootlegged 1965 performances at New York's Half Note will be given their first authorized release next month. Skip to next paragraph Due October 11 via Impulse!, «One Down, One Up: Live at the Half Note» is sourced from the late Coltrane's own master tapes and produced by his son, Ravi. The material here was recorded at March 26 and May 7, 1965, shows, with Coltrane backed by pianist McCoy Tyner, bassist Jimmy Garrison and drummer Elvin Jones. Of particular note is a nearly 28-minute version of «One Down, Own Up» that has long been said to be one Coltrane's most impressive live improvisations. - Reuters/Billboard
A história é relativamente recente e reza assim: as bobines contendo a gravação de um concerto que o Thelonious Monk Quartet (John Coltrane, Ahmed Abdul-Malik e Shadow Wilson), deu na noite de 29 de Novembro de 1957, no Carnegie Hall, em Nova Iorque, foram mal catalogadas e armazenadas juntamente com um vasto e indistinto manancial de gravações realizadas pela Rádio Voz da América. Ninguém reparou nelas até que, 47 anos depois, em Janeiro deste ano, Larry Appelbaum, da Library of Congress, em Washington, numa volta que deu por aquele material no âmbito do processo continuado de digitalização de gravações que constituem o imenso património da biblioteca, casualmente deparou-se com um conjunto de bobines de gravação, de cujo rótulo constava apenas a referência «sp. Event 11/29/57 carnegie jazz concert (#1)», sendo que
numa delas figurava a designação que fez o clique: «T. Monk». Algumas voltas e diligências depois, está tudo a postos para, a 27 deste mês de Setembro, a Blue Note Records, em parceria com a Thelonious Records, publicar aparecido Thelonious Monk Quartet with John Coltrane - At Carnegie Hall. Já ouvi os 51 minutos do concerto, por ocasião da recente passagem de Larry Appelbaum por Lisboa. Grande descoberta!

Num e-mail de hoje à noite, Larry Ochs, do Rova Saxophone Quartet, disse-me o seguinte:
Rova sax 4tet just had a cancellation in Vienna which opens up October 31 and November 1 on our tour. If you have any way to invite the band to Portugal at that time, we could be available for any fee that you or the promoter would like to have it be. Better than sitting doing nothing for 2 days. Much better. - Larry Ochs
Alguém tem possibilidades de trazer cá o ROVA, já que, ver, penso que muita gente teria interesse... ? O Jazz ao Centro Clube...?! A oportunidade é única e as condições também. Alguém se chega à frente para 31 de Outubro/1 de Novembro próximos?!

Olhai o que Mark Corroto, da All About Jazz, disse há dias da Clean Feed ... «If you have to pick a label to mark an era in jazz, you might suggest Prestige in the 1950s, Blue Note ('60s), CTI ('70s), Columbia ('80s), and Knitting Factory ('90s) as the spokesmen for those particular decades of jazz. With this new century came an evolution in do-it-yourself musicians and the inevitable revolution into the smaller (say “independent”) labels as arbiters of fashion. In this new millennium the label Clean Feed Records from Portugal has presented more new artists (both from the US and Europe) and the widest diversity of styles than any other small label (...)». Parabéns, Pedro Costa, Hernâni Faustino, Ilídio Nunes e Jorge "Travassos" Trindade!
Klang – Bewegungsreflex:
O Som - o reflexo movimentado
Bewegung – Klangreflex:
O Movimento - o reflexo sonoro
Curso de Verão em Setembro
Dias 26, 28 e 30 de Setembro » das 15h00 às 18h30
Produção CEM / Granular
Este laboratório dirige-se a interessados nas áreas do som, das músicas acústica e electrónica, do movimento e da dança. O objectivo deste encontro é dar espaço à experiência da criação interactiva de som entre os instrumentos musicais e o corpo humano em movimento, seja numa forma directa ou indirecta. A sensibilização para a recepção consciente do som do dia-a-dia é considerada como o primeiro acesso a um intercâmbio sonoro de movimento entre os participantes. Depois de realizar várias experiências estruturadas formam-se diversas plataformas de grupos para criar pequenas peças / performances / composições / improvisações que serão apresentadas no fórum final deste laboratório.
Ulrich Mitzlaff
violoncelista e compositor, completou os seus estudos de violoncelo nos anos 70, em Tübingen, com o Professor Stefan Zarnescú, tendo tocado posteriormente na “Studentephilharmonie” da Universidade de Tübingen. Vive desde 1996 em Lisboa, onde exerce a actividade de compositor e violoncelista de música contemporânea, improvisada, experimental, free jazz e sound-art. + info.
Se me é permitida uma sugestão, uma só, recomendo a audição duma obra que dá p'os peitos a um cavalo. Falo de Elaboration, o mais recente disco do trompetista Herb Robertson, com o NY Downtown AllStars (Tim Berne, Sylvie Courvoisier, Mark Dresser e Tom Rainey). Passar negligentemente ao lado deste disco pode constituir grave dano para o próprio, por omissão. Ouvi-lo é como receber uma graça. Merecida ou imerecida. Mas uma graça.
A Bela Adormecida. Não, não se trata do intemporal conto de fadas. Neste caso, é também o título de um disco da Arkestra (Sleeping Beauty, Saturn, 1979), entretanto reeditado, obra de um dos períodos mais férteis e prolíficos da criação de Sun Ra, que não parava de editar discos em catadupa e de experimentar desusadas combinações instrumentais, aumentando o número de músicos e de instrumentos a ver no que dava. E dava discos como este, em que a Arkestra atingia um número graúdo de 26 elementos, de modo a permitir sacar o som mais ellingtoniano das partituras de Ra, com John Gilmore a servir de Paul Gonsalves, mutatis mutandis, obviamente. Romantismos à parte, o bichinho da exploração sonora continua bem vivo nesta big band electroacústica, servida por órgão e piano eléctrico, e coroada pela voz inimitável de June Tyson, a cantar tecendo meditativas considerações sobre a Beleza... .«One of the most soulful Sun Ra albums ever -- very much on the Lanquidity tip, and done with a great mix of electric and acoustic instrumentation! The vibe here is really mellow, spiritual, and warm -- and the album actually feels a lot more like a session recorded for the Strata East label than it does for Saturn! Keyboards pervade the session -- electric piano and organ drifting around in moody, laidback lines -- augmented by occasional vibes, bits of guitar, and some wonderfully well-blown sax solo work by Marshall Allen and John Gilmore!»
O pianista Dave Burrell faz 65 anos este mês. Nasceu a 10 de Setembro de 1940. Aludindo à data, Burrell vai tocar uma série de duetos com o baterista Billy Martin, do trio Medeski, Martin and Wood. O autor de Echo (Byg Actuel), que trabalhou, entre outros, com Archie Shepp, Marion Brown, Pharoah Sanders e David Murray, e cujo álbum Expansion, com o contrabaixista William Parker e o baterista Andrew Cyrille - o Full-Blown Trio -, recebeu vários prémios e nomeações (o Village Voice considerou-o o 2º melhor álbum de 2004), vai entrar novamente em estúdio em Novembro próximo para gravar um disco em trio com o contrabaixista Michael Formanek e o baterista Guillermo E. Brown, a editar brevemente pela High Two Recordings. Este mesmo trio estreia a 11 de Setembro no clube novaiorquino The Stone.
«O limite da criatividade de Hermeto Pascoal é o infinito. Fascinado pela experimentação, a música nas suas mãos manifesta-se de forma inesperada. Compositor, arranjador e multi-instrumentista, os seus concertos constituem verdadeiros happenings onde são misturados instrumentos e sintetizadores, animais e objectos com resultados sonoros inesquecíveis. Consagrado e respeitado internacionalmente, Hermeto rompe todas barreiras conceituais e musicais, enriquecendo a música popular brasileira e universal».
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Voz, teclados e outros instrumentos - Hermeto Pascoal
Percussão - Fabio Pascoal
Bateria - Marcio Bahia
Baixo - Itiberê Zwarg
Sopros - Vinícius Dorin
Piano - André Marques

David Murray ao vivo em Londres, 1978. O Loft Jazz numa das suas mais vibrantes manifestações. Com Butch Morris, corneta, Curtis Clark, piano, Brian Smith, contrabaixo, e Clifford Jarvis, bateria, David Murray gravou um dos melhores discos da sua extensa obra discográfica. Flowers For Albert abre o segundo disco de The London Concert (Cadillac), aquele que agora vou ouvir.
Tenho que ver se apanho esta recente edição da Charly, que contém as gravações completas da fase central do período de existência do Funkadelic. Corresponde aos anos entre 1976 e 1981, em que o groove estava incandescente. Os quatro CDs deste The Complete Recordings recolhem os álbuns Hardcore Jollies, Uncle Jam Wants You, One Nation Under a Groove, e The Electric Spanking of War Babies, mais um lote de faixas extra que não desmerecem atenção.Acompanha a edição um livreto de 44 páginas, que detalha a história da banda de George Clinton, e o traça o enquadramento do grupo no contexto mais alargado do funk, escrito por Geoff Brown, da MOJO Magazine. Há quem se lembre de One Nation Under a Groove, Not Just Knee Deep e Who Says A Funk Band Can't Play Rock.
Começa a cair a folha e com ela aí está mais um número (39, Outono) da Signal To Noise, The Journal of Improvised & Experimental Music.Joe McPhee está na capa e no interior, em merecido destaque. Há também trabalhos sobre Gang Of Four, The Dead C, Rob Mazurek, Xiu Xiu, James Finn (esse, o da Plaza de Toros), Kyle Bruckmann, e sobre a grande banda de rock que são os Magik Markers. Não faltam as habituais secções, comentários e opiniões críticas de quem sabe da poda e faz da STN a revista.

A 29 de Setembro, pelas 21h30, no Auditório do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, em Braga, toca o Who Trio, liderado pelo pianista suíço Michel Wintsch.
Pianista e compositor de talento, Michel Wintsch busca inspiração em distintas planos musicais, da tradição do jazz à energia do rock, da liberdade da improvisação aos rigores da música orquestral. Wintsch nasceu na Suíça, em 1964, e desde muito cedo começou a exprimir-se musicalmente. Um dos seus projectos mais conseguidos é o Who, que formou com o contrabaixista Bänz Oester e o baterista norte-americano Gerry Hemingway. O trio começou a tocar e a gravar em 1995. Publicou três discos na editora britânica Leo Records. Vem agora a Braga, numa organização de RUM c/Jazz e Fundação Cultural Bracara Augusta, com o patrocínio da empresa DST e os apoios da AAUM, do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian e ainda do restaurante "Abade de Priscos".
Atenção às Avant_Jazz_Rock_Sessions, da ZdB, em Lisboa!
Sexta-feira 23 Setembro, às 23h00
Neptune (EUA)
Jessica Rylan (EUA)
Patrick Brennan+Peter Bastiaan (EUA/NL)
Neptune (EUA)
Projecto liderado por Jason Sanfordque que remonta há mais de há dez anos para cá, os Neptune encontram a sua ética laboral no caminho curto entre a «arte pobre» e Harry Partch, construindo os seus instrumentos (bateria, guitarras, baixo) a partir de partes de bicicletas, lâminas circulares e dezenas de outras fontes de metal avulso.A música resultante explora e sublinha, de forma desconstrutivista; as propriedades rítmicas, de rito controlado, dos instrumentos usados, em furiosas peças que ajudaram a gerar a continuação do espaço de simbiose entre o punk enquanto ética construtiva e o rock mais extremo e ruidoso. Paralelos podem ser encontrados com os Lightning Bolt, The Ex, USAISAMONSTER ou Sightings, com quem – sem excepção - já partilharam palcos por várias vezes.
Jessica Rylan (EUA)
Sediado em Boston, Massachussets, o trabalho de Jessica Rylan ocupa um espaço de raro grau de intimidade dentro da história dos exploradores do ruído.
Utilizando sintetizadores analógicos de estranhas e modestas formas, todos eles construídos por si, Rylan explora a natureza feminina em confronto delicado com as imperfeições físicas de origem do material por ela criado, fazendo a sua voz emergir por entre ruído e batidas espaçadas plenas de secura, sobriedade e minimalismo.
Depois de vários anos a fazer trabalho no campo da instalação, Rylan afirma-se cada vez mais como uma das mais interessantes e carismáticas figuras e performers da exploração extrema do som nos Estados Unidos, por onde tem dividido palcos com artistas de trato convergente, como John Wiese, Prurient ou Emil Beaulieau.
Patrick Brennan+Peter Bastiaan (EUA/NL)
Galeria Zé dos Bois, Bairro Alto, Lisboa.
O novo disco do Hard Cell (Tim Berne, Tom Rainey e Craig Taborn), FEIGN, já saiu. Composições de Berne, gravação ao vivo em Maio deste ano. Edição da Screwgun.
forUmusic - dia IV (conclusão)A formação Lisbon Improvisation Players (LIP), do saxofonista Rodrigo Amado, escreveu mais um capítulo do livro da arte de bem improvisar no fio da navalha. À partida, sabem-se apenas duas coisas: que a cada actuação do LIP, enquanto plataforma de chegada e partida, corresponde um line-up diferente; e que a regra da casa é única: toda a gente improvisa colectiva e individualmente, em demanda do núcleo essencial da improvisação livre. Nesta medida, ao tocar sem a pré-definição de composições ou de linhas orientadoras, de todas as formações que passaram pelo festival, o LIP foi a que mais arriscou no permanente trilhar do desconhecido. Rodrigo Amado, com a sua trindade de saxofones (alto, tenor e barítono), é o melhor e mais completo saxofonista improvisador da actualidade nacional, com um som cheio em qualquer dos três instrumentos, boa articulação e fraseado impressionante. Estabelecida a regra e iniciadas as operações, parte do desafio residia em ver como é que o trompetista João Moreira, praticante duma linguagem muito diferente da da improvisação livre, se integrava na marcha. Surpreendentemente ou não, Moreira esteve bem, soube ouvir e reagir, solou com elevação e trocou ideias com Rodrigo Amado, que as soube aproveitar. Venceu o desafio e enriqueceu a música com tonalidades milesianas. Pedro Gonçalves, por seu lado, é o contrabaixista certo para este contexto. Assumidamente low-profile, Gonçalves trás consigo um certo feel do rock que impulsiona o processo criativo de modo especialmente eficaz. Bruno Pedroso entendeu-se bem com Pedro Gonçalves, tanto na marcação do rítmo (podia ter ido mais longe em intensidade, ter puxado mais pelos sopradores), como no trabalhar de timbres e texturas. Enfim, um concerto em alta, a que só faltou que o quarteto se tivesse libertado mais nos momentos cruciais, para deixar a música explodir e deitar a casa abaixo.
Para fecho do festival, Sonny Fortune & Rashied Ali. Uma jam de deux em perspectiva, que se veio a confirmar em toda a linha. No programa, Impressions,
de John Coltrane, tema único para mais de uma hora de reinvenção free non-stop, em que o duo de saxofone alto e bateria evocou a paixão, o espírito, a integridade e o empenhamento do seu mentor, sem todavia cair na colagem ou no mimetismo circense. Esta é uma história que começou em 1965, quando Rashied marcou um ponto de viragem na música de John Coltrane e a catapultou para o estádio final da sua evolução polirrítmica e multitonal, que culminou com Interstellar Space, em 1967 - de então em diante, o modelo do duo de saxofone e bateria. Fortune só tocou uma vez com Coltrane; o suficiente para o prender para sempre à causa da fire music, que veio a praticar com regularidade daí para a frente. Sonny Fortune e Rashied Ali, ao vivo em Lisboa: duas mentes iluminadas que brilharam ao longo de uma interpretação plena de energia, emoção e permanente invenção abstracta. Deixaram a audiência extasiada, toda a gente de pé a aplaudir o acto de entrega total à improvisação. It´s just blowin’, dizia Sonny Fortune no ... Fim.
forUmusic - dia III
O Wishful Thinking, quinteto de Alípio Carvalho Neto (saxofones), Johannes Krieger (trompete), Alex Maguire (piano), Ricardo Freitas (baixo eléctrico) e Rui Gonçalves (bateria), chegou, viu e venceu. Rapidamente se percebeu que o quinteto, além de possuir amplos recursos próprios, assimilou e processou a informação contida numa parte da memória do jazz. Sem a reproduzir, procura reinventá-la noutras formas criativas através do trabalho sobre composições originais, fenómeno "visível" mais na sugestão subtil que na citação expressa, aspecto particularmente acentuado nos uníssonos saxofone tenor/trompete, ou na excelente articulação do piano de Maguire com Ricardo Freitas e Rui Gonçalves. Curioso foi verificar que na enunciação dos temas, Alípio e Johannes evocaram as estratégias de Ornette Coleman/Don Cherry, ou de Frank Lowe/‘Butch’ Morris. Do mesmo modo que, no desenvolvimento das linhas melódicas, se ouviram sinais do trabalho de Wayne Shorter/Herbie Hancock, ou do Circle, de Chick Corea. Além da execução propriamente dita, elevado nível artístico em ataque constante e tensão aparentemente descontraída, o mais interessante na música do Wishful Thinking é o constante fervilhar de ideias, o arreganhar de dentes, a troca e o confronto entre os cinco músicos; a espontaneidade, inteligência e energia positiva que o grupo irradia do princípio ao fim. Intenso e contagiante.
Ivey Divey, trio do talentoso clarinetista norte-americano Don Byron (clarinete e saxofone tenor), com Jason Moran (piano) e Billy Hart (bateria). O termo Ivey Divey refere-se a uma expressão de Lester Young, que com ela pretendia significar uma vida de tristezas, espécie de spleen à americana, mais a ver
com os blues. É pois este ambiente bisonho que Don Byron, reconfigurando uma formação idêntica que Pres tinha nos anos 40, com Nat Cole e Buddy Rich, pretende recriar com Moran e Billy Hart, como via para homenagear os mestres e, simultaneamente, dar largas às influências pessoais dos membros do trio. O concerto de dia 3 de Setembro, assente exclusivamente num repertório de standards, abriu com Freddie Freeloader, original de Miles Davis, do álbum Kind of Blue, seguindo-se o desfiar de temas do disco recentemente publicado, em que entra Jack DeJohnette em vez de Billy Hart. Não há muito a dizer deste empático e competente trio, revisitador do passado com bom gosto, saber e capacidade de atracção. O que é doce nunca amargou. Surpresas, poucas, a maior das quais foi para mim, pessoalmente, ouvir Don Byron tocar sax tenor com um som macio, profundo e aveludado. Volume, intensidade e colocação correctos neste contexto, bem servido pela actuação da dupla irrepreensível Moran-Hart, dois categorizados trabalhadores do seu ofício.

GRANULAR 7.9 QUINTAS (CENTRO CULTURAL DE BELÉM)
«A partir de Setembro, as quintas-feiras do Sete às Nove do CCB vão ser programações da Granular, com actuações que terão em conta o tipo de espaço em causa e a atitude descontraída inerente na realização de um grande objectivo: promover o experimentalismo na música e na arte sonora portuguesas, demonstrando que o mesmo não tem de ser árido, agressivo ou entediante.
Em ambiente de café-concerto, as propostas Granular procurarão cativar novos públicos para a causa da experimentação, lançando pontes para áreas que sejam reconhecíveis pelo maior número de pessoas, mas depois levando-as para situações com as quais estão menos habituadas. Muitas das formações propostas serão mesmo inéditas, juntanto artistas de diferentes tendências que habitualmente não trabalham em conjunto, de modo a que também para os músicos se favoreça a descoberta.
Américo Rodrigues < > Carlos Santos 22 de Setembro
Encontro de um poeta sonoro e vocalista da improvisação, Américo Rodrigues, com um compositor e improvisador de música por computador, Carlos Santos, especializado no tratamento de "field recordings" (gravações de campo) que diz que, antes mesmo do "laptop", o seu instrumento é o microfone. Se Rodrigues já utiliza técnicas extensivas, como as do canto bifónico do Tibete e de Tuva, na Sibéria, entre muitas outras, que multiplicam as capacidades naturais da voz, Santos trabalhará esta por meios electrónicos de forma a levar o seu grão sonoro e a sua expressividade para situações totalmente imprevistas, assim construindo um jogo de espelhos e de causa e efeito.
Ernesto Rodrigues < > Manuel Mota 29 de Setembro
Violinista / violista de formação clássica e interesses que vão da música contemporânea (é um habitual frequentador dos seminários de Emmanuel Nunes) ao free jazz e à livre-improvisação, Ernesto Rodrigues tem protagonizado uma abordagem reducionista e de "near silence" em que a nota é substituída pelo som puro (ou pelo ruído) e a estrutura pelas texturas, com deflagração dos fraseados em elementos atomizados, quase total desaparição dos três factores essenciais da musicalidade convencional (melodia, harmonia e ritmo) e utilização de microtons ou total atonalidade. Este cenário, em conjugação com o jazz fragmentário e "finger picking" do guitarrista Manuel Mota (músico que mereceu os elogios de, por exemplo, Derek Bailey e Noel Akchoté), com a sua inspiração na folk e nos blues do Delta americano, promete uma sessão de escuta activa por parte tanto dos dois instrumentistas como do público.
Rodrigo Amado < > Paulo Galão < > Paulo Curado 6 de Outubro
Três sopradores com uma panóplia alargada de instrumentos de palheta: os saxofones alto, tenor, "c melody" e barítono de Rodrigo Amado, os clarinetes soprano e baixo de Paulo Galão, os saxofones alto e soprano e a flauta em dó de Paulo Curado. Em contexto de improvisação total, vários mundos musicais serão inevitavelmente convocados: os do hard bop/free jazz de Amado, os da "clássica" contemporânea de Galão e os jazzísticos e de música para teatro e desenhos animados de Curado, entre muitos outros ingredientes que fazem parte dos seus respectivos "backgrounds" e gostos musicais. Rodrigo Amado é o mentor do projecto Lisbon Improvisation Players, que já proporcionou encontros de músicos internacionais de renome como Steve Adams e Ken Filiano com improvisadores portugueses; Paulo Galão tem-se evidenciado nas suas colaborações com os compositores Vítor Rua e Hugo Maia; Paulo Curado passou por Janita Salomé, Júlio Pereira, os Shish de José Peixoto e parcerias com Carlos "Zingaro". Juntos, têm condições para ser nada menos do que surpreendentes.
António Chaparreiro < > Emídio Buchinho < > Filipe Bonito 20 de Outubro
Um trio de guitarras eléctricas que não é apenas um trio de guitarras, pois as situações musicais construídas tornam este instrumento secundário pelo facto de ser "abusado" com o fim de se ultrapassar as suas capacidades originais, e um projecto de improvisação que tem uma dimensão conceptual, como ficou demonstrado com o álbum quádruplo "A Ordem dos Contrários", em que os mesmos solos diferentemente associados, de três duos a um trio final, servem para nos elucidar que o "mesmo" pode adoptar características diversificadas. O "trompe l'oreil" é, assim, a estratégia de António Chaparreiro, Emídio Buchinho e Filipe Bonito, músicos vindos do rock que já não tocam rock, músicos electroacústicos alheios à tradição académica do género e músicos, até, que têm como referência problemáticas exteriores à música, como a filosofia e as artes plásticas no caso de Chaparreiro, ou o cinema no de Buchinho, que se tem destacado como engenheiro de som de muita da cinematografia portuguesa. As parasitagens sonoras da electricidade são o seu domínio de eleição, numa abordagem da "noise music" que pode ser elegante e centrada no pormenor.
Rui Costa < > André Gonçalves < > Diogo Valério 27 de Outubro
Três computadores portáteis numa música - improvisada - baseada em "drones" (continuuns sonoros) que tem em conta as tradições minimalista, do ambientalismo e da electroacústica "erudita", mas que ultrapassa essas tendências organizadas da música do século XX, em busca de um novo paradigma ou até da constatação de que a criação musical presente só pode ser órfã de quaisquer padrões definitivos. Os "field recordings" constituem a base das operações deste trio para o qual o "laptop" é não só instrumento como laboratório de investigação, utensílio pessoal mas também de socialização, vocacionado para situações colectivas - um instrumento folk por excelência, como disse a compositora Laura Spiegel. O segredo estará em não se saber quem faz o quê, num domínio da música de hoje em que o ego não intervém, tal como John Cage sonhava, e a autoria é secundária» - Rui Eduardo Paes
Granular
O festival forUmusic, a decorrer no Forum Lisboa, na Av. de Roma, prossegue logo às 21:30, com o grande WISHFUL THINKING, de Alípio Carvalho Neto (saxofone tenor), Johannes Krieger (trompete), Alex Maguire (piano), Ricardo Freitas (baixo eléctrico) e Rui Gonçalves (bateria). Um pouco depois, quando soarem as 23 badaladas, solta-se o DON BYRON´S IVEY DIVEY TRIO, que o mesmo é dizer, Don Byron (clarinete), Jason Moran (piano) e Billy Hart (bateria). Só trocaria um programa destes por mais um episódio da novela "Morangos com Açúcar", a minha preferida.
ForUmusic - dia II
Na sexta-feira, 2 de Setembro, às 21h30, actuou o Filipe Melo Trio, composto por Filipe Melo (piano), Bruno Santos (guitarra) e Bernardo Moreira (contrabaixo). Integrando músicos jovens oriundos das escolas de jazz portuguesas, designadamente do Hot Club de Portugal, o trio pratica um estilo de jazz clássico com total reverência à tradição, de alguma forma tributário dos trios sem bateria de Art Tatum, Art Tatum ou Nat King Cole. Tem ainda como principais influências os estilos swingantes de Oscar Peterson, Bobby Timmons e de Wynton Kelly. Para o concerto do ForUmusic, Melo, Santos e Moreira, com disco de estreia a ser editado pela Clean Feed, trouxeram a lição bem estudada e os trabalhos de casa bem feitos, resultando numa actuação elegante e equilibrada, subtil nalgumas abordagens. Bons alunos, no sentido tradicional do termo, revisitaram um punhado de standards do clássico e do bop (bonita recriação de Kelly’s Blue!), que interpretaram correctamente em diferentes tempos e com swing. O que é coerente com o jazz tradicional que honestamente praticam.
Transfronteiro por excelência, tanto na geografia como nos estilos de jazz em que já tocou (bop, free jazz, free rock, jazz-rock, jazz outra vez...), Joachim Kühn (Leipzig, Alemanha, 1944) possui um posicionamento estilístico difícil de definir, porque multifacetado e esteticamente irrequieto. Uma voz sólida no jazz europeu, onde tem firmado créditos como improvisador capaz de fundir elementos do jazz e da tradição modernista europeia. O projecto que Joachim Kühn trouxe a Lisboa, solo classical modern jazz, incluiu improvisação sobre composilções originais suas e de Ornette Coleman, que Kühn interpretou em piano e em saxofone alto, instrumento este em que se revelou uma surpresa muito agradável, explorando articuladamente estéticas do free, segundo o ideário do pianista, a categoria mais elevada a que um músico de jazz pode aspirar, pelo que encerra de aventura em demanda do desconhecido, desafio à norma que extravasa para além dos limites da norma. Durante mais de uma hora, Joachim Kühn soube ser enorme - um modernista inconformado, infatigável comutador de territórios.
Bill Shoemaker, crítico e ensaísta musical norte-americano, lançou o seu online music journal POINT OF DEPARTURE, que passará a ser visita diária obrigatória aqui dos Arredores do Jazz. Shoemaker é um bom trabalhador do difícil ofício de bem pensar, analisar e divulgar o jazz e a música improvisada. Promete produzir e disponibilizar regularmente entrevistas, críticas de discos e de concertos, bem como resenhas histórias sobre determinados temas ou músicos, equilibrando os interesses de quem escreve, de quem patrocina e de quem lê. Um trabalho a seguir atentamente por quem se revê numa abordagem musical sensível, inteligente e informada, sem passadismos serôdios. Para os que sabem ouvir jazz e para quem anda a aprender. Take it away, Bill!
ForUmusic - dia I
Foi morna a noite do A Jazzar no Zeca. No concerto inicial do festival ForUmusic, José Eduardo (contrabaixo), Jesus Santandreu (saxofone tenor), e Bruno Pedroso (bateria) desfiaram ao vivo temas do excelente disco homónimo gravado para a Clean Feed, e exclusivamente dedicado à recriação jazzística de originais do cancioneiro de Zeca Afonso. Trabalhando sobre aquelas composições, durante cinquenta minutos o trio executou de forma escorreita os arranjos que José Eduardo escreveu, e teve em Grandola Vila Morena e Canto Moço os pontos mais altos. Foi uma sessão interessante e agradável de seguir, sobretudo nas prestações individuais, em especial a de Jesus Santandreu, a destilar energia post-bopper, com Coltrane e Rollins a espreitar nalgumas passagens. Pese igualmente a favor a boa condução e o som do contrabaixo de Zé Eduardo, sem esquecer a batida certa e criativa de Pedroso. Porém, a actuação do trio, enquanto ente colectivo, terá sofrido de algum défice de rasgo e de vontade deliberada de se soltar das coordenadas que para si próprio desenhou. Faltou ainda aumentar a temperatura da improvisação, tépida na sua incontestável competência.

Terranova. Afonso Pais (guitarra), Carlos Barretto (contrabaixo), e Alexandre Frazão, (bateria). Tive o gosto de assistir em Dezembro de 2004 ao lançamento do disco de estreia deste trio, em concerto no Fórum Cultural do Seixal. Opinando na altura sobre aquela actuação, escrevi esperar, a partir do disco e do concerto, mais ousadia ao nível da invenção, solidez e dinâmica colectivas, tendo por referência aquela que me pareceu uma estreia auspiciosa em disco, a deixar antever voos mais altos. Nove meses depois, constato que parte daquelas promessas ficou por cumprir. Afonso Pais e companheiros têm talento e dominam os instrumentos bem demais para se confinarem ao desperdício de fazer bonito e sem falhas. É que ao longo da sua actuação, o Terranova, também ele um trio de músicos competentes no fazer, deixou-se ficar coladinho ao disco, não se aventurando um milímetro para além da linha da costa, como se os músicos tivessem marcado uma fronteira intransponível que se abstiveram sequer de pisar, sob pena... de arriscarem um grande concerto. Consequentemente, a música deixou-se tomar por uma dormência adocicada, teimando em persistir decorativa. Nem mesmo na leitura de Round Trip, de Ornette Coleman, as coisas aqueceram verdadeiramente, por falta de real interacção e desafio entre os protagonistas - três linhas que não se interseccionaram nem se questionaram entre si. Foi pena.
forUmusic - Jazz no Forum Lisboa
De 1 a 4 de Setembro de 2005
Ementa para hoje, dia 1 de Setembro:
21:30 - AFONSO PAIS TRIO
Afonso Pais - guitarra
Carlos Barretto - contrabaixo
Alexandre Frazão - bateria
23:00 - ZÉ EDUARDO UNIT
Zé Eduardo - contrabaixo
Jesus Santandreu - saxofone tenor
Bruno Pedroso - bateria
Festival promovido pela Egeac e produzido pela Trem Azul.
Local: Forum Lisboa - antigo Cinema Roma, Av. de Roma, Lisboa.
Brincar às casinhas
No já vasto colar da Clean Feed, destaca-se essa pérola de bom gosto que é o novo disco de Pandelis Karayorgis, We Will Make a Home for You. Em trio com o contrabaixista Nate McBride e o baterista Curt Newton (esses mesmos, os do Tripleplay de Ken Vandermark), Karayorgis, um valor em ascensão, com amplas perspectivas de desenvolvimento de carreira, surpreende o ouvinte com um trio, não de piano tout court, mas de Fender Rhodes, preparado com a adição de pedais de guitarra. Interessante, ham?! Muito. E o resultado também, adianto já. Em 9 temas, quatro s
ão de Thelonious Monk (Ugly Beauty, Shuffle Boil, Monk's Point, We See), um de Hasaan Ibn Ali, pianista e compositor de disco único, com Max Roach e Art Davis (3/4 vs. 6/8 4/4 Time) e três originais do pianista Pandelis (Three Plus Three, Centennial e Disambiguation). E há Gazzelloni, de Dolphy, neste belo e refrescante disco de música moderna improvisada. Ou de jazz, se assim der mais jeito. É agarrá-lo antes que se esgote! MI3 é uma especialidade... .
«In the winter of 2002 Nate McBride and I started a weekly jazz and improvised music series at the Abbey Lounge in Cambridge, Mass., which he named "mim" (for modern improvised music). Curt Newton, with whom we both had a longstanding musical relationship, joined us in forming the mi3 trio, the house band for that series. (The mim series ran weekly until that summer at the Abbey. In the fall of 2002, it relocated to the 'Artists At Large' gallery in the Hyde Park neighborhood of Boston, where Nate continued to run it until he left for Chicago in the summer of 2004.
We chose to use the electric piano partly out of necessity, since the Abbey had no piano, and partly out of curiosity for the effect it would have on our music. We processed the Fender Rhodes sound using some pedals that Nate lent me; a vintage Mutron, a Wah pedal, and a distortion pedal. It was very exciting for me to work with the long sustain, volume and timbral variety the Rhodes could offer when combined with these pedals. This was an opportunity to explore something different, and the discoveries in sound and texture energized us all to try new musical ideas.
In the following season we continued playing from time to time at the mim's new location, and we also did a two-month weekly run there as part of the 'mim residency' series, performing with this electric trio through the spring of 2004.
Parts of this CD were recorded live both at the Abbey Lounge and at the 'Artists At Large' gallery. Nate contributed some of the more intriguing repertoire choices on this CD, especially the Hasaan and Dolphy selections, to which we added compositions by Thelonious Monk and some originals». - Pandelis Karayorgis
EDGEFEST 2005, na Kerrytown Concert House - 415 North Fourth Avenue, em Ann Arbor - Michigan.
19 de Outubro:
Educational Sessions — Ken Butler and Kevin Norton
Kevin Norton’s Bauhaus Quartet & Hubsch’s Longrun Development of the Universe
20 de Outubro:
Educational Sessions — Nicole Mitchell
Nicole Mitchell’s Black Earth Strings
Ken Butler’s Ann Arbor Voices of Anxious Objects & Bright Out: Chamber
21 de Outubro:
Educational Sessions — Billy Bang, Joe Fonda, and Ed Wilkerson, Jr.
Nicole Mitchell/Ed Wilkerson Quartet
FAB Trio & E3Q
22 de Outubro:
Sublingual Ensemble
Educational Sessions — Henry Grimes
Henry Grimes Trio
Tobias Delius Quartet & Les Projectionnistes