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31.5.05
 
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Depois de alguns anos de relativa ausência o Jazz voltou a Torres Vedras.
Ao longo dos últimos meses a multiplicação de eventos em torno do Jazz tem permitido uma reaproximação entre este tipo de música e um público de todas as idades mas maioritáriamente jovem, curioso e interessado pelo género, que não perde a oportunidade de assistir a um espectáculo e de seguir atentamente o que se passa no palco.
Acreditamos estar na altura de Torres Vedras voltar a ter uma programação regular de Jazz, convicção essa partilhada pela autarquia torreense em colaboração com a qual surge agora o tvedrasjazz.
Ao longo de duas semanas, cinema, fotografia e concertos animarão a zona histórica da cidade num evento que, queremos acreditar, virá a marcar a vida cultural da Região.
Com uma programação maioritáriamente nacional, para além da música e boa disposição dos Desbundixie, passarão pelo palco ao ar livre do tvedrasjazz nomes como Laurent Filipe, Pedro Madaleno ou o saxofonista francês François Corneloup acompanhado pelos Lokomotiv de Carlos Barretto.
Na sala de exposições dos Paços do Concelho a fotógrafa Rosa Reis dará a conhecer ao longo destas duas semanas a sua profunda paixão pelo Jazz numa exposição intitulada “Imagens com Jazz ”.
No Teatro-Cine de Torres Vedras vão poder ser apreciados alguns dos melhores momentos de cumplicidade entre o cinema e o Jazz. Realizadores como Otto Preminger ou Antonioni, bandas sonoras de Ellington ou Herbie Hancock partilharão o ecrã ao longo dos quatro filmes que compõem este ciclo todos eles apresentados pelo conceituado crítico Raul Vaz Bernardo.
Referindo o empenhado apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras esperamos com este primeiro tvedrasjazz contribuir para a presença regular do Jazz na vida cultural dos torreenses e da Região de forma a poder partilhar com eles toda a imensa liberdade que o Jazz tem para oferecer.
José Menezes, Direcção Artística


 
 
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¿Te imaginas poder ver en menos de 48 horas a Robert Cray, Lucky Peterson, Mavis Staples, Magic Slim, Otis Grand, The Commitments o Jerry Portnoy.. sobre un mismo escenario?, pues bien... este solo es el adelanto de lo que BluesCazorla ha preparado para ti en su edición 2005. Más de veinte artistas llegados de todo el mundo, cuatro escenarios, actividades paralelas... y blues, mucho blues en el corazón de la Sierra de Cazorla.
Los próximos 21, 22, 23 de Julio vuelve la cita bluesera más importante de nuestro país, tres días en los que Cazorla será punto de encuentro para miles de aficionados. Aquí tienes nuestra undécima edición, saboréala plácidamente y si necesitas más visita http://www.bluescazorla.com/.


 
 
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Daunik Lazro - saxofones alto e barítono; Carlos Zíngaro - violino; Joëlle Léandre - contrabaixo; Paul Lovens - percussão

Gravação de 31 de Março de 2001, no Festival Banlieues Bleues. Durante a exposição os membros do quarteto vão-se agrupando em duos e trios à medida que a música progride em mutações constantes. Daunik Lazro é o mais adiantado dos quatro, riscando a superfície com o granulado dos saxofones, especialmente do barítono. É marcado de perto pelas escovas sobre tambores e pratos de Paul Lovens. Ocasionalmente a percussão explode, sinal de que algo está prestes a mudar na paisagem sustentada pelas cordas de Joëlle Léandre e de Carlos Zíngaro.
Apesar da longa duração dos dois únicos temas (40 e 20 minutos, respectivamente), prevalece a economia de meios e a concentração, tornando a audição de Madly You uma agradável excursão. Excelente euro-improv, editada pela francesa Potlatch. Atenção às promoções... .

 
 
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Carl Wilson, crítico e editor do The Globe and Mail, jornal que se publica em Toronto, Canadá, elabora com gana sobre o encontro surpresa entre Anthony Braxton e a banda de rock Wolf Eyes (Aaron Dilloway, Nathan Young, John Olson), na vigésima segunda edição do colossal Festival International Musique Actuelle Victoriaville, que terminou há escassos dias.
Braxton foi ao Victo para tocar em dueto com o guitarrista improvisador Fred Frith e com o seu próprio sexteto, mas acabou por também fazer uma perninha com os brutalistas ruidosos Wolf Eyes, banda de que Braxton ficou a gostar, depois de os ter visto actuar ao vivo na Suécia, onde ficou impressionado com a energia e a vibração que emana dos três espalha-brasas de Michigan. «There is hope for America with new angels of art existing here like Wolf Eyes» - disse Braxton em conferência de imprensa no Victo. E parece que a actuação de domingo deu brado no público e na crítica que assistiu ao concerto.
No seu artigo, Wilson aflora ainda as prestações do Peter Brötzmann’s Chicago Tentet, da William Parker’s Little Huey Creative Music Orchestra, bem como as actuações de Xu Fengxia, Zeena Parkins, Ikue Mori, Kid Koala, e do turnablista canadiano Martin Tétrault, que esteve em Lisboa no Jazz em Agosto do ano passado.
Leia-se este colorido excerto publicado na página da Ecstatic Peace sobre a génese da jam session: «(…) So Wolf Eyes and Hair Police show up and we hit the hotel bar hard and Braxton appears after his duo gig with Fred Frith and connects with Wolfs and Nate asks Braxton if he would like to smoke a joint. "I would be honored to smoke marijuana with the Wolf Eyes". Again, no shit. Next day Braxton is at gig (3 pm) and Nate asks Braxton if he wants to jam w/ the Wolfs and Braxton says yes, just let me know when and Bate says play the whole gig dude. So after more weed blowig they hit the stage. The audience is all seated at round tables in a huge theatre called the Colisee. Hair Police already decimated this crowd, they were awesome. But now we're tripping. This is too unreal. Braxton swoops in and out of the jams, at one point doing killer long sax tone duets w/ Olson. Nate announces stabbed in the face. And then Olson asks Braxton what jam they should do next. "Black Vomit" sez Braxton. Seriously, no shit. Unbelievable sickness. That night Dead Machines/Double Leopards jammed together till 1 AM then back to hotel bar for extreme wind down».
Por estas e por outras, já há quem lhe chame Anthony "Wolf Eyes" Braxton.

 
30.5.05
 
Notícias frescas ZDB para sexta-feira, 3 de Junho. Três valentes propostas na área das Free_Folk_and_Other_Music_Sessions, a saber:

Matt Valentine & Erika Elder (EUA)
Fish & Sheep (PT)
Manuel Mota (PT) + Margarida Garcia (PT)


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Matt Valentine & Erika Elder (EUA)
Por meras questões de difusão e timing, à época do lançamento da capa da Wire que anunciava a vinda da «New Weird America», Matt Valentine e todo o seu trabalho não apanhou a boleia de visibilidade (sempre relativa) que projectos como os Charalambides, Six Organs Of Admittance, Sunburned Hand Of The Man ou No-Neck Blues Band encabeçaram como algumas das mais relevantes entidades artisticamente manifestantes no dialecto espiritual primitivo norte-americano. Matt Valentine, MV ou os Tower Recordings (nome, heterónimo e banda, respectivamente) não tiveram nenhum lançamento de maior circulação, ou particularmente exaltado pela crítica, e Valentine ficou só mais um nome em listas de coisas a ouvir para muito boa gente, interessada em conhecer.
Nada mais imerecido. Matt Valentine é um «free spirit» e um pensador sem limites, autêntica versão contemporânea, mais íntima, de todos os cidadãos livres e transcendentalmente americanos, sejam eles Walt Whitman, Jack Kerouac, Charley Patton ou Albert Ayler. Matt Valentine é um mágico, e isto é para se dizer sem simbolismos ou metáforas. Não há gravação sua disponível que não largue rastos de poeira lunar, a tal de que Buda, Platão e Wordsworth falavam e deixavam entrever, que só os seres realmente voadores possuem.
Iniciou actividades enquanto parte dos míticos Tower Recordings, corriam os meados dos anos 90, um «ensemble» que girava à volta de três pessoas: o próprio Valentine, P.G. Six e Helen Rush. Manipulações de cassete andavam de mãos dadas com gravações de folk reinventada com «tape hiss» de quatro-pistas, colagem com canção estelar. Helen Rush era o amor, P.G. Six a ordem, Valentine o sonho. Tower Recordings, do passado e presente, possui elenco de músicos que se alargou a artistas como Samara Lubelski, ao fantástico percussionista Tim Barnes, a Barry Weisblat, até, numa encarnação mais recente, Margarida Garcia, contrabaixista lisboeta agora residente em Nova Iorque, colaboradora regular de músicos locais como Sei Miguel ou Manuel Mota. Se se quiser encontrar referências para o som dos Tower Recordings pode-se remontar até ao Sun Ra de «Heliocentric Worlds» ou «Strange Strings», a «Jack Orion» de Bert Jansch, a Jandek num dia de sol, aos Creedence Clearwater Revival no espaço sideral, o trabalho de Angus MacLise ou a poesia e acção de Ira Cohen.
Dissoluto o trio fundador dos Tower Recordings (apesar de Valentine ainda utilizar esse nome, o ensemble sobrevive com P.G. Six e Helen Rush fora), Matt Valentine mudou-se para o estado do Vermont. Nos últimos anos tem-se centrado no seu fantástico selo de CD-R’s, a Child Of The Microtones, em que cada edição é limitada a 99 exemplares, enquanto edita aqui e ali discos de maior visibilidade. Tem obra editada como MV & EE (formato em que se apresenta na Zé dos Bois, com Erika Elder, sua companheira e exemplar instrumentista), The MV & EE Medicine Show ou só em nome próprio. Duas das suas colaborações mais regulares têm sido com o notável baterista de free Chris Corsano, bem como com o maior «yodeller freeform» de todo o universo do independente norte-americano, a instituição que é o mago Dredd Foole.
Enquanto guitarrista, poeta ou cantor, é único em misticismos e espacializações telúricas. O seu universo é de densidade eterna e brilho infinito, tudo aquilo em que toca ganha vida e vibração. Uma instituição norte-americana ambulante, obrigatória para quem quer sentir a obliteração divina de um sol na terra. Estreia nacional.

Discografia seleccionada:
The Tower Recordings - «Folkscene» (Communion, 2001)
Matt Valentine - «Space Chanteys» (Fringes, 2002)
The Tower Recordings - «The Futuristic Folk Of… Vols. 1 & 2» (Time-Lag, 2004)
The Tower Recordings - «The Galaxies Incredibly Sensuous Transmissions Field Of…» (Communion, 2004)
Matt Valentine - «Lunar Blues» EPs (Child Of The Microtones, 2004)

Fish & Sheep (PT)
Fish & Sheep é um duo composto por Afonso Simões (responsável pelo bem amado projecto Phoebus) e Jorge Martins (dos barreirenses Frango), onde percussão e guitarra se juntam para improvisação total.
O tipo de improvisação que criam não é tanto a já institucionalizada nem a comunal. É um «free» que não é só rock nem é só jazz, que consegue traduzir um amor profundo por todas as músicas livres em expressão física
e espiritual completa, própria e distinta.
Traços marcantes do trabalho de Afonso Simões podem ser encontrados nas polirritmias africanizantes por via dos Art Ensemble of Chicago, Milford Graves ou da riqueza tímbrica do Elvis Jones dos tempos de Coltrane, nos Can e o «kraut» da hipnose «motorika», bem como das arritmias e contra-intuitivismos que buscam vozes tanto nos This Heat como na improvisação europeia mais fogosa.
Por outro lado, a guitarra de Jorge Martins é um turbilhão de som total, capaz de invocar o ruído fresco dos «brooklynitas» Sightings, o Sonny Sharrock de «Black Woman» e o Keiji Haino dos Fushitsusha mais explosivos, num raríssimo exemplo de verdadeira amplitude de expressão em guitarra.
A empatia entre os músicos consegue ser tremenda, sendo que os seus concertos têm arrasado públicos um pouco por todo o país. Instintos e criatividade à solta, em alguma da música mais viva e edificante que se
vai produzindo em Portugal.

Manuel Mota (PT) + Margarida Garcia (PT)
Manuel Mota é um celebrado improvisador de méritos reconhecidos transcontinentalmente, que tem vindo a desenvolver uma linguagem de guitarra eléctrica «fingerstyle» ao longo dos últimos. Incorporando intuitivismo e contra-intuitivismo, intersectados com um conhecimento íntimo da fisicalidade do instrumento e do corpo, a lírica de Manuel Mota tanto alinha constelações quanto encontra vozes nos momentos e pormenores mais humildes que as mais variadas situações musicais oferecem.
É proprietário da editora Headlights, tendo já tocado com luminários das seis cordas de aço como Tetuzi Akiyama, Annette Krebs ou Noël Akchoté.
Margarida Garcia tem vindo a trabalhar o seu discurso no «double bass» (contrabaixo eléctrico) de há alguns anos para cá. Com total fluidez, pragmatiza o tacto delicado e as expressões mais oblíquas de um instrumento a que parece eternamente abraçada. Resolvendo interrogações, criando espaços e não-espaços, através do uso do arco por dentro e por fora do «double bass», bem como usando-o em microfones de contacto nele colocados.
Actualmente residente em Nova Iorque, já actuou com músicos livres como Matt Valentine, Tim Barnes ou Fred Lonberg-Holm.
Ligação criativa que vem de há largos anos, o trabalho que Manuel Mota e Margarida Garcia têm vindo a realizar nas mais variadas formações pauta-se por uma empatia discursiva de dimensões tremendas. Essas formações incluíram numerosas actuações com músicos como Sei Miguel, Toral, Fala Mariam, Ernesto Rodrigues, César Burago, pL ou Alfredo Costa Monteiro. Ouvem-se para lá do hábito e da partilha estagnada, continuamente perfurando por instáveis espaços de ser até sítios onde as coisas vibram em beatífica quietude pálida
.
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zé dos bois. org



 
 
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I Seminario de Música Moderna e Improvisación
Monforte de Lemos. Galicia



 
 


Se Ali Farka foi a resposta do Mali a John Lee Hooker, então Boubacar Traoré é o seu Robert Johnson”.

Esta é porventura a mais lapidar e definitiva citação sobre o génio criativo de
Boubacar Traoré. Apropriadamente, saiu da boca de um dos principais instigadores e divulgadores da música ocidental africana, Andy Kershaw – em parte, através do seu lendário programa na BBC3, o homem responsável pela “descoberta” de ambos, em meados dos anos 80.
Mas Boubacar é muito mais que um bluesman. A sua música é tão informada pelo rock’n’roll – e pelas cassetes de guitarristas norte-americanos que Ali Farka lhe emprestava – quanto pelos ritmos khassonke e pela música árabe. É um dos principais e mais influentes artistas da região correspondente ao antigo império Mande - terra de abundante talento – contemporâneo do impacto de Toumani Diabaté, Salif Keita, Afel Bocoum, Mory Kanté, Oumou Sangaré, Bembeya Jazz ou, mais recentemente, Tinariwen ou Rokia Traoré, mas de todos eles predecessor, e de todos eles distinto.
Nos anos 60, as cidades acordavam ao som da sua voz na radio e os seus habitantes dançavam os seus êxitos à noite nas discotecas. Com o tema «Mali Twist» criou um hino para a independência do país ao mesmo tempo que era apelidado de Elvis, Chuck Berry ou James Brown do Mali. Mas aos poucos foi sendo esquecido. Trabalhou como alfaiate e agricultor e a sua música, como aliás aconteceu com Ali Farka, passou para segundo plano. Quando foi redescoberto, em 1987, trabalhava em Paris na construcção civil. Hoje voltou à primeira divisão da música africana e está numa digressão que, no Verão, o conduzirá aos Estados Unidos.
Boubacar é um contador de histórias. Pela sua voz narra-se o dia a dia do seu povo nos últimos 40 anos. Com emoção, clareza e simplicidade, cristaliza-se num estilo único, em que a guitarra funciona como uma câmara que amplifica os seus anseios, desejos e mensagens de esperança. No fundo, a própria matéria que define o blues.

Kongo Magni. O mais recente disco de Boubacar Traoré. E o segundo lançamento da novíssima distribuidora lusa Dwitza. A mesma que por cá deixou passar Mountain Passages, de Dave Douglas. Aguarda-se pelo DVD de Je Chanterai Pour Toi.



 
 
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Heliocentric Worlds. Conheciam-se dois belos volumes deste opus de Sun Ra, remasterizados e reeditados pela restaurada ESP-Disk, editora que os tinha originalmente dado à luz. Passados que estão 40 anos sobre as datas de 20 de Abril e 16 de Novembro de 1965, a editora de Bernard Stollman resolveu publicar as sobras da sessão de que havia sido lavrado o volume segundo, sob o título de Heliocentric Worlds, Vol. 3: The Lost Tapes.
Os volumes da agora trilogia Herliocentric Words resumem bem a actividade criativa de Sun Ra no período em que Sun Ra começava a fazer carreira no experimentalismo free. Celeste, clavoline, marimba, sintetizador e outros membros da mesma família, serviam de veículo à imensa verve de Sun Ra, que o mestre misturava com a instrumentação mais clássica, de saxofones, trompetes, trombones e percussão.
A edição do 3.º capítulo de Heliocentric Worlds, 40 anos depois, é motivo de júbilo. Escavando bem, não tarda muito a ESP deve estar a anunciar um 4.º Volume. Não admira, seria apenas mais uma das muitas supresas de Sun Ra.
Sun Ra, Marshall Allen, Pat Patrick, Walter Miller, John Gilmore, Ronnie Boykins e Roger Blank.
1. Intercosmosis - 17:03; 2. Mythology Metamorphosis - 4:15; 3. Heliocentric Worlds - 4:16; 4. World Worlds - 5:07; 5. Interplanetary Travelers - 5:06
Sun Ra - Hekiocentric Worlds, Vol. 3: The Lost Tapes (ESP-Disk, 2005)

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29.5.05
 
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Se o assunto continua a ser noise, não posso deixar de recomendar a audição do ep que Gregg Kowalsky e Danny L., sob a designação Oyster, gravaram em Novembro de 2004 e tornaram disponível para descarga gratuita através da netlabel Fukk God (archive.org). Ondas oscilantes de ruido digital preenchem todos os espaços, criando texturas sempre diferentes a partir da colagem e sobreposição de camadas de sons organizados em diferentes modulações, frequências e tonalidades. O esplendor dos drones em ambiente introspectivo exploratório de zonas remotas, algures nas profundezas do ser.
Oyster - Oyster [Fukk God 037]


 
 
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AMMMusic
Obra-prima da free improv/noise de 1966, com Cornelius Cardew, piano, violoncelo, rádio transistor; Lou Gare, saxofone tenor, violino; Eddie Prévost, percussão; Keith Rowe, guitarra eléctrica, rádio transistor; Lawrence Sheaff, violoncelo, acordeão, clarinete e rádio transistor.
Later during a flaming Riviera sunset (27.53), Later during a flaming Riviera sunset [LP version] (21.03), Ailantus glandulosa (05.27), In the realm of nothing whatever (13.19), After rapidly circling the plaza (24.19), After rapidly circling the plaza [LP version] (20.31), What is there in uselessness to cause you distress? (03.00), Silence (00.10).


 
 
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De 9 a 11 de Junho, a ACERT apresenta a edição de 2005 do Jazzin’Tondela, com um programa deveras interessante:

- Quinteto de Laurent Filipe - Laurent Filipe, Mário Delgado, Rodrigo Gonçalves, Nelson Cascais e Alexandre Frazão

- Andrew Drury Trio - Andrew Drury, Myra Melford e Chris Speed

- Luís Lapa T4 - Luís Lapa, Mário Santos, António Augusto Aguiar e Marcos Cavaleiro

- FAB Trio - Joe Fonda, Barry Altschul e Billy Bang

- AquiJazz - Coro de Jazz da ESMAE

- Ravish Momin’s Trio - Ravish Momin, Jason Hwang e Shanir Ezra Blumenkrantz

A ACERT, após ter visto premiar pelo Jazzportugal net o 1º Jazzin’ Tondela, em 2004, como um dos Festivais de Jazz de Portugal mais expressivos, sente-se grata pelo reconhecimento a uma equipa que, longe de fazer apenas convergir atenções sobre este género musical, procura ampliar, mais abrangentemente, a sua paixão aos públicos que merecem ser tratados, não como consumistas, mas como actores directos da sua evolução crítica, enquanto participantes culturais.
Sobre o porquê deste investimento artístico, apenas reafirmamos que, ao apostarmos neste Festival mais não pretendemos que valorizar um género musical dos mais influentes na música actual, à semelhança do que vem acontecendo há quase 150 anos, desde que se tornou vivo e actuante para quem o cria e escuta.
Jazz é improvisação, vida, expressividade, evolução permanente. A sua história é das mais originais da música. Como afirmou Miguel Candegabe, “Os intervenientes e estilos do jazz tornam-no extraordinariamente atractivo, e, ainda que algumas tendências exijam alta preparação da parte dos espectadores, é sobretudo música para ser ouvida com os pés.” Esta constatação, ainda que carregada de autenticidade, não contradiz um conceito que projecta o jazz como um estilo de música que atrai o intelecto, fazendo-o perdurar junto do público que o segue com extraodinário entusiasmo. Qual o segredo? A sua enorme vitalidade.
Na edição de 2005, o Jazzin’Tondela, continua a afirmar a sua vocação de tornar o jazz inteligível a todos os públicos, confirmando o percurso da ACERT em continuar a proporcionar a acessibilidade aos grandes concertos internacionais e nacionais. A prová-lo, um naipe de grandes nomes do jazz, em três concertos que desejamos inolvidáveis. Também nas ruas do Concelho de Tondela e algumas cidades da Região Centro, duas bandas inundarão de jazz os espectadores, aguçando apetites para os concertos da noite.
O jazz estará junto do público mais jovem das escolas, em acções de sensibilização ao jazz.
O livro e o disco jazz marcarão a oferta ao público participante.
As exposições de excelentes fotógrafos que vêm percorrendo o jazz n’ACERT ao longo dos anos, brindarão os espectadores com seus mágicos registos.
A boa comida e o vinho do Dão serão um bom motivo para se instalar na esplanada e jardins do Novo Ciclo ACERT, horas antes dos concertos, para saborear jazz em ambiente familiar, percorrendo os segredos que a ACERT lhe reserva.
E, em 2005, um convidado muito especial estará connosco neste Jazzin’Tondela: Niklaus Troxler. Para os amantes do jazz, do desenvolvimento integrado e das artes plásticas que a nós se queiram associar num tributo a este grande artista internacional.
Depois de tudo isto, que mais nos resta desejar que não seja ter-vos connosco para que, com o belo incentivo deste programa, possam (re)conhecer-se em Tondela e no seu Concelho e viver com a ACERT este sonho: dar a este Festival uma identidade do que, em festa e partilha, desejamos construir com todos os públicos. (Texto de apresentação).


 
 
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A gente quase não se dá conta da passagem do tempo, mas em Junho a Black Saint / Soul Note faz 30 anos de actividade. Coincidindo com as comemorações do 30º aniversário da editora italiana, está previsto o lançamento, a 28 de Junho, de um disco do saxofonista afro-dinamarquês, John Tchicai, do guitarrista de Boston, Garrison Fewell, e do saxofonista italiano, Tino Tracanna. Big Chief Dreaming (Soul Note 121385-2) que inclui um conjunto de composições dos três líderes, conta ainda com o contrabaixista Paolino Dalla Porta e o batarista Massimo Manzi. O quinteto inspira-se numa variedade de estilos e na obra dos mestres Don Cherry e Sun Ra, sobre as quais improvisa colectivamente, em duos e trios.


 
28.5.05
 
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Foi há dias. JKL Jazz Brotherhood, feat. Emma Salokoski (Jarkko Niemelä, Jaakko Syrjänen, Antti Kujanpää, Jori Huhtala, Joonas Leppänen) - Jazz Bar - Jyväskylä, Finlândia.


 
 

Fotos: Diego Ortega Alonso (tomajazz)

Nuestro devotado amigo Juan Antonio "La Camisa Negra" Barranco, aka Juanan, assistiu ao concerto do Archie Shepp/ Roswell Rudd Quartet, no passado 14 de Maio, no Palacio de Congresos y Exposiciones de Marbella, em Málaga, Espanha.
Archie Shepp (piano, voz, saxofones tenor e soprano); Roswell Rudd (trombone); Reggie Workman (contrabaixo) e Andrew Cyrille (bateria).
E Juanan conta como foi a sessão num texto colorido, originalmente publicado na dedicada webzine tomajazz (Gracias, Pachi, te la robé con el consentimiento de Juanan):

De un aforo para 1600 personas, rondaría la mitad (más o menos) al inicio del concierto de Kyle Eastwood, de los cuales no todos asistieron al del cuarteto que nos ocupa. Parte de ellos causaron baja al finalizar los primeros temas del concierto de este músico. ¿Música gamberra, excesivamente vigorosa o muy libre en sus formas? Nada de esto. En ningún momento se salió de los más estrictos cánones de lo que se acuerda en denominar como mainstream.
En cuanto al segundo de los conciertos, quizás haya dos claves para que cuatro grandes músicos con una dilatada carrera a sus espaldas y caracterizada por su pertenencia a la corriente del jazz más innovadora y libre nos ofrecieran una música tan falta de riesgo como la que nos brindaron.
En primer lugar el visible deterioro físico de su líder, que posiblemente esté dando lugar al temprano ocaso de su carrera: en los tiempos que corren 68 años no tendrían que ser óbice para mantener un aceptable nivel artístico. Lo vi llegar al recinto enfrascado en un traje negro, con su clásico sombrero del mismo color y un bastón para ayudarse en su andar dificultoso y al mismo tiempo parsimonioso. ¿Enfermedad, el resultado de una vida algo azarosa o ambas cosas?
Aunque antes del concierto me resistía a tomarla en consideración, conforme iban pasando los temas no tuve más remedio que rendirme a ella. La segunda de las claves, y puede que como consecuencia de la primera, estaba en el CD editado en 2001 y titulado Live in New York ( Verve ); un anticipo casi calcado de lo que nos esperaba. Un disco que a la vista de tan grandes nombres (más los añadidos de Grachan Moncur III y Amiri Baraka ) claramente decepciona. Por otra parte, un proyecto musical con tan escasa relevancia ¿puede seguir manteniéndose intacto 5 años después? Humildemente lo encuentro excesivo y muy significativo.
Digamos que el principio y el final del concierto fueron los mejores momentos de éste. La parte central fue aburrida y anodina, con Shepp sentado al piano limitándose a utilizarlo como un mero apoyo armónico al sonido de la maravillosa sección rítmica que le brindaba el tándem Workman/Cyrille y un Roswell Rudd encorsetado y que en todo momento fue quien cargó con el peso del concierto. Aunque Archie no ha perdido ese sonido tan recio que le caracteriza, sus intervenciones fueron pocas y breves. Claramente sus facultades no le permitían llegar a los registros e intensidad que le podemos escuchar en sus discos de décadas pasadas.
De cualquier forma, sombrerazo para la carrera musical de un gran saxofonista y de un hombre que ha llevado con dignidad una bandera de lucha política durante toda su vida.
Volviendo al concierto, Rudd fue quien mayormente mantuvo la parte solista del mismo y lo hizo con pulcritud y entusiasmo. Lo mejor, con diferencia, nos lo ofrecieron Workman al contrabajo y Cyrille a la batería. Extraordinaria sección rítmica que me ha hecho soñar con volver a verlos… pero a Workman, por ejemplo, justo un mes después (el 14 de junio) en el Vision festival con P.AkLaff, S. Rivers y R.Mitchell; y a Cyrille, por ejemplo, con los Cosmosamatics o en trío con Grimes y Crispell. Habrá que consolarse pensando que no es malo del todo seguir teniendo metas que alcanzar o sueños que realizar.
Unas últimas palabras para un público marbellí muy cosmopolita e inusualmente para un concierto de jazz, con una media de edad bastante superior a lo acostumbrado en estos eventos. Un público vip al que aún sin pedirlo le regalaron un bis y que estuvo en un tris de no suceder. - Juan Antonio Barranco.


 
 
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It's Magnificent, But It Isn't War. A carga de ironia é do chamejante altoísta e tenorista Paul Flaherty de New England, que reuniu o energético baterista Chris Corsano, o trompetista Greg Kelley, dos grupos nmperign, Heathen Shame, e Matt Heyner, o contrabaixista habitual do No Neck Blues Band e do Test.
Qual horda de cavaleiros do apocalipse, o estreante quarteto Cold Bleak Heat faz subir a parada às mais altas temperaturas, brandindo metal contra metal até derreter o cenário com as torrenciais e electrizantes melodias de sempre. Música ideal para a prática de levitação. Ou então, como opinou Lee Jackson, «It’s Magnificent, But it Isn’t War is a fabulous, furious journey through caterwauling free expression, telekinetic improv and pure sound that fuels the soul even as it lacerates the mind». Edição recente da Family Vineyard, que eu não vou perder.
Tal como o segundo do trio Tigersmilk, (From the Bottle), do cornetista, electronicista e laptopista Rob Mazurek, do Chicago Underground e Isotope 217; do jovem contrabaixista Jason Roebke (Dave Rempis Quartet, Rapid Croche, Fred Lonberg-Holm Trio, Terminal 4) e do percussionista canadiano, que esteve em Portugal o ano passado, com a formação de Peggy Lee, Dylan van der Schyff. O primeiro do Tigersmilk é óptimo, e este não deve andar longe disso.


 
27.5.05
 
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Há nos EUA uma nova organização internacional vocacionada para apoiar todas as formas de música improvisada: a International Society for Improvised Music (ISIM). Pretende funcionar como rede entre músicos professores, estudantes, ouvintes, críticos e demais pessoas de algum modo interessadas no fenómeno, promovendo actividades no domínio do ensino, da investigação e da organização de concertos e outros eventos públicos.

ISIM arrives at a time when the unprecedented diversity of the musical world calls for a heightened understanding of the improvisatory core to musical creativity. The heading “improvised music” has emerged as an overarching label that describes the increasingly difficult-to-categorize musical expressions of today’s diverse culture. ISIM will cultivate awareness of improvised music through performance, education, research, and cross-disciplinary applications of improvisation. According to ISIM Founder and President Ed Sarath, “We have entered an extraordinarily exciting time in the history of music, when musicians have access to an unprecedented expanse of influences and creative strategies. Improvisation in one form or another is central to this global musical synthesis, and may even suggest applications to fields as diverse as business, education, science, communications, and sports”.
The diverse backgrounds of the ISIM Board of Directors and ISIM Advisory Council highlight the broad spectrum of the organization’s goals. Internationally notable artists such as Geri Allen, Oliver Lake, Pauline Oliveros, Jane Ira Bloom, Rufus Reid, Dee Spencer, Bob Hurst, Archie Shepp, and Evan Parker are represented, alongside highly regarded proponents of disparate cultural musics of India, Latin America, and elsewhere—including Rui Carvalho, Ganesh
Komar, John Santos, Sam Shalabi, Wojciech Konikiewicz, and Karaikudi Subramanian. In education the ISIM Advisory Council includes internationally acclaimed scholars David Elliott and Bennett Reimer. The ISIM Board of Directors consists of Ed Sarath, Maud Hickey, Betty Anne Younker, Mitchell Gordon, Michael Nickens, and Sarah Weaver.
ISIM will promote performance opportunities for established and aspiring artists through concerts, festivals, recordings, professional chapters, and other activities. ISIM will promote education by making available new pedagogical resources for the development of trans-stylistic improvising skills, advocating broader improvisatory training in academic music curricula, and establishing student chapters at member institutions. ISIM will promote research through forums such as discussion groups, conferences, and the ISIM journal. ISIM’s work in illuminating improvisation as a cross-disciplinary model for creativity will build on events such as Harvard Law and Business School’s “Improvisation and Negotiation” conference, which united colleagues in economics, social sciences, business, law, education and the arts to explore the improvisatory core of creativity across fields.
Through its range of activities, ISIM will be a network that unifies the musical community, and by extension seeks to make contributions in broader professional circles, and society at large.


 
 
Detalhando a informação aqui prestada há dias, sobre o JAZZ EM AGOSTO / 2005, acabada de receber do Rui Neves, comissário do festival da Fundação Calouste Gulbenkian:

1ª semana

5 (sex) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre
GLOBE UNITY ORCHESTRA (Alemanha/Reino Unido)
Manfred Schoof (tp), Jean Luc Cappozzo (tp), Evan Parker (ts, ss), Gerd Dudek (ts, cl), Ernst Ludwig Petrowsky (ts, as, cl), Rudi Mahall (b cl), Paul Rutherford (tb), Johannes Bauer (tb), Alexander von Schlippenbach (p), Paul Lytton (drms), Paul Lovens (drms)
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6 (sáb) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP
JEAN-MARC FOLTZ/BRUNO CHEVILLON (França)
Jean Marc Folz (b cl, cl), Bruno Chevillon (b)

6 (sáb) – 18:30
Grande Auditório
ALEXANDER von SCHLIPPENBACH/EVAN PARKER/PAUL LOVENS (Reino Unido/Alemanha)
Alexander von Schlippenbach (p), Evan Parker (ss,ts), Paul Lovens (drms)

6 (sáb) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre
GEBHARD ULLMANN’s TA LAM ZEHN (Alemanha)
Hinrich Beermann (bs), Daniel Erdmann (ss, ts), Thomas Klemm (ts,fl), Jürgen Kupke (cl), Joachim Litty (as, b cl), Michael Thieke (b cl, ss), Heiner Reinhardt (b cl), Volker Schlott (as, ss), Gebhard Ullmann (b cl, ss, fl), Hans Hassler (acordeon)
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7 (dom) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP
JEAN LUC CAPPOZZO/AXEL DÖRNER/HERB ROBERTSON (França/Alemanha/EUA)
Jean Luc Cappozzo (tp), Axel Dörner (tp), Herb Robertson (tp)

7 (dom) – 18:30
Grande Auditório
IRÈNE SCHWEIZER/PIERRE FAVRE (Suíça)
Irène Schweizer (p), Pierre Favre (drms)

7 (dom) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre
ATOMIC (Noruega)
Fredrik Ljungkvist (ts, cl), Magnus Broo (tp), Havard Wiik (p), Ingebrigt Haker-Flaten (b), Paal Nilssen-Love (drms)
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2ª semana

10 (qua) – 21:30

Anfiteatro ao Ar Livre
SOUND OF CHOICE + IXI STRING QUARTET (Dinamarca/França)
Invisible Correspondance
Hasse Poulsen (el g), Fredrik Lundin (ts, fl, electronics), Lars Juul (drms, electronics), Regis Huby (vln), Iréne Lecoq (vln), Guillaume Roy (viola), Alain Grange (cello)
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11 (qui) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP
ENSEMBLE RAUM (Portugal)
Direcção Paulo Dias Duarte
Paulo D.Duarte (el g), Eduardo Lála (tb), Mário Franco (ctb), José Meneses (ts,ss), João Lencastre (drms), Nuno Gonçalves (b cl), Gonçalo Conceição (cl), Manuel Luís Cochofel (fl), Fausto Ferreira (p)

11 (qui) – 18:30
Grande Auditório

MARK DRESSER/DENMAN MARONEY/MICHAEL SARIN (EUA)
Mark Dresser (b), Denman Maroney (p), Michael Sarin (drms)

11 (qui) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre
JERRY GRANELLI’s V16 PROJECT (Canadá, EUA,Alemanha)
Jerry Granelli (drms, electronics), J.D. Granelli (el b, b), Christian Kögel (el & acoustic g, sampler), Kai Bruckner (el & acoustic g, sampler)
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12 (sex) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP
JORGE LIMA BARRETO (Portugal)
Sintagmas do Jazz
(piano solo e rádio ondas curtas)

12 (sex) – 18:30
Grande Auditório
HANS KOCH/MARTIN SCHÜTZ/FREDY STUDER (Suíça)
Hardcore Chamber Music
Hans Koch (cl, b cl, ac, sampling, electronics), Martin Schütz (el cello 5 strings, acoustic cello), Fredy Studer (drms, perc)

12 (sex) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre
JAGA JAZZIST (Noruega)
Mathias Eick (tp, el b, keyboards, vibrafone), Harald Froland (g, effects), Even Ormstad (b, keyboards), Andreas Mjos (vibrafone, g, drms, electronics), Line Horntveth (tuba, perc), Martin Horntveth (drms, electronics), Lars Horntveth (ts, b cl, g, keyboards), Andreas Schei (keyboards), Ketil Einarsen (fl, perc, keyboards), Lars Wabo (tb, perc)
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13 (sab) – 15:30
Sala Polivalente CAMJAP
ERIK FRIEDLANDER (EUA)
Maldoror
(violoncelo solo)

13 (sab) – 18:30
Grande Auditório
MEPHISTA – SYLVIE COURVOISIER/IKUE MORI/SUSIE IBARRA (Suíça/Japão/EUA)
Sylvie Courvoisier (p), Ikue Mori (electronics), Susie Ibarra (drms)

13 (sab) – 21:30
Anfiteatro ao Ar Livre
PHILLIP JOHNSTON and GARY LUCAS – FAST’N’BULBOUS (EUA)
The Captain Beefheart Project
Gary Lucas (el g), Richard Dworkin (drms), Phillip Johnston (as), Rob Henke (tp), Joe Fiedler (tb), Dave Sewelson (bs), Jesse Krakow (b)



 
 
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Mais cinco CIMP na rua. Sempre a aviar, Mr. Rusch... .

- David Taylor/Steve Swell Quintet with Billy Bang - Not Just... (CIMP 321)
- David Taylor (bass tbn), Steve Swell (tbn), Billy Bang (violin), Tomas Ulrich (cel), Ken Filiano (bass);
- Khan Jamal Quintet - Black Awareness (CIMP 322) - Khan Jamal (vibes), Byard Lancaster (alto sax), Grachan Moncur III (trombone, voice), Dylan Taylor (bass), Dwight James (drums);
- Michael Bisio Quartet - Connections (CIMP 323) - Michael Bisio (bass) Quartet, Avram Fefer (alto, sop, & tenor saxes, clarinet, bass clarinet, flute), Stephen Gauci (tenor sax), Jay Rosen (drums);
- Avram Fefer/Michael Bisio - Painting Breath, Stoking Fire (CIMP 324) - Avram Fefer (tenor sax, bass clarinet, flute), Michael Bisio (bass);
- Adam Lane Trio - Zero Degree Music (CIMP 325) - Adam Lane (bass), Vinny Golia (soprano & tenor saxes) and Vijay Anderson (drums).


 
 
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Em Setembro de 1972, com um novo grupo formado por Dave Liebman, Steve Grossman e Gene Perla, Elvin Jones (1927-2004) tocou durante uma temporada no Lighthouse Club, em Hermosa Beach, Los Angeles. Na noite do seu 45.º aniversário, 9 de Setembro, o grupo deu um concerto que veio a ser editado pela Blue Note, sob o título Live at the Lighthouse.
A música é obviamente inspirada em John Coltrane, desaparecido apenas 5 anos antes, embora menos assanhada que a da última fase do mentor, e beneficia imenso da incrível agilidade, força, articulação, capacidade técnica e musicalidade dos jovens Dave Liebman (saxes soprano e tenor, canal esquerdo) e Steve Grossman (sax tenor, canal direito), então com 26 e 21 anos, respectivamente.
Sem piano para traçar as coordenadas, os rapazes agarram-se à bóia em que se transforma o contrabaixo de Gene Perla, impelidos para a frente pela extraordinária propulsão de Elvin Jones, que executa longos solos de bateria, sem jamais se tornar aborrecido, graças à riqueza rítmica, melódica e harmónica do seu drumming inovador.
«What made Elvin so special was the true essence of his playing is his generosity and openness of spirit», disse Dave Liebman.
Live at the Lighthouse é uma excitante maratona musical que a Blue Note publicou originalmente em 1972 sob a forma de duplo Lp, reeditado em 1990 em CD simples. Um disco essencial, cuja reedição remasterizada por Rudy Van Gelder muito se apreciaria.
Elvin Jones - Live at the Lighthouse (Blue Note, 1972. Reedição em 1990)



 
26.5.05
 
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Dia 4 de Junho, sexta-feira, no Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra / 2005», toca o Rudresh Mahanthappa Quartet -
Rudresh Mahanthappa // Vijay Iyer // François Moutin // Elliot Humberto Kavee
:


Repetidamente questionado sobre se fala indiano, o saxofonista indo americano Rudresh Mahanthappa, há vinte anos a residir nos Estados Unidos, responde invariavelmente que não, querendo significar que isso de Indiano, enquanto língua, não existe; que o que se fala e escreve no imenso país que é a Índia, são centenas de línguas e dialectos (o Português foi e talvez ainda seja uma delas), assim existe um mosaico de culturas e religiões que não se reconduzem a uma unidade homogénea.
O que é mais interessante é que Rudresh tenha resolvido responder de forma musical à questão com que recorrentemente se vê confrontado. E como? De maneira ainda mais interessante, através da composição de música baseada na transcrição melódica das respostas dadas em vários dialectos indianos à mesma questão: «Você fala Indiano? E Hindu?»
Mother Tongue, o mais recente álbum de Rudresh Mahanthappa, é o resultado desse processo, no qual Rudresh foi assistido por Vijay Iyer (pianista, também ele um indo americano), François Moutin (contrabaixo) e Elliot Humberto Kavee (bateria), consistente em pôr sob a forma de música (e sob ela improvisar) as respostas dadas em sete diferentes línguas faladas na Índia, adaptá-las ao discurso musical por via do estabelecimento de uma relação de proximidade sonora entre a resposta verbal e a transcrição musical.
Mas nem só de Mother Tongue, o terceiro disco como líder, se fez, até à data, a carreira de Rudresh Mahanthappa. Antes, em 1996 lançara o álbum Yatra (Ryan Shultz, trompete; Jim Trompeter, piano; Larry Kohut, contrabaixo; e Jerry Steinhilber, bateri). Em 2002, com a mesma formação de Mother Tongue, gravara Black Water (Red Giant Records), a par da figuração como sideman de luminárias como David Murray, Steve Coleman, Jack DeJohnette, Von Freeman, Tim Hagans, David Liebman, Greg Osby, etc.
Vindo de Chicago, o saxofonista aportou a Nova Iorque em 1997, onde iniciou intensa actividade com músicos locais, entre os quais Vijay Iyer, com quem passou a ter uma relação de total empatia musical e muito contribuiu para o guindar à posição que actualmente ocupa no panorama do jazz americano.
Foi esse percurso que valeu a Rudresh a obtenção de bolsas da Fundação Rockefeller e do American Composers Forum, além de prémios da revista Downbeat, em 2003 e 2004 (International Critics Poll). Mother Tongue, foi incluído no Top Ten Jazz CDs of 2004 pelo Chicago Tribune, pela All About Jazz, e pela Jazzmatazz, Além das quatros estrelinhas da ordem, dadas pela Downbeat.
O som de Rudresh é brilhante, tanto em grande velocidade como nos trechos de maior placidez e contemplação. A técnica, a coloratura, o estilo, a variabilidade tonal e a articulação fazem dele um dos grandes do saxofone alto da actualidade, superiormente acompanhado pelo correlativo Vijay Iy, no piano (Andrew Hill anda por perto), e por dois soberbos produtores de ritmo, François Moutin e Elliot Humberto Kavee.
Mantendo a tensão indispensável à renovada vitalidade musical, o quarteto de Rudresh Mahanthappa diverte-se(nos) a tocar uma música efervescente, não referenciável ao world, beneficiária do ambiente multicultural em que se inscreve e desenvolve, assumindo a multiculturalidade como sinal distintivo da sociedade (e, por extensão, da música) moderna.


 
25.5.05
 
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Deve ter sido bom, mas acabou-se.
Para o ano há mais. A 23ª edição.



 
 
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Dia 3 de Junho, sexta-feira, no Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra / 2005», toca o quarteto de Michel Portal // Louis Sclavis // Sébastien Boisseau // Daniel Humair:

Chegou a vez de Coimbra receber a graça que é a música de Michel Portal e Louis Sclavis. E de Daniel Humair e Sébastien Boisseau. Quatro em um; um em quatro. Torna-se arriscado falar da têmpera desta gente sem cair no excesso de predicados e na facilidade encomiástica. Mas há riscos que se têm que correr, a bem da verdade. Porque, ter em casa um quarteto com este “peso”, não é coisa pouca.
Michel Portal, clarinetes e saxofones. Louis Sclavis, clarinetes, saxofone soprano. Sébastien Boisseau, contrabaixo. Daniel Humair, bateria. Três deles são dos maiores músicos da história contemporânea do Jazz, todos com várias décadas de criação musical na cena europeia. Outro, mais jovem (1974) mas não menos apetrechado e talentoso, está a caminho de o ser. E Coimbra certamente confirmará o enorme potencial de S. Boisseau, reconhecendo nele o pleno direito de acompanhar com os maiores. Porque são mesmo os maiores. Vejamos:
Michel Portal, clarinetista, saxofonista, compositor para cinema, multifacetado improvisador francês. Com uma costela da música clássica (executante de obras de Mozart, Brahms, Schumann, e de compositores contemporâneos, como Luciano Berio, Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen, etc), apesar disso, o multi-instrumentista prefere interpretar a sua própria música, e, mais ainda, fazê-lo no exacto momento em que a cria, preferencialmente acompanhado de outros músicos que com ele estejam irmanados no mesmo espírito, poliglotas das mesmas linguagens musicais, como os que integram o quarteto que aporta a Coimbra, no âmbito dos Encontros Internacionais de Jazz/2005.
Louis Sclavis, clarinetista e saxofonista extraordinário, compositor de mérito, primeira escolha de Michel Portal que sobre ele exerceu a mais benéfica das influências e o ajudou a firmar a reputada craveira de mestre elegante da arte de tocar clarinete. Um dos músicos mais criativos da cena jazz europeia. Território para onde transportou múltiplas geografias musicais, de que é catalisador e difusor, sem perder a visão musical íntegra que equilibra a conta-corrente entre composição e improvisação.
Daniel Humair, suíço a viver em França desde os anos 50, é um colosso da música em geral e do jazz em particular. Modernista por vocação e baterista por escolha ou predestinação, Humair deixou marca profunda no que à bateria-jazz diz especificamente respeito. Dono de um som personalizado – uma forma única de trabalhar o tempo enquanto matéria-prima – a suas gestualidade e sonoridade possuem indiscutivelmente o sinal distintivo dos maiores da história do Jazz. São elas que justificam que, em palco, Humair seja o principal ponto de encontro dos olhos e os ouvidos da assistência. Está por todo o lado e faz-se ouvir, mesmo quando, não tocando, constrói os mais refinados e oportunos pedaços de silêncio.
Sébastien Boisseau, jovem contrabaixista francês, original no vocabulário e talentoso na invenção musical. Sem querer entrar em detalhes fastidiosos, diria apenas que o seu curriculum se torna evidente em função das companhias requisitantes, entre elas o Baby-Boom, quinteto de Daniel Humair; o Newdécaband, de Martial Solal; e também Bruno Chevillon, Kenny Wheeler, Lee Konitz, para citar apenas alguns dos que nele sabem encontrar, além da musicalidade, a excepcional qualidade de saber o impulsionar os acontecimentos, mantendo sempre a capacidade de inovar e a intensidade em toda a linha. Boisseau conhece de trás para a frente o papel do contrabaixista neste tipo de formações: ser o centro de uma máquina complexa e altamente sofisticada, que swinga e improvisa colectivamente a um nível de excelência.
Tal é a que ora se desvenda em Coimbra.

 
 
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Pelos fios chegam as ondas do programa que Taran Singh, amigo e entusiasta do free jazz e músicas improvisadas correlativas, realiza na francesa Radio G, Taran's Free Jazz Hour. Todos os sábados às 23h00 de Paris. Vale a pena ouvir.

A radio show on free jazz, avant-garde jazz and improvised music, featuring jazz greats from Sun Ra, Ornette Coleman, Albert Ayler, AACM artists... to Joe McPhee, David Murray, William Parker, Marco Eneidi; and other contemporary artistes whose music is recorded by independent record labels in the US and in Europe. In addition, the show also features Beat poetry - Ginsberg, Kerouac; and Black poetry - Langston Hughes, James Baldwin, James Emanuel.


 
24.5.05
 
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Pelos fios chega uma história da NPR com Henry Grimes, o lendário contrabaixista de Benny Goodman e Albert Ayler. A Fresh Start for Jazzman Henry Grimes. Perto de 40 anos desaparecido, Grimes retornou ao mundo dos vivos. I'd say about 30 years I've been under that kind of a cloud ...


 
 
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Pelos fios chega a entrevista de Steve Lehman à All About Jazz.
Um menino das melhores famílias estéticas, da linhagem de Jackie McLean e Anthony Braxton. E de Eric Dolphy.



 
 
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Outro trio sueco a ter em conta: Christian Jormin / Mats Gustafsson / Anders Jormin. Opus Apus. Jazz e improvisação livre (LJ Records). Boa malha!



 
 
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«Jazz ao Centro, Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra / 2005» - 2, 3 e 4 de Junho

Dia 2 de Junho, quinta-feira, o festival abre em grande com a formação do baterista norte-americano Lou Grassi, o Lou Grassi's Avanti Galoppi (Rob Brown, Herb Robertson, Ken Filiano e Lou Grassi).

Lou Grassi está de volta a Portugal. Regressa para uma apresentação nos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra/2005. Desta feita, não com a sua PoBand, com a qual tem feito (re)brilhar estrelas do jazz de vanguarda de tempos passados, como Marshall Allen, John Tchicai e Joseph Jarman, mas com um grupo que, pese embora a sua recente formação, já se encontra plenamente rodado: o Avanti Galoppi.
Neste combo, ao lado do sensacional baterista de Nova Iorque, galopam Rob Brown, saxofone alto; Ken Filiano, contrabaixo; e Herb Robertson, trompete e corneta - o mesmo quarteto que em 2004 gravou o álbum homónimo para a editora norte-americana Creative Improvised Music Projects (CIMP), um programa estilisticamente diversificado em que todos os intervenientes contribuem com composições.
No início da carreira, Lou Grassi tocou em bandas de dixieland e de swing. No início dos anos 70 tomou parte em projectos liderados pelo trombonista Roswell Rudd. Teve no baterista Beaver Harris (1936-1991) o seu principal mentor artístico. Esta última colaboração, além de o fazer evoluir tecnicamente, ajudou a que, mais de uma década passada, tenha começado a ser reconhecido como acompanhante, e passado de primeira escolha a líder das suas próprias formações. Actualmente, Grassi possui uma extensa carreira discográfica em nome próprio, assente fundamentalmente nas gravações realizadas para a Cadence e para a CIMP.
Além de colaborações avulsas, Lou Grassi participa num quarteto com Burton Greene, Roy Campbell e Adam Lane, e ainda no trio de Gunter Hampel, com Perry Robinson; na NuBand, com Roy Campbell, Mark Whitecage e Joe Fonda, e no quinteto de William Gagliardi.
Quem acompanha, ainda que de longe, as movimentações do jazz actual fora dos círculos concêntricos do mainstream, não pode deixar de notar as ondas de agitação que se têm vindo a formar em torno destas quatro figuras cimeiras da improvisação moderna novaiorquina. Rob Brown é seguramente uma das vozes (ou a voz) mais activamente criativas do jazz contemporâneo, como líder e acompanhante.
É justo dizer que o mesmo sucede com Ken Filiano e Herb Robertson, que comungam da mesma característica: sendo músicos de enorme craveira técnica e artística - cada um deles mestre no seu instrumento - têm permanecido fora dos holofotes da indústria e da imprensa que dá cobertura aos acontecimentos relacionados com o jazz, facto que, contribuindo para uma menor difusão do seu trabalho, nada prejudica a importância estética e o valor artístico do quarteto.
A música do Avanti Gallopi combina aspectos melódicos previamente estabelecidos e swing moderno, com o desenho composicional de criação imediata, alternando improvisação estruturada e espontânea, solidamente ancorada numa base polirrítmica assegurada por Grassi e Filiano, que é tributária tanto do jazz no sentido comum do termo, como da improvisação livre.
Neste tipo de música, saber ouvir é tão ou mais importante que tocar. «Não se toca; ouve-se. E então tudo acontece» – disse Grassi em entrevista recente. É isso justamente que o líder instiga e a que quarteto corresponde na perfeição.
Mas o Avanti Galoppi trás consigo um aliciante adicional: será a primeira oportunidade de assistir em Portugal ao jogo de contrastes e aproximações entre Rob Brown e Herb Robertson, participantes de um colectivo em que todos semeiam, tratam e criam, para que o público possa colher em tempo real.

(Amanhã, antevisão do concerto de dia 3: Michel Portal/Louis Sclavis/Sebastien Boisseau/Daniel Humair).

 
 
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«GUSH: from things to sounds - from sounds to things»

Eles "andem" aí outra vez... . O novo disco tem o sugestivo título de Norrköping.
Assim se anuncia: "Elegant, masterful trio recordings from one of Sweden's national living treasures. Matts Gustafsson (reeds), Sten Sandell (piano) and Raymond Strid (drums) set course for a sublime oblivion, driven by this longstanding (ca. 1988) group's unique brand of instrumental telepathy. For those previously acquainted with Mr. Gustafsson's power-soul-honk in such projects and collaborations with The Brotzmann Tentet and others, another dimension of his estimable facility is on full display here, conjuring empathic textures within & without Sandell's world-class keystrokes and Strid's titanic structures. Truly scintillating." [Atavistic]. Power-soul-honk... .

 
23.5.05
 
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Este fim-de-semana deu para revisitar e conhecer a fundo a interpretação da obra monumental de John Coltrane, Ascension, pela Arkestrova: Rova Saxophone Quartet, com Chris Brown / Nels Cline / Fred Frith / Ikue Mori / Donald Robinson / Otomo Yoshihide/ Carla Kihlstedt / Jenny Scheinman.
Electric Ascension. Um dos melhores do ano, seguramente.
Agradecimentos são devidos a Roberto Barahona e a Larry Ochs.



 
 
Image hosted by Photobucket.com O pianista e compositor milanês Giorgio Gaslini aborda a herança da personalidade musical mais inovadora, visionária e experimentalista da música afro-americana: Sun Ra, o padroeiro desta casa.
Depois de Monk (Gaslini Plays Monk, de 1983) e Ayler (Ayler's Wings, de 1991), na sequência do estudo aprofundado que no tempo de uma vida realizou sobre os maiores nomes do jazz, como Jelly Roll Morton, Thelonious Monk, Albert Ayler, Duke Ellington e John Coltrane, Gaslini diz ter chegado a hora de se abalançar a Sun Ra, que Gaslini considera o último dos grandes compositores do jazz.
Para tal, Gaslini trabalhou meticulosamente durante um ano inteiro na transcrição e arranjo de peças nunca tocadas por Sun Ra em piano solo, de modo a fazer sobressair as qualidades intrínsecas da música, o equilíbrio e a transparência que reflectem a particular visão do mundo do compositor.
Out in Space, A Quiet Place in The Universe, Medicine for a Nightmare, Yucatan, Kingdom of Not, Lanquidity, Satellites Are Scanning, Saturn, When Angels Speak of Love, The Perfect Man, Tapestry for an Asteroid, Discipline 27, The Satellites Are Spinning, Interstaller Low Rays.
"In some far place, many light years in space..."
Giorgio Gaslini - Gaslini Plays Monk (Soul Note)

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Gaslini, no festival Barga Jazz de 2004

 
 
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Qualquer recapitulação das práticas mais radicais da improvisação desde a década de 1960 não pode esquecer os "casos" AMM e Musica Elettronica Viva. A associação de ambos os projectos não é de agora: já em 1968 foi editado um LP em que os dois revolucionários colectivos figuram em cada um dos lados. Entretanto, os AMM sofreram várias alterações a nível da sua formação, a mais notável das quais devida à morte de Cornelius Cardew, dos seus fundadores só restando hoje Eddie Prévost (Keith Rowe bateu com a porta), e os MEV só muito episodicamente se reagrupam, tendo os seus elementos principais, Alvin Curran, Frederic Rzewski e Richard Teitelbaum, desenvolvido carreiras a solo. Os seus caminhos só recentemente voltaram a encontrar-se, graças à participação destes grupos na edição de 2004 do festival Freedom of the City, de Londres. Apogee inclui gravações desses concertos no segundo CD, estando o primeiro ocupado por uma estreia absoluta: AMM e MEV a tocarem em sexteto, num registo de estúdio cuja importância histórica é desnecessário explicar. E se AMM (aqui ainda em trio com Prévost, Rowe e o pianista feldmaniano John Tilbury) e Musica Electtronica Viva são bastas vezes mencionados na mesma frase, fica nesta edição claro que as suas visões da música são bem distintas, ainda que capazes de diálogo (a maior vantagem da prática improvisacional, aliás). Os AMM são abstractos, pontilhísticos, fragmentários e minimalistas, enquanto os MEV não resistem a introduzir elementos figurativos nas suas construções e têm uma dimensão mais "orquestral" e cromática, por exemplo com o judaico sho far, uma espécie de trompete, tocado por Alvin Curran. Juntos, conseguem conciliar a microscopia sonora própria dos AMM, e muito especialmente da guitarra horizontal e torturada por múltiplos objectos de Keith Rowe, com os súbitos apontamentos de "sampling" etnográfico que Teitelbaum gosta de atirar para o ar quando menos se espera. - AnAnAnA


 
22.5.05
 
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Glorioso Sport Lisboa e Benfica
Campeão Nacional 2004/2005

Sou do Benfica
Isso me envaidece
Tenho a genica
Que a qualquer engrandece
Sou dum clube lutador
Que na luta com fervor
Nunca encontrou rival
Neste nosso Portugal
SER BENFIQUISTA
É TER NA ALMA
A CHAMA IMENSA
QUE NOS CONQUISTA
E LEVA À PALMA
A LUZ INTENSA
DO SOL QUE HÁ NO CÉU
RISONHO VEM BEIJAR
COM ORGULHO MUITO SEU
AS CAMISOLAS BERRANTES
QUE NOS CAMPOS A VIBRAR
SÃO PAPOILAS SALTITANTES

(Ah, grande Luis Piçarra!!!)

 
 
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José Paulo Andrade, aka Gamma Ray Blast, depois de se ter dado a ouvir no Ocaso Épico, de boa memória para quem pôde seguir a evolução do grupo na Lisboa dos anos 80, a improvisar sobre ritmos pré-gravados, desenvolve hoje algumas das pistas que ao tempo deixava entrever como hipóteses de trabalho deixadas em aberto para posterior investigação.
Gamma Ray Blast, posicionado no vasto universo do pop experimental, retoma as pesquisas no âmbito da música portuguesa e no seu mais vasto enquadramento mediterrânico, explorando timbres instrumentais (flautas, guitarra portuguesa, cítara, coros) e ritmos oriundos de espaços geográficos situados algures entre a Europa, África e o Médio Oriente, sem jamais perder a matriz marcadamente electro-pop.
Dos cinco temas, destacaria Paredes, que homenageia o maior mestre da alma e da guitarra portuguesas, o genial homem comum. E o fantástico Grândola, ideia-tema-mito da fundação da Democracia em Portugal. Nele, Gamma Ray Blast mistura ritmos actuais com excertos de gravações de à volta de 1974, quando, pouco antes do 25 de Abril, Marcelo Caetano, o então presidente do Conselho de Ministros perorava nas suas «Conversas em Família» sobre o pronunciamento da Caldas da Rainha, por ele qualificado como «triste episódio militar». Gamma Ray Blast coteja excertos desse discurso com o poema Grândola Vila Morena original de José Afonso, numa clara oposição estético política entre o antes e o pós Revolução dos Cravos, que também simboliza a dialética arcaismo cultural/censura/obscurantismo de outros tempos, e a modernidade de hoje. É essa modernidade, não isenta de riscos, distorções e perversões, que importa questionar a cada passo. Como com a Democracia, há que estar atento aos novos movimentos criativos do pop português, de que 5 Dimensões é um excelente testemunho.
Melodias suaves, experimentalismo, percussão variada, excelente mistura e equilíbrio de fontes, são demonstrativas do bom gosto e do saber produzir de José Paulo Andrade, capaz de encantar com tamanha simplicidade. Totalmente conseguido e muito interessante, este 5 Dimensões.
Gamma Ray Blast - 5 Dimensões (test tube 016)

 
 
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Ninth Annual Empty Bottle Festival of Jazz and Improvised Music

Since January 1996, reedist KEN VANDERMARK and writer/musician/producer JOHN CORBETT have brought established stars of the vanguard and emerging artists from all over the world to the Empty Bottle for an extraordinary gathering of Jazz and Improvised music. In its Ninth year, this four-day event(June 15th - June 18th) is no exception, featuring performances by SAM RIVERS, PETER BROTZMANN,ED WILKERSON JR., KEN VANDERMARK, PAUL RUTHERFORD, NASHEET WAITS and ROBERT BARRY,THE REMPIS PERCUSSION ENSEMBLE,TATSU AOKI, FRED LONBERG-HOLM Trio and others.
This annual festival stems from the Empty Bottle “Wednesday Night Jazz Series,” concerts that continue to bring improvisers from Chicago, elsewhere in North America, Europe, Japan and the rest of the world to Windy City audiences on a weekly basis. Though the series maintains a jazz core, it is open to many forms of creative music, including total improvisation, free jazz, experimental composition, swing-based post-bop, tone-color improvisation, texturalist minimalism, and out-rock.

15 de Junho
- Chicago Ad Hoc: A first time meeting of ten performers featuring an amalgam of instrumental combinations ranging from brass to reeds to electronics to strings.
16 de Junho
- Peter Brotzmann and Nasheet Waits
- Davey Williams with Jim Baker and Tim Daisy
- The Rempis Percussion Ensemble
- Surprise Set
17 de Junho
- Ken Vandermark with Torsten Muller, Paul Rutherford and Dylan Van Der Schyff
- Peter Brotzmann, Kent Kessler, Paul Rutherford and Nasheet Waits
- The Tatsu Oaki, Ed Wilkerson Jr. and Michael Zerang Trio
- Surprise Set
18 de Junho
- Sam Rivers
- The Robert Barry, Paul Rutherford Duo
- The Fred Lonberg-Holm Trio
- Relay Signals featuring Jason Ajemian, Zoe Buck, Tim Daisy, Ernst Karel and Aram Shelton


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3º Festival Internacional
de Música Electrónica & Arte Multimédia
26-27-28 de Maio. Estádio Municipal de Braga

O Festival BRG é um evento transdisciplinar, com características lúdicas e formativas, dedicado à divulgação de novos processos de criação musical e artística (nacionais e estrangeiros), com especial atenção aos novos campos da criação com recurso à tecnologia digital e na actual convergência entre música e imagem na criação contemporânea, convidando a audiência não só ao entretenimento mas também a partilhar múltiplas experiências desde a descoberta de outras sonoridades a novas sensações visuais e experiências sensoriais.
Organizado pela Fundação Bracara Augusta, este festival sediado na cidade de Braga pretende fomentar a formação e sensibilização de novos públicos, assim como potenciar novas práticas interventivas de forma a produzir maiores fluxos criativos e sociais, afirmar a Universidade do Minho (UM) enquanto centro de produção cientifíca e cultural com projecção nacional e internacional e dinamizar o envolvimento com as instituições e estruturas locais (universidade, cultura, comércio, indústria e turismo), contribuindo para a promoção e desenvolvimento da região.



 
21.5.05
 
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Novidades e reedições que despertam interesse, na Jazz'Halo.


 
 
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Where Is Brooklyn?
Don Cherry, Pharoah Sanders, Henry Grimes, Ed Blackwell

1. Awake Nu
2. Taste Maker
3. The Thing
4. There Is The Bomb
5. Unite
(Blue Note BLP 4311, 1966)


 
 
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Esta semana, no Jazz on 3, da BBC Radio 3, pode-se ouvir a gravação de um concerto do quarteto do saxofonista escocês Phil Bancroft. Com Bancroft tocam o guitarrista Mike Walker, o contrabaixista Steve Watts e o baterista nórdico Thomas Strønen. Gravação de Março de 2005, no Soho's Pizza Express, em Londres.


 
20.5.05
 
ABOP TV.COM tem. Excertos disto tudo, o que não é pouco:

"Underwater Flying" - Outrio Jackson Krall, Joe Giardullo, Albey Balgochian
"AlCookHil" - Outrio Laurence Cook, Hilary Nobel, Albey Balgochian
Band Of Peace "Rhythmism" Dennis Warren, Jackson Krall, Sabir Mateen, Albey Balgochian
Burton Greene & Roy Campbell 4tet
Burton Greene, Roy Campbell, Adam Lane, Lou Grassi
Danny Mo Project Danny Mo, Gabe Jones, Neil Itzler, Joe Musella

David Maxwell Solo Performance
"DnA 3" Express
Dave Ross, Albey Balgochian
Giardullo Trio Joe Giardullo, Harvey Sorgen, Mike Bisio
Funktet
Dave Ross, Kurtis Rivers, Jackson Krall, Albey Balgochian
"Sunday Afternoon" - Funktet Dennis Warren, Dave Ross, Brian Groder, Albey Balgochian
Jackson Krall
Solo Performance
Live at the Zeitgeist - Outrio Jackson Krall, Joe Giardullo, Albey Balgochian
Lloyd Thayer Solo Performance Street musician
Noisetet Bent Circuit music - Donny Silverman, Brian Sebastion, David Phelps
Paul Rishell & Annie Raines Handy Award Winners
Sound on Survival Marco Eneidi, Lisle Ellis, Peter Valsamis
The Fringe Bob Gullotti, John Lockwood, George Garzone
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(Foto: Nuno Martins)
Rodrigo Amado em concerto na Trem Azul > 23 Maio - 19h30
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RODRIGO AMADO - saxofones
RICARDO PINTO - trompete
HUGO ANTUNES - contrabaixo
RUI FAUSTINO - bateria
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Três jazzmen da nova geração de improvisadores juntam-se a Rodrigo Amado, numa formação que nos traz a integração das linguagens jazz, num conceito de composição em tempo real.



 
 
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O pai, Von Freeman (n. 1922), virá tocar a Portugal (Cascais) no dia 1 de Julho, no XXIV ESTORIL JAZZ - Jazz Num Dia de Verão / 2005. O filho, Chico Freeman (n. 1949), tocou em Utrecht, na Holanda, no passado 19 de Março.
É esse concerto de Utrecht que a rádio holandesa VPRO Jazz op Vier está a transmitir em webcast.




 
 
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Uau! Venho muito bem impressionado da audição de Blood Sutra, disco de 2003 do pianista Vijay Iyer. O jovem norte-americano de ascendência indiana lidera um quarteto que arranca um disco fenomenal. Blood Sutra, que simboliza algo próximo de fluxo sagrado, musicalmente não fica nada atrás de In What Language? (2004), ou do mais recente Reimagining (2005), ao que me dizem. O estilo melódico e percussivo do pianista, já com uma carreira discográfica de 10 anos, casa bem com o estilo do saxofonista alto Rudresh Mahanthappa, apoiados ambos por Stephan Crump, contrabaixo, e por Tyshawn Sorey, o baterista que veio recentemente a Portugal com o Nomad de Dave Douglas, e que brilha no disco do quarteto de Bang-Sirone, editado pela Silkheart Records.
Atenção a estes rapazes! Rudresh Mahanthappa e Vijay Iyer tocam em Coimbra no próximo dia 4 de Junho, no âmbito do Jazz ao Centro – Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra / 2005. Com François Moutin, contrabaixo, e Elliot Humberto Kavee, bateria - a formação do espantoso Mother Tongue (PI Recordings). Oportunidade privilegiada para assistir ao vivo ao evoluir de um quarteto que se conta entre o que de melhor existe no jazz actual. Aposto neste quarteto.
Vijay Iyer - Blodd Sutra (Artists House)



 
 
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(Foto: Craig Bailey)
Taylor Ho Bynum, corneta, trompete, fliscórnio, composição. Nascido em Boston, em 1975.


 
19.5.05
 
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Anthony Braxton, saxofone baixo.
The Kitchen, Nova Iorque, 29.04.1972



 
 
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Out Jazz, o que é? É isto, por exemplo. The Abstractions - um furioso assalto colectivo sob a forma de energia em bruto. Música brava e indomável, construída com base no cruzamento de génros e sub-géneros, do jazz e livre improvisação electroacústica, ao pós-rock, passando pela spoken word e o noise, que se atira com unhas e dentes ao ouvinte e, 76 minutos depois, o deixa na mais literal penúria física (que não emocional!). Muito por culpa de dois intrépidos guerrilheiros da Costa Oeste dos EUA, Rent Romus e Ernesto Diaz-Infante, que não se dão ao descanso na saudável actividade de animar a malta. O que faz falta.
Acima de tudo, The Abstractions tocam música experimental que visa desassossegar mesmo o ouvinte mais preparado para a inquietação física e espiritual, e ao mesmo tempo marcar terreno na cena mais esteticamente avançada do tempo corrente. É esta, em síntese, a proposta muito séria de Ernesto Diaz-Infante, Dina Emerson, Phillip Everett, Sandor Finta, Lance Grabmiller, Bob Marsh, Jesse Quattro, Alwyn Quebido, Rent Romus e Stephen Ruiz.
Que fizeram um lindo serviço neste segundo episódio, isso é indesmentível. É que em Ars Vivende, realmente não fica pedra sobre pedra no edifício que já foi comparado a uma enorme tela do género das que pintava Jackson Pollock. Só que, neste caso, em vez de pincéis, os artistas usam instrumentos musicais e todo o arsenal das mais desvairadas electrónicas passadas e futuras. E vale tudo, inclusive entornar o balde da tinta e mergulhar de cabeça sobre a superfície cromática. Um estoiro!
Falar de raiva, ira, energia primitiva, caos e trevas, de todo um pathos individual e social, decerto que não vem inteiramente a despropósito, não senhor. Aqui o caso inspira os maiores cuidados e ai daquele que se deixar apanhar pelo turbilhão sem estar bem preso a uma qualquer amarra virtual. Vai desta para pior. Porque esta é realmente música da melhor, no sentido em que provoca os mais ousados e inquietantes desafios.
Fora disto, tenho como certo que uma parte importante da corrente musical mais estimulante e radical deste início de século passa justamente por aqui, ou seja, pelas mãos destes ferozes criadores da Califórnia. Que, afinal, não tem só praia e beldades curvilíneas.
Depois do que fica dito não seria necessário, mas ainda assim, aqui fica a prevenção: quem buscar facilidades melódicas e dócil contentamento auditivo, melhor é dar meia-volta e ir bater a outra porta, porque, além do sangue, suor e lágrimas que o esperam, leva daqui uma resposta que é em sim mesma uma enorme questão: o que vai ser da música criativa improvisada daqui para a frente!?
The Abstractions - Ars Vivende (Edgetone Records, 2003)


 
 
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O nome Matt Davignon traz-me à memória o disco que, sob o nome artístico de And Gnat Vomit, incluído do duo Muck, gravou para a Pax Recordings o ano passado, e que aqui recenseei em Dezembro. Davignon, que reside e trabalha em Oakland, Califórnia, publica agora na Edgetone Records um disco solo de electrónica experimental, com a mesma atitude que caracterizou o anterior álbum Roc: criar música mutante que ultrapassa os limites conhecidos, permanecendo fora das hipóteses comuns de catalogação.
Bwoo baseia-se em movimentos repetitivos de sonoridades estruturadas em ciclos multidireccionados, que apelam ao imaginário espacial. Matt Davignon improvisa investigando sobre timbres e texturas, tecendo tapeçarias de sons gorgolejantes obtidos a partir de uma única fonte sonora, a máquina de ritmos Boss DR660, de acordo com o diagrama disponibilizado. Os sons assim produzidos foram depois trabalhados via processadores de efeitos e transformados em organismos vivos, habitantes do espaço sideral.
Matt Davignon - Bwoo (Edgetone Records, 2005)

 
18.5.05
 
Return of the New Thing. O ironicamente denominado quarteto francês de free jazz, que inclui o britânico radicado em Paris, Dan Warburton, em piano e violino; o extraordinário Jean-Luc Guionnet, em saxofones alto e soprano; Francois Fuchs, contrabaixo; e Edward Perraud, bateria, tem um disco novo.
Free jazz e free improv, dois territórios que o grupo frequenta assiduamente, arenas onde invoca a memória dos grandes criadores do passado. Não se trata apenas de aclamar tempos idos, mas de olhar em frente para as imensas possibilidades que a livre improvisação proporciona à criatividade dos músicos de hoje. E ao público do jazz, que se divide basicamente em duas secções: a dos que amam, e a dos que detestam esta música extrema.
Música que se expõe tanto à crítica feroz como ao aplauso entusiástico; que corre riscos e enfrenta desafios, o maior dos quais talvez seja o ter hoje por inspiração próxima e remota algo inventado há mais de 40 anos. No entanto, quer-me parecer que o quarteto acaba por prestar tributo menos à forma que ao espírito da New Thing (o outro nome do Free Jazz).
O segredo do sucesso – e sucesso aqui não pode ser tomado em termos quantitativos, contabilizado em função do número de pessoas que compram os discos ou que assistem aos concertos, até porque a chamada energy music não passa nas rádios e televisões e raramente aparece na imprensa escrita – resulta da concentração e da eficácia dos músicos, da sua competência, empenhamento e honestidade.
O quarteto estreou-se em 1999 com um disco homónimo na Leo Records. Anos volvidos, depois da boa aceitação crítica, o quarteto chegou ao segundo e decisivo disco, Traque, lançado na sueca Ayler Records. Neste disco, o quarteto prosseguiu a homenagem à tradição do género, subvertendo-o e actualizando-o através de um mínimo de estruturação antecipada. O mesmo caminho que trilha no mais recente Crescendo, editado pela polaca NotTwo Records. Em Crescendo a componente da improvisação é eventualmente maior que no disco precedente, que soa um pouco mais estruturado. O alinhamento comporta dois temas longos, de 35 e 25 minutos, que dão tempo e espaço para variar ao nível do andamento, carregar nas tintas ou desenhar a traço fino, saturar a mistura ou refinar a frase mínima.
O propósito libertário mantém‑se intacto, fiel ao modelo inspirador. Tal como a concentração no desenvolvimento das ideias-chave enunciadas pelos membros do quarteto, que servem de mote à improvisação colectiva. A música toma direcções insuspeitas, como imprevisível é a sucessão de papéis entre acompanhantes e solistas. Um grande ponto a favor desta leitura franco‑britânica.
Return of the New Thing - Crescendo (NotTwo Records, 2005)

 
 
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7 Black Butterflies. Novo disco de Drew Gress!
Com Tim Berne, Ralph Alessi, Craig Taborn e Tom Rainey. Impõe-se conhecer ou revisitar a sofisticação melódica, harmónica e rítmica da composição de Drew Gress. E a direcção artística de um quinteto all star de primeira categoria, com a mão de estúdio de David Torn. Naturalmente. Se for tão bom como o anterior Spin & Drift, temos obra.
Sai para a rua a 24 de Maio próximo, mas já se podem encomendar as borboletas na página da Premonition Records, ou na da Screwgun Records, de Tim Berne.


 
 
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The Peter Brötzmann Chicago Tentet - Be Music, Night

Part 1 - 12:40
Part 2 - 41:36
Part 3 - 10:53

Composições de Peter Brötzmann. Edição da Okka Disk.


 
17.5.05
 
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Notícia é a muito próxima realização (começa logo à noite) do festival VTO5, que decorre paralelamente ao grande Festival International de Musique Actuelle de Victoriaville, Quebec, Canadá, abreviadamente designado por FIMAV. Começa depois de amanhã a 22ª Edição, que não perderia se por lá me perdesse.
Peter Brötzmann (foto tirada na sua oficina de saxofones e clarinetes) e o Tentet também abrilhantam o bailarico.


 
 


Acts of Love. Borah Bergman, piano; Lol Coxhill, saxofone soprano; Paul Hession, bateria, encontram-se e sai faísca. O tanto que são (re)conhecidos no meio improv da escola britânica, diz-nos da dimensão musical dos dois últimos. O primeiro, perto dos 80 anos, é um dos maiores pianistas da improvisação livre da escola americana pós-Taylor. Partindo da idiossincrasia de cada um, o que verdadeiramente importa em Acts of Love é o sentido de unidade que o trio confere a um conjunto de 10 composições, arrumadas sequencialmente de 101 a 110.
Borah Bergman é um prodigioso tecnicista, famoso, entre outras razões, porque nele o papel diferenciado da mão esquerda e da mão direita esbate-se por completo. Esta técnica, que Bergman apurou ao logo de décadas de trabalho, permite-lhe tocar com máxima precisão e detalhe diferentes frases em simultâneo, com total independência de mãos. Mais que o malabarismo técnico, releva o efeito resultante do assincronismo e da execução de frases melódicas que em paralelo se desenvolvem, sobrepondo ondas sonoras, que em contraponto se entrechocam e desenrolam ao sabor da estonteante velocidade de pensamento do pianista. O efeito cinético é espantoso e custa a crer que ambos os lados do teclado tenham sido tocados, não em directo e simultâneo, mas em momentos diferentes, por pianistas diferentes, algures entre o vulcão e o iceberg.
Lol Coxhill, a par de Steve Lacy, Evan Parker, Anthony Braxton e Roscoe Mitchell, é um dos grandes especialistas mundiais da complexa disciplina da improvisação em saxofone soprano. Possuidor de fino sentido melódico e de uma tonalidade personalizada que o diferencia dos seus distintos pares, Coxhill tanto trabalha com pézinhos de lã e delicadezas de filigrana, como entra na criação de monumental massa sonora com Bergman e Hession, alturas em que a música se adensa em radical polifonia, muito por culpa das cores e texturas com que o percussionista atrai os seus parceiros para o centro da refrega.
Mesmo quando a música se espraia na aparente tranquilidade que se segue aos perigosos rápidos do rio Bergman, é inevitável a sensação tensa de que o barco voga inseguro pelo meio da bruma, para lá da qual se esconde um mistério que só em parte de se desvenda, depois de muito ouvir Acts of Love.
A calmaria das águas esconde o perigo de remoinho que está «muito para lá da expressão individual», como bem assinala Brian Morton nas notas à edição. Intenso, fulgurante e irresistível.
Bergman / Coxhill / Hession - Acts of Love (Mutable Music, 2005)


 
16.5.05
 
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Depois de 1982 não mais se ouviu uma nota musical em disco a Don Van Vliet (1941), o alter ego de Captain Beefheart. Dedicou-se por completo à pintura, à poesia e à filosofia, dizem, retirando-se com a mulher para alturas mais sossegadas do Norte da Califórnia. Lembro-me de ter ouvido a Magic Band na primeira metade dos anos 70, era eu um rapazinho, e da impressão que a voz e a música do bizarro personagem me deixou. Safe As Milk alternava com Trout Mask Replica, entremeado com os discos de Frank Zappa, o colega de escola de Van Vliet em Lancaster, Califórnia. Duas figuras para sempre ligadas no imaginário de milhões de admiradores. Para tanto nem teria sido necessário que tivesse havido a reunião magna de Filmore East, ou as passagens do Capitão por Bongo Fury e Hot Rats. John Peel disse um dia que, se havia algum génio no rock, ele seria com certeza Captain Beefheart. Não sei se sim, se não. Sei é que 30 anos passados sobre a altura em que travei conhecimento com a nbandas mágicas, ao ouvir a reedição conjunta dos dois álbuns de 1972, Spotlight Kid e Clear Spot – dois dos discos mais acessíveis do californiano – ainda me espanto com tudo isto. Por isto quero significar a modernidade da música e o canto de Beefheart; as guitarras psicadélicas são-franciscanas que contaminam blues, r&b e rock’n’roll, com impetuosas investidas ácidas; o humor sardónico, a poesia surreal e a loucura controlada que abundam por estas paragens. Acontece-me sempre isto com Captain Beefheart. I'm Gonna Booglarize You, diz ele. Ok, anda lá com isso, Don. One more time, please.
Captain Beefheart & The Magic Band - Spotlight Kid e Clear Spot (Reprise, 1972)


 
 
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Post-Scriptum:
RIP Fernando Magalhães,
Jornalista.



 
 
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Criamos música a partir de qualquer fonte capaz de produzir um som interessante, que possa ser gravado num computador e posteriormente manipulado. Discos de vinyl, programas de televisão, bandas sonoras, instrumentos musicais feitos à mão, velhas cassettes, cabos eléctricos, e uma gama enorme de objectos que produzem som. Usamos um antigo sampler Korg ES-1, um sentetizador/vocoder microKorg, um antigo sentetizador digital de fabrico soviético, o Unost-21, a máquina de ritmos soviética Lel PSR, várias guitarras e processadores de efeitos. Quanto a software, usamos Reactor, AudioMulch, Crusher X, entre outros. Tudo isto permite-nos criar música num vasto espectro de estilos, desde os drones ao glitch, passando por vários tipos de noise, que combinamos em gravações ou em apresentações ao vivo.
Assim se auto-define o projecto CD-R, a iniciativa musical extrema partilhada por Nikita Golyshev e Stas Bobkin, que teve início em Dezembro de 2002, em Moscovo. A primeira edição oficial do duo maravilha intitulou-se CD-RW e consistiu em movimentos de fusão glitch e ruído digital. A segunda, Signal System, foi pelo mesmo caminho estético, explorando vários territórios do noise moscovita, género com muitos seguidores na capital russa.
Em 2003 e 2004, Os CD-R fizeram várias aparições no Dom, em Moscovo, com Alexei Borisov, Ivan Sokolovsky, Michael Gendreau, Jeffery Surak, Franz Pomassl, etc, estabelecendo-se como um nome importante nos circuitos noise da capital. Os discos estão à venda na Misteria Zvuka, uma loja na estação de metro Bagrationovskaia, em Moscovo.
A netlabel belga Entity acaba de editar uma obra deste duo russo, a reformulação de um set que havia sido desenhado para apresentação ao vivo: CD-R - Aspekt / Audience / Ascent. Trata-se de uma colecção de paisagens surreais em três ciclos distintos, compostas segundo o plano de trabalho que o duo definiu para si próprio: criação de drones de guitarra eléctrica multidimensionais e de diferentes tonalidades, com ampla profundidade de campo, misturados com field recordings e camadas sobrepostas de sons analógicos e digitais com origem em fontes sonoras aparentemente não identificáveis, que se projectam à nossa frente num espaço e num tempo ilimitados.
Música espectral carregada de significado, feita por homens, mas que também pode ser apreciada por aliens.
Para aceder a estas experiências basta descarregar a partir da página da Entity o ficheio compactado contendo a totalidade dos 10 temas de Aspekt / Audience / Ascent, num total de 43 minutos de música sequencial. Mistérios a descobrir sem quebras ou interrupções, com auscultadores, de preferência. Uma viagem alucinante, aviso já. À cautela. CD-R: Noise from Moscow.
CD-R - Aspekt / Audience / Ascent (Entity)


 
15.5.05
 
Confirmada está a (excelente!) programação do JAZZ EM AGOSTO deste ano. Comissariado por Rui Neves, o festival anual de jazz e músicas improvisadas da Fundação Gulbenkian, que na edição do ano passado completou duas décadas de vida, arranca com estrépito no dia 5 de Agosto, com a Globe Unity Orchestra - a mais importante e estimulante big band de free improv da história, fundada pelo pianista Alexander von Schlippenbach, não tarda muito, há 40 anos... .
O incrível cartaz dete ano inclui a coqueluche da actualidade, a formação norueguesa Jaga Jazzist. Presente estará também o trio das improvisadoras Sylvie Courvoisier, Ikue Mori e Susie Ibarra. Outro número a ter em conta é o do trio com o invulgar hyper-pianista norte-americano Denman Maroney, tal como o energético quinteto norueguês Atomic. O Festival encerra com um projecto deveras interessante: Fast’n Boulbous- The Captain Beef Heart Project.
Pelo meio, entre o solo e a formação alargada, há 14 outras propostas suficientemente tentadoras para fazer de Lisboa, em Agosto, a capital mundial da moderna música improvisada.

JAZZ EM AGOSTO / 2005

Fundação Calouste Gulbenkian
Lisboa, 5 - 13 de Agosto


5 de Agosto
21h30 – Globe Unity Orchestra (ALM)
6 de Agosto
15h30 – Jean-Marc Foltz + Bruno Chevillon (FRA)
18h30 – Schlippenbach Trio (ALM / ING)
21h30 – Ta Lam Zehn (ALM)
7 de Agosto
15h30 – Jean-Luc Cappozzo + Axel Dörner + Herb Robertson (FRA+ALM+EUA)
18h30 – Iréne Schweizer + Pierre Favre (SUI)
21h30 – Atomic (NOR)
10 de Agosto
21h30 – Sound of Choice + Ixi (DIN + FRA)
11 de Agosto
15h30 – Ensemble Raum (POR)
18h30 – Mark Dresser + Denman Maroney + Michael Sarin (EUA)
21h30 – V16 (EUA)
12 de Agosto
15h30 – Jorge Lima Barreto (POR)
18h30 – Hans Koch + Martin Schütz + Fredy Studer (SUI)
21h30 – Jaga Jazzist (NOR)
13 de Agosto
15h30 – Erik Friedlander – violoncelo solo (EUA)
18h30 – Mephista: Sylvie Courvoisier + Ikue Mori + Susie Ibarra (SUI/JAP/EUA)
21h30 – Fast’n Boulbous: The Captain Beef Heart Project (EUA)



 
13.5.05
 
WHERE IS THE LOVE?
Está na ZDB, Bairro Alto - Lx.

Jackie-O Motherfucker Sexta-feira dia 13 de Maio, às 23h00

Um erro de interpretação recente e reincidente a que se tem assistido quando se fala dos artistas e grupos, confortavelmente rotulados como «freefolk» ou «freakfolk», é a ideia de que apareceram todos de repente, fruto de uma moda impulsionada por uma mão cheia de figuras. Como uma série de outros projectos duradouros neste campo, caso dos No-Neck Blues Band, The Tower Recordings, Charalambides ou os Sunburned Hand Of The Man, os Jackie-O Motherfucker e o seu início remontam até há praticamente uma década.
Enquanto o olhar menos aprofundado à música independente se focalizava, no final dos anos 90, nas cavalgadas transcendentais dos Godspeed You! Black Emperor ou nas descargas eléctricas dos Mogwai, todos estes grupos já tinham lançado uma série de registos em editoras de menor visibilidade ou em formatos de mais pequena circulação.
Os Jackie-O Motherfucker, de várias formas, foram a primeira bandeira realmente visível de todas estas movimentações. Quando há alguns anos apareceram na capa da revista britânica The Wire, deu-se o acordar da Europa e um adensar de consciencialização nos Estados Unidos em relação a toda a exploração que estava a ser feita nesta área. O próximo passo foi realizar uma digressão da banda pela Europa com os incríveis britânicos Volcano The Bear, meses antes de outra também ela transcontinental, já de volta à América do Norte, com os ingleses Vibracathedral Orchestra e Sunroof!.
Cada álbum dos JOMF é um caso aparte, modulado por uma formação eternamente em mudança, num colectivo itinerante que funciona à volta de uma única figura central – Tom Greenwood. O que liga todos os álbums dos Jackie-O, contudo, é a união – recorrente em toda a grande arte dos Estados Unidos – entre idiomas telúricos e metafísicos. De Whitman, Kerouac, Grateful Dead aos JOMF há uma ligação quase pré-natal à terra, ao solo, mas também à viagem e à circulação e trânsito perpétuos; um nomadismo tão literal quanto espiritual. Simultaneamente coexiste, intimamente ligada a essa movimentação, uma vontade tão grandiosa quando clássica nos seus moldes, de ascender a um universo cósmico, onde as verbalizações rectas perdem a força e se entra no domínio do inominável.
Assim, de discos como o seminal «Fig. 5», a «Liberation» ou «Change», podemos ouvir espirituais, blues fracturados, canções de abandono e mágoa lado a lado com tripes comunais, coaguladas com guitarras eléctricas espaciais em peyote, tão lânguidas e planantes que se transformam em drones. Estão lá Robert Johnson e Skip James, cantares do livro da Sacred Harp e «Moonshiner», lado a lado com os Can mais estratosféricos e os Spiritualized do início, sempre lá em cima das nuvens.
Os Jackie-O Motherfucker deverão editar um novo álbum nos próximos meses pela All Tomorrow’s Parties Recordings. Deles é especulativo dizer o que se pode esperar, para lá do facto que pelo menos cinco membros vêm a caminho nesta orquestra vagabunda de guitarras, cordas, percussão variada, gira-discos e cantares. Das maiores e relevantes figuras da música independente norte-americana da última década, em estreia absoluta no nosso país.


 
 
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O programa é todo ele composto por música de Anthony Braxton. O que quer desde logo dizer que a ambição é grande e que ela se orienta pelos sentidos que o compositor equilibra nas suas peças: razão e emoção em partes iguais. Uma dualidade – explica António Damásio, n'O Erro de Descartes - apenas aparente. A música de Anthony Braxton reflecte essa mesma ideia: não existe uma linha limítrofe, ambas são parte de uma mesma trama em movimento, fenómeno que a psicóloga francesa Isabelle Filliozat designou por «inteligência do coração». As interpretações do percussionista norte-americano Kevin Norton (marimba e vibrafone) e da pianista sul-coreana Haewon Min (Play the Music of Anthony Braxton) preservam a lógica e a coerência interna das cinco composições, trabalhando a fundo os intrincados interstícios da escrita de mestre Braxton.
Jazz e new music acabam por ser duas faces da mesma moeda, que é também o tributo pago aos compositores de jazz e contemporânea de câmara dos últimos 40 anos, como Frank Zappa e outros da mesma bitola criativa.
Imagino que Anthony Braxton tenha gostado do resultado.
Kevin Norton + Haewon Min - Play the Music of Anthony Braxton (Barking Hoop, 2001)

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A norte-americana John Simon Guggenheim Memorial Foundation agraciou o compositor trompetista DAVE DOUGLAS com o título de «Guggenheim Fellow for 2005».
Jazz Review conta a história toda.



 
12.5.05
 
VISION festival
FESTIVAL vision
VISION festival
festival VISION ...



 
 
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Vijay Iyer. O pianista que vem a Coimbra. Ao Jazz ao Centro.

Via Verge Music, eis as mais recentes entradas na lista:
- William Parker - Sound Unity (AUM Fidelity);
- Paul Dunmall Moksha Big Band - I Wish You Peace (Cuneiform Records);
- Joëlle Léandre / India Cooke - Firedance (Red Toucan);
- Vijay Iyer - Blood Sutra (Artists House).


 
 
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A composição do Tentet de Peter Brötzmann, na edição de 2004/2005, sofreu algumas alterações. Sairam Hamid Drake (bateria, percussão) e Mars Williams (saxofones. Para o lugar de Hamid entrou o norueguês Paal Nilssen-Love. E aí vão os mesmos nove elementos fixos, com a 10ª posição, como é hábito, aberta a convidados especiais. Este mês de Maio de 2005, o lugar tem estado a ser ocupado pelo trompetista sueco Magnus Broo, com o qual o Brötzmann Tentet está a realizar a sua habitual e regular digressão americana, o que paulatinamente acontece desde a fundação, em 1997. Imaginem-se as dificuldades porque passa Brötz e os camaradas para manterem em funcionamento uma irrequieta big band de free jazz, sem quaisquer concessões. É tamanha a obra, sem paralelo no mundo do jazz e da música contemporânea em geral. Manda braza, este pessoal:
Peter Brötzmann (sax tenor, tarogato, clarinete); Ken Vandermark (sax tenor, clarinete baixo); Mats Gustaffson (sax tenor e barítono); Magnus Broo (trompete); Joe McPhee (trompet/trombone de válvulas); Per-Ake Holmlander (tuba); Fred Longberg-Holm (violoncelo); Kent Kessler (contrabaixo); Michael Zerang (bateria); e Paal Nilsen-Love (bateria).

Sobre Herr Brötzmann, escreveu Chris Kelsey, outro grande saxofonista (soprano):

Three decades after his death, the legacy of Albert Ayler is plain — a plethora of reed-biting aural contortionists bent on exploiting the saxophone's propensity for making sounds that resemble a human scream. Many such players, unable to play anything resembling a coherent melody, rely instead on the extreme manifestations of the Ayler technique; their playing is more often than not a randomly executed wall of energy and emotion-driven white noise. Peter Brotzmann, on the other hand, is the rare Ayler-influenced saxophonist capable (like Ayler) of producing improvised lines of depth and sensitivity while informing them with enough raw power to make a lesser saxophonist wilt. Brotzmann's playing has little of the arbitrariness one associates with other similar tenor saxophonists like Charles Gayle or Ivo Perelman; Brotzmann possesses a surety of tone and a melodic center characteristic of a focused musical conception. While there's no lack of spontaneity in his music, Brotzmann's concern with motivic and melodic reiteration gives his playing a palpable sense of direction. Indeed, Brotzmann's obsession often serves as a pivot upon which an ensemble turns, making him a consummate team player, in addition to being an affecting soloist (...).

Brotzmann was first a visual artist, attending the Art Academy of Wuppertal. A self-taught saxophonist, he began playing with Dixieland bands beginning in 1959. In the early '60s he became involved with the avant-garde Fluxus movement. He began plying free jazz around 1964; in 1965 he played in a group with the virtuoso bassist Peter Kowald and the Swedish drummer Sven-Ake Johansson. The next year he played with Mike Mantler and Carla Bley's band and became associated with Alexander Schlippenbach's Globe Unity Orchestra. In 1969 Brotzmann helped form FMP, a long-lived free jazz label and presenter that issues recordings and sponsors live performances. In the '70s, Brotzmann would play and record with pianist Fred van Hove, drummer Han Bennink, trumpeter Don Cherry, and trombonist Albert Mangelsdorff, among others. His circle of associates would continue to widen; in 1986 he would play (with drummer Ronald Shannon Jackson, guitarist Sonny Sharrock, and electric bassist/producer Bill Laswell) in Last Exit, a metal/free jazz group that enjoyed brief success. By the late '90s one would be hard-pressed to name a prominent free jazz musician with whom Brotzmann had not played. The strength of his personality is matched by his adaptability; as evidence, hear Eight by Three, his 1997 recording with the pianist Borah Bergman and multi-reedist Anthony Braxton. While one might expect Brotzmann's incendiary nature to overwhelm the more blithe Braxton, he instead manages to parry and complement effectively. With Bergman's percussive intensity, the record becomes one of the more unusual and compelling free jazz artifacts of the era.


 
 
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Grande concerto do DKV, ao vivo na Holanda em 2000. Capa de Nuno Martins.



 
11.5.05
 
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Ken McIntyre, o virtuoso. Assim ficou conhecido o homem que tocava bem tudo o que era instrumento de palheta. E flauta como poucos. «The best player you've never heard of» - também lhe chamaram. Coisas da vida, que fizeram com que um músico talentoso e altamente escolarizado como ele, tivesse ficado a unha negra de ser considerado entre os maiores no devido tempo, reconhecimento que nunca chegou. Paciência. Morreu em 2001, aos 69 anos. Antes, teve oportunidade de gravar para a Prestige com Eric Dolphy (Looking Ahead, 1960). Em 1966 esteve com Cecil Taylor em Unit Structures. Também gravou com Bill Dixon, Charlie Haden e Beaver Harris, entre muitos outros.
Nos anos 70 gravou 5 álbuns para a dinamarquesa Steeple Chase: Hindsight, 1974; Home, 1975; Open Horizon, 1975; Introducing The Vibrations, 1976; e Chasing The Sun, de 1978. Discos que reflectem a versatilidade e o talento de um soprador com um pé no classicismo e outro na modernidade.


 
 
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Nas comemorações dos 21 anos da criação da Freguesia de Asseiceira, e fazendo parte do Programa Cultura Porta a Porta, da Câmara Municipal de Rio Maior, realiza-se na Asseiceira, no dia 14 de Maio, o Asseiceira in Jazz 2005 – 1º Festival de Jazz da Asseiceira.
Com um programa que visa a divulgação do Jazz a um público cada vez mais interessado, teremos o Quarteto Hot Jazz, integrando músicos da Escola do Hot Club de Portugal, ao que se segue Elsie’s Trio, com Elsie na voz, Manuel Alves Jorge no piano e Artur Freitas nos saxofones.
Fica aqui o convite, pois as portas do Jazz abrem-se na Asseiceira, pelas 21:30 do dia 14 de Maio, no Pavilhão da Comissão de Melhoramentos e Progresso de Asseiceira com entrada gratuita.
A organização deste Asseiceira in Jazz 2005 está a cargo da Câmara Municipal de Rio Maior, Escola de Música da Freguesia de Asseiceira e Junta de Freguesia de asseiceira e conta com o apoio do Intermarché de Rio Maior.

P. Correia/A. Figueiredo (Escola de Música da Freg. Asseiceira)



 
10.5.05
 

De Chicago vem bom vento (Windy City) e bons casamentos musicais. Exemplo recente é o de Scott Rosenberg, enorme saxofonista da nova geração de Chicago posterior à afirmação de Ken Vandermark, com o pianista e electronicista Jim Baker, o contrabaixista Anton Hatwich, e Tim Daisy, baterista que desbunda com Triage, Vandermark 5 e Rapid Croche.
Com esta gente saiu há dias na 482 Music (série Document Chicago) uma malha que merece a atenção do público jazzófilo que não se conforma com o facto de o jazz se reconduzir exclusivamente à música dos clássicos e respectiva legião de imitadores e actualizadores, supostos guardiões da "pureza" original. Coisa esta que, obviamente, não existe.
New Folk, New Blues: Rosenberg e demais aventureiros de Chicago dedicam-se com afinco à exploração das infinitas possibilidades sinergéticas da improvisação colectiva em quatro composições de criação instantânea (os títulos só por si fazem apetecer a música: Sweating Vertebrae Superior Cathedrals; Good Morning, Headache; Knives, Swords, Flags; Laugh Your Troubles Away), oscilando perigosamente entre o murmúrio e o arrebatamento.
Ideias novas para uma música renovada. Da melhor que ouvi este ano, sem dúvida. Aplausos para Scott Rosenberg, Jim Baker, Anton Hatwich e Tim Daisy, pela inventividade e pela permanente capacidade de surpreender o ouvinte. Definitivamente, há que juntar o saxofone de Rosenberg aos melhores que Chicago tem dado ao mundo. Muito swing tem o jovem. Outra dimensão.
Rosenberg / Baker / Hatwich / Daisy - New Folk, New Blues (482 Music, 2005)



 
 
Casa da Música, Porto - Domingo, 15 Maio de 2005

Marc Ducret Trio

Marc Ducret: guitarra; Bruno Chevillon: contrabaixo; Eric Echampard: bateria.


Formado em 1997 e muito rodado por esse mundo fora, eis o power trio do guitarrista auto-didacta de quem se fala. A um grande concerto vai o Porto poder assistir. E confirmar as qualidades de músico excepcional que Ducret é, bem como a sua abertura a todas as músicas que vivem na vizinhança do jazz.
O-bri-ga-tó-ri-o!

Nasceu em Paris, em 1957, e começou a sua careira musical em 1975, tocando com grupos de dança, grupos de folclore, cantores e dedicando-se fortemente ao trabalho em estúdio. Interessado numa grande variedade de estilos e instrumentos (guitarra de 12 cordas, acústica e eléctrica, oud, fretless e guitarra baritona), Ducret foi membro da primeira Orquestra Nacional de Jazz em França, em 1986, e nessa mesma década participou numa série de projectos de outros músicos, como Larry Shneider, David Friedman, Michel Portal, Joachim Kuhn, Franco Ambrosetti, Enrico Rava e Django Bates, entre outros.
Dos últimos anos, destacam-se ainda as colaborações com Tim Berne, Daniel Humair, Bobby Previte, Stephan Oliva, François Corneloup e Dominique Pifarely.


 
 
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Excerto da entrevista com DJ Spooky à Wired News:

Wired News: There's an argument that sampling isn't really music; music is playing an instrument and composing. How do you respond to that?
Paul Miller a.k.a. DJ Spooky That Subliminal Kid: (Sampling) is an inheritor of folk culture where a lot of people would know the same songs, but each person would make their own version. That's what happened with blues, that's what happened with jazz, but those were much more refined patterns of folk culture.
Para ler na íntegra.


 
 
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Há 15 anos, o Iraque invadia o Kuwait, o muro de Berlim começava a ser destruído, mas toda a gente falava nos sapatos da Imelda Marcos e no There She Goes dos La’s.
Há 15 anos, o pessoal começou a surfar na world wide web, o Hubble foi deixado em órbita e a Ananana começou a explorar o espaço discográfico em Portugal.
Foi um grande ano e continua a sê-lo hoje, quinze anos depois.
PARABÉNS À AnAnAnA!!!


 
9.5.05
 

Pouco mais de um quarto de hora bem medido é quanto dura em tempo real Herramientas Para Abrir Un Libro, recente realização de Bacanal Intruder, músico espanhol que toca babypiano, melódica, harmónica, guitarra, contrabaixo, copos de cristal... e computador (glitch e beats de muito bom gosto). Nova edição da excelente netlabel lusa test tube, que não pára de nos surpreender pela positiva.
Música que se ouve de frente para trás e de trás para a frente, reversível como as memórias que acumulamos no tempo que nos cabe. Assim se condensa num pedaço de tempo o tanto que Bacanal Intruder armazena nas estruturas que compõem esta bela e estranha caixinha de música. Adequado contraponto electro à folk acústica que perece estar em franca expansão no mundo da música pop. Há um fio ténue de latinidade que atravessa os temas de Herramientas Para Abrir Un Libro e lhes dá um travo especial.
Sopram brizas cálidas de quadrante Sul em noites de Verão.
Bacanal Intruder - Herramientas Para Abrir Un Libro (test tube)


 
 
Image hosted by Photobucket.com Musica Elettronica Viva, ideia criadora de sons. Menos uma formação estável e de geometria única, que um movimento à volta da improvisação electrónica primordial. Do final dos anos 60 para o início da década seguinte, o MEV, sigla por que é talvez mais (?) conhecido, sofria três diferentes mutações, com epicentros diferenciados: Nova Iorque, Paris e Roma. Por coincidência, todas capitais da moda.
Em Nova Iorque, Richard Teitelbaum e Frederic Rzewski experimentavam intensamente com a electrónica; em Paris, Patricia e Ivan Coaquette lideravam os acontecimentos; e em Roma, Alvin Curran dava sequência a outras manifestações do mesmo crer sonoro. Por lá passaram Constance Abernathy, Michel Asso, Bert, Michael Blake, Barbara Bryant, Carius, Franco Cataldi, Ivan e Patricia Coaquette, Alvin Curran, Chaia Gerstein, Jeff Levine, Jean-Marie Poiret, Frédéric e Nicole Rzewski, Richard Teitelbaum.
A partir deLondres, Cornelius Cardew, Lou Gare, Christopher Hobbs, John Tilbury, Eddie Prevost e Keith Rowe: AMM. Data de 1968 a primeira edição discográfica conjunta destes dois grupos de pioneiros da música electrónica livremente improvisada: Live Electronic Music Improvised (Mainstream).
O resto é história, que se conta em inúmeros concertos e discos gravados e publicados em vários selos discográficos.
A Matchless Recordings edita agora mais uma reunião histórica do MEV e do AMM, numa produção de Eddie Prevóst. Com ele, Alvin Curran, Keith Rowe, Frederic Rzewski, Richard Teitelbaum e John Tilbury.
O primeiro dos dois discos inclui uma gravação conjunta dos seis músicos do Eletttronica Viva e do AMM, realizada em 30 de Abril de 2004.
O segundo CD retrata duas performances em separado dos dois grupos no festival londrino «Freedom of the City», no Primeiro de Maio de 2004.
After the generally low dynamic levels and relatively slow pace of the AMM trio set on 1 May, the MEV trio opened with the blast of Alvin Curran playing the sho far, a trumpet made from a ram's horn, a 'defiantly primitive', prototypical music, fit to leave the walls of the Conway Hall, like some new Jericho, pitched down fiat. If I spoke earlier of the way in which AMM might deal, in Reeve and Kerridge's phrase, with the internal, microscopically-enlarged body surface which becomes a landscape -- and the same is true of some of Teitelbaum and Curran's quieter use of radically pitch-shifted and extended samples -- particularly that ululating operatic-theatrical voice, coming to sound almost like something from AMM's label-mates FURl -- then this is the extrovert mode, which refuses any easy accommodations. Which division is inherent; as Bourdieu explains, the culture which unifies via the medium of communication is also the culture which separates via the culture of distinction, and which legitimates distinctions. It may be, as Adorno remarks, that a work of art is great insofar as it registers a failed attempt to reconcile such objective antinomies; failure then being in the highest sense the measure of success. - Harry Gilonis.

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7.5.05
 
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À décima-sexta edição, a NUSCOPE Recordings saiu-se com Unearth, do trio de Achim Kaufmann (piano), Frank Gratkowski (sopros) e Wilbert de Joode (contrabaixo), disco gravado ao vivo LOFT de Colónia, Alemanha, em 28 de Setembro de 2004.
Ainda não o ouvi, mas, pelo que me dizem Francisco Girão e Bruce Lee Gallanter, este trio, que evoca o de Jimmy Giuffre na instrumentação e no propósito de executar jazz de câmara, é extraordinário. Como quase tudo o que a NUSCOPE tem vindo a publicar desde 1998, data em que foi fundada por Russell Summers, para dar a conhecer realizações de John Butcher, Robert Dick, Trevor Dunn, Phil Durrant, Scott Fields, Cor Fuhler, Ben Goldberg, Georg Graewe, Frank Gratkowski, Barry Guy, Gerry Hemingway, Fred Van Hove, Michael Vatcher ... - a fina-flor da improv euro-americana.


 
6.5.05
 
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Festival Where's The Love

Quinta, Sexta e Sábado dias 12, 13 e 14 de Maio, às 23h00 de Lisboa

Mais do que um festival, o Where’s The Love Fest é um pretexto feito de um acoplar de conceitos, intenções, acções e coincidências. Sem querer ser um espelho particularmente heterogéneo das movimentações da zdbmüzique, como o foram as datas da celebração dos dez anos da ZDB, o Where’s The Love Fest foca-se em dois particulares espectros, em cuja infinita riqueza criativa a programação de concertos da zdbmüzique do último ano tem vindo a apostar em força.
Por um lado temos uma bipolaridade transcontinental clara, entre as movimentações do rock já desconstruído, fragmentado e realinhado, e da música textural «freeform» com um novo discurso, caso dos norte-americanos Gang Gang Dance, Jackie-O Motherfucker e Magik Markers, com correspondência de atitudes por parte dos portugueses Loosers, Gala Drop e CAVEIRA.
Por outro, escolheu-se também dar espaço a acções criativas exploratórias de meios digitais, com Phoebus e Nad Spiro, em noites diferentes, como exemplos conseguidos do que de novo de vai fazendo nesse campo.
O propósito de tudo isto, contudo, é o de realizar três noites preenchidas por alguma da música mais relevante que se vai fazendo em Portugal e no estrangeiro, como meio da Galeria Zé dos Bois e do seu público crescerem juntos em associativismo.
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Galeria Zé dos Bois, na Rua da Barroca, n.º 59 - Lisboa
+ info: Tel:. 21 343 02 05 - zdb@zedosbois.org
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O festival WHERE IS THE LOVE inclui dois nomes da netlabel portuguesa test tube: Frango e Phoebus, que actuarão nos dias 13 e 14 de Maio.
A não perder por nada deste mundo sonoro.




 
 
Image hosted by Photobucket.comL.I.P. vs Micro Audio Waves

Apesar da crescente relevância da improvisação nas mais diferentes áreas, e do número cada vez maior de músicos “improvisadores”, são ainda raras as ocasiões em que se cruzam as diversas linguagens e projectos. Neste concerto, que reúne duas das mais importantes formações da cena de vanguarda nacional, irão ser confrontadas as vibrações eléctricas pop destiladas por MAW e as linhas orgânicas de improvisação livre dos LIP. Groove eléctrico com solo bebop ou swing livre contaminado pela improvisação electrónica são duas das inúmeras formas que poderão surgir deste encontro.
Os Lisbon Improvisation Players são um colectivo de improvisação de formação variável, liderado por Rodrigo Amado, que pretende funcionar como um pólo de experimentação colectiva para os diversos músicos que desenvolvem projectos nesta área. Ao longo de cerca de 7 anos realizaram inúmeros concertos, tendo tocado em alguns dos principais festivais de jazz, nacionais e internacionais, nomeadamente “Jazz em Agosto”, “Jazz ao Centro” e “Atlantic Waves”. Têm dois discos gravados para a editora Clean Feed (“Live_LxMeskla” e “Motion”), e um terceiro, gravado em quarteto com Amado, Dennis Gonzalez, Pedro Gonçalves e Bruno Pedroso, que será editado no início de 2006. Rodrigo Amado tocou com musicos como Steve Swell, Ken Filiano, Steve Adams, Paul Dunmall, Joe Giardullo, Alex Cline, Bobby Bradford, Vinny Golia, Dominic Duval, Kent Kessler, Paal Nilssen-Love, Chris Jonas, Lou Grassi, Mark Whitecage, Carlos Zíngaro, Phill Niblock, Sei Miguel, Rafael Toral, Carlos Barretto, Ulrich Mitzlaff, entre outros.
Os Micro Audio Waves (originalmente um duo) surgiram na viragem do século começando por desenvolver composições de natureza minimal e experimental, cujo resultado foi apresentado no primeiro álbum ("Micro Audio Waves"), lançado em 2002. Com a entrada de Cláudia Ribeiro (voz), o projecto ganha novos contornos. A electrónica mais "purista" dá lugar a composições electro-acústicas estruturalmente mais clássicas, sem descurar a vertente experimentalista.Com passagem por vários festivais nacionais e internacionais (Londres, Madrid, etc.), os Micro Audio Waves são neste momento um projecto incontornável no panorama da música “avant-garde” nacional, tendo apresentado em Junho de 2004, o seu novo disco (“No Waves”) no Festival Sónar de Barcelona, com honras de transmissão na BBC Radio One. Desde então, o novo disco do projecto português foi uma presença regular no programa do famoso radialista britânico John Peel, que culminou com a eleição de “No Waves” como um dos melhores discos do mês de Julho da estação inglesa. “No Waves” foi lançado em Portugal no final de Setembro de 2004.
Hoje, 6 de Maio, na ZDB.




 
5.5.05
 
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Paul Flaherty em actuação no NO FUN FESTIVAL
Brooklyn, Março de 2004 . Foto: Stefano Giovannini


 
 
Dave Douglas' Nomad, o mesmo de The Sound of the Dolomites, que veio a Lisboa dar um concerto que ficou na memória das centenas que a ele assistiram, esteve em Utrecht, Holanda, no dia seguinte ao do Centro Cultural de Belém, a 13 de Março de 2005.
Dave Douglas, trompete; Michael Moore, clarinete, clarinete baixo, saxofone alto; Rubin Kodheli, violoncelo; Marcus Rojas, tuba; Tyshawn Sorey, bateria.
Transmite em webcast a VPRO Radio Vier.


 
 
BORAH BERGMAN (PIANO)
& DEE POP (PERCUSSION)
Saturday May 7
7pm - 9pm
5C CAFE
68 AVENUE C
(SE corner of 5th street & Ave C)
$5 admission
info: 212-477-5993
5ccafe@5ccc.com



 
4.5.05
 
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Em Brooklyn, do outro lado da Ponte, a partir de amanhã, 5 de Maio, e durante dois dias de grandes festividades em honra da música improvisada: Improvised and Otherwise: A Festival of Sound and Form.
O programa, convenientemente atrevido e audaz, encerra a 7 de Maio com Ken Filiano & Collected Stories - Ken Filiano, contrabaixo; Michael Attias, saxofones alto e barítono; Jackson Krall, bateria; Steve Swell, Trombone; Tomas Ulrich, violoncelo.
An annual event established to encourage and support the momentum of experimental composers and performers. In an effort to represent a diverse group of artists, Improvised and Otherwise strives to cross generational and geographic boundaries. The driving force behind this event is to foster a new opportunity for a broad range of media and performance aesthetics.


 
 
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Novinho, acabado de sair na canadiana Red Toucan (parabéns pelos 10 anos de intensa e profícua actividade!), o novo disco da contrabaixista Jöelle Léandre e da violinista India Cooke, Firedance.
Gravado no Guelph Youth Music Center, no âmbito do Guelph Jazz Festival, em 11 de Setembro de 2004. Dia e hora precisos.
Não sabia por onde andava India Cooke, desde que gravou o estreante Redhanded (India Cooke, Lisle Ellis, George Lewis, Larry Ochs, Donald Robinson) em meados dos anos 90, editado pela Music & Arts.
Folgo em sabê-la em actividade, e ainda por cima na companhia reincidente de Madame La Contrebasse, a francesa Léandre. Um mar de arcos, pizzicatos, vozes e percussão dos próprios instrumentos, antevejo. Mais: desconfio que é disco para me encantar. Está marcado para próxima encomenda.


 
3.5.05
 
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Duas bandeirinhas portuguesas na página da eDogm! - eLabel de musique jazz / électronique ...
Chegámos à Lua? Tudo é possível com esta banda sonora.
Conversámos, o Johann Bourquenez e eu. O pessoal da eDogm, além de editar música com uma concepção e um design sonoro interessantíssimos, é simpático a condizer.
Ça va bien, les gamins ;-)


 
 
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Marshall Allen, Avreeayl Ra, Henry Grimes, Fred Anderson
HotHouse, 12 de Março de 2005
Fotos: Seth Tisue


 
 
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Depois de editar The Fissback Voyage, do trio Tlön 5 (Johann Bourquenez, Eric Pailhé e Roger Cazenave), e Saturation Numerique, de Johann Bourquenez, a netlabel edogm, fundada por Bourquenez e Pailhé em Toulouse, França, prossegue o labor de dar a conhecer aos "espíritos curiosos" as realizações de novos artistas das áreas do free jazz e da electrónica. Nesse âmbito, acabam de sair duas compilações (Various Artists, Vols. 1 & 2) de músicos de inspiração free-electro-experimental, cujo trabalho merece ser conhecido, apoiado e divulgado. Já ouvi e não hesito em recomendar a audição destas duas mãos-cheias de surpresas sonoras.


 
 
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Entre 1986 e 1995, a pianista Irene Schweizer gravou um ciclo de duos com cinco bateristas/percussionistas da sua predilecção. Sequencialmente, e sem que a intenção inicial fosse empreender uma série de concertos ao vivo, encontrou-se em palco à vez com Louis Moholo, Günter Sommer, Andrew Cyrille, Pierre Favre e Han Bennink.
Irene Schweizer e Han Bennink, o ultimo disco da série, gravado a 5 e 6 de Janeiro de 1995, em Zurique. Superconcentrado de piano e percussão, ultra-precisão tanto em alta velocidade como nas monkianas mais oblíquas. Han Bennink arcaico e sofisticado, estabelece com Irene uma proximidade de opostos tal que o tempo adquire outra dimensão. Densidade, harmonia, virtuosismo. Memória. Tradição e inovação. O velho falso problema: improvisas ou compões, Irene? E tu, Han? Uma resposta possível: tocam piano a quatro mãos e percussão a outras tantas. Outro swing, outros estados de intensidade, outro nível de conversação.
Irene Schweizer - Han Bennink (Intakt, 1995)

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2.5.05
 
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The Jazz Gallery is a not-for-profit jazz cultural center providing performance and exhibition space for work in the arts - visual, literary and musical - that takes jazz as its central influence. Our goal is to present an expanded understanding of jazz as a cultural tradition which brings music together with other arts and thus extends far beyond its musical form. Founded in 1995, the Gallery is also chartered as a New York State museum.


 
 
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The SHAKING RAY LEVIS with Derek Bailey
LIVE at LAMAR'S
Derek Bailey, guitarra - Dennis Palmer, sintetizadores - Bob Stagner, percussão.
Lamar's Chattanooga 1999.

Directamente do produtor Bailey para o consumidor: A series of CD-Rs. Minimal artwork, no-fi recording quality, no reviews, no distributors. Strictly cottage industry.You send £10, 15 euro or $15 U.S. we burn your CD-R and send it to you. We pay postage.
Simples e Bailey-made.
A Sideline From The Store, subsidiária da Incus.


 
 

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The Jazz Show features a wide variety of jazz artists and styles past and present - with special emphasis on new releases, independent labels, local artists, and free and improvised jazz. Our definition of jazz spills over into creative contemporary composition, electronic music, world music, blues, rock, soul, and funk.

A ouvir.

 
 


Há 15 anos que Barry Guy (falado de passagem no post anterior, a latere de Broomriding, de Alexander von Schlipenbach) e a editora suiça Intakt («Editora do Ano», para o All About Jazz New York) desenvolvem uma relação de trabalho das mais profícuas e interessantes no panorama editorial do jazz e da música improvisada contemporânea. Pretexto para a edição de um catálogo exaustivo das edições do contrabaixista britânico na Maya Recordings e na Intakt. 36 páginas com informação discográfica e fotos de Francesca Pfeffer, Marcel Meier, Silvia Luckner e Dany Gignoux.
Ainda não fiz o meu pedido, mas pelo que quer-me parecer que o catálogo é grátis. A ler, a entrevista de 2003 a Patrik Landolt.
«Nature, Architecture, Art and Music constantly resupply me with energy and hope»… É o que nos vale, mano Guy.
In cooperation with the label MAYA RECORDINGS, we have put together a catalogue of CDs published on INTAKT RECORDS and MAYA RECORDINGS. The publication lists the CDs from Barry Guy that have appeared on both labels, cites CD critiques, and allows the bassist and composer to speak in an in-depth interview. With this we want to present the extensive work of Barry Guy, with whom we have been working together intensively for 15 years, in its full breadth and variety. We are pleased to send you this brochure.

Novidades editoriais Intakt para a Primavera de 2005:

- BARRY GUY NEW ORCHESTRA - OORT-ENTROPY
- OBJECTS TROUVES - FRAGILE
- PHIL MINTON / VERYAN WESTON - WAYS OUT WEST-WAYS OUT EAST
- FRED FRITH / CARLA KIHLSTEDT / STEVIE WISHART - THE COMPASS, LOG AND LEAD


 
 
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A editora britânica Psi, fundada e dirigida por Evan Parker, tem-se dedicado à reedição de LP's da Incus e ao lançamento de novas iniciativas discográficas do saxofonista e amigos, como é o caso do pianista alemão Alexander von Schlippenbach. Ambos os músicos são parceiros no Schlippenbach Trio e no Evan Parker Trio, formações que se diferenciam fundamentalmente pelo desempenho da percussão. No primeiro trio, o titular é Paul Lovens, com quem Alex há muito pratica na Globe Unity Orchestra e na Berlin Contemporary Jazz Orchestra; no segundo caso, Paul Lytton, o mesmo que com Barry Guy constitui o trio Parker/Guy/Lytton. Uma grande família, por certo.
Voltando aos trios de e com Schlippenbach, saber quem preenche um dos terços do trio pode parecer diferença não assinalável; mas é-o efectivamente e em vários aspectos. Desde logo, em matéria de direcção musical (Parker ou Schlippenbach) e, noutro ângulo de análise, de cor e textura da percussão (Lytton ou Lovens). Isto, tendo em conta que, em ambos os colectivos, no plano da visibilidade, todos os músicos estão ao mesmo nível, o que faz com que seja totalmente despropositado falar em acompanhamento ou em conceitos como secção rítmica, por se tratar de música que, embora fazendo sobressair a marca individual, e nela residir grande parte do interesse musical, investe sobretudo em procedimentos de criação colectiva por via da improvisação livre.
Foi esta a estratégia que orientou o quarteto (Schlippenbach, piano; Rudi Mahall, clarinete baixo; Tristan Honsinger, violoncelo; e Paul Lovens bateria), que, sob a direcção musical do pianista, gravou Broomriding para a Psi. O alinhamento temático comporta 11 peças, sete delas creditadas a Schlippenbach (Broomriding 1-7), embora queira parecer que a música evolui sempre a partir de um mínimo de estruturação; duas composições do violoncelista americano radicado na Holanda, Tristan Honsinger, e dois temas originais de Eric Dolphy (Straight Up and Down e Something Sweet, Something Tender). Aliás, Dolphy e Monk são dois dos vários fantasmas que habitam esta casa.
Para além do carinho especial que Schlippenbach desenvolveu pela música de Thelonious Monk, como bem assinalou Dan Warburton, em Broomriding são evidentes os vestígios da história do piano do Século XX, tanto da tradição do jazz, como da clássica.
Gravado em 2002, para a DeutschlandRadio, Berlim, e editado no ano seguinte, Broomriding constitui o resultado da experiência consolidada de quatro grandes mestres improvisadores, que assinam um disco esplendoroso e de extrema delicadeza.
Alexander von SchlippenBach - Broomriding (Psi, 2003)


 
1.5.05
 
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Anthony Braxton
Creative Orchestra Music 1976
LP Arista 4080, transcrito para CD-R. À mão.



 
 
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Há quem assegure que Tortoise e My Bloody Valentine copularam e geraram novo ente sonoro, um híbrido cujos sinais particulares passam por ser post-prog-shoegazer-rock. Também há quem lhe chame outros nomes feios e alcunhas várias, como fusion-jazz-ambient-rock. Desconfio sempre das intenções de meter tudo no mesmo saco, a ver se pega. Se não por isto, há-de ser por aquilo. Pelo sim, pelo não, descomprometido e despido de preconceitos, fui-me ao mais recente do decateto norueguês, o sétimo em 10 anos de actividade. Ouvi e gostei. Nada de fazer perder a cabeça ou morrer de amores, porém. Apenas electro-jazz fresco, variado e muito bem tocado, o que já não é pouco. Ao vivo deve ser ainda mais impressionante.
Jaga Jazzist is one of the most interesting and innovative bands from the last decade and a true musical phenomena in Norway since their beginnings 9 years ago with their unique fusion of jazz, electronica, and sound experimentalism. See the photo report of their show in Madrid last April the 21st presenting their new album, What We Must (Ninja Tune).

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jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

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