Jazz ao Centro :: Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, 2005
2 Junho
- João Paulo piano solo
- Lou Grassi's Avanti Galoppi
Rob Brown, Herb Robertson, Ken Filiano, Lou Grassi
3 Junho
- Michel Portal/Louis Sclavis/Sebastien Boisseau/Daniel Humair
4 Junho
- Rudresh Mahanthappa Quartet
Rudresh Mahanthappa, Vijay Iyer, François Moutin, Elliot Humberto Kavee
- JACC Workshop Orchestra Direcção - Adam LaneTeatro Académico Gil Vicente
Arthur Blythe (saxofone alto) e Bob Stewart (tuba), em concerto gravado para a holandesa VPRO Radio Vier, em 21 de Janeiro de 2005, Lantaren/Venster, Roterdão.

Dixieland, Blues, Bop, Soul, Funk, R&B, Free Jazz - o catálogo completo das cores e formas da música negra norte-americana, misturadas e filtradas pela genialidade de Rahsaan Roland Kirk (1936-1977). Tradição e modernidade convivem alegremente na música mágica do homem do apito. I, Eye, Aye foi gravado em 24 de Junho de 1972 no Montreux Jazz Festival, perante uma audiência totalmente rendida ao encanto de um músico (e de uma música) absolutamente excepcional. Só pela versão de Volunteered Slavery (10 minutinhos de êxtase total) já valeria a pena ouvir esta pérola, que apenas passou a ser conhecida do público em geral a partir de 1996, com a edição em CD e VHS.
Faz impressão pensar que Roland Kirk é quase um acidente no jazz, um excêntrico colorido, e não a figura maior que deveria ser. Que é!
Roland Kirk, flautas, saxofones, manzello, stricht (por vezes três em simultâneo), clarinete, sirene e outros instrumentos; Ron Burton, piano; Henry "Pete" Pearson, contrabaixo; Robert Shy, bateria; e Joe "Habao" Texidor, percussão. Bom fim-de-semana, com Rahsaan Roland Kirk no leitor de CDs.
Rahsaan Roland Kirk - I, Eye, Aye (Rhino/Atlantic, 1972)
ULRICHSBERGER KALEIDOPHON 20055 de Maio
Wachsmann, Bunce & Lytton
Gerry Hemingway Quartet
RoToR
6 de Maio
Plasmic
Mal d´archive
Marco Eneidi / Andrew Cyrille
Fieldwork
7 de Maio
Iannus
Alex von Schlippenbach solo
Radian
Henry Grimes Trio feat. Marilyn Crispell & Andrew Cyrille

Maio próximo assistirá em Berlim à passagem do trio de John Butcher, Xavier Charles e Axel Dörner, e de uma série de outros improvisadores, no festival Echtzeit Musik, que mostra alguns aspectos da cena improvisada e experimental mais obscura daquela cidade.

Ouvi ontem uma única vez o novo disco de William Parker, Luc's Lantern (William Parker, contrabaixo; Eri Yamamoto, piano; Michael Thompson, bateria). No programa, um conjunto de 10 composições, todas de W. Parker. Só com uma demão, posso dizer que gostei bastante do trio e das composições do mestre. A este nível, em particular, fez-me lembrar o O'Neil's Porch em ambiente de piano trio. Tenho que aprofundar, que o disco tem muito que se lhe diga.
«JAZZ
NAS ALTURAS»
Festival Internacional de Jazz da Guarda
ANTHONY BRAXTON TRIO
BERNARDO SASSETTI TRIO
NILS PETTER MOLVAER
HEART OF TRIO
CARLO MORENA
NOVA BLUE DUETTeatro Municipal da Guarda (Portugal), 5 a 26 de Maio.

Lou Grassi's Avanti Galoppi em actuação, algures na Europa: Rob Brown, Herb Robertson, Ken Filliano e Lou Grassi.
Não me canso de ouvir o disco que o quarteto inspiradamente gravou para a CIMP em Junho de 2004. Lou Grassi knows how to pick 'em and mix 'em. Here he renews his associations with three of the most powerful music personalities on the scene, but united for the first time in the recorded spotlight. Seven cuts especially composed and prepared for the occasion. Everyone has a feature and there's plenty of style and form to study and enjoy.
A boa notícia é que o Avanti Galoppi vem a Portugal não tarda muito.

A memória e o processo criativo de Albert Ayler continuam a estimular gerações de improvisadores. Uma das mais recentes manifestações desta ideia é o quarteto Spiritual Unity, de recente formação e que nasceu com o fito exclusivamente de se dedicar à recriação do imaginário ayleriano.
Por iniciativa do guitarrista esfusiante da Dowtown novaiorquina, Marc Ribot, que também alinha, Roy Campbell, Henry Grimes (a lenda viva do contrabaixo do free jazz, ele próprio companheiro de avanturas do homenageado) e Chad Taylor (baterista do Chicago Underground) respondem ao desafio de reinterpretar o legado de Albert Ayler. Aí está o disco, em lançamento da PI Recordings. Um tema de Ribot (Invocation) e quatro de Ayler (Spirits, Truth is Marching In, Saints e Bells), compõem um disco entre o estúdio e o palco, em que se combinam influências de jazz e rock para criar um som moderno e assim discutir o lado transcendental da música de Albert Ayler.

A sessão foi gravada a 16 de Maio de 2003, por Myles Boisen, no estúdio Guerilla, em Oakland, EUA. Six Fuchs contém seis temas dirigidos pelo saxofonista e clarinetista berlinense Wolfgang Fuchs, que à vez improvisa com John Shiurba, Matthew Sperry, Tim Perkis, Tom Djll e Gino Robair. O contrabaixista Matthew Sperry teve nesta a sua última gravação de estúdio. Faleceu pouco depois, vítima de atropelamento.Wolfgang Fuchs é fundador (1983) e líder da King Übü Örchestrü. É infindável a sua lista de colaborações, entre as quais as que manteve e mantém com Fred Van Hove, Paul Lytton, Hans Schneider, Cecil Taylor, Tony Oxley, Barry Guy, Hans Koch, Peter van Bergen, Phil Minton, Phil Wachsmann, Alexander von Schlippenbach, Sven-Åke Johansson, Günter Christmann, John Russell, Fernando Grillo, Maria Husmann, Evan Parker... .
Wolfgang Fuchs & Friends - Six Fuchs (Rastascan, 2005)
Um triângulo. 3 músicos, 3 improvisadores. Jaap Blonk (voice), Mats Gustafsson (soprano, tenor and baritone saxophones, flute, fluteophone, french flageolet) e Michael Zerang (percussion). Complete, unedited session recorded March, 4 1996 by M.G. at ‘andra böcker och skivor’, Stockholm.Estas são as coordenadas para os 55 minutos e algo mais de improvisação total. Longe de ser obrigatório (não será o disco que arrebatará paixões ou que euforicamente servirá de pano de fundo a uma festa), é bem meritório pelo arrojo e pela espontaneidade que os músicos denotam e partilham num extrovertismo emocional-musical. Há um plano lexical e imagético, palpável nas projecções sonoras arrebatadas no momento em que são proferidas as interjeições sonoras a três. Blonk é ele próprio o instrumento, o veículo expressionista é a sua voz, a garganta ou as cordas vocais. Os timbres, a modulação e a dinâmica são as ferramentas para os sussurros, sílabas, máscaras, esgares, interrogações, gritos, estertores primitivos despidos de sofisticação, que interagem com a palete de texturas fabricadas em múltiplos tiques esquizóides nos sopros-simulacro de Gustafsson. Zerang completa o triângulo. Encerra mil e um traços de percussão, ora voluptuosos, ora miméticos, ora ásperos, ora cirúrgicos. 11 aventuras de imprevisibilidade porque improvisadas, arriscadas porque sem tapete, cúmplices porque com sentido.
«Improvisors» - Blonk, Gustafsson & Zerang - Kontrans 143, 1996.

Globe Unity Orchestra em 1975. No sentido dos ponteiros do relógio: Peter Brötzmann; Rüdiger Carl; Michel Pilz; Anthony Braxton; Evan Parker; Gerd Dudek; Kenny Wheeler; Enrico Rava; Günter Christmann; Albert Mangelsdorff; Paul Rutherford; Peter Kowald; Paul Lovens; Buschi Niebergall; Alexander von Schlippenbach.
Michel PortalHoje, terça-feira, no Mezzo é um fartote:
- 23h00
JAZZ CLUBBIN'
Michel Portal Quartet au Festival de Jazz du Mans 2004 - Concert (2004, 52');
- 00h00
Herbie Hancock, Wayne Shorter, Dave Holland et Brian Blade au festival Jazz à Vienne 2004 - Concert (2004, 52');
- 00h55
Blues Sessions : Arthur Adams - Concert (1h05').
Grande disco de John Surman! Potente e intenso de alto a baixo. A arrumação das pilhas tem destas surpresas: às vezes encontra-se o disco que andava à nossa procura.John Surman - How Many Clouds Can You See? (Deram, 1970)
Esta é mesmo para o braxtoniano mais retinto, daquele tipo que já investigou e aprofundou devidamente as concepções teórico-práticas que Anthony Braxton tem vindo a desenvolver desde há dez anos a esta parte, por ele designadas Ghost Trance Music (GTM).Quero com isto dizer que, mesmo para o conhecedor médio, esta Composition no. 247, para três instrumentos de sopro, gaita de foles (Matthew Welch) e saxofones alto e soprano (Anthony Braxton e James Fei), que se alonga sem intervalo por um minuto além da hora, é petisco de difícil degustação.
A inclusão da gaita de foles é, por si, um motivo de contentamento, porque raramente é utilizada na new music e na música improvisada. Paul Dunmall é dos poucos que, com relativa notoriedade e resultados consequentes, bem aperta os foles. O drone de gaita que ocupa os primeiros vinte e picos minutos, fazendo uso de todas as nove notas do instrumento, é de efeito hipnotizante (Braxton sabia que haveria de arranjar maneira de ultrapassar eventual resistência psicológica e fazer da frase longa uma forma de cativar o ouvinte...).
Apenas uma única vez antes desta (Composition no. 222, B. House), Braxton escreveu para uma instrumentação específica. Na verdade, tinha lido cobras e lagartos da Composition no. 247, que era intragável, uma enormidade insuportável, sei lá que mais. Nestas coisas, como em quase tudo, não há que dar muitos ouvidos a quem se assusta com pouco e se empanturra à primeira garfada de Braxton. Nada há aqui de muito extraordinário, no que à pretensa dificuldade da obra diz respeito. Trata-se, como define o interveniente saxofonista James Fei, de uma melodia articulada, sem fim à vista, que obriga os músicos a um empenhamento físico extraordinário, visto que exige respiração circular durante toda a execução da obra, rica em referências às tradições musicais de outras culturas, como a ameríndia e a asiática, melodia essa que vai ganhando e perdendo tralha pelo caminho, assim tomando sempre novos ciclos de cores, formas e texturas. É, afinal, Anthony Braxton a dar largas às suas concepções musicais da Ghost Trance Music, ciclo com as características requebras e súbitas mudanças rítmicas da partitura, o que consegue através de uma curiosa combinação instrumental, diferente daquela a que mais regularmente recorre. Difícil é apreender quais as partes escritas e quais as espontaneamente criadas, jogo que se torna interessante de jogar e cujo resultado é imprevisível, apesar de repetidas e atentas audições. Um exercício completo para a massa cinzenta. Este não é, seguramente, o Braxton mais acessível. Mas daí à enorme dificuldade ... . De qualquer modo, quem não tem treino na decifração do intrincado novelo talvez seja mais avisado procurar outras portas de entrada, que as há muitas e variadas.
Anthony Braxton - Composition no. 247 (Leo Records, 2001)

Amanhã, 27 de Abril, e até 2 de maio, começa mais uma edição do Cheltenham Jazz Festival. A edição deste ano comporta concertos, filmes, workshops e actividades relacionadas. No capítulo das imagens, a abrir a série que o festival inaugura, serão exibidos dois filmes, um de Dick Fontaine, de 1966, sobre o trio de Ornette Coleman, com David Izenzon e Charles Moffett, filmado em Paris. O segundo documentário, realizado em 1985 por Peter Bull, retrata Steve Lacy em entrevista, depoimentos vários e excertos de um concerto de 1983 do Steve Lacy Sextet. Noutra sessão, passará o filme On the Road, do trio de Ellery Eskelin, com Andrea Parkins e Jim Black. Em matéria de concertos, entre outros, poder-se-á assistir às apresentações de Georgie Fame and The Blue Flames, Markus Stockhausen, Dave Liebman & Ellery Eskelin, Ken Vandermark com três das "suas" formações: Atomic, Free Music Ensemble e Free Fall; Bobby Previte, Miles Davis' Bitches Brew Project, Byron Wallen's Trumpet Kings; Harriet Tubman Live and 'Ascension', Joshua Redman, Herbie Hancock, e Enrico Rava.

Nova saída na Test Tube: sal. Öhne Titel Mit Titel. Que é como quem diz, com e sem título. O corpo sonoro ora suspenso, ora em movimento estratificado, articulado pelas modulações, camadas sobrepostas numa torrente de chuva electrónica que desafia as capacidades do ouvinte e se torna difícil de aplacar. Um trabalho bem estruturado e surpreendente sobre modulações de electricidade estática - o também chamado white noise - que resulta em pleno. Branco é, sal. o põe. Brutal, insano e extremo, mas consequente. Fura fundo até ao limiar da inconsciência. 
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Uma lista faz sempre falta em casa. De qualquer coisa. Até de bandas de post-rock. Entre várias definições possíveis, uma das mais simples e elucidativas diz que o post-rock é o subgénero que combina guitarras do rock com as maravilhas da tecnologia digital e com outros estímulos sonoros que chegam de fora, e assim investiga novas texturas e diferentes dinâmicas.
Post-rock means using rock instrumentation for non-rock purposes, using guitars as facilitators of timbres and textures rather than riffs and powerchords. Increasingly, post-rock groups are augmenting the traditional guitar/bass/drums line up with computer technology: the sampler, the sequencer and MIDI (Musical Instrument Digital Interface). While some post-rock units (Pram, Stereolab) prefer lo-fi or outmoded technology, others are evolving into cyber rock, becoming virtual. Post-rock draws its inspiration and impetus from a complex combination of sources. Some of these come from post-rock's own tradition - a series of moments in history when eggheads and bohemians have hijacked elements of rock for non-rock purposes (think of the guitar based late 60s music of The Velvet Underground and Pink Floyd, and a subsequent lineage that includes New York's No Wave groups, Joy Division, The Cocteau Twins, The Jesus And Mary Chain, My Bloody Valentine and AR Kane; or the so-called 'Krautrock' of Can, Faust, Neu, Cluster and Ash Ra Tempel; as well as the late 70s/early 80s post-punk vanguard of PiL, 23 Skidoo, Cabaret Voltaire and The Pop Group). Other impulses arrive from outside of rock: Eno, obviously, but also the mid-60s drone-minimalism of Terry Riley and LaMonte Young, as well as musique concrete and electroacoustic music, dub reggae and modern sampladelic genres like HipHop and Techno. Most of the British post-rock groups also explicitly define themselves against Grunge, which was Carducci's dream come true: the fusion of punk and Metal into an all-American nouveau hard rock. - Simon Reynolds
A Utech Records anuncia novas edições extremamente limitadas em cd-r (50/75 exemplares por título) para Abril:- Paal Nilssen-Love/Lasse Marhaug, Personal Hygiene [UR-005]. Percussão e electrónica variada;- Paal Nilssen-Love/Nils Hernrik Asheim, Pipes and Bones [UR-006]. Bateria e órgão de igreja;- Matt Lavelle, Making Eye Contact With God [UR-007] Com Matt Heyner and Ryan Sawyer. Trompete, contrabaixo e bateria; - Steve Hubback, Trees, Rocks and Ravens [UR-008]
- Frode Gjerstad, One Foot Moving- Reinterpretations [UR-009]
Na calha, com edição prevista para Maio, estão estes títulos:
- Fire and Flux, Leavens for Rebellion [UR-010]
- Sepia Trio, Brendan Dougherty, Seth Meicht & Akira Ando [UR-011]
- The Rempis Percussion Quartet, Circular Logic [UR-012]
- Leslie Keffer, Represents [UR-013]

A micro-editora norte-americana Sachimay Records, do pianista e compositor Dan DeChellis, com sede em Easton, Pensilvânia, tem em curso um programa inovador denominado SACHIMAY'S INTERVENTIONS SERIES. O programa promove a criação, desenvolvimento e disseminação de obras de música improvisada – free jazz, free improv, electrónica, spoken word, new music, out-rock e todos os híbridos possíveis, numa base de auto-produção dos discos pelos próprios artistas. Processo que a editora define como «o casamento da auto-produção com as vantagens do marketing de uma pequena editora». São os próprios artistas que gravam os CDs, reproduzem e promovem o material através da página da Sachimay. Os discos assim produzidos, embalados em capas sequencialmente numeradas, têm um preço unitário de $3. As primeiras oito «Intenventions» são de Matt Hannafin e Brian Moran, Dan DeChellis, Matt Hannafin, Matt Hannafin, Brian Moran e Nate Wooley, Richard Gross, Ed Chang e Han Degc.
Theodore "Ted" Curson em sessão de estúdio de 1971. Pop Wine, gravado em Paris com o trio do pianista Georges Arvanitas (Jacky Samson, contrabaixo e Charles Saudrais, bateria).Ted não tocou durante muito tempo com Mingus (Charles Mingus Presents Charles Mingus, Candid), mas o tirocínio valeu-lhe de muito e é notória a marca do mestre tanto no fraseado como na composição do trompetista, no fio da navalha entre o bop e o modernismo. Não há pormenor que esteja a mais ou fora do lugar neste disco. De vez em quando volto cá.
Esta tarde foi-me sugerida a revisita por outro grande disco que ouvi repetidamente: Georges Arvanitas Trio in Concert (Futura, 1969), a secção rítmica que toca com Ted Curson em Pop Wine. Dois tiros, dois melros.
Ted Curson – Pop Wine (Futura)
O Sonorities é um festival de new music, que se organiza em Belfast, Irlanda do Norte, desde 2004, e se dedica à exploração de uma ampla diversidade de práticas e manifestações da arte musical, com especial incidência nas micro-culturas sonoras.Nessa medida, a edição deste ano do Sonorities - Festival of Contemporary Music tem como figuras centrais Luc Ferrari e Frank Zappa, dois dos mais estimulantes e controversos nomes da música dos últimos 100 anos, que afrontaram as normas culturais vigentes, cruzando géneros para tantos inconciliáveis, como o rock, o jazz a electrónica e a clássica, enquadrando-os em novas perspectivas e redefinindo o papel da música na sociedade actual.
Entre 26 de Abril e 4 de Maio, passarão por Belfast uma série de artistas do audiovisual contemporâneo, como Luc Ferrari, Thierry Talla, Sebastian Castagna, João Pedro Oliveira, Ed Bennett, Christophe Havel, Georges Aperghis, Hans Joachim Hespos, Eric Lyon, Ludger Brümmer, Paulo Chagas, Philippe Leroux e Michael Clarke. No programa está ainda previsto um concerto pela Ulster Orchestra, que interpretará música de Frank Zappa. «You Call That Music?!»
Sonorities // 2005 - 26/4 - 4/5 - Belfast, Irlanda do Norte
Por muito folgada que fosse a expectativa, não supunha que a edição de Alchemia - a caixa com 12 discos contendo a totalidade das gravações do Vandermark 5 ao vivo no clube Alchemia, em Cracóvia, Polónia - tivesse tão soberba apresentação.O continente é um paralelipídedo de 30x2x30 cm; o conteúdo, três placas contendo 4 CDs cada, vem acompanhado de um brochura de 40 páginas, profusamente ilustrada, com notas de Ken Vandermark e uma longa entrevista conduzida por Janusz Jablonski e Tomasz Gregorczyk.
A embalagem exterior, de cartão prensado impresso a verde-garrafa e com alta qualidade gráfica, é das mais bonitas que já vi. Além do conteúdo, que só agora comecei a desbravar mas que, à vista do embrulho, antevejo primorosamente tratado, vale também pela forma. Um belo objecto de colecção. E a um preço muito simpático, considerando o tanto que a Not Two Records, de Marek Winiarski, dá em troca. The Vandermark 5: Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler e Tim Daisy. Vezes 12.
© Peter GannushkinDepois de criarem as suas próprias editoras discográficas (labels e netlabels) e de promoverem concertos e outras iniciativas, a palavra de ordem para os artistas independentes é cada vez mais a auto-promoção através de novos meios. Da sua música, pensamento musical, projectos, agenda, fotografias, partituras, discografia, etc.
Foi a favor do desenvolvimento deste conceito que surgiu ArtistShare, uma forma alternativa de colocação do trabalho dos artistas ao dispor das pessoas que já o conhecem, mas têm dificuldade em a ele aceder, e de, ao mesmo tempo, conquistar novos ouvintes. O ArtistShare focaliza-se nas diversas fases do processo criativo, permitindo mostrar como o artista concebe, desenvolve e executa uma determinada obra musical e partilhar todo o processo com uma vasta audiência online.
Sem dúvida que o paradigma está a mudar. Os artistas criam, mostram como o fazem, controlam as fases do processo criativo, anunciam e divulgam o seu trabalho sem a intermediação de entidades estranhas à relação directa que podem estabelecer com o público, com vantagens óbvias para ambos. A tecnologia digital ao serviço da criação e da fruição musical.
O que se passa é que a tecnologia que as companhias discográficas responsabilizam pelas quebras dos ganhos da indústria (computadores pessoais, gravadores de CDs e de DVDs, a internet, as compras online, a partilha de ficheiros...), tornaram-se aliadas dos artistas, ao encurtar substancialmente a distância que os leva até ao consumidor final, o qual, em grande medida, vê reformulado o seu papel. De objecto, passou a sujeito passivo e daqui a sujeito activo, podendo interagir com o artista e colaborar com ele no processo de criação.
Maria Schneider aderiu recentemente à iniciativa. Foi através do ArtistShare que a compositora conseguiu financiar o trabalho da sua orquestra, produzir e comercializar o álbum Concert in The Garden, recente vencedor de um Grammy (Best Large Jazz Ensemble Album), no qual o público participou activamente através de donativos (os chamados micro-pagamentos online, através dos quais centenas ou milhares de pequenos donativos chegam a perfazer valores suficientes para produzir um disco, por exemplo), e de outras formas de apoio directo e indirecto à artista. Ganhámos, disse ela.
Jim Hall, Jane Ira Bloom, Danilo Perez e outros, já lançaram os seus projectos pela mesma via. O saxofonista soprano e musicólogo Chris Kelsey (na foto) fará o mesmo a partir do próximo 1 de Maio.

Prepare yourself to be attacked by a fierce mix of free-improv electric guitar, heavy-hitting rock, delicately impressionistic abstractions, fast postbop, snatches of flamenco and classical music, wild, chair-through-a-window eruptions.
Foi assim que se apresentou o Marc Ducret Trio ao vivo em Utrecht, Holanda, em concerto no dia 18 de Março último. Pode ser ouvido na íntegra na VPRO Radio Vier. Quatro lindas melodias assobiadas em directo por Marc Ducret, guitarra; Bruno Chevillon, contrabaixo; e Eric Echampard, bateria. Power trio em toda a linha. Só um surdo ficaria insensível. Mesmo assim...

Joe Lovano e Hank Jones Quartet na Casa da Música
A oportunidade é rara e, muito provavelmente, irrepetível: numa única sessão, a Casa da Música junta o pianista veterano Hank Jones e um dos mais conceituados saxofonistas da actualidade, Joe Lovano. Os gigantes encontram-se dia 21 de Abril, no Porto.
Hank Jones nasceu em 1918, no seio de uma família talhada para o jazz - os seus irmãos Thad e Elvin Jones são também nomes maiores do jazz - e, entre outras marcas distintas do seu percurso, acompanhou Ella Fitzgerald e Charlie Parker nos anos quentes do bop nova-iorquino.
Joe Lovano é de outra geração (nasceu em 1952) e fez com brilho a ponte entre as velhas correntes do sax e a modernidade. Recebeu distinções tão prestigiadas como um Grammy ou prémios da "Jazz Times", do "New York Times" e da "Down Beat".
Um excelente concerto em perspectiva, até porque a secção baixo/bateria deverá ser integrada pelo também conceituado George Mraz e por Dennis Mackrel. - PUBLICO.PT
Casa da Música - Pç. Mouzinho de Albuquerque, Porto
21-04-2005, quinta, às 22h00 - €20.

O e-mail do Jose Millares, amigo galego autor de JamSession, até estalou à entrada: Morreu Niels Henning Ørsted Pedersen, o contrabaixista dinamarquês, um dos melhores de sempre. Levou-o um enfarte. Depois de Wilber Morris e de Peter Kowald (duas enormes figuras do contrabaixo que partiram ainda há pouco), foi-se-nos o NHØP aos 58 anos. Para mim, foram 30 anos de percurso "juntos". Morreu ontem, segundo a notícia da All About Jazz. Chorai, contrabaixos.
RIP.
freedom of the city 2005 >
a festival of radical & improvised music // london, red rose
1 de Maio, 16h00
JEFF CLOKE (resonances), TONY MOORE (cello) SYLVIA HALLETT (violin, sarangi, voice), CAROLINE KRAABEL (alto sax, voice), VERYAN WESTON (piano) ALAN WILKINSON (alto & baritone saxes), PHIL DURRANT (laptop), MARK SANDERS (percussion) STEVE BERESFORD (piano), JOE WILLIAMSON (double bass), ROGER TURNER (percussion) EVAN PARKER (soprano sax), NEIL METCALFE (flute), JOHN RANGECROFT (clarinet), AGUSTÍ FERNÁNDEZ (piano), JOHN RUSSELL (guitar), PHILIPP WACHSMANN (violin), MARCIO MATTOS (cello), JOHN EDWARDS (double bass).
1 de Maio, 20h00
LOL COXHILL (soprano sax), NEIL METCALFE (flute) PHILIPP WACHSMANN (violin, electronics), KJELL BJØRGEENGEN (video) PAUL RUTHERFORD (trombone), JOHN EDWARDS (double bass), MARK SANDERS (percussion) LONDON IMPROVISERS ORCHESTRA.
The Red Rose - 129 Seven Sisters Road, North London (Finsbury Park).
Preço dos bilhetes: £7, um concerto; £12 dois concertos.

A notícia vem na página da BLABBERMOUTH.NET: o baterista Terry Bozzio, conhecido por ter integrado uma das mais carismáticas formações de Frank Zappa, a partir de meados dos anos 70 (Zoot Allures), irá subsitituir Dave Lombardo na digressão europeia que o Fantômas (Mike Patton, Trevor Dunn, Buzz Osborne) fará este verão, a começar em Junho. O motivo, segundo a Blabbermouth, é a incompatibilidade de agenda com a digressão dos Slayer, onde Lombardo exerce o mesmo ofício. Fantômas vai passar pelos palcos europeus a tocar o mais recente Suspended Animation.
«Às armas!». Aqui as armas são saxofone, clarinete, guitarra, baixo e bateria. Quem invade o espectro sonoro num assalto furioso são os vikings noruegueses, Ultralyd. Que energia, a destes guerreiros! Ultralyd. Em sete assaltos e 34 minutos, viram a mesa e assumem o controlo da situação. Liderados por Frode Gjerstad, sax alto, denodadamente pelejam Anders Hana, guitarra; Kjetil Brandsdal, baixo; e Morten J. Olsen, bateria, cinco tempestuosas figuras da música improvisada mais aparentada com o rock alternativo e experimental.Salvo um ou outro breve interlúdio, é sempre a abrir, sem overdose! Denso, animal e potente como poucos se atrevem a fazer. Jazz hard-core muito bom. Chromosome Gun, acabado de chegar da Load Records.
O concerto abriu bem, nos primeiros 15 minutos ouviu-se grande música improvisada.Depois... bom, quase todo o resto do concerto me sugeriu a imagem estereotipada de um longo e – lamento dizê-lo - aborrecido debate televisivo a três, em que os intervenientes estão invariavelmente mais preocupados em fazer passar os seus argumentos, em emitir sound bytes, em "vender o seu peixe" alto e bom som, tentando convencer as pessoas pelo lado mais histriónico, que em ouvir o que os outros parceiros têm para dizer e em comunicar com o público.
Os portugueses Rui Horta Santos (aka Abdul Moimême), guitarrista e saxofonista, aqui exclusivamente em saxofone tenor, e Eduardo Raon, em harpa e electrónica; com Lisle Ellis, o veterano contrabaixista canadiano, há anos a viver na Costa Oeste dos EUA, raramente foram um trio, uma unidade na diversidade que procurasse (e tivesse encontrado) uma linguagem comum.
Quase sempre estiveram em palco três músicos que, apesar de se terem esforçado, de muito terem porfiado pela procura de uma base comum de entendimento, acabaram por passar o tempo a discursar simultaneamente, três linhas paralelas de muito ocasional encontro e convergência.
Por outro lado, a opção deliberada pela peça única de longa duração, com cerca de uma hora, também não foi feliz, porque tornou a música algo cansativa e sem direcção. Uma sucessão de temas mais curtos teria eventualmente facilitado a concentração tanto dos músicos como do público, e potenciado maior variabilidade sonora.
A impressão com que fiquei foi a de ter experimentado um longo drone de contrabaixo percutido, com excesso de volume (uma constante) e abuso de pedais de efeitos, exagero de que igualmente padeceram o saxofone tenor e a harpa, de onde brotavam os mais agudamente agressivos, ásperos e distorcidos sons electroacústicos, que em nada ajudaram ao esforço comum que, desejavelmente, deveria ter beneficiado a criação colectiva.
Em síntese, menos teria certamente resultado em mais. Sintomaticamente, a melhor parte do concerto foi a do sino de água, o tal «brinquedo do jovem imperador do antigo império chinês», momento de grande beleza estética em que à volta de Rui Horta Santos, Lisle Ellis e Eduardo Raon se concentraram em ouvir o som do sino e, a partir dele, elaborarem em consonância, sem atropelos nem desvario.
Foi pena tanto tempo para tão pouco, tanta parra para tão pouca uva, porque, Moimême, Ellis e Raum são três músicos de grande valia individual, que em contextos diferentes demonstraram à saciedade saber fazer de sobra o que ontem minguou em toda a linha. Acontece aos melhores, como uma vez mais se provou.
LISLE ELLIS - contrabaixo electrificado / EDUARDO RAON - harpa e electrónica / RUI HORTA SANTOS - saxofone e sino de água. Trem Azul - 18 Abril, às 19h30.

O Temporary Soundmuseum abriu as portas em Viena com uma exposição de objectos relacionados com o vinyl, como discos, postais musicais, flexidiscs e capas, entre as quais a de Last Date, de Eric Dolphy (Polygram Limelight EXPR-1017, Japan, 1965), que agora é capa da semana.
Visitando as galerias do web museu, podemos encontrar capas muito curiosas, como aquela outra de um singing postcard cujo tema é ... o papa Pio XII. Quereis objecto que melhor sublinhe l'air du temps?!
Para entoar enquanto não há fumo branco.

A partir do Primeiro de Maio, mais uma fornada de Emanem & Psi
PSI
DEREK BAILEY & EVAN PARKER ‘The London Concert’ psi 05.01
All of the music from the 1975 Wigmore Hall (London) concert by this duo then nearing the mid-point of their twenty years of work together. On CD for the first time. Reissue of Incus LP 16 plus 31 minutes of extra material. 69 minutes.
PAUL RUTHERFORD ’Iskra3’ psi 05.02
Revolutionary improvised music for trombone (PAUL RUTHERFORD) and live computer processing (ROBERT JARVIS & LAWRENCE CASSERLEY). This 2004 recording is the latest in the series of sparks that light up key stages in Paul Rutherford’s long musical odyssey. 71 minutes.
URS LEIMGRUBER / JACQUES DEMIERRE / BARRE PHILLIPS ‘LDP – Cologne’ psi 05.03
This saxophone/piano/bass group, recorded at the Loft in Köln in 2003, continues the tradition of the drummerless trio in improvised music. With Barre Phillips, the continuity extends all the way back to the legendary Jimmy Giuffre Trio. 61 minutes.
Emanem
SPONTANEOUS MUSIC ENSEMBLE "A New Distance" (1993-4) EMANEM 4115
Two of the last performances by the SME which then comprised JOHN STEVENS (percussion & pocket trumpet), ROGER SMITH (guitar) and JOHN BUTCHER (soprano & tenor saxophones). A new direction for the music that was sadly terminated later that year (1994) by Stevens' untimely death. Added to this reissue are two short pieces from the previous year, when NEIL METCALFE (flute) was also in the group, and some perceptive comments by Stevens. Reissue of Acta CD 8 with extra material. 63 minutes.
FREE BASE "The Ins and Outs" (2003) EMANEM 4116
Free Base is ALAN WILKINSON (alto & baritone saxophones), MARCIO MATTOS (double bass & electronics) and STEVE NOBLE (drums) - a very varied trio that includes both very fiery climaxes and becalmed moments. Although they have been in existence for a decade, this is their first appearance on record, apart from their highly praised contribution to the 2003 FREEDOM OF THE CITY festival (heard on EMANEM 4212). 72 minutes.
Anthony Braxton a tocar temas de bop (Well, You Needn’t, Body and Soul, Four e Bye Bye Blackbird), com Misha Mengelberg, Mark Dresser e Han Bennink?! Sim, no October Meeting 1991 - nove dias de festival no Bimhuis de Amsterdam, em que participaram mais de 60 músicos improvisadores de várias partes do mundo. Sob a direcção artística de Huub van Riel, o festival holandês teve três edições, em 1987, 1991 e 1994.Só há pouco tempo tive acesso a esta gravação da maratona de 1991, a única que conheço em que figuram Braxton e Mengelberg a tocar este tipo de programa, além do quarteto agrupado por Braxton para a gravação de Charlie Parker Project, de 1993, disco que veio a ter edição na suiça hat ART.
Mas há outros motivos de interesse em 3 Quartets: o pianista Cor Fuhler, ex-aluno de Misha Mengelberg, no segundo quarteto, com Tristan Honsinger, violoncelista americano (Burlington, Vermont) radicado na Holanda; Maarten Altena, compositor e contrabaixistacom projectos próprios, e o baterista Wim Janssen, improvisam livremente durante 12 minutos.
A fechar a conta, o saxofonista britânico Evan Parker, com Steve Beresford (piano, electrónica, trompete), Arjen Gorter (contrabaixo) e o repetente Han Bennink, integram o quarteto meio-britânico, meio-holandês desta sessão, que interpreta The Bear, versão perversa de um conto infantil em que o narrador é o próprio Evan Parker (!). Depois de uma introdução faiscante de tenor com acompanhamento de piano, baixo e bateria a dar no duro, Parker chega-se ao microfone e, sobre animado fundo musical de tons infanto-juvenis, conta a história de um ursinho de peluche que foi à guerra e veio de lá com stress pós-traumático. Perturbado como ficou, o ursinho decidiu mudar de vida e enveredar por uma carreira de bailarino de tango... A song about a bear very very English, in perhaps the worst of all senses that that horrible word can have… - conta Evan Parker na introdução da história do ursinho. Não é certamente o que se estaria à espera do circunspecto Evan Parker, mas é um gozo bestial. No fim, temos três quartetos e três diferentes propostas num disco delirante.
October Meeting 1991 - 3 Quartets (Bimhuis, 1996)
Falei (bem) dela aqui há umas semanas atrás. Da bomba que Tim Berne, Marc Ducret e Tom Rainey (Big Satan) editaram na Thirsty Ear no final do ano passado, uns potentes e tempestuosos 47 minutos bem contados. Se cá estivesse o teclista Craig Taborn não seria o Big Satan, mas a Science Friction Band. E a música seria outra, claro está.É este o trio que me leva pela tarde fora, por entre as guitarradas sinuosas que se torcem e distorcem, o sax alto abrasador de Berne, e as mudanças súbitas de direcção do ágil Tom Rainey... Que disco!
Corriam ainda os tempos de Chicago, era o ano de 1960, quando Sun Ra registou a música deste Music From Tomorrow's World, com a sua Arkestra em duas situações diferentes. Uma primeira parte (7 temas), em concerto no clube Wonder Inn, com a Arkestra em versão curtinha (Sun Ra, teclados, John Gilmore, saxofone tenor; Phil Cohran, corneta; e Ricky Murray, voz), e outra (10 temas) no Majestic Hall (Sun Ra, com Phil Cohran, corneta; John Gilmore, Marshall Allen, Gene Easton e Ronald Wilson, saxofones; Ronnie Boykins, contrabaixo e Robert Barry, bateria). Sobre esta última sessão, especula-se sobre se se teria tratado uma gravação com o propósito de edição discográfica, ou, mais prosaicamente, de um ensaio, questão de difícil elucidação, porque os próprios intervenientes que ainda restam parecem não se recordar sequer da sessão. A questão é menor, porque, de qualquer maneira, para Sun Ra seria sempre como se de uma gravação formal se tratasse.O que efectivamente releva, agora que John Corbett pela primeira vez colocou o documento em circulação através da Atavistic/Unheard Music Series, é que Music From Tomorrow's World, além da testemunhar a imensa imaginação e criatividade de Sun Ra e dos seus rapazes, é um documento imprescindível para se conhecer o período final da Arkestra em Chicago, também documentado pela Delmark e pelo programa de reedições sequenciais da Evidence. O som de Music From Tomorrow's World é desigual, por vezes distorcido, turbulento e misturado com ruídos ambientais, que não estorvam, antes se enquadram na bizarra paisagem sonora da Arkestra, autêntica Tapestry from an Asteroid.
The Wonder Inn: Arkestra in motion, as part of the community, engaging the underground jazz intelligentsia on the south side. Majestic Hall: the grand scale of Ra's compositional and arranging genius, the heroic efforts of his band. Yet a couple more key pieces in the big puzzle that is Sun Ra's master-oeuvre – John Corbett.
Alinhamento: 1. Angels and Demons at Play; 2. Spontaneous Simplicity; 3. Space Aura; 4. S'wonderful; 5. It Ain't Necessarily So; 6. How High the Moon; 7. China Gate; 8. Majestic 1; 9. Ankhnaton; 10. Posession; 11. Tapestry from an Asteroid; 12. Majestic 2; 13. Majestic 3; 14. Majestic 4; 15. Velvet; 16. A Call for All Demons; 17. Interstellar Lo-Ways (Introduction).
Sun Ra and his Arkestra - Music From Tomorrow's World (UMS/Atavistic)
Entre 5 e 8 de Maio próximo, em Poschiavo, Suiça: UNCOOL/2005 um dos mais interessantes festivais de Jazz Improvised Planetary and Cosmo Music, este ano dedicado a Egberto Gismonti.
Programa:
- Egberto Gismonti, com Marlui Miranda e Alexandre Bianco Gismonti
- Sun Ra Arkestra
- Shibusa Shirazu
- Root Down
- Steamboat Switzerland
- Kali Z. Fasteau , com Bobby Few, Wayne Dcokery e Steve Mc Craven
- Frédéric Le Junter
- DJ Della ValleTodos os pormenores no press release do festival.
LE TOP® MEZZO : Le Top Jazz23h00 JAZZ CLUBBIN'John Zorn's Electric Masada : Nancy Jazz Pulsation 2003Concert (2003, 52 mn), réalisation : Jean-Marc BireauxAvec Marc Ribot (guitare), Jamiel Saft (clavier), Trevor Dunn (basse), Cyro Baptista (percussions), Kenny Wollesen (batterie). Hoje, 15 de Abril!
No Jazz on 3 de hoje, Jez Nelson passa um concerto da Big Band de Graham Collier, um dos mais importantes músicos e compositores do brit-jazz, com uma carreira de mais de 40 anos, prestação gravada na última edição do London Jazz Festival.Para a emissão de 29 de Abril está já anunciado um programa especial comemorativo do 10º aniversário do Cheltenham Jazz Festival, com a transmissão em directo de um concerto com vários artistas, incluíndo Bobby Previte e Ken Vandermark.
«Nefertiti, The Beautiful One Has Come»
Live at the Cafe Montmartre, 1962
Cecil Taylor(Revenant)

Direcção artística de Pachi Tapiz
El ciclo UNIVERSIJAZZ organizado por el Vicerrectorado de Estudiantes y Extensión Universitario de la Universidad Pública de Navarra presenta el programa para la edición de 2005:
ACTUACIONES EN DIRECTO
Lunes 18 de abril de 2005. Sala de grados del Edificio de los Olivos, Campus Universitario. 20:00
Josetxo Goia-Aribe – Maddi Oihenart Ilhargi Min
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Martes 19 de abril de 2005. Edificio de comedores, Campus Universitario. 20:00
John Pinone
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Miércoles 20 de abril de 2005. Edificio de comedores, Campus Universitario. 20:00
Brötzmann - Mcphee - Kessler – Zerang / Tales Out Of Time
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Jueves 21 de abril de 2005. Sala de grados del Edificio de los Olivos, Campus Universitario. 20:00
Agustí Fernández piano solo
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Nota: La entrada a todos los conciertos es gratuíta.
MASTER CLASS
Viernes 22 de abril de 2005. Conservatorio Pablo Sarasate. Salón de Actos. C/Aoiz s/n, Pamplona.
Master-Class «Conceptos fundamentales de la improvisación musical contemporánea», a cargo de Agustí Fernández
EXPOSICIÓN FOTOGRÁFICA
"Universijazz 2005"
Imágenes de Javier Ripalda y David Muñiz
4 al 30 de abril en el edificio de El Sario. Campus de Arrosadía s/n
2 al 27 de mayo en la Escuela de Estudios Sanitarios. Mendebaldea, Pamplona.

O colectivo de improvisadores portugueses, Frango (Jorge Martins, guitarra e baixo; Rui Dâmaso, guitarra e bateria; e Vítor Lopes, também em guitarra e bateria), realizaram uma produção de alto nível para a Test Tube, que constitui a mais recente edição da netlabel portuguesa vocacionada para dar a conhecer novos artistas e novas sonoridades electrónicas, eléctricas ou acústicas. Em Sitting San, por entre os drones das guitarras pontuadas pela percussão, há um piano vadio não creditado que se intromete e salpica a música, enriquecendo-a nos detalhes. Esta é uma música em quase suspensão, à espera do próximo passo, que surge envolto em estruturas lassas. São elas que convidam à fruição de uma certa poesia nocturna. Sitting San, completamente aberto e multidireccional, é um trabalho bom de se ouvir.
«All improvised music compositions, and most instrumental pieces, are strongly illustrated by the freedom they concede to the interpreter. On ‘Sitting San’, the composers act on the work’s structure and reflect on the notes duration or sound streams. This collective, called Frango, has Jorge Martins on guitar & bass, Rui Dâmaso on guitar & drums and Vítor Lopes also on guitar & drums, and they write unfinished and indefinite messages all over this release. We are not (at all) before a work that asks to be rethinked in any given structural direction. There are 5 tracks full of improvisation patterns, and they have the ability to unbalance the order therein (yeah!).
Throughout ‘Sitting San’, drone guitars humanize the process, with synapse-like and stripped down keyboards here and there, and hit-and-run drum breaks, which transports us to a creative work that is - lets say - not tonal, as if there were no laws and no dogmas, taking away from the listener the possibility to predict where the compositions are heading.
‘Sitting San’ keeps evolving towards its end, adding new spacebuilding new space, our space».- Bruno Barros
tube' 013 Frango - Sitting San
Peter Brötzmann
Music Unlimited XVI, Wels, Áustria, 9.11.2002
(Foto: Vanita & Joe Monk)

Há músicos que parecem ter nascido para tocar em trio. James Finn assenta nesta categoria como uma luva. Tão bom a tocar como a ouvir, sabe repartir o espaço e o tempo com os companheiros; tem a noção precisa de quando deve entrar e sair de cena. Fá-lo de forma tão natural e equilibrada, que o ouvinte tem a sensação de pressentir os momentos em que o tenor se vai calar ou fazer ouvir. É como aqueles jogadores de futebol de quem se diz que jogam bem sem bola, que se sabem desmarcar e provocar alterações no plano de jogo, de quem se espera que surjam num determinado momento, sem que tenham necessidade de assumir permanente protagonismo. Na verdade, impressiona ouvir este saxofonista de ascendência italo-irlandesa, nascido em Nova Iorque. Distracção minha, só o conheço de um dos dois discos anteriores, Faith in a Seed, editado pela CIMP (a formação é mesma de Plaza de Toros), tendo passado ao lado de Opening the Gates (CJR), disco de estreia como líder, um e outro publicados em 2004 e produzidos por Bob Rusch. Se não conheço melhor James Finn não foi por falta de aviso para lhe prestar atenção, que me chegou de vários pontos. Mérito tem o patrão da Cadence, que tanto é capaz de contratar artistas consagrados e veteranos das áreas menos expostas do jazz, como de perceber o potencial de determinado músico em emergência, mesmo que Finn não seja já um debutante enquanto saxofonista. Que há de especial a respeito deste músico? Várias coisas. Desde logo e à cabeça, o timbre claro e límpido do seu saxofone, reforçado por um vibrato e uma coloratura pouco usuais. Lembra-me o melhor David Murray, semelhante no pulmão e na paixão com que toca, porventura menos expressivo e elaborado no discurso, mas menos "palavroso" e mais intenso. A mesma mestria, lirismo e delicadeza, com forte sentido rítmico e imaginação a rodos em todos os registos. Finn sozinho compôs, arranjou, produziu, gravou, misturou e masterizou os nove temas de Plaza de Toros no estúdio que criou de raiz. «Quis ter controlo sobre todas as fases da manufactura de um disco, de maneira a melhor produzir a minha música» – disse. Talvez por isso a música de Plaza de Toros que beneficie de maior estruturação e coerência temática que Faith in a Seed.
Preferindo o registo médio no saxofone tenor, Finn dá imensa luta aos três - Dominic Duval, Warren Smith e a mim próprio, que me deleito à sombra desta alegoria sobre a arte do toureio, ritual tão antigo quanto o homem. Finn, Duval e Smith oferecem música que conjuga força e doçura, capaz de exprimir uma variedade de estados emocionais, da dor e solidão, à celebração da vida e da alegria de estar vivo. Destreza, agilidade, coragem e valentia ao sol, na praça de touros, onde se joga o grande desafio.
James Finn Trio - Plaza de Toros (Clean Feed, 2005) 
O primeiro uiiiiiiiiinnnc que se ouve (Space Chord 1) sobressalta e remete para o território dos afectos, quem ao longo dos anos conviveu musicalmente com a obra do homem que veio do espaço. Sun Ra: o mito, a lenda, o ícone de enorme dimensão musical e espiritual, mas também um tipo simpático, bonacheirão, garrido e fantasioso no trajar, engraçado no falar, fundador da sua própria editora discográfica (El Saturn), criador de um laboratório musical ambulante a que chamou Arkestra. Ra, o cósmico cidadão extraterrestre que se apresentava sob uma imagem absolutamente fora do comum (mesmo para extraterrestre!), inseparável da bizarra fixação no Antigo Egipto e nas coisas longínquas do espaço sideral. Ra, que surpreendeu os terráqueos, simples mortais, com a cândida e aparentemente sincera crença na realidade do seu mundo mágico. Sun Ra, o artista com uma carreira de 50 anos de música desenhada a traços de piano eléctrico, sintetizador e seus derivados, sopros e toda a sorte de percussões. Sun Ra...Decorreram 12 anos sobre o desaparecimento físico do astroman; ou sobre a sua partida para outra dimensão, consoante o entendimento de cada um. Foi em Maio de 1993 que Ra se foi a Saturno, que o mesmo é dizer, voltou para casa. Já lá vai uma dúzia de anos, é verdade, e a passagem de uma década sem Ra na Terra, num mundo mais perfeito, deveria merecer aberturas de telejornal.
De comemorar oportunamente se lembrou a editora holandesa Kindred Spirits, que resolveu reunir em disco um punhado de artistas da actualidade, em maior ou menor medida tocados pela música produzida por Sun Ra durante a relativamente longa e extravagante passagem pelo nosso planeta. O disco abre com a Outerzone Band de Francisco Mora Catlett, baterista ex-Arkestra que continua a espalhar a boa nova de Ra pelo mundo fora. Esteve recentemente no North Sea Jazz Festival, na Holanda, para um concerto com Marshall Allen, seu actual e antigo companheiro na Arkestra. A celebração continua com Recloose, um colectivo de estilistas da música electrónica de fusão, hábeis na reciclagem de materiais anteriormente utilizados por Ra. O mesmo vale para o finlandês Jimi Tenor, criador de uma big band à imagem e semelhança da Arkestra, em versão loura acetinada, também ele participante da última edição daquele festival holandês.
Versões de temas do compositor? Também se encontram em Sun Ra Dedication: The Myth Lives On. Mas o mais interessante neste disco vem a ser a descoberta ou o reencontro com os sinais, tiques, truques, sons, clichés e outros vestígios do universo criativo do alienígena, e poder verificar como a música actual de base electrónica, tributária de outras referências da cultura popular das últimas décadas, assimilou a estética do Grande Saturniano.
E há muito do cosmic groove raiano em Build an Ark, Alex Attias presents Mustang, Theo Parrish, Mocky, Offworld feat. Vanessa Freeman, King Britt, Yesterday's New Quintet feat. Dudley Perkins e Phillip Charles. Quem, se não Sun Ra, conseguiria fazer federar no mesmo disco, de forma coerente, despretensiosa e musicalmente relevante, criadores que professam o jazz, a pop, a soul, R&B, downtempo, house, hip hop e outras variações sobre mesma temática?! O mito perdura, como se diz no título. Tem muitas virtudes, esta dedicatória. Entre elas, a de servir de young person's guide to... Saturno e seus anéis.
Alinhamento:
01 Francisco Mora Catlett presents Outerzone Band - Space Chord 1
02 Jimi Tenor - Love In Outer Space
03 Recloose feat. Jonathan Crayford - Paepulsariki
04 Build An Ark - The Stars Are Signing Too (Doors Of The Cosmos)
05 Francisco Mora Catlett presents Outerzone Band - Space Chord 2
06 Alex Attias presents Mustang - Nuclear War
07 Theo Parrish - Saga Of Resistance
08 Francisco Mora Catlett presents Outerzone Band - Suny
09 Francisco Mora Catlett presents Outerzone Band - Space Chord 3
10 Mocky - Departure Point
11 Offworld feat. Vanessa Freeman - Astro Black
12 King Britt - Black (A Shade Of)
13 Francisco Mora Catlett presents Outerzone Band - Space Chord 4
14 Yesterday's New Quintet feat. Dudley Perkins - Nuclear War
15 Francisco Mora Catlett presents Outerzone Band - Space Chord 5
16 Philip Charles - deconStrUctioN of a new eRA

Tenho uma especial predilecção por este best of das pequenas formações que actuaram no festival Freedom of the City 2002, muito por culpa de Sylvia Hallett e da sua roda de bicicleta tocada com arco de violino, o próprio violino, mais voz, delays e outras coisas mais.
No primeiro disco, Veryan Weston com Trevor Watts, piano e saxofones; depois Sylvia Hallett e a sucintamente descrita parafernália; a seguir Lol Coxhill, Paul Rutherford e Ian Smith: sax soprano, trombone e trompete, respectivamente.
A segunda parte deste ramalhete de Small Groups abre com Roger Smith, guitarra acústica solo; Chris Burn e Matt Hutchinson ao melhor nível (de sempre), numa actuação esfusiante de trompete e sintetizador. A fechar o segundo disco, Evan Parker, saxes soprano e tenor e John Russell, guitarra.
De todas, a intervenção de Sylvia Hallett é a que mais me intriga, pela heterodoxa combinação instrumental e, sobretudo, pelo resultado sonoro. Hallett, pouco gravada (White Fog, também na Emanem, é muito mais que uma simples curiosidade sónica), está ao nível do melhor da improvisação londrina, cuja mostra em versão Small Groups, durante pouco mais de duas horas, dá uma razoável panorâmica do estado da arte da brit-improv. Em 2002 era assim.
The Kosmigroov Konnection
Completamente fora de órbita, imbuído do espírito milesiano de Bitches Brew, de Sun Ra e das suas aventuras electrónicas intergalácticas («The Godfather»), Kozmigroov inspira-se no trabalho de Alice Coltrane, Pharoah Sanders, Tony Williams Lifetime, Last Exit, da Cinematic Orchestra e de tantos outros criadores. Define-se assim: «Transgressive improvisational music which combines elements of psychedelia, spirituality, jazz, rock, soul, funk, and African, Latin, Brazillian, Indian and Asian influences culminating into an all encompassing cosmic groove. At its most accomplished, Kozmigroov is both expansive and highly rhythmic, and simultaneously finds connections with the mind, soul and body». Além da muita informação relacionada com os artistas cósmicos, há trabalhos de mistura para dowload gratuito. Sensacional trabalho de Doug Watson que vale a pena conhecer e experimentar. Descarreguei, passei a cd-r e o meu carro agora parece uma nave espacial. The Kozmigroov Konnection!
Paul Flaherty é um caso à parte na construção do paradigma e na evolução do que se convencionou chamar free jazz, por muitas que sejam as estirpes e as mutações de tal Coisa, a New Thing. Nascido em 1948, em Hartford, Connecticut, durante décadas foi laboriosamente percorrendo o seu caminho sem se filiar em qualquer escola em particular, assumindo o estatuto de maverick desalinhado das dominantes correntes ornettianas, aylerianas, coltraneanas ou outras.Flaherty, o troante saxofonista e artista plástico das longas barbas brancas é feito da massa de que se constroem as lendas. Como elas, além da aura quase mítica que carrega, possui um núcleo duro de entusiastas admiradores, que no seu caso particular não assume proporções consideráveis, dada a permanência nos meios underground de um género já de si pouco dado a favorecer a criação de grandes legiões de seguidores.
Desde os anos 70 que palmilha o seu caminho, quase sempre apenas na companhia de um baterista propulsor (Randall Colbourne ou Chris Corsano), percurso testemunhado por um ror de concertos e mais de 20 discos gravados, auto-produzidos e auto-editados pela Zaabway e pela Wet Paint, objectos de culto e de procura por parte de admiradores e coleccionadores com interesse no que há de mais energético em matéria de livre-improvisação que emana do jazz.
A música de Paul Flaherty tem sido mais criticada e odiada que aceite e compreendida, mesmo pelo público do jazz, tantas vezes lesto em apontar-lhe o pecadilho de subverter as regras tomadas como imutáveis. Indiferente ao criticismo, Flaherty dá consecutivas mostras de fazer tábua rasa das visões mais ou menos estruturalistas, empolgando as audiências com o som poderoso do seu saxofone. O preço a pagar pelo atrevimento já se sabe qual é: ostracismo, desprezo e ignorância por parte dos media e do povo do jazz. Paradoxalmente ou não, quem mais tem valorizado e contribuído para o cíclico ressurgimento de Paul Flaherty tem sido o público mais ligado a certas franjas do rock, menos interessado em catalogar a música, que em ouvi?la e em respeitar o propósito honesto com que o barbas longas trabalha há décadas para sua (dele e deles) própria fruição.
Ainda há poucos anos Paul Flaherty conseguiu espantar quem anda e quem não anda a par das suas movimentações, com a edição do espantoso álbum The Ilya Tree (Boxholder Records). Com Greg Kelley, trompete; John Voigt, contrabaixo e Randal Colbourn, bateria, o saxofonista pôs em prática tudo aquilo em que musicalmente acredita – o movimento perpétuo da música espontânea e colectivamente criada, que conta com ele na linha da frente, a abrir alas sem contemplações.
Assim mesmo, vigoroso, trepidante e explosivo é o regresso de Paul Flaherty aos discos, com nova formação, o Jumala Quintet, com que em 2000 gravou Turtle Crossing, disco agora editado pela Clean Feed. Gravado à primeira e de uma assentada, que é a maneira de obter a melhor espuma, Turtle Crossing conta com Joe McPhee, Steve Swell e com a dupla rítmica John Voigt/Laurence Cook. Com estes cinco basta atar e pôr ao fumeiro.
Se se pensar num saxofonista ideal para emparceirar com Flaherty, é muito provável que esse nome venha a ser o de Joe Mcphee. Talvez por, além de trompetista, ser um dos grandes saxofonistas alto, tenor e soprano em actividade, e saber funcionar como contraponto ideal à chama e ao assalto mais vibrante do primeiro, pela via do lirismo, dos blues e do gospel. Mais que um tempero refinado, McPhee eleva espiritualmente, criando uma aura especial que atravessa a música do Jumala Quintet.
Steve Swell é outra das grandes estrelas que, inexplicavelmente, só o são num círculo restrito de admiradores da sua arte de trombonista. Há muito que provou ser um dos maiores de sempre no instrumento, ele, que encerra em si tanto o peso da história, como as setas afiadas e certeiramente apontadas em direcção ao futuro do jazz. Avaliado por estes dois parâmetros, não há seguramente outro trombonista com a importância de Swell, cujo papel em Turtle Crossing é inestimável.
John Voigt e Laurence Cook, nomes que habitualmente estão ligados um ao outro, são unha com carne nesta arte, pelos anos que já levam de mútua colaboração. Não apenas conhecem a fundo a personalidade musical e as opções estéticas de Paul Flaherty, como têm trabalhado intensivamente com os grandes desta área, como Sabir Mateen, com quem gravaram o enorme Devine Mad Love, disco que ficou para a história recente como um dos pilares fundamentais do ressurgimento do free jazz, em permanente mergulho no desconhecido.
Além da perfeita na execução, de ser clara nas ideias e propósito, articulada no seu desenvolvimento e progressão, rica de variações dinâmicas e transições, poder-se-á questionar se a música do Jumala Quintet é ou não inovadora, se desbrava caminhos nunca antes percorridos... . A resposta poderá ser simultaneamente sim e não, pelas razões que facilmente se compreenderão ao ouvi-la, enquanto trabalho de um esforçado «arqueólogo do tempo presente» (John Wolf Brennan). Porém, e sem pretender afastar o interesse académico que tal discussão possa ter, talvez valha mais a pena ouvir o que o Jumala Quintet tem para oferecer: música poderosa, sólida e extrovertida, de excepcional qualidade, que pede insistentemente para ser ouvida.
Jumala Quintet - Turtle Crossing (Clean Feed, 2005)
Depois de muito discutido e afirmado, eis que os mais recentes estudos sobre o impacto do peer-to-peer nas vendas de música em CD e DVD, entre os quais o de Michael Geist, vêm demonstrar que a troca de ficheiros de música e o descarregamento via internet para o disco do computador pessoal não é responsável pela falta de saúde da indústria musical, e que, no caso específico do Canadá, os artistas não foram afectados pelas quebras nas vendas. Pelo contrário, parece que a divulgação que a partilha de ficheiros proporciona tem vindo a gerar impactos positivos a médio prazo, permitindo dar a conhecer ao público trabalhos de artistas que, de outro modo, não poderiam beneficiar das amplas possibilidades e das nova perspectivas que a difusão digital abre ao comum dos "piratas".Entretanto, o EasyTree (Ez Torrent) foi mandado encerrar portas... .
The STONE
Programação para a primeira quinzena de Maio, duas semanas de residência do pianista e compositor holandês Misha Mengelberg no novo espaço de Nova Iorque, gerido por John Zorn:
1 de Maio - Dia do Trabalhador
- Misha Mengelberg (piano) Shanir Blumenkranz (contrabaixo) Ben Perowsky (bateria)
3 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Ikue Mori (electrónica)
4 de Maio
- Brad Jones Band com Misha Mengelberg (piano)
5 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Brad Jones (bass) George Lewis (trombone)
6 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Eugene Chadbourne (guitarra)
7 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Dave Douglas (trompete) Henry Grimes (contrabaixo)
8 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Mat Maneri (violino)
10 de Maio
- Rick Herter (guitarra) Perry Robinson (clarinete) Ed Schuller (contrabaixo) George Schuller (bateria) Misha Mengelberg (piano)
11 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Rick Herter (guitarra)
12 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Marcus Rojas (tuba) Tyshawn Sorey (bateria)
13 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Frances-Marie Uitti (violoncelo) Ikue Mori (electrónica)
14 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) Mark Feldman (violino)
15 de Maio
- Misha Mengelberg (piano) John Zorn (saxofone) e convidados
Acoustic and Electric Hard Cell LiveTim Berne: alto sax > Craig Taborn: piano, teclados e electrónica >Tom Rainey : bateria.> Insane. Diz ele.
- The Contemporary Jazz Quintet: Actions 1966-'67
- Sirone (featuring Sirone/Charles/Lawrence): Sirone Live
- Last Exit (featuring Brötzmann/Jackson/Laswell/Sharrock): Köln
- Brötzmann/Bennink: Schwarzwaldfahrt
- Dieter Scherf Trio: Inside-Outside Reflections
- Joe McPhee: Pieces of Light
- Brötzmann/Sharrock: title tba
Ando a ouvir a fundo o novo de Paul Flaherty / Jumala Quintet - Turtle Crossing (Clean Feed). PAUL FLAHERTY - saxofones alto e tenor JOE MCPHEE - saxofones alto e soprano, pocket trumpet STEVE SWELL - trombone JOHN VOIGT - contrabaixo LAURENCE COOK - bateriaAmanhã conto.
Uhm... Um trio de master Abdul Moimême (aka Rui Horta Santos), Lisle Ellis e Eduardo Raon, na Trem Azul, a 18 de Abril?!Soa-me bem. E ainda não ouvi nada...
O contrabaixista canadiano Lisle Ellis junta-se ao dueto composto por Rui Horta Santos e Eduardo Raon, para efectuar um concerto único de música improvisada. Trata-se do encontro entre três vozes, unidas por um denominador: o improviso como pesquisa de uma linguagem comum. Aqui contrastar-se-ão os seus instrumentos acústicos com as potencialidades permitidas pela electrónica.Lisle Ellis tem 25 anos de carreira musical como contrabaixista, compositor, e lider de diversos agrupamentos musicais, tocando com músicos tão importantes como Andrew Cyrille, Raphe Malik, Paul Bley, Alvin Curran, Marilyn Crispell, Myra Melford, Paul Plimley e os já falecidos Jimmy Lyons and Glenn Spearman. Participou ainda em inúmeras gravações. Reside actualmente entre São Francisco e São Diego.Rui Horta Santos começou os seus estudos musicais na guitarra, tendo-se posteriormente convertido ao saxofone tenor. Considerando-se, descaradamente, um neo-Hendrixiano, foi ainda discípulo de Patrick Brennan. É através de um amigo, viajante pelas terras da China, que descobre o sino de agua, brinquedo do jovem imperador do antigo império.Eduardo Raon é músico convicto, tendo no entanto sido colocado na lista negra do conservatório - onde estudou harpa - devido à sua descoberta da electrónica e dos seus efeitos 'perversos'. Apesar do seu nome estar associado a um agrupamento de rock alternativo, os Bypass, tem outras área de interesse que incluem a etologia assim como a escultura. Esta agora a pensar em começar uma colecção temática de selos sobre Johnny Cash.

My Country of Illusion, projecto sonoro da dupla Barnmaster Scud e Doctor Tiki. Assenta fundamentalmente na improvisação de guitarras eléctricas, cujo som é transformado através de um processo de sampling de fontes sonoras variadas, que se juntam para formar novas e insuspeitas sequências lógicas. A denominação My Country of Illusion advém da tradução literal do título mexicano do clássico de Walt Disney, Alice in Wonderland, que resultou em Alicia en el Pais de Illusion. Segundo os artistas, o que se pretendeu foi sublinhar o carácter ilusório e fictício da realidade circundante, um mundo físico e anímico que só existe nos sons que se (re)produzem. A vida depois da vida. Uma vez esgotado o American Dream, ficam as cinzas. Que a partir delas, através de reciclagem e reutilização de materiais se pode fazer boa música, aqui está a prova. American Dreamlife serve-se sobretudo de gravações ao vivo efectuadas aqui e ali, posteriormente misturadas e recombinadas em estúdio (em si mesmo, outro instrumento), dando origem a novos formatos de mola electrónica.
Doctor Tiki, também conhecido por Antonio López, anda nisto do audiovisual há tempo demais para poder ser considerado um novato. Desde os anos 80 que a cena punk underground de Los Angeles conhece a fundo a sua actividade. Até porque foi naquela área que desenvolveu inúmeros projectos sob o nome de El Tiki, sobretudo ligados à área do jornalismo, da crítica e divulgação musical, em paralelo com a actividade sonora e o vídeo digital.
Barnmaster Scud, aka Scud Mandrill Scott Randolph, vive e trabalha como músico experimental no Novo México há mais de 20 anos. Com Antonio López (DoctorTiki), criou um álbum muito curioso, em que a colagem sonora é a mãe de todas as aventuras. Experimental psychedelic jambient.

Peter Gordon nasceu em Nova Iorque, em 1951. Começou a tocar piano aos sete anos, instrumento que trocou pelo clarinete aos nove. Na adolescência mudou-se para a cidade alemã de Munique, onde o pai era correspondente da Voz da América. Em Munique, além de beber umas cervejas, Peter Gordon tomou contacto com a cena musical contemporânea e com o jazz europeu. Nos anos 60, a cidade era ponto de passagem de músicos de todos os géneros, provenientes de todos os pontos da Europa. Fervilhavam os clubes, onde Gordon desenjoava das coisas clássicas, ouvindo Animals, Kinks, Yardbirds, Rolling Stones, etc., ao mesmo tempo que estudava saxofone com Don Menza e teoria musical com Peter Jona Korn. De Volta aos Estados Unidos, e a San Diego (Universidade da Califórnia), Gordon prosseguiu os estudos com Kenneth Gaburo e Roger Reynolds, estudos depois aprofundados no Center for Contemporary Music do Mills College, com Robert Ashley e Terry Riley. Em 1975, Gordon voltou à Nova Iorque Natal. Organizou "Trust in Rock", uma série de concertos de art-rock em 1976. Depois disto, o produtor de Laurie Anderson e de Artur Russel mudou-se para Santa Fé, Novo México, onde ensina e compõe.
É desta imensa variedade cultural que se faz a música de Peter Laurence Gordon. Dele ouço Still Life and the Deadman. Awareness, abre o disco. Orquestra electroacústica aprimorada e elegante, dirigida pelo próprio Peter Gordon, a trabalhar massas sonoras de considerável volume e geometria. Segue-se De Dode (The Deadman), pelo quarteto de cordas Balanescu, uma suite em 22 movimentos, com a duração de 24 minutos, escrita para a peça de George Bataille. Encerra Rembrandt Suite, pelo Parsley Club String Quintet e por Peter Gordon himself em saxofones tenor e sopranino.
Três diferentes facetas da arte composicional de Peter Gordon. Música romântica, meditativa e bem humorada, que vai bem com o estado de espírito desta manhã.
I have been fascinated by string instruments ever since my first composition for string trio, Les Enfants Terribles, composed in 1973 and based upon the novel by Jean Cocteau. When I look at the string writing of other composers, string quartet in particular, I get an unencumbered view of their musical language. String composition has its own particular genre which transcends other stylistic differentiation. Listeners who are familiar with my previous work are aware that I cross stylistic boundaries quite frequently and often work in a multi-generic context.
Peter Gordon - Still Life and the Deadman (Robi Droli / New Tone, 1993).

O caso é sério. Acaba de sair na polaca Not Two Records, dirigida por Marek Winiarski, uma caixa com 12-doze-12 CD's (!) contendo a integral das gravações que o Vandermark Five realizou durante uma estadia de cinco dias e cinco noites em Cracóvia, Polónia, entre 15 e 19 de Março de 2004. Sob o título Alchemia, nome do clube onde decorreram os concertos, alinha-se um total de 55 temas, 32 composições de Ken Vandermark retiradas dos 8 álbuns do V5, e 3 estreias mundiais: "Camera", "That Was Now" e "Pieces Of The Past". The Vandermartk Five: Ken Vandermark, Dave Rempis, Jeb Bishop, Kent Kessler e Tim Daisy. Participam ainda os músicos polacos Marcin Oleś e Bartłomiej Brat Oleś, que ajudam à festa em contrabaixo e bateria nos discos 11 e 12.
Alchemia representa o estado da arte sonora de uma das mais activas bandas do soprador de Chicago, que segundo o próprio, nos dias de Cracóvia compunha de manhã, ensaiava à tarde e tocava ao vivo à noite, em regime intensivo, à semelhança do que Duke Ellington praticava com as suas orquestras. Uma esforçada workshopping unit.
Someone who has always idolized Duke Ellington's methods of creativity, I conceived of the Vandermark 5 from the beginning as an attempt to develop, as close as I could, a working band based on Ellington's example. The quintet was formed in the spring of 1996, and by the time these concerts occurred four of the members had been working together since 1997, and the fifth, Tim Daisy, had been with the band for more than 2 years. Over that stretch of time, the Vandermark 5 went from being a workshopping unit that performed every week during the late 1990's at the Empty Bottle in Chicago, to becoming an international touring ensemble whose concerts most often occurred on the road in North America or Europe. During its entire existence, however, the group has always focused on creating new material through consistent rehearsal and performance. The shifts in the aesthetics of the band caused by this work are well documented through the studio and live recordings available on Atavistic records. This is the first occasion, however, where the quintet has been represented in the way it actually played - night after night. In most cases, the only people who really experience the ongoing process and creativity of a working improvised music ensemble are its members. At best, most listeners hear but one concert on a tour because the group will likely move onto another city or town the next day. One of my personal goals is to bring the music to clubs and smaller venues on a regular basis, for a series of concerts during several nights at the same location. The Vandermark 5 residency in Krakow at Alchemia is proof that the idea can work - we played to packed houses every single night, and the energy coming to and from the stage on those evenings is something I will never forget. When Marek originally proposed the idea of recording these concerts the intention was not to release everything as a box set, something that would have clearly been considered economically insane, but to select the strongest performances for use as a double cd co-production with Atavistic. After the series ended, however, Marek fought for the idea to release all of the material in this production, and I am thankful for it. There are a few problematic moments on these recordings: such as the end of "Gyllene" from the third night, a screw on my baritone came loose during the final theme which made it impossible for me to play; and some sections of the new pieces are faulty, we were literally learning as we went along. (Note: "Camera", "That Was Now", and "Pieces Of The Past", were further developed and refined during work in Chicago and on the road in North America with the Scandinavian group, Atomic, during June and July of 2004. They are included in the Vandermark 5's upcoming double cd on Atavistic, "The Color Of Memory"). These awkward moments don't make me proud, but Marek's argument for including everything as it happened is a sound one - the music on these cds represents who we were and how we really played on those 5 nights in March, right or wrong. I feel very fortunate to have a document of these concerts, and to have been able to work with Jeb, Tim, Kent, and Dave for such a long and creative time. Here's to the memory of those nights, what they represent, and to those countless glasses of buffalo grass vodka... - Ken Vandermark, Chicago, February 1, 2005.


Há umas semanas atrás, à boleia de uma pesquisa que estou a fazer sobre música de intervenção e canção de protesto e resistência, dei com o americano Centre for Political Song, da Glasgow Caledonian University, um centro de investigação que trata de estudar todas as formas de canção política e das suas implicações na vida social, política e cultural das comunidades em que se desenvolve. E canção puxa canção, tema puxa tema, fui dar quase imediatamente com a nova edição da Pax Recordings, Voices in the Wilderness: Dissenting Soundscapes and Songs of G.W.'s América. Na ressaca da frustração, ansiedade e desencanto que acometeu milhões de almas com a reeleição do tal em Novembro passado, 26 artistas norte-americanos lamberam as feridas e trataram as indigestões provocadas pelo sapo monstruoso que tiveram que engolir (a meias com muitos mais milhões pelo mundo fora, mas pronto), tiraram-se das suas próprias divisões e - há quem diga que o cowboy não tem qualquer mérito... – juntaram esforços num luto colectivo sob a forma de canção de protesto e resistência nas mais diversas formas, rock, folk, electrónica, jazz, improv, hip-hop, field recordings e recitação, que é também um apelo à consciencialização das pessoas para os perigos o belicismo desenfreado do cowboy que manda no Império.
Irmanados neste propósito de aliviar desânimo, Marcos Fernandes, Bonnie Kane, Ray Sage & Mambo Mantis, The Slow Poisoners, Neshama Alma Band, 99 Hooker, Cornelius Cardew Choir, Cheryl E. Leonard, Marina Lazzara, David Slusser, Andre Custodio, United Satanic Apache Front, Ernesto Diaz-Infante, Blaise Siwula, mJane, Merlin Coleman, Kate Thompson, Dave Tucker, Jess Rowland, Matt Hannafin, Lance Grabmiller, Dina Emerson, d.elder, Pablo St. Chaos, robert m, Phillip Greenlief, Polly Moller, Aaron Bennett & John Finkbeiner, Stephen Flinn e Famous Last Words.
Uma colagem de palavras de ordem, como «This is what Democracy Looks Like», e outras, umas mais divertidas que outras, abrem o desfile de anti-bushismo que muitos teimam em confundir com anti-americanismo.
Como seria de esperar, de um ponto de vista estritamente musical, o disco é muito rico e variado nas suas propostas e resultados, dependendo em boa parte do gosto pessoal de cada um. Globalmente, no entanto, o produto musical é de grande valia e apresenta-se coerentemente organizado. Tão bom que faz apetecer ouvir os bons velhos Pete Seger e Contry Joe and the Fish.
Voices in the Wilderness fica para a história como um interessante episódio de militância política pela paz e contra a estupidez através da música, neste início de século. Com produção de Marjorie Sturm e Ernesto Diaz-Infante, parte dos proventos da venda do disco vão para a War Resisters League. E, já agora, Give me an "F"!
Voices in the Wilderness: Dissenting Soundscapes and Songs of G.W.'s América (Pax Recordings, 2005)
Antes do prato forte da sessão de hoje de Jazz on 3 - o baterista e compositor Bobby Previte, o guitarrista Charlie Hunter e o turtablista DJ Logic, num concerto gravado em Birmingham, Reino Unido – e depois de anunciar os nomeados para os BBC Jazz Awards deste ano, Jez Nelson discute com os seus convidados sobre o papel do gira-discos no jazz enquanto instrumento, se assim se pode chamar. Poderá o DJ contribuir relevantemente para a música improvisada, ou o que faz é só para preencher os domínios do acessório? Como estudo de caso são tratadas as aventuras de Us3 e de Christian Marclay com John Zorn. Mark Morris, com Christian Marclay, Uri Caine e o crítico Richard Cook, ajudam a partir alguma pedra sobre este tema. Ou será que também eles andam às voltas?Ainda tenho bem presente na memória o concerto de turtablismo bruitista do canadiano Martin Tétreault com o japonês Otomo Yoshihide no Jazz em Agosto de 2004, na sequência do qual alguma interessante discussão surgiu nos corredores da Fundação Gulbenkian. Nada como ouvir o que estes alegres companheiros têm para nos dizer sobre as intrínsecas qualidades do prato gira-discos e do que é possível fazer ou não com os componentes electro-mecânicos da geringonça. E lá vamos parar a John Cage.
Jazz on 3 - BBC Radio 3. A partir de hoje e até sexta-feira.
Ainda não tinha dito, mas gostei muito de ter assistido ao concerto de Paulo Curado (saxofones alto e soprano, flauta) e Carlos Zíngaro (violino), há dias, nas já habituais sessões musicais à tardinha, promovidas pela Trem Azul. Apontados como pertencentes a duas famílias diferentes da música improvisada, o jazz e a livre‑improvisação, tal conotação representava um aliciante adicional, no sentido de ver que soluções haveriam os músicos de encontrar para se entenderem. De duas uma: ou se deixavam encostar aos referenciais que lhes colam à pele, ou convergiam para um espaço e tempo comum a ambos, criando uma base comunicacional entre si e com o público. A opção foi felizmente pela segunda alternativa, sem concessões. Curado e Zíngaro, Zíngaro e Curado, à vez, tomaram a dianteira, improvisando sempre por bom caminho. Jazz e experimentação, fragmentos, segmentos, intersecções e sequências - práticas diversas numa linguagem efectiva comum. Resultou.
(foto: Nuno Martins)
FREESTYLE JAZZ
LUSO CAFÉ
Travessa da Queimada, 14
Bairro Alto - Lisboa
5ª Feira, dia 7 Abril- 23.00 h
Rodrigo Amado (saxofones)
Luís Lopes (guitarra)
Isto não pára nem por nada!

Faltam só cinco dias para o lançamento oficial da reinterpretação da obra de John Coltrane, Ascension, pela ORKESTROVA, formação que inclui, além do Rova Saxophone Quartet (Bruce Ackley, Steve Adams, Larry Ochs e Jon Raskin) as cordas, a electrónica e a percussão de Fred Frith, Ikue Mori, Nels Cline, Otomo Yoshihide, Chris Brown, Donald Robinson, Carla Kihlstedt e Jenny Scheinman. Entretanto, o disco já está disponível na página da Atavistic/Unheard Music Series. Roberto Barahona, cujas impressões do concerto de que foi feito o registo digital a seguir publico, teve a amabilidade de mo fazer chegar em antecipação. Tenho andado a ouvir a gravação que o próprio D. Barahona realizou (e depois fez remasterizar). Tenho a dizer que este Electric Ascension é das melhores obras que ouvi nos últimos tempos. 40 anos depois da gravação de mestre John Coltrane, Rova e Associados, respeitando a escrita original, seguindo a via da chamada improvisação estruturada, realizaram um trabalho de análise, assimilação e reinterpretação de imenso valor estético e musical. Electric Ascension vai seguramente ficar como um dos melhores discos de 2005. E de muitos anos.
El concierto comenzó con el cuarteto de saxofonistas en una estridente salva, de mucho volumen y vigor, luego presentaron el tema y enseguida se iniciaron varias series de improvisaciones tanto colectivas como individuales. En otras participaban dos o más músicos, dialogando e incentivándose el uno al otro. De estas improvisaciones se desarrollaban temas secundarios, con estructuras propias y con interesantes figuras rítmicas que acentuaban el resto de los músicos. Los papeles se iban intercambiando. En un momento mágico, Bruce Barkley quedó solo en el escenario junto a su soprano y nos entregó unas variaciones maravillosas. Una vez concluidos los aplausos, Steve Adams se dirigió al micrófono para hacer un anuncio, pero Ochs, ansioso comenzó el segundo tema antes que Adams pudiera hablar. Éste abriendo los brazos en un gesto de resignación se retiró causando risas en el público, que se escuchan en la grabación. Al segundo tema se le dio el mismo tratamiento de improvisaciones de grupo e individuales.
"Ascension", composición de John Coltrane, se grabó originalmente en junio de 1965. Esta composición forma parte de una trilogía religiosa-free: "A Love Supreme" de diciembre de 1964 y "Meditations" de noviembre del mismo año. "Ascension" tiene un enfoque semejante al de "A Love Supreme". Es un tema de cinco notas que se repite en varias partes de la obra. Desde su inicio el auditor tiene que prestar atención. Esta es una obra seria y pesada que no permite ser tratada levemente. Requiere atención y desde su inicio Coltrane lo advierte. Aquí no hay engaños.
Coltrane usó, además de su cuarteto, un ensamble de cuatro saxofones, dos trompetas, y un segundo contrabajista. El enfoque del Rova es similar pero con una instrumentación totalmente distinta. Al cuarteto se le unen algunas de las figuras importantes del avant-garde actual: Otomo Yoshihide, guitarrista y dj de la escena avant-jazz del Japón, ex miembro del grupo Ground Zero; Ikue Mori, también japonesa, artista de la electrónica que ha hecho fama en el East Village tocando junto a gente del calibre de John Zorn y Arto Lindsay; el guitarrista Nels Cline y en contrabajo Fred Frith. Chris Brown en teclados, Jenny Scheinman y Carla Kihlsted (esta última del Tin Hat Trio), en violín eléctrico y Don Robinson en batería.
La música la iniciaron las violinistas con un tema lúgubre y ominoso, luego siguió el tema de cinco notas (paa-raaa-ra-ra-raaaaa) en el que participó el ensamble completo. El volumen era ensordecedor. Afortunadamente cometí un error durante el intermedio cuando fui al baño a cambiar furtivamente la cinta del DAT y accidentalmente mudé el control de grabación a la mitad, un fortuito accidente que permitió que los pasajes de mayor volumen se registraran correctamente.
Jon Raskin, quien actuó como concert-master, inició la primera serie de improvisaciones en su saxo barítono junto a Carla Kihlsted en violín, con el apoyo de algunos de los miembros del ensamble. Traté en vano de determinar quién tocaba cuál de los instrumentos manejados por ordenador. Eran tres, Yoshihide, Mori y Brown. Además, tanto Cline como Frith mudaban de procesadores y emitían sonidos extraños a sus instrumentos. Francamente me da lo mismo, la música era subyugante sin importarme quien era el responsable de crearla. Después de una segunda rueda del motif de 5 notas, comienza la segunda serie de improvisaciones, esta vez participan Cline y Frith con percusión acústica y electrónica. A propósito, Don Robinson usa una batería de jazz, es una Sonor de los años 70, con bombo de 18 pulgadas, instrumento raro de encontrar en un ensamble de esta naturaleza.
Sucesivamente participaron todos los integrantes en estas series de improvisaciones, pero en mi memoria resaltan dos de ellas: la de ambas violinistas en interesantes diálogos con Ackley, que emitía sonidos más identificables a un oboe que a su saxo soprano. La otra fue una genial intervención entre el barítono y el dj, quienes crearon sonidos curiosamente similares.
El final de la obra fue glorioso, después de una bacanal de sonidos, nuevamente fueron las violinistas las encargadas de cerrar el concierto. Fue sublime. Me hizo recordar una experiencia de hace años cuando escuché por primera vez en vivo la Novena sinfonía de Mahler. Mahler, estaba obsesionado por la muerte, en casi todas sus obras hay algún aspecto relacionado a la muerte. En los últimos momentos de la obra, cuando finaliza el cuarto movimiento, Mahler describe la dulce experiencia de la separación del alma del cuerpo, experiencia que, según él, es casi imperceptible y la música así lo ilustra. Es imposible determinar cuándo termina la obra. Bien, el sábado fue similar. Una vez que cesó la música, el espíritu de Coltrane cayó sobre todos nosotros y hubo un largo silencio antes que el público unánimemente se pusiera de pie y aplaudiera a rabiar. Francamente emocionante. - Roberto Barahona

Dave Rempis, saxofonista de Chicago que há uns anos substituiu o chamejante Mars Williams no Vandermark 5 - o que resultou num certo "amaciar" das asperezas do quinteto - prossegue as suas próprias experiências. Nessa medida, Rempis corre em duas pistas pistas próprias, o Dave Rempis Quartet (Jim Baker, piano; Jason Roebke, contrabaixo; e Tim Daisy, bateria), com o qual lançou o primeiro e estimulante Out of Season (482 Music), e o TRIAGE, trio com Jason Ajemian e Tim Daisy, reincidente baterista do V5. Com American Mythology, o TRIAGE solidifica o trabalho que vem de trás e, sem pretensiosismo, dá um contributo importante para a renovação do jazz de Chicago. TRIAGE - American Mythology (Okka Disk)

Thollem McDonas, pianista da Bay Area de S. Francisco, Califórnia, solista, líder do duo com o baterista Rick Rivera e membro dos grupos The Hundredth Monkey Generation, Monk and Cage e Asterisk* Movement and Sound, tem um novo disco. Tal como com o anterior I'll Meet You Half Way Out In The Middle Of It All, o segundo da série com Rick Rivera, Everything's Going Everywhere (Edgtone Records), mergulha de cabeça nas fascinantes, imprevistas e intrépidas aventuras musicais que fazem dele um dos mais interessantes pianistas da música improvisada actual. Seguir-se-á um terceiro de piano solo, a publicar pela Pax Recordings. Thollem compõe música harmonicamente complexa e concentrada, rigorosa na sua variabilidade rítmica e cromática, entrecortada por súbitas pausas, silêncios reflexivos e regresso à vivacidade inicial. No entanto, e pese embora a acentuada variabilidade dinâmica, ao ouvido soa sempre extremamente fluida e acessível. E culturalmente rica, na medida em que o piano de Thollem resume contemporânea, jazz, rock, blues, cabaret e bandas sonoras, nas suas mutações mais rebeldes e irreverentes, fazendo uso de um vocabulário e uma expressividade fora do comum. New music e new jazz alegremente de braço dado. Música de primeira qualidade, tocada por músicos dotados de um forte sentido de tempo e de espaço.
Permanece a dúvida que já vem do capítulo anterior: por que razão um pianista deste gabarito não teve (ainda) o ensejo de ser descoberto e reconhecido por uma vasta audiência? Tendo como certo que a prazo a questão deixará de fazer sentido, de qualquer modo, no momento presente e enquanto tal não acontece, a Edgetone Records merece ser louvada pelo interesse militante em divulgar este tipo de música e pelo elevado risco que assume na edição. Critérios outros que não o do negócio (forçosamente...) estão por trás deste disco de piano e bateria, «em concomitância divina». Energia positiva, da qual o ouvinte muito beneficiará se dela tomar regularmente uma pitada. Satisfação garantida.
Thollem/Rivera - Everything's Going Everywhere (Edgtone Records)
Paulo Curado e Carlos Zíngaro. Flauta e saxofones alto e soprano // violino. Como se pode caminhar do silêncio para o som, com retorno. Hoje à tardinha na Trem Azul. Excelente proposta.

Graças à simpatia e espírito de colaboração de nuestro hermano Juan António Barranco, grão-visir da música improvisada de Linares, cidade "ao Sul de Espanha e ao Norte da Andaluzia", autor do programa de rádio «La Camisa Negra» (46 programas!!!), que aposta forte nas músicas improvisadas de pêlo na venta, fiquei a saber que «Rising Tones Cross», o documentário que Ebba Jahn filmou durante o New York Vision Jazz Festival de 1984, organizado conjuntamente pelos contrabaixistas William Parker e Peter Kowald, foi editado em DVD! Em 1984, fizeram parte do programa das festas Don Cherry & The Sound Unity Festival Orchestra; Jemeel Moondoc Sextet; Peter Brotzmann Ensemble; Peter Kowald Quartet; Billy Bang's Forbidden Planet; Charles Tyler Quintet; Peter Kowald Trio; William Parker & Patricia Nicholson Dance; Roy Campbell; Ruediger Carl; Daniel Carter; Dennis Charles; Ellen Christi; Curtis Clark; Marilyn Crispell; Charles Gayle; Wayne Horvitz; Masahiko Kono; Jeanne Lee; Wilber Morris; Bobby Previte; Irene Schweizer; David S. Ware; Frank Wright; John Zorn … .
Em pormenor:
- Peter Kowald Quartet [Charles Gayle, tenor saxophone; Marilyn Cripsell, piano; Rashied Ali, drums; Peter Kowald, bass]: Melting, Lines, Cycle.
- Peter Kowald Trio [Charles Gayle, tenor saxophone; John Betsch, drums; Peter Kowald, bass]: Harvest Green.
- John Zorn, reeds/Wayne Horvitz, keyboards: Sunday afternoon at Life Cafe.
-Billy Bang's Forbidden Planet [Billy Bang, violin; Kim Clarke, bass; Wayne Horzitz, keyboards; Oscar Sanders, guitar; Bobby Previte, drums]: Music for the love of it.
- William and Patsy Parker Ensemble [Wayne Horzitz, piano; Ricardo Strobert, alto saxophone, flute; Masahiko Kono, trombone; Dennis Charles, drums; William Parker, bass, Lisa Sokolov, voice; Jeanne Lee, voice; Ellen Christi, voice; Patsy Parker, dance; Marla Mitchell, dance; Carol Penn Muhammed, dance; Frank Boyer, dance; Keith Dames, dance; A.R. Penck, scene]: A thousand cranes opera.
- Charles Tyler Quintet [Charles Tyler, alto saxophone; Roy Campbell Jr., trumpet; Curtis Clark, piano; Wilber Morris, bass; John Betsch, drums]: Life can be so what ever.
- Don Cherry and Sound Unity Festival Orchestra [Don Cherry, piano; Marla Mitchell, dance; Peter Brötzmann, tenor saxophone; Rüdiger Carl, tenor saxophone; Daniel Carter, alto saxophone; Dennis Charles, drums; Ellen Christi, voice; Peter Kowald, bass; Wilber Morris, bass]: Kangaroo hoople.
- Jemeel Moondoc Sextet [Jemeel Moondoc, alto saxophone; Roy Campbell Jr., trumpet; Ellen Christi, voice; Rahn Burton, piano; William Parker, bass; Rashiel Ali, drums]: In walked Monk.
- Irène Schweizer, piano/Rüdiger Carl, tenor saxphone: For Julian Beck.
- Peter Brötzmann Ensemble [eter Brötzmann, tenor saxphone; Charles Gayle, tenor saxophone; David S. Ware, tenor saxphone; Frank Wright, tenor saxphone; Jemeel Moondoc, alto saxophone; Roy Campbell Jr., trumpet; Masohiko Kono, trombone; Irène Schweizer, piano; Peter Kowald, bass; William Parker, bass; Rashied Ali, drums]: Alarm.
Aqui está toda a informação relevante.

Ontem à tardinha, depois de muito procurar nos A.A. (Arquivos Anárquicos) cá de casa, dei com o primeiro disco de Corey Harris para a Alligator, que, a bem dizer, já não ouvia há um par de anos. Lembro-me de o ter comprado na Loja da Música do Coliseu os Recreios de Lisboa, por volta de 1996, por sugestão do Pedro Costa, que me chamou a atenção para a emergência daquele que é hoje um dos mais relevantes nomes do blues acústico da América. Corey Harris, Between Midnight and Day: uma coleccção excepcional de blues roots ao estilo do Delta do Mississipi, originais de C. Harris à mistura com interpretações de clássicos de Robert Johnson, Charlie Patton, Big Jack Johnson e de outros mestres do passado.
Corey Harris is a member of the small but growing coterie of young African-American bluesmen who've eschewed flash and fashion for the emotionally rich but musically challenging (and commercially risky) subtleties of the acoustic tradition. Harris mixes and matches influences with a genre-jumping abandon...he'll punctuate a languorous half-shuffle, half-boogie rhythm with high-treble exclamation marks reminiscent of Charlie Patton, then move into a series of undulating slide whines that invoke Robert Johnson; over the top he'll moan out his vocals with a phlegmy urgency borrowed from Big Joe Williams, with a hint of Son House's tormented high-tension balance between the sacred and profane thrown in. But rather than sounding dilettantish, he is immersed in the spirit of the music, caring more for emotional honesty than for slavish dedication to scholarly notions of authenticity. There's something undeniably inspiring about the sincerity and audacity of Corey Harris and his fellow revivalists, bringing the vintage blues styles into the '90s. -- David Whiteis, Chicago Reader

Há divergências quanto à origem do nome da povoação Valado dos Frades; alguns historiadores defendem que Valado deriva de "Velado" ou de "Vigiar", uma vez que neste lugar vivia um frade que tinha como função vigiar os campos agrícolas e matas que circundavam a povoação; enquanto que outros historiadores defendem que o nome deriva de "Valo" ou "Vallu", que significa campo de irrigação, uma vez que os campos de Valado dos Frades são atravessados por quatro rios: o Rio da Areia, Rio Alcoa, Rio do Meio, e Rio das Tábuas. Quanto à palavra Frades, não há dúvidas: deve-se aos monges de Cister que se instalaram na localidade no século XVIII.
Pertenceu ao concelho da Pederneira, mas durante uma crise administrativa passou temporariamente para Alcobaça. Em 1912 o concelho da Pederneira passa para a Nazaré, e o valado passa a categoria de freguesia.
Uma localidade, sede de freguesia, com um festival de jazz que já vai na 8.ª edição...
De 7 a 16 de Abril (com intervalo pelo meio), é a seguinte a programação do 8.º FESTIVAL DE JAZZ DE VALADO DOS FRADES:
7 de Abril
Quinteto de Nelson Cascais
Julian Arguelles (sax tenor), André Fernandes (guitarra), Nelson Cascais (contrabaixo), Jesse Chandler (piano) e Bruno Pedroso (bateria).
8 de Abril
Quarteto de Bernardo Sassetti
Perico Sambeat (saxs), Bernardo Sassetti (piano), Paco Charlin (contrabaixo) e Marc Miralta (bateria)
9 de Abril
Sexteto de Miguel Fevereiro
Jorge Reis (sax alto e soprano), João Cabrita (sax tenor e barítono), Miguel Fevereiro (guitarra), Pedro Gonçalves (contrabaixo), Nuno Pessoa (bateria) e João Cardoso (sintetizadores e samplers).
10 de Abril
"Aprender a ouvir jazz!"
Big Band do Município da Nazaré. em concerto comentado.
(entrada livre) ------
14 de Abril
Dixie Gang (gravação de concerto ao vivo)
João Viana (cornetim), Claus Nymark (trombone), Paulo Gaspar (clarinete), Jacinto Santos (tuba), David Rodrigues (piano), Silas Oliveira (banjo) e Rui Alves (bateria).
15 de Abril
Carlos Barretto Quarteto
Jorge Prado (saxs e flauta), Mariano Diaz (piano e fender rhodes), Carlos Barretto (contrabaixo) e Guillermo McGuill (bateria).
16 de Abril
Jeffery Davis Quartet
Jeffery Davis (vibrafone), Alex Terrier (saxs), Bennet Miller (contrabaixo) e Julien Moussac (bateria).
The Last Miles: The Music of Miles Davis, 1980-1991 (Jazz Perspectives)
Do pouco que gravou (escassos 4 discos para a Blue Note), True Blue foi o único que Harold "Tina" Brooks conseguiu ver editado em vida, em 1960. Duke Jordan, piano, Freddie Hubbard, trompete, Sam Jones, contrabaixo, e Art Taylor, bateria, dão-lhe um sainete todo especial. Quinteto perfeito para um disco quase perfeito. Que som tinha o sax tenor de Tina Brooks! Uma casa cheia. «Good Old Soul». Clássico, mesmo a calhar para o momento em que chove a bom chover. Tardava. Com Tina Brooks não nos falta nada.
Ontem, o «Albuquerque Tribune» publicou um artigo sobre Cecil Taylor, a quem designa por «True Original». Numa antevisão do concerto que o pianista dará naquela cidade americana por estes dias, diz o jornal, na edição online: «Cecil Taylor's music is often compared to musical greats, but he brings a style of his own that has stunned the jazz world [...]».Entretanto, Cecil Taylor prossegue a sua estadia por terras do Novo México, com um programa deveras interessante a decorrer no Center for the Arts, na New Mexico University, como noticia o «New Mexican» na sua edição de dia 1.º de Abril. «Taylor-made for the avant-garde [...]».
Passada a fase aguda do estrangulamento financeiro que se abateu sobre o TONIC, mercê dos contributos do público e dos artistas que, numa base de voluntariado generoso, conseguiram juntar os fundos necessários ao alargar da corda, eis que o clube nova-iorquino se vê novamente desafogado e capaz de retomar a programação regular.Apesar do balão de oxigénio, a casa continua a pedir aos interessados nas diversas formas de música experimental, que continuem a apoiar os eventos, através de donativos, assistência e participação em concertos, da divulgação por quaisquer meios das actividades do clube, quer testemunhando o seu apoio à causa das mais variadas e criativas formas, incluindo a escrita e publicação de depoimentos na página do Tonic.Mesmo à distância de quilómetros, todos podemos ajudar. Toda a comunidade interessada nestas músicas beneficia da actividade do Tonic; directamente, os que lá pudem ir e participar ao vivo; reflexamente, todos os outros, através da fruição mediata dos resultados das inúmeras experiências que se realizam naquele espaço, cujos ecos artísticos nos chegam pelas mais diversas manifestações, incluindo as gravações nele se realizam, que testemunham a vitalidade da música improvisada deste tempo, fervilhante de interesse e criatividade.Esta semana, no sítio do costume:2 de Abril
- Benefit for Tonic: Tristan Perich plus The Wind Up Bird plus World plus Dirty Projectors
- Steven Bernstein's Millennial Territory Orchestra3 de Abril
- Willem Breuker Kollektief5 de Abril
- Michael Attias, Mat Maneri, Anthony Coleman, John Hebert & Tom Rainey6 de Abril
- Okkyung Lee, Shelley Burgon & Tim Barnes
- David Watson, Lee Ranaldo & Tony Buck7 de Abril
- Mark O'Leary, Jamie Saft & Kenny Wollesen
- Antibalas Afrobeat Orchestra
O concerto de Ernesto Rodrigues, Manuel Mota e José Oliveira, ontem à noite na Trem Azul – a que assisti apenas parcialmente – naquilo que me foi dado ver e ouvir, cumpriu plenamente as expectativas. O som do trio é muito coeso e a sala da Trem Azul possui boas condições acústicas para a prática musical, em particular para este tipo de contextos, pequenas formações de improvisação livre, que induzem e facilitam uma relação de grande proximidade - de intimidade até - entre artistas e público.Musicalmente, o trio atingiu um elevado nível de maturação e desenvolvimento, evidenciando a prática de tocarem juntos, cujos resultados são conhecidos das gravações para a Creative Sources, editora portuguesa criada por Ernesto Rodrigues. Os músicos interagiram bem, construindo um discurso atravessado por uma poética que vai do silêncio à brusca explosão, numa linha estética que se filia na livre-improvisação europeia - em particular da escola de Londres, pós Spontaneous Music Ensemble (SME), profusamente documentada pela editora EMANEM - com referências à música de câmara contemporânea. Manuel Mota afagou, percutiu e esfregou as cordas, transformando a guitarra num instrumento cujo primeiro resultado é a produção de texturas, ora rugosas e ásperas, ora suaves e aveludadas, com enorme variação de cor e forma, que se misturam com a manta de percussão que José Oliveira estendeu, encolheu e voltou a estender. Estruturas flexíveis sobre as quais a liquidez sonora do violino de Ernesto Rodrigues teceu malhas recortadas a partir de uma imensa variedade de técnicas de execução do instrumento. A electrónica, usada com parcimónia e integrada na paisagem, contribuiu menos para a alteração ou modificação sonora, que para adicionar novos significados e um certo efeito de transparência sobre os procedimentos em curso.
Música fragmentária e descontínua, mas assinalavelmente coesa e estruturada em regime de construção em tempo real, cheia de incidentes e surpresas a cada volta. Na música de Rodrigues, Mota e Oliveira, todos os sons e silêncios são válidos, pertinentes e fazem sentido, na sua totalidade como no mais ínfimo detalhe.
Ernesto Rodrigues, Manuel Mota e José Oliveira, ao vivo na Trem Azul - 31 de Março, 19h30.
«UM TOQUE DE JAZZ»
RDP - ANTENA 2
Um programa de Manuel Jorge Veloso
Domingos - 24.00 às 01.00
Quintas (rep.) - 10.00 às 11.00
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ABRIL
03.04.05 (e 07.04.05) – Novos discos (1) – «Phonetics» (Benoît Delbecq); «Don’t Explain» (Caroline Henderson); «Far Side of Here» (Brooklyn Sax Quartet); «Urban Griot» (Giorgio Gaslini); «Treats of The Nightwalker» (Josh Roseman); «Welcome to Life» (David Binney).
10.04.05 (e 14.04.05) – Novos discos (2) – «One Block From Planet Earth» (Mick Rossi); «I Have The Room Above Her» (Paul Motian); «The Seasons Reflected» (David Liebman-Gunnar Mossblad); «Leaves of Grass» (Fred Hersch); «Summit» (Gerry Mulligan-Astor Piazzolla); «Same Mother» (Jason Moran); «Last Quarter Moon» (Chiara Civello); «Conversations with the Unseen» (Soweto Kinch).
17.04.05 (e 21.04.05) – Novos discos (3) – «Arise» (Lynne Arriale); «Black Water» (Rudresh Mahanthappa); «Save Big» (Russ Johnson); «Music for 3 – Vol. 1» (Stéphane Furic); «On The Moon» (Peter Cincotti); «Joyous Encounter» (Joe Lovano); «Mountain Passages» (Dave Douglas); «American Song» (Andy Bey)
24.04.05 (e 28.04.05) – Uma reedição especial - «Blue Note Perfect Takes», um álbum que contém 10 faixas escolhidas entre as suas favoritas pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder, de entre as centenas de álbuns que gravou para a editora Blue Note.
Transmissão: FM e AM da RDP/Antena 2 e webcast.