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31.12.06
 


2006 Innovators: Ornette Coleman

Havia 10 anos que Ornette Coleman não lançava um disco novo. O último fora Sound Museum, em 1996. Este que em Setembro de 2006 publicou regista um concerto ao vivo em Ludwigshafen, Alemanha, em 2005. Com o saxofonista, trompetista e violinista texano, tocaram o filho Denardo Coleman, bateria, e dois contrabaixistas, Greg Cohen (pizicatto) e Tony Falanga (arco). Revisitações de Turnaround e Song X, a par de novas composições, como Call to Duty, Only Once, Waiting for You, Jordan, Sleep Talking e Matador.
Aos 76 anos (1930, Fort Worth, Texas), Ornette parece não querer deixar de colocar questões e de investigar para além do que já se conhece, prosseguindo o seu objectivo de vida: “I seek to play pure emotion”. Sound Grammar.
 
30.12.06
 

Seis mensageiros em vez dos cinco habituais. Art Blakey and the Jazz Messengers, Mosaic. Discaço vibrante! Pequenas alterações na equipa-base produzem grandes diferenças. Cedar Walton (piano) entrou para o lugar de Bobby Timmons; Freddie Hubbard, para o lugar de Lee Morgan. Ao lado de Jymie Merritt e de Art Blakey, ajudam a criar a avalanche hard-bop que rola em todas as direcções. Freddie Hubbard (trompete), Curtis Fuller (trombone) e Wayne Shorter (saxofone tenor). Um dos muitos grandes discos de Art Blakey. Blue Note, 1961, rudivangelderizado em 2006, ainda por cima.

 
 

O pianista e compositor britânico Stan Tracey faz 80 anos, e o Jazz on 3 dedica-lhe um programa inteiro. Hora e meia de emissão com excertos de duas actuações ao vivo. Na primeira parte, em trio, com o contrabaixista Andrew Cleyndert, e o baterista (e seu filho) Clark Tracey durante a recente edição do London Jazz Festival, em Novembro último. Para preencher a segunda metade do programa, Jez Nelson foi aos arquivos da BBC e encontrou gravações raras de Stan Tracey a improvisar livremente, a solo e em duo com o saxofonista Mike Osborn, em 1973.

 
 

metropolis - a blog and online-shop for jazz, improvised and 'unheard' music. Aqui tem a gente muito que aprender e outro tanto com que se entreter. São várias as secções (artist portrait, books, general, interview, label portrait, podcast e reviews). Um acervo de informação que tem vindo a crescer em qualidade e em quantidade desde Junho passado. Edição trilingue (alemão, francês e inglês). Regressa ao activo a 15 de Janeiro.

 
29.12.06
 

Em 1974 pode ter feito parte da banda sonora da Revolução. Em 1999, reapareceu de novo em CD para gáudio de artensembleanos como eu, os que tinhamos perdido a primeira oportunidade. Fanfare for the Warriors, disco de estúdio, conta com um bónus especial: a participação do pianista AACM Muahl Richard Abrams, extraordnário investimento na expansão harmónica do colectivo. O resto é The Art Ensemble of Chicago no pináculo da criatividade musical; o trabalho antropológico sobre as ancestrais raízes africanas, a mitologia pan-africana que recuperam, investigam e constroem eles próprios – no fundo, uma súmula da grande viagem espiritual de Joseph Jarman, Roscoe Mitchell, Lester Bowie, Malachi Favors e Famoudou Don Moye. Gravado no mítico Paragon Studios, Chicago, em Setembro de 1973. Fanfare for the Warriors.

 
28.12.06
 

Anthony Braxton ao vivo no Iridium Jazz Club, clube de Nova Iorque, durante quatro noites de Março deste ano. Foi tudo gravado, e o resultado – 12 tet +1 - 9 Compositions (Iridium) 2006, que inclui as Composições n.ºs 350 a 358, do ciclo Ghost Trance Music – nove CDs e um DVD, vai ser publicado em Abril do ano que vem, pela Firehouse 12 Records, a editora do engenheiro de som Nick Lloyd e do trompetista, compositor e improvisador Taylor Ho Bynum, que, estando ainda em preparação, se vai lançar desta forma monumental. A Iridium Box sai a 3 de Abril de 2007. Braxton ao vivo em dodecateto (mais um) num total de nove discos e um DVD?!

 
27.12.06
 
Já tinha dito que não iria alinhar um top 10 deste ano. Não porque não tivesse havido música com qualidade suficiente para o justificar; o problema releva da preguiça e da proverbial desarrumação (um disco aqui, outro ali...) e vai daí, népia, não estou para aí virado. No entanto, houve um disco (ou dois) a que regressei amiude durante o ano que ora finda: Zero Degree Music e Music Degree Zero, do Adam Lane Trio. Para meu gosto e contentamento este belo par representa por si só o que de melhor se publicou e eu ouvi em 2006, embora neste caso as gravações datem de 2005. Zero Degree...saiu ainda o ano passado.
Reproduzo abaixo o post de 27 de Outubro último, alusivo ao power trio de Adam Lane (na foto, envergando uma t-shirt dos japoneses Melt-Banana) - uma verdadeira corrente de frescura que atravessou o jazz e contribuiu para o renovar na sua dimensão transgeracional, mostrando interessantes direcções a empreender. Não quero com isto dizer que se trata do melhor entre os melhores, mas o certo é que estes dois volumes são realmente de estalo e valem também pela atitude e pela vontade de afirmar um som próprio, que tem, entre outras, a virtude de, sem sair dos eixos ou renegar a "tradição" (não falta swing nem estrutura), não macaquear o pai, o avô ou o vizinho. Irreverência, beleza, insurreição e energia. É disto que o jazz precisa.
E Vinny Golia é um grande mestre!
Por cá, louvo os esforços consequentes de Rodrigo Amado, com dois discos (Spiritualized e Teatro, oportunamente recenseados aqui no J&A), e de Alípio C. Neto, com um na rua (Snug as a Gun, para o qual tive o subido gosto de escrever as liner notes) e mais três ou quatro prontos a sair. E muitas, muitas actuações ao vivo.

"É de truz! Ou, por outra, são de truz. Dois discos inteiros resumem a excursão que Adam Lane (n. 1968) fez ao Cadence Building, da família Rusch, Redwood, NY, em Fevereiro de 2005. O contrabaixista está em franca ascensão. Trabalha que se farta e tem tido a sorte e o mérito de agradar ao público e aos críticos. Além das inúmeras colaborações que lhe têm sido pedidas, os projectos em nome próprio têm vindo a crescer em número e em qualidade: solos, duos (excelente Tandem Rivers, com o saxofonista alto Blaise Siwula); outro, mais recente, com John Tchicai, na CIMP (Dos); o quarteto com John Tchicai, Paul Smoker e Barry Altschul, que produziu Fo(u)r Being(s); a Full Throtlle Orchestra, a Supercharger Jazz Orchestra (de que saiu Hollywood Wedding na Cadence Jazz Records) e outras iniciativas entre Los Angeles e Nova Iorque.
Zero Degree Music e Music Degree Zero, é Adam Lane Trio a dobrar, com Vinny Golia, saxofones tenor e soprano, e o baterista Vijay Anderson. «We play a free swing, hard bop, avant swing similar to Mingus and Ellington on the Money Jungle record, but with a bit more of a modern feel» - sintetiza Adam Lane nas notas.
Sublinho o groove que se projecta na música do trio, e os elevados padrões de improvisação e interactividade, a que mestre Vinny acrescenta considerável valor. Esta é uma das raras oportunidades de o ouvir tocar saxofones tenor e soprano em grupos de reduzida dimensão, num registo mais próximo da tradição jazz dos instrumentos (como faz Joe McPhee no Trio X, por exemplo, ao harmonizar força física e elevação espiritual), que da new music braxtoniana praticada noutros instrumentos da família dos saxofones, e na gestão de ensembles de grande magnitude, como os que se podem ouvir e conhecer via Nine Winds. Aqui, Vinny Golia desce ao terreiro do trio de saxofone-baixo-bateria (Vijay Anderson chega bem para os dois, imaginativo nas figuras e cheio de instinto groove), cumpre genericamente as prescrições de Adam Lane, e, por entre elas, sopra que se desunha, com intenção, bom gosto e espessura sonora. Zero Degree Music e Music Degree Zero, companheiros inseparáveis, são duas obras a ter em muito boa conta. Grau Zero?! Só com grande dose de ironia".

Vinny Golia

 
 


ULRICHSBERGER KALEIDOPHON 2007

Musikfestival im Jazzatelier Ulrichsberg

De 27 a 29 April de 2007

UNSK - Birgit Ulher, Lise-Lott Norelius, Raymond Strid, Martin Kuechen;
MEMORIZE THE SKY - Matt Bauder, Zach Wallace, Aaron Siegel;
TOUCH THE EARTH, CHAPTER II - Wadada Leo Smith, Günter Baby Sommer;
MORE IS MORE - Peter Evans;
CHRIS BURN SOLO;
EFZEG - Boris Hauf, Billy Roisz, Martin Siewert, Burkhard Stangl, Dieb13;
MISHA MENGELBERG / TRISTAN HONSINGER;
THE FELL CLUTCH - Ned Rothenberg, David Tronzo, Stomu Takeishi, Tony Buck;
PARLANDO - Bertl Muetter;
BROSPA II - Franz Hautzinger, Manon Liu Winter;
COURANTS - Michel Doneda, W. Grafenhorst, F. Kwiatkowski, Le Quan
Ninh;
INSTANT COMPOSERS POOL ORCHESTRA;
BERNADETTE HUBER

 
26.12.06
 

De manhã. Prepare yourself for the Moonship Journey

 
 


Os manos turinenses Maurizio (cosmic guitar, mini xylophone, meteoric percussion) e Roberto Opalio (astral guitar, jouets spacials, extra-terrestrial electronics, harmonica, planetary percussion, voice) devem ter bebibo qualquer coisinha estranha no leite materno. Também respondem pelo nome MY CAT IS AN ALIEN (não deve ser só o gato), e nessa condição publicaram Il Suono Venuto Dallo Spazio na canadiana Victo.
No mesmo pacote saiu For Percy Heath, nova fatia da Little Huey Creative Music Orchestra, a big band de William Parker. For Percy Heath é a homenagem de WP e da LHCMO ao grande contrabaixista Percy Heath (1923-2005), músico de longa carreira, cuja fatia mais assinalável foi vivida com o Modern Jazz Quartet. Gravação no Festival International de Musique Actuelle de Victoriaville, edição de 2005.
Do septeto de free-rock nova-iorquino que usa guitarras, saxofone, percussão e voz para armar uma confusão psicadélica bestialmente (des)organizada e fascinante, No Neck Blues Band, saiu também Nine For VICTOR, gravação no festival de Victoriaville de 2005. Pelas minhas contas, o sétimo capítulo da Little Huey Creative Music Orchestra, formação que inclui Sabir Mateen, Darryl Foster, Rob Brown, Charles Waters, Dave Sewelson, Roy Campbell, Matt Lavelle, Lewis Barnes, Steve Swell, Alex Lodico, Masahiko Kono, Dave Hofstra, Andrew Barker e William Parker.
Três edições mais a juntar ao rol das encomendas. Uma maneira tripla de acabar o ano em beleza. Les Disques Victo.

Little Huey Creative Music Orchestra

 
25.12.06
 

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James Brown (1933-2006). RIP
 
 

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Um ano sem Derek Bailey (29.01.1930 – 25.12.2005): um dia só com Derek Bailey.

Fui à estante e escolhi sete títulos (as seis cordas, mais um) de entre discos simples, um duplo e um triplo; solos, duos, trios, quarteto; acústico e electrificado, para ouvir ao longo do Dia de Bailey:

- The Moat Recordings (Joseph Holbrooke Trio, Gavin Bryars e Tony Oxley, Tzadik 2006);
- The Topography of the Lungs (Han Bennink e Evan Parker, 1a edição da Incus, 1970);
- The London Concert (Evan Parker, Incus 1971);
- Lace (solo guitar, Emanem 1989);
- The Sign Of Four (Pat Metheny, Gregg Bendian e Paul Wertico, Knitting Factory 1997);
- Pieces for Guitar (Tzadik, 2002);
- To Play (The Blemish Sessions), (Samadhisound, 2006).

 
23.12.06
 

Um serão pré-Natal (aqui ainda não chegou o politicamente correcto) vai bem com a tranquilidade de Jimmy Giuffre, Paul Bley e Steve Swallow: Emphasis & Flight 1961. Clarinete, contrabaixo e piano. Há quem ponha em dúvida que Paul Bley é mesmo "outro" pianista? CD duplo hatHOLOGY com actuações de de Estugarda e Berlim, em 1961, como o título indica. Um sonho. E ainda por cima este é o único disco que regista actuações ao vivo deste trio.

 
 

Ei, privilegiados: Oshiri Penpenz, Nmperign + Jason Lescalleet, Ellen Fullman + Sean Meehan, Keiji Haino + Tony Conrad, Lethe, Steve Baczkowski + Ravi Padmanabha, Arrington de Dionyso, Maryanne Amacher e muitos outros, em excertos a/v de apresentações ao vivo entre 13 e 15 de Outubro passado, no Instal 2006 (Brave New Music) - festival anual de música underground, que docorreu em Glasgow, Escócia.

 
22.12.06
 

A quatrocentésima edição do Jazz on 3, da BBC Radio 3, é bem o reflexo do que tem sido o ecletismo na actividade difusora do programa, desde o seu início. Vamos poder ouvir hoje às 11 pm de Londres, e a qualquer hora via webcast durante toda a semana que vem: Joe Lovano Quartet (JL, na foto), e a suite Streams of Expression; o Trio 3, de Reggie Workman, Andrew Cyrille e Oliver Lake; Bob Belden’s Animation, na senda do Miles eléctrico (vai passar Spanish Key, do Bitches Brew); os Digital Primitives, de Assif Tsahar, Chad Taylor e Cooper-Moore. Tempo ainda para John Zorn no The Stone, e Wynton Marsalis, no Lincoln Center, seus respectivos habitats naturais, por assim dizer. Casa cheia, a de Jez Nelson.

 
 

A associação cultural e recreativa Waldron/Lacy deu muitos e bons frutos num passado ainda recente. Como este "europeu" Hard Talk (Enja, 1974). Mal Waldron, Steve Lacy, Manfred Schoof, Isla Eckinger e Allen Blairman. E o duo Mal Waldron & Steve Lacy, Sempre Amore (Soul Note, 1987), para não ir mais longe...?

 
 

What will the 24th FIMAV has in store for us all? It is obviously too early to tell, but one thing is sure: it will still be home to audacity and creativity. Thank you all, artists and members of the audience; you are our inspiration. See you next year, from may 17 to 21 for more unlikely and rich musical adventures!

 
 

Atenção cuidada merece o trabalho das pequenas editoras. De modo discreto e sem alardes, lançam títulos que dificilmente entrarão nas listas dos melhores do ano, por falta de capacidade de se mostrarem ao público e aos opinion makers. Improvável é que consigam pagar os custos de produção. Mesmo assim, são centenas, milhares a operar por esse mundo fora, a maior parte das vezes por estrito amor à arte.
É este o caso da muito estimável Mutable Music, editora gerida e mantida pelo cantor norte-americano Thomas Buckner, barítono com uma vida inteira dedicada à música (participação nas óperas de Robert Ashley, colaborações com gente do jazz e de fora dele, como Alvin Lucier, Pauline Oliveros, Jerome Cooper, Roswell Rudd ou Roscoe Mitchell), seja via new music ou improvisação vocal (ou as diversas formas de ambas se recombinarem, daí o conceito de “mutabilidade”), e à edição discográfica, actividade esta última que iniciou com fundação da 1750 Arch Records.
Discretamente, de modo quase clandestino, vão surgindo novas edições no selo nova-iorquino, propostas sempre com elevado interesse estético e musical, que tanto apelam à mente como ao coração. Ou não fosse Thomas Buckner, ele próprio, um homem de requintado bom gosto, que procura dar a conhecer música “de alongamento”, que dificilmente se poderá encontrar noutras editoras, mesmo naquelas com maiores afinidades estéticas.
Na Mutable Music acaba de sair Totem, disco de “improvisações com a escultura de Alan Kirili”. Em 2005, Jérôme Bourdellon, flautista francês, recebeu Thomas Buckner em Paris, e, velhos conhecidos, foram ambos para o atelier do escultor Alain Kirili. O objectivo era gravar uma sessão de voz (barítono), flauta e shakuhachi, na presença interactiva de um conjunto escultórico intitulado Totem. Numa abordagem moderna em termos de posicionamento relativo, em que voz e flauta são dois instrumentos que estão ao mesmo nível, quer porque os instrumentistas, no caso concreto, possuem a mesma base “clássica”, quer porque os aspectos físicos da produção sonora e as estratégias de afirmação se adequam, explorando toda a gama de registos, timbres e coloratura, com caracterísicas tão amplas, combinando aspectos que se reconhecem na música antiga e na ópera moderna, shamanismo e poesia urbana. Resultou numa música transparente, fina e estaladiça como películas de gelo, que se derrete e evapora sem deixar resíduo. Poesia sonora, arte maior. Não se espera que passe na rádio.

 
21.12.06
 

Jane Ira Bloom, no TONIC a 6 de Janeiro. Apresentação de Beyond the Brain, obra com o apoio da "Chamber Music America’s New Works: Creation & Presentation Program", financiada pela "Doris Duke Charitable Foundation". A sopranista venceu a última edição do "Mary Lou Williams Jazz Award for lifetime service to jazz", e já tinha arrebatado em 2006 o prémio dos Jazz Journalists na classe de saxofone soprano. No TONIC estará acompanhada por Matt Wilson, bateria, Mark Helias, contrabaixo, e pela pianista Dawn Clement. Para mais informações, consultar a página pessoal da senhora.

 
20.12.06
 

(clique em cima para conseguir ler)


 
 

Está na altura dos top 10, que os há para todos os gostos. Este ano, por fastio e por preguiça, não vou encarreirar os habituais 10 disquinhos, actividade sempre tão chata quanto estulta. Que se esfoliem os tops! São todos muit'a bons, está decidido. A Jazz Journalists Association é que não se deixa ficar. Vai daí, compilou uma quantidade de propostas (34, se bem as contei) de críticos seus associados. As minhas escolhas talvez andassem próximas das de Howard Mandel e de Stuart Broomer, mais coisa menos coisa.

Na foto: John Coltrane, Thelonius Monk, Ahmed Abdul-Malik (contrabaixo) e Shadow Wilson (bateria), no Five Spot Café, Nova Iorque, 1957.

 
 

É o próprio senhor Dave Douglas quem conta a história da mais recente (?) travessura editorial com o quinteto-maravilha que agremiou e reformulou ainda não há muito tempo, mas que se posiciona de forma ambiciosa para vir a ombrear com outros grandes da história recente (o de Dave Holland, por exemplo) e não tão próxima (os vários de Miles Davis): este mês de Dezembro, na semana de 5 a 10, Dave Douglas e o quinteto aportaram ao Jazz Standard, em Nova Iorque, para uma residência de 6 noites consecutivas, num total de 12 sets de uma hora. Os técnicos do local conversaram com os de Douglas e assentaram na ideia de gravar a integral do acontecimento, para posterior edição através da Greenleaf Music, editora fundada e dirigida pelo próprio trompetista. O programa – de acordo com a ainda escassa informação disponível – comporta temas de discos anteriores The Infinite (2001), Strange Liberation (2003) e Meaning and Mystery (2006), um punhado de novas composições escritas por Douglas propositadamente para apresentar no Jazz Standard, assim como versões de temas de Bjork, Beck, Mary J. Blige e Rufus Wainwright. O conjunto está já disponível na página da musicstem (Premonition Music), a $70 o pacote completo (12 sets), a $7 o álbum, ou a $0.99 o tema. Aguarda-se a saída em CD, para quem careça de voltear o dito entre mãos.
O Chicago Reader, que as apanha bem, rezou assim: "The recording quality is first-rate, not some middling board feed—which seems to present this project as an alternative to the rampant BitTorrent bootlegs you practically stumble into on the Internet these days—and what I've heard of the massive set thus far has been creatively excellent".
Dave Douglas Quintet: Dave Douglas, Donny McCaslin, Uri Caine, James Genus e Clarence Penn a mesma e renovada formação com que Douglas gravou o bem rematado Meaning and Mystery.

 
 
Listen carefully, I shall say this only once”, como dizia a Michelle da Resistence ('Allo 'Allo): ide e buscai o novo disco de Sonny Simmons em trio com o histórico Cameron Brown, contrabaixo, e com um dos melhores bateristas da actualidade, que me lembra o drumming de Elvin Jones, Ronnie Burrage. Digno de ser ouvido, Live at Knitting Factory foi gravado no decurso do VI Annual Vision Festival, em Nova Iorque, a 25 de Maio de 2001. O valor supremo é a total empatia entre os músicos, a partir da qual se produz um nível de interacção raramente ouvido. Nessa matéria, New Groove Mode epitomiza bem o que por cá vai. Sonny Simmons, norte-americano de Louisiana, é daqueles saxofonistas improvisadores que valem hoje, em termos de convicção, incisão e savoir-faire, tanto como valiam há 40 anos (confirmar com audição dos ESP-Disk, Music from the Spheres e Staying on the Watch, com Barbara Donald e companhia). Está é mais sábio. Saibamos nós ouvir e compreender a música da alto-realeza simonniana. Live at Knitting Factory é uma das cinco primeiras edições da Ayler Records em formato exclusivamente digital.

 
18.12.06
 

Olho nisto que a Water Records foi buscar ao sótão da Atlantic! Ornette Coleman de 59/60, nunca ouvido pelo vulgo se não em 1975, num LP que só conheceu edição japonesa e limitada. Para quem não recebeu a graça de possuir um exemplar do monumento Beauty is a Rare Thing, a integral das gravações para a Atlantic Records (6 discos com pensão completa), chegada é a vez de prestar atenção a estes inéditos que Ornette gravou com o seu quarteto clássico, aquele que tantas pedras arrancaria das calçadas, e cuja música ainda hoje não passa pelo estreito de muito boa gente entendida (ou que se supõe ser) em Jazz: Don Cherry, trompete; Charlie Haden, contrabaixo; e, alternando na bateria, Ed Blackwell e Billy Higgins. Ainda não era chegado 1961, e com ele o seminal Free Jazz, A Collective Improvisation, com o duplo quarteto. Por enquanto andava ainda tudo muito à volta da temática de Change of The Century e de This is Our Music, para dar uma ideia aproximada. To Whom Who Keeps A Record saiu a 12 deste mês. Como obter a malha? A Tower é uma opção razoável.

Beauty is a Rare Thing




 
 

Afinal, do EXPRESSO nem só a indigente saraivada de tempos felizmente idos (foi "brilhar" para a rua dele), nem a eterna, imutável e mais que empedernida bernarda. Lendo bem, há quem olhe para a música relevante que se faz hoje com ouvidos que nos fazem, por momentos, reconciliar com o que o jornal deveria ser: uma tribuna, se não plural, pelo menos não-monolítica. A escrita de Rui Tentúgal, além dum refrigério, tem qualquer coisa de redenção para quem há décadas carrega o fardo do quiosque para casa e de casa para o papelão. Afinal, ele move-se...

Amado / Kessler / Nilssen-Love

Chamar Teatro a um disco de free jazz pode criar a sensação de que vem aí uma espécie de “teatro da crueldade”. Chamar “Pandora’s Box” a um dos temas parece anunciar a versão sonora de todas as desgraças da Humanidade. Nada disso. Conta o mito que Pandora fechou a caixa a tempo de guardar lá dentro a esperança. Rodrigo Amado (saxofones tenor e barítono), Kent Kessler (contrabaixo) e Paal Nilssen-Love (bateria) tocaram pela primeira vez juntos na gravação desta música, em 2004, no Porto. Serão os “protocolos de improvisação” comuns a músicos e actores que aqui se experimentam? Será Teatro “a arte da improvisação e da ilusão de espontaneidade”? Será “Chasin’ Pirandello” uma desconstrução da presença e da identidade como Seis Personagens à Procura de Autor? Ou será Teatro o palco que falta a esta música que tem os ritmos e as subtilezas de um drama? A única certeza é que aqui está muito do jazz mais incisivo e premente que Amado gravou até ao momento, confirmando a justiça das atenções que começa a captar a nível internacional. - Rui Tentúgal

 
 

Blue Cathedral? Hum? psycho noise?

Ever heard howling at the moon like the mongrel dogs of Comets on Fire? Yeah, it’s everyday for me too, rock fanatics, gorging myself on their errant aberrant muse. A solar wind blowed through the aching heart of their last studio colossus, but the newie grabs handfuls of the moon and snorts at the gusset of the menstruating Muse. This ain’t no garage band, grandma!


 
 

Nunca disse isto a ninguém, nem mesmo como segredo de alcova, mas Paul Bley é o meu pianista favorito. Vá-se lá saber porquê. Aos meus ouvidos, o canadiano outrora marido de Carla, chega mais longe, vai mais fundo, e diz de um modo que não tem par, mesmo entre os modernistas. À medida que o tempo passa temos ambos vindo a “conversar” cada vez melhor. Tenho-me apercebido da grandiosidade da sua estética, da sua leitura incisiva, bem junto ao osso tayloriano. Até dói. E não venham já atirar com os maiores talentos que pululam por aí, fabricados em série, uns, em parte verdadeiros, outros; noutra, insuflados pelo marketing do showbiz e pela sorte das companhias em que andaram. Jarrett é maior que Bley? Chia muito mais enquanto toca, é verdade, mas, na minha terra, nem pó.
Só ouvi este ESP-Disk de 1965 há para aí 10 anos. Nem sequer foi uma revelação imediata. Antes algo que se foi infiltrando quase imperceptivelmente, que me serviu, entre outras coisas, para sugerir outros discos, para trás e para diante (The Floater / Syndrome, em LP da Savoy, e depois em CD, na Vogue, com Steve Swallow e Pete LaRoca, vem-me de imediato à cabeça) e assim sucessivamente, até chegar à certeza de que Bley é "o" pianista. O tempo o dirá? Não, não, o tempo já o diz. E já dizia em 1966, em trio com Steve Swallow (contrabaixo) e Barry Altschul (bateria). Closer: três em um de três em pipa.

 
 

BIG SATAN em sessão dupla. Como passar impune ao lado disto? Não há. LiveIn Cognito. A mecânica de Tim Berne é complexa mas de fácil assimilação. Ouço Berne há anos nos mais variados contextos e formações, de duo a big band, mas tenho um fraquinho especial por este trio, que divido com outro, o Paraphrase, com Drew Gress, contrabaixo, em vez de Marc Ducret, guitarra; ou o Hard Cell, com Craig Taborn em vez de Marc Ducret e de Drew Gress... -, geometria que em muito favorece o brilho rápido e anguloso do seu saxofone alto. Berne chama a si uma boa parte da via para o estertor, enquanto Marc Ducret vai temperando a mistura com um irresistível lado melancólico, contraponto perfeito aos fogachos que irrompem do outro lado, por entre os movimentos de definição estrutural e melódica. Tom Rainey… bom, não haveria escolha mais acertada para peles e pratos, quando se trata de criar a este nível. Recue-se 10 anos e lembre-se I Think They Liked It Honey (Winter & Winter), e a seguir passe-se os ouvidos por Souls Saved Hear (Thirsty Ear, 2004). Feita a analepse, melhor se entenderá o “regresso ao futuro” que permanentemente se joga no âmago deste organismo vivo. Mais do que indagar sobre aquilo que eventualmente se teria perdido ou ganho com a passagem do tempo, que dessa contabilidade não se cuida aqui, o que importa é o elevado grau de resposta entre os músicos, a mestria na gestão do espaço e do tempo, a forma de a fazerem ao vivo, sem truques, sobreposições ou outros efeitos de cosmética. E de como essa relação se completa com a intervenção do ouvinte, convocado para um interessante trabalho de descodificação de sinais, o que apenas lhe exige sensibilidade, atenção e disponibilidade mental. Quem gosta de improvisação, seja ela jazz tout court ou coisa mais vasta, de que é que está à espera para prestar atenção a esta superlativa forma de satanismo? Por excelência... (Screwgun Records).


Big Satan (smoke gets in your eyes?)

 
17.12.06
 

KZSU

 
16.12.06
 

"Enigma is a new recording by two of the foremost leading innovators in creative music today, pianist and multi-instrumentalist Joel Futterman and multi-reed player Ike Levin. This CD represents another in an expanding series of documented collaborations between these two highly skilled and adventurous improvisers. Musical ideas launch with soaring expansions and flow with fire and ecstatic energy. More abstract musical forms and ideas morph back and forth between rich harmonic undercurrents and melodic overlays. Levin testifies with scorching bellows and cries and angular lines over the churning and evolving torrents laid down on the piano by Futterman. Yet, even the at the heights of abstractness and expressiveness their music swings with conviction. These two musicians clearly share a common vision and strong intuitive connection that is evident in the richness and variations in their music. The Village Voice has referred to Futterman and Levin as two "highly committed creative artists who do not compromise their art" - Charles Lester Music.

A sair em breve, novo disco em trio: Joel Futterman (piano), Ike Levin (sax tenor) e Alvin Fielder (bateria), Live at the Blue Monk.

 
 

Já tinha lido encómios vários, mas ainda não me tinha posto no mais recente disco de Neil Young, Living With War (Reprise Records), o que só esta manhã aconteceu. Bela malha de rock'n'roll, sim senhor, grandes canções com a marca de Young, guitarras em superior distorção, coros nos refrões, secção ritmica potente, tudo como tinha que ser. O power geral é o do Crazy Horse (Rust Never Sleeps...), reconhece-se às primeiras espiras - como dantes se dizia -, embora sem Frank "Poncho" Sampedro, Billy Talbot e Ralph Molina.
Living With War é um disco politicamente empenhado, cheio de ferroadas certeiras no couro do cowboy indecente Bush ("Let's impeach the president for lying") e na puta da guerra que o bronco engendrou, sem esquecer o abandono a que votou New Orleans antes, durante e depois do Katrina. "What if Al Qaeda blew up the levees?/Would New Orleans have been safer that way/Sheltered by our government's protection?". Um libelo contra a miséria moral, política e social em que a América mergulhou e de onde penosamente parece querer emergir. Neil Young é canadiano, e, dirão alguns, não se deveria meter nestes assuntos, "vá mas é prá terra dele". Claro.
Depois do aneurisma que o ia mandando para outro lado, é um prazer reencontrar Neil Young eléctrico (em sentido real e figurado), ainda por cima numa forma e com uma energia (gravou as nove canções em seis dias) de que jamais suspeitaria. Fade out? ainda é cedo, diz ele. Kick out! E diz desta maneira! Neil Young, guitarras, harmónica, voz; Rick Rosas, baixo; Chad Cromwell: bateria. Living With War.

 
15.12.06
 
Na capa, os space cowboys Comets On Fire (reclamam-se de raiana filiação, o que não admira se bem se atentar no soul expanding clamor que projectam), rapazes que combinam rock psicadélico com experimentalismo, à boa e tradicional maneira da Califórnia (deles ainda não ouvi nada tão temível como Field Recordings from the Sun, o primeiro a sério).
Coabitam neste novo e 44º número da SIGNAL TO NOISE (Winter 2007) com Ornette Coleman, Califone, Soft Machine, Dubstep, Peesseye, Malcolm Goldstein (aí está ele!), Dewey Redman (extenso obituário), mais as habituais fartas quantidades de recensões críticas sobre discos e livros de música improvisada e experimental.



 
 

Malcolm Goldstein (foto polansky 2005)


 
 

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A nossa muito amiguinha Ayler Records, do Pai Natal Jan 'Santa' Ström (oh-oh-oh), dedica-nos uma Special Christmas Offer - Celebrating Charles Gayle! Em parceria com com a mana Silkheart Records, o catálogo de Charles Gayle foi reeditado e posto à disposição dos gayleanos deste mundo a preços especiais e sem custos de expedição, vejam lá: Live at Glenn Miller Café (aylCD-015); Raining Fire (SHCD137); Translations (SHCD134); Spirits Before (SHCD117); Homeless (SHCD116); Always Born (SHCD115). Linga-linga-linga...

 
 

Amadeu Z e Dada Rádio tão rolando electrojazz, hip-hop, hard funk...

 
14.12.06
 

- John Coltrane: You Know, Albert, I recorded an album [Ascension] and found I was playing just like you.
- Albert Ayler: No man, don't you see, you were playing like yourself. You were just feeling what I feel and were just crying out for spiritual unity.




 
 



 
 

Um disco muito bonito (o mais bonito) de Oliver Nelson. Composições, arranjos, improvisação individual e colectiva, atenção à árvore e à floresta - tudo elevado aos picos mais altos da criatividade e imaginação jazzísticas por um grupo de all star que, enquanto sexteto, só se reuniu para esta bendita sessão, posto o que, terminada a refrega, cada um foi à sua vida: Oliver Nelson, Freddie Hubbard, Eric Dolphy, Bill Evans, Paul Chambers e Roy Haynes. The Blues & The Abstract Truth, Impulse! de 1961. Essencial; logo, imprescindível. Stolen Moments...

 
 

Just for a day

 
 

Sei Miguel no Sonic Scope Festival 2005, Lisboa
(excerto de um video de Nuno Moita).

Sei Miguel, "pocket" trumpet
Fala Mariam, alto trombone
Manuel Mota, guitar
César Burago, percussion

 
 

Nem seria preciso ouvir Spiritualized, do Lisbon Improvisation Players (LIP), formação arregimentada e mantida há um bom par de anos por Rodrigo Amado, saxofonista tenor, alto e barítono (aqui apenas nos dois últimos), para, além de confirmar as anteriores boas prestações do grupo, poder-se a gente inteirar do excelente pico de forma em que se encontra o trompetista norte-americano Dennis González (Dallas, Texas), em preparos pós Silkheart, a editora sueca que nos anos 80 acolheu e publicou parte considerável da sua obra.
Além de comprovar que do Texas não sai só petróleo e lixo presidenciável – bastaria pensar que é de lá que são oriundos Ornette Coleman, Booker Ervin ou Bobby Bradford (também eles cá moram...), para citar apenas três dos maiores que o jazz viu nascer –, Spiritualized (Clean Feed, 2006) encerra muitos mais motivos de interesse. Desde logo, porque faz jus ao título, ao encontrar Rodrigo Amado, Pedro Gonçalves e Bruno Pedroso (a base do LIP), mais o violoncelista alemão Ulrich Mitzlaff (preciosa adição em dois dois seis temas, que suponho serem totalmente improvisados), virados para a exploração das instâncias mais espirituais do jazz, imbuídos do espírito e imersos numa longa tradição que vem dos inícios da década de 60 e que não mais cessou de se transformar.
Ouvido e reouvido o disco, tem-se a clara percepção de se estar em presença dum caso feliz e profícuo de reciprocidade na troca de ideias, no estímulo e provocação entre sopros, cordas e percussão; uma conta-corrente sempre em aberto, onde os músicos colocam e retiram ideias, influenciados uns pelos outros. Em Tensegrity, tema de abertura, o som limpo e aberto, do tipo marching band, de Dennis González (de tempos a tempos, repete um motivo melódico que lembra o canto duma ave), responde Rodrigo Amado com o peso a desenvoltura do seu saxofone barítono – ligação à terra, em contraponto com o elemento ar que é dado pela trompete.
Está dado o mote relacional entre os sopros, que, com interessantes nuances e diferentes modulações, atravessa todo o disco, tanto nos solos como no recorte instantâneo das melodias. O solo que R. Amado arranca ao segundo tema (Dreams/Reflections), por exemplo, funciona como uma raspagem à alma, daquelas que arrancam o sarro acumulado e nos deixam prontos para outra. Awareness, Meeting Our Times e o belíssimo e final Spiritualized, continuam as subidas e descidas entre a superfície e profundezas, facilitando o trabalho de introspecção.
Pedro Gonçalves (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria), mais que apoio rítmico, tarefa que desempenham com proficiência, primam sobretudo no desenho e na construção de uma sólida trama sobre a qual assenta a profusão de linhas e formas de metal colorido, pontualmente enriquecidas pelas cordas de Mitzlaff.
Tudo visto, Spiritualized é um disco sólido, de intenso groove, liberto de constrangimentos formais e académicos, bem urdido e coeso de fio a pavio. Bom de ouvir a qualquer hora do dia ou da noite. Venham mais (destes) cinco!

 
 

Em mp3, duas das três edições da Horos, que registaram a passagem de Sun Ra por Itália no final da década de 70: o duplo LP Other Voices, Other Blues (Horo Records). Sun Ra plays the blues... , em quarteto, que afinal era um quinteto (com a adição de Gilmore): Sun Ra, Crumar Mainman, Michael Ray, John Gilmore e Luqman Ali. Horo Voice Studio, Roma, 1978; e, melhor ainda, Unity, da Sun Ra Arkestra (Horo, 1978). Church Number Nine é a igreja.

 
13.12.06
 

Jesús Moreno faz referência n'o zurret d´artal ao SS Puft Quartet, formação de Athens, Georgia, que em 2001 gravou Live at Earthshaking Music (Solpoticello), disco duplo com a participação especial de Dave Rempis, saxofonista do Triage, do Dave Rempis Quartet e do Vandermark 5. SS Puft são Jeff Crouch (trompete); Colin Bragg (guitarra); Erik Hinds (H'arpeggione, contrabaixo); Blake Helton (bateria). Bem lembrado, Jesús. Quem não conhecer o disco (uma beleza!) pode dar uma espreitadela aqui. Não paga mais por isso

 
12.12.06
 
Wisdom Of Sun Ra / Sun Ra's Polemical Broadsheets & Streetcorner Leaflets - Recolha de textos teóricos e políticos de SUN RA sobre cultura, filosofia, misticismo, afro-futurismo, religião, assuntos sociais, música, etc, com reprodução de originais dos textos batidos à máquina pelo próprio Ra. Compilação e introdução de John Corbett. Edição WhiteWalls / The University of Chicago Press, 2006.
This new volume unveils over forty newly discovered typewritten broadsheets on which Sun Ra expounded his wholly unique philosophical message. While in Chicago during the mid-1950s, Sun Ra preached on street corners and occasionally created scripts to accompany his lectures—intricate texts that invoke science fiction, Biblical prophecy, etymology, and black nationalism. Until this point, the only broadsheet known to exist was one given to John Coltrane in 1956. These newly unearthed writings attest to the provocative brilliance that inspired Coltrane. Sun Ra annotated many of them by hand, and together the sheets reveal fascinating new aspects of his worldview. The Wisdom of Sun Ra is an invaluable compendium of writings by one of the most intriguing and influential jazz figures of the century. - Amazon


 
 

PIANO SOLO • TWELVE TONE TALES • VOL 1
PIANO SOLO • TWELVE TONE TALES • VOL 2

Alexander von Schlippenbach, piano solo


 
 

O Swen's blog (Artists mentioned in the WIRE Magazine) oferece meia-hora de um concerto realizado a 15 Junho, na WPS1, rádio de Tóquio. Primeiro, a actuação de Keiji Haino a solo (percussão, voz e guitarra), seguida da breve prestação de Haino (voz e tambor) com o Mitochondria Quartet: Takuya Takahashi (guitarra e percussão), Jun Kawasaki (baixo) Takashi Ueno (saxofone) e Ryuichi Daijo (guitarra). Agradará com maior probabilidade a quem já tiver sido iniciado nos volteios bizarros de uma certa japan improv. O mesmo é dizer que não se trata de iguaria talhada para satisfazer o gosto do público em geral, "prontos".

 
 
No correio, as prezadas notícias de Georgie Haslam, homem da Slam Productions, que dá conta da edição de um disco cooperativo de Gary Curson (saxofone alto), Keith Tippett (piano), John Edwards (contrabaixo), e Mark Sanders (bateria), o quarteto THE NUMBER: The Making of Quiet Things (SLAMCD 269). Estou capaz de apostar as minhas fichas todas neste number. Conta Georgie:

The recording arose from a proposal to Gary Curson by producer Justin Paterson, of the London College of Music, who expressed a desire to work with improvising musicians. The album ‘The Making of Quiet Things’ by the Number is the realisation of the first phase of Justin’s concept, namely, the mix down of the ‘ambient recording’ of the actual real-time performances.
The second phase, now in progress, is for Justin to fashion a companion ‘electronic’ album, by devising completely new compositions derived from samples from the same recorded material. Justin is currently designing new software specifically to enable this process.
This opportunity for Gary to involve some of the finest improvising musicians with whom he has worked in the past, together with the excellent studio facilities, has given us the original and exciting music heard on this album.
Why is the album entitled ‘The Making Of Quiet Things’? ‘I wanted the music to reflect the quantum level of listening that goes on inside the improvisers’ art. I’m personally very pleased with the outcome, and deeply indebted to the production team and the other members of the quartet’. Replies Gary.

 
11.12.06
 

Que coisa é aquela ao lado de Joe McPhee? The Thing.


 
 

No Church Number Nine... Tenor Rising, Drums Expanding!
Sabir Mateen / Daniel Carter / David Nuss

 
 

Reggie Workman's Sculptured Sounds


 
 

Bela surpresa me guardava a audição de Logique du Désordre, disco que me chegou há dias pela mão de Laurent Peter, do grupo Diatribes. É este o trio do electronicista d'Incise (Laurent Peter), do saxofonista Gaël Riondel (também em clarinete e flautas) e do baterista e percussionista Cyril Bondi. Aumentado com a participação de dois outros músicos suíços, Christian Graf (guitarra) e Nicolas Sordet (cordofones electrónicos), em dois dos seis temas do disco, gravado ao vivo na Cave de l'AMR (foto infra), em Genève, Suíça, entre 1 e 3 de Novembro de 2005. Depois de uma bem sucedida série de EPs e LPs editados em netlabels europeias (entre elas, a portuguesa test tube, Parenthèse Polonaise), eis que o Diatribes se estreia em formato CD na suíça Altrisuoni.
Diatribes, sabe quem já ouviu, pratica a arte da improvisação livre, uma actividade que, são sendo um género em si mesmo (ok, também assim se poderá considerar, mas adivinho não ser essa a preocupação dos músicos), incorpora em si mesma distintivos de outros géneros e subgéneros, neste caso, do jazz de tendência libertária, da música "contemporânea", da electroacústica e do noise electrónico, assim criando, mais que uma forma personalizada de usar a dita técnica, uma linguagem musical transgressora dos cânones em voga, algo que se materializa e desvanece passo a passo até à recombinação seguinte.
Atravessada por uma poética nocturna e melancólica, que convive bem com ambientes soturnos, a música de Diatribes inquieta mais do que tranquiliza. Insinua-se por entre paisagens que se julgavam conhecidas e familiares, revelando olhares insuspeitos sobre a complexa realidade cénica que se depara diante do ouvinte. Perturbantes são também os sons que aqui se cruzam, ora frios e cortantes como lâminas, ora quentes e ricos em miragens (ouçam-se os fragmentos de melodias que se desprendem das ondas electroacústicas) como as areias do deserto.
Empatia, coesão, fluidez discursiva e bom gosto na combinação instrumental com que se explora a variada paleta de timbres e texturas, tornam Logique du Désordre numa obra de elevado valor estético e proveito auditivo. Improvisação moderna swiss made. Não é certa como um relógio (mesmo que, como adianta o título, haja uma lógica interna nesta desordem aparente), nem doce como chocolate, mas funciona e deixa duradoura impressão. Recomendável? A todos os títulos.

Diatribes ao vivo. Cave de l'AMR

 
 

[insubcdr01] - COLLECTION D'UNIVERS SPONTANÉS

*various free improv* - This release is the 1st physical object from INSUBORDINATIONS.
A 93 pieces CDR limited edition, hand-made cover, including improvisors from Swizerland (Jacques demierre, Diatribes, Christian Graf, Nicolas Sordet, Hervé Provini), France (Eric Pailhe, Sébastien Cirotteau), Canada (Minus3, P.O.W.E.R), Italy (Crashbonsai), USA (Fist of Kong), Brazil (Thelmo Cristovam, Túlio Falcão), Argentina (Criadero En Seres) and Portugal (Variable Geometry Orchestra).

 
 

Fundada em 2003 com a finalidade de distribuir o catálogo da britânica ReR Megacorp na América do Norte, a ReR USA acaba de criar a Ad Hoc Records. A partir de Denver, Colorado, a Ad Hoc Records, sob a supervisão de David Kerman, passa a operar via net para todo o mundo, redefinindo formas e conceitos relacionados com as diversas vanguardas (históricas e actuais). De comum com as parentes ReR, há o mesmo interesse e dedicação às várias formas da música experimental, progressiva e transgenérica.

 
8.12.06
 

No Jazz on 3 de hoje (e desta semana, até à próxima sexta-feira, em webcast) Jez Nelson apresenta um best of dos concertos que durante os últimos 12 meses desfilaram por palcos britânicos, e que foram transmitidos no todo ou em parte pela BBC Radio 3. Nelson passa excertos de actuações de Fraud, do trio de Julian Siegel, Charles Lloyd, Maria Schneider, Brad Mehldau, Han Bennink, Tim Berne’s Big Satan, John Surman, Dave Okumu, Hugh Hopper, Seb Rochford, John Taylor, Tom Arthurs, e por fim o que pessoalmente mais me apraz, o tributo de John Zorn a Derek Bailey, com Milford Graves, Tony Oxley, Gavin Bryars, Bill Laswell e George Lewis. Hoje, 8 de Dezembro de 2006, como sempre às 11.30 PM de Londres. Boa audição!

 
 
CAR MUSIC PROJECT
Composer/guitarist Bill Milbrodt leads this ensemble of crack players performing on instruments built almost entirely from the parts of his old Honda by metal sculptor Ray Faunce III. Performers include renown jazz bassist Wilbo Wright on Tank Bass (made from the gas tank), new music percussionist William Trigg and brass player James Spotto on Exhaustophone and other instruments.
http://www.musicofinvention.com./index.html // http://www.carmusicproject.com/

 
7.12.06
 

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
Ao vivo na Trem Azul Jazz Store, Lisboa, 9.11.2006
(fotos © Rodrigo Amado)










(clique para engrossar)

 
 

Pulse is a composers' federation dedicated to creating music that bursts through categories, unconstrained by convention and tradition. We want to bring you music that beats with living vitality -- music with a pulse. Darcy James Argue, Jamie Begian, Joseph C Phillips Jr., JC Sanford, Joshua Shneider, Yumiko Sunami.

 
 

Quem providencia a satisfação da nossa necessidade de conhecer raridades inalcançáveis, das tais que só vão à mesa do rei, é a nossa mui devotada e amiguinha Church Number Nine: imagine-se, ou por outra, realize-se o facto de nos estar a ser servido, a troco de nada e pela primeira vez desde o advento desse suporte que dá pelo nome singelo de mp3, nada mais nada menos que Scorpio, disco de 1969 do trio de Arthur Jones (America), com Beb Guérin, contrabaixo, e Claude Decloo, bateria. Profícua associação franco-americana em conveniente gravação parisiense, que, pessoalmente, só conhecia daqui. De considerável raridade (está ou esteve um LP à venda no ebay), não sei de ninguém que tivesse ao menos tido Scorpio entre mãos, quanto mais degustado. A que soava Arthur Jones em 1969, no exílio de Paris? A ele próprio, com vestígios do que na mesma época faziam Ornette Coleman, Prince Lasha, Jacques Coursil ou Sonny Simmons. Obrigado à Igreja Número Nove (o título original foi bem sacado ao reverendo Frank Wright), que tem em mim um seguidor e professo da mesma e inabalável fé. Amen.

Scorpio (cortesia de Jesús Moreno)

 
 

Anthony Braxton em debate: Music for the 21st century (texto de Timo Hoyer)
(Anthony Braxton a dirigir uma marching band de 100 tubas. Local: World Financial Center Plaza, Nova Iorque. 4 de Junho de 2006 - foto de Digital Freak).

 
 
20020_020_.jpg

artesonoro.org [portal para la difusión del arte sonoro]
From 20 to 20000 Hz series #020

 
 

A questão já por aqui passou há algum tempo, quando se falou no repto de Dave Douglas para uma tentativa de saber o que realmente se passou na década de 70 no que ao Jazz diz respeito, para se conhecer melhor um período da história do jazz tantas vezes ignorado e incompreendido. Chegou a vez do New York Times a tratar. Seja como for, ao apressado “Jazz just kind of died” de Branford Marsalis, ou ao sarcástico "Jazz is not dead, it just smells funny", de Frank Zappa, é preferível o mais aberto e positivo “Is jazz dead? Well, I guess that all depends on what you know", de Lester Bowie. Dentro do tema, convém ler o ensaio de Taylor Ho Bynum sobre Bill Dixon e o seu November 1981 (Mario Pavone, Alan Silva e Laurence Cook - Soul Note). Porque, como escreveu Evan Parker, "jazz is like a virus: once you've caught it, you've got it".


 
6.12.06
 
A música é uma arma. Mark Whitecage e a sua Bi-Costal Orchestra levam a ideia a sério, engajados contra o bushismo enquanto ideologia e prática política. Afinal, contra o que alguns fazedores de opinião nos querem incutir, há norte-americanos (e não apenas o resto do Mundo…) que, não sendo “anti-americanos”, não apoiam o que o governo do seu país tem andado a fazer dentro e fora de portas nos últimos cinco anos. Na verdade, apesar dos anos de chumbo que caíram sobre a América, há gente que não perdeu a lucidez e a sanidade mental para perceber e denunciar a tragédia real e iminente.
É este o ponto de partida de BushWacked: A Spoken Opera, a mais recente realização do saxofonista e clarinetista Mark Whitecage (n. 1937), com Rozanne Levine (clarinetes) Scott Steele (guitarra), Bill Larimer (piano), e Robert Mahaffay (bateria), músicos política e socialmente empenhados, que não se conformam com a inevitabilidade da guerra do Iraque, a tortura e prisão sem direitos de Guantanamo, e com a interminável série de desmandos de uma Administração que só pode fazer esperar que um dia a “boa América” – aquela que em muitos e importantes momentos da História se deu a conhecer e foi determinante para o progresso da Humanidade – possa regressar de novo à cena internacional, livre da seita de fanáticos que delapida recursos em nome de uma putativa luta contra o terrorismo.
O mundo está melhor e mais seguro com Bush no poder? A resposta pode encontrar-se espelhada nos últimos cinco anos, período durante o qual a América, única superpotência mundial, tem vindo a ser dirigida por gente cuja praxis subverte tudo o que está na base do nascimento da Democracia americana, o oposto do legado dos "Founding Fathers". Também por isso este é um disco de indignação e repúdio pelo que Whitecage considera o estado perverso e maléfico a que Bush conduziu a nação, os três dês de “deadly dada debacle”, como alguém lhe chamou.
O libreto é constituído por textos avulso compilados a partir de jornais e revistas (Harper’s Magazine, The Nation, The Progressive Populist, etc), como o enunciado de Rozanne Levine logo a abrir, In Our Name, seguido da apresentação do saldo da actividade do Attorney General John Ashcroft, que, dos 5000 presos por suspeita de terrorismo, não conseguiu obter uma única condenação (0 for 5000, recitação sobre fundo de New Orleans, a evocar a tragédia de que o Presidente não quis saber…). O disco prossegue no mesmo tom de denúncia e indignação ao longo de Follow the Money, de Who’s the War For (poema de Jeanne Lee, escrito em 1990). Fool Me Twice, Shame on Me, é um “instrumental” titulado numa referência óbvia à reeleição da figura que, à primeira, aldrabou a votação na Florida, e à segunda mentiu sobre as armas de destruição em massa, que as havia aos molhos no Iraque, como se veio a saber.
Musicalmente, o disco é muito forte, à altura do tema e do ardor que os intervenientes colocam no seu tratamento e denúncia. É mesmo uma das peças musicais de maior envergadura que Mark Whitecage concebeu e produziu nos 50 anos que leva de carreira. Porém, com esta nova formação da Bi-Costal Orchestra, o saxofonista de New Jersey não se fica pelo panfleto contra o que designa por Bush Crime Family. Independentemente das palavras e das finalidades políticas que elas pretendem servir, embora totalmente filiada na tradição da protest song norte-americana, BushWacked: A Spoken Opera (Acoustics Records) é uma obra essencialmente musical, com todo o empenho posto ao serviço da criação de um discurso onde tradição e inovação (as duas forças motrizes de Mr. Whitecage) confluem para produzir um trabalho digno, intenso e cheio de grandes momentos de improvisação colectiva, gosto e estilo variado, fora dos cânones em que o jazz do momento se desenvolve, a que não falta uma boa dose de humor. Não se trata pois de música escondida atrás de palavras recitadas ou a servir-lhe de fundo sonoro. Noutro sentido, palavras e música ecoam umas nas outras, valorizam-se reciprocamente e embalam-se em tonalidades fortes de freebop, swing e improvisação em partes equivalentes.
BushWacked é um épico sócio-político-musical da América apesar de Bush, um contributo válido para o debate em curso, feito a pensar nos tempos que hão-de vir, necessariamente melhores. Já faltou mais.

 
 

O projecto é para lá de interessante: trata-se da compilação em CD (conjunto de três discos, disponível em três cores: rosa, laranja e azul) do trabalho de 47 artistas sonoras das mais diversas partidas do mundo, que assim apresentam o resultado das suas experiências que têm o som como matéria-prima. WOMEN TAKE BACK THE NOISE. O cardápio, como se adivinha, inclui um pouco de tudo o que o se conhece (e o que se passará a conhecer) nas voltas do estritamente ambiental e paisagístico, aos beats e formas arrojadas de techno, passando pelo glitch, lowercase e, nos antípodas o noise extremo, com várias gradações de intensidade e aspereza. Entretanto, têm-se seguido múltiplas apresentações públicas de algumas das 47 artistas envolvidas na obra. Que continuam nos próximos dias 8 a 10 de Dezembro, no Ubuibi, com Elise Baldwin, Michiko Kawagoe, Kadet, Dark Muse, Heidi Mortenson, Fari Bradley, Xyramat, BCO Women's Auxiliarity, Leporidae, Experiment Haywire, Blevin Blectum e Insect Deli.

Women Take Back the Noise

 
5.12.06
 

Flight 17, de 1978: o grande pianista de Houston, Texas, Horace Tapscott com a Pan Afrikan Peoples Arkestra: Archie Johnson, Lester Robertson, Kafi Larry Roberts, Michael Session, Herbert Callies, Jesse Sharps, James Andrews, Linda Hill, Horace Tapscott, Red Callender, Kamanta Laurence, David Bryant, Louis Spears, Everett Brown Jr., William Madison e Adele Sebastian. Esta música merecia um pouco mais de atenção. E no entanto, quem liga a Horace Tapscott? Quem é que ainda fala de Tapscott? Finalmente em CD pela Nimbus West Records, de Tom Albach, de Albuquerque, Novo México, o homem que gravou e editou 25 horas de Horace Tapscott.

 
 

"So how to describe this music? As George Lewis wrote in his liner notes for the CD, "What we hear are particular moments in time, in which improvisative musical experience proceeds directly from manifestations of trust and openness, and from visions of new models of community." "Trust" and "open" are two words that Lewis often goes back to when describing the creative process behind this music. Unlike the composed pieces found on the trio's previous recorded works, the five pieces found on this CD were openly improvised - each piece is a spontaneous creation. There were no prior agreements as to tempo, timbre, volume or length - any such rules would only restrict the open flow of ideas. The AACM draws a clear distinction between improvisation that is "open" as opposed to "free." Perhaps it's just a matter of semantics, but "free" improvisation as a genre is often thought to be an act of solipsistic self-absorption, where connection to your fellow musicians takes second place to the indulgence of the ego. "Open," on the other hand, as George explained to us, implies boundless possibilities. Because there is a tacit agreement to converse in a non-hierarchical manner, each musician is entrusted to not impose his will in a manner that is destructive to open dialogue. With this trust, the dialogue is truly open - open for each musician to move around in space, use silence, softness and sustains without fear of someone else crowding in to fill your space. As George said, "Open is not a practice, but a possibility. All you are required to do is to bring your own experience, concentrate on what's at hand and be prepared to evaluate, come up with solutions, view ideas from multiple perspectives and state ideas from multiple points of view." - PI Recordings

Muhal Richard Abrams, George Lewis and Roscoe Mitchell

George Lewis, Muhal Richard Abrams e Roscoe Mitchell

 
 

A começar dia 12 de Dezembro há música de dança durante um mês no Arts for Art (no Clemente Soto Velez), entidade organizadora do Vision Festival, em Nova Iorque. Claro que há música de dança e música de dança. Neste caso, trata-se da modalidade de dança cutting-edge em concomitância com música da mesma estirpe, reminiscente do tempo dos Lofts, década de 70 do século passado... Arts for Art is proud to present the first of four weeks to be devoted to Vision Dance Music Collaborations. The week of performances in December is titled StringsDanceVoiceDrums. Each month from December through March, Arts for Art will present six days of unique collaborative performances of cutting-edge dancers and choreographers with some of downtown's most explosive avantJazz improvisers. These types of collaborations have been frequent since the loft era of the 1970s. Vision Dance Music Series / Strings Dance Voice Drums. (Foto: Daniel Carter / Patricia Nicholson Parker © Peter Gannushkin)

 
4.12.06
 

Thoughts on Sun Ra (Adam Abraham) in Downbeat (12/2006)

 
3.12.06
 


Van Morrison, Astral Weeks

 
 

... E por falar na Freedom, que tal saber que Time Zones, um vintage de Richard Teitelbaum e Anthony Braxton de meados dos anos 70 (a Freedom tem as prateleiras cheias de bobines com música de Anthony Braxton...) num par de improvisações para duo de saxofone alto (clarinete contrabaixo) e moog, que hoje soa pelo menos tão bem como no tempo que o viu nascer. Crossing e Behemoth Dreams, dois temas, um em estúdio, outro ao vivo, opção interessante porque, além de dar a perceber como se articulavam duas linguagens e dois mundos sonoros diferentes, permite o confronto entre um e outro modus faciendi: a preparação previamente elaborada em estúdio e o directo perante o público. Já tinham ambas saído na Black Lion, emparelhadas com outro disco de Anthony Braxton, Silence, de 1975, com Leroy Jenkins (violino) e Wadada Leo Smith (trompete). Se não estou em erro, é a primeira vez que sai em CD pela Arista / Freedom.


 
 

Noah Howard, The Black Ark

Noah Howard (sax alto)
Arthur Doyle (sax tenor)
Earl Cross (trompete)
Leslie Waldron (piano)
Norris Jones (contrabaixo)
Mohammed Ali (bateria)
Juma (congas)

(Freedom, 1969)

You gave Arthur Doyle his start on Black Ark; where did you find him?

The reason I pulled Arthur Doyle in was that Doyle was going in the direction of Frank, of Pharoah, of Trane, and he was a young guy. To me, I said, well, fuck it, I'll put him inside my compositions and just let him express himself and do his thing. And there came Black Ark. People are dying to get Black Ark. [The Japanese reissue] was the last issuance. It's a monster, monster album. He was one of these little kids, you know? He was a generation after us, and he was hanging out all the time. He had come up from - I think he was from North Carolina or somewhere - and he was following the music. He was committed to going into it, so he was hanging around all the time. The first time I heard him, I said 'This is the extension of Pharoah.' He was doing all that harmonic stuff, you know, and he wasn't compromising, he just said 'Fuck it, I'm going out, and we'll see whether they like it or not.' And he got over. He's doing well in Europe, he's in Paris. -- Noah Howard em entrevista a The Wire # 263, Janeiro de 2006

 
 

Yusef Lateef, Jazz 'Round the World (Impulse!, 1963)
(cumprimentos ao Black Man Land, que tem a chave. Dedicado ao A. Branco)

 
2.12.06
 


Prossegue a digressão americana do trio de Paul Dunmall, Paul Rogers e Tony Levin, com a segunda noite no THE STONE, em Nova Iorque, ontem (1/12) exclusivamente em trio; hoje (2/12), com Ellery Eskelin (saxofone tenor) e Ray Anderson (trombone). Amanhã (3/12) novo par de sets com outros convidados: Kevin Norton (bateria) e Tony Malaby (saxofone tenor).
Outros destaques da programação para este mês: a 5/12, com Steve Beresford's Signal for Tea Quartet, e Steve Beresford com Lol Coxhill; a 6/12, Lol Coxhill saxofone soprano solo e Lol Coxhill com o pianista Borah Bergman; 7/12, Lucian Ban (piano) Barry Altschul (bateria) e Hilliard Greene (contrabaixo); a 12/8, Dennis González Yells at Eels and Special Guests - Dennis González (trompete) Aaron González (contrabaixo) e Stefan González (bateria). A 9/12, em dois sets, Dennis González, Paul Dunmall, Paul Rogers e Tony Levin. Até ao fim do mês continua a festa.

 
1.12.06
 

Considerations 1: 1972-1976 - Bill Dixon


 
 

Este disco de John Surman é uma beleza, não é? Melódico e free, sem no entanto incomodar as boas consciências do jazz. Island Records / Future Music Records, 1972.
John Surman has finally become recognised as an international jazz superstar. Many of his earlier releases however have not been available on CD. We are proud to release the Peter Eden produced Westering Home (originally released on the Turtle imprint)’. From a period when he began experimenting with multitracking and electronics this was his first solo record to be released (a format that John has continued to pursue through his association with ECM). This is a fine example of an artist who has grown into a major voice in contemporary music.

 
 


Paris Transatlantic Magazine, # Dezembro

Editorial

In Print: Rock, Pop
On Creative Sources: Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Mathieu Werchowski, Joseba Irazoki, Wade Matthews, Bechir Saadé, Punck, Christine Sehnaoui, Sharif Sehnaoui, Neil Davidson, Ricardo Arias, Günter Müller, Hans Tammen, Sabine Vogel, Neumatica
In Concert: Dancers on a Tightrope: Beyond Shostakovich
Reissued: Masayuki Takayanagi
On DVD: Harry Partch / AVVA
JAZZ & IMPROV: Roscoe Mitchell / Mattin & Axel Dörner / Free Zone Appleby / Nels Cline / Peter Evans / Roswell Rudd / Nafta / Quintet Avant / EKG + Giuseppe Ielasi / Scott Fraser & Bruce Friedman / Jeff Kaiser & Tom McNalley / Empty Cage Quartet
CONTEMPORARY: David Tudor & Gordon Mumma / George Cacioppo / Tod Dockstader / Manfred Werder / Helena Tulve / Walter Marchetti
ELECTRONICA: Eric La Casa / Vertonen / KTL / Chris Watson & BJ Nilsen


 
 
All copies of the December issue will come complete with an exclusive free CD, the Wire Tapper 16! The Wire Tapper 16 is the latest volume in The Wire's ongoing series of exclusive new music compilations. The CD, which has been compiled by Andy Tait and Shane Woolman and is packaged in a gatefold flexiwallet with artwork by The Wire's art director, James Goggin, will be given away free with every copy of the December issue worldwide and contains a range of new, rare or exclusive tracks by Derek Bailey, Califone, Carter Tutti, Pansonic, The Slits, Alan Vega and more. On the cover: The Melvins (The unpredictable California based quartet intersperse neo-Metal albums with art film soundtracks, avant garde provocations and audience baiting antics). Features: Reanimator (The Portland duo's low-tech, analogue debut is informed with spectral Techno rhythms); Hisato Higuchi (Alan Cummings uncovers the workplace stress and urban alienation which frustrate and inspire the Japanese guitarist); Beat Furrer (The Swiss composer's Fama project expounds his concept of a 'listening theatre'); Cross Platform: Charles Atlas (Louise Gray connects the dots of the US film maker's work, which links Merce Cunningham to Sonic Youth and Fennesz); Invisible Jukebox: Marc Ribot; Steve Mackay (Best known for his blowing on The Stooges Fun House, the saxophonist finally makes his solo debut with two albums of blazing free jazz and electronics); John Surman (The veteran saxophonist's early 70s work with The Trio, John McLaughlin and Dave Holland produced some of the most visionary moments in British jazz); The Primer: Texan Hiphop (Cough syrup at the ready, Dave Stelfox presents a user's guide to the Lone Star State's own brand of 'screwed and chopped' hiphop).

 
 

Free-jazz, avant-garde jazz, european free improvisation
... está a correr um inquérito na net sobre estas matérias, dirigido a músicos. Faz parte de um projecto de investigação a realizar por Gokhan Ertug (PhD Candidate in Organizational Behavior), de Singapura, Malásia. (O boneco é de Ina Becker)

This survey is part of a research project that studies the sources, dynamics, and consequences of status among free-jazz musicians between the years 1989 and 2004.
For convenience, I use free-jazz throughout the survey to encapsulate the genres knowns as free-jazz, avant-garde jazz, or European free improvisation. Conversely, free-jazz, as I use it here, does not include mainstream or straightahead jazz or the more recent, related or not, genre of eai.
Status is a concept similar to stature, prestige, or reputation. When answering questions relating to status, you might want to think about these words as well if they help you.

 
 


Concertaço do Andrew Lamb Trio em duas partes! Onde?! Já digo. Andrew Lamb, saxofone tenor e flauta; Tom Abbs, jovem contrabaixista entre os maiores, e o veterano baterista Andrei Strobert, homem dos tempos do loft jazz, com Ken McIntyre, etc. Energia, coesão e musicalidade durante mais de duas horas. A formação é a mesma que toca no disco publicado pela Creative Improvised Music Projects (CIMP), The Pilgrimage (2003). O concerto foi gravado em 2005 no Zebulon Café Concert, e está disponível para download na Radio Free Zebulon. Este e muitos mais. É so rightclickar a gosto. Viva a Restauração!

Andrew Lamb Trio

 
 

"(...) Here, the musicians are free in the arena of music in crisis, at the fatal moment (...)." - Glenn Spearman (saxofones tenor e soprano), Takashi Kako (piano), Boulou Ferret (guitarra eléctrica), Bob Reid (contrabaixo), Sabu Toyozumi (bateria). EMERGENCY, Homage to Peace. Para consulta: Sessionography de Spearman.
Verve/Free America

Glenn Spearman, Trio Hurricane

"Music that stands at the apex of those traditions that really matter in jazz: power, beauty, invention, insurrection". -- Byron Coley

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

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