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30.6.06
 

Paul Murphy - Glenn Spearman - William Parker
Trio Hurricane - "Suite of Winds"


 
 

« ... para artistas, pesquisadores, apreciadores, produtores, fuçadores ... o fórum de música e arte experimental é aberto a qualquer um e se reúne às segundas-feiras, de 15 em 15 dias, sempre às 19 horas, na Sala de Cultura do SESC, na Av. Duque de Caxias, 1701, Centro, em Fortaleza», Brasil.


 
 

12-hours of non-stop free jazz show on
Taran's Free Jazz Hour
Saturday, July 15, 2006

programme & live streaming:
http://tfjh.blogspot.com/


 
 


Experiência de Vida.

 
 

Vai de hoje para amanhã!

Sexta-feira: 30 de Junho, PESTE & SIDA

Sábado, 1 de Julho - o MUSA apresenta o primeiro baterista de BOB MARLEY, um dos membros fundadores dos SKATALITES
o director musical da famosa ALPHA BOYS SCHOOL
um aclamado percussionista internacional e uma das primeiras estrelas jamaicanas
um novo talento jamaicano:
JAMAICA ALL STARS

 
 

Havia "Destination…Out!" (Blue Note, 1963), opus magnum de Jackie McLean, com Grachan Moncur III, Bobby Hutcherson, Larry Ridley e Roy Haynes. Recentemente, passou a haver "Destination: Out" – o blog. «An mp-free jazz blog focusing on rare or out-of-print music. Songs will be available for about two weeks, and are for evaluation purposes only». Bom trabalho, a seguir.



 
 

«A última passagem de Carla Bley por Portugal com esta Orquestra foi em 2005, no Centro Cultural de Belém. Este é um regresso muito esperado de uma das melhores compositoras norte-americanas. Carla Bley vai apresentar-se no TMG, em exclusivo, no próximo dia 8 de Julho, acompanhada pela sua “Grande Orquestra”, composta por músicos todos eles com créditos firmados no Jazz contemporâneo: Andy Sheppard (saxofone soprano e tenor), Wolfgang Puschnig (saxofone e flauta), Roger Janotta (saxofone soprano e alto), Christophe Panzani (saxofone), Julian Arquelles (saxofone), Lew Soloff (trompete), Earl Gardner (trompete), Florian Esch (trompete), Giampaolo Casati (trompete), Gary Valente (trombone), Gigi Grata (trombone), Giuseppe Clamosca (trombone), Richard Henry (trombone baixo), Steve Swallow (baixo), Karen Mantler (orgão), Bill Drummond (bateria).
Carla Bley, pianista, compositora e bandleader, é uma das figuras cimeiras do jazz contemporâneo e uma das poucas mulheres que se distinguiram neste meio enquanto compositoras e instrumentistas. Nasceu em Oakland, na Califórnia [EUA], em 1938. Os seus pais eram ambos músicos e foi portanto de um modo quase natural que a jovem Carla começou a tocar órgão na igreja local quando tinha apenas 4 anos… depois, nunca mais parou.
Dizem os críticos que dentro de Carla Bley parecem coexistir diferentes personalidades independentes. As características mais presentes na música desta norte-americana são os títulos irónicos, o gosto pelas sonoridades excêntricas, as citações feitas com fins satíricos, a repetição de padrões rítmicos, e o uso abertamente kitsch de clichés da música mais comercial. Looking for America (2003) é o último trabalho de Carla com a sua Big Band. Em exclusivo no TMG, a pianista norte-americana e um dos nomes maiores do jazz actual irá apresentar temas deste disco e também novas composições».
Sábado, 08/07/2006 / Teatro Municipal da Guarda / 22h00

 
29.6.06
 
Acabo de dar duas passagens seguidas no novíssimo disco do grupo do tubista, compositor e arquitecto norte-americano Mark Weaver, Brassum. Fiquei muito bem impressionado com este “Live” de um quarteto de três metais e bateria, formado por Dan Clucas (corneta), Michael Vlatkovich (trombone), Mark Weaver (tuba) e Harris Eisenstadt (bateria), que se segue ao primeiro "Warning Lights", na Plutonium Records. Ficou o aviso. O disco recolhe apresentações ao vivo em Tucson, Albuquerque e Santa Fé,de uma digressão realizada pelos estados do Arizona e do Novo México. É neste último estado da União que Mark Weaver reside, no meio do deserto, onde tem tempo e paciência para compor e arranjar os temas, “projectar” as suas melodias fora do vulgar (como em Threadgill, com quem tem merecido comparações), marcar os ritmos angulosos e irregulares, que o resto grupo, distinta rapaziada da West Coast, acrescenta e interpreta de forma ágil, como desembaraçado é o som de tuba de Mark Weaver. A edição é da pfMENTUM, do trompetista Jeff Kaiser, cuja orquestra, Ockodektet, Weaver integra. Brass band tem habitualmente uma ressonânica passadista, mas esta, respeitando o passado e a literatura disponível, está mais virada para a frente e interessada em explorar composições originais, que em mimetizar soluções vistas e revistas. O jazz dito "português" muito teria a aprender com exemplos destes.

 
 


Neste disco de 2005, que só agora descobri, há duas vias principais da West Cost que convergem para o centro do terreiro. Emily Hay (voz, flauta, piccolo, piano e electrónica) e Marcos Fernandes (percussão, field recordings e electrónica) assumem os principais papéis, coadjuvados, em alguns dos 12 temas de "We Are.", por Lisle Ellis (contrabaixo e electrónica), Ellen Weller (saxofone alto e flauta) e Al Scholl (guitarra eléctrica). Emily Hay e Marcos Fernandes esculpem sons a quatro mãos, de que resultam obras abertas à contaminação por sons humanos e mecanizados, com vestígios dos mundos vegetal, mineral e digital, que os músicos tocaram, o gravador captou e o estúdio processou. A voz de Emily Hay, artista de Los Angeles, é sensacional na produção de onomatopeias, versátil na cor, textura e registo, tão eficaz no canto como na flauta, de longe os aspectos mais em evidência no disco. Marcos Fernandes, membro do Trummerflora Collective, percussionista improvisador de San Diego (nascido em Yokohama, Japão), urde trama e teia, propulsionando os largos vôos de Miss Hay. O resto do ensemble acrescenta sobretudo cor a uma música espaçosa e bem-humorada, que entretém o ouvinte algures entre a estrutura da composição contemporânea e a espontaneidade da livre-improvisação para-psicadélica. Belo som em muitos e bons momentos de comunhão musical. Edição da Public Eysore, 2005.

 
28.6.06
 


Trinité e Chagas em before-concert (VGO) cavaqueira
(foto: Abdul Moimême, 24.06.2006)

 
 

Parafraseando um senhor norte-americano que há tempos assistia a um concerto do Alípio C Neto Diggin’, sobre “The Foolkiller”, disco do colectivo Tri Cornered Tent Show, diria: «In a word, wow!».
O disco – o quinto de uma série iniciada com “Maze Above the Abyss” – é o resultado de um projecto ambicioso que se auto-define como música e poesia pós-apocalíptica «portraying rage, revenge, and redemption, transcending the acts of murder madness and mayhem commonly defined as war religion and politics». O mesmo é dizer poesia fortemente empenhada e militante, dita sobre fundo musical experimentalista, produzidas ambas numa lógica alquímica de investigação laboratorial que procura desenvolver e concretizar as ideias e concepções de um pequeno grupo de músicos liderados por Philip Everett, Ray Schaeffer, Andre Custodio, Rent Romus e Dina Emerson, inspirados nos aspectos sinistros, lúgubres e arrepiantes presentes no imaginário de H. P. Lovecraft (1890-1937), e no conto "The Music of Erich Zann" (1921), em particular.
Literalmente encerrados em estúdio, in vitro procuraram trabalhar diferentes conceitos e abordagens da improvisação e da escultura sonora, e operar uma síntese dos componentes operático, recitativo e instrumental, projecto ao qual deram posterior acabamento com o concurso de uma equipa mais alargada de músicos da Bay Area de S. Francisco. Convidados para esta grande festa bizarra foram C. J. Reaven Borosque, Matt Davignon, Sandor Finta, Lance Grabmiller, Ernesto Diaz-Infante, Marina Lazarra, Bob Marsh, Jessie Quatro e Alwyn Quebido, nomes que se contam entre a fina-flor da cena improvisada da Costa Oeste dos EUA.
Com Nova Iorque e Chicago a produzirem cada vez mais do mesmo (ressalvada uma ou outra excepção) e a repetir fórmulas muito batidas, é gratificante ouvir as propostas que nos chegam da Bay Area de S. Francisco, onde continuam a brotar alguns dos mais inovadores e entusiasmantes projectos da chamada creative improvised music. Nesse sentido, “The Foolkiller”, trip de improv-opera de base electroacústica, é um caso particularmente feliz e bem conseguido nos seus propósitos e objectivos. The ultimate nightmare…
Tri Cornered Tent Show - The Foolkiller (Edgetone Records, 2006)

 
27.6.06
 


Baileyanos de todo o Mundo, uni-vos!
Os mais die-hard empedernidos e os outros! Finalmente, eis chegada a hora por que tanto ansiávamos e não havia meio! Descontando uma breve aparição, foi preciso esperar mais de duas décadas de longa noite para podermos reencontrar o disco que Derek Bailey gravou no Japão em 1978, denominado "New Sights, Old Sounds". Tido como o mais obscuro dos discos de Bailey (que, como se sabe, gravou apenas uma escassa meia-dúzia de fonogramas...) "New Sights..." é tido como o mais obscuro dos seus registos, pois foi gravado e editado no Japão pela Morgue Records, de Aida (o homem cujo nome titula outro trabalho de Derek Bailey, assaz empolgante, por sinal) e, ferido de esgotamento, eclipsou-se imediatamente para todo o sempre, maleita a que só escapariam uns 500 gajos de olhos em bico. Para todo o sempre, não; seria um tremendo exagero e imperdoável imprecisão terminológica. Vejamos com mais acuidade: rezam as crónicas que o guitarrista britânico andou mais de 10 anos da sua vida de 75 a negociar a obtenção das bobines originais com o pessoal do Sol Nascente, gente danada para o negócio do disco, como se sabe, o que só viria a conseguir a muito custo. (Convém anotar à margem que, só depois de 25 de Dezembro último, dia de Natal, portanto, Derek Bailey passou, para alguns, a ser um graaaande guitarrista, um mestre e tudo o mais que se diz dos mortos - e de alguns vivos - mesmos sem os ouvir, claro está). Onde é que eu ia.... Duplo Bailey, ora em estúdio, ora em concertos em várias cidades japonesas, com e sem passagem de electricidade. A INCUS, casa por ele fundada (e por Tony Oxley, Michael Walters e Evan Parker), detém os direitos integrais sobre a obra, e não se fez rogada: tomai-a lá outra vez, que é democrático e deve chegar a todos os interessados, o que me parece um salutar princípio. Pois, não o compreis a correr, não, que ainda passais mais duas décadas a salivar por tão fugidia pérola. Enquanto não chega cá a casa a segunda edição (a anterior foi de 2002, se me não falha a memória), tenho aqui à mão “The Moat Recordings”, outra beleza de disco duplo que a amiga Tzadik em boa hora mandou para a rua e que o Pedro Lourenço da Flur me pôs à frente numa tarde em que a chuva, inclemente, se abatia sobre Lisboa. Abençoada chuvinha que caía do céu. Fez-me abrigar na Flur e encontrar o Joseph Holbrooke Trio, nominativo que, por outras palavras, quer dizer Derek Bailey, Gavin Bryers e Tony Oxley. Só não choro a ouvir isto porque de habitual me não dá para a pieguice nem para o floreado sentimentalão. Mas até apetece. Fascinante, dizem eles. Eu nem sei que diga. Derek Bailey - "New Sights, Old Sounds"

 
 

"Dave Douglas: Music, Commerce and Culture Wars"


 
 

De uma assentada, a suiça For4Ears dá três tiros no porta-aviões:

Masahiko Okura / Günter Müller / Ami Yoshida – "Tanker"
Masahiko Okura: saxofone alto e tubos; Günter Müller: ipod e electrónica; Ami Yoshida, voz. Duas metades, uma gravada ao vivo, em Tóquio, 2004; a outra foi inicialmente trabalhada em estúdio por Okura e Yoshida, depois enviada electronicamente para o computador de Herr Müller, que deu cabo do resto e juntou três inéditos seus, autêntico maná para quem inclui estas linguagens na sua regular dieta auditiva.

Möslang / Müller – "Wild Suzuki"
Norbert Möslang, em cracked everyday electronics, associa-se a Günter Müller, que trabalha sobre ipod e electrónica diversa. Juntos realizaram em 2004 uma digressão por terras japonesas para apresentar a sua última realização na Grob. "Wild Suzuki" é, por assim dizer, o segundo disco de estúdio do duo-maravilha, que recolhe impressões e notas de viagem. Mistura de Günter Müller, capa de Norbert Möslang.

Norbert Möslang – "Burst Log"
O ex-Voice Crack é duro e não desiste. Mestre do processamento, embrulhou seis temas novos a partir de material antigo, reciclado em estúdio. Baralhar, partir e dar de novo como sempre deve ser feito: com engenho e arte. Há pouco quem, quando se trata de trabalhar intensivamente cracked everyday electronics processed.

 
 

«"PE ep" foi composto por Pedro Tudela e Miguel Carvalhais en Porto, Portugal, entre o 2002 e o 2006. Esta publicación non sería posible sen: E. Buchinho, V. Joaquim, P. Niblock, R. E. Paes, C. Santos, U. Schitter, X. Valle, C. Zíngaro, grazas! - Xoves 15 de xuño do 2006» [ALG021]. O duo portuense @c publicou trabalhos na Crónica (pt), Index (at), Fuga Discos (ar), Grain of Sound (pt), Lanolin (at), Ristretto (pt), Silence Is Not Empty (ir), Sirr (pt) e Variz (pt).
Os materiais escolhidos pela dupla de artistas sonoros enquadram-se em sequências de sons que vão sendo coligidos durante as três fases desta curiosa jornada. Combina-se o orgânico e o digital em atmosferas de partículas com recorte tridimensional. Uma história que pode começar em "41", prosseguir em "50", e terminar em "55", ou seguindo outra ordem, contada em circuitos, clicks, glitch, fragmentos, texturas, electro-pássaros e outros espécimes de um vasto space-zoo microtonal que habitam o espaço sem fim.


 
 

Na editora de Steven Joerg, AUM Fidelity, novo disco do saxofonista tenor Edward "Kidd" Jordan, PALM OF SOUL. Com Hamid Drake e William Parker. Fora dos ambientes tórridos que caracterizaram o som do homem de New Orleans ao longo das últimas décadas, sobretudo na companhia dos inestimáveis pianista Joel Futterman e baterista Alvin Fielder, Mr. Jordan orientou a música noutro sentido, com outro sentido. Don Cherry aprovaria. Candidato a integrar a lista dos melhores de 2006.

 
26.6.06
 

Steve Lacy, "Scratching The Seventies". Material de primeira: "Roba", "Lapis", "Scraps", "Dreams" e "The Owl", cinco álbuns de 1969 a 1977, os primeiros frutos do expatriamento de Lacy em França. Triplo CD em reedição, mais uma, da Saravah.

 
 

Esta vale pela dimensão física e artística do empreendimento: na Leo Records, em co-edição com a russa Long Arms Records, saiu uma caixa de 11 CD's e 1 DVD de Vladimir Tarasov, lendário percussionista do não menos lendário Ganelin Trio (Vyacheslav Ganelin, Vladimir Chekasin e Vladimir Tarasov), do extraordinário "Catalogue: Live in East Germany".

 
25.6.06
 

Melodiradion 8 - Charles Lloyd Quartet at Jazz Workshop, 1972

 
 

A versão da Variable Geometry Orchestra que actuou sábado, 24 de Junho de 2006, no Teatro Nacional D. Maria II, no âmbito do ciclo "Músicas no Átrio do TNDM II, à Meia-Noite", deu bem a medida da reacção química que se produziu durante os perto de 45 minutos que demorou a exposição de música composta, harmonizada e executada em directo, sob a direcção de Ernesto Rodrigues.
Ernesto parametrizou a música através de breves indicações dadas aos executantes sobre tempo, dinâmicas e intensidade requeridas em cada um dos andamentos, desde o início marcado pelo sincopado da baixas frequências da electrónica de Adriana Sá, até à grande massa sonora que explode, estilhaçando em todas as direcções. Free jazz e improvisação orquestral ao serviço da reinvenção do conceito de big band. Catarse colectiva apontada em direcção ao espaço, com os mais diversos apontamentos pelo meio, linhas cruzadas e sucessivas de duos, trios, quartetos, a que se foram adicionando outros instrumentos, num trabalho colectivo de grande envergadura.
Nessa medida, é absolutamente fascinante sentir o chão a tremer debaixo dos pés, como se a música irrompesse do centro da Terra e explodisse magnífica diante dos músicos e do público, que enchia por completo a sala. Espaço que chegou a ser exíguo para conter os infindável labirinto de corredores harmónicos, a luxuriante selva de texturas que naturalmente se agrupam em estruturas que são elas próprias momentos de improvisação colectiva de elevado calibre, que abriram espaço para breves intervenções solísticas de Jorge Lampreia (flauta e saxofone soprano), Alípio Carvalho Neto (saxofone tenor) e Sei Miguel (trompete de bolso), a partir das quais o grupo, ouvindo e reagindo às indicações, extrapolou para os mais diversos clusters de associações tímbricas, até tudo se diluir na grande voz – energia assustadora, beleza primitivista e sofisticada na sua complexa simplicidade. Música que transcende os seus próprios limites, montada numa arquitectura sonora que se eleva às alturas, para depois implodir e retomar ao ponto em que se lança a primeira pedra. Vida, liberdade e celebração.

«Um concerto da VGO é um acontecimento cada vez mais intenso, marcante e exultante! Desta vez, foi a segunda coisa mais importante que me sucedeu desde o último concerto da VGO que vi, na Trem Azul (e que tinha sido o primeiro). Já agora, digo que a coisa mais importante que me sucedeu desde então foi o adiamento sucessivo da partida do meu navio, e poder ter estado ontem a ouver um dos maiores acontecimentos em música que alguém poderá presenciar!!!
A todo o pessoal OBRIGADO, pela música, bem-estar e satisfação proporcionada!!! E que estas fotos, singela colaboração e agradecimento meus, vos revejam nesse acontecimento enorme! Já posso ir descansado e contentíssimo para a Polónia – e já nem os buracos do navio e os riscos esforçados me atormentarão! Um abraço a todos e VGO Sempre!!!» – Rui Portugal

ernesto rodrigues, violin, viola, direction; guilherme rodrigues, cello; hernâni faustino, double bass; sei miguel, pocket trumpet; eduardo chagas, trombone; miguel bernardo, clarinet; alípio carvalho neto, tenor saxophone; nuno torres, alto saxophone; jorge lampreia, soprano saxophone, flute; rui horta santos, electric guitar; armando pereira, accordeon; adriana sá, electronics; rafael toral, electronics; jorge trindade, tapes; césar burago, percussion; monsieur trinité, percussion; josé oliveira, drums
.

Próximo concerto da VGO: 15 de Julho - Bomba Suicida, Bairro Alto, Lisboa.
 
24.6.06
 

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA

ernesto_rodrigues_violin_viola_direction
guilherme_rodrigues_cello
hernâni_faustino_double bass
sei_miguel_pocket trumpet
eduardo_chagas_trombone
miguel_bernardo_clarinet
alípio_carvalho_neto_tenor saxophone
nuno_torres_alto saxophone
jorge_lampreia_soprano saxophone_flute
rui_horta_santos_electric guitar
armando_pereira_accordeon
adriana_sá_brazilian harp_electronics
rafael_toral_electronics
jorge_trindade_tapes
césar_burago_percussion
monsieur_trinité_percussion
josé_oliveira_drums

24 de Junho_Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa

 
23.6.06
 

"Go Home". Uma das raridades obscuras do Art Ensemble of Chicago, sessão parisiense de Março de 1970, de novo acessível ao público em geral. Edição da Galloway Records. A figura central é o grande Malachi Favors.

 
22.6.06
 

O festival Sonic Scope nasceu em Setembro de 2001 a partir de uma iniciativa particular de Nuno Moita e João Vicente, fundadores posteriormente da plataforma editorial Grain of Sound. O festival tem vindo a apresentar anualmente um conjunto de músicos e artistas sonoros intimamente ligados às músicas experimentais e improvisadas de matriz electrónica e electroacústica.
A primeira edição realizou-se no Palácio Marim Olhão com o apoio do Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa e da Fonoteca Municipal de Lisboa. As quatro edições seguintes conheceram outros palcos, sempre em Lisboa: Galeria ZDB (2002), Gare Marítima de Alcântara (2003, incluída no número festival) e Fonoteca Municipal de Lisboa (2004 e 2005); edições estas já desenvolvidas pela editora Grain of Sound, entidade que se mantém como programadora oficial do evento.

O Sonic Scope conhecerá este ano a sua sexta edição e terá a seguinte programação:

22 de Junho:
- ANTECÂMARA SCOPE / SEI MIGUEL
- Manuel Mota + Margarida Garcia + Plan + Tinfoil
- Ernesto Rodrigues, Guilherme Rodrigues, Miguel Bernardo, Nuno Torres, José Oliveira
23 de Junho:
- Adriana Sá
- Paulo Raposo + Rui Costa
- CAVEIRA
24 de Junho:
- UR
- N:O (Naja Orchestra) + Ulrich Mitzlaff
- Sound Asleep

Fonoteca Municipal de Lisboa. 21h30. Entrada livre.
Praça Duque de Saldanha, Edifício Monumental, Lj. 17, Lisboa.


 
 

Sábado, 24 - Teatro Municipal da Guarda: «(...) Quem é, então, Tonino Carotone? Uma improbabilidade histórica, um punk que se transforma em crooner latino. Um homem livre. Um dos últimos românticos. Um Ragazzo di Strada [título de uma canção do seu segundo disco, Senza Ritorno, de 2003]. Afinal, como ele próprio disse, acreditamos que somos pessoas mas, na realidade, somos personagens». - Pedro Dias de Almeida
 
 

Directamente da cena electrónica experimental da Lituânia para a editora portuguesa Crónica Electrónica, Gintas K. (K. de Krapatvicius) expõe os ambientes rarefeitos e o minimalismo da sua maquinaria. Gintas trabalha sobretudo com micro-sons em baixa frequência. Experimenta combinações dinâmicas e cromáticas e interessa-se pelo impacto das frequências sonoras no ouvinte, através dum acervo sonoro que desafia as concepções mais comuns e arreigadas no meio da arte sonora electrónica.
No duplo CD recém-editado pela Crónica, Gintas K. reuniu duas peças, a primeira (“Lengvai”) sob a forma de um conjunto de painéis oscilantes, com alguns vestígios rítmicos referenciáveis à parentela do techno minimal, assim dito por comodidade de expressão, resíduos glitch, vibrações e ruídos perfurantes que animam uma paisagem em que os acidentes são a excepção, dada a quase linearidade do fluxo em que a mesma se processa.
Mais plano ainda é o conteúdo do disco 2, sugestivamente intitulado “60 x one minute audio colors of 2 kHz sound”, em que a coloratura sonora desenvolvida na citada frequência altera a configuração do ciclo em cada ciclo de 60 segundos, a duração de cada “fotograma” de uma instalação sonora planante e sem ritmo evidente (um ouvido muito atento captará intervalos microscópicos entre sons), que se transmuda como se de um enorme e infindável loop se tratasse. Experiências bálticas (uma e outra) fortemente apelativas compõem um disco de que a Crónica de pode orgulhar de ter publicado. Grafismo de Pedro Tudela.

 
21.6.06
  Bem-vindos à Autoeuropa!

Segundo a confessa intenção do pianista germânico Alexander von Schlippenbach aquando do lançamento de "Monk´s Casino" (triplo CD editado em 2005 pela editora suíça Intakt Records, um dos melhores do ano transacto), o desafio que a si próprio e aos outros quatro músicos (Axel Dörner, Rudi Mahall, Jan Roder e Uli Jennessen) colocou, foi o de vestir a obra integral de Thelonious Monk com novos arranjos e tocá-la ao vivo de uma assentada. Ou em quatro noites, para ser mais rigoroso.
Nessa medida, descontando a quantidade inferior de temas apresentados no concerto do Teatro Variedades, a 21 de Junho, que, felizmente, não chegou a esgotar os 70 originais (mas para lá caminhava a passos largos…), o Schlippenbach Quintet funcionou em pleno no Parque Mayer, em Lisboa. Ou seja, tudo resultou bem ao nível da organização e do controlo sobre a execução das peças, com o grupo, à semelhança do que aconteceu nos discos, a evitar cair na recriação museológica, através duma abordagem vivificante dos originais do compositor. Nessa medida, conseguiu captar e transmitir essa forma especial de bop com assinatura Monk, cujos traços se podem imediatamente encontrar nos ritmos angulosos, nas melodias excêntricas e na dissonância harmónica – uma quase constante da obra monkiana.
No Teatro Variedades, Axel Dörner e Rudi Mahall foram a cara e coroa da mesma medalha nos solos e uníssonos. Dörner em execução suave e maviosa, com belos efeitos de surdina e de respiração contínua importados da sua actividade ligada à livre-improvisação (nele incomparavelmente mais interessante do que o estilo bop, ainda que ao serviço da releitura de Monk), contrastando com o lado mais anguloso, sanguíneo e agressivo de Mahall no clarinete baixo, instrumento de que é hoje um dos expoentes europeus. Jan Roder e Uli Jennessen, em contrabaixo e bateria, respectivamente, foram o sustentáculo rítmico à altura de uma música exigente a esse nível e disso deram boa conta. Lamentavelmente, o som Alexander von Schlippenbach perdeu-se bastante na mistura, tendo sofrido de problemas técnicos relacionados com a inexistente ou muito deficiente amplificação do seu piano, problema a que apenas terão escapado os espectadores que lhe estavam fisicamente mais próximos. Assim se perdeu uma parte da riqueza extravagante de que se faz o pianismo de Monk, e outra parte, que seria a interpretação de von Schlippenbach.
Mas não ficaram por aqui os aspectos menos positivos. Outros prenderam-se com a forma como o quinteto resolveu apresentar a sua música e que acabou por desvalorizar o que poderia ter sido um evento realmente arrebatador: durante perto de hora e meia (!) desenrolou-se uma espécie de rapsódia de temas, debitados em alto regime e em passo acelerado, com o grupo a despachar serviço atrás de serviço, de um modo tão emocionante como emocionante pode ser o espectáculo duma linha de montagem de automóveis alemã (passe a publicidade, a já citada Autoeuropa, por exemplo, para não ir mais longe), da qual, à semelhança do concerto do quinteto de Schlippenbach, com elevados índices de produtividade, saem artefactos de muito boa execução técnica, mas todos, se não exactamente iguais, perfeitamente compactados, homogéneos e parecidos no desenho e na estrutura (arranjos). E que foi feito das subtilezas rítmicas da música de Thelonious, das nuances do seu tempo fragmentado e da sua respiração especial?
Em suma, o quinteto pareceu preocupar-se acima de tudo em responder a uma questão: quanto Monk pode caber numa hora? E em hora e meia?
Há concertos que sabem a pouco; outros, a demasiado. No meio-termo poderia ter estado a virtude.

 
 

Kerbaj /Sehnaoui / Rodrigues / Rodrigues / Santos

 
 

Oro Molido #17

 
20.6.06
 

Entre a edição de "Kingdom Come", com William Parker e Sunny Murray (Knitting Factory, 1994), e de "Testaments", com Wilber Morris e Michael Wimberley (Knitting Factory, 1995), em 23 de Março de 1994 Charles Gayle foi a Londres gravar "Live at Disobey" (edição de 500 exemplares pela Blast First/Mute), com Hilliard Green (contrabaixo) e Michael Wimberley (bateria). "Disobey" é do melhor Gayle do período vintage do lendário saxofonista, quando se dedicava por inteiro ao tenor e apenas em part-time ao clarinete baixo. Ainda sem as recentes investidas no sax alto, que lhe aprecio em menor grau, e no piano, que me diz menos ainda, coincidentes com o ocaso do artista (pode ser que entretanto dê a volta, Gayle é um sobrevivente com muitas vidas e fases), "Live at Disobey" não atinge a perfeição global de acabamentos de "Touchin' on Trane", com William Parker e Rashied Ali, que faz deste o disco mais consensual de Gayle, nem a altura colossal de "Testaments" ou dos discos iniciais, todos os Silkhearts e Knitts incluídos, claro está. De qualquer modo, "Disobey" é um grande disco de Charles Gayle, romântico, agressivo, energético e intenso como quase sempre, e um importante documento do free jazz moderno, pós-Coltrane e Ayler.
Os tempos não estão de feição para estas aventuras, agora que David S. Ware amoleceu de vez e Ivo Perelman continua a hesitar entre as telas e o tenor (o que não o impediu de sacar um tremendo "Suite for Helen F.", na Boxholder, em 2003). Pode ser que entretanto apareça por aí alguém capaz carregar o facho. Enquanto o pau vai e vem, folguemos com Charles Gayle.

 
 


Prossegue o programa de edições em cd-r, limitadas a 200 exemplares por título, da UTECH RECORDS, com:

DEALBREAKER
James Ilgenfritz (double bass), Aaron Ali Shaikh (alto, soprano and sopranino saxophones), Mike Pride (percussion). A stunning original and two unique takes on the standards “There Will Never be Another You” and “Stella by Starlight.”
FRODE GJERSTAD/KJETIL BRANDSDAL, “Antiphonic”
Frode Gjerstad (bass sax, clarinets), Kjetil Brandsdal (bass). Chances are you’re familiar with these two heavyweights. But who’d have ever predicted they’d unite for a duo session. Well, certainly the first to know of the pairing were Mr. Gjerstad’s neighbors. Loud, fuzzed out bass lines crash head on with gale force reed exaltations. A unique recording not to be missed.
SPARK TRIO, “Short Stories in Sound”
What’s left to say about these guys. Moshe and Lavelle are phenomenal in their own right. Sit ‘em down together and you know you’re in for something killer. I could probably release a disc a week from the two with the regularity that they play out. Fortunately, they always send their best stuff. This is no exception. Joined by drummer Todd Capp the trio smokes suckers left and right. Exploring new territory and shorter pieces this is definitely a new and welcomed direction for these cats.
KGB, “Swiss Pharmaceuticals”
Kim Cascone (computer), Guido Hennebohl (gerate), Brendan Dougherty (drums). Brilliant collaboration of acoustics and electronics. Audio shifts, swirls and rhythmic passages move in and out of the sound field. A remarkable recording.

 
 


Belas novidades na FMR. É o caso de "Burundi Monday", da Trevor Watts Drum Orchestra: Peter Knight (violino), Mmadi Kamara e Nana Tsiboe (percussão), Ernest Mothle (contrabaixo), Liam Genockey (percussão) e Trevor Watts (saxofones).
Continua em prática a política de descontos de quantidade.

 
 


Bert Wilson & REBIRTH: "Live at the Zoo". Gravado ao vivo no Washington Park Zoo em Portland, o disco vem epigrafado com a menção “Modern Music in the Jazz Tradition”. Ouvido, bem se percebe o que é que Bert Wilson quer dizer com aquilo. Rebirth é um quinteto “clássico” de saxofone, flauta e secção rítmica; o grupo enuncia os temas, swinga, improvisa e evolui dentro tradição bop, um pouco mais para lá, dentro do estilo que se convencionou designar por pós-bop; mas "Live at the Zoo" é um disco moderno, sobretudo ao nível dos solos, em particular das intervenções do líder, um exímio executante que toca livremente por dentro dos temas, conhecedor profundo que é das técnicas clássicas do saxofone (domina o alto, o tenor e o soprano na perfeição, além do clarinete) e das mais modernas e avançadas para a época (a gravação é de 1988). No saxofone alto, instrumento mais utilizado em "Live at the Zoo", Bert Wilson inspira-se em Sonny Simmons (tocou saxofone tenor em “Music from the Spheres”, de Simmons, o ESP de 1966), Eric Dolphy e Ornette Coleman. O grupo, muito rodado, revela uma tremenda musicalidade em perfeita sintonia com o líder. Bert Wilson (saxofones alto e tenor), Nancy Curtis (flauta), Allen Youngblood (piano), Chuck Metcalf (contrabaixo), Bob Meyer (bateria). Edição da 9 Winds (1988), editora de Vinny Golia.

 
19.6.06
 

Novidade na CONV é a edição (cnv31) do duo ASTRA, uma colaboração entre o grego Ilios e o norte-americano Jason Kahn, sob o título "Steloj" (Estrelas).
«Collaboration between Ilios and Jason Kahn dates back to the 2002 Elektrograph festival, where they first performed together. Since then they've toured Switzerland in 2004 for the Domizil vs. Antifrost CD project and performed at the 2005 Ertz Festival in Spain."Astra" translates to "stars" in Greek; as does "Steloj," the title of their first CD, in Esperanto.
ILIOS has released numerous solo works in different formats and performed extensively in Europe, Japan and the Americas. Collaborations with various artists and production works for dance, theatre and films. Jason Kahn has released solo and collaborative recordings on many labels, including Cut, Sirr, For4Ears, Brombron, Rossbin, Antifrost, Domizil, ATAK, Table of the Elements, Creative Sources and Crouton.He has also exhibited numerous sound installations in North and South America and Europe».

 
 


Oro Molido apresenta o seu #17 com um concerto:
"Del Mediterráneo a la Cañada Real"
Madrid, 25 de Junho, às 20h00
Ruth Barberán - Alfredo Costa Monteiro - Ferran Fages

 
 

Caros Amigos,
Serve a presente missiva para anunciar, urbi et orbi, que, na próxima 5ª, 22/06, pelas 22h, na GALERIARMAZÉM (Rua da Vinha, Bairro Alto, Lisboa), ocorrerá um evento musical das maiores grandeza e pertinência, em que pontificarão duas sumidades da música improvisada libanesa: Sharif Sehnaoui (guitarra eléctrica) e Mazen Kerbaj (trompete). Haverá, previamente, lugar a uma intervenção do seguinte e magnífico trio: Travassos (tapes), Armando Gonçalves Pereira (acordeão) e Miguel Martins (melódica). São estas razões mais que suficientes para contar com a presença de V. Exas. Obrigado. Miguel Martins

Antes disso - digo eu - o duo libanês actua no Porto na quarta-feira, 21 de Junho, às 22h00 (Café / Livraria Sem Mais Nem Menos - Rua Mártires da Liberdade, 130)

E diz o Esquilo: "A nova música improvisada do Médio Oriente tem vindo a desenvolver-se muito nos últimos anos e ganho uma atenção crescente devido à novidade refrescante que representa em termos internacionais, mesmo considerando as suas interacções com a música improvisada predominantemente ocidental.
MAZEN KERBAJ e SHARIF SEHNAOUI, ambos do Líbano, são dois dos músicos mais importantes da nova improvisação vinda do Médio Oriente e têm, além de desenvolvido cenas locais estimulantes, afirmado a sua música nos circuitos internacionais.
Este será o primeiro concerto do duo em Portugal, integrado numa tour europeia que passará pelas principais cidades da Europa Continental.
MAZEN KERBAJ nasceu em 1975 em Beirute e aí reside. Iniciou-se na improvisação no ano 2000, dedicando-se à procura de uma nova original linguagem para o trompete. Em 2001, criou, com o músico Sharif Sehanoui, a associação MILL responsável pela difusão da música improvisada do médio oriente e do festival internacional IRTIJAL em Beirute (que junta músicos de todo o mundo). Em 2003 encontrou no austríaco Franz Hautzinger um parceiro musical com quem tem gravado frequentemente (incluindo um lançamento na portuguesa Creative Sources). De 2000 a 2005 tocou a solo ou em grupos por todo o mundo desde a Europa aos EUA. Para além de músico reparte o seu tempo com a pintura e a ilustração publicando os seus trabalhos em vários jornais e revistas. Editou em 2000 o seu primeiro livro de tiras cómicas e satíricas.
SHARIF SEHNAOUI nasceu em 1976 em Beirute no Líbano, e reparte actualmente o seu tempo entre esta cidade e Paris. Apesar de estudos em piano e jazz, dedica-se somente à guitarra improvisada (acústica e eléctrica) desde 1999. Tem tocado em vários grupos e colaborações nomeadamente com Stéphane Rives, Christine Sehnaoui, Mazen Kerbaj, Thierry Madiot, Phil Durrant, Franz Hautzinger ou Le Quan Ninh».


 
18.6.06
 

Sei Miguel (pocket trumpet) dirige aqui um quarteto com Fala Mariam (trombone), Rafael Toral (electrónica) e César Burago (percussão), o melhor e mais interessante de todos os grupos que lhe ouvi em disco. "The Tone Gardens" (Creative Sources 067) reune três peças, denominadas First, Second e Third Garden, gravadas respectivamente, em Lisboa (18’00, ao vivo em estúdio), Funchal (13’44, Offshore Festival 2004) e Guimarães (21’00, Guimarães Jazz, 2004).
O que primeiro chama a atenção é o facto de "The Tone Gardens" apresentar um som mais cuidado que o de outros discos de Sei Miguel, eventualmente mercê de um aturado trabalho de captação sonora e de pós-produção.
Conceptualmente organizada sob a forma de três “jardins sonoros” de distintos desenho e configuração paisagística, a música beneficia do facto de ser executada por músicos que há muito acompanham Sei Miguel, e que, portanto, lhe conhecem as ideias e a prática. Que o músico reivindica como não sendo do mundo da improvisação, antes do arranjo e da construção orquestral. Seja como for, pré-composto ou improvisado, o que se ouve em "The Tone Gardens" não escapa ao figurino habitual do som de Sei Miguel, suave em termos de volume, frases melódicas fragmentadas assentes em estruturas pré-definidas e montadas de acordo com um prévio projecto de arquitectura. É deste modo sóbrio e quase espartano que se constroem as três suites. Pelo meio abrem-se espaços para deixar crescer a tensão que se instala em torno das vozes solitárias e melancólicas do trompete e do trombone. Neste desenho, os shakers e outros artefactos de César Burago e a electrónica não invasiva de Rafael Toral servem para fornecer o adequado granum salis e acentuar tanto a disciplina e a organização a que tudo parece estar subordinado, como para gerar um interessante efeito de suspense – a eminência de que algo está para acontecer, cujo segredo permanece encerrado no perímetro de cada um dos três jardins.

 
 
Dada Radio:
«Nesta terceira edição do programa continuamos a explorar a interface da música eletrônica com o jazz, desde os pioneiros na busca de novas sonoridades para o jazz, bem como a atual cena de fusão sonora e a música das net labels. Dos net labels hoje temos o produtor Skope, aka Doug Eisengrein, em seu Buildings depositado no archive.org, conjuntamente ao seu som teremos a dupla Superbus, que sai pela Net label Sojus Records recheando nosso programa. Na sequência duas raridades de Miles Davis do pirata Black Album. Daí entramos em uma sequencia de grupos e produtores contemporâneos, Isotope 217 (The unstable Molecule de 1997 e Utonian Automatic de 1999), Sayag Jazz Machine, grupo francês como eles próprios se intitulam de eletrônico, scrath, sax, contrabaixo e video conceito, com o album Testpressing Skalpel (dois produtores poloneses que gravam pela Ninjatune) em seus discos Stereo de 2004 e Konfusion de 2005. Na continuação o trio/quarteto Cosmik Connection de seu electrojazz4tet. E pra fechar o Jazz quebra tudo do trompetista Cuong Vu».

 
 

Paul Rutherford em entrevista à All About Jazz: «(...) Being a complete musician means that one should always do one’s best to play the instrument excellently. They should not be dictated by studies; they should be able to play with the books taken away. I’m amazed at the number of musicians who studied piano when they were kids (and I didn’t do that), but they still don’t know where the hell they are when they’re playing. In symphonies, where the trombone player was playing first trombone to me, he got completely lost and I was following the cues and I knew where I was. I didn’t even know the bloody symphonies, but I knew just from listening, watching the cues and counting(...)».

 
 

Marcello Maggi (trumpet, trombone), Sandra Pires (spoken word), Bruno Parrinha (clarinet), Eduardo Chagas (trombone), Miguel Martins (melodica). Em concerto no Luso Café, a 15 de Junho.




 
 

Nova saída na Insubordinations, "netlabel for improvised music - freejazz or electroacoustic or other experimentations": BUCHER / GLAUSER / UNTERNÄHRER - Christian Bucher (percussões), Andreas Glauser (electrónica) e Marc Unternährer (tuba).

 
17.6.06
 

"Pax", gravação de Fevereiro de 1965, esperou 10 anos para ser editado em duplo lp, "One For One”, entretanto desaparecido da circulação. 31 anos depois, cá estão de novo Andrew Hill, Freddie Hubbard, Joe Henderson, Richard Davis e Joe Chambers. Reeditado este mês pela Blue Note.

 
 

SIRR ecords

 
16.6.06
 

Festas de Lisboa 2006
ForUJazz

Parque Mayer / Teatro Variedades

Depois de uma bem sucedida primeira edição em Setembro de 2005, o ForUjazz regressa com uma programação que promete apresentar do melhor e mais original jazz.
Integrado no vasto e rico programa das Festas de Lisboa, com o apoio da sua Câmara Municipal e da Egeac, este festival apresenta este ano, talvez, os três maiores nomes do jazz europeu das últimas décadas: Louis Sclavis, Alexander Von Schlippenbach e Peter Brötzmann.
A estes três “pesos pesados”, junta-se a categoria de um dos mais interessantes ensembles sedeados em Portugal, o multinacional iMi Kollektief.
Nesta sua segunda edição a Trem Azul, responsável mais uma vez pela programação do ForUjazz, pretende continuar uma aposta forte no excelente, mas pouco representado nos palcos nacionais, Jazz Europeu.
É intenção mais uma vez mostrar músicos cuja forte personalidade musical tenha contribuído para o desenvolvimento da estética desta música em constante modernização.
Nada melhor que abrir com o duo de Louis Sclavis, um verdadeiro colosso do melhor jazz Francês das ultimas três décadas. Com ele vem Vincent Courtois, o mais interessante e requisitado violoncelista francês do momento.
Na segunda noite, Lisboa terá o privilégio de assistir a um dos mais aguardados concertos do ano, Alexander Von Schlippenbach e o seu quinteto tocam a obra de Thelonious Monk segundo um prisma muito pessoal. Depois de ter sido apontado por quase todos como o melhor disco de jazz de 2005, "Monk's Casino" é apresentado em Portugal pela primeira vez.
A fechar a programação no Teatro Variedades, toca a 21 o trio de Peter Brötzmann, o autor do consagrado, polémico e obrigatório manifesto do free jazz europeu, “Machine Gun” em 1968.
Quase 40 anos depois, Brötzmann vem a Portugal pela segunda vez. Na verdade, a carreira deste gigante alemão do saxofone nunca esteve tão activa, seja no envolvimento constante com a nata do jazz europeu, seja nas várias parcerias com alguns dos mais brilhantes jazzistas americanos, Ken Vandermark, William Parker, Hamid Drake, Fred Hopkins, Nasheet Waits, Walter Perkins e tantos outros.

19 Junho
Louis Sclavis / Vincent Courtois Duo

20 Junho
Alexander Von Schlippenbach’s Monk’s Casino
21 Junho
Peter Brötzmann / Marino Pliakas / Michael Wertmueller
+ Hot Clube, 20, 21 de Junho, 23.30h, i
Mi Kollektief


 
 
Finalmente!
«¡¡Bienvenidos!! La edición de ORO MOLIDO # 17 nos pilló con acumulados retrasos que espero sepáis disculpar los más impacientes. No obstante, creo que la demora tiene sus buenas justificaciones en el sabroso contenido que os hemos preparado. Hay nuevos amigos y colaboradores que nos confían su trabajo y aportan sus conocimientos e ideas para revertirlos en todos nosotros. ¡¡Muchas gracias a todos ellos!!
Comenzamos el número con una entrevista exclusiva al músico brasileño Alípio Carvalho Neto, que repasa sus grupos y proyectos en Lisboa, donde reside actualmente. Eduardo Chagas, se encarga de entrevistarle y repasar buena parte de las novedades del sello Creative Sources Recordings, RogueArt, y otros en nuestro apartado de Discos. ¡¡Gracias, hermano!!
El mayor grueso de nuestros contenidos se lo lleva la reciente entrevista realizada a Robin James, editor del libro y coleccionista de Cassette Mythos. El mundo del casete no ha decaído del todo en la era del ipod y los laptop, como tampoco el mundo de los fanzines a pesar de internet. En esta entrevista realizada por Don Campau podemos vernos retratados algunos de nosotros.
Con todos los honores, recibimos a Sillón en nuestro dossier de sello discográfico. Este pequeño label madrileño, dedicado a grabaciones en solo, está dirigido por el músico noruego Ingar Zach. Aprovechamos también para entrevistar, con preguntas comunes, a los improvisadores que hasta ahora han editado: Michel Doneda, Alessandra Rombolá y Wade Matthews.
Celebramos la primera colaboración personal en ORO MOLIDO del músico de Laredo Pelayo Fernández Arrizabalaga, con sus amigos suizos de Happy Handbag, todos participaron en el Festival Hurta Cordel de 2004, en Madrid y quieren transmitirnos su buen humor en una cortita entrevista.
Por segunda vez leemos en ORO MOLIDO, ¡nos deleitamos tanto con ello!, a Antoine Martin. Próximamente también en nuestra revista hermana Improjazz: Cuatro Calas en la Dixonesfera, una entrevista con Bill Dixon, tras su paso por el Vision V Avant Jazz Festival, celebrado en marzo en Vincennes (Francia).
Agradecemos los informes del amigo y francotirador Jesús Moreno, que nos abre camino con un artículo sobre el jazz nórdico: De los bárbaros del norte, líbranos señor es su título. Igualmente, por las críticas de discos de Jaga Jazzist y Fausto Romitelli, a Xoan Carlos Pérez Dávila, y para el siempre alerta Rui Eduardo Paes, nuestra mejor disposición para su próximo libro.
Con mucho calor hicimos este número, incluidas las Próximas Citas para este verano y secciones habituales. Te lo servimos calentito ... pero no te preocupes que no quema.¡Saborea la diferencia!
Chema Chacón. 14 de junio de 2006.

 
 

Lou Grassi, um dos maiores bateristas do free jazz, tem página nova.

 
 

Ideias vão e vêm, perfurantes e insidiosas. A direcção é fruto do primeiro elemento. Onde estamos? Aqui. Onde é que vamos parar? Não se sabe, ninguém sabe. Onde está o centro deste universo onde tudo é periferia? Nas ligações, na reciclagem de resíduos, acidentes, memórias e campos magnéticos, nas emergentes estruturas moleculares que do erro se alimentam e fundem numa linguagem espectral, improvisada, hipnótica, concretista – experimental industrialismo free sónico de humana dimensão.
É no cosmos que residem os fundamentos e a natureza da substância que apela à invenção de uma nova cartografia que possa induzir o movimento. «The Cosmos is not engaged with along the lines of its affective connections to what is beyond it, because, by definition, there is nothing beyond it. Therefore it is that "the conception of which does not depend on the conception of another thing"» - Benedictus De Spinoza, “Ethics”.
Impõe-se, pois, recomeçar, enquadrar e retomar o pensamento fundacional, colocá-lo nos mesmos trilhos, mas com nova direcção, tendo em conta que não há saída possível. No entanto, sempre é viável ensaiar novos circuitos que ponham fim aos ciclos anteriores e, noutros moldes, recoloquem os termos da discussão. Mécanosphère continua a fazer o que tem a fazer. «Limb Shop».
Benjamin Brejon, Adolfo Luxúria Canibal, Scott Nydegger. Le Pilote Rouge, Henrique Fernandes e Steve Mackay.
Ed. Ragingplanet, Base Recordings e Fonoteca Municipal de Lisboa, 2006.
Mécanosphère toca na ZDB, sábado, 1 de Julho.

 
15.6.06
 

Revisões de matéria da alemã Absinth Records, de Berlim: Dörner/Hayward Duo - Axel Dörner, trompete; Robin Hayward, tuba. A mais recente da Absinth é um disco de Michael Renkel a solo, "Errorkoerper III". Para guitarra eléctrica, fx processor e laptop. "Records of pretty extreme music".


 
 


Melodiradion. Jazz & improvised music. Live & rare recordings. No mais recente podcast, um concerto do Tomasz Stanko Quartet, ao vivo no Frankfurt Jazz Festival de 2002.


 
 


Podcast de um excerto do concerto do Alípio C Neto DIGGIN´ no Festival "Issue 1".

 
 

Esquilo apresenta "uma nova secção de mp3 exclusivamente dedicada a gravações de concertos organizados pelo Esquilo. Para começar, o primeiro concerto organizado por nós, em Outubro de 2005, que juntou Tetuzi Akiyama, Manuel Mota e Ernesto Rodrigues, no espaço Artes Múltiplas, no Porto. Um set inspirado que pode ser encontrado na secção Concertos. Mais gravações se seguirão em breve".


 
 

Novas da editora polaca NotTwo Records, de Marek Winiarski:
- Trio Tarana - "Five Nights";
- Anthony Braxton / Chris Dahlgren - "ABCD";
- Steve Swell's Slammin' The Infinite - "Remember Now";
- Marco Eneidi / Peter Kowald / Damon Smith / Spirit - "Ghetto Calypso".

 
 

Nova edição (edo011) na eDogm, netlabel de Johann Bourquenez: Keplerslaws: "At the YuYinTang" (29'07). «Abstract / free improvisation / noise live mixrecorded during NOIShanghai anniversary at the YuYinTang, Shanghai, China, May 7th, 2006».

 
14.6.06
 

Tora Tora Big Band

«Depois do sucesso do concerto de lançamento no Cabaret Maxime em Abril, a "orquestra das nações unidas" e a sua injecção de calor sonoro regressam aos palcos para uma série de concertos. Uma oportunidade única para ver, ouvir e dançar ao som de uma efusiva combinação do jazz com ritmos caribenhos, brasileiros e africanos.
Doze músicos consagrados reúnem-se para formar uma orquestra de jazz e proporcionar uma vibração de energia e calor sonoro. Um poderoso naipe de metais e secção rítmica que reúne músicos de seis nacionalidades diferentes. Editaram em Abril o álbum de estreia "TORA TORA", pela Music Mob Records.
Os TORA TORA BIG BAND formaram-se em 2001 impulsionados pela vontade do trompetista Johannes Krieger e o trombonista Lars Arens, dois alemães residentes em Portugal. O seu propósito era criar uma orquestra que tocasse música para dançar, recuperando o espírito das antigas Big Bands, simultaneamente acrescentando outros elementos e tendências sonoras como o Afro, o Arabic, o Latin e o Funk. Doze músicos consagrados, reunidos numa consistente formação de metais e secção rítmica, criam uma paleta sonora abundante gerada pelo intercâmbio geográfico e cultural dos seus elementos, disperso por territórios tão diversos como Portugal, Brasil, Alemanha, EUA, Dinamarca e Itália».
Próximos concertos:
Galeria Zé dos Bois, 15 de Junho, 5ª f * às 23h //* Showcase FNAC Colombo, 20 de Junho, 3ª f * às 21h // * Showcase FNAC Chiado, 21 de Junho, 4ª f * às 19h // * Festival de Jazz de Torres Vedras, 22 de Junho, 5ª f

 
13.6.06
 
Marcello Maggi_trompete, trombone
Sandra Pires_poesia

Bruno Parrinha_clarinete
Eduardo Chagas_trombone
Miguel Martins_melódica

Luso Café_Bairro Alto, Lx_
15.06.06




 
 

Perante um público interessado e entusiasta, a Variable Geometry Orchestra, em formato de média dimensão (14 elementos) actuou ontem, 12 de Junho, à noite (22h00) ao ar livre numa praça do Centro Histórico de Abrantes, no âmbito das festas populares que ali decorrem de 9 a 14 de Junho, comemorativas dos 90 anos da elevação de Abrantes a cidade.
Foram executadas duas peças de composição instantânea, uma de exposição mais demorada e outra muito curta, breve epílogo a rematar a actuação de cerca de uma hora, preenchida com longos drones sucessivamente sobrepostos, ricos em tonalidades quentes. Sons de cordas, saxofones, acordeão, melódica e clarinete, combinados com as asperezas dos metais e o anguloso da electrónica (digital e analógica) e da percussão, elevaram a música a momentos de tamanha intensidade, fervor e clímax sonoro, alternando com ambientes mais suaves, impressionistas e quase melancólicos, na descida aos subterrâneos.
De novo à superfície, intervalados por passagens de alto volume e densidade polifónica, perigosas e ameaçadoras no seu enunciado, serviram os diferentes andamentos de plataforma para a moderada exposição solística por dentro e por cima da massa sonora, explorando as nuances tímbricas dos instrumentos e a imensa paleta de recursos, tonalidades, movimentos rítmicos e texturas que caracterizam o som da VGO. Que cada vez mais se refina e concentra na subtil exploração das imensas possibilidades da improvisação colectiva, exponencialmente alargadas através da (re)combinação harmónica de todos os sons válidos e disponíveis entre as alturas celestes e os infernais abismos.
Ernesto Rodrigues / Guilherme Rodrigues / Eduardo Chagas / Miguel Bernardo / Rui Horta Santos / João Pedro Viegas / Lizuarte Borges / Peter Bastiaan / Luís Lopes / Armando Pereira / Jorge Trindade / Carlos Santos / Miguel Martins / Monsieur Trinité. Fotos: Crista.
Próximo concerto: sábado, 24/6 - Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

 
 

Umbrella Music is a group of Chicago-based musicians and presenters working together to provide concert opportunities for creative and improvising musicians. Their goal is to pool resources in order to reach a larger audience for the music, and to provide better performance situations for artists. Umbrella members curate weekly concert series at Elastic, the Hideout, and the Hungry Brain, and work together to produce the Downtown Sound Gallery concerts at Gallery 37. They include Josh Berman, Mitch Cocanig, Mike Reed, Dave Rempis, Ken Vandermark, special adviser Mike Orlove, and web developer Tushar Samant.


 
 

Vitor Joaquim, Flow


 
 

György Ligeti (1923-2006)

 
12.6.06
 
VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
ernesto_rodrigues_violin, viola, direction
guilherme_rodrigues_pocket trumpet
eduardo_chagas_trombone
miguel_bernardo_clarinet
rui_horta_santos_tenor saxophone, flute
joão_pedro_viegas_tenor saxophone
lizuarte_borges_alto saxophone
peter_bastiaan_alto saxophone, poetry
luís_lopes_electric guitar
armando_pereira_accordeon
jorge_trindade_tapes
carlos_santos_electronics
miguel_martins_melodica, percussion
monsieur_trinité_percussion
12.06.06_Abrantes


 
11.6.06
 


Hoje (11.06) às 19h00 locais, na Downtown Music Gallery (342 Bowery, New York) actua o Alípio C. Neto Quartet, com Alípio C. Neto, saxofone tenor, Herb Robertson, trompete, Ken Filiano, contrabaixo, e Michael Thompson, bateria. Por estes dias o mesmo quarteto vai para estúdio gravar uma sessão.


 
 


O que eles dizem...
Rui Dinis, d'A Trompa, ouviu, não me deixa mentir, e disse:
«A excelência em podcast... É o podcast do Eduado Chagas - músico trombonista dedicado ao jazz e à música improvisada e dinamizador do blog Jazz e Arredores, espaço onde são disponibilizadas gravações de alguns dos concertos onde o músico participou...ou outros... Para os adoradores do género - e para os outros também, simplesmente imperdível...5 estrelas».
Agradeço a simpatia e o reconhecimento. Abraço ao RD.

O memo para o hermano josehgast, do galego Música Ceibe e guitarrista do grupo de improvisação electroacústica Volontè: «Desde que eduardo chagas comezou o seu podcast levaba eu agardando a que puxera á nósa disposición unha gravación da variable geometry orchestra, unha formación de músicos lisboetas na estela da celestrial communication orchestra de alan silva».

 
 

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA: Ernesto Rodrigues – violino, viola, direcção; Pedro Costa – violino; Guilherme Rodrigues – violoncelo; Hernâni Faustino – contrabaixo; Sei Miguel – pocket trumpet; Eduardo Chagas – trombone; Bruno Parrinha – clarinete, clarinete alto; Miguel Bernardo – clarinete; Jorge Lampreia – flauta, saxofone soprano; Nuno Torres – saxofone alto; Lizuarte Borges – saxofone alto; Peter Bastiaan – saxofone alto e voz; Alípio C. Neto – saxofone tenor; Rui Horta Santos – saxofone tenor; Luís Lopes – guitarra eléctrica; Armando Pereira – acordeão; Ivan Cabral – didgeridoo; Jorge Trindade – tapes; Adriana Sá – electrónica; Carlos Santos – electrónica; Miguel Martins – melódica, xilofone, percussão; César Burago – percussão; José Oliveira – bateria, percussão; Monsieur Trinité – percussão.
Em podcast: o concerto de 13.05.2006, na Trem Azul Jazz Store, em Lisboa.


 
10.6.06
 

Guelph Jazz Festival
6-10 de Setembro.


 
 

O saxofonista, improvisador e produtor Rent Romus, criador da Edgetone Records e dinamizador da Ultra Independent Recording Coalition ("holding" que agrupa editoras ultra-interessantes que agitam a cena musical independente da Costa Oeste dos EUA, como a própria Edgetone Records, Pax Recordings, Accretions, Balance Point Acoustics, Magnetic Motorworks, Circumvention Music, Evander Music, e Monkey King Records), dirige ainda, a partir de S. Francisco, as Luggage Store Gallery New Music Series, a SIMM Series, o Big Sur Experimental Music Festival, e Outsound Presents…, um espaço para concertos ao vivo de música improvisada e experimental. Rent é também a figura por detrás da Edgetone Music Summit, evento que terá este ano a sua sexta edição, a realizar entre 27 e 21 de Julho em Oakland e S. Francisco (Bay Area).

 
 

Abdul Moimême converteu-se às delícias do podcasting. Free Music...
FREEMUSIC plans on posting some musical events of improvised music from the Portuguese and especially the Lisbon scene, eventually expanding it's boundaries to include the Milky Way and the general Outer Cosmos (in the case there's somebody out there)! There are a variety of small clubs where this kind of music is happening on a nearly daily basis. It would be a shame to simply let this music dissolve into the ether. The idea of this podCast is to you allow you to sample a small portion of a much larger musical phenomenon that is happening now! We hope you enjoy listening to it as much as we enjoyed playing.
Freemusic!


 
9.6.06
 

Ultimamente, quem tem dado cartas neste domínio da improvisação de base electronica, têm sido principalmente artistas europeus e japoneses, descendentes na linha recta ou na linha colateral do trio britânico AMM (a “old school” da improvisação electrónica e electroacústica). No caso vertente, é de Portland, EUA, que provêm Doug Theriault (“sensor guitar controlling live electronics”, mantendo a designação original) e Bryan Eubanks (electrónica em circuito aberto), também saxofonista (como tal, actuou recentemente em Lisboa), embora aqui se fique apenas pelos botões da maquinaria. Duas longas exposições, "Don't Worry About the Future" (21’04) e "A Majestic" (40’53), preenchem por inteiro o programa de "Big Clouds in the Sky Today" (cs047). Considerando a densidade da música e a longa duração dos temas, o disco não é pêra doce nem sequer para o ouvinte habituado a este tipo de ambientes electrónicos, do género que abunda na norte-americana Erstwhile, por exemplo. No entanto, transcorridas as primeiras, digamos, duas audições, que prepararão a mente para a descida às profundezas, a partir daí, tudo começa a ficar mais nítido, a tomar o devido lugar e a fazer sentido, saltando a microscopia sonora, até então escondida por entre a massa saturada dos drones, do segundo plano para a frente do cenário, a deixar perceber toda a riqueza do detalhe. Pan Sonic, sem os aspectos mais imediatamente ligados ao techno, poderia ser uma referência comparativa a ter em conta. Alguma falta de direcção no longo drone final acaba por ser compensada com os inúmeros “acidentes” que, aqui e ali, inesperadamente surgem no caminho, transformando a imensa panóplia de sons de construção electrónica em música estimulante, simultaneamente densa e delicada. Gravado ao vivo em Abril de 2005. Edição da Creative Sources Recordings.

 
 

"An Interview with Sun Ra (1990)"
Sun Ra, Francis Davis
(Slought Foundation)



 
 

Tonight’s Jazz On 3 is a festival of free-improvisation. We recorded Freedom of the City 2006 earlier this year and on tonight’s programme you’ll hear extracts from each of the fifteen performances that took place on April 30th and May 1st. It’s a kind of sound collage that features 47 musicians in ensembles including Evan Parker’s Octet; electronics duo Furt; nine-piece Quaqua, which pits vocals against strings and horns; and Iskra3 in which trombonist Paul Rutherford is sampled, stretched and manipulated live by computer wizards Lawrence Casserley and Robert Jarvis.
Based at the Red Rose in Finsbury Park, London, Freedom of the City was originally set up to provide a platform for the creative, but perhaps under-represented, free-improvisation scene in London, but now welcomes performers from around Europe. The festival is curated by saxophonist Evan Parker, drummer Eddie Prévost and Martin Davidson, the man behind the free music record label Emanem.


 
 

Este ano assinala-se o 40.º ano da gravação de "Where is Brooklyn?", de Don Cherry, ocorrida em 11 de Novembro de 1966, no estúdio de Rudy van Gelder, New Jersey. O ano passado, data da reedição, perfez uma década sobre a morte física do trompetista e compositor, ocorrida em Málaga, Espanha.
Depois de, em 1962, ter deixado o quarteto de Ornette Coleman para iluminar, à vez, a música de Sonny Rollins, Archie Shepp e Albert Ayler, em 1965 foi contratado por Alfred Lion para a Blue Note. Em menos de um ano, Don Cherry, preparou e gravou três documentos fundamentais para a evolução do jazz – "Complete Communion" (1965), "Where is Brooklyn?" (1966), e "Symphony for Improvisers" (1966), este último combinando o quarteto de Nova Iorque com o quinteto europeu, em que participaram Gato Barbieri, Karl Berger e Jean-François Jenny Clark.
Para "Where is Brooklyn?" (que só viria a ser editado em 1969, mais de dois anos e meio sobre a gravação), Cherry chamou o delfim de John Coltrane, Pharoah Sanders (saxofone tenor e piccolo), Henry Grimes, baixista de Albert Ayler, e o antigo baterista de Ornette Coleman, Ed Blackwell, para gravar o mais cru, inflamado e ESPiano dos painéis que compõem o famoso tríptico da Blue Note. Ponto mais alto em Brooklyn é o sax tenor de Sanders, que grita lava incandescente, inspirando Cherry para uma expressão mais sóbria, com maiores espaços entre notas, facto que também constituiu uma novidade no estilo do trompetista. Henry Grimes, antes de se perder durante décadas, apresenta-se como o esteio ideal para o desenvolvimento das ideias New Thing do quarteto, expostas nas estruturas de tipo aberto que constituem o alinhamento do disco.
Os temas são Awake Nu, Taste Maker, The Thing, There Is A Bomb e Unite. Títulos que inspiraram Ken Vandermark e de Mats Gustafsson, o que atesta a vitalidade da música de Don Cherry, quarenta anos passados sobre o seu registo, agora disponível na Connoisseur Series da Blue Note.
Quem não passa sem as habituais listas do tipo “10+” ou da “para a ilha deserta”, por exemplo, bem poderia pensar em incluir "Where is Brooklyn?" no pacote.

 
 
O saxofonista português Rodrigo Amado inicia a 13 de Junho uma digressão americana pela Costa Este com o trompetista Dennis Gonzalez, o trio Yells At Eels e músicos convidados.

Tuesday, June 13th
Dennis Gonzalez Yells At Eels with Rodrigo Amado
at Railroad Square Cinema, $10, 7:30 pm
17 Railroad Square, Waterville, Maine
(207) 872-5111
Wednesday, June 14th
Dennis Gonzalez Yells at Eels with Rodrigo Amado
and
Northern Liberties (Philadelphia)
Bad News Bats (Philadelphia)
Dactyl (Baltimore)
The Vibration (New York)
at Danger! Danger! House
900 S. 47th St., West Philadelphia / 8pm
Friday, June 16th
Dennis Gonzalez Yells At Eels
with Rodrigo Amado and Remi Alvarez
and very special guest Henry Grimes + others
at Vision Fest and Jazz Corner Jams
Mo Pitkin's House of Satisfaction
34 Ave A (between 2nd and 3rd Sts)
New York / mid - 2am; $5 / $10 - limited seating
Saturday, June 17th
Dennis Gonzalez Yells at Eels with Rodrigo Amado
at Fiume (click on this link and scroll to the bottom after the jump)
- 45th @ Locust (2nd floor above Abyssinia)
West Philadelphia / 10 p.m / limited seating
Sun., June 18th
Dennis Gonzalez Yells At Eels with Rodrigo Amado
at Sangha, 7014 Westmoreland Ave.
Takoma Park, Maryland
4 pm - $10

 
8.6.06
 


Enquanto não chega o mui aguardado e apetecido n.º 17 da extraordinária revista espanhola sobre improvisação, arte sonora e new music - ORO MOLIDO - que Chema Chacón dirige, coordena, edita, faz o design gráfico e a maquetagem, escreve, publica e distribui a partir de Madrid, podemos ler a interessante entrevista que Wade Matthews deu a Chema e que vem publicada no n.º 9 da Oro Molido (cortesia de Roberto "Puro Jazz" Barahona). Roberto encontra-se por estes dias em terras de Espanha com outro amigo improv-aficionado, Juan Antonio Barranco. Talvez venham ambos a Lisboa, ao Jazz em Agosto.
"Hace falta una saludable capacidad de cuestionar".


 
 

Em podcast, o concerto de Ernesto Rodrigues (viola), Guilherme Rodrigues (pocket trumpet), Eduardo Chagas (trombone), Abdul Moimême (electric guitar), Hernâni Faustino (bass) e Miguel Martins (melodica, trumpet, percussion), na FNAC do Chiado, Lisboa, em 13 de Abril de 2006.

 
7.6.06
 

Cada novo disco do prolífico Dave Douglas, não constituindo embora motivo para grandes surpresas (passou a ser normal encontrar novas edições, para além do regular disco por ano) traz sempre consigo um elemento susceptível de estimular a curiosidade do ouvinte em saber por que caminho o trompetista e compositor pretende seguir. Tanto mais interessante esse exercício é, quanto o músico já experimentou, como líder ou acompanhante, a quase totalidade dos estilos, formatos e geometrias que o jazz conhece, mesmo nas suas formulações mais heterodoxas. E que propõe Dave Douglas neste seu 24.º disco? Um novo e terceiro capítulo do seu quinteto “clássico”, o primeiro para a Greenleaf Music, depois de “Strange Liberation” (RCA), a que acresceu o contributo de Bill Frisell, e “The Infinite” (RCA), cuja principal diferença formal em relação a anteriores edições se assinala na mudança da titularidade do saxofone tenor. É então que, onde antes se encontrava Chris Potter, surge agora Donny McCaslin (excelente nas trocas químicas com o trompetista, temperadas pela cor do piano eléctrico), mantendo-se o resto da banda, com Uri Caine (Fender Rhodes), James Genus (contrabaixo) e Clarence Penn (bateria). Musicalmente, com este grupo Douglas continua a investir na leitura moderna das reminiscências estéticas do quinteto de Miles Davis, de imediatamente antes do abraço definitivo da electricidade (momento de que "Filles de Kilimanjaro" seria o epítome, estando Donny McCaslin para Douglas, como Wayne Shorter esteve para Miles), uma inesgotável fonte de inspiração, acrescentada da especial inventividade de Dave Douglas enquanto compositor, que também é um dos maiores e mais importantes trompetistas da sua geração. Um músico exímio na consumada arte de dosear fogo e reflexão, que aplica tanto ao recorte melódico dos temas como à improvisação que os mesmos flexivelmente suportam e instigam, com o apoio de uma secção rítmica que impressiona mais pela respiração e pelo espaço que concede, que pela marcação do tempo sem falhas. Se procurarmos hoje o músico-paradigma do jazz contemporâneo, herdeiro de um certo classicismo do final da década de 60, encontrá-lo-emos em Dave Douglas. Não obstante a intensa exposição a que tem estado sujeito, prossegue o seu caminho através de um saudável compromisso entre a tradição e o vanguardismo, que recolhe o melhor de ambas as fontes, sintetizando-o num discurso moderno e virado para o futuro. “Meaning and Mystery”, com os seus nove temas originais, é um belo disco de Dave Douglas, que exprime uma componente importante da sua visão musical, a assumpção prática de que o quinteto de jazz é uma toca de onde ainda continuam a sair bons coelhos. E um bom contraponto a “Rue de Seine”, em duo com o pianista Martial Solal, e ao groove de “Keystone”, para citar as mais recentes saídas do trompetista de New Jersey. Esteticamente, não apresenta nada que se possa considerar novo, é certo, mas tudo é muito bem composto, arranjado e executado, com a classe e a elegância a que Douglas nos habituou. Edição da Greenleaf Music, distribuída em Portugal pela Dwitza.

 
6.6.06
 
JAZZ EM AGOSTO / 2006

Lisboa, 3 a 12 de Agosto

3 (qui) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
ROVA :: ORKESTROVA ELECTRIC ASCENSION
(EUA/JAPÃO)
Bruce Ackley (ss), Steve Adams (sa), Larry Ochs (st), Jon Raskin (sb), Natsuki Tamura (tp), Fred Frith (b el), Nels Cline (g el, efx), Otomo Yoshihide (gira-discos, efx), Andrea Parkins (teclados, efx), Chris Brown (efx, elect), Carla Kihlstedt (vln, efx), Jenny Scheinman (vln), Tom Rainey (bat), Myles Boisen (eng. som)
4 (sex) - 15:30 - Auditório 2
EVAN PARKER (REINO UNIDO)
Solo sax soprano e tenor
4 (sex) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
NELS CLINE/ANDREA PARKINS/TOM RAINEY (EUA)
Nels Cline (g el, efx), Andrea Parkins (p el, samples, efx/Tom Rainey (bat)
5 (sáb) - 15:30 - Sala Polivalente
EVAN PARKER (REINO UNIDO)
Conferência JOHN COLTRANE
5 (sáb) - 16:30 / 17:30 - Sala Polivalente
The Robert Herridge Theater - THE SOUND OF MILES DAVIS
CBS Films, 1959 / Realizador: Jack Smight / Produtor: Robert Herridge
Director Musical, Arranjos: Gil Evans
28’/ Preto e branco / 16mm. Cortesia da CBS e Library of Congress - Washington D.C.
5 (sáb) - 18:30 - Auditório 2
LARRY OCHS/FRED FRITH/LE QUAN NINH
(EUA/REINO UNIDO/FRANÇA)
Larry Ochs (st, ss), Fred Frith (g el, efx), Le Quan Ninh (perc)
5 (sáb) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
MANDARIN MOVIE
(EUA)
Alan Licht (g), Matthew Lux (b el, efx), Steve Swell (tb), Jason Ajemian (ctb, efx), Frank Rosaly (bat), Rob Mazurek (corneta, moog, efx), Alan Licht (g, efx)
6 (dom) - 18:30 - Auditório 2
LE QUAN NINH
(FRANÇA)
Solo de percussão
6 (dom) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
CORKESTRA (PAÍSES BAIXOS/EUA/AUSTRÁLIA)
Cor Fuhler (orgão, clarinet, p), Ab Baars (st, cl), Anne La Berge (fl), Tobias Delius (st cl), Andy Moor (g el), Nora Mulder (cymbalon), Joe Williamson (ctb), Tony Buck (bat, perc), Michael Vatcher (bat, perc)
10 (qui) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
CRAIG TABORN'S JUNK MAGIC (EUA)
Craig Taborn (p, tecl), Mat Maneri (vln), Mark Turner (st), Erik Fratzke (g, b el), Dave King (bat)
11 (sex) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
THE CLAUDIA QUINTET
(EUA)
John Hollenback (bat, perc, efx), Drew Gress (ctb), Matt Moran (vibr, tecl), Ted Reichmann (accordeon, g ac & el, tecl), Chris Speed (cl, st)
12 (sáb) - 15:30 - Sala Polivalente
“Discovering Jazz Treasure” - Alocução por Larry Appelbaum
Larry Appelbaum irá explicar a sua pesquisa, descoberta e significado dos registos do concerto de 1957 do Thelonious Monk Quartet com John Coltrane, recentemente descobertos na Library of Congress e que foram editados durante o ano de 2005 pela Blue Note Records.
12 (sáb) - 16:30 / 17:30 - Sala Polivalente
"The Robert Herridge Theater - THE SOUND OF MILES DAVIS"
CBS Films, 1959 / Realizador: Jack Smight / Produtor: Robert Herridge /
Director Musical; Arranjos: Gil Evans
28’/ Preto e branco / 16mm
Cortesia da CBS e Library of Congress - Washington D.C.
12 (sáb) - 18:30 - Auditório 2
LISBON IMPROVISATION PLAYERS featuring DENNIS GONZÁLEZ
(PORTUGAL/EUA)
Rodrigo Amado (st, sb), Denniz González (tp), Pedro Gonçalves (ctb), Bruno Pedroso (bat)
12 (sáb) - 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre
ANTHONY BRAXTON 6tet (EUA)
Anthony Braxton (sax's e cl' s), Taylor Ho Bynum (tp), Jessica Pavone (vln, viola), Jay Rozen (tuba), Aaron Siegel (perc), Chris Dahlgren (ctb)

Fundação Calouste Gulbenkian

Av. de Berna, 45A
1067 - 001 Lisboa, Portugal
tel. +351 217 823 576 / fax. +351 217 823 034
http://www.musica.gulbenkian.pt/
 
5.6.06
 

Em Seattle, deu-se há poucos anos o encontro de três improvisadores japoneses, membros da comunidade universitária daquela cidade norte-americana, de seu nome Kazutaka Nomura (guitarra, voz), Shinsuke Yamada (percussão, electrónica, xilofone e voz) e Noriaki Watanabe (piano, sintetizadores, xilofone e percussão). Do trabalho que empreenderam juntos resultaram, ao que se sabe, quatro dezenas de edições limitadas, em formato cd-r, até que a Pax Recordings lhes abriu as portas para aquela que fica para a história como a primeira edição “industrial” do bizarro trio nipónico, exímio na arte da mais weird improv dos últimos anos. A mistura não deixa dúvidas: em 44 minutos, Na (palavra que em japonês pode ter vários sentidos, como “nome”, “flor” ou “exorcismo”) lança se numa luxuriante aventura sonora de género inclassificável, pois recolhe elementos de uma vasta série de géneros e subgéneros da música popular e erudita, de melodias folk que recordam a infância no que ela tem de ingénuo e de perverso.
O formato é o da improvisação totalmente livre, em que impera um delicioso e pouco usual sentido lúdico. No fundo, o trio não pretende mais que divertir-se e divertir o ouvinte, como quem brinca com coisas sérias, despreocupadamente, combinando experimentalismo underground com o colorido de fitas e lacinhos pop, espécie de cartoonismo do género Zorn meets Zappa dos tempos de "Studio Tan", com um toque especial de psicadelismo tipicamente japonês. Nas 10 canções (chamemos-lhes assim) de “Naisnice” há algo de comum ao que se pode ouvir nos conterrâneos Boredoms, sobretudo ao nível das vocalizações e da liberdade formal, descontado algum peso das guitarras, que aqui são essencialmente acústicas ou preparadas para soar de modo estranho e cacofónico. Atenção a estes intrépidos e bem-humorados anarquistas sonoros. Bem a merecem. "Naisnice" é uma das grandes e agradáveis surpresas de 2006.
Na – Naisnice (Pax Recordings, 2006)

 
4.6.06
 

A CIMP (Creative Improvised Music Projects), de Bob Rusch, tem nova página, completamente reformulada e com excelente apresentação, autonomizada da casa-mãe, The Cadence Building Web.


 
 


O Jazz On 3 desta semana apresenta um concerto do Big Satan (Marc Ducret e Tom Rainey), trio do saxofonista e compositor norte-americano Tim Berne (Paraphrase, Science Friction, Bloodcount, Hard Cell...) gravado ao vivo o mês passado no Vortex, clube de Londres. Quatro temas originais de Berne (o "pragmático supersticioso") preenchem a sessão, incluida na recente digressão que o grupo realizou por terras europeias: Uncle, Histoire, Cause & Reflect e L'Ombra Di Verdi.


 
  Alarm!

Em 1981, a editora alemã Free Music Production (FMP) publicou "Alarm", do Peter Brötzmann Group. Um disco de estalo (stricto sensu) que foi caindo no esquecimento, por não ter havido reedição do Lp original. Uma vez mais, cumprimentos devem ser dirigidos a John Corbett, pela paciente diligência que tem posto na redescoberta e colocação no mercado de obras importantes do free jazz e da free improv das décadas de 60, 70 e 80. Como é o caso deste "Alarm", que ficou para a história como um dos grandes discos de uma banda enorme (que não em tamanho, pois de um noneto se tratava) do lendário Peter Brötzmann, que investia tudo no som cru, por vezes brutal, outras quase lírico. A bordo, além de Brötzmann, um all-star internacional do melhor que na Europa, à época, se dedicava às delícias da free music: o japonês Toshinori Kondo, trompete; o reverendo norte-americano expatriado na Europa, Frank Wright, saxofones; o holandês voador Willem Breuker, também em saxofones; o britânico Alan Tomlinson e o alemão Hannes Bauer em trombone; os sul-africanos expatriados em Londres, Harry Miller, em baixo eléctrico, e Louis Moholo, bateria. E Alexander von Schlippenbach, piano. Que tal?! Conta-se que a certa altura, quando o grupo tocava Jerry Sacem, tema do reverendo Wright, o concerto na Funkhaus de Hamburgo (NDR Jazzworkshop) teve que terminar subitamente, devido a ameaça de bomba na sala. Bom, que havia bomba na sala era notório; mais que ameaça – uma realidade, como se pode ouvir. Quando muito poderia ter havido duas bombas, o que, bem vistas as coisas, talvez fosse demais e nem Brötzmann precisaria desse tipo de concorrência desleal. Comparações? Bom, quem ouviu "Machine Gun" saberá certamente ao que vai. Quem não ouviu, prepare-se para esta boa amostra da “hell raising capacity” de Herr Brötzmann e companhia. Não há ferrugem que resista. Nem bom ouvido.
«The story is simple. We were touring with this band, and the reason I could put the band together in the first place was a radio gig in Hamburg. Michael Naura, chief of the jazz dept there, was setting up a series of on-air concerts in a 200-seat studio, so we performed the first piece, which I called "Alarm." I used the graphic instructions for a reaction to a nuclear emergency, a series of waves and straight tones, repeated in a certain way. We had planned two more pieces, one by Willem Breuker and one by Frank Wright. My piece took about 40 minutes, the first half of the concert. At the end of the performance, Naura came to me – while we were still on the air – and whispered that the house got a bomb threat and had to be evacuated. So I had to bring the piece quickly to and end and the audience was asked to leave the hall. We also had to pack and leave. Police and special forces showed up with all kinds of equipment, gear, dogs – we know all that better now than then. That was the end of the concert and that’s the 40 minutes we have on tape». -Peter Brötzmann, Chicago, October 2005
Peter Brötzmann Group – "Alarm" (Atavistic/Unheard Music Series)

 
3.6.06
 
Tony Conrad faz capa. O compositor, violinista, realizador de video e cinema, artista multimédia, escritor e professor norte-americano, eventualmente mais conhecido pela sua actividade na área do minimalismo da primeira escola, deu novos mundos ao som com a sua "eternal music" e com as associações a LaMonte Young, John Cale, Faust e outros. Tem muito trabalho documentado na Table Of The Elements, editora fundada por Jeff Hunt há uma década e picos. O número de Verão da Signal To Noise (#42) dedica-lhes, ao artista e à editora, generosa atenção. E a Jonathan Kane, San Agustin, Arnold Dreyblatt e Rhys Chatham. Glenn Kotche, Maria Schneider e Joe Fiedler. Mais as críticas, reportagens e comentários que tiram a temperatura à cena global do jazz e da música contemporânea, improvisada e experimental.

 
2.6.06
 


A música do Pan Sonic, duo de Mika Vainio e Ilpo Väisänen, originário de Turku, Finlândia, é de largo espectro, abrangendo sinais diversificados, como o noise, o minimalismo techno e a electrónica industrial. O resultado é um som forte de electrónica experimental que tem na improvisação o seu método de produção e em que o primado vai por inteiro para o som.
A 26 de Maio passado, o duo actuou na Galiza, no festival SINSAL 4.0 _ESTACIÓN PRIMAVEIRA (MARCO - Museu de Arte Contemporânea de Vigo). O concerto, com a duração de uma hora, pode ser ouvido na sinsalradio, ou no cluster artesonoro.org, de Vigo, Espanha.

 
 


Em Março passado saiu na con-v um ep - "More than Everything" (16'35), do escocês Mark McLaren que vale a pena ouvir. O método de montagem sonora de McLaren apela à desmontagem, desossamento e posterior recombinação dos mil pedaços, produzindo assim um novo ente com duas faces: orgânica e digital. «These residues were then combined with concrete music, hertzian textures and sounds which can only be remembered but never recorded». Mark McLaren dirige a editora Sound Injury ("music with a limited appeal").
 
1.6.06
 

A equipa de Dan Warburton, com Marcelo Aguirre, Clifford Allen, Nate Dorward, Jason Kahn, Guy Livingston e Massimo Ricci, edita o número de Junho da
Paris Transatlantic Magazine
Editorial
Interview with FRANK DENYER
Loren Connors
Jason Kahn in Japan: Where do we go from here and how do we get there?
Ned Rothenberg/Joseph Holbrooke
JAZZ & IMPROV: The Contest of Pleasures/Mersault/Trio FO/VHF/Brian Allen/Evan Parker/Fred Hess/Wade Matthews & Ingar Zach/(N:Q)/Boghossian, Rives & Saladin/Office-R(6)/Silo/Dominic Lash & Bruno Guastalla/Safe & Danny McCarthy
CONTEMPORARY: Lionel Marchetti/B. Reynolds/Joseph Waters/N. McGowan/George Antheil
ELECTRONICA: Francisco Lopez/Daniel Menche/Lukasz Ciszak/Alan Courtis /Origami Replika
?????: Morpho / Hans Grusel's Krankenkabinet / Travis Just / The Beige Channel / Ed Chang & Han Degc / MechaOrga


 
 


Trio de trombone, guitarra acústica e viola. Mathias Forge (trombone) e Cyril Epinat (guitarra acústica) músicos franceses de Lyon, em curta digressão pela Europa (segue-se Barcelona), encontraram-se com o violinista português Ernesto Rodrigues para uma sessão musical descontraída que compreendeu dois temas compostos e executados em directo. Assumida a iconoclastia face às várias tradições musicais que assentam no uso da melodia e das regras rítmicas e harmónicas da música ocidental – característica das novas correntes da improvisação livre – o trio, refractário ao uso do fraseado convencional, empreendeu a sua jornada musical tocando os instrumentos em toda a extensão, mais enquanto artefactos geradores de som, que na sua utilização tradicional. Tal abordagem incluiu os aspectos periféricos da execução, remeniscente da musique concrète (sons fragmentados que se aglutinam para formar um contínuo coerente) ou no granulado digital dos laptops, transposta, reformulada e adaptada para um ambiente acústico de baixo volume, a exigir do ouvinte total concentração para melhor apreciar os interessantes jogos de interacção tímbrica. Aconteceu terça-feira passada, 30 de Maio, na Trem Azul Jazz Store, em Lisboa. Podcast disponível.
(Fotos: Rui Portugal)


 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

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