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31.1.05
 


Black Beings. O sax tenor áspero de Frank Lowe (1943-2003) domina a refrega de ponta a ponta. Chegado a Nova Iorque, Frank Lowe trazia o sonho de se afirmar na cena free, ansioso por professar a sua ideologia musical, tributária de Albert Ayler, Sun Ra, AEC, Coltrane e Pharoah Sanders. Black Beings é um disco militantemente guerrilheiro, que tem em Lowe e Joseph Jarman (AEC) um naipe de atiradores de afinada pontaria. E duas estreias promissoras: a de Lowe como líder e a de William Parker em disco. Acima de tudo, Black Beings é um espantoso manifesto político, estético, espiritual e intelectual de uma geração de músicos que fizeram avançar o jazz.
Frank Lowe, sax tenor / Joseph Jarman, sax alto / William Parker, contrabaixo / The Wizard (Raymund Cheng), violino / Rashied Sinan, bateria.
Frank Lowe - Black Beings (ESP Disk, 1973)


 
29.1.05
 

Amalgam - Prayer for Peace. Uma pequena maravilha do brit-jazz dos anos 60. Trevor Watts, sax alto; Jeff Clyne, contrabaixo (Barry Guy, no último tema) e John Stevens, bateria. Em lugar do hipotético esforço de desbunda free selvagem que a época e a formação em certo sentido poderiam fazer suspeitar, o trio toca em tom de inquieta calmaria, como a que normalmente antecede a borrasca, que não chega a acontecer. Gravado na Primavera de 1969, Prayer for Peace contém 5 temas repassados de espiritualidade cósmica, que ambiciona a comunicação universal. Originalmente publicado na Transatlantic, foi reeditado em 2002 pela britânica FMR. Uma obra digna de emparceirar com as melhores do género, porque além da qualidade musical que em si mesma encerra, soube envelhecer muito bem, mantendo intacta toda a frescura de 1969. Uma advertência a quem possa ter interesse na obtenção deste disco: apresse-se, porque o Penguin dá "coroa" na mais recente edição (7.ª).

 
 

A vida pulsa no mundo digital. Design sonoro, arquitectura de novos modelos, soundscapes. O laptop é um instrumento fantástico, que permite ensaiar novos conceitos e partir para diferentes formas de organização sonora. Abre um mundo inesgotável de novas possibilidades estéticas. A liberdade encontra sempre novos meios de se manifestar. Tomas Lipka aka monostatic, é um jovem desenhador sonoro da Eslováquia, que pesquisa através deste meio. A música de Lipka organiza-se em camadas de som digital, crackles e beats em progressão linear e repetitiva, de efeito encantatório. Vale a pena ouvir o ep sub drk introduxion. A edição é da netlabel alemã 2063music.

 
28.1.05
 


Oliver Lake © Nuno Martins



Ingebrigt Håker Flaten © Nuno Martins



 
 
Algures – entre uma revivifação eficaz do padrão de Tony Williams no seu projecto radical de época, Emergency (1960’s/70’s) e as muralhas eléctricas laboriosamente tecidas de um Glenn Branca – se situa esta associação em trindade (santíssima) de NC, AP e TR. Um segmento, sem dúvida, da diversificada produção do jazz actual, na qual os mais interessados por transgressões criativas iniciadas há três décadas, se reconhecerão sem restea de revivalismo e, na qual, também, poderão ser acompanhados pelas novas gerações.
Música determinada por três vectores sónicos dominantes – guitarra eléctrica + orgão + bateria – em metamorfoses contínuas de fontes, efeitos e resultados. A música do trio transporta-nos numa transcendência de referências a que muitos, provavelmente, não têm acesso fácil.
Nels Cline – guitarra e feitos - Andrea Parkins – acórdeon e efeitos, teclados, laptop samples - Tom Rainey – bateria.

Gravado – Agosto 5, 2002
‘ash and tabula’ Nels Cline.Andrea Parkins.Tom Rainey (Atavistic, 2004)

Rui Neves (28.01.2005)







 
 


Estava prometido. A BBC Radio 3 (Jazz on 3) emite hoje o concerto comemorativo do 75º aniversário de Kenny Wheeler, gravado há coisa de semanas no Queen Elizabeth Hall, em Londres. Com o grande trompetista e compositor (que faz parte de uma elite de improvisadores das Ilhas Britânicas, apesar de Wheeler ser canadiano por nascimento) esteveram grandes figuras do jazz e da improv, como Dave Holland, Lee Konitz e Evan Parker, integrados numa big band de se lhe tirar o chapéu. Em estreia mundial, uma peça de Wheeler cuja composição havia sido encomendada pela BBC Radio 3. Isto, segundo Jez Nelson, na segunda parte da emissão desta noite, que se inicia às 23h30 de Lisboa. Na primeira parte, para fazer “boca” e aquecer os músicos para a tal piéce de resistence, outra composição de Wheeler já com uns anos, Mark Time, seguida de How Deep is the Ocean, em arranjo wheelereano. Há de facto uma assinatura musical Wheeler, e isso é totalmente relevante.
Tempo há, no intervalo, para uma entrevista ao aniversariante, que se revela parco em palavras. O negócio dele é música. Escrita, improvisada, muito boa. Parabéns, Mr. Wheeler. Muito obrigado
.



 
27.1.05
 

Miles & Co. / deambulações pela 'electro-fusão' dos anos 70!
Uma viagem alucinante com as influências de James Brown, Jimi Hendrix e Sly and the Family Sone!
Miles: "A música que eu estava verdadeiramente a ouvir em 1968 era o James Brown, o grande guitarrista Jimi Hendrix e um novo grupo que acabava de sair com um êxito, 'Dance to the Music', Sly and the Family Stone, liderado por Sly Steward, de San Francisco. As cenas que ele fazia eram a abrir, com todo o tipo de batidas 'funky' lá pelo meio".



 
 

Preach (Charles Gayle) at The Knitting Factory, NY, 1992 © Jeff Schlanger

A grande notícia para quem gosta de jazz, foi o lançamento ontem, dia 26 de Janeiro, de um novo disco de Charles Gayle, SHOUT! (Clean Feed). Charles Gayle, sax tenor / Sirone, contrabaixo / Gerald Cleaver, bateria.
Portugueses, não há que perder a esperança: nem tudo são más notícias. Ontem, por exemplo, houve duas excelentes, aquela que já referi, e a outra que deixou 6 milhões (pelo menos) muito satisfeitos. Enquanto houver música desta e bola daquela... Ah, e Santana está quase na rua, é verdade.
Este disco de Charles Gayle não tem paralelo: o saxofonista inicia aqui outra fase com novas aventuras já prometidas para saxofone alto, que seguem dentro de algum tempo. Shout! foi gravado em Lisboa, em 2003.
É-nos vedado ver a verdade directamente. Apenas nos é permitido ver a sombra da verdade, que se encontra no mundo exterior. Quando nos libertamos, apercebemo-nos do que se passa lá fora e ficamos deslumbrados, pela constatação das formas, que já não se apresentam exclusivamente planas, e das da cores, que recebem toda a gama de cambiantes. Platão tinha razão. Charles Gayle liberta.


Desde 2001 que se aguardava por uma gravação de Charles Gayle, em saxofone tenor. Quatro anos de interregno discográfico é muito tempo na carreira de um artista que, na actualidade, protagoniza um dos caminhos mais interessantes do jazz moderno em geral, e uma voz pessoalíssima no saxofone tenor, em particular.

Aí está uma nova gravação de Gayle, Shout!, retomando o fio de uma discografia generosa em quantidade e qualidade. Comparando com tudo o que o saxofonista gravou, Shout! é diferente no tom, na forma, direcção e densidade, mas não é menos verdadeiro e fiel ao princípio gayleano de tocar música de extrema beleza e espiritualidade.

Os biógrafos e críticos musicais que se debruçam sobre a figura de Charles Gayle, nado e criado em Buffalo, Nova Iorque (1939), são geralmente unânimes em fazer sobressair a fisicalidade e a intensidade das suas actuações ao vivo, bem como a sua quase mitológica ascensão a partir da condição de sem-abrigo, vivendo e tocando nas ruas e nos corredores do metro de Nova Iorque durante perto de vinte anos, até se tornar na "estrela" que hoje é nos meios restritos do jazz de vanguarda.

Raras são as figuras do jazz actual tão pouco consensuais, num espectro que vai da fervorosa admiração ao sobranceiro desprezo. Tal acontece porque Charles Gayle toca uma música que não deixa ninguém indiferente. Porque é extrema, visionária, crua e despojada, mas simultaneamente tão bela e extasiante quanto o pode ser a natureza em estado selvagem.

Gayle é um místico, um profeta de rua que fala aos homens sobre a sua visão pessoal da transcendência através do som que extrai do saxofone tenor, que aborda de forma electrizante. Sem ser um músico de escola, Gayle causa espanto pela emoção, invulgar capacidade técnica e coesão das suas improvisações. Se diz amar Armstrong acima de tudo, certo é que também cultivou Lester Young, Charlie Parker, John Coltrane, Cecil Taylor e Albert Ayler, influências que processou e incorporou numa música que evidencia os percursos que marcaram a criação da sua controversa persona.

Charles Gayle é o tenor mestre dos registo entre o médio e o altíssimo, o mais livre dos saxofonistas, no sentido em que se libertou de constrangimentos e espartilhos formais, mesmo quando aborda standards como I Remember You e I Can´t Get Started, incluídos em Shout!. Por esse facto, discos como os anteriores Homeless, Repent, Testaments, Consecration ou Daily Bread, para citar algumas das suas obras de referência, podem parecer peças difícil abordagem para o comum dos amantes de jazz. Porém, muito para lá de alguma aparente aspereza, nos oito temas de Shout!, disco que se aproxima mais do formato canção, é possível perceber-se um instrumentista delicado, cheio de soul, pleno de capacidade improvisacional e de ideias musicais, que confirmam a grande arte de um saxofonista de primeira água.

De entre os vários músicos que o têm acompanhado nos últimos anos, particularmente em trio – a formação que Gayle privilegia nas actuações ao vivo e em gravações –, Sirone é um contrabaixista de renome, que participou com saxofonista na gravação de Spirits Before, Homeless e Always Born. Nos anos 70, integrou o trio Revolutionary Ensemble e tocou com Marion Brown, Dave Burrell, Pharoah Sanders, Albert Ayler e Sunny Murray. Gerald Cleaver, de Detroit, tem sido companhia regular de Gayle. Baterista poderoso, de grande flexibilidade e profundidade, com Sirone forma a dupla perfeita para a realização deste novo empreendimento de Charles Gayle, que repõe em circulação a imagem sonora de um dos grandes improvisadores românticos da actualidade.




 
26.1.05
 

Playing for Friends on 5th Street (DVD), capta Derek Bailey, expoente da guitarra acústica e eléctrica da free improv britânica, em concerto de guitarra solo perante uma audiência de cerca de 40 pessoas. Na noite de 29 de Dezembro de 2001 ouviram-se 51 minutos do melhor Bailey ao vivo. Diz, quem esteve nas antigas instalações da Downtown Music Gallery, na 5th Street, em Nova Iorque. Completamente à vontade para tocar o que lhe apetecesse, Bailey aproveitou para desenvolver uma série de motivos, num fluxo contínuo de sons abstractos.
A música de Derek Bailey descende da emancipação da improv a partir do jazz, ocorrida nos anos 60, movimento que libertou a música dos processos criativos e idiomáticos típicos do género. Buscando uma lógica própria fora daqueles cânones, Derek Bailey redesenhou uma boa parte do mapa da música improvisada moderna.
Produzido e realizado por Robert O'Haire, o DVD está disponível desde Dezembro último (Straw2Gold).




 
25.1.05
 

Dá pelo nome de Paul D. Miller, mas principalmente por Dj Spooky that Subliminal Kid.
Dj Spooky, abreviadamente. Além de Dj, Miller, considerado um homem da renascença pós-moderna, ensina sobre artes sonoras, estéticas contemporâneas, multimédia e cultura digital. Este artigo aborda algumas das mais recentes actividades de Dj Spooky, que incluem a escrita e publicação ensaios e de um manifesto intitulado Rhythm Science. "I'm a reflection and absorption of my environment, but I like to throw that on its head, flip it upside-down and say that the world acts as its own light ray".






 
 


Clara Salina, a propósito do comentário que aqui deixei há dias sobre Billy Cobham e Spectrum, conta o seguinte:

1973 – 2005: After 32 years a new Spectrum album will be recorded.
"That smoking-cannon Billy Cobham debut, with fast 'n' fierce fusion compositions played by a band featuring along with Billy on drum, Tommy Bolin at guitar; Jan Hammer on electric piano, moog, piano; Lee Sklar, bass and the guests: Joe Farrell, flute, saxophones; Jimmy Owens, flugelhorn, trumpet; John Tropea, guitar; Ron Carter, acoustic bass; Ray Barretto, congas, now we know: a piece of history, change completely the Billy carrier featuring him self among the greatest musicians in the world.
The album was re-mastered and released along with a DVD on 2002.
The band will be not the same but what to say about this new Spectrum band, who is going to give to Billy’s fans something that has the potentiality to become not only another master piece? Who knows!
After 32 years of tours, composing and deep life experiences - as Cobham always says to be lucky to have lived – and, last but not least, at the third tour with the new Spectrum band, Billy will record this new album live on tour with Tom Coster on keyboard, Frank Gambale at guitar and Alphonso Johnson on bass.
At the moment we can say the tour will touch most of the European countries. Fans enjoy it!"


 
 


Moon. O primeiro disco de Steve Lacy (1934-2004) como líder, depois de se ter mudado para a Europa, na década de 60. Gravado em Roma, em Setembro de 1969, para a editora francesa BYG Actuel, em Moon, com Steve Lacy, sax soprano, toca um grupo de músicos italianos e franceses, que inclui o clarinetista Claudio Volonte, o trombonista Italo Toni, a violoncelista Irene Aebi, o contrabaixista Marcello Melis e o baterista Jacques Thollot. Moon segue na peugada de The Forest and the Zoo, na ESP Disk - este último, gravado em Buenos Aires, Argentina, com Enrico Rava, Johnny Dyani e Louis Moholo, no ano de 1966 - e abre um mundo de novas perspectivas musicais que o saxofonista soprano viria a aprofundar e a desenvolver no decurso da década seguinte, em Paris. Cinco temas: Hit, Note, Moon, Laugh e The Breath, compõem o CD, reeditado em 2002 pela italiana Sunspots.



 
24.1.05
 
Ando agarrado a um disco fora de série: John Lee Hooker, Live at Sugar Hill, Vol. 2.
Quem sabe de blues sabe também que poucos foram os bluesmen que cantaram com a qualidade mais admirável em Hooker: áspera, espontânea e crua, a assinatura da uma voz "suja", especialmente emocionante.
Há um pormenor histórico curioso por trás desta edição. Os 19 temas de Live at Sugar Hill, Vol. 2 foram gravados em Novembro de 1962 no clube com o mesmo nome, em S. Francisco. As bobines, pelas voltas que estas coisas às vezes levam, só foram descobertas e publicado o seu conteúdo 40 anos depois, em 2002, pela Fantasy. O que nos revela Live at Sugar Hill, Vol. 2 (um primeiro volume havia sido publicado nos anos 70 e reeditado em 2001, em ambas as datas pela Fantasy) são quase duas dezenas de pérolas de back porch folk blues, inéditos com 40 anos de existência, em que a voz do Boogie Man é acompanhada exclusivamente pela guitarra eléctrica com pouca amplificação e de boa qualidade sonora.
"I’m gonna pay my dues to the blues", diz Hooker a abrir o recital, antes de atacar You Torture My Soul, e daí para a frente são 76 minutos verdadeiramente empolgantes, um mergulho na tradição mais profunda do blues rural do Mississipi por um dos maiores cultores do género de todos os tempos. E uma peça que enriquece o imenso legado de John Lee Hooker, fundamental para conhecedores e neófitos.




 
 
Nuno Martins, excelente fotógrafo nas horas vagas, tem andado a bater umas (fotos) de qualidade, cujo reconhecimento pela comunidade da música improvisada vai progressivamente acontecendo. Depois dos trabalhos publicados na sister tomajazz, designadamente a cobertura das duas edições do Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, o Nuno tem fotos publicadas na portaria de páginas pessoais de músicos importantes, como o pianista da Bay Area de S. Francisco, Matthew Goodheart e o percussionista improvisador alemão Klaus Kugel - as últimas que tive conhecimento. Bom trabalho. Como o que realizou com os Mujician (Paul Dunmall, Keith Tippett, Paul Rogers e Tony Levin) em Coimbra, no dia 6 de Dezembro de 2003 (na foto, o saxofonista britânico Paul Dunmall). Abraço ao amigo Nuno M.


 
23.1.05
 

O disco é de muito boa manufactura. Sabe bem ouvi-lo ao terminar mais um fim-de-semana, quando há coisas para preparar para os dias que se seguem. O trabalho... Depois de lhe dar duas demãos reparo que durante cerca de um par de horas estive como que ausente em parte incerta, embalado num mar de doce tranquilidade e beleza estética. O contrabaixista Ben Allison, o saxofonsita Michael Blake, o pianista Frank Kimbrough, colegas de vários projectos que têm o Herbie Nichols Project e o Jazz Composers Collective como pano de fundo; o baterista seguro que é Michael Sarin, a que se juntou o tocador de kora (cordofone africano de 21 cordas, com sons entre a harpa e o alaúde) oriundo do Mali, Mamadou Diabate, construiram um disco muito agradável, em que impera o bom gosto na escolha de melodias e texturas, e na combinação harmónica com sons de África, sem cair na tentação de certos clichés da world music. Ben Allison, líder, contrabaixista e compositor, continua a ser uma das mais interessantes e originais vozes do jazz actual. E uma boa escolha para o serão. Ben Allison - Peace Pipe (Palmetto Records, 2002)




 
 


Howard Johnson, o "entubado".
Howard Johnson & Gravity - Right Now (Verve).
Depois deste, que ouvi ao alvorecer, já "despachei" The Desert Wind, um disco bestial que aqui referenciei há um par de dias. Dennis González New DallasAngeles (Silkheart). Só não digo que é uma obra-prima porque não quero contribuir para a banalização do termo, usado a propósito e a despropósito. Que composições, que arranjos, que instrumentistas, que improvisadores. Não falha nada, nem no mais ínfimo pormenor. E é nos pormenores que se revela a mão do artista. Um disco altamente recomendável. Bom dia. Bom domingo.


 
22.1.05
 


Na rádio VPRO (Jazz Op Vier), Chris Potter Quartet ao vivo no Bimhuis de Amsterdão.
Chris Potter - saxofone tenor, Kevin Hays - piano, Scott Colley - contrabaixo, e Bill Stewart - bateria. Gravação de 19 de Novembro de 2004. Grande jazz mainstream.






 
 


Eles andam aí... e são 15.

"Près de quarante ans après son émergence comme l’une des plus fulgurantes manifestations de la musique africaine-américaine, quelle signification revêt encore cette forme d’avant-garde et de création spontanée que fut le free jazz ? Pourquoi soulève-t-elle toujours la polémique, quand bien même les générations se suivent et trouvent en elle matière à innover, comme si le débat en était arrivé à des conclusions définitives? Conclusions (apports?) que la force de son propos aurait encore enrichies…" - Bruno (L'équipe Du Jazz)



 
21.1.05
 


Não é novidade para ninguém: Berlim está simultaneamente no centro geográfico da Europa e no coração da moderna música criativa europeia. Das electrónicas à improvisação acústica, passando por todos os cruzamentos e contaminações possíveis, na última década e picos, Berlim tem sido um caso à parte na produção de novos padrões estéticos e na reformulação de conceitos da new music e do jazz de vanguarda, enquanto urbe catalizadora de artistas das mais variadas geografias e de movimentos criativos em permanente fervilhar.
Cidade do festival Total Music Meeting, berço da editora Free Music Production (FMP), de clubes, concertos e festivais, Berlim desenvolve uma quantidade inumerável de micro-projectos editoriais que primam por exibir alguma da mais excitante improvisação livre do momento. É o caso da novel editora Absinth Records, casa que publica em Berlim o que o director Marcus Liebig designa por "records of pretty extreme music". Isso mesmo: pretty e extreme. Até à data, a Absinth Records lançou apenas quatro capítulos da mesma série dedicada a cidades, Berlin Reeds, Berlin Strings, Berlin Drums e Berlin Strings.
Como o título sugestivamente indica, o primeiro conjunto é composto por prestações a solo com instrumentos de palheta, apresentadas sob a forma de quatro mini-CD-R's, cada um de seu artista. Em pormenor, temos: CD-R 1, Alessandro Bosetti, saxofone soprano, eelctrónica; CD-R 2, Gregor Hotz, saxofone baixo; CD-R 3, Kai Fagaschinski, clarinete; e CD-R 4, Rudi Mahall, clarinete baixo. Alessandro Bossetti é um músico italiano, escultor de sons na vertente experimentalista e investigador em antropologia sonora. Como saxofonista soprano, interessa-se sobretudo pelo trabalho sobre toda a gama de técnicas associadas ao instrumento, que mistura com sons electrónicos. A sua participação em Berlin Reeds é notável e resulta da interacção entre o som do saxofone, previamente gravado, com o feedback gerado e misturado com a fonte inicial e sequente processamento electrónico. Nos restantes trabalhos da quádrupla edição de Berlin Reeds, os criadores exploram técnicas e aspectos composicionais variados, nos quais avultam elementos noise menos habituais nos respectivos instrumentos. É o caso do clarinetista, Kai Fagascinski, criador de paisagens sonoras de extrema sugestão visual, induzidas pela variabilidade do espectro dinâmico que o músico utiliza. Mais "auditivo" é o trabalho com saxofone baixo do suíço Greg Hotz. A técnica menos arrevesada, o timbre natural do instrumento e a coloratura que dele é retirada, tornam-no mais próximo de linguagens afins de um certo convencionalismo da new music. Rudi Mahall, conhecido por integrar o trio germânico Der Rote Bereich, a fechar o set desenha motivos abstractos tão nítidos e pormenorizados ao nível da microestrutura, como da grande escala, explorando dimensões insuspeitas no clarinete baixo. Quatro em um, Berlin Reeds é um disco soberbo. Berlin Strings, o segundo lançamento da Absinth Records, dá a conhecer o estado da arte da improvisação com cordofones. Em impacto, nível artístico e qualidade dos resultados conseguidos, não se afasta do precedente. Inclusivamente no formato: Strings surge empacotado em quatro mini-CD-R´s- CD-R 1, Serge Baghdassarians; CD-R 2, Andrea Neumann; CD-R 3, Michael Renkel; e CD-R 4, Olaf Rupp.
A toada desta sessão é geralmente mais tranquila, salvo um ou outro pico ascendente ou descendente. Prossegue a tarefa de exploração e investigação de novos sons, esculpidos a partir de fontes convencionais. Andrea Neuman trabalha no miolo do piano, dedilhando e percutindo as cordas, que depois reorganiza na mesa de mistura, obtendo efeitos sonoros que vão do mais subtil e inaudível, ao ruído forte e penetrante. Michael Renkel, subverte as guitarras acústica e eléctrica, esventra-as, mistura-as com a cítara e mergulha o preparado em líquidos electrónicos, que derretem os sons como ácido. Adiante, as cordas renascem das cinzas e regressam mais frescas que nunca, embebidas em flamenco e noutros sinais reconhecíveis. Olaf Rupp, coincidência ou não, pega na desbunda flamenco-desconstruída em grande aceleração, evoluindo depois para uma linguagem mais próxima da contemporânea improvisada, forma de expressão que cultivou na companhia de Lol Coxhill, Rudi Mahall, Sainkho Namtchylak, Paul Lovens e Butch Morris. Serge Baghdassarians, fecha a sessão com um tema de 18´20, que investe pelos territórios plácidos do minimalismo, via artes da guitarra aplicadas à produção sonora conjuntamente com um gerador de sinal, aparelhos electrónicos e mesa de mistura. Ao contrário dos artistas anteriores, Baghdassarians expurga o som de tudo aquilo que lhe parece irrelevante para a obtenção do átomo sonoro.
Berlin Reeds e Berlin Strings constituem exemplos paradigmáticos do trabalho editorial à volta da novas tendências da improvisação electroacústica que acontecem um pouco por todo o lado, e que têm na cidade alemã o epicentro de algumas das suas mais relevantes movimentações - um novo mundo sonoro que desponta na velha Europa.
A estas edições seguiram-se Berlin Drums, fantasmagóricas percussões solo de Burkhard Beins, Tony Buck, Steve Heather e Eric Schaefer; e London Strings, com trabalhos individuais de grandes artistas da cena improv britânica, como Mark Wastell, Angharad Davies, Rhodri Davies e Phil Durrant.
Edições limitadas a 200 exemplares cada, em embalagem atraente de cartão pintado à mão, com frente e verso ligados por costura com linha de coser. Conteúdo e continente longe dos padrões industriais massificados. No ouvir é que está o ganho.





 
 


Tenho a impressão de já aqui ter falado de Border Crossing. Não tenho a certeza. Mas nunca é demais referenciar (e reverenciar!) esta pérola do brit-jazz da década de 70, que acabo de ouvir pela enésima vez. Tinha em tempos ouvido falar do Lp como uma raridade valiosíssima daquele tempo, a que só poderiam chegar retintos coleccionadores ou empedernidos caçadores de troféus. Subitamente, no verão passado a Ogun reeditou Border Crossing juntamente com outro Lp de Osborne (Marcel's Muse) num único CD. Mike Osborne Trio & Quintet. Só para se ter uma pálida ideia do conteúdo desta edição, no lendário trio de Osborne participam o contrabaixista Harry Miller e o baterista Louis Moholo. Só de imaginar estes três improvisar juntos até se me põe tuido em alvoroço. Não é caso para menos, porque eram três dos maiores improvisadores britânicos (dois eram Sul-Africanos, mas pronto) da década. A gravação, realizada no Peanuts Club de Londres, é de 28 de Setembro de 1974.
Três anos depois, Mike Osborne publicou Marcel's Muse, gravado em 31 de Maio de 1977. Este, conta com o mesmo Harry Miller e com Jeff Green, em guitarra, Marc Charig, trompete, e o entretanto falecido baterista Peter Nykyruj, a quem Hazel Miller, a viúva do contrabaixista e fundador da Ogun, dedicou a edição em CD.
O som das gravações é de boa qualidade, em parte graças ao trabalho de remasterização de Martin Davidson, o homem da Emanem. Valeu a pena ter esperado por este belo par. Quem puder que se atire de cabeça a Mike Osborne - Trio & Quintet (Border Crossing + Marcel's Muse). Ora vá lá mais uma volta, que isto é viciante.




 
 


Hoje, no Auditório Municipal da Guarda; amanhã, em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois, ao Bairro Alto. Influente e uma referência principal do instrumento na música de vanguarda, sempre a aviar, Chris Cutler é um compositor, editor de discos, baterista e improvisador da new music, membro do Henry Cow e Art Bears, com Fred Frith; e também do Cassiber, EC Nudes e News from Babel. Quem conhece The Residents, Pere Ubu, ou os nacionais Telectu saberá quem é Chris Cutler, o homem da ReR Recomended. Nascido nos EUA, mas criado em Inglaterra, Cutler toca bateria electrificada, instrumento que, segundo o próprio, está para a bateria simples como a guitarra eléctrica está para a guitarra acústica.


 
20.1.05
 

Dennis González New DallasAngeles
The Desert Wind

Dennis González - trompetes
Charles Brackeen - saxes tenor e soprano
Michael Session - saxes alto, tenor e soprano
Kim Corbet - trombone
Michael Kruge - violoncelo
Henry Franklin - contrabaixo
Alvin Fielder - bateria

1. Hymn for Julius Hemphill (Dennis Gonzalez) 14:10
2. Aamriq'aa (Dennis Gonzalez) 11:06
3. The Desert Wind (The Breath of Jehova) (Dennis Gonzalez) 18:39
4. Battalion of Saints (Dennis Gonzalez) 5:20
5. Max-Well (Alvin Fielder) 11:00


Bela sessão de 1989, com Dennis González a liderar um poderoso septeto em que se destaca Charles Brackeen. The Desert Wind é quarto álbum do trompetista e compositor norte-americano para a editora sueca Silkheart. Dá para sentir o calor do deserto do Novo México, que simboliza o que González refere como a inesgotável capacidade humana de transformar fraquezas em forças. Obra de um músico que se diz influenciado por Don Cherry, Enrico Rava, Tomasz Stanko e Manfred Schoof. E pelos Beatles, "for their openminded sense of expression". New DallasAngeles.
Vou jantar enquanto a malha está quente.



 
 


The New Tony Williams Lifetime - Believe It. Ó que bela malha de fusion do ano de 1975, muito diferente do primeiro Lifetime. Depois de alguns desaires próprios da vida artística, Tony Williams resolveu refundar o seu Lifetime com o guitarrista britânico Allan Holdsworth, o baixista Tony Newton e Alan Pasqua, no piano eléctrico. Bons tempos passei a espremer este fantástico ábum, que alternava com Spectrum, de Billy Cobham, este com Jan Hammer, Tommy Bolin e Lee Sklar. E com os discos do Weather Report... . A notícia é que Believe It foi reeditado! Finalmente, a oportunidade para mais gente conhecer este emblema da fusion da primeira metade dos anos 70, de uma época em que o fenómeno ainda não tinha enveredado por caminhos ínvios.
Believe It é imperdível para quem gosta de boa fusão (nisto, como em tudo o mais, há bom e mau produto, já se sabe) e não passa ao lado de uma guitarrada como deve ser. E, a tocar bateria, como Tony Williams não sei se haveria outro.


 
19.1.05
 


Rosetta Patton Brown, a única filha viva de Charlie Patton, em frente ao quintal de sua casa em Duncan, Mississipi, exibindo uma cópia da única foto conhecida de seu pai (a mesma que o Nuno Catarino mostra n'A Forma do Jazz). Charlie Patton foi uma grande estrela do blues rural do Delta do Mississipi nos 20 e 30 do Séc. XX (foto de Bill Steber, 1996).


 
 

Música, levai-me:
Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?

Eugénio de Andrade, 82 anos de poeta.



 
 

THE BEST THINGS IN JAZZ ARE FREE!

The Winter Delights Jazz Fair, a collaboration of the Jazz Institute of Chicago, the Mayor’s Office of Special Events, the Chicago Department of Cultural Affairs and the Chicago Office of Tourism and will be presented at the Chicago Cultural Center, 78 E. Washington St. and the Pritzker Pavillion at Millennium Park from January 20- 23, 2005.
The Jazz Fair has a 27 year history of showcasing the emerging and long-established talent that has built Chicago’s unparalleled reputation as the true birthplace of Jazz. The Jazz Fair really manifests what we're about: recognizing the diverse communities and directions the music has generated and encouraging the preservation and evolution of each of its forms. It truly is an event unique to Chicago--by virtue of the fact that nowhere else has the local jazz community been given the time and space to be recognized as the sum of all of its diverse parts.
Chicago Jazz Jams is the new name for the part of the winter festival that is programmed by the Jazz institute. And we will once again cover the whole spectrum of music for all generations-- from a jam session with top young jazz players to a vocal summit between Kurt Elling and Oscar Brown Jr. to 91 year-old Franz Jackson’s New Chicago Hot 7.
Sincerely,
Jazz Institute of Chicago

Thursday, January 20, 7–8:30 p.m.
Ben Allison Quintet
Preston Bradley Hall
Chicago Cultural Center
78 E. Washington Street 312.744.6630
East coast bassist Ben Allison has an adventurous spirit which sparks both his own compositions and those of Herbie Nichols, Lucky Thompson, Andrew Hill and more.

Friday, January 21, 12:15–1 p.m. Lunchbreak Acoustic Café:
Ben Allison Kush Trio
Randolph Café
Chicago Cultural Center
77 E. Randolph Street 312.744.6630
Bassist and composer Ben Allison’s trio performs.

Friday, January 21, 7p.m. – Midnight
The Jazz Institute of Chicago’s
Chicago Jazz Jams
Chicago Cultural Center 77 E. Randolph Street 312.427.1676

Randolph Café 7–8:30p.m.
Jabari Liu's One4All band
with special guest Corey Wilkes and
Jazz Links Jam Session featuring Chicago's top high school jazz players. The future is now. Jabari Liu is one of Chicago's youngest hot cats. Come witness a meteor shower of rising stars!

Randolph Café 8:45–10:15p.m.
and we don’t stop: jazz to hip hop performance.
David Boykin has infused his hard swinging style of experimental jazz with his own original hip hop lyricism resulting in astonishing alchemy. This performance brings together similar elements: mc-ing and jazz vocalizing, dj-ing and jazz orchestration, beat boxing and jazz drumming, break-dancing and swing dancing, tap dancing graffiti, modern art movement, and the muralist movement and culture knowledge. With Dee Alexander, Maggie Brown, MCs - Capital D, of All Natural, Thaione Davis, and Cosmogactus,
DJ 5th Element and David Boykin’s own Expanse band.

Randolph Café 10:30–Midnight
Chicago Blues Divas
with Deitra Farr, Zora Young and Liz Mandville Greeson. Three hard driving women backed by Chicago’s top rhythm players including John Primer on guitar, Felton Crews on bass, Ricky Nelson on drums and Matthew Skoller on harp.

Preston Bradley Hall 7:15–9:15p.m.
New Chicago Hot 7 featuring Franz Jackson, Bob Cousins, Dan Delorenzo, Tom Hope, Bobby Lewis, Eric Schneider and Tommy Bartlett. Traditional jazz, Chicago style.

Preston Bradley Hall 9:30–11:30p.m.
The Sounds of Browns: Oscar Brown Jr. and Maggie Brown. The First Family of vocalese paints the town Brown with the words and music of the High Priest of Hip.

The Jazz Marketplace will gather purveyors of the art to share with the patrons of the Fair. In addition to Chicago’s independent record labels and jazz arts related concerns, the Midway has included the Chicago Historical Society, the Museum of Contemporary Arts, the DuSable Museum, Jazz Unites and many others.

Saturday, January 22, 7:30–9:30 p.m. Triple Threat
Jay Pritzker Pavilion Stage Millennium Park Randolph Street and Columbus Drive 312.744.663
Join Grazyna Auguscik, Zach Brock, and John McLean on the stage of the Pritzker Pavilion for a concert celebrating the release of their new CD’s. Seating is limited. Doors open at 6:30 p.m.

Sunday, January 23, 3–5 p.m.
Reginald Robinson and Jon Weber
Preston Bradley Hall Chicago Cultural Center 78 E. Washington Street 312.744.6630
MacArthur Fellow Reginald Robinson is a living link to ragtime music—one of the only modern composers of the earliest roots of jazz. Jon Weber is another traditionalist who takes familiar standard to another level.



 
 
Whit Dickey é um baterista free de muito bom gosto. Ouvi-o pela primeira vez em 1998, a liderar o trio com que gravou Transonic para a AUM Fidelity (Rob Brown e Chris Lightcap). Depois disso, fui no seu encalço até ao David S. Ware Quartet, formação que ao logo da sua existência conheceu outros três grandes bateristas, além Dickey: Marc Edwards, Susie Ibarra e Guillermo E. Brown. Dos três, Whit Dickey foi o que melhor serviu a construção do som de David S. Ware, expoente do free jazz da era pós‑Coltrane. Coalescence devolve-nos mestre Dickey à frente de um combo energético, que inclui o repetente Rob Brown, saxofonista alto de algumas das mais importantes formações de Nova Iorque, com destaque para a Little Huey Creative Music Orchestra, de William Parker. Brown possui o timbre de saxofone alto que mais aprecio; por variadas razões, entre as quais a sugestão ornettiana, o estilo acutilante que já se notava na primeira gravação de Dickey, os característicos espaços curtos entre notas, a "queima" muito viva.
Por outro lado, o alto de Brown casa bem com a trompete de Roy Campbell, claramente o rei desta festa, que faz as principais despezas da improvisação e ainda impulsiona o quarteto para os melhores momentos de improvisação colectiva. Joe Morris chegou há pouco tempo ao contrabaixo, vindo da guitarra. Surpreendentemente ou não, em pouco tempo parece ter‑se posto a par das evoluções mais recentes da técnica do instrumento. Está a fazer o seu caminho com a segurança que lhe garantirá o pleno estatuto de contrabaixista da cena de nova-iorquina, ao nível de músicos veteranos que nunca conheceram outro instrumento.
Conceptualmente, não há em Coalecence nada de particularmente novo ou sequer muito recente. Nem é isso que aqui importa. O que se ouve é free jazz da segunda ou terceira gerações, que rescende a bop (freebop, assim se convencionou chamar ao resultado) com um swing fora do comum. As quatro composições de Dickey (Mojo Rising, Coalescence 1, Steam e Coalescence 2) são de construção simples e estrutura aberta. À enunciação dos temas, meras sugestões melódicas muito breves, seguem-se amplos espaços para a improvisação individual e colectiva.
Com Coalescence, Whit Dickey consegue simultaneamente homenagear o passado, por referência expressa ou indirecta aos estilos de composição e improvisação de Ornette e de Monk, e criar uma obra que se abre para o futuro do free jazz, por muito que lhe atestem o óbito. Bem vivo, Coalescence é um disco sólido e de boa manufactura, que deixa agradável e duradoura impressão.
Whit Dickey Quartet - Coalescence (Clean Feed)

Whit Dickey e Rob Brown © Peter Gannushkin


 
18.1.05
 

Lonesome Dog Blues
I got a dog in my back yard, howled the day my baby's gone
I got a dog in my back yard, howled the day my baby's gone
Yes he puts my mind on a wonder, how that thing was goin' along
You know a thing's so sad, when a dog feels it deep down in his heart
You know a thing's so sad, when a dog feels it deep down in his heart
Guess you know a man can't help but mess around her,
when a dog in his backyard hates to see them part
Sam Lightnin' Hopkins



 
 

Chegou no correio a notícia: há mais cinco CIMPs acabados de sair do forno...

CIMP 316 Burton Greene (piano) & Roy Campbell (trumpets) Quartet w/ Adam Lane (bass), Lou Grassi (drums) - Isms Out
Playing the music of Bill Evans, Jim Hall, Ali Akbar Khan, and its own originals, the Burton Greene-Roy Campbell 4tet goes pretty straight ahead but without compromise as four strong instrumental voices document their music following an East Coast tour. The expressions and themes are exceptional. It's been almost two decades since Burton recorded in quartet and over 30 years since he recorded with trumpet. This is Roy's first recording with Burton. Recorded June 29, 2004.
CIMP 317 Marc Pompe (vcl) with Curt Warren (guitar) - Nick Tountas (bass) Rusty Jones (drums) - Lost in the Stars
Marc Pompe is a Jazz singer. At 68 years this is only his third release and it's on CIMP, so you know he must be the real thing. Backed by a trio equal to his hipness, he makes memorable Pompe interpretations of 14 Jazz standards and 1 original. Hip, tender, and poignant: another original voice. Recorded August 30 & 31, 2004.
CIMP 318 Ken Wessel (guitar) - Ken Filiano (bass) - Lou Grassi (drums) - Jawboning
There may be better known guitarists but none of them get to the heart of an improvisation better than Ken Wessel. A sideman on other CIMP sessions, we've been waiting for him to stand up and do his own date. The anticipation is justified as you'll hear on this mostly original music which also includes "I Remember You" and "Softly As In a Morning Sunrise." Recorded September 9 & 10, 2004.
CIMP 319 John Gunther (bass clarinet, soprano & tenor sax) Trio with Leo Huppert (bass), Jay Rosen (drums) - In This World
This trio has been the core for John Gunther's previous four CIMP discs. For this date they return to the original trio root of 1997 and boldly address eight Gunther originals including the hippest cowboy type tune (that's also it's title) to come off the range in many a moon. Tucked in among the always memorable Gunther compositions is one by Monk ("Ruby My Dear"). Recorded October 13, 2004.
CIMP 320 Trio-X: Joe McPhee (tenor sax) - Dominic Duval (bass) - Jay Rosen (drums) - The Sugar Hill Suite
The latest from Trio-X has as its centerpiece "The Sugar Hill Suite," an exceptionally beautifully-structured 16-minute improv that is a stunning example of Trio-X's skills and the genius of the genre. Recorded October 19, 2004.


 
 

Na transição da década de 50 para a de 60, sobretudo nos anos finais da primeira e nos primeiros da segunda, o quarteto de Ornette Coleman sofreu abalos sucessivos, por duas ordens de razões: estéticas, que tinham a ver com o caminho que Ornette pretendia trilhar depois do grande tremor de 1959, com epicentro no Five Spot de Nova Iorque, relacionadas com as inovações introduzidas pelo saxofonista, entre as quais a improvisação liberta de acordes, alvo de muita incompreensão e reacção negativa da crítica, dos empresários artísticos, dos proprietários de bares e salas de concertos e dos próprios ouvintes. Por outro lado, o contrato que o ligava à Atlantic andava num tem-te não caias, até que terminou mesmo na Primavera de 1961.
Seguiu-se um período de alguma indefinição, que levou a mudanças na composição do quarteto formado por Don Cherry, Charlie Haden e Billy Higgins. Para o lugar de Cherry entrou Bobby Bradford, texano como Ornette. O lugar do contrabaixo, ocupado com estabilidade por Charlie Haden até então, foi sendo sucessivamente ocupado, primeiro por Scott LaFaro, depois por Jimmy Garrison, até parar em David Izenzon. Entretanto, também Bobby Bradford tomou a decisão de regressar ao Texas durante o ano de 1961. No fim do ano, Ornette via-se, não com um quarteto, mas com um trio, somando o contrabaixista David Izenzon e o baterista Charles Moffett.

Em 1962, o trio apresentou-se em público apenas por três vezes, duas na Jazz Gallery e uma terceira, em 21 de Dezembro, no Town Hall de Nova Iorque, num concerto que o próprio Ornette produziu. Um sucesso artístico (Ornette experimentou várias ideias novas, como a improvisação "harmolódica" e a combinação do trio com um quarteto de cordas de estrutura clássica, que pôs a improvisar conjuntamente), mas sofreu tamanho desaire financeiro que o remeteu para o silêncio durante um pouco mais de dois anos. Tempo que Ornette Coleman aproveitou para aprofundar a técnica e os conhecimentos teóricos de trompete e violino, antecipando as novidades que iria tentar na década seguinte.
Em Janeiro de 1965 tocou com o trio no Village Vanguard. Em Julho e Agosto do mesmo ano tocava em Londres com o trio, passando a Espanha, França e países nórdicos. Em Dezembro de 1965, três anos depois do célebre concerto do Town Hall, o Ornette Coleman Trio toca no Golden Circle, em Estocolmo. A Blue Note, que estivera a um passo de editar o Town Hall, 1962 (como teria sido a carreira de Ornette Coleman se isso tivesse acontecido?), assinara entretanto um contrato com Coleman, ao abrigo do qual gravou e editou os concertos do Golden Circle.
Para a história, Town Hall, 1962 (ESP-Disk) ficou como um importante ponto de viragem na música de Ornette Coleman.


 
17.1.05
 

O Peter Brötzmann Trio - Peter Brötzmann, sax tenor, tarogato e clarinete; Kent Kessler, contrabaixo, e Hamid Drake, bateria - tem feito furor por onde passa. No passado 12 de Janeiro tocou em Chicago. Eric Benson, jornalista do Chicago Maroon, periódico da Universidade de Chicago, assistiu ao concerto e, a avaliar pela reportagem, ficou siderado com o que viu e ouviu. "Music like this makes me proud to live in a city with players like Drake and Kessler—and makes me long for the day when we will be lucky enough to once again host Brötzmann, the patriarch of free jazz", escreveu ele. Por enquanto, aqui no Torrão, apenas nos podemos deliciar com Never Too Late but Always Too Early (Dedicated to Peter Kowald), com William Parker em vez de Kent Kessler, editado pela Eremite.
Uma bomba de 2003, a não perder. Nem que a vaca tussa!

"This free blowing monster of a set very nearly eclipses machine gun, brötzmann's legendary 60s big band lp." - Edwin Pouncey, The Wire

Não será tanto assim, mas compreende-se que o entusiasmo provocado pela audição daquela obra monumental do trio de Brötz possa levar a exageros como o do comentário supra, que aponta para o eclipse de Machine Gun por via de Never Too Late but Always Too Early. São contextos políticos e musicais muito diferentes, desde logo. Agora, que Never... é um disco potente, isso é inegável. O que eu estranho é que jazz deste calibre e qualidade musical ainda provoque escândalos e rejeições que se fundam em razões tantas vezes extra-musicais, que pelas outras (as musicais) é bom que as águas do jazz se agitem e se inquietem, de tão paradas e conformadas que estão de tempos a tempos.


 
 

John Tchicai é um nome com ressonâncias a free jazz. Histórico e actual. Contrariando o fluxo normal de emigração de músicos de jazz da América para a Europa, com Tchicai aconteceu precisamente o contrário. Da Dinamarca natal, Tchicai emigrou para os EUA, onde fez a parte mais importante da sua carreira, iniciada nos conturbados anos 60. Naqueles anos a New Thing era palavra de ordem e Albert Ayler sacudia o conforto em que o bop tinha acomodado o jazz. Era o tempo de New York Eye and Ear Control e de Ascension. De New York Contemporary Five, formação capitaneada por Archie Shepp, que também integrava Don Cherry, Ted Curson, Ronnie Boykins e Sunny Murray, e do New York Art Quartet, com Roswell Rudd, Lewis Worell e Milford Graves. Em todos estes combos e projectos Tchicai deixou marcas do seu sopro vocalizado, inventividade e talento criativo.
Retornado a Copenhaga, Tchicai passou a ser uma referência fundamental do modernismo vanguardista dos anos 70 na Europa. Em 1988, de novo nos EUA, deu uma mão na estreia discográfica de Charles Gayle, Always Born (Silkheart). Daí para a frente tem alternado entre a Europa (França) e calor da cena improvisacional da Califórnia. De onde emerge Adam Lane, vindo de Los Angeles.
Nascido em 1968, em Nova Iorque, Adam Lane é um contrabaixista da nova geração de improvisadores, com muita escolarização e ampla rodagem, feita com os maiores do seu ofício e das artes da composição, entre os quais Anthony Braxton e Wadada Leo Smith. O seu som combina múltiplas referências: a forte ligação à terra que é Charles Mingus e a qualidade orquestral e de arranjo que emana de Duke Ellington e da escola europeia, que tem no esbater das convenções do jazz e da música de câmara uma das suas principais e intrínsecas características. Caso paradigmático da prática musical de Adam Lane, ex-aluno da Wesleyan University, tem sido o trabalho de escrita que tem vindo a fazer com a espantosa Full Throttle Orchestra, uma big band free de alto lá com ela. Omnívoro no gosto enquanto ouvinte, notam-se em Adam Lane hábitos de escuta diversos, que vão do rock à clássica contemporânea.
Entre S. Francisco e Nova Iorque, nesta fase da sua carreira Adam Lane não tem mãos a medir com projectos musicais e gravações de discos. Bob Rusch, produtor da CIMP, produziu discos da Full Throtlle e gravou o quarteto liderado por Lane, que deu origem ao título Fo(u)r Beeing(s), com os veteranos John Tchicai, Paul Smoker e Barry Altschul.
Depois deste disco, em Outubro de 2002, Adam Lane e John Tchicai encontraram-se de novo para gravar em casa de Rusch, reunião que deu origem a uma sessão quente e intimista, sem quaisquer vestígios de refrega free. Em DOS, dois músicos pertencentes embora a gerações muito diferentes, comungam do mesmo ideário e prática musical. Tão capazes de ouvir o que o outro tem para dizer, como de responder aos motivos que vão sendo sucessivamente lançados para a discussão em torno de melodias de sabor mais europeu que americano, Lane e Tchicai atraem o ouvinte para o centro das operações, fazendo dele um protagonista da acção. DOS é assim um disco agradável de seguir e uma boa oportunidade de, em 10 temas originais, confrontar os talentos de dois notáveis improvisadores. Um, cuja aura vem do passado, e outro que, vistos os passos seguros que dá no presente, seguramente integra o lote dos construtores do futuro do jazz. Técnica, força, confiança, autoridade e visão prospectiva não faltam a Adam Lane. Este disco é bem a prova disso mesmo. Quem descrer no futuro do jazz e preferir virar-se para a glorificação do passado, também tem aqui vários motivos de interesse estético. Swing também não falta. Até a gravação CIMP, por vezes ingrata quando se trata de captar pormenores que se perdem por falta de tratamento sonoro em pós-produção, parece querer ajudar à realização do empreendimento. Algo surpreendentemente, o som do contrabaixo apresenta‑se espesso e volumoso como convém, e não há pormenor, subtileza tímbrica ou harmónica que se perca.
Adam Lane & John tchicai - DOS (CIMP, 2003)

 
16.1.05
 


Em meados dos anos 90, a Verve publicou as gravações do Wynton Kelly Trio (Wynton Kelly, piano / Paul Chambers, contrabaixo / Jimmy Cobb, bateria) em dois volumes, intintulados Four! e Straight, No Chaser. Gravações efectuadas em 21 de Abril de 1968, na Left Bank Jazz Society, em Baltimore, que assumiram a continuidade de um modelo anteriormente seguido por Wynton Kelly, pianista da preferência de Miles e Coltrane, que consistia em convidar outros solistas para tocar em conjunto, o que já acontecera com os saxofonistas Hank Mobley e George Coleman.
Em Abril de 1968, as escolhas incidiram sobre standards e temas de Monk, Dameron e Miles, material muito tocado por todos os intervenientes, embora esta fosse a primeira vez que o trio tocava com o saxofonista. Henderson, contrariamente à contenção e rigor formal sentida nos discos gravados para a Blue Note, aproveitou a descontracção do encontro Left Bank Jazz Society para soprar mais solto e à vontade, em total empatia com a máquina de jazz em que se havia tornado o famoso Wynton Kelly Trio.
Recentemente, a Lone Hill Jazz surgiu no mercado com uma edição integral das gravações da Left Bank Jazz Society, 14 temas com Joe Henderson, o equivalente ao conteúdo dos dois títulos da Verve, acrescido de dois temas extra pelo trio, Char's Blues e Autumn Leaves, gravados em 1961. Bop moderno e desempoeirado, em que se ouve um Joe Henderson atlético, em pico de forma, a puxar pela secção rítmica que só visto. Mas os outros três, batidões, não se deixam ficar e dão uma luta digna de se ouvir. Jazz, pelos mestres.
Wynton Kelly Trio with Joe Henderson - Complete Recordings (Lone Hill Jazz, 2004)


 
 


Lonnie Pitchford
holds a dog skull found near the porch of a juke house he used to play in as a teenager. Until his death at age 43 in November of 1998, Pitchford was the most masterful interpreter of the music of Robert Johnson. Like Johnson, Pitchford was a shy genius whose musical gifts set him apart from his contemporaries. Pitchford's approach to his music came from his immersion in and understanding of the same rural Mississippi culture that produced other great blues men of the past, a modern rarity considering that most bluesmen of his generation, both black and white, no longer come from the original culture that produced the Blues.
Also like Johnson, Pitchford lived his life on a self-destructive path as if being pursued by supernatural forces. In Robert Johnson's most haunting song, "Hellhound on my Trail," he sang "Got to keep moving, got to keep moving/ Blues falling down like hail, blues falling down like hail/ And the day keeps on 'minding me/ There's a Hellhound on my trail, Hellhound on my trail."



 
15.1.05
 


Eddie James "Son" House (1902-1988) © Giuseppe Pino, 1970
Um dos maiores do Delta do Mississipi. Tocava guitarra e cantava blues.

Foi mestre de Robert Johnson e de Muddy Waters.


 
 

Li no novo site da Thirsty Ear, com novo visual, que William Parker se encontra em estúdio a gravar um disco em trio com a pianista Eri Yamamoto e o baterista Michael Thompson, que estará disponível lá para Março. Boa notícia, WP integrado num trio com piano.


 
 

Jemeel Moondoc


 
14.1.05
 


A partir da gravação do primeiro disco de Lester Bowie, Numbers 1 & 2 (Delmark) juntaram-se Bowie, Roscoe Mitchell, Joseph Jarman e Malachi Favors - The Art Ensemble. Em 1969, porque era difícil encontrar oportunidades de trabalho, expatriaram-se em Paris, de onde regressaram em 1971, como The Art Ensemble of Chicago. Lá, passaram a quinteto, com a adição do percussionista Famadou Don Moye.
Passaram-se anos, muitos e bons discos. Tornaram-se numa das formações mais importantes do jazz de vanguarda durante as décadas de 60, 70 e 80, suportados essencialmente pelas editoras Atlantic, ECM e DIW. Em 1987 tocaram em Lisboa, no Jazz em Agosto, um concerto memorável. Em 1999, morre Lester Bowie. Sai Joseph Jarman para uma longa licença sabática. Em Agosto de 2003, com Jarman regressado, o grupo, passado a quarteto (e recentemente a trio, pela morte de Malachi Favors em 2004), gravou este belo disco para a PI Recordings, editora de Henry Threadgill, antigo companheiro da Chicago natal.
The Meeting celebra justamente o regresso de Joseph Jarman, ausente por uma década. Não é propriamente vintage AEC mas estão presentes todas as marcas do melhor AEC. Sobretudo, é um privilégio poder ouvir Roscoe Mitchell e Joseph Jarman soprar juntos novamente (em The Meeting, por exemplo), e experimentar a sabedoria ancestral de Favors e Moye (It's the Sign of the Times).
Actualmente o Art Ensemble of Chicago continua a mexer, com a inclusão do trompetista Corey Wilkes e do contrabaixista Jaribu Shahid. "Great Black Music - Ancient to the Future".
Art Ensemble of Chicago - The Meeting (Pi Recordings, 2003)



 
 

Este é para mim um dos melhores discos de Joe Henderson. De 1964, "In 'n Out" é daqueles em que o saxofonista sopra com mais garra e pujança. Alinham Kenny Dorham, McCoy Tyner, Richard Davis e ... Elvin Jones. Creio ser este último o responsável pela maior abertura espacial e temporal da música de Henderson, o homem que verdadeiramente faz a diferença e que fornece o combustível para inflamar o som do sax tenor a níveis porventura nunca atingidos antes deste quarto episódio para a Blue Note. Henderson anda literalmente dentro e fora em matéria de improvisação. O que em si mesmo não significa a desvalorização do trabalho árduo de Dorham, Tyner e Davis, apostados em fazer desta uma grande sessão de jazz, que antecipa a excelência de Inner Urge. Já lá vão 40 anos e mal se dá por isso.
Grande malha!
Joe Henderson - In 'n Out (Blue Note, 1964)


 
13.1.05
 

A partir de 24 de Janeiro há grandes novidades editoriais na EMANEM:

1) LONDON IMPROVISERS ORCHESTRA - 'Responses, Reproduction & Reality' - EMANEM 4110
From two freedom of the city festivals, with around 30 musicians performing:

- conceptions by SIMON H FELL, CAROLINE KRAABEL (featuring guest Jaap Blonk), DAVID LEAHY, and PHILIPP WACHSMANN;
- conductions by PAT THOMAS (featuring John Butcher, Lol Coxhill, Harrison Smith, Ian Smith, Alan Tomlinson and others) and DAVE TUCKER (featuring Steve Beresford, Adam Bohman, Tom Chant, B J Cole, Roland Ramanan, Orphy Robinson, Paul Rutherford, Alan Tomlinson, Veryan Weston and others);
- and a free improvisation.


2) PAUL DUNMALL 'In Your Shell Like' - EMANEM 4111

This Brussels concert starts with a drone-based duo featuring Dunmall’s border pipes & soprano saxophone and STEVIE WISHART’s hurdy-gurdy. The second agitated duo features Dunmall’s tenor saxophone with PAUL LYTTON’s percussion. Then, unbelievably, all three play together and make this unlikely combination of instruments work.


3) VERYAN WESTON / JOHN EDWARDS / MARK SANDERS ‘Gateway to Vienna’ - EMANEM 4214 2-CD set. Following the critical success of their Mercury Concert EMANEM 4028, this finest of piano/bass/drums acoustic improvising groups can be heard in two major helpings of music - six medium-length pieces recorded at Gateway Studios in London, and two extended workouts from a gig at the Porgy & Bess Club in Vienna.

4) VA 'freedom of the city 2004 - small groups' - EMANEM 4215 2-CD set
Some of the groups and soloists presented by Emanem:- Clive Bell (sipsi, shakuhachi, pi saw flute, mini-khene, Cretan pipes) & Sylvia Hallett (viola, bicycle wheel, saw, jews harp, breath, digital delays);- Gail Brand (trombone) & Morgan Guberman (voice);- Chris Burn (piano), John Butcher (soprano & tenor saxophones), Clare Cooper (guzheng), Jim Denley (flutes & alto saxophone), Will Guthrie (amplified percussion) & Matt Hutchinson (synthesizers);- John Russell (guitar), Stefan Keune (sopranino saxophone), Phil Minton (voice), Philipp Wachsmann (violin), Georg Wolf (double bass);- Paul Rutherford (trombone);- Roger Smith (guitar) & Louis Moholo-Moholo (percussion).


 
 

Blues
DJing!


Hoje, quinta, 13
de Janeiro, 23:30

com


DJ
A.Mateur

e

DJ Pente "Blues" Costes

Estas duas
tristes figuras apresentam o melhor dos blues, na óptica dos próprios, de Chicago ao Mississipi, de Londres à Cruz-Quebrada, uma viagem sem estações nem apeadeiros...

Lx Bar

Rua da Trindade 7

1200 lisboa





 
 


Por falar em Roscoe Mitchell, procurei na gaveta e veio-me à mão este triplo a solo, edição de 2004 da Mutablemusic. Saxofone solo e percussão. Três discos de originais que captam a essência da obra de um dos grandes improvisadores de Chicago.



 
 

Apanhar o passo e acertar com o movimento cinético do pianista Borah Bergman não deve ser como saltar à corda. Imagino eu, que em Bergman ouço o desenhar das mais intrincadas e complexas formas do piano-jazz e (muito) mais além. Borah Bergman é como um rio que desce a encosta íngreme da montanha e, imparável, tudo transporta no seu livre curso até ao oceano final.
Olhando para trás, poucos têm sido os instrumentistas que se têm abalançado ao salto de enorme risco que consiste em tocar com o extraordinário pianista e improvisador, provavelmente o mais destro e ágil de todos. E rápido. Para se ter uma ideia, entre os eleitos, contam-se Roscoe Mitchell, Oliver Lake e Evan Parker.
Além daqueles, o saxofonista e flautista Thomas Chapin foi um dos poucos temerários que fez frente ao desafio. Em 1992, passou um ano a ensaiar com Bergman e a conhecer a obra e a personalidade do parceiro, com vista à preparação do mano-a-mano a apresentar em provas públicas. Assim nasceu Inversions, gravado naquele ano para a MuWorks. Meia-dúzia de anos depois, o duo Borah Bergman e Thomas Chapin (que entretanto adoecera com leucemia, vindo a falecer em Fevereiro de 1998, aos 41 anos) apresentou-se perante o público do Du Maurier Downtown Jazz Festival, em 26 de Junho de 1997, performance gravada e editada em 2003 pela Boxholder Records.
A actuação começa lenta e contemplativa. Vai ganhando gradual substância até formar um corpo denso carregado de energia positiva, e cá temos a avalanche sonora de Bergman, capaz de desenhar duas ou mais linhas melódicas simultâneas, ora divergentes ora convergentes, com total independência de mãos. Uma torrente de som que Chapin apanha e engrossa a pinceladas rápidas de saxofone alto, criando uma enebriante suite em 5 partes, em que alternam momentos extremos de doçura e impetuosidade.
O set é de fazer perder o fôlego, "rápido e furioso", e apenas requer do ouvinte audição atenta para não perder pitada desta magnífica sessão. "It was a desperate day but a day filled with the intention to survive", segundo Borah Bergman.
Borah Bergman & Thomas Chapin – Toronto 1997 (Boxholder, 2003)


 
  FME - Undeground
A auspiciosa estreia crítica de Nuno Catarino na prestigiada amiga Tomajazz não é acontecimento que deva ser deixado passar sem a devida nota de realce:


Ken Vandermark (saxos), Nate McBride (contrabajo), Paal Nilssen-Love (batería)
Okka Disc, 2004

"¿Cómo dudar de la generosidad de Ken Vandermark? For Joe McPhee. For Paul Lytton. For Joe Morris. For Peter Brötzmann. Cada tema del disco “Underground” publicado por el trío Free Music Ensemble (FME) tiene una dedicatoria, como ya es habitual. Pero la generosidad de Vandermark no se termina en las dedicatorias y se traduce esencialmente en el hecho de compartir de su talento con otros músicos y con los oyentes: Vandermark 5, Spaceways Inc., School Days, Peter Brötzmann Chicago Tentet y Territory Band son algunas de las formaciones por dónde reparte su valioso arte. Y aún siendo, probablemente, el músico más activo de la actualidad, no deja de abrazar nuevos proyectos, de explorar, de homenajear a más personas. Siempre está grabando discos y dando conciertos, compartiendo ideas, improvisación, música...
Ken Vandermark es el legítimo heredero de la tradición. Anthony Braxton, Joe McPhee, Peter Brötzmann lo precedieron y ahora es su turno. Pero esta investidura histórica figurada se transforma, por otro lado, en un evidente aumento del grado de responsabilidad: sobre él recae la obligación de continuar abriendo el camino hecho hasta aquí, de seguir al frente de la exploración. Hasta ahora no le ha ido mal y el futuro le reserva tiempo para muchas aventuras que nosotros ahora ni siquiera imaginamos.
Además de Ken Vandermark (saxos), el grupo FME está integrado por el contrabajista Nate McBride (colega en Tripleplay) y el batería Paal Nilssen-Love (compañero en el octeto Atomic/School Days y con quien también tiene un dúo). El disco “Underground”, segunda grabación de esta formación tras un primer disco homónimo, se divide en cuatro partes. Los temas se extienden en el tiempo durante más minutos de lo que es habitual y, desde un punto de vista formal, este es un cambio obvio: a mayor tiempo, más espacios, menos fronteras. Cada tema se prolonga tranquilamente permitiendo la improvisación de todos. Hay lugar para la improvisación y para el trabajo en equipo. A pesar de que aparentemente no se notan grandes restricciones, tampoco se percibe ningún relajamiento: hay mucha libertad, convenientemente equilibrada, lo que hace que tampoco se noten los individualismos. Cada uno de los cuatro movimientos que conforman el disco (o la “suite”, en un análisis más libre), revela una notable uniformidad de contenido, lo que hace que toda esta sesión sea notablemente homogénea, sin que esto quiera en absoluto significar que sea previsible: al contrario, nunca sabemos qué nos espera a continuación, la improvisación siempre está ahí.
La batería de Nilssen-Love consigue ser precisa, sin innecesarios fuegos artificiales, pero ligera en los momentos de mayor quietud y con fuerza cuando es preciso. El contrabajo interviene siempre a un gran nivel, reclamando volumen para su voz. El saxo de Vandermark, que tiene una voz propia, muestra el camino. Esta música es energía, inteligencia y equilibrio. Y es bien cierto que “the hardest working man in Chicago” (como también le llaman) es generoso. Acompañado de buena gente, Vandermark continúa ofreciéndonos su talento visionario y no hay mayor generosidad que ésta".
Nuno Catarino
Traducido por José Francisco Tapiz y Diego Sánchez Cascado
(Da minha parte, abraços aos três)



 
11.1.05
 

Um serão com Illinois Jacquet. Aqui em New York - Maio de 1947.
(William P. Gottlieb)



 
 


Quando se associa o adjectivo free ao jazz é natural que consciente ou inconscientemente se estabeleça uma conexão com certo tipo de música abrasiva ou furiosa, com epicentro histórico no final dos anos 50 e desenvolvimento durante grande parte da década seguinte. Música que evoluiu das características essencialmente sociais e de protesto, para uma forma de arte, da qual já se poderiam encontrar vestígios técnicos em Lennie Tristano, por alturas de 1947, quando o pianista se atreveu na experiência consequentemente de improvisar sem ser sobre acordes.
Pode ainda ter-se como referencial o ressurgimento do free jazz na década de 90, a partir de dois principais centros difusores, Chicago e Nova Iorque, apoiados por manifestações menos massivas e exuberantes na Costa Oeste e numa ou outra cidade norte-americana mais activa (Boston, por exemplo), sem esquecer o Canadá e o importante contributo da fervilhante cena europeia, ocorra ela em Berlim, Londres, Amsterdão, Paris ou Estocolmo.
Tocar free pode ter outro significado, que tem mais a ver com a liberdade rítmica, melódica e harmónica, de não se ficar circunscrito a um único estilo ou forma, de explorar a interconexão entre diferentes áreas e géneros musicais e de libertar a música dos constrangimentos formais e conceptuais do passado, através da comunhão de objectivos, estratégias e métodos de trabalho.
Boston está efectivamente entre as cidades americanas mais activas nos domínios do novo jazz. É de lá que são oriundos Charlie Kohlhase, saxofones alto, tenor e barítono; Matt Langley, sax tenor; John Carlson, trompete, fliscórnio e trompete de bolso; John Turner, contrabaixo; e Eric Rosenthal, bateria: o Charlie Kohlhase Quintet.
Anos passados sobre a gravação de Dancing on My Bedpost, para a CIMP, em 2003 Kohlhase saiu-se com Play Free or Die, obra em dois discos, gravados para a Boxholder Records, que é o registo de um concerto no qual o quinteto pôs em prática alguns daqueles conceitos e ideias tributárias de algum do mais interessante jazz pós-ornettiano, de entre o melhor que se faz no género free em ambiente de pré-estruturação e swing moderno, especialmente injectado pelo par John Turner/Eric Rosenthal, em noite de colectiva inspiração que não comporta um único ponto menos forte e estende a boa forma à interpretação de Super Bronze, de Sun Ra, e de Crepuscule With Nellie, de Monk.
A destacar algum tema de entre a dúzia de Play Free or Die, optaria por Doom is Mine, o quarto do primeiro disco, que em 10 minutos condensa todas as ideias e características deste tipo de música, paradigma da excelente prestação do quinteto de Charlie Kohlhase, sobre quem deverão incidir os olhos e os ouvidos dos que levem a sério o gosto e o interesse pela moderna música improvisada.
Charlie Kohlhase Quintet - Play Free Or Die (Boxholder Records, 2003)


 
10.1.05
 

Carlos Barretto (contrabaixo) "Solo Pictórico"

O contrabaixista inicia agora um novo projecto a solo, a fim de explorar as possibilidades do instrumento - o contrabaixo - em toda a sua amplitude sonora e tímbrica, através de composições / improvisações / divagações especialmente trabalhadas para o efeito. Sim, Carlos Barretto pode e tem o direito de o fazer, tirando partido da sua relação cúmplice com o seu contrabaixo, uma história com mais de 25 anos.
A pintura é a outra paixão de Carlos Barretto que, como uma amante secreta, tem sido escondida de olhares alheios, até ao dia em que o proprietário de uma galeria lisboeta o convidou a expor os seus devaneios pictóricos e o "obrigou" a ilustrar sonoramente - com o seu contrabaixo, claro - os quadros expostos. A partir deste primeiro desafio os dados estavam lançados e o projecto passou à acção.
Solo Pictórico recebeu a declaração de Manifesto Interesse Cultural e tem o apoio do Instituto Português das Artes do Espectáculo (IPAE) e Ministério da Cultura.

Quarta-feira, 19 de Janeiro
Trem Azul Jazz Store, pelas 19:30
Rua do Alecrim, 21-A
Entrada: € 3,00 (para o músico)



 
9.1.05
 

Max Roach. Faz amanhã (10.01.2005) 81 anos de vida. Drums Unlimited.


We Insist! Max Roach's-Freedom Now Suite (Candid, 1960)



 
 
Marilyn Crispell - Circles (Victo). Com Oliver Lake, Peter Buettner, Reggie Workman e Gerry Hemingway (que pandilha!). Quanto aos temas, como diz Bruce Lee Gallater, da Downtown Music Gallery, são quatro "fucking incredible improvisations", gravadas em concerto no 8th Annual Victoriaville Festival, em 7 de Outubro de 1990. Um grande concerto de uma banda que deita qualquer um por terra. Oliver Lake e Peter Buettner, saxofones alto e tenor, respectivamente; Reggie Workman, contrabaixo; e Gerry Hemmingway, bateria. O disco é todo ele magnífico, mas há um pormenor que me encanta perticularmente: o solo de saxofone de Oliver Lake no terceiro tema (Circles), um dos melhores que já (lhe) ouvi. Grandioso.


 
 

Brad Shepik Trio ao vivo no Jazz op Vier!!! Guitarrista do Tiny Bell Trio de Dave Douglas, Brad Shepik pode ser ouvido em concerto (1ª parte) com o contrabaixista Matt Pennman e o baterista Tom Rainey, actuação gravada a 3 de Novembro de 2004, no Bimhuis, Amsterdão.
Alinhamento:
1. The Tiger
2. Reve pour Louis
3. Air
4. Sunrise
5. A Boogie
6. In The Weeds


 
 


Na Bay Area de S. Francisco há três improvisadores fenomenais que colectivamente se designam por WHAT WE LIVE. Desde meados dos anos 90 que Larry Ochs, saxofonista do Rova Saxophone Quartet, o contrabaixista Leslie Ellis e o batarista Donald Robinson actuam em concertos e festivais um pouco por toda a parte e animam a paisagem editorial do novo jazz, primeiro com um disco homónimo, seguido de What We Live Fo(u)r. Os álbuns subsequentes, Never Was (Black Saint), Quintet for a Day (New Wold) e Trumpets (Black Saint), que incluem os convidados trompetistas Dave Douglas e Wadada Leo Smith, reafirmaram a importância desta formação na música improvisada actual. Desde Especially the Traveller Tomorrow (Metalanguage) que não se conhece uma nova gravação do What We Live.


 
8.1.05
 


Resistance são duas piéces de resistence. A primeira é uma composição colectiva de título homónimo, que ronda os 19 minutos; a segunda, The M’ad-Din, que se estende por generosos 22 minutos, é uma peça de suaves tons orientalistas, composta por Wadada Leo Smith e por ele dedicada à memória de Cerno Bokar Saalif Taal. Duas obras de construção complexa, que se tornam progressivamente mais nítidas nos seus contornos e nuances hamónicas à medida que as audições se sucedem, em que o tempo dá sentido ao espaço e vice-versa. Pelo meio, The Drift, um colosso de composição de mestre Larry Ochs, que coloca Resistance nos trilhos do blues e da tradição folk americana. Assim se estabelece um coerente ompromisso entre o abstracto e o tradicional. Resistance é o mais recente disco do ROVA Saxophone Quartet. Bruce Ackley, soprano e tenor; Steve Adams, alto e sopranino; Larry Ochs, tenor e sopranino; e John Raskin, barítono sopranino e alto. E aí vão 25 anos de ROVA, comemorados em 2003, ano da publicação de Resistance.
"How else does one survive, save through resistance to external pressures, resistance to boredom, resistance to destructive forces, resistance to the status quo? "Resistance" itself is a group effort, characteristic of Rova's inherently asystematic, democratic attitude" - Art Lange
ROVA Saxophone Quartet - Resistance (Victo)

 
 

Disco de estreia de John Hammond: blues acústicos, guitarra,
harmónica, voz e pé no chão (Vanguard, 1962).


 
7.1.05
 

A reedição de uma importante obra de Tim Berne.



 
 
Estava-se no início de 2003, quando Joe McPhee, Dominic Duval e Jay Rosen - o TRIO X, formação que veio tocar ao Jazz ao Centro/Festival Internacional de Jazz de Coimbra, na edição daquele mesmo ano – entraram no estúdio de Bob Rusch (CIMP) para gravar este Journey, viagem em 10 episódios. Tirando o primeiro, Rapture, com a violinista Rosi Hertlein, e se não estou em erro, todos os outros discos do Trio X são gravados ao vivo perante audiências (este outro também é em directo, mas apenas com provável assistência da família Rusch, diga-se). O genuíno live é o tipo de ambiente que lhe é particularmente favorável, dadas as características que o Trio X possui, de comunicabilidade e empatia com o público que admira a sua arte. Tendo o brilhante saxofonista como "front man", todos são líderes e todos são seguidores, como diz o próprio Joe McPhee. E é com especial prazer que se experimenta a diversidade de estilos, timbres instrumentais (McPhee toca sax tenor, alto e soprano, embora este último membro da família dos saxofones não venha creditado a seu favor nas notas do disco), variedade de texturas e formatos de composição, desde o recorrente e tradicional Amazing Grace (Episode 10, que encerra o disco), ao solo de percussão de Jay Rosen (For Charles Moffett, Episode 7), em que este exibe de forma moderada a inesgotável panóplia de recursos técnicos e artísticos, ao groove de Jaywalkin´ (Episode 3) e às composições criadas espontaneamente pelo trio. Um set longo de 71 minutos em que quase basta atar e pôr ao fumeiro. O que é normal com quem é realmente bom nesta arte de tocar música improvisada, na forma como modernamente se concebe a disciplina. Resulta bem e compensa largamente o ouvinte pela atenção que lhe dispense. Pena é que pouco se conheça deste Trio X, que se mantém no limbo do submundo do jazz, quando, pela craveira dos músicos que o compõem, mereceria certamente um conhecimento e uma divulgação mais alargados. Assim sucede com tantas e tantas manifestações artísticas que não chegam a beneficiar da atenção e dos favores da imprensa dita da especialidade, cuja se vem a traduzir no eterno repisar da aposta nos "artistas consagrados" ou, quando não, nos "young lions", que, coitados, alguns já nasceram envelhecidos e por aí se arrastam, combalidos. Porém, nada disso faz Mcphee / Duval / Rosen desistirem de percorrer um caminho tão cheio dificuldades quanto de aventuras sonoras, para prazer e encantamento de quem quiser desfrutar de alguma da melhor música deste tempo. Journey aí está a comprovar o que fica dito, em apenas 10 episódios. E, juntando o útil ao agradável, eis que surge a preço promocional, na Jazz Store da Trem Azul, à Rua do Alecrim, em Lisboa. Por seis euros, mais coisa menos coisa, é possível levar para casa um pedaço de grande música. Tão certo quanto este já cá morar, para minha delícia e dos meus vizinhos, pois o que é bom deve ser partilhado. Não é preciso agradecer.
Trio X: McPhee / Duval / Rosen – Journey (CIMP, 2003)


 
 


É certamente um acontecimento da maior relevância editorial. Falo do lançamento de um novo disco do saxofonista norte-americano Jim Ryan e a sua trepidante Forward Energy, por uma das mais interessantes e activas micro-editoras independentes da Califórnia, que merece todo a atenção e o apoio que se lhe puder dispensar: a Edgtone Records. O disco chama-se Where Are They? e apresenta 7 temas colectivamente improvisados no melhor estilo cru, duro e fortemente personalizado do veterano Jim, que aquece o ambiente com o troar dos seus saxofones alto e tenor. Com Ryan desta vez alinham Eddie Gale, trompete, Alicia Mangan, uma senhora do sax tenor sax, Scott Looney, piano, Kristjan Bondesson, contrabaixo; e Marshall Trammell, bateria. Jazz sem rodriguinhos ou ruminações do passado, pois claro.


 
6.1.05
 


Um mail de Adam Sonderberg, da Longbox Recordings:

hello all, just want to extend some new years greetings. hope everyone is well.
2005 promises to be a fine year for longbox recordings. as i type, our website is being re-designed by it's new lord and master, jon minor (insert applause).
it should be up and running very soon and have a credit card payment option so more can be purchased with greater ease. check back.
in release news: the dropp ensemble 7" 'ingen tid' will now be published by the fine german label, tonschacht, in june. this was supposed to be a split release from longbox and no information but steve and i couldn't get it (read: money) together.
we have now found a loving home for these pieces and hope you'll find it well worth the wait.
more info closer to release.
and now the hard part. this is where i tell you about the fantastic releases planned for the first 6-7 months of our new year. hard because i love all of these recordings and want them to get into the hands of everyone who wants one. money (once again) will be the deciding factor.
here we go:

civil war - tba (lbt031) 3"cdr
fantastic, short debut outing from chicago trio. three solo pieces (viola, percussion, bassoon). full-length to follow soon with all three members playing at the same time!
paul bradley / adam sonderberg - anoxia (lbt032 / th004) cd
long-form drone work. sure to beat your ass bloody in the dark, but in a thought provoking way.
greg davis / steven hess - decisions (lbt033) cdr
whatever you know about these gents, you don't know this. fragmented, lulling, disconcerting work all recorded in real time.
jon mueller / jim schoenecker - the interview (lbt034) cdr
glacial work from these collections of colonies of bees troopers. synth and percussion.
mark wastell - vibra #2 (lbt035) cdr
the second in a series of deep drone works employing a tam tam from the collection of the late roger sutherland. incredible.
boris hauf / martin siewert - (to be retitled) [reissue] (lbt036) cdr
a fine duo recording for saxes (hauf) and acoustic guitar (must be siewert) [both of efzeg fame] originally issued in 2002 by shameless (run by hauf), in an edition so small to type the number here would make you, the reader, vomit. this disc evokes the wild west by way of say, klaus lang. saddle up.



 
 

Cinco temas de Jean Derome (flautas, sax alto) e um de Louis Sclavis (clarinetes, sax soprano) preenchem o programa do concerto que, com Bruno Chevillon (contrabaixo) e Pierre Tanguay (bateria), deram no 18.º Festival International de Musique Actuelle de Victoriaville (FIMAV), no Quebec, Canadá, em 19 de Maio de 2001. Ao que consta, este foi um dos momentos altos do festival. Por aquilo que se ouve em disco dá para imaginar o impacto que o concerto do quarteto franco-canadiano deve ter tido. Qualquer dos intervenientes é um improvisador excepcional e de espírito livre, com arcaboiço para embarcar neste tipo de jazz de escrita complexa, que opta deliberadamente por correr riscos novos a cada mudança de ritmo ou de sentido de marcha, no estrito cumprimento da disciplina pré‑definida ou no livre curso do fluxo musical. Potente.
Jean Derome / Louis Sclavis Quartet - Un Moment de Bonheur (Victo, 2003)



 
 

Nate Chinen e Francis Davis, jornalistas do Village Voice, listam e comentam os melhores discos de jazz de 2004, um ano de boa colheita.



 
5.1.05
 


Embora a capa e a ficha técnica do disco indiciem tratar-se de uma sessão liderada por Mary Lou Williams, a verdade é que o líder da sessão não foi a pianista, mas o trompetista Dizzy Gillespie, que em 1970, com Williams ao piano, gravou o lp Giants para a editora Perception. Ao todo, Dizzy gravou apenas três discos para a Perception: The Real Thing, Portrait Of Jenny e Giants. Registado no Overseas Press Club de New York na noite de 31 de Janeiro de 1971, além da pianista, Giants contou com outro grande trompetista, Buddy Hacket. Um trio apoiado por uma secção rítmica luxuosa, composta pelo contrabaixista George Duvivier e pelo baterista Grady Tate. Como seria de esperar, apesar de Dizzy dominar e ser o centro das atenções, há abundante espaço equitativamente distribuído para solos de piano e de trompete, numa sessão de standards descontraída e despretensiosamente satisfatória, entretanto recuperada e embalada para reedição pela Lone Hill Jazz. Preenchendo o resto do espaço útil do cd, a Lone Hill resolveu incluir dois temas ao estilo das jam sessions dos anos 50 (neste caso, são excertos de jams do Jazz at the Philarmonica, de Norman Granz e o ano é 1955, Fevereiro, Berlim), em que participaram Dizzy Gillespie, uma vez mais, com Roy Eldridge, Bill Harris, Flip Phillips, Oscar Peterson, Herb Ellis, Ray Brown e Louie Bellson.
Mary Lou Williams & The Trumpet Giants Featuring Bobby Hackett & Dizzy Gillespie (Lone Hill Jazz, 2004)


 
 

Motion Poetry, Knitting Factory, 05.12.2000
© Peter Gannushkin

A 4 de Fevereiro o Michael Musillami Trio actua em Boston, na Zeitgeist Gallery.
Michael Musillami, guitarra; Joe Fonda, contrabaixo; George Schuller, bateria.
Musillami é um guitarrista cheio de interesse, que há pouco tempo, em octeto, gravou um disco de homenagem ao saxofonista alto e flautista Thomas Chapin, com música deste último (Spirits).
"Musillami commands attention, not with force but with sophistication and understatement, and bassist Joe Fonda and drummer George Schuller are co-creators in Musillami's captivating textures", (Cadence). "Um dos guitarristas mais imaginativos do jazz" (Signal to Noise).


 
 

Dedicado à vida, à música e ao espírito do grande contrabaixista do novo jazz norte-americano que foi Wilber Morris ("yeah...yeah..."), desaparecido pouco menos de um mês antes, Louie Belogenis, saxofonista tenor do quarteto Prima Materia e do duo com Rashied Ali, arregimentou um quarteto com Roy Campbell, Jr., trompetista entre muitos, do quarteto Other Dimensions in Music; Hill Greene, contrabaixista das preferências de Charles Gayle, tal como o baterista Michael Wimberley - um quarteto de puta madre do free jazz norte‑americano, sob a denominação EXUBERANCE. Intencionalmente ou não, a exuberância era uma característica da música de Wilber Morris, e esta obra, mais que de exuberância, transborda de espiritualidade, melancolia e meditação; uma elegia dedicada ao mestre que inspirou dezenas de músicos. No geral, o quarteto optou por um estilo de free jazz matizado de world music, em ritmos afro‑asiáticos e suavidades funk ocasionalmente mais intensas, embora com a contenção própria de uma obra de sentida homenagem. Profundamente lírico e meditativo, o disco começa com Offering, um tema em duo, soprado pelo tenor de Belogenis com tonalidades de madeira e pela trompete bluesy de Roy Campbell. The Other Shore prossegue com Afro Eurasian Sketches, que adiciona congas aos instrumentos de sopro, progredindo suavemente para Fulcrum e Walking in Loisada, onde já se faz sentir uma brisa mais forte dos lados dos trópicos, sem no entanto levantar as pedras da calçada ou enveredar por ambiente tórridos típicos de alguma new thing que Morris também professou e instigou. A calmaria regressa a Terpsichore e a The Other Shore, para retomar a excitação moderada em Exuberance e encerrar com Elegy for Wilber Morris.
Tive a felicidade de ter conhecido pessoalmente Wilber Morris e de conviver com ele durante umas horas inesquecíveis, momentos que recordo com prazer enquanto ouço este disco feiro de respeito, admiração e dignidade.

Exuberance - The Other Shore (Boxholder Records, 2003)



 
4.1.05
 


"(…) This time - presumptuously, but with the encouraging support of friends and colleagues - I used the 1993 workshop to concentrate exclusively on my own pieces. Having made that decision then it seemed natural to integrate my trio of more than twenty years standing with Evan Parker and Paul Lovens into the band, thus benefiting from the rich material and the strong foundation we have built up over the years. The long-standing duo with Aki and Ino forms the ideal contrast in this constellation. The wind section was made up of old comrades-in-arms such as Henry Lowther, Thomas Heberer, Walter Gauchel and Utz Zimmermann who have been around more or less since the beginning, and also a group of younger musicians - most of them from Berlin - who joined us for the first time (…)" – Alexander von Schlippenbach.

The Morlocks and Other Pieces - um programa composto por seis peças do pianista e compositor alemão Alexander von Schlippenbach, escritas entre 1983 e 1993. Entre improvisações individuais (Evan Parker tem tempo de antena superior a qualquer outro solista) e improvisação colectiva, Alexander von Schlippenbach e Aki Takase conduzem a Berlin Contemporary Jazz Orchestra e tocam piano à vez. Estou em dificuldade para conseguir distinguir qual dos dois está ao piano e a conduzir em cada momento. Não importa, porque de qualquer modo a orquestra, praticando um abstraccionismo expressionista de tonalidades escuras, voga à vontade pelo universo musical de Schlippenbach, feito de escrita atrevida e improvisação multifacetada, onde o trio com Evan Parker e Paul Lovens, fundado em 1972, assume papel relevante enquanto célula desse organismo vivo mais complexo que é a orquestra de câmara de 15 instrumentos. Uma obra admirável e de elevada consistência artística.

Any piece, but A's piece [1993] (10.28), Contrareflection [1989] (07.06), Rigaudon nr. 2 aus der wasserstoffmusik [1987] (12.03), Marcia di Saturno [1984] (12.54), The Morlocks [1993] (16.00), Jackhammer [1983] (10.32).

Henry Lowther, trompete; Thomas Heberer, trompete; Axel Dorner, trompete; Tilmann Dehnhard, flautas, sax tenor; Darcy Hepner, sax alto; Evan Parker, saxes soprano e tenor; Walter Gauchel, sax tenor; Claas Willecke, flauta, sax barítono; Jurg Huke, trombone; Marc Boukouya, trombone; Sören Fischer, trombone; Utz Zimmermann, trombone baixo; Alexander von Schlippenbach, piano, condução; Aki Takase, piano, condução; Nobuyushi Ino, contrabaixo; Paul Lovens, percussão.
Gravação de 10 e 11 de Julho de 1993, no Studio 10 de Berlim. Edição de 1994, FMP.


 
 

Gravado ao vivo no Tonic de Nova Iorque em Abril de 2003, Saturn, Conjunct the Grand Canyon in a Sweet Embrace inclui a segunda parte de um concerto de dois dos maiores compositores e improvisadores do novo jazz: Wadada Leo Smith e Anthony Braxton.
Oriundos da Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM), Wadada (trompete, fliscórnio) e Braxton (saxofones alto, soprano e sopranino), encontraram-se naquela que constituiu a primeira vez que o duo gravou música da sua exclusiva composição. Ambos artistas são responsáveis por alguns dos mais importante movimentos e avanços que a new music e o jazz produziram nos últimos 30/40 anos.
Esta prima por ser uma sessão exaltante, mista de terra (Wadada) e fogo (Braxton), pelo virtuosismo e imensa criatividade que conduzem o ouvinte numa viagem através de um conjunto de diálogos abstractos em tom coloquial. O estilo é o de uma conversa musical entre velhos amigos, construída a partir de três composições, uma de cada autor e uma terceira em parceria.
Saturn, Conjunct the Grand Canyon in a Sweet Embrace, fornece uma oportunidade soberana de ouvir estes dois monstros da moderna música improvisada com raízes bem nas tradições do jazz e dos blues, sem outro acompanhamento que não o que reciprocamente se oferecem, e em que o difícil descortinar o que é composição escrita e o que vem a ser criação espontânea.


 
3.1.05
 


Martin Archer (Discus) tocou, produziu e propõe-se distribuir via subscrição o novo disco de Masayo Asahara, Saint Catherine Torment. Masayo Asahara, composição; Martin Archer, "violectronic"; Philip Thomas - piano preparado. São precisos 50 subscritores para financiar esta edição, que vem na sequência da anterior, de 1974, Saint Agnes Fountain.

"St Cath is a single 60 minute work following on from the outstanding success of 2003's release "Saint Agnes Fountain". In contrast to the relentless rock based nature of that earlier release, this new work is closer to "academic" electronic music, based round processed violin and electronics from Martin orchestrated with treated and untreated loops of Philip's prepared piano. Alternating passages of intensity and delicacy, the spirits of both Stockhausen and Galina Ustvolskaya are invoked. This is a subscription release - that is, I try to cover the production costs by having around 50 advance subscribers. At present I have around 15 brave souls signed up....
In Discus tradition, all subscribers are named in the CD booklet where their named can be forever honoured, etc, etc".

 
2.1.05
 


The Bridge / What's New? / Our Man in Jazz / Sonny Meets Hawk! / Now's The Time! / The Standard Sonny Rollins. Entre 1962 e 1964, Sonny Rollins gravou seis discos para a RCA Victor, esteticamente entre o classicismo de The Bridge e a espontaneidade e invenção de The Standard Sonny Rollins. Os seis foram compilados numa reedição de 1997, da BMG, à qual foram adicionados temas de 3 For Jazz e de The Alternative Rollins, de 63 e 64, respectivamente.
O período RCA Victor registou o regresso em força de Sonny Rollins, depois do interregno musical a que voluntariamente se forçou, a partir do final de 1959. Theodore Walter Rollins nasceu em 1930, no Harlem, em Nova Iorque. Influenciado por Coleman Hawkins e Lester Young, nos primeiros anos, mas também por Bud Powell, Thelonious Monk, Don Byas, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, e mais tarde, por Miles (com quem tocou durante 7 anos, na década de 50), Ornette e Coltrane. Sob estas influências passou os tempos que antecederam Saxophone Colossus (1956), Way Out West (1957) e Freedom Suite (1958), precedidos de uma estadia em Chicago, a que se seguiu o afastamento da cena em 1959.
Este retiro, que ficou na história e ainda hoje é amplamente comentado, coincidiu, por um lado, com a enorme receptividade que estava a obter junto do público e da crítica, tendo Rollins agido deliberadamente em contra-ciclo, portanto; e por outro, com a emergência das estrelas Ornette Coleman e John Coltrane, no virar da década.
Afastado dos palcos, Rollins aproveitou o tempo para estudar e praticar o sax tenor, vindo a reaparecer em público em 1961, na Jazz Gallery, de East Village. Pouco tempo depois iniciava o contrato com a RCA Victor que haveria de dar lugar a algumas das pérolas que esta caixa encerra, correspondentes a uma variedade de contextos tal que lhe permitiu libertar algum do melhor Sonny Rollins da década. Não admira, com Coleman Hawkins, Jim Hall, Ron Carter, Billy Higgins, Coleman Hawkins, Herbie Hancock, Thad Jones, Don Cherry, Henry Grimes … .
A edição de Outubro de 1997 da revista Down Beat, comentava:" (…) The music these fellows made is a remarkable assortment (…) you sense [Rollins] playing exactly what he wants to. Pure music....there are so many moments of breathtaking music that the highest rating must apply(…)".
The Complete Sonny Rollins RCA Victor Recordings (BMG)



 
 

Outback, Mike Osborne [FMR]

Mike Osborne (sax alto) com Harry Beckett (trompete), Louis Moholo (bateria), Harry Miller (contrabaixo), Chris McGregor (piano).

Dois temas, um de cada lado do original LP:
1. So It Is (Osborne)
2. Outback (Osborne)

Gravado em 1970 e editado pela Future Music Records. Quem puder que o apanhe. É material de primeira. E "disco da barba" para esta manhã de dia 2 de Janeiro de 2005.



 
 

A VPRO (Jazz op Vier) transmite a segunda parte de um concerto do quarteto de Al Foster, gravado ao vivo no Bimhuis, Amsterdão, em 28 de Outubro de 2004. Com Al Foster, bateria; Eli Digibri, saxofone tenor; Kevin Hays, piano e Douglas Weiss, contrabaixo.
Alinhamento:
1. The Chief (Al Foster)
2. Missing Miles / Ballet (Al Foster)
3. Monkey (Al Foster)
4. Anniversary Waltz (traditional, arrg. Kevin Hays)
5. 4 x 5 (McCoy Tyner)




 
 
Com Paul Dunmall e Evan Parker, Simon Picard faz parte da família dos grandes saxofonsitas tenor britânicos da actualidade, que além das características próprias em matéria de timbre, força e expressividade, fazem um especial uso do espaço, pelo modo particular como articulam os sons e interagem com os músicos que com eles cruzam caminhos. Em News From The North (Intakt), Simon Picard junta-se a Paul Rogers, contrabaixo, e a Tony Marsh, bateria, para uma típica sessão em trio que se espraia à vontade por 11 temas em mais de uma hora de duração, gravada em Londres em Dezembro de 1991. Não pressupondo quaisquer composições prévias, a música, surpreendentemente, não vai muito para além do risco. Quer dizer, a tempestade antevista pela metorologia chega a desenhar-se no horizonte numa aparência de núvens de tons escuros, carregadas de electricidade, mas acaba por passar sem sequer ameaçar desabar sobre o ouvinte. Pelo contrário, o que se ouve é uma música que, acusando embora algum músculo, consegue ser lírica e tranquila no fluir. Simon Picard, inspirado na tradição do saxofone tenor do jazz na componente free britânica (ainda assim, ouvem-se aqui e ali sinais muitos ténues da presença de Sonny Rollins ou de Joe Henderson, mas o espírito de Evan Parker atravessa o disco de ponta a ponta), exprime-se no mesmo plano dos outros dois interveniente em termos de importância e de protagonismo. Paul Rogers e Tony Marsh são dois notáves instrumentistas das Ihas Britânicas, dos mais completos e tecnicamente apetrechados que se encontram em actividade. A veterania é um posto e, em consonância, Tony Marsh mostra ser um mestre na arte de percutir pratos e tambores com delicada firmeza, impulsionando o trio para paragens supreendentes (que primor em Liver Friction, por exemplo), em que força e subtileza se combinam no ponto ideal, sem jamais permitir-se entradas brutais ou mais ásperas que a conta. Paul Rogers em 1991 tocava e ouvia tão bem quanto o faz hoje, isto é, com o mesmo poder de moldar o seu e o som colectivo a partir das cordas do contrabaixo, ou de acentuar determinados ângulos e frases que são atiradas para o centro da fogueira. Felizmente, deixa muitas arestas do tenor por polir, o que, juntamente com o lado menos ortodoxo da bateria de Tony Marsh, contribui para o toque final de obra aberta, fruto da garra e da atitude com que este trio de improvisadores, no sentido total do termo, se atira à criação. "The sound of real life". Ouvi-lo é também vivê-la. Um abraço ao amigo Lizuarte Borges.
Simon Picard / Paul Rogers / Tony Marsh – News from the North (Intakt)


 
1.1.05
 


[Esta foi gamada com muito gosto e descaramento ao criativo Nuno Catarino, d´
A Forma do Jazz. Temos artista da montagem gráfica, está visto. Além do mais, o boneco revela bom gosto na combinação dos nomes. Kat-y-o, ainda não te tinha feito uma maldade em 2005... Muito obrigado pelos pacientes ensinamentos técnicos quanto à blog-operação, de que muito ignoro, um abraço e Bom Ano para ti.
PS: O Large Music I (Paul Smoker / Bob Magnuson / Ken Filiano / Lou Grassi - CIMP) ainda é teu. Não te preocupes, que este é dos tais que envelhecem bem e ganham muito com o passar do tempo].
PPS: Ainda a respeito d'A Forma do Jazz, considero inteiramente merecida a sua inclusão, pelo Almocreve das Petas, no rol dos Melhores Blogs Portugueses de 2004. Parabéns!



 
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