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31.3.08
 

TEMPORADA MISO MUSIC PORTUGAL EM RESIDÊNCIA NO IFP

http://www.misomusic.com/port/difu/temporada/temporadaabril08.html

Auditório Phillippe Friedman - Instituto Franco-Português
Morada: Avenida Luís Bívar, 91 / 1050-143 Lisboa

CURSOS
1 a 3 de Abril
Workshop de Interpretação Espacial Sonora com a Orquestra de Altifalantes
por Annette Vande Gorne
(com concerto final pelos participantes no workshop)
Como analisar a dimensão especial das obras electrónicas acusmáticas, como pôr em evidência na interpretação os espaços criados pelo compositor ou até recriar os movimentos dinâmicos e espaciais? Este estágio articula a análise e a interpretação e termina com um concerto dos alunos na última noite de estágio.
Estágio conduzido por Annette Vande Gorne, compositora, professora no Conservatório Real de Mons-Bélgica e especialista em interpretação de música acusmática.

MÚSICA Electrónica com a Orquestra de Altifalantes
3 ABRIL - 21h30 Auditório P.F.
concerto final pelos participantes no workshop de Interpretação Espacial Sonora
(programa a definir)
entrada livre
MÚSICA Electrónica com a Orquestra de Altifalantes
4 ABRIL - 21h30 Auditório P.F.
Obras criadas nos estúdios de Musiques & Recherches (Bélgica) e no LEC (Laboratório Electroacústico de Criação da Miso Music Portugal)
Espacialização sonora e interpretação por Annette Vande Gorne e pelos compositores.

Filipe Lopes - Caldo Kenong (estreia absoluta)
André Castro - Ar (estreia absoluta)
Filipe Esteves - Voices (estreia absoluta)
Bernard Parmegiani - Rêveries
Laurent Delforge - Nautilus
Ingrid Drese - Les voix de l'aurore
Nicolas Bernier - Liaisons mécaniques
Jonty Harrison - Free Fall

MÚSICA Electrónica com a Orquestra de Altifalantes
5 ABRIL - 21h30 Auditório P.F.
Obras de Annette Vande Gorne
Espacialização sonora e interpretação por Annette Vande Gorne

Tao: 4ème élément, Métal
Vox Alia
Yawar Fiesta: lamento
Yawar Fiesta: combattimento
Yawar Fiesta: monologue final
preço dos bilhetes 5 ¤ ; 4¤ até aos 30 anos

PARA OS MAIS PEQUENOS
2 e 3 ABRIL - sessões às 10h00, 11h30, Auditório P.F.
Contos Contados...Cantados com Som / Teatro Electroacústico
Histórias contadas com sons para crianças dos 4 aos 12 anos

 
 
A corrupção não tem só o lado canalha de que se ouve falar. Ver não, que não existe. Por exemplo, a adulteração de maquinaria para fazer som, parafernalia nascida com outra configuração, sujeita entretanto a cirúrgicas intervenções, tem resultado que se ouça, por muita lixarada que também abunde. Se a uma pilha de tralha analógica se somar uma bateria convencional tocada de modo esdrúxulo, temos caso. É no grupo dos projectos com validade estética nascidos nesta terra de ninguém, zona cionxenta que é de todos afinal, que se incluem os portugueses One Might Add. Outra maneira de dizer Alberto Arruda e Ruben Costa, duo de quem saiu há pouco Sailing Team, na Ruby Red Editora, dupla que, associada a outra, formou um quadrilátero de boa memória, que deixou rasto na netlabel Test Tube. Três anos já lá vão e a coisa chamava-se We Shall Say Only The Leaves. Lembro-me que alinhavei um escrito sobre Exploding Whale, naquela altura. De volta a Sailing Team (outra vez a temática marítima, e não menos explosiva, diria), umas quantas passagens pela curta experiência (cada sessão tem apenas 24 minutos, por isso se aconselha packs de duas ou três sessões por junto), revela uma utilização proficiente de material vagamente aparentado a entidades reconhecíveis como sintetizador, samplers, caixa de ritmos marada e outras maradices geradoras de barulho, ou de noise, que é mais fino e educado dizer-se. Nada vem creditado, portanto é só a gente deitar-se a adivinhar combinações e a tirar umas pelas outras. É desta fervura amena, com esporádicos beats sacados à house e a outras danças bravias, que se decanta o som sujo, residual e de cromatismo forte, psicadélico e pós-kraut q.b., dos One Might Add. Algo que calha mesmo bem para massajar as meninges, se ouvido em volume convenientemente alto. Máquinas e rapazes na reinação. Mas a sério. Ideal para soundtrack do filme de ficção científica série Z que imaginar se queira.

 
 

All About Jazz - New York # April 2008

Jon Hendricks, Steve Swallow, Cuong Vu, Smalltown Superjazzz,
Anthony Ortega, David Izenzon, Jazz 966


 
 

ry-om: autonomous electro-acoustic soundscape co-operative

 
 
Harald Kimmig & Christoph SchillerREGEN. O nome do violinista Harald Kimmig liga-se remotamente ao quinteto Corona, de Cecil Taylor, com Muneer Abdul Fataah, William Parker e Tony Oxley, registado em concerto no festival Total Music Meeting, em Berlim, 1989, e editado em CD pela Free Music Production (FMP) sob o título Looking (Berlin Version). De então para cá muitas e variadas têm sido as colaborações de Kimming com gente do mundo da música improvisada. Em REGEN (Creative Sources # 081), Kimming contracena com o pianista Christoph Schiller, músico do free jazz, da new music e da música improvisada. Em vez do piano, Schiller optou pela espineta, preparada de modo tal que passa a soar a qualquer coisa algures entre a percussão e a guitarra acústica. A espineta, que Schiller usa desde 2002, é um instrumento de tecla parente do cravo, com um som que lhe é timbricamente próximo, se tocado de forma convencional. Não é o que aqui acontece. As cordas são percutidas, passadas a arco de modo a soar a algo entre a guitarra acústica, a electrónica e a percussão, e envolvidas com as raízes tonais do violino. Este entra e sai da harmonia convencional, sem qualquer tipo de preocupação relacionada com a marcação do tempo, acentuando a delicadeza deste preparado acústico. Juntos fazem cair uma chuva de microtonalidades que ocasionalmente toma corpo e se desenvolve ao sabor dos acontecimentos. Em planos oblíquos, os instrumentos derivam para texturas de ruído ora para a pura exploração tímbrica. Turbulência mínima, sensação de movimento com um ou outro pico, como o que ocorre na segunda destas cinco improvisações de construção minimalista, ao longo das quais os músicos experimentam com som e se invectivam reciprocamente a arriscar partindo de conceitos básicos próprios da arte da improvisação livre, como são o saber ouvir e reagir. Daqui nasce o diálogo constante entre os gestos que se advinham e os sons correspondentes. Fluidez e convulsão como duas faces de uma moeda com valor e circulação.

 
29.3.08
 

JOEL GRIP + CHRISTIAN MUNTHE + TATSUYA NAKATANI
So It Goes (Live at Geiger)

liberté fois trois.
cordes et peaux
abordées sans retenues,
fracas et joies de se rencontrer.

 
 

Chegou o novo disco de Lisle Ellis, Sucker Punch Requiem: A Homage to Jean-Michel Basquiat, na nova editora da amiga, promotora e produtora Bonnie Wright, a Henceforth Records. Ainda só lhe passei umas poucas demãos em viagem de automóvel, mas para já, o que retive é altamente positivo. Cruzamentos de electrónica (há anos que Ellis se interessa pelo meio e investiga várias vias de interpenetração das quatro cordas e das fontes digitais), com sons acústicos, a presença a bordo de grandes figuras do jazz, históricos e modernos, da new music e da improvisação livre. A voz espectral e a electrónica de Pamela Z, as flautas de Holly Hofmann, saxofones de Oliver Lake, trombone de George Lewis, piano de Mike Wofford, e a bateria e percussão de Susie Ibarra. Nem sempre as grandes, as maiores figuras fazem um grande disco, mas aqui, salvaguardando a necessidade o rodar mais vezes (tem que ser assim, tanta é a substância que aqui abunda) preliminarmente direi que se trata de uma boa aposta do contrabaixista canadiano Lisle Ellis, há muito radicado nos EUA, primeiro na Costa Oeste e, desde 2005, na Costa Este. O propósito do compositor e produtor da obra foi homenagear musicalmente o pintor norte-americano de ascendência porto-riquenha, Jean-Michel Basquiat (1960-1988), renomado graffiter e neo-expressionista abstracto que viveu e trabalhou em Nova Iorque, celebrizado sobretudo pelos extensos murais de temática sócio-política, pintados na Big Apple dos anos 80, personalidade que inspirou inúmeros artistas plásticos e de todas as artes. É daqui que em parte resulta Sucker Punch Requiem: A Homage to Jean-Michel Basquiat, uma elegia que exprime o respeito e a admiração do músico, e dos que o acompanham, pelo artista plástico. Boa malha, ainda só com escassas pincelada. E com potencial para "crescer" em audições repetidas. Para quem gosta da competição, este é bem capaz de se alcandorar a um lugar no pódio dos magníficos de 2008. Eu seja surdo se não estou a falar verdade.

Jean-Michel Basquiat, Fool's Fetish

Jean-Michel Basquiat, Fool's Fetish (1984)

 
 

Ribeira Som Sistema, Morcão

 
28.3.08
 

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o zurret d´artal: Con esta banda ha estado de gira/presentación de disco europea. solo un cambio de orden mayor. magnus broo, trompeta, que sustituia a rempis por el fallecimiento de su abuela. actuación en barcelona el 17 de marzo. grabación gentileza de "senyor b". Oh Jesus...

ingebrigt håker flaten 5tet, sala apolo, barcelona, spain - 08-03-17 Part 1 & Part 2

 
 

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Sábado, 29/3, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, tem início o Festival de Flamenco de Lisboa 2008, com Pepe Habichuela. Da geração de Paco de Lucia, Camarón de la Isla, Enrique Morente, Manolo Sanlúca, P. Habichuela deu os seu primeiros passos a nível profissional nas caves de Sacromonte (Granada) e depois mudou-se para os tablaos de Madrid. A sua estreita colaboração com Enrique Morente nos anos setenta marcou uma inflexão na sua carreira e, juntos, descobriram um novo mundo de harmonias que se concretizaram em dois trabalhos históricos, Despegando e Homenaje a D. Antonio Chacón. A solo, o seu primeiro trabalho A Mandeli, foi distribuido pelo mundo inteiro, e o seu segundo CD, Habichuela en Rama, foi gravado em cooperação com o filho, Josemi Carmona, o mesmo que actuará no concerto da Aula Magna.

 
 

Novas da Accretions:

Nathan Hubbard - Blind Orchid
Marcos Fernandes, Bill Horist - Jerks and Creeps
Donkey (Hans Fjellestad, Damon Holzborn) - Stone

 
27.3.08
 

Quinta-feira / 27 de Março / 22h00 / Século / Lisboa
"This is ... Sirr": performances com john grzinich, paulo raposo, andré gonçalves, carlos santos, j. castro pinto.

Lançamento do disco de Janek Schaefer, "Alone at Last" (sirr-ecords).

Janek Schaefer
alone at last cd sirr 0031

Alone at Last is a studio album, written over the first decade of Janek's career as a composer, sound artist, and musician. Each piece is a response to an invitation. The source sounds are produced using location recordings and manipulated vinyl, which are simply processed through his collection of foot pedals & mixing desk, and then assembled on screen. Anamnesis - refers to the ability of sound to trigger mental images in our minds eye. Each new image is unique to each of us - and they are all uniquely framed within the evocative music.
The CD is housed in an elegant 100% black jewelcase with an 8 page black & white booklet of Janek's photography.


http://www.last.fm/music/Janek+Schaefer/Alone+at+last

 
 

Ópera multimédia ITINERÁRIO DO SAL, do compositor, poeta e performer Miguel Azguime, apresentada nos dias 28 e 29 de Março, às 21h00, no Pequeno Auditório do CCB.

Miguel Azguime - performer, composição e textos
Paula Azguime - desenho de som e electrónica em tempo real, encenação
Perseu Mandillo - realização vídeo
André Bartetzki - programação vídeo e video em tempo real

Apoios: Instituto das Artes/MC, DAAD Berliner, Künstlerprogramm & Technische Universität Berlin

 
 

Sábado e domingo, 29 e 30 de Março, às 18h30... PARQUE na Culturgest, Lisboa

PARQUE é um projecto criado e dirigido por Ricardo Jacinto, com início em 2000, que assenta numa dinâmica de colaboração e cumplicidade criativa entre vários músicos e artistas. No cerne deste projecto colectivo encontramos três peças performativas que aliam as convenções do concerto musical a dispositivos de instalação especificamente concebidos para esse fim: Peça de embalar, Os e Atraso. Paralelamente a estas três peças, e estreitamente relacionadas com elas, Ricardo Jacinto tem vindo a desenvolver várias propostas destinadas ao espaço expositivo, sob a designação Extras e Demonstrações. Acompanhando a sucessiva apresentação das performances e dos dispositivos a que estão associadas, apresentam-se aquelas que foram as duas primeiras concretizações dessa série de trabalhos: PARQUE Noir (Extras e demonstrações #1) e PARQUE Auditório (Extras e demonstrações #2).

 
26.3.08
 

A VÉNUS DE PISTOLETTO - #3

28 de Março / 6ª Feira / 22:00 / Espaço Avenida
Av. da Liberdade, nº 211, 1º esq, Lisboa

EMÍDIO BUCHINHO
– field recordings, amplificadores, combo de cassetes áudio, miniature wireless boom mic kit, objects trouvés.
CARLOS SANTOS – field recordings, microfones de contacto, processamento áudio digital, objects trouvés.

“Música feita com objectos do quotidiano e tecnologia lo-fi, partindo das coordenadas da Arte Povera para ir mais além. Ou aquém. Emídio Buchinho e Carlos Santos substituem os seus instrumentos habituais tanto por uma grande variedade de utensílios motorizados ou electrónicos como por “objects trouvés” que, amplificados, possam ter utilização musical. Face às presentes discussões sobre a superioridade do digital em relação ao analógico ou vice-versa, a resposta deste duo é a de que o importante mesmo é produzir som. “Does God exist? Yes, I do”, lê-se numa das obras escultóricas mais conhecidas de Michelangelo Pistoletto...
Emídio Buchinho é um dos mais respeitados operadores e designers de som do cinema português, ao mesmo tempo desenvolvendo actividade na área da música criativa como guitarrista e manipulador de electrónica. Que pode ser o computador, os pedais de guitarra ou um simples microfone, que diz ser o seu principal instrumento de trabalho. Uma opinião partilhada por Carlos Santos, laptoper especialmente interessado pela modalidade “field recordings”, anglicismo utilizado para designar as recolhas sonoras em ambientes urbano, industrial e natural que constituem a base das suas composições/improvisações concretistas.” – Rui Eduardo Paes

GRANULAR
http://www.granular.pt/ info@granular.pt

 
 

Mike Nock
The Fourth Way
(LP Capitol, 1969)

Mike Nock (piano eléctrico), Michael White (violino),
Ron McClure (contrabaixo, baixo eléctrico), Eddie Marshall (bateria)

A-01 The Sun And Moon Have Come Together
A-02 Ebony Plaza
A-03 Blues My Mind
B-01 Farewell, Goodbye
B-02 Skiffling
B-03 Strange Love

Gravado ao vivo na New Orleans House, Berkeley, Califórnia, 1968.

 
 

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Duplo CD de Sun Ra com gravações da década mais colorida e imaginativa do homem de Saturno, registadas ao vivo em Itália, 1978. Oportunidade de ouvir Ra a tocar piano, órgão e teclados electrónicos do outro mundo, como o Moog ou o Crumar Mainman, instrumento que Ra descreve como um misto de piano, órgão, clavicórdio, violoncelo, violino e metais, que, além dos aspectos tímbricos, lhe permitiu experimentar com pré-programação das linhas de baixo e da percussão electrónica. A Arkestra aqui é um quarteto, com Michael Ray (trompete), John Gilmore (saxofone tenor) e Luqman Ali (bateria). O segundo disco contém material inédito, versões alienígenas de temas como Friendly Galaxy, An Unbeknown Love, Of Other Tomorrows Never Know, Images, The Truth About Planet Earth, The Shadow World e de Space Is The Place. Media Dreams emparceira com Disco 3000 e com Sound Mirror, outros dois volumes retirados da série de concertos italianos incluídos na famosa digressão de 1978. A maquinaria voa nas mãos de Sun Ra e o resto da banda acompanha-o nesta viagem alucinatória, reveladora do lado mais electrónico de Sun Ra. Pela via analógica, antecipava o passo digital que se haveria de seguir. Reedição Saturn/Art Yard.

 
25.3.08
 

Improvised Music From Japan, Vol. 4

 
 

Música psicadélica originária de Filadélfia por um dos grupos mais saudavelmente bizarros da América dos dias de hoje. Os Temple of Bon Matin andam nesta vida desde 1993, animando ruas e praças com esta espécie de rock para-atonal, de texturas ácidas e formas desfocadas, que cruzam elementos de improvisação electroacústica, tribalismo urbano, groove e free jazz (contam com colaborações de Arthur Doyle, Daniel Carter e Marshall Allen, três históricos do free). Este composto deliciosamente decadente, mistura rica e variada que não perde o fio conductor entre as diferentes partes que a compõem, tem como ponto de partida a troca de ideias entre o baterista Ed Wilcox e o pianista John Mulvaney, e os esforços de uma lista de convidados variável de disco para disco. Em Flower Footed Ghost, por exemplo, alinham Eric Baylies, Jim Flagg, Yinnie Paternostro, Jay Reeve, Charles Cohen, Jerry Mayall, Cory Neal e Jeff Kohlmeyer. Umas mais notórias que outras, os Temple of Bon Matin reclamam influências de Sun Ra, Harry Parch, Ornette Coleman, Henry Cow, Can, Hawkwind, Captain Beefheart, DMX, Allman Brothers, Albert Ayler, Boredoms, Arthur Doyle, Laundry Room Squelchers. A lista completa seria fastidiosa e diria mais que o necessário. Muito mais interessante será ouvir o som luxuriante, bem amassado e deixado fermentar, de Flower Footed Ghost, disco editado em 2007 pela portuguesa Ruby Red Editora.

 
 

Collective Voice Radio Broadcast

 
24.3.08
 

Machine for Making Sense
The Act of Observation Becomes the Object Itself
(Rossbin)

 
 

BILLIE HOLIDAY - Rare Live Recordings 1934 - 1959, ESP Disk

«With a long salute to Lady Day, ESP-Disk presents The Rare Live Performances of Billie Holiday». Quarenta e oito anos passados sobre a morte da artista, a norte-americana ESP-Disk publicou uma caixa com 5 CDs com a integral da obra de Lady Day para a editora fundada por Bernard Stollman, acrescentada de material colhido noutras fontes, de modo a cobrir toda a carreira, entre 1934 e 1959, e dar uma panorâmica generosa do trabalho ao vivo da cantora, a partir dos arquivos de Boris Rose, que realizou inúmeras gravações para emissão radiofónica e televisiva, ensaios e gravações caseiras, são cerca de 130 temas, um complemento aos discos de estúdio e à informação já conhecida, a que se acrescentam novos factos e datas, liner notes carregadas de informação. Um trabalho monumental da ESP-Disk, casa que tanto trabalha Billie Holiday, Charlie Parker e Bud Powell, como Sun Ra, Albert Ayler, Marion Brown, Frank Wright, Pharoah Sanders, Patty Waters e tantos outros. Apesar das condições técnicas da época serem as que se esperariam, e da preservação das gravações também ter estado longe das atenções que os registos mereceriam, a ESP-Disk conseguiu tirar a maior, filtrar algumas partes, remasterizar tudo, e no final do processo apresentar um resultado digno da grande figura que foi Billie Holiday. ESP 4039 / Billie Holiday - Rare Live Performances 1934 – 1959 (5 disc box set).

 
 

WILLIAM WINANT (PERCUSSÃO SOLO)
TERÇA-FEIRA - 25 MARÇO 2008 – 21h30
AUDITÓRIO DE SERRALVES, PORTO

O concerto de WILLIAM WINANT prevê um programa para solo de percussão onde se cruzam diferentes gerações de compositores. As experiências radicais levadas a cabo pela geração de Cage e Feldman, encontrariam ecos nas gerações que se seguiram. James Tenney e Alvin Lucier, são exemplos de uma nova geração que integrou as pesquisas e reflexões de Cage ou Feldman, entre outros, explorando os seus limites e alcançando novos territórios na música e na arte sonora, também eles fortemente povoados por influências, inspirações e entendimentos inter ou transdisciplinares.
Winant é colaborador assíduo de John Zorn, Mike Patton, Sonic Youth, entre muitos outros, e membro do internacionalmente reconhecido Abel-Steinberg-Winant Trio e do grupo avant-rock Mr. Bungle. Trabalha regularmente com companhias de teatro e de dança, entre as quais a de Merce Cunningham que continua, hoje, a protagonizar encontros entre espíritos criativos oriundos de diferentes quadrantes da produção artística, da ciência e do pensamento contemporâneos.


Programa:
- "The King of Denmark" (1964), Morton Feldman
- "Silver Streetcar for Orchestra" (para triângulo amplificado) (1988), Alvin Lucier
- "Fontana Mix" (1958), John Cage
- "Having Never Written A Note For Percussion" (1971), James Tenney
- "Ergodos II" (para sons electrónicos e percussão) (1964), James Tenney

 
 
É difícil saber que processos empregam Mazen Kerbaj, Birgit Ulher e Sharif Sehnaoui para produzir os sons invulgares que se ouvem em 3:1, saída recente na Creative Sources (CS#110). Gravado em Hamburgo, Alemanha, em Junho de 2006, sabe-se apenas que os músicos utilizam trompetes e guitarra acústica. Nada mais. Por muito que possa parecer, não há adição de electrónica ou de quaisquer efeitos estranhos ao acto de tocar aqueles instrumentos. Fazem-no, é certo, do menos convencional e heterodoxo que se conhece. No caso de Birgit Ulher e Mazen Kerbaj, dois dos mais relevantes artistas da moderna música improvisada, além da aplicação de um vasto arsenal de técnicas que exploram as propriedades acústicas do instrumento considerado em toda a sua extensão, corpo físico interior e exterior, através do sopro, sorvo, sucção, gorgolejo, vocalizo e de tudo o mais que não é possível descortinar sem ver. Por vezes, parece ouvir-se um motor ou qualquer outro aparelho capaz de produzir vibrações contínuas, além da respiração circular, bem entendido, que sugerem figuras como o arrastar metálico de intensidade variável e toda uma série de impressões que remetem para uma intensa actividade em formas de vida alienígena. O mesmo se passa, com as devidas adaptações, com o trabalho da guitarra acústica. Sharif Sehnaoui só muito raramente dela extrai sons que se possam reconduzir a categorias que fazem parte da memória sonora do instrumento, àquilo que vulgarmente se identifica como tendo por fonte um cordofone com determinada forma e sonoridade. A panóplia de técnicas, das mais abrasivas às suaves em extremo, e as inusitadas formas de abordagem do instrumento, emparceiram com as dos colegas trompetistas, sendo virtualmente impossível atribuir com certeza o quê a quem. Nesta medida, há muito aqui que escapa ao entendimento do ouvinte comum, uma paleta sonora que surpreende quem ainda não esteja familiarizado com as novas correntes da música improvisada e os seus ousados planos criativos. A causa destes músicos é a invenção, não apenas de técnicas de execução e do alargamento do léxico instrumental, mas sobretudo de uma nova poética musical ancorada em sinais que estão para além dos limites que se reconhecem. É toda uma nova experiência criativa que, da aparente bizarria iconoclasta, nos transporta para um mundo ficcional em que é possível reconhecer vestígios do mundo natural e cultural que habitamos no dia a dia. Por tudo o que sugere e desperta, o trabalho do trio germânico-libanês, criado com desvelo e dedicação, emociona e estimula a imaginação, envolvência formada por uma miríade de pontos de luz. Recomendável, em especial a quem se interesse por modos fora do comum de produzir e organizar sons.

 
 

Creative Music Works

 
23.3.08
 

Novidades na Creative Sources Recordings:

(HAIL SATAN)
Carlos Galvez Taroncher / Magda Mayas / Koen Nutters / Morten J. Olsen

REFRAIN
Gust Burns / Ernesto Rodrigues / Vic Rawlings / David Hirvonen

QUICK-DROP
Andrea Parkins / Dragos Tara / Laurent Bruttin

SPARKS
Peter Evans / Tom Blancarte

SIRENEN & BLÜTEN
Sascha Demand / Hannes Wienert

 
 

Ives Klein

 
22.3.08
 
Jess Rowland saiu em 2007 com The Shape of Poison (Edgetone Records, 2007). A pianista, dramaturga, compositora de música para dança e teatro e marionetas de S. Francisco tem variado muito na forma e na substância. Da improvisação livre em piano acústico, à electrónica e ao free jazz, Rowland debica aqui e ali para compor as suas diversas realizações a solo e em pequenos grupos. Entretanto, surgiu-lhe a oportunidade de integrar a Shift Physical Theater, uma companhia de dança moderna, em acumulação com a residência artística no ODC Theater, de S. Francisco. Foi a partir desta colaboração que nasceu o projecto The Shape of Poison, trabalho que vem na sequência de outros realizados para a Pax Recordings, como H.29, disco de improvisações em piano solo, a que seguiu o excelente Scenes from the Silent Revolution, a chave que lhe abriu as portas para a participação no Big Sur Experimental Music Festival. The Shape of Poison, três peças de longa duração (1. The Waves Sound Sometimes Close and Sometimes Far Away; 2. A Dragonfly Tries Vainly to Settle onto a Leaf; 3. Kotekan Seniman Alam/Waves Fade into the Distance) escritas para piano e executadas em directo, avança por territórios ainda pouco explorados pela artista, como é o caso da interacção em tempo real do piano e da electrónica analógica (Casiotone) e digital (Laptop), com o propósito específico de servir a dança, dramaturgia e movimento em conjugação. Esteticamente, nestas reflexões musicais sobre a cura para o sofrimento segundo as regras taoistas que a pianista prossegue através do som, encontram-se referências distantes às marcas minimalistas de Steve Reich e de Michael Nyman, sem se comprometer demasiado com aquelas estéticas, deixando transparecer a interessante e multifacetada personalidade musical da improvisadora.

Jess Rowland

Jess Rowland

 
 

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VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
Galeria ZdB, Lisboa, 22.03.2008, 23h00

 
 

con_cetta - sclerosis [zym019]

 
20.3.08
 

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PEACE BE UNTO YOU: Art Ensemble Of Chicago feat. Fred Anderson, Live in Seattle. Em 2002, o AEC em versão trio, com Malachi Favors Maghostut (contrabaixo), Roscoe Mitchell (saxofones), e Famoudou Don Moye (percussão), acrescentado do saxofone tenor de Fred Anderson. 16 temas em dois discos. Edição AEOC, 2002.

 
18.3.08
 

Tom Waits, Waltzing Matilda (Tom Traubert's Blues)

 
 

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Matana Roberts - The Chicago Project (Central Control, 2008)

 
 

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A estreia da Exploding Star Orchestra, com We Are All from Somewhere Else (Thrill Jockey) tinha deixado perceber que, depois da consolidação e do acamar das diferentes peças de um organismo complexo constituído por dezena e meia de improvisadores, o passo seguinte haveria de ser ainda melhor. E a confirmação do potencial evidenciado no disco de abertura está neste segundo volume da Exploding Star Orchestra. E há motivo de festa: Bill Dixon a bordo. No encontro pessoal travado no Guelph Jazz Festival de 2006, o cornetista Rob Mazurek convidou o trompetista, professor, pensador do jazz, artista plástico e compositor para escrever e tocar com a fina-flor de Chicago: Nicole Mitchell (flauta), Matt Bauder (clarinete baixo e saxofone tenor), Jeb Bishop (trombone), Josh Berman (corneta), Jeff Parker (guitarra), Jim Baker (piano), Jason Adesewicz (vibrafone, tubular bells), Matthew Lux (guitarra baixo), Jason Ajemian (contrabaixo), Mike Reed (bateria, percussão), John Herndon (bateria) e Damon Locks (voz). Situar musicalmente a ESO leva-nos às duas últimas décadas de Chicago, à memória cósmica da Arkestra e aos desenvolvimentos do jazz pós-AACM (Chigago Underground) e ao pós-rock mais inventivo (Tortoise), de que Rob Mazurek tem feito a súmula nos seus próprios projectos e naqueles que fomenta e instiga.
Em parte colaboração e homenagem de Chicago à obra do grande Dixon, músico de Sun Ra e de Cecil Taylor (Conquistador, 1966), co-fundador da Jazz Composers Guild, personalidade que em 2007 recebeu do Vision Festival o prémio Lifetime Recognition; noutra parte, afirmação do talento e criatividade de músicos de gerações mais recentes, Bill Dixon with Exploding Star Orchestra (assim se intitula o disco) tem muito das duas ideias, mas vai mais longe, ao marcar posição de relevo no apagão criativo que, salvo uma ou outra valorosa excepção, tem marcado o panorama do jazz actual, americano e europeu.
Uma experiência catártica como esta de juntar a sabedoria de Dixon ao sangue na guelra do colectivo, de duas uma: ou se saldava num revivalismo serôdio, passadista e fracassante, bom para dar umas voltas pelo mundo para exibir o lado frívolo da coisa, ou embarcaria decididamente num projecto sério de resultados artísticos relevantes, algo que acrescentasse valor e substância àquilo que já se conhece e tão repisado tem sido. Venceu claramente esta segunda via, em parte porque os músicos, além de saberem tocar, sabem ouvir-se uns aos outros, entrar e sair na altura certa. Rob Mazurek optou e bem pelo registo ao vivo, para melhor captar o espírito e permitir a Bill Dixon e a toda a gente expor a sua visão particular no plano individual, da secção e do conjunto alargado. Nessa medida, a gravação permite o enfoque na nuance e no pormenor de cada instrumento de per si, sem descurar um lado épico moderado, outro dos aspectos que concorre para o sucesso artístico do projecto.
O disco inclui três composições, duas de Bill Dixon, Entrances/One (18’09) e Entrances/Two (18’11), e uma de Rob Mazurek, que faz a ponte entre aquelas duas, Constellations for Innerlight Projections/For Bill Dixon (24’12). Três suites em sucessivos quadros, que combinam as cores da escrita com as da livre-improvisação. De entre uma infinidade de pontos de interesse desta ambiciosa realização, destacam-se as impressionantes sequências de luz e sombra, de timbre e textura, construções que se fragmentam sob os solos de Dixon, acolitado pelas cornetas de Mazurek e de Berman, com o suporte do melhor som de Chicago. O mentor da façanha e a Thrill Jockey bem podem orgulhar-se do extraordinário resultado a que chegaram. Antes que alguém se lembre de me perguntar, aqui está a minha aposta para disco de jazz de 2008. Distribuição em Portugal: Dwitza.

 
 
Paul Flaherty & Marc Edwards, Kaivalya Vol. 2. O lendário saxofonista de New England de volta à liça com o seu saxofone cru, espesso e potente. As pessoas da free music não escolhem sê-lo; nascem assim. Porque haveria alguém de percorrer este caminho se não tivesse mesmo que o fazer? Foi por isto que eu pensei, quando andava pelos 20 anos, que era um músico free. É este o tipo de música que me faz sentir confortável. Improvisar livremente não foi uma escolha. Diz Paul Flaherty. Na bateria, companhias mais regulares têm sido as de Randall Colbourne e de Chris Corsano, sessões amplamente documentadas nas editoras Zaabway e Ecstatic Yod. Nos dois volumes de Kaivalya, o som de Flaherty é aprimorado por Marc Edwards, primus inter pares dos bateristas free, em cinco espaçosas composições espontâneas, segundo o modelo Interstellar Space, de John Coltrane e Rashied Ali. Que ainda rende, como se ouve. Nos últimos anos Edwards tem permanecido em relativa obscuridade, dedicando-se à filosofia oriental e a escrever livros. Participante em Dark to Themselves e na histórica digressão europeia do grupo de Cecil Taylor, que resultou na gravação daquele disco (1976), foi o primeiro (e o melhor) baterista dos vários que David S. Ware Quartet conheceu. Há uns anos empolgou a comunidade com Red Sprites and Blue Jets (CIMP), disco em trio com Sabir Mateen e Hilliard Greene. Kaivalya Vol. 2, gravação de Outubro de 2003, é novidade editorial na Cadence Jazz Records.

 
17.3.08
 

Anja Garbarek no Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

Anja Garbarek, voz; Håkon Kornstad, saxofone e teclas; Håvard Jacobsen, teclas; Kristian Kvalvåg, guitarra; Tor Egil Kreken, contrabaixo; Wetle Holte, bateria; Marian Lisland, voz

Sábado, 19 de Abril – 22h00

 
 

Heavenly Sweetness

Heavenly Sweetness - Vol. 1
(MP3 Podcast on ParisDJs.com)


Tracklisting :
01. The John Betsch Society - Earth Blossom
('Earth Blossom' 7 inch, 2007 / Strata East/Heavenly Sweetness)
02. Wadada Leo Smith - Love Supreme (For John Coltrane)
('Kulture Jazz' album, 1995 / ECM)
03. Doug Hammond - We People
('Real Deal' album, 2007 / Heavenly Sweetness)
04. Stanley Cowell - Travelin' Man
('Regeneration' album, 1976 / Strata East)
05. Marion Brown - Vista
('Vista' album, 1975 / Impulse)
06. Trudy Pitts - A Supreme Love
('Me, Myself and I' album, 2003 / Scorp Leo Ltd)
07. Billy Gault - The Time Of This World Is At Hand
('When Destiny Calls' compilation, 1974 / Steeplachase)
08. Hal Singer - Malcom X
('Blues and News' album, 1971 / Disques Futura et Marges)
09. Anne Wirz - Mother Of The Future
('Infini' album, 2007 / Heavenly Sweetness)


 
 

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Gyldene Trion: Daniel Fredriksson, Jonas Kullhammar e Torbjörn Zetterberg, Live at Glenn Miller Café (Ayler Records). Que trio! A rapaziada sueca bebeu ávida nos clássicos: Sonny Rollins, John Coltrane, Thelonius Monk, Charles Lloyd, Eddie "Lockjaw" Davis, Eddie Harris, Eric Dolphy... A mais recente da editora de Jan Ström.

 
16.3.08
 

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ART / LITERATURE / FILM MUSIC / THEATER / PRACTICE + THEORY

 
15.3.08
 

Jessica Sligter & Louise Dam Eckardt Jensen. The Story of Modern Farming. Duo de 'holandesas' de Amesterdão, que, não sendo voadoras, são seguramente capazes de nos por a levitar. Não falo do bom aspecto que têm, mas da música que fazem. Música “suja” e imperfeita, com que se estreiam em Someone New (D'Autres Cordes, 2007). Sligter, a única holandesa, canta, tecla, flauta e guitarra; Jensen, dinamarquesa a viver em Amesterdão, saxofona alto e muito bem, além de xilofonar a preceito. Ambas improvisam sobre textos e formas que combinam entre si. Como uma espécie de Young Marble Giants da música improvisada moderna, que em vez de pilhar nos vários géneros que visita, opta por passar um brilho sobre as superfícies baças ou gastas de tanto serem tocadas. Sem perder o intimismo onírico que lhe subjaz, este duo de bruxinhas consegue enfeitiçar e fazer um disco fora de série, com as suas harmonias vocais amarrotadas. Bonito e etéreo. Apetece voltar sempre a Someone New. Outra vez.

 
 

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¡¡¡Bienvenidos a ORO MOLIDO!!!

La primera entrega del año 2008 la iniciamos aquí con suculentos contenidos y nuevas y destacadas colaboraciones. Empezamos con una entrevista exclusiva realizada en Lisboa por nuestro colaborador Nuno Catarino al contrabajista norteamericano William Parker, siguiendo con un repaso a sus discos y en varios de sus proyectos.
Para el capítulo de Escenarios aportamos: una crónica en clave literaria de la visita de Ornette Coleman a Lisboa realizada por nuestro colaborador Antoine Martín; la actuación en Buenos Aires (Argentina) de Keith Rowe, Toshimaru Nakamura y Lucio Capece, y el madrileño Festival Internacional de Improvisación Hurta Cordel. También una entrevista a Keith Rowe realizada en Austin.Texas por Josh Rosen acerca de su manera de enfocar la electrónica en la improvisación y procedimientos realizados en la elaboración de algunos de sus álbumes más representativos. Aprovechamos para hacer las reseñas de diferentes discos de una carrera musical marcada por las artes plásticas.
Nos quedó pendiente para este número una segunda y última parte de Psi Recordings dentro del capítulo destinado al dossier del sello discográfico: aquí tienes los comentarios de algunas de las últimas ediciones publicadas.
El cierre hace escasas fechas de The Rose Club en Londres dejó a la comunidad de improvisadores, no sólo local sino internacional, privada de una de las mejores oportunidades para el desarrollo de esta música en directo. Sus ciclos, ensayos y conciertos han tenido que buscar otro lugar o.... desaparecer, después de más de veinte años de actividad. Con este motivo pedimos un texto para ¿No te jode? a uno de los músicos más importantes del Reino Unido y co-promotor de uno de los ciclos con más relevancia y duración en dicho local. En su respuesta, el guitarrista John Russell nos detalla en exclusiva su paso por The Red Rose, la historia del lugar y sus planes para Mopomoso.
Agradecemos, como siempre, las colaboraciones de los ya citados, igualmente a los demás participantes en este número: Eduardo Chagas, Rui Eduardo Paes, Rubén Gutiérrez del Castillo, Jesús Moreno, José Francisco Tapiz. Damos la bienvenida por su incorporación a partir de este número de ORO MOLIDO al vocalista improvisador y crítico en revistas especializadas Jean Michel von Schouwburg, y al editor Tobias Fisher, quien retoma nuestro capítulo de Libros y Revistas. Cerramos el número con Flores....y Coronas e intercalamos numerosas citas recomendadas. Se encuentran dispersas entre las páginas del fanzine. Saborea la diferencia.....

Chema Chacón, Marzo de 2008.

 
 

Esta semana houve saídas de John Zorn, Masada, Teiji Ito, Cyro Baptista e Oren Ambarchi. Na Tzadik. Novidades e reposições também as houve da japonesa Doubt Music, da Foghorn, Erstwhile e muitas outras. Tudo desfiado e apresentado na mais recente newsletter da Dowtown Music Gallery.

 
14.3.08
 

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VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
Galeria ZdB, Lisboa, 22.03.2008, 23h00

 
 

Reposição do Frode Gjerstad Trio: Mothers & Fathers & (Circulasione Totale Records, 2006) Gjerstad, saxofone alto e clarinete, com o contrabaixista Øyving Storesund e o baterista Paal Nilssen-Love.

 
 

No Jazz on 3, The Missing Bits: vários sets diferentes esta semana, com Steve Williamson e Pat Thomas em dueto no London Jazz Festival; depois, o trio de William Parker, Cecil Taylor e Anthony Braxton; o Charles Gayle Trio, com William Parker e Mark Sanders; e o quarteto de Rudresh Mahanthappa, com Vijay Iyer, François Moutin e Dan Weiss. Às 11h30 pm.

 
 

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Há anos que o contrabaixo namora a electrónica. Praticantes felizes tem havido uns quantos, daqueles que têm procurado novas formas de relacionamento entre fontes e materiais sonoros, de modo a potenciar o papel do contrabaixo num contexto electroacústico mais alargado, um campo aberto à improvisação experimental e à consolidação do que de novo se tem vindo a adquirir a partir das várias componentes em que se declinam as relações entre contrabaixo, software e hardware, com resultados diferentes em razão das diversas concepções, processos e intenções de cada improvisador. Estou-me a lembrar de músicos como Mark Dresser, Barry Guy ou Lisle Ellis (excelente entrevista no número último da Cadence Magazine (Jan/Fev/Mar 2008), importante para se perceber estas relações, além do seu posicionamento nos últimos 30 anos, no Canadá natal e nas costas Oeste e Este dos EUA). Ao nível dos processos e das ligações que procura estabelecer, Lisle Ellis, por exemplo, criou um sistema inspirado no sistema nervoso do corpo humano, que procura mimetizar as passagens de sinais e impulsos químicos e eléctricos entre os neurónios. O mesmo tipo de relação que se passa entre corpo e mente despertou a curiosidade criativa de outro grande contrabaixista da actualidade. Falo do francês Bruno Chevillon, também ele interessado em investigar as relações entre o contrabaixo e os circuitos electrónicos. Assumidamente virado para os aspectos experimentais daquele cruzamento, Chevillon editou em 2007 o seu primeiro disco a solo, Hors-Champ, na editora D'Autres Cordes. A produção é de Franck Vigroux, que também colabora com os dois textos que a artista alemã Antye Greie-Fuchs (AGF) diz, de modo sussurrante, nas peças Dans Sa Tete Abaissee e Germania. Todos os 11 temas são pintados com texturas escuras e rugosas, que formam um magma sonoro complexo, matéria-prima que o contrabaixista trabalha e manipula. Entre o electro-noise e o near silence, Bruno Chevillon trabalha as suas esculturas num espectro sonoro extremamente amplo e singular, feito de matizes electrónicos e alongamentos acústicos. Nessa medida, o disco, obra de sensibilidade e inteligência, é um contributo relevante tanto para a história, como para o presente e para o futuro da música improvisada electroacústica, questiona o que já foi feito, instaura avanços estéticos e fixa um novo patamar a partir do qual outras relações e experiências acústicas se poderão entabular.

 
12.3.08
 

AUM045ROY CAMPBELL Ensemble....Akhenaten Suite
AUM044ROB BROWN Ensemble....Crown Trunk Root Funk

Dois discos a considerar. Um nasceu no Vision Festival e resultou de uma encomenda. The Akhenaten Suite, inspirado na vida do faraó que foi pai de Tutankamon, é uma das três encomendas que o Arts for Arts Inc. estreou na edição do ano passado, pelo Roy Campbell Ensemble. Haverá mais duas edições este ano, uma de William Parker e uma terceira de Bill Dixon, o homenageado do VF/2007. O outro disco nasceu por causa do Vision Festival. Rob Brown tinha apresentado a formação ao vivo em 2006, e depois foi para estúdio gravar a peça. Tal como The Akhenaten Suite, Crown Trunk Root Funk foi editado ontem, 11 de Março, pela AUM Fidelity, editora de Steven Joerg. Roy Campbell Ensemble: Roy Campbell, Billy Bang, Bryan Carrott, Hilliard Greene e Zen Matsuura. Rob Brown Ensemble: Rob Brown, Craig Taborn, William Parker e Gerald Cleaver.

 
 

Jorge Luís Borges na FCSH da Universidade de Lisboa

 
11.3.08
 

In Memoriam Oleksandr Nesterov
Nexsound

 
 
A mais recente edição da netlabel con-v, EA - balancing act with controlled dynamics: take two (CNV47), peça escrita por Gil Sansón e executada por EA, cinco artistas da electrónica digital: André Gonçalves (laptop); Andy Graydon (laptop); Ben Owen (laptop, objectos); Gill Arno (laptop, objectos, rádio fm); e Richard Garet (laptop). Gravado a 10 de Dez. de 2006, em Brooklyn, NYC.

 
 

A sueca Ayler Records, editora independente, pioneira dos discos digitais, acaba de anunciar a edição da sua primeira Digital Box. A partir deste primeiro volume seguir-se-ão novas caixas digitais, uma por artista, que poderão ser actualizadas à medida que a Ayler for lançando novos materiais. A sequência inicia-se com o guitarrista e artista plástico nova-iorquino Jeffrey Hayden Shurdut, cuja Digital Box está pronta, incluindo o liner book em formato A4, para download. O segundo artista a ver o seu trabalho editado via Digital Box (em preparação) é o saxofonista canadiano François Carrier. Congrats, Jan Ström!

 
 

Depois de em anteriores aparições ter apresentado ligeiras mudanças quanto à composição original em quinteto, ao segundo disco parece que o grupo Push the Triangle estabilizou de vez em formação triangular, com Stéphane Payen (saxofone alto), Franck Vigroux (guitarra eléctrica e gira-discos) e Michel Blanc (bateria). Vigroux, que acumula os pratos, as seis cordas ululantes e a curadoria da editora D'Autres Cordes, é responsável pelo som aberto e esteticamente arriscado de Repush Machina (DC #091, 2007). Com uma saudável de atitude jazz-core, o power trio francês vem equipado com um motor potente (o baterista Michel Blanc não deixa ninguém ficar para trás), carbura em alto rendimento utilizando uma mistura elaborada a partir das matrizes avant‑rock e free jazz moderno, tocada com o volume em cima e sempre a abrir. Com uma energia criativa comum a outros trios europeus, não é por acaso que o saxofone alto de Stéphane Payen recorda os nórdicos The Thing e os italianos Zu, e também, do outro lado do Atlântico, os agora extintos The Flying Luttenbachers. À semelhança de todos eles, o Push the Triangle é igualmente turbulento, sacoleja por montes e vales, persegue o objectivo sem desistir. Música improvisada criativa francesa feita com adrenalina, que transmite uma inebriante sensação de velocidade, vertigem alucinatória com o prego a fundo. A experiência resulta e é plenamente satisfatória.

 
 

 
10.3.08
 

We're touring Poland next week, and when we return,
we'll be bringing back copies of our new CD,
The Gift of Discernment, released on
the Polish jazz label, NotTwo Records

- Dennis González -

Recorded in Mesquite, Texas, December 2006
Dennis González - trumpets, percussion / Alvin Fielder - drums, percussion
Leena Conquest - vocals / Chris Parker - piano / Aaron González - bass, perc.
Stefan González - drums, percussion / Robbie Mercado - percussion

 
 

Jean-Luc Guionnet, sax alto e órgão de igreja
Toshimaru Nakamura, no input mixing board
(Potlatch, 2008)


 
 

O Programa de Residências Artísticas de Nodar para 2008 está definido e irá desenvolver-se ao longo do ano em quatro módulos, entre Março e Outubro, que contarão com a presença de 15 artistas de origens geográficas e áreas artísticas diversas, os quais desenvolverão os projectos que previamente submeteram ao comité de apreciação (formado por membros das entidades que co-produzem as residências, Binaural e Associação Cultural de Nodar e pela teórica de artes performativas sérvia Bojana Bauer).
É possível destacar, de entre os artistas que estarão presentes em Nodar ao longo de 2008, um núcleo muito significativo (7) que desenvolverão trabalhos ligados ao património sonoro local, evidenciando a importância do mundo acústico riquíssimo (tanto natural como humano) que rodeia Nodar e, alguns deles, relacionando a percepção do som com aspectos ecológicos. A título de exemplo, a artista sonora inglesa Viv Corringham propõe a realização de “percursos sonoros”, em que habitantes locais conduzirão Viv pelas suas rotas pedestres favoritas e memórias pessoais dos espaços percorridos se entrecruzarão com registos sonoros da paisagem e com a recriação vocal dos mesmos pela artista.
Em paralelo, foi dada ênfase a projectos que questionem e problematizem a realidade social local, através de uma reflexão artística em conjunto com as comunidades locais sobre os processos de mudança a que aldeias serranas como Nodar estão sujeitos e/ou sobre cenários hipotéticos futuros para a região. Estamos em crer que, em paralelo com um esforço de defesa e documentação da tradição e da herança sócio-cultural local é de extrema importância provocar a discussão livre e descomprometida (como é, por definição, a abordagem artística) sobre a realidade e sobre os aspectos de tensão que esta encerra. Neste âmbito, inserem-se os trabalhos propostos pelos artistas Francisco Janes, Christine Niehoff e Cédric Anglaret.
Por último, de referir que em cada residência artística serão desenvolvidas actividades paralelas com as jovens das aldeias vizinhas (em colaboração com as respectivas escolas) e será feita uma apresentação ao público dos trabalhos artísticos a ocorrer no último dia de cada residência.

 
9.3.08
 
Mestre das técnicas avançadas do clarinete baixo, o belga Jacques Foschia tem feito parte do caminho a tocar a solo, noutra parte a trocar experiências com improvisadores das Ilhas Britânicas, de que é exemplo a colaboração regular que tem vindo a manter com a London Improvisers Orchestra (The Hearing Continues, Freedom of the City 2001 & 2002; Responses, Reproduction & Reality; Freedom of the City 2005, publicados todos na britânica Emanem), enquanto organismo colectivamente considerado ou em segmentos de menor escala. Foschia, que toca todos os clarinetes, utiliza aqui os elementos baixo e alto da família – e, neste caso, evoca o trabalho do francês Denis Colin (Clarinette Basse Seul, In Situ, 1990), embora menos incisivo e idiomático que dois outros grandes clarinetistas europeus, o suíço Hans Koch e o alemão Rudi Mahall – quando não está envolvido em projectos de rádio-arte experimental, actividade a que meteu mãos para produzir peças sonoras através de receptores de ondas curtas, mantém o hábito saudável de cruzar o Canal da Mancha, já que Bruxelas e Londres ficam a um pulinho. Para este disco a solo, duplo CD editado pela Creative Sources Recordings (CS #108), Jacques Foschia optou por considerar duas partes distintas: uma primeira, gravada em estúdio em Bruxelas, em 2006, que o músico dedicou a sua mãe, entretanto falecida; e uma segunda (disco 2), que mostra outra faceta do improvisador a solo, em vigorosos solilóquios registados diante de audiências em dois momentos diferentes, um em Bruxelas e outro em Londres, em 2007. Claire Obscure (a técnica da pintura a que o título alude tem aqui inteiro cabimento) exprime a relação dialéctica que atravessa por todo o disco, os contrastes de luz, sombra e penumbra; tensão e distensão. A música dá-nos a percepção das peças físicas que compõem o clarinete baixo, aerofone da família dos clarinetes, também conhecido como clarone, a que o instrumentista aplica toda a sorte de técnicas, das mais canónicas às mais heterodoxas. Foschia transmite-nos não apenas o som do instrumento nas suas regulares e extremas possibilidades acústicas, mas também as propriedades físicas daquele corpo, peso, forma e dimensão. Através do som rugoso do clarinete baixo é-nos visualmente sugerido o percurso e o tratamento do sopro no interior do instrumento, consegue-se perceber uma determinada quantidade de ar num dado momento a vibrar, a passar pela coluna e a sair pela campânula até se distribuir e projectar insidiosamente na panorâmica. Tudo se organiza em linhas rápidas verticais cruzam planos horizontais em contraponto, sobriedade de movimentos, lentos e espaçados, montagem instantânea que adquire suplementar qualidade dramática graças a uma sábia gestão do silêncio, que sublinha e antecipa. Frases curtas, melodias breves, sons esparsos, micro ligações entre segmentos que se acoplam naturalmente, como uma rede de capilares alimentada por uma imaginação rica, capaz de engendrar soluções instantâneas muito para além do que seria óbvio. Improváveis e inesperadas cartas que, como por magia, surgem das mangas do seu fato de clarinetista. Produção de Ernesto Rodrigues. Design gráfico (excelente, como sempre) de Carlos Santos.

 
8.3.08
 

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Improvised Music From Japan, Vol. 3

 
 
ERNESTO RODRIGUES'S NEW THING TENTET
ernesto_rodrigues violino
guilherme_rodrigues violoncelo
jean_marc_charmier trompete
eduardo_lála trombone
alípio_carvalho_neto saxofones
gil_gonçalves tuba
rodrigo_pinheiro piano
miguel_mira baixo acústico
monsieur_trinité percussão
luís_desirat bateria
with special guest
eduardo_chagas trombone
Sábado, 8 de Março, 23h00
Fábrica Braço de Prata, Lisboa


 
7.3.08
 

Rafael Toral. Space Studies, no MaerzMusik 2008, a 15 de Março, com Francisco López, Absolute Music 0308. Seguem-se as Performances électroacoustiques no âmbito do ciclo L'Orgue - De la liturgie à l'électro, em duas partes, com Charlemagne Palestine, a decorrer na Cité de la Musique. Paris, 21 de Março.

 
 

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Jonathan Van Matre

 
 

Diamanda Galás na capa e no interior da primaveril edição da STN. Curioso contraste, este da Primavera com a Spooky Di... . E também escritos sobre The New Noise Underground, Baby Dee, Music Witness, Radio Massacre International, Slow Six, Paul Metzger, Thrill Jockey 15th Anniversary in Chicago, Deluge of the Fury in NYC; Elliott Carter's What Next in NYC; Umbrella Festival in Chicago; Monterey Jazz Festival 50th Anniversary Tour in LA; Art Ensemble of Chicago in LA; Tinariwen in Boston; e Atlas Sound. Ampla cobertura, crítica de CDs e DVDs e tudo o mais que se relaciona com a música improvisada e experimental de produção independente. Signal to Noise # Spring 2008.

 
 

O recente lançamento do artista sonoro e visual Christopher P. McDill – aka Saluki Regicide, Djinnestan, Akashic Crow's Nest, Rolling Calf Sinfonette, Rowboat Magicians... e Tree Helicopter – na Webbed Hand Records, Blatant Beast, retoma o curso do abstract noise que já vinha a sulcar desde Moon Calf e de Rain 1, duas das perto de 100 edições da netlabel norte-americana, obra discreta dos irmãos Chris e Dan McDill. Que assim definem o trabalho a que se devotam: Webbed Hand Records is an independent netlabel with a focus on strange works of audio art that defy tidy categories. With an expanding catalog of unique recordings and a fascinating roster of visionary sound artists, we're the label to visit for sound in the service of enchantment.

 
6.3.08
 

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Ouvido a correr e numa única passagem, a ideia com que se fica de Babylon, disco do quinteto Harmonize Most High, é a de que estamos perante outro disco (mais um) cujo mérito principal será talvez o de engrossar o caldo do neo-psicadelismo corrente e seus derivados. Mas se o meu sangue não me engana como engana a fantasia (já cantava Amália), à segunda oportunidade, eis que a música do Harmonize Most High começa a ganhar definição, densidade e vida própria. Que coisa é esta de Harmonize Most High? É um colectivo de músicos de New Jersey e Nova Iorque, liderado pelo multi-instrumentista Daniel Carter, membro dos colectivos TEST e Other Dimensions in Music (saxofones alto e tenor, trompete e flauta), com Robert Ryan (guitarras eléctrica e acústica, cítara, saz, bouzouki, harmonium, órgão, tamboura e voz, também autor da capa e grafismo do disco), Michael Lucio Sternbach (saxofone alto, guitarra e bouzouk), Jon Francis (dulcimer, viola e banjo) e Tim Keiper (bateria percussão). E uma série de convidados especiais para abrilhantar o baile. O disco de estreia do Harmonize Most High é trabalho que se inscreve num tipo de composição e de performance que parte da improvisação próxima do free jazz e se orienta em diversas direcções, como a tradição folk americana (a onda revivalista recente induz em erro na audição superficial e apressada), a música oriental, perpassada por tonalidades psicadélicas, tudo misturado sem que se assinalem fronteiras entre os diversas linguagens musicais. Ao mesmo tempo que conjura fantasmas de um imaginário remoto, presente nos motivos e desenhos harmónicos tomados de empréstimo às ragas indianas, aplica alguns sinais vitais da contemporaneidade urbana e rural, fazendo-os caminhar juntos, lado a lado, numa mesma vibração comum. Durante uma hora e ao longo dos sete temas com títulos de ressonância bíblica (Livro da Revelação), nomeados segundo as sete montanhas da Babilónia – Acra, Goath, Gareb, Bezetha, Moriah, Ophel e Zion – os músicos apresentam um trabalho sólido e bem estruturado. Longe de procurarem legitimação em quaisquer correntes estéticas avulso, optam por sintetizar e assimilar com sucesso a mistura homogénea de elementos oriundos de diversos quadrantes musicais, que passam a integrar uma única corrente. Gravado ao vivo na Church of the Hidden Flame, em Asbury Park, New Jersey, EUA. Editado pela portuguesa Ruby Red Editora.

 
 

Com o objectivo primeiro de defesa da diversidade linguística, a UNESCO decidiu, em 1999, proclamar o dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia. O Plano Nacional de Leitura (Ministérios da Educação e Assuntos Parlamentares) e o Centro Cultural de Belém (Ministério da Cultura) associaram-se para assinalar a data, no ano de 2008. Excepcionalmente, e porque este ano, o dia 21 de Março é Sexta-feira Santa, vamos comemorar o DIA MUNDIAL DA POESIA no Sábado, dia 22 de Março. O programa, que se estenderá das 12h00 às 20h30, ocupando todo o piso térreo do Centro de Reuniões, inclui uma feira do livro de poesia, conferências, audição de DVD’s de poetas, uma exposição de poesia visual e culminará com um espectáculo no Grande Auditório. A entrada é livre.

 
5.3.08
 

Gravado em 2000 na Hothouse de Chicago, sai a 18 de Março p. f. na editora Katalyst Entertainment. Ooh Live!, do Kahil El'Zabar's Ritual Trio, com Pharoah Sanders. Sanders e Ari Brown naquele que deve ser um empolgante mano-a-mano de tenoristas séniores, apoiados pelo então Art Ensemble of Chicago, Malachi Favors, em contrabaixo, e por Kahil El'Zabar, percussão. Quatro temas: 1. Autumn Leaves; 2. In The Land Of Ooh!; 3. This Little Light Of Mine; 4. Ka's Blues.

 
 

WAXPOETICS # 27 - Fevereiro-Março ... Build An Ark, Funky Cuba, Hot 8 Brass Band, Mighty Hannibal, Eddie Harris, Newcleus, Derf Reklaw, Chuck Brown, SOUL, and Camp Lo ...

 
4.3.08
 

Integrado no Festival MAERZMUSIK, que decorrerá em vários espaços de Berlim, o projecto CIRCUITS apresenta obras de 4 compositores Portugueses, das quais uma delas, Horizon, encomenda da Miso Music Portugal ao compositor Carlos Caires, será apresentada em estreia absoluta. Será também lançado em primeira mão o DVD da ópera multimedia Itinerário do Sal no dia 11 de Março depois da apresentação da ópera no referido Festival. O lançamento do DVD em Portugal será no dia 28 de Março às 21h no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, no âmbito das duas apresentações de Itinerário do Sal no CCB, a 28 e 29.
O projecto CIRCUITS LINKING PORTUGUESE MUSIC TO THE WORLD, promovido pela Miso Music Portugal desde 2005 e que conta com o apoio do British Council e do Instituto Camões para a apresentação em Berlim, visa colmatar uma lacuna histórica no que respeita à internacionalização da criação musical contemporânea Portuguesa, propondo-se divulgar e promover a obra de compositores portugueses por vários países europeus.

 
 

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Othello, W. Shakespeare. Rastilho – Associação Cultural
(Foto: Dora Domingos)

Nasci em 82
, do século passado. "Despertei" - é sempre risível esta forma de abordar a coisa - efectivamente para as artes ditas plásticas quando aos 14 anos comecei a frequentar um atelier de Desenho e Pintura na Casa da Cultura de Beja. Foi lá que nasci. Entretanto, posso dizer que exponho colectivamente no domínio das Artes Plásticas desde 1998. Quanto à fotografia, comecei a fotografar sem ser tanto na brincadeira em 2002, ano esse em que igualmente ingressei na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, para tirar o curso de Pintura, e onde ainda actualmente me encontro a estudar apesar das interrupções: entre 2005 e 2007 tirei um curso profissional de Canto. Trabalho igualmente, mas num daqueles trabalhos que não se podem ter em conta enquanto parte integrante daquilo que é e será a minha profissão, que muito pouco tem de estimulante tendo em conta os projectos que pretendo realizar. Daí o recurso aos amigos encenadores e músicos e à gente que me despertar interesse que esteja disposta a receber o meu trabalho e a contribuir para o meu portfolio, portfolio esse e experiência que me darão muito jeito na tentativa de fazer de fazer de mim profissional autónoma, capaz de gerir o seu tempo e os seus interesses com maior liberdade. Ah, uma coisa que ainda não disse, todos estes caminhos irão um dia dar ao cinema.

 
 

Band photo

Musique Machine

 
 

Dennis González Yells At Eels
featuring Rodrigo Amado


Late Winter Polish Tour 2008

Dennis González - trumpet, cornet, voice
Rodrigo Amado - tenor saxophone
Aaron González - contrabass
Stefan González - drums

-7.03: Warsaw, CSW Club, Museum of Modern Arts
-8.03: Poznan, Estrada Poznanka
-9.03: Bydgoszcz, Club MOZG (live recording)
-10.03: Gdynia, Club POKLAD (live recording)
-11.03: Olsztyn, Club BOHEMA
-12.03: Krakow
-14.03/15.03: Warsaw, Club AKWARIUM

 
 

Ponto alto da edição 16 do Point of Departure, é o texto do violinista Jon Rose: Listening to history: some proposals for reclaiming the practice of music.The 2007 Peggy Glanville-Hicks Address. E este mês temos John Butcher, Vijay Iyer e Giancarlo Schiaffini, no What’s New?. Ao questionário Travellin' Light responde o pianista Michael Jefry Stevens. Há que contar ainda com as habituais colunas de Stuart Broomer, Art Lange, Francesco Martinelli, Brian Morton, Bill Shoemaker e, a partir de agora, de Ed Hazell. E as críticas de discos: Peter Brötzmann's Chicago Tentet, David Buchbinder, Roy Campbell, Bill Dixon com a Exploding Star Orchestra, Lisle Ellis, Earl Howard, Jason Kao Hwang's Edge, Charles Lloyd, Larry Ochs + Rova, Pauline Oliveros + Miya Masaoka, Enrico Rava + Stefano Bollani, Matana Roberts, Horace Silver, entre outros.

 
2.3.08
 

Cornelius Cardew (1936-1981), compositor britânico do Séc. XX, exerceu profunda influência no desenvolvimento da composição experimental da música improvisada europeia e da performance. Entre 1958 e 1960 foi assistente de Karlheinz Stockhausen em Colónia, no Electronic Music Studio. Em 1965 estudou com Goffredo Petrassi. Fundou a Scratch Orchestra com Howard Skempton e Michael Parsons. Fez parte do Peoples Liberation Music, com Laurie Scott Baker, John Marcangelo, Vicky Silva, Hugh Shrapnel, Keith Rowe e outros. Escreveu textos de análise estética e musical e um manifesto sob a forma de livro em que criticou o seu trabalho, o de Cage e o de Stockhausen, o famoso Stockhausen Serves Imperialism, decepcionado com o caminho que a música contemporânea estava a tomar, e numa perspectiva obviamente marxista. Enquanto improvisador em piano e violoncelo, a partir de 1966 e até 1973, fez parte do trio AMM, tendo participado logo no primeiro disco do grupo de Lou Gare, Eddie Prévost e Keith Rowe, AMM Music (ReR Megacorp, 1966), seguindo-se The Crypt, em 1968 (Matchless Recordings). Morreu em 1981, em Londres, vítima de atropelamento e fuga. Em 1985, amigos e colegas organizaram um concerto em sua memória, evento que deu origem a um duplo LP editado em 1985 pela Impetus Records: Cornelius Cardew Memorial Concert. Na Ubu Web (right click + save as). Onde também se pode encontrar o documentário que a BBC realizou sobre Cornelius Cardew.

AMMMusic

AMM Music

 
 

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Africa/Brass ao Sol

 
 

Uma curiosidade: da turca Anatólia chegam ondas de groove psicadélico e rock progressivo, muito popular na Turquia das décadas de 60 e 70. A Rare Frequency está a disponibilizar um podcast em duas partes, alusivo ao psych-rock daquele tempo. Música de Erkin Koray, a estrela número um deste firmamento, mas também de Mogollar, 3-Hurel, Edip Akbayram, Bulent Ortacsil, Mazhar & Fuat, Ozemir Erdogan, e de Selda, a cantora. Uma dança do ventre das mil e uma noites. Giro à brava.
Rare Frequency Podcast: Turkish Psych Part I
Rare Frequency Podcast: Turkish Psych Part II

 
 

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Inde Du Sud, Temple de Chidambaram - Periya Melam

Recordings from 2000-2001 and affiliated to the temple of Chidambaram (dedicated to Shiva but also to Vishnu), the ritual music ensemble Periya Mêlam sounds vibrant and penetrating with its nagasvaram oboes, tavil drums and talam castanets, the voice of the gods.

 
1.3.08
 

Monkey-Pockie-Boo está longe de pertencer à melhor safra de Sonny Sharrock, que se há-de buscar em Black Woman e em Ask the Ages, com uma volta pelo extenso trabalho com o grupo Last Exit. É um facto inelutável que Linda Sharrock enche demasiado a panorâmica. Teria sido linda, isso sim, se tivesse moderado um pouco o gorjeio e dado passagem ao marido, que, cavalheiro, a deixou completamente à solta para endoidar à vontade. E se ela se destemperou… Depois – segundo problema – a secção rítmica também não ajuda a tornar negligenciável o factor Linda, mortinha para se atravessar no caminho de toda a gente. E não houve quem a tivesse calado ou dado uma revista para ler ou ver os bonecos. Os franceses Beb Guérin, contrabaixo, e Jacques Thollot, bateria, também não estão em dia sim, patinam um bocado, sem saber bem para onde ir, cada um à espera que seja o outro a desatar o nó em que se enrodilharam. Entretanto, a meio da viagem, o barco adorna perigosamente e só não vai ao fundo porque Sonny, no pouco que mostra daquilo que fez dele o príncipe negro da guitarra eléctrica free, segura uma ponta daqui, outra dali, e a nave lá segue torcida e a meter água até ao porto mais próximo. Sendo assim, terá valido a pena? Sim, pela terceira daquelas razões. Sonny Sharrock não salva totalmente esta curta sessão – 27th Day (16:55); Soon (8:00); Monkey-Pockie-Boo (8:55) – mas a sua arte de tocar guitarra, embora obnubilada (também se perde a tocar slide whistle, espécie de apito com vara, que não lembraria a ninguém trazer para aqui), espreita de quando em vez, e então é como aqueles dias escuros em que o sol por momentos aparece por entre as nuvens para nos aliviar o peso do spleen. Recomendável? Sim, a quem já conheça e goste de Sonny Sharrock, ou como exemplo típico de sessão BYG Actuel de finais de 60, princípios de 70, com muita freakalhada à mistura, numa onda de peace and love e vale tudo. Um passo em falso? Não tanto, porque pesem embora as excrescências, há aqui matéria musical com interesse, embora sem comparação com outras obras de Warren Harding Sharrock. Para principiantes, talvez a reedição em CD de Monkey-Pockie-Boo (BYG Actuel/Affinity, 1970; Sunspots/Abraxas, 2002) seja de evitar, pois é bem provável que lhes faça apetecer pôr-se a milhas e nunca mais quererem sequer ouvir falar de Sonny Sharrock, ou começar a fazer corruptelas com o apelido do senhor, o que é de evitar, quanto mais não seja por respeito aos grandes artistas mortos. Se pudesse, ficava só com o som das partes de guitarra e o resto dava ao gato.

 
 

Myra Melford no Jazz on 3! A pianista presta homenagem ao seu mentor, o violinista Leroy Jenkins (1932-2007). O concerto foi gravado ao vivo a 22 de Junho, na edição de 2007 do Vision Festival, em Nova Iorque. Com Myra Melford tocam Brandon Ross, guitarra, Charles Burnham, violino, e Mark Taylor, trompa.

 
 

ALL ABOUT JAZZ - NEW YORK - # March 2008

On the Cover: ERIC DOLPHY
Interview: DICK HYMAN
Artist Feature: JOELLE LEANDRE
Label Spotlight: SONGLINES
Club Profile: ZINC BAR
Encore: FRANCOIS RABBATH
Lest We Forget: BIG JOE TURNER
Megaphone: CHRISTIAN HOWES
CD Reviews
And plenty more!



 
 

A 4 de Março sai o novo disco dos Spring Heel Jack, Songs and Themes. Ashley Wales and John Coxon have created a distinctive and visionary new release that crosses the borders of jazz, ambient, and electronic music. Recorded at Abbey Road Studios, and using a stellar group of musicians, they have emerged with a thought provoking arrangement of textures and atmospheres guaranteed to transport the listener into realms that have never been heard. - Thisty Ear. Blue Series

 
 

TrianguliZona - Flossy [Test Tube # 113]

Abaixo da agitação gerada pelo hype dos media, em zonas de maior profundidade habita uma imensidão de organismos vivos, que, discretos, vão fazendo o seu caminho à procura da oportunidade de nos estimular e prender a atenção. É o caso do colectivo croata TrianguliZona. Ivan Kapec, guitarra eléctrica, electrónica; Andrej Jakuš, trompete, flugelhorn e electrónica; Janko Novoselić, bateria; e Vlado Končar, instalação vídeo, trabalham há anos na confluência de várias linguagens da música moderna, realidade compósita que, apontando em várias direcções ao mesmo tempo, não reconhece fronteiras entre géneros. Do electro-jazz com referências distantes em Miles Davis de 70, ao experimentalismo de cariz ambiental, e ao minimalismo inspirado em Steve Reich, com passagem pelo dub apoiado por técnicas de loop, em ambiente de improvisação livre, várias são os sinais particulares que reconhecíveis na música do TrianguliZona. Daqui resulta um som homogéneo, com características experimentais, de composição instantânea, como resultado da interacção som-imagem, em que o audiovisual adquire um lugar especial nas actuações ao vivo. Globalmente, a impressão dominante é a do jazz de fusão assente em guitarra eléctrica progressiva, trompete com pedaleira e efeitos electrónicos, e groove, balanceados com criatividade e bom gosto. Melódico e hipnotizante, delicado e subtil, o som do Triangulizona tem potencial para servir de banda sonora àquela viagem estrada fora. Mais tarde ou mais cedo, agarra-nos.

 
 


o lugar das palavras
[Edward Hopper, Sun in an Empty Room, 1963]

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

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