A Mountain is a Mamal, saída recente do duo ad-hoc de percussionistas formado por Marcos Fernandes, músico de origem japonesa, residente em San Diego, Costa Oeste dos EUA, e Mike Pride, de Nova Iorque, Costa Este. Pride & joy devem ter tido os músicos, enquanto estruturavam as ideias, as punham em prática no Funhole Studio, de Brooklyn, NY, e ouviam o resultado final, este que a californiana Accretions Records publicou. O que mais impressiona no disco é a invulgar musicalidade da dupla, de tal maneira que os temas, variando entre os 6 e picos e os 28 minutos, se estruturam como canções criadas apenas com instrumentos de percussão. A que se acrescentam pontualmente os temperos da voz e da electrónica, menos como ferramentas aglutinadora de sinais sonoros dispersos, que como aditivos texturais instigadores de novas combinações e sequências sonoras. Estas, ora são apresentadas como diálogos, ora como duelos de percussão e noise electrónico. Sons microscópicos de floresta tropical convivem amigavelmente com o ruído de fundo de uma grande cidade. A Mountain is a Mamal resulta bem.
Gosto do som desta rapaziada. Já o tinha escrito algures por aqui ainda não faz muito, muito tempo. DOPO. O Doping (actividade de ouvir os DOPO) nunca fez mal a ninguém, nem leva gente ao controlo. Ouvir o recente For the Entrance of the Sun (tube 063), na excelente netlabel portuguesa Test Tube (abraço ao Pedro Leitão) é conhecer uma faceta diferente da dada a ouvir anteriormente, ainda que dentro do mesmo ambiente de psicadelismo xamânico primitivista. Impro-rock, diria, para facilitar quem gosta da expressão curta.Entretanto, os DOPO, os LODO e Stolen Images Inc., vão estar juntos na ZDB a 2 de Março para um concerto em três partes. No dia seguinte, a 3 de Março, os DOPO actuam em Aveiro, no Mercado Negro.

BORBETOMAGUS
Don Dietrich, saxofone; Jim Sauter, saxofone; Donald Miller, guitarra + Ravi Binning, harmónio e electrónica - na International House, em Filadélfia, a 4 de Março p.f.. Não se espera nada menos que extremos – o paroxismo. As estéticas do free jazz e do noise vão bem de braço dado.
The words loud and aggressive only begin to scratch the surface of this proto-punk free jazz band; Borbetomagus sets forth a sonic squall that obliterates and has been described as "a huge, overpowering, take-no-prisoners mass of sound." While participants on the downtown New York free improv scene have long thrived on chaos and extremes in volume and timbre, none of them got there before this upstate New York ensemble. Borbetomagus has been pursuing their noisy muse since the late 1970s. They have collaborated with Sonic Youth's Thurston Moore, Tristan Honsinger, Peter Kowald and others, and have been influential on many American free jazz and noise musicians.


Joe McPhee (The Trio X Factor) é chamado à capa deste número da AAJ-NY, quando passam 40 anos sobre a sua estreia ao lado de Clifford Thornton no histórico Freedom & Unity, com o New Art Ensemble (1967). Segundo reza a história, Freedom & Unity foi gravado no dia que se seguiu à morte de John Coltrane. No n.º 59, trabalhos sobre Steve Kuhn, Uri Caine, a editora Half Note Records, Bennie Maupin, o pianista Francy Boland, desaparecido em 2005, e carradas de críticas e recensões. All About Jazz New York, Março de 2007.
Meet the voice & performance artist Miwa Momo Hojo and her colleague, the media & sound artist Yuichi Nagao from Tokyo, Japan. The combination of their works is a tidal wave of dense, digital recordings, loaded with compact melodic structures, shifting voice patterns & fuzzy electronic noise. Some of these songs are meandering from improvised acoustic basics to richly layered compositions, some have an almost romantic quality, taking the listener from from gasping emptiness to scratchy indeterminacy. The music by Miwa Momo Hojo & Yuichi Nagao is a breathtaking update to the idea of digital songwriting. Miwa Momo Hojo, born in 1982 studied Imagine Arts & Sciences at Musashino Art University, Japan. Her solo-works are mainly influenced by traditional japanese music and it's instruments. Yuichi Nagao studied media/soundart with Christophe Charles at Tokyo Arts University and musicology with the jazz musician Naruyoshi Kikuchi. His solo-works are defined by the search for new musical structures.

Steve Reich - Piano Phase (performed by Peter Aidu): On the October 2006, Peter Aidu (one of the most highly acclaimed modern pianists in Russia) performed the legendary Steve Reich's composition Piano Phase with an absolutely unique technique. While playing on two pianos, with a left hand on one instrument and the right hand playing separately on the second piano, Peter was recreating the sounding of two performers! This tremendous performance was accurately recorded, and now is available exclusively from top-40.org.

Uma remoçada ESP-Disk, fundada há mais de 40 anos por Bernard Stollman, está aí fresca e ladina para as curvas. A comprová-lo, exemplo entre vários outros, está este dois em um de Sonny Simmons, com entrevistas como extras. Staying On The Watch e Music From The Spheres, o par de discos que Simmons gravou em Agosto e Dezembro de 1966 para a ESP, com o pianista John Hicks (estreou-se em Staying On the Watch), a esposa Barbara Donald em trompete, Bert Wilson (saxofone tenor), Juney Booth e Teddy Smith (contrabaixo), James Zitro e Marvin Pattillo (percussão). Malha dupla do melhor que se tocava naquele tempo, para ser ouvido por mentes abertas, de então e de agora.
Há um pouco de tudo nesta edição: do solo de contrabaixo de Children At Play, ao duo com o trombonista Radu Malfatti, passando pelo sexteto Harry Miller's Isipingo, e pelo quinteto com o holandês Willem Breuker - de uma assentada são cinco em três. Isto é, cinco LPs em três CDs - Harry Miller 1941-1983: The Collection.Harry Miller, contrabaixista e compositor, nasceu na África do Sul em 1941, e veio a falecer num acidente de viação, em 1983, na Holanda, país onde vivia ao tempo.
Como tantos outros compatriotas seus, no início da década de 60, por motivos político-socias, exilou-se em Londres, onde, durante cerca de 20 anos, marcou o jazz local, imprimindo-lhe uma nova direcção, com Chris McGregor, Dudu Pukwana, Louis Moholo, e os músicos do colectivo Brotherood Of Breath; e também com John Surman, Keith Tippett, Trevor Watts, Mark Charig, Mike Osborne e Mike Westbrook, alguns dos mais representativos músicos da época, alguns dos quais ainda em actividade.
Harry Miller, compositor e instrumentista, teve a preocupação de gravar e divulgar o seu trabalho e o das pessoas com quem tocava, sobretudo dos músicos sul-africanos que, pelas razões que facilmente se apreendem, tinham poucas oportunidades de o fazer fora de meios próprios. Razão pela qual fundou a editora Ogun, uma cooperativa com Louis Moholo, Chris McGregor, Brian Abrahams, e sua mulher Hazel Miller. Moholo e Hazel são hoje os únicos sobreviventes daquele tempo. Em 1999, a Ogun comemorou 25 anos de existência. Hazel Miller, para assinalar a data. Em memória do marido, resolveu reeditar cinco LPs gravados sob o nome de Harry Miller, 4 publicados através da Ogun e 1 pela editora holandesa VaraJazz, reunidos e apresentados em 3 CDs, ilustrados por um livreto de 28 páginas: Children At Play (1974), Family Affair (1977), Bracknell Breakdown (1978), In Conference (1978) e Down South (1983).
O disco 1, a abrir, inclui o álbum Children at Play. Harry Miller em contrabaixo solo. Trabalho diversificado com arco e pizzicato, a que soma sobreposições de flutas e percussão tocadas pelo próprio Miller. A segunda parte do disco contém Family Affair, do Harry Miller's Isipingo, o segundo LP na ordem cronológica. Além do contrabaixista, ouvem-se Marc Charig, trompete; Mike Osborne, sax alto; Malcolm Griffiths, trombone; Keith Tippett, piano; e Louis Moholo, bateria, a tocar free jazz electrizante, com ligeiro aroma afro. No disco 2 cabem Bracknell Breakdown – com Harry Miller, contrabaixo e Radu Malfatti, trombone. O disco prima por ser o de mais difícil abordagem em todo o conjunto, duas longas improvisações (The audient stood on its foot - 21.45; e Friendly Duck - 16.20) com o duo em curso de livre improvisação de matriz britânica – e In Conference, com o Harry Miller Sextet (Willem Breuker, Trevor Watts, Julie e Keith Tippett e Louis Moholo). Ênfase posta no trabalho dos saxofonistas Breuker e Wats, o disco está cheio de motivos de interesse, retomando a variante afro do jazz e livre improvisação. O disco 3, mais curtinho que os anteriores, pois alberga apenas Down South, o LP gravado para a VaraJazz pelo Harry Miller Quintet, que à data incluia Marc Charig, corneta; Wolter Wierbos, trombone; Sean Bergin, saxofones tenor, alto e soprano; e Han Bennink, bateria. Musicalmente, Miller recupera os ritmos africanos, que adiciona às influências de uma certa exuberância e colorido próprios do jazz europeu dos anos 70 e 80. Em boa hora a Ogun reeditou esta pentalogia, que bem ilustra o trabalho como líder de um dos músicos mais importantes que passou pelo Reino Unido, de cuja relevância dão devida nota os comentários e depoimentos de tantos dos que com Miller tiveram o que geralmente consideram o privilégio de com lele ter tocado e convivido, relatos publicados nas notas à edição. Uma homenagem digna a Harry Miller e, simultaneamente, uma amostra representativa da abertura à diferença do jazz britânico e do impacto que nele tiveram outras influências exógenas, para além das norte-americanas. Harry Miller 1941-1983: The Collection (Ogun)

Alan Skidmore / Mike Osborne / John Surman. As iniciais dos apelidos formam S.O.S. (1975). Três saxofonistas britânicos a soprar à larga, com uma perninha na percussão (Skidmore e Osborne) e na electrónica (Surman). Almas torturadas? Por aquilo que se ouve não parece. Dá até a ideia de estarem muito serenas e tranquilas, em estado de elevação espiritual. Save Our Souls. É a primeira vez em sai em CD (2006), graças ao trabalho de Hazel Miller. Ogun.

Zé da Mouraria Sextet

Ainda não tem confirmação "oficial", mas as fontes são seguras e tudo se encaminha para o desfecho fatal.
Leroy Jenkins terá morrido hoje.
RIP, grande
Leroy Jenkins. O maior violino partiu. Nasceu em Chicago, em 1932, era membro da Association for the Advancement of Creative Musicians (
AACM) desde os primórdios da organização. A partir de então trabalhou com os grandes da Windy City, como Muhal Richard Abrams, Wadada Leo Smith e Anthony Braxton (Participou na gravação de
3 Compositions of New Jazz, de Braxton, para a Delmark, em 1968). No final da década de 60 partiu para Paris, onde formou a Creative Construction Company, com Steve McCall. De volta a casa, tocou com Archie Shepp, Albert Ayler, Alice Coltrane e tantos outros, deixando um rasto queo identificava como grande compositor e improvisador. Com Sirone e Jerome Cooper formou o
Revolutionary Ensemble, e marcou a história do violino jazz moderno para todo o sempre, um inventor da sua própria linguagem e atitude dentro do jazz - coisa rara e muito apreciável - uma mescla da tradição da
great black music e da composição clássica, urdida com a mestria que lhe era amplamente reconhecida.
(Foto © Frank Rubolino)

Alípio C Neto DIGGIN' >>>>> Alípio C Neto (saxofone tenor), Jean-Marc Charmier (trompete), Manuel Brito (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria) >>>>> ao vivo, hoje, sábado 24 de Fevereiro, às 21h30, no Teatro Sá da Bandeira, em Santarém. (Foto © Rodrigo Amado)

Lennie Tristano, piano solo e em trio. Gravações do final dos anos 40, princípios de 50. Incluem material saído em LP sob o título Descent into the Maelstrom. Abstraction & Improvisation (Five Four Records). Everybody in this country is very neurotic now. They're afraid to experience an intense emotion, the kind of emotion, for instance, that's brought on by good jazz. There's more vitality in jazz than in any other art form today. Vitality arises from an emotion that is free. - Lennie Tristano, 1950

KATIE BULL canta jazz e trabalha com multi-media. Nasceu e vive em Nova Iorque. No meio de uma floresta imensa de cantoras (quase tantas como fadistas novas surgiram nos últimos 3 anos em Lisboa), umas que realmente cantam alguma coisa que se ouça, outras que fazem de conta que sim (tão bem que chegam a parecer que não miam, com mais ou menos cio), é difícil encontrar hoje uma voz que se desvie um pouco que seja de um padrão demasiado gasto, tanta é a vulgaridade e tantas são as cópias e as imitações umas das outras. Já para não falar no reportório, que invariavelmente usa e abusa dos clássicos do American Songbook a um ponto em que satura ouvir as mesmas canções de sempre, cantadas da mesma maneira. Há excepções, e Katie Bull é uma delas. Senhora duma voz agridoce, com as rugosidades próprias de quem já viveu um pedaço, Bull pertence a este tempo, não se gasta nem esgota em tentativas de ressuscitar e reproduzir hoje os estilos dos anos 40 ou 50. Dela, as velhas canções recebem um tratamento vocal que as transformam em peças de insurgente actualidade, com alargada gama emocional, balanço equilibrado entre respeito pela tradição e investimento na inovação, timbre e volume fora do comum, e intenso trabalho de reformulação melódica e improvisação. Sheila Jordan é quem a inspira na cor, no tom e no ritmo. Com três discos gravados, Conversations With The Jokers, Love Spook e Cup of Joe, No Bull, Katie Bull pode ser regularmente vista ao vivo na companhia de Frank Kimbrough, Martin Wind e Matt Wilson, ou de Michael Jefry Stevens, Joe Fonda e Lou Grassi.

The Mahavishnu Project foi pensado e projectado para homenagear e actualizar a música da grande Mahavishnu Orchestra, do guitarrista John McLaughlin. Este upgrade da Mahavishnu, capitaneado pelo percussionista Gregg Bendian, respeitando os cânones da MO, faz uso duma instrumentação diferente da originária: violinos (Katherine Fong, Rob Thomas, Zach Brock), viola (Nicole Federici), violoncelo (Leigh Stuart), teclados (Adam Holzman), guitarras (Glenn Alexander), baixo eléctrico (David Johnsen), saxofones e flautas (Premik Russell Tubbs) e voz (Maria Neckam). Return to the Emerald Beyond repristina o velho material da Mahavishnu, Visions of the Emerald Beyond, de 1975, e apresenta novas improvisações sobre os temas originais, a somar a três outras composições avulso executadas dentro do mesmo espírito de cosmic groove da orquestra de John McLaughlin, da qual não se teve notícias durante os últimos 30 anos. Este duplo CD, gravado ao vivo, cairá que nem ginjas aos aficionados do prog-rock e da fusion. Outro público, desde que goste de improvisação independentemente do contexto formal em que ela se desenvolva, também aqui tem muito com que entreter a neurose. A capa é um mimo de kitsch... (Cuneiform Records, 2007)

João Ricardo (aka ocp - operador de cabine polivalente), tem nova edição na netlabel britânica Serein - Atmos, EP de cinco temas em ambiente minimal glitch.
As promised, here is the long awaited EP on Serein from Portuguese artist, OCP. Those of you with a good memory will remember the contribution he made to the Tracks in the Snow compilation at the beginning of the year, we've been eager to release more of his work and are now pleased to present you with Atmos. This five track EP represents perfectly what OCP is all about, combining elements of ambient and glitch through to the modest sounds of dub techno and stripping it right back to the core, we're left with an understated and refrained collection of minimal yet utterly involving music. Perhaps what is most striking about OCP's compositions is their unashamedly electronic nature, you are never in doubt as to the source of the sounds, the analogue circuitry practically drips through the speaker cones, which to my mind is very satisfying indeed.

O blog do FIMAV 2007 passou a grupo de discussão aberto à participação dos interessados.In order to open up discussions around FIMAV and let you participate more actively, we have opened a YahooGroups discussion group. This is the perfect place to discuss the artists scheduled to appear, post your concert reviews, hook up with other people for lifts, etc.

Free Jazz Is For Lovers. Terumasa Hino. Era para o Dia dos Namorados, mas com tantos afazeres e arrelias, passou-me por completo. Não serve de desculpa, já sei. No Destination-Out.

Agora é que vai ser... é desta! Matt Lavelle estreia com um trio na Silkheart Records dentro de pouco tempo. O disco está pronto, não se sabe é de que é que os sueco-britânicos estão à espera. Spiritual Power, é disso que a gente precisa. Matt Lavelle, para quem não sabe, é um ainda relativamente jovem trompetista de Nova Iorque, que toca que se desunha (trompete, flugelhorn e clarinete baixo) e é um grande artista, por enquanto do urderground novaiorquino, mas com potencial para se dar a conhecer e agradar a meio mundo, passe o exagero. Talento não lhe falta, além de que é uma simpatia de moço, não desfazendo dos presentes e ausentes. E a Silkheart vem mesmo a calhar com uma ajudinha preciosa, assim se espera. Com Lavelle, dois monstros da arte, Hilliard Greene, contrabaixo, e Michael T. A. Thompson, bateria. Já se está a ouvir o "estrago" ao longe... Desde o bom velho Pyramid Trio, de Roy Campbell Jr., e de Ancestral Homeland, com William Parker e Zen Matsuura, na defunta No More Records (bom, Dave Balou também tem um disco em trio muito jeitosinho, na Steeple Chase, mas não joga neste campeonato), que não aparecia um trio de trompete com potencial para nos inquietar e agarrar pelos tomates, por assim dizer. O disco tem notas do poeta Steve Dalachinsky, publicadas na página da Silkheart Records.

BendingCorners tribute to the late great Alice Coltrane. On January 12th 2007 the jazz world lost another of its pioneers. Alice was a seminal player in the Kozmigroov spiritual scene and this is BC's take on her more mellow and moving material. Spark a J, relax, and float down stream.

Outro CIMP de excelência (não faço por menos) é este Infinite POtencial, a fazer par com Wishing You Were Here, de Chris Kelsey (dois discos ímpares, por sinal ambos da mesma fornada). Infinite POtencial comemora os 10 anos da PoBand, formação do baterista e percussionista Lou Grassi. Actualmente a PoBand incorpora, além do líder, Perry Robinson (clarinete e ocarina), David Taylor (trombone baixo), Herb Robertson (trompete, pocket trumpet e flugelhorn) e Adam Lane (contrabaixo). O line-up, para quem conheça a rapaziada de outros carnavais, diz quase tudo sobre o que vai dentro de Infinite POtencial. Nada foi escrito antes de tocado, nada foi combinado, tudo criado em autêntica free-jam (uma expressão que pode pôr muita gente de cabelos em pé, já se sabe). Ouça-se a maneira incrível como tudo assenta no lugar certo, como a música adquire forma e estrutura à medida que as operações e vão desenrolando. Quem sabe, sabe. Este disco é uma pérola, senhoras e senhores.
Wishing You Were Here, quinto título de Chris Kelsey para a Creative Improvised Music Projects (CIM
P), que comentei aqui há dias, é uma bomba. Chris Kelsey é dos poucos saxofonistas de jazz actuais que se dedica exclusivamente ao soprano. Ouviu tudo, bebeu em todas as fontes, processou a informação, decantou e obteve um som próprio, que não é Bechet, nem Lacy, nem Coltrane. Nem sequer uma mistura de todos eles. As composições de Kelsey privilegiam o serpentear de melodias breves e sinuosas, de cores fortes, com ênfase nos aspectos rítmicos do swing e do blues. Um pouco à maneira de Ornette Coleman, no que respeita à menor consideração dos aspectos hamónicos e particular atenção ao tratamento modal da melodia, o que o deixa o saxofonista mais à vontade para improvisar livremente, rápido e brilhante no pensamento e na articulação das frases, seguido diferentes ideias que se vão alinhando sequencialmente.
O contrabaixista francês François Grillot e o baterista norte-americano Jay Rosen são dois talentos especiais, a sensibilidade e o peso certo para enquadrar as evoluções de Chris Kelsey no sax soprano, ora a par, ora mantendo-se na peugada, deixá-lo propositadamente descolar do pelotão, para o apanhar a seguir. Nesta medida, a gestão do tempo que o trio faz é um exemplo de inteligência e bom gosto. A fluidez e a intensidade do groove e do swing da dupla rítmica – tão cerrados que às vezes mais parecem drones – é semelhante à que já se ouvira em Renewal, disco de 2004 que apresentava a mesma formação, com a diferença de que aditava a chama de Steve Swell, em trombone.
Mais concentrado e focado nos aspectos essenciais da improvisação, Wishing You Were Here é um disco fresco e estaladiço como raramente se ouve no jazz actual. Há que pôr olhos e ouvidos neste músico extraordinário que é Chris Kelsey.

DAILY COLAGE PROJECT: DCP it's a project in progress whose goal is create and post a new small size collage every day. DCP é um projecto em contínua evolução cujo objectivo é criar e disponibilizar uma colagem inédita de pequeno formato todos os dias. Na imagem, Stage, um dos trabalhos de Dilar Pereira, artista plástica.
A partir de 21 e até 24 de Fevereiro, no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre, decorre o V Portalegre JazzFest - Festival Internacional de Jazz de Portalegre, 2997. No cartaz, Sexteto de Mário Barreiros (Mário Santos, José Pedro Coelho, José Luís Rego, Pedro Guedes, Pedro Barreiros e Mário Barreiros); Trigon Quartet - Ethno Jazz group Trigon (Anatol Stefanet, Vali Bogheanu, Dorel Burlacu e Gari Tverdohleb), da Moldávia; Michel Portal Quartet (Louis Sclavis, Bruno Chevillon e Daniel Humair); e o Don Byron Ivey Divey Trio (Don Byron, George Colligan e Ben Perowsky). A 23 e 24 de Fevereiro, jam sessions com o Jeffrey Davis Trio (Jeffrey Davis, Nelson Cascais e Alexandre Frazão). Grande Auditório do Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Entradas ao preço único de €10.
William Parker, Alan Silva, Sirone e Henry Grimes - quatro contrabaixistas, mais Charles Gayle, saxofone tenor, apresentaram o trabalho ao vivo no Vision Festival de 2004, em Nova Iorque. Requiem são onze movimentos escritos por William Parker para quarteto de contrabaixos mais saxofone alto (grato, Hernâni F.), e é a forma que o compositor encontrou para homenagear Wilber Morris e Peter Kowald, dois primus inter pares entretanto desaparecidos. Os títulos remetem para os bons tempos vividos e para as memórias que ficaram: Always there even when gone / Memories strong enough to keep / The earth going / Most people missed you / Very Special Person / Love you / When my Mother was Dying / I called You / And you Comforted Me / And Told me About Heaven…”. Requiem, edição da Splasc(H) Records.

Hey, welcome to my online collection of live music files. These recordings include some rare, vintage audio from some of jazz fusion's most influential artists. You'll also find audio from other live music projects, plus a compilation of videos. Happy Listening! - Rich Rivkin


Jazz requires that musicians be able to merge their unique voices in the totalizing, collective improvisations of polyphony and heterophony. The implications of this esthetic are profound and more than vaguely threatening, for no political system has yet been devised with social principles which reward maximal individualism within the framework of spontaneous egalitarian interaction
- John Szwed, in Josef Skvorecky and the Tradition of Jazz Literature, World Literature Today, vol. 54, no. 4 (1980) p. 588, citado por George Lewis (na foto) num importante texto sobre o trabalho da AACM.

O blog da Palmetto Records, editora norte-americana com nova página.

Ao serão, o terceiro tiro de um trio de rising stars de Chicago, TRIAGE, nome colectivo do saxofonista Dave Rempis (alto e tenor), do contrabaixista Jason Ajemian, e do batedor Tim Daisy. Vizinhos de Ken Vandermark, dois deles, Rempis e Daisy, fazem parte do Vandermark 5. American Mythology veio a seguir a Premium Plastics e a Twenty Minute Cliff. O estilo é mais acentuadamente free bop, anguloso e pressionante, produto da melhor colheita de 2004. Não foi certamente por acaso que muito boa gente o considerou um dos grandes do ano. Vai bem com a leitura do segundo volume do póstumo de Montalbán, Milénio II – Nos Antípodas (Asa). Na Okka Disk.

Pela primeira vez em edição oficial, Brotherhood (1972), um dos grandes discos de Chris McGregor com a sua mítica Brotherhood Of Breath, big band de três em pipa. McGregor, pianista sul-africano expatriado em Londres a partir de 1964, ali formou o sexteto The Blue Notes (essencialmente, Mongezi Feza, Dudu Pukwana, Ronnie Beer, Harry Miller e Louis Moholo) grupo que bebia tanto nas raízes africanas, como nas novas movimentações pós-ornettianas que estavam a ocorrer no jazz britânico a partir de meados da década de 60. Entretanto, em 1969 os Blue Notes desmembraram-se e Chris McGregor resolveu então criar um projecto ainda mais ambicioso, a Chris McGregor's Brotherhood Of Breath, construída a partir do núcleo duro dos Blue Notes e reforçada com nomes do jazz/improv britânico da época, mais virados para o lado cutting-edge. Os anos entre 1971 e 1974 apanharam a Brotherhooh of Breath permanentemente em digressão, com pouco tempo para estúdios. Talvez seja essa a razão por que apenas gravou três discos. Um deles, o do meio, Brotherhood, só agora, passados 35 anos, é editado. O lançamento está previsto para 1 de Março, na britânica Fledg'ling Records.
Chris McGregor's Brotherhood Of Breath: Chris Mc Gregor, John Surman, Dudu Pukwana, Harry Miller, Louis Moholo, Harry Beckett, Marc Charig, Alan Skidmore, Mongezi Feza, Mike Osborne, Ronnie Beer, Nick Evans e Malcolm Griffiths.
The Brotherhood of Breath is the kind of band you want to tell people about. It's not for private enjoyment, or for worship by a elitist cult. The Brotherhood's music is for sharing with the world, and that's what makes its name so apt: the musicians and the audience are brothers (and sisters), and they share the same breath, becoming merely parts of the same giant metabolism. Chris McGregor came out of South Africa in 1964, leading a band called the Blue Notes. Three of those Blue Notes can be heard on this record, and the fact that Mongezi Feza, Dudu Pukwana and Louis Moholo are still with Chris is some tribute to the fantastic empathy they share, both personally and in the music they make together. - Richard Williams

Albert Ayler (saxofone tenor), o mano Donald Ayler (trompete), Michel Sampson (violino), Lewis Worrell (contrabaixo), e Ronald Shannon Jackson (bateria), à porta do Slug's, clube de East Village, Nova Iorque. Foto da nova capa de um velho ESP-Disk de 1966, Slug's Saloon, originalmente editado em LP, Volumes 1 e 2, agora em CD duplo. Truth Is Marching In; Our Prayer; Bells; Ghosts; Initiation.

Hoje acordei assim... Field Recordings from the Sun... Comets on Fire.
If you purchase this slice of mad genius, I guarantee you will experience the following symptoms. Pure adrenalin screams out of the speakers. The most out of control sound erupts all around you. A sonic fireworks display going off for a while. A mellow moment appears and is eaten alive by feedback. Then they REALLY get crazy for the last two songs. Amazing energetic rawk power. Forget those guys on MTV. Forget that one underground group you like cuz your friend is in it. Comets own you. - J. Alfaro

It's very difficult to be completely free. No ... it's easy to be completely free, but the ego doesn't allow it. If you listen to even the freest players, you hear a style. So that means they're not free. They might have been free at one point, but then they gave up freedom for style so that people could recognize their music. Charles Gayle, ao Philadelphia City Paper. (Foto © Dagmar Gebers)

Provavelmente decepcionado com o beco sem saída a que o drum'n'bass o havia conduzido, embalado pelo sopro do novo século, o duo britânico Spring Heel Jack (John Coxon/Ashley Wales), coincidindo com a mudança para a editora Thirsty Ear, resolveu em 2004 empreender uma mudança radical nas suas concepções estéticas, e enveredar, para surpresa de muita gente, pela improvisação electro-acústica subsidiária da british improv e do free jazz, actualizando, simultaneamente, procedimentos e estratégias. Depois de dois mais que interessantes discos de estúdio, Masses e Amassed, e um terceiro Live, comprovativo de que nada do que se ouvira antes era simples truque, samplagem mistificadora ou trabalho de maquinaria a funcionar em regime de autogestão, o projecto vingou enquanto quarto capítulo da segunda vida do duo britânico, que, à semelhança das edições anteriores, se faz acompanhar de nomes que integram a nata da improvisação livre actual. Além de Coxon (guitarra, órgão, harmónica, vibrafone, sampler e electrónica) e de Wales (guitarra acústica, trompete, congas, sampler e electrónica), desta vez a companhia incluiu o trompetista norte-americano Wadada Leo Smith, homem de muitas vanguardas; o reincidente Evan Parker (Wadada e Parker juntos!), e, outra novidade relativamente aos episódios anteriores, a mui requisitada "secção rítmica" das ilhas britânicas, John Edwards e Mark Sanders. Musicalmente, The Sweetness of the Water é o mais depurado e menos saturado dos quatro discos. A música de Coxon & Wales, permanecendo embora fiel aos termos da improvisação electroacústica, ganhou mais espaço, orientada para ambientes nocturnos, melancólicos e meditativos. Guitarras e electrónica fundem-se com saxofones, trompete, contrabaixo e bateria numa suite minimalista de passada lenta, quase sussurrada, alegoria de paisagens urbanas fora de horas. Janela que se abre sobre a rua deserta depois do regresso a casa. O reencontro com a quietude das coisas que vivem na peúmbra. Surpreendente, The Sweetness of the Water, o mais romântico dos discos do Spring Heel Jack, é um bom exemplo do que de melhor se tem feito na área da improvisação electroacústica, capaz de romper com algumas convenções do género.

A 3 de Março, no Centro Cultural Caixanova, em Vigo, Espanha, será feita a apresentação pública do novo disco do Alberto Conde Trio, ANDAINA. Alberto Conde, piano; Baldo Martínez, contrabaixo; e Nirankar Khalsa, bateria e percussão. Producións A Tempo. www.novasmusicas.com

A prometida estreia da Firehouse 12 Records está quase a acontecer, assim chegue o terceiro de Abril ("April is the cruelest month", T.S. Eliot). Dupla estreia, diria, visto que abre com um novo Anthony Braxton, 12+1tet’s 9 Compositions (Iridium) 2006, e The Middle Picture – assim se chamará o tão aguardado disco do sexteto do trompetista Taylor Ho Bynum (na foto, © Scott Friedlander). No grupo, gente sólida como o saxofonista e clarinetista Matt Bauder, os guitarristas Mary Halvorson e Evan O’Reilly, Jessica Pavone, violino e baixo eléctrico, e o baterista Tomas Fujiwara, num conjunto de composições de Taylor Ho Bynum, gravadas ao vivo e em estúdio.
There is much in between the pressing issues of the world and the mundane toils of the everyday - assim fala Bynum. I call it the middle picture: the pursuit of one’s life goals, the search for one’s true calling, the cultivation of one’s personal relationships. And right now, my middle picture is pretty great. I’m in a happy marriage, I have dear friends and family, I get to make music I love with people I profoundly respect. While acknowledging the larger and smaller realities of the world, I try to focus on the middle picture, and hope that some of that positive energy and inspiration can influence the pictures on either side. The music on this album grows out of that middle picture, and is dedicated to that hope.

Lembrando Alice Coltrane, desaparecida há um mês. Universal Consciousness, de 1971, com Alice Coltrane (harpa, órgão e arranjos); John Blair, Joan Kalisch, Julius Brand, Leroy Jenkins e Jimmy Garrison (cordas); Tulsi, Rashied Ali, Clifford Jarvis e Jack DeJohnette (bateria e percussão). Curiosa mistura de cordas, órgão, harpa e percussões várias. Nada de voz, sopros ou piano. Esteticamente, são notórias e marcantes as influências da espiritualidade oriental, as quais, transpostas para a música, evidenciam códigos de linguagem muito para além do jazz. Universal Consciousness foi um dos primeiros que ouvi de Alice, daqueles que agarra logo à primeira e nunca mais nos larga, década após década. Na altura, abriu-me os horizontes, que até então se confinavam ao pop/rock da época e a pouco mais. As notas ao disco falam da transcrição musical de alguns temas feita por Ornette Coleman. Está bem, mas isso é completamente secundário. Fosse ele ou outro, a tarefa por certo não acrescentaria ou retiraria valor ao produto.

Jamie Saft (na foto) vem ao
Bragajazz tocar Zorn e Dylan. A coisa promete... Este ano, o festival realiza-se entre
15 e 24 de Março, no belíssimo
Theatro Circo de Braga. Organização do Theatro Circo e do Pelouro da Cultura da
Câmara Municipal de Braga.
15 de Março -
Mário Laginha Solo/Trio;
16 de Março -
Baldo Martinez Grupo;
17 de Março -
Ken Vandermark/Adam Lane Quartet "4 corners"; 22 de Março -
Sexteto de Carlos Barretto "Lokomotiv";
23 de Março -
Jamie Saft Trio "Plays J. Zorn and B. Dylan";
24 de Março -
Bunky Green Quartet.

Que novas vos posso trazer nesta manhã de nevoeiro? Além de que a Primavera há-de enfim chegar? Só se for que o novo e segundo registo (o primeiro foi Teatro) da European Echoes, editora recém-fundada por Rodrigo Amado, vai sair já em Março. Surface - for alto, baritone and strings, é Rodrigo Amado, em saxofones alto e barítono; Carlos Zíngaro, violino; Tomas Ulrich, violoncelo; e Ken Filiano, contrabaixo. Em Março… “Março marçagão, de manhã Inverno, à tarde Verão”. Ou o contraditório “Março, marçagão, de manhã sol de Verão, de tarde cara de carvão”. O que pode querer dizer uma de duas coisas, ou ambas: que a milenar sabedoria popular também conhece as suas contradições; ou que os efeitos do aquecimento global já cá andavam muito antes de terem sido descobertos por Al Gore, ele próprio ex-membro da Administração de um país que em nada contribuiu para que isto ande tudo a amornar, claro está. Mas esta é outra história. Aguardemos com antecipado entusiasmo pela saída de Surface. Que mais havemos de fazer? (foto supra: Crista © 2006)

Rodrigo Amado (foto: Luis Lopes © 2006)

É público o programa do FIMAV 2007 - Festival international de Musique Actuelle de Victoriaville, Canadá – um dos grandes acontecimentos mundiais no que às novas músicas concerne, que vai decorrer de 17 a 21 de Maio p.f.. Nesta edição, que tem programados 24 concertos distribuídos por cinco dias, os cabeças de cartaz serão John Zorn, Anthony Braxton, Acid Mothers Song e Marilyn Crispell. O FIMAV deste ano criou um blog, dirigido pelo crítico, radialista (“Delire Actuel”) e jornalista da especialidade, François Couture, que dia-a-dia irá apresentar as formações, comentar os concertos, responder a questões do público de dentro e de fora das salas. Couture é também o Programming Advisor da edição de 2007.


Steven Joerg, da AUM Fidelity, conta que as gravações realizadas em Dezembro do ano passado, pelo WILLIAM PARKER QUARTET (Rob Brown, saxofone alto; Lewis Barnes, trompete; William Parker, contrabaixo; e Hamid Drake, bateria), e em Janeiro de 2007, pelo WILLIAM PARKER SEXTET (o mesmo pessoal do quarteto, mais duas senhoras, a pianista japonesa Eri Yamamoto e a cantora norte-americana Leena Conquest), estão a ser preparadas para edição em CD o mais tardar no Outono deste ano.

Günter Müller leva já uma vida de percussionista e de manipulador de máquinas electrónicas, instrumentos que tem feito interagir pela via da produção e transformação sonora. Os resultados são audíveis numa multiplicidade de discos publicados em editoras europeias, japonesas e norte-americanas. Reframed, a mais recente saída na Cut, editora que Jason Kahn opera a partir de Zurique, apresenta o improvisador suíço em cinco peças para percussão electronicamente processada. O processo criativo é teoricamente simples: sons de artefactos de metal postos a vibrar com arco são alterados e a sua duração prolongada com recurso ao processamento electrónico. Os diferentes segmentos assim obtidos são depois sobrepostos em camadas, formando blocos de drones. Excelente regresso de Günter Müller ao paisagismo atmosférico.

O suiço Christoph Gallio (Day & Taxi) toca saxofone soprano e dirige a Percaso Production, pequena editora independente de gosto eclético, virada para a publicação de trabalhos de artistas predominantemente europeus, situados entre o jazz e a improvisação europeia.
É preciso algum atrevimento para editar um disco como o que Hans Fjellestad, músico e cineasta californiano, acaba de lançar na editora de Marcos Fernandes, Accretions Records, com sede em San Diego, Califórnia. Snails R Sexy é um disco a solo (o quarto de uma série) totalmente preenchido com as investigações que o improvisador tem andado a fazer com sintetizadores analógicos Moog, paixão que o persegue desde tenra idade, e que o levou a realizar, em 2004, um filme (Moog) sobre o inventor daquela máquina, Bob Moog, que viria a falecer em 2005. Ao Moog acrescentou Fjellestad apenas uma pitada de theremin e um processador de efeitos com tubos de vácuo. Através do processo de adição sucessiva de camadas de som produzido a partir da energia eléctrica, ondas sonoras trabalhadas com filtros até obter determinados timbres, Hans Fjellestad consegue estruturar composições e apresentá-las de modo atraente, mesmo quando se esgueira por caminhos afins do noise digital da actualidade, como sejam os da escola de Los Angeles, ou os que chegam de outros grandes centros difusores, como Tóquio, sem prejudicar uma certa candura e ingenuidade que entram no processo, temperando-o. Porque não se trata apenas de tarefas de base tecnológica, realizadas por um experimentalista metido entre as quatro paredes dum laboratório. Em Snails R Sexy, Fjellestad, através de sequências luxuriantes de vibrações sonoras, sobretudo nas baixas frequências, consegue sugerir uma ampla gama de emoções e de estados de espírito. A invenção de Bob Moog, a cuja memória o disco é dedicado, não deixa possibilidades acústicas por mãos alheias, e Fjellestad usa-a como ferramenta para esculpir sons e criar as nove instalações do disco, com um tempo de duração que vai dos 3 aos 14 minutos. Pessoalmente, agradam-me muito os resultados e a espantosa acessibilidade do disco, com potencial para interessar públicos diversos, como os da electrónica, electroacústica, jazz e rock.

A notícia deste início de ano (ainda a procissão vai no adro, é certo) é que The Fringe tocou a reunir. Literalmente. O trio do grande mestre saxofonista George Garzone (na foto, esteve há dois anos no Seixal Jazz, num concerto inesquecível), formado em Boston no ano de 1971, inicialmente com o contrabaixista Richard Appleman, substituído, em 1985, por outro monstro das quatro cordas, John Lockwood, e o baterista Bob Gullotti. Mais de 30 anos passados, The Fringe preserva intacta a frescura assinalável nos escassos cinco discos gravados ao vivo, de que destaco de entre todos o magnífico Live in Israel (Soul Note 121305). Garzone, Lockwood e Gullotti novamente juntos, actuaram sábado e domingo passados, em Nova Iorque, no Cornelia Street Café. Parece que, depois de um ou outro encontro episódico, a ideia é voltar ao trabalho enquanto working band. Pode ser que alguém se interesse por convidá-los a virem tocar a Portugal…


Minimalist Jukebox: Steve ReichThe propulsive, rhythmic music of pioneering minimalist composer Steve Reich is represented by two major works: his Three Movements for Orchestra, which showcases the LA Philharmonic's percussion section; and Tehillim, his classic setting of Hebrew psalms, sung by Synergy Vocals. Reich's minimalist style has inspired and influenced countless artists, including composers Phillip Glass and John Adams, as well as the progressive rock group King Crimson and electronic artist-producer Brian Eno (Disney Concert Hall - NPR)
Quem conhecer o trabalho do ISKRA 1903, trio que o trombonista Paul Rutherford formou em Londres no ano de 1970, com a formação original completada com Derek Bailey, guitarra amplificada, e Barry Guy, contrabaixo, não deixará de dar de imediato com as diferenças que ressaltam da audição de Buzz Soundtrack. O disco inclui a banda sonora para o filme homónimo realizado por Michael Grigsby, música improvisada e registada em simultâneo com a passagem das imagens na tela, corria o ano de 1970 ou 1971, de acordo com as notas escritas por Martin Davidson, produtor da edição em CD pela EMANEM. E que diferenças são essas, as mais imediatas? Contrariamente à verve activista das gravações que integram o tríptico Chapter One, (EMANEM 4301) que contém o registo dos trabalhos de 1970-1972, e onde se veicula um posicionamento acústico globalmente mais extrovertido e acelerado, até, Buzz Sountrack (EMANEM 4066) encontra o trio em estado para-contemplativo (em gentle side, como lhe chama Martin Davidson) dividido entre a triangular interacção e a reacção às imagens, em movimentos espectrais de luz e sombra. O som que chegou até hoje não é brilhante, a gravação é mono, mas nada disso impede quer a fruição musical, quer a percepção da actualidade estética da banda sonora. Não admira que muita da música improvisada que se viria a produzir nas décadas seguintes tenha ido buscar ideias e inspiração à sessão Buzz, salva apenas porque alguém encontrou umas bobines com o conteúdo que viria a dar origem à edição de 2001, depois do competente trabalho de limpeza acústica e montagem das sequências de trios e solos deste vintage ISKRA1903, o mais recuado no tempo que se conhece.
Saxofonista soprano, compositor e crítico de jazz, Chris Kelsey (n. 1961) deu uma substancial e interessantíssima entrevista à Cadence Magazine em Dezembro passado (Vol. 32, n.º 12, $4.00), a não perder por quem é músico, crítico ou simples ouvinte de jazz e de música improvisada. Entretanto, Chris Kelsey tem um novo disco na CIMP, Wishing You Were Here (CIMP # 329), em trio com o contrabaixista francês François Grillot e o baterista norte-americano Jay Rosen, que é de se lhe tirar o chapéu. Tal como ao anterior Renewal (CIMP # 309), que recomendo como um dos melhores discos que tenho ouvido de 2004 para cá. Kelsey, um music writer cujas ideias e opiniões merecem ser tidas em conta, renovou a sua página pessoal e apresenta novos conteúdo e grafismo. Ah, e o blog também tem interesse.
![[rova.jpg]](http://1.bp.blogspot.com/_5zeRyLslS4c/RcyM2YP58TI/AAAAAAAAAC8/fwAkM4hg4TE/s1600/rova.jpg)
A 10 de Fevereiro, na International House, Filadélfia, nova aparição da ROVA :: ORKESTROVA - ELECTRIC ASCENSION, com o ROVA SAXOPHONE QUARTET (Bruce Ackley, Steve Adams, Larry Ochs, Jon Raskin), NELS CLINE, guitarra eléctrica; JENNY SCHEINMAN, violino; CARLA KIHLSTEDT, violino + efeitos; ANDREA PARKINS, acordeão + laptop; MARINA ROSENFELD, gira-discos + aparelhos; TREVOR DUNN, baixo eléctrico; ANDREW CYRILLE, bateria.
In 1965, shortly after receiving “Artist of the Year” and “Best Tenor Saxophonist” honors in Down Beat magazine, John Coltrane recorded his daring, monumental Ascension (Impulse Recordings) — the fifty-minute large ensemble piece that challenged audiences with passages of intense group improvisation and powerful solos. With dense harmonies and explosive dialogues between soloists and rhythm section, Ascension, is now widely regarded as Coltrane’s masterwork. Originally featuring some of the most important improvisers in jazz, such as Archie Shepp, Pharoah Sanders, McCoy Tyner and Elvin Jones, Ascension was an ambitious and visionary statement unlike any other composition. Now forty years old, Coltrane's Ascension is renowned among large ensemble jazz works for its monumental scale, raw emotional power, and historic importance to the evolution of improvised music.
Electric Ascension is a contemporary reworking of this profound piece led by the world-renowned Rova Saxophone Quartet, who have, since 1977, fundamentally extended the horizons of modern jazz. With their potent mix of stellar musicianship and compositional creativity, Rova explores the synthesis of composition and collective improvisation. The group has also collaborated with and commissioned over 30 new works for saxophone quartet from artists as aesthetically diverse as minimalist composers Terry Riley and Pauline Oliveros, avant-garde composers Fred Frith and Anthony Braxton, experimental rock musician Lindsay Cooper, and jazz luminaries Jack DeJohnette and John Carter. For there first official performance in Philadelphia, the are joined by some of the most exciting improvisors today, including Wilco guitarist Nels Cline, Fantomas/Mr. Bungle bassist Trevor Dunn, Tin Hat Trio’s Carla Kihlstedt, and Free Jazz veteran Andrew Cyrille.
Recordo o concerto do Rova::Orkestrova - Electric Ascension em Lisboa, a 03.08.2006, no Jazz em Agosto, no Anfiteatro ao Ar Livre da Fundação Gulbenkian. (foto: Joaquim Mendes © 2006)
Da Barely Auditable Records, micro-casa de discos norte-americana, dirigida por Kyle Bruckmann e Scott Rosenberg, responsável pela edição das seis composições do ciclo Ghost Trance Music (GTM), de Anthony Braxton – empreendimento audacioso que só viu a luz do dia graças à parceria com a Rastascan e a Limited Sedition, de John Shiurba – sairam duas excelentes edições em 2003. Em comum, além das esperadas afinidades estéticas, têm a participação soprador e manipulador electrónico de Chicago, Kyle Bruckmann. Cada uma à sua maneira, prima pela excelência do material dado à prensa. Não admira, quando a proveniência e a manufactura exibem tal certificação de qualidade.Grand Mal, editado em parceria com a editora de Ernesto Diaz-Infante (Pax Re
cordings) contém uma sessão gravada em 2001, em Oakland, Califórnia. Kyle Bruckmann (oboé, english horn) já tinha tocado anteriormente com os guitarristas John Shiurba e Diaz-Infante, embora juntos não tivessem desenvolvido qualquer projecto musical consequente. Reunido o trio e estabelecidas as coordenadas, ter-lhes-á parecido adequado à criação do ambiente pretendido convocar a percussionista Karen Stackpole, instrumentista aproximada ao estilo do britânico Paul Lytton, longe do que se possa parecer com um tipo de tratamento convencional. Tudo menos convencional é esta música misteriosa que o quarteto explora intensamente ao longo de dez movimentos. Percorre um leque diversificado de territórios já visitados, mas susceptíveis de revelar insuspeitadas e interessantes (re)descobertas, relatadas em progressão lenta. O propósito aponta no sentido da investigação pormenorizada e microscópica das texturas invulgares criadas pelas duas guitarras, eléctrica e acústica – ainda que dificilmente destrinçáveis – sopros micro-tonalistas no limite do audível e percussão espectral. A música é quase estática, ou por outra, evolui milimetricamente quase sem se dar por isso, tal como a vida no interior de um formigueiro, criando um murmúrio orgânico complexo.
Se Grand Mal foi fruto da bem fadada colaboração entre as editoras Barely Auditable e Pax Re
cordings, neste outro caso o esforço foi partilhado entre a primeira e a Ertia Creations, numa tentativa bem sucedida de pôr em comum não apenas os encargos de edição, mas essencialmente as cumplicidades na criação musical espontânea. Six Synaptics documenta o encontro entre dois dos maiores improvisadores da Chicago actual, o soprador da escola de Anthony Braxton, Scott Rosenberg, e o percussionista e compositor Michael Zerang. O terceiro elemento volta a ser é Kyle Bruckmann, aqui em plena exploração das abstracções sonoras realizadas com os instrumentos de sopro, obtidas a partir da manipulação electrónica em tempo real. Zerang, veterano de inúmeras colaborações com Peter Brötzmann, Mats Gustafsson, John Butcher e Ken Vandermark, aplica todo o seu saber percussivo na construção das sinapses, por onde passa o fluxo criativo das três figuras. Scott Rosenberg, saxofonista e clarinetista de crescente importância na cena norte americana actual, faz render a sua capacidade de produção de cor e movimento. Entende-se bem com a percussão e com o emaranhado de sons electrónicos que irrompem da maquinaria processadora.

Joe Lovano in session no Jazz on 3 de hoje e até à próxima sexta-feira, via webcast. Entre outro material, Lovano executa na íntegra o disco de 2006, Streams of Expression. Com James Weidman, piano; Esperanza Spalding, contrabaixo; e Lewis Nash, bateria.

Stuart Broomer, Jon Dale, Nate Dorward, Lawrence English, Vid Jeraj, Richard Pinnell, Massimo Ricci e Dan Warburton fizeram mais um número da intrépida PARIS TRANSATLANTIC MAGAZINE, o de Fevereiro:
Editorial
Alexander von Schlippenbach
In Concert: LMC Festival 2006
Fred Lonberg-Holm
Ralf Wehowsky
Gruppo di Improvvisazione Nuova Consonanza
Reissue This: Afro Soul Drum Orgy
JAZZ & IMPROV: Andrew Hill / Rudresh Mahanthappa / The Reveries / Joe McPhee & Paul Hession / Oluyemi Thomas / Patrucco, Honsinger, Mengelberg, Baars & Bennink / The Electrics / Fernandez, Guy & Lopez / Baars & Henneman / Joëlle Léandre
Mark Wastell / Tammen, Harth, Dahlgren & Rosen / The International Nothing / Jay Crocker & Chris Dadge / Mike Pride / Tsukasa, Yukie, Hiroshi / Monotract / Iconoclast
CONTEMPORARY: Peter Zummo / Tom Johnson / Natasha Anderson / Giacinto Scelsi
ELECTRONICA: Rosy Parlane / Marc Behrens & Paulo Raposo / John Duncan / Asher

Sublime Music Dedicated to the Spirit of Alice Coltrane
KALI. Z. FASTEAU – sax soprano, piano, fluta nai, voz, mizmar e bateria.
RON McBEE – percussão africana e berimbau.
Sábado, 10 de Fevereiro, no 5C Café, Nova Iorque
Foto © Peter Gannushkin

Roscoe Mitchell Quartet, ao vivo em Outubro de 1989 - Grand Cafe, Victoriaville, Canadá. Roscoe Mitchell (saxofone alto), Jodie Christian (piano), Malachi Favors (contrabaixo) e Tani Tabal (bateria).
Novidades editoriais na Konnnex:
Total-Improvisation Unit: Blaise Siwula (reeds), Dom Minasi (guitar), Nobu Stowe (piano) and Ray Sage (drums) explore a wholistic approach to fully improvised music. Their style is best described as ‘total-improvisation’ that requires the performer not only to experiment with 'sound textures' but also to spontaneously create 'songs' (melodies with tonal harmonies). The sound of the quartet is reminiscent of the spontaneous melodicism of Keith Jarrett, the avant energy of John Coltrane/Cecil Taylor and the structural cohesion of J.S. Bach decorated with touches of world music. "Unexpected and promissing melding of avant aggression and lyrical melodicism. An exciting Journey." Jim DeJong – Jazz Institute of Chicago


Forçado à acolchoada posição horizontal e à toma de caldos próprios de uma gripe à moda antiga, com a magana a querer atirar comigo para o andar de cima – quero dizer, para aquela inflamação nos bofes a que se dá o nome técnico de pneumonia –, vi-me nos últimos dias na contingência de passar a ouvir apenas sons celestiais ou, mais prosaicamente, os da minha própria e tússica improvisação, a espaços suavizada com a escuta de um ou outro disco leve no pisar e de confecção mais macia, que a cabeça, dolorosa, mais não permitia. E foi nessa altura que ocorreu revisitar The Bad and the Beautiful, segundo disco do duo de Håkon Korns
tad (saxofone tenor) e Håvard Wiik (piano), membros activos do jazz nórdico da actualidade, disco que a sueca Moserobie editou há uns meses, e que em nada desmerece o que o anterior Eight Tunes We Like já mostrava: dois improvisadores seguros, a saberem afirmar-se na esteira do que antes fizeram outros expoentes do duo de saxofone e piano, como Archie Shepp e Horace Parlan, em Trouble in Mind (Steeplechase, 1980), por exemplo – estes, incisivamente a trabalhar sobre os blues e suas derivações. Neste caso nórdico, a matéria-prima de base é outra, e inclui, além de um tema original escrito a meias, composições de gente tão variada no estilo e na substância, como Carla Bley, Annette Peacock, George Gershwin, Sonny Rollins, David Raskin, Keith Jarrett, Thelonious Monk, Graham Nash, Ornette Coleman e Bowie/Eno. Todas as composições receberam tratamento delicado, apto a fazer sobressair as qualidades harmónicas e melódicas das peças, ao mesmo tempo que revela aspectos interessantes na leitura que o duo faz de clássicos como Four in One, de T. Monk, ou Law Years, de Ornette Coleman. Louve-se a concentração, o cuidado posto nos detalhes, a sensibilidade, a veia lírica e a beleza poética que perpassam por estes 11 temas de adequado acabamento e elevado fervor emocional.

Rabih Abou-Khalil num concerto ao vivo na Funkhaus de Hamburgo, Alemanha, em Maio de 1988. Rabih Abou-Khalil - oud; Sonny Fortune - saxofone alto; Glen Moore - contrabaixo; Glen Velez - percussão; Ramesh Shotham - percussão indiana.

Geometrias regulares e irregulares na forma e no conteúdo, fluidez, densidade, respiração, elementos visuais associados à progressão sónica, reinvenção acústica espácio-temporal. Vocabulário e pensamento musical colectivo feitos de muitas linguagens convergentes que brotam duma multitude de fontes. Os sinais instigam os acontecimentos, a trip de energia. Naipe de cordas, secções de sopros e de percussão, electrónica de gratinados e ondas oscilantes, pulsão jazz – tudo revisto e aumentado no que ao potencial de contraste tímbrico e textural diz respeito. Música que, a um tempo, transporta em si um exercício de memória, repristinação de vários segmentos do passado – do seu próprio passado – e de página em branco, o momento anterior à consciência.Tribalismo e tentação afro, o drone que arrepia, sons que nascem e se desvanecem sem se saber de onde nem por onde, interpenetração de motivos, nuance, tensão rítmica, explosão, policromia, climax, som total. Um mundo de sonoridades inquietantes que instauram a perplexidade. Outro concerto da Variable Geometry Orchestra, sinfonia para improvisadores envolvidos no processo de ouvir e transformar. Na ZDB, Lisboa, a 3 de Fevereiro de 2007. Próximo concerto: 13.09.07, Centro Cultural de Belém, Lisboa.

Metropolis proudly presents the re-birth of BELLS. Two times a week Metropolis will publish ‘forgotten’ and ‘unread’ material for those with an open mind, ears and eyes to discover or rediscover the revolution in Jazz. Metropolis says Thanks / Danke / Merci / Obrigado to Henry Kuntz, who made this possible after all these years. - Danke für diesen Hinweis, Herr Thiemann, digo eu!

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
ernesto_rodrigues viola, conduction; sílvia_freitas violin; kátia_santandreu viola; guilherme_rodrigues cello; miguel_pereira contrabass; johannes_krieger trumpet; eduardo_chagas trombone; miguel_bernardo clarinet; bruno_parrinha alto clarinet; joão_viegas bass clarinet; jorge_lampreia flute, soprano saxophone; rui_horta_santos tenor saxophone; nuno_torres alto saxophone; lizuarte_borges alto saxophone; ivan_cabral didgeridoo; rodrigo_pinheiro piano; armando_pereira accordion; antónio_chaparreiro electric guitar; nuno_rebelo amplified objects; carlos_santos electronics; jorge_trindade tapes; andré_gonçalves electronics; adriana_sá electronics; joão_silva field recordings; joão_pinto electronics; nuno_moita turntables; hernâni_faustino double bass; pedro_lopes african percussion; monsieur_trinité selected objects; peter_bastiaan drums, alto saxophone, voice.
Galeria ZDB, Lisboa - 03.FEV.07, 23h00

Aqui para nós, que ninguém nos ouve: atenção ao novo disco, já de 2007, de Rob Mazurek, à frente da recém-formada Exploding Star Orchestra, cuja compreende... Nicole Mitchell, em flauta, Jeb Bishop, trombone, Corey Wilkes, flugelhorn, Jeff Parker, guitarra, John McEntire, marimba e tubos, Jim Baker, piano e sintetizador, Jazon Adasiewicz, vibrafone, Matthew Lux, contrabaixo, John Herndon e Mike Reed, bateria, e outra desvairada gente que partilha a mesma e extravagante afinidade musical. E, nem seria preciso referir, inspiração em Sun Ra, of course.... We Are All From Somewhere Else. Cumprimentos à Thrill Jockey por continuar a investir em áreas o jazz que não dão dinheiro a ninguém, só alegria, emoção pura e contentamento desmedido. Por cá, a Dwitza, do broda João Santos, deve ter já tratado de importar e distribuir o produto. We Are All From Somewhere Else.

Esta semana passa pelo Jazz on 3 a talentosa saxofonista alemã Ingrid Laubrock (F-IRE Collective e Nois4, por exemplo), desde há uns anos a viver e a trabalhar em Londres. Ingrid Laubrock, saxofone tenor e soprano, aluna de Dave Liebman e de Myra Melford, toca ao vivo com um quinteto próprio, formado por Barry Green (piano), Ben Davis (violoncelo), Larry Bartley (contrabaixo) e Seb Rochford (bateria), este último o cabeludo baterista do quarteto britânico Polar Bear. O CV da saxofonista acusa colaborações com Kenny Wheeler, Evan Parker, Norma Winstone, Liam Noble, David Liebman, Billy Cobham, Jean Toussaint, Stan Sulzman, Django Bates, Guinga, Jazz Jamaica Allstars, Lol Coxhill, Verywn Weston, David Axelrod, Dina Carroll e Gabrielle, Souxie And The Banshees, Jason Yarde, Grand Union Orchestra, Roberto Pla, Sharon Wrey e Jazz Xchange, The Continuum Ensemble, Frauke Requardt, Tom Arthurs, etc. A ouvir.


Evan Parker e Barry Guy trabalham juntos há decénios em diversos projectos, próprios e de terceiros, colaboração cujo início data dos tempos passados com John Stevens, no Spontaneous Music Ensemble, da década de 60, e na London Jazz Composers Orchestra, que Guy pôs de pé nos primeiros anos da década seguinte. Mais próximas deste tempo é a comparticipação no Electro-Acoustic Ensemble, de Evan Parker, combinação de instrumentos acústicos, como saxofone, piano, contrabaixo e percussão, com uma parafernal bateria de aparelhos electrónicos – habitualmente manipulados por Walter Prati, Joel Ryan, Richard Barrett, Paul Obermayer e Marco Vecchi –, tanto na vertente de fontes originárias de som, como na transformação e processamento do material sonoro à medida que é confeccionado. Para Dividuality (Maya Recordings), disco certamente acarinhado por quem acompanha de perto e com gosto a evolução do segmento electroacústico da obra de Evan Parker, o saxofonista britânico convidou Barry Guy e Lawrence Casserley, tendo como provável propósito estabelecer o mesmo tipo de relação criativa homem-máquina que se vive no Ensemble, aqui reduzida a uma expressão porventura mais nuclear e despojada de adereços. Nesta medida, Parker e Guy dialogam entre si, enquanto Casserly, ao gerar novos sons a partir da matéria-prima que lhe é fornecida, sublinha alguns aspectos, reformula questões, assume um interessante papel de pivot, ao fazer simultaneamente de voz e de eco do complexo pensamento musical em discussão.
De manhã, pela fresquinha, cantam os passarinhos no arvoredo e toca Alan Wilkinson o seu poderoso saxofone barítono, a dissipar os últimos vestígios da noite anterior. Como água fresca. Free Base: o sobredito Alan Wilkinson, saxofones e voz; Márcio Mattos, contrabaixo e electrónica; e Steve Noble, bateria e percussão. Nem só de intensidade explosiva vive o som de Wilkinson. Momentos há, como na vida, em que o músico coloca a peleja entre parêntesis para se abandonar ao doce remanso da quietude introspectiva, essencial para a sedimentar aquilo que nos toca a sensibilidade. A comunicação entre os três vértices do Free Base tem o que de natural pode ter o convívio artístico que inicialmente era para durar o tempo duma sessão, e já vai mais de uma década, como nas melhores relações. Mesmo assim, The Ins and Outs, um Emanem de 2003, é a única prova material do crime continuado, se não se contar com a participação do trio no Freedom of the City, edição do mesmo ano. Expressividade e saber de experiência feito produzem um som espesso e cremoso, graças à versatilidade do sopro de Alan Wilkinson, à ductilidade de Márcio Mattos e do uso invulgar que faz do arco do contrabaixo, elementos que casam na perfeição com a polirritmia solta e inventiva de Steve Noble.
TELECTU @ Maxime
Lisboa, 1 FEV - 23h00