
Retomo um dos meus favoritos de há muito, Lord of Lords (Impulse Records, 1972) – a marca profunda da espiritualidade de Alice Coltrane (1937-2007). Com Charlie Haden (contrabaixo) e Ben Riley (bateria), Alice (piano, órgão e harpa) explora a tensão dramática que se joga entre o trio e a ampla secção de cordas que preparou (11 violinos, 6 violas, 7 violoncelos). O contraste acentua o elemento cósmico presente na música de Alice Coltrane. O anterior World Galaxy (1971) já tinha dado sinais de que a senhora pretendia continuar a aprofundar a relação entre a música ocidental, através do free jazz e da composição contemporânea, e a música oriental, sobretudo na vertente indiana (Turiyasangitananda). Nascido fora da órbita pós-coltraneana em que a pianista se situou entre 1967 e 1971, Lord of Lords aponta para o transcendente e inspira a meditação sobre as coisas da vida. Em Julho próximo sai em LP, reedição japonesa (Impulse!).
1. Andromeda's Suffering; 2. Sri Rama Ohnedaruth; 3. Excerpts from The Firebird (I. Stravinsky ); 4. Lord of Lords; 5. Going Home.

Alice Coltrane. A Monastic Trio

http://www.jazzsupreme.com/

Four Eyed Monsters
Arin Crumley & Susan Buice
Music by: Golden Pastime, The Spinto Band, Giraffe, Gene Serene, Andrew A Peterson, Joel Kennedy, Apes and Androids, Magdon Osh, Courtier, Paper Jones, Stone Jack Jones, National Eye, The Legends, The Unicorns, Seve VS Even, Gingerbread Patriots, The Knife, Gene Serene, M. Craft, Joel Kenedy, Rocket Surgery Kevin Bewersdorf.

Redescoberta de HIROSHIMA, um dos mais psicóticos e desvairados discos da carreira de Sun Ra, que antecipa muitas das hoje tão reverenciadas aventuras da chamada New Weird America. Gravado ao vivo em Montreux, Suiça, em 1983, e publicado originalmente no ano seguinte, na Saturn Records. Uma vista de olhos pela nomenclatura da assim chamada Sun Ra All Stars Band. De uma assentada, John Gilmore, Marshall Allen, Archie Shepp, Don Cherry, Lester Bowie, Philly Joe Jones, Richard Davis, Don Moye e Clifford Jarvis. Juntos, preenchem na íntegra o lado 1 do LP. O programa do lado 2 é todo preenchido com Sun Ra em órgão de igreja, num concerto gravado em Atlanta, Geórgia. O acompanhamento é dado por breves intervenções de percussão e pouco mais. Reedição em vinyl de 180 gramas pela britânica Art Yard Records no âmbito do programa que tem vindo a pôr em prática, de devolver à circulação algumas das peças mais raras e inacessíveis da imensa discografia de Sun Ra.

Das notas: "I was about seven years old when on August 6, 1945 Hiroshima was the first city in the history of mankind to be struck by an atomic bomb -- dropped by the United States Air Force. In our days the only so-called democratic government which applied this mass-destruction weapon for the first time and would not hesitate to use it again, asks other countries to stop the development of nuclear power. What a miserable Christian hypocrisy. Why did Sun Ra title his only acoustic document performed on a church organ Hiroshima? Despite my young age in 1945 I can very clearly remember the gloomy atmosphere in 'bombed-out' Stuttgart with my family sitting around my uncle's place in Schwaebisch Gmnd during the twilight hour and talking about this unbelievable criminal act against Hiroshima. Beside the depressed mood of the talk I only remember the (surely false) fact, that 'Little Boy', as the United States offendingly called their bomb, was only as small as a tennis-ball. Beside the well-known political call and response ritual, 'Nuclear War,' 'Hiroshima,' has a pipe organ solo by Sun Ra, recorded in a theatre in Atlanta, Georgia. By attentive listening, one can discover some other instruments too. One can hear a triangle, a bird whistle, a slap-stick or castanets, a tambourine ring, cymbals, and most likely, different drums. The record was released in 1985 on one of Sun Ra's Saturn long playing records with the number 11-83. The flip side of this record is titled 'Stars That Shine Darkly...' Recorded live at Montreux, Switzerland during the tour of The Sun Ra All Stars, early November 1983." - Hartmut Geerken
Tomai lá do Brötzy...............
American Landscapes Vol. 1 and 2 (Okka Disk): "The Peter Brötzmann Chicago Tentet celebrates its first decade of work together with the release of two new cds on Okka Disk, both recorded in performance at the Stirling Jazz Festival in Scotland last spring. The two albums present the music played at the concert that night in its entirety, each disk contains the music from one complete set. Buy both and a take a full sonic expedition with the band. These documents present the first examples on record of the current working methods of the group; for the last two years the band has been a total improvisation unit. Nothing scripted, nothing written, nothing predetermined. The lineup on American Landscapes features Johannes Bauer, Peter Brötzmann, Mats Gustafsson, Per-Ake Holmlander, Kent Kessler, Fred Lonberg-Holm, Joe McPhee, Paal Nilssen-Love, Ken Vandermark, and Michael Zerang. This group just completed a European tour, with the return of Jeb Bishop to the ensemble, and will present their music stateside on December 1st at the Museum Of Contemporary Art in Chicago".

The Peter Brötzmann Chicago Tentet, a dobrar
Novidades ESP-DISK (para Agosto):
- DON CHERRY, "LIVE AT THE CAFE MONTMARTRE" esp4032
- NORMAN HOWARD, "BURN BABY BURN" esp4033
- VARIOUS ARTISTS, "MOVEMENT SOUL VOLUME II" esp4034

Luther!
23 de Junho foi dia de aniversário do grande
Saxcrobatic Fanatic Luther Thomas, o 57º.
Thomas, membro do
BAG -
Black Artist Group (1968-1972) e
co-fundador do Human Arts Ensemble. Submergiu no início dos anos 80, para mais de uma década depois reaparecer fulgurante, a tocar melhor que nunca, como se pode ouvir na série de discos trepidantes que gravou para a CIMP - Creative Improvised Music Projects: Bagin' It, Saxcrobatic Fanatic, Realities: Old & New e Leave it to Luther. Luther Thomas merece muito mais exposição e reconhecimento do que aquele que tem tido.

Anthony Braxton, Performance (Quartet) 1979
(Hat Hut, 1981)
1. Comp. 69 C (Braxton) 1-4 [36:47]
2. Comp. 69 E (Braxton)
3. Comp. 69 G (Braxton)
4. Comp. 40 F (Braxton)
5. Comp. 69 F (Braxton) 5-7 [34:26]
6. Comp. 23 G (Braxton)
7. Comp. 40 I (Braxton)
Anthony Braxton (saxofones, clarinetes); Ray Anderson (trombone); John Lindberg (contrabaixo); Thurman Barker (percussão, xilofone, gongs).
Jazz Festival Willisau ’79 - Willisau (Suiça), 01/Set/1979



Ted Daniel Quintet – "Tapestry” (Sun Records, 1974)
"Ted Daniel is an American trumpeter in the NYC loft scene who has been sorely under-recorded over the years. This is one of his three full-length albums, recorded in 1974, and features a cast of Jerome Cooper, Khan Jamal, Tim Ingles, and (brother) Richard Daniel. Strangely, this is not the expected free jazz blowout like his self-titled private pressed album is. Instead, Rhodes driven too hot through a leslie with placid improv by Khan and Ted over the top is the order of the day. The result is a gorgeous album that is mellow, modal, and perfectly aimless". - Soul Strut
![[Jazz5as_cartaz.gif]](http://3.bp.blogspot.com/_oE9Ls_S1L7I/RkoIxh-41NI/AAAAAAAAAjQ/CA6kPmF_DDk/s1600/Jazz5as_cartaz.gif)
Ernesto Rodrigues / Manuel Mota / José Oliveira + Nuno Torres, em concerto na Cafetaria Quadrante, do Centro Cultural de Belém, Lisboa, no âmbito do programa Jazz às 5as (21.06.2007). A primeira parte serviu para o grupo tomar a temperatura à sala, cheia com um público heterogéneo, entre curiosos, desatentos, palradores compulsivos, e uma larga maioria de público disponível para se deixar desafiar pelo desconhecido. Ajustados os níveis, feito o aquecimento e preparados os processos, o quarteto arrancou então para uma segunda parte a todos os títulos memorável. Desde logo, pela empática associação entre o trio formado por Ernesto Rodrigues (violino), Manuel Mota (guitarra eléctrica) e José Oliveira (percussão), três dos mais destacados improvisadores da cena lusa, com muitos anos de experiência nos mais diversos cruzamentos e intersecções. À partida o desafio era deveras interessante, posto que Rodrigues, Mota e Oliveira são uma fórmula testada, capaz de nos surpreender pela qualidade e diversidade da oferta estética em cada momento. Ao trio base inicialmente previsto e anunciado, juntou-se o saxofonista alto Nuno Torres. Excelente ideia, aditar este reforço de última hora. Porque o som de Torres tem propriedades acústicas que casam na perfeição com as demais. Daí a naturalidade com que entrou no fluxo, acrescentando um som de saxofone moderno e personalizado.
Para o Jazz às 5.ªs do CCB, a proposta do trio passado a quarteto foi pensada e mentalmente estruturada como uma sessão de improvisação livre, desenvolvida em várias direcções, reconhecíveis como pertencentes às estéticas da livre-improvisação europeia, da música contemporânea de base escrita, e do free jazz moderno, neste último caso, com poucos pontos de contacto com o vocabulário do free clássico, mesmo quando, numa passagem ou outra, se sentisse a presença espiritual do Revolutionary Ensemble, de Jerome Cooper, Leroy Jenkins e Sirone.
Iniciado o andamento, ressaltou de imediato a afinada disciplina de grupo, combinada com a mais ampla liberdade de comunicação, sem quebras ou hesitações na gestão das dinâmicas. Momentos meditativos, subidas graduais de intensidade, trajectórias de crescente tensão, controlo e explosão multicolor.
Nas duas peças de fundo, e a nível individual, destaque para a percussão assertiva e multicolor de José Oliveira, a abrir espaços para as entradas do violino de Ernesto Rodrigues, com passagens expressivas por toda a gama de registos, secundado pela guitarra pós-Bailey, electrizante, esfalfada e virada do avesso, de Manuel Mota, e pela sobriedade rica e elegante do som do saxofone alto de Nuno Torres, que, conhecendo embora as invenções de Evan Parker e John Butcher, segue a sua própria via de afirmação por paragens onde também se pode encontrar o saxofonista francês Heddy Boubaker, por exemplo.
Mais importante que pôr em evidência o trabalho individual de cada improvisador, importa referir que o concerto valeu sobretudo pelo trabalho de escultura sonora. Nessa medida, assinale-se a forma empática como os quatro músicos souberam ouvir-se, reagir e interagir. Musicalidade e controle da energia articulados modo a fazer funcionar o processo criativo enquanto actividade de grupo – o fulcro da música improvisada moderna.
Fred Anderson & Harrison Bankhead - The Great Vision Concert
Exploding Customer - At Your Service
The Fish

Ravi Shankar, The Sounds of India (1968)
Ravi Shankar (sitar), Chatur Lal (tabla), N.C. Mullick (tamboura)

Jerome Cooper & Oliver Lake - For the People (hat hut, 1978)
Jerome Cooper (bateria, percussão)
Oliver Lake (saxofone alto, flauta) 

Vai-se aos sótãos das editoras e por vezes encontram-se preciosidades como esta "nova" gravação de Andrew Hill, original de 7 de Março de 1966 (Blue Note, Connoisseur Series), poucos meses depois de Compulsion. Change – o título sugere uma mudança de direcção na música do pianista, já iniciada no disco precedente – é uma atípica sessão New Thing em quarteto, com Sam Rivers (saxofone tenor), Walter Booker (contrabaixo) e J.C. Moses (bateria). Todas as composições são de Andrew Hill. Não é propriamente um inédito do pianista, pois já havia sido editado em meados da década de 70, sob o nome de Sam Rivers, no LP duplo Involution, e fez parte de The Complete Blue Note Andrew Hill Sessions (1963-66). É caso para festejar.

... Entretanto, o disco de David Torn é mesmo um tornado... (adoro fazer trocadilhos fáceis). Ainda há dias aqui comentei sobre Prezens (ECM), quando só tinha um dia de rodagem. Agora que papei o disco todo e já lhe conheço as manhas e os interstícios – mesmo que cada vez que o ouça descubra coisas que ainda não tinha ouvido, tal é sensação de permanente descoberta – posso afirmar que Mr. Torn meteu a mão na massa, radicalizou o discurso como lhe competia, elevando-o a um ponto de refinamento extremo, ao nível da colagem sonora e da improvisação por sobre e entre placas. Mestre Tim Berne dá uma ajuda preciosa, tal como Tom Rainey e em especial Craig Taborn, que aqui veste a farpela de mago da electrónica, excelente duplo do próprio David Torn, à frente a abrir caminho por entre o nevoeiro. Mesmo sendo expectável (e esperado) que Torn sacasse um disco destes mais cedo ou mais tarde, vinte anos depois de Cloud About Mercury, a surpresa é enorme. É que Prezens enche realmente um homem de emoção e contentamento. Disco do ano, já(zz)! Ai e tal, não tem swing e o Duke Ellington e o Irving Mills disseram que sem swing não se faziam omeletas... Pois, pois, é melhor não ouvir... Inclassificável e muito bom.
Futurismo Retro
"David Torn, guitar hero, produtor de dezenas de discos de referência (Ryuichi Sakamoto, David Sylvian, Drew Gress, David Bowie, entre muitos outros), e um dos mais requisitados compositores de música para cinema (“Traffic”, “The Departed”), regressa à casa de Manfred Eicher com um novo disco que não deixa ninguém indiferente. Em “Prezens, Torn reúne três dos maiores improvisadores nova-iorquinos, o saxofonista Tim Berne, o teclista Craig Taborn e o baterista Tom Rainey, e realiza uma obra maior que destila de forma única o orgânico e o sintético. Na primavera de 2005 os quatro músicos juntaram-se num estúdio no vale do rio Hudson e gravaram cerca de doze horas de improvisação colectiva. Dessas fitas nasceu “Prezens”, um dos mais fascinantes objectos audio a marcar o ano de 2007. E um dos seus maiores fascínios deve-se à característica, bem própria dos métodos de produção de Torn, da ambiguidade; Quem toca o quê? De onde vêm aqueles sons? O que se ouve é o saxofone processado de Berne ou a guitarra distorcida de Torn? O que foi realmente tocado “live” e o que foi posteriormente editado em estúdio?
Todas estas questões, que ganharam particular relevo na recente reavaliação da obra de Miles Davis e do trabalho para si realizado pelo mago de estúdio Teo Macero, perdem a sua importância ao sermos envolvidos pelos sons de “Prezens”. Rasgos metálicos, negros, atravessam uma música atmosférica, espacial, desconstruida, que pega em direcções do melhor progressivo do séc XX, e as projecta directamente no futuro daquilo que imaginamos possa ser o jazz criativo do séc XXI. Algo que poderia resultar das personalidades musicais conjuntas de King Krimson, Laurie Anderson e Radiohead, todos eles sob o espírito libertário de Sun Ra.
O início do disco, “AK”, surpreende de imediato quando, após uma introdução estratosférica de Torn, surge o órgão Hammond deliberadamente hesitante de Taborn. Ecos longínquos do blues de Lightnin’ Hopkins, Booker-T ou John Patton, resgatados para um futuro cibernético. O “grito” do saxofone alto de Berne manipulado e convertido em pura distorção digital. Os blues irão um dia soar assim. No segundo tema, “Rest & Unrest”, dá-se uma mudança súbita de registo e surge uma voz que recorda por momentos a poética futurista de Laurie Anderson, envolvida na electrónica digital narcótica de Torn e Taborn. A colisão de sons continua, por vezes próximo do puro “noise” (como em “Sink”), com Torn a exibir o seu característico virtuosismo, contido, altamente sofisticado, bem longe da pirotecnia que afecta muito do jazz dito progressivo que se faz actualmente. Em “Prezens”, cada tema funciona como um organismo vivo, em constante mutação, sendo frequente os temas terminarem de forma totalmente diferente da que começaram. “Neck deep in the harrow...” arranca com um groove que poderia ter sido gravado nas sessões de “Agartha” de Miles Davis, para depois derivar, de forma progressivamente intensa, para uma malha totalmente abstracta de som. Em “Prezens”, David Torn alcança um equilibrio notável entre composição e improviso, uma dialética que é, cada vez mais, o santo graal do jazz contemporâneo. Concentração total e abandono espiritual" - Rodrigo Amado, in Público (Y, 15/06).

Lezrod - Genki Vol. I ()
marcello maggi_trompete
pedro roxo_contrabaixo
bechir saade_clarinete baixo
josé oliveira_percussão
joão silva_laptop + video
nicholas christian_baixo eléctrico
26 de Junho, 19h30_Bacalhoeiros, Lisboa


Chris McGregor's Brotherhood of Breath
Chris McGregor (piano); Dudu Pukwana (saxofone alto), Evan Parker (saxofone tenor), Gary Windo (saxofone tenor), Mike Osborne (saxofone alto), Mongezi Feza (trompete), Harry Beckett (trompete), Marc Charig (trompete), Nick Evans (trombone), Malcolm Griffiths (trombone), Harry Miller (contrabaixo), Louis Moholo (bateria).
A Brotherhood Of Breath, orquestra de Chris McGregor, integrou os extintos Blue Notes, grupo formado em Londres por expatriados sul-africanos durante a década de 60, a que o pianista acrescentou alguns dos melhores improvisadores britânicos. Apesar de muito activa durante a primeira metada da década seguinte, editou apenas três álbuns. Travelling Somewhere foi gravado num clube de jazz de Bremen, Alemanha, para transmissão radiofónica. Recuperada a gravação, este é o melhor documento da Brotherwood of Breath ao vivo que se conhece. Gravação ao vivo, a 19 de Janeiro de 1973, Bremen, Alemanha.
MRA (12.14); Restless (09.47); Ismite is might (03.58); Kongi's theme (06.44); Wood fire (13.41); The bride (06.26); Travelling somewhere (07.21); Think of something (09.55); Do it (09.19).
![[IMG_1920-4[1].JPG]](http://3.bp.blogspot.com/_5zeRyLslS4c/RnWELQx-JII/AAAAAAAAAq8/15xc1d8aDhU/s1600/IMG_1920-4%5B1%5D.JPG)
VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
ernesto_rodrigues viola, conduction; guilherme_rodrigues cello; sei_miguel pocket trumpet; pedro_portugal trumpet; marcello_maggi trumpet; fala_mariam trombone; eduardo_chagas trombone; gil_gonçalves tuba; jorge_lampreia flute, soprano saxophone; nuno_torres alto saxophone; abdul_moimême tenor saxophone; peter_bastiaan alto saxophone, melodica, poetry; miguel_bernardo clarinet; bruno parrinha alto clarinet; joão_viegas bass clarinet; olympia_boule voice; armando_gonçalves_pereira accordion; antónio_chaparreiro electric guitar; carlos_santos electronics; travassos electronics; joão_pinto electronics; nuno_moita electronics; andré_gonçalves electronics; adriana_sá electronics; rafael_toral electronics; plan turntables; hernâni_faustino double bass; rachiim_ausar_sahu double bass; pedro_castello_lopes african percussion; césar_burago percussion; josé_oliveira drums.
![[qpsm.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_qjGZcOm_e5g/Rl8QxiGo3aI/AAAAAAAAALQ/kuMXUhs-93E/s1600/qpsm.jpg)
Matthew Shipp (piano), Frank Lacy (trombone), Sabir Mateen (saxofone tenor), Zane Massey (saxofone tenor), Tulivu Cumberbatch (voz), Lee 'Beaver' Pearson (bateria), Ras Tschaka Tonge (congas, shekere), Amos Oscar Debe (percussão), Sawadogo Levi (percussão), Rachid Rivers (percussão), Joy Chatel (percussão).

Karlheinz Stockhausen - Elektronische Musik 1952-1960. Part 1 & Part 2.

Entrevista/ensaio de 2001, com William Parker, publicada no 50 Miles of Elbow Room. O contrabaixista elabora livremente sobre os primeiros tempos da sua carreira, a vivência, durante boa parte dos anos 70, da fase Loft Jazz, em Nova Iorque. Fala sobre Charles Tyler, o quarteto Other Dimensions in Music, Sound Unity – tudo o que preparou o caminho para a criação do Vision Festival, cuja XII edição terá início dentro de dias (de 19 a 24 de Junho).
![[LP44-45.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_8nY7OEKRfew/RhkOwvfh9LI/AAAAAAAAAAc/Q_B1iJe_1So/s1600/LP44-45.jpg)
(Caprice, 1972)
Disco obscuro na carreira de Don Cherry. Duplo LP de free folk, gravado na Suécia durante o período em que Cherry viveu no seio da comunidade hippie local. Inclui uma versão curta (6'35) de The Creator Has A Master Plan, original de Pharoah Sanders.

O assunto é
podcast? Então vamos lá visitar a
Rare Frequency (
experimental, electronic, improv, noise, avant-pop, and other out-there music), que, como a
Nau Catrineta, tem muito que contar.
Right click, para quem não sabe como se faz para ouvir. Depois, botem no leitor de mp3 e vão dar uma curva. O
mais recente pod (nº 16) é do artista sonoro
Ernst Karel (electrónica analógica e trompete). Para conhecer melhor o trabalho de Ernst Karel, ver
entrevista publicada na página da
Rare Frequency.

Muito aguardado, Prezens, de David Torn está aí. E vai dar que falar. Torn é guitarrista que já ultrapassou esse "problema". O papel da guitarra, aquilo que se espera dela em termos sonoros e conceptuais – o que afinal identifica um som como tendo origem numa guitarra eléctrica – há muito que foi por ele posto em crise. David Torn inclui muito pouco do que tradicionalmente se poderia esperar das seis cordas electrificadas, e quando o faz, fá-lo mais sob a forma de vestígios do que ficou, memórias de como o instrumento soa habitualmente noutras mãos que não as dele. O investimento é posto na concretização de uma outra ideia, a da busca de novos sons, padrões rítmicos e texturas. A tarefa de abrir caminho para um novo papel da guitarra no jazz contemporâneo – uma mudança de paradigma na abordagem do instrumento. Não se ouvem solos de guitarra convencional, substituídos por ambientes e paisagens que podem parecer de fonte electrónica, como drones e outras soluções estéticas, bastante na linha do que já vinha de outro conceito arrojado, o de Science Friction, de Tim Berne. A prolongada colaboração com este projecto do saxofonista, e com Hard Cell do mesmo Berne, já nos tinha dado a conhecer uma parte do trabalho de Torn enquanto músico e produtor. Designer sonoro, melhor dito. E hábil manipulador, que sabe usar a pós-produção como forma de afirmar a sua estética personalizada, em permanente reconfiguração. Foi pois um longo caminho aquele que trouxe David Torn até Presenz, disco prontamente apadrinhado pela ECM Records, que assim também refresca o seu projecto editorial, ao dar guarida a um trabalho desta natureza, desafiante dos conceitos e convicções que todos temos sobre o que são hoje o jazz, a música improvisada, o rock progressivo e a música electroacústica. Não se trata de um pós-tudo, como tanto por aí se ouve. O que Prezens representa é antes o abrir de um novo curso para o rio que já vem de muito longe, desvio que inclui na corrente antigos e novos afluentes, para formar uma nova identidade sonora. Uma obra-prima? Provavelmente sim. Gravação de Março de 2005, no Clubhouse Studio, Rhineback, Nova Iorque, com Tim Berne (saxofone alto), Craig Taborn (órgão Hammond B-3 e piano Fender Rhodes, Mellotron, bent circuits), e Tom Rainey (bateria). Num dos temas (Miss Place, the Mist...), Torn adicionou outro baterista, Matt Chamberlain.
Pharoah Sanders (saxofone tenor, flauta) em concerto no Antibes Jazz Festival, edição de 1968. Com Lonnie Liston Smith (piano), Sirone (contrabaixo) e Majeed Shabazz (bateria).

A mais recente fornada saída da
LJ Records, com cinco novas edições, impressiona pela riqueza de conteúdos e pela variedade das propostas, ainda que se possa dizer que os discos têm em comum uma linha estética dominante, dentro do que poderia designar por jazz moderno de base electroacústica.
Ove Johansson, e a parceira
Susanna Lindeborg, além de curadores da editora (as iniciais LJ), exemplo feliz de empresa gerida pelos próprios músicos, onde têm realizado um trabalho assinalável no lançamento e na divulgação de nomes importantes do jazz nórdico, também são exímios criadores musicais. Veteranos, há muito que têm vindo a deixar a sua marca no panorama do jazz europeu. E continuam a surpreender, pela capacidade de apresentar hoje algumas das propostas editoriais mais interessantes, projectos de duvidoso retorno económico, mas de sucesso artístico garantido.

O primeiro disco desta sequência reúne o duo da casa,
Susanna Lindeborg e
Ove Johansson. A dupla embrenha-se numa sequência de temas improvisados, criados a partir de uma base escrita mínima; saxofone e piano “picam-se” reciprocamente por entre trepidações e assimetrias rítmicas com origem no tratamento da electrónica em tempo real. É desta combinação que se desenvolve a estrutura dos temas. Pessoalmente, dar-me-ia melhor com um pouco menos de sintetizador, que umas vezes acrescenta
momentum, outras parece querer atravessar-se no caminho dos instrumentos acústicos, fazendo-os atrasar o passo. Seja como for, de um modo geral,
Lines é muito satisfatório e aguenta muitas audições, ao cabo das quais o sintetizador já não satura tanto a panorâmica.

O mesmo carácter inquietante e sentido de movimento contínuo vão ser reencontrados em
Like Jazz, disco do trio
Natural Artifacts. De novo o par
Ove Joahnsson e
Susanna Lindeborg, que aqui deixa a electrónica a cargo de
Per Anders Nilsson. O resultado deste entendimento a três é um set arriscado que combina free form e electro-jazz. Texturas e ritmos fracturados, de criação laptópica, provocam a execução pianística de Lindeborg e contagiam o sax tenor de Joahnsson, que se lança para criar os momentos mais intensos do disco. Três vozes individuais empenhadas em servir a expressão colectiva. Atento às diferentes formas de expressão da música contemporânea, o grupo vê no jazz, menos um género musical que uma atitude criativa. Resulta, e é isso que importa.

Com
Triolos, do
Christer Bothén Trio, o caso muda formal e substancialmente de figura. Ao clarinete baixo e cordofones de origem africana do líder, agregam-se as guitarras de David Stackenäs e o alaúde e a guitarra de Peter Söderberg Teorb. Ambos os guitarristas têm ainda um fraquinho pelo que designam por
low budget electronics, o mesmo que electrónica de trazer por casa. Muito interessante, o que este trio sueco (uma vez mais) consegue com tão invulgar instrumentação. Com arrojo e criatividade, eles pegam-se, despegam-se, seguem caminhos paralelos do jazz, world e new music, convergem numa base comum, para depois partirem nas direcções mais díspares, sem que se saiba de antemão qual vai ser o próximo passo, tanto nos solos de clarinete baixo, como nas combinações deste com as cordas. Som da surpresa, diz-se tantas vezes a despropósito em relação a certas manifestações jazzísticas, afinal tão previsíveis. Este caso é verdadeiramente surpreendente. Ouvido de ponta a ponta, o melhor elogio que se lhe pode fazer é que apetece sempre voltar ao princípio para novas viagens.

“Contemporary ethnic music from the Baltic Sea with Sten Sandell”. Assim se anuncia o novo disco do pianista sueco, um conjunto de temas no formato canção, executadas em piano, electrónica e processamento vocal. Uma das figuras cimeiras da improvisação contemporânea, Sten Sandell oferece-nos em
Music in the World of Sten Sandell um dos seus grandes momentos como pianista, o quarto a solo para a LJ Records. Hábil gestão dos contrastes claro/escuro, luz/sombra, tensão/distensão. Piano solo intimista e aberto às pequenas coisas que, estando para lá do piano, compõem o seu imaginário pessoal. Música absolutamente invulgar, “clássica” na concepção e moderna na expressão, liberta das regras formais é diferente de tudo o que se possa ouvir rotulado como piano solo e efeitos. Sten Sandell, ainda não conhecido e valorizado pelo público do jazz em geral, afirma-se solidamente como um dos grandes pianistas contemporâneos. Este
Music in the World of Sten Sandell é um passo de gigante nesse sentido.

Um dos grupos mais afamados em círculos conhecedores do que se tem passado no jazz europeu dos últimos 30 anos, é o
Mwendo Dawa. Liderado pela pianista/teclista Susanna Lindeborg, o quarteto completa-se com Ove Johansson, sax tenor e electrónica; Jimmi Roger Pedersen, baixo e laptop; e David Sundby, bateria. O quinto disco desta série LJ Records,
Live at Fasching, suporta a gravação de um concerto do grupo no clube Fasching, em Estocolmo, Suécia, em Setembro de 2005. Muito virado para exploração sonora de todo o tipo de combinações tímbricas e de cores em ambiente de improvisação sobre composições abertas, o Mwendo Dawa unifica os universos do jazz americano e europeu, aproveitando o melhor de dois mundos. Nessa medida, o grupo evoca episódios do histórico Circle, de Chick Corea, com Anthony Braxton, Dave Holland e Barry Altschul. Muito bem feito, à maneira nórdica. Distribuição em Portugal pela
Sonoridades, Porto.

Out.Fest 2007
O Out.Fest é um festival anual cuja programação procura reflectir o que de mais significativo se faz actualmente na música experimental contemporânea, nas suas mais diversas ramificações – da música improvisada à electrónica abstracta, do free-jazz ao noise e ás novas e inclassificáveis linguagens que todos os dias nascem e enriquecem um pouco mais o mundo.
A par com a música, convive todo um excitante universo de experiências e cruzamentos inter-media que fervilha de novidade, desafiando as regras e as fronteiras clássicas das diversas formas de expressão artística e humana.
O conceito de Imagem, no contexto do Out.Fest, pretende acolher e abranger todas as formas de expressão artística não estritamente musical, procurando ser um ponto de divulgação de novos e interessantes caminhos nas áreas do cinema, vídeo, fotografia, artes performativas e do vastíssimo mundo das artes de expressão plástica. Da necessidade de um evento que assinale a extrema importância de toda esta actividade nas margens e linhas da frente da cultura dos nossos dias surge o Out.Fest. A partir da periferia de Lisboa, grande centro cultural do país, traça-se um paralelo quase perfeito com a periferia do mainstream artístico, região fértil e laboratório insuspeito da grande arte dos nossos tempos.

TRIO BWW
[insub18]
Nusch Werchowska: cadre de piano, micros
Mathieu Werchowski: violon
Heddy Boubaker: sax alto
Recorded live, Château de Lafage, 11/03/2007
by Sébastien Cirotteau. Masterised by Heddy Boubaker

Charles Lloyd Quartet at Jazz Workshop, Boston, 5.12.1972
Charles Lloyd (n. 1938) ao vivo no Jazz Workshop, Boston, EUA, em 5 de Dezembro de 1972, meses depois da edição do LP Waves, na A&M Records. Emissão radiofónica de um concerto com a duração aproximada de uma hora, antecedido de uma breve (5 minutos) prelecção do saxofonista, na qual dá largas ao insuspeita vocação para encher chouriços, até receber sinal de que tudo estaria a postos para se iniciar a emissão. Em Boston, Charles Lloyd (saxofone tenor e flauta) apresentou com Tom Trujillo (guitarra), Song House (baixo eléctrico) e Woodrow "Sun Ship" Theus II (bateria), praticantes convictos de um estilo híbrido de coltranismo tardio, de rock/groove psicadélico da West Coast e jazz pós-bop, com alguns prenúncios orientalistas, ainda leves, de new age. Seria esta última via que Lloyd viria a aprofundar e desenvolver na fase seguinte, até ao período temporalmente mais próximo, marcado pela prolongada residência na atmosférica ECM Records, iniciada em 1989. O crossover sempre foi a imagem de marca de Charles Lloyd, e este concerto de 1972 é bem o exemplo da sua capacidade de cruzar e integrar estilos, marcas e influências. (boneco e mp3, cortesia do Melodiradion).

Waves

John Stevens/Evan Parker - The Longest Night, Vol. 1 & Vol. 2
Evan Parker_saxofone soprano
John Stevens_percussão/corneta
(Riverside Studios, Londres, 1976)
A gravação de THE LONGEST NIGHT, dois LPs Ogun de 1976 que não viram (ainda) o formato CD, juntou Evan Parker e John Stevens em estúdio na noite mais longa do ano, 21 de Dezembro. Os temas foram nomeados com a hora exacta a que as improvisações tiveram sucessivamente início (Vol. 1: 19.11; 19.44; 20.23; Vol. 2: 21.25; 21.47; 22.18; 23.12 e 23.40). Fotografia de Jak Kilby e Laurence Cutting. Evan Parker, saxofone soprano, e John Stevens, percussão e corneta. A música é seca, impetuosa e frequentemente áspera, mas, a despeito desta impressão mais imediata e superficial, um ouvido atento, curioso e com capacidade de se deixar tentar por estes sons, é capaz de descobrir a vida que existe para além da primeira camada, de onde, às primeiras, parecem afastados quaisquer sinais melódicos ou de progressão rítmica que façam sentido e que se pereçam com qualquer coisa se ouve no jazz em sentido corrente.

Não é tanto assim. Se bem se reparar, na improvisação 21.25, que abre o Vol. 2, é possível detectar vestígios melódicos de Tenderly, por exemplo... . Isto, para responder da forma mais chã à questão que já me foi colocada várias vezes, sobre como ouvir esta música, que parece intragável, impenetrável e destituída de qualquer sentido. Parece, mas não é. Não há uma receita, mas ajuda muito não desistir às primeiras. A recompensa está guardada para quem persistir. Dá trabalho e é preciso mente aberta e disponibilidade mental para poder passar para lá da "esfrega" inicial e começar a apreender esta música extraordinária. Ao cabo da terceira audição, o ouvido não treinado começará a notar alguma nitidez e a conseguir familiarizar-se com o que ainda há pouco lhe parecia ruído aleatório e desconexo. Nada mais longe da realidade escondida.

The Longest Night

John Coltrane - Infinity (Impulse!, 1972)
Álbum póstumo de John Coltrane, "visto" por Alice Coltrane. Foi no papel de produtora que a pianista lhe deu a conformação final, tendo redesenhado o disco à luz das concepções estéticas, filosóficas e religiosas dos anos 70 que perfilhava nos anos 70. Às gravações originais, datadas de 1965 e 1966, a senhora Coltrane juntou arranjos de cordas, sobrepôs novos segmentos rítmicos, aditou novos solos de piano, órgão, harpa, tamboura, etc, e publicou tudo em 1972 na Impulse! Records, sob o título Infinity. O disco levou muita pancada da crítica e fez os admiradores de Coltrane vociferar durante décadas contra a heresia e o atentado perpetrados pela viúva. Um olhar actual, desapaixonado e distanciado da antiga refrega, é passível de revelar outras perspectivas estéticas e fazer sobressair os aspectos positivos (que os há e muitos) de uma obra que tem tanto de controverso como de estimulante. A favor, entre outros, joga o facto de Alice Coltrane não se ter limitado a juntar mais ingredientes, mas a contribuir decisivamente para uma nova concepção e organização sonora a partir do material original que já era conhecido e com o qual o ouvinte pode fazer o cotejo. John Coltrane - Infinity, o re-edit de Alice Coltrane.

Tony Scott, um dos decanos do jazz contemporâneo, recentemente falecido, gravou este disco pouco tempo antes de partir, aos 86 anos. A Jazz Life, editado pela Kind of Blue Records em Abril passado, ficou como o canto do cisne do grande clarinetista americano de ascendência italiana. Ultimamente, Tony Scott atravessava uma fase de relativa obscuridade, ele que começou nos primórdios do bebop, e conviveu com as maiores figuras do jazz, como Ben Webster, Dizzy Gillespie, Tommy Dorsey, Duke Ellington, Sarah Vaughan, e tantos outros. Andou pela new age, de que também foi pioneiro (ouça-se Music For Zen Meditation, de 1964), influenciou sucessivas gerações de músicos e inspirou as aventuras de John Coltrane e de Pharoah Sanders. A Jazz Life é essencialmente um disco de standards, que Scott revisita e acrescenta, por muito batido que algum do material versado já se encontre. O que faz é injectar-lhe humor e frescura, rejuvenescendo a matéria-prima seleccionada. Dos onze temas do programa (Low, down, dirty, good-for-nothing blues; Caravan; Come Sunday; Summertime; Satin Doll; Nina's Dance; 'Round Midnight; You don't know what love is; Body and Soul; Night in Tunisia e Lush Life) Scott compôs dois. Toca clarinete no seu estilo aveludado inimitável, dá umas achegas no piano e também canta blues, enquadrado por um quinteto composto por Ben Wendell (sax tenor), Shane Endsley (trompete) Adam Benjamin (piano e Fender Rhodes), Raveh Rastegar (contrabaixo) e Nate Wood (bateria). A edição áudio é acompanhada por um interessante DVD de meia hora, que ilustra a gravação do disco em estúdio. Distribuição lusa pela Dwitza.

Ajustamento na formação que Ornette Coleman traz a Lisboa, ao Jazz em Agosto/2007 - ORNETTE COLEMAN "SOUND GRAMMAR": o inicialmente previsto quarteto passa a quinteto, com participação de um segundo contrabaixista, Charnett Moffett (na foto, de Joe Smith), que se junta a Tony Falanga (contrabaixo), a Al Macdowell (baixo eléctrico), Ornette Coleman (saxofone alto, violino, trompete) e a Denardo Coleman (bateria). Um reforço mais para o mote "pianos, baixos, tubas & vozes" que este ano enforma o JeA.

"I follow the school of thought that says there are basically three phases in Coltrane’s musical life. I would identify his activities from the beginning up to 1961 as one phase. From ‘61 onward to ‘65 or ‘66 there is the period where he was leading his own group, especially what’s now often referred to as the classic quartet with McCoy Tyner, Jimmy Garrison and Elvin Jones. At the end of this phase, there is the transition period where Coltrane’s determination to keep moving forward, finding new possibilities, strained the quartet to the point where Elvin was unhappy with the addition of other drummers and McCoy Tyner probably couldn’t hear himself anymore. These are all matters of public record and I don’t think it’s wrong to talk about them. This transition led to the late period of Coltane’s life which, although you would think that the area that I might be most expert on, it is actually the area that I know least about. That’s partly because it overlaps with my own entry into a full-time relationship with music, attempting to be a professional musician, which, for me, started probably around ‘65, and ’66. There was no clear beginning for me between playing with student bands and then gradually earning some money by doing that and then gradually meeting the players that I thought I wanted to play with. All of this was happening during the last period of Coltrane’s life. At that time, his music from that period was available to us only through recordings. The last tour that Coltrane was supposed to have made of Europe was scheduled for 1966 but it was cancelled. His health was already suffering at that point and that’s probably the reason that last tour was cancelled. So we in Europe never got to hear those late Coltrane performances, the type that were documented during the tour of Japan. It’s hard to imagine what the response would have been in England; but I’m fairly sure that itwould have been pretty hostile. By then, Coltrane’s music was a step too far for many people. (...)".

DJ Dr. Auratheft, também conhecido por
Siebe Thissen, pegou em lps de
Sun Ra e da
Arkestra e preparou dois sets, um set de 71’ e outro de 61', respectivamente, que são de se lhe tirar o chapéu. Bem-hajas, broda Dr. Auratheft, por este trabalho! Excelentes portas de acesso ao maravilhoso mundo de Sun Ra - músico, compositor, poeta, filósofo - para quem ainda ande a tentar os primeiros passos na descoberta das luxuriantes paisagens sonoras criadas pelo mestre. Nesta medida, funcionam em pleno como uma espécie de
young person’s guide to…. Quem, sendo já versado e conhecedor de parte ou da integral da vastíssima obra gravada de
Sun Ra (ainda ando a desvendar segredos dos 45 lps Saturn que Roberto Barahona me fez chegar há meses), passa a ter, num só ficheiro, vezes dois, uma quantidade generosa de temas de vários discos, ligados entre si, para ouvir no leitor de mp3, no computador, ou, queimando um cd-r, ouvir no carro ou em qualquer aparelho de sala.
1. Outer Space Ways Inc.; 2. We Travel The Space Ways; 3. Moon Dance; 4. Angels & Demons At Play; 5. China Gates; 6. Ancient Ethiopia; 7. Solar Symbols; 8. Saturn; 9. Love In Outer Space; 10. Cosmos Fire Part 2; 11. That’s How I Feel; 12. The Satellites Are Spinning; 13. Nuclear War; 14. Tiny Pyramids; 15. We’ll Wait For You; 16. Outer Space Ways Inc.; 17. Plutonian Nights; 18. Where Pathways Meet; 19. Scene 1, Take 1; 20. Of Invisible Them (Poem).
1. Pyramids; 2. Journey To The Stars; 3. Blackman; 4. Kingdom Of Thunder; 5. Hidden Spheres; 6. Moonship Journey; 7. Twin Stars Of Thence; 8. Celestial Roads; 9. I’ll Wait For You; 10. Love in Outer Space; 11. When Angels Speak Of Love; 12. They’ll Come Back; 13. Island In The Sun; 14. Interstellar Low Ways.

SR&HA... Prepare Yourself for the Moonship Journey...

Bomba!
Gino Robair, da
Rastascan Records, tem pronto para editar, ainda durante a Primavera,
Anthony Braxton Nine Compositions (DVD) 2003. Ao todo, 6 horas e meia de concertos com diferentes formações, por onde passam Taylor Ho Bynum, Greg Kelley, John Shiurba, Scott Rosenberg, Dan Plonsey, Gino Robair, Jay Rozen, Kyle Bruckmann, Liz Allbee, Justin Yang, Matt Ingalls e Sara Schoenbeck.

Sábado, 9 de Junho, na
ZDB (
new_directions_sessions), em Lisboa ....
Rafael Toral solo (sintetizador modular) para apresentação de Space Solo 1, acabado de sair na alemã Quecksilber, e dá continuidade ao "Space Program", iniciado com Space (Staubgold), em 2006. A seguir, Toral actua com o Space Trio: Rafael Toral (amplificador MT-10 modificado), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Marco Franco (bateria).

Pharoah Sanders Quintet
July 18, 1971 - Nice, France (Radio)
1. Jamil (Sanders)
2. The Creator Has A Master Plan (Sanders-Thomas)
3. Let Us Go Into The House Of The Lord (Sanders)
Pharoah Sanders (saxofones tenor e soprano, flauta, tamboura e percussão); Lonnie Liston Smith (piano); Cecil McBee (contrabaixo); Jimmy Hopps (bateria);
Lawrence Killian (bongo)
![[cover.jpg]](http://1.bp.blogspot.com/_EN2qXOc09bg/RkU5p-lWcvI/AAAAAAAAAIo/j4hKrLjlP7o/s1600/cover.jpg)
Abdul Wadud - By Myself (Bishara, 1977)

Ao vivo, o Indigo Trio de Nicole Mitchell (flautas), Harrison Bankhead (contrabaixo) e Hamid Drake (bateria e percussão). Novas andanças da AACM em concerto de Junho de 2005, em Montreal, Canadá (Suoni per IL Popolo Festival). A estreia do Indigo Trio, Live in Montreal, acabou de sair na editora de Dave Douglas, Greenleaf Music (Paperback Series, Vol. 3).
"Three of Chicago's finest improvisors, this trio, sometimes known as Indigo Trio, have consistently rewarded audiences around the world with some of the most original music being made today. Nicole Mitchell has been celebrated for bringing a exciting new approach to flute improvisation. Co-president of the Association for the Advancement of Creative Musicians (AACM), Mitchell is the founder of the critically acclaimed Black Earth Ensemble and Black Earth Strings. Mitchell placed #1 in Downbeat magazine's critic's poll for "Rising Star Flutist 2006." Mitchell has performed with George Lewis, Anthony Braxton, Lori Freedman, Miya Masaoka, James Newton and Muhal Richard Abrams. She also works on ongoing projects with Ed Wilkerson, David Boykin, Dee Alexander and Arveeayl Ra. Hamid Drake has been widely regarded as one of the best percussionists in improvised music. Drake has created his own original style of drumming by incorporating Afro-Cuban, Indian, and African percussion instruments with his mastery of creative music, avant garde, R&B, funk, reggae and soul. Drake's longest musical association is with Fred Anderson, with whom he has worked from 1974 to the present day. Over the years, he has collaborated extensively with other top improvisers including David Murray, Pharoah Sanders, William Parker, Peter Brotzmann, Ken Vandermark, Don Cherry, Mahmoud Gania, William Parker, and Michael Zerang among others. Harrison Bankhead, Chicago's premier bassist of creative music, is best known for his great work with Ed Wilkerson's 8 Bold Souls. Bankhead has performed with Oliver Lake, Joshua Redman, Fred Anderson, Von Freeman, The Waukegan Symphony, Roscoe Mitchell, Billy Pierce, Billy Harper and many others. The Indigo Trio provides a space for Bankhead and Drake to continue a musical collaboration that they began as teenagers. Bankhead and Mitchell also have a history performing together in Frequency collective".

Dia 3 de Agosto, sexta-feira
21h30 – MUHAL RICHARD ABRAMS - GEORGE LEWIS - ROSCOE MITCHELL (EUA) Muhal Richard Abrams (p), George Lewis (tb, laptop), Roscoe Mitchell (sa, ss, perc)
Dia 4 de Agosto, sábado
15h30 – MUHAL RICHARD ABRAMS (EUA) "Projecting your own individualism" – conferência
18h30 – HUBBUB (FR) Frédéric Blondy (p), Bertrand Denzler (st), Jean-Luc Guionnet (sa), Jean-Sébastien Mariage (g el), Edward Perraud (bat)
21h30 – NIK BÄRTSCH'S RONIN (SUIÇA) Nik Bärtsch (p, p el), Sha (cl b, cl ctb), Björn Meyer (b el), Kaspar Rast (bat), Andi Pupato (perc)
Dia 5 de Agosto, domingo
15h30 – CARLOS ZÍNGARO - JORGE LIMA BARRETO (PT) Carlos Zíngaro (vl), Jorge Lima Barreto (p)
18h30 – LOW FREQUENCY TUBA BAND (PT, UK) Sérgio Carolino (tuba), Oren Marshall (tuba), Marcus Rojas (tuba), Jay Rozen (tuba), Alexandre Frazão (bt)
21h30 – CRIMETIME ORCHESTRA (NORUEGA) Vidar Johansen (st, sb, cl b), Jon Klette (sa), Kjetil Møster (st), Gisle Jiohansen (st), Øivind Brekke (tb), Sjur Miljeteig (tp), Mats Eilertsen (b el), Per Zanussi (ctb), Anders Hana (gt), Christian Wallumrød (p, tecl, sfx), Eudun Kleive (bat), Stig Henriksen (sound designer)
Dia 9 de Agosto, quinta-feira
18h30 – "ORNETTE: MADE IN AMERICA" - filme documental de Shirley Clarke (EUA, 1985, 80m)
21h30 – JOE FONDA'S BOTTOMS OUT "LOADED BASSES" (EUA, ALEMANHA) Joe Fonda (ctb), Claire Daly (sb), Joe Daley (tuba), Gebhard Ullmann (cl b), Michael Rabinowitz (fagote), Gerry Hemingway (bat)
Dia 10 de Agosto, sexta-feira
15h30 – "MY NAME IS ALBERT AYLER" - filme documental de Kasper Collin (SUÉCIA, 2005, 79m) - apresentação pelo realizador
18h30 – ORNETTE COLEMAN (EUA) – alocução
21h30 – QUARTET NOIR (SUIÇA, EUA, FRANÇA) Urs Leimgruber (st, ss), Marilyn Crispell (p), Joëlle Léandre (ctb), Fritz Hauser (bat)
Dia 11 de Agosto, sábado
15h30 – JOËLLE LÉANDRE (FRANÇA) - solo contrabaixo
18h30 – TIMBRE (EUA, ALEMANHA, ÁUSTRIA) Lauren Newton (voz), Elisabeth Tuchmann (voz), Oskar Mörth (voz), Bertl Mütter (voz, tb)
21h30 – ORNETTE COLEMAN "SOUND GRAMMAR" (EUA) Ornette Coleman (sa, viol, tp), Tony Falanga (ctb), Charnett Moffett (ctb), Al Macdowell (b el), Denardo Coleman (bat)

Muhal Richard Abrams
2 . Something To Play On (Shaw) ;
3 . Re-Cre-A-Tion (Lake) ;
4 . OLCSJBFLBC (Bowie, Lake, Shaw, Le Flore, Carroll)
Oliver Lake / Joseph Bowie / Baikida Carroll
Floyd Le Flore / Charles "Bobo" Shaw
(Ver texto de Bill Shoemaker - The Circle with a Hole in the Middle
Rare Vinyl Revisited, Point of Departure, Janeiro de 2006)

PIANO, PIANíSSIMO...
Sendo que a Musicologia é o estudo profundo e superior da Música sob todos ou especiais aspectos, procuraremos uma observação dialéctica e necessária para rebater a babelização da linguagem musical.
É certamente uma crise de valores tendente à descaracterização das músicas em eventos nos mais considerados locais para a arte dos sons, agora até já detectáveis nas modalidades de interesseiro aluguer ou magnânima cedência de espaço em marcas as mais absolutamente prestigiantes...
Neste texto procura-se uma reflexão sobre um situacionismo musical, confrontar o excesso de ecletismo. Não há uma Música mas várias músicas, cada uma com o seu conceptualismo, a sua técnica, a sua historicidade; com talentosos e imaginativos criadores em todos os planos - o que se pretende denunciar é a rebarbativa miscegenização perpretada por músicos e compositores que não dominam devidamente a genuína semiologia e estão alheios ao seu sentido profundo sentido, à sua semântica - o fado é destrinçável de qualquer outra música tradicional/popular; esvai-se o sentimento, o imaginário; no fado há um leque instrumental impróprio (exs. bateria, DJ, computador ou sintetizador).
A música barroca caracteriza-se por uma estruturação específica e corresponde a uma cronologia própria; mantém-se viva pelo virtuosismo dos seus intérpretes; há o humor como na recuperação de sintagmas de Beethoven por Kagel; há uma gramatologia que autoriza a reconsideração do passado como na obra de Stravinsky sobre Gesualdo...
Acontece que ocorrem nas programações musicais (não em todas, evidentemente) notórios casos de concocção estilística e tipológica, fait divers, miscelânea de exibições alegadamente pluriculturais, com elevados desníveis qualitativos - música ora pegagógica, ora etária, ora convencional, ora pragmática; feira de vaidades sem o conceito de Música como Arte.
Consideremos duas espécies de pianistas: o intérprete, que realiza o que foi escrito pelo compositor e, o improvisador, cujo jogo se desinibe da composição, pertinente na maioria das musicas orais do mundo, sem o domínio da escrita, privilégio da improvisação - pode haver criações mistas. A composição escrita evoluiu desde o serialismo para uma cientificidade que progressivamente dispensava o factor da improvisação.
Glorificam-se músicos portugueses de real qualidade, muito requisitados, que, com todo a legitimidade, respondem, na sua melhor maneira profissional, às diversificadas solicitações (exs: Mário Laginha e Bernardo Sassetti); ora trata-se duma estirpe de artistas que não são minimamente especialistas na interpretação dos clássicos nem estimáveis improvisadores no âmbito da música contemporânea avant; este tipo de executantes (de chefes de orquestra a solistas) está votado à variedade de execuções e a execuções da variedade, com grande fôlego poliestilistíco; ...serve de exemplo: o pianista americano Uri Caine, muito preferido em certames nacionais: um insinuante solista de jazz neomoderno apropria-se de Bach, Wagner, Mahler, vulgarizando uma linguagem superior, reificada por processos pobres de transcrição; obras criadas pelo génio são transladadas para o divertimento - pode citar-se, num plano global, anterior e similarmente, o vetusto "play Bach" de Jacques Loussier, o teclado eruditão de Keith Jarrett a emular os clássicos..., etc...; propostas editoriais para a venda milionária... com a inerente perda de valores históricos e artísticos....uma corrente da música para computador legitimamente reverifica todas as músicas, mas o seu projecto é híbrido e realizado num meio tecnológico.
Há uma outra e nova forma de improvisar num conceito de "obra aberta" e de "obra de Arte", que escapa a estes artesãos pelo seu vanguardismo conceptual - o mesmo se deve denunciar e negar nas investidas funcionais anódinas em interarte (artes plásticas, dança, teatro, literatura, esta então levada aos limites da usura) e multimedia (foto, cinema, instalação, video, assumidas como categorias fugitivas, etc...)...isto para não especular sobre produções ditas "multiculturais" a descambar na polissemia etno- degradante - cabe no mesmo saco o fado, o Ravel, o samba, o "jazz", o ressacado rap, o Zeca Afonso, o Ravi Shankar, a morna, o Lopes-Graça, o minimalismo, o Xenakis, o popular pimba, o rasca Abrunhosa, o globalizado hip hop. etc ...; ...é a perda do discernimento, mercadoria espectacular com vistosos resultados para certos operadores culturais com assento nas mais diversas instituições... mas mais grave: é o desaparecimento de valores (éticos e estéticos) a despistar um público apreciador do verdadeiro.
Em contrapartida, pelo lado negativo da ruína pósmodernista, proliferam rábulas mascaradas por alegações diletantes de interarte, multimedia, as quais não passam da rapsódia e da música funcional; arte afinal sem filosofia e inovação; ... indigitá-las como representantes da nova música ou do experimentalismo torna aquilo que devia ser construtivo numa manobra dilatória.
A talhe de foice podemos também falar da leviandade com que agora se interpreta grandes compositores e a facilidade com que se alistam nomes de génios da Musica ao lado de arrivistas ou anódinos musicógrafos, pois, similarmente, não estamos a ouvir Bartok mas qualquer refluxo sonoro desfigurador e sem autenticidade, e o copista vulgar passa por criador com talento... a apologia do plágio.É um mister detectar os simulacros melódicos na música ligeira, fenómeno hoje efeito de pudim instantâneo no lap top vulgarizado nesta área musical, mas trabalho enfadonho e infinitivo.
Oculta-se a criatividade daqueles que são os músicos de direito, que infelizmente e por lapsos e deliberações autocráticas tem tão poucos amadores - a música é dos músicos e as instituições para a Música não se podem arrogar com posturas censórias e silenciar a produção artistica apenas por motivos demagógicos, a deitar o olho à propaganda na TV e nos media em geral, amnistiadas por lamurientas restrições orçamentais...a voracidade é sôfrega.
São denotadamente poucos e com todo direito a mostrar a Arte e as ideias...com o risco até de elas não serem compreendidas por espíritos mais tacanhos e serem minoritárias no seu público.
Os músicos (todos eles e de todos os quadrantes) precisam comunicar o seu trabalho e não se pode deixar passar decisões impróprias e arbitrárias que os envolvam em charadas do entretenimento e os atirem para o desemprego e a incomunicabilidade ou ao serviço compulsivo de sobrevivência.
.... Música é Cultura.
Jorge Lima Barreto

François Houle (clarinetes), Evan Parker (saxofone tenor) e Benoît Delbecq (piano preparado). La Lumière de Pierres foi gravado na Chapelle Historique du Bon Pasteur, em Montréal, Canadá, 2005. Saída recente na Psi, de Evan Parker. Distribuição Emanem.
Marion Brown - In Sommerhausen
1. Dance No. 1 [10:47]; 2. Exhibit B [3:35]; 3. The Sound of a Song [8:16]; 4. Malipieros Midnight Theatre [8:10]; 5. Il ne chant pas [6:00]; 6. Dance No. 2 [8:50]
Marion Brown_saxofone alto
Jeanne Lee_voz, percussão
Gunter Hampel_vibrafone, clarinete baixo, percussão
Ambrose Jackson - trumpet, percussion
Daniel Laloux_contrabaixo, percussão
Steve McCall_bateria, percussão
Bayerisches Staatskonservatorium Musik, Wurzburg, Alemanha, 17 de Maio de 1969


A propósito de
From the Plantation to the Penitentiary, disco recente de
Wynton Marsalis,
Francis Davis retoma a velha polémica. Marsalis, é sabido, tem torcido o nariz a tudo o que cheire a jazz não tradicional. Guardião do
establishment, gostaria de preservar o jazz em estado "puro", evitando a contaminação com quaisquer elementos sociais ou culturais "estranhos" ao serviço, como os que vivem na cultura hip-hop dos dias de hoje e noutros negróides musicais. Se Marsalis tivesse nascido antes do advento do bebop, quem sabe, talvez clamasse contra a bastardização trazida por Charlie Parker e outros corruptores do brando swing.
Jazz é o que ele toca. Mas - quem diria? - eis que Marsalis se aventura no hip-hop (!), com um tema (
Where Y'All At?) de
From the Plantation to the Penitentiary. A polémica continua no
Village Voice, num artigo de
Francis Davis e subsequentes comentários.

Rinus Van Alebeek (NL)

Rinus Van Alebeek, músico e performer electrónico nascido na Holanda em 1956. Chega à música relativamente tarde, depois de ter publicado dois livros no seu país natal sob o pseudónimo de Philip Markus, o primeiro dos quais, publicado em 1991, recebeu na Holanda o prémio de melhor primeira novela.
A sua abordagem à improvisação musical é radical, tendo muitas vezes por base sons captados nas suas muitas viagens através dos EUA, da Europa e de países do Magreb. Rinus Van Alebeek utiliza recursos simples de captação sonora como microfones ligados a velhos walkmans e nos seus concertos mistura e processa muitas das suas cassetes com a ajuda de um mixer e de um pedal de efeitos, criando poderosas colagens sonoras lo-fi entre o noise e a poesia pura.
Nas palavras do próprio Rinus Van Alebeek: “Existem diversas formas possíveis de apresentar a minha música. Chamem-lhe música concreta, devido à utilização intensiva de cassetes; chamem-lhe noise, porque pode ser tocada muito alta, chamem-lhe dark ambient, porque há quem goste que seja assim, chamem-lhe industrial, porque aparecem uns drones de vez em quando, chamem-lhe poética porque te queres ver livre de definições gastas, chamem-lhe soundscape, porque se leu aquele livro. Eu chamo-a música pop. E por estes dias, sei que somos em número suficiente no mundo para justificar esta definição.”
Rinus foi também o organizador do das kleine field recordings festival que se realizou na cidade de Berlim em Novembro de 2006 e Fevereiro de 2007 e é um dos autores do blog berlinense tape care, dedicado à utilização de cassetes e outras fitas magnéticas como recurso. - Binaural

Vamos lá a ser queridos para alguns leitores que me têm puxado pelo braço, a pedir por
Ask the Ages.
Só tenho dois discos de Sonny Sharrock (1940-1994) como líder. Este é um deles. Centrado num estilo próximo do terceiro e último grande período de John Coltrane, a participação de Pharoah Sanders (saxofones tenor e soprano) é mais do que meramente simbólica. Ask the Ages é esmagador na composição, no conceito e na execução. E tem em Charnett Moffett (contrabaixo) e em Elvin Jones (bateria) o rochedo em que assenta o edifício. Quem gosta do som de Pharoah Sanders pode aqui ouvir alguns dos seus melhores solos, como acontece em Promises Kept, tema de abertura, impulsionado pelo calor intenso que vem de Elvin Jones. Exploratório nos domínios do free jazz (As We Used to Sing) e da fusão (Many Mansions; Once Upon a Time); vanguardista e irreverente mesmo quando passa por ambientes mais tradicionais, como em Who Does She Hope to Be?; energético e libertário de ponta a ponta, Ask The Ages (Axiom Records) é puro talento de Sonny Sharrock e fica para a história como um dos melhores discos de jazz da década de 90. (Põe na lista dos melhores de 90, João "Dwitza" Santos).

FESTIVAL LAGOA JAZZ 2007
15, 16 e 17 de Junho
Parque Municipal Sítio das Fontes
Estômbar - Lagoa
"O Festival Lagoa Jazz está de volta na sua edição de 2007, desta vez com a apresentação de três concertos, com espectáculos às 22:00h, num programa versátil nas mais variadas áreas do jazz.
O festival abre na sexta-feira com o virtuoso vocalista de jazz no estilo “scat”, J. D. Walter e Quarteto (E.U.A). J.D.Walter é considerado um cantor americano de jazz de topo, comparado com nomes sonantes do jazz como Betty Carter, Nat Cole, Nina Simone e Milton Nascimento. Acompanham-no Orrin Evans ao piano, Mark Kelley no baixo e Donald Edwards na bateria.
No sábado, sobe ao palco a trompetista e compositora suíça Hilaria Kramer com o seu grupo BB-Band, caracterizado por uma sonoridade original, com fragmentos de free jazz e acid jazz. Esta formação é marcada pela presença do DJ em vez da percussão. Mattia Loetshcer, o baterista virtual, introduz efeitos e loops que permeiam todo o repertório, enquanto Marco Micheli, completa a secção rítmica com o contrabaixo e baixo eléctrico, num desempenho de grande sentido rítmico e melódico.
O calor e o colorido com que Renaud Millet-Lacombe toca o Hammond e os sintetizadores, empresta o toque final às composições e arranjos.
No domingo, o festival encerra em grande, com o célebre acordeonista mundial Richard Galliano e o projecto Tangaria, numa proposta musical inédita entre Johann Sebastian Bach, o jazz, a valsa venezuelana e o tango afro-uruguaio (Tangaria provém de “Tango” e “Ária”)".


Dia 1 de Junho passado, quando me preparava para largar mais um post, deparei-me com este simpático bilhete do Blogger (o senhorio...):
This blog has been locked by Blogger's spam-prevention robots. You will not be able to publish your posts, but you will be able to save them as drafts. Save your post as a draft or click here for more about what's going on and how to get your blog unlocked. Blogger's spam-prevention robots have detected that your blog has characteristics of a spam blog. (What's a spam blog?) Since you're an actual person reading this, your blog is probably not a spam blog. Automated spam detection is inherently fuzzy, and we sincerely apologize for this false positive.
Conclusão fatal: Your blog is locked.
Como se eu não tivesse mais que fazer do que anda a distribuir saquinhos de spam sem mais nem menos. Nem tudo perdido, porém. Agradeço ao amável Blogger os três dias de folga concedidos. Mas isto não se faz. Receei o pior, quando, numa animada participação nos grupos de discussão do Google, me inteirei de havia gente há mais de um mês à espera de ser desencravado e, mesmo assim, sem garantias de voltar à liça, podendo perder o conteúdo do pacote... . Refilei que me fartei, mandei e-mails, barafustei contra robots e cérebros robotizados, e esperei. E fui esperando... Só me deram descanso quando recebi a prova da mais pura inocência e pude enfim voltar ao farto seio da família: Your blog has been reviewed, verified, and cleared for regular use so that it will no longer appear as potential spam. If you sign out of Blogger and sign back in again, you should be able to post as normal. Thanks for your patience, and we apologize for any inconvenience this has caused. Sincerely,The Blogger Team

'Out to Lunch!'

(Incus 33, 1978)
1. Circadian rhythm excerpt 2 (09.56)
2. Circadian rhythm excerpt 3 (09.55)
3. Circadian rhythm excerpt 1 (22.46)
Paul Burwell / Hugh Davies / Max Eastley / Paul Lovens
Paul Lytton / Annabel Nicolson / Evan Parker / David Toop

À frente do seu tempo sem recear espreitar para trás por cima do ombro, é o que muito bem faz a Wax Poetics, revista de espírito livre e independente que fornece leitura essencial para quem se interessa à séria por temas relacionados com as várias formas de música negra, de pendor essencialmente funk, jazz e hip-hop, temática para uns inconciliável, para outros eventual, para outros ainda inevitável. A edição última trata de Rick James (capa), e também de Ramp, Arthur Russell, Chico Hamilton, Hypnotic Brass Ensemble, e de muitos mais. Número 23, Junho/Julho de 2007. Neste mesmo campo de interesses atrevidos, embora com um raio de acção alargado às diversas estéticas experimentalistas e musicalmente mais avançadas, trabalha a Signal To Noise, The Journal of Improvised and Experimental Music. Para a STN o Verão já chegou e com ele a frescura de Oxbow, Greg Davis, Dino Saluzzi, Andrew Duke, Siltbreeze, Jessica Rylan e de toda uma diversidade de nomes e de manifestações musicais que têm o jazz/improv e o rock avant como pano de fundo alargado. Wax e STN, duas revistas que se complementam reciprocamente e trabalham afanosamente para encher o leitor de satisfação em letra de forma. 

Time Goes On Version B; Time Goes On Version C; You Know
Trevor Watts (saxofones alto esoprano), Ray Warleigh (saxofone alto, flauta), Brian Smith (saxofones tenor e soprano), Ken Wheeler (trompete, fliscórnio), Bob Norden (trombone), Chris Pyne (trombone), Mike Pyne (piano), Ron Mathewson (contrabaixo), Marcio Mattos (contrabaixo), John Stevens (bateria)

SME em 1967: Paul Rutherford, Derek Bailey, Chris Cambridge, John Stevens, Trevor Watts, Evan Parker. Foto © Jak Kilby (Withdrawal - Emanem 4020)