
Lacy era assim, no princípio como no fim: pensamento futurista, acústica moderna, expressividade penetrante, suavidade no trato sonoro mesmo quando aguçado nas extremidades. Steve Lacy, saxofone soprano, Charles Davis, sax barítono, John Ore, contrabaixo, e o grande Roy Haynes, bateria. The Straight Horn Of Steve Lacy. Com aspas e sem aspas no Straight, pelas razões que facilmente se compreenderão ao ouvir a malha, uma das primeiras como líder, depois de ter passado dois anos a enformar com Cecil Taylor (1955-1957). Candid, 1960.
Angelo Leonardi, sobre Snug As A Gun, do IMI Kollektief, no All About Jazz Italia: Questo disco è un bell'esempio dell'universalità espressiva del jazz (3,5 stelle). Alípio C Neto (saxofone tenor), Elsa Vandeweyer (vibrafone), Jean-Marc Charmier (trompete, fliscórnio, acordeão), João Hasselberg (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria).Alípio C Neto toca com o Diggin' dia 30 de Novembro, na Fnac do Porto (NorteShopping). À meia-noite.

Ce qui frappe chez le collectif JazzLab c’est l’envie et la vivacité à mettre sur pied une perspective musicale particulière dans l’univers du jazz. Depuis l’automne 2002, lors du premier concert, jusqu’à aujourd’hui, le JazzLab n'a cessé de proposer des projets intenses. Il y a toujours ce goût de combiner les approches, et les mélanges de styles sont constamment mis de l’avant dans le développement du jazz moderne d’aujourd’hui. Le JazzLab cherche à développer son identité et un son qui lui est propre dans un désir de raconter une histoire musicale à travers des pièces composites, des climats d’improvisations et des aventures sonores. Le JazzLab aspire à créer, jouer, communiquer… le bouillonnement continue. Chance Meeting. - Effendi Records
Rémi Bolduc: saxofone alto; Frank Lozano: saxofones tenor e soprano; Alexandre Côté: saxofone barítono; Aron Doyle: trompete, bugle; Richard Gagnon: trombone; John Roney: piano; Isaiah Ceccarelli: bateria; Alain Bédard: contrabaixo.



Finally! Total Unity in 3 Phases, do Luther Thomas Quartet. Possibilities, Joel Futterman piano solo; e The Other Side, do Frode Gjerstad Trio (Ayler Records). Estes e outros discos novos, disponíveis via download digital na nova loja da Ayler Records.
Dennis González, compositor e trompetista de Dallas, Texas, à revista britânica JazzWise, edição de Outubro: “So when a music such as jazz comes along, the everyday European will tend to be more open about a broadening in the scope of the music. It is considered more of a cultural treasure as are all the other folk musics, regional sounds and classical musical literature of Europe. It’s not surprising that European labels would be established with a major emphasis on new American jazz. I think that my music is accessible enough that labels such as Blue Note and Columbia would do well in releasing it but the mindset within the major “jazz” companies in the United States is one of supporting an unchallenging, esily digestible musical wallpaper. Hence the saving grace of European jazz labels.”

À fome que se faz habitualmente sentir na "Piolheira" corresponde a fartura doutras paragens, como aqui se tem dado nota, de quando em quando. Como na Bay Area de SF, CA: em Dezembro, a Outsound (a mãozinha de Rent Romus a fazer-se sentir...) Outsound presents special concerts, curates the Luggage Store Gallery New Music Series, The SIMM Music Series, and the Edgetone Music Summit ), produz mais uma gloriosa série da Static Illusion Methodical Madness (SIMM), com o Rova Saxophone Quartet (que cá esteve no Jazz em Agosto último, mais o resto do Electric), Gunda Gottschalk / Xu Fegshia, o trio What We Live (Donald Robinson, Lisle Ellis e Larry Ochs), etc. Mas olhai e vede de perto o tanto que a terra franciscana vai gastar só no mês derradeiro de 2006...

Em menina estudou com os melhores professores nas melhores escolas de música, como o New England Conservatory. Tornou-se uma pianista clássica de topo, com Bach, Debussy, Cage e Messien na bagagem. Estava fadada e preparada para uma brilhante carreira de concertista de renome internacional. Nesse ofício encantou plateias de vestidos de noite e black ties, em noites esgotadas e esgotantes de virtuosismo classizante. E de repente, zás, um furacão virou a carreira de jovem pianista de pernas para o ar: simplesmente, tomou contacto com a música de John Coltrane, seu conterrâneo de Filadélfia. Caiu o Carmo e a Trindade. Às malvas com os clássicos, às urtigas com a pompa e a circunstância, que a senhora quer compor e vai improvisar. E claro, a partir dessa altura, nada ficaria como dantes. Depois vieram Cecil Taylor, Monk e Braxton, que lhe mostraram o caminho e, segundo a própria, a ensinaram a usar o space (que, como se sabe, is the place).
Um considerável número de gravações depois, mais de uma vintena, chega-se a 1996 e Marilyn Crispell (ainda não tinha dito o nome da senhora mas já toda a gente sabia de quem se tratava) põe travão nalguma, digamos, efervescência ou, para alguns, indesejável radicalismo extremista, e, em trio com Gary Peacock e Paul Motian, grava um disco belíssimo e bonançoso como nunca antes lhe saíra das níveas mãos. Veio a ser o primeio de uma curta série para a ECM (seguiram-se Ammaryllis e The Storyteller), em amável sintonia com os tratos de Bill Evans e Keith Jarrett. O programa escolhido foi inteiramente dedicado à música de outra grande artista de que aqui já se falou há tempo demasiado: Nothing Ever Was, Anyway - The Music of Annette Peacock. Assim postada, suavemente elaborou: "A musician grows and, just like any other person, changes and accepts new knowledge. The energetic piano is as much mine as my calmer music." Sem dúvida, dear Marylin. Bem-hajas por esta pérola imaculada e por todas as outras que nos tens dado, sem contar com as que hão-de vir, por certo.

(off-topic ou intervalo)

Que fazem Hamid Drake, Michael Zerang, Kent Kessler, Peter Brötzmann, Mats Gustafsson, Mars Williams, Ken Vandermark, Joe Mcphee, Fred Longberg-Holm e Jeb Bishop, os dez juntos e enquadrados no tríptico lá de cima? Peter Brötzmann Chicago Tentet, claro! Clickando dá para ver melhor as carinhas dos operários de uma das maiores (a maior?) centrais de produção de energia de que há memória.


Sylvie Courvoisier, Mark Feldman e Erik Friedlander. Abaton. Quatro peças pré-compostas pela bela Courvoisier, nascida no ano abençoado de 1968 (Ianicum, Orodruin, Poco a Poco, Abaton, n
o disco 1) e outras improvisadas pelo trio Abaton (Nineteen Improvisations, disco 2), na tradição da música de câmara contemporânea, entrelaçada com improvisação. Mal se percebe que nuns casos a escrita precedeu a execução conjunta, tal é o grau de estruturação e coerência global do trabalho deste trio de cordas - piano, violino e violoncelo. Há todas as razões e mais alguma para ouvir este disco de tempos a tempos. Anda tudo à volta das tonalidades sombrias com que se veste o mistério imperscrutável da criação, que de vez em quando se mostra esteticamente esplendoroso em amplas clareiras de luz. Apaixonante estreia da pianista Suiça na editora de Manfred Eicher, ECM.

John Wolf Brennan / Tscho Theissing / Daniele Patumi / Alex Cline / John Voirol
Shooting Stars & Traffic Lights
All About Jazz-New York, número de Dezembro de 2006 (# 56): Buddy DeFranco, Harold Mabern, Paul Dunmall ("I think what's actually happened in free improvisation...there's nothing that's barred. We want to use it all. We want everything. We want melody, we want time, we want abstraction, we want no time, we want the whole package so that you are truly free to play what you want." ). Um especial sobre Steve Feigenbaum e a sua Cuneiform Records; uma história sobre o Rose Live Music, clube de Brooklyn; um trabalho sobre o grande contrabaixista que foi George Duvivier (Lest We Forget) e outro sobre o percussionista sul-africano Selwyn Lissack; e a habitual chuva de críticas, recensões e comentários, os melhores de 2006, calendário de eventos, etc.

O trio britânico de Paul Dunmall (saxofones tenor e soprano, gaita de foles, na foto), Paul Rogers (contrabaixo) e Tony Levin (bateria), 3/4 do MUJICIAN (falta apenas Keith Tippett), inicia a sua primeira US Tour a 2 de Dezembro. Datas previstas para Nova Iorque (The Stone, com Ellery Eskelin e Tony Malaby), Bufalo (com o John Lindberg / Kevin Norton Quartet), Filadélfia (com o Ben Goldberg Quintet), Baltimore (com Perry Robinson), e outra vez Nova Iorque (com Dennis González), a 8. A seguir voltam para casa.
Basta dar uma volta pelas listas (as tão obsessivas listas, que consomem meio mundo) de discos do tipo best of, para encontrar para Charlie Mingus o Town Hall Concert de 1964 (não confundir com The Complete Town Hall Concert, de Outubro de 1963, concerto que correu mal, na perspectiva do próprio Mingus), a gravação integral da prestação do sexteto de Mingus de dia 4 de Abril daquele ano. O grupo integrava um all star do mais completo e diversificado mesmo levando em conta os muitos e grandes ensembles da estirpe que Mingus liderou: Johnny Coles (trompete), Clifford Jordan (saxofone tenor), Eric Dolphy (saxofone alto, clarinete baixo e flauta), Jaki Byard (piano) e o inseparável Dannie Richmond (bateria).Obra cimeira de Mingus, sem dúvida, qualquer que seja o critério de avaliação ou o ponto de vista a partir do qual se procure olhar para o produto. Duas peças originais do contrabaixista, do mais belo e superiormente construído que o jazz deu ao mundo: So Long Eric (17’48) – a melhor versão que já ouvi do tema escrito por Mingus para Eric Dolphy, o príncipe que viria a morrer escassos dois meses após esta gravação, durante a digressão europeia –, e Praying with Eric (27’31), também titulada algures como Meditations on Integration. Composições variadas na cor e na forma, blues e improvisação temíveis, mudanças de tempo, passagens cruzadas em planos sobrepostos, narrativa e tensão dramática como só Mingus. As notas que acompanham o disco são do próprio compositor, retiradas da sua autobiografia Beneath de Underdog (em Português, Abaixo de Cão, da Assírio e Alvim, 1982). Neófitos mingusianos de todo o mundo: uni-vos! Não ide mais longe e procurai pelo tal Town Hall, original da Jazz Workshop, reeditado e remasterizado pela Original Jazz Classics (OJC, da Concord). Se não estou em erro, a distribuição lusa é da Dargil. Se não houver, não desesperais e tentai The Great Concert of Charles Mingus, de que saiu recentemente uma versão integral com o alinhamento certinho segundo a sequência tocada, em CD duplo (Verve). Gravações de Paris, no Theatre des Champs-Elysees, de 19 de Abril de 1964, com Johhny Coles fora de combate devido a um problema de saúde (rebentou-lhe uma úlcera de estômago), ou o Mingus at Antibes (Atlantic, 1960), com a família: Ted Curson, Booker Ervin, Eric Dolphy e Dannie Richmond. Venha quem vier e escolha (todos).

I present you the master of time and space himself, Mr. Sun Ra... Assim começa o concerto de Sun Ra & His Intergalactic Arkestra at the Ann Arbour Blues and Jazz Festival in Exile, 1974:
Sun Ra's appearances at the Ann Arbor Blues & Jazz Festivals of the early 70s are legendary. His explosive avant-jazz Arkestra hit the stage in a riot of color and sound that made a cosmic connection with his first major American festival audience and won him a whole new following. The 1973 Festival featured Sun Ra's Intergalactic Discipline Arkestra in a program of new material and tested compositions. Organized into a spell-binding suite, the show was punctuated by soloists John Gilmore, Marshall Allen, Aktal Ebah, Eloe Omoe, and the Space Ethnic Voices. Released for the first time by Total Energy Records. This is the third and last entry in the Ann Arbor Blues & Jazz Festival, The Sun Ra Trilogy, produced by John Sinclair in agreement with the late Alton Abraham. This time the year is 1974 and the program of the evening includes some of the Arkestra's greatest hits plus one number which is thought to have never been recorded before, the daring anthem titled It Is Forbidden. As usual, this performance is previously unreleased.

Mário Cesariny (1923-2006)
Faz-me o favor... // Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada! / Supor o que dirá / Tua boca velada / É ouvir-te já. // É ouvir-te melhor / Do que o dirias. / O que és não vem à flor / Das caras e dos dias. // Tu és melhor -- muito melhor -- ! Do que tu. / Não digas nada. Sê / Alma do corpo nu / Que do espelho se vê.

The glorious sound of failure: punk, rockabilly, reggae, disco, pop and jazz
They cried the tears, they shed the fears / Up and down the land / They stole guitars or used guitars / So the tape would understand...

Uhuru Na Umoja, de 1970, em versão remasterizada com capa e grafismo revistos pela Free America Series. O Reverendo Frank Wright (saxofone tenor) e os seus amigos do peito, Noah Howard, saxofone alto, o pianista Bobby Few, sem contrabaixo (para quê?!), e o baterista Art Taylor, homem do hard bop perfeitamente adaptado a este contexto de fire music com intervalos apaziguadores. Momentos em que a fúria do pastor de igreja é temperada pela doçura de Howard, em cinco temas inspirados no livro de Albert Ayler. Uma curiosidade: Uhuru Na Umoja figura no conjunto de discos que há uns anos Thurston Moore, dos Sonic Youth, alinhou como os que, em seu entender, seriam os melhores discos do free jazz underground. Uma hipótese de Top 10 entre outras.
No matter how you listen to it JAZZ is ostensibly about FREEDOM. FREEDOM and the MYSTERY surrounding it. And, like MUSIC, it is an ABSTRACT.
It's SHAPES, FORMS (SOUNDS!) are DISTINCT and PERSONAL and SENSITIVE to each player's DESIRE.
And the DESIRE is INFINITE.
FREEDOM is not just another word for nothing left to lose.
We know this from MESSAGES beamed from the space-lantern of his cosmic highness SUN RA! The MESSAGE was clear:
"NOTHING IS..."

The power and the glory. OYNJO. A todo o pano. Parece impossível!

Hans Tammen (endangered guitar), Alfred 23 Harth (saxofone tenor, clarinete baixo e um dos best kept secrets alemães das últimas quatro décadas, também artista plástico e fotógrafo, actualmente em digressão com o Otomo Yoshihide New Jazz Ensemble e Orchestra), Chris Dahlgren (contrabaixo e brinquedos electrónicos dos mais solicitados no meio novaiorquino, pupilo de Braxton e Holland, sóm para dar uma ideia do calibre do moço) e Jay Rosen (do Trio X com Joe McPhee e Dominic Duval, a ubíqua e mais completa bateria da CIMP e de muitas outras editoras). O único aspecto que aqui carece de elucidação será talvez é a expressão endengered guitar usada por Hans Tammen, superior guitarrista alemão. Ou então não, porque atrás daquela marca registada e aparentemente arrevesada adivinha-se a ideia simples de alterar a configuração física e acústica do instrumento, que desse modo passa a assemelhar-se a uma guitarra eléctrica que o foi e que, apesar dos "maus tratos" infligidos, ainda o é, embora vagamente ou em vias de extinção. O resto da instrumentação é apresentada na sua forma comum e tradicional. O que não é nada comum nem tradicional é a maneira de trabalhar com aquelas ferramentas, nem os homens que as dominam. Quatro músicos com saber e coragem para expor a sua sensibilidade para lá dos limites. Música organizada sem hierarquização ou liderança de um só dos intervenientes, senão a que emerge da tensão entre expressão individual e colectiva, segundo o princípio basilar de ouvir, processar e reagir. Direcção, atitude, consistência, nervo, pulso, energia, resposta, narrativa sequencial e fragmentada - tudo converge para fazer desta uma sessão empolgante como a que se imaginaria possível às mãos destes quatro magníficos. Sem mistificações nem falsas partidas, Expedition encerra o mistério próprio de um salto no vazio, como quem vadia por locais desconhecidos, ora escuros e desoladores como cais de embarque a horas mortas, ora luminosos e sinceros como almas jovens em estados supremos de improvisação pura. Gravação ao vivo de 2001, na Knitting Factory, em Nova Iorque, acabado de editar pela ESP-Disk, com o número 4031. Um dos acontecimentos editoriais do ano, pela certa. Escuta ideal para acompanhar a leitura de Philip Roth, The Human Stain, com edição portuguesa (A Mancha Humana) pela D. Quixote.


Non-Cognitive Aspects Of The City - Live At Iridium, Art Ensemble of Chicago. Famoudou Don Moye, Roscoe Mitchell, Joseph Jarman, da velha guarda, com os novos Jaribu Shahid e Corey Wilkes nos lugares que pertenceram a Malachi Favors e a Lester Bowie. Saída recente na PI Recordings.

ANITA O'DAY
18 de Outubro de 1919 - 23 de Novembro de 2006
Jazz Vocal legend Anita O’Day passed this morning October 23, 2006 at 6:17AM in West Los Angeles. The cause of death was cardiac arrest according to her manager Robbie Cavalina.
Born Anita Belle Colton in Chicago, Illinois on October 18, 1919, O’Day got her start as a teen. She eventually changed her name to O’Day and in the late 1930’s began singing in a jazz club called the Off- Beat, a popular hangout for musicians like band leader and drummer Gene Krupa. In 1941 she joined Krupa’s band, and a few weeks later Krupa hired trumpeter Roy Eldridge. O’Day and Eldridge had great chemistry on stage and their duet “Let Me Off Uptown” became a million-dollar-seller, boosting the popularity of the Krupa band. Also that year, “Down Beat” magazine named O’Day “New Star of the Year” and, in 1942, she was selected as one of the top five big band singers.
After her stint with, Krupa, O’Day joined Stan Kenton's band. She left the band after a year and returned to Krupa. Singer Jackie Cain remembers the first time she saw O’Day with the Krupa band. “I was really impressed,” she recalls, “She (O’Day) sang with a jazz feel, and that was kind of fresh and new at the time.” Later, O’Day joined Stan Kenton’s band with whom she cut an album that featured the hit tune “And Her Tears Flowed Like Wine”.
In the late’40s, O’Day struck out on her own. She teamed up with drummer John Poole, with whom she played for the next 32 years. Her album “Anita”, which she recorded on producer Norman Granz’s new Verve label, elevated her career to new heights. She began performing in festivals and concerts with such illustrious musicians as Louis Armstrong, Dinah Washington, Georg Shearing and Thelonious Monk. O’Day also appeared in the documentary filmed at the Newport Jazz Festival in 1958 called “Jazz on a Summer Day”, which made her an international star.
Throughout the ‘60s Anita continued to tour and record while addicted to heroin and in 1969 she nearly died from an overdose. O’Day eventually beat her addiction and returned to work. In 1981 she published her autobiography “High Times, Hard Times” which, among other things, talked candidly about her drug addiction.
Her final recording was "Indestructible Anita O'Day" and featured Eddie Locke, Chip Jackson, Roswell Rudd, Lafayette Harris, Tommy Morimoto and the great Joe Wider. A documentary, "ANITA O'DAY-THE LIFE OF A JAZZ SINGER" will be released in 2007.

Alice no Alentejo? Não.... Em 1976, na Warner Bros.. Arrumados que estavam os anos da Impulse!, Alice Coltrane, viúva de John, estava a caminho de se libertar do peso da história e enveredava por um tipo de linguagem que tinha talvez mais a ver com sua própria e genuína forma de expressão. Sempre a frequentar o lado mais espiritual do jazz, Alice toca piano Fender Rhodes, harpa, e – o que era uma novidade sua à época – órgão Wurlitzer, com acompanhamento de cordas, vozes celestiais, brass e afro-percussão. Eternity é um disco muito interessante e actual, apesar de sobre ele terem passado 30 anos. Não é possível voltar a ouvir Om Supreme sem se sentir a proximidade da transcendência. Spiritual Eternal; Wisdom Eye; Los Caballos; Om Supreme; Morning Worship; Spring Rounds FromThe Rite of Spring (Stravinsky).

Downtown Music Gallery. Newsletter de 24 de Novembro.

Os camaradas e amigos do Bagatellen, Derek Taylor in casu, apreciaram o disco de Rodrigo Amado com os seus Lisbon Improvisation Players, Spiritualized. Confesso que nunca ouvi tal malha, mas se passa perto de Teatro, para mencionar o mais recente, temos disco. Ao vivo, o LIP (Rodrigo Amado, Pedro Gonçalves e Bruno Pedroso) - aqui aumentado com o concurso do trompetista Dennis González - tem invariavelmente deixado boa impressão.

Lisbon Improvisation Players, Spiritualized

Resolvi parar com o que tinha pensado ouvir hoje, que a chegada do novo disco de Marc Copland, por si só, tem uma força insurgente que se impõe, anulando o propósito anterior. Descobri este pianista essencial há já uns anos, salvo erro através dum Soul Note de 1995, em trio com Gary Peacock e Billy Hart. O programa de então, essencialmente orientado para os standards, deixou-me uma impressão positiva, que viria a confirmar com a audição de um disco belíssimo que fez para a HatOLOGY em 2001. De então para cá têm-se seguido vários solos e trios de muito boa colheita. Copland é um pianista especialíssimo, tão discreto como sólido e seguro na afirmação de um estilo sensual, de suave teclar, sensível e delicado na construção da sua poética intimista. Como características da sua persona poder-se-ão referir a sobriedade discursiva, profundidade emocional, graça, técnica colorista e imaginação, a demarcação dum território emocional algures entre Uri Cane e Marilyn Crispell, um trio de grandes pianistas, coincidência ou não, originários de Filadélfia, que trabalham sobre a matéria-prima intemporal do jazz e a reconvertem de novo em música intemporal.
Modinha, assim se designa o disco de Marc Copland em trio com Gary Peacock e Bill Stewart, mais não faz que seguir aquele modelo, inserido num programa da editora alemã Pirouet, que pretende apresentar o pianista em três variantes do mesmo formato em trio. Foi assim que surgiu este Modinha, New York Trio Recordings, Vol. 1 (Pirouet), com Peacock e Stewart, dois dos mais legítimos representantes do que se pode justamente considerar a moderna arte do trio, reformulada nos seus trâmites e significados por Bill Evans, Keith Jarrett e Paul Bley, e aprofundada por um vasto número de seguidores, como Brad Mehldau, Fred Hersch, Bill Carrothers ou os citados Cane e Crispell, gente que libertou o trio de piano da rigidez do bop, amaciando-lhe os contornos, introduzindo-lhes novos ingredientes e outra ordem de preocupações estéticas. Gary Peacock e Bill Stewart têm currículos impressionantes, sobejamente conhecidos de todos os que acompanham com alguma atenção as movimentações do jazz dos últimos, digamos 10 anos. Nem é preciso recuar a 1964, quanto a Peacock, ano em que gravou o emblemático Spiritual Unity, o totem de Albert Ayler, com Sunny Murray. De então para cá tantas foram as mudanças na paisagem do jazz, mas de comum há um aspecto a considerar: o de que Gary Peacock ter sabido manter-se sempre em lugar de destaque, menos por andar nas bocas do mundo, que pela afirmação de uma carreira na qual, se há característica que se possa isolar, é a de um extremo bom gosto e perfeição técnica, penhor de sessões no mínimo interessantes. Bill Stewart anda cá há menos tempo que a dupla sénior, mas em boa verdade está ao mesmo nível de excelência técnica e artística, a mesma sintonia, pensamento e capacidade de fazer sonhar muito para além das notas.
Disco para todas a horas, solares ou lunares, doces ou aziagas, com ou sem companhia. Não haverá decerto contexto pessoal passado, presente ou futuro, que Modinha não ajude a tornar mais apetecível. Exalte-se a cumplicidade e camaradagem no tratamento tanto dos seis originais de Copland, Peacock e do trio, como no refazer das ever green de A. C. Jobim (Modinha recebe um tratamento extremamente emocionante), Jerome Kern (o próprio haveria de aplaudir a bela volta que Yesterdays levou), ou de Vernon Duke (com Taking a Chance on Love, corre-se o risco de ficar à procura da rolha, sem saber de que terra é). ... the weightless condition, outer space, when you look back through the window where you used to be, floating in yesterdays... (Bill Zavatsky)
Clássico, moderno, intemporal, sentido, irreverente, enigmático, intimista – Modinha é disco do ano. Deste e dos outros todos. Da Pirouet, com distribuição lusa pela Dwitza.

Bill Dixon,
trompetista e compositor, é um artista visionário de fina percepção. Constrói o corpo sonoro em movimento estratificado. O som e o seu reflexo, articulados pelas modulações dos contrabaixos (Barry Guy e William Parker) e da percussão (Tony Oxley). Quatro artistas, quatro visões num esforço comum. Música para ser sentida e meditada. Vade Mecum II (Soul Note, 1996).
Angelo Leonardi, sobre Snug As A Gun, do IMI Kollektief, no All About Jazz Italia: Questo disco è un bell'esempio dell'universalità espressiva del jazz (3,5 stelle). Alípio C Neto (saxofone tenor), Elsa Vandeweyer (vibrafone), Jean-Marc Charmier (trompete, fliscórnio, acordeão), João Hasselberg (contrabaixo) e Rui Gonçalves (bateria).Alípio C Neto toca com o Diggin' dia 30 de Novembro, na Fnac do Porto (NorteShopping).

Os três noruegueses deste quarteto que se completa com o britânico Pat Thomas, improvisam juntos desde que em 1998 fundaram o núcleo essencial do ensemble No Spaghetti Edition. Nos intervalos, Ivar Grydeland, guitarra, Tonny Kluften, contrabaixo, e Ingar Zach, percussão, integram ainda o trio Huntsville. Por outras palavras, No Spaghetti Editon, Huntsville e Hiss, são três diferentes laboratórios de pesquisa sonora que os músicos usam extensivamente ao serviço da experimentação em culturas de improvisação livre. No caso de Zahir, as conclusões são aparentadas mais às da velha Escola Inglesa de Improvisação, que das mais recentes inovações que nos têm chegado do Norte da Europa, uma obra que descende na linha recta das descobertas de John Stevens com o Spontaneous Music Ensemble. Os processos criativos são actuais, isto é, deixam-se contaminar saudavelmente pela evolução que a música improvisada sofreu nos últimos 40 anos, principalmente através dos ganhos que a electrónica digital trouxe, com a diversidade de novos timbres e texturas que lhe está associada, reconhecíveis nos movimentos de noise controlado (leia-se sussurra sem gritar) e também pelos contributos originários do rock psicadélico das últimas décadas, traduzido em mais Terje Rypdal e em menos Derek Bailey. Ouvido a fundo, é certo que Zahir não revela nada de conceptualmente inovador, pese embora o interessante desenvolvimento de interessantes direcções, pontas deixadas soltas por músicos que historicamente precederam os três jovens noruegueses e o veterano britânico. Este aspecto transgeracional é outro ponto a considerar, na medida em que o meio em que se desenvolveram, os condicionalismos envolventes e a idiossincrasia de uns e de outro, se fazem repercutir no produto final.
Salta à vista que preocupação do quarteto foi apresentar um trabalho sólido e sonoramente bem estruturado, a partir de breves pistas e indicações de progressão, resultando satisfatório ao nível da combinação instrumental e da articulação entre as diferentes vozes, que favorecem o uso das micro-tonalidades. Apreciável é também o modo como as estratégias individuais são aplicadas ao serviço de um som coerente e intrinsecamente homogéneo, que, não sulcando “mares nunca dantes navegados” (Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I), nos reserva ainda assim um apreciável leque de surpresas ao longo das cinco composições de instantânea fixação. Editou em 2003 a italiana Rossbin.
Sumarenta, a conversa de Elliott Sharp com Frank J. Oteri, na New Music Box: «Wide Awake in Alphabet City».
FJO: So do you believe that art has the power to transform the world in ways that politics can't? Is that the lure for you?
E#: Art does. The question is: what's the time span for how much of an effect it can have? It's a very difficult question because a lot of times aesthetic issues come to the forefront when you're dealing with art, and that's all that seems important. Yet when you unpack something and begin to look at it, the initial motivations for creating a piece of work and the language it uses, the vocabulary, the syntax, there are a lot of things that go into the work. And they do have an effect, but a lot of times it's just this hazy cloud of signifiers that may or may not connect with an audience and cause that chemical change that makes them say, "I now want to fight against this, or I want to be for this, or I'm not going to buy this anymore." It's pretty hazy, the cause-and-effect chain. I don't think you can really directly say that art right now has the power to topple, say, the government here. It would be wonderful if it did. What art can do is get people thinking about things. Maybe some of those people have to take risks. This is the problem. Who is going to take those risks?
FESTIVAL DIZSONANTE 2006
Passagem de Alberto Pimenta
Disección Poética en Público de Marina Oroz
RumoR de Ana Deus
CyberLieder - Uno Duo Trio
Cuisine Concrète de Maria Durán
Teatro Municipal da Guarda, 30/11 - 2/12

Kung Fu Meets The Dragon / Return of the Wax / Musical Bones. Dubstrumentals: 35 temas, três LP's, três sessões diferentes com Lee 'Scratch' Perry e os Upsetters a “bombar” nos tempos da Black Ark em meados dos anos 70. Baixo mais alto que tudo, guitarras, clavinet, trombone e bateria, eco e reverberação na leitura funk insolente de Perry. Puro groove jamaicano. Fumarento e irresistível. Da Trojan. Em Portugal, pela Dwitza.

Quem nunca ouviu Henry Cow (não confundir com o compositor contemporâneo Henry Cowell, 1897-1965, cujo nome Chris Cutler e companhia disseram não ter querido samplar, antes do termo ter sido cunhado. Terá sido coincidência?), tem aqui aquele que será porventura o melhor ponto de partida para a descoberta de uma das mais interessantes formações de prog-rock-jazz-improv de sempre. Mais “maleável” e acessível que os discos de estúdio tout court, que carregam muita informação por minuto, demasiada talvez para quem se inicie, Concerts (com passagens por Inglaterra, Itália, Holanda, Noruega, entre 1974/1975), além de ser variado na forma e no conteúdo, é ficaz nas aproximações entre o trabalho vocal de Dagmar Krause, convenientemente pilhado ao Slapp Happy, e o instrumental levado da breca de Lindsay Cooper, Chris Cutler, Fred Frith, John Greaves e Tim Hodgkinson, a que acrescem Geoff Leigh, Robert Wyatt, com uma perninha cada um em dois temas. O ponto alto é, no entanto, a improvisação colectiva. E, pessoalmente, os 23 minutos gravados em 1975 para John Peel, em Londres (Beautiful as the Moon - Terrible as an Army with Banners - Nirvana for Mice - Ottawa Song - Gloria Gloom - Beautiful as the Moon). Como toda a música de Henry Cow, Concerts descobre-se melhor ao fim inúmeras e concentradas audições. Oportuna reedição em CD duplo pela ReR Megacorp, de Chris Cutler. Que já anunciou ter mais material deste pronto a lançar cá para fora.

Sessão dupla de Free Music Ensemble (FME): o mesmo é dizer que, depois de Cuts (Okka Disk, 2005), Underground (Okka Disk, 2004) e, mais remoto ainda, FME (Okka Disk, 2002), Ken Vandermark, Nate McBride e Paal Nilssen-Love estão de volta, juntos e ao vivo. Em Boston, 2005, terra natal de Vandermark. E também Montreal, no Suoni Per Il Popolo Festival. As habituais dedicatórias recaem desta feita sobre pessoal do cinema: Sergio Leone, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, Takeshi Kitano, Buster Keaton, John Cassavetes, Stanley Kubrick, Peter Greenaway, Akira Kurosawa e Orson Welles. MONTAGE, Okka Disk, 2006.
TILT // Tao G. Vrhovec Sambolec – electrónica em tempo real; Tomaž Grom – contrabaixo. Duo esloveno da improvisação electroacústica e do noise experimental em gravações de 2004, em Alicante e Ljubljana. Actuaram em Portugal no Euro Jazz 2004, em Tomar (L'Innomable, 2006).

FMP 0180 - Outspan No. 1
Peter Brötzmann / Fred Van Hove / Han Bennink
plus Albert Mangelsdorff
Peter Brötzmann - alto & baritone saxophone, clarinet;
Albert Mangelsdorff - trombone;
Fred Van Hove - piano;
Han Bennink - drums, selfmade clarinet, homemade junk, voice.
Recorded live by Jürgen Lindenau on April 14th & 15th,1974 during the Workshop Freie Musik at the Akademie der Künste in Berlin. Produced by Jost Gebers.
SIDE A: 1 Serienze Serie (Van Hove) 16:16; 2 Boogie für Fred (Brötzmann) 6:29
SIDE B: 1 Der Spaziergang (Brötzmann/Van Hove/Bennink/Mangelsdorff) 2:26; 2 Outspan 1 (Brötzmann/Van Hove/Bennink/Mangelsdorff) 18:15
COVER: Artwork and design by Peter Brötzmann.
(Courtesy of Church Number Nine)

Tom Waits trisa com Orphans, subtitulado Brawlers, Bawlers & Bastards. Três discos que se organizam segundo outras tantas ideias fortes, material lá de casa, sobras de antigos projectos, outtakes e coisas várias. Se no primeiro disco prevalecem os blues, stomp e seus derivados, como Mule Variations, e no segundo Waits dá voz ao seu lado mais melancólico e sonhador, um regresso às origens de Closing Time; no terceiro puxa para as tonalidades bizarras e experimentais de Swordfish Trombones. Ao todo, 54 canções, umas já vistas e agora revistas, outras, a maioria, inéditas; algumas retiradas dos trabalhos que Tom Waits tem feito para teatro e cinema, as sobrantes, reinterpretações do songbook doutra gente desvairada, como Daniel Johnston, Kurt Weill, Leadbelly, Kerouac, Bukowski e os Ramones.
When I was small I always thought that songwriters sat alone at upright pianos in cramped smoky little rooms with a bottle and an ashtray and everything came in the window blew through them and came out of the piano as a song…and in a weird way that is exactly what happens. What’s Orphans? I don’t know. Orphans is a dead end kid driving a coffin with big tires across the Ohio River wearing welding goggles and a wife beater with a lit firecracker in his ear. At the center of this record is my voice. I try my best to chug, stomp, weep, whisper, moan, wheeze, scat, blurt, rage, whine, and seduce. With my voice, I can sound like a girl, the boogieman, a Theremin, a cherry bomb, a clown, a doctor, a murderer…I can be tribal. Ironic. Or disturbed. My voice is really my instrument. - Tom Waits



Fred Anderson & Hamid Drake em 70 minutos na Thrill Jockey. Back Together Again (2004) é um tratado de blues e soul, ancorado nas raízes dum e doutro, e filiado na história da AACM - Association for the Advancement of Creative Musicians. Depois, estes “cats” entregam-se à refrega com um ardor raro de se ouvir. Grande som de tenor aos 75 anos! O segundo volume é um CD ROM com imagens de concertos, documentários, entrevistas, etc. Comparável ao precedente Back at the Velvet Lounge (com Jeff Parker, Chad Taylor, Tatsu Aoki, Maurice Brown e Harrison Bankhead), na Delmark, Back Together Again é bastante melhor que aquele, no que aos traços de tenor diz respeito, já que Fred evitou repisar o mesmo chão, optando antes por trazer o saxofone para espaços pouco vistos ao longo da sua carreira. Nessa medida, Back..., servido pela polirritmia marcadamente afro de Hamid Drake, está mais próximo de Duets 2001 (Thrill Jockey), com o veterano Robert Barry, outra lenda de Chicago, baterista que foi de Sun Ra durante toda a década de 50. Além dos Thrill Jockey, há que não perder de vista os Okka, Southport (Chicago Chamber Music, 1997), Eremite, e os Atavistic/Unheard Music Series, discos que documentam parte substancial da relativamente pouco conhecida carreira dessa figura lendária de Chicago que é Fred Anderson. "Great Fred!" - exclamava um embevecido e emocionado Paulo Aranha, enquanto beijava as mãos do mestre, depois de ter visto este mesmo duo actuar em Lisboa, no Jazz em Agosto de 2002.

Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble no Jazz on 3? Isso mesmo.
Born of Evan’s long-standing fascination with electronics, the line-up includes sound projection, signal processing, sample keyboards and other live electronics alongside more conventional instruments including Phillip Wachsmann’s violin, Paul Lytton's percussion, Augusti Fernandez’ piano, Adam Linson’s double bass and saxophone. In the first half of the concert Evan will perform solo on soprano sax and electronics, bringing the rest of the 11-piece band on stage for the second half. Expect an extraordinary sonic adventure with multi-layered saxophone brilliance and endlessly shifting shapes, sounds, ideas and colours.

Nova corrida, nova viagem do Diggin’, quarteto de Alípio C Neto, ontem (16/11) à n
oite no O’Giliians, bar irlandês do Cais-do-Sodré, em Lisboa. Versão-base habitual, com Alípio C Neto (saxofone tenor), Jean-Marc Charmier (trompete), Ben Stapp (tuba) e Rui Gonçalves (bateria). Na agenda, novos arranjos para temas do reportório habitual do quarteto, intercalados com meia-dúzia de novas composições de ACN. A banda está numa forma espantosa, cheia de garra e
alegria, coesa, com precisão de relojoeiro no desenho das composições e nos tempos de entrada e de saída. Fulminante no ataque, arrisca ainda mais na improvisação, com o à-vontade próprio duma working band muito rodada, cujos processos criativos fluem com assinalável eficácia e naturalidade. Alípio, poderoso no seu som de tenor, chega a ponto
s em que clama por Sanders (Pharoah, claro); Jean-Marc Charmier metálico e inspirado, a chispar em todas as direcções; Ben Stapp a lidar bem com o potencial rítmico e harmónico do baixo-tuba, e Rui Gonçalves, inventivo nas peles e pratos – tudo resolutamente afirmado, sem hesitações nem engasgamentos. Sente-se a força da musicalidade e da visão colectiva destes quatro músicos que sabem ler nas mentes uns dos outros, muito para alé
m do que está escrito nas partituras e é sugerido nos movimentos colectivos e na expre
ssão individual instantânea. Belo concerto, com tudo o que é preciso para o ser: boas composições originais, atitude criativa, solidez, balanço, textura, gestão tímbrica, variação dinâmica, funk e groove expansivos. Seguem-se concertos no Centro Cultural do Redondo, a 17, e a 18, na Sociedade Harmonia Eborense. The Perfume Comes Before the Flower.

Esta e muitas outras pérolas e raridades em vynil, depois de convenientemente rippadas, tornam-se acessíveis ao vulgo via ORGY IN RHYTHM. Right click e já está. A não perder, o impressionante conjunto de links.
Another spiritual jazz gem - "Live at the East" is one of the most consistently and astonishingly brilliant albums Pharoah Sanders has ever put out. This is somewhat surprising as Sanders was without both pianist Lonnie Liston Smith and vocalist Leon Thomas, both of whom contributed heavily to his previous albums and their success. In their place, Sanders had a pianist and a percussionist who would be part of his music for the next several years -- Joe Bonner and Lawrence Killian. In addition, a pair of musicians who would go on to enormous careers in other forms of music- bassist Stanley Clarke and drummer Norman Connors, appear here. The result is nothing short of astounding. The three pieces have the same vibe that most of Sanders' early work does- that spiritually informed free jazz sound. But with Clarke and bassist Cecil McBee, the pieces virtually all end up as features for the bass -- it's stunning to hear just how advanced Clarke, known for his electric bass skills, is on the upright. Opener (and lengthiest track) "Healing Song" is probably the most like Sanders' early work, with the leader stating the theme passionately before moving into an extended improv that included a fantastic bass duet. "Lumkili" revolves around drones, ringing percussion, and moaned vocals, and really serves as a framing for an extended bass dialog. "Memories of J.W. Coltrane" seems to point towards the far future-a fairly conventional theme statement over a framing piano line again with just unnervingly brilliant basswork and really gives Sanders a chance to show how stunning his reed playing is. Reviewed by Michael Stack. This was briefly available in Japan on cd in 2004 but now long gone.This post is ripped from the original vinyl on Impulse.

o zurret d´artal: Estreia (hoje!) de Jesús Moreno na blogosfera. Abrazos!
Em Maio de 1976, Sam Rivers organizou um festival no seu RivBea Studio, o loft que possuia na Lower Manhattan. Este histórico encontro de músicos com o público deu origem a uma série de LPs editados pela Douglas, produzidos por Alan Douglas - várias horas de música tocada naquele espaço por uma impressionante equipa de músicos, alguns dos mais representativos daquele tempo – Sam Rivers, David Murray, David S. Ware, Roscoe Mitchell, Anthony Braxton, Byard Lancaster, Oliver Lake, Jimmy Lyons, Julius Hemphill, Henry Threadgill, Fred Hopkins, Sunny Murray, Don Moye, Steve McCall...Do vynil da Douglas fez-se CD e na Knitting Factory sairam três Wildflowers: The New York Loft Jazz Sessions Complete (Knit Classics - KF, 2
000) - 22 temas que dão uma razoável panorâmica de como soava o jazz mais atrevido daquele tempo, em Nova Iorque. Um documento único e imprescindível, que, além da música, encapsula o ambiente que se vivia à volta dela.Fora das edições ficaram 37 minutos de um quarteto que Charles Tyler (1941-1992) liderava à época, que acabariam por sair em LP, produzido por Chuck Nessa: Charles Tyler, Saga of the Outlaws: A Polyphonic Sonic Tale of the Old & New West, abreviadamente conhecido por Saga of the Outlaws (Nessa) Chapter 1 & 2, uma obra que, no dizer de Tyler, revela um especial cariz polifónico, ilustrativo do que ele preferia designar por música liberta em vez de música livre. O disco está esgotado há vários anos, mas a boa notícia é que Chuck Nessa vai reeditar Saga of the Outlaws, não deve tardar muito. E ainda bem, que este é seguramente do melhor Tyler de sempre. E do melhor jazz, também. Até lá, passo cópia a quem demonstrar genuíno interesse e consumada devoção pela música de Charles Tyler. É que, além dos ESP-Disk e dos Bleu Regard, pouco mais haverá que a documente. Charles Tyler (saxofone alto), Earl Cross (trompete), John Ore (contrabaixo), Ronnie Boykins (contrabaixo), Steve Reid (bateria).


In illo tempore, Charles Tyler, Mark Whitecage (tem disco novo a chegar cá a casa, depois falaremos), Philip Wilson e Perry Robinson. Que quarteto, senhoras e senhores! Esp-Disk tem.

A notícia é mais que triste, desoladora e devastadora: Malachi Ritscher, artista plástico, literato, músico improvisador, gravador de concertos (contam-se aos milhares) e documentarista da cena artística independente da Windy City, imolou-se pelo fogo sexta-feira passada no centro de Chicago, alegadamente em protesto contra a política da actual Administração americana, dentro e fora de portas (Guerra do Iraque). No Chicago Rash Audio Potential, site que mantinha, deixou uma nota e um obituário escritos por si próprio. Acima, "one last shot, october 2006". RIP, Malachi (1954-2006).

Derek Bailey, To Play: The Blemish Sessions (samadhisound). Derek Bailey, guitarra eléctrica e acústica. Gravado no Moat Studio, Londres, a 18 de Fevereiro de 2003, resulta da colaboração pedida por David Sylvian, que interpelara o guitarrista no sentido de o provocar artisticamente enquanto cantor. Da sessão de Fevereiro de 2003 Sylvian escolheu três temas para incluir no CD Blemish (The Good Son; She is Not; e How Little We Need to be Happy). To Play: The Blemish Sessions é composto pelo remanescente do trabalho encomendado por Sylvian, à excepção de um tema comum a Blemish.
«As fate would have it this was to be the last solo studio session Derek was to record before the onset of illness,” recalls Sylvian. “That might make the session valuable in itself but it’s the quality of the work that’s outstanding. The conversational quality, the apparent ease of facility in that ongoing search for what remains elusive. You witness up close the struggle and fluency, frustration and facility. It’s an intriguing dichotomy illustrated so beautifully on this recording. I’m reminded of the title of that Bill Evans recording Conversations with Myself. This is an external manifestation of one man’s internal dialogue. A struggle for eloquence using all the considerable skills at his disposal. Always attempting to push beyond the confines of the vocabulary, even one self-invented for this very purpose. That quixotic mission necessarily accompanied by plenty of humor and self-deprecation. A means of getting oneself out of the way, of not taking oneself too seriously but dedication to the process for it’s own sake perhaps?”
To Play’s title was suggested by writer/musician and longtime friend of Bailey’s, David Toop, after hearing the recordings, which he says are among his favourite solo recordings of the artist. Toop explains: “after my last face to face conversation with Derek, I was so struck by his emphasis on ‘just playing’ as a deep philosophy at the core of his work, and some of the anecdotes of his early life, that I thought of writing a stage play. My idea was that Derek would play within the play. I suggested this to him and he seemed agreeable, at least. The idea came to nothing, partly because of other commitments and partly because I don’t have a great love for most theatre and so couldn’t seem to get started on it, but I still like this word Play (much Beckett in there) in relation to Derek’s activity.
To play might mean: to do it now, as you are; to improvise, to use what is at hand; to enter into a game, not just to act according to someone else’s set of rules, but to invent processes, ways of doing things, protocols; to imagine new ways of being together, of proceeding. Derek Bailey did not fuck this up»

Agradecimento ao Fernando Grilo por me ter emprestado The Nameless Uncarved Block (Matchless Recordings), o AMM que me faltava ouvir. Inominável, inclassificável e incomparável. E imprescindível, já agora. Gravação efectuada no TAKLOS Festival, Suiça, em Abril de 1990. Lou Gare, Eddie Prévost, Keith Rowe e John Tilbury.
IST novo, novinho, Lodi. Depois de Ghost Notes, de novo e pela quarta vez Rhodri Davies, harpa, Mark Wastell, violoncelo, Simon H. Fell, contrabaixo. Na Bruce's Fingers (contemporary, improvised, experimental and difficult musics), editora de Fell. Sem fel. Também na Esquilo, Porto.

Newsletter da DMG, 10 de Novembro. A abrir, presta homenagem ao baterista Lance Carter, falecido a 1 de Novembro passado.
Synthesis, Altered Spaces, Summit Conference, Cerebral Caverns, Images… Raramente um criador contemporâneo alcançou obra com uma qualidade média ao nível da excelência. Menos ainda quando tem o peso histórico de Reggie Workman (Filadélfia, 1937), homem que, de estrito contrabaixista nos anos 60, depois de ter amadurecido com Gigi Gryce, Art Blakey, Miles, Eric Dolphy, Monk, Lateef, Shepp, Jackie McLean e Max Roach (Juju, de Wayne Shorter, Four for Trane, de Archie Shepp, e Transfiguration, de Alice Coltrane, ficaram como três referências fundamentais), atravessou discreto os 70 e os 80, para despontar viçoso e em plena maturidade na transição para os 90 como compositor e líder de um ensemble extraordinário. Tome-se qualquer daqueles discos do antigo contrabaixista de John Coltrane (em 1961 substituiu Steve Davis no J. C. Quartet, onde ficou até chegar Jimmy Garrison, tempo suficiente para Olé, The Complete Africa/Brass Sessions, Ballads, Live at the Village Vanguard, Live At The Village Vanguard Again, Newport '63), por ordem cronológica ou aleatória, e ter-se-á a percepção do altíssimo nível que conseguiu com o Ensemble na integração entre jazz e experimentalismo, com discos na Postcards, Leo Records e Music and Arts - Programs of America, Inc.. Sem contar aqui com a outra working band de grande proveito, o Trio 3, de Oliver Lake e Andrew Cyrille.Solidez rítmica, profundidade de campo, direcção esclarecida e clareza de ideias e liberdade formal definem o som e a atitude deste grande mestre. Além disso, o contrabaixo canta, como cantava o de Mingus. Ao vivo, como em Images (Music & Arts), isso sente-se melhor. The Reggie Workman Ensemble: Reggie Workman, contrabaixo; Marilyn Crispell, piano; Michele Navazio, guitarra; Don Byron, clarinetes; Jeanne Lee, voz; Gerry Hemingway, percussão. Gravação de 1989, The Knitting Factory, Nova Iorque. 1. Suite for H.P. Madame; 2. Medea; 3. November, 1; 4. Jus' Ole Mae (Revisited).

James Blood Ulmer, com aspas ou sem aspas no Blood, tanto faz, que o sangue é o mesmo, vivo, espesso e quente. A britânica Rough Trade publicou esta bomba há um bom par de anos, em 1980, se não estou em erro, graças à energia rockish que o disco exala. A responsabilidade pode ser igualmente assacada a Ronald Shannon Jackson, que bate tão bem que parece que não bate bem da bola. Sopros e guitarradas estão no centro da folia, a que David Murray, Oliver Lake e Olu Dara emprestam uma credibilidade à prova de bala. Entretanto, a malha perdeu-se de vista até ter sido recuperada pela japonesa DIW, que a repôs em circulação. Destes já não se fazem. Are You Glad To Be In America? Tem dias.

O jovem guitarrista e oudista canadiano (será assim que se chama um tocador de oud, essa espécie de alaúde árabe?), Gordon Grdina, apareceu na Songlines (cutting-edge jazz and world music) na companhia dos veteranos contrabaixista Gary Peacock e baterista Paul Motian, um trio que não ouvi mas sei que tem tudo para levantar voo. Think Like the Waves, chama-se a debutação discográfica, no melhor estilo surfista (naa, era a brincar...). Bom, sem ter ouvido nada, parece-me imediato que nem os velhos estariam disponíveis para desmamar putos, nem o "puto" se insinuaria se não tivesse valor e galhardia, para usar terminologia a puxar para o marialva. Diz quem espreitou o disco que Grdina (não falta letra nenhuma) gosta da improvisação livre, assim como das várias tradições do jazz e da música do médio-oriente, e que as sabe dosear no ponto. Nada mau como cartão de visita, devidamente reforçado pelos créditos de Peacock e Motian. O disco saiu em Agosto nos States e pode encontrar-se nas melhores lojas online da especialidade.

Sun Ra & The Arkestra: Sun Ra (piano, piano eléctrico); Clyde Williams (voz); Pat Patrick (saxofones alto e barítono); John Gilmore (saxofone tenor); Charles Davis (saxofone barítono); Art Horle, Dave Young (trompete); Julian Priester (trombone); Victor Sproles (contrabaixo); Jim Herndon (percussão). Gravação de Novembro de 1957 para a Transition Records, publicado pela Delmark em 1968, em LP, com sucessivas reedições em CD a partir dos anos 90. Sun Ra em Chicago, logo a seguir a Sun Song, a estreia de 1956, muito influenciado por Duke Ellington e Fletcher Henderson. Sound of Joy é um disco ainda dentro da forma e da tradição, mas a querer romper com o establishment da época. Obra cimeira, onde já se sentem a germinar as sementes do wonderfully strange future que nos deixou em legado.

Eastern Sounds, Prestige de 1961, um dos melhores de sempre de Yusef Lateef. Yusef Lateef em sax tenor, flauta e oboé, com Barry Harris, Lex Humphries e Ernie Farrow - quarteto típico e clássico, de piano, contrabaixo e bateria, mais sopros, mas que de clássico pouco tem, já que o líder desmonta a forma vulgata, dando-lhe um aspecto completamente aberto e renovado. Soul jazz e bop talhados no melhor pano da época, inspirado na música oriental para onde o pézinho de Lateef sempre fugiu bastante. Os Impulse! seguintes haveriam de confirmar a paixão do mestre pelo exotismo das mil e uma noites. Mesmo depois de uma série de grades discos pa a subsidiária da MCA, Eastern Sounds, para meu gosto, está no topo da pilha de Yusef Leteef.

Sprout, nova micro-editora do saxofonista improvisador
Jack Wright (foto), tem o site ainda em construção mas anuncia a edição dos primeiros dois títulos: o primeiro, do
From Between Trio,
Jack Wright, Michel Doneda e Tatsuya Nakatani,
No Stranger to Air (Sprout 1), e o segundo, do duo de
Jack Wright e Michael Johnsen,
Truant Runts (Sprout 2).

Roscoe Mitchell & The Sound Ensemble. Spencer Barefield guitarra, Jaribu Shahid baixo, Hugh Ragin trompete, Tani Tabbal percussão. Como se o Art Ensemble of Chicago embarcasse na nave de Ra. Snurdy McGurdy & Her Dancin' Shoes. Saiu na editora de Chuck Nessa, Nessa, em 1981. Quem disse que o swing tem que ser aquela coisa tantas vezes quadrada e aborrecida? Ideal para manhãs de sol.


ISKRA 1903 ‘Chapter Two’ (1981/3) EMANEM 4303
3-CD set
PAUL RUTHERFORD (trombone, euphonium & electronics), PHILIPP WACHSMANN (violin & electronics), BARRY GUY (double bass & electronics) – the first time some early recordings of this trio have been issued. The bulk of the music in this set comes from a late 1983 tour of England – 4 concerts in 6 days – during which this trio used more electronics than before or since. The music in each concert moved in a different direction, so it all had to be included. There are also two slightly earlier performances, one of which has saxophonist EVAN PARKER added to make the group Iskra 1904 for about 16 minutes. 223 minutes – all previously unissued (EMANEM).
VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
Mais um capítulo do trabalho sonoro de grande magnitude que a Variable Geometry Orchestra tem vindo a fazer na exploração das múltiplas conexões entre experimentalismo contemporâneo, electroacústica e free jazz. Os vários andamentos revelam aspectos que vão da delicadeza à grande massa, percursos de progresso de uma realização para outra, espectro emocional sem limites. A caminho de encontrar uma nova linguagem que há-de dominar as tensões que se jogam em cada momento, o jogo de forças centrífugas e centrípetas que se organizam espontaneamente em blocos multiformes, desfazem-se, reagrupam-se de novo e são já outras. Transcendendo formas e estilos, a VGO bebe em todas as fontes e tece uma longa teia de significados, algo que se estrutura no momento a partir do som puro.
***
ernesto_rodrigues violin, viola, conduction; pedro_costa violin; guilherme_rodrigues cello, pocket trumpet; hernâni_faustino double bass; nuno_rebelo portuguese guitar; pedro_portugal trumpet; sei_miguel pocket trumpet; marcello_maggi trumpet, trombone; eduardo_chagas trombone; miguel_bernardo clarinet; nuno_torres alto saxophone; alípio_carvalho_neto tenor saxophone; peter_bastiaan melodica, percussion, spoken word; antónio_chaparreiro electric guitar; armando_gonçalves_pereira accordion; etsuko_kimura organ; travassos tapes; carlos_santos electronics; andré_gonçalves electronics; adriana_sá electronics; césar_burago percussion; monsieur_trinité percussion; josé_oliveira percussion. 9.XI.2006_19h30_Trem Azul JazzStore, Lisboa (fotos © Rui Portugal)
De 10 a 19 de Novembro, edição de 2006 do London Jazz Festival. Mike Westbrook's Village Band, Marc Ribot Spiritual Unity, Wayne Shorter Quartet, Stan Tracey Trio, Abdullah Ibrahim, Maria João e Mário Laginha, Sara Tavares, Randy Weston, Trevor Watts e Gibran Cervantes, Lol Coxhill, Evan Parker Electro-Acousitc Ensemble, Herbie Hancock, Cassandra Wilson, Lee Konitz, Esbjorn Svensson Trio, são alguns dos nomes que vão preencher as muitas horas de música do festival.
A edição desta noite (10/11) do Jazz On 3, da BBC Radio 3, co-sponsor do festival, promete a transmissão do concerto de abertura do London Jazz Festival, em directo do Pizza Express Jazz Club. Estão previstas actuações de Randy Weston, da Mike Westbrook's Village Band, do Martin Speake Quartet e de Evan Parker em duo com o contrabaixista norte-americano Henry Grimes. E ainda, a partir do Barbican Hall, a actuação do quarteto de Wayne Shorter, com Danilo Perez, John Patitucci e Brian Blade.
The problem with this week’s London Jazz Festival is that there are so many good gigs on, there are bound to be at least two you want to see at any one time. But you can’t be in two places at once, so what do you do? Well tune in to Jazz On 3 tonight - at the earlier time of 10.30 – and you can be in not just two, but several places at once! There’s live music from six of the very best musicians and bands performing over the coming week.

The classic 1966 film by Phill Niblock featuring Sun Ra & His Solar Arkestra, plus rare & exclusive Sun Ra footage, photos & audio 'proclamations'! Composer, photographer and filmmaker Phill Niblock's classic of experimental underground filmmaking with a sensational soundtrack by pianist Sun Ra and the members of his Solar Arkestra. Shot in the mid '60s, when the Arkestra was based in New York, this film was produced using a unique negative process and ultra-tight close-ups on the moving hands and mouths of the musicians. The result is a virtually abstract music film, mastered from a new print in all its incredibly sharp black & white glory. - Atavistic.

Muhal Richard Abrams (nasc.1930) em conversa com Howard Mandel no n.º 43 da revista Signal to Noise (Fall/2006):
"Sound itself precedes what we think of as music. Music is a more or less formal organization of sound, by point of view or by some individual rhythmic desire, however original the idea may be. Sound itself is raw material. The sound of everything, the sound of the universe, even the sound of things vibrating that we can’t hear, but a dog or a cat might. Well, when we come to making music we organize ourselves in order to produce a certain sound idea. And after many years of approaching sound through music one gets to the point where one approaches sound itself. To listen to what is over there that is not over here. Then you decide to use something that impresses you in the raw world of sound – and it becomes again what we call music. Some people might call it noise, but it’s organized sound coming from a particular point of view that we want to express".

Atomic, Boom Boom. Dez anos de Jazzland Recordings (a propósito, saiu há pouco Prayers & Observations, disco da cantora e compositora norueguesa Torum Eriksen) celebram-se com uma série de concertos de encher o olho e o ouvido – ou a dobrar, nos casos em que os pares se encontrem em bom estado de funcionamento. O único senão (e não há bela sem ele...) para quem esteja fisicamente distante é que as sessões ao vivo terão lugar exclusivamente em Oslo, na Noruega. Para mim fica um pouco fora de mão. A programação, que marca a agenda de 30 de Novembro a 2 de Dezembro, conta com a fina-flor do jazz nórdico da actualidade: Sidsel Endresen / Merriwinkle Band (Sidsel Endresen, Helge Sten e Christian Wallumrød), Eivind Aarset Band (Eivind Aarset, Audun Erlien e Wetle Holte), Bugge Wesseltoft New Conception of Jazz / with friends (Bugge Wesseltoft, Jonas Lønna, Ole Morten Vågan, Rikard Gensollen, Andreas Bye, Beady Belle, Ola Kvernberg, e outra gente...). E mais: Torun Eriksen (Torun Eriksen, Frøydis Grorud, Kjetil Dalland, David Wallumrød, Torstein Lofthus), Håkon Kornstad, e o afamado quinteto Atomic (Paal Nilssen-Love, Ingebrigt Håker Flaten, Håvard Wiik, Magnus Broo e Fredrik Ljungkvist). A fechar a mostra, Ingebrigt Håker Flaten solo, The Mungolian Jet Set e Dj Sunshine/ Prins Thomas.

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTA: ernesto_rodrigues violin, viola, conduction; pedro_costa violin; guilherme_rodrigues cello, pocket trumpet; hernâni_faustino double bass; nuno_rebelo portuguese guitar; pedro_portugal trumpet; sei_miguel pocket trumpet; marcello_maggi trumpet, trombone; eduardo_chagas trombone; miguel_bernardo clarinet; nuno_torres alto saxophone; alípio_carvalho_neto tenor saxophone; peter_bastiaan melodica, percussion, spoken word; antónio_chaparreiro electric guitar; armando_gonçalves_pereira accordion; etsuko_kimura organ; travassos tapes; carlos_santos electronics; andré_gonçalves electronics; adriana_sá electronics; césar_burago percussion; monsieur_trinité percussion, objects; josé_oliveira percussion. 9.XI.2006_19h30_Trem Azul JazzStore, Lisboa
VGO, Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa - 25.06.2006
(Foto © Rui Portugal)
[
LeCool Magazine]:
Orquestra de Geometria Variável? Tudo menos quadrados. Mentes abertas. Mais de 30 músicos (de alto gabarito individual) juntam-se para criar fusão, rebelião, superação.Só porque sim. Só porque sai. Só porque soa. Violino, viola, violoncelo, baixo, guitarra portuguesa, voz, trombone, tuba, clarinete, vários trompetes e saxofones, guitarra eléctrica, acordeão, electrónica, didgeridoos, percussão, bateria... Uma salada musical frenética? Um agri-doce nomadismo musical de comunhão e uma ecléctica partilha entre instrumentos que querem ir mais alto, só por ir e sem olhar a destinos concretos. Não sabem de onde vêm nem para onde vão. Nem importa. Eles são liberdade criativa selvagem e explosiva, ali roçar o génio esquizofrénico. Se parecer que foram apanhados a meio de uma viagem inter-galáctica, não estranhem. Entrar na Trem é entrar na nave. Garantido é que vão ver estrelas./
Joana

Church Number Nine. O nome deve-se provavelmente ao título do
disco homónimo do
Frank Wright Quartet, editado há um bom par de anos pela francesa Black Keys (
Reverendo Frank Wright, saxofone tenor,
Noah Howard, sax alto,
Bobby Few, piano, e
Mohamad Ali, bateria).
Atanase abriu actividade o mês passado e está a oferecer o acesso (há que descobrir como, é simples) via
rapidshare, a música - rara, a maior parte dela - de
Albert Ayler (homem da foto),
Arthur Doyle, Hugh Glover & Milford Graves, Charles Tyler, Julius Hemphill, Joe McPhee, Kaoru Abe & Yoshizawa Motoharu, Peter Brötzmann, Frank Wright, Bobby Few e Alan Silva, Roscoe Mitchell, Noah Howard Quartet, Kalaparusha Maurice Mcintyre Quartet, Brötzmann / Van Hove / Bennink, e o PainKiller de John Zorn.
Baby Music - Arthur Doyle, Hugh Glover & Milford Graves whip it out at WBAI FM, NYC, March 20, 1976. - Many a jazz aficionado is looking for this one, and truth is, every household needs this record. I once was listening to it in my headphones, when a co-worker asked me what it was. “Jazz”- I said and passed the headphones to him. He listened for about a minute or so and: “sounds like war!”. E soa.

Na Insubordinations, netlabel for improvised music, Mathias Delplanque, SOL (30'28), trabalho produzido para 20º aniversário do programa Epsilonia (musiques expérimentales et expérimentation sonores), da francesa Radio Libertaire, em Maio de 2006. Delplanque, artista francês nascido no Burkina-Faso apresenta uma sequência de instalações sonoras e de peças ambientais criadas com laptop. Iconografia waste land escura e pós-industrial, onde se captam e reconhecem os últimos vestígios de vida humana, pressentidos nas formas minimais e nos ritmos assimétricos que ocasionalmente afloram por sobre o drone quase-silêncio dominante. O passo lento acentua a relação distância-proximidade e a reflexão sobre o que resta do tempo e espaço que ficou para trás. Pelo meio (15'00) e perto do fim da peça (25'00) a acção agita-se e recrudesce ligeiramente, anunciando a subida suave em direcção aos patamares superiores, para depois desaparecer impassível pelo meio da bruma. SOL, trabalho de composição de extrema delicadeza, deixa boa impressão logo à primeira escuta.

Mathias Delplanque

Point of Departure, Bill Shoemaker contra-ataca em Novembro. Certeiro e eficaz como sempre. Na capa, a pianista finlandesa Iro Haarla, figura central deste número, o oitavo.
Issue 8 features a comprehensive look at the music of Finnish pianist-composer Iro Haarla. Northbound … features a review of Haarla’s “ECM Quintet” at the UMO Festival in Helsinki, an interview with Haarla, and an extensive survey of Haarla’s recordings with Edward Vesala, Sound & Fury, Rolling Thunder, and her projects as leader and co-leader. The Turnaround! features a 1996 article on pianist Myra Melford. The Circle with a Hole in the Middle revisits an out-of-print album by Voice, a quartet with Julie TIppetts, Maggie Nichols, Phil Minton and Brian Eley. Bassist and film maker John Lindberg takes the Travellin’ Light questionnaire. Moment’s Notice contains reviews of CDs Don Byron’s Junior Walker tribute, Nels Cline’s Andrew Hill tribute and a recently unearthed Steve Lacy Quintet session from the mid 1970s. If that’s not enough, the Free Jazz contest offers readers the chance to win real prizes. Readers of Issue 5 will have the opportunity to win one of three prize packages, consisting of: a copy of pianist Aki Takase’s Tarantella and a copy of pianist Michele Rosewoman’s of The In Side Out.

¡¡¡Hola, bienvenidos a ORO MOLIDO!!!
Dieciocho números y más frescos que nunca. Como siempre decididos a compartir y crecer con vosotros en la última cita del año 2006, con nuevos encuentros con la música más creativa.
Agrandamos la familia con nuevos colaboradores desde Paris y Lisboa, y también abrimos brecha con un especial de improvisación en China: un primer y revelador capítulo al que seguirá otra entrevista en el siguiente número.
En este número, gracias a Franck Medioni e Improjazz, podemos ofrecer un resumen de declaraciones de la improvisadora francesa Hélène Breschand, con un disco maravilloso publicado este año, tanto que nos motivó a ofreceros un mayor acercamiento a su música y a su persona. También, dos grandes del free jazz que se hace actualmente vienen a ORO MOLIDO en forma de entrevistas recientes. Nuno Catarino, y Jazz.pt, desde la capital portuguesa nos cedieron declaraciones de Peter Brötzmann y Ken Vandermark. Hay también un generoso repaso a sus últimas grabaciones por parte de colaboradores habituales de nuestra revista: Eduardo Chagas, Rui Eduardo Paes...
Descubriendo nuevos horizontes, lejanos para nuestro país y cultura occidentales, y con nuestra idea de una permanente escucha, Rubén Gutiérrez escribe la primera entrevista de Improvisación en China, después de ver y escuchar in situ, en Pekín, a Jan Yun, músico, promotor y director de sellos discográficos.
Nuestro 18 añade numerosos conciertos celebrados este verano-otoño en nuestro país, Francia y Portugal, allá donde los vivieron dejaron constancia nuestros colaboradores Jesús Moreno, Pachi Tapiz y nuestros amigos portugueses.
Por razones de espacio no pudimos incluir secciones habituales como Discos o dedicar a ellos nuestro acostumbrado dossier. Recuperamos el capítulo de Libros y Revistas y adjuntamos cuantas fechas y citas importantes nos parecen interesantes para este último trimestre. ¿No tienes curiosidad?
Descubre las páginas y saborea la diferencia. Muchas gracias a tod@s.
Chema Chacón. 3 de noviembre de 2006.

No Destination:Out, um excerto em mp3 (Oliv I) correspondente ao lado A (19'35) do LP Oliv, do Spontaneous Music Ensemble (Marmalade/Polydor,1969) para download. O lado B, não disponível, contém Oliv II, peça de 16'00 tocada por John Stevens, Trevor Watts, Johnnny Dyani e Maggie Nicols. Em Olive I: Kenny Wheeler, fliscórnio; Derek Bailey, guitarra eléctrica; Trevor Watts, saxofone alto; Peter Lemer, piano; Johnny Dyani, contrabaixo; John Stevens, percussão e glockenspiel; Maggie Nicols, Pepi Lemer, Carolann Nicholls, vozes.
Das misturas de Frank Mcgahon, esta é uma boa proposta.
I thought I’d try something different. This one is over twice as long as the usual mixes (which means it won’t fit on one cd - sorry). The idea was to try and get a lot of different types of stuff on it. Soul, Jazz, Funk, House, Broken, Latin, Afro-beat, Disco, Balearic. It’s a bit of an epic in more ways than one. I actually recorded (or thought I recorded) it on Monday night but the file didn’t save properly to my computer (had to happen for the really long mix, didn’t it) so after abandoning the third rescue attempt, I went ahead and re-recorded the whole thing last night in the same sequence, adding in one extra track (04.).

Pelo Juan Antonio Barranco, de Linares, Andaluzia, soube que está pronto a sair o número 18 da revista Oro Molido, de Chema Chacón.
Já se pode ler a Paris Transatlantic de Novembro.
NOVEMBER 2006: Editorial; Interview with MARK WASTELL; In Concert: Erstquake 3; In Concert: Strotter Inst.; In Print: The Future of Modern Music; In Concert: György Kurtág 80th Birthday Celebration / Wolfgang Rihm; On Kranky: Chihei Hatakeyama / Keith Fullerton Whitman / Bird Show / Gregg Kowalsky / Jessica Bailiff / Benoît Pioulard / Boduf Songs / Chris Herbert / Christina Carter; From Canada: Keith, Oswald & Turner / Rob Clutton / Nimmons & Braid / Lisa Miller / Carsick / François Houle / Jesse Zubot / Fond of Tigers; JAZZ & IMPROV: ONJO / ONJQ / Akiyama, Ambarchi & Licht / Temperamental Trio / Aaron Siegel / Steve Lacy / Steve Lantner / James Beaudreau / Flaherty, Corsano & Yeh / Randy Sandke / Art Ensemble of Chicago / peeesseye / Elliott Sharp / Frank Wright / Adam Lane / Zlatko Kaucic; CONTEMPORARY: Earle Brown / Brian Ferneyhough / Julian Anderson / Christian Wolff / Virtual Rhythmicon; ELECTRONICA: Astra / Fhievel / Post / Biphop Generation.
Clifford Allen, Jon Dale, Nate Dorward, Lawrence English, Stephen Griffith, Vid Jeraj, Richard Pinnell, Massimo Ricci, Nick Rice, Derek Taylor e Dan Warburton.

Sun Ra - Nuits de la Fondation Maeght, Vols. 1 & 2 (1970)

The Inner Mounting Flame – a sugestão que faço a Cristina Duarte, que me pede a indicação de um (!) disco que, em meu entender, seja "mais representativo da obra da Mahavishnu Orchestra". O problema é o mesmo de sempre: aconselhar um título é tarefa difícil, porque, em boa verdade, raramente um disco esgota a idiossincrasia de um artista ou de um grupo. A não ser que realmente só tenha um; ou dois, quando um deles é reconhecidamente um flop. No caso da Mahavishnu, o problema talvez se coloque com particular acuidade, porque muitos e bons foram os momentos e fases do grupo de que John McLaughlin foi o principal emblema e força motriz. The Inner Mounting Flame, de Agosto de 1971, iniciou uma longa série e foi também o primeiro que ouvi, ainda de calções. Essa é também uma das razões da sugestão. Tendo sido o acto fundador, Flame definiu as coordenadas do que se viria a passar depois, incluindo os normais altos e baixos de uma carreira e de uma relação complexa entre músicos. Primeiro ou último, este é seguramente um valor de referência, um disco que, além do mais, ajudou a firmar uma linguagem e um discurso musicais próprios daquele tempo, qual "bíblia" do jazz-rock-fusion dos anos 70, inspirado na música e na filosofia indianas, mas também no blues, no jazz, no flamenco e no rock guitarral mais assanhado – algo que apenas poderia ter acontecido no pós-Miles Davis de 1969, Bitches Brew, onde John McLaughlin teve preponderante participação. The Mahavishnu Orchestra: John McLaughlin (guitarra eléctrica) Jan Hammer (teclados), Jerry Goodman (violino), Rick Laird (baixo eléctrico) e o espantoso Billy Cobham (bateria). Meeting Of The Spirits, título do primeiro tema, bem poderia dar nome ao conjunto das oito composições. Penso que o qualificativo "obra-prima" tem aqui inteiro cabimento. Há reedição Columbia em CD com um som bestial.

Há muito que o finlandês Jimi Tenor presta os preitos mais altos a Sun Ra. Da mesma maneira que se conhecem as aventuras de Tenor com os Shamans, a Impostor Orchestra e a City of Women, veículos de expressão de um músico difícil de aprionar num único estilo, por mais multifacetado que ele seja. O que faz mover Jimi Tenor neste mais recente expended play (EP), Sunrise, como noutros discos anteriores, é o soul jazz e a espiritualidade associada ao funk, cuja primeira e principal inspiração vem de mestre Ra, Saturno o tenha em bom lugar – a mesma que tem enformado parte sunstancial do ideário musical de Tenor. Jimi Tenor meets Kabu Kabu, no caso, um grupo de percussionistas africanos dirigidos por Nicholas Addo Nettey. Estruturado em Lahti, cidade onde Tenor reside, e gravado em Helsínquia, as orquestrações de Jimi Tenor exibem arranjos luxuriantes, servidos por um funk duro, em cuja base estão os instrumentos de tecla da predilecção de Ra, como piano Fender Rhodes, órgão Farfisa, Photophone, "symphonic piano" e outros aparelhos aparentados, a base de trabalho de Sunrise. Timo Lassey, Jukka Eskola e Iro Haarla, completam a formação base que dá lastro aos ímpetos criativos de Jimi Tenor. Disponível em LP e em CD (EP) na finlandesa Sähkö/Puu, editora de techno, estilo com que Tenor tem sido bastas vezes associado, umas vezes com propriedade, outras nem tanto, como é o caso de Sunrise. Essencial? Não, mas se estivessemos apenas disponíveis para o essencial, bem poderiamos esperar. Sentados.


VARIABLE GEOMETRY ORCHESTA
ernesto_rodrigues violin, viola, conduction; guilherme_rodrigues cello, pocket trumpet; hernâni_faustino double bass; nuno_rebelo portuguese guitar; pedro_portugal trumpet; sei_miguel pocket trumpet; marcello_maggi trumpet, trombone; eduardo_chagas trombone; miguel_bernardo clarinet; nuno_torres alto saxophone; alípio_carvalho_neto tenor saxophone; peter_bastiaan melodica, percussion, spoken word; antónio_chaparreiro electric guitar; armando_gonçalves_pereira accordion; etsuko_kimura organ; travassos tapes; carlos_santos electronics; andré_gonçalves electronics; adriana_sá electronics; césar_burago percussion; monsieur_trinité percussion, objects; josé_oliveira pecussion. 9.XI.2006_19h30_Trem Azul JazzStore, Lisboa


Nova incursão vandermarkiana pelos domínios da Territory Band, New Horse for the White House (Okka Disk), quinto volume desde 2001, à razão de um por ano. Alinham os indefectíveis do costume, mistura de músicos norte-americanos e europeus, que passam um tempo considerável a voar de um lado para o outro. Daí o título do primeiro volume, Transatlantic Bride. A ideia original tem vindo a der debatida e aprofundada segundo a lógica e o conceito próprios das territory bands do antigamente. Historicamente, as territory bands surgiram com os primórdios do jazz, umas mais afamadas que outras, que faziam da pertença a um determinado espaço físico e territorial uma via privilegiada para aprofundar o trabalho colectivo, sedimentar processos criativos e competir entre si pela atenção do público, enquanto saltitavam de cidade em cidade, confinadas a uma determinada região. Em muitos casos, na América profunda, eram a única forma de as populações locais poderem ouvir e dançar ao som de orquestras, num tempo em que nem a rádio nem os discos estavam popularizados.
Ken Vandermark, amado por uns, odiado por outros, e simplesm
ente admirado por outros ainda, como eu próprio, nesta matéria conseguiu fazer aquilo que muitos outros músicos gostariam de pode fazer um dia, se para tanto tivessem engenho, arte… e dinheiro. Sendo destes três ingredientes que se trata, assumindo que os dois primeiros lhe sobram de largo como tem demonstrado à saciedade (quem duvidar burro, ignorante ou invejoso será), deu-se o caso de em 2001 lhe ter caído aos pés um saco de notas de mil dólares, justificado pela bolsa com que a McArthur Foundation o resolveu obsequiar (este ano, coube a John Zorn e a Regina Carter). Toma lá uma pipa de massa! Uns teriam comprado um barco à vela, outros um descapotável para andar de cabelos ao vento, eu não sei o que faria. Ele, entre outros projectos que o dinhiro deu para pôr em movimento (a gente esquece-se, por vezes, que há que pagar aos músicos, despesas com estúdios, hotéis, aviões, álcool e alimentação – tudo isso custa muito dinheiro), Vandermark criou de raiz a sua Territory Band. A TB é grupo alargado de músicos euro-americanos com que procura pôr em prática as suas ideias sobre composição e orquestração, numa base de regular continuidade, seguindo estratégias comuns a Barry Guy (New Orchestra), Peter Brötzmann (Tentet) e Misha Magelberg (Instant Composers Pool). Neste sentido, a formação tem variado pouco desde as primícias. No caso vertente, tendo Jeb Bishop entrado em licença sabática, o lugar do trombone está entregue ao alemão Johannes Bauer. Podia ter sido eu, mas compreendo e aceito a opção do líder. Da Europa reincidem Axel Dörner, trompete, Per-Ake Holmlander, tuba, Lasse Marhaug, electrónica, No piano, Jim Baker, de Chicago. Nas cordas, Kent Kessler, contrabaixo, e Fred Lonberg-Holm, violoncelo. Na bateria de sopros, a triangulação mágica de Fredrik Ljungkvist, saxofone tenor e clarinete, Dave Rempis, saxofones alto e tenor, e Ken Vandermark (saxofone barítono e clarinetes). A alimentar a máquina, os fogueiros Paul Lytton e Paul Nilssen-Love, duas gerações de percussionistas europeus que só visto.
Do triplo CD (até agora só nos tinham sido oferecidos discos simples e duplos), os dois primeiros foram gravados e misturados por Bob Weston em Osnabrück (2005), Alemanha. O terceiro reproduz um concerto da Territory Band na edição de 2005 festival de Donaueschingen, Alemanha.
Esta quinta edição representa um olhar profundo sobre os fundamentos e os parâmetros que estão na essência daquilo a que se chama Jazz. A tensão e aproximação dialéctica entre composição e improvisação. E entre a tradição e a reacção contrária a essa tradição. A pré-fabricação e a criação espontânea. O peso equivalente entre as diferentes categorias, todas relevantes na afirmação do discurso. A narrativa que se constrói sobre esses fundamentos, a mesma que permite passar de um ponto a outro e seguir para o seguinte, mantendo o nível comunicacional entre músicos (entre si) e ouvintes. O discurso personalizado posto ao serviço da procura de algo de interessante para dizer, se não o “novo”, pelo menos o inesperado. O que se diz é tão importante como a maneira como se diz. A consequente fuga para a frente. O tempo, nas suas dimensões espacial e temporal. O progresso reside na forma como a improvisação ilumina a composição, acrescentada de elementos não previamente determinados. Só ela faz evoluir o jazz, enquanto sistema de organização sonora. Ouvir é tentar compreender o ponto de vista de Ken Vandermark. Um artista que continua a problematizar a sua música, na procura de respostas para algumas das questões que são hoje centrais no debate sobre o jazz e a música improvisada. (foto supra © Seth Tisue)

Shadow & Light - Joe McPhee, Joe Giardullo, Micheal Bisio e Tani Tabbal
© Jeff Schlanger - Music Witness

CantoPiano, Giovanni Mirabassi a solo, na série que a editora francesa Minium encetou, inteiramente devotada ao piano e aos standards. Não é já o canto revolucionário de Avanti!, que o precedeu, mas um conjunto de hinos ao amor para entoar depois do ardor da batalha, quando o herói retorna a casa para os amores ardentes que o esperam, assim ele espera. CantoPiano é um conjunto de temas inesquecíveis da chanson française imortalizados por Serge Gainsbourg, Dalida, Jacques Brel, George Brassens, Claude Nougaro, Serge Lama e pela grande Barbara. Com sentimento, sim, exacerbado, claro, mas sabendo evitar a pieguice fácil e a lamúria pastosa. Apenas um belo disco de um pianista lírico, que, com bom gosto e savoir faire, combina jazz e canção franca repristinando o formato clássico, no melhor sentido do termo. Il venait d'avoir 18 ans, Dalida sem palavras. Para quê?! É como se as tivesse. Estão lá, não as ouvimos, mas existem. Poesia e sensibilidade. Dis quand reviendras-tu? Distribuição lusa: Dwitza.


Out to Lunch!, 1964. Will be back, lê-se no cartaz atrás do vidro. Mas Eric não mais voltou. Ei Eric, pináculos destes já não há. Basta pensar em Straight Up & Down, Gazzelloni, Hat & Beard, ou em Something Sweet, Something Tender. So long, Eric.
Joe McPhee e Paul Hession encontraram-se pela primeira vez quando o percussionista britânico visitou os EUA, por alturas de 2002. A agenda incluía concertos em Nova Iorque e Chicago, passava por Boston, e acabava em Amherst, Massachusetts. Michael Ehlers, da Eremite Records, arranjou as coisas de maneira a que o encontro incluísse uma data na cidade de Amherst, Massachusetts, a encerrar a digressão. Nela também participou Paul Flaherty. Depois disso, contentes com a empatia gerada, ficou marcado um segundo encontro para quando Mcphee fosse a Inglaterra retribuir a visita, o que veio a dar num programa curto, de quatro concertos apenas. Dois deles (no Termite Club, Leeds, e Frakture, Liverpool) foram gravados por Geoff Clout e estão sintetizados em A Parallax View, 55 minutos do que de melhor se terá passado naquelas duas cidades, em 20 e 21 de Janeiro de 2003. George Haslam deu a música à estampa na Slam Productions. A Parallax View são seis visões nas quais Joe MpcPhee dá largas ao seu belíssimo tom, doce e agreste, tanto em tenor como em soprano. Misterioso, McPhee continua a ensaiar passos firmes na procura de novos limites para o jazz dos nossos dias. Paul Hession, com a conhecida inclinação para o duo com saxofones, é superior nos efeitos de polirritmia e na criação de movimentos espaciais invulgares, na sequência do que Elvin Jones fazia. A Parallax View é um disco transparente, feito de acertos e encontros felizes na acepção da improvisação total. We know our songs are meant for singing and dancing, celebrating life.
Em entrevista a The Milk Factory (2003), Vitor Gama fala das origens. Suas e da música que faz, a partir dos instrumentos que ele próprio constrói, aliando técnicas tradicionais à mais recente tecnologia, de que é exemplo o que designa por laser sinthering sterolithography – dispositivos acústicos e as instalações sonoras construídos pela via da experimentação. Vitor Gama colaborou com Nana Vasconcelos, Guillermo E. Brown e William Parker. Pangeia Instrumentos (Rephlex) é uma boa amostra do talento de Vítor Gama, compositor, designer, artista sonoro e fundador da associação PangeiArt.

ELLERY ESKELIN / QUIET MUSIC
Ellery Eskelin - tenor saxophone
Jessica Constable - voice
Andrea Parkins - accordion, piano and sampler
Jim Black - drums and percussion
After twenty years of working with a variety of independent recording companies such as Enja, Soul Note and hatOLOGY, Ellery Eskelin is producing music on his own “prime source” recording label.
"Quiet Music" is a double CD release recorded in 2006 in France during the band's spring European tour. The music is presented exactly as an audience would experience the band in concert, two hours of music played with an intensity only gained from performing night after night on the road.
"Quiet Music" presents 14 new compositions by Eskelin. There are trio pieces by Eskelin w/ Parkins & Black building upon on twelve years of work together as well as quartet pieces with the addition of Jessica Constable in which Eskelin further explores new compositional strategies.
"Quiet Music" also includes several double keyboard quintet pieces with the addition of French keyboardist Philiippe Gelda giving the group a particularly massive sound.
The two discs are presented in an attractive, slim six panel cardboard sleeve with original artwork by Rami Wade Eskelin.


George Duke na MPS: espacial, cheio de funk e de soul, estilos cujo livro conhecia de trás para a frente. I Love The Blues, She Heard My Cry. Assim era em meados da década de 70, quando Duke estava no auge da criatividade e era um valor seguro da soul californiana. Outro cromo importante do funk eléctrico, que aqui emprestou uma mão a Duke, era Johnny “Guitar” Watson (1935-1996). Ambos participaram em One Size Fits All, de Frank Zappa, no mesmo ano, George em piano eléctrico e voz e Johnny a funkar para lá tudo o que era bem visto pelas famílias tradicionais. É ouvi-los a ambos mancomunados ao longo de todo o disco, mas especialmente em Florentine Pogen e em San Ber'dino... , com Johnny no vermelho a cantar aquela urgente e extraordinária parte final... Come on with me / Down in San Ber'dino / Just 60 miles / 60 miles / Down the San Ber'dino freeway / Just 60 miles, 60 miles / Down the San Ber'dino freeway... . Não é nada connosco, mas a convicção e o poder de persuasão de Johnny “Guitar” Watson são tais que apetece ir também a abrir pela auto-estrada fora, a caminho de S. Bernardino, Califórnia. Aqui passa-se o mesmo, mas só num tema, o que é pena. Flora Purim, Airto Moreira, Lee Ritenour, Leon "Ndugu" Chancler e George Johnson acrescentam o que falta a uma boa sessão descomplexada que mistura fusion, soul, R&B e até uma boa dose de hendrixiana, que só fica bem e acrescenta nutrientes. Música competente, criativa e honesta, excelente entretenimento. Não pede para ser mais que isso. Com o tempo tornou-se um clássico. Bom para a tosse. Reedição MPS/Universal.
7 horas na Praia do Guincho. Novembro, 1, véspera de dia dos Mortos, o vento amainou. Pelo areal adentro sigo para Norte, único ponto móvel no meio do deserto. Único até apareceres, Cão. Vem daí que somos dois. Queres ouvir isto? O que é? Love me Two Times, do nmperign com Jason Lescaleet. Não deve ser o que mais aprecias. Morrer na praia, Cão. A esta hora. A uma hora qualquer. Revejo a galeria dos que me morreram. Nos últimos anos foram cinco. Colecta de um por ano. A mais recente foi a Virgínia, em Setembro. Passou para o lado de lá com aviso, mas não foi por isso que custou menos. Em paz, se assim se pode dizer. Love Me two Times. Preferes sweet music? Não trouxe. Carreguei o mp3 só com munições de electrónica e free improv. A seguir vem Paul Flaherty, saxofone tenor solo. Uhm... também não. Punhas-te para aí a uivar à lua, com certeza. Ela ainda ali está, a vigiar o início da manhã. Experimenta estes sons microscópicos. Repara que tem tudo a ver com a paisagem natural à nossa volta: espaços amplos, notas longas, há pedras, sal e areia como aquela mais solta lá em cima, que voa com o vento e pica nas pernas como agulhas; ondas como as do mar do Guincho; lixo electrónico como este emaranhado de garrafas de plástico, paus e redes de pesca. O que eles fazem é confeccionar arte com estes ingredientes. Repara, não há um único beat - mas bate mais forte que corações apaixonados. Não te interessa, já percebi. Olha as gaivotas lá ao fundo. Não corras, que assim levantam voo. Lembras-te de Os Pescadores, de Raul Brandão? Duvido que Jason Lescallet, Bhob Rainey, ou Greg Kelley tenham alguma vez lido Brandão, mas chega a parecer que sim. Ficaste para trás? Tens a certeza de que não queres ouvir isto?