... Entretanto, na POTLATCH...
«During the whole month of june 2006.
All back catalogue CDs: 12 euros (double CD : 15 euros)
New release (The Contest of Pleasures/Albi Days - P205) : 15 euros. Shipping is free. Any country in the world».


Duas novas de Ken Vandermark na Atavistic: "Gate", do Sound in Action Trio, com dois bateristas, o raiano baterista Robert Barry, e mais recente Tim Daisy. «Dig deep and find the spirit willing and no resistance while conjuring their second studio effort as SIA. Superb Homages and collages to and by Albert Ayler, John Coltrane, Eric Dolphy, Dotson/Ra, Ed Blackwel l- and Herbie Nichols' sublime "House Party Starting" complete & compliment five SIA originals on Gate». A outra novidade, "Journal", apresenta um novo grupo de Ken Vandermark, desenhado à imagem e semelhança do Spaceways Inc. - BRIDGE 61, grupo formado em Dezembro de 2004 pelo saxofonista de Chicago. «The birth of BRIDGE 61, featuring KV, Spaceways Inc. bassist Nate McBride, V5 trapman Tim Daisy, and newcomer Jason Stein on bass clarinet. With tunes crafted by these stalwarts, and dedications to THIS HEAT, JACKSON POLLOCK & SONNY SHARROCK- how can Bridge 61 miss?» How?!

Heddy Boubaker, saxofonista de Toulouse, responsável por La Maison Peinte (local vocacionado para a prática da música improvisada, em Labarthe sur Lèze, a 20 Kms daquela cidade francesa) prossegue a sua actividade de experimentador e investigador das possibilidades sonoras do saxofone, aplicadas ao que designa por “technico/poetic sound work” – um mergulho nas águas profundas da música improvisada. Fazendo uso de microfones de contacto (desde há muito que o estúdio assume um papel fundamental no trabalho da última geração de improvisadores), Boubaker, nas nove composições/improvisações contidas em “Lack of Conversation” (Creative Sources Recordings 066), extrai vibrações acústicas do interior e da superfície exterior do saxofone alto. Sopro metalizado, pulsações irregulares, ruidismo discreto, técnicas de respiração (circular, triangular, rectangular…), utilização hábil do espaço e da panorâmica – um mundo de descobertas tímbricas e de novas tonalidades ondulantes que forma uma cadeia de sons em mutação e compõem uma linguagem não-codificada em que se pode ouvir coisas como o vento que vem do mar carregado de sal e humidade. Poesia, emoção e energia refrescante.
Mathias Forge_trombone, objects
Cyril Epinat_acoustic guitar, objects
Ernesto Rodrigues_violino, viola
Terça 30, 19h30_Trem Azul Jazz Store
LISBON UNDERGROUND MUSIC ENSEMBLE (LUME)
MAXIME
1 de Junho - 23h00
Praça da Alegria, 58 - LXMarco Barroso - Direcção e composição
Flauta - Manuel Luís Cochofel
Clarinete - Paulo Gaspar
Sax Soprano - Jorge Reis
Sax Alto - João Pedro Silva
Sax Tenor - João Mortágua
Sax Baritono - Elmano Coelho
Trompetes: Jorge Almeida/ João Moreira/ Pedro Monteiro
Trombones: Luis Cunha/ Eduardo Lála/ Pedro Canhoto
Piano - Marco Barroso
Contrabaixo/Baixo Eléctrico - Yuri Daniel
Bateria - Pedro Silva
Deste já estava à espera há algum tempo. Através das movimentações à volta do Trummerflora Collective, a que pertence o percussionista Marcos Fernandes, foi-me possível antecipar o encontro, mesmo tendo em conta que tal poderia nunca passar de um hipotético desejo, considerando a distância física que medeia entre os membros deste colectivo de improvisadores. Que agrupa, além do percussionista nipo-americano, repartido entre Yokohama e San Diego, o também californiano Hans Fjellestad, do duo Donkey, em sintetizadores, o japonês Haco, em voz e electrónica, e o dinamarquês Jakob Riis, em laptop. Em “Haco Hans Jakob Marcos”, gravado em Tijuana, México, a receita é combinar eficazmente sons electrónicos e orgânicos de modo inventivo, estabelecer pontes entre dois mundos, realidades culturais que tanto têm de próximo como de distante, assimilar a reverberação de sons antigos que ecoam juntamente com o último grito da fonte digital. A arte está no saber dosear os ingredientes, improvisações vocais e instrumentais; saber usar o tempo e o espaço como base de trabalho e com eles confeccionar um produto musical capaz de comunicar uma extraordinária vitalidade. Num mercado em que proliferam edições de música electroacústica improvisada, esta edição é um caso bem sucedido de intercâmbio estético sem constrangimentos de ordem formal, eivado de um certo pragmatismo sonoro e assinalável empenhamento artístico. Tudo concorre para estimular a imaginação do ouvinte. Excelente entretenimento, este "Haco Hans Jakob Marcos", a mais recente edição da norte-americana Accretions.

Alípio C. Neto e Luciano Vaz, ao vivo no Luso Café - Lisboa, 21.05.2006
Três temas de violoncelo solo.
Thomas Charmetant is as a cello improvisator as an electroacoustic composer. His works in this two domains are influenced ones by others. He's collaborating with Jean-Luc Guionnet, Eric La Casa, Bertrand Denzler, Paul Dutton or Charles Pennequin. He's living in Paris.
Ainda recentes e totalmente recomendáveis, são as edições, na Insubordinations, do solo de piano improvisado de Jacques Demierre, "Black/White Memories" [insub05]; e do duo de trombone e trompete de Fabrice Charles e Sébastien Cirotteau, "Rumeurs" [insub04].
A Transparency publicou a 23 de Maio passado um triplo CD de Sun Ra com a Arkestra contendo gravações realizadas no Myron's Ballroom, Los Angeles, em 2 de Abril de 1981. Esta sessão californiana quebrou o jejum de mais de uma década sem tocar em LA, como que a encerrar o período de ouro da criatividade de Sun Ra. "Live at Myron's Ballroom" são três horas de Arkestra em concerto, que incluem as habituais vocalizações de June Tyson e a família alargada de teclados e sintetizadores de Sun Ra. "Space Is The Place"!
Astronaut Trio, ao vivo no Luso Café - Lisboa, 21.05.2006
Alípio Carvalho Neto, saxofone tenor
Luciano Vaz, violoncelo
Eduardo Chagas, trombone

Brodas ande sistas, preparai-vos! Regular como tudo o que é regular, eis que de mansinho assoma à porta o viçoso Jazz ao Centro, também conhecido pela extensa marca de Encontros Interncionais de Jazz de Coimbra. De 1 a 3 de Junho p.f., ser-nos-á servida a 1.ª Parte. A 2.ª, lá para Novembro, com o cair da folha. Para melhor assimilação. iMi Kollektief, The Thing vs. Scorch Trio, Mario Pavone, Ken Vandermark & Adam Lane. Pas mal...

Foram boas as propostas apresentadas em série pelo trio que agrupou Alípio Carvalho Neto, Luciano Vaz e Ernesto Rodrigues para uma sessão de improvisação livre ao cair da tarde, intramuros da Jazz Store da Trem Azul, à Rua do Alecrim, em Lisboa.
Aliciante era, à partida, poder assistir em directo à maneira como os três músicos, com backgrounds diferentes e estilos muito diversos, iriam suscitar e resolver os problemas postos por esta especial forma de comunicação e criação musical, potencialmente reforçada pelo facto de os três nunca antes terem tocado juntos.
Percursos e discursos pessoais diferentes e no entanto três músicos com uma característica comum: a vontade de se questionar e de procurar outras formas de expressão individual e colectiva, enquanto extensões do trabalho anteriormente produzido, ou como
rupturas com métodos e fórmulas habitualmente praticadas, mercê das novas possibilidades sonoras que só podem nascer do compromisso que os músicos estabelecem entre si, tacitamente. O processo é o da comunicação via improvisação total; o fim, assume uma face dupla: o da criação musical estimulada pelo ambiente de ampla liberdade e simplicidade formal; e a entrega ao público, instantaneamente, dos resultados assim obtidos. Alípio Carvalho Neto investiu em novas soluções harmónicas no saxofone tenor, explorando com eficácia técnicas e enunciados caros a um estilo híbrido de jazz e de improvisação l
ivre, a caminho de se transfigurar através do enriquecimento da sua própria linguagem. Luciano Vaz, violoncelista de orquestra sinfónica (Rio de Janeiro), de passagem por Lisboa, lançou-se por caminhos de pesquisa sonora que remetem para um universo próximo da composição contemporânea. Bom improvisador (tive a oportunidade de assistir a três das suas apresentações ao vivo em Lisboa, em diferentes contextos e formações), subtil, delicado e atento aos detalhes do ambiente sonoro geral, que instigava e ao qual reagia, Luciano Vaz soube gerir com parcimónia esse poder que está na mão do músico improvisador: o de intervir e o de saber escutar, para de novo entrar no discurso
. Ernesto Rodrigues, dos três porventura o músico mais familiarizado com a “teoria” e a prática da improvisação livre, deu uma importante contribuição para a solidez da proposta global, introduzindo as nuances e os matizes de cor e textura que o desenvolvimento das operações pedia, problematizando a direcção e orientando o fluxo colectivo da improvisação em trio.
Para a despedida de Luciano Vaz, fechando o ciclo da sua estadia entre nós, está em curso a preparação de um concerto final de improvisação livre, com violoncelo, saxofone tenor, violino, trombone e percussão, a ter lugar esta semana, em Lisboa. (Fotos: Rui Portugal)
Op.
Todas as artes #18 - ano 6 - Primavera 2006
Regressa a Op., (#18, preço de capa €3,50) empreendimento editorial que há cinco anos se apresenta sob a forma de revista, dirigida por Bruno Bènard‑Guedes (Editor). A companhia é sensivelmente a mesma de antes, descontando eventuais reforços ou baixas a cujo movimento que não prestei atenção. Pelo menos alguns dos nomes continuam a soar-me amigáveis ou reconhecíveis: João Santos, João Lopes, Rui Miguel Abreu, Pedro Santos, Mário Lopes (Santos & Lopes…), o amigo e oficial do mesmo ofício Adolfo Luxúria Canibal e uma quantidade de outros bons escribas asseguram a qualidade do projecto.
Outrora cripticamente epigrafada “Visões da matéria” (soava bem, como tal), a revista anuncia agora na capa um ambicioso “Todas as artes”. Não cuidando de analisar os eventuais reflexos ou implicações desta putativa mudança de paradigma, atenho-me apenas aos aspectos relacionados com, por um lado, o objecto da publicação, e, por outro, o tratamento que dele é feito ao longo das páginas da Op.. Objecto que não é “artes e letras”, nem apenas “artes”; mas “todas as artes”.
Constato que, afinal, nem uma coisa, nem outra; nem outra ainda. Folheando a revista, pode o leitor verificar que por “todas as artes” deve figurar-se antes “todas as artes que cá estão”, pois que dumas não há vestígios e doutras apenas resquícios ou breves passagens.
Há a moda, desde logo, com generosas quatro páginas que exibem um rosto e um corpo enquadrado nos padrões actualmente em voga, envergando uma camisola branca e algo mais com um par de argolas (giro que se farta) que não sei se devo tomar por roupa interior ou exterior, mas que, seguramente, cai muito bem à manequim Joana Hilário. E isso é que interessa no fim de contas. Os meus parabéns!
“Todas as artes”. Teatro, por exemplo. Há uma referência, encontrei uma, relacionada com a edição de “D. João ou o banquete de pedra”, de Molière, pela Campo das Letras. Dança? Escultura? Fotografia? Além de algumas boas reproduções, como as da moda a que fiz referência (que lindas argolas!), que, ou são instrumentais ou servem necessidades básicas de grafismo, não trata a Op. de dar notícia, comentário, análise crítica ou reflexão sobre manifestações daquela arte.
Das outras artes plásticas (pintura) há alguma coisa, mas remete para a condição vestigial, como nota de agenda ou rodapé. "Todas as artes" são, afinal, a ilustração, a moda, a internet, televisão, livros, cd´s e dvd´s e já chega. Cinema, sim, mas preservado em dvd, tal como as séries passadas da televisão para aquele formato (as bombas da HBO, in casu); nada sobre estreias ou reprises nas salas do país, ciclos, programas… Há uma vastidão de bons textos de recensão e análise crítica de João Lopes, mas sempre sobre o enlatado que acaba de sair, seja ele a novidade ou a reedição. Jamais sobre o que está nas salas (ou esteve, visto que a revista sai ao ritmo das estações do ano), vai estar, é pena que não esteja ou que não tivesse estado.
Daqui para a frente, impera em absoluto a crítica a alguns livros e a muitos discos – o prato forte da Op. –, a que não faltam, porque se trata de número novo e primeiro de 2006, as escolhas ou balanços do ano transacto no domínio da edição discográfica, videográfica, etc.
Pena é que a Op. continue a desvalorizar (ou a desprezar) a reportagem ou a crítica do acontecimento ou da criação cultural em directo e ao vivo. Quanto a isto, aos costumes disse nada... Sobre este aspecto, não deixa de ser curioso que muitos dos escribas que apresentam os seus balanços de 2005, por exemplo, listem os melhores concertos do ano, elenquem as melhores exposições ou outra programação a que assistiram, mas, por questões de feitio ou de orientação editorial (propendo para esta segunda hipótese), guardem no mais fundo de si mesmos as impressões que tais eventos porventura lhes tenham causado, abstendo-se de as partilhar com os leitores da Op., e de suscitar, assim, o debate e a reflexão a partir dos diferentes olhares que o mesmo acto de criação cultural potencia.
Louvo a escolha das matérias e o olhar plural, que só o não é mais e em maior nível, porque posicionado predominantemente numa perspectiva pop (mesmo quando trata de géneros como o Jazz, o que só enriquece a experiência), quando aborda o pop brasileiro, tão em moda, de Marisa Monte, ou o pop-afro de Ablaye Cissoko – por onde perpassa o que descreveria como uma tendência dominante liberal-situacionista, patente nas escolhas das matérias, nos objectos culturais criticados e no tipo de abordagem, frequentemente descritiva e não comprometida (comprometedora), que olha ao de leve para o que há, conformando-se com os acidentes na paisagem pop.
O grafismo, sendo agradável no geral, peca por um certo conservadorismo poppish pós-moderno e bem comportado, que, não matando, também não engorda.
Tal não compromete a qualidade geral do produto, que é maduro (neste sentido, uma revista para adultos), muito bem feito, bem escrito, interessante e bom de ler (com a nova fonte Utopia, incensada por Bruno Bènard-Guedes logo a abrir, e que, segundo o próprio, “materializa de forma mais iluminada a intenção editorial de sobriedade, versatilidade e classicismo que a Op. sempre advogou”). Ah, e a BD de Edna Lopes – a grande família Lopes... (do ramo brasileiro, ao que suponho, pela grafia das palavras e pela típica construção frásica), que conta a história pungente de uma jovem urbana que comeu (ou ia comendo) o próprio cérebro à milanesa. Verdadeiramente impressionante. Felizmente para todos nós tudo não passou de um pesadelo. The End. All is well when ends well...
Coisas pop desta vida pop de que a Op. é uma janela. Aberta.

Confirmadas estão as datas da edição deste ano (a 8.ª!) do MUSA, festival de música organizado pela Criativa, em Carcavelos: 30 de Junho e 1 de Julho. «Este ano, a 8ª edição do MUSA, além do habitual objectivo de promoção de bandas em início de carreira, vai associar-se à maior campanha social a nível internacional, conhecida por "Global Call to Action Against Poverty", representada em Portugal pela plataforma "Pobreza Zero". Ajuda a construir a maior moldura humana vestida de branco num festival de música em Portugal.
Até dia 2 de Junho, as bandas interessadas em participar na 8ª edição do Festival MUSA, devem enviar as suas maquetas - com pelo menos 4 músicas - em formato CD, para Rua General Norton de Matos, 131, 2775-132 Parede».

A secção de "live sets" da excelente netlabel galega alg-a, fundada em 2004 por Berio Molina e Xesús Valle Pazos, acolheu na sua estreia em finais do ano passado um concerto de Plumb & Plumber, aka Xesús Valle Pazos (Vigo, 1970), artista sonoro com trabalhos publicados nas netlabels nishi e test tube. "alg-a a superficie" é um set de 26 minutos de improvisação electrónica apresentado no âmbito das "I Xornadas Alg-a", na Faculdade de Belas Artes de Pontevedra, Galiza, em 11 de Novembro de 2005. Experimentação electroacústica com laptop, manipulações de ruído, micro-sons, frequências, field recordings, etc.

«Inspirados em ‘The Doors of Perception’ de Aldous Huxley, os The Crack decidiram perseguir a senda dos shaman, usando a improvisação espontânea como veículo para ultrapassar os limiares da percepção e vislumbrara o que está para alem das portas percepção. A simbiose gerada entre instrumentos da china antiga, da música clássica e os aparelhos produzidos em massa do mundo mecanizado de hoje, procuram gerar o estado hipnótico que permitirá passar para o outro lado da fenda e captar esse momento fugaz. A improvisação assenta sobre estruturas mínimas de composição, onde cada músico encontra o espaço necessário para interagir com uma forma musical aberta.
Abdul Moimême - sino de água/clarinete/percussões; Guilherme Rodrigues - violoncelo/percussões; Hernâni Faustino - contrabaixo/percussões; Travassos - crackle box/tapes analógicas/percussões. Convidado especial: Ernesto Rodrigues - violino/viola25 de Maio - Luso Café, Lisboa
"Kinetics", gravação de 2004 de um quinteto de improvisação liderado por Ernesto Rodrigues, realizada no Estúdio Tcha Tcha Tcha, em Lisboa, foi recentemente publicada sob o selo Creative Sources Recordings. Música concentrada no detalhe microscópico, que ainda assim não perde a visão de conjunto. As passagens de arco de Ernesto Rodrigues, a informação electrónica de Carlos Santos, os murmúrios do violoncelo e do trompete de Guilherme Rodrigues, o insuflar das bombas da tuba de Oren Marshall, e a percussão larvar de José Oliveira – são contribuições pertinentes e oportunas no modo como organizam o som, colectiva e individualmente.Do grande plano faz-se zoom para a partícula, regressando de pronto ao olhar macro. Os silêncios dentro dos sons (e entre eles) pertencem à própria forma musical. Com ela estabelecem relações de descontinuidade, acentuando o binómio imagem/reflexo. Nestes andamentos não há superfícies estáticas; todos os movimentos são interiores ao próprio desenho sonoro. Incorporam vibrações numa gama ampla de frequências e polifonias micro-tonais. Daí que o enfoque seja posto no átomo, reconhecível tanto nas baixas frequências, quase inaudíveis, como nos picos (melhor dito, saliências) que de quando em quando irrompem sob a forma de estalidos de cordas, percussão ou ruídos de electrónica. Fragmentações, estilhaços, fracções, fissuras – sons com diferentes durações e intensidades. Na quase ausência de linhas ou frases melódicas, o cimento agregador é o conjunto articulado de fenómenos sonoros, aliado à actividade criativa do ouvinte, ele próprio convocado para encontrar e compreender o nexo lógico no qual as peças, em equilíbrio instável, se encaixam harmoniosamente em conjuntos de unidades que, noutros sistemas, se poderiam chamar notas, mas que aqui adquirem validade enquanto sons e extensões em movimento. "Kinetics" bem merece um mergulho em profundidade.
JAZZ NOW - COSMIC REALITY STREAM
TERCEIRA NOITE MODULAR
terça, 23 maio, 23h
SM - trompete
Fala Mariam - trombone
Rafael Toral - echo feed
Pedro Lourenço - baixo
César Burago - percussão
http://www.leftbar.net/

Alípio C. Neto DIGGIN'
ao vivo no Bar Irlandês do Cais do Sodré, Lisboa. 23/23

A cena laptop lusa em geral e, neste caso, aquela que se difunde a partir do Porto, está mais vital que nunca. Estão constantemente a surgir novos artistas, sucedendo-se as propostas, umas mais interessantes e originais, outras porventura ainda a tentar encontrar a sua própria forma de expressão. Seja como for, um ouvido atento e interessado em descobrir a paisagem sonora construída a partir das vastas possibilidades tecnológicas oferecidas pela electrónica de computador, encontra hoje no panorama nacional uma relação muito equilibrada entre quantidade e qualidade.
Uma das mais recentes manifestações da arte de combinar sons gerados e/ou processados através das maravilhosas máquinas digitais chega via e:4c, um duo de criadores da expressão sonora electrónica, formado por H. Vasconcelos e J. Correia. Em "Documents", ep editado pela netlabel de referência test tube, o e:4c apresenta duas instalações sem título, com 10 e 16 minutos de duração, respectivamente. As composições, diversas na estratégia e no enunciado, mas afins no método e na linguagem que exercitam, combinam séries de sons electrónicos experimentais, dispostos em camadas que se agregam através de drones subtis, massas de glitch, com o restolhar de resíduos digitais, vestígios de vozes humanas e gravações de campo sintetizadas (“#2”) num trabalho textural de bom nível, constituindo assim uma amálgama leve de poeira espacial que ora levanta ao sabor de ventos que sopram de várias direcções, ora assenta formando um depósito de cristais finos, coloridos e multiformes. H. Vasconcelos e J. Correia assinam um trabalho de improvisação digital muito interessante, equilibrado e com sentido direccional.
Alípio C. Neto_saxofone tenor
Luciano Vaz_violoncelo
Eduardo Chagas_tromboneDomingo, 21 de Maio, 23h00Luso Café (Travessa da Queimada, Bairro Alto, Lx)

Foi um sóbrio e discreto Alan Silva que ontem actuou durante cerca de meia-hora no palco da ZDB, em Lisboa, no fecho dos três dias de festival Where is the Love?. Na bagagem, memórias de um passado histórico muito importante, uma arca cheia cujo conteúdo o músico de ascendência açoreana (uma avó era oriunda dos Açores) revelou a um público entre o conhecedor e o simplesmente atraído pelo peso da lenda.

A todos Alan Silva ofereceu um recital de contrabaixo solo que, sem ter tido a centelha do extraordinário, foi honesto e farto em momentos evocativos de um tempo em que andou na boa vida com Cecil Taylor, Albert Ayler, Archie Shepp, Sunny Murray, Bill Dixon, Frank Wright, Andrew Hill, Jimmy Lyons e muitas outras figuras de topo do movimento. Um homem no epicentro do free jazz desde os anos 60 para cá, com passagem pela Arkestra de Sun Ra e pela Jazz Composer's Guild. O exílio parisiense, entre 1968 e 1972, serviu-lhe para arquitectar e pôr em funcionamento a Celestrial Communications Orchestra.

De há uns anos a esta parte, Alan Silva, além de contrabaixo, também toca sintetizador (expandiu formal e substancialmente a linguagem inventada e desenvolvida por Sun Ra) a solo ou com o In The Tradition, trio com o trombonista alemão Johannes Bauer e o percussionista britânico Roger Turner.

Alan Silva com beldade, emoldurado por Hernâni Faustino e Lizuarte Borges.
(Fotos de Rui Portugal)

Dois temas em podcast de the crack em versão septeto. Concerto ao vivo realizado no Luso Café, em Lisboa, no passado 2 de Março de 2006. Para ouvir os temas basta carregar nas setinhas brancas em fundo verde ou descarregar para o disco. De uma maneira ou de outra, a satisfação é garantida.
O britânico George Haslam é credor do apreço do povo do jazz por várias e relevantes razões. Além de um grande saxofonista, grandeza inversamente proporcional ao conhecimento que dele se tem e à divulgação da sua obra gravada, em 1989 Haslam fundou, e desde então mantém activa, a editora SLAM Productions, que conta perto de 100 títulos editados. Elton Dean, Lol Coxhill, John Law, Paul Dunmall, Keith Tippett, Howard Riley, Neil Metcalfe, a nata do free jazz e free improv britânica e americana (também Mal Waldron, Steve Lacy, ...) são alguns dos artistas a quem George Haslam abriu as portas da SLAM e concedeu extensa exposição discográfica.
Prosseguindo as actividades editoriais, em Março de 2004, a SLAM Productions publicou "The Mahout, um disco em trio de Goerge Haslam (saxofone barítono e tarogato) com o pianista norte-americano Borah Bergman e o baterista britânico Paul Hession. Gravação de estúdio datada de Junho de 2003, The Mahout, mistura livre-improvisações pelo trio homónimo e temas a solo por cada um dos intervenientes. No primeiro tema, The Mahout, George Haslam abre a refrega em tarogato, instrumento de madeira com um timbre a meio caminho entre o clarinete e o saxofone soprano, elaborando séries de espirais e erupções descontínuas. Bergman rasga pano secundado por Hession, desafiando-se mutuamente e transformando o tema num aceso despique a três vozes.
Refreando o entusiasmo em que a música já ia lançada ao cabo dos primeiros 10 minutos, entra o segundo tema, M.E.V, sigla que toma as iniciais de Malcom Earl Waldron, mais conhecido por Mal Waldron, o pianista e compositor norte-americano com quem o saxofonista tocou e a cuja memória o tema é dedicado. M.E.W., é um solo elegíaco de Haslam, primeiro em barítono solo, depois no uso simultâneo da big horn e do tarogato. Segue-se Streams, um solo de piano de Borah Bergman. Segundo as notas da edição, o título do tema alude às correntes sonoras de harmonia e ritmo criadas pelas mãos do pianista, que ora tocam totalmente independentes uma da outra (esta é uma das características mais marcantes do estilo de Bergman, para quem os termos "mão esquerda" e "mão direita" não se aplicam, visto ter desenvolvido uma técnica muito própria traduzida na total independência de mãos), ora trabalham em interdependência e complementaridade, como é mais comum ouvir-se tocar o instrumento. Streams é bem um repositório das capacidades técnicas do pianista, dos avanços técnicos e do léxico do piano na música improvisada mais energética, veículo de comunicação da intensidade emocional de Bergman.
Com Ancient Stars regressa a plenitude da comunhão em trio. George Haslam está no centro das atenções com um impressionante solo de saxofone barítono, à volta do qual piano e bateria executam uma dança encantatória. Haslam soa ao mesmo tempo agreste e macio, algo que se situa entre as marcas pessoais de Paul Dunmall e Evan Parker, duas das mais distintas vozes britânicas do saxofone.
O solo de Paul Hession, The Varmint, é dedicado pelo baterista à memória de Jack Elam, o façanhudo mau da fita dos filmes de cowboys (em Once Upon a Time in The West, ficou famosa a cena em que Elam apanha uma mosca com o cano do Colt), ídolo da adolescência de Hession, falecido por alturas da gravação do disco. Um solo cinematográfico perigoso e com a barba por fazer, à imagem do homenageado.
Dusk é a reprise de Borah Bergman, agora introspectivo e inspirado nas emoções sugeridas pelas horas crepusculares. Serve de introdução ao tema final, Zircon, o terceiro encontro do trio, mais explosivo que os outros dois, como que a encerrar a festa com fogo de artifício. Borah Bergman está como peixe na água, assim como George Haslam e Paul Hession, que ateiam fogo ao rastilho, com mais que provável satisfação pelo resultado obtido.
George Haslam / Borah Bergman / Paul Hession - The Mahout (Slam Productions)
Alto e pára o baile!
Hoje, na ZDB, há Alan Silva, ladies and gentlemen!!! Esse mesmo, o da Celestrial Communication Orchestra, antepassada da VGO, do tempo em que os animais falavam. Mesmo assim, não sabem quem é?! Ai não?! Então, de duas, uma: ou ainda é cedo, ou talvez já seja tarde demais para saberem. Até eu, que nunca fui caçador de autógrafos e não abono a favor de tal actividade para-paparazzica, abri um dia uma excepção para mestre Silva, uma das duas únicas que concedi nestes mais de 20 anos que levo de vida!!! (adivinhai lá qual foi a outra). Tenho aqui comigo o disco "Transmissions", da Eremite, que não me deixa mentir e estou pronto a exibir a todas as senhoras que demonstrarem genuíno e muito empenhado interesse nessa descoberta. Seja como for, para especialistas e neófitos, Alan Silva toca esta noite no encerramento do festival WHERE'S THE LOVE?.

Da Galiza, bons ventos e bons lançamentos. Tal é que, via podcast, o guitarrista improvisador Roberto Mallo nos faz chegar a primeira edição, estreia mundial do VOLONTÈ, um quarteto que nesta versão se fica pela metade, apenas com os irmãos Mallo a improvisar em guitarra e bateria. Roberto Mallo conta: "Volontè é un grupo formado por mín mesmo e tres membros de devalo para poder calmar a nósa sede de práctica improvisatoria. Normalmente gravamos como cuarteto no local de ensaio, mais o primeiro capítulo do podcast mostra unha formación "parcial" de volontè: guitarra e batería. Eu e meu irmán improvisando un domingo á mañá». VOLONTÈ: Rafael Mallo: batería e percusións / Óscar Vilariño: baixo e efectos / Miguel Prado: guitarra e efectos / Roberto Mallo: guitarra e efectos.
JAZZ AO CENTRO
ENCONTROS INTERNACIONAIS
de JAZZ de COIMBRA / 2006
1.ª Parte
1, 2 e 3 de Junho

Em lugar das habituais incursões pelos ambientes weird rock e punk jazz furioso do Old Time Relijon, Arrington De Dionyso (n. 1975), clarinetista e artista plástico de Olympia, Washington, membro daquele ente extremo e insano, apareceu recentemente com um disco a solo, o primeiro da carreira, tanto quanto sei. "Breath of Fire" (K Records) será talvez um título excessivo, susceptível de levar ao engano (a não ser que se tome à conta de ironia). Trata-se de 21 curtos temas gravados em casa de Fabio Magistrali, em Itália, com a duração total de 40 minutos. Arrington De Dionyso dá largas a investidas um pouco agrestes, sim, mas não tão tórridas como o título poderia sugerir, pelos territórios da improvisação com voz, clarinete baixo, "chaleira, jornal e khomuz siberiano" (algo que soa a berimbau), sem o uso de overdubbing ou efeitos electrónicos. Esta prevenção é importante, porque frequentemente os sons produzidos pelo solista parecerem ter origem em fonte electrónica ou ter ocorrido em momentos diferidos. Além de shamanista invocador de espíritos e de aqui e ali debicar no folk judaico, Arrington de Dionyso é, sobretudo, um bom clarinetista e improvisador. Numa linguagem musical moderna, combina o som ácido que extrai dos instrumentos, com interessantes vocalizações guturais em simultâneo, efeitos sonoros que recuperam boa parte da adrenalina e da iconoclastia do Old Time Relijun. De Dionyso, personagem de mistério, cria um complexo desenho musical com os traços bem marcados das suas fantasias primitivistas. "Breath of Fire" não queima, mas, com artes de magia, tanto consegue inspirar os mais elevados pensamentos como agarrar o ouvinte pelos tomates. Lançamento oficial pela K a 11 de Julho.


Heinrich Mucken Saalorchester: "Mercy Valley Days" - 8 CD Box 2006
... years ago Dieter Schlensog started tinkering with chips of tapes from the recordings of his Heinrich Mucken Saalorchester. Out of that developed an 'underground' music production of a special kind: 'NURNICHTNUR' - for sound crazies like string tub virtuosi or friends of prepared turntables. (WDR Cologne). In August 1982 the participants of the second 'Workshop: Experimentelle Musik' at Schloss Gnadenthal in Cleves/Lower Rhine had their first public performance und
er the name of 'Das Heinrich-Mucken-Saalorchester'. The name later on was reduced to 'Heinrich Mucken'. By the way 'Heinrich' was just how we called some rubber mask someone brought in, and 'Mucken' was what we were doing: trying to make music, sounds and noises, performing strange and behaving naughty. We were Claus van Bebber, Karl van Betteraey, Paul Hubweber, Helmut Lemke, Dieter Schlensog, Henning Schweichel, Hans-Wilhelm Specht, Michael Vorfeld and a few others.
Spring next Year saw the foundation of 'NURNICHTNUR Kunst- und Musikproduktion', a label with the task of producing, promoting and distributing the mostly live recordings of 'Heinrich Mucken', its subgroups, single members and a few friends.

MatériaPrima. Maio de 2006

Ernesto Rodrigues publicou em 2004, na sua Creative Sources Recordings, METZ, pelo quarteto francês de Xavier Charles (clarinete), Bertrand Denzler (saxofone tenor), Jean-Sebastian Mariage (guitarra eléctrica) e Mathieu Werhowski (violino). "Metz" é uma peça musical gerada e criada num concerto em Temple Neuf, na cidade de Metz, França, a partir interacção espontânea deste extraordinário grupo de improvisadores. Dir-se-ia que os 32 minutos de duração contêm tudo o que de relevante o grupo teria para dizer entre silêncios e intervenções, numa sessão em que cada instante tem o seu significado próprio. O quarteto mantém os procedimentos constritos a uma gestualidade mínima e a uma toada geral de tranquilidade, ocasionalmente rompida por um ou outro pico dinâmico do clarinete de Charles ou do tenor de Denzler, para retomar a bonança dominante, sem pôr em causa a direcção e a coerência interna de uma obra que será tanto mais apreensível em toda a extensão e profundidade quanto mais o ouvinte se dispuser a dedicar-lhe em termos de atenção. Neste dispositivo é difícil (se não impossível, mas seguramente estulto) destacar um músico que seja, de entre os quatro que executam estas amenas e minuciosas vibrações de cordas e palhetas, jogos de timbres e texturas servidos por técnicas comuns e por outras que permitem ir para lá dos limites tradicionais, e cuja validade e sentido decorre justamente do trabalho em equipa. Nele, uma função pressupõe a outra e todas juntas laboram para uma finalidade comum, qual seja a de produzir um discurso homogéneo, direccionado e consequente. Bom exemplo da vitalidade da nova música improvisada francesa, que se vai progressivamente afirmando no contexto europeu.

OPEN CUBE - 24 de Maio, 19h00
André Gonçalves
Filipe Leote
João Silva
«As “estruturas primárias” do Minimalismo continuam a influenciar muitos caminhos da criação artística. Na música também, seguindo preceitos próximos dos módulos e sistemas de Sol LeWitt... É por aí que seguem André Gonçalves, com a sua “drone music” por computador, muito baseada na manipulação de frequências, e o guitarrista Filipe Leote, ora sobrepondo layers de harmónicos, ora criando bases de estática para os demais eventos. João Silva encarrega-se do vídeo, jogando com permanências e subtis mudanças visuais.
A solo ou inserido em colectivos, André Gonçalves vem apresentando o seu trabalho sob as designações Ok.Suitcase, In Her Space, Stapletape, Iodo, EA e Sound Asleep, seja no domínio da arte sonora como por meio de instalações e obras videográficas, em muitos casos combinando todos esses âmbitos. Fundador do grupo Kromeleqs, Filipe Leote é um músico de formação rock com dois interesses paralelos: a exploração do kitsch e o minimalismo, que não necessariamente em associação. João Silva é videasta, fotógrafo e músico, tendo estudado e trabalhado com Vítor Rua e Jonathan Harvey. Inventou instrumentos a partir de “objects trouvés” e dedica uma atenção especial à recolha de sons do ambiente humano».
Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea
Rua Serpa Pinto, 4 Lisboa
Produção: Granular (apoio: Museu do Chiado)

OFFCYCLES #09 /////// 17 de Maio, 21:30 ////// 1. Noid (violoncelo) + João Ricardo (sintetizadores analógicos) + Miguel Cabral (electrónica custom-built e instrumentos inventados); 2. Noid (laptop) + Vítor Joaquim (laptop)
«Um dos mais interessantes cultores da "música extrema" do Velho Continente é o convidado especial desta dupla sessão da Granular num espaço com velhas tradições nas artes de palco lisboetas, onde a Granular realiza também os seus Encontros mensais. Violoncelista e "laptoper" (nunca as duas coisas ao mesmo tempo), Noid trabalha na intersecção da execução instrumental (fez estudos clássicos na Universidade de Música de Viena) e da música electrónica, normalmente colaborando com coreógrafos e bailarinos - aliás, tem estado a trabalhar em Portugal com João Fiadeiro. Muito interessado na investigação da estabilidade de estados ou condições musicais, uma boa parte da sua atenção tem sido dedicada ao projecto Monodigmen, reproduzindo no violoncelo os típicos "loops" da música por computador (algo que ele compara
à pintura de Rothko). Já sob a fórmula Speakersaver, o que procura é fazer com que o seu "laptop" imite os sistemas vivos, utilizando-o como uma máquina auto-referencial, ou seja, em constante "feedback". Em concerto, investe totalmente na perspectiva colectivista da improvisação, tendo já actuado com músicos como Manfred Hofer, Marco Eneidi, Erik M, Dieb13, Mattin, Klaus Filip, Vic Rawlings, Jack Wright, Tetsuo Furudate, o.blaat e Burkhard Stangl, para só referir alguns.
Com Noid (Arnold Huberl, de seu verdadeiro nome) estarão alguns dos maiores valores da electrónica e do experimentalismo portugueses. Sob o nome Operador de Cabine Polivalente ou como um dos fundadores do duo audiovisual Pygar, João Ricardo é uma presença habitual do "underground" portuense, tocando ao vivo com um computador ou com electrónica analógica e compondo bandas sonoras para instalações e vídeo-arte. Um dos fundadores do grupo de
avant pop Mola Dudle, de que depois se afastou, Miguel Cabral vem dividindo a sua actividade musical entre o trabalho como baterista e a invenção / construção de instrumentos eléctricos e electrónicos "lo-fi", desde a latacantante (um banjo feito a partir de uma caixa de bolachas) a
transístores e altifalantes transformados. O projecto de montagem e composição com base em contribuições isoladas de músicos de todo o mundo a que deu o nome The Nevermet Ensemble tem-lhe valido o aplauso da crítica internacional. Vítor Joaquim, por sua vez, é um dos mais consagrados "laptop improvisers" da cena lusa, com actividade a solo ou em cooperação com outros nomes da primeira linha, acústicos ou electrónicos, como @c (Pedro Tudela e
Miguel Carvalhais), Marc Behrens, Carlos Zíngaro, o.blaat, Scanner, Simon Fisher Turner, Phill Niblock, Joe Giardullo, Stephan Mathieu, Emídio Buchinho, Carlos Santos, Ulrich Mitzlaff, etc.».
Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul
(Avenida D. Carlos I, 61 Santos / Lisboa)
Produção: Granular
Bilhetes: 5 euros (2,50 euros Restart / CEM / Guilherme Cossoul; grátis associados Granular)

Quinta, sexta e sábado, 18, 19 e 20 de Maio, às 22h00, na ZDB:
Where's The Love
«Um dos principais alvos de atenção da programação da ZDBMÜZIQUE tem sido o universo que liga uma série de músicas que, de forma transversal, se unem pela sua transgressão, subversão, capacidade de acrescentar ao que já existe, pensamento livre. É música que não se instaurou, que não se encaixou nos academismos e que está numa progressão demasiadamente acelerada para ser absorvida imediatamente pela cultura popular. É o espaço, por excelência, da vanguarda, onde – acreditamos – residem todos os projectos, nacionais e internacionais, que apresentamos este ano no festival. À imagem da edição do ano passado, o Where’s The Love funciona como uma ocasião onde os espectadores assíduos ou potencialmente assíduos da ZDB podem renovar as quotas de sócio ou criar esse estatuto – ambos os casos com quotas pagas até ao final do ano – com a compra do passe de três dias para o festival. Enquanto sócios terão descontos em todas as actividades da Zé dos Bois até ao final do ano, na ordem dos 20%. Para terem amor, têm que mostrar amor».
Que amor...
Quinta-feira, 18:
Chris Corsano (US); Axolotl (US); Tomuttontu (FI) ; Osso Exótico (PT)
Sexta-feira, 19:
Sei Miguel Edge Quartet feat. Joe Morris (US/PT); Blood Stereo (UK); Manuel Mota (PT); The Skaters (US)
Sábado, 20:
Alan Silva (US) ; Espers + Chris Corsano (US); Fish & Sheep (PT); Ignatz (BE)

Novas edições na portuguesa Clean Feed: Free Range Rat, "Nut Club": Douglas Yates (cl), Eric Hipp (ts), George Schuller (d), John Carlson (t), Shawn McGloin (b); e Will Holshouser Trio, "Singing to a Bee": David Phillips (b), Ron Horton (t), Will Holshouser (acc).

Duas sessões fotográficas da restructures no flickr: Anthony Braxton Alumni Concert (na Wesleyan University, em 9 de Dezembro de 2005 // FME: Ken Vandermark, Nate McBride e Paal Nilssen-Love (ao vivo no Empty Bottle, Chicago, em 14 de Setembro de 2005).
"Music is about what you live.
It's not about a lot of harmony and theory,
it's about being able to respond immediately.
That's what I always thought creative music was about.
Responding immediately.
Your life"
Fred Anderson

A mais recente edição da editora lusa Crónica Electrónica é dedicada ao trabalho do artista português da expressão sonora e da improvisação electrónica, Vítor Joaquim. Depois de "La Strada is on Fire (and We Are All Naked)" – Crónica Electrónica 03, de 2003 – Vítor Joaquim apresenta uma bem conseguida sequência de deambulações e confrontos de sons produzidos e trabalhados através de máquinaria electrónica, parcialmente gravados ao vivo no festival "Ó da Guarda", em Julho de 2005. Reforçado com os contributos pós-produção de Emídio Buchinho (guitarra no tema Thinking Moments), de João Hora (guitarra em Moments of Emptiness) e dos murmúrios vocalizados de Filipa Hora, ao fluxo dominante de "Flow" somam-
se ainda sons aleatórios de televisão, tudo processado e montado numa bem articulada combinação organo-digital. Feixes de vibrações mínimas nascem, crescem e amplificam-se resolutamente até se desvanecerem e darem lugar a novas e interessantes figuras que convergem para o silêncio fecundo e inicial. Micro-electrónica, ruído modulado e glitch digital convivem no interior de paisagens surreais, que, sem seguirem um único figurino estilístico, apelam a um imaginário melancólico de líquidos borbulhantes que se misturam e fundem numa narrativa porventura mais concisa e refinada que em anteriores trabalhos. "Flow" (Crónica Electrónica 25) possui uma acentuada característica cinemática em que som e drama evoluem a par e passo, traduzindo-se em luxuriante prazer audiovisual. Excelente.
Distribuição: materiaprima.pt
MARK WASTELL - Caressed on the Brow by Unseen Hands (l'Innomable)
Composições e improvisações para um grande ensemble conduzido por Mark Wastell. Grav
ado em estúdio num dia em toda a gente parecia estar em Londres. Com a participação de Tetuzi Akiyama, Rhodri Davies, Mattin, Andrea Neuman, Benedict Drew, Michael Duch, Graham Halliwell, Paul Hood, Annette Krebs, e Nishide Takehiro.
ALFREDO COSTA MONTEIRO - Z=78 (pt:195.09) (audiobot)
Três anos depois de Stylt editado na grega Absurd, chega-nos mais um disco de improvisação em gira-discos a solo de Alfredo Costa Monteiro. Muito diferente do seu predecessor, este álbum é rico em texturas, densidade e movimentos imprevisíveis. Usando uma míriade de objectos e preparações no gira-discos, o espectro sonoro e linguagem de Costa Monteiro expandiram, explorando agora novas possibilidades criativas.
MAKIGAMI KOICHI - Moon Ether (doubtmusic)
Makigami Koichi foi escolhido conjuntamente com Keiji Haino e Yamataka Eye (dos Boredoms) para figurar no festival da Tzadik organizado por John Zorn com o título New Voices From Japan que teve lugar na passada sexta-feira, dia 12, em Nova Iorque. Este, o seu segundo álbum a solo, vem consagrar Koichi como uma das mais criativas vozes da actualidade. Uma colecção de solos para voz e theremin simplesmente deslumbrantes com muito humor e free-playing à mistura.
MATTIN / RADU MALFATTI - Going Fragile (formed)
A muito aguardada colaboração entre Mattin e Radu Malfatti nesta nova grande editora de San Francisco, EUA.
TOMAS PHILLIPS / DEAN KING - À Travers Le Bord (nvo)
Dean King forneceu o material sonoro a Tomas Phillips que o processou, re-trabalhou e compôs, num árduo e longo processo que o levou em incursões às fronteiras da electrónica mais minimalista e complexa
COELACANTH & KEITH EVANS - Wrack Light In Copper Ruin (CD + DVD)(seal pool)
O grupo de Jim Haynes e Loren Chasse encontra-se neste disco com Keith Evans. Construído a partir de duas performances - uma gravação de 5 horas gravada durante a maratona de 96 horas dos Matmos no centro Yerba Buena Center for the Arts; e uma performance audio-visual com Keith Evans - Wrack Light in Copper Ruin explora a simbiose entre material e som, e a sua infinita rede de metáforas e alegorias.
(Imagem:(N:Q) Keith Rowe/Julien Ottavi/Will Guthrie/Manu Leduc)

Juan Antonio Barranco, hombre de "La Camisa Negra", imprescindível programa de rádio, e correspondente em Linares, Andaluzia:
«Buenas, para anunciar que WWW.WKCR.ORG emitirá a partir de la medianoche (hora de Nueva York) del 22 de este mes un especial de 32 HORAS de Sun Ra». A conta (32 horas) é um bocado bicuda, mas sempre valerá a pena ouvir umas 29 ou 30 seguidas...
Lugar Comum - Centro de Experimentação Artística
Clube Português de Artes e Ideias

POCKETBOOK OF LIGHTNING
Marco Franco_bateria & electrónica
Nuno Rebelo_guitarra eléctrica & objectos amplificados
«Uma luva tem como função vestir uma mão, mas também pode servir para colocar amendoins. Os amendoins necessitam de algo que os contenha e, embora luvas e amendoins não sejam feitos um para o outro, uma luva pode servir para esse efeito. Mais ou menos assim fala Jonathan Safran Foer quando nos explica o título do seu livro "The Unabridged Pocketbook of Lightning". Esclarece-nos que este nome nada tem que ver com o seu livro - e que, além disso, era já antes
nome de um poema de um amigo seu [...]»

20 de Maio, 17h35-19h42 – FABRICA Features Lisboa acolhe o lançamento de "Live @ Re:Play", do projecto CMYK, constituído por ivan lopes (game boy, home made electronic toys, laptop), j.trindade (analogic tapes, and toys), arthur chorosky (tenor saxophone, el. sax., and electronics) e arthur pereira (drums, percussion). 5ª edição da cãoceito – "suportes gráficos para projectos musicais". «Esta edição vai ser acompanhada de biscoitos, rebuçados e de um concerto em que a formação base dos cmyk convida especialmente para o efeito: abdul moimême - multi instrumentista com referências world, jazz e principalmente da música improvisada; hernâni faustino - homem do jazz e da música improvisada; e antónio watts - músico dos territórios do new jazz»

JAZZ NOW - COSMIC REALITY STREAM
SEGUNDA NOITE MODULAR
Sei Miguel_trompete
Fala Mariam_trombone
Rafael Toral_echo feed
Pedro Lourenço_baixo
César Burago_percussão
LEFT - terça-feira 16 de Maio, 23h00

Só hoje me deparei com a notícia da morte do pianista John Hicks, ocorrida a 10 de Maio passado. Hicks nasceu em Atlanta, Georgia, em 1941. Influenciado por Fats Waller, Bud Powell e Thelonious Monk, foi um dos mais prolíficos pianistas do seu tempo. Deixou relevante obra gravada, como líder e acompanhante de nomes importantes do jazz, como Sonny Rollins, Freddie Hubbard, Frank Foster, Sonny Stitt, David Murray ou Arthur Blythe. RIP.

A cada concerto, a VGO / Variable Geometry Orchestra renova-se em graus que se assinalam e registam entre o ínfimo e quase imperceptível, e o passo de gigante e
ntre a formulação precedente e aquela que já fica próxima no horizonte dos nossos desejos de liberdade. Movida por um motor potente que ruge nas suas expressões mais variadas, cria jogos intermodais de abstracção profunda – utopia de liberdade plena, reflectida num corpo or
questral com personalidade em construção, mas em que habitam sinais identitários próprios.
Neste melting pot da comunidade improvisadora de Lisboa, sucedem-se os quadros e os momentos de beleza massiva e extravagante. Entre o momento inicial e o estertor final, a evocam-se sons próximos e longínquos, novas e antigas imagens
visuais projectam-se num espaço de grandes proporções, onde se desenha o nascente e o poente, e em que a energia explode numa tridimensionalidade espectral que nos sacode corpo e espírito. O que fica na memória é uma catedral em que habitam sentimentos que perduram na partilha da experiência radical, entre a catarse e o êxtase abrasador.
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Foi um Acontecimento! A VGO é um acontecimento!
Foi a primeira vez que a vi. Terei estado no mar ou em Marrocos mas sempre em lua nova, com certeza...
Foi cataclísmico! Uma catarse! Uma Big Ban(g)d!
(Quando dei por mim estava debaixo dum umbral de porta, agarrado a um beiral, não fosse a casa vir abaixo...).
Para mim, mais do que isto só o Sun Ra em Vilar de Mouros em 1982. Parecia-me impossível poder-se chegar tão perto... engano meu, com a VGO tudo há-de ser possível!!!
Continuemos!
Sempre!
Obrigado.
Rui Portugal

VGO - Lisboa, 13 de Maio de 2006

(Fotos: Rui Portugal)


Sábado, 13 de Maio
VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
Ernesto Rodrigues – violino, viola, direcção; Pedro Costa – violino; Guilherme Rodrigues – violoncelo; Hernâni Faustino – contrabaixo; Sei Miguel – pocket trumpet; Eduardo Chagas – trombone; Bruno Parrinha – clarinete, clarinete alto; Miguel Bernardo – clarinete; Jorge Lampreia – flauta, saxofone soprano; Nuno Torres – saxofone alto; Lizuarte Borges – saxofone alto; Peter Bastiaan – saxofone alto e voz; Alípio C. Neto – saxofone tenor; Rui Horta Santos – saxofone tenor; Luís Lopes – guitarra eléctrica; Armando Pereira – acordeão; Ivan Cabral – didgeridoo; Jorge Trindade – tapes; Adriana Sá – electrónicas; Carlos Santos – electrónicas; Miguel Martins – melódica, xilofone, percussão; César Burago – percussão; José Oliveira – bateria, percussão; Monsieur Trinité – percussão.

Trem Azul Jazz Store, 19h30
Alípio C. Neto DIGGIN’Começo pelo fim: grande concerto ontem à tardinha na Jazz Store da Trem Azul, em Lisboa. O programa do festival “Issue 1” assinalava a actuação do Alípio C. Neto DIGGIN’, o novo quinteto do saxofonista brasileiro (Floresta, Pernambuco) radicado em Portugal vai para uma década.
Como Alípio já nos habituou, também este grupo, dos três que tem em funcionamento, toca música Original (o “O” maiúsculo é intencional), complexa nas suas qualidades
harmónicas e rítmicas. A primeira e grata constatação foi que o DIGGIN' soube encontrar soluções novas para os problemas antigos e formular problemas novos para os quais adaptou soluções antigas, aliada à capacidade cognitiva de assimilar e usar um léxico muito vasto, através de um aturado trabalho de grupo, auto-controlo e disciplina na execução das composições. Neste ponto, assinalem-se os relevantes contributos de Gonçalo Lopes (extraordinário tema de abertura, da trilogia "Una, Duna, Trena"), de Jean-Marc Charmier, de Ben Stapp, e de Alípio Carvalho Neto, o chefe de orquestra com o seu já inconfundível estilo acutilante e bem-humorado, que ao segundo concerto do DIGGIN’ (o primeiro acontecera na antevéspera, no Hot Clube de Portugal), consegue conquistar tanto a parte distraída da plateia, como a mais atenta e exigente, e apresentar um trabalho maduro, num estilo plural, inclusivo e multifacetado.
A banda é tremenda, tem enorme potencial criativo (e de progressão e crescimento, como se diz em bom futebolês). De tão eficiciente e naturalmente fluida, parece rodada como em fim de digressão, embora ainda mal tivesse saído dos ensaios e a debutação ao vivo tivesse ocorrido apenas dois dias antes. Como? É simples: com muito trabalho, talento criativo, dedicação e amor à arte, uma alquimia que mistura rua e escola, vadiagem e estudo aplicado. Jean-Marc Charmier (agora sem bigode, também membro do IMI Kollektief, em trompete e fliscórnio) traz consigo maturidade e experiência; e, como é apanágio das suas origens nacionais, muito savoir faire. Alípio divide-se entre harmonizador, arranjador, compositor, solista (saxofone tenor, flautas, pencafone, chocalhos, guizos e outros artefactos adquiridos em recente digressão brasileira) e ainda tem tempo para uma perninha na stand up comedy. Rui Gonçalves, tão forte no bater quanto delicado no pisar de mansinho, continua baterista para todo o serviço, exercido com idêntica competência no IMI Kollektief e no Wishful Thinking, os outros quintetos da holding musical Alípio C. Neto INC. & Associates. 
E Gonçalo Lopes e Ben Stapp?! Bom, estes músicos são dois talentos, dois artistas que, ou me engano redondamente, o que é pouco provável, ou terão muito para render no futuro, que é já. No imediato, e pelo que se ouviu, têm todo o crédito a seu favor. Lopes toca clarinete baixo com desenvoltura, vocabulário alargado, perfeita noção de tempo e sentido de oportunidade. Possui um som potente, plástico e elegante. Algumas das melhores composições do grupo são suas. Gostei particularmente do contraponto com os outros sopros e da comunicação com Stapp, jovem tubista norte-americano da Califórnia que tem pano para mangas. Incansável, soprou o “monstro” durante mais de uma hora, tocou as linhas de baixo, harmonizou, cantou as melodias e bateu o pé a tempo inteiro, sem hesitações nem engasgamento. De costas para Rui Gonçalves, que eu ouvisse, não houve uma única marcação fora de tempo, nenhum compasso ficou no tinteiro. Nada a mais, nada a menos. Amazing, este Ben “Stewart” Stapp. Bem me tinham avisado. Mais ainda, quando se trata de um músico da geração MTV.
Do palco para a sala, sentiu-se o que de melhor se pode esperar num concerto ao vivo – uma forte ligação empática e recíproca entre músicos e público, comunicação directa e comunhão geral dentro d
a música.
Música com um especial toque mediterrânico, que mergulha nas raízes culturais judaico-cristãs, mas aspira ao universal. Sente-se uma forte consciencialização cultural, que se harmoniza e consolida no encontro do espírito greco-romano, na latinidade e nas culturas judaica e islâmica, filtrados e integrados num discurso jazzístico que assim se enriquece e se transforma numa linguagem moderna e complexa, fácil de assimilar e de compreender. Multi-culturalismo actual (que nada tem a ver com o corrente cross-over comercial, bem entendido) que é também um importante referencial do jazz dos dias de hoje, tal como nos anos 20 Armstrong foi o farol; na década de 1930 o swing orquestral; nos 40 o bebop; nos 50 as primeiras marcas do modalismo com Miles; nos 60 o free jazz e Coltrane; nos 70 a fusion; nos 80 as tentativas esparsas de remar contra a ortodoxia marsalista e neo-conservadora; nos 90 o pós-modernismo novaiorquino; e agora, na era da globalização, a emergência e grande projecção das diferentes culturas e modos de fazer (acústico, eléctrico ou electrónico).
O que pode marcar a diferença hoje, como sempre, é o não-situacionismo, a integridade dos artistas, a vontade de apontar para a próxima estrela e a qualidade do produto artístico final. Qualidade que, neste caso do Alípio C. Neto DIGGIN’, merece ser posta em evidência. Quem tiver ouvidos para ouvir que ouça.
Fotografias de Rui Portugal.

Double Bind Quartet: Vitor Rua – baixo, guitarra; Carlos Zíngaro – violino; Luís Sampayo – bateria; Vera Mantero – performance, voz. Festival "Issue 1", Trem Azul Jazz Store, 11.05.2006 (Foto de Crista)



(fotos de Rui Portugal)

«Across the world, musicians are putting aside guitars and amassing technology like junk collectors, modifying, circuit-bending and recombining their equipment in pursuit of ever more deranged effects. Noise has its own message boards, record labels and emerging genre tenets (e.g. improvisation, pedal-hopping and an outré performative bent--it is, in other words, a bona fide scene, one that can be ignored with relative ease, but not dismissed by anyone striving to truly understand the modern musical landscape.
The idea of noise as music isn't new. The avant-garde composer John Cage introduced disharmony into his compositions and debunked the concept of the mistake, "for once something happens, it authentically is." Lou Reed's Metal Machine Music scandalized listeners in the '70s with its amorphous, punishing clangor. But where these were aberrations, noise has now reached a critical mass, and it's hard to conceive of any unbreached extremity».
História no Independent Weekly.
De hoje (11) até 13 de Maio, prossegue o festival "Issue 1", na Trem Azul Jazz Store, com Double Bind Quartet (11/5) e Alípio C. Neto DIGGIN' (12/5), que ontem actuou no Hot Clube de Portugal, encerrando o festival a 13/5, com a VGO (Variable Geometry Orchestra). Sempre às 19h30.
ALÍPIO C. NETO DIGGIN'
Ben Stapp_tuba
Alipio C. Neto_saxofones, melódica, percussões
Rui Gonçalves_bateria, guitarra
Gonçalo Lopes_clarinete baixo
Jean-Marc Charmier_trompete e fliscórnio
10 de Maio, 23h00 - Hot Clube de Portugal

Bill Evans Soul Grass Band (além do saxofonista norte-americano, com Christian Howes, Ryan Cavanaugh, Ric Fierabracci e Joel Rosenblatt), Trio de Mário Laginha (com Bernardo Moreira e
Alexandre Frazão), Quinteto de Paula Oliveira e Bernardo Moreira (com João Moreira, Leo Tardin e Bruno Pedroso) Charles Gayle Trio (com Hill Greene e Newman Taylor Baker), Lee Konitz com a Orquestra de Jazz de Matosinhos e Dave Holland Quintet (com Chris Potter, Robin Eubanks, Steve Nelson e Nate Smith), vão estar em Portugal para a 10.ª edição do Matosinhos em Jazz, que decorre entre 10 e 13 de Maio.

Na britânica Art Yard, saiu em LP "Beyond The Purple Star Zone", «one of two Saturn LPs recorded during a weeks residency by Sun Ra at the Detroit Jazz Center in the last week of 1980. Just about everything that the Arkestra played that week was captured on tape -- ending with a marathon series of three concerts on New Years Eve 1980, when the music extended over nearly eight hours, and included over ninety identifiable compositions. There was scarcely any duplication of compositions throughout this marathon night, even though each concert was played before a different audience, the auditorium cleared between sets. The title track, Beyond The Purple Star Zone, is extracted from the second of these three New Years Eve concerts. In essence, its a French horn trio, involving Sun Ra, Vincent Chancey and a percussionist. As well as featuring on this LP as the title track, it was used again by Sun Ra when in 1982 he issued another Saturn LP, Oblique Parallax, to release more material from these December 1980 concerts. On this second outing, Beyond The Purple Star Zone was spliced together with music played on 30 December to form the piece known as Journey Stars Beyond. Rocket Number Nine also comes from the second of the three New Years Eve concerts, and is a feature for Ra and the Arkestras vocal dexterity, and in a quintessential Sun Ra touch melds other compositions in with this tune. Theres a Sun Ra poem embedded -- The Space Age Is Here To Stay, as well as fragments of a Gospel piece. Theres also an early appearance of another Sun Ra composition, Face The Music, which crops up occasionally in 1970s and 1980s concerts, before coming into its own around 1990, when, with a full instrumental arrangement, it was featured frequently. Considering the dozens of hours of surviving concert tape from this Detroit residency, its significant that none of the recordings yet auditioned contain the material used on this album for Immortal Being, Romance on a Satellite or Planetary Search. It is possible -- but uncertain -- that these are performances from this residency, the sonics are very close to those of the first two pieces from this album. At least one Detroit concert (plus one workshop) remain to be researched. However, the presence of an electric bass player and electric guitarist on Romance on a Satellite suggests that these pieces may have a different origin. All are fine pieces, for the moment they keep their mysteries». - Chris Trent.

Quinta-feira, 11 de Maio, inaugura a Exposição de fotografia de jazz ao vivo, da autoria de Rui Portugal, seguida de perfomance poética por Ana Rita, e rematada por um concerto de Tiago Achega (guitarra) e Moisés Fernandes. No Luso Café - Travessa da Queimada, ao Bairro Alto, em Lisboa - às 23h30.

Sábado, 13 de Maio, às 22h00, a Granular regressa à ZDB com três concertos:
1. Antez (percussão) + Nuno Morão (laptop) + João Bengala (guitarra portuguesa) + Genoveva Faísca (voz)
2. Antez (percussão) + Rui Costa (laptop) + Emídio Buchinho (guitarra eléctrica, electrónica)
3. Manuela Barile (voz) + Rui Costa (laptop) + Nuno Morão (laptop)
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«No regresso da Granular à ZDB para três concertos numa noite que se pretende memorável, Antez, percussionista de Grenoble, França, e a cantora italiana Manuela Barile são os convidados especiais em três formações de orientações bem distintas mas com algumas características em comum: a experimentação de possibilidades a vários níveis e a composição de música no momento da sua própria execução. Com estudos de electroacústica sob a direcção de Xavier Garcia, Antez trabalhou com o colectivo de música concreta e cinema experimental Cellule d'Intervention Metamkine e em duo com um dos seus fundadores, Jerôme Noetinger, além de ter colaborado com nomes como Mathieu Werchowski, François Raulin, Tim Hodgkinson (Henry Cow, God, Konk Pack) e David Chiesa. Recentemente, editou um disco com o ex-baterista dos Fushitsusha de Keiji Haino e parceiro de KK Null (Zeni Geva) em muitas incursões "noise", Seijiro Murayama. Antez é um músico de projecto, propondo "uma exploração da percussão que passa pelo interior do som".
Manuela Barile tem formação em bel canto, estudou técnicas vocais do dhrupad indiano com Amelia Cuni e canto bifónico com Tran Quang Hai, e frequentou workshops com Phil Minton e Maggie Nicols. Também performer, trabalhou com figuras como Gianni Lenoci, Mario Volpe, Barre Philips, Amy Denio, Joelle Léandre e Tristan Honsinger, tendo já sido apontada como a Fátima Miranda da improvisação. Os seus interesses e preocupações não são muito distintos dos de Antez: "Para mim, cantar significa pesquisar e estar em contacto com o som." Só os meios divergem.
Com eles estarão alguns dos mais interessantes músicos da Granular. Membro do Ensemble JER, especializado na interpretação de repertório clássico por meio de instrumentos de brinquedo, Nuno Morão tem desenvolvido também actividade na electrónica digital. João Bengala e Genoveva Faísca são ambos membros da Companhia Bengala, grupo que dá uma dimensão camerística à música popular portuguesa, integrando elementos experimentais nas equações propostas. Rui Costa é um dos protagonistas da cena "laptop" nacional, tendo actuado ao vivo fora do País com Pablo Rega, Iñaki Rios, John Herndon e Casey Rice, entre outros. Um dos mais conceituados engenheiros de som do cinema português, o percurso musical de Emídio Buchinho tem a improvisação e a composição para instalações e curtas-metragens como áreas de acção. Em concerto, tocou já com Carlos Zíngaro, Gunter Muller, Otomo Yoshihide, Rudiger Carl, Matt Wand (Stock, Hausen & Walkman), Mike Beck, Nuno Rebelo, Vítor Joaquim e Manuel Mota».


Titan and Yez - "cancel, don't save, save" [mn009]
«What we have got here are some excerpts from intensive eight hour live improvisation by norwegian artists, titan and yez. they are rough and raw but absolutely real and beautiful with all the hiss, glitches, pops, distortion and even skips that are meant to be there for the aesthetics of noise - capturing the very essence of the jam session. we were afraid of losing the energy and passion that the rough mix or edit of the original session had by further editing, so we just took them as they were and went straight to the mastering process.it is such an impressive work. we just had to ask them what motivated them to start the project together and the process and setup of it».

"STATICS", o novo e segundo disco do fenomenal trio britânico VHF, com Graham Halliwell, saxofone alto; Simon H. Fell, contrabaixo; e Simon Vincent, electrónica e percussão (o primeiro foi "Extracts", na Erstwhile), lançado pela eslovena L'Innomable, editora que também publica Alfredo Costa Monteiro, Margarida Garcia, Matt Davis Matthew Earle, Mattin Michael, Renkel Mark, Ruth Barberán, Anthony Guerra, Dan Warburton, Ferran Fages ... .

Gerry Hemingway Quartet ao vivo na Culturgest, Lisboa, 6 de Maio. Estulto seria destacar individualidades num concerto deste dream team que jogou o jogo da excelência na execução das engenhosas composições de Hemingway, pensadas e escritas para os músicos que o acompanham (como o faziam Ellington e Mingus…). É justamente de excelência que se trata, quando se ouve Gerry Hemingway em qualquer (sublinho, qualquer) dos grupos que lidera, trios, quartetos, quintetos, nas mais variadas equipas de músicos e géneros, desde o solo de percussão, à composição contemporânea, passando pelos grandes exercícios orquestrais. O caso vertente não constituiu, pois, excepção.
Em palco, além de Gerry Hemingway, estiveram o saxofonista tenor alemão Matthias Schubert, no lugar que tem sido ocupado por Ellery Eskelin (não o fez esquecer, mas contribuiu eficazmente com o seu estilo próprio, mais leve e menos encorpado que o de Eskelin), Herb Robertson (dou um doce a quem me trouxer um trompetista com idêntica garra e semelhante verve, que não seja Paul Smoker, bem entendido…), e o mais antigo companheiro de Gerry Hemingway nestas voltas, Mark Helias, com quase 30 anos de trio BassDrumBone, com o trobonista Ray Anderson, em contrabaixo e baixo eléctrico com extensões groove, funk e afro que só enriqueceram a mistura.
Rica de conceitos e ideias, vitaminada e bem-humorada, a música tocou moderadamente as raias da paródia no melhor sentido (não há como Herb Robertson para desatar esse lado eminentemente lúdico de quem a brincar faz coisas muito sérias). Beneficiando em muito das noções em tempo avançadas por Anthony Braxton, abarca uma profusão de estilos que harmonicamente se diluíram na estruturação das peças, nas quais predominou uma linguagem complexa e colorida, ritmicamente variada, que tem como parente próximo o free bop, mais free que bop, mas que não se deixou aprisionar numa única fala.
Ponto alto foi também a possibilidade de assistir à especial relação dos músicos entre si, à forma como articuladamente engrenaram em laboriosa produção de tempo, a mesma que se pode encontrar nas recentes edições Clean Feed, "Devils Paradise" e "The Whimbler". Todos, assumindo por inteiro o papel de compositores instantâneos e extravagantes arranjadores, souberam interagir livremente como membros de um único e orgânico ser.
Em suma, assistiu-se a uma excelente concerto, que foi também uma lição proveitosa de como é possível hoje tocar música original, jazz “erudito” com apelo popular, sem obediências a cânones ditados por quem quer que seja que não os próprios intervenientes, sem imitar os clássicos, resultando numa abordagem renovada, da qual, paradoxalmente ou não, os mesmos clássicos se haveriam de orgulhar.
O estado da arte da música improvisada moderna emergente do jazz desembocou na Culturgest. O Gerry Hemingway Quartet, comunicando intensamente entre si e com o público, deixou uma marca profunda e indelével na paisagem.


E que tal uma boa dose de Melt-Banana ao pequeno-almoço?! A fruta japonesa faz muito bem à saúde, sua e dos seus... Recomendo o concerto de Abril de 2005, no Middle East Club, Cambridge (Boston), que inclui uma curiosa versão de "Uncontrallable Urge", dos Devo. Pá...

Como vem sendo habitual desde a sua constituição em finais da década de 90, a formação Lisbon Improvisation Players (LIP), do saxofonista Rodrigo Amado, tem-se apresentado ao vivo com um line-up variado. Comum, até hoje, tem sido a presença do saxofonista e do contrabaixista Pedro Gonçalves, já que quanto a outros sopros e ao lugar da bateria, não tem havido lugares cativos. Porém – e aqui está a primeira virtude –, tal variabilidade não tem constituído óbice a que o LIP tenha logrado preservar assinalável continuidade estética e coerência discursiva, com crescente maturidade.
A estratégica continua a ser a mesma e funciona: tocar de forma aberta, livre e espontânea, sem a pré-definição de composições ou de linhas orientadoras, arriscando tudo no instante imediato. Com esta receita, Rodrigo Amado, exclusivamente em saxofone tenor; Pedro Gonçalves, contrabaix
o; e o regressado Acácio Salero, na bateria, tocaram a 5 de Maio na Jazz Store da Trem Azul, no terceiro concerto do festival "Issue 1", que decorre até 13 de Maio, imbuídos num espírito de descoberta e exploração, acentuando, porventura um pouco mais do que é hábito, o lado experimental do trio. Logo a abrir, Amado cantou no saxofone tenor, num solo carregado de espiritualidade gospel com tempero de Joe McPhee na voz. O tom serviu de mote para o resto da actuação, cujo traço dominante foi também a marca d'água do LIP: o grupo improvisa colectivamente, alternando tempo e espaço para solos individuais que outra coisa não são que extensões ou desenvolvimentos das ideias nascidas e postas em ebulição no âmago da refrega estruturada no momento e profudamente assente nas fundações da improvisação.
Pedro Gonçalves, tal como tinha mostrado no concerto do LIP de Setembro de 2005, no festival Forum Music, em Lisboa, é o contrabaixista certo para este tipo de contexto. Nesta
acepção, a diferença de Gonçalves relativamente ao comum dos contrabaixistas de jazz é que ele transporta consigo o feel do rock (Dead Combo), possui a noção precisa dos tempos de entrada e de saída, e sobretudo, a respiração que impulsiona o processo criativo e lhe serve às mil maravilhas. Acácio Salero, que também tocou saxofone alto num tema,
exuberante no balanço rítmico e na propulsão do seu swing livre, esteve em grande forma. Completo e dotado de rara capacidade de acentuação rítmica e variedade métrica, foi em grande medida responsável pelo resultado final, que se saldou num grande concerto dos Lisbon Improvisation Players. (fotos: Crista)

De que estariam eles a falar? De música... de política... de negócios...? Vá-se lá saber...

Ora aqui está uma boa ideia: Encontro de Netlabels @ Fonoteca Municipal de Lisboa
«A Merzbau juntamente com a Fonoteca Municipal de Lisboa apresentam o primeiro Encontro de Netlabels, a acontecer nos dias 26 e 27 de Maio pelas 21.30 com entrada livre. Com o intuito de dar a conhecer um pouco mais esta realidade das netlabels a Merzbau convidou as Netlabels com ligações a Portugal a exporem o seu trabalho na Fonoteca. Infelizmente não podemos contar com a presença de todas as que se encontram em actividade mas iremos contar com as actuações de Sam Pull (Yellow Bop Records) e Aenedra (Enough Records) no dia 26, e Frango (Test Tube) e Goodbye Toulouse (Merzbau), dia 27. Fica no entanto a sugestão para que visitem as restantes e que tomem assim contacto com o seu trabalho. Já sabem, a música é livre, de preconceitos e taxas adicionais».

Prosseguiu o Festival "Issue 1", da Trem Azul, com a actuação ontem, 4 de Maio, do trio portuense Lost Gorbachevs em tarde de relativa desilusão. Desilusão, porque esperava muito mais deste trio. Mais rasgo, espírito de aventura e menos reverência; mais revisão crítica e menos tutela. E porque contava que o disco “From Neoliberalism to Totalitarian Capitalism” (Let’s Go to War) pudesse constituir ponto de partida e não linha de chegada. Foi pena que o grupo do saxofonista alto João Martins, do contrabaixista Henrique Fernandes, e do baterista Gustavo Costa não tivesse descolado da quase permanente citação ao pé da letra em se converteu o concerto, ora de John Zorn, sobretudo dos anos 80, de Naked City para a frente, ora do apetite por algum rock grindcore pós-Napalm Death, por exemplo; ora ainda de um certo alinhamento com a lógica muito batida da "banda de garagem" – power trio a meio
gás que acabou por ser convincente apenas para os já convencidos. Felizmente para todos nós, há mais vida (deve haver!) para além do universo zorniano. Sem menosprezar a competência, a honestidade e a capacidade de interacção que os três músicos inquestionavelmente possuem e delas deram mostras nalguns bons momentos de improvisação, sobre – e este é outro problema – composições que seguem de perto o mesmo figurino, a sensação que deu foi que os Lost Gorbachevs se contentaram em ter na mão uma pistola de fulminantes com que dispararam uns fogachos, riffs angulosos seguidos de explosões, “bum‑bum”, sem no entanto lançar fogo que se visse nem projécteis que se sentissem no corpo ou na alma.
É isso: nos Lost Gorbachevs há potencial, mas têm que crescer, musical e esteticamente, ganhar outro “cabedal” e assumir por completo que, além das boas intenções, mais vale um Gorbachev autêntico, ainda que “perdido” (mas que se quer e pode encontrar), que um Zorn de segunda categoria, indistinto de outros grupos, a caminho de se libertar do complexo de “Chuva de Estrelas”. Um tigre é tudo menos um gato em ponto grande. A escolha passa por aí.
(foto: Crista)
Alguns fa
ctos curriculares dos membros do Ravish Momin's Trio Tarana, pesam a favor do próprio Ravish Momin, percussionista norte-americano de origem indiana, aluno de Andrew Cyrille, de Bob Moses e de uma série de mestres percussionistas indianos; participa no trio de Kalaparusha Maurice McIntyre, tocou com a pianista Ursel Schlicht, com a percussionista Susie Ibarra, etc); de Jason Kao Hwang, violinista e membro da Far East Side Band, do Reggie Workman Ensemble, do Anthony Braxton sextet, e do Dominic Duval’s String Quartet); e de Shanir Ezra Blumenkranz, tocador de oud (alaúde oriental) e contrabaixo, membro do grupo klezmer Satlah, acompanhante de Anthony Coleman e participante do Mr. Bungle, de John Zorn e Trevor Dunn). Três músicos de uma geração actualmente na casa dos 30 anos, e que, nascidos nos EUA de ascendência asiática, procuram um posicionamento estético de "compromisso" entre as diferentes matrizes culturais que lhes são próprias. A música da sessão de abertura do festival Issue 1 da Trem Azul - que se celebra entre 3 e 13 de Maio na Jazz Store da distribuidora discográfica de Lisboa - apresentou-se formatada à semelhança da que se pode ouvir no único disco até à data publicado ("Climbing
The Banyan Tree", Clean Feed 2004). Improvisação nascida do desenvolvimento de linhas melódicas subtis, inspiradas nas tradições musicais índias da América do Norte, e do Oriente (chinesa, japonesa, árabe, indiana…), com motivos polirítmicos de tambores que fundem tradição ancestral e modernidade num groove com múltiplos sentidos, sábio no evitar da colagem e do pastiche que contaminam tantas outras formas musicais contemporâneas.
A partir desta proposta de simplicidade acústica, o trio expôs a sua música e improvisou com a fluidez que já se conhecia de "Climbing The Banyan Tree", num discurso para onde convergiram espontaneamente tipos, formas e ideias de um mundo antigo feito de saberes milenares, blues e mantras decantados pelo instante da contemporaneidade e da criação em directo. Dois níveis ligados por um ténue fio de continuidade que lhe advém da espiritualidade comum ao jazz e a formas musicais nascidas a Oriente, renovadas à luz da experiência actual da globalização, que tem na cosmopolita Nova Iorque um importante centro aglutinador e difusor. Pesem embora as virtudes demonstradas ao vivo pelo trio, que além do mais serviram para testar e confirmar em directo a validade e a pertinência da sua proposta musical, uma ligeira mácula concorreu a seu desfavor: numa ou noutra passagem deixou-se perceber algum cansaço e desconcentração, porventura relacionados, facto que, compensado pela capacidade entrega, não deslustrou uma actuação globalmente muito positiva e vibrante de entusiasmo.
O Ravish Momin's Trio Tarana actua hoje (4 de Maio) no Museu Nogueira da Silva, em Braga, e amanhã (5 de Maio) na Casa da Música, Porto.

Logo à tardinha, ao vivo na Trem Azul Jazz Store: LOST GORBACHEVS, trio do Porto.
Gustavo Costa – bateria, electrónicas
João Martins – saxofone
Henrique Fernandes – contrabaixo

«No verão de 2005, o trio Lost Gorbachevs, formação portuense, foi convidado para tocar no palco de jazz ("Jazz na Relva") de um dos maiores festivais de rock em Portugal (Paredes de Coura). Apesar de estar mais habituado a tocar música completamente livre, o trio ensaiou 10 temas durante uma semana com a finalidade de se apresentar neste festival com um repertório diferente. Entretanto, como os três músicos estão envolvidos em diferentes bandas e projectos, nunca tocaram estes temas novamente até os decidirem gravar num estúdio de um amigo. Estas gravações foram recentemente editadas em cd-r na Let’s go to war. Os projectos em que estão envolvidos os músicos dos Lost Gorbachevs são: Stealing Orchestra, Genocide, Ohmalone, Mécanosphére, Red Albinos, Oddawn, Motornoise. Também tocaram com grandes nomes, como John Zorn, Damo Suzuki (ex Can), Steve Mackay (saxofonista dos Iggy and the Stooges) e Massimo Pupilo (dos Zu), para citar apenas alguns».


O quarteto PILLOW – violoncelista Fred Lonberg-Holm, membro do Brötzmann Tentet; Michael Colligan, soprador dos Flying Luttenbachers, aqui creditado em tuba e dry ice (o que quer que isto queira dizer); Liz Payne, em baixo, viola e percussão; e Ben Vida, guitarra e trompete (estes dois últimos, membros do Town and Country) – gravou quarto discos: "Pillow" (Boxmedia, 1998), "Field On Water" (Hereforeveralways, 2000), "Three Henries" (Hapna, 2001), e agora este "Plays Brötzmann" (Bottrop-Boy, 2006).
Inspirado no grande improvisador alemão – umas das figuras mais marcantes do free jazz e da livre‑improvisação europeia das últimas quatro décadas – o quarteto dispõe as suas armas ao serviço de uma leitura minimalista da música de Peter Brötzmann, o reverso da fúria que habitualmente o caracteriza, posto que o ambiente aqui é o da placidez quase bucólica das mais intrigantes paisagens sonoras experimentais. Brötzmann deve ter gostado destas “Images” e eu não lhe fico atrás no apreço por este recente lançamento da Bottrop-Boy, micro-editora alemã dirigida por Robert Meijer.
Ravish Momin's Trio Tarana
Lost Gorbachevs
L.I.P (Lisbon Improvisation Players)
Double Bind Quartet
Alípio C. Neto DIGGIN'
V.G.O. (Variable Geometry Orchestra)

Frederic Blondy (piano), Jean-Sebastian Mariage (guitarra eléctrica) e Dan Warburton (violino) tocaram e gravaram em Paris "L’Écorce Chante la Forêt" (2001), disco que a Creative Sources Recordings viria a publicar em 2004. Três peças ("l’écorce chante la forêt"; "oort: un jardin doucement ratissé par les pertubations stellaires"; e "sleep, perchance to dream"), desvendam-se em movimentos lowercase entrecortados por breves e mais arrebatados episódios musicais, que se vão esfumando até entrar na pièce de resistence com que encerra esta quase hora de duração. Mais que os temas anteriores, "sleep, perchance to dream" caracteriza-se pelos longos intervalos entre notas ou sons, sequências de texturas de toque suave e acetinado. Estalidos de madeira e metal brotam da percussão das teclas do piano e do afagar das cordas do violino ou da guitarra eléctrica, acções descontínuas com ênfase no som mais que na tonalidade, explorando um mundo subterrâneo de sensualidades microscopicamente perceptíveis. As dinâmicas são em geral extremamente baixas, contudo perceptíveis e relacionáveis entre si, mais pelo gesto que pelo resultado. Música não-narrativa que contudo conta histórias que se adensam à nossa volta, apertando o cerco milimétrico, como cobra que desliza suavemente pela vegetação à procura da presa que, encantada, não consegue mexer-se. A tensão aumenta perto do fim em razão inversa ao volume produzido. O que acentua os traços feldmanianos desta música, cuja audição deve acompanhar o baixo volume da execução para que não se percam os murmúrios de vozes sonhadas. Frederic Blondy / Jean-Sebastian Mariage / Dan Warburton - L’Écorce Chante la Forêt (cs016)

Depois de “The Fissback Voyage”, disco de estreia de 2004, o duo francês de improvisação livre, Tlön 5, constituído por Eric Pailhé, saxofone tenor, e Johann Bourquenez, piano, gravou em Janeiro último “Live in Pau”, num antigo armazém frigorífico de um matadouro (Les Abattoirs) situado em Pau, França. O resultado foi agora publicado pela netlabel francesa eDogm, editora co-fundada pelos dois músicos com o objectivo de divulgar o seu e outros trabalhos de forma gratuita através da internet. Diferente de "The Fissback Voyage", em que o duo, além dos instrumentos acústicos, usava electrónica, cujas texturas e loops explorou com eficácia, esta nova edição do Tlön 5 opta pela via exclusivamente acústica, que procura apurar aprofundando os detalhes e contornos de uma colaboração que tem potencial para continuar a descobrir novos cruzamentos sonoros nascidos da interacção instantânea, ao vivo e em directo.
«After a few gigs, Eric Pailhé and Johann Bourquenez recorded in January 2004 their first Tlön 5 album, "The Fissback Voyage", and created a new personnal soundscape between free music and electronic music. Instead of producing it on a CD, they prefered to release it for free on internet. In August 2004, eDogm netlabel is online and propose to download "The Fissback Voyage" for free. Then, since August 2005, Tlön 5 began to look for saxophone and piano gigs, free forms and totally improvised concerts with no set list, no electronic stuff, to express the intensity of the moment that's happening. This new release on eDogm is a live recording of a concert in Pau, France, organised by the local label Relax-ay-voo in January 2006. One hour of tenor saxophone and piano free improvisation in a former cold-storage unit, exept on track 5 where Johann plays with the old metallic fridge which was still here».

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Emanem 4126 'SuperModel SuperModel' (2002-3) Gail Brand, Tim Perkis, Gino Robair, John Shiurba & Matthew Sperry-
Psi 06.02 Evan Parker Octet, 'Crossing the River' (2005) John Edwards, Agustí Fernández, Marcio Mattos, Neil Metcalfe, John Rangecroft, John Russell e Philipp Wachsmann.
All About Jazz New York # 49 
On the Cover: PAUL BLEY
Interview: JIMMY MCGRIFF
Artist Feature: RUDRESH MAHANTHAPPA
Label Spotlight: ZOHO MUSIC
Club Profile: BAR NEXT DOOR
Encore: DON MOORE
Megaphone: REV. PETER F. O'BRIEN
Lest We Forget: IVIE ANDERSON
CD Reviews

A equipa capitaneada por Dan Warburton, com Marcelo Aguirre, Clifford Allen, Jon Dale, Nate Dorward, Vid Jeraj, Massimo Ricci e Derek Taylor, edita o número de Maio da
Paris Transatlantic Magazine
Editorial
Rune Lindblad
Reissue this: John Tchicai - Maurizio Bianchi
In Print: Resonance Vol.10 No.2
In Concert: Burkhard Beins, Lucio Capece & Rhodri Davies
JAZZ & IMPROV: Dom Minasi / Reuben Radding / Rudi Mahall / Chiesa, Guionnet, La Casa & Petit / Agnès Palier & Olivier Toulemonde / Tom Djll / Terry Day / Paul Hood & Michael Rodgers / Pascale Labbé & Jean Morières / Mattin & Cremaster / Stern & Guerra / Eugene Chadbourne
CONTEMPORARY: Vinko Globokar / Phill Niblock / Roland Kayn
ELECTRONICA: Anthony Pateras & Robin Fox / Howard Stelzer & Giuseppe Ielasi / Sébastien Roux / Fhievel

Viva o 1.º de Maio
Dia do Trabalhador

Thelmo Cristovam, improvisador e compositor electroacústico brasileiro, de Pernambuco (sopros, electrónica e cordas), tem a sua discografia completa disponível para download gratuito. Todos os detalhes constam da página pessoal de Cristovam. Este projecto com Fernando S. Torres, publicado pela Menthe de Chat, editora do Rio de Janeiro; este outro com MMeNDES e Filipe Giraknob na Fronha Records; ou este ainda, na desetxea netlabel, são bons exemplos do interessante trabalho do músico na área da electroacústica experimental, drone e noise, membro do duo Hrönir e também participante no colectivo Antena, «um grupo de produtores de música eletrônica não-convencional que se reúne para divulgar o trabalho em conjunto, com intercâmbio constante entre eles».
POINT OF DEPARTURE
Bill Shoemaker, com o n.º 5 - Maio de 2006
Page One: Editorial
The Uh Uh Uhs: Commentary on Current Music Criticism
What's New: The PoD Roundtable
Moment's Notice: Recent CDs Briefly Reviewed
The Turnaround!: Previously Published Articles, Essays and Reviews
The Circle With A Hole In the Middle: Rare Vinyl Revisited
Travellin' Light: Iain Ballamy About Life on the Road
Free Jazz: The Point of Departure Contest
"Issue 5 inaugurates a new occasional feature, What’s New: The PoD Roundtable, which brings together persons of diverse backgrounds to discuss the issues shaping jazz and other experimental musics in the early 21st Century. Participants in the first roundtable include: author and Guelph Jazz Festival founder Ajay Heble; saxophonist, composer and activist Fred Ho; London-based improviser Caroline Kraabel; improviser and author George Lewis; and author George McKay. The Turnaround! features a 2004 blindfold test with trumpeter Dave Douglas, conducted at the Vancouver International Jazz Festival. The Circle with a Hole in the Middle revisits an out-of-print album by pianist Horace Tapscott and the Pan-Afrikan Peoples Arkestra. Saxophonist and Jazz UK house shrink Iain Ballamy takes the Travellin’ Light questionnaire. Moment’s Notice contains reviews of CDs by artists ranging from Juhani Aaltonen to Randy Weston. And, The Uh Uh Uhs (the name is taken from a Steve Lacy tune), which examines current music criticism, delves into the important new book + DVD, Blocks of Consciousness and the Unbroken Continuum.
If that’s not enough, the Free Jazz contest offers readers the chance to win real prizes. Courtesy of Barking Hoop Records, readers of Issue 5 will have the opportunity to win one of three prize packages, consisting of: a copy of Frozen Ropes, the collaboration between the String Trio of New York and saxophonist Oliver Lake, and a copy of Time-Space Modulator, by percussionist Kevin Norton’s Bauhaus Quartet" - Bill Shoemaker .