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31.1.07
 

A Sachimay Interventions, subsidiária da Sachimay Records, vocacionada para o vasto universo que relaciona música improvisada e composição contemporânea, dedica-se à edição exclusiva em CDR numa lógica de produção artesanal feita pelos próprios artistas, que também assinam as capas numeradas (de 1 a 31, actualmente). Os discos são vendidos a US$ 5 a unidade, mais portes de envio. Estão disponíveis trabalhos de Ricardo Arias (USA), The Bunda Love Quartet (USA), Greg Burrows (USA), Cake of Honey (USA), Barry Chabala (USA), Chainworks (USA), Ed Chang & Han Degc (USA), DC Improvisers Collective (USA), Dan DeChellis (USA), Den&Breadfast (Italy), Robert Gellman (USA), Greenstreet (USA), Richard Gross (USA), Matt Hannafin (USA), Jeffrey Lependorf (USA), Steve Lofkin (UK), Little Ricky's House of Chankletas (USA), Brian Moran (USA), Ravi Padmanabha (USA), Kelly Pratt (USA), Motoko Shimizu (USA), Doug Theriault & David Chandler (USA), Tomchess & Kanaiwa Takuma (USA), Chris Welcome (USA), Nate Wooley (USA), W.O.O. Mambo Mantis (USA) e Jack Wright & Reuben Radding (USA). Sairam agora dois novos títulos, Interventions #30 e #31. Guitar Sculptures, do guitarrista britânico Steve Lofkin, e Meme & Variations, do norte-americano e repetente DC Improvisers Collective.

Interventions #30: Steve Lofkin - Guitar Sculptures: Shimmering, gliss'ning, improvised solo guitar sculptures recorded between April and August 2003 -- ethereal, spacey, delicate, frantic, dark, longing, and haunting. "A return to solo playing on the back of disbanding an acoustic guitar/violin ensemble, this is a record of my initial pursuit to find an alternative to playing tunes. Instinctive soundscapes caught at the moment of creation. Some nice themes occasionally occurred and overdubs were added, pending on where the initial idea flowed. Recorded warts and all -- much to the dismay of my recording engineer buddy. A chance to trust the process -- and then, leave it alone. " Total time: 46:23.

Interventions #31: DC Improvisers Collective - Meme & Variations: Five aural views of a territory unfolding the textures and tropes of jazz improvisation, contemporary composition, and electronics. By turns meditative, agitated, cerebral, and plaintive, the ensemble's playing balances open formal structures with an associative sensibility to create a real-time transmutation of disparate musical elements into coherent wholes. Featuring Ben Azzara (drums & percussion), Daniel Barbiero (contrabass), Jonathan Matis (guitar, prepared guitar, electronics), and Mike Sebastian (tenor & soprano sax, bass clarinet). Total time: 57:08.

 
 

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Sun Ra & his Intergalactic Solar Orchestra: Space is the Place DVD (...), visto, bem ouvido e bem escrito por Digga, no imprescindível hit da breakz: "(...) – um Messias negro vindo do espaço apostado em elevar a sua comunidade pela música. E que música: Sun Ra foi um visionário, que veio do circuito tradicional de clubes (facto aliás evocado no filme) e ascendeu até um complexo e particular ponto onde fantasia cósmica, misticismo, egiptologia, disciplina e liberdade se combinaram numa música rica, estranha e de facto de outro mundo – o da cabeça do próprio Ra.Os astrónomos podem agora rever as notas e encolher o sistema solar, mas Sun Ra sabia que havia muito mais para lá de Plutão. E que havia muito mais para lá dos tradicionais conceitos de harmonia, melodia, tempo e ritmo. Para a música de Sun Ra não havia mapas, tal como para a sua história não existia guião".

 
 

CINC

 
30.1.07
 
Christopher Dell
Scott Fields Ensemble

Scott Fields - guitarra, composição; Alípio C Neto - saxofone tenor; Ben Stapp - tuba; João Lobo - bateria.

O que poderá resultar do encontro de um guitarrista e compositor de jazz interessado nas soluções harmónicas da música contemporânea, e designadamente no sistema “pós-tonal” de Stephen Dembski, o qual permite a formulação de uma música sucedânea do dodecafonismo, politonal por condição, com um saxofonista e compositor que inspira os seus conceitos na linguística e nas técnicas rítmicas da poesia? É difícil de prever, mas ficaremos a sabê-lo quando ouvirmos Scott Fields a tocar com o pernambucano tornado alfacinha Alípio Carvalho Neto, suportados ambos pela secção rítmica constituída pelo Californiano Ben Stapp (tuba) e pelo português João Lobo (bateria).
É com esta formação e com tais coordenadas que o músico americano actuará em Portugal, mas mais do que subjugar-nos com conceitos e processos, é de prever – dados os perfis dos músicos envolvidos – que a nossa rendição se deva à forte capacidade comunicacional de que vêm dando mostras, algo que, como se sabe, depende mais da pele do que do intelecto. Se o meio é a mensagem, como professava McLuhan, a expressão é a forma com que a ideia se apresenta, de tal forma que, na presença da sua realização, deixamos de nos preocupar com a parte da sua gestação. E no que respeita a expressão, é certo e sabido que esta depende inteiramente daquilo que os indivíduos são, passando pelas suas experiências de vida. Estas teve-as Fields quanto baste: na adolescência foi “spotter” de traficantes.

Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa - 02 de Fevereiro, 19h00

 
 

482 Music

 
 





Alípio C Neto, Ben Stapp, Alex Maguire & Mark Sanders
23.01.2007 - The Royal Northern College of Music, Manchester, UK

 
 

FreeNoise

 
 
Por voragem desmedida, por ter mais olhos que barriga, ser um consumidor compulsivo de discos (deixai-me dizer que estou francamente melhor, mesmo sem terapia especializada, auxiliado apenas por um suave cold turkey), há discos – e não são assim tão poucos – que mal entram em casa vão obedientemente ocupar o seu lugar na prateleira e aí repousar por vezes durante longos anos, até que uma mão redentora (neste caso, a minha) os recupere para a finalidade para que, em última análise, foram criados. Foi o que sucedeu com Floating Phantoms (o disco de estreia da alemã all Records, subsidiária da Free Music ProductionFMP), de Tony Oxley com o B.I.M.P. Quartet, que estava a dormir o sono dos justos há pelo menos cinco anos.
Não sei como soava quando foi produzido, mas quero crer que este é como um bom vinho, que ganha qualidades com o passar do tempo, desde que preservado em boas condições. Gravado no Total Music Meeting de 1999, em Berlim, Floating Phantoms é constituído por cinco “lines”: Line In, Line Out, On Line, Stream Line e Beam Line, peças improvisadas por Tony Oxley, percussão; Phil Wachsmann, violino e electrónica; Pat Thomas, piano, e teclados electrónicos; e Matt Wand, samplagem – o denominado B.I.M.P. Quartet. Que nos contam estes quatro maduros, dois deles (Oxley e Wachsmann) mais maduros que os outros dois? Cinco histórias electroacústicas esteticamente balizadas entre dois pólos principais: a “tradição” da escola britânica de inícios de 70, confinada a aspectos que se poderão designar formais, e as mais recentes manifestações criativas, que usam o último grito digital para produzir sons electrónicos e processar em tempo real estes e os gerados pelos instrumentos acústicos – piano, percussão e violino. Daí que os estilos e as referências se misturem e (re)combinem momento a momento, com ênfase na criação de texturas e clusters subtis, que partem de diálogos e se alargam progressivamente para se tornarem conversas a quatro, à roda das estruturas que vão nascendo, geradas no seio do movimento policromático não linear. Floating Phantoms é um disco de fusão no sentido actual do termo, de bom resultado, que abarca aspectos relacionados com a improvisação livre, o jazz, a new music e a electrónica contemporânea. A capa reproduz uma composição de Tony Oxley, Score No. 4, gouache sobre papel.

 
29.1.07
 

It is essential to distinguish between music the sole purpose of which is to produce a uniform and deliberate effect, thus simulating a collective action of an intended kind, and music whose meaning is, in itself, expressing feelings, ideas, sensations, or experiences, and which, far from welding people into a homogenous mass with identical reactions, allows free play to individual subjective associations. - Ernst Fischer (Ars Nova Workshop)

 
 

Clinton em 1994 na datcha de Ieltsin, visivelmente divertido com o solo de Bill. Este pelo menos tocava saxofone tenor e haveria de trocar umas ideias com Lewisky. Bush nem isso.

 
 
Novidade é a saída na francesa Potlatch de um disco de piano solo do holandês Cor Fuhler, na senda da experimentação dos mestre John Cage e Alvin Lucier - o trabalho "dentro" do piano, modalidade habitualmente designada por "piano preparado". Fuhler usa os artefactos e utensílios que habitualmente se utilizam neste tipo de operações, de forma a estruturar o fluxo sonoro e organizar o espaço de um modo lógico e eficiente, para lá da habitual percepção que se tem do som de um piano acústico. Cor Fuhler - Stengam (Potlatch, 2006)

 
27.1.07
 

METROPOLIS, de Klaus Thiemann. Era trilingue e agora passou a tetralingue, ou lá como se diz. É que a colaboração com o Jazz e Arredores já começou e vai prosseguir. De Portugal já está publicado um "perfil" de Ernesto Rodrigues (em Inglês), além da disponibilização do catálogo completo da Creative Sources Recordings.

 
26.1.07
 

Billy Bang, ao vivo na mais recente edição do Vision Festival, em Nova Iorque. Com Billy Bang, violino, tocam o pianista Andrew Bemkey, o trompetista James Zollar, o contrabaixista Todd Nicholson, e o baterista Newman Taylor Baker. Música dos álbuns Vietnam: The Aftermath e Reflections, e um tributo a um dos seus mentores, Sun Ra. Na segunda parte, o pianista Uri Caine em recital de piano eléctrico Fender Rhodes, num percurso por material seu e pelos standards, como ‘Round Midnight e Honeysuckle Rose. Antes de desligar o botão, uma homenagem...a Billy Bang. No Jazz on 3 desta semana, a partir de hoje às 23h30 de Londres, e até à próxima sexta-feira.

 
 
MANIFESTO XXI
Jorge Lima Barreto

Situação da ideologia da música portuguesa de hoje – é como abrir o ovo ofegante do sapo, bola translúcida peganhenta institucional, fluido ranhoso conservatório e de escarro neo universitário premiado, a envolver um feto fétido clonado de sapinho star… propaganda mediática sine sapore, projecto anacoico condecorado.

Viva a nova música portuguesa viva!!!

DA MÚSICA PORTUGUESA DE HOJE

No que respeita à Música Portuguesa de Hoje, a inventio, o experimentalismo, as novas concepções tecnosociocomunicativas, i.e. a abertura a futuros horizontes, são preteridos e desviadas por técnicas mercantis espectaculares, subjugadas à ideologia museomórfica, ampliadas no regime de alienação cultural nos mass media, especialmente na TV, com quedas para o abismo perfunctório – sincronicamente há, no entanto, o imune duma maravilhosa criatividade interveniente e construtiva da História da Música Portuguesa (historicamente ilustrada por Carlos Seixas, Viana da Mota, Luís de Freitas Branco, Lopes Graça, Peixinho, Filipe Pires, Emmanuel Nunes, Emanuel Dimas Melo Pimenta, Pinho Vargas, J.P. Oliveira, Carlos Zíngaro, João Marques Carrilho, e.a.) ...
A Nova Música dos compositores, dos compositores-intérpretes e dos intérpretes portugueses é sufragada pelo poder dos musoburocratas e circunscrita aos arranjinhos dos operadores culturais.
Os laboratórios para a investigação electroacústica e cibernética da Música são inexistentes, ou tímidos e privados focos de resistência com pálida imagem económico-financeira, ilustres desconhecidos lá fora e esmolando alvíssaras cá dentro.
O Governo é o maior responsável pela afirmação da Cultura Portuguesa, o garante das suas identidade e independência; porém…a guerra esteticamente autofágica – alternativa entre os partidos políticos os e seus aliados de ocasião, ao ignorar o situacionismo da Música, é culpada da sua decadência; a política cultural, pontificada por um ministério intelectual e artisticamente irrelevante, sem saber, bombardeia e censura o livre devir da Arte dos Sons, com efeitos colaterais irreparáveis.
Muitos músicos, talentos da criação interarte e com provas dadas internacionalmente, apenas por estrita sobrevivência individual e/ou social, funcionalizam a sua actividade profissional ao gosto, na maior parte das vezes fútil, de encenadores, coreógrafos, cineastas ou capatazes do espectáculo; uma aventura alegadamente pósmoderna, limiar que põe em risco a autonomia da Arte .
Os aparelhos ideológicos votam a arte musical ao isolamento; a política do liberalismo, dita "cultural", elege em sórdidos escrutínios, a galhofa, a bricolagem e a falsa sumptuosidade; a parasitose empresarial e industrial, caucionada pelo Governo, exorciza a criatividade não rentável.
O projecto terrorista da globalização insinua-se nos médias (rádio, disco, TV) injectando subprodutos da propaganda audiovisual, reduz a música à sua própria publicidade, esbate-se o brio nacional; o rosário de genuflexões dos operadores culturais portugueses ao que é estrangeiro denuncia a eleição do aparato, desculpada pela gratificação do ego americanizado…
Uma estratégia tentacular consolida-se nos palanques da festa multinacional, no sururu dos lobbies, na aparência do regionalismo e do nacionalismo; obsoleta e alienada das verdadeiras necessidades dos músicos portugueses de hoje (compositores e/ou intérpretes), superintende pequenas prestações musicográficas, rede historicista e tarefeira ampliada em jornais, dicionários & outras publicações.
O rito das músicas planetárias é manipulado por uma teoria tecnocrática com laivos de mixórdia cultural – assim se passa na discoteca, altar da hipnose aeróbica, habitat da alienação, da demissão social e da megalomania do ego transviado.
Consequentemente, músicos e operadores culturais com espírito independente, que pretendem prosseguir na invenção tecnológica, na originalidade técnica e na genuinidade estética não encontram apoios económicos e afectivos, necessários à concretização da sua arte.
A cumplicidade de editores, divulgadores e organizadores dependentes dos senhores da banca e dos media, coisifica a arte musical portuguesa – faz-lhe um aceno hipócrita, mas, impõe em grande escala o consumismo compulsivo do pseudoartístico, destila a permanente inovação das músicas do mundo e a proliferação de encontros epifânicos da música portuguesa com as mais variadas tipologias, do salsa à electrónica… o reino da mescla.
A invenção musical é esganada pelos interesses das multinacionais do disco, na rádio e na TV, diluída no miasma da NET, e assombrada por uma obsoleta musicologia de gabinete, que decreta o desaparecimento da identidade da Música Portuguesa, como ousou sonegar os Lusíadas, Eça, … (fomenta uma falsa luta pelo tradicional, para gáudio capitalista no share de audiências; dispensa a preservação da espécie ou recupera-a como uma falácia, degradação cultural epitomisada no espectáculo: arremedos, plágios, regurgitações da Severa, Amália, Menano, Marceneiro, Zeca, Paredes…).
Subsidiam-se os observadores da criação musical ad lib – viagens, bolsas, salários chorudos para administradores, mais-valia das vedetas do corriqueiro, de descarada conotação politiqueira, comendas paródicas, e.a., sonegando a criatividade, a necessária interacção artística nacional e internacional. Os eventos musicais via TV na sua maioria não têm qualquer originalidade, são modelos, pacotes empresariais, ruminações estéticas, olhares retrospectivos, liberalismo licencioso a aparentar o erudito, o jornalismo musical (imprensa, rádio e TV) é na generalidade rebarbativo, traditor, comprometido no seu pequeno mundo de vaidade e interesse súbdito multinacional; a Música Portuguesa de Hoje é nas diversas vertentes mal protegida, tida como zona demarcada minoritária e sem rentabilidade; impondo-se o mercado estúpido de massa; a musicologia e a praxis estão minadas pela presunção e o pasmo, sobretudo cúmplices dum processo comercialóide.
Como alegadamente vivemos em democracia, o cantor de protesto, promiscuído no estocástico tacho, não encontra razões para resinar - berloque trasladado para a lufa-lufa do biscate nos media, de preferência com rhythm section do "jazz".
Os impostos (IRS, IVA , CIA, autárquicos, S.S., i.e. segurança social, a taxa sobre instrumentos, livros, discos, partituras, vídeos, e outras leviandades do fisco) pesam impiedosamente sobre os autores, músicos, cidadãos culturalmente produtivos que vivem o quotidiano – há a ter em máxima consideração as simples questões de alimentação, alojamento, acrescido dos custos nunca remunerados de trabalho criativo (e.g. compor, tocar, ensaiar, escrever, ler, estudar; adquirir hardware para o seu trabalho) – enquanto as vedetas da "estupidez em dó maior" (ápodo atribuído por Jorge Peixinho) e os seus padrinhos ostentam sumarentas contas bancárias, tipo lux-vivenda & chofer & iate & avioneta - pluma sintética de avestruz, surda cabeça enterrada na areia; embargo sem o mínimo conhecimento e/ou audição de música decente; idolatria de religião feiticista/peep show; o kitsch, o socialmente imoral e o artisticamente ignóbil.
A indústria da cultura aventada como um valor de troca capitalista visita as catacumbas do irrisório, no limiar da pornofonia; funcionaliza a música ad extremis, em passarela da moda, telenovela, talk show, ou decoração desportiva; esgar terceiro- mundista ressuma a catinga, faz-se vedeta virtual, mostra a face do senso comum, protege a aparência da criatividade; é papona e paranóica ao vomitar a música aparvalhada.
A ópera é para o contribuinte um dispendioso mamute que se destina ao yuppie e ao espavento bilheteiro e mecenático da classe média e/ou da pseudo-aristocrática, de consequência eruditona.
O conservatório reitera a conserva; a programação clássica espectacular é sectária, nivela o anódino e o genial; o catálogo confunde o simulacro com o ícone.

Comecemos pelo que nos é dado ouvir, em disco e/ou ao vivo:
Não querendo fazer uma compilação de questões de rescaldo do final do século anterior, pensamos ser oportuna uma pequena observação sobre o situacionismo da música em Portugal, especialmente referenciando a sua divulgação e o seu regime de criatividade.
O nível dos nossos festivais é no critério estético, deveras coerente tendo em conta a exiguidade de meios financeiros e estratégicos para o levantamento de acontecimentos culturais de tal monta. Concertos episódicos de artistas portugueses e internacionais magnificaram as programações de algumas instituições.
Vulgarmente, um discurso estereotipado é extrapolado por alegorias nacional-regionalistas, ou então miscelânea epigonal relativa à lusofonia, o dejá vu etno-promocional desfraldando a bandeira da "música portuguesa".

Sabemos muito bem que Portugal é a única nação europeia onde a Música não faz parte das disciplinas do ensino primário e secundário. Na escolástica, os tirocinantes são predestinados na generalidade dos casos à servidão na TV e escarrados na música ligeira; em departamentos da musicologia oficial, a criação é produto ideológico, conceito etnomusical espúrio, incumbência de aprendizes, tratado sem consciência estético-cultural, serve quando muito para preparar operadores e críticos nos media, sem grandes perspectivas neste campo praxiológica, histórico e sociomusical.
Em Portugal - na imprensa, na rádio e na TV, fundamentalmente nos espectáculos ao vivo – a divulgação da Música de Arte foi progressivamente massmediatizada e conheceu conspícuos produtores, independentemente da incontornável polémica.
Na imprensa há um punhado de críticos; uma bibliografia que é escassa.
A pedagogia é tepidamente administrada por alguns peripatéticos, mentores classicistas, neomodernistas e in extremis alegados vanguardistas; fulcros da perpetuação do conhecimento paralógico da música; o sentido persistente da educação e preparação de compositores e intérpretes – o Ministério da Cultura, que tem obrigação de apostar neste tópico musical não procede para favorecer o seu progresso, não implementa o curriculum interactivo internacional – pelo contrário dá alento à mais-valia pimba, contra-reforma piscando o olho à populaça e benzendo a corruptela "cultural" nos media.
Ignorando o Mundo da Música, exulta-se a infracultura; barbaridades género touros de morte, cumplicidade com assassinos de massa, TV Shows, sionismo, derrames de grude, mafia, rebarbativa mea culpa colonial, cóboiada, militarismo made in USA, logos piroso e terrorista, tonitruante míssil genocida.

A produção dos músicos portugueses é esteticamente irregular, com abrasonadas edições ao vivo ou em disco, despontou uma nova e generosa geração de compositores/intérpretes a qual sobrevive à míngua da institucionalização político-administrativa da música, nas sombras da mendicância e da incompreensão; o laudatório inter pares distrai a necessidade duma luta contínua pela Arte musical, impedida na sua sóciocomunicação, arredada pela mediocracia, enganada por estratégias meritocráticas, censurada pelo convencional e execrada na sua possibilidade de realização prática; sancionada estatalmente pelo alibi da exiguidade de meios financeiros, aventada por um regime cultural perdulário votado ao provinciano e à rememoração festivaleira de santinhos & 25 de Abril; no que respeita ao Jazz a classe política é uma fasquia vistosa da pequena burguesia populista a penhorar a "antiga senhora", sem fazer nada de melhor – safados musoarcanos, portas fechadas à criatividade musical num tempo inopinado – a acção de compositores, intérpretes e compositores/ intérpretes, (interarte, considerando a privilegiada relação da Música e a poesia portuguesa) – reivindica a Música Portuguesa Viva e o conceito prospectivo como Obra Aberta é um projecto futurista e triunfal.
Em Portugal, a Música está, como no título do filme de Pierre Brasseur, em "situação desesperada mas não grave" .
A Arte Musical está sempre avançada à artimanha política – a sua pluralidade espectacular e imaginária é a superação do senso comum totalitário e globalizante; utopista, realiza na própria beleza a verdadeira democracia; reúne todos os povos no prazer universal; inventa um enlevo dialéctico e sentimental com a tecnologia; dissipa qualquer preconceito racista, nacionalista ou imperialista – sobretudo, MÚSICA é significado de PAZ e AMOR. – JLB

 
 

Um dos discos que melhor impressão me causou em 2006 foi Frequency, título homónimo do novo quarteto do multi-instrumentista Ed Wilkerson (saxofone tenor, clarinete, flauta, percussão), da grande família que são os 8 Bold Souls; Nicole Mitchell (flautas, melódica, harpa egípcia, voz e saco de plástico), filha de Roscoe Mitchell; Harrison Bankhead (contrabaixo e violoncelo, flauta e percussão); e Avreeayl Ra (percussão e flautas) – gente com fortes ligações, directas ou indirectas à actual AACM e ao seu legado de 40 anos de actividade em prol dos músicos e da música improvisada que tem tido em Chicago um inestimável papel dinamizador e difusor. É nessa continuidade que se inscreve a música do Frequency, um passo mais em direcção ao futuro de uma música com profundas raízes no passado. Partindo dessa memória (Art Ensemble of Chicago, Sun Ra, Muhal Richard Abrams...), património no qual se estrutura, a música expande-se nas mais variadas e interessantes direcções, percorre caminhos do jazz, groove e world de modo inventivo, como que a fechar o círculo entre o presente, o passado e o que está para acontecer. O quarteto propõe numa sessão tributária do espírito e da forma dos velhos tempos da Delmark, recuperando memórias e injectando sangue novo num corpo que nos últimos 40 anos não cessou de se transformar. Respeito pela tradição e afirmação de progresso é o credo de Frequency. Edição da Thrill Jockey.

 
25.1.07
 

Passados os tempos revolucionários da juventude, Peter Kowald dedicou-se por inteiro ao cruzamento das várias linguagens da música improvisada a nível mundial. Em 2002, quando foi surpreendido pela visita da Velha Senhora, o contrabaixista trabalhava o projecto Global Village, formação variável, aqui em trio com Xu Feng Xia (ghuzeng, espécie de harpa chinesa) e Gunda Gottschalk (violino), alargado mediante convite a Otomo Yoshihide (electrónica), Jin Hi Kim (kamungo) e a Pamela Z. (voz e electrónica). Editado pela alemã free elephant, “the new label for improvised music”, que tem estado a lançar material inédito de Peter Kowald, bem como de outros artistas inspirados na postura artística e na atitude estética do grande improvisador alemão.


 
 

Sonoridades, Porto


 
 

As completas de Mingus em Paris, Outubro de 1970. Sessão de estúdio originalmente repartida por dois LPs da editora francesa America. Charles Mingus (contrabaixo), Jaki Byard (piano), Bobby Jones (saxofone tenor), Charles McPherson (saxofone alto), Eddie Preston (trompete) e Dannie Richmond (bateria). Para deixar ouvir grandes "clássicos" de Mingus, como Reincarnation of a Lovebird, Love is a Dangerous Necessity, Blue Bird, Pithecanthropus Erectus, Peggy's Blue Skylight. A edição é dupla e reparte-se entre as versões originalmente aprovadas para publicação e as alternativas que ficaram em arquivo. Charles Mingus In Paris, The Complete America Session (America/Emarcy).

 
24.1.07
 

Vinny, o grande Vinny Golia e o seu quinteto realizaram uma digressão pela Bélgica em Setembro de 2001, logo após o 11 de Setembro. A viagem foi registada e parcialmente publicada pela editora belga Jazz’halo, sob a forma de CD duplo. A música de One, Three, Two é formalmente aparentada às correntes mais ousadas do post-bop, aquela que mantém as melhores relações com a livre-improvisação. O catálogo está recheado de boas composições, com solos e extensões de improvisação colectiva, ângulos, arestas e rugosidades, amplas variações dinâmicas e súbitas mudanças de tempo (dir-se-ia que estes são "tempos difíceis", no melhor sentido da expressão e na linha nas noções trabalhadas por Anthony Braxton), apresentando uma leitura muito personalizada do swing. À vez, Vinny Golia sopra três flautas, três saxofones, clarinete e ocarina; Michael Pierre Vlatkovich, trombone (à última da hora substituiu o trompetista John Fumo); Scott Walton, contrabaixo, e os manos Cline (Nels e Alex, há 30 anos na companhia de Vinny...), em guitarra e bateria, respectivamente. One, Three, Two são 140 minutos do melhor Vinny Golia e companhia. Ao vivo, o que é raro poder-se ouvir, tanto em directo como em disco.

The compositions were picked and written specially for the instrumentation of this quintet. Originally John Fumo was to have played trumpet & flugelhorn on the tour but family obligations kept him at home, so at the last minute I changed the tunes and orchestration of the group. John’s replacement is almost always Mike Vlatkovich, a trombonist who I’ve been performing with since 1981. Come to think of it Scott Walton would be the newest member of the group clocking in at about 5 years. The Clines, Alex & Nels, I have been playing with since I met them in 1976, that’s a little more time than I care to think about. A quintet has been my touring unit since 1981; it’s a comfortable platform to explore composition, improvisation and orchestration. I wanted to bring tunes for the unit that had not been recorded and also to play tunes that would open up our sound yet still use a variety of instrumentation, as I had brought with me piccolo, C & alto flutes, sopranino, soprano and tenor saxophones also an A clarinet and an ocarina. Mike uses a fair amount of mutes (at my consistent prodding) so there are a myriad of colors at our disposal. So what I am getting to is that many of the compositions are new but some are from the older book but that’s not what is important. What is important is the interaction and exploration of the quintet and how the players improvise, using these compositions as a platform for artistic expression. - Vinny Golia

 
23.1.07
 

Alípio C Neto (saxofone tenor), Ben Stapp (tuba), Alex Maguire (piano) e Mark Sanders (bateria), gravam hoje (23) e amanhã, em Manchester, Inglaterra. Dia 25, Alípio C. Neto e Alex Maguire tocam ao vivo em Londres com músicos locais.

 
 

Trinta e seis anos medeiam entre a primeira aventura discográfica da Globe Unity Orchestra, uma big band de música livremente improvisada, dirigida por Alexander von Schlippenbach, e a mais próxima, Globe Unity Orchestra 2002, editada pela suiça Intakt Records, em 2003.
Muita coisa mudou entretanto, quer ao nível dos processos criativos, quer do enquadramento sócio‑político que marcou o espaço entre as duas edições. De 1966 a 1986, altura em que, simultaneamente se comemoram os 20 anos desta instituição da free music, e os 20 anos de existência da editora alemã FMP, de que Schlippenbach é co-fundador, a Orchestra trabalhou regularmente sem percalços de maior. A partir de 1986 sobreveio um longo hiato até à tão aguardada reunião em 2002, para um concerto ao vivo na Alemanha.
Comparando episódios, nota-se que a Globe Unity de hoje é mais controlada; ossos da veterania dos seus membros reincidentes, Manfred Schoof, Peter Brötzmann, Paul Rutherford, Evan Parker e Paul Lovens, aos quais se somam os estreantes – no que à GUO diz respeito, bem entendido – Ernst-Ludwig Petrowsky, Johannes Bauer e Paul Lytton.
Fiel à estratégia de sempre, Schlippenbach não fornece qualquer base escrita, regras ou sinalética específica para a criação musical. Tudo se passa segundo a velha regra da livre-improvisação Europeia, em que os músicos reagem colectiva e individualmente aos estímulos que se vão sucedendo no tempo e no espaço.
Simples acordes de piano iniciais são o mote para tudo o que de muito relevante se passa durante 74 minutos, com Schlippenbach a manter o controlo sobre as operações, mesmo quando Brötzmann ameaça fazer o comboio saltar dos carris. Uma jornada de cortar a respiração, tão intensa que deve ser fruída por partes e em audições repetidas, para se poder apreender toda a riqueza do pormenor. Radical como sempre foi, a Globe Unity Orchestra sopra um vento abrasador. Gravação ao vivo, de 19 de Janeiro de 2002, em Aachen, Alemanha.

Alexander von Schlippenbach, piano; Manfred Schoof, trompete, fliscórnio; Peter Brötzmann, sax tenor, tarogato; Evan Parker, saxes soprano e tenor; Ernst-Ludwig Petrowsky, sax alto; Paul Rutherford, trombone; Johannes Bauer, trombone; Paul Lovens, bateria; Paul Lytton, bateria.

 
 

Greenleaf Music's Third Paperback Series release is Nicole Mitchell / Harrison Bankhead / Hamid Drake, Indigo Trio, Live in Montreal. Recorded during a 2005 tour of Canada, this trio of stalwart, AACM inspired artists truly lays out a gem with this recording. These are three of Chicago's finest improvisors doing what they do best in front of an enthusiastic , festival audience. To say the least, Greenleaf Music is proud to have this recording in the catalog . Here's what Nicole Mitchell has to say about Indigo Trio, Live in Montreal: " This concert in Montreal was our first performance as a trio, although we've played together for many years. The music was recorded live at the Suoni per IL Popolo Festival on June 13, 2005. Hamid and Harrison have played together since they were fourteen, Harrison and I have worked together in Frequency with Ed Wilkerson since 2000, and Hamid has played and recorded over the years with my Black Earth Ensemble . Indigo Trio features the adventurous music of our friendship—connected, intuitive and playful.

 
22.1.07
 

John Shiurba 5X5 with Anthony Braxton: 1.2=A - John Shiurba, Anthony Braxton, Morgan Guberman, Greg Kelley e Gino Robair. E também Yellowcake - Jacob Lindsay, Scott Looney e Gino Robair. Novidades Rastascan? Sim.

 
 

Phalba (Ila: Multiplex); Chimanzzi (Variant); Cantegral Segment No. 19; e Chimanzzi (Olun) - quatro composições de Jerry Hunt (1943-1993), interpretadas e gravadas pelo Barton Workshop entre 2000 e 2003. Hunt, compositor norte-americano nascido em Waco, Texas. Pioneiro da electrónica em tempo real, trabalhou intensamente o piano, seu primeiro instrumento, investigou e experimentou com audio e video, a par da construção dos seus próprios instrumentos musicais. Hunt, rosacruciano, shaman e fundador da sua própria "igreja postal". Sob a influência de John Dee e de Aleister Crowley, dedicou-se a fundo ao esoterismo, cujas manifestações se fizeram sentir na sua música. Phalba (Ila: Multiplex), a primeira composição deste conjunto de quatro, é tocada como uma peça afim das instâncias da free music mais frenética e arrojada dos anos 60, composta para o Barton Workshop, pequeno ensemble originário da Holanda, nesta peça composto por flauta, trombone, violino e clarinete. A composição, que inclui aural scores à base de electrónica e amplificação, marca o passo mais acelerado de todo o disco. Segue-se Chimanzzi (Variant), a peça mais contemplativa e classizante do set (no que isso possa querer dizer quando se trata da música de Jerry Hunt), de tonalidades ora campestres, ora soturnas, escrita para viola e piano, e proporciona os mais suaves 22'55 de todo o disco. Cantegral Segment No. 19, para trombone, processamento electrónico e fita magnética, puxa pelo lado mais esotérico e ritualista de Jerry Hunt, sublinhado pela utilização de delay, o trombone a funcionar como um motor quase sempre em sopro contínuo, oscilante, tremeluzente. Mesmo com tão pouca matéria-prima, os 31'07 de Cantegral Segment No. 19 passam sem se dar por eles, tal a capacidade de ilusão que o compositor soube criar. A encerrar o ciclo, no que aparenta ser um retorno à primeira forma, embora menos acelerada, Chimanzzi (Olun), tema para clarinete, violino, flauta, violoncelo e trombone, em blocos tímbricos superiormente dispostos e organizados pelo Barton Workshop, na versão mais alargada de cinco instrumentistas. PHALBA, Jerry Hunt (Tzadik, 2004).

 
 

No Fun Fest 2007. Maio, 17 a 20. The Hook, Brooklyn (NYC)


 
 

Marc Copland

 
21.1.07
 
Na manhã de 5 de Junho de 2003, Matthew Sperry, contrabaixista de Seattle, residente desde 1999 em Oakland, Califórnia, deslocava-se de bicicleta para o trabalho, quando foi abalroado por uma pick-up. Do embate resultou a morte do artista. O seu desaparecimento prematuro e as circunstâncias em que ocorreu o acidente, causaram a maior consternação na comunidade e em particular na cena musical da Baía de S. Francisco, onde Sperry era considerado um músico de craveira e elevado potencial artístico. Matthew Sperry estudou e tocou com Wadada Leo Smith, Philip Gelb e Anthony Braxton, John Butcher, François Houle, John Shiurba, Gino Robair, Tom Waits, Jack Wright, David Byrne, o que dá uma ideia da abrangência estética e da versatilidade que lhe eram amplamente reconhecidas. Era bolseiro da Meet the Composer, da King County Arts Commission, e da Allied Arts Foundation; tinha recebido encomendas para composições da parte de diversos fundos e instituições durante os anos 90. Enfim, era um dos mais conceituados livre-improvisadores da sua geração. Lembro-me dele cada vez que ouço uma das melhores gravações que deixou: 12 Milagritos (Spool Music), com John Butcher e Gino Robair (Spool Records). John Butcher, muito mais do que alguém que se limita a expor toda a gama de possibilidades técnicas do saxofone, e a extender o que recebeu de Evan Parker, é uma das vozes mais originais do instrumento, nas modalidades tenor ou soprano, criador de uma linguagem personalizada e imediatamente identificável. Gino Robair e Matthew Sperry, dois dos maiores improvisadores da Costa Oeste, em sintonia com a estratégia do saxofonista, utilizam técnicas fora de comum, privilegiando a investigação sonora através do uso do arco e de uma vasta série de preparações. Juntos assinam 12 documentos tridemensionais, delicadas construções sonoras que não cessam de questionar o ouvinte. Na manhã de 5 de Junho de 2003 faltou acontecer o 13.º Milagrito.


 
 
FURT: Richard Barrett & Paul Obermayer, Dead or Alive. A electrónica em tempo real sob a forma de grandes telas abstractas pintadas com laptop, samplers e outras máquinas, em duas actuações distintas, uma em estúdio, a outra ao vivo: Mice (37'47) e Sad Fantasy (32'31). A primeira na Durham University, e a segunda na edição de 2002 do festival londrino Freedom of the City. Alusões várias ao mundo dos humanos sob a forma de ambientes naturais e artificiais, variações dinâmicas, texturas orgânicas e digitais, densidades variadas – sons electroacústicos sacados à natureza e ao mundo industrializado. All manner of swoops, glitches, crunches, splats, rasps, boings, crackles, wheezes, scratches, plonks, bumps, beeps, screeches, rumbles, growls, thuds, squeaks, groans, gurgles, pips, thwacks, plunks, whacks, buzzes and toots, como escreveu Dan Warburton a propósito da música do duo britânico, que já trabalha como tal há 20 anos. Psi Records, 2004.

 
 


Novidades de Janeiro

 
 

Katharina Klement

 
20.1.07
 

John Coltrane Quartet a tocar com paixão e intensidade no Half Note, Nova Iorque, em duas datas de Março e Maio de 1965. John Coltrane, McCoy Tyner, Jimmy Garrison e Elvin Jones. One Up, One Down, Afro Blue, Song Of Praise, My Favorite Things. One Down, One Up - Live At The Half Note, o bootleg que circulou clandestinamente durante anos e passou a "oficial" em 2005, na Impulse!.

 
 

A Soundbrush Records lança A NIGHT IN THE OLD MARKETPLACE, do trompetista norte-americano Frank London, conhecido por fazer parte de grupos importantes do klezmer, como The Klezmatics, Hasidic New Wave e os Klezmer Brass Allstars. Baseadas em textos do poema dramático de I. L. Peretz, Bay Nakht af dem Altn Mark (A Night at the Old Marketplace), adaptação e textos de Glen Berger, as composições desta folk-ópera de Frank Londo, levada à cena no The National Yiddish Theatre, combinam klezmer, jazz, clássica contemporânea, rock e outros géneros, incluindo sonoridades de cabaret que evocam a música de Kurt Weill e de Tom Waits. Participam no disco Manu Narayan (Broadway's Bombay Dreams), Lorin Sklamberg (The Klezmatics), They Might be Giants, Susan McKeown e Craig Wedren (Shudder to Think). O núcleo essencial compreende Aaron Alexander (bateria), Ron Caswell (tuba), Art Bailey (acordeão, piano) e Brandon Seabrook (guitarra).

 
 

Anthony Braxton Project

 
 

The Vulture Club > Live Young, Die Fast and Leave an Exquisite Corpse (Utech)

The guitar is not dead. It is still humming and I believe in it. Copper wound is copper wound, today and yesterday. Magnets are magnetic, today and yesterday. Wood is wooden, today and yesterday. Electricity is electric, today and yesterday. These things shift in their own time and on their own basis. They are not forced and in my own capacity, I do not force them. The editor's role is Advocate. The rattle you hear, that is the energy and the idea. It is not all mine and it is not all theirs and it is not all yours. But it is all ours.

 
 

Tremendo, este clássico de Sonny Rollins, com Wynton Kelly, Doug Watkins e Philly Joe Jones. Leitura bop dos anos 50, já a pender para o moderno. Newk's Time, da Blue Note. "Disco da barba" de hoje.

 
19.1.07
 

Reggie Workman's Sculptured Sounds Music Festival

 
 

Porto das Barcas, Lourinhã, esta tarde. Coltrane Plays the Blues

 
 

SME, Karyobin (1968, Chronoscope). Kenny Wheeler, Derek Bailey, Dave Holland e John Stevens. Church Number Nine...

Atonal and fragile from start to finish, Karyobin tells the aural story of "the imaginary birds said to live in paradise." Indeed, there is much bird song here; also much pecking at the ground, flitting from branch to fence, and plenty of mysterious conversation. In fact, the album bears a certain resemblance to Dave Holland's much later "Conference of the Birds," though this recording is quite a bit less structured than that one. It would seem that this early work with the SME was very inspirational for him. The group is heard here in an early incarnation (their first recording was in 1966), and at a time when the SME represented some of the most advanced free jazz of the time. There is a feeling of the Cagean "kitchen sink, bedpan and bicycle wheel" approach which was the M.O. of Parker, Braxton, and the AACM at the time, but they manage to pull it off without the kitchen sink. The fact that they are able to extract such a diversity of sounds from the instrumentation of a classic pianoless quintet is nothing short of amazing (...) - Scot Hacker

 
 

Dos três inaugurais de Taj Mahal (n. 1942) – um dos primeiros bluesmen que ouvi há trinta e tal anos – longe ainda do blues festivo de tempos mais recentes, Taj Mahal, The Natch'l Blues e Giant Step/De Ole Folks At Home, o segundo é o mais arrebatador, o passo decisivo que confirmou a veia de grande artista que sempre foi e ainda é. The Natch'l Blues, de 1968, é um disco de blues essencialmente acústico, com fundas raízes no Delta do Mississipi, aberto a outras modalidades e variantes da black music como a soul de Otis Redding ou Marvin Gaye, presentes em temas como Corrina ou A Lot of Love. Mas sobretudo na interpretação de You Don't Miss Your Water ('Til Your Well Runs Dry), original de William Bell. Em The Natch'l Blues tudo é intuitivamente calibrado, o grão vocal e a entoação no ponto certo. Na tristeza feliz que é preciso ter para ser autêntico, na leveza e na fluência natural de quem bebeu os blues no leite materno, residem alguns dos ingredientes que tornaram The Natch'l Blues numa obra de referência daquela época. A reedição de 2000 apareceu com uma capa diferente da original e o conteúdo foi aumentado com dois temas eventualmente sobrantes do LP original (New Stranger Blues e Things Are Gonna Work Out Fine) e uma versão alternativa de The Cuckoo. Taj Mahal, steel bodied, hamónica e voz, com Al Kooper (piano), Jesse Ed Davis (guitarra), Gary Gilmore (baixo), Chuck Blackwell (bateria) e Earl Palmer (bateria). Gonna paint my mailbox blue / Put some flowers on it honey / Paint some trailin' vines and dew... You don't miss your water till the well runs dry.


 
18.1.07
 

The Legendary Son House: Father Of Folk Blues (Columbia). Gravado em Boston, Abril de 1965. Son House (Eddie James House Jr.), voz e guitarra; Al Wilson, guitarra.

 
 

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VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA


 
 


Johannes Brahms: Ein Deutsches Requiem
Junges Vokalensemble Hannover
Junges Philharmonisches Orchester Niedersachsen
Der Leiter Klaus-Jürgen Etzold
Leonore von Falkenhausen
Shigeo Ishino

 
17.1.07
 


Para a minha querida Mãe (1935 - 2007)


 
16.1.07
 

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Outra revelação. Esta semana tem sido assim, fértil: Nuno Martins, grande fotógrafo e music witness português, mostra o seu trabalho na net. Belas fotos. Esta de Mats Gustafsson (The Thing) no Jazz em Agosto de Fundação Gulbenkian, em 2004, por exemplo, é das que mais gosto. Abraço ao Nuno!

A propósito do concerto de The Thing, recordo o que "fotografei" na altura: Mats Gustafsson tem sido, nos últimos anos, visita assídua do JeA. Se me não falha a memória, esteve consecutivamente presente nas mais recentes edições (exceptuando a de 2003), sempre integrado em formações diferentes. Primeiro, com o Aaly Trio, nesse ano acrescentado de Ken Vandermark, naquele que foi um dos melhores concertos e um dos pontos mais altos de toda a história dos já consideráveis 20 anos de JeA; depois, esteve em duo com a bailarina Lotta Melin; e ainda integrado na big band de Barry Guy, a esfusiante New Orchestra. Finalmente, com o trio "schnapps" The Thing, aparição a que acresce uma outra no quinteto de jazz do japonês Otomo Yoshihide. Mas, quanto a este último, já lá vamos. The Thing: Mats Gustafsson, Ingebrigt Håker Flaten e Paal Nilssen-Love… . Desta “Coisa” apenas conhecia uma prova material homónima, datada de 2000, publicada pela editora nórdica Crazy Wisdom. E tivémos mais uma prova de que Mats Gustafsson é um dos principais cabecilhas escandinavos do que se pode apelidar de movimento de redefinição da música improvisada europeia. Da sua iniciativa têm partido um muito razoável número de grupos, a maioria deles filiada numa estética de um free jazz bravíssimo, um híbrido que resulta da síntese pós-ayleriana e pós-coltraneana, com elementos diversos das escolas improvisação europeia. É o caso particular deste The Thing, animal que deixa chegar perto mas não admite que se lhe afague o pêlo. Potente, The Thing, para gozo deste escriba, tocou um free jazz do tipo mais ardente, vigoroso e capaz de arrebatar a audiência, por completo rendida aos encantos da brutal avalanche sonora que quase devastou o Auditório 2 da circunspecta Fundação. Fosse em tenor ou barítono, Gustafsson e seus sequazes noruegueses, com os quais se entende na melhor das cumplicidades, deram uma autêntica sova musical à assistência. E já era bem merecida por esta altura. The Thing, literalmente um power trio com a pujança que se esperava, foi o momento mais tórrido e incandescente do festival. Uma actuação memorável. (Publicado na saudosa A Puta da Subjectividade).

 
 
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Há alturas para tudo


 
 

Estaladiço, este Prophet Moon, do trio Trio Ahxoloxha de Whit Dickey (bateria), com Rob Brown (saxofone alto) e Joe Morris (guitarra). Há uns anos, sem ser sob aquela designação colectiva, o mesmo trio saiu-se com outra bomboca, Youniverse, disco estimo entre os que mais vezes ouvi na década de 90. Todas as cinco composições de Prophet Moon são de Dickey, naturalmente marcadas por acentuado pendor rítmico e larga margem de liberdade para, à vontade dos improvisadores, gerir o tempo e preencher os espaços entre colunas. Rob Brown e Joe Morris, à vez, improvisam melodias em sequência, como quem desenha, apaga, volta a desenhar, apaga, e assim sucessivamente. Daí que tudo seja muito flexível, oscilante e instantaneamente resolvido. Prophet Moon continua no topo da pilha dos favoritos. Na Riti Records, de Joe Morris.

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

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