Rodrigo Amado Quartet - Live at ZDB Gallery, April 13, 2007
(Video: Nuno Moita)

Italian genre-smashing free-form experimentalists Zu team with forward-thinking Japanese DJ Nobukazu Takemura on 2007's IDENTIFICATION WITH THE ENEMY: KEY TO UNDERWORLD. Predictably, the results are totally unpredictable. Skittering IDM collides with free jazz-influenced gestural noise, resulting in a wild ride that is at times intriguingly atmospheric, at others unsettling and frenetic. While those with more conventional palettes might be put off by the sonic curveballs thrown on track after track, adventurous listeners will find plenty to appreciate.


FRANK LOWE - FRESH (LP Arista/Freedom,1975)
1. Epistrophy; 2. Play Some Blues; 3. Fresh; 4. Mysterioso; 5. Chu's blues
Frank Lowe (saxofone tenor); Lester Bowie (trompete); Joseph Bowie (trombone); Abdul Wadud (violoncelo); Steve Reid (bateria, 1); e Charles 'Bobo' Shaw (bateria, 2, 3, 4). Os sons, cores e formas do Frank Lowe deste período não andam longe das do Art Ensemble of Chicago da mesma época. Os manos Bowie, Lester e Joseph (embora o segundo não tivesse integrado o AEC), puxam muito para esse lado, assim se compreende. Fresh, gravado entre 1974 e 1975, foi reeditado em CD há uns anos pela Black Lion, com outra capa, e desde então levou sumiço. Em 1975, Frank Lowe publicou outra obra imprescindível: The Flam (Black Saint), que, tal como este outro, exala um intenso aroma free. O alinhamento de Fresh inclui cinco temas, dois deles originais de Thelonious Monk (Epistrophy e Misterioso). O último (Chu's Blues, mais funk que blues) junta Lowe e um grupo de que não mais ouvi falar, os Memphis Four. Fresh, que se seguiu a Black Beings (Esp-Disk), a estreia de Frank Lowe como líder, continua a soar fresco passados 33 anos sobre a data da gravação. Esta é outra das muitas pedras preciosas do acervo Arista, que continuam nas mãos de melómanos abonados ou sortudos, ou nas de ciosos coleccionadores. As masters lá estão, 'esquecidas' nos arquivos da velha Arista, a aguardar que alguém num dia de bom augúrio se lembre de vasculhar a fundo nos catálogos, recuperá-los e trazê-los à luz do dia. A febre das resmasterizações ainda não chegou lá. Disponíveis, para quem pretenda conhecer aspectos mais recentes da obra gravada de Frank Lowe, estão Bodies & Soul, Vision Blue e Lowe-down & Blue, três títulos importantes da discografia do saxofonista, editados na Creative Improvised Music Projects (CIMP).

Frank Lowe (1943-2003)

Gravação ao vivo no Millenium Park de Chicago, a 24 de Agosto de 2006, no âmbito do programa Made in Chicago: World Class Jazz. Corresponde à sexta proposta da mais surpreendente e diversificada das formações de Ken Vandermark – a Territory Band – numa actuação que contou com a presença de… Fred Anderson! Depois do excelente New Horse for the White House, de 2005, via Okka Disk, surge agora Collide. No programa, uma pièce de résistence, Collide, como sempre desenhada e dirigida por Vandermark para servir de base à improvisação de um vasto grupo de músicos, desta vez constituído, entre permanentes e eventuais, por: Ken Vandermark (saxofone tenor e clarinete); Fred Anderson (saxofone tenor); Dave Rempis (saxofones alto e tenor); Fredrik Ljungkvist (saxofones barítono e tenor); Axel Dörner (trompete), Per-Ake Holmlander (tuba); Lasse Marhaug (electrónica); David Stackenäs (guitarra); Jim Baker (piano); Fred Lonberg-Holm (violoncelo); Kent Kessler (contrabaixo); Paul Lytton e Paal Nilssen-Love (bateria e percussão). Daqui a dias, na Okka.
Há 7 anos a esta parte que a sueca Ayler Records (live music with spirit) vem a acarinhar os ouvidos do público interessado no jazz irreverente. Fundada em 2000, por Jan Ström, que dirige, e por Åke Bjurhamn, que pinta as capas e trata do grafismo, a Ayler prossegue o trabalho de desencantar e recolocar à disposição do ouvinte gravações obscuras, raridades, ao mesmo tempo que documenta o que de mais relevante tem passado pelo Glenn Miller Café, um minúsculo clube de Estocolmo, que é hoje uma referência geográfica importante na Europa para o jazz actual. A música deste volume Live at Glenn Miller Café resulta de dois concertos que o quarteto The Electrics deu a 3 e 4 de Outubro de 2005, escolhida, seleccionada e preparada pelos próprios músicos para edição. Apesar do título, o grupo toca exclusivamente instrumentos acústicos: Sture Ericson, saxofone tenor, clarinete e clarinete baixo; Axel Dörner, trompete; Ingebrigt Håker Flaten, contrabaixo; e Raymond Strid, bateria - tudo gente (re)conhecida, habitantes da paisagem jazz/improv made in Europe. A partir de composições instantâneas (Electrips; Electrance; Electrash; Electroops; e Electraps), em que abundam marcas da livre-improvisação e do experimentalismo europeus, em concomitância com swing electrizante, a fazer jus ao nome do grupo, a música combina aspectos particulares do trabalho sobre o som enquanto matéria-prima, e outros ligados à tradição do jazz, tal como recebido e transformado na Europa. A improvisação, tesa e a apontar em insuspeitas direcções, é de encher as medidas, à semelhança do que aconteceu no anterior disco do quarteto, o recomendável Chain of Accidents, um Ayler de 2000 gravado ao vivo na Copenhagen Jazz House, Dinamarca. A questão não é escolher de entre os dois; é, se possível, entreter com ambos a espera por um terceiro volume.
Na francesa Potlatch: Propagations - os saxofones de Marc Baron, Bertrand Denzler, Jean-Luc Guionnet e Stéphane Rives.


Workshop Freie Musik, Akademie der Künste, Berlin, 1977. Embalado pelo espírito de John Coltrane, Gerd Dudek (flauta, shenai, saxofones tenor e soprano), o contrabaixista Buschi Niebergall, ambos alemães (o primeiro, radicado na Polónia), e o baterista finlandês Edward Vesala, que, anos mais tarde, viria a ser extensivamente documentado na ECM Records. Em Abril daquele ano, o trio encontrou-se para actuar ao vivo na Academia das Artes de Berlim, e aí apresentar uma sequência de seis temas compostos por Dudek e Niebergall. São breves linhas melódicas enunciadas logo na abertura, e depois, venha a liberdade e a improvisação. O concerto documentado em OPEN (UMS/Atavistic) ficou para a história como um dos grandes acontecimentos da free music dos anos 70. Dudek, na liderança, à parte as discretas participações na Globe Unity Orchestra, de Alexander von Schlippenbach, evidencia um som potente, mas macio e suave no fluir; já encerrava as propriedades que anos mais tarde viria a revelar de forma mais depurada em Smatter (Psi Records, 2002), gravação “britânica” de 1998, em quarteto com John Paricelli, Chris Laurence e Tony Levin.
Dudek foca-se num instrumento por tema. No primeiro (H.S.), sax soprano, depois (Kugel) tenor, a seguir (Mira), flauta e shenai, retomando a sequência tenor (Manchmal), flauta (Open) e soprano (Chain). O acompanhamento do contrabaixo e da bateria, sem marcação regular, contribui em grande medida para o elevado nível artístico de uma sessão em que nada está a mais ou a menos, e impulsionar Gerd Dudek para alguns dos seus melhores momentos, caracterizados por um lirismo doloroso e melancólico. Originalmente editado em LP na Free Music Production (Archive Edition, 1979), OPEN foi reeditado em 2004 pela Unheard Music Series/Atavistic. Som actual, passados 30 anos.


Rahsaan Roland Kirk - Natural Black Inventions: Root Strata (1971
Ao vivo em estúdio, Rahsaan Roland Kirk (1936-1977) toca a quase totalidade dos muitos instrumentos de sopro e percussões que se podem ouvir em Natural Black Inventions: Root Strata, sem dobragens dele próprio e sem quaisquer efeitos de pós-produção, o que é espantoso, já que são vários os instrumentos de sopro que executou em simultâneo (saxofones alto e tenor, flauta, clarinete, apito, voz, sirene, sinos campaínhas, manzello e stritch), como um autêntico one-man band, imagem de marca que acentua o lado folk (klezmer e não só) da música de Roland Kirk. Piano (Sonelius Smith, em Daydream) e um ou outro instrumento de percussão (Joe Texidor, em tábua de lavar, ferrinhos e pequenas percussões, e Maurice McKinley, em conga), foram os únicos instrumentos a que não deitou mão. Natural Black Inventions: Root Strata, que é hoje uma raridade, foi gravado entre Janeiro e Fevereiro de 1971 e editado em Julho do mesmo ano, pela Atlantic Records. Actualmente, circula uma edição relativamente recente em CD, acoplada a outro importante título da discografia oficial de Rahsaan Roland Kirk: The Inflated Tear.

![[Parker.jpg]](http://1.bp.blogspot.com/_ZFeQWDDNaD8/RvGKCwZeneI/AAAAAAAAA40/3UIGMWlMBoY/s1600/Parker.jpg)
É esta a cara de Corn Meal Dance (Aum 043), novíssimo disco de William Parker, o papa do free jazz moderno (“um dos 50 mais distintos músicos de Nova Iorque de sempre”, segundo a Time Out New York), com o grupo Raining On The Moon, em versão expandida. Participações, além de WP em contrabaixo, de Rob Brown, saxofone alto; Lewis Barnes, trompete; Hamid Drake, bateria; Eri Yamamoto, piano, tal como em Luc's Lantern, disco de WP em trio; e Leena Conquest (a June Tyson de WP?) voz comum ao anterior disco do quarteto Raining On The Moon, o mesmo que esteve em Coimbra, em 2003, para um concerto inesquecível, cantora com quem tive o prazer de almoçar um dia na Associação 25 de Abril, em Lisboa, à mesa com João Pedro Viegas, o então director artístico dos Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, Jazz ao Centro.
Raining on the Moon (Thirsty Ear/Blue Series, 2002) constituiu uma relativa surpresa, face ao que se conhecia do trajecto discográfico de Parker enquanto líder, iniciado em 1981, com Through Acceptance of the Mystery Peace (Centering/Eremite). Neste formato de 'quarteto mais participações especiais', William Parker combina jazz e poesia, põe o melhor do seu lirismo militante ao serviço da causa da esperança e do optimismo como formas de combater o desalento e o desespero que grassam pelo Mundo. Ainda não ouvi o disco e já me soa a qualquer coisa, algo entre o espírito dos blues, com muito groove, temas em formato canção/composição, com bastante improvisação à mistura, na linha do disco anterior.
Corn Meal Dance tem edição na americana AUM Fidelity, que este ano comemora uma década de actividade editorial. Agora me lembro que já me está a fazer falta mais um episódio da grande Little Huey Creative Music Orchestra, a big band de William Parker, que seria outra bela maneira de comemorar os tais 10 aninhos. Com ou sem LHCMO, parabéns a Steven Joerg, o homem por detrás do balcão, e que assim escreve: «Corn Meal Dance is an incomparable and uncompromising work that AUM Fidelity is deeply honored to present; the release of this wonderful record is how AUM Fidelity is celebrating its 10th Anniversary as a purveyor of immaculate sounds for the healing of nations (hey, "you got to go big out here" ). The title track here alone is enough to have made me weep tears of joy on many a night since its creation; some eternal wisdom to be found and sung and danced along to here folks».
Fred Anderson está doente, diz-se por aí. Teme-se o pior, já que é irreversível; foi a idade (78) que entrou por ele adentro e tomou conta do momento. Em 2003, Fred estava bem de saúde. Tinha-a para dar, vender e tocar saxofone. Um rio de enorme caudal brotava cada vez que o seu sopro enchia os ares. Tal como aconteceu no Vision Festival, em dupla com o contrabaixista Harrison Bankhead (8 Bold Souls e Frequency), funcionário público de profissão, músico nas horas livres, que os tempos não correm de feição para viver exclusivamente da música, possibilidade reservada apenas a uma minoria. Bankhead, também ele oriundo de Chicago, possui um som cheio e escuro, lírico sem cair no adocicado. Fred & Harrison, um duo de saxofone tenor e contrabaixo pleno de empatia comunicativa, convergente na partilha do mesmo tempo e espaço, um a funcionar como a sombra do outro, alternadamente, como se não fosse possível viverem separadamente, tal é a coesão e a vontade consequente de se entenderem, no palco como na vida. Em The Great Vision Concert, tanto durante o anúncio dos temas (todos de Fred Anderson: Cloverleaf; Wandering; Trying to Catch the Rabbit; e The Strut) como na improvisação, o duo swinga a valer, alternando entre tonalidades sombrias e momentos de clara luminosidade. Assinale-se a plena comunhão de pontos de vista, construída a partir das bases em que assenta a linguagem comum, o leite onde ambos beberam: os blues e a tradição que vem do bop, isto é, Chicago de ponta a ponta. Esta visão histórica é temperada pela abordagem personalizada – a revisão da herança recebida dos antigos, a que eles mesmos acrescentam lastro, espelhado no calor da emoção partilhada por estes dois espíritos, unidos pelo mesmo sentido de risco e atrevimento, projectado muito para além das paredes do Vision Festival (e do Velvet Lounge, clube onde Fred Anderson trabalha desde 1979, espaço entretanto desalojado para nele ser construída uma torre de apartamentos).
Marshall Allen, Avreeayl Ra, Henry Grimes e Fred Anderson (Spaceship on the Highway) © Mark Sheldon
Neste dia 23 de Setembro de 1926, nascia John Coltrane.

Sun Ra and his Intergalactic Astro-Solar Infinity Arkestra
The Night of the Purple Moon (Saturn LP 522/Thoth)
Side A:
Sun-Earth Rock; The All of Everything; Impromptu Festival; Blue Soul; Narrative; Outside the Time Zone
Side B:
The Night of the Purple Moon; A Bird's Eye View of Man's World; 21st Century Romance; Dance of the Living Image; Love in Outer Space
Sun Ra (Rocksichord, mini-Moog, Wurlitzer electric piano e Celeste); John Gilmore (saxofone tenor e bateria); Danny Davis (saxofone alto, clarinete alto, flauta, bongos e bateria); Stafford James (baixo eléctrico). Nova Iorque, 1970.
Nota: A versão que se pode ouvir desta viagem espacial apelidada The Night of the Purple Moon, foi convenientemente extraída de um LP Saturn, datado de 1972, que me havia chegado às mãos via cassette, e mais tarde via DVD, graças a Roberto "Puro Jazz" Barahona, o nosso homem no Advisory Board do Vision Festival (congrats, D. Roberto!, é como se lá estivessemos todos. Aproveito para agradecer a T-shirt). Entretanto, pela mão atenta e vasculhadora de John Corbett, acabou de sair uma edição (primeira) em CD na Unheard Music Series, da Atavistic, com quatro temas extra: uma versão alternativa do famoso Love In Outer Space; uma outtake nunca antes editada (Wurlitzer and Celeste) e dois solos de piano eléctrico Wurlitzer, Wurlitzer Solo 1 e Wurlitzer Solo 2. Além dos muitos pontos de interesse desta fusão entre jazz, blues, rock e electrónica, acresce o facto de Sun Ra experimentar aqui pela primeira vez o Rocksichord, espécie de cravo eléctrico, instrumento que tinha sido acabado de inventar. E, claro, a denominada Intergalactic Astro-Solar Infinity Arkestra, não é mais do que um quarteto. Mas que bem soa a entidade do universo astro-solar virada para o infinito...

CHARLES BRACKEEN - Rhythm X (Strata East LP, 1968)
Side One - 1. Rhythm X 8:03; 2. Hour Glass 11:31 ///// Side Two - 1. Charles Concept 7:50; 2. C.B. Blues 7:00. Saxofonista tenor Charles Brackeen, em 1968 (que é feito dele?), com 3/4 do quarteto de Ornette Coleman (à época, Don Cherry, Charlie Haden e Ed Blackwell). De Brackenn conheço três episódios: este Rythm X; outro, denominado Worshippers Come Nigh, e um terceiro, com o trompetista Dennis González e os fantásticos New Dallas Angels. The Desert Wind, chama-se o disco, editado pela sueca Silkheart, tal como o Worshippers. Entretanto, a Silkheart acaba de publicar outro Charles Gayle (Blue Shadows) em quarteto, com William Parker, Vattel Cherry e Michael Wimberly, gravação de 1993, ainda com Gayle em saxofone tenor, instrumento que deixou, em favor do alto. Uhm... ainda ontem, na viagem de regresso ao lar, ouvi Live at Glenn Miller Café (Ayler Records), disco de Gayle (sax alto), em trio com Gerald Benson (contrabaixo) e Michael Wimberly (bateria).

Não me apraz ver o adjectivo génio usado a despropósito, mas quando se trata de Tom Waits (n. 1949), a sensação que se tem é a de que o epíteto lhe cai que nem uma luva. Desde Closing Time, de 1973, a Orphans: Brawlers, Bawlers and Bastards, de 2006, nos cerca de 20 discos que gravou entretanto estão todas as muitas razões que fazem dele um verdadeiro génio criativo e uma figura indispensável para se compreender a música actual, para ela das evidências pop superficiais. Tom Waits possui uma personalidade musical complexa, talhada nos vastos domínios dos blues, jazz, rock, gospel, vaudeville e experimentalismo, sem dispensar um irresistível lado crooner bastardo e de palhaço embebido em bourbon (coffee & cigarrettes...Jim Jarmusch), que compõe e executa uma bizarra mistura de valsas, polcas, baladas, canções de embalar, swing, cabaret, hinos religiosos e ocasional revisão do american song book - histórias da noite que Waits canta ao luar. Assisti uma vez a um concerto de Tom Waits em Paris. Experiência arrepiante e inesquecível, ouvir Waltzing Matilda a dois metros do piano. Como inolvidável deve ser ouvir Scarlett Johansson, que por esta altura deve já ter dado sequência ao plano de emprestar a sua voz rouca à interpretação de clássicos de Mr. Waits … Deve ser de tirar o sono a qualquer vegetariano. Enquanto não se conhece o resultado de Miss Joahnsson sings Waits, fiquemos com INVITATION TO THE BLUES (bootleg), gravação integral (74') de um concerto de Tom Waits em Hamburgo, Alemanha (1977), no auge do período smoky jazz beatnik, um dos mais interessantes, por sinal.
Grapefruit Moon (de Closing Time, a seguir a Diamonds on My Windshield)
Grapefruit moon, one star shining, shining down on me.
Heard that tune, and now I'm pining, honey, can't you see?
'Cause every time I hear that melody, well, something breaks inside,
And the grapefruit moon, one star shining, can't turn back the tide.
Never had no destination, could not get across.
You became my inspiration, oh but what a cost.
'Cause every time I hear that melody, well, something breaks inside,
And the grapefruit moon, one star shining, is more than I can hide.
Now I'm smoking cigarettes and I strive for purity,
And I slip just like the stars into obscurity.
'Cause every time I hear that melody, well, puts me up a tree,
And the grapefruit moon, one star shining, is all that I can see.
Invitation to the Blues: 01. Spare Parts 1 (A Nocturnal Emission); 02. Invitation To The Blues; 03. Depot, Depot; 04. The Piano Has Been Drinking - not me (An evening with Pete King); 05. Pasties & A G-String; 06. Step Right Up; 07. Semi Suite; 08. Fumblin' With The Blues; 09. Midnight Lullaby; 10. Emotional Weather Report; 11. I Can't Wait to Get Off Work (And See My Baby on Montgomery Avenue); 12. New Coat of Paint; 13. Diamonds On My Windshield; 14. Grapefruit Moon; 15. The One That Got Away; 16. Small Change (Got Rained on With His Own '38).
Verão nas despedidas, manhã timidamente ensolarada. Vai bem com a música de Walter Norris (n. 1931, Liltle Rock, Arkansas, a terra do saxofonista e ex-monitor de estagiárias, Bill Clinton), pianista brilhante, de cores suaves, envolvente no tempo e no modo. Drifting (ENJA), dispensa bateria e agrupa temas de dois LPs editados em 1974 e 1978, o homónimo Drifting, com o contrabaixista George Mraz, e Synchronicity, com o húngaro Aladar Pege a substituir o checo Mraz. Se tivesse que escolher um só tema de Drifting optaria por Spring Can Really Hang You Up the Most, pelo lirismo e riqueza harmónica. Há músicos que têm tudo para ter sucesso e reconhecimento, e no entanto acabam por ficar na penumbra em favor de outros que por vezes não lhes chegam aos calcanhares. A vida... O Drifting original (47') foi recentemente reeditado pela ENJA em versão remasterizada a 24 bits.
Shamek Farrah – First Impressions
(Strata-East LP, 1974/1977)
Shamek Farrah (saxofone alto); Norman Person (trompete); Sonelius Smith (piano); Milton Suggs (baixo); Calvert "Bo" Satter-White (congas); Ron Warwell (bateria); Kenny Harper (percussão)
A1. Meterologicly Tuned (11:00)
A2. Watch What Happens Now (5:35)
B1. Umoja Suite (7:21)
B2. First Impressions (11:29)

Na EMANEM:
s improvised chamber music of the highest order, with no sign of any uncertainty.
Emanem 4143

Finalmente, a sessão integral com bónus do ainda polémico Machine Gun, agora titulado por extenso THE COMPLETE MACHINE GUN SESSIONS (Atavistic/UMS), disco de 1968, originalmente publicado em LP na editora de Peter Brötzmann, e depois reeditado na Free Music Production (FMP). Naquele ano, o saxofonista germânico e companhia (Octet) puseram o mundo inteiro a olhar para a velha Europa e a falar de free improvisation. Peter Brötzmann, Willem Breuker e Evan Parker (saxofones), Fred Van Hove (piano), Peter Kowald, Bushi Niebergall (contrabaixos), Sven-Ake Johansson e Han Bennink (bateria e percussão), a disparar metal incandescente. Além da descarga de cavalaria que é o tema Machine Gun propriamente dito, há ainda para ouvir nesta revisão do assalto segundo Brötzmann versões desconhecidas de Responsible/For Jan Van De Ven; Music For Han Bennink; uma gravação alternativa de Machine Gun, (second take); e a primeira tomada de Responsible/For Jan Van De Ven. A fechar condignamente, uma tremenda versão ao vivo de Machine Gun gravada no Frankfurt Jazz Festival de 1968, a tal que adiciona o saxofone tenor de Gerd Dudek à mistura já de si bastante densa. Um disco que é uma lenda.


Mississippi Fred McDowell (1904-1972) – The First Recordings
Ninguém – que me ocorra de imediato ou mais tarde – cantou a temática dos blues do Delta e tocou slide como ele. Quem conhece os blues sabe do que falo. Bukka White ou Son House andaram lá perto. E quando McDowell se encontrava com Big Joe Williams ... era como se se juntasse a fome com a vontade de comer. E lá ia tudo por água abaixo...

SÁBADO, 15.09, 22h30, CONVENTO DE S. FRANCISCO, em Montemor-o-Novo, 22h30m, INTERPRETAÇÃO SONORA DO FILME The Man With the Movie Camera, de Dziga Vertov, por João Bastos - composição electrónica.
The Man With the Movie Câmera é um documentário experimental realizado por Dziga Vertov em 1929. O filme retrata a vida urbana em várias cidades Soviéticas nos anos vinte. Com um ritmo frenético e ângulos de captação inovadores, a narrativa avança em torno das relações laborais e sociais do homem moderno. O sonoplasta João Bastos apresenta uma proposta de interpretação sonora multi-instrumental para o filme.
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Variable Geometry Orchestra
Livraria Ler Devagar
Fábrica de Braço de Prata (Sala Nietzsche), Lisboa
Sábado, 15 de Setembro - 23horas
Ernesto Rodrigues (viola, condução); Guilherme Rodrigues (violencelo); Rodrigo Pinheiro (piano); Pedro Portugal (trompete); Marcello Maggi (trompete); Johannes Krieger (french horn); Eduardo Chagas (trombone); Miguel Bernardo (clarinete); Bruno Parrinha (clarinete); João Pedro Viegas (clarinete baixo); Rui Horta Santos (saxofone tenor); Nuno Torres (sax alto); Lizuarte Borges (sax alto); António Chaparreiro (guitarra eléctrica); Nuno Rebelo (guitarra eléctrica); Armando Gonçalves Pereira (acordeão); João Pinto (electrónica); Adriana Sá (electrónica); Jorge Trindade (electrónica); Hernâni Faustino (contrabaixo); Pedro Castello-Lopes (percussão); Peter Bastiaan (bateria).

So long as men can breathe or eyes can see / So long lives this and this gives life to thee - W. Shakespeare (Charlie, agradeço o ofertório da citação shakespeareana)
Este é o mês em que o Jazz e Arredores faz anos. Três. Já?! Não pode ser! Tchh... como o tempo passa… Foi a 18 de Setembro de 2004 que esta vasta equipa iniciou as hostilidades. Três anos volvidos, munidos da mais sofisticada tecnologia de tipo Echelon, pedimos a Gil Elvgren que elaborasse o retrato robot do leitor médio do nosso querido J&A, assim tratado na intimidade. Resultado: o leitor médio é, afinal, uma leitora acima da média, que tudo imprime para depois ler confortavelmente instalada… Feliz aniversário, J&A. Que contes muitos! E que a gente leia!


Um súbito desejo de me banhar nas águas cálidas do soul jazz levou-me até ao simpático organista Brother Jack McDuff (1926-2001), e a Somethin' Slick, um Prestige de 1963. Como me sinto clássico neste après-midi solarengo... Deve ser efeito do borrifo matinal que me humedeceu as meninges. Adiante. Dali, foi um pulo até aos dois LPs Prestige que Jack McDuff gravou com o saxofonista tenor de Miami, Florida, Willis "Gator Tail" Jackson (1932-1987), de 1959 e 1961, respectivamente. Falo de Together Again!, e da reprise do primeiro encontro, curiosamente intitulado Together Again, Again. Entretanto, muitos anos passados, em 2003, a Prestige pegou em ambos os LPs, deu-lhes uma remasterizadela e reeditou-os num único CD, cujo título regressa ao inicial Together Again!


Sai amanhã na Sunnyside Records. Song for Anyone. Chris Potter, saxofones; Erica von Kleist, flauta; Greg Tardy, clarinete; Michael Rabinowitz, fagote; Mark Feldman, violino; Lois Martin, viola; David Eggar, violoncelo; Steve Cardenas, guitarrra; Scott Colley, contrabaixo; e Adam Cruz, bateria e percussão.

Encontros de Música Exprimental - EME / 2007
De 3 a 6 de Out. Som e Imagem em Palmela, Portugal.
Direcção de Vitor Joaquim.

A 21 de Setembro p.f., abre a temporada da Firehouse 12, em New Haven, Connecticut, espaço multi-funcional fundado por Nick Lloyd e Taylor Ho Bynum, assim denominada porque se instala num quartel de bombeiros entretanto desactivado. Além de editora, já com dois títulos, um do Taylor Ho Bynum Sextet (The Middle Picture) e a monumental edição do Anthony Braxton 12+1tet, 9 Compositions (Iridium) 2006. Este terceiro ciclo das Fall Jazz Series, que vai de 21 de Setembro a 14 de Dezembro, inicia-se com um concerto de violoncelo solo de Erik Friedlander, que apresentará Block Ice & Propane, disco saído o mês passado na estreia da Skipstone Records. Até meados de Dezembro, decorrerá um vasto e ambicioso programa, que mobiliza nomes importantes da actuliadade do jazz/improv norte-americano, com nomes como Ted Poor Trio, Michael Musillami Trio com Mark Feldman, Claudia Quintet, Will Holshouser Trio, Marty Ehrlich / Myra Melford Duo, Rob Brown Trio, Billy Bang Quartet, Andrew Rathbun Quartet, Dave & Barre Phillips Duo, Daniel Levin Quartet e o Angelica Sanchez Quintet. Para Novembro, está prevista a edição de discos de Peter Evans e de Tyshawn Sorey.

No meio da floresta de Brighton (GB), durante três dias de delírio, juntam-se os gnomos das mais desvairadas tribos: sound poets, feral choirs, avant-noise collagists, ecstatic free-jazz, folk-primitives, home-spun electronics, free-yodelers and more. De 7 a 9 de Setembro, Brighton festival of exploratory sound.





Programado pelo Jazz Institute of Chicago, a diversidade tem sido a tónica dominante neste Chicago Jazz Festival. Diversidade de estilos, formas de expressão, idiomas musicais, durante quatro dias de festa rija, é este o programa, como conta o Chicago Reader. A 30 de Agosto actuou a rising star israelita Anat Cohen, que toca tão bem como parece, na liderança do seu quarteto, seguida de outro novato, Herbie Hancock.
A 31 apresentaram-se a Exploding Star Orchestra, de Rob Mazurek (com um belo disco, por sinal, na Thrill Jockey), Tammy McCann, Ernest Dawkins & Jabari Liu, numa homenagem a Jimmy Ellis, a Kenwood Academy Jazz Band, dirigida por Gerald Powell, o Justin Dillard Trio, Charlie Haden com os alunos da escola do Jazz Institute of Chicago, Robert Irving III, Michele Rosewoman & Quintessence, The Latin All Stars: Tribute to Hilton Ruiz, Medeski, Scofield, Martin & Wood.
Ontem (1/9), Bill McFarland & the Chicago Horns, Miguel de la Cerna, Ken Chaney, Keefe Jackson’s Fast Citizens, Mulligan Mosaics Big Band, Edwin Daugherty Quartet, Percussion Discussion with John Vidacovich, Typhanie Monique & Neal Alger, Dan Trudell’s B-3 Bombers, The Cookers: Eddie Henderson, James Spaulding, Billy Harper, George Cables, Cecil McBee, David Weiss e Gene Jackson, Ernestine Anderson & Frank Wess, e Charlie Haden & Liberation Music Orchestra.
Hoje (2/9, daqui a umas horas), Pete Benson Organ Trio, Mark Courtney Johnson Quartet, Astral Project, Windy City Jam feat. Charlie Haden, Jazz & Heritage Stage, Erwin Helfer & Skinny Williams, Art of the Solo com Janice Borla, Matt Geraghty Project, Petrillo Music Shell, Kim Cusack and John Otto, Rob Mazurek’s Exploding Star Orchestra feat. Bill Dixon, Bobby Watson’s Horizon. A encerrar a festa, Mingus Big Band. Chega, ou querem mais? Só para o ano.


Sister Funk2 - The Sound of the Unknown Soul SistersThe online music magazine with warped perspectives
AUGUST - SEPETEMBER 2007 edition
Margaret Leng Tan, Louis Jordan, Bowser of Sha Na Na
Lobby Loyde, Carl Palmer (ELP), Genesis P-Orridge
Na editora Auris Media Records (dedicated to promote undergound and independent music scene in Israel), acaba de sair um disco deveras interessante do pianista israelita Slava (Vyacheslav) Ganelin, líder do famoso Ganelin Trio, da antiga URSS, grupo que fez furor na década de 80 de ambos os lados da Cortina, e do contrabaixista russo Vladimir Volkov, músico da Moscow Composer's Orchestra. Ne Slyshno foi gravado há dois anos, em Setembro de 2005, no decurso de uma visita que Vladimir Volkov efectuou a Israel.

Hoje à noite (1/9), na ZDB, o afrobeat de Cacique '97. Fundado em Lisboa, em 2005, com o objectivo de espelhar o crescente multiculturalismo da cidade, o colectivo de origens moçambicanas Cacique ’97 é uma referência incontornável no panorama afro-beat nacional. Recorrendo a samplagens diversas, actualizam a mescla irresistível de jazz, funk e ritmos Yoruba imaginada em primeira instância por insurgentes como Fela Kuti nos anos 60 e 70.1. Ptah, The El Daoud; 2. Prema Muditha; 3. Stopover Bombay; 4. Journey in Satchidananda; 5. Transfiguration; 6. Jaya Jaya Rama; 7. Turiya and Ramakrishna; 8. A Love Supreme (For John Coltrane); 9. Translinear Light; 10. Mantra; 11. The Sun.
Dando por reproduzida a opinião crítica que escrevi sobre o concerto, e descontando questões de nível, como passagens de nível, com e sem guarda (estas últimas são mais perigosas, mas sempre são sem guarda e nesta matéria tenho é saudades do Guarda Ricardo, do Sam), sem saber eu o que é isso de "alto nível", mesmo assim, penso que não foi um concerto de nível alto. Alto, ali, só mesmo Ornette himself (rodeado de empatas) e o nível do som, em demasia para aquela música e para este par de delicados pavilhões auditivos. O concerto teve até o seu momento sofrível, para rimar. Ou momentos, se atentarmos no contínuo da prestação de Denardo Coleman, monolítico obstáculo de “altos níveis” e “altos voos”. Quem, como Ornette Coleman, nunca fez a coisa por menos de Billy Higgins, Charles Moffett ou Ed Blackwell (suponho que estes devam ser, no critério do leitor, bateristas de “alto nível”, talvez mesmo “ao mais alto nível”), optar pelo matacão do filho para lhe bater nas peles não é seguramente uma decisão isenta de riscos de … “alto nível”.
Mas vamos à “revolução”, sem passar pela casa dos “pormenores irrelevantes", porque esses estão escritos. Diz a história e não mente que Ornette foi um revolucionário. Quando? No tempo das revoluções. Falando sério, é hoje um facto histórico que, a partir do final da década de 50, início de 60, Ornette mudou radicalmente o paradigma harmónico, melódico e rítmico do jazz. Libertou a improvisação dos acordes, como até aí vinha a fazer-se (excepções poucas, com Lennie Tristano, em finais de 40), soltou-se das formas ritmicamente fechadas do bebop, reinventou a melodia e apresentou-se com um novo fraseado, que, partindo de Charlie Parker, levava o seu legado mais além, mantendo a preferência pelos registos médio e agudo do saxofone alto, e preservando o mesmo amor pelos blues e pelo espírito do bop. Foi o tempo dos discos da Atlantic, que têm como pináculo revolucionário Free Jazz (A Collective Improvisation), obra que ainda hoje deixa meio mundo de boca aberta. O ataque colectivo à melodia em duplo quarteto, como duas ondas enormes que se entrechocam, a ausência de centralidade harmónica e melódica – entre outras, coisas até então nunca ouvidas – foram realmente conceitos e práticas revolucionários. Mas isto passou-se quando? Ah, pois, em 1961. De então para cá, Ornette teve ainda ensejo de outro momento revolucionário, nos anos 80, com o conceito de harmolodics, posto à prova com a Prime Time Band. Music is not a style. Music is ideas. In any normal style, you have to play certain notes in certain places. You play in that style only and try to make people believe that style is more important than other styles. Which removes you from the idea. With harmolodics you go directly to the idea – escreveu ele.
E pronto. Daí a pretender que tudo o que o saxofonista tenha feito, ou faça ainda hoje, como um qualquer concerto, tem que ter aposto o carimbo de “revolucionário”, tão estafado nos dias de hoje, ou trazer à baila a “revolução” por dá cá aquela palha, vou ali e já venho. Ornette não tem nada que provar nesta matéria; fez o que fez, tem o seu lugar na história da música e ninguém lhe tira mérito por achar que não é um Midas qualquer que tudo o que toca transforma em ouro. Não há vacas sagradas. Lamentavelmente, o concerto de dia 11 de Agosto, em Lisboa, não foi um momento dourado, pelas razões que alinhei e me dispenso de repescar. E a isso nem sequer obviou o facto de Ornette ter saído o ano passado com um disco excelente, Sound Grammar. Nele – vá-se lá saber como – até Denardo Coleman parece estar em "alto nível", pelo menos à altura das circunstâncias.
Agradeço os contributos e envio abraços a umas e outros.
