
Durante o mês de Junho, saldos na Potlatch.

David S. Ware Quartet
Passage to Music (1988)
Great Bliss, Vol. 1 (1990)
Flight of I (1991)
Third Ear Recitation (1992)
Great Bliss, Vol. 2 (1994)
Cryptology (1995)
Earthquation (1995)
Dao (1996)
Oblations and Blessings (1996)
Wisdom of Uncertainty (1997)
Godspelized (1998)
Go See the World (1998)
Surrendered (2000)
Corridors & Parallels (2001)
Live in the Netherlands (2001)
Freedom Suite (2002)
Threads (2003)
Live in the World (2005)
BalladWare (2006)
Renunciation (2007)
Além do legado extraordinário composto por esta vintena de discos, entre o estúdio e as gravações "oficiais" ao vivo, onde só encontro um título fraco (Threads - para isto mais valia ter estado quieto e dado folga ao pessoal...), há centenas de concertos gravados um pouco por toda a parte, à espera de um dia poderem ver a luz. Este que se segue conseguiu espreitar e foi apanhado nas malhas do tapping: David S. Ware Quartet [Unissued / Soundboard & Broadcast Tape 99.08.29]. David S. Ware (saxofone tenor); Matthew Shipp (piano); William Parker (contrabaixo); Guillermo E. Brown (bateria). Gravado no austríaco Jazz Festival Saalfelden, a 29 de Agosto de 1999, no mesmo ano em que veio tocar ao Centro Cultural de Belém, Lisboa, onde o DSWQ deu um concerto memorável. Alinhamento de 29.08.1999: Aquarian Sound (25.25); Lexicon (13.59); The Way We Were (Part I) (03.57); The Way We Were (Part II) (06.25). Lamentam-se os ligeiros cortes nas passagens entre temas, mas que é lá isso comparado com a substância wareana que existe entre uma extremidade e outra, mesmo que num concerto incompleto? (Foto: Nuno Martins)

THE BLACK ARK reeditado!!! Excelente sessão de 1969, com Noah Howard (saxofone alto), Arthur Doyle (saxofone tenor), Earl Cross (trompete), Leslie Waldron (piano), Norris Jones (contrabaixo), Mohammed Ali (bateria) e Juma (congas). Um luxo musical condignamente empacotado nesta nova apresentação da Bo Weavil, que surge oportuna depois de o LP original ter estado muito tempo esgotado. É caso para grandiosas festividades. A Esquilo também tem esta nova edição. A antiga, rippada do Lp original, tem um som mais remediado. Já para não falar na falta de apresentação... por falta de suporte físico.

Andrew Hill (piano); Jimmy Vass (saxofone soprano); Chris White (contrabaixo); Leroy Williams (bateria). Depois de mais de uma dezena de discos na Blue Note, tarefa que lhe ocupou quase a década de sessenta toda, a partir de 1969 Andrew Hill tirou uma prolongada sabática, que durou até 1974. Este Blue Black foi publicado no ano seguinte e revela um Hill mais solto que nos discos precedentes. O disco foi reeditado em 2005 pela Test of Time Records ........ This is the third release of Andrew Hill’s work for Test of Time Records after Hommage and Nefertiti. All five tracks featured in this album are Hill’s originals. Andrew Hill’s rich soundscapes are taken to another level in the form of a quartet. Accompanying him are Chris White on bass, Leroy Williams on drums, and Jimmy Vass on soprano sax / alto sax / flute. These are the same players who performed on another Andrew Hill album recorded later in 1975 called Divine Revelations from Steeple Chase Records. Enjoy the imaginative and challenging compositional style of Andrew Hill that has withstood the test of time. - 441 Records
Pharoah Sanders, Pharoah (India Navigation, 1976)
1. Harvest Time; 2. Love Will Find A Way; 3. Memouies of Edith Johnson
Pharoah Sanders_saxofone tenor, voz, percussão
Lawrence Killian_percussão
Steve Neil_contrabaixo
Munoz_guitarra
Jiggs Chase_órgão
Greg Bandy_bateria
Bedria Sanders_harmonium
Está longe de se parecer com o melhor e mais excitante
Pharoah Sanders, este
Pharoah saído em 1976 na India Navigation. Ainda assim merece ouvido atento. Parece que Sanders andava a ouvir Santana e a Mahavishnu Orchestra, de John McLaughlin, a julgar pela amostra. Lembra também a
Mother Alice Coltrane. O certo é que o saxofonista parecia andar à procura de um caminho, depois de ter sido
The Son de John Coltrane e de ter seguido a via inspirada no mentor, extensivamente documentada na
Impulse!. Além da improvisação
groovy, tem interesse ouvir o som do seu tenor em registo menos extremo que aquele que lhe ficou colado à pele, num contexto com órgão e guitarra. De uma ingenuidade comovente. E mais, Pharoah canta
Love Will Find A Way. O LP é hoje uma raridade.

Aida. Há quem diga que sim, que é o melhor, o
opus magnum. Sinceramente, não sei. São muitos e bons os solos de
Derek Bailey (discos a solo, bem entendido), rememorando apenas os
Incus,
Emanem e
Tzadik, por exemplo, ou o póstumo na
Samadhisound (
To Play: The Blemish Sessions). Fazer afirmações categóricas desta natureza é atrevimento estulto. É possível que o seja: "
Aida is possibly the finest of
Bailey's several solo LPs, records that forever changed what it meant for a guitarist to play alone. He transforms the guitar into a small orchestra of strings and percussion; the music is simultaneously lyrical and aggressive (lyrically aggressive? aggressively lyrical?)". Um comentário interessante é o de
Christoph Cox, que entre outras coisas, sobre
Aida, disco de guitarra acústica solo, escreveu ainda o seguinte: "To the listener straining for points of reference, slices of Japanese koto, punk rock, country blues, flamenco, and folk guitar might seem to surface momentarily only to dissolve again, as Bailey draws his lines of escape from all habit, cliché, and resolution".
Derek Bailey. Aida: Paris (19.00), Niigata snow (06.00), An echo in another's mind (14.00). Gravado em Paris e Londres, em 1980; editado pela Incus em 1988 ("Dedicated to the memory of Aida Akira 1946-1978"). Em memória de Derek Bailey (1930-2005).
Imagens e textos do caderno de apontamentos de Dennis González, tomados em diferentes momentos on the road: durante a digressão americana (Costa Este) com os Yells at Eels e Rodrigo Amado, realizada no Verão de 2006; aquando da actuação em Portugal com os Lisbon Improvisation Players (Rodrigo Amado, Zé Eduardo e Bruno Pedroso), em Valado dos Frades, Abril de 2007; outra vez com os LIP em Montemor; e um pequeno excerto da actuação do trompetista no TONIC, Nova Iorque, em 2003.
A commemorative short road film by the trumpeter of the group Yells At Eels focusing on the three other members of the quartet on a jazz tour on the East Coast Summer of 2006.
A short film that takes you on the road with the Lisbon Improvisation Players to Valado dos Frades Jazz Festival in Portugal. Filmed from the group's trumpeter's point of view, it commemorates that time in visual and audio images.
We continue our roadtrip with the Lisbon Improvisation Players, this time as they perform in the shadow of the great castle in Montemor-o-Velho, Portugal...Video by the quartet's trumpeter, Dennis González.
In 2003, Dennis González played the Temple of New Jazz, Tonic, in New York. Here is a movement from the song "Afrikanu", where Dennis solos his ass off. Video footage courtesy Downtown Music Gallery.

Terceira incursão do
Jazz on 3 no programa da recente edição do
Cheltenham Jazz Festival, dedicada ao concerto que o novaiorquino
Claudia Quintet deu na Town Hall Pillar Room, no passado 5 de Maio. O quinteto de
John Hollenbeck foi a Inglaterra dar a conhecer ao vivo o mais recente
For, por entre temas dos discos anteriores e composições que hão-de fazer parte do próximo. Hollenbeck conta o que se passa com o Claudia 5tet na entrevista que deu a
Jez Nelson, que também passa na emissão de hoje à noite, acessível durante toda a semana via
webcast na
Radio 3, da
BBC.

Disco 3000, gravado em Itália em 1978. Extravagante improvisação caleidoscópica alienígena. Sun Ra toca piano, órgão e Crumar Mainman drum box, uma caixa de ritmos que era novidade para a época e com a qual o músico experimentou interessantes possibilidades de repetição, tremolo e vertigem rítmica; John Gilmore, saxofone tenor; Michael Ray, trompete; e Luqman Ali, bateria. Quatro temas: Disco 3000, enche o lado A do LP, já se atira para os 26 minutos de duração. Por volta dos 5 minutos de exposição há uma breve passagem por Space Is the Place, o mais conhecido dos hinos de Sun Ra, cantado pelo quarteto. O lado B preenche-se com a dupla Third Planet e Friendly Galaxy, que inclui um solo impressionante de John Gilmore, que não fica trás do solo de Disco 3000, e com Dance of the Cosmo-Aliens. LP Saturn CMIJ 78. Faz para com outro disco extraordinário, Media Dreams, gravado durante a mesma estadia italiana, a fazer jus ao pico criativo do artista anteriormente conhecido por Herman Poole Blount – os seventies. Bizarro, surpreendente, inclassificável, fora do comum? Isso, e tudo o que é costume dizer-se do criador. Da mesma época, Cosmos, Sleeping Beauty, Sound Mirror e Lanquidity sublinham a grande arte de Sun Ra. Disco 3000 foi reeditado o ano passado em vinyl de 180 gramas pela britânica Art Yard, com tiragem reduzida. O velho Saturn, convenientemente rippado, tem dado para o gasto e para o gosto, enquanto não chega uma edição em CD da Evidence, por exemplo. 
The Mysteries Of Mr. Ra
Boas ondas agitam o meio jazzístico português de tempos a tempos. A que ontem à noite bateu na praia de Belém veio de um grupo que já circula há algum tempo por esses palcos fora e que, segundo os ecos que vão chegando, tem causado boa impressão junto do público aficionado: o Luís Lopes Humanization Quartet. A noite em que travámos o tão aguardado encontro foi a de ontem, em mais uma edição de Jazz às 5ªs, na Cafetaria Quadrante, do Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Enquanto quarteto, digo, posto que, individualmente, estou familiarizado com os vários projectos e incursões avulso destes quatro improvisadores: Luís Lopes (guitarra), Rodrigo Amado (saxofone tenor), Aaron González (contrabaixo) e Stefan González (bateria), os sendo os dois últimos os rebentos do grande trompetista de Dallas, Texas, Dennis González.Muito interessante em razão dos resultados, esta convergência de esforços luso-americanos que, posta em movimento, deixou à evidência o intenso trabalho de preparação, ensaios, concertos e toda a rodagem que faz soar o Humanization Quartet como um organismo vivo, praticante de um jazz no qual o groove é quem mais ordena. Daí a fervura que levantaram e a segurança com que evoluíram, a evidenciar algumas notas importantes, de que destacam a fluência discursiva e a gana com que atiraram ao trabalho, sem hesitações nem engasgamentos; o notável sentido de tempo e de oportunidade de ataque e retirada; as excelentes trocas de informação e instigação recíproca sobre inesperadas mudanças de tempo; a naturalidade com que incorporaram, processaram e devolveram marcas e memórias de vários géneros musicais – o LLHQ é um ser omnívoro que pratica uma dieta rica em vitaminas que lhe vêm do rock, dos blues e do jazz, influências que o grupo transcende –; e, finalmente, o som cru e intencionalmente “sujo”, de belo efeito estético e irresistível apelo.
Partindo das estruturas escritas por Luís Lopes – um naipe de boas composições amigas do ouvido – o quarteto assentou o seu programa de improvisação fundamentalmente sobre a base rítmica endiabrada criada pelos manos González, potente propulsor de duas cabeças, ideal para embalar Luís Lopes e deixá-lo soltar o melhor do seu groove moderno e inventivo, ele que na prática se assume como um guitarrista que se quer não guitarrístico na abordagem, e o chamejante Rodrigo Amado, que deu largas à elevada gama tímbrica e potência sonora que extrai do seu instrumento. Entusiasma sentir e perceber como estes músicos se atiram com paixão ao que estão a fazer, rasgam pano sem medo de se atirarem para a frente, com equilíbrio e proporção, inteligência e ousadia ao serviço duma prática musical rica de variações dinâmicas, mudanças de velocidade, drive, potência sonora, improvisação vigorosa, de enorme plasticidade no seu conjunto, que fomenta a criatividade free dentro das estruturas e permite ampla liberdade de expressão e de movimentos. Música espumante, naturalmente gaseificada. Sábado 26, o quarteto ataca na ZDB, em Lisboa.

Stefan González, Aaron González e Luís Lopes
(Foto: Cristina Cortez)

digitalbiotope independent netlabel dedicated to improvised & experimental music_
improvisation / electroacoustic / experimental electronica / comtemporary audio / video

Michael Trommer, Sleeping Satellites. Drones, percussões, field recordings, texturas arrevesadas, ruído, electrónica ambiental ... um vasto mundo de possibilidades sonoras a ter em conta. Do Canadá, via Test Tube.
Variable Geometry Orchestraernesto rodrigues, violin, viola, direction; guilherme rodrigues, cello; hernâni faustino, double bass; sei miguel, pocket trumpet; eduardo chagas, trombone; miguel bernardo, clarinet; alípio c. neto, tenor saxophone; nuno torres, alto saxophone; jorge lampreia, soprano saxophone, flute; rui horta santos, electric guitar; armando pereira, accordeon; adriana sá, electronics; rafael toral, electronics; jorge trindade, tapes; césar burago, percussion; monsieur trinité, percussion; josé oliveira, drums. (Photo: Rui Portugal)
AFFENHAND, Rodrigo Amado, DIDGIN'... no IST, Lx, a 26 de Maio.... Rádio Zero

Na ZDB, Sábado 02 de Junho, às 23h00
The_way_ahead_sessions
John Butcher (UK)
Telectu (PT)
John Butcher
A par de músicos como Evan Parker ou Derek Bailey, o saxofonista John Butcher é uma das figuras essenciais da livre-improvisação britânica dos últimos 50 anos. As suas explorações nos terrenos da microtonalidade, da amplificação e do feedback, essencialmente em saxofones tenor e soprano, têm-no conduzido através de um amplíssimo espectro sonoro, frequentemente no contexto de inflamatórias performances a solo, formato a que tem vindo a dar particular relevância desde o início dos anos 90.
Telectu
Duo de Jorge Lima Barreto e Vítor Rua, os Telectu possuem um celebrado corpo de trabalho de enorme importância no universo das novas músicas, cruzando-se com tangentes da música contemporânea, livre-improvisação e exploração electroacústica. Já actuaram com celebradíssimos nomes, casos de Sunny Murray, John Edwards, John Butcher, Eddie Prèvost, Ikue Mori, Jac Berrocal, Chris Cutler, Elliott Sharp, Evan Parker ou Louis Sclavis.
Galeria Zé dos Bois, Rua da Barroca (Bairro Alto), Lisboa
Steuart Liebig, contrabaixista e compositor de ofício, não é dos nomes que no panorama do jazz/improv actual mais entre pelos ouvidos dentro. Menos por falta de interesse da sua música, que por nele repararem os media, generalistas ou especializados. É mais um segredo bem guardado de Ventura, Califórnia. No entanto, uma leitura atenta das contracapas de alguns dos discos mais importantes que têm vindo ao mundo a partir daquelas paragens, revela que Stuart Liebig tem estado em grande actividade, tanto no desenvolvimento dos seus próprios projectos, como na colaboração com gente da estirpe de Vinny Golia e outros papas da música improvisada da Costa Oeste dos EUA.Para Sulphur (enxofre) - nome que evoca algo essencial tanto à vida da células como à morte dos seres vivos, elemento químico que, por exemplo entra na composição de fertilizantes, pólvora ou insecticidas -, Steuart Liebig escreveu três peças fragmentadas, Kaleidoskope (44’44), subdividida em 23 miniaturas. De tonalidades escuras, a peça desenvolve-se com um grande painel de mosaico, construído pedaço a pedaço e organizado segundo os princípios da forma poética japonesa Haiku: depuração, beleza, simplicidade e fluência. The Cherry Blossom is Only Perfect When it’s Falling From the Tree (17’16), também segue a forma poética, só que aqui a composição é em terza rima, ABA, BCB, CDC, etc, e apresenta-se como um movimento contínuo subdividido em 13 partes, formando palíndromos harmónicos. Necrological Pieties (4’16), tema que encerra Sulphur, peça de dança, foi escrita para a coreógrafa e bailarina Shuriu Lu, e privilegia o uso de técnicas extensivas de todos os instrumentos. Música centrada na fala colectiva, de onde se autonomizam as vozes solistas, como forma de avançar no terreno, ocupar novos espaços, onde o colectivo se reagrupa para de novo levantar ferro e estabelecer-se mais adiante. Steuart Liebig (baixo), Andrew Pask (clarinete e clarinete baixo), Sara Schoenbeck (fagote) e Brad Dutz (bateria, marimba e percussão), formam um pequeno grupo de câmara – o quarteto MINIM – companhia ideal para dar sequência a este projecto musical, que para Braxton caminha e de Braxton regressa ao ponto de partida, vivendo por dentro do cruzamento de linguagens. De todas, a new music é a que mais se fala, em concomitância com o afluente do jazz post-bop, numa confecção que se pode designar genericamente por moderna improvisação West Coast. Gravação de 2007, editada pela pfMENTUM com produção de Jeff Kaiser.
(1995)
Peace Prayer [2:24]; Panoramic [3:35]; Sun Love [4:34]; Kepler's Groove [7:10];
C.T. [4:29]; Turned Around [4:36]; Emerging Light [5:16]; Warm [5:45]
Glenn Spearman_saxofone tenor
Larry Giustino_guitarra
Stevens St. Clair_contrabaixo
Spirit_bateria, percussão

"4x3 é quanto mede o estúdio da rádio zero, onde músicos da cena experimental/alternativa portuguesa se expõem sem preconceitos. O programa é mensal (4º sábado de cada mês) e vai já na 5ª edição. Por lá já passaram Out Level, Paulo Raposo e André Gonçalves, DOPO e Tsuki. Na próxima emissão (dia 26 de Maio) é a vez de Affenhand (em directo da Áustria), Rodrigo Amado e Stefan González (ao vivo no técnico) e DIDGIN'. O mentor do projecto é Pedro Lopes (o autor do programa A New Kind Of Blue na mesma radio)". - André Pintado
Variable Geometry Orchestra - Live at ZDB
ernesto_rodrigues violin, viola , direction; pedro_costa violin; guilherme_rodrigues cello; hernâni_faustino double bass; sei_miguel pocket trumpet; eduardo_chagas trombone; eduardo_lála trombone; miguel_bernardo clarinet; jorge_lampreia flute, soprano saxophone; nuno_torres alto saxophone; rui_horta_santos tenor saxophone; alípio_c._neto tenor saxophone; rodrigo_amado baritone saxophone; luís_lopes electric guitar; ivan_cabral didgeridoo; jorge_trindade tapes; adriana_sá brazilian harp, electronics; carlos_santos electronics; rafael_toral electronics; plan turtables; peter_baastian poetry; armando_gonçalves_pereira melodica; miguel_martins melodica, xylophone, percussion; césar_burago percussion; josé_oliveira drums.
video recorded at zdb gallery, in lisbon, by nuno moita on april 1, 2006.
![[pharoahandblackharold.jpg]](http://4.bp.blogspot.com/_h9T9vZJeNqw/RelPUk1qnZI/AAAAAAAAADY/0d53T4OgfMI/s1600/pharoahandblackharold.jpg)
Sun Ra - Featuring Pharoah Sanders and Black Harold
Chris Capers, Al Evans, Black Harold, Teddy Nance, Bernard Pettaway, Marshall Allen, Danny Davis, Pharoah Sanders, Pat Patrick, Robert Cummings, Sun Ra, Alan Silva, Clifford Jarvis, Art Jenkins. - Nova Iorque, 31.12.1964

Ciclo de concertos do Luís Lopes HUMANIZATION Quartet, de Maio a Junho - Luís Lopes (guitarra eléctrica); Rodrigo Amado (saxofone tenor); Aaron González (contrabaixo); e Stefan González (bateria).
O HUMANIZATION 4TET é um jazz combo orgânico, luso-americano, que junta dois músicos portugueses, o guitarrista Luís Lopes e o saxofonista Rodrigo Amado, a dois músicos norte-americanos, Aaron e Stefan Gonzalez, respectivamente contrabaixista e baterista, filhos do trompetista Dennis González. São quatro músicos oriundos do jazz e da música improvisada com percursos que não dispensam a passagem pelos mais variados estilos musicais como o rock/pop, o blues, o hip-hop e o punk. O grupo apresenta seis composições de Luís Lopes cunhadas pela interacção triangular de Performers – Composição – Improvisação, criando uma textura densa e homogénea que constrói/desconstrói o(s) jazz(es) obedecendo a uma estética de música criativa universal como forma de expressão artística.

Ravi Coltrane homenageou a mãe,
Alice Coltrane (‘Mother of Many’), falecida Janeiro passado. Foi em Nova Iorque, quinta-feira passada, durante a
Alice Coltrane Ascension Ceremony, que teve lugar na catedral de St. John the Divine. Na foto, o filho de Alice e de
John Coltrane,
Ravi Coltrane (saxofone soprano) e
Jack DeJohnette (bateria).
Foto: Hiroyuki Ito.

O contrabaixista norte-americano Mark Helias dirige o trio Open Loose, com Tony Malaby (saxofone tenor) e Tom Rainey (bateria). Ellery Eskelin (saxofone tenor) dá uma mãozinha num tema. Nada de novo, tudo de novo, sempre que esta gente se põe ao trabalho. Dentro da tradição, fora da tradição, a descrever linhas escritas ou a improvisar, power trio ou melodia swingante, tanto dá. A musicalidade, a liberdade de criar dentro e fora de parâmetros pré-definidos, e a coesão do grupo são uma constante. Aspecto fundamental: o som espesso e rústico de Tony Malaby é um caso raro. Jazz moderno, no sentido que se lhe pode dar neste tempo, é isto. Atomic Clock data do ano passado, com edição da Radio Legs Music. Fortíssimo, como já o eram Verbs of Will (Radio Legs Music) e New School (Enja), os anteriores discos do trio Open Loose. “Too many people give up on doing something in life that really inspires them. Don’t watch CNN, don’t watch Fox News, don’t watch stupid television shows - read some books, go to the theater, go hear music, speak with your friends, have experiences that are real… People think self-expression is a provenance of the arts, but it’s not, that’s where it gets worked out in a lot of cases, but everybody should be into self-expression". - Mark Helias

Open Loose

A ouvir com a atenção... Mother, Live at Barnsdall Art Park: "An ongoing project to learn more about the nature of sound and the auditory ties we all have to the emotional experiences of our lives. (...) Mother is an attempt to push the concept of story telling as far away from song writing as possible and still communicate to the listener". - Chris Komashko (Mother), citado por Pedro Leitão, da Test Tube.
Ainda a tempo...


Bitches Brew tem
Bennie Maupin. E também
Jack Johnson,
Big Fun e
On the Corner. A gente tende a esquecer-se dos "pormenores" que às vezes fazem a diferença. Maupin é muito mais que um pormenor, um
pormaior no que respeita ao clarinete baixo. O veterano mantém-se no activo e a rodar. Na última edição do
Cheltenham Jazz Festival, Bennie actuou com o seu
Ensemble no britânico Everyman Theatre, a 6 de Maio, e parece que foi de arromba, a julgar pelos rumores. A edição desta semana do
Jazz on 3 passa a gravação desse concerto, que serviu para apresentar o álbum
Penumbra, de há um ano, com
Darek Oles,
Michael Stephans e
Munyungo Jackson. Na mesma emissão John Fordham entrevista Bennie Maupin.


Estreia ao vivo de YO MILES!, grupo de Henry Kaiser e Wadada Leo Smith, a 21 de Outubro de 1999, no Fillmore Auditorium de S. Francisco (San Francisco Jazz Festival). Recriação das composições originais de Miles Davis, de entre 1973 e 1975. Henry Kaiser, guitarra; Wadada Leo Smith, trompete; Zakir Hussein, tablas; Michael Manring, baixo eléctrico; Nels Cline, guitarra; Chris Muir, guitarra; Alex Cline, bateria; Tom Coster, teclados; ROVA Saxophone Quartet - Bruce Ackley, Steve Adams, Jon Raskin e Larry Ochs.
Yesternow Part 1 > Right Off > Agharta Prelude; Black Satin; Great Ancestor Part 1 > Calypso Frelimo > Ife > Great Expectations > Ife; Right Off Parts 4 & 5; Encore: Hollywuud / Big Fun
Salvem a crítica…
O Ípsilon, suplemento do jornal Público, que agora anda à caça de talentos, abre hoje com a notícia de que o americano National Book Critics Circle está empenhado numa campanha para salvar a crítica literária. Dessa campanha fazem parte ideias como mandar cartas aos directores dos periódicos que mais ou menos ostensivamente vão comendo espaço à crítica de livros, participar nos debates e discussões organizados por livrarias, inscrever-se num clube do livro, criar um blog para agitar o marasmo, e por aí adiante. Isto, na América. Por cá, os dois jornais diários que já valeu a pena ler (Público e DN) estão como estão, o primeiro a correiodamanhãzar-se a passos largos (Deus tenha a sua alma em descanso...), o segundo a vinte-e-quatrohorizar-se sem vergonha nenhuma, o que significa, entre outras coisas, que o espaço dos livros e da literatura tem mirrado a olhos vistos. As razões são por demais conhecidas e entroncam na baixa circulação de jornais, nos envergonhantes hábitos de leitura da população portuguesa, na baixa educação, no baixo poder de compra, mas também (sobretudo?) na baixa cultura e educação de donos e directores de jornais - muito de tudo, claro. E quanto à crítica musical? Aí vamos de mal a pior. O suplemento cultural do Diário de Notícias ardeu (era muito elitista e incompreensível para o Sr. Oliveira, patrão à moda antiga). Nesta matéria, diga-se em abono da verdade que não se deu pela perda, pelo menos no que à música improvisada (jazz incluído) diz respeito. O que abundava era a sempiterna cultura pop massificada, semanalmente servida aos leitores como enlatado que se consome e esquece no próprio dia, que para mais não presta. Na semana seguinte havia mais uma dose e tudo parecia andar no mais ilusório Galopim. No Público passava-se continua a passar-se mutatis mutandis o mesmo (o estilo "ombro do teu cão" veio para ficar), salvos os períodos que foram do cada vez mais saudoso Fernando Magalhães e, mais recentemente, de Rodrigo Amado. Fora isso, popalhada da mais vulgar e esteticamente irrelevante, o habitual nicho da clássica… e estamos conversados. Se a crítica literária se pode queixar, a crítica musical, de tão tíbia e insignificante, nem voz tem para se lamuriar. Isto quanto aos diários. Nos semanários é diferente: o Expresso enquistou há 30 anos e o Sol não tem queda nem nasceu para a música.
Frank Zappa & The Mothers of Invention - King Kong (BBC 1968)

"Information is not knowledge / Knowledge is not wisdom / Wisdom is not truth / Truth is not beauty / Beauty is not love / Love is not music / Music is THE BEST" - F.Z.

"Na história da música contemporânea há um capítulo que é, seguramente, um dos mais marcantes: o jazz, pela sua musicalidade, envolvência, experimentação, improviso e genialidade. Por ser contemporâneo, vários dos seus grandes mestres pisam hoje os palcos, dedilham os contrabaixos e os pianos perante os nossos olhos. Muitos desses grandes nomes, como Jason Moran and the Bandwagon, Brad Mehldau ou o genial Keith Jarret, passaram pelo CCB recentemente. Agora, para além da temporada de concertos dedicada ao género que tantas influências têm colhido e semeado, a partir de Maio e até Setembro, todas as quintas-feiras há jazz no CCB.
Uma vez por semana, a Cafetaria Quadrante recebe um concerto e transforma-se em clube de jazz, num ambiente dinâmico, confortável e de convívio. No espaço de entrada pode-se refrescar com uma bebida enquanto se deixa contagiar pela música que vem da outra sala, assistir aí ao concerto ou, se preferir, sob as estrelas das primeiras noites quentes do ano, na varanda que estará aberta sobre o rio.
Quintas-Feiras, a partir das 22H45 // Cafetaria Quadrante // Entrada Livre
HOJE: EVAN PARKER, HERB ROBERTSON E AGUSTÍ FERNÁNDEZ
We would like to announce our next workshop: "New Sounds and Concepts in Modern Jazz", which will take place in Faro on the 12th & 13th of July 07.
The teachers line up will be Zé Eduardo’s Unit: Jesús Santandreu - tenor saxophone, Zé Eduardo - double bass & Bruno Pedroso - drums.

Passada a metade da sétima década de vida, a actividade criativa de Fred Anderson continua a causar espanto. Ao mesmo tempo que preparou a reabertura do seu mítico espaço de Chicago, o clube Velvet Lounge que dirige há mais de 25 anos, onde serviu ao balcão e tocou saxofone com quem aparecia – e aparecia muita gente para tocar – Fred Anderson permanece febrilmente activo, com o seu inconfundível saxofone tenor, que privilegia registos médios e soa tanto a AACM como ao espírito cultivado por John Coltrane e Pharoah Sanders. Retomado o convívio com os antigos companheiros de lide, Fred Anderson gravou este ano From the River to the Ocean, provavelmente o disco mais eclético e estilisticamente diversificado que se lhe conhece, bem dentro do espírito mais genuíno da escola AACM. Dela emergiram sucessivas gerações de músicos, como é o caso do baterista Hamid Drake, com quem Anderson mantém uma relação musical há 30 anos, e de novo assume o papel de co-autor. Isto porque o disco é essencialmente fruto da profícua colaboração entre os outrora mestre e pupilo, e emerge da plena comunicação espiritual entre os dois criadores – magnífica ponte entre gerações –, a que se soma o imenso talento do contrabaixista Harrison Bankhead (8 Bold Souls, Frequency, também em piano e violoncelo), do guitarrista Jeff Parker (Chicago Underground, Tortoise e Isotope 217), e do contrabaixista Josh Abrams (Town and Country, Sticks and Stones, Prefuse 73). From the River to the Ocean, disco consistente e bem construído, apela às coisas do espírito, com uma atmosfera de serenidade contemplativa, temperada de blues profunda e intensamente vividos, e influências afro-orientais. Jazz, swing, groove, bop, free e world em recriação inventiva, que liga o momento presente, a tradição e o devir numa linha de continuidade sem fim à vista. From the River to the Ocean irá certamente marcar esta época. Para já, conta-se entre os melhores de 2007. Edição da Thrill Jockey, com distribuição lusa pela Dwitza.

The release of this CD marks the 50th anniversary of Sainkho Namchylak, the extraordinary and totally unique artist from Tuva. Nomad is a compilation consisting of 14 songs presenting Sainkho in different contexts from solo to big-band and in different styles of singing accompanied by different sets of musicians. Almost half of the songs have never been released in the West before. Prepare yourself for the most beautiful melodies followed by the most extraordinary sounds which can be produced by the only singer on this planet - Sainkho Namchylak. - Leo Records

[insub17] ADRIÁN JUÁREZ sandias correntinas
Adrián Juárez: guitars, bows, n'vique, latex,
metals, voices, percussion and other objects
[Insubordinations]

[insub15] ROSA LUXEMBURG NEW QUINTET topophonies
Heddy Boubaker: alto saxophon
Fabien Duscombs: drums, percussion, objects
Françoise Guerlin: voice, text
Piero Pepin: trumpet, melodica, objects
Marc Perrenoud: doublebass, electric guitare
recorded live at café du Burgaud, 24th & 25th february 2006
[Insubordinations]


Jazz em Agosto 2007 – 3 a 11 AgostoPianos, Baixos, Tubas & Vozes é o tema que enquadra o painel de conhecidos músicos, Europeus e Americanos, personalidades relevantes no actual mundo do jazz, presentes na edição deste ano do Jazz em Agosto. Em formações diversas, do solo à orquestra, as actuações previstas ocuparão os vários espaços da Fundação Calouste Gulbenkian: Grande Auditório (1,200 lugares), Auditório 2 (350), Auditório 3 (134), Anfiteatro ao Ar Livre (1,000) e Sala Polivalente (140), de 3 a 11 Agosto (interrompe a 6, 7 e 8). A edição deste ano apresenta também dois filmes sobre músicos inovadores da História do jazz bem como duas conferências proferidas pelos próprios músicos.
O jazz tem-se mantido em consonância com a civilização. Nos nossos dias ele é fractal, caleidoscópico e, sobretudo, livre de preconceitos. No seu género, o Jazz em Agosto oferece uma melhor compreensão do jazz de hoje, desafiando o público a alargar o leque da sua percepção estética.
Programa completo do Jazz em Agosto 2007 disponível em breve.

Tiner / Baggetta / Filiano / Ligeti: In Brooklyn
Recorded at Goodbye Blue Monday, in Brooklyn, NY, January 11, 2007
1. Part 1 (22:37)
2. Part 2 (21:51)
Kris Tiner (trumpet), Mike Baggetta (guitar/effects), Ken Filiano (bass), Lukas Ligeti (drums & percussion). Recorded from the stage using a Rode NT4 stereo microphone direct to the PreSonus Firebox to a G4 PowerBook running Logic Pro.
![[dg2740.gif]](http://2.bp.blogspot.com/_8urIKD5h548/ReyfBSVuAfI/AAAAAAAAAKE/pfs3laPxlA8/s1600/dg2740.gif)
Free Improvisation. Editado pela Deutsche Grammophon em 1974, o disco pretendeu servir de amostra representativa da livre-improvisação europeia de meados dos anos 70, através da música de três grupos distintos: o francês New Phonic Art, o britânico Iskra 1903, e o alemão Wired. New Phonic Art, um quarteto, reuniu a nata dos compositores da época, como Michel Portal, Vinko Globokar, o argentino Carlos Roqué Alsina, e Jean-Pierre Drouet. Iskra 1903, trio formado em 1970, foi tendo diferentes line-ups nas décadas subsequentes. Correspondeu ao convite da casa de discos alemã com a sua formação original - Derek Bailey, Barry Guy e Paul Rutherford. Finalmente, Wired, quarteto germânico composto por Mike Ranta, Karl-Heinz Böttner, Mike Lewis e Conny Plank. Três em um de três em pipa.



Fundado em 1972, o Schlippenbach Trio editou logo nesse ano uma obra-prima da música improvisada, Pakistani Pomade (FMP). A seguir, e durante um relativamente longo período, o trio passou a quarteto com a adição alternada de dois contrabaixistas: Peter Kowald e Alan Silva. Foi a época de Three Nails Left (FMP, 1974) e de The Hidden Peak (FMP, 1977), com Kowald; e de Das Hohe Lied (Po Torch, 1981) e Anticlockwise (FMP, 1982), com Alan Silva. De volta à formação original, posto termo ao interregno com contrabaixista, o trio gravou este Detto Fra di Noi (Po Torch, 1982), a 21 de Junho de 1981, no Teatro Verdi, em Pisa, Itália - um regresso mais que feliz à pura forma do triângulo. Seguiu-se uma década ininterrupta de participações em concertos e festivais, até à gravação de um dos escassos discos de estúdio, Elf Bagatellen (1990), de um novo live, Physics (1991), seguido de outros dois ao vivo, Complete Combustion (1998) e o duplo CD Swinging the BIM (1998), a somar à participação em 2X3=5 (1999). Detto Fra di Noi inscreve-se nesta linha de continuidade de grandes discos ao vivo, o elemento por excelência da sua expressão estética, o meio ideal para afirmar o universo da criação espontânea de uma das mais importantes formações da livre-improvisação europeia - o Schlippenbach Trio.

Finalmente. Sun Ra and his Astro Infinity Arkestra, Strange Strings (1966). Lançamento conjunto da Atavistic com a El Saturn Records. Sun Ra, Marshall Allen, Danny Davis, John Gilmore, Pat Patrick, Robert Cummings, Ali Hassan, Carl Nimrod, Ronnie Boykins, James Jacson, Clifford Jarvis e Art Jenkins. "...all this considered, Strange Strings, the culmination of all Sun Ra’s string studies, is without doubt one of Sun Ra’s master works. Strange Strings, standing squarely alongside Sun Ra’s other epics of the mid 1960s, Atlantis and Magic City, absolutely shines as his most painterly of expositions in its surface richness and play with deep space and coloration. He has offered no world more strange than this in his entire output as a composer and orchestrator. These explorations are only hinted at in scattered moments on other recordings from this period. The full exercise of his very original and very imaginative powers as musical adventurer and visionary bursts forth in the masterful cosmic clattering of Strange Strings." - Hal Rammel, 2006

Sei Miguel, Fala Mariam, Pedro Lourenço e César Burago
Teatro-Estúdio Mário Viegas (foto: Cristina Cortez)

O Lisbon Underground Music Ensemble (LUME) actuou ontem, sábado12 de Maio, na Festa do Jazz do S. Luiz, em Lisboa. A música do LUME é interessante, as composições de Marco Barroso são bem confeccionadas, conseguem uma hábil mistura de estilos que se cruzam numa linguagem eclética, que fala jazz, erudita, pop, latina e outros dialectos de permeio. Os músicos, 15 ao todo, tocam muito bem, os naipes estão bem organizados, houve solos para muitos gostos, com destaque para Arens, Lála, Menezes, Reis e Moreira. Mas, há qualquer coisa que, colectivamente, falha ainda na transposição do papel para o palco. Demasiada rigidez, excesso de navegação à vista, alguma quebra de fluidez e falta de ligação nas passagens do groove para as partes próximas da escrita contemporânea erudita, por exemplo. Sente-se o colectivo ainda bastante preso à leitura, tudo muito penteado, abotoado e arrumadinho. Falta um pouco mais de “desorganização” e de fantasia, poesia e alma – aquilo que não se ensina nas escolas de música. Não chega o bom comportamento e a competência técnica para criar música arrebatadora, que deixe o ouvinte extasiado, em que se sinta vida pulsante. Boa música, ao do LUME, poderia ter soado muito melhor, porque o potencial está todo ali, ainda por explorar. Basta começar por arriscar um pouco mais e tudo mudará. Para melhor.
Marco Barroso – piano, direcção e composição; Manuel Luís Cochofel – flauta; Rui Travasso – clarinete; Jorge Reis, João Pedro Silva, José Menezes, Rita Nunes – saxofones; Jorge Almeida, João Moreira, Pedro Monteiro – trompetes; Eduardo Lála, Pedro Canhoto, Lars Arens – trombone; Miguel Amado – baixo eléctrico, contrabaixo; Pedro Silva – bateria, percussão.

Marc Ribot, entrevistado pela JamBands, fala sobre a música e sobre os processos de representação, sinais, conceitos e ideias que compõem a sua linguagem, fortemente personalizada.


Ken Vandermark e Pandelis Karayorgis, Foreground Music. O trabalho angular do pianista Karayorgis, em concomitância com os aspectos mais contemplativos da arte de Vandermark, em saxofones e clarinete. Gravado em Boston, em Janeiro de 2006. Acabou de sair na Okka Disk, de Chicago. A 26 de Abril, Ken Vandermark escrevia no seu diário: "So now I fly back to Europe, to start a tour with Powerhouse Sound, followed by a duo tour with Pandelis Karayorgis (we’ll have a new album out on Okka Disk in May, called, “Foreground Music”), followed by a tour with the Peter Brötzmann Chicago Tentet. After a gig in Germany on the 28th with Powerhouse I’ll have a few days off to catch up on some sleep". Outra sessão da Okka Disk a investigar com todo o carinho é a do quarteto de Brötzmann / McPhee / Kessler / Zerang, GUTS. No programa, duas pièces de résistance, Guts e Rising Spirits, gravadas ao vivo no Empty Bottle, em Chicago. Joe McPhee toca trompete e saxofones; Peter Brötzmann, saxofones alto tenor, tarogato e clarinete; Kent Kessler, contrabaixo; e Michael Zerang, bateria. Não me aproximei dele ainda, mas já ouço o troar ao longe. Barulhinho bom... tch... 

![[relativity.jpg]](http://1.bp.blogspot.com/_CBm6OYALHrc/RhMMmTfW8bI/AAAAAAAAAAc/LMzQYSey0BI/s1600/relativity.jpg)
Don Cherry, Relativity Suite (1973)
Don Cherry & The Jazz Composer's Orchestra - Tantra; 2. Mali Doussn'gouni; 3. Desireless; 4. The Queen Of Tung-Ting Lake; 5. Trans-Love Airways; 6. Infinite Gentleness; 7. March Of The Hobbits.

Sábado passado (5 de Maio), no âmbito do
Cheltenham Jazz Festival, actuou o
Ben Allison Quartet.
Ben Allison, contrabaixo;
Ron Horton, trompete;
Steve Cardenas, guitarra; e, substituindo Jeff Ballard, efectivo titular da bateria,
Gerald Cleaver (ocasionalmente, também funciona Michael Sarin). Em revista,
Cowboy Justice (Palmetto Records), disco do quarteto, editado o ano passado. O concerto do Ben Allison Quartet pode ser ouvido hoje e durante toda a semana que vem no
Jazz on 3, da
BBC Radio 3.

Are you Experienced - The Jimi Hendrix Experience (com Mitch Mitchell e Noel Redding). Primeiro disco de Jimi Hendrix (Seattle, 1942 - Londres, 1970), publicado em 12 de Maio de 1967, ano mágico, pico do psicadelismo. Produção de Chas Chandler, ex-baixista dos Animals. Seguiram-se, ainda em 1967, Axis: Bold as Love, e em 1968, Electric Ladyland, para acabar a primeira parte em grande. Sentar-se a gente, fazer uma e relax ... .
But first, are you experienced?
Uh-have you ever been experienced-uh?

A história conta-se em poucas palavras, e já circula ladina e veloz pela blogosfera: João Bonifácio, jornalista do Público, entrevistou o fadista Camané a 27 de Abríl último, para o suplemento Ípsilon, daquele jornal (capa com foto em grande plano do rosto do fadista), a propósito da anunciada interpretação de canções de Jacques Brel, Charles Aznavour e Sinatra, entre outros. De Brel, Camané interpretou "Ne Me Quitte Pas". Recordemos parte da letra da canção:
"Laisse-moi devenir/ L'ombre de ton ombre/ L'ombre de ta main/L'ombre de ton chien".
Comenta João Bonifácio: "É das canções de amor mais desesperadas que já alguém escreveu: «Deixa-me ser o ombro do teu cão…». Camané acrescenta: «Ele queria ser o ombro do cão dela porque queria estar ao pé dela, não queria que ela o deixasse. E nessa fase da canção existe o desespero: nem que seja uma mosca à tua volta, o ombro do teu cão, qualquer coisa, mas que eu possa estar ao pé de ti.» O ombro do teu cão?! Quer dizer: nem o jornalista Bonifácio nem o fadista Camané sabem que em Português "ombre" significa "sombra"! Nem cantor, nem jornalista, nem editor ... um mimo! Os versos «deixa-me ser a sombra da tua sombra/ a sombra da tua mão/ a sombra do teu cão», transformaram-se em «deixa-me ser o ombro do teu ombro/ o ombro da tua mão, o ombro do teu cão». O ombro do teu cão?! O jornalista Bonifácio não fez o trabalho de casa, não percebe patavina de francês, não consultou o dicionário e - pior! - não achou estranho que Brel, com aquela sua interpretação sofrida e pungente, estivesse a dizer uma patetice tão grande, como «deixa-me ser o ombro do teu cão». Por seu lado, o fadista Camané, interpreta uma canção sem se preocupar muito com o que está a cantar; para ele tanto lhe faz estar a cantar um poema soberbo, como um chorrilho de asneiras. Para ele, é tudo chinês (ou francês, tanto dá…) Já agora, por que não traduzir "Ne Me Quitte Pas" por "Não Me lixes, Pá!"? Rui Araújo, provedor dos leitores do Público, ainda viu mais... Moral da história: é a cultura, estúpido! Dá mesmo vontade de chorar no ombro de um cão... anda cá Bóbi.

Santy Molina produz e realiza, desde há vários anos, o viciante LA MONTAÑA RUSA. Para se ter uma ideia do interesse do programa, atente-se no que Santy nos propõe para esta semana, na edição 24. Entre outros acepipes sonoros, como a visita, a abrir, ao novo jazz galego do PABLO SEOANE TRÍO, com o jovem pianista Pablo Seone; Jose Ferro, contrabaixo, e Carlos López, bateria (belo disco de 2005, Falou, edição da Audia em 2006), passa três temas do AGUSTÍ FERNÁNDEZ QUARTET, grupo formado para homenagear Ornette Coleman. Com Agustí Fernández, piano, estão Liba Villavecchia, saxofones tenor e soprano; David Mengual, contrabaixo; e Jo Krause, bateria, às voltas com composições de Ornette: Mob Job, Latin Genetics, e Virgin Beauty. Temas de Lonely Woman: The Music Of Ornette Coleman (Taller de Músics, 2005), que o quarteto gravou em 2004. É mais que tempo de prestar a devida atenção ao extraordinário pianista maiorquino, radicado em Barcelona, que, salvo o erro, ainda não actuou em Lisboa à frente de grupos seus. Fernández, além dos projectos próprios que tem vindo a desenvolver desde há 20 anos, tem acompanhado a nata da improvisação euro-americana contemporânea, em duos, trios (extraordinário aquele com Susie Ibarra e William Parker, gravado na Fundação Joan Miró) e outras formações mais alargadas, como o Evan Parker Octet, o Electro-Acoustic Ensemble, ou a Barry Guy New Orchestra (que mais dizer do excelente Oort-Entropy, um dos discos que mais inspirados da BGNO). O programa fecha com o duo argentino EL SOSIAS - Los Hermanos Tornello, e com o XAVI DÍAZ JAZZ QUINTET. En hora buena, Santy!

(Setembro de 1973)
Ian Brighton (guitarra); Colin Wood (violoncelo); Frank Perry (percussão); Radu Malfatti (trombone, khene, bass recorder); Phil Wachsmann (violino).
Constellations of force (19.43), Remember the smell of earth when you were young (02.55), Cogito ergo slum (03.55), Almostmaybesometimesnever (01.45), Worsel centrum (06.45), Outer equilibrium together with inner tension (05.01).



Joachim Kühn, pianista alemão (1944, Leipzig). Em 1969, com uma formação eclética, recrutada entre a fina-flor que no Velho Continente ia despontando investida no poder de alterar o estado de coisas, o grande Kühn explorava aspectos free do jazz, combinados com groove, soul e outros sinais identitários do jazz de finais de 60, com influências norte-americanas e europeias, sobretudo. Bold Music é o disco em que confessadamente J. K. procurou libertar-se das principais marcas da sua formação como pianista de jazz, para abraçar o conceito da liberdade plena, a caminho da improvisação total. Joachim Kühn em piano, saxofone alto, antilope-horn, shenai, sinos, gongs e voz, com Jean François Jenny-Clarke, contrabaixo e violoncelo, Jacques Thollot, percussão, e Stu Martin, bateria e percussão. Gravação de Junho de 1969, um ano de grande ressaca. Editado em LP, apenas se encontra hoje disponível em CD via MPS (Musik Produktion Schwarzwald) japonesa. Pois, claro. Dizer que o disco é interessante acaba por ser muito curto. Tal como a própria persona himself. "No prroblem, I zu ziz all ze time", dizia-me ele uma noite, quando lhe fazia ver que eu não estava em condições de conduzir o automóvel em tal estado gasoso. Mas atentai por breves momentos nas pertinentes palavras de Herr Kühn, que as escreveu para acompanhar o LP de que se fala:
"I still remember how I used to play in East Germany - in Leipzig, Dresden, East Berlin - and how I was influenced by Horace Silver, Red Garland, Bobby Timmons, McCoy Tyner, and all the others, until one day, I said to myself: all I do is copy others - and then I really started to work on becoming free inside, to find my own style. I also remember a night in Potsdam, East Germany with my old trio, towards the end of 1964, when we came to the conclusion that we couldn't go on like this any more, you know, nothing but long solos on old standards and chord changes. Of course we were completely isolated in East Germany then. I had only contacts with Poland, where we used to play the Warsaw Festivals, and with Czechoslovakia, but the musicians there, too, were still far from playing free. The first time I heard Cecil Taylor was when I came to the West. When I began to play more freely I still had the musical conception that compositions should be played more or less predetermined. Today, I feel that everything is happening in music should develop naturally. You don't have to give musicians the same old instructions. On this record four musicians of outstanding individuality have come together - and each should go his own way - yet, in the end, we all arrive at the same point. This, for me, is the great attraction of playing together with others in a group. For these reasons I am against playing the theme and then starting to improvise, the way it used to be. If the piece is based on a theme, it can be sufficient to state it at the end - as the goal towards which we were all playing. As to the improvisation, it is important to get into it without influences, uninfluenced even by a theme: Total improvisation. Total music. This doesn't apply only to a small group, like my quartet, but to big bands as well". - Joachim Kühn

The Joachim Kühn Group circa 1969

"Com a intenção de fazer música de qualidade, independente de rótulos, o duo Chá pra Dois foi criado em março de 2005 a partir das idéias em comum de duas pessoas que acabavam de se conhecer. Para saber o que é este chá, coloque no palco um piano temperado por influências jazzísticas e de blues ao lado de uma voz com personalidade rara e marcante. O resultado esperado é o envolvimento do público com uma sonoridade acústica muito além dos recursos eletrônicos utilizados atualmente. Ao criar novos arranjos sobre composições da MPB, o Duo traz o lado ainda não conhecido, ou pouco difundido de compositores como Chico Buarque, Zeca Baleiro, Adriana Calcanhoto, Zélia Duncan e Rita Lee, além de temas do Jazz, Blues, Soul e Pop Rock. O que se ouve é pura alma musical, que agrada aos ouvidos mais exigentes. E não se surpreenda se nas apresentações oubir um contrabaixo e uma bateria acompanhando o Duo, que transforma-se em quarteto, ou "bigband", dependendo do público e do local.
O Chá pra Dois traz em cada espetáculo diferentes sensações aos ouvintes, que quando bebem dessa infusão logo sentem-se tomados pelos ingredientes musicais e pelo carisma que Arturo Dinardo e Wendy Maria carregam em suas canecas de chá, sempre que sobem ao palco". - Carla Von Kossel
Improvised Music - New York 1981
Derek Bailey_guitarra
Fred Frith_guitarra
Sonny Sharrock_guitarra
John Zorn_saxofone
Bill Laswell_baixo
Charles K. Noyes_percussão
The Kitchen, NYC, 18 de Setembro de 1981.
(MU Works Records)

Terça 8 (logo à noite), Martial Solal & Dave Douglas na Culturgest, em Lisboa.

O segundo desdobramento de James Murphy sob a designação LCD Soundsystem, Sound of Silver, desenvolve aquilo que já fizera no primeiro e homónimo disco. Murphy sabe piratear estilos e influências como ninguém nestes tempos mais recentes, servindo-se de um enorme catálogo de influências para escrever excelentes canções pop que são muito mais que um mostruário feito de colagem oportunista. Se nelas se reconhece muita da melhor música pop dos últimos 30 anos, também é verdade que James Murphy acrescenta o seu cunho pessoal de song writer e um toque de síntese pós-moderna que lhe cai a matar. É Nova Iorque em 2007. Citam-se frequentemente influências de David Bowie, Kraftwerk e o rock alemão, space rock e outras. Sim, sobretudo de muitas outras, como o punk novaiorquino, o disco, o electro, o funk e por aí adiante. O disco é bom que se farta, mesmo quando fraqueja um pouco aqui e ali, e tem canções daquelas que se ouvem em repeat até nunca mais cansar, sem rodriguinhos nem falsas peneiras. Someone Great é exemplo da melhor extracção Murphy. Felizmente não é o único grande momento, mas é bem representativo do sistema LCD. James Murphy vai actuar em Lisboa, no festival Super Bock Super Rock deste ano, a 4 de Julho. A não perder, of course.

Ciclo de concertos do Luís Lopes HUMANIZATION Quartet, de Maio a Junho p.f. - Luís Lopes (guitarra); Rodrigo Amado (saxofone tenor); Aaron González (contrabaixo); e Stefan González (bateria).
O HUMANIZATION 4TET é um jazz combo orgânico, luso-americano, que junta dois músicos portugueses, o guitarrista Luís Lopes e o saxofonista Rodrigo Amado, a dois músicos norte-americanos, Aaron e Stefan Gonzalez, respectivamente contrabaixista e baterista, filhos do trompetista Dennis González. São quatro músicos oriundos do jazz e da música improvisada com percursos que não dispensam a passagem pelos mais variados estilos musicais como o rock/pop, o blues, o hip-hop e o punk. O grupo apresenta seis composições de Luís Lopes cunhadas pela interacção triangular de Performers – Composição – Improvisação, criando uma textura densa e homogénea que constrói/desconstrói o(s) jazz(es) obedecendo a uma estética de música criativa universal como forma de expressão artística. Em suma, o Jazz sempre presente como matriz e fonte estética, universalista, aberto a tudo e grávido de futuro. A ouvir...
Dennis González estará brevemente em Lisboa para duas sessões de gravação, uma com o pianista João Paulo, para a Clean Feed, e outra com o saxofonista Rodrigo Amado, para a European Echoes.

"Issue 11 commemorates the passing of Andrew Hill with an appreciation by Richard Davis, who played bass on the pianist’s classic Blue Note albums. Issue 11 also features excerpts from two must-read books: Andy Hamilton’s Lee Konitz: Conversations on the Improviser's Art (The University of Michigan Press); and the paperback edition of Michelle Mercer’s Footprints: The Life and Work of Wayne Shorter (Jeremy P. Tarcher/Penguin). PoD’s columnists ruminate on a wide variety of topics. Art Lange revisits the work of Il Gruppo di Improvvisazione Nuova Consonanza, one of the most original and overlooked improvising ensembles of the 1960s. Francesco Martinelli details the evolution of jazz and improvised music in the great crossroads that is Istanbul. Brian Morton recounts a late winter sojourn to a frozen outpost to hear the best in Swedish jazz. The US scene is the subject of this issue’s What’s New? roundtable with trumpeter Lewis Barnes, producer Willard Jenkins, guitarist Joe Morris, and educator Lawrence Simpson.
A dozen recommended CDs are reviewed in Moment’s Notice including Anthony Braxton’s mammoth 9 CD+DVD box set, 9 Compositions (Iridium) 2006 (Firehouse 12), Chicago Underground Trio’s Chronicle (Delmark), and David Torn’s Prezens (ECM).
If that’s not enough, the Free Jazz contest offers readers the chance to win real prizes. Readers will have the opportunity to win, courtesy of Jeremy P. Tarcher / Penguin, one of three author-autographed copies of Footprints: The Life and Work of Wayne Shorter".


LISBON IMPROVISATION PLAYERS w/ Dennis González
Os Lisbon Improvisation Players (LIP), de Rodrigo Amado, participaram na 10ª Edição do Festival de Valado dos Frades, a 20 de Abril passado. Uma actuação tórrida, por vezes a fazer lembrar o balanço funk de Dogon A. D., de Julius Hemphill... . No J&A, dois temas (20 minutos bem medidos) do primeiro set. Cortesia do LIP, de Dennis González, que me mandou os links, e de Abdul Moimême (Free Music), que alojou os ficheiros.
LIP - Festival de Valado dos Frades, 19.04.2007 (Fotos: A. Moimême)

Em 2003, o trio
Parker/Guy/Lytton tinha previsto realizar uma extensa digressão americana, com mais de duas dezenas de concertos em cidades como Boston, Chicago, Ann Arbor, New Orleans, Houston, Austin, Albuquerque, Tucson, San Diego, Nova Iorque e por aí fora, num total de 16 cidades. A certa altura, por indisponibilidade do contrabaixista
Barry Guy, Evan Parker viu-se na necessidade de o substituir à última da hora por
Alexander von Schlippenbach, que por sorte estava disponível. A designação do grupo passou então a ser
Evan Parker Trio. Diferente da formação do
Alexander von Schlippenbach Trio, com
Evan Parker e
Paul Lovens. Quem conhece a equação de 2 x 3 = 5, sabe que ela significa que os dois trios são formados por aqueles 5 músicos, sendo que o denominador comum a ambos é o próprio Mr. Parker. Já não sei como me veio parar à mão, mas nos meus arquivos fui encontrar a gravação do segundo
set (segundo dia) do concerto do
Evan Parker Trio em Nova Iorque, no ora defunto
TONIC. São 68 minutos de cortar a respiração, em três longas improvisações não tituladas, de 33'54, 11'54 e 22'40, respectivamente.
Evan Parker, saxofones tenor e soprano;
Alex von Schlippenbach, piano;
Paul Lytton, bateria e percussão.
Especialmente recomendável a quem se interesse por improvisação livre da mais intensa. A gravação, sendo amadora e não editada, tem um som muito mais que razoável. Uma pérola.

Em 1964, Ted Curson e Bill Barron despediam-se de Eric Dolphy (1928-1964) em lágrimas. Logo a seguir, ainda quente, gravavam Tears for Dolphy (Black Lion), disco inspirado na memória do mestre, solidamente estruturado nos avanços estéticos que Dolphy havia deixado aos seus pares e amigos. Por outro lado, Quicksand e Tears for Dolphy são dois dos momentos mais ornettianamente depurados. A diversidade estilística acentua-se com o acrescento duns pozinhos de Mingus e de Coltrane. Ted Curson, trompete; Bill Barron, tenor e clarinete; Herb Bushler, contrabaixo; e Dick Berk, bateria, comunicam entre si numa linguagem de síntese. Estas lágrimas são também um documento importante para analisar e compreender o que se passava em meados da década de 60 e o modo como discretamente se perspectivavam as movimentações seguintes.

A Binaural apresenta:
Digressão do performer norte-americano Arrington de Dionyso, um dos improvisadores mais ecléticos da nova geração, numa mistura explosiva de canto gutural, clarinete baixo e harpa de boca, e que tem vindo a obter rasgados elogios um pouco por toda a parte onde tem actuado (EUA, Canadá, Itália, França, Israel, Japão, etc.).
- 9 Maio, 21h45 - Barcelos, Auditório da Biblioteca Municipal
- 10 Maio, 21h00 - Casa de Arriba (Vigo, Espanha)
- 11 Maio, 23h00 - Pinguim Café, Porto
- 16 Maio, 19h00 - Trem Azul, Lisboa
- 18 Maio, 22h00 - ZDB, Lisboa.

Eternal Rhythm / Don Cherry (MPS)
Don Cherry, Albert Mangelsdorff, Eje Thelin, Bernt Rosengren, Sonny Sharrock, Karl Berger, Joachim Kuhn, Arild Andersen, Jacques Thollot.
1. Eternal Rhythm Part 1; 2. Eternal Rhythm Part 2 - Novembro de 1968

Madrugadas e manhãs de domingo são uma festa na
Oxigénio. Funk, soul e r&r com apetite pelo jazz, principalmente. Vale a pena espreitar. Em
102.6 FM, para a Grande Lisboa, ou na
net.


Harry Miller's Isipingo, Which Way Now. A Cuneiform Records publicou este concerto gravado e emitido em 20 de Novembro de 1975 pela Radio Bremen (75 minutos). Harry Miller (1941-1983), contrabaixista sul-africano a residir em Londres a partir dos anos 60, co-fundador da editora Ogun Records e líder do Isipingo, falecido em 1983 num acidente de viação. No grupo, inspirado na prática do norte-americano Charles Mingus, e comungando da mesma linha estética da Brotherhood of Breath, de Chris McGregor, extraordinária máquina de afro-brit-jazz que emergiu dos Blue Notes, participavam o trombonista britânico Nick Evans, três sul-africanos, Mongezi Feza, trompete, Harry Miller e o baterista Louis Moholo. Mike Osborne, saxofone alto, e Keith Tippet, piano, preenchiam os lugares restantes. As notas de Francesco Martinelli põem em relevo a máxima importância da música de Harry Miller e do Isipingo no contexto do jazz britânico dos anos 70, apesar de apenas lhe serem conhecidos dois registos: este Which Way Now, de 1975, nunca antes editado, e Family Affair, disco de estúdio gravado em 1977. Which Way Now tem quatro peças, Family Affair, Children at Play, Eli's Song, e Which Way Now, a mais curta das quais tem 14'40.
Konrad Bauer - Helmut "Joe" Sachse - Uwe Kropinski - Johannes Bauer
(DoppelMoppel)

Free Jazz in der DDR 1950 - 2000

Ena! Bastou ter ficado desligado da máquina durante dois dias (fui num pé e vim no outro), para que se me atulhasse a caixa de correio com as sempre estimáveis mensagens do povo leitor, essa imensa mole (nem sempre mole) que, nuns casos, pontualmente assume identidade pessoal, noutros se esconde atrás de nicks, uns mais foleiros que outros, para tentar a sua sorte. O melhor de tudo é saber que a dedicação e o amor à arte que ponho na confecção e manufactura têm algum impacto junto da rapaziada, que, animada de paus, pedras, ou de flores, se atira ao desbragado libertar do que lhe vai no mais fundo de suas almas (de)penadas. E é um desfiar entrelaçado de imprecações, insultos, elogios, apoios, "forcinhas", verberações, impropérios vários, berlaitadas e cócegas no ego do escriba, qual delas a mais veemente. Assim é que é! Exemplos breves, para não ser fastidioso: desde o “não percebes nada disto” (o que será “isto”?, e “aquilo”?; seja o que for, não percebo), “tens mas é a mania” (as manias, provavelmente); “ouviste a discoteca básica e pensas que já sabes alguma coisa” (acho que nem a básica ouvi, pelo menos a julgar pelo padrão do Penguin), ao estimulante epíteto de “crítico medíocre” (mais medíocre do que crítico, leia-se), é um desfiar de mensagens simpáticas, que incluem pérolas como “vai mas é dar lições pró caralho” (não sei é se ele estaria interessado nisso, nem que lições lhe poderia eu dar); “aposto que não sabes tocar qualquer instrumento” (aí é que te enganas, já perdeste, pá!); “crítico frustrado” (adaptando o que já disse atrás, mais frustrado que crítico), “vai-te fuder (sic) mais a Conversa” (não sei como é que se pode conseguir tal desiderato, pois não conheço a dita moça, e “fuder” é com “o”; mas também pode ser com “u”, variante não desprezível); “qualquer merdas faz um blog” (e se não for “merdas”, também, digo eu). E os também encorajantes “thanks, eduardo, you keep us going” (não sei como nem para onde, não faças tanta confiança, broda); “pô, quanta música rara!” (raramente se repara nisto); ou o mavioso “obrigado, estou a aprender imenso” (só poderia vir de uma menina, que os gajos não chegam lá, está visto, atiram mais para o reles e/ou o ordinareco); e outra menina: “baixei tudo e tô viajando” (boas viagens com tudo baixado, desejo eu); ou ainda “eduardo, você é de Portugal?, eu amo Portugal!” (sou, sou, e às vezes também amo); ou, “onde é que se arranja tempo para fazer um blog assim?” (uma perplexidade que compartilho, mesmo que o “assim” tanto possa querer dizer coisas boas como outras). Mas o melhor destes animados festejos da paróquia e do resto do mundo (sim, recebi algo em japonês, em coreano – suponho –, em turco e não me lembro que mais, finlandês, sueco ou lá perto), o suco da barbatana, que suplanta quaisquer barbaridades em vernáculo europeu do mais diversificado que encontrar se pode – o melhor, dizia eu, foi ter deparado com um e-mail que dizia que a minha escrita tem “qualquer coisa de erótico, de estimulante...” (assim mesmo, com reticências e tudo). É lá... confesso a meia surpresa. É que esta foi a segunda vez que alguém mencionou algo assim a propósito da escrita apressada do blog. Caramba, estou quase convencido desta, até há meses, insuspeita capacidade de infundir novas e porventura interessantes possibilidades de improvisação... Mudando de assunto, o mais revisitado na jornada foi WHICH WAY NOW, do Harry Miller’s Isipingo, discaço que dá p’os peitos a um cavalo e que não me canso de recomendar a toda a gente com ouvidos. Edição recente da Cuneiform Records.

Circle: CIRCULUS (1970)
1. Quartet Piece No. 1 (collective) [16:13]
2. Quartet Piece No. 2 (collective) [17:33]
3. Quartet Piece No. 3 (collective) [12:25]
4. Percussion Piece (collective) [5:52]

Chick Corea, Anthony Braxton, Dave Holland e Barry Altschul

Sonny Sharrock - Black Woman (Vortex, 1969)
Nova Iorque, 1969. Sonny Sharrock, guitarra eléctrica; Dave Burrell, piano; Teddy Daniel, trompete; a esposa Linda Sharrock, voz; e Milford Graves, bateria. Para a Wire, one of the 100 records that set the world on fire. Pois...

From The River To The Ocean (Thrill Jockey). Distribuição lusa pela mão da Dwitza!
![[ring1016.gif]](http://4.bp.blogspot.com/_HD1vYXdZ6Bk/RjGX_tqWGqI/AAAAAAAAABI/YSRopTxQ2oM/s1600/ring1016.gif)
Evan Parker & Paul Lytton Duo - RA
RA 1 (18.51); RA 2 (19.40)
Evan Parker: saxofones tenor e soprano; Paul Lytton: percussão e electrónica
Gravado no V International New Jazz Festival, Moers (Alemanha), 6.6.1976
Ring Records / Moers Music

Recente, na Delmark Records, de Chicago, Ethnic Heritage Ensemble, Hot 'n' Heavy: Live At The Ascension Loft - Kahil El'Zabar, bateria, percussão, kalimba; Corey Wilkes, trompete, flugelhorn, percussão; Ernest Dawkins, saxofones alto e tenor, percussão; Fareed Haque, guitarras.
Bill Evans Trio - My Foolish Heart
The night is like a lovely tune, beware my foolish heart!
How white the ever constant moon, take care, my foolish heart!
There's a line between love and fascination,
That's hard to see on an evening such as this,
For they give the very same sensation.
When you are lost in the passion of a kiss.
Your lips are much too close to mine, beware my foolish heart!
But should our eager lips combine, then let the fire start.
For this time it isn't fascination, or a dream that will fade and fall apart,
It's love this time, it's love, my foolish heart!

Clifford Allen, Jon Dale, Nate Dorward, Lawrence English, John Gill, Guy Livingston, Massimo Ricci e Dan Warburton, em mais um número da Paris Transatlantic Magazine - Maio de 2007.
Editorial
In Concert: Orgelpark / Anthony Braxton
Reissue This: Gunnar Lindquist GL Unit
In Concert: i and e Festival, Dublin
On Public Eyesore: J. Castro / A. Denio / B. Horist & Marron / E. Hay & M. Fernandes
POST ROCK: Walter & Sabrina / Circle / Valet / The Need For A Crossing / Xedh
JAZZ & IMPROV: Scott Fields / La Pieuvre / Spontaneous Music Ensemble / ZMF Trio
Cold Bleak Heat / Charles Cohen & Ed Wilcox / Eagle Keys / Graham Collier / Graham Halliwell & Tomas Korber / Malcolm Goldstein & Barre Phillips / Rafael Toral
CONTEMPORARY: Alvin Lucier / Rhys Chatham / Toru Takemitsu / Jim O'Rourke
ELECTRONICA: Maurizio Bianchi / Mark Templeton / Ezekiel Honig / Matt Shoemaker / Andrew Chalk / Organ Eye / Phillip Pietruschka / On / Raglani

All About Jazz / New York, edição de Maio de 2007: Na capa, Muhal Richard Abrams (The Advancement of Creative Music). Lá dentro, além de um trabalho sobre o grande pianista de Chicago, desde 1975 radicado em Nova Iorque, há textos sobre Jimmy Cobb, Marcus Rojas, Junior Cook, Alvin Batiste, Black Saint / Soul Note, e sobre o Center for Improvisational Music. Recensões críticas de 70 discos, e bué mais.

Anthony Braxton / Derek Bailey
ROYAL Volume 1 (Incus)
Opening (26.41); Closing (16.13)


Derek Bailey - Company
Company 1: Derek Bailey, guitarra; Maarten Altena, contrabaixo; Tristan Honsinger, violoncelo; Evan Parker, saxofones. Londres, 9.5.76 - Company 2: Derek Bailey, guitarra; Anthony Braxton, sopros; Evan Parker, saxofones. Londres, 22.8.76 - Company 3: Derek Bailey, guitarra; Han Bennink, bateria. Londres, 9.9.76 - Company 4: Derek Bailey, guitarra; Steve Lacy, saxofone soprano. Londres, 11.11.76. 


Gesprächsfetzen
Modernes Theater München, Munique, Alemanha
20 de Setembro de 1968
[Calig-Verlag Records]
1. Exhibit A [2:55] (Marion Brown)
2. Gesprächsfetzen [15:00] (Marion Brown)
3. Babudah [7:30] (Steve McCall)
4. Tomorrow Is The Beginning Of The End Of Yesterday [3:20] (Gunter Hampel)
5. Aba [6:30] (Marion Brown)
Marion Brown (saxofone alto)
Gunter Hampel (vibrafone, clarinete baixo)
Ambrose Jackson (trompete)
Buschi Niebergall (contrabaixo)
Steve McCall (bateria)


Novas edições na Important Records: Smegma, Asa Irons & Swaan Miller, Pauline Oliveros, Merzbow & Carlos Giffoni ...

THE ASSOCIATION FOR THE ADVANCEMENT OF CREATIVE MUSICIANS
NEW YORK CITY CHAPTER
AACM - NYC
PRESENTS
FRIDAY, MAY 11, 2007 at 8:00 PM
THE MUSIC OF MUHAL RICHARD ABRAMS
THE MUHAL RICHARD ABRAMS DUO
BRANDON ROSS (Guitar)
MUHAL RICHARD ABRAMS (Piano)
THE MUHAL RICHARD ABRAMS QUARTET
AARON STEWART (Saxophone)
BRAD JONES (Bass)
TYSHAWN SOREY (Drums)
MUHAL RICHARD ABRAMS (Piano)
* * * THE COMMUNITY CHURCH OF NEW YORK * * *
40 EAST 35TH STREET, NYC