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31.1.07
 

A Sachimay Interventions, subsidiária da Sachimay Records, vocacionada para o vasto universo que relaciona música improvisada e composição contemporânea, dedica-se à edição exclusiva em CDR numa lógica de produção artesanal feita pelos próprios artistas, que também assinam as capas numeradas (de 1 a 31, actualmente). Os discos são vendidos a US$ 5 a unidade, mais portes de envio. Estão disponíveis trabalhos de Ricardo Arias (USA), The Bunda Love Quartet (USA), Greg Burrows (USA), Cake of Honey (USA), Barry Chabala (USA), Chainworks (USA), Ed Chang & Han Degc (USA), DC Improvisers Collective (USA), Dan DeChellis (USA), Den&Breadfast (Italy), Robert Gellman (USA), Greenstreet (USA), Richard Gross (USA), Matt Hannafin (USA), Jeffrey Lependorf (USA), Steve Lofkin (UK), Little Ricky's House of Chankletas (USA), Brian Moran (USA), Ravi Padmanabha (USA), Kelly Pratt (USA), Motoko Shimizu (USA), Doug Theriault & David Chandler (USA), Tomchess & Kanaiwa Takuma (USA), Chris Welcome (USA), Nate Wooley (USA), W.O.O. Mambo Mantis (USA) e Jack Wright & Reuben Radding (USA). Sairam agora dois novos títulos, Interventions #30 e #31. Guitar Sculptures, do guitarrista britânico Steve Lofkin, e Meme & Variations, do norte-americano e repetente DC Improvisers Collective.

Interventions #30: Steve Lofkin - Guitar Sculptures: Shimmering, gliss'ning, improvised solo guitar sculptures recorded between April and August 2003 -- ethereal, spacey, delicate, frantic, dark, longing, and haunting. "A return to solo playing on the back of disbanding an acoustic guitar/violin ensemble, this is a record of my initial pursuit to find an alternative to playing tunes. Instinctive soundscapes caught at the moment of creation. Some nice themes occasionally occurred and overdubs were added, pending on where the initial idea flowed. Recorded warts and all -- much to the dismay of my recording engineer buddy. A chance to trust the process -- and then, leave it alone. " Total time: 46:23.

Interventions #31: DC Improvisers Collective - Meme & Variations: Five aural views of a territory unfolding the textures and tropes of jazz improvisation, contemporary composition, and electronics. By turns meditative, agitated, cerebral, and plaintive, the ensemble's playing balances open formal structures with an associative sensibility to create a real-time transmutation of disparate musical elements into coherent wholes. Featuring Ben Azzara (drums & percussion), Daniel Barbiero (contrabass), Jonathan Matis (guitar, prepared guitar, electronics), and Mike Sebastian (tenor & soprano sax, bass clarinet). Total time: 57:08.

 
 

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Sun Ra & his Intergalactic Solar Orchestra: Space is the Place DVD (...), visto, bem ouvido e bem escrito por Digga, no imprescindível hit da breakz: "(...) – um Messias negro vindo do espaço apostado em elevar a sua comunidade pela música. E que música: Sun Ra foi um visionário, que veio do circuito tradicional de clubes (facto aliás evocado no filme) e ascendeu até um complexo e particular ponto onde fantasia cósmica, misticismo, egiptologia, disciplina e liberdade se combinaram numa música rica, estranha e de facto de outro mundo – o da cabeça do próprio Ra.Os astrónomos podem agora rever as notas e encolher o sistema solar, mas Sun Ra sabia que havia muito mais para lá de Plutão. E que havia muito mais para lá dos tradicionais conceitos de harmonia, melodia, tempo e ritmo. Para a música de Sun Ra não havia mapas, tal como para a sua história não existia guião".

 
 

CINC

 
30.1.07
 
Christopher Dell
Scott Fields Ensemble

Scott Fields - guitarra, composição; Alípio C Neto - saxofone tenor; Ben Stapp - tuba; João Lobo - bateria.

O que poderá resultar do encontro de um guitarrista e compositor de jazz interessado nas soluções harmónicas da música contemporânea, e designadamente no sistema “pós-tonal” de Stephen Dembski, o qual permite a formulação de uma música sucedânea do dodecafonismo, politonal por condição, com um saxofonista e compositor que inspira os seus conceitos na linguística e nas técnicas rítmicas da poesia? É difícil de prever, mas ficaremos a sabê-lo quando ouvirmos Scott Fields a tocar com o pernambucano tornado alfacinha Alípio Carvalho Neto, suportados ambos pela secção rítmica constituída pelo Californiano Ben Stapp (tuba) e pelo português João Lobo (bateria).
É com esta formação e com tais coordenadas que o músico americano actuará em Portugal, mas mais do que subjugar-nos com conceitos e processos, é de prever – dados os perfis dos músicos envolvidos – que a nossa rendição se deva à forte capacidade comunicacional de que vêm dando mostras, algo que, como se sabe, depende mais da pele do que do intelecto. Se o meio é a mensagem, como professava McLuhan, a expressão é a forma com que a ideia se apresenta, de tal forma que, na presença da sua realização, deixamos de nos preocupar com a parte da sua gestação. E no que respeita a expressão, é certo e sabido que esta depende inteiramente daquilo que os indivíduos são, passando pelas suas experiências de vida. Estas teve-as Fields quanto baste: na adolescência foi “spotter” de traficantes.

Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa - 02 de Fevereiro, 19h00

 
 

482 Music

 
 





Alípio C Neto, Ben Stapp, Alex Maguire & Mark Sanders
23.01.2007 - The Royal Northern College of Music, Manchester, UK

 
 

FreeNoise

 
 
Por voragem desmedida, por ter mais olhos que barriga, ser um consumidor compulsivo de discos (deixai-me dizer que estou francamente melhor, mesmo sem terapia especializada, auxiliado apenas por um suave cold turkey), há discos – e não são assim tão poucos – que mal entram em casa vão obedientemente ocupar o seu lugar na prateleira e aí repousar por vezes durante longos anos, até que uma mão redentora (neste caso, a minha) os recupere para a finalidade para que, em última análise, foram criados. Foi o que sucedeu com Floating Phantoms (o disco de estreia da alemã all Records, subsidiária da Free Music ProductionFMP), de Tony Oxley com o B.I.M.P. Quartet, que estava a dormir o sono dos justos há pelo menos cinco anos.
Não sei como soava quando foi produzido, mas quero crer que este é como um bom vinho, que ganha qualidades com o passar do tempo, desde que preservado em boas condições. Gravado no Total Music Meeting de 1999, em Berlim, Floating Phantoms é constituído por cinco “lines”: Line In, Line Out, On Line, Stream Line e Beam Line, peças improvisadas por Tony Oxley, percussão; Phil Wachsmann, violino e electrónica; Pat Thomas, piano, e teclados electrónicos; e Matt Wand, samplagem – o denominado B.I.M.P. Quartet. Que nos contam estes quatro maduros, dois deles (Oxley e Wachsmann) mais maduros que os outros dois? Cinco histórias electroacústicas esteticamente balizadas entre dois pólos principais: a “tradição” da escola britânica de inícios de 70, confinada a aspectos que se poderão designar formais, e as mais recentes manifestações criativas, que usam o último grito digital para produzir sons electrónicos e processar em tempo real estes e os gerados pelos instrumentos acústicos – piano, percussão e violino. Daí que os estilos e as referências se misturem e (re)combinem momento a momento, com ênfase na criação de texturas e clusters subtis, que partem de diálogos e se alargam progressivamente para se tornarem conversas a quatro, à roda das estruturas que vão nascendo, geradas no seio do movimento policromático não linear. Floating Phantoms é um disco de fusão no sentido actual do termo, de bom resultado, que abarca aspectos relacionados com a improvisação livre, o jazz, a new music e a electrónica contemporânea. A capa reproduz uma composição de Tony Oxley, Score No. 4, gouache sobre papel.

 
29.1.07
 

It is essential to distinguish between music the sole purpose of which is to produce a uniform and deliberate effect, thus simulating a collective action of an intended kind, and music whose meaning is, in itself, expressing feelings, ideas, sensations, or experiences, and which, far from welding people into a homogenous mass with identical reactions, allows free play to individual subjective associations. - Ernst Fischer (Ars Nova Workshop)

 
 

Clinton em 1994 na datcha de Ieltsin, visivelmente divertido com o solo de Bill. Este pelo menos tocava saxofone tenor e haveria de trocar umas ideias com Lewisky. Bush nem isso.

 
 
Novidade é a saída na francesa Potlatch de um disco de piano solo do holandês Cor Fuhler, na senda da experimentação dos mestre John Cage e Alvin Lucier - o trabalho "dentro" do piano, modalidade habitualmente designada por "piano preparado". Fuhler usa os artefactos e utensílios que habitualmente se utilizam neste tipo de operações, de forma a estruturar o fluxo sonoro e organizar o espaço de um modo lógico e eficiente, para lá da habitual percepção que se tem do som de um piano acústico. Cor Fuhler - Stengam (Potlatch, 2006)

 
27.1.07
 

METROPOLIS, de Klaus Thiemann. Era trilingue e agora passou a tetralingue, ou lá como se diz. É que a colaboração com o Jazz e Arredores já começou e vai prosseguir. De Portugal já está publicado um "perfil" de Ernesto Rodrigues (em Inglês), além da disponibilização do catálogo completo da Creative Sources Recordings.

 
26.1.07
 

Billy Bang, ao vivo na mais recente edição do Vision Festival, em Nova Iorque. Com Billy Bang, violino, tocam o pianista Andrew Bemkey, o trompetista James Zollar, o contrabaixista Todd Nicholson, e o baterista Newman Taylor Baker. Música dos álbuns Vietnam: The Aftermath e Reflections, e um tributo a um dos seus mentores, Sun Ra. Na segunda parte, o pianista Uri Caine em recital de piano eléctrico Fender Rhodes, num percurso por material seu e pelos standards, como ‘Round Midnight e Honeysuckle Rose. Antes de desligar o botão, uma homenagem...a Billy Bang. No Jazz on 3 desta semana, a partir de hoje às 23h30 de Londres, e até à próxima sexta-feira.

 
 
MANIFESTO XXI
Jorge Lima Barreto

Situação da ideologia da música portuguesa de hoje – é como abrir o ovo ofegante do sapo, bola translúcida peganhenta institucional, fluido ranhoso conservatório e de escarro neo universitário premiado, a envolver um feto fétido clonado de sapinho star… propaganda mediática sine sapore, projecto anacoico condecorado.

Viva a nova música portuguesa viva!!!

DA MÚSICA PORTUGUESA DE HOJE

No que respeita à Música Portuguesa de Hoje, a inventio, o experimentalismo, as novas concepções tecnosociocomunicativas, i.e. a abertura a futuros horizontes, são preteridos e desviadas por técnicas mercantis espectaculares, subjugadas à ideologia museomórfica, ampliadas no regime de alienação cultural nos mass media, especialmente na TV, com quedas para o abismo perfunctório – sincronicamente há, no entanto, o imune duma maravilhosa criatividade interveniente e construtiva da História da Música Portuguesa (historicamente ilustrada por Carlos Seixas, Viana da Mota, Luís de Freitas Branco, Lopes Graça, Peixinho, Filipe Pires, Emmanuel Nunes, Emanuel Dimas Melo Pimenta, Pinho Vargas, J.P. Oliveira, Carlos Zíngaro, João Marques Carrilho, e.a.) ...
A Nova Música dos compositores, dos compositores-intérpretes e dos intérpretes portugueses é sufragada pelo poder dos musoburocratas e circunscrita aos arranjinhos dos operadores culturais.
Os laboratórios para a investigação electroacústica e cibernética da Música são inexistentes, ou tímidos e privados focos de resistência com pálida imagem económico-financeira, ilustres desconhecidos lá fora e esmolando alvíssaras cá dentro.
O Governo é o maior responsável pela afirmação da Cultura Portuguesa, o garante das suas identidade e independência; porém…a guerra esteticamente autofágica – alternativa entre os partidos políticos os e seus aliados de ocasião, ao ignorar o situacionismo da Música, é culpada da sua decadência; a política cultural, pontificada por um ministério intelectual e artisticamente irrelevante, sem saber, bombardeia e censura o livre devir da Arte dos Sons, com efeitos colaterais irreparáveis.
Muitos músicos, talentos da criação interarte e com provas dadas internacionalmente, apenas por estrita sobrevivência individual e/ou social, funcionalizam a sua actividade profissional ao gosto, na maior parte das vezes fútil, de encenadores, coreógrafos, cineastas ou capatazes do espectáculo; uma aventura alegadamente pósmoderna, limiar que põe em risco a autonomia da Arte .
Os aparelhos ideológicos votam a arte musical ao isolamento; a política do liberalismo, dita "cultural", elege em sórdidos escrutínios, a galhofa, a bricolagem e a falsa sumptuosidade; a parasitose empresarial e industrial, caucionada pelo Governo, exorciza a criatividade não rentável.
O projecto terrorista da globalização insinua-se nos médias (rádio, disco, TV) injectando subprodutos da propaganda audiovisual, reduz a música à sua própria publicidade, esbate-se o brio nacional; o rosário de genuflexões dos operadores culturais portugueses ao que é estrangeiro denuncia a eleição do aparato, desculpada pela gratificação do ego americanizado…
Uma estratégia tentacular consolida-se nos palanques da festa multinacional, no sururu dos lobbies, na aparência do regionalismo e do nacionalismo; obsoleta e alienada das verdadeiras necessidades dos músicos portugueses de hoje (compositores e/ou intérpretes), superintende pequenas prestações musicográficas, rede historicista e tarefeira ampliada em jornais, dicionários & outras publicações.
O rito das músicas planetárias é manipulado por uma teoria tecnocrática com laivos de mixórdia cultural – assim se passa na discoteca, altar da hipnose aeróbica, habitat da alienação, da demissão social e da megalomania do ego transviado.
Consequentemente, músicos e operadores culturais com espírito independente, que pretendem prosseguir na invenção tecnológica, na originalidade técnica e na genuinidade estética não encontram apoios económicos e afectivos, necessários à concretização da sua arte.
A cumplicidade de editores, divulgadores e organizadores dependentes dos senhores da banca e dos media, coisifica a arte musical portuguesa – faz-lhe um aceno hipócrita, mas, impõe em grande escala o consumismo compulsivo do pseudoartístico, destila a permanente inovação das músicas do mundo e a proliferação de encontros epifânicos da música portuguesa com as mais variadas tipologias, do salsa à electrónica… o reino da mescla.
A invenção musical é esganada pelos interesses das multinacionais do disco, na rádio e na TV, diluída no miasma da NET, e assombrada por uma obsoleta musicologia de gabinete, que decreta o desaparecimento da identidade da Música Portuguesa, como ousou sonegar os Lusíadas, Eça, … (fomenta uma falsa luta pelo tradicional, para gáudio capitalista no share de audiências; dispensa a preservação da espécie ou recupera-a como uma falácia, degradação cultural epitomisada no espectáculo: arremedos, plágios, regurgitações da Severa, Amália, Menano, Marceneiro, Zeca, Paredes…).
Subsidiam-se os observadores da criação musical ad lib – viagens, bolsas, salários chorudos para administradores, mais-valia das vedetas do corriqueiro, de descarada conotação politiqueira, comendas paródicas, e.a., sonegando a criatividade, a necessária interacção artística nacional e internacional. Os eventos musicais via TV na sua maioria não têm qualquer originalidade, são modelos, pacotes empresariais, ruminações estéticas, olhares retrospectivos, liberalismo licencioso a aparentar o erudito, o jornalismo musical (imprensa, rádio e TV) é na generalidade rebarbativo, traditor, comprometido no seu pequeno mundo de vaidade e interesse súbdito multinacional; a Música Portuguesa de Hoje é nas diversas vertentes mal protegida, tida como zona demarcada minoritária e sem rentabilidade; impondo-se o mercado estúpido de massa; a musicologia e a praxis estão minadas pela presunção e o pasmo, sobretudo cúmplices dum processo comercialóide.
Como alegadamente vivemos em democracia, o cantor de protesto, promiscuído no estocástico tacho, não encontra razões para resinar - berloque trasladado para a lufa-lufa do biscate nos media, de preferência com rhythm section do "jazz".
Os impostos (IRS, IVA , CIA, autárquicos, S.S., i.e. segurança social, a taxa sobre instrumentos, livros, discos, partituras, vídeos, e outras leviandades do fisco) pesam impiedosamente sobre os autores, músicos, cidadãos culturalmente produtivos que vivem o quotidiano – há a ter em máxima consideração as simples questões de alimentação, alojamento, acrescido dos custos nunca remunerados de trabalho criativo (e.g. compor, tocar, ensaiar, escrever, ler, estudar; adquirir hardware para o seu trabalho) – enquanto as vedetas da "estupidez em dó maior" (ápodo atribuído por Jorge Peixinho) e os seus padrinhos ostentam sumarentas contas bancárias, tipo lux-vivenda & chofer & iate & avioneta - pluma sintética de avestruz, surda cabeça enterrada na areia; embargo sem o mínimo conhecimento e/ou audição de música decente; idolatria de religião feiticista/peep show; o kitsch, o socialmente imoral e o artisticamente ignóbil.
A indústria da cultura aventada como um valor de troca capitalista visita as catacumbas do irrisório, no limiar da pornofonia; funcionaliza a música ad extremis, em passarela da moda, telenovela, talk show, ou decoração desportiva; esgar terceiro- mundista ressuma a catinga, faz-se vedeta virtual, mostra a face do senso comum, protege a aparência da criatividade; é papona e paranóica ao vomitar a música aparvalhada.
A ópera é para o contribuinte um dispendioso mamute que se destina ao yuppie e ao espavento bilheteiro e mecenático da classe média e/ou da pseudo-aristocrática, de consequência eruditona.
O conservatório reitera a conserva; a programação clássica espectacular é sectária, nivela o anódino e o genial; o catálogo confunde o simulacro com o ícone.

Comecemos pelo que nos é dado ouvir, em disco e/ou ao vivo:
Não querendo fazer uma compilação de questões de rescaldo do final do século anterior, pensamos ser oportuna uma pequena observação sobre o situacionismo da música em Portugal, especialmente referenciando a sua divulgação e o seu regime de criatividade.
O nível dos nossos festivais é no critério estético, deveras coerente tendo em conta a exiguidade de meios financeiros e estratégicos para o levantamento de acontecimentos culturais de tal monta. Concertos episódicos de artistas portugueses e internacionais magnificaram as programações de algumas instituições.
Vulgarmente, um discurso estereotipado é extrapolado por alegorias nacional-regionalistas, ou então miscelânea epigonal relativa à lusofonia, o dejá vu etno-promocional desfraldando a bandeira da "música portuguesa".

Sabemos muito bem que Portugal é a única nação europeia onde a Música não faz parte das disciplinas do ensino primário e secundário. Na escolástica, os tirocinantes são predestinados na generalidade dos casos à servidão na TV e escarrados na música ligeira; em departamentos da musicologia oficial, a criação é produto ideológico, conceito etnomusical espúrio, incumbência de aprendizes, tratado sem consciência estético-cultural, serve quando muito para preparar operadores e críticos nos media, sem grandes perspectivas neste campo praxiológica, histórico e sociomusical.
Em Portugal - na imprensa, na rádio e na TV, fundamentalmente nos espectáculos ao vivo – a divulgação da Música de Arte foi progressivamente massmediatizada e conheceu conspícuos produtores, independentemente da incontornável polémica.
Na imprensa há um punhado de críticos; uma bibliografia que é escassa.
A pedagogia é tepidamente administrada por alguns peripatéticos, mentores classicistas, neomodernistas e in extremis alegados vanguardistas; fulcros da perpetuação do conhecimento paralógico da música; o sentido persistente da educação e preparação de compositores e intérpretes – o Ministério da Cultura, que tem obrigação de apostar neste tópico musical não procede para favorecer o seu progresso, não implementa o curriculum interactivo internacional – pelo contrário dá alento à mais-valia pimba, contra-reforma piscando o olho à populaça e benzendo a corruptela "cultural" nos media.
Ignorando o Mundo da Música, exulta-se a infracultura; barbaridades género touros de morte, cumplicidade com assassinos de massa, TV Shows, sionismo, derrames de grude, mafia, rebarbativa mea culpa colonial, cóboiada, militarismo made in USA, logos piroso e terrorista, tonitruante míssil genocida.

A produção dos músicos portugueses é esteticamente irregular, com abrasonadas edições ao vivo ou em disco, despontou uma nova e generosa geração de compositores/intérpretes a qual sobrevive à míngua da institucionalização político-administrativa da música, nas sombras da mendicância e da incompreensão; o laudatório inter pares distrai a necessidade duma luta contínua pela Arte musical, impedida na sua sóciocomunicação, arredada pela mediocracia, enganada por estratégias meritocráticas, censurada pelo convencional e execrada na sua possibilidade de realização prática; sancionada estatalmente pelo alibi da exiguidade de meios financeiros, aventada por um regime cultural perdulário votado ao provinciano e à rememoração festivaleira de santinhos & 25 de Abril; no que respeita ao Jazz a classe política é uma fasquia vistosa da pequena burguesia populista a penhorar a "antiga senhora", sem fazer nada de melhor – safados musoarcanos, portas fechadas à criatividade musical num tempo inopinado – a acção de compositores, intérpretes e compositores/ intérpretes, (interarte, considerando a privilegiada relação da Música e a poesia portuguesa) – reivindica a Música Portuguesa Viva e o conceito prospectivo como Obra Aberta é um projecto futurista e triunfal.
Em Portugal, a Música está, como no título do filme de Pierre Brasseur, em "situação desesperada mas não grave" .
A Arte Musical está sempre avançada à artimanha política – a sua pluralidade espectacular e imaginária é a superação do senso comum totalitário e globalizante; utopista, realiza na própria beleza a verdadeira democracia; reúne todos os povos no prazer universal; inventa um enlevo dialéctico e sentimental com a tecnologia; dissipa qualquer preconceito racista, nacionalista ou imperialista – sobretudo, MÚSICA é significado de PAZ e AMOR. – JLB

 
 

Um dos discos que melhor impressão me causou em 2006 foi Frequency, título homónimo do novo quarteto do multi-instrumentista Ed Wilkerson (saxofone tenor, clarinete, flauta, percussão), da grande família que são os 8 Bold Souls; Nicole Mitchell (flautas, melódica, harpa egípcia, voz e saco de plástico), filha de Roscoe Mitchell; Harrison Bankhead (contrabaixo e violoncelo, flauta e percussão); e Avreeayl Ra (percussão e flautas) – gente com fortes ligações, directas ou indirectas à actual AACM e ao seu legado de 40 anos de actividade em prol dos músicos e da música improvisada que tem tido em Chicago um inestimável papel dinamizador e difusor. É nessa continuidade que se inscreve a música do Frequency, um passo mais em direcção ao futuro de uma música com profundas raízes no passado. Partindo dessa memória (Art Ensemble of Chicago, Sun Ra, Muhal Richard Abrams...), património no qual se estrutura, a música expande-se nas mais variadas e interessantes direcções, percorre caminhos do jazz, groove e world de modo inventivo, como que a fechar o círculo entre o presente, o passado e o que está para acontecer. O quarteto propõe numa sessão tributária do espírito e da forma dos velhos tempos da Delmark, recuperando memórias e injectando sangue novo num corpo que nos últimos 40 anos não cessou de se transformar. Respeito pela tradição e afirmação de progresso é o credo de Frequency. Edição da Thrill Jockey.

 
25.1.07
 

Passados os tempos revolucionários da juventude, Peter Kowald dedicou-se por inteiro ao cruzamento das várias linguagens da música improvisada a nível mundial. Em 2002, quando foi surpreendido pela visita da Velha Senhora, o contrabaixista trabalhava o projecto Global Village, formação variável, aqui em trio com Xu Feng Xia (ghuzeng, espécie de harpa chinesa) e Gunda Gottschalk (violino), alargado mediante convite a Otomo Yoshihide (electrónica), Jin Hi Kim (kamungo) e a Pamela Z. (voz e electrónica). Editado pela alemã free elephant, “the new label for improvised music”, que tem estado a lançar material inédito de Peter Kowald, bem como de outros artistas inspirados na postura artística e na atitude estética do grande improvisador alemão.


 
 

Sonoridades, Porto


 
 

As completas de Mingus em Paris, Outubro de 1970. Sessão de estúdio originalmente repartida por dois LPs da editora francesa America. Charles Mingus (contrabaixo), Jaki Byard (piano), Bobby Jones (saxofone tenor), Charles McPherson (saxofone alto), Eddie Preston (trompete) e Dannie Richmond (bateria). Para deixar ouvir grandes "clássicos" de Mingus, como Reincarnation of a Lovebird, Love is a Dangerous Necessity, Blue Bird, Pithecanthropus Erectus, Peggy's Blue Skylight. A edição é dupla e reparte-se entre as versões originalmente aprovadas para publicação e as alternativas que ficaram em arquivo. Charles Mingus In Paris, The Complete America Session (America/Emarcy).

 
24.1.07
 

Vinny, o grande Vinny Golia e o seu quinteto realizaram uma digressão pela Bélgica em Setembro de 2001, logo após o 11 de Setembro. A viagem foi registada e parcialmente publicada pela editora belga Jazz’halo, sob a forma de CD duplo. A música de One, Three, Two é formalmente aparentada às correntes mais ousadas do post-bop, aquela que mantém as melhores relações com a livre-improvisação. O catálogo está recheado de boas composições, com solos e extensões de improvisação colectiva, ângulos, arestas e rugosidades, amplas variações dinâmicas e súbitas mudanças de tempo (dir-se-ia que estes são "tempos difíceis", no melhor sentido da expressão e na linha nas noções trabalhadas por Anthony Braxton), apresentando uma leitura muito personalizada do swing. À vez, Vinny Golia sopra três flautas, três saxofones, clarinete e ocarina; Michael Pierre Vlatkovich, trombone (à última da hora substituiu o trompetista John Fumo); Scott Walton, contrabaixo, e os manos Cline (Nels e Alex, há 30 anos na companhia de Vinny...), em guitarra e bateria, respectivamente. One, Three, Two são 140 minutos do melhor Vinny Golia e companhia. Ao vivo, o que é raro poder-se ouvir, tanto em directo como em disco.

The compositions were picked and written specially for the instrumentation of this quintet. Originally John Fumo was to have played trumpet & flugelhorn on the tour but family obligations kept him at home, so at the last minute I changed the tunes and orchestration of the group. John’s replacement is almost always Mike Vlatkovich, a trombonist who I’ve been performing with since 1981. Come to think of it Scott Walton would be the newest member of the group clocking in at about 5 years. The Clines, Alex & Nels, I have been playing with since I met them in 1976, that’s a little more time than I care to think about. A quintet has been my touring unit since 1981; it’s a comfortable platform to explore composition, improvisation and orchestration. I wanted to bring tunes for the unit that had not been recorded and also to play tunes that would open up our sound yet still use a variety of instrumentation, as I had brought with me piccolo, C & alto flutes, sopranino, soprano and tenor saxophones also an A clarinet and an ocarina. Mike uses a fair amount of mutes (at my consistent prodding) so there are a myriad of colors at our disposal. So what I am getting to is that many of the compositions are new but some are from the older book but that’s not what is important. What is important is the interaction and exploration of the quintet and how the players improvise, using these compositions as a platform for artistic expression. - Vinny Golia

 
23.1.07
 

Alípio C Neto (saxofone tenor), Ben Stapp (tuba), Alex Maguire (piano) e Mark Sanders (bateria), gravam hoje (23) e amanhã, em Manchester, Inglaterra. Dia 25, Alípio C. Neto e Alex Maguire tocam ao vivo em Londres com músicos locais.

 
 

Trinta e seis anos medeiam entre a primeira aventura discográfica da Globe Unity Orchestra, uma big band de música livremente improvisada, dirigida por Alexander von Schlippenbach, e a mais próxima, Globe Unity Orchestra 2002, editada pela suiça Intakt Records, em 2003.
Muita coisa mudou entretanto, quer ao nível dos processos criativos, quer do enquadramento sócio‑político que marcou o espaço entre as duas edições. De 1966 a 1986, altura em que, simultaneamente se comemoram os 20 anos desta instituição da free music, e os 20 anos de existência da editora alemã FMP, de que Schlippenbach é co-fundador, a Orchestra trabalhou regularmente sem percalços de maior. A partir de 1986 sobreveio um longo hiato até à tão aguardada reunião em 2002, para um concerto ao vivo na Alemanha.
Comparando episódios, nota-se que a Globe Unity de hoje é mais controlada; ossos da veterania dos seus membros reincidentes, Manfred Schoof, Peter Brötzmann, Paul Rutherford, Evan Parker e Paul Lovens, aos quais se somam os estreantes – no que à GUO diz respeito, bem entendido – Ernst-Ludwig Petrowsky, Johannes Bauer e Paul Lytton.
Fiel à estratégia de sempre, Schlippenbach não fornece qualquer base escrita, regras ou sinalética específica para a criação musical. Tudo se passa segundo a velha regra da livre-improvisação Europeia, em que os músicos reagem colectiva e individualmente aos estímulos que se vão sucedendo no tempo e no espaço.
Simples acordes de piano iniciais são o mote para tudo o que de muito relevante se passa durante 74 minutos, com Schlippenbach a manter o controlo sobre as operações, mesmo quando Brötzmann ameaça fazer o comboio saltar dos carris. Uma jornada de cortar a respiração, tão intensa que deve ser fruída por partes e em audições repetidas, para se poder apreender toda a riqueza do pormenor. Radical como sempre foi, a Globe Unity Orchestra sopra um vento abrasador. Gravação ao vivo, de 19 de Janeiro de 2002, em Aachen, Alemanha.

Alexander von Schlippenbach, piano; Manfred Schoof, trompete, fliscórnio; Peter Brötzmann, sax tenor, tarogato; Evan Parker, saxes soprano e tenor; Ernst-Ludwig Petrowsky, sax alto; Paul Rutherford, trombone; Johannes Bauer, trombone; Paul Lovens, bateria; Paul Lytton, bateria.

 
 

Greenleaf Music's Third Paperback Series release is Nicole Mitchell / Harrison Bankhead / Hamid Drake, Indigo Trio, Live in Montreal. Recorded during a 2005 tour of Canada, this trio of stalwart, AACM inspired artists truly lays out a gem with this recording. These are three of Chicago's finest improvisors doing what they do best in front of an enthusiastic , festival audience. To say the least, Greenleaf Music is proud to have this recording in the catalog . Here's what Nicole Mitchell has to say about Indigo Trio, Live in Montreal: " This concert in Montreal was our first performance as a trio, although we've played together for many years. The music was recorded live at the Suoni per IL Popolo Festival on June 13, 2005. Hamid and Harrison have played together since they were fourteen, Harrison and I have worked together in Frequency with Ed Wilkerson since 2000, and Hamid has played and recorded over the years with my Black Earth Ensemble . Indigo Trio features the adventurous music of our friendship—connected, intuitive and playful.

 
22.1.07
 

John Shiurba 5X5 with Anthony Braxton: 1.2=A - John Shiurba, Anthony Braxton, Morgan Guberman, Greg Kelley e Gino Robair. E também Yellowcake - Jacob Lindsay, Scott Looney e Gino Robair. Novidades Rastascan? Sim.

 
 

Phalba (Ila: Multiplex); Chimanzzi (Variant); Cantegral Segment No. 19; e Chimanzzi (Olun) - quatro composições de Jerry Hunt (1943-1993), interpretadas e gravadas pelo Barton Workshop entre 2000 e 2003. Hunt, compositor norte-americano nascido em Waco, Texas. Pioneiro da electrónica em tempo real, trabalhou intensamente o piano, seu primeiro instrumento, investigou e experimentou com audio e video, a par da construção dos seus próprios instrumentos musicais. Hunt, rosacruciano, shaman e fundador da sua própria "igreja postal". Sob a influência de John Dee e de Aleister Crowley, dedicou-se a fundo ao esoterismo, cujas manifestações se fizeram sentir na sua música. Phalba (Ila: Multiplex), a primeira composição deste conjunto de quatro, é tocada como uma peça afim das instâncias da free music mais frenética e arrojada dos anos 60, composta para o Barton Workshop, pequeno ensemble originário da Holanda, nesta peça composto por flauta, trombone, violino e clarinete. A composição, que inclui aural scores à base de electrónica e amplificação, marca o passo mais acelerado de todo o disco. Segue-se Chimanzzi (Variant), a peça mais contemplativa e classizante do set (no que isso possa querer dizer quando se trata da música de Jerry Hunt), de tonalidades ora campestres, ora soturnas, escrita para viola e piano, e proporciona os mais suaves 22'55 de todo o disco. Cantegral Segment No. 19, para trombone, processamento electrónico e fita magnética, puxa pelo lado mais esotérico e ritualista de Jerry Hunt, sublinhado pela utilização de delay, o trombone a funcionar como um motor quase sempre em sopro contínuo, oscilante, tremeluzente. Mesmo com tão pouca matéria-prima, os 31'07 de Cantegral Segment No. 19 passam sem se dar por eles, tal a capacidade de ilusão que o compositor soube criar. A encerrar o ciclo, no que aparenta ser um retorno à primeira forma, embora menos acelerada, Chimanzzi (Olun), tema para clarinete, violino, flauta, violoncelo e trombone, em blocos tímbricos superiormente dispostos e organizados pelo Barton Workshop, na versão mais alargada de cinco instrumentistas. PHALBA, Jerry Hunt (Tzadik, 2004).

 
 

No Fun Fest 2007. Maio, 17 a 20. The Hook, Brooklyn (NYC)


 
 

Marc Copland

 
21.1.07
 
Na manhã de 5 de Junho de 2003, Matthew Sperry, contrabaixista de Seattle, residente desde 1999 em Oakland, Califórnia, deslocava-se de bicicleta para o trabalho, quando foi abalroado por uma pick-up. Do embate resultou a morte do artista. O seu desaparecimento prematuro e as circunstâncias em que ocorreu o acidente, causaram a maior consternação na comunidade e em particular na cena musical da Baía de S. Francisco, onde Sperry era considerado um músico de craveira e elevado potencial artístico. Matthew Sperry estudou e tocou com Wadada Leo Smith, Philip Gelb e Anthony Braxton, John Butcher, François Houle, John Shiurba, Gino Robair, Tom Waits, Jack Wright, David Byrne, o que dá uma ideia da abrangência estética e da versatilidade que lhe eram amplamente reconhecidas. Era bolseiro da Meet the Composer, da King County Arts Commission, e da Allied Arts Foundation; tinha recebido encomendas para composições da parte de diversos fundos e instituições durante os anos 90. Enfim, era um dos mais conceituados livre-improvisadores da sua geração. Lembro-me dele cada vez que ouço uma das melhores gravações que deixou: 12 Milagritos (Spool Music), com John Butcher e Gino Robair (Spool Records). John Butcher, muito mais do que alguém que se limita a expor toda a gama de possibilidades técnicas do saxofone, e a extender o que recebeu de Evan Parker, é uma das vozes mais originais do instrumento, nas modalidades tenor ou soprano, criador de uma linguagem personalizada e imediatamente identificável. Gino Robair e Matthew Sperry, dois dos maiores improvisadores da Costa Oeste, em sintonia com a estratégia do saxofonista, utilizam técnicas fora de comum, privilegiando a investigação sonora através do uso do arco e de uma vasta série de preparações. Juntos assinam 12 documentos tridemensionais, delicadas construções sonoras que não cessam de questionar o ouvinte. Na manhã de 5 de Junho de 2003 faltou acontecer o 13.º Milagrito.


 
 
FURT: Richard Barrett & Paul Obermayer, Dead or Alive. A electrónica em tempo real sob a forma de grandes telas abstractas pintadas com laptop, samplers e outras máquinas, em duas actuações distintas, uma em estúdio, a outra ao vivo: Mice (37'47) e Sad Fantasy (32'31). A primeira na Durham University, e a segunda na edição de 2002 do festival londrino Freedom of the City. Alusões várias ao mundo dos humanos sob a forma de ambientes naturais e artificiais, variações dinâmicas, texturas orgânicas e digitais, densidades variadas – sons electroacústicos sacados à natureza e ao mundo industrializado. All manner of swoops, glitches, crunches, splats, rasps, boings, crackles, wheezes, scratches, plonks, bumps, beeps, screeches, rumbles, growls, thuds, squeaks, groans, gurgles, pips, thwacks, plunks, whacks, buzzes and toots, como escreveu Dan Warburton a propósito da música do duo britânico, que já trabalha como tal há 20 anos. Psi Records, 2004.

 
 


Novidades de Janeiro

 
 

Katharina Klement

 
20.1.07
 

John Coltrane Quartet a tocar com paixão e intensidade no Half Note, Nova Iorque, em duas datas de Março e Maio de 1965. John Coltrane, McCoy Tyner, Jimmy Garrison e Elvin Jones. One Up, One Down, Afro Blue, Song Of Praise, My Favorite Things. One Down, One Up - Live At The Half Note, o bootleg que circulou clandestinamente durante anos e passou a "oficial" em 2005, na Impulse!.

 
 

A Soundbrush Records lança A NIGHT IN THE OLD MARKETPLACE, do trompetista norte-americano Frank London, conhecido por fazer parte de grupos importantes do klezmer, como The Klezmatics, Hasidic New Wave e os Klezmer Brass Allstars. Baseadas em textos do poema dramático de I. L. Peretz, Bay Nakht af dem Altn Mark (A Night at the Old Marketplace), adaptação e textos de Glen Berger, as composições desta folk-ópera de Frank Londo, levada à cena no The National Yiddish Theatre, combinam klezmer, jazz, clássica contemporânea, rock e outros géneros, incluindo sonoridades de cabaret que evocam a música de Kurt Weill e de Tom Waits. Participam no disco Manu Narayan (Broadway's Bombay Dreams), Lorin Sklamberg (The Klezmatics), They Might be Giants, Susan McKeown e Craig Wedren (Shudder to Think). O núcleo essencial compreende Aaron Alexander (bateria), Ron Caswell (tuba), Art Bailey (acordeão, piano) e Brandon Seabrook (guitarra).

 
 

Anthony Braxton Project

 
 

The Vulture Club > Live Young, Die Fast and Leave an Exquisite Corpse (Utech)

The guitar is not dead. It is still humming and I believe in it. Copper wound is copper wound, today and yesterday. Magnets are magnetic, today and yesterday. Wood is wooden, today and yesterday. Electricity is electric, today and yesterday. These things shift in their own time and on their own basis. They are not forced and in my own capacity, I do not force them. The editor's role is Advocate. The rattle you hear, that is the energy and the idea. It is not all mine and it is not all theirs and it is not all yours. But it is all ours.

 
 

Tremendo, este clássico de Sonny Rollins, com Wynton Kelly, Doug Watkins e Philly Joe Jones. Leitura bop dos anos 50, já a pender para o moderno. Newk's Time, da Blue Note. "Disco da barba" de hoje.

 
19.1.07
 

Reggie Workman's Sculptured Sounds Music Festival

 
 

Porto das Barcas, Lourinhã, esta tarde. Coltrane Plays the Blues

 
 

SME, Karyobin (1968, Chronoscope). Kenny Wheeler, Derek Bailey, Dave Holland e John Stevens. Church Number Nine...

Atonal and fragile from start to finish, Karyobin tells the aural story of "the imaginary birds said to live in paradise." Indeed, there is much bird song here; also much pecking at the ground, flitting from branch to fence, and plenty of mysterious conversation. In fact, the album bears a certain resemblance to Dave Holland's much later "Conference of the Birds," though this recording is quite a bit less structured than that one. It would seem that this early work with the SME was very inspirational for him. The group is heard here in an early incarnation (their first recording was in 1966), and at a time when the SME represented some of the most advanced free jazz of the time. There is a feeling of the Cagean "kitchen sink, bedpan and bicycle wheel" approach which was the M.O. of Parker, Braxton, and the AACM at the time, but they manage to pull it off without the kitchen sink. The fact that they are able to extract such a diversity of sounds from the instrumentation of a classic pianoless quintet is nothing short of amazing (...) - Scot Hacker

 
 

Dos três inaugurais de Taj Mahal (n. 1942) – um dos primeiros bluesmen que ouvi há trinta e tal anos – longe ainda do blues festivo de tempos mais recentes, Taj Mahal, The Natch'l Blues e Giant Step/De Ole Folks At Home, o segundo é o mais arrebatador, o passo decisivo que confirmou a veia de grande artista que sempre foi e ainda é. The Natch'l Blues, de 1968, é um disco de blues essencialmente acústico, com fundas raízes no Delta do Mississipi, aberto a outras modalidades e variantes da black music como a soul de Otis Redding ou Marvin Gaye, presentes em temas como Corrina ou A Lot of Love. Mas sobretudo na interpretação de You Don't Miss Your Water ('Til Your Well Runs Dry), original de William Bell. Em The Natch'l Blues tudo é intuitivamente calibrado, o grão vocal e a entoação no ponto certo. Na tristeza feliz que é preciso ter para ser autêntico, na leveza e na fluência natural de quem bebeu os blues no leite materno, residem alguns dos ingredientes que tornaram The Natch'l Blues numa obra de referência daquela época. A reedição de 2000 apareceu com uma capa diferente da original e o conteúdo foi aumentado com dois temas eventualmente sobrantes do LP original (New Stranger Blues e Things Are Gonna Work Out Fine) e uma versão alternativa de The Cuckoo. Taj Mahal, steel bodied, hamónica e voz, com Al Kooper (piano), Jesse Ed Davis (guitarra), Gary Gilmore (baixo), Chuck Blackwell (bateria) e Earl Palmer (bateria). Gonna paint my mailbox blue / Put some flowers on it honey / Paint some trailin' vines and dew... You don't miss your water till the well runs dry.


 
18.1.07
 

The Legendary Son House: Father Of Folk Blues (Columbia). Gravado em Boston, Abril de 1965. Son House (Eddie James House Jr.), voz e guitarra; Al Wilson, guitarra.

 
 

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VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA


 
 


Johannes Brahms: Ein Deutsches Requiem
Junges Vokalensemble Hannover
Junges Philharmonisches Orchester Niedersachsen
Der Leiter Klaus-Jürgen Etzold
Leonore von Falkenhausen
Shigeo Ishino

 
17.1.07
 


Para a minha querida Mãe (1935 - 2007)


 
16.1.07
 

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Outra revelação. Esta semana tem sido assim, fértil: Nuno Martins, grande fotógrafo e music witness português, mostra o seu trabalho na net. Belas fotos. Esta de Mats Gustafsson (The Thing) no Jazz em Agosto de Fundação Gulbenkian, em 2004, por exemplo, é das que mais gosto. Abraço ao Nuno!

A propósito do concerto de The Thing, recordo o que "fotografei" na altura: Mats Gustafsson tem sido, nos últimos anos, visita assídua do JeA. Se me não falha a memória, esteve consecutivamente presente nas mais recentes edições (exceptuando a de 2003), sempre integrado em formações diferentes. Primeiro, com o Aaly Trio, nesse ano acrescentado de Ken Vandermark, naquele que foi um dos melhores concertos e um dos pontos mais altos de toda a história dos já consideráveis 20 anos de JeA; depois, esteve em duo com a bailarina Lotta Melin; e ainda integrado na big band de Barry Guy, a esfusiante New Orchestra. Finalmente, com o trio "schnapps" The Thing, aparição a que acresce uma outra no quinteto de jazz do japonês Otomo Yoshihide. Mas, quanto a este último, já lá vamos. The Thing: Mats Gustafsson, Ingebrigt Håker Flaten e Paal Nilssen-Love… . Desta “Coisa” apenas conhecia uma prova material homónima, datada de 2000, publicada pela editora nórdica Crazy Wisdom. E tivémos mais uma prova de que Mats Gustafsson é um dos principais cabecilhas escandinavos do que se pode apelidar de movimento de redefinição da música improvisada europeia. Da sua iniciativa têm partido um muito razoável número de grupos, a maioria deles filiada numa estética de um free jazz bravíssimo, um híbrido que resulta da síntese pós-ayleriana e pós-coltraneana, com elementos diversos das escolas improvisação europeia. É o caso particular deste The Thing, animal que deixa chegar perto mas não admite que se lhe afague o pêlo. Potente, The Thing, para gozo deste escriba, tocou um free jazz do tipo mais ardente, vigoroso e capaz de arrebatar a audiência, por completo rendida aos encantos da brutal avalanche sonora que quase devastou o Auditório 2 da circunspecta Fundação. Fosse em tenor ou barítono, Gustafsson e seus sequazes noruegueses, com os quais se entende na melhor das cumplicidades, deram uma autêntica sova musical à assistência. E já era bem merecida por esta altura. The Thing, literalmente um power trio com a pujança que se esperava, foi o momento mais tórrido e incandescente do festival. Uma actuação memorável. (Publicado na saudosa A Puta da Subjectividade).

 
 
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Há alturas para tudo


 
 

Estaladiço, este Prophet Moon, do trio Trio Ahxoloxha de Whit Dickey (bateria), com Rob Brown (saxofone alto) e Joe Morris (guitarra). Há uns anos, sem ser sob aquela designação colectiva, o mesmo trio saiu-se com outra bomboca, Youniverse, disco estimo entre os que mais vezes ouvi na década de 90. Todas as cinco composições de Prophet Moon são de Dickey, naturalmente marcadas por acentuado pendor rítmico e larga margem de liberdade para, à vontade dos improvisadores, gerir o tempo e preencher os espaços entre colunas. Rob Brown e Joe Morris, à vez, improvisam melodias em sequência, como quem desenha, apaga, volta a desenhar, apaga, e assim sucessivamente. Daí que tudo seja muito flexível, oscilante e instantaneamente resolvido. Prophet Moon continua no topo da pilha dos favoritos. Na Riti Records, de Joe Morris.

 
15.1.07
 

Mais de duas décadas do trabalho na Alemanha do norte-americano expatriado, Moondog (1916-1999), compilado em dois CDs pela Roof Music. Louis "Moondog" Hardin notabilizou-se na área do experimentalismo minimalista desde os anos 40 e 50, e o seu trabalho antecede o de nomes que viriam a marcar a década seguinte, como Steve Reich e Terry Riley. No caso deste duplo CD, longe já do minimalismo, entre composição e improvisação, o material cobre os anos de 1977 a 1999: German Years 1977 to 1999 (Anthology & The Last Concert).
The American Indians have this basic beat, a heartbeat in two speeds -- a walking beat (in twos) and a running beat (in four). I use those rhythms to this day. In fact it just came to me recently that American Indian music is just so syncopated that any jazz musician -- especially in the swing era -- would see a clear connection between jazz and Indian music. Those songs are not improvised -- they've been handed down from generation to generation -- they're extremely old. I think of America as an 'Old World' too, maybe older culturally than Europe.' And elsewhere: 'Harmonically, my music is the same as Bach, Beethoven and Brahms; rhythmically, it goes back to the past -- the swing rhythms of the Indians. You really couldn't find anything more syncopated. - Moondog

 
 
Burton Greene, em concerto solo gravado para a Creative Improvised Music Projects em 2005. Gosto muito deste pianista. Ainda há dias voltei a ouvir o anterior solo piano que lhe conheço, Live At Grasland (Drimala Records, 2004) e pareceu-me estar mais que na hora de conhecer material novo deste histórico moderno, Mr. Greene. Bob Rusch, o produtor da casa, fez-me a vontade, e aí está: Burton Greene, Retrospective 1961-2005: Solo Piano, uma revisão da carreira até à data da gravação. O disco faz parte do último pacote da CIMP, que inclui os habituais cinco títulos novos. A não perder, a entrevista que Dan Warburton fez a Burton Greene em Dezembro de 2003, muito actual.

 
 

A mais recente da Zymogen: Stephen Walter- Monocline [zym011]

This album has a solid concept behind it, explained by the title; monocline is a term to indicate "a geologic structure in which all layers are inclined in the same direction". These tracks could be interpreted as these different layers which match up in the monocline fold...composed with different simple elements, at last, are a totality of abstract substance. Music floats as a "unicum" and simply shifts, track after track, into various basic components: melody, deep silences, found sounds and pure sine waves.

 
 

O Leonel Santos abriu há dias o seu JazzLogical. Abraço!

 
 

John Surman, num trabalho (unedited transcript) de Julian Cowley, publicado em The WIRE. Dos tempos Esp-Disk, em 1966; da fase The Trio, com Barre Phillips e Stu Martin; do trabalho com a cantora Karin Krog e outros artistas nórdicos; da estadia prolongada na ECM Records, oportunidade que lhe abriu as portas a um reconhecimento alargado – de muito trata esta visita à vida e obra de um dos maiores e mais influentes saxofonistas do jazz e da música improvisada de matriz britânica.

 
14.1.07
 

... Michael Brecker (1949 - 2007). RIP

Michael Brecker had been suffering from the pre-leukemic disease MDS. He was diagnosed in 2005. In May 2006, he underwent an experimental stem cell operation that did not go as well as hoped. Doctor's had been searching for a suitable bone marrow match for Brecker over the past year but were unable to find the right match. Born in Philadelphia in 1949, Brecker recorded his own albums with his bands Horace Silver and the Brecker Brothers (with brother Randy). He was also a well-known session musican appearing on albums by Paul Simon, James Taylor and Yoko Ono.


 
 

Alice Coltrane (1937 - 2007). RIP

Alice Coltrane
, the jazz performer and composer who was inextricably linked with the adventurous musical improvisations of her late husband, legendary saxophonist John Coltrane, has died. She was 69. Coltrane died Friday at West Hills Hospital and Medical Center in West Hills, according to an announcement from the family's publicist. She had been in frail health for some time and died of respiratory failure.
Though known to many for her contributions to jazz and early New Age music, Coltrane, a convert to Hinduism, was also a significant spiritual leader and founded the Vedantic Center, a spiritual commune now located in Agoura Hills. A guru of growing repute, she also served as the swami of the San Fernando Valley's first Hindu temple, in Chatsworth.
For much of the last nearly 40 years, she was also the keeper of her husband's musical legacy, managing his archive and estate. Her husband, one of the pivotal figures in the history of jazz, died of liver disease July 17, 1967, at the age of 40.
A pianist and organist, Alice Coltrane was noted for her astral compositions and for bringing the harp onto the jazz bandstand. Her last performances came in the fall, when she participated in an abbreviated tour that included stops in New York and San Francisco, playing with her saxophonist son, Ravi.
She was born Alice McLeod in Detroit on Aug. 27, 1937, into a family with deep musical roots. Anna, her mother, sang and played piano in the Baptist church choir. Alice's half brother Ernie Farrow was a bassist who played professionally with groups led by saxophonist Yusef Lateef and vibes player Terry Gibbs.

 
 

Deixa cá engrossar o caldo dos que dizem que o disco de 2006 de Bob Dylan é muito bom. Ouvido e voltado a ouvir uma série de vezes, Modern Times é Dylan com fulgor criativo, mesmo quando vai a passo. O que ele sabe é imenso, da vida e da música popular americana, e o que nos oferece é uma reflexão sobre ambas. Dylan regressa à tradicional mistura de blues, baladas e rockabilly suave, que não acrescentam formalmente ao que se conhece desde 1962. Nada tem a provar com Modern Times. Apenas mostrar grandes canções com a marca da sua sabedoria de ancião desta aldeia.

 
13.1.07
 

Ainda bem que a televisão só dá lixo. Assim, e sem remorsos, dá para ver e rever o Masada Live at Tonic, clube do Lower East Side de Manhattan. DVD filmado e dirigido por Antonio Ferrera. Masada: John Zorn (saxofone alto), Dave Douglas (trompete), Greg Cohen (contrabaixo) e Joey Barron (bateria). Edição Tzadik, 2004 (68 minutos).

One of the great working bands up close and personal. Filmed with an intimate three camera shoot by Antonio Ferrera, a close friend of Zorn and a long time cameraman for the documentary masters the Maysles Brothers, this beautiful DVD captures the band performing a passionate set of music at their home base Tonic, back in the summer of 1999. This is Masada as no one except maybe the band itself has ever experienced it. Filmmaking at its most exciting, bringing you right into the heart of the action. A must for every Masada fan.

 
 


Fui aos saldos da AnAnAnA, ao Bairro Alto. Carreguei a mula e descemos pachorrentamente a ver o dia que findava. Ainda lá ficou muito com que entreter as horas.

 
 

Born Free: The 12th German Jazz Festival, 1970 - Triplo LP (Scout)

 
 


Aparta que é Briga SaxBone Duo

 
 

20 de anos de Old Knit, é obra. Michael Dorf merece respeito e admiração. Tinha 23 quando começou a KF.

 
 

Go-No-Go - Brötzmann / Harth Duo (FMP, 1987)

Peter Brötzmann - saxofones tenor e barítono, tarogato;
Alfred 23 Harth - saxofones alto e tenor.

Quem não tem o LP (é o meu caso) pode apenas fazer uma ideia do que lá vai dentro. O disco é raro e nunca teve reedição em CD. Anteouço (vejo) as mais belas e suaves melodias de sempre... Para consolo, vou procurar um sucedâneo de imperfeita substitutibilidade, mas ainda assim suficientemente potente para aquecer o coração, à mingua deste Go-No-Go: Invisible Touch, de Frode Gjerstad e Peter Brötzmann (Cadence Jazz Records, # 1099). Deveria figurar em todos os lares de gente seriamente interessada nesta música.

 
12.1.07
 
Fred McDowell nasceu em 1904 ou em 1905, não se sabe ao certo, em Rossville, Tennessee, no seio de uma família de agricultures que cultivavam terras nos arredores de Memphis. Passou a ser conhecido anos mais tarde por "Mississippi" Fred McDowell. Cultivou um estilo de Delta Blues personalizado, voz áspera, bottleneck e slide guitar a doer, muito influenciado por Charly Patton e por Son House, os maiorais do Delta.
I made up a lot of the songs I sing. It's like you hear a record or something or other. Well, you pick out some words out of that record that you like. You sing that and add something else onto it. It's just like if you're going to pray, and mean it, things will be in your mind. As fast as you get one word out, something else will come in there. Songs should tell the truth... When I play-- if you pay attention, what I sing the guitar sings, too. And what the guitar say, I say - "Mississippi" Fred McDowell.
Shake 'em on Down, o disco, testemunha uma actuação de "Mississippi" Fred McDowell no Gaslight Club de Nova Iorque, a 5 de Novembro de 1971, com Tom Pomposello em baixo eléctrico. Fred revisita o seu songbook e alguns clássicos e tradicionais do género (Shake 'Em on Down, I'm Crazy About You Baby, John Henry, You Got to Move, Someday, Mercy, Lovin' Blues, White Lightnin', Baby Please Don't Go), que vai comentando alegremente com o seu característico sotaque rural do Mississipi.

 
 

ARTHUR # 25

 
 

Faz parte da Trilogia da Mudança, projecto que vem de 2004 e nasceu com Redra Ändra Endre De Fase. Segundo passo em 2006 de Samuel Jerónimo, Rima é uma peça e peras. Ou melhor, quatro peças que formam um conjunto formalmente organizado de um modo tributário da rima cruzada, como versos (assim se titulam os temas), o primeiro e terceiro servidos pela electrónica espacial, de contrastes luminosos e repetições temáticas, ideias concorrenciais, opostas e convergentes, intervaladas por versos escritos com órgão. Reformulações da arte da fuga, remissão para um passado, que ora se assume como tal, ora se reveste de modernidade, olhares cruzados entre o antigo (barroco) e a contemporaneidade (new music). Mutatis mutandis, como em Barry Lyndon e A Space Odissey, do mesmo Stanley Kubrick – metáforas do tempo e da sua progressão linear, a repetição, a lógica geométrica, a relação íntima que se estabelece entre o instante presente, o passado e o futuro. Uma reflexão musical sobre a experiência dos diferentes tempos e modos: composição e improvisação, o deve e o devir, o épico e o reflexivo. A oposição é apenas aparente. Desfaz-se a cada nova audição e dá lugar ao fio fino que tudo liga. Samuel Jerónimo, de Alcobaça, fez um bom trabalho. Prende a atenção e convida a regressar repetidas vezes. Talento, audácia e bom gosto não lhe faltam. Merecedor de referência é também o trabalho gráfico de Pedro Leitão. Edição da lusa Thisco, Rima constituiu uma das boas surpresas de 2006.

 
11.1.07
 

No Indy - Independent Weekly, entrevista com o percussionista de Chicago, Michael Zerang. Chicago percussionist Michael Zerang advocates self-reliance and community

"In improvised music, Michael Zerang is one of the best. Since the late '70s, Zerang has been central to the development of his native Chicago's fecund experimental music scene, both as a musician and facilitator. From a tight-knit, ultra-efficient group of experimenters, the roots have spread from free jazz of the highest order and surfaced somewhere near the mainstream with bands like Wilco and Tortoise (...)".

 
 

Zé da Mouraria Sextet (faltava o RA, atrás da objectiva)

 
 

O disco dos Rolling Stones que mais vezes ouvi. A obra-prima. Gastei um LP - toda uma década a rasgar pano - e já vou no segundo CD. Exile on Main St., de 1972. Soul Survivor e Tumbling Dice são duas peças da mais fina (?) joalharia stoneana de sempre.

 
 

Bom blogue, o Manchas, de Luís Mourão. Por estas e por outras. A Leitora, no seu infinito particular...

 
 

Keith Fullerton Whitman: "How did he make this work? A series of rigorously focused single-instrument studies that seems to effortlessly telescope across the historical and technical spectrum of electronic music from Varese to Fennesz. But instead of being museum-grade mummy dust, this album is listenable as hell. You want to ride this ride again." (Pitchfork, sobre Multiples)

 
 

Ben Ratliff, no New York Times de 9 de Janeiro, sobre o concerto evocativo do saxofonista Dewey Redman, ocorrido na St. Peter’s Lutheran Church, domingo passado, em Nova Iorque: Remembering a Saxophonist and His Undefinable Appeal.

 
10.1.07
 

Evan Parker, saxofones / Barry Guy, contrabaixo / Paul Lytton, bateria, percussão. Free improv. Há 25 anos que assim tem sido. Parker / Guy / Lytton, ZAFIRO (Maya Recordings). Concerto em Barcelona, 2006. We hadn't seen each other for quite a while and were really looking forward to it.

 
 

Colaboração entre dois artistas sonoros de Colónia, Alemanha. Emil Klotzsch e Raimund Sudermann resolveram juntar-se um dia para improvisar com instrumentos convencionais, acústicos e eléctricos, como guitarras, e maquinaria electrónica, PowerBooks, processadores e artefactos afins, a ver no que dava. Deu Holzlaub, que a Autoplate publicou há dias. Interessante. Klotzsch & Sudermann - Holzlaub // Electroacoustic Metaimprovisations.

 
 

The STONE, neste outro caso, sob a direcção artística de John Zorn. Chegou a programação para Fevereiro. Janeiro folheia-se como um livro. E Março já espreita. Olá, Sharon. Com as mãos assim dispostas como é que ela vira as páginas? É isso que me intriga.

 
 

If, Bwana, projecto de Al Margolis (na foto) é mais conhecido através das edições na Pogus, que fundou, depois de uma intensa actividade no submundo dos sons gravados e sobrepostos em cassettes, fabricações em estúdio a partir de colagens, que por sua vez davam origem a composições que chegavam a adquirir algum desenho formal. Estava-se nos anos oitenta, e Al Margolis, além dos sons que lhe diziam respeito, divulgava os de gente como Big City Orchestra, Merzbow, John Hudak ou Jim O'Rourke, todos a trabalhar para a circulação em fita magnética, via Sound Of Pig, com edições disponíveis online através da página da Pogus. Anos passados, a editora floresceu e foi publicando obras de relevo de artistas importantes da música electrónica, electroacústica e experimental, possuindo um catálogo razoavelmente alargado.
Vem isto a propósito de uma edição de Outubro passado, na netlabel Zeromoon, de uma gravação de If, Bwana, ao vivo no Sonic Circuits Festival of Experimental Music de 2006, em Washington, DC. Al Margolis ao vivo (rara oportunidade) num set de música electrónica experimental, apresentado pelo próprio como “minimal yet dense drones of a menancing and etheral nature for intense yet scary listening”.
Também aconselhável é a audição do trabalho de V., awrkid, de 2002, um lote equilibrado de ambient glitch, free improv noise e field recordings.

 
9.1.07
 


Spirituality of music...

Alice Coltrane claims to have channeled the spirit of John Coltrane through her body and through her musical instrument. Thus becoming one with him on a purely spiritual level. i believe it. One Hundred percent. These sounds the instruments make are invisible, arent they? As well as our 'spirits' are invisible (if you believe that). The musical experience is far more than sounds and emotion. It is spirit and a meshing of spirits while being played and spontaniously being created. anyhow, my thought is that the highest level of musicianship is when the player has reached a 'place' or reached a level where there is no thought of what is going on AT ALL. not even really the music. Anybody else feel the same way? Or experienced this? - MarcGG (freejazz.org)

 
 

Guitarra, trompete e bateria. Combinação instrumental raramente ouvida. A melhor experiência anterior que conheço, mui digna de referência, é a do Tiny Bell Trio, de Dave Douglas, Brad Shepik e Jim Black, com discos (quatro) na Songlines, Arabesque, Winter & Winter e hatOLOGY. Agora, na Leo Records (Music for the Inquiring Mind and the Passionate Heart), Mark O'Leary, guitarra, Cuong Vu, trompete, e Tom Rainey, bateria. Waiting. É daqueles que ainda não ouvido, já se imagina o que lá vai dentro. Na capa, Samuel Beckett (teria feito 100 anos em 2006) de costas, com ar de passeio. O disco é-lhe dedicado. Waiting. À Espera de Godot.

 
 

Saxofonista britânico oriundo da Jamaica, Joe Harriott (1928-1973). A Wire chamou-lhe o "UK greatest jazz musician". Podendo ser exagero, não é pouco. Em 1962, num contexto modal-free de excelente resultado, gravou Abstract. Joe Harriott (saxofone alto), com Shake Keane (trompete), Pat Smythe (piano), Coleridge Goode (contrabaixo) e Phil Seamen (bateria). Na linha de Free Form (Jazzland, 1960), Abstract apresenta o mesmo tipo de estruturas simples, quase vestigiais, elas próprias o princípio e o fim da improvisação. Distinto do Ornette Coleman do mesmo tempo, com quem tem sido amiúde comparado (ambos vinham do bop), Joe Harriott soltava as amarras em direcção ao som que Ornette viria a conseguir em 1965, com David Izenzon e Charles Moffett). Abstract: tamanho disco! Redial/Polygram.

 
8.1.07
 


John Coltrane, McCoy Tyner, Jimmy Garrison e Elvin Jones

 
 

Bowie, 60. We can be heroes just for one day...

 
 

A 20 de Janeiro, tocada pelo espírito de Sun Ra, levanta voo a Henry Grimes's Spaceship on the Highway, com Henry Grimes, Marshall Allen, Andrew Lamb e Avreeayl Ra a bordo. Destino: Knitting Factory, para um concerto a favor da Association of Performing Arts Presenters. Main Space da Knitting Factory, 74 Leonard St., entre a Broadway e a Church St., Nova Iorque, às 20h00 locais (Metro: Canal St.). Na mesma sessão, em três outros espaços da KF, actuarão 18 grupos. A partir das 18h00 e até de madrugada. 2007 NYC WINTER JAZZFEST.

Since his triumphant comeback, Henry Grimes has made up for lost time... now partnering Sun Ra alum saxophonist Marshall Allen for an unlikely duo tour bannered "Spaceship on the Highway." It became a quartet when it touched down at Chicago's HotHouse in March in front of a diverse crowd. The free-form summit was dominated by stratospheric eruptions from Allen's unfettered alto, mellifluity from his antiquated EWI, and cosmic poetry, backed with the tenor saxophonist's bluesy fills and colored with pipings by Ra from a cedarwood flute. Nevertheless, the night belonged to Grimes, whose customized space bass boomed beneath his lean, agile fingers. He knew exactly what to do. - Downbeat

 
 

CICLO DE CONCIERTOS STÖRUNG EN LA FARINERA DEL CLOT

Jueves, 25 Enero 2007 (21:30h)
Daniele Cortese / S. Zatti (ITA) + Tonne (UK)

La primera cita del ciclo de música experimental störung que tiene lugar en la Farinera del Clot (Barcelona) mostró sobre el escenario los últimos trabajos de los argentinos Electroliving y Gurtz.
En esta ocasión nos visitan tres grandes artistas del viejo continente. Por un lado, el músico Daniele Cortese y el video-artista Stefano Zatti, responsables del laboratorio multimedia Tanderion procedente de la italiana ciudad de Padova, y, por el otro, el reconocido y galardonado artista internacional Paul Farrington (UK) que ofrecerá un live audiovisual bajo el nombre de Tonne ; un proyecto interactivo que le ha llevado a trabajar con artistas de la talla de Scanner, Springheel Jack, Pole y Monolake. - Álex Gámez

 
7.1.07
 

O conceito de jazz moderno dos anos 60 foi-se construindo paulatinamente com discos destes, quase sempre portas da Blue Note adentro. Maiden Voyage, o quinto disco de Herbie Hancock como líder, marca uma viragem estética do pianista, embarcado nesta viagem inaugural pelo modalismo, passada a ressaca do bop e entrando pelas descobertas de George Russell, aprofundadas por Miles Davis. Maiden Voyage podia ter sido gravado hoje ou ontem, tal é a frescura da sessão para a Blue Note, descontando algum tempero próprio da época; mas não foi, foi há 41 anos. George Coleman, saxofone tenor, Freddie Hubbard, trompete, Ron Carter, contrabaixo, e o incrível Tony Williams, bateria (por sinal, a secção rítmica do segundo grande quinteto de Miles Davis...).
Edição rudyvangeldarizada sem grande acrescento sonoro, se se comparar com a anterior edição Blue Note em CD, ela por ela. Talvez devesse ter levado outra demão nas baixas frequências, que sei eu? Os pratos de Tony Williams é que ganharam asas. A música é excelente e Maiden Voyage fica cravado entre os melhores de sempre de Herbie Hancock. Brilhante.

 
 
REMEMBERING DEWEY REDMAN
Sunday, January 7, 2007
Saint Peter's Church
619 Lexington Avenue @ 54th Street, NYC


Cameron Brown
Charles Eubanks
Pat Metheny
Charlie Haden
Frank Kimbrough
Geri Allen
Jack DeJohnette
Joe Lovano
Reid Anderson
John Betsch
John Menegon
Joshua Redman
Judy Silvano
Leroy Jenkins
Mark Helias
Matt Wilson
Teri Roiger
Ethan Iverson
Pheeroan AkLaff
Sheila Jordan

 
 

Pauline Oliveros, The Blue Rider Ensemble, William Parker, David Mott, Jesse Stewart e outros artistas, em quatro dias de festival de música improvisada. Organizado pela NUMUS e pela School of Fine Art and Music da Universidade de Guelph, cidade do famoso festival canadiano. De 11 a 14 de Janeiro p.f: Structured Improvisations / Improvising Structures

 
 
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A talentosa Jess Rowland, compositora e improvisadora residente em S. Francisco, Califórnia, desligou por momentos a parafernália electrónica, experimental, noise, jazz e rock do costume. Pelas minhas contas, à quinta vez a solo (não posso garantir a veracidade deste facto), resolveu virar-se de corpo e alma para a delicadeza acústica do piano, segundo as regras taoistas da busca da verdade e da autenticidade em cada momento do ser e do estar.
De ouvido encostado à fina respiração sonora, percebe-se que cada peça conta uma história. Cada história liga-se por laços invisíveis à precedente e à seguinte, fechando ciclo após ciclo, como um conjunto de painéis. Sente-se o prazer que Jess Rowland tem em contar histórias. Nasce da concentração no que é essencial, procurando fixar identidades próprias e alheias – uma multiplicidade de vozes, sujeitos e objectos animados. Arte despojada e radical, no sentido do encontro com a raiz, que tanto pode ser a do ouvinte como a da própria música. No entanto, a aparente simplicidade exterior, ingénua e até infantil no modo de dizer, esconde uma complexa estruturação, que melhor consolida e agrega os fios narrativos desta colecção de improvisações. A música é água que corre, turva ou cristalina, vencendo todos os acidentes de percurso, imparável, como em Cecil Taylor.
Há coisas (fantásticas, não há?) que acontecem por indeterminação, sem serem casuais. Fios de destino que se compõem, decompõem e recompõem num ciclo interminável, do qual nos é dado experimentar fragmentos. Como este 29.Water - Piano Improvisations (Pax Recordings).
 
 

Alexander von Schlippenbach, Evan Parker, Paul Lovens

 
 

Grant Green. Desde uma tarde memorável na Lagoa de Óbidos, à volta de um Syrah da Casa Santos Lima (abençoadas vinhas de Alenquer) que não voltava a Grant Green, guitarrista para todas as horas, doces e aziagas. De passeio pelo Ropeadope, casualmente encontrei o podcast da emissão de 20 de Fevereiro de 2006, conduzida por Bob Belden. Ropeadope tem muitos mais motivos de interesse, Miles, Hancock, Uri Caine, Jason Moran...

 
6.1.07
 


diatribes - logique du désordre (2006)

 
 

Ornette Coleman, Who’s Crazy? - Part 1
Church Number Nine, of course...

 
 


Calendário próximo da ICP Orchestra

 
 


NEWSLETTER - January 5th, 2007

 
 

Outro discaço de 2006, que não vejo referido nas listas particulares ou institucionais, é este Kamosc, do pianista alemão Achim Kaufmann, em trio com o norte-americano Michael Moore e o canadiano percussionista Dylan Van der Schyff, passado a quarteto com a adição, em 2 dos 13 temas, do trombonista holandês Wolter Wierbos. Razão tinha o Girão. Tás Kamosc ou cheira-te a palha? Red Toucan. Só tenho pena que a RT desde Junho não publique nada.

 
 

Novidades Rossbin ainda a estalar: Alessandro Bosetti, Il Fiore della Bocca (CD) e Alison Knowels & Taketo Shimada, FLUXSWEET (CD+DVD). CDs a 6 euros, em qualquer parte do Mundo... Rossbin. Abraços e agradecimentos a Alessandro Bianco e Teresa Chavez Ross. Escusai de procurar cá na terrinha, que não há.

 
 

Gianluca Petrella e o Indigo 4, logo à noite na Culturgest.

 
 

Wayne Shorter no London Jazz Festival, a 10 de Novembro passado, em concerto no Barbican. Há quem tenha dito que foi o melhor concerto dos últimos anos. Para quem viu e para quem tocou, simultaneamente. Wayne Shorter, saxofones, Danilo Perez, piano, John Patitucci, contrabaixo, e Brian Blade, bateria. Zero Gravity, Footprints, Smilin' Through, Sanctuary, She Moves Through The Fair, Joy Ryder, Over Shadow Hill Way..., composições clássicas entremeadas de breves motivos melódicos, pretextos para improvisar. Ao todo, hora e meia de Wayne Shorter. Desde ontem à noite e durante toda a próxima semana, no Jazz on 3 da BBC Radio 3. Na próxima semana.... Other Dimensions in Music ... Roy Campbell, Daniel Carter, William Parker e Hamid Drake em concerto.
Para "captar" o som para o disco, basta usar um qualquer programa de edição sonora, como o EXPStudio Audio Editor, por exemplo.

 
5.1.07
 

O quarteto britânico Mujician, à semelhança do que acontece com tantos outros criadores individuais ou colectivos, fez apenas um disco em vários volumes. Assim tem sido desde que, há perto de 20 anos, sob o mesmo chapéu e nome - que reproduz a sonoridade produzida pela filha de Keith Tippet, então criança, quando dizia que o pai era mujician - se reuniram o pianista Keith Tippett, Paul Dunmall (saxofones tenor e soprano), Paul Rogers (contrabaixo) e Tony Levin (bateria). Quatro mestres da gestão dinâmica do tempo e do espaço, exímios na forma como doseiam improv e free jazz de cor britânica, e combinam força telúrica e alta tensão com momentos de tranquila introspecção. Começou com The Journey, a que se seguiriam em ciclos irregulares Poem About a Hero, Birdman, Colours Fulfilled, Spacetime. E, há poucos meses, There’s No Going Back Now. Sempre sem desníveis de qualidade, nem grandes variações formais ou substanciais. O mais recente Mujician foi gravado ao vivo. São 45 minutos num único tema de criação espontânea. A mesma musicalidade, empatia e inventividade de sempre. There’s No Going Back Now é o mais maduro e acutilante dos discos dos Mujician, um dos grandes discos de 2006. Editado pela norte-americana Cuneiform Records, é distribuído pela Wayside.

 
 

Aqui no estabelecimento nunca se deu muita saída a discos pedidos. Mas há quem os saiba pedir. "Que disco de pop/rock recomendaria? Um só...", pergunta a Sara Belo. Um que me tenha "batido" em 2006? The Strokes, First Impressions of Earth. Grande malha de rock. Bestial para ouvir no carro, estrada fora. Que viagem...

 
 


All About Jazz-New York
# Janeiro de 2007


 
 

Um dos grandes discos do Filho Pharoah Sanders ("Coltrane was the Father, Pharoah was the Son, and I am the Holy Ghost" - Albert Ayler), com Sonny Sharrock, Dave Burrell, Henry Grimes, Roger Blank e Nat Bettis. Upper Egypt And Lower Egypt, Japan e Aum / Venus / Capricorn Rising, peças descendentes na linha recta das estéticas cósmicas de Coltrane e de Don Cherry. Tauhid, original de 1966. Como também dizia Ayler, "Music is the Healing Force of the Universe". Bem precisamos dela.

 
4.1.07
 


Recado de Tim Berne, Screwgun Records

 
 

Eu próprio sou um macua. Nascido no meio deles. O meu Point of Departure.

 
3.1.07
 

BODY RICE é a primeira longa metragem de Hugo Vieira da Silva. Esta obra, premiada no Festival de Locarno com a Menção Especial do Júri tem estreia marcada em Portugal para o dia 11 de Janeiro. Body Rice mostra-nos um trabalho que dilui fronteiras: a performance, a dança contemporânea, a poesia e a música associam-se para mostrar um filme que fala sobre a ausência. Este universo transdisciplinar constitui-se ao som de: Einstuerzende Neubauten; Joey Beltram; X Mal Deutschland; Joy Division; Kosmonau Tentraum; The Hilliard Ensemble. Hugo Vieira da Silva procura uma atmosfera que mostre a hibridização do corpo explorando-o fora da psicologia através da sua performatividade. Enquadrado por uma paisagem árida e despojada esse corpo alimenta-se da fragmentação, de uma violência surda de memórias. O registo procura a superfície, a periferia, transformar o corpo num mapa emocional do interior. - Thisco

 
2.1.07
 

Na polaca NotTwo Records saiu recentemente uma caixa de dois LPs (não há em CD, não senhor) com gravações inéditas do Vandermark 5 e forte investimento no grafismo, aquilo que mais se perdeu com a generalização do formato CD. Paciência, não vale apena chorar, porque não tarda muito estaremos a dizer que o CD é que era bom, e depois a carpir mágoas pelo mp3 e pelo mp4, etc, por aí à frente. Dentro da magnífica embalagem de Four Sides To The Story, com o arrojo gráfico da equipa que trabalha com o amigo Marek Winiarski, em Cracóvia, há fotografias e gravuras, entrevistas e ensaios críticos sobre o trabalho do quinteto de Chicago, já com Fred Lonberg-Holm (violoncelo) no lugar de Jeb Bishop (trombone), em licença sabática. E as reflexões do próprio Ken Vandermark, como esta, escrita a 15 de Setembro de 2006:

I’m interested in the idea of the memory of the listener. If a person looks at the painting, the painting is static, it doesn’t go away and he can look at what he wants to look at. And his eyes travel, you can’t control the way someone’s eyes look at a painting. The problem with music is that it’s chronological. You can’t escape the fact that it starts at a certain time and that it ends at a certain time. You cannot get away from that. And that’s the thing about music that I’m fascinated with- how do you create the illusion that the time isn’t linear? The impression that it doesn’t move in a straight line, even though it does. Just like the painting is static. A person working with that medium cannot change the fact that he has the flat surface, that’s a part of it. And I can’t make the clock going another way between the start and the end of the piece.

Mas a NotTwo não se fica por aqui. Uma visita às "instalações" da discográfica (ou da parente PolishJazz) permitirá descobrir pérolas como estas:

Satoko Fujii, Natsuki Tamura - In Krakow, In November Ullmann / Malaby / Gress / Haynes - Basement Research Live in Münster Ken Vandermark - Ideas Anthony Braxton / Chris Dahlgren - ABCD Vandermark 5 - Alchemia Remember Now - Steve Swell's Slammin' The Infinite Thomas Oluyemi, Kenn Thomas, Eugene Wilson IV, Howard Byrdsong - Nigeria Trio Tarana - Five Nights Cosmosamatics - Zetrons Przybielski Andrzej / Oles Marcin / Oles Bartlomiej - Abstract 3D (Dell, Dahlgren, De Martin) - Actually: It's Better Like This... Carter / Blumenkrantz / Zubek - Chinatown

 
 

No mais recente capítulo do BendingCorners, o Godfather of Soul, James Brown...

BendingCorners is a monthly jazz~n~groove podcast of jazz and jazz-inspired grooves. If you enjoy the groove side of all things "jazz", this is your thang.
No boring talk, no silly jingles, no lame crap - just jazz and grooves.
BendingCorners explores the groove within: acid jazz, afro-beat, bop, cool jazz, cosmic jazz, dub, downtempo, electro-jazz, fusion, future jazz, groove jazz, jazzatronic, jazz dance, jazz-funk, jazz-rock, kozmigroov, modal, phusion, progressive, modern, nu-jazz, soul-jazz, spiritual, and world
.

 
 

Parafraseando Osvaldo Soriano, este é um belo disco, Triste, Solitário e Final.
W. A. Mathieu, The Indian Parrot and Other Stories


 
 

JUST OUTSIDE, blog de Brian Olewnick, do Bagatellen. A mesma luta.

 
 

Paris Transatlantic Magazine
Editorial
REISSUE THIS: Barre Phillips / Marion Brown / Tony Oxley / Roscoe Mitchell / Material
Gil Mellé / John Benson Brooks
On Clean Feed: John Butcher & Paal Nilssen-Love / BassDrumBone / Roswell Rudd & Mark Dresser / Lisbon Improvisation Players / Amado, Kessler, Nilssen-Love
Walter & Sabrina Group / Francisco López
On DVD: Akira Rabelais & Stephen Mathieu / Blank Plays Duden / John Cage
JAZZ & IMPROV: Iskra 1903 / Chadbourne & Fox / Mattin, Conrad, Barnes / Mattin / Christian Weber / Rob Reddy / Carnival Skin / Dave Burrell / Brötzmann & Zerang
Keith Rowe & Oren Ambarchi / Paul Hubweber & Philip Zoubek / Jim Denley & Peter Blamey / Howlin' Ghost Proletarians / Alan Purves / Sabine Ercklentz / Tilt
CONTEMPORARY: Iannis Xenakis / Charlemagne Palestine & Tony Conrad / Morton Feldman / Women in Electronic Music
ELECTRONICA: Deluxe Incinerator / Bhob Rainey / Strotter Inst. / Un Caddie Renversé dans l'Herbe / Janek Schaefer

 
1.1.07
 

O que Alice toca transforma em belo. Assim sucedeu uma vez mais com o Impulse! de 2004, Translinear Light, que recorda o melhor de Ptah The El Daoud. Com Ravi Coltrane, Charlie Haden e Jack DeJohnette. Alice Coltrane em piano acústico e órgão Wurlitzer.

 
 
Rui Tentúgal (RT), coordenador do ACTUAL, suplemento de artes e letras do EXPRESSO, teve a amabilidade de incluir o Jazz e Arredores no rol das coisas que o impressionaram favoravelmente em 2006 (ver Música/Balanço, pág. 26). Agradeço publicamente a distinção, mais ainda vinda do Expresso – instituição já fustigada mais que uma vez nestas "páginas", pelas razões conhecidas e apenas parcialmente resolvidas – merecimento que, do meu ponto de vista, denota duas coisas essenciais: 1) RT é uma pessoa de bom gosto; 2) além disso, RT está atento e aprecia o trabalho independente feito essencialmente com fins lucrativos: os da divulgação de bons projectos musicais e editoriais arredados das (re)vistas (agora menos), o apoio a alguns artistas que o são verdadeiramente, a recensão de obras discográficas com interesse mais que mediano; enfim, o referenciar de novas e antigas correntes musicais dentro do jazz e da música improvisada, para além do que vem à superfície ou a espuma das ondas traz até à praia. Obrigado ao Rui Tentúgal e ao Actual por esta (merecida) distinção. A vasta equipa que produz, edita e leva até si o Jazz e Arredores, reconhecida, retribui a chapelada.

 
 

abop tv provides free music downloads, art and poetry.

abop tv, videos de concertos.

 
 

Insisto nisto: o disco de Ornette Coleman, Sound Grammar, é imperdível. Nem que a vaca tussa. Beleza crua, criação espontânea. Como uma flor que nasce no meio das pedras. A capa, chocha, esconde um imenso tesouro musical no interior.

A small shock wave rippled through the jazz world two years ago when the saxophonist Ornette Coleman started performing regularly again after a long absence. His new group was an acoustic quartet, unusual for him, and he was suddenly playing some of his older repertoire. Coleman, now 76, rarely looks back, and after rewriting the rules of jazz on three separate occasions, he didn’t seem like one to rest on his laurels. He isn’t. Sound Grammar, his first new recording in ten years, documents a live performance in Ludwigshafen, Germany, last year, and it doesn’t sound like anything else in jazz today. Coleman employs two bassists, Greg Cohen picking and Tony Falanga bowing (plus his own son, Denardo, on drums). Cohen and Falanga create a deep rumbling gallop on up-tempo tunes, and a gentle mourning tone on ballads. Although Coleman’s legend is for structural innovation (and balls—he named his first major release The Shape of Jazz to Come, and was right!), the real pleasure in his music is his saxophone playing, which remains brash and full of urbane yearning. Coleman is now embraced by nearly every jazz institution, but he still plays like a rebel. - Martin Johnson


 
 

Atomic, Happy New Ears! - puro talento escandinavo: Fredrik Ljungkvist, Magnus Broo, Havard Wilk, Ingberigt Håker Flaten e Paal Nilssen-Love (Jazzland Recordings)

 
 

Feliz Ano Novo!


 
 

Mais reacções a Spiritualized, disco dos Lisbon Improvisation Players, de Rodrigo Amado, com Dennis González, e a Teatro, do trio de Rodrigo Amado, com Kent Kessler e Paal Nilssen-Love:

Following 'No Photograph Available' with Joe Morris and Charlie Kohlhase, Gonzalez now appears with a European group: Bruno Pedroso on drums, Pedro Gonçalves on bass, Rodrigo Amado on alto and baritone saxes, and Ulrich Mitzlaff guesting on cello for two tracks. Recorded in Lisbon in 2004, this is the kind of engaging mixture of free bop and free jazz we’ve come to expect from the Texan trumpeter’s groups. In fact, Rodrigo Amado is probably the most interesting player here. On the opening track, “Tensegrity”, Gonzalez’s ‘bugle-call’ motif becomes an irritation and Amado’s baritone is less individual. But when he transfers to alto, it’s a different matter. The squeezed out Braxton inflection, married with a more traditional technique and post-Ornette Coleman lines, creates an intriguing synthesis. Definitely a player to watch. - Andy Hamilton / The Wire 274, Dezembro de 2006

Please just forget that I'm telling you this live recording from 2004 documents the first time these three improvising musicians had ever played together.
Teatro is by Portuguese saxophonist Rodrigo Amado, first heard on the Clean Feed label, in the Lisbon Improvisation Players and with Ken Filiano. He follows in the footsteps of Chicago’s Ken Vandermark: certainly his choice of instrumentation, occasionally the baritone saxophone, calls to mind Vandermark. But moreover, it’s the sidemen who have made their mark in jazz on Vandermark’s bandstand who raise this association. First Kent Kessler, who has been bassist of choice for the DKV band, V5, and Peter Brotzmann’s Chicago bands organized by Vandermark. Norwegian drummer Paal Nilssen-Love has also been within Vandermark’s sphere on School Days and FME recordings.
The disc opens with “The Iconoclast,” a nearly twenty-minute churning force-of-nature track that plays like a two-out bases loaded full-count baseball game. Everything is seemingly in motion: Amado blows a very restrained series of lines that constantly give way to the swirling energies of Nilssen-Love’s drum kit. The drummer has en endless supply of accents, taps and pops. Likewise Kessler plays in waves of energy on the opener that make you believe that certainly this band has a long working history.
The title track opens with some scratchy bowed bass, tentative baritone saxophone and some perceptive cymbal work. As on the opener, the trio knows how to properly unfold an improvised composition. The signature track might just be the six minute closer, another choice of baritone, but this one opts for a bit of “chasin’,” Coltrane-style. Amado burns a few matches here and there, as does Nilssen-Love, with all the muscular Elvin-beats he can muster. As on the other tracks, this first-time meeting sounds like a much longer-lived association
. - Mark Corroto / All About Jazz

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

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