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10.12.07
 
Aqui para nós, Bob Marsh tem um fraquinho pelo sinistro. Já se percebeu há uns anos que aquilo que o encanta são os ambientes soturnos e tétricos, no limiar da violência psicológica, digamos assim. Eis de novo uma oportunidade de conhecer o lado negro de Marsh, num disco a solo na Public Eyesore Records, a que o compositor chama uma colecção de 'rantings, ravings, sermons, scenes, little operas and whatever they might be'. O que quer que seja, é essa mesmo a expressão-chave, embora seja estulto tentar encontrar um rótulo para classificar toda esta insana actividade musical. Do lado da instrumentação, em VIOVOX Bob regressa à boleia das cordas do violino e do violoncelo, electrónica caseira, loops alucinogéneos (via Boss Looper Station) e uma quantidade de outras coisas inidentificáveis, por entre percussão e voz processada através de maquinaria apropriada (Boss Harmonizer), com registo final e mistura em minidisc. E aí está ele, a criar um alter ego que regressa ao mundo dos vivos proveniente das profundezas do inferno mais distante, ainda envolto em chamas, a voz embargada de emoção electrónica, emergindo de uma torrente de sons espiralados, visões alucinadas de uma mente perturbada, que encarna espíritos ancestrais (que digo eu?) e comunica por sons e palavras ou por quase-palavras, sugeridas ou parcialmente enunciadas. “Preencham o que faltar”, sugere o autor nas notas que escreveu para o disco. Bob Marsh, artista experimentalista de Richmond, Califórnia, passou-se desta vez? Não, tem sido sempre assim. Para uns, tem falta de juízo; para outros, também, mas o que produz entre refeições à base de cogumelos mágicos é musicalmente relevante. Enquadro-me nesta segunda categoria. Para perceber a ligeira nuance, basta ouvir o projecto do ano passado, DOCTOR BOB, com David Michalak, ou LUGGAGE, com Theresa Wong e Bryan Eubank, para se ter uma ideia do que pode acontecer se se apanhar o sol da Califórnia em “certas e determinadas” quantidades na moleirinha. Voltando à música, a esmagadora maioria das pessoas que conheço detestariam esta sucessão de lengalengas completamente fora deste mundo a que estamos habituados, tenho um dedo que adivinha, mas também Bob Marsh não faz música a pensar nessa gente toda.

 


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