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29.4.06
 

Quatro composições de Steve Reich (n. 1936) executadas ao vivo com a participação do compositor, na inauguração do Museu da Universidade da Califórnia, em Berkeley, a 7 de Novembro de 1970 – "Four Organs", "My Name Is", "Piano Phase" (para dois pianos sincronizados) e "Phase Patterns". O concerto de Steve Reich & Musicians na UCB foi gravado e emitido via Bay Area FM radio. A emissão, apresentada por Richard Friedman, faz parte do acervo Other Minds Archive.

Da esquerda para a direita: Arthur Murphy, Phillip Glass, Jon Gibson ao centro, em maracas, Steve Chambers e Steve Reich (foto de Richard Landry). "This performance marked an important moment in Bay Area new music history with the triumphant return to the East Bay by Reich who studied at Mills with Berio and performed in 1964 in the world premiere of Terry Riley's "in C" at the San Francisco Tape Music Center".

"The resonant acoustics of the concrete interior museum were especially appropriate for Four Organs, with its long additive sustained chords over a maraca pulse. The capacity crowd occupied every conceivable area of the interior space, including walkway ramps suspended over gallery spaces. An electrifying evening!".

 
 

"Interconnexions": nova saída do trio suiço Diatribes (Laurent Peter: laptop, objectos, processamento; Cyril Bondi: bateria e percussão; Gaël Riondel: saxofones alto e tenor, clarinete, flauta) ainda no campo da experimentação e da improvisação livre com influências do jazz e da música electroacústica. Acesso através de descarga gratuita a partir da página da netlabel francesa Stomoxine Records.

"Diatribes voit le jour, sous le nom de d’incise d’où inductions, dans les sous-sols genevois en hiver 2004. L’idée était de mélanger trois sources de son distinctes (vent, percussion et électronique) pour développer une masse sonore malléable. Le saxophone et la batterie se confondent, avec le traitement de leur propre son en live, dans une danse primaire, brute, où construction et destruction coexistent, où envie et dégoût s’unissent. Le partage avec le public est intime et profond. Les rêves et les peurs deviennent bruit et silence.
Rencontre magnétique pour une formation explosant de désir d'une expression totalement libre, privilégiant l'interaction entre ses membres, l'intensité et la fluctuation du niveau d'énergie. Souffles, frémissements, crépitements, roulements, masses, fracas, chaos, entre free jazz et approche électroacoustique.
Rage trop longtemps contenue, sentiment quelque peu désabusé en regard d'une société dont l'avenir nous laisse dubitatif. Imprégnée du contexte urbain de nos vies, la matière sonore se construit, se déforme, s'arrache de l'emprise de la raison, implose et redeviens le rêve qui s'étale derrière nos paupières.".

 
 

A Rádio Universitária do Minho anuncia o concerto comemorativo do 17º aniversário do programa "Sójazz", a realizar no Museu Nogueira da Silva, em Braga, no dia 4 de Maio, com o Ravish Momin’s Tarana (EUA). Ravish Momin – percussão e voz; Jason Kao Hwang – violino; e Shanir Ezra Blumenkranz – oud e contrabaixo.

 
28.4.06
 
Discos para a minha Prima Vera!


Billy Bang Quartet - Valve no. 10 (Soul Note, 1988) - Querida prima, do violinista que esteve a guerrear no Vietnam, um disco pacifista (Holiday for Flowers!?), surpresas minhas q.b., o baixista Sirone a quem inicialmente tomei por William Parker, devo ter sido enganado pelo Scrapbook (Thirsty Ears), e o Frank Lowe no tenor, que sonoridade! Apesar dos nomes e passados guerreiros, não há batalha no ar, só beleza. A ouvir após o café da manhã, com a janela aberta.

Paul Bley - Sankt Gerold (ECM, 1996) - Cuidado prima, são variações austeras e austríacas de uma formação que joga há muito tempo (+Evan Parker+Barre Phillips) um jazz fora! de série. Um perfeito ECM ou o ECM perfeito?


Mat Maneri - Sustain (Thirsty Ear, 2002) - A prima Vera gosta tanto dos violinos que até espanta. O Maneri faz-lhe a vontade e toca vários deles, com uns tipos simpáticos, McPhee, W Parker, Taborn. A inSustaintável beleza do ouvir, à noitinha e em silêncio.


Bill Charlap - Written in the Stars (Blue Note, 2000) - Com quantas estrelas se escreve uma obra, prima? Não sei quantas, mas não chegam para este disco. A ouvir "pela calada da noite/in the still of the night", em viatura convertível mas acompanhada, porque a sós é perda, no entanto cuidado porque em Abriles, águas Miles.

William Parker - O'Neal's Porch (AUM, 2002) - A prima e o W. Parker foi paixão à primeira ouvista. Não passa ela sentadinha no alpendre, sem ouvir estes quatro tocando um jazz avançado. Um futuro clássico, para o fim de tarde.

Bernardo Sassetti - Ascent (Clean Feed, 2005) - Só para ateus e agnósticos convictos. Depois deste, irão todos pedir para ser baptizados, pois só esses entram no reino dos jazzes. Que obra, prima!

Peter Brötzmann - Never Too Late... Always Too Early (Eremite, 2003) - Ai, mas este não é o senhor das metralhadoras (Machine Gun-FMP)? Ouve lá prima, que nunca é tarde. De ouvidos e janelas escancaradas, e empurra o botão que diz Vol prá direita.

Kurt Elling - Flirting with Twilight (Blue Note, 2001) - O Rei está morto (Sinatra), viva o Rei (Elling). Não se pense que é um continuador/imitador, é antes um digno sucessor do maior singer/crooner de sempre. Ó prima, porque é que ninguém fala deste moço?

Anthony Braxton - Six Monk´s Compositions (Black Saint, 1987) - Escrevo-te prima, porque sei que andas com saudades do Monk e com falta de dinheiro pra comprar a tri obra, também ela prima do Schlippenbach (Monk's Casino - Intakt, 2005). Não te arrependes, ainda por cima com o Waldron e o Neidlinger, swinga que é uma beleza.

Flanger - Spirituals (Nonplace, 2005) - Ah, mas isto não é jazz! Ó prima, até parece que tens que andar sempre a ouvir essa música p'ra intelectuais...

João Henriques

 
 

Jeff Kaiser, trompetista norte-americano, chama a atenção para o facto de que, sendo raro a música improvisada aparecer anunciada em néon, tal ter acontecido com esta actuação do duo The Choir Boys (com Andrew Pask em saxofones, clarinetes e electrónicas) num ciclo de concertos na Ventura College, aumentado com a participação de G.E. Stinson (guitarra e electrónica) e Steuart Liebig (contrabaixo e electrónica). De meninos do coro é que estes quatro nada têm, sabidos que são nas artes da improvisação musical, dentro e fora do jazz. Há um investimento muito forte na exploração conjunta das vias acústica e electrónica em tempo real, cruzadas, sobrepostas, paralelas e em todas as demais combinações de que esta orquestra electroacústica é capaz. A música, subtil e orgânica, progride com sentido de drama por caminhos já cartografados, mas que ainda reservam algumas boas surpresas ao ouvinte.
The Choir Boys - The Choir Boys with Strings (pfMENTUM)

 
27.4.06
 
Desde 1995 que a austríaca Durian Records, de Viena, edita música escrita e improvisada que se inscreve nas áreas mistas da new music e do free jazz. Werner Dafeldecker, compositor e multi-instrumentista electroacústico vienense, dirige a casa de discos, publica o seu próprio trabalho e abre portas a artistas dos mais interessantes que há naquele universo.
É o caso de The Comforts of Madness, trio que, nesta versão, compreende Helge Hinteregger (saxofones e samplers), Uchihashi Kazuhisa, que trabalhou com os grupos Ground Zero e Altered States (guitarra e electrónica), e o veterano percussionista britânico Roger Turner, e se dedica com afinco à prática de linguagens não-idiomáticas afins da escola britânica de improvisação livre – como ramificações do Spontaneous Music Ensemble, de John Stevens, ou da Company, por extenso, Music Improvisation Company, de Derek Bailey –, com a electrónica gerida de modo a criar, conjuntamente com a percussão, ângulos, cumes, depressões cavadas e as mais amplas variações dinâmicas. «I went inside me and closed the door gently behind me. It was time to abstract myself from the world», é o mote para esta hora seguida de improvisação, de tema único – "Autism".
Gravação de 1997, publicada em 1999.

 
 


Tony Schwartz, media pioneer, audio documentarian.


 
 

Patience and reserve: two manifestations of self-control. Solitary figures await their joint moment, let it come, don't rush it, don't drown it in small-talk. Then when the time is right grab a hold and don't let it get away. Discipline has been your watchword. You've waited, and when you eat that 2000-year-old egg, it will be utterly scrumptious. For Zerang, Kessler, Brötzmann and McPhee, now's the time: peel back the rind, pop the cork, eat the egg. — John Corbett (hatOLOGY)

 
26.4.06
 


3, 4, 5, 11, 12 e 13 de Maio, 19h30
Trem Azul
Jazz Store Fest
Ravish Momin's Trio Tarana
Lost Gorbachevs
L.I.P (Lisbon Improvisation Players)
Double Bind Quartet
Alípio C. Neto DIGGIN'
V.G.O. (Variable Geometry Orchestra)


Variable Geometry Orchestra


 
 

Num interessante artigo publicado no seu Greenleaf Music Blog, Dave Douglas discorre sobre as gravações de 1970 de Miles Davis, realizadas num clube de Washington DC, o Cellar Door, recentemente editadas pela Columbia na caixa de 6 CD, "The Cellar Door Sessions". Douglas aborda questões relacionadas com a progressão gradual do quinteto acústico de inícios de 60 para a chamada “fase eléctrica”; rebate a ideia que por vezes se quer fazer passar, segundo a qual Miles, enquanto executante, seria um trompetista menor e tecnicamente limitado. «PLEASE listen to this recording and then refrain from saying Miles had bad trumpet technique. Ever again. OK?».
Douglas fala da fluência, do impecável timing do ataque de Miles; do contributo do trompetista para a moderna linguagem do trompete; do papel do produtor Teo Macero, tantas vezes criticado e condenado por alegadamente interferir demasiado na música, quer no som, quer nas opções quanto ao material a incluir ou a deixar de fora das edições discográficas. Macero, como Dave Douglas bem assinala, teve realmente um papel ingrato, na media em que trabalhava sobre música que era novidade para a época, e relativamente à qual era difícil destrinçar as peças ou segmentos excepcionais, das de menor valia, para efeito de as incluir ou não em disco.
Foi o caso da selecção de material para "Live Evil", em parte retirado das sessões de Washington, as mesmas que agora, e na íntegra, constituem as "Cellar Door Sessions" e dão uma imagem nítida do que era a música de Miles em 1970. Diferente da de 1969, de 1971, e assim sucessivamente. «But to me this work stands the test of time because it sounds inevitable. It sounds like a logical progression from the music that came before it, it sounds like a brilliant solution to a series of questions, it sounds as fresh and ingenious as the day it was made. It still excites with the freshness of discovery. What more should it have to do for us?».

 
25.4.06
 

Na última edição da revista online NewMusicBox, entrevista com Paul Austerlitz, etnomusicólogo, músico e investigador, autor de "Jazz Consciousness: Music, Race, and Humanity". Um olhar informado sobre o que se passa hoje no mundo da improvisação, que transcende em muito as fronteiras do afro-americanas do jazz, tendo, com o tempo, passado a abraçar toda a Humanidade, nas suas mais diversas formas.

 
 


Mauricio Kagel, Acustica (1968 - 70)
for experimental sound-producers and loudspeakers
(Deutsche Grammophon 2707 059)

Kölner Ensemble für Neue Musik: Christoph Caskel, Karlheinz Böttner, Edward H. Tarr, Wilhelm Bruck, Vinko Globokar. - Recorded Studio Rhenus, Godof Bei Köln (28. - 31. 1. 1971)

«Acustica is perhaps the most refined example of Kagel's work within his invented genre of 'instrumental theatre'. The score notes that 'the piece calls for unorthodox musicians who are prepared to extend the frontiers of their craft' since few of the 'experimental sound devices' specified are conventional instruments and where conventional instruments are included they are to be played in extraordinary ways. Each instrumental action is, however, meticulously notated and the creation and/or modification of instruments are also shown in diagrams and photographs. What the score does not specify is the order in which the individual instrumental events are to be played; Kagel suggests instead that each performer should select the events that they want to perform and then discover in rehearsal how best to order them in combination both with the pre-recorded material and with the sounds of the other players. If the result owes obvious debts both to John Cage and to the theatre of the absurd, its subversive critique of received ideas on what constitutes music and musical instruments is above all typical of Kagel, contemporary master of irony». (Christopher Fox)

 
 

25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo


Sofia de Mello Breyner

 
 

Em 2004, Ernesto Rodrigues (viola, violino), Michael Thieke (clarinetes), Guilherme Rodrigues (violoncelo, pocket trumpet) e Carlos Santos (electrónica) gravaram KREIS (Creative Sources 020), trabalho aturado sobre as propriedades físicas do som, com atenção totalmente voltada para a textura em detrimento da tonalidade. Há aqui imensa actividade, só que muito à flor da pele, sem levantar ondas nem tumultos. Tudo se passa para além do tempo e do silêncio, quando o espaço passa também a assumir um papel de maior relevo. KREIS, título da obra, remete para representação espacial sob a forma de círculo, e a denominação dos temas toma diferentes graduações desse círculo), permitindo a escuta atenta referenciar a exigente gestão espácio-temporal que o quarteto realiza e que imprime à música uma respiração própria, suave e descompassada. E é ouvir sons de baixa amplitude e intensidade (salvo um caso ou outro, quando irrompe um silvo de clarinete de Thieke, acompanhado pelas cordas, no tema 4 – “112º23’”) a harmonizarem-se num prolongado e multiforme restolhar, graças sobretudo ao cuidado posto no acto de ouvir – palavra-chave destas e doutras estéticas afins. Postura que os músicos privilegiam sobre a actividade de produção sonora, interagindo entre si e com o estúdio de gravação (microfones e mistura são fundamentais) num lowercase de primeira qualidade e efeito volátil. KREIS bebe na fonte de Berlim, mas também é certo que a insect music britânica, numa versão eventualmente mais esparsa, actualizada e tributária da electroacústica (e da manipulação electrónica), tem qualquer coisa a ver com isto que aqui se passa. Bem merece repetidas e atentas audições, única forma de apreender tudo quanto o círculo encerra em matéria de som, silêncio e das subtilezas que lhes dão vida.

 
 

UBU WEB: SOUND

Extended Voices Farfa F'loom Öyvind Fahlström Morton Feldman Luc Ferrari Fluxus 30th Anniversary Box Fluxus Anthology Fluxus Anthology 2006 Flux Tellus Fluxsweet Henry Flynt DJ Food Richard Foreman Terry Fox Furious Pig Fylkingen Anthology Kenneth Gaburo Gabo + Pevsner Drew Gardner Xavier Gautier Jean Genet Alberto Giacometti John Giorno Allen Ginsberg Philip Glass Glass / Summers Jean-Luc Godard Jack Goldstein Glenn Gould Dan Graham Group Ongaku David Grubbs Pierre Guyotat Brion Gysin Al Hansen Sten Hanson Happy New Ear Raoul Hausmann Tim Hawkinson Kevin Hehir Bernard Heidsieck Dick Higgins Åke Hodell Abbie Hoffman Bob Holman Joël Hubaut Richard Hulsenback Herbert Huncke Il concento prosodico Eugène Ionesco Isidore Isou Mick Jagger Ernst Jandl Bengt Emil Johnson Joe Jones James Joyce Mauricio Kagel Robin Kahn Vasilij Kamenskij On Kawara Mike Kelley Jack Kerouac Kipper Kids Klaus Kinski Yves Klein Ferdinand Kriwet Aleksej Krucenych Kuemmerling Trio Joan La Barbara Ilmar Laaban Jacques Lacan Lasry-Baschet Maurice Lemaître Wyndham Lewis Arrigo Lora-Totino John Lennon Sébastien Lespinasse Lauren Lesko Linnunlaulupuu Live To Air - Artists Soundworks Anna Lockwoood Christopher Logue Gherasim Luca Alvin Lucier Jackson Mac Low Angus MacLise Vladimir Maïakovski Hansjorg Mayer Pejk Malinovski F.T. Marinetti Paul McCarthy Jennifer & Kevin McCoy Marshall McLuhan Taylor Mead Jelle Meander Paul D. Miller aka DJ Spooky Christof Migone Henry Miller Enzo Minarelli Phil Minton ...

 
 



INTERPLAY ! BERLIN

Free Jazz & Improvisation in Film - Kunst - Konzert - Workshops
2 a 5 de Junho de 2006
Akademie der Künste
Hanseatenweg 10
10557 Berlin

 
24.4.06
 


Novidades na Sachimay Records e na subsidiária Sachimay Interventions Series.

 
 

A Pax Recordings anuncia que, a partir de 26 de Abril, Stephen Flinn realiza uma digressão que irá atravessar os EUA, de S. Francisco a Nova Iorque. O percussionista apresentará 22 concertos de percussão solo, à excepção de duas datas em Brooklyn, que contarão com a colaboração de Michael Evans e Bruce Tovsky, e outra com o pianista Kevin Uhlingher, respectivamente.

 
22.4.06
 

Finalmente... Derek Bailey / Gavin Bryars / Tony Oxley - Joseph Holbrooke Trio: "The Moat Recordings", material de 1999 em CD duplo, edição de 2006 da Tzadik.
Tzadik is proud to present a legendary reunion of 'Joseph Holbrooke' comprised of three master musicians - Derek Bailey, Gavin Bryars, and Tony Oxley - from the first generation of British improvisers. Originally produced by Gary Todd in 1999, the release of this exciting and historic music was delayed for years under tragic circumstances. These are the first and only studio recordings by this all-star trio whose brief existence in the mid Sixties has been a whispered rumor for decades. Produced in cooperation with the Cortical Foundation, this is astonishing, revelatory musical communication of the highest order.
A Flur tem.

 
 

Dia 24 de Abril prosseguem as Earshot Jazz Spring Series, com os holandeses Joost Buis, Martin van Duynhoven, Ab Baars e Wilbert de Joode - o Kinda Dukish Quartet, que, como o nome sugere, trabalha sobre o reportório de mestre Ellington. Desde Fevereiro que pelo Seattle têm passado formações americanas e europeias como Julian Priester Quartet, Ethnic Heritage Ensemble, Frank Gratkowski Quartet, Pharoah Sanders, Bill Frisell's Unspeakable Orchestra e a ICP Orchestra.

 
 

Esta semana, no Jazz on 3, passa a primeira parte de um concerto do San Francisco Jazz Collective gravado ao vivo no Barbican, em Londres, que celebra a música de Herbie Hancock. Com Joshua Redman (saxofone tenor), Bobby Hutcherson (vibrafone), Miguel Zenon (saxofone alto), Nicholas Payton (trompete), Andre Hayward (trombone), Renee Rosnes (piano), Matt Penman (contrabaixo) e Eric Harland (bateria).
Na segunda parte, Ralph Towner toca três peças para guitarra acústica em estúdio e conversa com John Fordham.

 
21.4.06
 


Big Joe Williams
(1903 - 1982)



 
 

O grupo com que o saxofonista Peter Bastien se apresentou ontem ao fim da tarde na Jazz Store da Trem Azul (& CO - SKY IS THE LIMIT) revelou uma série de sinais identitários de um jazz com vocação universalista, que encontra múltiplas referências na música improvisada de raiz afro-americana e em diversas das suas projecções europeias.
No programa, cinco composições das quais três originais de Bastien, uma de Joe McPhee cujo título não recordo, e o clássico Nature Boy, de Eden Ahbez, composição que serviu ao saxofonista para arrancar o mais quente e emotivo dos solos, o melhor da noite em que esteve bem apoiado por Ricardo Pinto (trompete), Eduardo Lála (trombone), José Mueleputo (guitarra eléctrica) e Miguel Trovoada (percussão).
Por ali passou um espírito marcadamente seventies actualizado e reformulado, com interessantes reverberações de escolas como a do AACM de Chicago, congéneres das que se podem encontrar na música de Kahil El'Zabar, do Ritual Trio ou de Ernest Dawkins, mas também da Nova Iorque de Charles Gayle ou Arthur Doyle. Esta última impressão advém em muito do som cru, ao mesmo tempo doce e agreste do tenor de Peter Bastien, que se revelou um líder no saber dirigir e dar espaço aos outros elementos para a improvisação colectiva e individual.
Trompete e trombone tiveram bons momentos de comunicação, trocaram mensagens em duo e solaram timidamente, com conta, peso e medida. A guitarra, perfeita como esteio harmónico, esteve discreta, tal como a percussão suave de Trovoada, como convinha ao desenho musical de Bastien, que também tocou percussões, disse textos poéticos - um músico a merecer maior reconhecimento por parte do público.
Saldou-se a prestação num concerto muito agradável. Pena seria que este grupo, que teve no concerto da Trem Azul a sua terceira actuação, não pudesse permanecer estável e coeso, de maneira a fluidificar processos e limar algumas arestas, sem comprometer o lado imperfeito de obra inacabada que lhe fica muito bem.

 
20.4.06
 

Esperei até me certificar se o Nuno Catarino iria em definitivo pôr o blog no off, ou se o interregno era apenas sabático ou reflexivo. Decorreram alguns dias e agora estou (estou?) seguro de que foi mesmo o fim, The End, como está epigrafado. Nada, nem mesmo o apelo lancinante deste confrade o fez convencer. Passou definitivamente à Reforma do Jazz (esta era fácil, eu sei, mas não resisti). O que é pena, porque faz falta a leitura diária d’A Forma do Jazz, na sua visão heterodoxa, sensível e informada, do jazz multipolar dos dias que correm, e do outro de antanho, gosto que partilhamos, como partilhamos a mesma aversão à cópia ou mimética do antigo, pechisbeque de feira que passa por ser jazz com interesse.
Fecha-se uma porta, abre-se uma janela: o Nuno Catarino passou a pertencer ao corpo redactorial da JAZZ.pt, o que, pessoal e “institucionalmente”, me agrada sobremaneira. Os leitores d’A Forma do Jazz só têm que passar a ler o Catarino em cada novo número da revista. Não é um blogue, certo, mas nada é perfeito. A propósito: a caminho, insinuante, vem o #6, recheado de assuntos estaladiços e renovados motivos de aplauso, escárnio e maldizer. Está, nesta fase, em adiantado estado de composição.
Ah, e o Jazz e Arredores tem sempre a porta aberta para alojar os teus escritos, Catarino, à falta de pior. Agradeço sempre a ajuda técnica para mexer os botões do Blogger. Se hoje me parecem amanteigados, ao princípio tiravam-me a paciência ao ponto que me iam custando um monitor novo...
"The Shape of Jazz to Come", Ornette Coleman (Atlantic).
Bem-vindo a bordo, Cat!

 
 
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DER GELBE KLANG - O Som Amarelo


TECHNOSHAMAN

Victor Gama // Pedro Almeida

«As raízes da musicalidade (instrumentos inventados de inspiração africana) em contexto electronicamente assistido, buscando a colisão da ancestralidade pagã e tribal com as visões do futuro tecnológico. O "sonho" cyber-punk, mediante a associação dos Pangeia Instrumentos de Victor Gama com a electrónica digital e de cunho particularmente performativo de Pedro Almeida, dois músicos de formações e percursos bem distintos nascidos em África, um em Angola e o outro em Moçambique.
Victor Gama explora novas sonoridades e novos processos de criação através da construção de instrumentos musicais, dispositivos sonoros e instalações, usando um método de experimentação em que design, som, música, imagem e performance são conjugados, tanto recorrendo a tecnologias de ponta como investigando a evolução dos instrumentos desde a pré-história. Pedro Almeida, também conhecido por pAL, escolheu o computador como instrumento depois de ter utilizado a percussão e a guitarra, baseando o seu trabalho no sampling, com o qual explora a voz até ao limite enquanto ferramenta sonora. Tem por lema "art4fun" (leia-se "art for fun"), sendo esse o seu principal conceito de criação artística».

26 de Abril - 19h00 - Sala Polivalente
Museu do Chiado
Rua Serpa Pinto, 4 Lisboa
Produção:
Granular

 
 

K K NULL, ou Kazuyuki Kishino, é o nome do artista japonês, membro do trio de rock hardcore Zeni Geva, que assina este interessante objecto sonoro sob a forma de EP (19’48’’). Gravado em Tóquio em Julho do ano passado, "Kosmo Incognitia" bem poderia servir de trilha sonora a Marte Ataca. Como no filme de Tim Burton, KK NULL só a espaços parece dar tréguas aos humanos, aliviando um pouco o ambiente de triturante e aflitiva saturação com que sistematicamente bombardeia o espectro sonoro. O contínuo e imparável fluxo de partículas agrega-se numa massa incandescente de noise experimental expressionista, com asperezas e pulsações afins do som de Mazami Akita (Merzbow), embora um pouco menos virulento e dotado de trejeitos de maior organicismo. Música de extremos na formulação e significado, permite descobrir o átomo sonoro no meio da mais intensa, compacta e fulminante descarga de ruído cósmico.
KK NULL - Kosmo Incognitia (Thisco)

 
19.4.06
 

DJ Shadow, Preemptive Strike 1997
"What Does Your Soul Look Like?"

 
 



 
 

ZDB, sábado, 22 de Abril, às 23h00
Modern_Beat_Sessions


Jan Jelinek (DE) // Braço (PT)

Jan Jelinek apresenta «Kosmischer Pitch» c/ Andrew Pekler e Hanno Leichtmann

Começando a publicar a sua música em Berlim através dos pseudónimos Gramm e Forss, Jan Jelinek rapidamente se estabeleceu como um dos visionários do techno da viragem do milénio. Trabalhando o dub e um jazz fractalizado miscigenado desde as entradas em techno, andava por vanguardas urbanas algures entre Sutekh ou Pole.
É curioso notar que praticamente na mesma altura em que Jelinek lançava o seu primeiro 12”, os To Rococo Rot lançavam um álbum, «The Amateur View», que é possivelmente o mais directo antecessor de «Kosmischer Pitch», disco lançado em 2005 que Jelinek vem nesta ocasião apresentar à ZDB em trio, ladeado por Andrew Pekler e Hanno Leichtmann. Visto por muitos como um dos mais conseguidos álbuns de «kraut» moderno na acepção mais ampla do género, «The Amateur View», tal como «Kosmischer Pitch», destilava para formas contemporâneas os ensinamentos dos Cluster de «Zuckerzeit», uma metronomia dos Neu em versão câmera lenta, e um trabalho baseado em samples e electrónicas analógicas cujo cunho era só seu.
Em «Kösmischer Pitch» Jelinek leva ainda mais longe o trabalho que já tinha iniciado com os australianos Triosk, editado pela Leaf e pela ~scape. Que poucos ou nenhuns trabalham o sampler como ele é já dado quase adquirido por todos os que alguma vez o escutaram com atenção. O que já conseguiu desenvolver criativamente nesta fase da sua carreira, contudo, leva-o para territórios onde a mistura profunda entre o electrónico, o digital, o analógico, o eléctrico e o acústico roça totalidades inauditas. Encontramos a «kosmische music» alemã, os clicks’n’cuts, reverberações distantes do jazz num vibrafone que pode ter pertencido a Milt Jackson, um balanço e pulso de um Jaki Liebezeit de 2ª geração, ou um loop partido por Markus Popp. Nada é sobreposto e vertical; tudo é entretecido.
Para vários já aclamado como um dos discos da sua vida, «Kosmischer Pitch» mostra-nos Jan Jelinek em contínuo e superior estado de graça. Apresentação ao vivo na altura certa.

Braço

Projecto de Afonso Simões (Phoebus, Fish & Sheep) e Pedro Gomes (CAVEIRA), os Braço utilizam uma panóplia de objectos recontextualizados e instrumentos, das mais variadas percussões, a sopros ou a um «steel drum». Principalmente focados na exploração e desconstrução de pecurssão polirrítmica partilhada, muito do seu som é amplificado por microfones e processado por pedais de efeitos.
O resultado final é totalmente improvisado, seco e angular, remontando a alguns ecos dos primeiros discos da No-Neck Blues Band, e aos momentos mais fragmentados de bandas como os This Heat, Skaters, Dead C ou Swell Maps. Dissertações compenetradas e descomprometidas em som, numa colaboração que remonta, nas mais variadas plataformas, há mais de sete anos.


 
 

Uma das características mais imediatamente reconhecíveis na música do Chicago Underground Duo, que parte de uma matéria-prima sonora muito diversa e ampla nas suas fontes e recursos, é o seu extraordinário e quase paradoxal refinamento. Na base do trabalho de Rob Mazurek e Chad Taylor está uma atenção delicada à música electroacústica contemporânea e ao jazz pós-Miles “eléctrico”, patente na paleta cool de tonalidades sombrias, com um pé firme na continuidade estética da escola AACM de Chicago, e outro numa multiplicidade de marcas reconhecíveis, que vão do pós‑rock ao experimentalismo moderno, com um toque de improvisação inspirada em Don Cherry. "In Praise of Shadows", reforçando a focagem no relacionamento entre rito ancestral e novas tecnologias, é o trabalho mais consistente, maturado e expansivo que o duo empreendeu desde a estreia em 1998.
Chicago Underground Duo - In Praise of Shadows (Thrill Jockey)

 
18.4.06
 

As três peças improvisadas pelo duo I Treni Inerti (Ruth Barberán, trompete, e Alfredo Costa Monteiro, acordeão) no recente "Aérea", são muito diferentes entre si, tendo em comum o aprofundamento da pesquisa tímbrica e textural própria das linguagens da nova improvisação, que investe quase tudo no som enquanto matéria plástica. Dir‑se‑ia que em Luz Azul, tema de abertura, há ainda vestígios de convencionalismo, no sentido em que soa próximo da música contemporânea escrita, estrategicamente organizada em blocos harmónicos dispostos em camadas que se metamorfoseiam em investidas minimais de acordeão, atravessadas por obliquas figuras metálicas de trompete. Nos dois temas seguintes, Ici e Era Mala Maré (em menor grau, neste último caso), o duo abandona a nota e a escala, optando antes pelas possibilidades das chamadas técnicas extensivas com que exploram o som em toda sua dimensão, incluindo os aspectos periféricos associados, como a respiração, o murmúrio ou o afago suave das peças que compõem os instrumentos. Efeitos que criam uma imagem sonora espectral, acentuada por uma equilibrada gestão da alternância entre som e silêncio. Na derradeira peça, o duo retoma o drone impressionista, como navios que lentamente atravessam espessos bancos de nevoeiro, que se vão dissipando por obra da luz e do calor. O duo ibérico radicado em Barcelona assina um trabalho convicto, resultando num disco de interessante efeito estético e agradável audição.
I Treni Inerti - Aérea (Creative Sources 050)
 
17.4.06
 

Trem Azul Jazz Store Fest.
Dias 3, 4, 5, 11, 12 e 13 de Maio


A Trem Azul Jazz Store anuncia a realização de um festival dedicado ao jazz e à música improvisada não-idiomática.

Dia 3 - Ravish Momin´s Trio Tarana
Jason Kao Hwang - violino
Shanir Ezra Blumenkranz – alaúde, contrabaixo
Ravish Momin – bateria, percussão, voz

Dia 4 - Lost Gorbachevs
Gustavo Costa – bateria, electrónicas
João Martins - saxofone
Henrique Fernandes - contrabaixo

Dia 5 - L.I.P (Lisbon Improvisation Players)
Rodrigo Amado – saxofone alto e barítono
Pedro Gonçalves – contrabaixo
Acácio Salero – bateria

Dia 11 - Double Bind Quartet
Vitor Rua – guitarra eléctrica de 8 cordas, pedais de distorção e delay
Carlos Zíngaro– violino acústico processado
Luis San Payo – bateria e percussões
Vera Mantero – performance, voz

Dia 12 - Alípio C. Neto DIGGIN'
Ben Stapp – tuba
Alípio C Neto – saxofones, melódica e percussões
Rui Gonçalves – bateria, guitarra
Gonçalo Lopes - clarinete baixo
Jean-Marc Charmier - trompete e flugelhorn

Dia 13 - V.G.O ( Variable Geometry Orchestra)
Ernesto Rodrigues - violino, viola, direcção
Pedro Costa - violino
Guilherme Rodrigues - violoncelo
Hernâni Faustino - contrabaixo
Sei Miguel - trompete
Eduardo Chagas - trombone
Bruno Parrinha - clarinete, clarinete alto
Miguel Bernardo - clarinete
Jorge Lampreia - flauta, saxofone soprano
Nuno Torres – saxofone alto
Peter Bastiaan – saxofone alto e voz
Alípio C. Neto – saxofone tenor
Rui Horta Santos – saxofone tenor
Luís Lopes – guitarra electrica
Ivan Cabral - didgeridoo
Travassos - tapes
Adriana Sá - electrónicas
Carlos Santos - electrónicas
Rafael Toral - electrónicas
Miguel Martins - melodica, xylophone, percussão
Armando Pereira - acordeão
César Burago - percussão
José Oliveira - bateria, percussão

 
 

Entrevista de José Duarte a Hernâni Faustino, Março passado.

 
 

De 2 a 5 de Junho, o Moers Festival leva ao palco um número considerável de artistas tão diferentes como Marc Ducret Trio, John Scofield, Brötzmann / Pliakas / Wertmüller, Arve Henriksen / Jan Bang / Audun Kleive, United Women‘s Orchestra feat. Michael Schiefel, Molvaer / Laswell / Aarset / Drake / Dieng, Jamie Lidell & Gonzales, Cologne Contemporary Jazz Orchestra, Scorch Trio / The Thing e Dewey Redman Quartet.

 
16.4.06
 
"Atelier Incrémentiel pour la Musique Expérimentale":
Thèse de doctorat en Intelligence Artificielle. Vincent LESBROS



 
 


’05 compositions - Kenneth Kirschner - «Composicións que xa foran publicadas nunha versión anterior na páxina web do autor, nas datas que aparecen no nome das composicións. O compositor neoyorkino Kenneth Kirschner, mantén unha especie de diario de creación, donde vai poñendo as composicións que vai facendo. Introducindoas cunha clasificación extrictamente temporal e cronolóxica. Desa liña temporal, extraémolas catro composicións para esta publicación, das que logo faría estas versións, en exclusiva para todos nos».
- Imaxe Xesús Valle (
alg-a netlabel)

 
 

SINSAL Radio, do Colectivo SINSALaudio, Vigo, Espanha: concertos de Merz, Ultralyd, Pelt, Jana Hunter, Castanets, Za, Yellow Swans, Erick Messler, Micah P. Hinson, e Hauschka.

 
 

Onda Sonora Radio, a partir de Madrid, disponível no cluster Arte Sonoro

 
 

Saturday April 22nd, 4pm
An afternoon with
TRIPTYCH MYTH
39 Hawthorne Street
Brooklyn, NY 11225

 
15.4.06
 

"Happy New Ears!", tomai lá do ATOMIC. Depois do triplo live "Bikini Tapes", novo disco de estúdio do quinteto de Fredrik Ljungkvist, Magnus Broo, Havard Wilk, Ingebrigt Håker Flaten e Paal Nilssen-Love. 10 composições originais no estilo híbrido de New Thing revisto e actualizado e do ramo nórdico do Jazz Europeu a que nos habituaram desde "Feet Music", de 2002. Jazzland Recordings.

 
 

«The outer space beings are my brothers. They sent me here. They already know my music. So rise lightly from the earth and try your wings. Try them now while the darkness is invisible. THIS is the space age the age beyond the Earth Age, a different direction beyond the gravitations of the past THIS is the space age this disguised TWIN of TOMORROW striking upon the Earth with relentless power like a perpetual whip. This IS the space age... Prepare for the journey! YOU have a rendez-vous with the Living Wisdom of the Unadulterated Fate. Prepare for the journey! Like a happy child you will step out of the pages of the Blinding Blend of the Book, and gaze astounded at the ENDLESS SPACE of the COSMO-VOID. Your new course is the Cosmic Way... Your new vehicle is the Cosmic Plane; You are to reach / approach the Omni-Cosmo Way You will learn to journey with courage... with Fiery Aim to Find the even greater day of the even greater tomorrow. The COSMO - TIMELESS Realm of the Omni-Evolution-Immortalic Day».
My Space: SUN RA // You Tube



 
 

Lezrod, artista colombiano das electrónicas que dá pelo nome civil de David Velez, regressa com um terceiro disco, depois de "Retorno a La Nada", na Zymogen, e do mais recente "Seleccion Natural", na Test Tube. De volta à Zymogen, desta vez com "Data Transfer" (zym007), Lezrod partilha o cenário com os artistas com quem o audio destructionalist trocou ficheiros musicais durante algum tempo (daí o título "Data Transfer"), Fabian Moncada, aka fgmcvp (Colômbia), Darren McClure (Japão), Bob Gurdonark (Texas) e Stephen Walter (Ohio). O que nos oferecem Lezrod e amigos desta vez é um novo conjunto de composições mutantes na forma e conteúdo, complexas estruturas ritmicas e texturais baseadas em drones e glitch experimental, inusitadas construções electrónicas organizadas e montadas segundo as leis do cinema, imagens e sons em movimento. Notam-se as diferenças de concepção dos vários artistas, que resultam em sinergias positivas a favor da criação musical. A tónica da produção é posta na colaboração artística e o resultado é muito interessante de ouvir. Repetidamente.
Lezrod - Data Transfer (zym007)

 
 


No Jazz on 3 desta semana: Dave Douglas & Tiny Bell Trio ao vivo em Londres (St Luke). No programa, "Blue Latitudes", obra comissionada e co-executada pelo Birmingham Contemporary Music Group. Composições de Douglas inspiradas nas aventuras e explorações náuticas de Captain Cook. Para o empreendimento, em vez dos habituais Brad Shepik e Jim Black, Dave Douglas escolheu Susie Ibarra e Mark Dresser, confrontando em palco estes dois pesos-pesados da improvisação actual com o BCMG, ensemble britânico de música contemporânea.

 
 

De 28 a 30 de Abril 2006:
ULRICHSBERGER KALEIDOPHON 2006

Philip Zoubek & Paul Hubweber
Low Frequency Orchestra
Quartet Noir
Robin Hayward - Valve Division
Use
ZFP-Quartet
Roscoe Mitchell Trio
Looper: Mass
Earl Howard & Gustavo Aguilar
JR3
Will Holshouser Trio



 
14.4.06
 


Pedro Chambel regressa a alguns dos mais interessantes aspectos das instâncias de despojamento de linguagem sonora que usou no seu álbum de estreia (Anamnesis - CS004). Abstracção e experimentalismo continuam a ser as linhas de enquadramento da música de Chambel. Onde antes crepitavam fragmentos de ruído para-industrial, em sequências de erupções descontínuas, frequências com maior amplitude sonora e diferentes níveis de intensidade, há agora um maior investimento no silêncio e no drone eléctrico com origem no amplificador da guitarra, sobre o qual Chambel dispõe o resultado da sua meticulosa actividade com microfones. Mais maduro, despojado e incisivo que Anamnesis, em Bruit continua a reconhece-se algum parentesco estético com Keith Rowe, patente numa série de técnicas comuns de abordar o instrumento que à falta de melhor termo ainda se pode designar por guitarra eléctrica, e de onde brotam micro-sons electroacústicos e ricas texturas de ruído modulado e delicadamente integrado na corrente dronológica, reminiscente do disco anterior. Bom trabalho, este de Pedro Chambel, eventualmente mais concentrado, personalizado e comunicativo que o disco de estreia, no qual o improvisador português já deixava entrever algumas pistas de desenvolvimento para ulteriores investigações.
Pedro Chambel - Bruit (Creative Sources, 059)

 
13.4.06
 



FIMAV/2006



 
12.4.06
 

"wooly-free-funk-guitar"

 
 


Ce vendredi 14 avril, à l’initiative de Joëlle Léandre, Instants Chavirés accueille 23 musiciens pour une soirée dédiée au guitariste DEREK BAILEY, figure incontournable des musiques improvisées et expérimentales, disparu le 25 décembre dernier.

Seront présents: Noël Akchoté, Olivier Benoit, Steve Beresford, Raymond Boni, Hélène Breshand, Etienne Brunet, Pascal Contet, Bertrand Denzler, Jean-Luc Guionnet, Malcolm Goldstein, Jean-Marc Foussat, Joëlle Léandre, Urs Leimgruber, Thierry Madiot, Jean-François Pauvros, Barre Phillips, Hasse Poulsen, John Russel, Paul Rutherford, Andrew Sharpley, Roger Turner, Phil Wachsmann, Dan Warburton.

DES 19H00 au 994 m2 au 2 rue Emile Zola à Montreuil (150 mètres avant la salle des Instants). Diffusion de la vidéo live “Derek Bailey, Playing For Friends On 5th Street” suivi de performances solo.

ENTREE LIBRE. Merci et à vendredi!

 
 

Vão lá estar Adriana Sá, Carlos Zíngaro, Telectu (Jorge Lima Barreto e Vitor Rua), Rafael Toral, Fred Frith, Anthony Braxton e muitos outros.
The Sonorities Festival is the longest-running new music festival in Ireland and is one of the cornerstone Festivals in Europe presenting innovative new music. The Festival has always brought to Northern Ireland innovative ideas and sounds from across the world and the 2006 Festival is no exception in this regard. The 2006 edition of Sonorities focuses on the theme of composer/performer. This festival presents a profile of international artists who propose alternatives to the traditional composer/performer relationship and resist generic modes of dissemination in favour of specific performance or presentation situations.

 
 

Segundo disco do baterista Pete La Roca como líder (depois de Basra, 1965), publicado pela independente Douglas Records, "Turkish Women at the Bath", de 1967, regressa agora ao mundo dos vivos pela mão da Fresh Sound. Condenado a décadas de penumbra, mais pelas imprevisíveis vicissitudes do tempo que pela intrínseca qualidade musical, a reedição repõe em circulação um mais obscuros discos dos anos 60. Outro motivo de interesse reside na rara oportunidade de ouvir o saxofonista John Gilmore fora da Arkestra de Sun Ra. Mais depurado, muito diferente do estilo que ali praticava, Gilmore ganha merecido protagonismo nas interessantes trocas com Chick Corea, a um passo da fusion. E com o líder, cuja composição incorpora motivos afro-orientais, fazendo reflectir a sua preferência pelas cores quentes de um exotismo suave.
Pete La Roca - Turkish Women at the Bath (Fresh Sound)

 
 

Entre 8 e 11 de Junho, Cantanhede receberá o III Festival Internacional de Dixieland .
«Organizado pelo Município de Cantanhede e pela INOVA-EM, o festival contará com a participação de nove prestigiadas bandas nacionais e internacionais de dixieland, designadamente: Tito Martino Jazz Band (Brasil), Lalo’s Dixielanders (Itália), The Scat Cats (Holanda), Pixi Dixi Jazz Band (Espanha), The Sheiks of Europe (Dinamarca, Espanha, Itália, Inglaterra e Portugal), The Good Time Jazz Band (Banda Internacional) e das bandas portuguesas Dixie Gang, Desbundixie e Dixie Gringos.
O evento envolve espectáculos de apresentação das bandas nas 19 freguesias do Concelho e concertos em Cantanhede, num recinto especialmente preparado para o efeito, encerrando com uma Street Parade a realizar na cidade em 11 de Junho, domingo, pelas 16 horas, ao longo das principais ruas da cidade.
Este desfile contará com a participação de todas as bandas do Festival, das três Bandas Filarmónicas do Concelho, de Associações e Escolas, grupos de dança, entretainers, charretes, carros antigos, side cars, bicicletas e outros veículos, numa manifestação festiva que terá um envolvimento popular de grande dimensão.
De facto, à semelhança das primeiras edições, a população da Cidade de Cantanhede vai proceder à decoração das janelas e varandas das habitações, engalanando as ruas que constituem o percurso da Street Parade.
Integrada no festival, decorrerá no Parque Expo-Desportivo de S. Mateus, a oitava edição da Tapas & Papas – Feira de Gastronomia e Artesanato de Cantanhede, que vai registar a presença de prestigiados restaurantes do Município, bem como tasquinhas a cargo das associações concelhias, e mais de 50 artesãos provenientes de todo o País».

 
 


Em próximas reedições hatHOLOGY há discos imprescindíveis como "Ne Plus Ultra", do Warne Marsh Quartet, em versão remasterizada. Oportunidade rara de ver reeditado material importante de um dos mais importantes e negligenciados músicos da Costa Oeste (f. 1987), que merece muito mais que os rótulos de frio, cerebral e de seguidor de Lennie Tristano com que passou à história. Injustamente, porque Warne Marsh foi sempre um saxofonista de pensamento livre. Mesmo quando tocava “dentro” dos temas era enorme a sua inventividade rítmica. Ne Plus Ultra apresenta Marsh num quarteto pianoless de 1969, com Gary Foster, saxofone alto; Dave Parlato, contrabaixo; e John Tirabasso, bateria.


Outro disco há muito esgotado é "N.Y.N.Y. 1971", de Joe McPhee e a Survival Unit II, com Clifford Thornton, Byron Morris, Mike Kull e Harold Smith, gravado ao vivo naquele ano na WBAI's Free Music Store. Gravação que, por si só, fez com que Werner X. Uehlinger viesse a fundar a Hat Hut Records em 1975 (a avó da actual hatHOLOGY), na sequência de uma viagem que o produtor suíço fez à América e que lhe proporcionou o ensejo de ouvir as bobines. Com esta reeedição remasterizada a Hat assinala 30 anos de actividade editorial.

 
11.4.06
 
ernesto_rodrigues violin, viola
guilherme_rodrigues pocket trumpet
eduardo_chagas trombone
rui_horta_santos electric guitar
hernâni_faustino double bass
miguel_martins
melodica, flutes, trumpet, percussion
13.04.2006_18h30_FNAC Chiado, Lx



 
 

Melodiradion: Jazz & Other Sounds...
Don Cherry: Live & Rare Recordings - Part 1, no volume 4.
Para trás, ainda tempo de serem ouvidos em podcast, o trio Air, Archie Shepp, John Coltrane, o sueco Mount Everest Trio, Sun Ra Arkestra, Clifford Thornton, e muitos mais.

 
10.4.06
 

Ora aí está uma bela notícia: a reedição em CD de THE WORLD UPSIDE DOWN, uma das mais cativantes obras de Glenn Branca. Gravada em 1990, World ... , obra para bailado em sete movimentos – First Movement (Temple of Venus, Part I); Second Movement (Temple of Venus, Part II); Third Movement; Fourth Movement; Fifth Movement; Sixth Movement (Fluid Density); Seventh Movement (Polyhymnia) – é das também das mais acessíveis de Branca, menos escura que algumas sinfonias (n.ºs 7, 9 e 11) e porventura mais “amigável” às primeiras audições, tal como acontece com as sinfonias que escreveu para guitarras (n.ºs 1, 2, 6, 8, 10, 12 e 13). Aliás, Branca é capaz de pôr a New York Chamber Sinfonia a soar como se de uma orquestra de guitarras eléctricas se tratasse. Edição original em Lp por Les Disques Du Crepuscule, em 1992. Reimpressão em 2006 pela Atavistic.
Por falar em sinfonias para guitarras, vejam-se as fotografias dos bastidores e ensaios da recente apresentação de "Hallucination City: Symphony no. 13 for 100 Guitars", executada ainda não há duas semanas (29 de Março), no Walt Disney Hall, em Los Angeles, Califórnia. "Interplanetary musics from the netherworlds...".

 
 

Sun Ra, Live At The Lone Star Roadhouse & African Street 1989 (DVD Transparency)
Sun Ra, Live In Oakland 1991 (DVD Transparency)


 
 

"Blemish" (Samadhi Sound), álbum de David Sylvian, foi ponto de interesecção dos caminhos do cantor com as electrónicas de Christian Fennesz e a guitarra de Derek Bailey. Uma suite de canções de estrutura aberta, decantadas das sessões de improvisação que os três realizaram em estúdio e que assinalaram um dia diferente (3 de Feevereiro de 2003) na vida e na obra de cada um dos intervenientes.
Notícia agora é que, segundo a página do artista (gentilmente sugerida por Pedro Santos), David Sylvian deu por terminados os trabalhos de mistura e masterização da sessão que Derek Bailey gravou para o álbum, aquela que viria a ser uma das suas derradeiras gravações de estúdio antes de adoecer. O disco, intitulado "To Play (the Blemish Sessions)", tem edição prevista para Setembro deste ano.


 
 

Drummer, hummer, on the floor,
Dreaming of wild beats, softer still,
Yet free of violent city noise,
Please, sweet morning,
Stay here forever.
(Bob Kaufman)

 
 

Este ano, quinta edição do ACOUSMANIA, International Festival of Electronic and Computer Music, que tem lugar em Bucareste, Roménia, de 3 a 8 de Maio.
Compositores: Iannis Xenakis, Françoise Barrière, Rainer Boesch, Pierre Henry, Iancu Dumitrescu, Roald Baudoux, Ana-Maria Avram, John Cage, Edgar Varèse, Christian Clozier, Chris Cutler, Costin Cazaban, Tim Hodgkinson, Fabio Cifariello-Ciardi, Marek Choloniewski,Yves Coffy, Yves Daoust, Jean-Paul Dessy, Ken Walicki, Bernard Donzel-Gargand,Gustavo Aguilar, Irinel Anghel,Gocan Denec, Pete Ehrnrooth, Fred Frith, Francesco Galante, Paolo Girol, Earl Howard, Andrei Kivu, Costin Miereanu, Philippe Moenne-Loccoz, Elio Martusciello, Octav Nemescu, Gérard Pape, Fred Popovici, Robert Reigle, Jean-Claude Risset, Laurent Soulié, Samon Takahashi, Petru Teodorescu,Todor Todoroff, Stefano Trevisi, Anette Vande Gorne, Ulpiu Vlad, Roman Vlad e Mihaela Vosganian.
Solistas convidados: Tim Hodgkinson (UK), Gustavo Aguilar (USA), Earl Howard ( USA) Denis Simandy (France), Robert Reigle (USA)
Programa detalhado.

 
8.4.06
 

Já aí anda, ao alcance dos admiradores do japonês Masami Akita, que também dá pelo nome de Merzbow, a aguardada caixa de 4 CD's, "Turmeric". A cada disco corresponde uma cor e a cada cor seu paladar: laranja, verde, roxo e amarelo, as quatro cores do harsh noise mais bravio, como o que cultivam Null, The Saboten, Boredoms, Ruins, Kazumoto Endo, Incapacitants ou Pain Jerk, para citar algumas forças vivas do ruidismo mais catita.
Entretanto, para ajudar à compreensão do fenómeno do noise em geral, e do japanoise em particular, proponho a leitura do ensaio de Nicholas Smith, "Why Hardcore Goes Soft: Adorno, Japanese Noise, and the Extirpation of Dissonance".

Masami Akita

 
7.4.06
 


Na RUM - Rádio Universitária do Minho, José Carlos Santos, o homem do Braga Jazz, conduz a partir de hoje o programa "SÓJAZZ". Assim será todas as sextas-feiras, entre as 22h00 e as 00h00.

- Emissão de 7 de Abril na primeira hora, destaque para o 1º Cd do S.F. Jazz Collective, a propósito do concerto a realizar no dia seguinte na Casa da Música, no Porto.
- 14 de Abril - sexta-feira 22h/meia-noite, destaque para o último Cd de Steve Coleman -"Weaving symbolics";
- 21 de Abril - sexta-feira 22h/meia-noite, destaque para o "Zentralquartett" do trombonista Conrad Bauer, do sax de E. Petrowsky, a bateria de Gunther Sommer e o piano de U. Gumpert;
- 28 de Abril - sexta-feira, 22h/meia-noite, destaque para o trabalho "Kneebody" gravado para a Greenleaf, de Dave Douglas.

Durante este mês, das 23h00 às 00h00 (2ª hora do programa), destaque para o jazz sueco, através dos grupos Double Standards, Plunge, Albert Pinton, Fredrik Nordstrom, Filip Augustson, Fredrik Nordstrom, Magnos Broo, Torbjorn Zetterberg, etc.

 
 

(Ilustração de Yves Budin)

Diz Steve Coleman:
«Many people have asked me what are my reasons for giving away music for free.
Well, why not? Why should everything always cost something? For me music is organized sound that can be used as sonic symbols to communicate ideas. Since my main goal is the communication of these ideas to the people, then why not provide this music for free and thereby facilitating the distribution of this music to the people. However the distribution of music in this way is not in the best interest of commercial music companies, i.e. record companies, music distributors, retail stores, etc [...]».

Vai daí, o artista disponibiliza para descarregamento gratuito 15 álbuns da sua discografia. Tudo legal e autorizado pelo próprio, claro está. Quem é amigo, quem é? Eu?! Não, Steve Coleman.


 
 

«Enciclopédia Masada em permanente expansão e redefinição, ou como a mente criativa de John Zorn não consegue impor limites à necessidade de exteriorização das suas mais firmes crenças musicais. Radical e obsessivo, Zorn parece não se preocupar que o mundo não gire tão rápido como a sua editora. Acaba por ser natural deixarmos escapar muita coisa, mas há momentos que são impossíveis de ignorar, como o combo Electric Masada – John Zorn, Marc Ribot, Jamie Saft, Ikue Mori, Trevor Dunn, Joey Baron, Kenny Wollesen e Cyro Baptista. Depois da electrificação em «Masada Anniversary Edition Vol. 1: Masada Guitar» e dos vários ensembles que foram entretanto criados, o mais natural seria esperar que Zorn, ele próprio, assumisse a liderança de um grupo all-stars, dando novo fôlego às suas sagradas escrituras. Electric Masada é uma hipótese de gozo colectivo e de interpretação conjunta, diálogos e contra-diálogos, citações e contra-citações, relâmpagos Naked City, tensão cinematográfica, jogos de sedução Cobra: uma espécie de festa privada de músicos sobredotados em comunhão livre. Talvez por isso, Electric Masada apenas exista ao vivo - depois da estreia na festa do 50º aniversário de John Zorn, este "At The Mountain Of Madness" documenta o trajecto de estrada (que também passou por Portugal), mais concretamente com dois concertos em Moscovo e Liubliana. Perfeitamente gravado (como sempre), dentro de um duplo digipak de requintes luxuosos (como sempre), Electric Masada estende o tapete para um futuro standard» - Flur.

 
 
Quatro instrumentistas europeus tocam cinco instrumentos acústicos – harpa, tuba, viola, clarinete baixo e saxofone soprano. Cordas e sopros trabalham em associação sonora sobre o objecto micro-som, o átomo sonoro. Empregando todo o potencial acústico do baixo volume, apertada disciplina e organização, o quarteto de Rhodri Davis, Robin Hayward, Julia Eckardt e Lucio Capece faz uso das chamadas extended techniques, colocando-se numa variedade de situações sonoras invulgares, relações de continuidade / descontinuidade, ambientes em que se esculpem as duas peças musicais de "Amber", registadas em Berlim (2004).
Nelas, poesia sonora de recorte atípico convive com acidentes aleatórios e deliberadamente provocados, sons musicais e ruído orgânico experimental analógico, próximo do glitch electrónico. "Amber" mistura vários lotes tímbricos, conjuga diferentes zonas multipolares em que plasticamente se interseccionam as diferentes vibrações instrumentais em movimento.
Rhodri Davis / Robin Hayward / Julia Eckardt / Lucio Capece - AMBER (Creative Sources 031)

 
6.4.06
 

The Contest of Pleasures, trio de John Butcher (saxofones tenor e soprano), Xavier Charles (clarinete) e Axel Dörner (trompete), regressam com "Albi Days", gravado em Albi no âmbito dos encontros Musique, Quotidien, Sonore, em 2005. Sobre o disco, edição recente da francesa Potlatch, escreveu John Butcher:

«Every acoustic musician is at the mercy of the sound of the room they play in. Whilst there may be awkward mismatches for composed music, improvisers can, if they wish, radically shape their music to the acoustics in which they find themselves.
In Albi we explored this interplay a little further. Laurent Sassi recorded the trio in the large hall of L'Athanor cultural centre, in the extremely resonant antechamber of the Chapelle, in the Chapelle itself and in the dry studio of GMEA. Some situations used multiple instrument microphones, others room mics. We played inside the Chapelle, with the microphones outside the room; in the studio, where two mics per instrument could create parallel trios; in L'Athanor, with Laurent manipulating a live mix from distant microphones placed all around the room.
The four of us then made pieces, edited from the many hours of music. Music concrete, composition maybe, that still, most of the time, to me anyway, sounds like musicians improvising together».

 
 

Ó Hammond, que nas mãos de Larry soaste como nunca! Depois de três tiros dados na Prestige, onde esteve entre 1960 e 1962 - "Testifying", "Young Blues" e "Groove Street" -, Larry Young estreava em grande na Blue Note em 1964, casa para a qual gravaria um bom par de obras-primas. Tenho aqui pronto a ouvir de seguida "Of Love & Peace", um monstro sagrado do groove, com travo intenso a Coltrane final, gravado dois anos depois de "Into Somethin'", em 1966. Este outro tem Sam Rivers (vai estar no Vision Festival deste ano, em Junho próximo, com big band....), Grant Green e Elvin Jones.

 
 

Randy Weston apaga hoje 80 velas. Happy Birthday, Mr. Weston!

 
 

"Shine Ball", o mais recente disco de Bill Carrothers, é em parte uma surpresa. Por uma razão dupla: desde logo por ser em trio com piano preparado; depois, porque Bill preenche a hora de duração do disco com uma sequência de 14 improvisações espontâneas, todas elas diferentes em termos de mood, formatação e andamento, gravadas num directo em estúdio «with no overdubs, fixes or discussion», escreve Carrothers nas notas. O pianista pôs de lado a farpela mainstream e optou por trabalhar essencialmente sobre o som do piano, simples ou preparado, em variações dinâmicas que fazem lembrar o melhor Paul Bley. Gordon Johnson, discreto, competente e eficaz, toca contrabaixo e produz o disco. O baterista da sessão (ou sessões, visto o disco ter sido gravado ao longo de um ano), é Dave King, do trio fashion The Bad Plus.
Interessante faceta, esta de livre-improvisador de Bill Carrothers. Sem imitar, citar abusivamente ou reverenciar ninguém em particular, com humor arrisca a descoberta fora da corriqueira navegação à vista. «There are no lead sheets for this music. It was completely spontaneously improvised on the spot. There wasn't a single scrap of paper between the three of us. The only things we talked about in the studio were our kids. My kind of recording! Just as well...I can't read music anyway».
Shine Ball, sendo obra de criação espontânea, não compromete o sentido melódico e a sensibilidade próprios do grande pianista que Bill Carrothers é, cujo reconhecimento público (e conhecimento alargado), ao fim de uma dezena de discos como líder e de uma vintena de anos de carreira, tarda em chegar. Grande disco de 2005, que só saiu no final do ano, em Dezembro; razão pela qual ficou ausente das listas de melhores do ano, quer-me parecer.
Bill Carrothers featuring Gordon Johnson & Dave King - Shine Ball (Fresh Sound, 2005)

 
5.4.06
 

Prince Lasha e Sonny Simmons juntos num grande clássico de 1963, da Contemporary. Com dois contrabaixistas, Gary Peacock e Mark Procter, e o baterista Gene Stone. "The Cry!"

 
4.4.06
 

Assif Tsahar (36 anos), fundador da Hopscotch Records, saxofonista tenor de ascendência israelita e acentuada tendência free, há muito radicado em Nova Iorque, disserta longamente sobre a influência que Yusef Lateef (o Gentle Giant da história, com 85 anos), teve na sua forma de tocar saxofone. O artigo está publicado na edição inglesa do jornal israelita Haaretz (online). A terminar, Tsahar cita Lateef:

«I was very close to Coltrane. He was a man of action, not words. I remember visiting him on 103rd Street. I went up the steps and I heard him practicing. I rang the bell. He stopped, opened the door, asked me to take a seat and went back to playing. After 15 or 20 minutes, I signaled to him that I was going to leave. He walked me to the door and after I left, I heard him practicing again. When I got home, I understood that I needed to practice." He laughs that laugh of his again.

With the practice regimen he developed, it's no wonder he played like he did. He invested so much thought and effort in what he did. He was multifaceted. He put everything that he heard into his music. He took from all over and put it all together in a bowl, and then he took it all out as one connected thing. Two weeks before he died, he came to visit me. I made him some hot chocolate. No one knew that he was sick, but I think he knew that he was going to die. I flew to England to play at Ronnie Scott's club and there I heard that he'd died. I miss him. Every time we met, he would ask, 'What are you doing now?' and I'd ask 'What are you doing now?' He was always searching».

Tsahar remata: «On my way back to New York, it occurred to me that Yusef Lateef was the teacher I had never had, and was always looking for. But when I got home, I knew what I had to do: practice!»
(Foto: Peter Kowald, Assif Tsahar e Hamid Drake. Calypso Theater, Roterdão, Holanda, 6 de Abril de 2002 - Vanita & Joe Monk)

 
 

Sumário: Notícias, Cyber Jazz; Rewind: Jazz Rock; Festivais de Portalegre e Braga; entrevista com Alexander von Schlippenbach; Telectu: 25 anos sem Medalhas; 33 1/3; Perfil: Hugo Alves e Rodrigo Gonçalves; Mito: Jazz Drivers; Ponto de Escuta: CD's novos e reedições de discos de jazz e música improvisada. É o #5, da jazz.pt, já à venda!

 
 

Nestes Vols. 3 & 4 da derradeira série dos Free Jazz Classics, iniciada em 2003 com os tomos 1 e 2 - dedicados a Ornette Coleman, Anthony Braxton, Cecil Taylor, Joe McPhee, Sun Ra, Eric Dolphy, Lester Bowie, Archie Shepp, Carla Bley, Frank Wright, Jimmy Guiffre, Julius Hemphill e Don Cherry -, de uma assentada Ken Vandermark homenageia agora Sonny Rollins e Roland Kirk. Disco 1, Six For Rollins, sequência inspirada no título de Archie Shepp, Four for Trane para a Impulse!; disco 2, Free Kings - The Music Of Roland Kirk, presta tributo à energia e sofisticação harmónica de Rahsaan, um dos maiores e a quem pouca gente liga, pelo menos aqui no torrão luso, tão ávido das modas do passado (!), do momento, e das outras que estão para vir.
Nova e imperdível saída do Vandermark 5, com Ken Vandermark, palhetas; Jeb Bishop, trombone; Kent Kessler, contrabaixo; Dave Rempis, saxofones alto e tenor; Tim Daisy, bateria. Duplo CD Atavistic, com edição este mês de Abril.

 
 

Esperava-se muito deste duo e a expectativa não sai defraudada. Martial Solal e Dave Douglas, músicos de diferentes gerações e latitudes, têm o mesmo tipo de respiração e inteligência discursiva. Solal reafirma a identidade que construiu ao longo de décadas – a de um dos mais sólidos pianistas europeus do pós-bop, que combina swing e liberdade harmónica num estilo que recolhe múltiplas influências. Douglas, um dos maiores trompetistas da sua geração, executa com profundidade a consumada arte de dosear fogo e reflexão. Nesta medida, comunga com Solal da mesma atitude e perspectiva. Além dos 4 standards com que encerra, o disco inclui 6 temas originais, 3 de cada compositor. Blues to Steve Lacy (Douglas) e Fast Ballad (Solal), são, além de obras‑primas em miniatura, exemplos acabados da pujante criatividade da dupla.
Martial Solal / Dave Douglas - Rue de Seine (CamJazz / Dwitza)

 
3.4.06
 

Edição de Abril.

Editorial
Interview
HARRIS EISENSTADT
Splinched: Pascal Battus / Ferran Fages / 'Pataphysics
On Charisma: S. Baghdassarians & B. Baltschun / K. Fagaschinski & B. Gal / Michael Thieke
In Concert: Six Months in New York
Reissue This: Mirror / Stefan Wolpe
JAZZ & IMPROV: Available Jelly / Out of Context / Josephson, Léandre, Smith & Blume / Malcolm Goldstein & M. Harada / From Between / The Same Girl / Freedom Of The City 2005 / M. Cooper / Braam, DeJoode, Vatcher / Hal Singer / Chas Smith / John Tilbury & M. Schmickler
CONTEMPORARY: Thanos Chrysakis / Tony Conrad & Faust / Bruno Canino / Richard Trythall
ELECTRONICA: Le Dépeupleur / KK.Null / Luigi Archetti / Yannick Dauby /
Joe Colley & J. Lescalleet / Andre Goncalves & K. Kirschner / Mouthus / Gart & Seekatze




 
2.4.06
 

Aos 73 anos, adeus a Jackie McLean (1932-2006). A velha senhora, insaciável, anda a colher à razão de um grande por mês. RIP, Jackie.

Em memória de Jackie Mclean

Silêncio.
Morreu esta semana um dos nossos.
Que o luto seja em Be Bop. O Funeral Hard Bop
Que a Missa de 7 º dia seja Free.
(que Ornette pegue na trompete e grite)
Aqueles que os deuses amam morrem jovens.
É mentira! Jackie Mclean tinha 73 anos.
Charlie Parker – "Bird Lives!"
Jackie Mclean – "Alto Madness Forever!"
Agora que se cala
Que arranque com um grito das entranhas de Deus
As agonias dos Homens

Let Freedom Ring!

Pedro Pinto


 
 

O concerto da Variable Geometry Orchestra, sábado, 1 de Abril, na ZDB, foi um acontecimento altamente estimulante, tanto para quem tocou, como para quem assistiu. Uma hora inteira de música livremente improvisadada, em formato de big band, com um mínimo de organização da parte de Ernesto Rodrigues, que optou por conceder ampla liberdade aos vinte e muitos improvisadores, para fazerem fermentar o som e dar largas ao desenvolvimento de uma linguagem musical que já é própria desta orquestra. Uma vez mais, Hernâni Faustino e José Oliveira protagonizaram a dupla de propulsionadores rítmicos de impressionante eficácia, do melhor que em Portugal existe no género. Souberam impulsionar o colectivo alargado para uma das mais impressionantes e enérgicas prestações de que há memória, e que encontra referências tanto no jazz como na livre-improvisação. O que faz desta orquestra um caso único, plataforma giratória de instâncias sonoras, felizmente repetível.

(Fotos: Nuno Martins)

 
1.4.06
 
V.G.O.

O que a VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA provou é que há outro jazz emergente, que desponta e se ergue das cinzas do género, apoiado no melhor que a livre-improvisação tem para dar, espécie de tertium genus diferente do que se conhece no panorama das orquestras de free jazz ou de free improv, europeias ou americanas, do passado e da actualidade. Com uma vivência musical muito para além das pré-formatadas regras de organização sonora. Há algo de novo que se conjuga com o que é comum a outras linguagens. O resultado prático é uma espantosa e empolgante sucessão de quadros musicais expostos com grande convicção, mérito de todos os participantes e em especial de Ernesto Rodrigues, diligente congregador de vontades e organizador sonoro de gabarito.

«A música produzida pela VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA resulta do jogo do material acústico versus o electrónico, numa contínua busca de pequenos detalhes e significados - o som rompe do silêncio para nele voltar a mergulhar. Com esta organização formal do caos, tenta-se aplicar novos conceitos de indeterminação e composição instantânea, através da erupção assimetricamente alternada de momentos de som e silêncio (ausência de som identificável) com predominância para estes últimos, ­seja pela emissão de sons de características subliminares e psico-acústicas, seja pela completa ausência de sons, permitindo assim aos músicos recuperar o seu ritmo natural de respiração e sentido aleatório de pulsação, bem como escutar toda a espécie de acontecimentos sonoros que estejam a ocorrer nesse preciso momento no espaço envolvente, ou então simplesmente escutar o que outro músico tenha começado, entretanto, a fazer, sem a preocupação de responder imediatamente e assim encher de forma inútil o espaço sonoro».

«The music that is produced by the VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA results from the juxtaposition of acoustic and electronic sound matter, that constantly searches for small details and meanings – the sounds emerge from nothingness only to submerge themselves back into the initial silence. The subsequent formal organization of chaos tries to apply new concepts of indeterminism as well as instantaneous composition, through the asymmetrical eruption of alternated moments of sound and silence (the absence of identifiable sound). Nevertheless, the latter prevail. The sounds being produced have subliminal and psycho-acoustic characteristics and include the possibility of complete silence. This leaves space for the musicians to regain their natural rhythm and respiration, as well as their sense of random pulsation. It also allows them to listen to all the sound events that are happening at any given moment and thus to act accordingly or, contrarily, to simply listen to what some other musician has just begun, without responding immediately and thus filling up the musical space unnecessarily».

Saturday, 1st April, at 23h00, the VGO will play within the context of the Mass_Free_Ensemble Sessions, being held at the ZDB Gallery. The orchestra is directed by Ernesto Rodrigues.

Sábado, 1 de Abril, às 23h00. ZDB, Lisboa

 
 

Não me conto entre os admiradores de Jacinta, "a nossa cantora na Blue Note". Não gosto do estilo nem do timbre da sua voz nasalada, reconhecendo embora que a senhora não desafina - o que já provara no Chuva de Estrelas da SIC - e que, pelos vistos, tem artes de encantar meio-mundo ou mais. Ainda bem para ela.
Nos últimos dias, enquanto me barbeio pela manhã, tenho pacientemente ouvido na rádio uma versão de I'm Beginning to See the Light que não lembraria ao demo. Meu Amigo Decide Lá, passou a cantar o refrão, e o resto do clássico segue pelo mesmo nível imagético, aportuguesando canhestramente a letra original.
Que havia de errado com o tema? Não descortino, francamente. Não dava para continuar a soar em Inglês? Apesar de "Day Dream" ter outros temas cantados na língua original, parece que não, porque o que ouço em I'm Beginning to See the Light é uma apalermada fraseologia que inclui pérolas como "preferes duche ou imersão", "não sabes se odeias ou tens paixão" (tens paixão, tens lume, tens uns trocos?...); "se entendes de jazz ou escutas fado" (não invento, cito de cor) e outras vulgaridades quejandas, vacuidades forçadas à rima e ao soar em Português, custe o que custar, doa a quem doer. E dói.
Porque será que o público tem que continuar a ser tratado como indigente mental pelas luminárias parolas deste país, que acabam de descobrir a América?! Além das intenções comerciais (dá para anglófono ouvir e português perceber, comprando ambos, claro está) e do toque "exótico" de "Português Suave" que cai que nem ginjas à fábrica de sucessos que dá pelo nome de Blue Note Records, qual é a ideia "original" subjacente? "Diz-me se tenho ou não razão, meu amigo decide lá”.

 
 

"The Beloved Music"

«The Beloved Music is the most thoroughly realized blueprint for a post-hardcore take on improvised jazz to date from the duo of legendarily long-serving New England saxophonist Paul Flaherty and young firebrand drummer Chris Corsano. Forsaking the call and response modes of countless improvising ensembles, the duo deal more in a simultaneity of sound, an elemental non-stop gush of ideas, rhythms and epiglottal forms that at points feels like a small-group response to the orchestral conceptions of the Peter Brotzmann and John Coltrane big-bands as much as epochal duo deals like the Rashied Ali/Frank Lowe and Muhammad Ali/Frank Wright sides. Between studio collaborations and tours with Wolf Eyes, Nels Cline, Six Organs of Admittance, and Cold Bleak Heat (their quartet with Greg Kelley and No Neck Blues Band's Matt Heyner), Flaherty and Corsano have coalesced and elated serious jazzbos alongside noise fans and freak-folk followers». - David Keenan (Wire)

 
 

Soft Machine, com Allan Holdsworth, Karl Jenkins, Mike Ratledge, Roy Babbington e John Marshall. Gravado para a Rádio Breman (Alemanha), em 1975. O reportório de "Floating World Live" (MoonJune Records 007) é constituído por material de "Bundles", disco de jazz-rock daquele mesmo ano, composições de Karl Jenkins e Alan Holdsworth, Canterbury esteticamente próxima dos contemporâneos norte-americanos Mahavishnu Orchestra, de John McLaughlin, e do Weather Report, de Joe Zawinul. Primeira edição em disco da histórica emissão radiofónica.
A MoonJune também edita "Live In Zaandam", da Soft Machine Legacy (Elton Dean, John Etheridge, Hugh Hopper, John Marshall).


 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

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