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17.2.05
 


Graças aos esforços de John Corbett e do seu programa de restauro, recuperação e edição de gravações que se perderam no tempo ou não estão ao alcance do consumidor comum pelas mais variadas razões, que vão desde a raridade do suporte original (o vinil) e/ou ao esgotamento durante décadas de edições, ou ao desaparecimento das bobines originais contendo as gravações originais, felizmente que a generalidade do público do jazz tem tido a possibilidade de aceder a excelente música que, de outro modo, provavelmente não teria oportunidade ouvir (Atavistic/Unheard Music Series).
É o caso desta gravação obscura, datada de 5 de Fevereiro de 1967, do dinamarquês Tom Prehn Kvartet. Um monumental conjunto de sete temas, seis originais do pianista e líder do Kvartet, e um do saxofonista Fritz Krogh. Décadas passadas, o disco é um notável documento da free music europeia, sem beliscadura na insuspeita actualidade, em razão de, ao tempo do seu registo, ser altamente avançada em termos estéticos.
O som revela que a fonte, a partir da qual foi feita a edição em CD, se encontrava em excelente estado de conservação. Quanto à música, alguém a definiu como tendo sido criada por quatro cartógrafos que, armados de enorme vontade de desbravar território desconhecido, traçaram novas paisagens para lá das fronteiras conhecidas e muito repisadas.
O disco surgiu em boa medida como uma reacção ao predomínio do jazz americano na cena dinamarquesa, e como um contrapeso ao excessivo academismo da música contemporânea que na altura se fazia, segundo o pianista. Nesse sentido, Tom Prehn aproveitou elementos da música escrita da tradição clássica e enquadrou-os num contexto próximo do free jazz, fusão de que nasceu o produto homogéneo que este disco contém.
Trinta e tal anos depois, a música não perdeu um grama de interesse, sendo especialmente apreciável a interacção entre os músicos (além de Prehn e de Krogh, Poul Ehlers, contrabaixo, e Preben Vang, bateria), o ambiente de intimidade em que a criação musical se desenrola, e a expressividade de um quarteto de invulgar coesão. A obscuridade a que esta música foi sujeita durante décadas configura a prática de um crime por omissão.
Tom Prehn Kvartet (Atavistic/Unheard Music Series, 2001)



 


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