Image hosted by Photobucket.com
29.2.08
 

Sleeping Beauty. Sun Ra acessível e apto à satisfação das almas avessas à estranheza das suas bizarrias espácio-futuristas. Em 1979, a Saturn Records publicou esta iconoclasta versão de A Bela Adormecida segundo Sun Ra (não foi nem pretendeu sê-lo), disco que segue as pegadas de On Jupiter e rapidamente desapareceu de circulação. Anos passados, a britânica Art Yard reeditou o LP da Saturn. Sun Ra & HIS INTERGALACTIC MYTH SCIENCE SOLAR ARKESTRA, em tons quentes de funk, soul, afro-blues, jazz e groove cósmico. Sun Ra, Michael Ray, Walter Miller, Tony Bethel, Craig Harris, Vincent Chancey, Marshall Allen, John Gilmore, Danny Ray Thompson, Eloe Omoe, James Jacson, Disco Kid, Richard Williams, Harry Wilson, Atakatune, Luqman Ali, June Tyson e ensemble de vozes. It's Spring, it's Spring, Springtime Again...

 
28.2.08
 

Kikapu Screenshot RIP

A kikapu fechou portas.

 
 

Se o assunto é drones ou dark ambient (não demasiado dark), ouçam só este Light Years, lançamento recente do canadiano Lee Rosevere na Test Tube (# 112). Sugestão: colocar os auscultadores e fixar um ponto algures no espaço visível (ou invisível) durante a meia hora que dura Light Years. Montado na via láctea, estou quase a chegar a Saturno. Já se distinguem os anéis ao longe.

 
 
D'Autres Cordes é uma micro-editora gaulesa de fundação recente, virada essencialmente para a publicação de discos de artistas franceses e europeus em geral. Além dos franceses, o interesse recaíu já sobre músicos dinamarqueses e noruegueses. A D’Autres Cordes interessa-se por valorizar projectos nas áreas da música electrónica e do jazz europeu – 7 até à data –, que edita em CD com invólucros feitos de papel reciclado. Mais pormenores em D’Autres Cordes.

 
 

A espanhola Fresh Sound Records juntou o que o tempo separou. Duas sessões com o saxofonista tenor Paul Gonsalves (1920-1974) para a Argo e outra para a Emarcy, preenchem a totalidade de Cookin’. O disco agrega a música dos LPs editados entre 1956 e 1957, um em nome de Paul Gonsalves, outro do trompetista Clark Terry e outro ainda do contrabaixista Jimmy Woode. A formação é variada, construída a partir de uma base comum de músicos de Duke Ellington, como Mike Simpson, Porter Kilbert, Junior Mance, Willie Jones, Ramsey Lewis, Chubby Jackson, Jimmy Woode, Eugene Miller e Sam Woodyard. O estilo destes dois LPs e meio (o terceiro é um EP) é swing com um pé no hard-bop. Este três em um é vintage Paul Gonsalves, o homem do famoso solo de Diminuendo and Crescendo in Blue, de Ellington at Newport 56, ao vivo no festival de jazz de Newport. Paul Gonsalves: Cookin’ - Complete 1956-1957 Sessions feat. Clark Terry and Jimmy Woode. Ditribuição lusa: Dwitza.

 
 

Na WIRE de Março (Issue #289), um olhar sobre o underground de Brisbane, Austrália. Música de Blank Realm, Joel Stern, The Lost Domain, No Guru e The Deadnotes.

 
 

"avant-garde" is arcane, hyper-specialized; it tends to please small and devoted audiences and has little impact on the wider world, which is dominated by far more commercial and accessible sounds. But what if an improvised performance is more than an improvised performance? Does improvised music open a door to possibilities for social change? And if that's the case, shouldn't more people be paying attention? [...]

 
27.2.08
 

SERENDIP - groovimprov na Fábrica Braço de Prata

6ª feira, 29 Fevereiro, às 23h00

A música dos SERENDIP surge da fusão de experiências musicais diversas. Nos seus concertos, o grupo, desta feita com António Chaparreiro (guitarra eléctrica), Ernesto Rodrigues (viola/violino eléctrico), Hernâni Faustino (contrabaixo), Miguel Sá (laptop) e Pedro Castello Lopes, Vítor Martins e Jorge Mendonça Oliveira (percussões), busca a aproximação com balanço, ou groove, ao mundo da improvisação livre.

 
 

80501pp.jpg picture by eduardochagas

1. - 3. Mai 2008, Jazzatelier Ulrichsberg: Rudresh Mahanthappa & Vijay Iyer; Vist Ag; Return of the New Thing; OtomoYoshihide; Martine Altenburger / Frederic Blondy / Bertrand Gauguet;Giancarlo Locatelli & Barre Phillips; Steve Noble / John Edwards / AlanWilkinson; Elisabeth Flunger; Here comes the Sun & Philip Jeck; Taylor HoBynums 13th Assembly; The Wardrobe Trio; Isa Riedl & Andreas Lehmann.

 
 

[713qro8.jpg]

Third Dimension, também conhecido por Triple Threat, gravado para a King, é Rahsaan Roland Kirk (1936-1977) dos primórdios, a estreia aos 20 anos do incrível saxofonista como líder, em 1956. No princípio já era a fórmula três em um que lhe esteve sempre associada: saxofones alto, tenor e soprano em simultâneo. Em quarteto, com Jimmy Madison (piano), Carl Pruitt (contrabaixo) e Hank Duncan (bateria), Kirk executa um reportório de temas excluseus. Reedição da Bethlehem japonesa. A (re)editora espanhola Gambit Records lançou há pouco tempo no mercado um CD contendo os dois primeiros álbuns de Roland Kirk, Third Dimension, e Introducing Roland Kirk, de 1960, este segundo gravado em Chicago, com selo original da Argo, e Ira Sullivan (trompete e sax tenor), Bill Burton (piano e órgão), Donald Rafael Garrett (contrabaixo) e Sonny Brown (bateria).


 
26.2.08
 

Ghost Red Wire

Ghost Red Wire - Don Van Vliet, aka Captain Beefheart
(oil on masonite - 61 x 61 cm)

 
 

Photobucket


Photobucket


Photobucket

'Ordinary Music Vol. 4, for Mixed Ensemble & Live-electronics' (rehearsal)

Fábrica Braço de Prata, Livraria Ler Devagar. Lisboa, 23.02.2008

Nikolaus Gerszewski – composition, conduction, piano; Ernesto Rodrigues – conduction, violin; Guilherme Rodrigues – cello; Bruno Parrinha – alto clarinet; Nuno Torres – alto saxophone; Eduardo Chagas – trombone; Armando Pereira – accordion; Hernâni Faustino – double bass; Pedro Castello-Lopes – percussion; Gabriel Ferrandini - drums; Carlos Santos – live sampling, electronics. Photos: Giovanna Tarallo.

 
24.2.08
 
A mais recente das novas propostas da Creative Sources Recordings para 2008, é Fury (CS111), obra de Robert van Heumen, artista sonoro holandês (n. 1965), além de matemático, trompetista e programador de software. Van Heuman, dirige o STEIM (Studio for Electro-Instrumental Music), trabalha com laptop, controladores e live sampling (LiSa). Fury (After Anger), a primeira de duas, é uma composição electrónica em quatro andamentos, encomendada em 2006 pelo festival Sonic Circuits, de Washington DC. Originalmente pensada e estruturada para 5.1 surround, a versão aqui apresentada foi transposta para dois canais estéreo. A segunda parte de Fury, inclui a peça “semi-improvisada” They Would Get Angry Sometimes, derivada da primeira e executada ao vivo, em 2007, na Brown University, Providence, EUA. Fury inspira-se em depoimentos sonoros e em textos escritos na América do início dos anos 40, que relatam episódios trágicos ocorridos nos anos que se seguiram à Grande Depressão e à queda da bolsa de 1929-31, em que hordas de agricultores famintos fugiam das suas terras com as famílias e se dirigiram ao Sul, em busca de melhores condições de vida no Oklahoma, Texas, Arkansas e no Missouri, até terminarem em campos da Farm Security Administration, na Califórnia (1940-1941). Em ambas as composições a estratégia do compositor é basicamente a mesma, e passa pelo tratamento algoritmos e de sons pré-gravados, em paralelo com sons captados e processados em tempo real, utilizando a ferramenta electrónica SuperCollider. O método de Robert van Heumen é simples: tocar, ouvir, reagir, combinar, sobrepor, recombinar e transformar, como a outro respeito e com outra formulação ensinou Lavoisier. O resultado, com um pé na rádioarte, é surpreendente.

 
 

itunes pic

'Ordinary Music Vol. 4, for Mixed Ensemble & Live-electronics'

http://freemusic.podomatic.com

 
 

ESP-4042-front-cover.jpg picture by eduardochagas

Inside Out in the Open, de Alan Roth, edição DVD da ESP-DISK. Reedições em Fevereiro/2008: ESP 4041 - Lindha Kallerdahl ,"Gold"; ESP 1060 - Steve Lacy, "The Forest And The Zoo"; ESP 1021 - Paul Bley Trio "Closer"; ESP 1009 - Bob James Trio, "Explosions"; ESP 1004 - New York Art Quartet.

 
 

ANDRE VIDA [insub24]

I don't know whats wrong with me, my computer eyes or my internet knees

Saxophone tenor et poesie.......... Improvisation solo au saxophone et textes basé sur les poèmes du Handbook 8. J'ai joué chaque mardi soir durant les 2 dernières années dans un endroit nommé Wendel à Berlin. Cela m'a donné l'occasion d'explorer en profondeur les intersections entre sax solo et textes poétique. Je fut donc très heureux d'avoirt la chance de venir à Antwerp et d'y rapporter ces fructifiantes expériences dans un nouvel environnement. je remercie spécialement Giles et Patries d'avoir rendu ceal possible.

 
 

The SHAKING RAY LEVIS with Derek Bailey - LIVE at LAMAR'S: Derek Bailey, guitarra; Dennis Palmer, sintetizador; Bob Stagner, percussão. Gravado ao vivo no Lamar's Restaurant, Chattanooga, EUA, 1999 (Incus - In the Sideline Series).

 
 

No Avant Garde Project, Improvisationen, disco de 1968 do sexteto italiano Gruppe Nuova Consonanza: John Heinemann (violoncelo, trombone); Walter Branchi (contrabaixo); Egisto Macchi, Mario Bertoncini (percussão); Franco Evangelisti (piano) e Ennio Morricone (trompete). Cinco temas, originalmente editados em LP pela Deutsche Grammophon. A última faixa da sequência apresentada pelo AGP (cadenza), retirada do Musikrat - Zeitgenossische Musik in der Bundesrepublik Deutschland, é um tema de free jazz alemão dos anos 60. Tocam Manfred Schoof (trompete); Gerd Dudek (saxofone tenor); Jacky Liebezeit (flauta e bateria); Alexander von Schlippenbach (piano); Buschi Niebergall (contrabaixo) e Sven-Ake Johansson (bateria).

Manfred Schoof: 'Cadenza' symbolizes the pre-eminence of playing. Our ability to play becomes a force which imparts form. We have time and a chance to play: this makes a piece possible.In fact, ‘cadenza’ (8'45) is a multi-section jazz process which not only gives the musicians a chance to play solo cadenzas but is also articulated formally by a recurrent complex of motives and a frequently-cited chord sequence.

On this basis, with the agreement of all, the bounds of the group's sphere of operation have been laid down: i.e. the bounds of the tempered system. This restriction is accepted by all the group's members, and in fact it provides the freedom of expression needed to evolve a distinctive contemporary style within the traditional system. Various exercises in all categories have been devised: exercises in time, in the relationships between levels of pitch, different dynamics etc. Each of these exercises is repeated until the particular problem has been solved, and a level of attainment has been reached which satisfies everyone. This is of great importance, as discipline leads to self-control, then to the final result of meaningful improvisation.

 
 

A Downtown Music Gallery, provavelmente, a melhor loja de discos do mundo, está em vias de ser despejada das instalações que ocupa há 5 anos na Lower Manhattan (342 Bowery), em Nova Iorque. Procura desesperadamente um novo espaço compatível, pois dentro de meses estará no olho da rua... . Bruce Lee Gallanter e companhia já procuraram por todo o lado e não se safaram. Fazem agora um apelo aos amigos e clientes em toda a parte. Se souberem de algum espaço em condições algures na Lower Mahhattan, em Queens ou Brooklyn, por preços razoáveis, digam.

DMG NEEDS YOUR HELP! - At the end of this past January, our five-year lease ran out here at 342 Bowery. Our landlord has graciously given us another 3-6 months to find another place but, with 4 to 5 times the rent we're paying being offered by bar/restaurants ['cause we know you can't get a drink anywhere around here - NOT!] for the space our stay will come to an end soon.
We have been searching for a new location for the past 6 months, but if it's anything close to the 1500 sq. ft. we now occupy and need, no matter how far east we go, the realtors are convincing the landlords to hold off renting until they get a minimum of $ 60-75 per sq ft per year - which for 1500 sq ft means a monthly base rent nut of $7500-9400 - even on Ave D, where no one ventures to!
The only people who can afford that are banks that now make a tidy new-found profit off of people taking $20 out of their account every ten minutes [!] and national chains that take a tax loss to blanket NYC with their outlets. No merchant who deals in anything but items that have over 1000% markup [like drinks] can afford to stay in business here, not even groceries and supermarkets, which have all been closing rapidly. Just think: the overuse of debit cards has caused the price of all everyday goods and food to skyrocket - most of the increased amount just goes to the rent! Anyone in NYC knows there are many spaces - in both prime and not prime areas - that have remained empty for YEARS due to realtors who have sold their bill of goods to landlords - when we've met those landlords, many have lamented the money they've lost due to the pressure from realtors, and were perfectly willing to talk lower prices, when beforehand the agent said they wouldn't budge [and wouldn't put us in contact directly, naturally].
We have many friends here in NYC, some 10,000 of you around the world receive our newsletter each week. What we would like is a basement, second floor or higher loft space [with elevator] with about 1,500 square feet for under $4000, hopefully in lower Manhattan - we don't really care what it looks like, or what some snobs might have to say about the neighborhood, just as long as it's secure. We'll do the rest.
We would love to stay in the Lower Manhattan, but we might have to move to mid-town or further uptown or even nearby in Brooklyn or Queens. If you know of a space for us to rent - especially where we deal with the landlord directly - please contact us immediately!
Our time here is limited. We may have to go with one overpriced space - that otherwise meets our needs - within two weeks, so we'd like to hear from you before then

Thank You

Bruce, Manny, Mikey, Chuck, Bret & all at DMG


 
 

Chinampas (jardins flutuantes, em lingua Azteca). Cecil Taylor recita a sua poesia. Voz e percussão, onomatopeias, sem piano. Por aqui se compreende o quanto a linguagem verbal de Taylor tem a ver com o seu pianismo, e vice-versa. Duas maneiras diferentes de dizer a mesma coisa. Gravação de Novembro de 1987.

 
23.2.08
 

Cartaz_LerDevagar_23_2-08.jpg picture by eduardochagas

 
22.2.08
 

Por esta não esperava: fiquei a saber que o britânico Evan Parker (na foto) e o norte-americano Dave Liebman terçaram armas em finais de Janeiro passado em Londres, no clube Vortex. Para moderar (ou imoderar, talvez) a contenda, convidaram Tony Bianco, bateria. A gravação do Jazz on 3 (a ouvir a partir de hoje na BBC Radio 3, às 11 piéme, e a qualquer hora durante a semana), a gravação captou Parker sobre o lado esquerdo da panorâmica, Liebman a pender para o lado esquerdo, e Bianco ao centro, como fiel desta complexa e instável balança. Julian Siegel junta-se ao trio e toca saxofone tenor num dos temas. Depois deste concerto (a não perder, claro), Jez Nelson presta homenagem a Thomas Chapin, saxofonista alto e flautista norte-americano, desaparecido há uma década (1957-1998).

 
 

Improvised Music From Japan, Vol. 2

 
20.2.08
 

db-pieces-1.jpg picture by eduardochagas

Em 2002, a Tzadik editou um inesperado conjunto de sete peças musicais inéditas de Derek Bailey, gravadas em casa pelo próprio guitarrista em 1966/67. Pieces for Guitar representa ainda o que de mais antigo se conhece do guitarrista britânico, depois das experiências de 1963 com Tony Oxley e Gavin Bryars no Joseph Holbrooke Trio, que haveria de retomar anos mais tarde, em 1998, depois do trio de ter separado naquele ano de 1966. O propósito original destes registos era servir de base ao estudo a realizar a partir de material escrito, forma de trabalhar que Bailey abandonaria por completo no decurso dos 40 anos seguintes, em favor da opção de colocar toda a carreira ao serviço da construção de um conceito muito pessoal de livre-improvisação. Nessa medida e aos ouvidos de hoje, muito mais que a exercícios, as peças soam como os primeiros passos firmes a caminho da improvisação não-idiomática, como o próprio lhe chamou, um percurso despojado de tudo o que Bailey fizera até aí nos domínios do jazz, género que abandonaria definitivamente por esta altura. A foto da capa é contemporânea das gravações.

 
 

No Country for Old Men. O filme dos irmãos Joel e Ethan Coen deve ser a dar no osso, como eles tão bem fazem quando para aí se viram. O livro de Cormac McCarthy é muito bom. Admirável, a forma cruenta como McCarty conta as terríveis aventuras de Llewelyn Moss, Anton Chigurh e do Xerife Bell em paisagem Tex-Mex. Romance poderoso sobre a condição humana, brutal, intenso, malvado e cheio de adrenalina. Edição portuguesa da Relógio d'Água.

 
 

O Avant Garde Project transcreveu e disponibilizou on-line (AGP62) a ópera em treze actos JAKOB LENZ (duplo LP Deutsche Harmonia Mundi), do compositor alemão Wolfgang Rihm (n. 1952), escrita entre 1977 e 1978 aos 26 anos, e inspirada na vida e obra do poeta e dramaturgo alemão. Lenz integrou o movimento alemão Sturm und Drang, foi contemporâneo e amigo de Goethe e faleceu em 1777, depois de um longo período de delírio e insanidade mental. O libreto da ópera, de Michael Frühling, baseia-se na obra homónima de Georg Büchner. Escrita para orquestra de câmara (dois oboés, clarinete baixo, fagote, trompete, trombone, três violoncelos, cravo eléctrico e percussão), coro a seis vozes e três vozes masculinas solistas, a obra reflecte o tumulto emocional de Lenz durante a doença mental que o acometeu. Wolfgang Rihm, aluno de Karlheinz Stockhausen e de Klaus Huber, compositor dos mais prolíficos da sua geração, é uma das figuras centrais do movimento New Simplicity, também designado por neo-romantismo ou neo-expressionismo, com inspiração inicial em Arnold Schönberg e em Gustav Mahler.

Jakob Lenz: 01 - Jakob Lenz, scenes 1-5 [20:17]; 02 - Jakob Lenz, scenes 6-7 [19:49]; 03 - Jakob Lenz, scenes 8-11 [14:28]; 04 - Jakob Lenz, scenes 12-end [16:41]

 
 

rova.jpg picture by eduardochagas

Greetings from Berkeley,
I just got an email from Ben Goldberg, who is on this CD, and to whom I sent the CD just a few days ago. All he said: “Now that’s packaging.” Yeah: this one I produced entirely myself; a truly independent release. The packaging is all recyclable materials except for the CDs themselves. The cover art and CD disc art are taken from film strips of Stan Brakhage’s films, kindly provided by his estate. The photo-cards inside the “collector’s edition” now on sale were taken in the heat of the concert by local photographer Matthew Campbell. And the music itself, spread over 2 discs, is I think pretty special too, and deserving of this “packaging.” But I mainly wanted to have this package for this music as part of an appropriate homage to a great film maker.
I hope you don’t mind the ad form above. You can get more information, including a preview article on the original performance from which this recording comes, at www.ochs.cc And if you want to know more about Stan Brakhage’s incredible hand-painted (and other) films, the best place to start might be:
Criterion Films.
The collector’s edition is $65 for listeners in USA and Canada and $75 from anywhere else, including postage and handling. If you go to http://www.ochs.cc/ you can pay by credit card or PayPal, by clicking on the “Buy Now” button from PayPal. Or send a check in US dollars to the address listed below.

Larry Ochs’ The Mirror World (for Stan Brakhage) - Metalanguage (MLX 2007)

realization 1: HAND
ORKESTROVA: John Schott - el. guitar // Joan Jeanrenaud & Theresa Wong - cellos, effects // Lisle Ellis – bass + circuitry // Ben Goldberg – contra-alto + Bb clarinets // Toyoji Tomita & Jen Baker – trombones, didgeridoos // Darren Johnston & David Bithell – trumpets // Steve Adams – bass flute // Jon Raskin – baritone sax // Tim Perkis & Matt Wright - electronics // William Winant & Gino Robair - percussion // {on tracks 4 + 7 only: Bruce Ackley – Bb clarinet // Moe! Staiano – percussion} // Raskin, Adams, Robair – cues, conducting // Larry Ochs – traffic control.

realization 2: WALL
Rova Special Sextet
: Bruce Ackley - soprano, tenor // Steve Adams - alto // Larry Ochs - tenor, sopranino // Jon Raskin - baritone // Gino Robair & William Winant - drums, percussion

Stay tuned,
Larry Ochs

 
 


1.jpg picture by eduardochagas

Portalegre JazzFest
6.º Festival Internacional de Jazz de Portalegre
21 a 23 de Fevereiro

 
 


O Avant Music Project (AGP62) transcreveu e disponibilizou on-line a ópera em treze actos JAKOB LENZ (duplo LP Deutsche Harmonia Mundi), do compositor alemão Wolfgang Rihm (n. 1952), escrita entre 1977 e 1978 aos 26 anos, e inspirada na vida e obra do poeta e dramaturgo alemão. Lenz integrou o movimento alemão Sturm und Drang, foi contemporâneo e amigo de Goethe e faleceu em 1777, depois de um longo período de delírio e insanidade mental. O libreto da ópera, de Michael Frühling, baseia-se na obra homónima de Georg Büchner. Escrita para orquestra de câmara (dois oboés, clarinete baixo, fagote, trompete, trombone, três violoncelos, cravo eléctrico e percussão), coro a seis vozes e três vozes masculinas solistas, a obra reflecte o tumulto emocional de Lenz durante a doença mental que o acometeu. Wolfgang Rihm, aluno de Karlheinz Stockhausen e de Klaus Huber, compositor dos mais prolíficos da sua geração, é uma das figuras centrais do movimento New Simplicity, também designado por neo-romantismo ou neo-expressionismo, com inspiração inicial em Arnold Schönberg e em Gustav Mahler.

Jakob Lenz: 01 - Jakob Lenz, scenes 1-5 [20:17]; 02 - Jakob Lenz, scenes 6-7 [19:49]; 03 - Jakob Lenz, scenes 8-11 [14:28]; 04 - Jakob Lenz, scenes 12-end [16:41]

 
 

Improvised Music From Japan, Vol. 1

 
19.2.08
 
Chegou o novo disco de Kali Z. Fasteau, gravado ao vivo no Kerava Jazz Festival, na Finlândia, a 9 de Junho do ano passado. Live at the Kerava Jazz Festival: Finland. Conheço e gosto bastante da música de Kali desde os tempos do The Sea Ensemble, com Donald Rafael Garrett, de que ficou um disco bestial na ESP-DISK. Muitos anos passados, Ms. Fasteau foi andando para a frente com a carreira, sempre a fazer discos interessantes e a dar concertos um pouco por toda a parte. O ano passado saiu com um disco muito bom (outro) na editora que fundou e dirige (Flying Note Records), o potente People of the Ninth, com Edward “Kidd” Jordan (saxofone tenor) e Michael T. A. Thompson (bateria), gravado imediatamente a seguir à tragédia do Katrina. Aparece agora com um live, disco de concepção muito diversa, que a multi-instrumentista norte-americana quis que servisse para dar uma ideia de como soa a sua música em concerto. Para a sessão, em que Kali toca mizmar, piano, nai, violoncelo, sintetizador, violino, bateria, saxofone soprano, e canta, foram convidados o repetente ‘Kidd’ Jordan, saxofonista veterano de New Orleans, e o baterista Newman Taylor Baker, dois aficionados das linguagens mais free do jazz. Em nove temas (63’), o trio de Kali Z. Fasteau trance-porta-nos numa viagem fantástica por ambientes etéreos e muito diversificados, que constituem um bom resumo do que tem sido o resultado do trabalho numa vasta área do conhecimento sonoro que, pessoalmente, situaria entre os universos de Sun Ra e de Don Cherry. Kidd Jordan e Newman Taylor Baker seriam provavelmente os parceiros ideais para esta jornada finlandesa, invulgar excursão pelos sons mais cósmicos e espirituais do jazz contemporâneo. Invocação dos espíritos ancestrais e das forças da natureza. Num tempo de homogeneização e de produção em série, ouvir o trio de Kali (que som de tenor, Mr. Jordan; que delicadeza na percussão, Mr. Baker) é um consolo para a alma, que a todos se recomenda. Os proventos resultantes da venda de Live at the Kerava Jazz Festival: Finland (FNCD 9012) revertem a favor da Louis Armstrong School of Jazz, em New Orleans.

 
 

289coverb.jpg picture by eduardochagas

John Butcher - The Geometry of Sentiment / Resonant Spaces [THE WIRE]

Hamilton 4:40. Feedback Tenor: Hamilton Mausoleum, Scotland, June 2006 - Resonant Spaces - Confront.
But More So (for Derek Bailey) 7:09. Tenor: Instant Chavirés, Paris, November 2006, The Geometry of Sentiment - Emanem.
Trägerfrequenz 3:05. Tenor: Oberhausen Gazometer, Germany, September 2006, The Geometry of Sentiment - Emanem.

 
18.2.08
 

ios-eyes-valenciacopy.jpg picture by bzurke2007

ILLUSION OF SAFETY / Dan Burke

Terça-feira, 19 de Fevereiro - 22h00
O SÉCULO - Rua de "O Século", 80 - Lisboa

Desde 1983 que ILLUSION OF SAFETY é o projecto de Dan Burke acompanhado de um núcleo de agitadores sónicos de Chicago - como Jim O'Rourke, Kevin Drumm, Randy Grief, Thymme Jones ou Mark Klein. Através dos mais de 20 álbuns editados, ILLUSION OF SAFETY constrói uma terra incógnita, incategorizável, onde se intersectam, de modo abrupto e colagista, som, música e ruído. Recorrendo a instrumentos convencionais, dispositivos e objectos aleatórios, e, particularmente, manipulando referências musicais históricas, Dan Burke deliberadamente confronta e provoca a audiência. (Sirr + O Século)

 
 

Cartaz_Ordinary_Music3.jpg picture by eduardochagas

Goethe-Institut Portugal

 
 

25th edition of FIMAV - May 15-19/2008

 
17.2.08
 

Budhaditya Mukherjee / Anindo Chatterjee
Rag Jogkauns (1989)

 
 
Roberto Fega, artista sonoro italiano (n. 1965), tem-se desdobrado em projectos, colaborações, workshops e concertos, desde os tempos do grupo avant-rock Dura Figura, iniciados há uma década. Além de tocar saxofones tenor e soprano, participa nos colectivos Titubanda e Arturo, bem como no trio Taxonomy, com Elio Martusciello e Graziano Lella, porventura a sua mais conhecida via de apresentação. Acrescem as colaborações com Tim Hodgkinson, com a Pangolino Orchestra, e com o pianista norte-americano Thollem McDonas, em projectos de veia experimental e de pesquisa sonora. Un Geco Nella Mia Casa (Creative Sources Recordings, # 107) é, também ele, um trabalho de base essencialmente electroacústica experimental, que, partindo duma pool de sons gerados em computador, utiliza tesoura, cola e pós-produção electrónicas para organizar pedaços de falas de filmes (Johnny Depp, John Turturro, "he stole my story", por exemplo) e outras vozes (Mike Cooper, Dalida e Subcomandante Estrella, do mexicano Exército Zapatista de Libertação Nacional), samplagem de field recordings e sons esparsos de instrumentos acústicos, como guitarra clássica, contrabaixo, charango e trombone, para o que contribuem Mario Camporeale, Paolo Angeli e Matteo Bennice. Fundamentalmente, é um disco a solo de improvisação electrónica abstracta, intervalada por secções acústicas e ruidismo glitch, idealizado e construído em computador. Agradável de ouvir, Un Geco Nella Mia Casa é um produto de bom gosto, que explora com sucesso o sincretismo entre diferentes códigos de som e imagem. Simpática, não viscosa nem repelente, esta osga. E é ouvi-la a trepar pelas paredes...

 
 

Adolfo Luxúria Canibal, Mão Morta. Cantos de Maldoror

 
 

Sendo já conhecida a data da décima terceira edição do nova-iorquino Vision Festival, este ano entre 10 e 15 de Junho, Jez Nelson lembrou-se de passar no Jazz on 3 desta semana um par de concertos da edição de 2007: primeiro, o quarteto Spiritual Unity, formação tributária de Albert Ayler, liderada por Marc Ribot, com o contrabaixista Henry Grimes, protagonista das aventuras de Ayler, o trompetista Roy Campbell Jr. e o baterista Chad Taylor. Na segunda parte, Fieldwork, trio do pianista Vijay Iyer, como saxofonista alto Steve Lehman e o baterista Tyshawn Sorey. Uhm… nada mau.

 
 

Quem tem unhas é que toca guitarra. E esta menina tem chops para o ofício. Muito mais que técnica, em que é versada, Mary Halvorson, de Brooklyn, Nova Iorque, tem sensibilidade, anda em boa companhia e teve mestres influentes, como Anthony Braxton ou Elliot Sharp, que prestaram atenção ao seu timbre, tonalidade e fraseado originais. Pessoalmente, interessa-me muito o seu trio com John Hebert e Ches Smith, que descobri depois de a ter ouvido no trio de Braxton, com Taylor Ho Bynum, e em duo com a violinista Jessica Pavone. Já estranhava que as invenções de Joe Morris não tivessem sido assimiladas por guitarristas desta geração. O New York Times e outras publicações, como a francesa Macao, perceberam o seu valor.

 
16.2.08
 

Em 1978, o trompetista italiano Enrico Rava regressava a Itália, depois de uma prolongada estadia em Nova Iorque. Mudava do ambiente free daquele tempo, no qual se manteve sempre com um pé dentro outro fora, para retomar a uma linguagem mais conforme com os cânones da época, sem no entanto perder o carácter ousado e espírito aventureiro. Foi a época do famoso Enrico Rava Quartet, com Roswell Rudd (trombone), Jean François 'JF' Jenny-Clark (1944-1998, contrabaixo) e Aldo Romano (bateria), que gravou um disco importante para a ECM em 1978, com quatro composições originais. Rava sempre soube sair do conforto dos standards e arriscar na afirmação da sua própria escrita e improvisação arriscada, sem perder o pé relativamente à forma. Três décadas passadas, o disco mantém-se actual, sem marcas de envelhecimento prematuro. Da mesma altura e com a mesma formação é o excelente (!) concerto gravado em 13 de Fevereiro de 1978, para a Rádio Bremen, Alemanha, no qual o grupo executou uma suite (54’) com quatro composições: King in Yellow; Lavori Gasalinghi; Out of Nowhere; e Maranjao. Enrico Rava toca hoje, 30 anos e 3 dias depois, no CCB, em Lisboa. Com Gianluca Petrella, trombone; Andrea Pozza, piano; Rosario Bonaccorso, contrabaixo; e o baterista português João Lobo.

 
 

Em mais uma emissão do 4x3 temos um trio, desta vez o violinista Ernesto Rodrigues, bem conhecido em Portugal pelos seus trabalhos na área da música improvisada e experimental e também por manter uma das grandes fornalhas em actividade: a editora Creative Sources. Ernesto Rodrigues trouxe a estes doze metros quadrados o seu violino, Guilherme Rodrigues, o seu violoncelo, e Carlos Santos uma boa dose de maquinaria electrónica. Mais um concerto oferecido pela Rádio Zero aos seus ouvintes, como é habitual, às 21 horas do terceiro sábado de cada mês. Quem não tiver possibilidade de ouvir este sábado, aproveite a repetição quinta-feira pelas 01h, ou em podcast.

 
 

Photobucket

VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
Sábado, 16 - 23h00
Fábrica Braço de Prata, Lisboa


 
 

Sun Ra

Master of the Cosmos
Foto © Susan O'Connor

 
15.2.08
 

Dennis González Yells At Eels
featuring Rodrigo Amado


Late Winter Polish Tour 2008

Dennis González - trumpet, cornet, voice
Rodrigo Amado - tenor saxophone
Aaron González - contrabass
Stefan González - drums

-7.03: Warsaw, CSW Club, Museum of Modern Arts
-8.03: Poznan, Estrada Poznanka
-9.03: Bydgoszcz, Club MOZG (live recording)
-10.03: Gdynia, Club POKLAD (live recording)
-11.03: Olsztyn, Club BOHEMA
-12.03: Krakow
-14.03/15.03: Warsaw, Club AKWARIUM

 
 

wp712ffcc8_0f.jpg

Chegou-me às mãos uma proposta recente de Rhodri Davies e associados, editada em 2007 pela Another Timbre. O harpista chamou o trompetista Matt Davis, também em electrónica, Samantha Rebello, em flauta, e Bechir Saade, em clarinete, para um concerto electroacústico na primeira vez que se juntaram, no Red Rose de Londres. Muito suavemente, do impulso inicial passa-se a uma cadência lenta, cordas e sopros contam entre si segredos em murmúrio, enquanto o grão da electrónica acentua o carácter rendilhado das cinco peças que compõem este set. Vou ouvir mais vezes, que me está a puxar o pezinho para esta "dança", muito variada nos timbres e nas dinâmicas. Rhodri Davies / Matt Davis / Samantha Rebello / Bechir Saade - Hum (2007, at04). Distribuição lusa: Esquilo.

 
14.2.08
 

rava-1.jpg picture by eduardochagas

16 Fev 2008, 21h00 - Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, Lisboa

Quinteto de Enrico Rava

Enrico Rava, um dos músicos de jazz italianos mais consagrados internacionalmente, apresenta-se no CCB acompanhado de quatro excelentes músicos, num concerto inspirado no seu último trabalho The Words and the Days. O trompetista conta com quarenta anos de carreira e gravou mais de cem álbuns, trinta dos quais como líder. Colabora com grandes nomes do jazz: Gato Barbieri, Charlie Haden, Marvin Peterson, Carla Bley, entre outros.

Enrico Rava, trompete; Gianluca Petrella, trombone; Andrea Pozza, piano; Rosario Bonaccorso, contrabaixo; e João Lobo, bateria.

 
 

Blog posts can triple future album sales, according to a new study from researchers at New York University. NYU Stern professor Vasant Dhar and former student Elaine Chang sampled 108 albums released between January and March of 2007 to determine the impact of blog chatter on record sales. Using Amazon.com sales rankings, albums were tracked four weeks before and four weeks after release. Researchers found that when an album got mention in more than 40 legitimate blog posts, sales were three times the average. If those albums were associated with major labels, sales jumped five times the average. Albums that got more than 250 blog mentions saw sales increases of six times the average. The number of MySpace friends the artist had also improved album sales, but researchers said there was a weaker correlation than with blog chatter. - Hollywood Reporter

 
 

NEWSLETTER - February 8th, 2008

 
 

ABDUL MOIMÊME - a solo
saxofone tenor
clarinete
penny whistle

14 de Fevereiro, 18h30,
Bar O Século (Rua d'O Século, 80), Lx

 
 

Jazz Advance, segundo disco de Cecil Taylor, gravação de 1956, editada pela Transition e agora repescada em digi-pack pela espanhola Fresh Sound. Cecil Taylor (piano), com Buell Neidlinger (contrabaixo) e Denis Charles (bateria), a que se junta Steve Lacy (saxofone soprano) em dois temas. Lindo. A Dwitza deve ter tratado de distribuir o disco. Uma década depois, seguir-se-iam em 1966 Unit Structures e Conquistador, e a música de Taylor mudava de direcção. A capa da edição orginal era muito mais interessante.

 
13.2.08
 

7054.jpg

Ellen Fullman - The Long String Instrument (LP, 1985)

Ellen Fullman has been developing the Long String Instrument for more than twenty years, and it has evolved into an astounding expression of artistic individuality. The instrument is based on the longitudinal mode of vibration, with one hundred long wires strung over approximately ninety feet. The strings are attached to the soundboard, much in the same way a harp is constructed. The string goes through a hole in the soundboard, a loop is made, a pin is set in the loop, then the string is pulled against that and attached to the wall at the other end of the room. Some of the wires pass through resonator boxes at sixty and thirty feet, and the bass wires extend for the full distance. Tuning is accomplished in just intonation with ‘C’ clamps at harmonic intervals. The instrument is played is by stroking the string with rosin-covered hands and walking along its length, creating a compression wave, rather than a transverse wave, which would result from the action of plucking. Fullman has also developed various extended techniques to evoke different textures from the instrument. "The quality of the sound has an endless character, approaching infinity," says New Albion Records - Other Minds

 
12.2.08
 

Photobucket

Matana Roberts

 
 

[folder_610.jpg]

Aceder às complexas estruturas e intrincado volteio deste álbum de Sun Ra é um desafio de grande envergadura, mesmo para ouvintes habituados à abstracção do free jazz de Ascension, de John Coltrane, por exemplo, com o qual The Magic City em parte desafia comparação, ou da música do Séc. XX de autores tão diferentes como Anton Webern, Alban Berg, Edgar Varese, Bela Bartók, Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez ou Frank Zappa. Por este disco assombroso passa toda uma multiplicidade de estados de alma, da alegria exuberante, à introspecção melancólica, humor sardónico e terror sinistro (aqui arrepiantemente administrado pelo uso que Ra faz do claviolino, um dos muitos instrumentos de teclas que o músico utilizou, alguns deles por si inventados). Sun Ra a gerir a mistura dos diferentes timbres instrumentais, sublinhando as suas intervenções com ecos do saxofone de Marshall Allen e do contrabaixo de Ronnie Boykins, até toda a banda entrar em acção. É assim a abertura de The Magic City (referência à Birmingham natal de Ra, estado do Alabama), disco de 1965, gravado em Nova Iorque com a Solar Arkestra. Originalmente publicado pela El Saturn, a editorazinha caseira de Herman 'Sun Ra' Blount, foi reeditado em 1993 pela Evidence Music. Grande música cósmica (uma evidência...) e um dos melhores exemplos em disco da visão afro-ancestral-futurística-espacial do mestre. Ra-novatos devem considerar seriamente a oportunidade de procurar outras portas de entrada neste universo, porque alguns dos discos da década de 60, como The Magic City, ou When Sun Comes Out, The Heliocentric Worlds of Sun Ra (Vols. I e II), e Other Planes of There, podem efectivamente representar uma carga de trabalhos insustentável para quem ainda não tenha calo ou não esteja preparado para entrar na nave espacial, a caminho de Saturno. Sun Ra and his Solar Arkestra - The Magic City (Evidence Music)

 
 

PROTOCOLLUM
Chapter I:
The Beak Speaks
Chapter II:
The Beakalogue
Chapter III:
Ordering, How To Get What You Want
Chapter IV:
Special Events For You
Chapter V:
Contact The Main Beak

 
 

Photobucket

Dos seis quartetos de cordas que constituem a obra integral de Béla Bartók (1881-1945) nesta disciplina da música de câmara, os dois primeiros foram escritos em 1909 e em 1917, respectivamente, tendo-se sucedido os outros quatro em 1927, 1928, 1934 e 1939. Sabe-se que havia um sétimo em preparação, mas a Morte entendeu dever a conta ficar pelos seis. Não sei a interpretação do alemão Rubin Quartett tem a profundidade da de outros grupos, como o Emerson Quartet ou o Alban Berg Quartet. Porém, a execução do Rubin soa plenamente satisfatória na maneira como explora a riqueza da escrita do compositor húngaro, numa gama que vai do romântico ao experimental, mais dentro que fora do tonalismo convencional. O som do quarteto é quente, seco e homogéneo, com uma ligeira aspereza nas arestas, que lhe fica bem, independentemente de esta ser ou não a leitura mais conforme com os intentos do compositor. A gravação, realizada na Sendesaal Deutschland Radio, de Colónia, em Junho de 2003, é de boa qualidade. Edição da Brilliant Classics, ao preço da uva mijona.

 
 

Ben Ratliff - The "Mythification" of John Coltrane (Farrar, Straus and Giroux, 2007). O jornalista do New York Times apresenta o livro editado em Setembro passado. Ratliff tells the story of Coltrane’s development, from his first recordings as a no-name navy bandsman to his last recordings as a near-saint, paying special attention to the last ten years of his life, which contained a remarkable series of breakthroughs in an early religious search for deeper expression. What was the essence of John Coltrane’s achievement that makes him so prized forty years after his death? What was it about his improvising, his bands, his compositions, and his place within his era of jazz that left so many musicians and listeners so powerfully drawn to him? What would a John Coltrane look like now — or are we looking for the wrong signs? Ratliff also traces the lineage of Coltrane’s influence and legacy, considering there actions of musicians, critics, and others who paid attention, asking: Why does Coltrane signify so heavily in the basic identity of jazz? Placing jazz among other art forms and American social history, and placing Coltrane not just among jazz musicians but among the greatest American artists, Ratliff tries to look for the sources of power in Coltrane’s music—not just in matters of technique, composition, and musical concepts, but in the deeper frequencies of Coltrane’s sound.

JC: Francis Wolff/Mosaic

 
11.2.08
 

itunes pic

GEORGE HASLAM / ABDUL MOIMÊME
track #84: Improvisation #8

track #85: Improvisation #4

 
 


A tetralogia magnífica dos Books (Song Book, Blues Book, Freedom Book e Space Book) que o grande Booker Ervin, saxofonista texano de outros tempos (1931-1970), gravou entre 1963 e 1965 para a Prestige Records (actualmente, na Concord/OJC). Os discos foram remasterizados, reeditados, reempacotados e, melhor, continuam capazes de nos revirar do avesso.



 
 

kraakfest2008cover.jpg picture by eduardochagas

Décima edição do belga (K-RAA-K)³ FESTIVAL 2008, um dos mais ecléticos festivais do panorama europeu actual, evento com abrangência suficiente para albergar géneros e estilos tão díspares, como clássica, jazz, improv, skiffle, weird punk, (weird) boogie rock, boogie punk e psychedelic guitar. Montado em Bruxelas a 1 de Março p.f., e a decorrer num clube (Recyclart) numa igreja (Chapelle des Brigittines), tem como cabeças de cartaz o norte-americano Marshall Allen, da Arkestra de Sun Ra, e o percussionista britânico Paul Hession.

 
10.2.08
 

Alastair Wilson e Richard Pinnell apresentam Audition, programa de rádio da Sound 323 na Resonance FM - The Art of Listening. Em mp3, estão disponíveis para download os 61 programas realizados no decurso das três séries que o programa já leva, mais os actuais quatro Audition Exclusives, um dos quais (o quarto) com um concerto (33') de Keith Rowe (ex-AMM), ao vivo na Sound 323, em 29 de Outubro de 2001.

Keith Rowe - Prepared Guitar

 
 

Fieldwork

2004 já lá vai, mas há discos que “pedem” para voltar à superfície dos dias que correm. É o caso de Simulated Progress (PI Recordings), do trio Fieldwork: Vijay Iyer (piano), Steve Lehman (saxofones alto esopranino) e Elliot Humberto Kavee (bateria e percussão). A estética do trio ambienta-se bem no estreitamento das ligações entre ritmos pop/funk e a harmonia própria do jazz (o co-produtor é Scott Harding, nome ligado a outro tipo de ritmos, como hip-hop e o funk) à semelhança do que têm vindo a fazer artistas como Jason Moran, Greg Osby ou, antes deles, Steve Coleman. Para quem aprecia esse tipo de movimentações, não isentas de alguma controvérsia e divisão do gosto do público, Simulated Progress é um acrescento qualitativo. Apesar de, de um modo geral esta estética M-Basista não me dizer grande coisa, pois é apanágio faltar-lhe em densidade o que lhe sobra em frivolidade e agilidade rítmica, curiosamente neste disco o que mais aprecio é a fluidez das mudanças de tempo (Elliot H. Kavee anda há alguns anos na estrada com o pianista Omar Sosa), a flexibilidade das estruturas harmónicas (além do mais, a mão esquerda de Iyer dispensa bem o contrabaixo) e o anguloso desenho melódico de Steve Lehman, elementos que lhe conferem uma plasticidade interessante. Será porventura este aspecto conciliador a fazer com que o disco aguente um bom par de audições sem cair no repetitivismo aborrecido, e constitua a síntese possível entre os universos musicais de Steve Coleman e Anthony Braxton.

 
 

Paris Transatlantic Magazine - The Portal

 
 
Irène Schweizer, Rudiger Carl, Radu Malfatti, Harry Miller, Paul Lovens - Ramifications (1973, LP Ogun 500)

1. Elephant off the bone (11.00); 2. What's yours then? (03.07); 3. Panacea for - (05.43); 4. Rüdiger's tune is called 0202 which is teh new code for Wuppertal Part A (06.00); 5. Rüdiger's tune is called 0202 which is teh new code for Wuppertal Part B (05.36); 6. FMP (07.16)

Irène Schweizer - piano; Rüdiger Carl - saxofone tenor; Paul Lovens - bateria; Radu Malfatti - trombone; Harry Miller - contrabaixo.

In September 1973 Irène Schweizer the swiss pianist invited the germans Rudiger Carl and Paul Lovens, austrian Radu Malfatti and south african Harry Miller to play a week for an improvising danish dance company. At the suggestion of Harry Miller, the recording engineer Keith Deal had gone to Zurich with portable recording equipment and at the end of a successful week the musicians decided to record the music presented on this album.

 
9.2.08
 

Este homem actua em quarteto na Culturgest, Lisboa, a 20 de Fevereiro.

 
 

Titlepage

Parte Terceira do Clavier Übung publicada por Johann Sebastian Bach em 1739, "consistindo em diversos Prelúdios sobre o Catecismo e outros Hinos para Órgão. Destinado a amantes da música e especialmente a conhecedores da Obra, para refrescarem o espírito”, escreveu o próprio Bach na apresentação da obra. A interpretação de Francis Jacob, executada no órgão construído de raiz em 2005 pelo organeiro alsaciano Bernard Aubertin, montado na igreja de Saint Louis en L'isle, é uma experiência assombrosa, graças à lentidão geral dos tempos e à impressionante leitura das fugas, a que se soma uma gravação primorosa. Aubertin construiu o órgão tendo em mente a literatura de J. S. Bach para o instrumento, principalmente o ciclo denominado German Organ Mass (BWV 669-677; BWV 678-689; BWV 802-805 e BWV 552). As soluções técnicas foram inspiradas nos instrumentos barrocos construídos por Zacharias Hildebrandt. Edição Zig-Zag Territoires em CD duplo.

Bach: Clavier-Übung III - Francis Jacob

 
 

Vision Festival XIII

 
8.2.08
 
O propósito vem contado nas notas que acompanham o disco: a música de SATOR ROTAS (Creative Sources Recordings) baseia-se na composição homónima de Marcus Schmickler, originalmente escrita a pensar na execução electrónica. Para esta gravação, a peça foi “transcrita” e arranjada para trio acústico de contrabaixo, trombone e piano preparado. A transposição para trio (Matthias Muche, Philip Zubek e Achim Tang) em ambiente acústico mantém a aparência própria da instalação electrónica, centrada na microscopia sonora, põe em evidência uma miríade de detalhes sónicos a partir dos quais evolui para realidades mais complexas, estruturadas na confluência das três correntes dominantes. O que aqui se ouve requer máxima concentração e focagem no instante que ainda não terminou e já renasce no momento seguinte. Acções, figuras, formas, planos, motivos, processos – o modo de os organizar é suave, quase terno, mas incisivo na criação de linhas oblíquas que apontam para diferentes pontos no espaço pluridimensional. O piano, tanto desenha linhas verticais de recorte feldmaniano, como desfia horizontalmente um continuum de sons preparados e executados em tempo real; à vez e em simultâneo, trombone e contrabaixo murmuram sons alienígenas inspirados nos processos de criação sonora por via electrónica. Os três envolvem-se num pulsar de quase-drone que desliza suave, apenas perturbado por ligeiros acidentes na paisagem. Como se o vapor se fosse condensando em gotículas sobre um vidro multicolor, aglomeradas de maneira a formar um líquido cristalino de textura complexa. As relações estabelecidas dão origem a uma constante sucessão de surpresas e à dificuldade prática de perceber quem está a fazer o quê, o que apela à participação do ouvinte na descodificação do segredo bem guardado. A sensação com que se fica ao cabo da terceira e última peça deste tríptico, além da fruição estética de uma obra de arte sonora bem construída, é a de que SATOR ROTAS, proposta verdadeiramente intrigante, refractária a qualquer categorização, coloca uma série de questões interessantes, deixadas propositadamente em aberto.

 
 

Pst, só para lembrar que a partir de hoje e durante toda a semana, no Jazz on 3 (BBC Radio 3), é a vez de David Torn, autor de Prezens (ECM, distr. lusa Dargil), um dos discos que mais vezes ouvi em 2007. O grupo de PrezensD. Torn e as suas guitarras; Tim Berne, saxofone alto; Craig Taborn, teclados; e Tom Rainey, bateria – tocou no clube londrino Vortex Janeiro passado. Deve ter sido qualquer coisa digna de se ver e ouvir. A BBC gravou o concerto e passa-o esta noite, às 23h00 locais, a mesma hora de Lisboa. Até lá e depois da janta vou acabar o escrito sobre um disco que me está a agradar sobremaneira: SATOR / ROTAS, de Matthias Muche, Philip Zubek e Achim Tang, saído há para aí um mês e tal na Creative Sources Recordings.

 
 

[vgo.JPG]

Das Doppelnull-Jubiläum feiert CS adäquat mit Stills (cs 100, 3 x CD), prall gefüllt mit sechs Liveperformances des VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRAs conducted by Ernesto Rodrigues. Organisiertes Chaos zwischen Noch-nicht und Nicht-mehr, Electro & Acoustic, Indeterminacy, Diffusion und eine nichteuklidische Geometrie bestimmen die Bewegungen von Klangmassen, kreiert von 17- bis 33-köpfigen Klangkörpern, mit Violine/Viola & Cello (E. & G. Rodrigues), Akkordeon (A. Pereira), Circuit bending & Tapes (Travassos) und Kontrabass (H. Faustino) als personell konstante Quellen für durchwegs mit Strings, Brass & Reeds, Electronics und Percussion angereicherte Klangflüsse. Gegen meine Vermutung kommen die nicht als magere Rinnsale daher, sondern als üppige uferlose Ströme. Mehr Free Jazz als sonst was, aber ganz beherrscht von Kollektivinstinkt. Selten schert eine einzelne Stimme aus und wenn, dann weiterhin umschwärmt von Ihresgleichen, als Schleppe, die Individualität an das übergeordnete oder grundlegend Gemeinsame rückbindet. Rodrigues unsichtbar lenkende Hand bei dieser lusitanischen Variante des London Improvisers Orchestra löst Prozesse aus, denen er selbst als Partikel unterliegt.‚ Suddenly The Dream Became A Promise Of White’ lenkt den Fluss zeitweise unterirdisch durch Karstgebiet, um dann erneut aufzuschäumen in Dreamscapes, in denen das Ungesonderte dominiert. Didgeridoo, Sun-Ra-Drums, Samplingfetzen, Nähmaschinenstrings, Akkordeongepumpe, herrliche, Herz und Hirn erfrischende Kakophonie, ein Fest für die Ohren! - Bad Alchemy, Würzburg - Germany

 
7.2.08
 


Sunday/Dimanche, February 10, 2008, 15.00h Paris
Fondation Suisse (7, bd Jourdan, 75014 Paris)
Spectacle DADA
Films, littérature, musique. Oeuvres de Marcel Duchamp, Moritz Müllenbach, Igor Oliveira, Man Ray, Hans Richter, Guy Livingston. Isora Castilla, piano; Robert Koller, baryton; Loïc Vidal, Lucie Pouille, récitation.
Co-sponsored by Paris Transatlantic Magazine

 
 

Screwgun Records

 
6.2.08
 

roswellrudd-1.jpg picture by eduardochagas

Emissão radiofónica pela rádio Hiversum, Holanda, de um concerto realizado a 11 de Fevereiro de 1965 pelo New York Art Quartet. O CD, reedição Free America (Universal) de 2005, vem creditado em nome de Roswell Rudd, mas também se encontram referências bibliográficas e discográficas ao Roswell Rudd Quartet e a Roswell Rudd & New York Art Quartet. Várias maneiras de dizer a mesma coisa, quando afinal o que importa é conhecer a música extraordinária criada pelo grupo em que participavam o trombonista norte-americano, o saxofonista dinamarquês John Tchicai, e, circunstancialmente, o holandês Finn von Eyben e o sul-africano Louis Moholo. Além da colorida inventividade da secção rítmica, por sobre a marcação irregular de von Eyben e Moholo destaca-se a polifonia free própria dos sopradores do New York Art Quartet. Dos cinco temas, três são de Rudd (Respects, Old Stuff e Sweet Smells), um de Tchicai (Jabulani) e uma invocação de Thelonious Monk (Pannonica). O LP foi uma raridade só acessível a coleccionadores que pudessem pagar bom dinheiro pelos poucos exemplares em vinil (America LP 6114), até que há três anos a Free America reeditou esta preciosidade em CD, uma das mais representativas da New Thing dos anos 60. Quem se interessar que se apresse, porque também desta reedição já poucos exemplares devem sobrar.

 
 

Photobucket

Wolfgang Dauner - Free Action (LP MPS/SABA, 1967)

E que tal uma viagem com Wolfgang Dauner? Cai bem uma sessão free das antigas, típica (e nada típica, para a época, mesmo em termos europeus) de meados de sessenta para a frente, com alemão Dauner (n. 1935), jovem pianista influenciado por Coltrane, Webern, Debussy e Ravel, a liderar um euro-combo de grande quilate. No Wolfgang Dauner Septett participam o subvalorizado Gerd Dudek, em saxofone tenor e clarinete; Eberhard Weber, violoncelo; Jürgen Karg, contrabaixo; Mani Neumeier, em bateria e tabla; e Fred Braceful, bateria. Junta-se à festa o francês Jean-Luc Ponty, com o seu violino faiscante. Ouvi e avaliai por vós próprios a qualidade do material. Além de raro, Free Action [1. Sketch up and Downer (9:08); 2. Disguise (7:00); 3. Free Action Shot (6:03); 4. My Spanish Disguise (12:48); 5. Collage (6:15)] é um LP de muito bom gosto, recentemente reeditado em LP na MPS japonesa. Grande disco, Herr Dauner! Quarenta anos passados, parece que soa cada vez melhor. Gravado no SABA Studio, em Villingen, Floresta Negra, no dia 2 de Maio de 1967. A pintura da capa (Free Action) é do próprio Wolfgang Dauner.


Free Action


 
 

Trinta e uma pequenas peças, ásperas como um raio, mas o certo é que à segunda, terceira passagens, as linhas mais angulosas parece que se limam um pouco, ajustando as peças para uma escuta mais conveniente. Falo do mais recente lançamento, o trigésimo (parabéns!), da editora lusa CRÓNICA, Täuschung, do austríaco de origem bósnia, Davor Mikan. Uma mistura de música algorítmica e música “feita à mão”, como a descreve o artista, que utiliza ferramentas digitais de desenho gráfico para manipular e transformar sons sacados do seu computador. O produto é uma luxuriante selva noise digital que o músico vienense desbrava, domestica e serve em fatias finas. Mesmo assim, a digestão não é fácil e requer alguma preparação para assimilar este material, por vezes próximo de algum ruidismo industrial ou do white noise de praticantes como Merzbow. Pessoalmente, agrada-me bastante o género, preferindo embora peças mais desenvolvidas que estes breves apontamentos de Davor Mikan, com demasiados intervalos a fragmentar o que melhor soaria contínuo ou prolongado. As faixas n.º 24 (Dunkelnder) e n.º 29 (Ein Tag), mais longas, são as que melhor permitem uma exposição sequencial. Quanto à substância, música e criador têm uma identidade ainda por construir, mas o caminho está à vista e apela a uma maior intimidade entre o homem e a máquina. Täuschung é o termo gemânico para decepção, que se refere a um conjunto de ideias e conceitos emocionais que Davor Mikan integra naquilo que designa por "context of psychoacoustic effects in a personal sense (self-delusion)". Distribuição: Matéria Prima, Porto.

 
 
ernesto rodrigues_violino eléctrico
guilherme rodrigues_cello eléctrico
antónio chaparreiro_guitarra eléctrica
jorge serigado_baixo eléctrico
pedro lopes_electrónica/gira-discos
andré mota_bateria
MUSICBOX, 6FEV22h30


 
5.2.08
 



John Coltrane - My Favorite Things (1961)

John Coltrane - soprano saxophone
Eric Dolphy - flute
McCoy Tyner - piano
Reggie Workman - bass
Elvin Jones - drums

 
 

Regresso da Exploding Star Orchestra em segundo volume, com o trompetista veteraníssimo Bill Dixon e os reincidentes Rob Mazurek, Nicole Mitchell, Jeb Bishop, Jeff Parker, Jim Baker, Jason Adasiewicz, Mattew Lux, Jon Herndon e uns quantos mais, em três longas peças, duas de Dixon (Entrances/One e Entrances/Two), e outra de Rob Mazurek, Constellations For Innerlight Projections (For Bill Dixon). Bill Dixon with Exploding Star Orchestra (Thrill Jockey).

 
4.2.08
 
Paul Rutherford, trombonista britânico da free music, dos tempos históricos e mais recentes, deixou de soprar a 5 de Agosto último. Pelo caminho, de mais relevante, fundou o trio Iskra 1903, no início dos anos 70, com Derek Bailey e Barry Guy (anos mais tarde reformaria o trio com a entrada de Phil Wachsmann e saída de Bailey) e participou em muitas das mais importantes iniciativas musicais ligadas à improvisação, como a London Jazz Composers Orchestra ou a Globe Unity Orchestra, de Alexander von Schlippenbach), tocou com gente do lado de cá e lá do Atlântico, onde se atreveu com o pessoal de Chicago, de dentro e de fora, no Empty Bottle (Chicago 2002, a solo e com Jeb Bishop, Lol Coxhill, Mats Gustafsson, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler e Kjell Nordeson). Outra música, The Gentle Harm Of The Bourgeoisie, disco de trombone solo, gravação de 1974, é tido como um dos melhores discos a solo de sempre e o melhor disco de trombone solo de todos os tempos. Na verdade, depois deste primeiro disco, em que inventou o concerto solo com aquele instrumento, Paul Rutherford gravaria outros, mas, como este, não ouvi. Em três datas diferentes de 1974, no palco do londrino e já extinto Unity Theater, em frente à audiência, a magia de um homem com o seu trombone e um par de surdinas. The Gentle Harm Of The Bourgeoisie está esgotado. Aguarda reedição. Enquanto não reaparece, a Emanem reeditou há pouco tempo Solo in Berlin 1975, outra grande peça do mestre. No-one else has made the trombone sound like this, before or since, diz Martin Davidson.

 
 

Músicas no Plural - programa de Rui Neves com edição de Tiago Jónatas (Serviço de Música da Fundação Gulbenkian). Um percurso de escolhas investido em várias tipologias actuais da Música, as mais inovadoras e menos convencionais, um recenseamento do que não é de imediato visível e audível, neste século XXI em que se instituiu a nova Era do Digital. FCG SM: Podcasts Músicas no Plural

 
3.2.08
 

James 'Blood' Ulmer - Are You Glad To Be In America?

James 'Blood' Ulmer (guitarra eléctrica); Oliver Lake (saxofone alto); David Murray (saxofone tenor); Olu Dara (corneta); William Patterson (guitarra eléctrica); Amin Ali (baixo eléctrico); G. Calvin Weston e Ronald Shannon Jackson (bateria). Gravado nos estúdios RCA, Nova Iorque, a 17 de Janeiro de 1980. James 'Blood' Ulmer (n. 1942) é provavelmente o único guitarrista, entre vivos e mortos, a fazer a ponte entre jazz, blues, funk, groove, rock e vanguardas avulso. Tão esquecido, este Excelentíssimo Senhor, ele que foi o discípulo dilecto de Ornette Coleman, com quem partilha o interesse pelo desenvolvimento da harmolodia. Tendo aprendido quase tudo com Jimi Hendrix (No Escape From the Blues, diz ele), Ulmer é uma das vozes a colocar entre Sonny Sharrock e Derek Bailey - a Magnífica Trindade, na diversidade de formas e estilos. Lembro-me da primeira vez que ouvi Are You Glad To Be In America?, foi no Jazzofone, programa de rádio que o Rui Neves tinha na altura na Rádio Comercial, devia o disco ter acabado de sair, há para aí uns 28 anos, feitas as contas. Bateu-me logo em cheio, a extraordinária bomba de James 'Blood' Ulmer, que então gravei em cassete. Este post retoma outro de Setembro de 2007, graças ao contributo de M. Martinho, que gentilmente cedeu um ripp (obrigado!) sem o bug que a própria havia detectado na versão então disponibilizada. Joyful noise...

Jazz Is The Teacher (Funk Is The Preacher)

 
 

Fine and Mellow (1957)
Billie Holiday, Lester Young, Coleman Hawkins, Ben Webster,
Gerry Mulligan, Roy Eldridge, Doc Cheatham, Vic Dickenson,
Danny Barker, Mal Waldron, Milt Hinton e Osie Johnson.
(Robert Herridge, CBS Studio 58 - "The Sound of Jazz")

 
2.2.08
 

as06.jpg picture by eduardochagas

O disco já tem alguns anos, é de 2003, mas volta-se sempre com inteiro agrado. Sexto volume da série Invisible Architecture que a Audioshpere, filial da belga Sub Rosa, tem vindo a dar curadoria, apresenta um conjunto de quatro peças de música electroacústica improvisada (41'), criadas ao vivo por um quarteto formado Oren Ambarchi, Günter Müller e pelo duo Voice Crack (Andy Guhl e Norbert Möslang, que entretanto, ao cabo de 30 anos de colaboração, seguiram caminhos separados), sob o título de Oystered (antes do concerto, à mesa, o quarteto tinha-se amesendado com ostras e vinho…). Quem conhece o que a casa gasta com praticantes destes sabe com certeza o que esperar da associação formada para um concerto a 23 de Julho de 2002, no Big Jesus Burger, em Sidney, Austrália, durante o qual a guitarra eléctrica de Oren Ambarchi não soa exactamente como dela se esperaria, graças às artes de transformação sonora operadas pelo artista, e os três reis magos suíços da electrónica mais avançada, comprometidos na invenção sonora a partir do que chamam “cracked everyday electronics”, outra maneira de dizer refogado electrónico em lume brando, com tempero de percussão e um toque de mini-disc, sem recurso a beats ou a quaisquer estruturas rítmicas. Ao longo dos quatro temas (Walking Oyesters; Briefing Oysters; Grounding Oysters; e Oystered) o grupo consegue uma coerência notável, tratando-se de um único encontro sem preparação prévia. Daqui resulta uma manta sonora leve, tecida de fios multicolores, sem grandes variações dinâmicas e de intensidade, mas capaz de infundir no ouvinte todo o tipo de sugestões e alucinações auditivas. Experimente-se a escuta a meio volume, com auscultadores. Pelo que se ouve, as ostras caíram-lhes bem.

 
 

Sam Rivers, Contrasts
(LP ECM, 1980)

1. Circles [4:10]; 2. Zip [4:42]; 3. Solace [6:54]; 4. Verve [7:09];
5. Dazzle [9:12]; 6. Images [3:48]; 7. Lines [7:15]

Sam Rivers - saxofones tenor e soprano, flauta
George Lewis - trombone
Dave Holland - contrabaixo
Thurman Barker - bateria, marimba

Dez. 1979, Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, Alemanha.
Produzido por Manfred Eicher

 
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

arquivo

Setembro 2004
Outubro 2004
Novembro 2004
Dezembro 2004
Janeiro 2005
Fevereiro 2005
Março 2005
Abril 2005
Maio 2005
Junho 2005
Julho 2005
Agosto 2005
Setembro 2005
Outubro 2005
Novembro 2005
Dezembro 2005
Janeiro 2006
Fevereiro 2006
Março 2006
Abril 2006
Maio 2006
Junho 2006
Julho 2006
Agosto 2006
Setembro 2006
Outubro 2006
Novembro 2006
Dezembro 2006
Janeiro 2007
Fevereiro 2007
Março 2007
Abril 2007
Maio 2007
Junho 2007
Julho 2007
Agosto 2007
Setembro 2007
Outubro 2007
Novembro 2007
Dezembro 2007
Janeiro 2008
Fevereiro 2008
Março 2008
Abril 2008
Maio 2008
Junho 2008
Julho 2008
Agosto 2008
Setembro 2008
Outubro 2008
Novembro 2008
Dezembro 2008
Janeiro 2009
Fevereiro 2009
Março 2009
Abril 2009
Maio 2009
Junho 2009
Julho 2009
Agosto 2009
Setembro 2009
Outubro 2009
Novembro 2009
Dezembro 2009

previous posts

  • «(...) We have a specially composed, seasonally in...
  • Synflict - Prismatine Marco Cervellin & Olliver ...
  • Roulette Concert Archive http://www.roulette.org/ ...
  • CLOUDS IN MY HOME - White Blue Black [pass002]Cutt...
  • All About Jazz - New York # 92 / December 2009 Ch...
  • Interpretations presents: FLUX Quartet premieres D...
  • DARMSTADT: ESSENTIAL REPERTOIRE Festival [ISSUE Pr...
  • John Butcher, Live at ISSUE Project Room (11/11/09...
  • Rainfall, do polaco Marcin Drabot, também conhecid...
  • herzog - first summer and the running dream [rb0...

  • links

  • Improvisos ao Sul
  • Galeria Zé dos Bois
  • Crí­tica de Música
  • Tomajazz
  • PuroJazz
  • Oro Molido
  • Juan Beat
  • Almocreve das Petas
  • Intervenções Sonoras
  • Da Literatura
  • Hit da Breakz
  • Agenda Electrónica
  • Destination: Out
  • Taran's Free Jazz Hour
  • François Carrier, liens
  • Free Jazz Org
  • La Montaña Rusa
  • Descrita
  • Just Outside
  • BendingCorners
  • metropolis
  • Blentwell
  • artesonoro.org
  • Rui Eduardo Paes
  • Clube Mercado
  • Ayler Records
  • o zurret d'artal
  • Creative Sources Recordings
  • ((flur))
  • Esquilo
  • Insubordinations
  • Sonoridades
  • Test Tube
  • audEo info
  • Sobre Sites / Jazz
  • Blogo no Sapo/Artes & Letras
  • Abrupto
  • Blog do Lenhador
  • JazzLogical
  • O Sítio do Jazz
  • Indústrias Culturais
  • Ricardo.pt
  • Crónicas da Terra
  • Improv Podcasts
  • Creative Commons License
    Powered by Blogger