
Se o assunto é drones ou dark ambient (não demasiado dark), ouçam só este Light Years, lançamento recente do canadiano Lee Rosevere na Test Tube (# 112). Sugestão: colocar os auscultadores e fixar um ponto algures no espaço visível (ou invisível) durante a meia hora que dura Light Years. Montado na via láctea, estou quase a chegar a Saturno. Já se distinguem os anéis ao longe.
D'Autres Cordes é uma micro-editora gaulesa de fundação recente, virada essencialmente para a publicação de discos de artistas franceses e europeus em geral. Além dos franceses, o interesse recaíu já sobre músicos dinamarqueses e noruegueses. A D’Autres Cordes interessa-se por valorizar projectos nas áreas da música electrónica e do jazz europeu – 7 até à data –, que edita em CD com invólucros feitos de papel reciclado. Mais pormenores em D’Autres Cordes.
Na WIRE de Março (Issue #289), um olhar sobre o underground de Brisbane, Austrália. Música de Blank Realm, Joel Stern, The Lost Domain, No Guru e The Deadnotes.

"avant-garde" is arcane, hyper-specialized; it tends to please small and devoted audiences and has little impact on the wider world, which is dominated by far more commercial and accessible sounds. But what if an improvised performance is more than an improvised performance? Does improvised music open a door to possibilities for social change? And if that's the case, shouldn't more people be paying attention? [...]

1. - 3. Mai 2008, Jazzatelier Ulrichsberg: Rudresh Mahanthappa & Vijay Iyer; Vist Ag; Return of the New Thing; OtomoYoshihide; Martine Altenburger / Frederic Blondy / Bertrand Gauguet;Giancarlo Locatelli & Barre Phillips; Steve Noble / John Edwards / AlanWilkinson; Elisabeth Flunger; Here comes the Sun & Philip Jeck; Taylor HoBynums 13th Assembly; The Wardrobe Trio; Isa Riedl & Andreas Lehmann.
'Ordinary Music Vol. 4, for Mixed Ensemble & Live-electronics' (rehearsal)
Fábrica Braço de Prata, Livraria Ler Devagar. Lisboa, 23.02.2008
Nikolaus Gerszewski – composition, conduction, piano; Ernesto Rodrigues – conduction, violin; Guilherme Rodrigues – cello; Bruno Parrinha – alto clarinet; Nuno Torres – alto saxophone; Eduardo Chagas – trombone; Armando Pereira – accordion; Hernâni Faustino – double bass; Pedro Castello-Lopes – percussion; Gabriel Ferrandini - drums; Carlos Santos – live sampling, electronics. Photos: Giovanna Tarallo.
A mais recente das novas propostas da Creative Sources Recordings para 2008, é Fury (CS111), obra de Robert van Heumen, artista sonoro holandês (n. 1965), além de matemático, trompetista e programador de software. Van Heuman, dirige o STEIM (Studio for Electro-Instrumental Music), trabalha com laptop, controladores e live sampling (LiSa). Fury (After Anger), a primeira de duas, é uma composição electrónica em quatro andamentos, encomendada em 2006 pelo festival Sonic Circuits, de Washington DC. Originalmente pensada e estruturada para 5.1 surround, a versão aqui apresentada foi transposta para dois canais estéreo. A segunda parte de Fury, inclui a peça “semi-improvisada” They Would Get Angry Sometimes, derivada da primeira e executada ao vivo, em 2007, na Brown University, Providence, EUA. Fury inspira-se em depoimentos sonoros e em textos escritos na América do início dos anos 40, que relatam episódios trágicos ocorridos nos anos que se seguiram à Grande Depressão e à queda da bolsa de 1929-31, em que hordas de agricultores famintos fugiam das suas terras com as famílias e se dirigiram ao Sul, em busca de melhores condições de vida no Oklahoma, Texas, Arkansas e no Missouri, até terminarem em campos da Farm Security Administration, na Califórnia (1940-1941). Em ambas as composições a estratégia do compositor é basicamente a mesma, e passa pelo tratamento algoritmos e de sons pré-gravados, em paralelo com sons captados e processados em tempo real, utilizando a ferramenta electrónica SuperCollider. O método de Robert van Heumen é simples: tocar, ouvir, reagir, combinar, sobrepor, recombinar e transformar, como a outro respeito e com outra formulação ensinou Lavoisier. O resultado, com um pé na rádioarte, é surpreendente.
Inside Out in the Open, de Alan Roth, edição DVD da ESP-DISK. Reedições em Fevereiro/2008: ESP 4041 - Lindha Kallerdahl ,"Gold"; ESP 1060 - Steve Lacy, "The Forest And The Zoo"; ESP 1021 - Paul Bley Trio "Closer"; ESP 1009 - Bob James Trio, "Explosions"; ESP 1004 - New York Art Quartet.

ANDRE VIDA [insub24]
I don't know whats wrong with me, my computer eyes or my internet knees
Saxophone tenor et poesie.......... Improvisation solo au saxophone et textes basé sur les poèmes du Handbook 8. J'ai joué chaque mardi soir durant les 2 dernières années dans un endroit nommé Wendel à Berlin. Cela m'a donné l'occasion d'explorer en profondeur les intersections entre sax solo et textes poétique. Je fut donc très heureux d'avoirt la chance de venir à Antwerp et d'y rapporter ces fructifiantes expériences dans un nouvel environnement. je remercie spécialement Giles et Patries d'avoir rendu ceal possible.

The SHAKING RAY LEVIS with Derek Bailey - LIVE at LAMAR'S: Derek Bailey, guitarra; Dennis Palmer, sintetizador; Bob Stagner, percussão. Gravado ao vivo no Lamar's Restaurant, Chattanooga, EUA, 1999 (Incus - In the Sideline Series).





No Country for Old Men. O filme dos irmãos Joel e Ethan Coen deve ser a dar no osso, como eles tão bem fazem quando para aí se viram. O livro de Cormac McCarthy é muito bom. Admirável, a forma cruenta como McCarty conta as terríveis aventuras de Llewelyn Moss, Anton Chigurh e do Xerife Bell em paisagem Tex-Mex. Romance poderoso sobre a condição humana, brutal, intenso, malvado e cheio de adrenalina. Edição portuguesa da Relógio d'Água.


Greetings from Berkeley,
I just got an email from Ben Goldberg, who is on this CD, and to whom I sent the CD just a few days ago. All he said: “Now that’s packaging.” Yeah: this one I produced entirely myself; a truly independent release. The packaging is all recyclable materials except for the CDs themselves. The cover art and CD disc art are taken from film strips of Stan Brakhage’s films, kindly provided by his estate. The photo-cards inside the “collector’s edition” now on sale were taken in the heat of the concert by local photographer Matthew Campbell. And the music itself, spread over 2 discs, is I think pretty special too, and deserving of this “packaging.” But I mainly wanted to have this package for this music as part of an appropriate homage to a great film maker.
I hope you don’t mind the ad form above. You can get more information, including a preview article on the original performance from which this recording comes, at www.ochs.cc And if you want to know more about Stan Brakhage’s incredible hand-painted (and other) films, the best place to start might be: Criterion Films.
The collector’s edition is $65 for listeners in USA and Canada and $75 from anywhere else, including postage and handling. If you go to http://www.ochs.cc/ you can pay by credit card or PayPal, by clicking on the “Buy Now” button from PayPal. Or send a check in US dollars to the address listed below.
Larry Ochs’ The Mirror World (for Stan Brakhage) - Metalanguage (MLX 2007)
realization 1: HAND
ORKESTROVA: John Schott - el. guitar // Joan Jeanrenaud & Theresa Wong - cellos, effects // Lisle Ellis – bass + circuitry // Ben Goldberg – contra-alto + Bb clarinets // Toyoji Tomita & Jen Baker – trombones, didgeridoos // Darren Johnston & David Bithell – trumpets // Steve Adams – bass flute // Jon Raskin – baritone sax // Tim Perkis & Matt Wright - electronics // William Winant & Gino Robair - percussion // {on tracks 4 + 7 only: Bruce Ackley – Bb clarinet // Moe! Staiano – percussion} // Raskin, Adams, Robair – cues, conducting // Larry Ochs – traffic control.
realization 2: WALL
Rova Special Sextet: Bruce Ackley - soprano, tenor // Steve Adams - alto // Larry Ochs - tenor, sopranino // Jon Raskin - baritone // Gino Robair & William Winant - drums, percussion
Stay tuned,
Larry Ochs

Chegou o novo disco de Kali Z. Fasteau, gravado ao vivo no Kerava Jazz Festival, na Finlândia, a 9 de Junho do ano passado. Live at the Kerava Jazz Festival: Finland. Conheço e gosto bastante da música de Kali desde os tempos do The Sea Ensemble, com Donald Rafael Garrett, de que ficou um disco bestial na ESP-DISK. Muitos anos passados, Ms. Fasteau foi andando para a frente com a carreira, sempre a fazer discos interessantes e a dar concertos um pouco por toda a parte. O ano passado saiu com um disco muito bom (outro) na editora que fundou e dirige (Flying Note Records), o potente People of the Ninth, com Edward “Kidd” Jordan (saxofone tenor) e Michael T. A. Thompson (bateria), gravado imediatamente a seguir à tragédia do Katrina. Aparece agora com um live, disco de concepção muito diversa, que a multi-instrumentista norte-americana quis que servisse para dar uma ideia de como soa a sua música em concerto. Para a sessão, em que Kali toca mizmar, piano, nai, violoncelo, sintetizador, violino, bateria, saxofone soprano, e canta, foram convidados o repetente ‘Kidd’ Jordan, saxofonista veterano de New Orleans, e o baterista Newman Taylor Baker, dois aficionados das linguagens mais free do jazz. Em nove temas (63’), o trio de Kali Z. Fasteau trance-porta-nos numa viagem fantástica por ambientes etéreos e muito diversificados, que constituem um bom resumo do que tem sido o resultado do trabalho numa vasta área do conhecimento sonoro que, pessoalmente, situaria entre os universos de Sun Ra e de Don Cherry. Kidd Jordan e Newman Taylor Baker seriam provavelmente os parceiros ideais para esta jornada finlandesa, invulgar excursão pelos sons mais cósmicos e espirituais do jazz contemporâneo. Invocação dos espíritos ancestrais e das forças da natureza. Num tempo de homogeneização e de produção em série, ouvir o trio de Kali (que som de tenor, Mr. Jordan; que delicadeza na percussão, Mr. Baker) é um consolo para a alma, que a todos se recomenda. Os proventos resultantes da venda de Live at the Kerava Jazz Festival: Finland (FNCD 9012) revertem a favor da Louis Armstrong School of Jazz, em New Orleans.
John Butcher - The Geometry of Sentiment / Resonant Spaces [THE WIRE]
Hamilton 4:40. Feedback Tenor: Hamilton Mausoleum, Scotland, June 2006 - Resonant Spaces - Confront.
But More So (for Derek Bailey) 7:09. Tenor: Instant Chavirés, Paris, November 2006, The Geometry of Sentiment - Emanem.
Trägerfrequenz 3:05. Tenor: Oberhausen Gazometer, Germany, September 2006, The Geometry of Sentiment - Emanem.

Roberto Fega, artista sonoro italiano (n. 1965), tem-se desdobrado em projectos, colaborações, workshops e concertos, desde os tempos do grupo avant-rock Dura Figura, iniciados há uma década. Além de tocar saxofones tenor e soprano, participa nos colectivos Titubanda e Arturo, bem como no trio Taxonomy, com Elio Martusciello e Graziano Lella, porventura a sua mais conhecida via de apresentação. Acrescem as colaborações com Tim Hodgkinson, com a Pangolino Orchestra, e com o pianista norte-americano Thollem McDonas, em projectos de veia experimental e de pesquisa sonora. Un Geco Nella Mia Casa (Creative Sources Recordings, # 107) é, também ele, um trabalho de base essencialmente electroacústica experimental, que, partindo duma pool de sons gerados em computador, utiliza tesoura, cola e pós-produção electrónicas para organizar pedaços de falas de filmes (Johnny Depp, John Turturro, "he stole my story", por exemplo) e outras vozes (Mike Cooper, Dalida e Subcomandante Estrella, do mexicano Exército Zapatista de Libertação Nacional), samplagem de field recordings e sons esparsos de instrumentos acústicos, como guitarra clássica, contrabaixo, charango e trombone, para o que contribuem Mario Camporeale, Paolo Angeli e Matteo Bennice. Fundamentalmente, é um disco a solo de improvisação electrónica abstracta, intervalada por secções acústicas e ruidismo glitch, idealizado e construído em computador. Agradável de ouvir, Un Geco Nella Mia Casa é um produto de bom gosto, que explora com sucesso o sincretismo entre diferentes códigos de som e imagem. Simpática, não viscosa nem repelente, esta osga. E é ouvi-la a trepar pelas paredes...Adolfo Luxúria Canibal, Mão Morta. Cantos de Maldoror



Em 1978, o trompetista italiano Enrico Rava regressava a Itália, depois de uma prolongada estadia em Nova Iorque. Mudava do ambiente free daquele tempo, no qual se manteve sempre com um pé dentro outro fora, para retomar a uma linguagem mais conforme com os cânones da época, sem no entanto perder o carácter ousado e espírito aventureiro. Foi a época do famoso Enrico Rava Quartet, com Roswell Rudd (trombone), Jean François 'JF' Jenny-Clark (1944-1998, contrabaixo) e Aldo Romano (bateria), que gravou um disco importante para a ECM em 1978, com quatro composições originais. Rava sempre soube sair do conforto dos standards e arriscar na afirmação da sua própria escrita e improvisação arriscada, sem perder o pé relativamente à forma. Três décadas passadas, o disco mantém-se actual, sem marcas de envelhecimento prematuro. Da mesma altura e com a mesma formação é o excelente (!) concerto gravado em 13 de Fevereiro de 1978, para a Rádio Bremen, Alemanha, no qual o grupo executou uma suite (54’) com quatro composições: King in Yellow; Lavori Gasalinghi; Out of Nowhere; e Maranjao. Enrico Rava toca hoje, 30 anos e 3 dias depois, no CCB, em Lisboa. Com Gianluca Petrella, trombone; Andrea Pozza, piano; Rosario Bonaccorso, contrabaixo; e o baterista português João Lobo.
Em mais uma emissão do 4x3 temos um trio, desta vez o violinista Ernesto Rodrigues, bem conhecido em Portugal pelos seus trabalhos na área da música improvisada e experimental e também por manter uma das grandes fornalhas em actividade: a editora Creative Sources. Ernesto Rodrigues trouxe a estes doze metros quadrados o seu violino, Guilherme Rodrigues, o seu violoncelo, e Carlos Santos uma boa dose de maquinaria electrónica. Mais um concerto oferecido pela Rádio Zero aos seus ouvintes, como é habitual, às 21 horas do terceiro sábado de cada mês. Quem não tiver possibilidade de ouvir este sábado, aproveite a repetição quinta-feira pelas 01h, ou em podcast.

Chegou-me às mãos uma proposta recente de Rhodri Davies e associados, editada em 2007 pela Another Timbre. O harpista chamou o trompetista Matt Davis, também em electrónica, Samantha Rebello, em flauta, e Bechir Saade, em clarinete, para um concerto electroacústico na primeira vez que se juntaram, no Red Rose de Londres. Muito suavemente, do impulso inicial passa-se a uma cadência lenta, cordas e sopros contam entre si segredos em murmúrio, enquanto o grão da electrónica acentua o carácter rendilhado das cinco peças que compõem este set. Vou ouvir mais vezes, que me está a puxar o pezinho para esta "dança", muito variada nos timbres e nas dinâmicas. Rhodri Davies / Matt Davis / Samantha Rebello / Bechir Saade - Hum (2007, at04). Distribuição lusa: Esquilo.


Ellen Fullman - The Long String Instrument (LP, 1985)
Ellen Fullman has been developing the Long String Instrument for more than twenty years, and it has evolved into an astounding expression of artistic individuality. The instrument is based on the longitudinal mode of vibration, with one hundred long wires strung over approximately ninety feet. The strings are attached to the soundboard, much in the same way a harp is constructed. The string goes through a hole in the soundboard, a loop is made, a pin is set in the loop, then the string is pulled against that and attached to the wall at the other end of the room. Some of the wires pass through resonator boxes at sixty and thirty feet, and the bass wires extend for the full distance. Tuning is accomplished in just intonation with ‘C’ clamps at harmonic intervals. The instrument is played is by stroking the string with rosin-covered hands and walking along its length, creating a compression wave, rather than a transverse wave, which would result from the action of plucking. Fullman has also developed various extended techniques to evoke different textures from the instrument. "The quality of the sound has an endless character, approaching infinity," says New Albion Records - Other Minds
![[folder_610.jpg]](http://3.bp.blogspot.com/_5wprmVtnQHg/RylSASwyoFI/AAAAAAAADNo/lvngLFVM8-M/s1600/folder_610.jpg)
Aceder às complexas estruturas e intrincado volteio deste álbum de Sun Ra é um desafio de grande envergadura, mesmo para ouvintes habituados à abstracção do free jazz de Ascension, de John Coltrane, por exemplo, com o qual The Magic City em parte desafia comparação, ou da música do Séc. XX de autores tão diferentes como Anton Webern, Alban Berg, Edgar Varese, Bela Bartók, Luigi Nono, Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez ou Frank Zappa. Por este disco assombroso passa toda uma multiplicidade de estados de alma, da alegria exuberante, à introspecção melancólica, humor sardónico e terror sinistro (aqui arrepiantemente administrado pelo uso que Ra faz do claviolino, um dos muitos instrumentos de teclas que o músico utilizou, alguns deles por si inventados). Sun Ra a gerir a mistura dos diferentes timbres instrumentais, sublinhando as suas intervenções com ecos do saxofone de Marshall Allen e do contrabaixo de Ronnie Boykins, até toda a banda entrar em acção. É assim a abertura de The Magic City (referência à Birmingham natal de Ra, estado do Alabama), disco de 1965, gravado em Nova Iorque com a Solar Arkestra. Originalmente publicado pela El Saturn, a editorazinha caseira de Herman 'Sun Ra' Blount, foi reeditado em 1993 pela Evidence Music. Grande música cósmica (uma evidência...) e um dos melhores exemplos em disco da visão afro-ancestral-futurística-espacial do mestre. Ra-novatos devem considerar seriamente a oportunidade de procurar outras portas de entrada neste universo, porque alguns dos discos da década de 60, como The Magic City, ou When Sun Comes Out, The Heliocentric Worlds of Sun Ra (Vols. I e II), e Other Planes of There, podem efectivamente representar uma carga de trabalhos insustentável para quem ainda não tenha calo ou não esteja preparado para entrar na nave espacial, a caminho de Saturno. Sun Ra and his Solar Arkestra - The Magic City (Evidence Music)
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PROTOCOLLUM
Chapter I:
The Beak Speaks
Chapter II:
The Beakalogue
Chapter III:
Ordering, How To Get What You Want
Chapter IV:
Special Events For You
Chapter V:
Contact The Main Beak
Dos seis quartetos de cordas que constituem a obra integral de Béla Bartók (1881-1945) nesta disciplina da música de câmara, os dois primeiros foram escritos em 1909 e em 1917, respectivamente, tendo-se sucedido os outros quatro em 1927, 1928, 1934 e 1939. Sabe-se que havia um sétimo em preparação, mas a Morte entendeu dever a conta ficar pelos seis. Não sei a interpretação do alemão Rubin Quartett tem a profundidade da de outros grupos, como o Emerson Quartet ou o Alban Berg Quartet. Porém, a execução do Rubin soa plenamente satisfatória na maneira como explora a riqueza da escrita do compositor húngaro, numa gama que vai do romântico ao experimental, mais dentro que fora do tonalismo convencional. O som do quarteto é quente, seco e homogéneo, com uma ligeira aspereza nas arestas, que lhe fica bem, independentemente de esta ser ou não a leitura mais conforme com os intentos do compositor. A gravação, realizada na Sendesaal Deutschland Radio, de Colónia, em Junho de 2003, é de boa qualidade. Edição da Brilliant Classics, ao preço da uva mijona.

JC: Francis Wolff/Mosaic


Décima edição do belga (K-RAA-K)³ FESTIVAL 2008, um dos mais ecléticos festivais do panorama europeu actual, evento com abrangência suficiente para albergar géneros e estilos tão díspares, como clássica, jazz, improv, skiffle, weird punk, (weird) boogie rock, boogie punk e psychedelic guitar. Montado em Bruxelas a 1 de Março p.f., e a decorrer num clube (Recyclart) numa igreja (Chapelle des Brigittines), tem como cabeças de cartaz o norte-americano Marshall Allen, da Arkestra de Sun Ra, e o percussionista britânico Paul Hession.

Alastair Wilson e Richard Pinnell apresentam Audition, programa de rádio da Sound 323 na Resonance FM - The Art of Listening. Em mp3, estão disponíveis para download os 61 programas realizados no decurso das três séries que o programa já leva, mais os actuais quatro Audition Exclusives, um dos quais (o quarto) com um concerto (33') de Keith Rowe (ex-AMM), ao vivo na Sound 323, em 29 de Outubro de 2001.
Keith Rowe - Prepared Guitar

2004 já lá vai, mas há discos que “pedem” para voltar à superfície dos dias que correm. É o caso de Simulated Progress (PI Recordings), do trio Fieldwork: Vijay Iyer (piano), Steve Lehman (saxofones alto esopranino) e Elliot Humberto Kavee (bateria e percussão). A estética do trio ambienta-se bem no estreitamento das ligações entre ritmos pop/funk e a harmonia própria do jazz (o co-produtor é Scott Harding, nome ligado a outro tipo de ritmos, como hip-hop e o funk) à semelhança do que têm vindo a fazer artistas como Jason Moran, Greg Osby ou, antes deles, Steve Coleman. Para quem aprecia esse tipo de movimentações, não isentas de alguma controvérsia e divisão do gosto do público, Simulated Progress é um acrescento qualitativo. Apesar de, de um modo geral esta estética M-Basista não me dizer grande coisa, pois é apanágio faltar-lhe em densidade o que lhe sobra em frivolidade e agilidade rítmica, curiosamente neste disco o que mais aprecio é a fluidez das mudanças de tempo (Elliot H. Kavee anda há alguns anos na estrada com o pianista Omar Sosa), a flexibilidade das estruturas harmónicas (além do mais, a mão esquerda de Iyer dispensa bem o contrabaixo) e o anguloso desenho melódico de Steve Lehman, elementos que lhe conferem uma plasticidade interessante. Será porventura este aspecto conciliador a fazer com que o disco aguente um bom par de audições sem cair no repetitivismo aborrecido, e constitua a síntese possível entre os universos musicais de Steve Coleman e Anthony Braxton.
Irène Schweizer, Rudiger Carl, Radu Malfatti, Harry Miller, Paul Lovens - Ramifications (1973, LP Ogun 500)
Parte Terceira do Clavier Übung publicada por Johann Sebastian Bach em 1739, "consistindo em diversos Prelúdios sobre o Catecismo e outros Hinos para Órgão. Destinado a amantes da música e especialmente a conhecedores da Obra, para refrescarem o espírito”, escreveu o próprio Bach na apresentação da obra. A interpretação de Francis Jacob, executada no órgão construído de raiz em 2005 pelo organeiro alsaciano Bernard Aubertin, montado na igreja de Saint Louis en L'isle, é uma experiência assombrosa, graças à lentidão geral dos tempos e à impressionante leitura das fugas, a que se soma uma gravação primorosa. Aubertin construiu o órgão tendo em mente a literatura de J. S. Bach para o instrumento, principalmente o ciclo denominado German Organ Mass (BWV 669-677; BWV 678-689; BWV 802-805 e BWV 552). As soluções técnicas foram inspiradas nos instrumentos barrocos construídos por Zacharias Hildebrandt. Edição Zig-Zag Territoires em CD duplo.

O propósito vem contado nas notas que acompanham o disco: a música de SATOR ROTAS (Creative Sources Recordings) baseia-se na composição homónima de Marcus Schmickler, originalmente escrita a pensar na execução electrónica. Para esta gravação, a peça foi “transcrita” e arranjada para trio acústico de contrabaixo, trombone e piano preparado. A transposição para trio (Matthias Muche, Philip Zubek e Achim Tang) em ambiente acústico mantém a aparência própria da instalação electrónica, centrada na microscopia sonora, põe em evidência uma miríade de detalhes sónicos a partir dos quais evolui para realidades mais complexas, estruturadas na confluência das três correntes dominantes. O que aqui se ouve requer máxima concentração e focagem no instante que ainda não terminou e já renasce no momento seguinte. Acções, figuras, formas, planos, motivos, processos – o modo de os organizar é suave, quase terno, mas incisivo na criação de linhas oblíquas que apontam para diferentes pontos no espaço pluridimensional. O piano, tanto desenha linhas verticais de recorte feldmaniano, como desfia horizontalmente um continuum de sons preparados e executados em tempo real; à vez e em simultâneo, trombone e contrabaixo murmuram sons alienígenas inspirados nos processos de criação sonora por via electrónica. Os três envolvem-se num pulsar de quase-drone que desliza suave, apenas perturbado por ligeiros acidentes na paisagem. Como se o vapor se fosse condensando em gotículas sobre um vidro multicolor, aglomeradas de maneira a formar um líquido cristalino de textura complexa. As relações estabelecidas dão origem a uma constante sucessão de surpresas e à dificuldade prática de perceber quem está a fazer o quê, o que apela à participação do ouvinte na descodificação do segredo bem guardado. A sensação com que se fica ao cabo da terceira e última peça deste tríptico, além da fruição estética de uma obra de arte sonora bem construída, é a de que SATOR ROTAS, proposta verdadeiramente intrigante, refractária a qualquer categorização, coloca uma série de questões interessantes, deixadas propositadamente em aberto.
Sunday/Dimanche, February 10, 2008, 15.00h Paris
Fondation Suisse (7, bd Jourdan, 75014 Paris)
Spectacle DADA
Films, littérature, musique. Oeuvres de Marcel Duchamp, Moritz Müllenbach, Igor Oliveira, Man Ray, Hans Richter, Guy Livingston. Isora Castilla, piano; Robert Koller, baryton; Loïc Vidal, Lucie Pouille, récitation.
Co-sponsored by Paris Transatlantic Magazine

Emissão radiofónica pela rádio Hiversum, Holanda, de um concerto realizado a 11 de Fevereiro de 1965 pelo New York Art Quartet. O CD, reedição Free America (Universal) de 2005, vem creditado em nome de Roswell Rudd, mas também se encontram referências bibliográficas e discográficas ao Roswell Rudd Quartet e a Roswell Rudd & New York Art Quartet. Várias maneiras de dizer a mesma coisa, quando afinal o que importa é conhecer a música extraordinária criada pelo grupo em que participavam o trombonista norte-americano, o saxofonista dinamarquês John Tchicai, e, circunstancialmente, o holandês Finn von Eyben e o sul-africano Louis Moholo. Além da colorida inventividade da secção rítmica, por sobre a marcação irregular de von Eyben e Moholo destaca-se a polifonia free própria dos sopradores do New York Art Quartet. Dos cinco temas, três são de Rudd (Respects, Old Stuff e Sweet Smells), um de Tchicai (Jabulani) e uma invocação de Thelonious Monk (Pannonica). O LP foi uma raridade só acessível a coleccionadores que pudessem pagar bom dinheiro pelos poucos exemplares em vinil (America LP 6114), até que há três anos a Free America reeditou esta preciosidade em CD, uma das mais representativas da New Thing dos anos 60. Quem se interessar que se apresse, porque também desta reedição já poucos exemplares devem sobrar.
Wolfgang Dauner - Free Action (LP MPS/SABA, 1967)
E que tal uma viagem com Wolfgang Dauner? Cai bem uma sessão free das antigas, típica (e nada típica, para a época, mesmo em termos europeus) de meados de sessenta para a frente, com alemão Dauner (n. 1935), jovem pianista influenciado por Coltrane, Webern, Debussy e Ravel, a liderar um euro-combo de grande quilate. No Wolfgang Dauner Septett participam o subvalorizado Gerd Dudek, em saxofone tenor e clarinete; Eberhard Weber, violoncelo; Jürgen Karg, contrabaixo; Mani Neumeier, em bateria e tabla; e Fred Braceful, bateria. Junta-se à festa o francês Jean-Luc Ponty, com o seu violino faiscante. Ouvi e avaliai por vós próprios a qualidade do material. Além de raro, Free Action [1. Sketch up and Downer (9:08); 2. Disguise (7:00); 3. Free Action Shot (6:03); 4. My Spanish Disguise (12:48); 5. Collage (6:15)] é um LP de muito bom gosto, recentemente reeditado em LP na MPS japonesa. Grande disco, Herr Dauner! Quarenta anos passados, parece que soa cada vez melhor. Gravado no SABA Studio, em Villingen, Floresta Negra, no dia 2 de Maio de 1967. A pintura da capa (Free Action) é do próprio Wolfgang Dauner.

Free Action
John Coltrane - My Favorite Things (1961)
John Coltrane - soprano saxophone
Eric Dolphy - flute
McCoy Tyner - piano
Reggie Workman - bass
Elvin Jones - drums
Regresso da Exploding Star Orchestra em segundo volume, com o trompetista veteraníssimo Bill Dixon e os reincidentes Rob Mazurek, Nicole Mitchell, Jeb Bishop, Jeff Parker, Jim Baker, Jason Adasiewicz, Mattew Lux, Jon Herndon e uns quantos mais, em três longas peças, duas de Dixon (Entrances/One e Entrances/Two), e outra de Rob Mazurek, Constellations For Innerlight Projections (For Bill Dixon). Bill Dixon with Exploding Star Orchestra (Thrill Jockey).
Paul Rutherford, trombonista britânico da free music, dos tempos históricos e mais recentes, deixou de soprar a 5 de Agosto último. Pelo caminho, de mais relevante, fundou o trio Iskra 1903, no início dos anos 70, com Derek Bailey e Barry Guy (anos mais tarde reformaria o trio com a entrada de Phil Wachsmann e saída de Bailey) e participou em muitas das mais importantes iniciativas musicais ligadas à improvisação, como a London Jazz Composers Orchestra ou a Globe Unity Orchestra, de Alexander von Schlippenbach), tocou com gente do lado de cá e lá do Atlântico, onde se atreveu com o pessoal de Chicago, de dentro e de fora, no Empty Bottle (Chicago 2002, a solo e com Jeb Bishop, Lol Coxhill, Mats Gustafsson, Fred Lonberg-Holm, Kent Kessler e Kjell Nordeson). Outra música, The Gentle Harm Of The Bourgeoisie, disco de trombone solo, gravação de 1974, é tido como um dos melhores discos a solo de sempre e o melhor disco de trombone solo de todos os tempos. Na verdade, depois deste primeiro disco, em que inventou o concerto solo com aquele instrumento, Paul Rutherford gravaria outros, mas, como este, não ouvi. Em três datas diferentes de 1974, no palco do londrino e já extinto Unity Theater, em frente à audiência, a magia de um homem com o seu trombone e um par de surdinas. The Gentle Harm Of The Bourgeoisie está esgotado. Aguarda reedição. Enquanto não reaparece, a Emanem reeditou há pouco tempo Solo in Berlin 1975, outra grande peça do mestre. No-one else has made the trombone sound like this, before or since, diz Martin Davidson.

James 'Blood' Ulmer - Are You Glad To Be In America?
James 'Blood' Ulmer (guitarra eléctrica); Oliver Lake (saxofone alto); David Murray (saxofone tenor); Olu Dara (corneta); William Patterson (guitarra eléctrica); Amin Ali (baixo eléctrico); G. Calvin Weston e Ronald Shannon Jackson (bateria). Gravado nos estúdios RCA, Nova Iorque, a 17 de Janeiro de 1980. James 'Blood' Ulmer (n. 1942) é provavelmente o único guitarrista, entre vivos e mortos, a fazer a ponte entre jazz, blues, funk, groove, rock e vanguardas avulso. Tão esquecido, este Excelentíssimo Senhor, ele que foi o discípulo dilecto de Ornette Coleman, com quem partilha o interesse pelo desenvolvimento da harmolodia. Tendo aprendido quase tudo com Jimi Hendrix (No Escape From the Blues, diz ele), Ulmer é uma das vozes a colocar entre Sonny Sharrock e Derek Bailey - a Magnífica Trindade, na diversidade de formas e estilos. Lembro-me da primeira vez que ouvi Are You Glad To Be In America?, foi no Jazzofone, programa de rádio que o Rui Neves tinha na altura na Rádio Comercial, devia o disco ter acabado de sair, há para aí uns 28 anos, feitas as contas. Bateu-me logo em cheio, a extraordinária bomba de James 'Blood' Ulmer, que então gravei em cassete. Este post retoma outro de Setembro de 2007, graças ao contributo de M. Martinho, que gentilmente cedeu um ripp (obrigado!) sem o bug que a própria havia detectado na versão então disponibilizada. Joyful noise...

Jazz Is The Teacher (Funk Is The Preacher)
Fine and Mellow (1957)
Billie Holiday, Lester Young, Coleman Hawkins, Ben Webster,
Gerry Mulligan, Roy Eldridge, Doc Cheatham, Vic Dickenson,
Danny Barker, Mal Waldron, Milt Hinton e Osie Johnson.
(Robert Herridge, CBS Studio 58 - "The Sound of Jazz")

O disco já tem alguns anos, é de 2003, mas volta-se sempre com inteiro agrado. Sexto volume da série Invisible Architecture que a Audioshpere, filial da belga Sub Rosa, tem vindo a dar curadoria, apresenta um conjunto de quatro peças de música electroacústica improvisada (41'), criadas ao vivo por um quarteto formado Oren Ambarchi, Günter Müller e pelo duo Voice Crack (Andy Guhl e Norbert Möslang, que entretanto, ao cabo de 30 anos de colaboração, seguiram caminhos separados), sob o título de Oystered (antes do concerto, à mesa, o quarteto tinha-se amesendado com ostras e vinho…). Quem conhece o que a casa gasta com praticantes destes sabe com certeza o que esperar da associação formada para um concerto a 23 de Julho de 2002, no Big Jesus Burger, em Sidney, Austrália, durante o qual a guitarra eléctrica de Oren Ambarchi não soa exactamente como dela se esperaria, graças às artes de transformação sonora operadas pelo artista, e os três reis magos suíços da electrónica mais avançada, comprometidos na invenção sonora a partir do que chamam “cracked everyday electronics”, outra maneira de dizer refogado electrónico em lume brando, com tempero de percussão e um toque de mini-disc, sem recurso a beats ou a quaisquer estruturas rítmicas. Ao longo dos quatro temas (Walking Oyesters; Briefing Oysters; Grounding Oysters; e Oystered) o grupo consegue uma coerência notável, tratando-se de um único encontro sem preparação prévia. Daqui resulta uma manta sonora leve, tecida de fios multicolores, sem grandes variações dinâmicas e de intensidade, mas capaz de infundir no ouvinte todo o tipo de sugestões e alucinações auditivas. Experimente-se a escuta a meio volume, com auscultadores. Pelo que se ouve, as ostras caíram-lhes bem.
Sam Rivers, Contrasts
(LP ECM, 1980)
1. Circles [4:10]; 2. Zip [4:42]; 3. Solace [6:54]; 4. Verve [7:09];
5. Dazzle [9:12]; 6. Images [3:48]; 7. Lines [7:15]
Sam Rivers - saxofones tenor e soprano, flauta
George Lewis - trombone
Dave Holland - contrabaixo
Thurman Barker - bateria, marimba
Dez. 1979, Tonstudio Bauer, Ludwigsburg, Alemanha.
Produzido por Manfred Eicher