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9.11.07
 
Chegaram duas novas edições da querida Edgetone Records, editora do meu amigo, saxofonista e entrepreneur Rent Romus, cujo infatigável trabalho louvo a cada passo. COMAOrnamental Urban Shrubbery, e Eddie the Rat Insomnia Sound Bible, é deles que se trata. COMA é a sigla de California Outside Music Associates, e Eddie the Rat é o pseudónimo do compositor e multi-instrumentista Peter Martin, também ele da Costa Oeste dos EUA. Ouvi primeiro a Shrubbery do COMA, segundo disco desta associação sob a forma de trio, com John Vaughn (saxofones, percussão e theremin), Zone (violoncelo, baixo eléctrico e percussão) e Dax Compise (percussão). Sem grandes novidades no cardápio, mesmo assim o COMA diz ao que vem, confecciona com esmero e o resultado deixa impressão duradoura. Ouve-se bem e com gosto, mesmo quando num tema ou noutro o trio parece querer enveredar por um somatório de lugares comuns próprios de alguma música improvisada. Porém, parecem sentir a escorregadela e não chegam a estatelar-se ao comprido como cheguei a temer a certa altura. No final, fica-se com a sensação de que tem potencial para interessar. A rapaziada parece simpática e interessada no que faz. Resolvidos um ou outro equívoco e hesitação, para a próxima será seguramente melhor.
Com Eddie the Rat e Insomnia Sound Bible, o caso muda de figura, e já dá amplamente para o gasto. Até sobra. Porque nem só de energia rock/folk e boa vontade experimental pode viver um projecto sólido e consistente numa área musical muito batida como é esta, sobretudo nos últimos tempos, em que os artistas folk pareciam ser mais que os pombos no Rossio. Sente-se que o projecto caminha para lá, mas ainda lhe falta um danoninho assim em matéria de concisão. Há criatividade, ideias, fantasia, mas falta saber gerir aquilo tudo sem recurso à colagem e à sobreposição excessivas. Menos pode ser (tantas vezes é) mais. Mesmo assim, Peter Martin e a sua banda alargada – anda por aqui muita gente a ajudar à festa, na página da Edgetone contei 30 e tantos músicos, muita doideira, vozes naturais e em falsete (o melhor do disco), coros, trompete, clarinete, violino, piano, guitarra, outras cordas, percussão, instrumentos de manufactura caseira, sons pequeninos, sons maiores, sons do outro mundo, o diabo a sete – Martin, dizia, sabe contar histórias através de música e o disco chega a ter momentos de altíssimo nível. Se fosse na onda de dar estrelas, coisa que sempre detestei fazer, só por obrigação, este seria um daqueles em que se acenderiam três luzinhas e meia, com a outras uma e meia fundidas. Por causa do granel e da excessiva duração da empreitada (74'), que cansa um bocado, tanta é a informação por segundo. Metade ou pouco mais chegava bem para as encomendas. Só por isso levam no toutiço.

 


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