Otomo Yoshihide New Jazz Orchestra feat Axel Dörner, Cor Fuhler, Mats Gustafsson (Japão, Alemanha, Países Baixos, Suécia)O. Yoshihide (condutor, guitarra), Kahimi Karie (voz), Kenta Tsugami (sax alto, soprano), Alfred Harth (sax tenor, clarinete baixo),Sachiko M (sinewaves), Kumiko Takara (vibraphone), Hiroaki Mizutani (contrabaixo), Yasuhiro Yoshigaki (bateria, trompete), Masahiko Okura (sax alto, clarinete baixo, carrilhão), Taisei Aoki (trombone), Ko Ishikava (sho), Taku Unami (objectos), Yoshiaki Kondoh (desenho som) |
«Last Date»Filme documental sobre Eric Dolphy com a presença do realizador, Hans Hylkema |
«A Bookshelf On Top Of The Sky»Filme documental sobre John Zorn com a presença da realizadora, Claudia Heuermann |
Satoko Fujii Min-Yoh Ensemble (Japão/EUA)S. Fujii (piano), Natsuki Tamura (trompete), Curtis Hasselbring (trombone), Andrea Parkins (accordeon) |
Inada Makoto (contrabaixo, voz), Katori Koichiro (piano, accordeon, voz), Mizutani Yasuhisa (sax soprano, clarinete, flauta, percussão) |
John Zorn / Fred Frith (EUA, RU)John Zorn (sax alto), Fred Frith (guitarra eléctrica) |
«Misha Mengelberg Afijn» Filme documental sobre Misha Mengelberg com a presença da realizadora e montadora Jellie Dekker e editor de som Dick Lucas |
Taylor Ho Bynum Sextet (EUA)T. Ho Bynum (corneta), Matt Bauder (sax tenor, clarinete, clarinete baixo), Mary Halvorson (guitarra eléctrica), Jessica Pavone (viola, baixo eléctrico), Tomas Fujiwara (bateria) |
«The Changing Scene» Mesa Redonda moderada por Bill Shoemaker com a participação dos músicos Joe McPhee, Taylor Ho Bynum e Mary Halvorson |
Memorize the Sky (EUA)Matt Bauder (sax tenor, clarinete, clarinete baixo, percussão), Zach Wallace (contrabaixo, vibrafone, percussão), Aaron Siegel (tarola, bombo, percussão) |
Sylvie Courvoisier Lonelyville (Suíça, França, Japão, EUA)Sylvie Courvoisier (piano), Mark Feldman (violino), Vincent Courtois (violoncelo), Ikue Mori (laptop), Gerald Cleaver (bateria) |
Fritz Hauser (Suíça)Solo percussão |
Pascal Contet/Barre Phillips (França, EUA)Pascal Contet (acordeon), Barre Phillips (contrabaixo) |
Peter Brötzmann Chicago Tentet (Alemanha, EUA, Suécia, Noruega)Peter Brötzmann (clarinete, taragot, sax alto e tenor), Mats Gustafsson (sax barítono, slide sax), Ken Vandermark (clarinete, sax tenor e barítono), Joe McPhee (trompete, sax alto), Johannes Bauer (trombone), Jeb Bishop (trombone), Per Ake Holmlander (tuba), Fred Longberg-Holm (violoncelo), Kent Kessler (contrabaixo), Paal Nilssen-Love e Michael Zerang (bateria) |
Dois grandes clássicos do saxofonista alto Gary Bartz, num cacho da Milestone. Influenciados por Max Roach e pela estética da Strata-East, de Charles Tolliver, Libra e Another Earth marcaram o início da carreira de Bartz como líder, ele que acabou por ficar mais conhecido como sideman de figuras como Miles Davis, e, como tal, um dos menos valorizados saxofonistas e compositores da história do jazz. De qualquer modo, Libra e Another Earth são dois excelentes exemplos do melhor soul jazz pós-Coltrane de finais de 60. Andava Bartz pelos 26, 27 anos e já a sabia toda.
John Zorn - A Tribute to Derek Bailey
Outro re-up a não perder. John Zorn e os compadres Bill Laswell, George Lewis, Milford Graves, Tony Oxley e Gavin Bryars, homenagearam mestre Derek Bailey. Zorn gravou com ele discos tão importantes como Yankees, Harras, Mirakle, Saisoro e o último em que estiveram juntos, Ballads. O tributo teve lugar durante a residência de John Zorn no Barbican, em Londres, durante dois dias. Ao segundo dia, Zorn estreou Crowley At The Crossroads, peça para voz e médio ensemble, com Mike Patton, Trevor Dunn, Joey Baron e a London Sinfonietta. Foi a 17 e 18 de Junho de 2006. John Zorn's Tribute to Derek Bailey - Live At The Barbican, London, são 44 preciosos minutos, apresentados de um fôlego. Como é de bom tom avisar, algumas partes, aquelas em que Zorn está particularmente endiabrado, levam o carimbo de "not for the faint of heart".
As famosas gravações islandesas, realizadas pelo britânico Simon Whetham foram republicadas. Quem as perdeu pode agora chegar a conhecer este material absolutamente invulgar. Algo muito para lá de meras field recordings, os sons recolhidos e tratados em estúdio constituem autênticas composições estruturadas e um retrato sonoro da paisagem natural da Islândia, com e sem espécie humana presente. A ideia nasceu no âmbito de um projecto iniciado em Dezembro de 2005. Simon Whetham partiu para os gelos da Islândia integrado numa expedição/residência que incluía criadores das artes visuais. O objectivo era fazer interagir som e imagem, criando um fundo sonoro a partir de gravações de campo, que, por sua vez, inspiraria as criações dos artistas visuais. O resultado a que Whetham chegou, com autonomia estética em relação às imagens, veio a ser editado em 2006, na editora britânica agora desactivada, a Filament Recordings, sob o título Dark Light Audio Tracks. Surge agora a reedição de Dark Light na Earth Monkey Productions, editora talhada para este tipo de projectos, ao mesmo tempo que publica uma remistura da obra, denominada A Dark Light - Winter Lights Edition.
"Sneak Preview Screening Celebrating Werner Herzog's 'Encounters At The End Of The World' plus live improvising ensemble from the film playing to deleted underwater scenes"
«Following some excerpts from the forthcoming Herzog film (which Henry produced and created original music for with David Lindley), the band improvised a live score to a screening of "Under The Ice," Henry's short film of his underwater cinematography (comprised of diving scenes that were not used in the final version of the feature film)».
Henry Kaiser - guitar; Cheryl E. Leonard - glassware, viola; Bruce Ackley - soprano saxophone; Jen Baker - trombone; Damon Smith - bass; William Winant - percussion.
«Two left hands on two right arms is a small nonprofit netlabel with a base in Sweden (Gävle). Ambient, avantgarde, electroacoustic, industrial, dark ambient and similar».
Explorations in Sound, Vol 3: Music of Sound - Various Artists
[furthernoise.org]
Music Of Sound is a compilation of sound works inspired by the tones, drones and rhythms of everyday life. Drawing on the ideas of Pierre Schaeffers’ Musique Concréte movement, contributing artists were invited to respond to the tones, timbre and rhythms present in everyday acoustic sound, and field recordings. The resulting collection of tracks is an innovative and eclectic set of contributions from a wide group of international sound artists known for their work in this field.
Curated by Roger Mills
Uma das primeiras concepções do compositor polaco de música experimental Zbigniew Karkowski (Cracóvia, 1958), artista cuja formação musical decorreu na Suécia, Holanda e França, onde estudou com Iannis Xenakis, Olivier Messiaen, Pierre Boulez e Georges Aperghis. Actualmente, Zbigniew vive em Tóquio, onde mantém intensa actividade nos meios ligados à electrónica underground nipónica, do noise e do electro-industrial. Composta no final dos anos 80, a peça Uexkull foi originalmente editada em CD em 1991, na sueca Anckarström, de Gotemburgo. De então para cá o disco não foi reeditado e a edição original há muito que se esgotou. Entretanto, a Audio Tong obteve permissão para editar a obra nos formatos mp3 a 320kbps e AIFF. Uexkull é constituída por uma peça única com a duração de uma hora. Um longo drone de contrabaixo e electrónica analógica (sintetizador modular) servido por maquinaria pesada do tempo da Cortina de Ferro, que vai sofrendo mutações lentas e misteriosas. Ouvido com auscultadores e máxima concentração nos detalhes consegue-se apreender a enorme profundidade de campo e os fascinantes efeitos multidimensionais, indutores de efeitos psicotrópicos por sugestão. Participação fugaz da cantora alto Karin Westman. Tão discreta que mal se dá por ela. Uexkull não é para todos os gostos. Ler entrevista com Zbigniew Karkowski na Disquiet, de Marc Weidenbaum.
O trio brasileiro SÔNAX leva a sério a sua pesquisa de criação e construção de esculturas e ambientes sonoros com o propósito de intervir radicalmente sobre o espaço que se forma em ambiente triangular. Os detalhes do jogo dinâmico adquirem aqui uma importância primordial. É este encadeado de acidentes, formas e texturas que realça a sensação de movimento oscilante e descontínuo, que aviva o progressivo adensar do corpo sonoro, o aumento da pressão, logo seguida de distensão, silêncio e reagrupamento. Marco Scarassatti (Campinas, 1971), Marcelo Bomfim (São Paulo, 1977) e Nelson Pinton (Campinas, 1974) trabalham segundo o processo de improvisação e composição instantânea, versus electrónica em tempo real criada por Nelson Pinton. Wicleff Vianna toca cordas de piano no primeiro dos 11 temas (Takemitsu Garden), todos sob a direcção musical de Marco Scarassatti. Para resultado de composição electroacústica híbrida a que chega, o trio usa todo o tipo de bricolage a que pôde lançar mão, restos, resíduos, desperdícios diversos da sociedade de consumo feitos de diferentes materiais (plástico, madeira, pele, metal) postos a vibrar sob fricção, raspagem e percussão, bem como instrumentos convencionais (flautas, piano, guitarra, teclados, percussão) e manipulação electrónica em computador. Fragmentos inertes (re)criam organismos vivos, com eles compondo esculturas e ambientes sonoros como o que ilustra a capa da edição de Sônax. Estas instalações servem a possibilidade dupla, quer de fruição plástica e visual, quer de produção de som com valor musical, acrescido e refinado em directo com um módico de processamento electrónico. O trabalho do Sônax, globalmente bem equilibrado, apresenta uma poesia sonora de cores e tons suaves, que se estrutura de forma aberta e inesperada, nascida do imprevisível intercâmbio alquímico de sons novos criados por objectos antigos e por instrumentos convencionais. O que reforça a componente da interactividade audiovisual, construída em função de diferentes estádios de evolução tecnológica, da mais básica, primitiva e artesanal, ao estado da arte do desenvolvimento electrónico aplicado à criação musical. Daí o disco soar simultânea e paradoxalmente a coisa antiga e a novidade, assumindo-se assim como uma proposta de relevante valor estético, musicalmente apelativa. Gravação de 2008, realizada no Vitrola Digital Studio, em São Paulo. Edição da Creative Sources Recordings.Matt Milton / David Thomas / Ryan Jewell / Patrick Farmer
Recorded at Middlesex University, London, on the 4th March 2008
[Compost and Height]
Autêntica oficina de som e laboratório de pesquisa, a francesa Aposcaphe (collectif de bricolages hétéroclites, musique électronique, acousmatique, vidéo), sediada em Nantes. Funciona como um atelier virtual em torno do qual se reúne um colectivo de músicos franceses cujo trabalho se inspira nos danos colaterais com origem na grande família ligada à fabricação sonora electrónica, experimental, noise, música concreta e improvisação acustrónica. Os diferentes grupos e participações individuais organizam-se em função de um pequeno grupo de artistas que usam variados instrumentos da gama electroacústica, «microphones, câbles en tout genres, synthétiseurs et autres machines, ordinateurs, platines préparées, haut-parleurs, caméscope, guitares, consoles, visseuses, archet, papier-crayon, bontempis, basses, radios, fers à souder, bandes magnétiques…» . Antenne (Jorcade e Orgebin), Mikk Jorcade, Meriadeg Orgebin, Boris Jakobek, Nicolas Joubaud, Pierre Gordeeff, GnOm, Fader Zone e Gog et Magog, são nomes pouco conhecidos mesmo dos aficionados destas músicas, mas o que fazem é mais do que motivo suficiente para justificar uma visita demorada à página da editora. Sugere-se uma entrada ao universo do “collectif de bricolages hétéroclites” através do ícone “Ecouter” colocado na barra de navegação. Aí abre-se um flash que permite ouvir uma amostra do grande som Aposcaphe.
Músicas no Plural - programa de Rui Neves com edição de Tiago Jónatas (Serviço de Música da Fundação Calouste Gulbenkian). «Um percurso de escolhas investido em várias tipologias actuais da Música, as mais inovadoras e menos convencionais, um recenseamento do que não é de imediato visível e audível, neste século XXI em que se instituiu a nova Era do Digital». Todas as segundas-feiras.
achnn - la tactique du quotidien
Sonic Circuits - Festival of Experimental Music, de vento em popa desde 2001, organizado pelo American Composers Forum, de Washington. Dedicado à música experimental, vai de 26 de Setembro a 5 de Outubro de 2008.
«The Festival is the premier showcase in the mid-Atlantic region for cutting edge new music of all genres, from contemporary academic composition, free jazz, noise rock, electronic music, and audio art. The festival acts as a platform for artists to present new and challenging works, which are generally overlooked by more commercial venues.
Sonic Circuits - DC also provides an essential networking opportunity for DC area artists to meet artists from around the world so that they may forge new relationships that will form the basis for future collaborations. The festival seeks to expand the audience for experimental music and further foster the growth of the Washington area experimental music community».
Para lá dos longínquos Urais vive a jovem Constanta, nada e criada na cidade russa de Perm. Ainda no viço da idade, publicou cinco discos desde Dezembro de 2007, entre os quais Kapel, ep (31') do artista russo que dá pelo nome de Microflora. O noise/ambient áspero e abstracto de microflorista não será para todos os gostos, mas vale a pena experimentar. Quanto mais não seja para dizer que não se gosta, que é insuportável, essas coisas.
Na galesa Serein, Daniel Maze / Red After Image. De tudo o que já ouvi ao Daniel, este LP é o que me parece mais maduro, dentro da estética electro-psicadélica que tem vindo a desenvolver.
Wordless Music Series
MAX RICHTER WITH STRING QUINTET
DEERHOOF
METROPOLIS ENSEMBLE
"800 YEARS OF MINIMALISM"
MANUEL GOTTSCHING: E2-E4
RHYS CHATHAM: A CRIMSON GRAIL
BEATA VISCERA: THE MUSIC OF PEROTIN
Jimmy Behan - In the Sudden Distance [zym020]
Da Irlanda, país onde, como se soube há dias, vivem os novos gauleses da Europa, chega um ep de Jimmy Behan dado à estampa por essa estampa de editora imaterial que, nascida na Itália, dá pela graça de Zymogen. E o que ela edita tem geralmente graça. É o caso de In the Sudden Distance. Uns pingos de harpa aqui, um teclar de piano ali, a lembrar Erik Satie (até rima), electrónica acolá, a transformar e a borbulhar por toda a parte, poeiras em suspensão, enfim, ingredientes mais que suficientes para o caro Jimmy compor uma sessão despretensiosa, tranquila e aprazível, como certos fins de tarde de Junho, a escassos dias do Verão. Como me escrevia ontem um energúmeno não identificado, "isto das electrónicas não é jazz, não tem swing". Pois não. Que chatice, veja lá. E eu a pensar que era e que tinha... Experimente flutuar, como a música de Jimmy Behan flutua. Haja sol!
France Musique, "Jazz Club"
November 25, 1994
Sonny Simmons - sax alto / Jean-Jacques Avenel - contrabaixo / George Brown - bateria
Jérôme Pergolési, de Estrasburgo, além de ter fundado e de continuar à frente da irrequieta editora La P’tite Maison (cabinet de curiosités sonores), faz uma perninha na Frozen Elephants Music como criador de “insectos” mecânicos e electrónicos, que vai disseminando um pouco por toda a parte. É esta bicharada que se ouve a zunir, grilar, sibilar, besourar, a restolhar e a percutir livremente ainda que confinada ao espaço que Pergolési lhe dá para crescer e se multiplicar no decurso dos 24 minutos que demora o ep Restless Dreams of One Koala. Que sonha com insectos em quatro temas: 1. Koala’s talking with a caught cold whale + contamination (8.03); 2. To run after Okapi (4.21); 3. When I dream, I’m a Frog Fish (6.48) 4. Koalas team trained by Warhol and Young (4.57). A reouvir: Aphasie, outro trabalho recente e representativo da arte ruidista de Pergolési, na Earsheltering.
SINGULARITY TRIO
Alípio C Neto - sassofono
Masa Kamaguchi - contrabbaso
Clarence Becton - batteria
«Il concetto di "singolarità" (SINGULARITY), esplorato da questo trio, consiste in una attualizzazione atemporale delle diverse correnti estetiche che caratterizzano il jazz nella sua storia. La "singolarità"è questa capacità di condensare passato, presente e futuro in un unico momento, il momento in cui la musica ha luogo, esplorando al massimo il potere che tre musicisti compositori offrono attraverso l'improvvisazione. Il jazz come linguaggio in costante mutazione, espressione dell'istante acuto dell'esperienza artistica musicale che propone la curiosità per il nuovo. "Curiosity. Advice to the young. Curiosity." (Ezra Pound). È questa curiosità poundiana che il SINGULARITY TRIO offre a chi lo ascolta, un asse di riflessione costante sul ruolo innovatore e sovversivo del jazz. Clarence Becton, che ha inciso con Mal Waldron il primo album della ECM, Free at Last, e ha lavorato con Thelonius Monk, Joe Henderson e Henry Grimes ( tra gli altri), si aggiunge al contrabbassista giapponese Masa Kamaguchi, che ha suonato al fianco di Frank Kimbrough e Paul Motian, Ben Monder, Tony Malaby e Ron Horton, per accompagnare Alípio C Neto in questo nuovo progetto, SINGULARITY TRIO, "POWER" TRIO». Filme e tradução de RAchele Gigli (baci per te).
Investigação e experimentação laboratorial levada a cabo por um cientista vienense, homem que é bioquímico de profissão, Sascha Neudeck, inventor (ou adaptador) dos seus próprios instrumentos electroacústicos. São-lhe conhecidos trabalhos a solo na austríaca Chmafu Nocords, e em parceria com artistas com os quais mantém afinidades estéticas, entre os quais Jos Smolders, Christopher McFall, David Velez, Adrián Juárez, Staplerfahrer, Martin Clarke e Ulrika Wedin. Sascha Neudeck usa o seu computador pessoal (max/smp) em linha com geradores sinusoidais, órgão e outro material para compor e executar peças musicais em que a microscopia sonora de melodias breves convive harmoniosamente com a síntese granular e o noise abstracto, sendo este último o território de eleição do conterrâneo de Freud, ou se já não é assim, é de lá que surge. Neudeck, sem se preocupar demasiado com a inovação num campo que regista níveis populacionais apreciáveis nos dias que correm, consegue com Seroton um compromisso original entre aquelas linhas de força, que doseia livremente, sem comprometer a noção de estrutura global. Seroton, o EP (22') publicado pela CON-V em Janeiro de 2007, é uma das melhores realizações de Sascha Neudeck, a que regresso regularmente e com gosto. A imagem que serve de base ao grafismo da capa é do próprio Sascha Neudeck.



Experimentalismo com drones do holandês Rutger Zuyderveit, aka Machinefabriek, em duas peças de longa duração. Stuip (32') e Staarf (24') foram gravadas ao vivo no Reino Unido (Cross Street Chapel, Manchester) e na Holanda (Toneelschuurm, Haarlem). Apesar de pouco variadas quanto á instrumentação utilizada, Zuyderveit consegue manter as expectativas altas e os resultados não desmerecem atenção, bem pelo contrário. As texturas saturadas de Stuip/Staar, oscilantes e repetitivas de acordes mais ou menos longos de guitarra eléctrica por vezes áspera e abrasiva (mais na primeira das duas peças), outras cálida e delicada (sobretudo em Staar), com e sem distorção, são esculpidas em tempo real através pedais e de processamento electrónico, criam ondas de efeito encantatório talhadas para nos transportar a diferentes estados emocionais. Edição da netlabel norte-americana de Louisville, Kentucky, One (Yet another netlabel).
Tzesne - La Comarca [alg040]
Do País Basco, nova edição de Tzesne, agora na netlabel/associação cultural galega alg-a. Criador de um tipo de organic drones fora do comum, Tzesne – artista sonoro com trabalhos publicados desde 2000, entre outras, na sua editora Series Negras – mistura sons contínuos com gravações de campo (sinos, pássaros, vozes humanas, sons de trabalho e ambientais) e outros resíduos sonoros electronicamente processados. É com eles que compõe e conta histórias audio-etnológicas de um mundo situado algures entre o real e o imaginário, o passado e o futuro. «Extraer os sons, soplidos e ruídos residuais das cintas, mimando e redondeando con coidado pode servir para compoñer audioficcións. Narracións sonoras que si imaxinan paraxes donde aínda hoxe persisten elementos folclóricos profundamente arraigados». Também vale uma espreitadela a Rekalde, edição recente de Tzesne e Bazterrak na Ruidemos.
Aymeric de Tapol - Call from Outside a Window
«Aymeric de Tapol est preneur de son et électroacousticien. Il travaille pour le cinéma et participe à différents projets d’improvisation sonore. Il a réalisé quelques résidences, notamment au Groupe de Musique électroacoustique d’ALBI, à l’institut français de KUALA LUMPUR, Malaisie, à l institut français de Bilbao». [La P’tite Maison]
Do Laos, Ayankoko!!! - Sakda Sissi [headphonica]
«Hi there, my name is David Vilayleck aka Ayankoko!!!, I'm a self-taught improvising musician/soundartist Laos-born, French-adopted. I'm away from music business so i simply give my music, through netlabels or directly through the internet archive. Nowadays is wonderful for creating, i really dig making music, i hope you feel the same while listening: enjoy! Eclectic and illogical music. The basic directions: abstract, avantgarde, improvisation, manipulation, free-form jazz, illbient, dark ambient, noise, tape music, acousmatic music, intuition improvisation, sound sculpture, electroacoustic, rhythmic noise, drone, turntablism, experimental, industrial, field recordings, glitch, microsound, montage, psychedelic, psy-trance, trip-hop, soundscape, sound art, spoken word, strange and other forms ...»
Mike Hansen & Tomasz Krakowiak - The Confines of Power [FE007]
A Frozen Elephants Music, netlabel de Berlim que trabalha desde 2005 sob a curadoria de Moritz Fehr e Peter Prautzsch, editou o ano passado um projecto de Mike Hansen e Tomasz Krakowiak, duo de gira-discos acomplados a pedais de guitarra, e percussão com microfones de contacto e efeitos (delay/echo/reverb effect box), sobre grande variedade de objectos metálicos, tambores, gongs, arcos, lâminas, címbalos, estruturas rotativas, etc.. A música, assente em ruído electroacústico estruturado afim das texturas dark ambient, explora interessantes patamares de composição próximos da criação electrónica digital, mas que dela divergem essencialmente quanto ao modo de produção. The Confines of Power, conjunto de 7 peças (65'), vibra, funciona e amplifica a experiência em contínua transformação, graças à competência, sensibilidade e concentração dos artistas, de tal modo aplicada que é virtualmente impossível destrinçar quem está a fazer o quê em cada momento.
«Mike Hansen from Canada and Tomasz Krakowiak from Poland. Both artists have been involved with improvided music for a decade, collaborating and releasing outstanding works with international artists such as John Butcher, Kaffe Matthews, John Oswald, Otomo Yoshihide, Aki Onda and many more. For Frozenelephantsmusic.com they have selected various unplugged and improvised works, a tremendous collection of raw and haunting compositions made from record-player (Hansen) and percussion (Krakowiak) only. The demanding recordings of “The Confines of Power” combine crackling ruins of sound, concrete noise-incidents, sine feedbacks, intimate close-ups and detailed ideas of scale and movement».
Dave Liebman / Ellery Eskelin Quartet
Tübingen, Alemanha - 29 de Abril de 2005
Dave Liebman - saxofones tenor e soprano
Ellery Eskelin - saxofone tenor
Tony Marino - contrabaixo
Jim Black - bateria
1. Off A Bird; 2. Tie Those Laces; 3. You Call It; 4. Ghosts; 5. Tempos
NEGURDIN EP, belo trabalho de Joseba Irazoki, lançado em Maio último na netlabel CON-V. O guitarrista e improvisador basco, que em 2006 editou OLATUETAN na Creative Sources Recordings, põe de novo em evidência a sua arte de encantar via guitarra, banjo e voz, com refinamento e imaginação. Lenta e sofrida, a música canta e chora, enfatiza os aspectos fragmentários das melodias e as texturas metálicas das seis cordas, criando uma espécie de blues para o Séc. XXI, como alguém já chamou à música de Joseba Irazoki. Derek Bailey paira por aqui. Gravado em Bera, País Basco, no Outono de 2007.
Stasisfield wants you to wake up and smell what Veron's been cooking...
Veron – Dreamtime
Budapest, Hungary's Veron creates hypnotic, melodic electronic music brimming with subtle textures and slow-burn hooks. Opener "dreamtime" starts the set off with a quasi-1950s sci-fi overture, while "trees" shifts the tone down a notch and focuses on a buzzing melodic drone with a skeletal pulse. "early morning" offers the slow sonic tectonics of shifting layers of structure, while "flower" ends the proceedings in a windswept garden of blooming synth patches. - John Kannenberg


A maior mostra de música portuguesa realizada até hoje num Festival que celebra os compositores, as obras e os músicos portugueses. 52 obras de 48 compositores, 3 orquestras, 2 ensembles, 3 concertos de câmara com 19 músicos, 12 concertos de música jazz, improvisada ou electrónica, em formatos e criações inovadoras, e ainda 4 conferências e 2 colóquios. - CCB, Lisboa, 11, 12 e 13 Jul 2008
Oktave – Die Buffetmusik [OTR045]. Denis Borisov e Michael Gurov, a dupla russa de música electrónica, baseada na cidade de Ulianovsk, prossegue o seu caminho em associação pelas artes do ambientalismo electro-experimental, que procura fugir a um tipo de clichés e cair deliberadamente nos braços de outros, aqueles que mais lhes interessa utilizar e subverter. Glitch, clicks & cuts, spoken word (participação de Andrew McNiven, em Winter Morning), um toque de dub e psicadelismo, drones, dark ambient, bug music e ruidismo diversificado, em interessantes combinações de micro-sons de laptop, órgão e sintetizadores, que apenas levantam fervura em lume brando. EP (29') editado pela netlabel russa Otium, em Abril de 2008.

Highly-acclaimed musician and MacArthur Fellow John Zorn was commissioned by the Contemporary Jewish Museum to curate a series of sound pieces for the Museum’s Special Events/ ‘yud’ gallery, a unique space featuring a 65-foot ceiling, 36 diamond-shaped skylights, and walls that converge at different angles. Featuring new work by leading musicians and composers such as Lou Reed, Laurie Anderson, Erik Friedlander, David Greenberger, Chris Brown, Z’EV, Terry Riley, Alvin Curran, Christina Kubisch, Marina Rosenfeld, Raz Mesinai, and Jewlia, the Aleph-bet Sound Project acoustically explores the Kabbalistic principle that the ancient Hebrew alphabet is a spiritual tool full of hidden meaning and harmony. The works musically link the alphabetic symbols in architect Daniel Libeskind’s design for the new facility with the Museum’s mission of exploring traditions within a contemporary context.
John Zorn Presents the Aleph-Bet Sound Project is supported by a generous grant from The Guzik Foundation. No inconstant sol...
Uma das mais importantes reedições dos últimos tempos: Promises (Argo), do Michael Garrick Sextet. Quando, em 1965, saiu com este disco, o pianista britânico, que completa 75 anos em 2008, não estava à espera de fazer história. História, porque marcou um corte concepual com o velho jazz britânico que vinha lá de trás, uma sombra snob, revista e modificada da grande invenção americana. História, porque abriu caminho à experimentação, momento de ouro que foi de inspiração e génio criativo. Daqui partiram sementes que iriam desembocar nas várias formulações que, agrupadas, ficaram conhecidas como a British School of Improvisation. Foram protagonistas deste marcante episódio, além do pianista Michael Garrick, o saxofonista alto Joe Harriott, Ian Carr, trompete; Tony Coe, saxofone tenor, Coleridge Goode, contrabaixo; e Colin Barnes, bateria. Música original de Garrick, fresca e angulosa, com uma maneira muito personalizada de compreender o swing, a que não falta o clássico de George Gershwin, I’ve Got Rhythm. O sexteto, solto e coeso, brilha à vontade tornando Promises numa obra de referência do jazz da década de 60. Reedição oportuna da Dutton Vocalion, em 2008.
OUTRAS PELES
Exposição individual de Marcel.lí Antúnez Roca
Esta exposição propõe, sob um olhar atento, marcar um ponto de situação no percurso da obra singular de Marcel.lí Antúnez Roca, partindo da ideia de interfaces e camadas do ser humano, tanto na sua relação emotiva como tecnológica - através do recurso a peles simuladas, identidades espelhadas, próteses, ou exoesqueletos.
Podemos destacar na obra de Marcel.lí Antúnez três pontos temáticos: peles, membranas e processos. Frequentemente surgem exoesqueletos e interfaces mecânicos apresentados enquanto peles; várias peças biológicas como as instalações “Agar” e “Metzina” apresentadas enquanto membranas; e desenhos, objectos e outros elementos remetem-nos para os seus processos metodológicos. Não seguindo uma ordem cronológica, OUTRAS PELES integra desenhos, robótica, arte biológica e sistemas audiovisuais interactivos, cobrindo uma vasta produção da sua obra desde 1994 até a actualidade, reunindo algumas das mais conhecidas instalações do artista, bem como um catálogo videográfico das suas performances mecatrónicas.
No âmbito desta mostra foram produzidas ainda novas peças, cabendo destacar a produção de dois novos trabalhos interactivos: Hipnotoc e Epidermia. Estabelecendo um roteiro visual e conceptual na compreensão do universo Antuniano, uma série de desenhos que revestem as paredes da entrada e dos dois andares da Galeria. Paralelamente e integrando desenhos e materiais produzidos para OUTRAS PELES, no final da exposição, será editado um catálogo/livro de artista, bilingue (PT/ES), fruto da colaboração de Marcel.lí com o desenhador gráfico Barbara Says/António Gomes. Curadoria Natxo Checa
Exposição patente de 8 de Maio a 12 de Julho na Galeria Zé dos Bois. De Quarta a Sexta das 19h às 23h - Sábado das 14h às 23h
Estreia em disco do duo PRAED, do suíço Paed Conca (baixo eléctrico, clarinete e electrónica) e do libanês Raed Yassin (contrabaixo, rádio, fita magnética e electrónica). Em The Muesli Man (Creative Sources Recordings # 120) fabricação sonora a quatro mãos fornece interessantes combinações e perspectivas de entender a arte sonora no presente imediato e de perspectivar o desenho do que no futuro se pretende explorar. Musicalmente, o duo devolve-nos um olhar sofrido e irónico sobre o mundo interior e exterior (The Muesli Man…), por via de uma imagética simbólica da violência das sociedades actuais, seja ela emergente das agressões da vida urbana dos dias que correm, seja num contexto de terror e de guerra explícita (o Líbano, que também é a terra de Mazen Kerbaj e Sharif Sehnaoui, há décadas que não conhece outro ambiente), cuja brutalidade e insensatez colocam em evidência. Nessa medida, construir, desmanchar, voltar a colocar pedra sobre pedra, é um processo comum ao que se vive no dia-a-dia, no qual o que hoje parece sólido, amanhã cai por terra e tem que ser reconstruído. É dessa mesma precariedade estrutural em permanente mutação (nada se perde, nada se cria, tudo se transforma), que vive a música de Paed Conca e Raed Yassin. PRAED, termo que resulta da aglutinação dos nomes dos artistas, simboliza, em termos práticos, a convergência e a interacção entre som e imagem em directo, com particular enfoque na discussão que mantém através de práticas tradicionais na abordagem dos instrumentos e de novas formas de entender aquele relacionamento, descarnadas e desmontadas a partir de ligações restabelecidas noutros moldes a partir dos fios da memória próxima e distante.A netlabel chilena Pueblo Nuevo, venceu do prémio Quartz 2008 na categoria "Compilação", com o triplo CD 50 años de música electroacústica en Chile. Oportunidade de investigar e conhecer o que no Chile se faz de há 50 anos a esta parte em matéria de electroacústica.
tube' 125 - uncle bart comes to have breakfast
some paradoxes about the human existence and its arquetips
Ponham só os ouvidos (e bem alto, se possível) no novo projecto de Tiago Morgado, curador da XS Records (concepção, estrutura, programação, processamento, viola alto) e companhia convidada, que neste caso compreende o poeta japonês Kenji Siratori, voz recitativa cibernética; João Tavares, guitarra eléctrica processada; Nuno Reis, trompete; João Martins, saxofones; Henrique Fernandes, contrabaixo; e Gustavo Costa, bateria e percussão. Uncle Bart Comes to Have Beakfast, sai-se com Some paradoxes about the human existence and its arquetips, título comprido que designa uma inebriante sequência musical montada ao longo da meia dúzia de sets que se vão alternando, movimentos compactos e saturados, denominados "metamorfoses" e "interlúdios", ciclo que se encerra com o espantoso movimento de Cyber Chaotic Zen Paradox. Diário de bordo duma apelativa, exploratória e obsessiva viagem pelos labirintos da criação noise-electroacústica, da improvisação livre e da música experimental de lavra lusa, com acentuado cunho ficcional, testemunha o desassossego e o bom gosto estético que felizmente tomou conta de algumas mentes criativas. [Test Tube].