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24.6.08
 
O trio brasileiro SÔNAX leva a sério a sua pesquisa de criação e construção de esculturas e ambientes sonoros com o propósito de intervir radicalmente sobre o espaço que se forma em ambiente triangular. Os detalhes do jogo dinâmico adquirem aqui uma importância primordial. É este encadeado de acidentes, formas e texturas que realça a sensação de movimento oscilante e descontínuo, que aviva o progressivo adensar do corpo sonoro, o aumento da pressão, logo seguida de distensão, silêncio e reagrupamento. Marco Scarassatti (Campinas, 1971), Marcelo Bomfim (São Paulo, 1977) e Nelson Pinton (Campinas, 1974) trabalham segundo o processo de improvisação e composição instantânea, versus electrónica em tempo real criada por Nelson Pinton. Wicleff Vianna toca cordas de piano no primeiro dos 11 temas (Takemitsu Garden), todos sob a direcção musical de Marco Scarassatti. Para resultado de composição electroacústica híbrida a que chega, o trio usa todo o tipo de bricolage a que pôde lançar mão, restos, resíduos, desperdícios diversos da sociedade de consumo feitos de diferentes materiais (plástico, madeira, pele, metal) postos a vibrar sob fricção, raspagem e percussão, bem como instrumentos convencionais (flautas, piano, guitarra, teclados, percussão) e manipulação electrónica em computador. Fragmentos inertes (re)criam organismos vivos, com eles compondo esculturas e ambientes sonoros como o que ilustra a capa da edição de Sônax. Estas instalações servem a possibilidade dupla, quer de fruição plástica e visual, quer de produção de som com valor musical, acrescido e refinado em directo com um módico de processamento electrónico. O trabalho do Sônax, globalmente bem equilibrado, apresenta uma poesia sonora de cores e tons suaves, que se estrutura de forma aberta e inesperada, nascida do imprevisível intercâmbio alquímico de sons novos criados por objectos antigos e por instrumentos convencionais. O que reforça a componente da interactividade audiovisual, construída em função de diferentes estádios de evolução tecnológica, da mais básica, primitiva e artesanal, ao estado da arte do desenvolvimento electrónico aplicado à criação musical. Daí o disco soar simultânea e paradoxalmente a coisa antiga e a novidade, assumindo-se assim como uma proposta de relevante valor estético, musicalmente apelativa. Gravação de 2008, realizada no Vitrola Digital Studio, em São Paulo. Edição da Creative Sources Recordings.

 


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