A 24 de Junho p.f., sai na AUM Fidelity 17 Musicians in Search of a Sound: Darfur (AUM046), disco de BILL DIXON gravado ao vivo a 20 de Junho de 2007, na XII edição do Vision Festival. Com o apoio do New York State Music Fund. Do mesmo ciclo de concertos com obras encomendadas e estreadas no Vision, de que já saiu Akhenaten Suite (AUM045) do Roy Campbell Ensemble, a 12 de Agosto, será a vez do novo de William Parker, com Sunrise Over Neptune (AUM047).
I.C.P. 005 Instant Composers Pool (1970)
Han Bennink, drums, percussion, etc.
Misha Mengelberg, piano
John Tchicai, saxophone
Derek Bailey, guitar
inconstant sol produções apresenta:
Roscoe Mitchell' s Note Factory
The Knitting Factory NYC - June 16 1997
Roscoe Mitchell - reeds, flutes
George Lewis - trombone
Hugh Ragin - trumpet
Matthew Shipp - piano
Craig Taborn - piano
William Parker - bass
Jaribu Shahid - bass
Tani Tabal - drums
Gerald Cleaver - drums
Leroy Jenkins The Jazz Composer’s Orchestra
For Players Only
1. For Players Only, Part 1 - 15:45
2. For Players Only, Part 2 - 20:35
Composed by Leroy Jenkins
Recorded live January 30, 1975, Wollman Auditorium, Columbia University, New York City
Leroy Jenkins, conductor, violin; Leo Smith, trumpet; Joseph Bowie, trombone; Sharon Freeman, french horn; Bill Davis, tuba; Becky Friend, flute, piccolo; Dewey Redman, clarinet, musette, banshee horn; Anthony Braxton, contrabass clarinet; Charles Brackeen, soprano saxophone; Kalaparusha Maurice McIntyre, tenor saxophone; Diedre Murray, cello; James Emery, guitar; Romulus Franceschini, synthesizer; Dave Holland, Sirone, bass; Jerome Cooper, drums, percussion, piano; Charles 'Bobo' Shaw, Roger Blank, drums, percussion.
(Nota: devido a um problema técnico ocorrido com a transcrição de um dos ficheiros deste LP, entretanto resolvido, fiz um re-up e está tudo a andar. Já é possível baixar as duas partes de Leroy Jenkins The Jazz Composer’s Orchestra, For Players Only)
No 2.º Aniversário do podcast de Abdul Moimême (abraço!), que se comemora amanhã, 29 de Maio, Freemusic oferece um presente especial aos seus ouvintes/leitores: The VGO was invited by Advanced Custom Development (Novabase group) to participate in its Annual Event. Being dedicated to innovation in the entrepreneurial sector, the firm invited VGO to perform as an example of innovation in the creative sector.
Ernesto Rodrigues - viola, conduction
Gerhard Uebele - violin
Guilherme Rodrigues - cello
Johannes Krieger - trumpet, french horn
Eduardo Chagas - trombone
Nuno Torres - alto saxophone
Bruno Parrinha - clarinet, alto clarinet
Carlos Santos - electronics
Abdul Moimême - electric guitar
Pedro Roxo - double bass
João Parrinha - drums, percussion
Recorded Live at Novabase Annual Event, Lisbon, 18 April 2008
Recorded by AM, mastered by Carlos Santos
Margaret Noble - The Walk Home on Ashland [ACP012]
«Margaret Noble started her career in the sound-arts as an electronic music DJ in the underground club community of Chicago in 2002. In 2004, she branched out from dance floor DJing into more experimental interests to curate and perform at a monthly sound arts showcase in Chicago called, “Spectacle.” From 2005 to 2007, she completed an MFA in sound art at the School of the Art Institute, Chicago. She now performs as an experimental composer in solo and in collaboration. Her recorded works have been exhibited in a variety of film festivals and art openings nationally and internationally. She uses electro-acoustic sound sources and focuses on creating experiential moments that reference the visual world».



Na 482 Music, de Chicago, três duma vez:
Greg Burk: Ivy Trio
Dave Rempis: Hunter-Gatherers
Memorize the Sky: Memorize the Sky
Alexander von Schlippenbach Solo & Trio
SWR Radio - Jazzpreisträger 2007
Mainz (Alemanha) SWR-Funkhaus. 13.06.2007
Alexander von Schlippenbach - solo piano
1. Trinkle Tinkle (2:26)
2. The One (2:11)
3. Twelve Tone Tales (3:06)
4. Out There (4:08)
Alexander von Schlippenbach Trio
Alex von Schlippenbach - piano
Evan Parker - tenor sax
Paul Lovens - drums
5. Winterweise (31:05)
(Fotos © RAchele Gigli)
Esta está a fazer um ano por estes dias. Vale a pena recordar POULENC (38'29) ou dar a conhecer a quem não soube ou não se interessou na altura pela quadragésima edição da netlabel CON-V, uma das minhas preferidas. Trata-se de um trabalho conjunto de Jim Brouwer, Paul Emery, Joe Gilmore, Tom Knapp, Ed Martin e Alex Peverett, gravado a 22 de Maio de 2002, em The Crypt, Leeds Town Hall, Inglaterra, inspirado nas Litanies à La Vierge Noire, obra para coro feminino e órgão datada de 1936, do compositor francês Francis Poulenc (1899-1963). Além da importância estética da sessão – uma obra-prima da música electrónica e electroacústica, diria – há que ter presente que Maio é o Mês de Maria. Sugere-se audição atenta com auscultadores de boa qualidade.O Avant Garde Project apresenta um dos maiores compositores norte-americanos de música electrónica, Arthur Kreiger. A sessão faz parte de um conjunto de quatro LPs, que inclui, além de material de Krieger, obras de Roger Reynolds, Otto Luening e Alice Shields. Descarga gratuita através do Minova, por exemplo. Electronic Music I, Arthur Kreiger (Avant Garde Project 106)
01 - Roger Reynolds, "...the serpent-snapping eye" [20:09]
02 - Alice Shields, Coyote [13:02]
03 - Arthur Kreiger, Variations on the Theme by Davidovsky [9:58]
04 - Arthur Kreiger, Dance for Sarah [8:38]
05 - Arthur Kreiger, Theme and Variations [9:15]
06 - Arthur Kreiger, Short Piece [2:42]
07 - Arthur Kreiger, Passacaglia on "Spring and All" [5:01]
08 - Otto Luening, Lines from "A Song for Occupations [6:16]
Open Ears MusicSylvie Walder und Siegmar Fricke - Nahtod (ca131)
Nahtod, or near-death-experience, is the phenomenon of absolute detachment from our actual being encompassed in fears, ego-mania, weaknesses and false wisdom. It leads to an out-of-body-experience offering the opportunity to watch the inner tree of life (Yggdrasil) from outside.
Nahtod, a collaboration between Sylvie Walder and Siegmar Fricke, intends to describe the withering of the tree of life as in neurosis or other traumatic states. Using the drones from Sylvie Walder as a basis for the electronic textures, Siegmar has constructed paranormal ambiences reflecting the different stages of detachment eventually leading to a new conscience gained in fear and pain. As the world is slowly collapsing outside, it is time to turn inwards. An acoustic sign for the world in its final stage.
(Alípio C Neto - foto: Rodrigo Amado)
23 e 24/5, no Hot Clube de Portugal // 25/5, na Fábrica de Braço de Prata
Ted Daniel Quintet – Tapestry (Sun Records, 1974)
Chega finalmente a reedição Porter Records em CD de Tapestry, original de Ted Daniel, herói da época do Loft Jazz. A gravação original, com produção de Noah Howard, teve lugar no estúdio Artist House, de Ornette Coleman. Nesta importante sessão de 1974, Ted Daniel toca trompete e flugelhorn; Khan Jamal, vibrafone; Richard Daniel, Fender Rhodes; Tim Ingles, baixo; e Jerome Cooper, bateria. A edição em CD inclui um tema extra, Asagefo. Atenção às reedições Porter de discos tremendos de Byard Lancaster, entre outros. "Ted Daniel is an American trumpeter in the NYC loft scene who has been sorely under-recorded over the years. Strangely, this is not the expected free jazz blowout like his self-titled private pressed album is. Instead, Rhodes driven too hot through a leslie with placid improv by Khan and Ted over the top is the order of the day. The result is a gorgeous album that is mellow, modal, and perfectly aimless". - Soul Strut
(Blue Silver, 1976; P-Vine Records, 2003)
The Mystery Of Two (5:47); Interstellar Low-Ways (4:45); Neo Project #2 (5:15); Cosmos (2:50); Moonship Journey (6:30); Journey Among Stars (5:50); Jazz From An Unknown Planet (8:10).
Sun Ra, Danny Davis, Marshall Allen, Danny Ray Thompson, Eloe Omoe, Jac Jackso Larry Bright, R. Anthony Bunn, Vincent Chancey, John Gilmore, Craig Harris e Ahmed Abdullah.

Michel Blanc (bateria, vibrafone, percussão), membro do trio Push the Triangle, Jean-Luc Capozzo (trompete, cornetim), Franck Vigroux (guitarra eléctrica, electrónica), Antonin Rayon (órgão), Sandrine Robilliard (violoncelo), Eloise Decazes (voz), Jean-Marc Bourg (voz), Tom Gareil (vibrafone, quadro 9) e Aurélien Besnard (clarinete), participam no disco do primeiro, Les Onze Tableaux de L'Escouade, um fresco evocativo das pequenas misérias e desventuras do indivíduo na enorme tragédia colectiva que foi a Primeira Guerra Mundial. Inspirado na leitura de obras sobre a Grande Guerra e no Diário do Regimento de Infantaria n.º 158 a que pertenceu o avô Adrien Blanc, que serviu na frente de batalha entre 1914 e 1918, Michel Blanc idealizou, escreveu e pôs em marcha (trata-se da guerra…) estes onze quadros, numa mistura de improvisação electroacústica, spoken word e composição vanguardista, para contar a história dos horrores vividos no dia-a-dia das trincheiras no Norte de França. A sequência musical baseia-se num tema melódico enunciado pelo vibrafone, que depois é utilizado como matéria-prima ao longo dos quadros seguintes, sob a forma de variações. Além de um baterista competente, muito activo na cena francesa da fusion e do avant-rock modernos, Michel Blanc prova que tem talento para compor e arranjar, e que sabe coordenar o trabalho de um grupo de notáveis músicos franceses. Cor, movimento, improvisação, banda sonora, excertos do Diário do Regimento n.º 158 lidos por Jean-Marc Bourg, num experimentalismo conceptual de difícil balanço, a que podem ser atribuídos diversos rótulos e etiquetas, elementos que Blanc consegue equilibrar sem perder a capacidade de nos mergulhar no drama contado de forma audaciosa, o passo a passo de um doloroso “dever de memória”. Gosto especialmente do contraste entre a acidez da guitarra de Vigroux, que exprime a bravura dos combates, e a melancolia da trompete de Capozzo, que mostra a angústia desoladora da paisagem depois do Inferno de Verdun – durante 300 dias, entre 21 de Fevereiro e 19 de Dezembro de 1916, foi considerada a mais longa, violenta e mortífera de todas as batalhas que a história militar registrou até hoje. Co-produção de Michel Blanc e Franck Vigroux. Edição de estalo da independente francesa D’Autres Cordes.Phil Minton - No Doughnuts in Hand (2007)
Spontaneous Music Ensemble & Orchestra - Trio & Triangle (1978/1981)

Established in January 2004 by Nao Sugimoto (aka mondii) based in Tokyo, Japan. Spekk explores and focuses on various interpretations of minimalism ranging from experimental electronics, electro-acoustic to field recordings and unclassifiable tones... whether they are structured / non-structured or improvised / non-improvised or even just documents of phenomena.
Szilárd Mezei e Albert Márkos acabam de editar KOROM na Creative Sources Recordings. Mezei e Márkos são dois nomes relativamente desconhecidos ou porventura menos badalados nos circuitos alargados da música improvisada europeia, embora se conheçam trabalhos publicados na Leo Records e na Ayler Records, entre outros. Mezei, sérvio de minoria húngara da região de Vojvodina, é violinista de formação mas domina igualmente a viola, instrumento pelo qual opta para se apresentar neste duo com Markós, violoncelista húngaro, membro do grupo Realistic Crew. Ambos têm participado em projectos diversos, como o Szilárd Mezei Ensemble, em duos, trios, quartetos, quintetos, ou na performance de Les Philosophes, peça para cinco músicos escrita por Szilárd Mezei e inspirada na obra de Bruno Schulz. Em KOROM (CS #123), a ideia parece ter sido improvisar e investigar sons de cordas em ambiente de composição instantânea, a partir de pequenos motes pré-compostos com que os músicos se provocam mutuamente. Nessa medida, o disco é um documento que espelha bem o gosto do duo por ambientes classicistas dentro das formas actuais da improvisação acústica europeia, num complexo emocional que vai do lírico e meditativo, ao transcendente, com inesperadas irrupções após prolongado acumular de tensão, sucessão de metáforas acerca do mundo que nos rodeia, em que a luta pela sobrevivência é simbolizada pelas dissonâncias e pelas súbitas e imprevisíveis mudanças de ritmo. As peças, em número de dezoito, além de variarem muito no que respeita à coloratura, ao ambiente emocional e à duração (dos 20 segundos aos 15 minutos), constroem-se com linhas formais muito diferentes entre si, de recorte predominantemente sinuoso, com múltiplas arestas e formas angulosas. No geral, é comum um gosto especial pela estruturação mínima, progressão irregular e arranjo de criação instantânea. Nota-se um ouvido bem-educado nos clássicos, a somar a uma vasta memória dos ambientes próprios do jazz de câmara de lavra europeia. KOROM não cessa nunca de estimular o ouvinte, ao desfiar sequências de pormenores interessantes, à medida que a música se desenvolve com brilho e emotividade. Estas são algumas das razões pelas quais o disco, fruto da convergência de dois espíritos cultural e musicalmente sintonizados, é tão elegante.The Creator Has a Master Plan (You've Got To Have Freedom)
Pharoah Sanders / Duke Jones / Bobby Lyle
Billy McCoy / Norman Connors / Lawrence Killian
Mike Nock Quartet - Magic Mansions
(LP Laurie, 1977)
A Power Stronger Than Itself: The AACM and American Experimental Music
George E. Lewis
The University of Chicago Press (Amazon)
Sun Ra And His Arkestra em Nova Iorque e Paris, 1972/73. Lost Reel Collection Vol 5 - The Universe Sent Me. O quinto volume das recém-descobertas bobines contendo gravações inéditas de concertos da Arkestra reúne duas sessões, a primeira no South Street Seaport Museum, a 9 de Julho de 1972, com versões de Outerspaceways Incorporated, Discipline e Untitled Improvisation. A metade do parisiense do disco, datada de 8 de Setembro de 1973, prossegue na mesma senda do free jazz espacial com sotaque AACM. Edição da Transparency.
Eddie Gale's Ghetto Music (Blue Note, 1968)
The Rain / Fulton Street / A Understanding
A Walk with Thee / The Coming of Gwilu
Eddie Gale - trumpet, soprano recorder, jamaican thumb piano, steel drum, bird whistle; Russell Lyle - tenor saxophone, flute; Judah Samuel, James "Tokio" Reid - bass; Richard Hackett, Thomas Holman - drums; The Noble Gale Singers: Elaine Beiner, Sylvia Bibbs, Barbara Dove, Joann Gale, Evelyn Goodwin, Art Jenkins, Fulumi Prince, Norman Wright, Edward Walrond, Sondra Walston, Mildred Weston - vocals.
Jazz at the Palace of Legion of Honor, Oct. 4, 1971
I . Anthony Braxton Quartet - At Moers Festival, 1974
Anthony Braxton, Kenny Wheeler, Dave Holland, Barry Altschul
A1. 6-------77--(NJD)--T AR--36K (26:23)
B1. 489M 70-2--(THB) M (21:50)
B2. 84°--KELVIN--M (1:42)
C1. 84°--KELVIN--M (9:00)
C2. BOR---N-K64 (60)--M 0 H S (18:15)
D1. F64-- H488 (10:08)
D2. RBHM-F KNNK (10:59)
II. Anthony Braxton/George Lewis
Elements of Surprise, Live at Moers, 1976
A. Muhal (Part I) (19:24)
B1. Muhal (Part II) (14:40)
B2. Live Spiral (2:40)
LEROY JENKINS: violin, viola, recorder, toy xylophone, harmonica, bicycle horn
ANTHONY BRAXTON: alto sax, soprano sax, clarinet, flute, contrabass clarinet, chimes
WADADA LEO SMITH: trumpet, flugel horn, french horn, seal horn, misc. percussion
MUHAL RICHARD ABRAMS: piano, cello, clarinet
RICHARD DAVIS: bass
STEVE MCCALL: drums
Jeph Jerman – Hindsight [cnv48]
raw material performed by:
Greg Davis (laptop, elephant bells, singing bowl, shortwave, gongs);
Lawrence English (laptop, shortwave, piano);
Jeph Jerman (contact mic and amp, cymbal, baby monitor).
![]() | ||
VICTO cd0110 INFO-pdf | ||
![]() | ![]() | ![]() |
| VICTO cd0109 INFO-pdf ANTHONY BRAXTON "12+1tet (Victoriaville) 2007" | VICTO cd0108 INFO-pdf ANTHONY BRAXTON "Trio (Victoriaville) 2007" | VICTO cd0107 INFO-pdf MARTIN TÉTREAULT & KID KOALA "Phon-O-Victo" |
![]() | ![]() | ![]() |
| VICTO cd0106 INFO-pdf BORBETOMAGUS & HIJOKAIDAN "Both Noises End Burning" | VICTO cd0105 INFO-pdf SATOKO FUJII MIN-YOH ENSEMBLE "Fujin Raijin" | VICTO cd0104 INFO-pdf NELS CLINE - ANDREA PARKINS - TOM RAINEY "DOWNPOUR" |
![]() | ![]() | ![]() |
| VICTO cd0103 INFO-pdf THE NO-NECK BLUES BAND "Nine For VICTOR" | VICTO cd0102 INFO-pdf WILLIAM PARKER & THE LITTLE HUEY CREATIVE MUSIC ORCHESTRA "For Percy Heath" | VICTO cd0101 INFO-pdf MY CAT IS AN ALIEN "Il suono venuto dallo spazio" |

Há algum tempo que esperava poder ouvir Andrea Parkins num contexto deste tipo, espécie de prolongamento natural da performance que vinha a pôr em prática a partir das experiências em trio com Ellery Eskelin e Jim Black desde meados dos anos 90. Deriva notória no trabalho com Nels Cline e Tom Rainey, e nas sucessivas estadias na Europa, onde tem vindo a desenvolver intenso trabalho com músicos da improvisação electroacústica, de que é exemplo o duo com Jessica Constable, entre muitos outros. Ao curso de uma série de incontáveis projectos adiciona o trabalho de composição, actuações a solo, escrita para pequenos ensembles e desenho sonoro de instalações multimédia. Compositora, artista sonora, performer e improvisadora, Parkins utiliza acordeão, processamento electrónico e laptop, piano e sintetizadores, maquinaria que a artista manuseia com inteligência e sensibilidade. Para esta sessão de 2006 – gravada ao vivo num teatro de Lausanne, Suiça, em trio com o suíço Laurent Bruttin (clarinete, clarinete baixo e clarinete contrabaixo) e com o do romeno-suíço Dragos Tara (contrabaixo), a que se acrescentam os vocalizos onomatopaicos de Wanda Obertova em dois momentos – Andrea Parkins optou pelas três primeiras categorias, servindo-se delas para reinventar a sua própria linguagem em progressões fluidas e lineares, fracturas e disrupções, complexas estruturas rítmicas, samplagem pertinente e ruído disperso em vagas de electricidade modulada. Pulverização electrónica articulada com o puro som acústico do clarinete de Laurent Bruttin e do contrabaixo de Dragos Tara, que acrescentam perigosidade à mistura. Quick-Drop (Creative Sources Recordings #104) oferece uma impressionante colecção de 11 temas de improvisação electroacústica moderna, carregada subtilezas misteriosas que se vão revelando a pouco e pouco, ao longo de audições repetidas. A qualidade da gravação é excepcional para este tipo de preparação, tendo a montagem convenientemente optado por eliminar as incómodas palminhas entre temas, o que faz parecer um disco de estúdio em ambiente live.Nicole Mitchell e o Black Earth Ensemble numa dedicatória à escritora norte-americana Octavia Butler (1947-2006) que escreveu principalmente num género raríssimo em mulheres negras, a ficção científica. Xenogenesis Suite, título homónimo de uma trilogia ficcional da escritora homenageada, é uma peça em vários actos escrita por Nicole Mitchell, interpretada pelo Black Earth Ensemble, e originalmente apresentada ao vivo na XII edição do Vision Festival (2007). A música segue na onda afro-futurista da moderna escola AACM de Chicago, com David Young (trompete), Nicole Mitchell (flautas), David Boykin (sopros), Justin Dillard (piano), Tomeka Reid (violoncelo), Josh Abrams (contrabaixo), Arveeayl Ra (percussão), Marcus Evans (bateria) e Mankwe Ndosi (voz). Novidade na Firehouse 12.
Tenho-me esquecido de agradecer os mais de 400.000 acessos ao Jazz e Arredores desde Setembro de 2004. Voluntários, uns, involuntários outros, obrigado a todos os que por aqui têm passado. Sempre há alguém mais a entreter-se além de mim próprio e da vasta equipa que aqui trabalha.
Freemusic: "This newly formed ‘improv’ trio is filmed here in it’s Lisbon. This formation will be exploring both open forms of music as well as structured compositions".
Abdul Moimême - tenor sax
Miguel Mira - cello
Pedro Roxo - double bass, electronics
Sou um admirador confesso e declarado do grupo mais dark underground dos vários que o meu amigo Rent Romus tem em marcha, os Lords of Outland. Neste quarteto jogam o versátil Rent Romus, moço trintão, que além de fundador da Edgetone Records, é versado nas artes do acordeão e dos saxofones alto, soprano e c-melody, cabendo-lhe também vozear para dentro duma maquineta a ver no que dá; depois há C J Borosque, electrónica e pedais de efeitos; Ray Scheaffer, baixo de 6 cordas; e Philip Everet, bateria, autoharp e electrónica. É desta invulgar e arrevesada combinação de músicos das áreas acústica e electrónica que o saxofonista da West Coast extrai a energia e a inspiração para os seus carrosséis sonoros, vulgo composições, que são tudo o oposto de uma música inócua, descritiva, confortável ou de bons sentimentos. Porque a realidade é grotesca, natural se torna que a arte reflicta esse lado menos conveniente e acomodatício. You Can Sleep When You're Dead (Edgetone Records, 2007), apanha o grupo no maior freakout de que há memória nos Lords of Outland, um dos expoentes do avant-jazz actual, bastante diferente das escolas de Nova Iorque e Chicago. Uma mistura luxuriante de catarse sonora e hipérbole psicótica de visões demoníacas. Mas calma aí, que nada disto se deve confundir com estardalhaço gratuito (gratuito aqui, para mim, só o exemplar que me calhou, porque me foi gentilmente oferecido pela artista, prática assaz saudável, que recomendo a todos os artistas que me interessem ouvir), ou com uma vulgar sessão em que se desatina forte e feio e há porrada de criar bicho. Não, aqui há ideias, há enquadramento, estrutura, mesmo que muito vaga e flexível, maturidade, saber (este pessoal da Califórnia sabe-a toda, de trás para a frente e têm menos cagança que o da Costa Este, em geral), expressividade e sólida cultura musical. O disco é bom, ouve-se várias vezes seguidas sem cansar. Sugere imagens visuais as mais coloridas e assim refresca os neurónios. Nessa medida faria particularmente bem àqueles (neurónios) habituados a uma dieta rigorosa de jazz murcho e copião, tão em voga nos salões da actualidade. Au contraire, a brincadeira aqui é muito a sério e por vezes em You Can Sleep When You're Dead a tensão sobe a pontos de meter medo. Mas não há papão nenhum, é só a mostrar os dentes, não morde. Só Lord (esta foi gira). Acordai, permanecei vigilantes, que tendes tempo para dormir depois do apito, digo, do Juízo Final.De John Ruocco, saxofonista e clarinetista saiu Am I Asking Too Much? (If I Ask for World Peace), disco em trio com o veterano pianista britânico John Taylor e o contrabaixista italiano Riccardo Del Fra. Ruocco é norte-americano, vive radicado na Europa, deambulando entre a Bélgica e a Holanda, onde mantém intensa actividade com a ACT Big Band, a Dutch Jazz Orchestra e a Den Haag Conservatory Big Band, formações de grande porte, que dirige ou já dirigiu. Além destas, conta colaborações dispersas com músicos daquelas paragens, como Charles Loos, Bert Joris, Peter Hertmans e Michel Herr. A mais recente intervenção em disco alheio regista, no final de 2007, uma colaboração com a pianista Myriam Alter, em Where is There (Enja), com Jacques Morelenbaum, Pierre Vaiana, Greg Cohen e Joey Baron. Este ano, e em nome próprio, arranjou tempo para terminar a produção de Am I Asking Too Much?, disco gravado em 2006, que abrirá certamente portas para um conhecimento mais alargado do trabalho deste excelente clarinetista. Ruocco, exclusivamente em clarinete, prefere um discurso lírico de tonalidades claras, toadas intimistas e formas arredondadas, de pele lisa e beleza suave, características comuns a todas as seis composições originais do clarinetista, que o músico oferece à criação tripartida, graças ao espaço que concede para a conversa livre a três vozes equivalentes, instância na qual que o piano preenche espaços, acentuando a subtileza das variações harmónicas e o contrabaixo sublinha a sofisticação rítmica da progressão. Pessoalmente, incluo o disco no lote do que de mais interessante e refinado se pode ouvir no jazz de câmara da actualidade, trabalho evocativo de um dos grandes do clarinete que tanto aprofundou o contexto triangular, o recém-desaparecido Jimmy Giuffre, invenção à qual Ruocco empresta modernidade e atrevimento. Só a pequena maravilha que é Waltz 4 seria razão bastante para não perder a audição de Am I Asking Too Much?. Edição da alemã Pirouet Records, com distribuição nacional pela Mbari.
John Ruocco
(Foto: Cees van de Ven)
Boustrophedon é Evan Parker de novo na ECM, a capitanear o Transatlantic Art Ensemble, formação euro-americana de excelência, cuja liderança alterna com Roscoe Mitchell, e que inclui, além daqueles dois, Neil Metcalfe, Corey Wilkes, Phil Wachsmann, Nils Bultmann, Marcio Mattos, Craig Taborn, Jaribu Shahid, Barry Guy, Tani Tabbal e Paul Lytton. Evan Parker e companhia deslizam suavemente das instâncias free improv que mais se lhes colaram à pele ao longo das décadas e enveredam por ambientes típicos da moderna escrita contemporânea. O disco faz par com o anterior Composition/Improvisation nr. 1, 2 & 3, um pastel muito massudo e de difícil audição, um pouco pomposo até, embora aqui e ali o sol consiga romper um céu cinzento e geralmente muito nublado. Este segundo volume, chamemos-lhe assim, escrito por Evan Parker, é felizmente menos pantagruélico e opulento que o precedente, tornando mais fácil e acessível a digestão das seis peças que o compõem. Não é este o Evan Parker que me encanta, nem o Roscoe Mitchell que admiro, mas considero-os como complementos ao lado espontâneo de que deram mostras nas largas dezenas de gravações que um e outro realizaram. Distribuição em Portugal: DARGIL.

Issue 17 - May 2008
Page One: a column by Bill Shoemaker
What's New?: The PoD Roundtable
A Fickle Sonance: a column by Art Lange
Esteem: Steve Lacy Remembered
Far Cry: a column by Brian Morton
Moment's Notice: Recent CDs Briefly Reviewed
A European Proposal: a column by Francesco Martinelli
Travellin' Light: Steve Lehman
Free Jazz: The Point of Departure Contest

Anthony Braxton - The Montreux / Berlin Concerts
Part I // Part II (Arista 2 LP 5002)
Anthony Braxton (as, cl, ss s, cbcl, fl); Kenny Wheeler (tp);
George Lewis (tb); Dave Holland (b); Barry Altschul (d, perc, gongs);
The Berlin New Music Group conducted by Herr Hummel
1. Comp. 6 C [10:38]; 2. Comp. 6 F [7:38]; 3. Comp. 40 K [13:51];
4. Comp. 63 [23:34]; 5. Comp. 40 N [7:59]; 6. Comp. 23 J [13:49]; 7. Comp. 40 (O) [9:58]
O mui afamado e criticamente incensado duplo LP Arista de 1975/75, compilação de três grandes momentos europeus de Anthony Braxton de meados da década de 70. O primeiro, em trio com o trompetista Kenny Wheeler, o contrabaixista Dave Holland e o baterista Barry Altschul, a 20 de Julho de 1975, em Montreux, Suiça; o segundo, apresenta Braxton com o trombonista norte-americano George Lewis e de novo a secção rítmica do Circle de Chick Corea, Dave Holland e Barry Altschul, num registo de Berlim, em 4 de Novembro de 1976; o terceiro set é composto por duetos de Braxton e Lewis, e foi gravado em Berlim num programa complementar, dois dias mais tarde, a 6 de Novembro de 1976. Como diria o Pedro Braz ('Brazinho', 1952-2001), "isto é Obra do Senhor".
Punck é o pseudónimo do artista italiano Adriano Zanni. Há anos que mantém em actividade a netlabel Ctrl+Alt+Canc, bem como numerosos projectos individuais e em colaboração ligados à arte sonora e ao cruzamento com a improvisação electroacústica experimental. O fascínio maior de Punck é andar pelas ruas e pelos campos do meio em que vive, de microfone em punho a registar sons do quotidiano das cidades, murmúrios da natureza, material sonoro que passa despercebido ao cidadão comum, distraído que anda com as coisas da vida. Há mais de um ano que Punck criou e mantém um interessante diário sonoro onde disponibiliza algumas gravações de campo registadas na sua constante actividade de pesquisa. São estas captações que lhe servem de matéria-prima à confecção de peças acústicas, depois de trabalhadas, refinadas, organizadas e contextualizadas através das ferramentas digitais do seu computador, adquirindo no final uma têmpera e uma conformação de que não se suspeitaria se apenas consideradas no meio em que se produzem “em bruto”. O abrir de uma porta, o estalar duma folha seca debaixo de um pé, o zunir de um insecto e vozes espectrais, são processados, digitalmente manipulados, misturados e agregados de maneira a produzir composições mistas de sons reais e ficcionais, baseadas em drones sussurrantes de sons orgânicos e reverberações digitais. Estamos pois no imenso domínio do ambientalismo criativo, enriquecido por uma colecção de sons subliminares, tributários de um certo espacialismo alien futurista e sonhador, “produto” parcial e remotamente inspirado nas excursões de John Cage e de Sun Ra. Não se encontram vestígios de narrativa nas seis propostas de A Constant Migration (Between Reality and Fiction); apenas fazem sentido enquanto peças musicais que tanto se bastam com o percorrer de caminhos anteriormente sulcados por legiões de outros artistas, como aqui e ali apresentam facetas inovadoras, momentos emocionais que, exprimindo ora vitalidade, ora desolação, acabam de ser descobertos e revelados no seu esplendor desconhecido. Punck encontrou uma forma peculiar e personalizada de disseminar sons de uma nova arqueologia. Masterização e supervisão final do trabalho, de Hue (Matteo Uggeri). Edição da Creative Sources Recordings, 2007, com produção de Ernesto Rodrigues e design gráfico de Carlos Santos.Jimmy Lyons, saxofonista alto, em três temas de dois LPs da Hat Hut, Push Pull e Riffs: Mary Mary, Part 1; Mary Mary, Part 2 (Push Pull, com Karen Borca, Munner Bernard Fennell, Hayes Burnett e Roger Blank); Theme (Riffs, com Karen Brocca, Jay Oliver e Paul Murphy). Sugere-se uma passagem pela caixa de 5 CDs da Ayler Records, "The Box Set", com inéditos de Jimmy Lyons. Beware of the Blog...



Novidades na Creative Sources Recordings:
Mark Trayle - Goldstripe
Paed Conca & Raed Yassin - The Muesli Man
Szilárd Mezei & Albert Márkos - Korom
Four Decades of Music That Redefined Free, título do artigo publicado na edição de 2 de Maio do New York Times sobre o livro do trombonista, improvisador e académico George Lewis, «A Power Stronger Than Itself: The A.A.C.M. and Experimental Music», a ser editado este mês pela University of Chicago Press.

Art Ensemble of Chicago
(Foto: Dominik Huber)
De Gunnar Geisse, improvisador alemão que tem sido visto e ouvido na companhia de artistas tão diversificados como Phil Durrant, Barry Guy, Franz Hautzinger, Wilbert de Joode, Jason Kahn, Thomas Lehn, Günter Müller, Phill Niblock ou Evan Parker, saiu META ATEM na Creative Sources Recordings. Esta é uma edição que conto entre as melhores que me foi dado ouvir no primeiro quadrimestre do ano. Produto acabado da improvisação livre de características europeias, com guitarra eléctrica, baixo, processamento de sinal, tratamento de voz humana, field recordings, é no trabalho de montagem e edição em estúdio que o artista desenvolve a sua alquimia sonora através da pesquisa microtonal a partir de ondas electromagnéticas do mais variado tipo, produzidas e transformadas por processos analógico-digitais. Se o pontilhismo da guitarra eléctrica é o ponto de partida e de chegada, pelo meio há um mar de referências. Gunnar Geisse pensa e toma cada som em si mesmo considerado e na relação com os outros, com apurado sentido de economia, capacidade de escolha e organização. Em META ATEM (CS #90), obra amadurecida de um artista que sabe o que procura, importa tanto o modo de gerir a acção que está a acontecer num dado momento, como o lugar específico em que cada forma e unidade de tempo ocupa no hiperespaço. Num interessante equilíbrio de contrastes, Geisse procede à “desmontagem” do espectro sonoro, sopesa todas as peças, domestica-as, estuda-lhes as formas e encaixa-as umas nas outras, deixando-as propositadamente permanecer em equilíbrio instável de modo a criar oscilações, fracturas, dissonância, reverberação e glitch, de que resulta um extravagante composto multiforme de sons com valor musical.
Depois de duas edições consecutivas na Test Tube, Western Spaghetti (2007) e Sandshoes (2007), o artista português Long Desert Cowboy, aka Daniel Catarino, retoma os trilhos da edição e publica Handmade Music [Mi093] na netlabel lusa MIMI.
"De vez em quando, há um álbum com uma sonoridade tão crua que se torna praticamente irresistível. Não é frequente, mas é o que encontramos neste "Handmade Music 1999-2003", pelo projecto Long Desert Cowboy, de Daniel Catarino. Desde a crueza da gravação em k7 dos temas de abertura e fecho, à beleza estética de "Sacred Vows of Mother Earth" e ao crescendo melódico de "Poor But Honest", este álbum gravado, segundo o autor, dos seus 16 aos 20 anos, mostra um trabalho imperfeito, sim, mas com um enorme potencial criativo e uma vontade de transformar simples melodias em canções instrumentais. Os ouvintes conhecedores dos anteriores trabalhos de Long Desert Cowboy irão certamente estranhar as diferenças óbvias entre o ambiente "horror-spaghetti" dos EP's "Sandshoes" e "Western Spaghetti", e o lado claramente mais rock deste álbum. Não obstante, algumas das características estão lá, e não serão obra do acaso. Importante não deixar este álbum escorregar entre os dedos sem o ouvir". - Carlos Gonçalves




We define sound works as: artistic endeavors that are primarily concerned with the use of sound, but fall outside of what is normally considered "music." This includes but is not limited to: recordings, radio transmissions, performances, installations, sound sculpture, site specific public art, and new media arts.

Johann Sebastian Bach - Cantata BWV 21
Ich hatte viel Bekümmernis
Pieter Jan Leusink
Holland Boys Choir / Netherlands Bach Collegium