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5.10.06
 
Carl Grubbs saiu com um disco na CIMP, em Maio passado, que é um consolo. Falo desse Carl Grubbs, o primo da Naima, aquela que foi mulher de John Coltrane, de quem é sobrinho e com quem estudou, boa gente de Filadélfia. Carl Grubbs, dos The Visitors da década de 70, com discos na Muse Records, e uma passagem nos anos 80 pelo Julius Hemphill Saxophone Sextet (recorde-se Fat Man and the Hard Blues), altura em que passou a residir em Baltimore e desapareceu dos estúdios e das discográficas vá-se lá saber porquê. Regressou entretanto aos discos pela mão de Bob Rusch com este Brother Soul, depois de ter aparecido ao lado de Odean Pope noutro CIMP em quarteto, Two Dreams, com Tyrone Brown e Craig McIver, e noutro ainda, Stepping Around the Giant, com Chris Sullivan e Newman Baker.
Nesta mais recente sessão, gravada em Junho de 2005, Grubbs estreou-se em saxofone tenor, instrumento que passou a adicionar aos habituais alto e soprano. Convidou outro grande saxofonista tenor, mestre Salim Washington, também em oboé e flauta, o contrabaixista Steve Neil e o baterista Ronnie Burrage. Washington é uma personalidade musical viva, pouco conhecida para o talento que tem mostrado ter, por exemplo, ao lado de Ahmed Abdullah. Steve Neil é mais conhecido pelo que fez junto de Pharoah Sanders e Frank Lowe, enquanto Burrage, mais discreto, tem acompanhado Grubbs neste seu mais recente ressurgimento.
O programa de Bother Soul é muito variado e inclui oito originais de Grubbs, um deles a meias com Salim Washington, um tema de Earl Grubbs, irmão de Carl, e uma versão de Smile, o velho hit de de Charlie Chaplin, de 1954, popularizado por Nat 'King' Cole (Smile though your heart is aching, Smile even though it’s breaking...).
É difícil escolher pontos (mais) altos neste disco, todo ele com uma qualidade média elevada, embora haja um ou outro tema que sobressai pela maneira particular como toca o ouvinte: Neptune, composição de finais de 60, incluída no disco de estreia de Grubbs, em 1971, e Gordon, homónima do filho mais velho do saxofonista, serão talvez os que prefiro. Mas há outros a este nível, temas rápidos, tempos médios e baladas, uma boa amostra da vitalidade do jazz inspirado nos clássicos, que não se deixa prender pelo repisar de velhas fórmulas, antes procura abrir a música a outras influências, como a oriental, a lembrar Yusef Lateef, além da marca notória do Coltrane inicial. Sinais que no seu conjunto compõem um disco muito agradável de ouvir, inspirado nas tradições do bop e do gospel, destiladas num som colectivo quente e robusto, à moda de Filadélfia.

 


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