Image hosted by Photobucket.com
2.11.08
 

Photobucket

Ernesto Rodrigues, Christine Sehnaoui, e Axel Dörner, ao vivo na Culturgest, em Lisboa. Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008. A história de cada músico é conhecida pelo menos de quem segue com atenção o que se passa na Europa nesta área musical. Têm associados percursos individuais de aprendizagem, assimilação e libertação dos padrões e clichés da música improvisada, tal como o género se foi afirmando ao longo das últimas décadas. É esse o resultado do investimento naquilo que constitui factor de diferenciação: o trabalho minucioso e idiossincrático sobre as propriedades do som enquanto matéria-prima essencial, com particular incidência nos aspectos tímbricos e texturais de um género que assume a sua condição marcadamente não-idiomática. Eis o que se pode em termos actuais designar por moderna improvisação livre, que se encontra umas vezes imersa num estilo para-reducionista, em que o que se pretende é que menos por menos dê mais; outras, procurando afirmar-se na permanente reelaboração do processo criativo, cujo valor final acabe por exceder o conjunto das contribuições de cada interveniente. Foram estes os vectores dominantes no concerto da Culturgest. Nessa medida, Rodrigues, Dörner e Sehnaoui deram a ouvir uma música essencialmente sinergética, na qual três subsistemas sonoros de elevada complexidade concretizaram uma tarefa que, sendo una, acabou por ser superior ao somatório das partes. Tenha-se bem presente que os três músicos, individual ou colectivamente considerados, transcendem quaisquer barreiras estéticas ou geográficas dentro da música improvisada, tal como se conhece desde há 40 anos. A multiplicidade de contextos em que têm trabalhado, juntos ou em separado – mas nunca neste trio – as tonalidade escolhidas e propostas, as sólidas bases comunicacionais, o conhecimento das técnicas dos respectivos instrumentos, a que somam outras por si inventadas, sobretudo na periferia física dos objectos produtores de som, criaram as bases para a exploração do catálogo sonoro para além dos limites que os próprios conhecem. Rodrigues, Dörner e Sehnaoui comunicaram de modo intuitivo na mesma língua franca, com sensibilidade e inteligência, exibindo um léxico rico e variado nas formas e nos modos de tratamento de cada situação. Admiráveis foram as trocas de sinais através de sinapses criadas no instante, que potenciaram o bom entendimento tripartido, através de afirmações, interjeições, sobreposições, aditamentos e outras maneiras de acrescentar complementaridade, mesmo quando a opção passava por ficar de fora num dado momento, a assistir, como o público, ao nascimento da próxima escultura sonora. E assim se esteve deliciosamente durante perto de uma hora a ouvir um set único, totalmente acústico, tocado numa sala que tem excelentes condições para a prática da modalidade, quer em termos de forma e dimensão, quer quanto às propriedades acústicas, o que permitiu perceber toda a actividade, do som em bloco até à partícula mais delicada e de menor volume. Se ainda não ficou claro, afirmo agora que o trio Rodrigues, Dörner e Sehnaoui, mercê da inspiração e do alto nível comunicacional dos participantes, ofereceu um recital primoroso, lírico e luxuriante no seu minimalismo. Boa notícia: o concerto foi gravado por Carlos Santos e é provável que venha a ter edição na Creative Sources Recordings.

Photobucket

Ernesto Rodrigues / Christine Sehnaoui / Axel Dörner
http://www.retratosasexta.blogspot.com/

 


<< Home
jazz, música improvisada, electrónica, new music e tudo à volta

e-mail

eduardovchagas@hotmail.com

arquivo

Setembro 2004
Outubro 2004
Novembro 2004
Dezembro 2004
Janeiro 2005
Fevereiro 2005
Março 2005
Abril 2005
Maio 2005
Junho 2005
Julho 2005
Agosto 2005
Setembro 2005
Outubro 2005
Novembro 2005
Dezembro 2005
Janeiro 2006
Fevereiro 2006
Março 2006
Abril 2006
Maio 2006
Junho 2006
Julho 2006
Agosto 2006
Setembro 2006
Outubro 2006
Novembro 2006
Dezembro 2006
Janeiro 2007
Fevereiro 2007
Março 2007
Abril 2007
Maio 2007
Junho 2007
Julho 2007
Agosto 2007
Setembro 2007
Outubro 2007
Novembro 2007
Dezembro 2007
Janeiro 2008
Fevereiro 2008
Março 2008
Abril 2008
Maio 2008
Junho 2008
Julho 2008
Agosto 2008
Setembro 2008
Outubro 2008
Novembro 2008
Dezembro 2008
Janeiro 2009
Fevereiro 2009
Março 2009
Abril 2009
Maio 2009
Junho 2009
Julho 2009
Agosto 2009
Setembro 2009
Outubro 2009
Novembro 2009
Dezembro 2009
Janeiro 2010
Fevereiro 2010
Junho 2011
Maio 2012
Setembro 2012

previous posts

  • IMPROJAZZ #150 Novembro-Dezembro/2008
  • Carl Bergstrøm-Nielsen's INTUITIVE MUSIC HOMEPAG...
  • Mandrake apresenta: Ornette Coleman. Em Lisboa a 5...
  • http://experimentaletc.blogspot.com/
  • Venus Vulture - Signal Artifacts [RB044] O fotógra...
  • Nigul - Un Cas Estrany [at015]
  • João Henriques: «Divagações sobre fotografia conte...
  • LISBOA É DAS PESSOAS. MAIS CONTENTORES NÃO!
  • Gino Robair: unedited interview transcript The WI...
  • http://www.tempsdimages-portugal.com

  • links

  • Improvisos ao Sul
  • Galeria Zé dos Bois
  • Crí­tica de Música
  • Tomajazz
  • PuroJazz
  • Oro Molido
  • Juan Beat
  • Almocreve das Petas
  • Intervenções Sonoras
  • Da Literatura
  • Hit da Breakz
  • Agenda Electrónica
  • Destination: Out
  • Taran's Free Jazz Hour
  • François Carrier, liens
  • Free Jazz Org
  • La Montaña Rusa
  • Descrita
  • Just Outside
  • BendingCorners
  • metropolis
  • Blentwell
  • artesonoro.org
  • Rui Eduardo Paes
  • Clube Mercado
  • Ayler Records
  • o zurret d'artal
  • Creative Sources Recordings
  • ((flur))
  • Esquilo
  • Insubordinations
  • Sonoridades
  • Test Tube
  • audEo info
  • Sobre Sites / Jazz
  • Blogo no Sapo/Artes & Letras
  • Abrupto
  • Blog do Lenhador
  • JazzLogical
  • O Sítio do Jazz
  • Indústrias Culturais
  • Ricardo.pt
  • Crónicas da Terra
  • Improv Podcasts
  • Creative Commons License
    Powered by Blogger