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21.11.07
 
Aporias, título recente de um quinteto de improvisação livre formado em Glasgow, Escócia, que inclui o percussionista japonês residente em Nova Iorque, fundador da editora H&H, Tatsuya Nakatani, e os membros da Glasgow Improvisers Orchestra, director Raymond MacDonald (saxofones alto e soprano), Peter Nicholson (violoncelo), Nick Fells (laptop e samplers), e Neil Davidson (guitarra eléctrica), que já editou Grain, disco de guitarra acústica solo, na Creative Sources Recordings. Nas cinco peças de Aporias (68') há traços de escola Inglesa de improvisação livre, do marulhar e da constente tensão milimétrica que John Stevens instilava na música do Spontaneous Music Ensemble, com ocasionais picos de febre. Ao olhar que percorre o passado recente, como revisitação da memória que codificou gestos, sinais e referências de uma prática com determinada demarcação temporal, o grupo aporta elementos da sua própria pesquisa, individual e colectivamente assumida, patente na numa particular organização tímbrica e espacial que é, na sua unidade e diversidade, tributária da escrita ocidental, de alguns aspectos do minimalismo de 70, da arte sonora electrónica actual e de alguns aspectos meditativos ligados à tradição japonesa. Para pôr em prática este programa de acção, o grupo trabalha sobre aquela plataforma estética, reconhecível e deveras importante na improvisação europeia em geral e britânica em particular, mas não se deixa ficar pela actualização dos procedimentos que Stevens, Bailey, Watts, Parker e companhia inventaram em meados de 60 – os quais autonomizaram a improvisação, até então uma característica, entre outras, do jazz norte-americano – ou dos AMM, de John Tilbury e Eddie Prévost (desde 2005, um duo), que, partindo de idênticos pressupostos, apontaram noutras direcções. O quinteto de Aporias optou antes por, tomando aquelas referências como ponto de partida e motivo de inspiração, transformar modos, trabalhar sobre novos desenvolvimentos estéticos e recentrar o paradigma musical nos aspectos eminentemente colectivos da criação espontânea. É assim que a uma intensa actividade sonora por unidade de tempo, permeada de breves intervalos de silêncio, o quinteto adiciona um tipo de construção gramatical complexa, de tecitura apertada, meios pelos quais logra a convergência entre o fino rendilhado obtido através das mais diversas técnicas experimentais, ortodoxas e heterodoxas, aplicadas aos instrumentos, a simplicidade formal da organização e um assinalável sentido narrativo, prática musical conscientemente assumida como uma forma apurada (e depurada) de composição instantânea. A música, sendo de fácil acesso e descoberta, exige um ouvido atento e interessado neste tipo de poética de síntese entre o "clássico" e os avanços estéticos da chamada nova música improvisada. Edição da CS.

 


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