
Tony Coe andou sempre em boa e diversificada companhia: Clarke-Boland Big Band, Derek Bailey, Stan Getz, Dizzy Gillespie, Kenny Wheeler (Coe, Wheeler and Co.), London Sinfonietta, só para dar uma ideia da versatilidade do som de saxofones (tenor e soprano) e clarinete do soprador britânico, tão dextro a tocar dentro como fora. Em 1978, o produtor Howard Lambert, interessado em preservar a música que os jazzmen britânicos iam fazendo no decurso da década de 70, gravou Coe-Existence nos estúdios da BBC, em Londres. O disco foi editado na Lee Lambert, pequena editora independente que Lambert fundara no início da década. Entretanto, esta refrescante e atípica sessão de bop-groove revisto e actualizado pelo olhar brit jazz, perdeu-se durante três décadas, até que há uns anos a Whatmusic resolveu republicá-lo em CD e LP. Mantém-se a minutagem (40') e o alinhamento do LP original (Rio Vermelho; Lover Man; Killer Joe; Don't Get Around Much Anymore; Você; What Are You Doing For The Rest Of Your Life?; Lee Thompson's Blues; I'm Getting Sentimental Over You), jazz mainstream autêntico e com personalidade, tal como executado pelo quarteto em 78, com sopros (Tony Coe), piano (John Horler), contrabaixo (Ron Rubin) e bateria (Trevor Tomkins). Entre duas folhas de jornal, cai muito bem na última tarde de 2007.
Created by Morton Subotnick on the Buchla Electronic Music System
Side One: Touch (Beginning); Side Two: Touch (Conclusion)
Subotnick has been one of the most important electronic music composers. When his pieces like Silver Apples of the Moon and The Wild Bull were released on LP in the late '60s, they were striking demonstrations that true new music could be exciting, vibrant, and readily accessible. Subotnick's deft, masterful touch was much more appealing than other electronic music emerging from academic settings. This is an excellent piece. There are rapid pulses, layered gestures, dense passages of percolating rhythms. The music is distinctive, otherworldly, sophisticated, and holds up well. The quality of these old analog tapes is quite good. (LP Columbia, 1969)
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Morton Subotnick, Silver Apples of the Moon/The Wild Bull (1967/1968)
Domingo 30 de Dezembro, 19h30
Associação Bacalhoeiro, Lisboa
Alípio C. Neto Trio
Alípio C. Neto_saxofones
Diogo Palma_contrabaixo
Gabriel Ferrandini_bateria
guest stars
Ernesto Rodrigues_viola
Rodrigo Amado_saxofone tenor
Lizuarte Borges_saxofone alto
Johannes Krieger_trompete
Eduardo Chagas_trombone
Steve Lacy Quintet, ao vivo no Studio 104, Radio France. Paris, 17.10.1976.
1. The Crust; 2. Micro Worlds; 3. The Throes; 4. Flakes.
Steve Lacy, saxofone soprano; Derek Bailey, guitarra elec.; Irene Aebi, violoncelo, voz; Kent Carter, contrabaixo, violoncelo, harpa; e Noel McGhie, bateria.


ASTRO-BLACK MYTHOLOGY, by Ben Schot
Abstracção e experimentalismo são os parâmetros de enquadramento da música do basco Joseba Irazoki, em OLATUETAN (Creative Sources Recordings), disco de 2006. A guitarra ainda tem espaço para ser questionada e Irakozi (guitarra eléctrica e acústica, lap steel e banjo) segue os princípios dos vultos a quem rende homenagem e dedica o disco, o norte-americano Robbie Basho e o britânico Derek Bailey, músicos que procuraram não tanto seguir as pegadas dos mestres do passado, mas, formulando o mesmo tipo de questões, tentar obter respostas diferentes. Seguindo por essa via, Olatuetan é um disco conseguido, resultante do balanço entre improvisação idiomática e não-idiomática (com Bailey, esta última era ela própria um idioma autónomo), equilíbria forma e abstracção, raga e pontilhismo, com uma pitada de folk à maneira de Eugene Chadbourne, a denotar atenção sobre o que se faz actualmente com as seis cordas na Europa, na América e no Japão. A partir deste caldo de cultura e dos traços e influências que processou, Irazoki sabe organizar e trabalhar sobre o acervo de micro-sons electroacústicos e texturas de ruído modulado, capaz de surpreender o ouvinte. Mostra desenvoltura e capacidade de problematizar sem se deixar cair na tentação do tecnicismo exibicionista ou da exposição de um mostruário de improvisação experimental. O que Joseba Irazoki faz aqui – fora de outro tipo de trabalho ligado a formas pop ou jazz, que também cultiva – é deambular livremente por linhas irregulares e assimétricas, questionar as convenções e desenvolver renovadas possibilidades de combinação sonora a partir do imenso livro da guitarra eléctrica e cordofones conexos. Feitas as contas, do País Basco, bom vento e bom encordoamento.

Recordando Derek Bailey, desaparecido a 25 de Dezembro de 2005
Ring them bells, ye heathen / From the city that dreams / Ring them bells from the sanctuaries / Cross the valleys and streams / For they're deep and they're wide / And the world's on its side / And time is running backwards / And so is the bride. - Bob Dylan


Pharoah Sanders - Journey to the One


Morton Feldman, String Quartet (1979), pelo Ives Ensemble. Acaba de sair na Hat [Now] Art. The string quartet has a special place in classical music, second in importance among ensembles only to the orchestra.The string quartet repertoire is rich, ranging from the 18th and 19th century Classicists and Romantics—Haydn, Mozart, Beethoven, and Schubert most prominently—to Modernists of the past century—Bartok, Shostakovich, and Milhaud among the most prolific and respected. Even iconoclasts like Schönberg, Berg, Babbitt, and Carter confirmed a connection to the tradition and created works which adhered to the formal logic and dramatic ambience of those of their predecessors while incorporating their own compositional procedures. But there have been exceptions as well, extremist composers who rejected the genre outright, or distorted it beyond recognition. Morton Feldman fits into the latter category...or does he? — Art Lange

Grosse Abfhart, ou a Grande Partida, octeto formado por Serge Baghdassarians (electrónica), Boris Baltschun (electrónica), Chris Brown (piano, electrónica), Tom Djll (trompete), Matt Ingalls (clarinete), Tim Perkis (electrónica), Gino Robair (sintetizador analógico) e John Shiurba (guitarra), uns da familia Braxton (Shiurba, Robair, Ghost Trance Music); outros, parentela próxima. Com tanta electrónica a bordo deste zepellin carregado de hidrogénio, o risco de despenhamento e explosão era real, por causa da putativa interferência com os comandos de voo. Além disso, somando sintetizador e guitarra eléctrica, poder-se-ia pensar que Erstes Luftschiff zu Kalifornien (Creative Sources 065), título deste episódio associativo entre músicos alemães e californianos houvesse de resultar numa massa sonora compacta e de elevado volume, sem nuance nem detalhe. Suposição errada, pois nada nos movimentos do Luftschiff a caminho da Califórnia vai aos trambolhões, não há sheriff nem tiros para o ar. Os cinco desdobramentos da peça são duma rara ductilidade e subtileza em escala diminuta. Para se perceber o que se passa é necessário fazer um penetrante zoom auditivo e estar atento ao mínimo sinal, porque a movimentação é quase imperceptível. Por vezes, mal se dá pelos sinais vitais, a música quase perde o pulso; noutras, como é o caso de Interkontinentale Luftshiffhart, crescem estalagmites de piano e guitarra em direcção ao espaço sideral, intervaladas por silêncios ameaçadores. Aos poucos, as formas começam a revelar-se a partir da quase ausência de som. Por cima do sussurro, camada fina de electrónica, crescente marulhar das ondas, reconhece-se um silvo de clarinete, um restolhar de trompete, o lento gotejar do piano. Parece que nada se passa mas a tensão está lá, presente ou eminente. Quando a Europa se encontra com a Bay Area de S. Francisco tudo pode acontecer, e desta vez aconteceu magia. Há vida e música com ideias nesta estimulante perspectiva de um novo Summer of Love euro-americano.

Sonatas para piano de grandes compositores russos da primeira metade do Séc. XX, Scriabin, Prokofiev e Shostakovich. Só faltam Rachmaninov e Stravinsky para a festa ser mesmo integral.
Quinta 20, 22h30 - Associação Bacalhoeiro, Lisboa
VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA
'Um evento com muitos músicos a sonorizar os dois andares do Bacalhoeiro'
http://variablegeometryorchestra.wordpress.com/

À semelhança da festa que fizemos no #211 da AVENIDA, com 13 concertos, em 13 salas numa sexta-feira 13, irá haver 21 concertos - não em 21 salas – de um grupo de gente que vai tornando a tuga um sítio incrível para se presenciar música contemporânea, medido em que escala seja (ainda para mais em véspera de solstício). As portas abrem às 21h e o som arranca às 21h30, logo com três concertos - Phoebus e p.ma, Osso Exótico com Francisco Tropa e Heatsick, pelo que atrasar é mesmo desperdiçar. Mais, para quem não está numa de jantar a correr para chegar a horas, a Comida do Povo vai fazer também refeições a 5€ (cous cous vegetariano e brownies).
Um bom Natal para vocês. 2008 vai ser bonito.
Beijos e abraços,
Filho Único

INSTAL.... Glasgow, Escócia, 3 dias de festa em Fevereiro de 2008, de 15 a 17 - Brave New Music: A 3-day festival of experimental music, sound and performance. This year we've pulled in a clutch of artists to create a series of events that each explore different aspects of music that doesn’t quite fit any given category.
Há que tirar o chapéu a Andrew Drury por este disco de percussão solo. O que mais admiro na arte deste percussionista de Brooklyn, Nova Iorque, em particular neste Renditions – Solos 2004-2007 é a capacidade de evocar toda a sorte de sons naturais ou culturais, da natureza ou industriais, pessoas a respirar ou máquinas a trabalhar, sons orgânicos a imitar electrónicos. Todas as superfícies são percutíveis, além das folhas de serra, berlindes em caixas, peles, contentores de plástico e metal, quase sempre metal contra metal. Com uma panóplia de instrumentos e artefactos, Drury faz soar granizo em chapa de zinco, putos na rua a rodar com arcos e gancheta, um desporto que já não se vê praticar, eléctricos a deslizar sobre carris, carros que passam ao longe numa auto-estrada, aviões, pássaros, ondas no mar, insectos, o que se quiser, basta encostar o ouvido à percussão, deixar-se conduzir e imaginar outras fontes, outros sons. Andrew Drury, artista completo, tanto debica na pop, como no klezmer ou na new music, toca nas ruas e nos estúdios, partilha palcos e festivais na América e na Europa com artistas tão diferentes e poli-facetados como Myra Melford, Mark Dresser, Briggan Krauss, Jack Wright, Michel Doneda, Mazen Kerbaj, Jason Kao Hwang, Wade Matthews, Reuben Radding e de tantos mais, além de baterista de jazz (estudou com o grande Ed Blackwell) toca piano e trompete, e é também um compositor com ouvido culto e educado com queda para a melodia, ao mesmo tempo que trabalha em grupos fora do ambiente downtown de Nova Iorque. Este Renditions – Solos 2004-2007 (Creative Sources Recordings, 2007), irresistivelmente áspero e complexo, arrepiante nas suas fricções metálicas e bruscas explosões de ruído, é um disco arriscado, mesmo dentro do contexto mais “natural” num músico com as características de Andrew Drury.
Ao jantar...THE FISH...Live at Olympic Café & Jazz à Mulhouse, numa reprise da tremenda malha da Ayler Records (2007), com Jean-Luc Guionnet (saxofone alto), Benjamin Duboc (contrabaixo) e Edward Perraud (bateria). À sobremesa, THE RETURN OF THE NEW THING, com os mesmos Perraud e Guionnet, mais Dan Warburton e François Fuchs. Jantar animado. Ausência de corpo / Presença de alma / Num mundo futuro / Sem fronteiras...

Clear or Cloudy: gravações de György Ligeti na Deutsche Grammophon
Disc 1:
Sonata for Solo Cello--Matt Haimovitz, cello;
Six Bagatelles for Wind Quintet--Members of the Chamber Orchestra of Europe;
String Quartet no. 1 "Métamorphoses nocturnes"--Hagen Quartet;
Ten Pieces for Wind Quintet--Vienna Brass Soloists;
String Quartet No. 2--LaSalle Quartet
Disc 2:
Atmosphères for large orchestra--Vienna Philharmonic, Claudio Abbado;
Volumina for organ--Gerd Zacher, organ;
Lux aeterna for 16 voices--Choir of North German Radio Hamburg;
Organ Study no. 1 "Harmonies"--Gerd Zacher, organ;
Lontano for orchestra--Vienna Philharmonic, Claudio Abbado;*
Ramifications for strings--Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez;
Melodien for Orchestra--London Sinfonietta, David Atherton
Disc 3:
Aventures--Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez; Nouvelles
Aventures--Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez;
Cello Concerto--Jean-Guihen Queyras, cello; Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez;
Chamber Concerto--Ensemble Intercontemporain, Pierre Boulez;
Mysteries of the Macabre--Hakan Hardenberger, trumpet;
Double Concerto for Flute and Oboe--Members of the Chamber Orchestra of Europe
Disc 4:
The Big Turtle Fanfare from the South China Sea--Alfons & Aloys Kontarsky, pianos;
Monument-Self-portrait-Movement--Alfons & Aloys Kontarsky, pianos;
Piano Study no. 2 "Cordes à vide"--Gianluca Cascioli, piano;
Piano Study no. 4 "Fanfares" Gianluca Cascioli, piano;
Piano Concerto--Pierre-Laurent Aimard, piano;
Violin Concerto--Saschko Gawriloff, violin; E. Intercontemporain, Pierre Boulez
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ACN

Em boa hora a ESP-Disk descobriu e editou o registo radiofónico de um concerto de 1966 do trompetista Don Cherry (1936-1995) com Gato Barbieri (saxofone tenor), Karl Berger (vibrafone), Bo Stief (contrabaixo) e Aldo Romano (bateria). Neste encontro histórico o estilo de Cherry descende na linha recta do quarteto de Ornette Coleman, de que o trompetista tinha feito parte até 1962, ainda a dar os primeiros passos na carreira a solo que viria a desenvolver até ao fim dos seus dias por cá. LIVE AT CAFÉ MONTMARTRE 1966, gravado logo a seguir à saída de Complete Communion – obra-prima editada no final de 1965, documento essencial para se entender o jazz daquela década, e que constituiu a estreia de Cherry como líder – já apresenta um esboço do que viria a ser o seu trabalho nos anos subsequentes, nas áreas do free e do world jazz. Nessa actividade de permutação do jazz com a música de outras culturas, africana e asiática, sobretudo, Don Cherry é justamente considerado um pioneiro. Voltando a Live at Café Montmartre 1966, os cinco temas em formato de suite ou meddley (Cocktail Piece; Neopolitan Suite: Dios e Diablo; Complete Communion; Free Improvisation: Music Now e Cocktail Piece - end), gravados ao vivo no afamado clube de Copenhaga, Dinamarca, local que Cherry conhecera antes com Albert Ayler, os New York Contemporary Five e com Sonny Rollins, partem invariavelmente de frases curtas, que se desenvolvem com muita animação em movimentações rápidas de inesgotável energia. Gato Barbieri é o mais atrevido em cena, o que é natural, pois tinha feito parte da gravação de Complete Communion meses antes, e assume papel de relevo condução do trio reunido na Europa de propósito para esta festa.

Foi editado ontem, 15 de Dezembro, e é provavelmente o monumento do ano que está acabar: a Transparency editou uma caixa com 28 discos, onze concertos integrais, mais de 26 horas de música, retiradas da residência que Sun Ra realizou no Detroit Jazz Center em 1980. Já tinha ouvido cochichar sobre o que me pareceu possível embora pouco provável, mas o certo é que é mesmo verdade. The Complete Detroit Jazz Center Residency, de que já havida sido publicado Beyond The Purple Star Zone, inclui sobretudo inéditos e é vintage Sun Ra com a Omniverse Jet-Set Arkestra, daquele que é para muito boa gente o melhor período do mestre, toda a década de 70, em particular os últimos anos. Sun Ra em órgão, sintetizador e piano, Marshall Allen e John Gilmore, saxofones; Michael Ray e Walter Miller, trompetes; June Tyson, voz e dança; Tony Bethel, trombone, Vincent Chancey, trompa; Danny Thompson, contrabaixo e flauta; James Jacson, fagote; Skeeter McFarland e Taylor Richardson, guitarras; Richard Williams, contrabaixo; e Luqman Ali, bateria. A edição é de 400 exemplares, numerados. Recebi hoje um e-mail a informar que na ReR Megacorp está anunciado em pré-encomenda por £45. Na Downtown Music Gallery vale $85.

Sun Ra and his Omniverse Jet-Set Arkestra

Christophe Berthet: saxofone alto; Cyril Bondi: bateria e percussão; Christian Graf: guitarra, loops; Raphaël Ortis: baixo. Honesto e bem feito. EKYU est un quartet qui aime intégrer, détourner ou transmuter quantités de langages musicaux actuels afin d’en proposer des lectures résolument personnelles d’où émergent des conversations musicales multiformes.Les musiciens qui constituent ce 4tet sont des improvisateurs et compositeurs reconnus, habiles à modifier ou redessiner les frontières entre matériau écrit ou matériau improvisé, ou tout simplement à saisir l’instant musical.
John Stevens - Freebop (Affinity Records, 1982)
1. Blue Line; 2. Rhythm Is; 3. Take Care; 4. Okko; 5. Kook
Gordon Beck, piano; Jeff Clyne, contrabaixo; Jon Corbett, trompete; Pete King, saxofone alto; Paul Rutherford, trombone; John Stevens, bateria. Gravação ao vivo no South Hill Park Arts Centre, Bracknell Jazz Festival, em 3 de Julho de 1982.


A não perder, os quartetos de cordas de Dmitri Shostakovich (1906-1975), pelo Rubio Quartet. A caixa da holandesa Brilliant Classics, Complete String Quartets, que inclui a totalidade dos 15 quartetos escritos pelo compositor russo entre 1935 e 1974, foi reposta à venda, e é uma pechincha. Custou-me € 17 e picos, mas ainda se pode encontrar mais barata na net. A leitura do belga Rubio String Quartet (Dirk Van de Velde, Dirk Van den Hauwe, Marc Sonnaert e Peter Devos), de 2003, gravada ao vivo numa igreja, em Mullem, Bélgica, entre Abril e Setembro de 2002, vem somar-se às versões anteriores, mais ou menos conhecidas, de outros quartetos que se abalançaram à integral, como o Borodin Quartet, o St. Petersburg String Quartet, Quatuor Danel, Fitzwilliam String Quartet, Shostakovich Quartet, Rasumovsky Quartet, Sorrel Quartet, Manhattan Quartet ou o Emerson String Quartet.
The Rubio String Quartet is one of the preeminent string quartets in Europe. Formed in 1991, the quartet wascoached in the great classical and romantic repertoire by the Melos Quartet from Stuttgart. Today they play the full range of the string quartet repertoire from Haydn to Alfred Schnittke and Stephen Paulus. Natives of Belgium, they have hadseveral Flemish composers dedicate works to them. The quartet is regularly invited to play at major music festivals, such as the Edinburgh Festival and the Festival of Flanders. In 1996 they gave concerts in the United States and China as “cultural ambassadors” of the Flemish Community. In November 1997 they made their New York debut at CarnegieHall. The Rubio’s discography includes nine CDs, including the string quartets of Shostakovich for the Globe label, and a recording of piano quintets by Schumann and Brahms with the Dutch pianist Paul Komen. A live recording of the complete Shostakovich quartets was released on Brilliant Records in January 2003.
Michael Vorfeld e Wolfgang Schliemann, Alle Neune: Rheinländer Partie. À partida, a proposta constitui um desafio arriscado: conceber e executar uma obra de música improvisada, criada instantaneamente, por dois músicos, com recurso exclusivo a instrumentos e objectos de percussão. Michael Vorfeld e Wolfgang Schliemann, são dois destacados improvisadores germânicos com trabalho de décadas como percussionistas e artistas sonoros. Para ambos, os aspectos visuais e a formulação tridimensional da concepção acústica assumem papel de primazia na organização do som, de características puramente acústicas, muito para lá de noções tradicionais como a marcação do tempo. O duo aplica-se na definição de uma linguagem própria, processo de depuração que passa por um especial cuidado em colocar o material sonoro em pontos-chave de silêncio, com atenção ao mínimo detalhe. O desafio no imediato é perceber onde iniciar e terminar os eventos sonoros, como ligar pontas e segmentos, que duração permitir, que escolhas realizar a partir de um leque de opções bastante alargado – tudo questões a que o duo responde segundo a segundo, com eficiência, proporção e equilíbrio. A estrutura global da obra é, assim, pensada em função do átomo de som, base a partir da qual se ergue e é posta em equilíbrio cinético. Os ambientes por que optam favorecem o uso exclusivo de elementos percussivos, que, sendo absolutamente estáticos, provocam no ouvinte uma sensação ilusória de movimento e progressão constantes. Imprevisível na forma como nascem e nas direcções que tomam, os sons têm origem no uso de técnicas instrumentais extensivas sobre artefactos feitos de pele, madeira, metal ou cordas, que são batidos, afagados, esfregados e arranhados, formam um amplo conjunto de texturas organizadas com sentido orquestral, variada nas cores e nas formas electrizantes, de fonte tantas vezes insuspeita – por vezes parecem produzidos electronicamente – resultando nas atmosferas únicas emergentes dos nove temas de Alle Neune: Rheinländer Partie. Um grande disco de música improvisada experimental. Edição da portuguesa Creative Sources Recordings.
Disco recente do guitarrista americano Bruce Eisenbeil, Inner Constellation (Volume One), na NEMU Records. Com Bruce Eisenbeil (guitarra acústica e eléctrica), Jean Cook (violino), Nate Wooley (trompete), Aaron Ali Shaikh (saxofone alto), Tom Abbs (contrabaixo) e Nasheet Waits (bateria). Em 2001, Bruce Eisenbeil, Jean Cook e Aaron Ali Sheik passaram uma temporada a tocar num ensemble dirigido por Cecil Taylor. Essa passagem pelas hostes de Taylor levou Eisenbeil a interessar-me particularmente pelo trabalho que o grupo de Taylor desenvolveu a partir de 1970, com Jimmy Lyons, Raphé Malik, Ramsey Ameen, Sirone e Ronald Shannon Jackson. Foi este o modelo organizacional que o guitarrista pretendeu adoptar para a explanação da sua música, seguindo inclusivamente o mesmo tipo de instrumentação, com a excepção do piano, substituído pela guitarra eléctrica. “Pensei que seria interessante observar a forma como os outros instrumentos podem servir para iluminar as cores da guitarra”, escreveu Bruce Eisenbeil nas notas à edição de Inner Constellation. Para tanto, reuniu o sexteto e desenhou um plano em que os sons foram pensados como se fossem estrelas duma imensa constelação. Tal como as estrelas, os sons, mantendo a sua posição fixa no firmamento, estabelecem entre si diferentes relações de altura, duração, intensidade e timbre, permitindo conectar pontos luminosos e desenhar figuras geométricas ou outro tipo de imagens sugestivas. A música levou dois anos a ser escrita. Seguiram-se cinco meses de trabalho prático, antes de o grupo ir para estúdio. A estratégia de Bruce Eisenbeil para a construção de Inner Constellation, estruturado como uma suite em 27 partes, com a duração total de 47 minutos, foi gizada do seguinte modo: a cada ciclo de música escrita, com enunciação do tema e desenvolvimento colectivo, segue-se a improvisação a cargo de um instrumentista, a quem é dada plena liberdade para criar dentro do enquadramento previamente definido.O espectáculo que o grupo WORDSONG vai apresentar no CCB, dia 21 de Dezembro, é na sua essência transdisciplinar combinando a música e o vídeo em volta das palavras de Al Berto e de Fernando Pessoa. A linguagem musical algo inovadora, interpretando as palavras dos poetas com total liberdade criativa, recriando imagens e manipulando linguagens, transpõe para este trabalho uma interessante e original visão do imaginário induzido pelos poemas destesgrandes vultos da poesia contemporânea Portuguesa. Neste espectáculo, que se quer único e irrepetível, os Wordsong convidam alguns dos mais criativos e interessantes músicos e artistas portugueses e contemporâneos a colaborar na criação de ambientes musicais, visuais e cenográficos, que possam permitir outras leituras.


One Night in Burmantofts: os temíveis Alan Wilkinson e Peter Brötzmann (saxofones), apoiados por Simon H. Fell (contrabaixo) e Wlli Kellers (bateria), na londrina Bo'Weavil Recordings.
A long overdue meeting of two of the titans of the saxophone. Alan Wilkinson (alto, Baritone & Voice) and Peter Brotzmann (clarinet, tarogato & tenor) together with Willi Kellers (drums) and Simon H. Fell (bass) blow up one hell of a storm. The individuals on this recording consciously commit, putting themselves 'out there', over the edge. The energy, the electricity, generated by saxophonists Wilkinson and Brötzmann, is a result of their fearless approach to the precipice and their willingness to stare, unblinking, into the abyss. And yet while this music, free jazz, improv, call it what you will, exists at the boundary of our cultural existence, it echoes the sounds first identified as jazz, back at the birth pangs of the modern age. It is the commitment to a collective sound devoid of ego with the fearless individual, that makes this music extraordinary, that provides the moments of almost spiritual communion.
Bob Marsh tem um fraquinho pelo sinistro. Já se percebeu há uns anos que aquilo que o encanta são os ambientes soturnos e tétricos, no limiar da violência psicológica, digamos assim. Eis de novo uma oportunidade de conhecer o lado negro de Marsh, num disco a solo na Public Eyesore Records, a que o compositor chama uma colecção de 'rantings, ravings, sermons, scenes, little operas and whatever they might be'. O que quer que seja, é essa mesmo a expressão-chave, embora seja estulto tentar encontrar um rótulo para classificar toda esta insana actividade musical. Do lado da instrumentação, em VIOVOX Bob regressa à boleia das cordas do violino e do violoncelo, electrónica caseira, loops alucinogéneos (via Boss Looper Station) e uma quantidade de outras coisas inidentificáveis, por entre percussão e voz processada através de maquinaria apropriada (Boss Harmonizer), com registo final e mistura em minidisc. E aí está ele, a criar um alter ego que regressa ao mundo dos vivos proveniente das profundezas do inferno mais distante, ainda envolto em chamas, a voz embargada de emoção electrónica, emergindo de uma torrente de sons espiralados, visões alucinadas de uma mente perturbada, que encarna espíritos ancestrais (que digo eu?) e comunica por sons e palavras ou por quase-palavras, sugeridas ou parcialmente enunciadas. “Preencham o que faltar”, sugere o autor nas notas que escreveu para o disco. Bob Marsh, artista experimentalista de Richmond, Califórnia, passou-se desta vez? Não, tem sido sempre assim. Para uns, tem falta de juízo; para outros, também, mas o que produz entre refeições à base de cogumelos mágicos é musicalmente relevante. Enquadro-me nesta segunda categoria. Para perceber a ligeira nuance, basta ouvir o projecto do ano passado, DOCTOR BOB, com David Michalak, ou LUGGAGE, com Theresa Wong e Bryan Eubank, para se ter uma ideia do que pode acontecer se se apanhar o sol da Califórnia em “certas e determinadas” quantidades na moleirinha. Voltando à música, a esmagadora maioria das pessoas que conheço detestariam esta sucessão de lengalengas completamente fora deste mundo a que estamos habituados, tenho um dedo que adivinha, mas também Bob Marsh não faz música a pensar nessa gente toda.
Burning Cloud (FMP CD77) com Butch Morris, corneta; Lê Quan Ninh, percussão; e J.A. Deane, trombone, flauta e electrónica. Gravado extra-programa numa daquelas sessões que decorrem a latere do evento principal, neste caso, do festival Total Music Meeting, de Berlim, edição de 1993 de um grande acontecimento que se realiza desde 1968. Os três movimentos do disco, Ozone Burning Red (19'16); Ozone Burning Blue (18'27); e Ozone Burning Yellow (16'48), vêm creditados a favor do trompetista como tendo sido por ele compostos. Porém, a sensação que se tem é que a acepção aqui usada será talvez a da conduction, que Lawrence D. “Butch” Morris habitualmente pratica em directo, orientando os músicos através de um sinalética particular por si inventada para conduzir o set, que, neste caso, mais parece totalmente improvisado. A verdade é que não se consegue distinguir um único movimento pré-delineado, um qualquer indício que possa fazer pensar numa escrita anterior ao momento da criação. O que há é um sábio uso do tempo, uma hábil acomodação espacial, e a mais eficiente gestão das oportunidades de entrada e saída dos membros do trio, aspectos que fazem supor uma mãozinha invisível, mas orientadora, de Morris, a puxar pelo melhor dos companheiros. Lê Quan Ninh, percute tudo o que lhe vem à mão, desde que acrescente valor à incrível variedade de sons que produz (inesquecível, o recital de percussão solo que deu no Jazz em Agosto, da Fundação Gulbenkian, em 2006), recursos que o franco-vietnamita aplica na criação das suas sinfonias de pele, madeira e metal (sobretudo este último, via folhas de metal, címbalos, sinos, placas afagadas com arco, gongs, etc.), num raro equilíbrio de texturas, timbres e intensa exploração dinâmica, que fazem de Ninh um dos maiores percussionistas improvisadores da actualidade. Nada do que é convencional e previsível no jazz tem a ver com a sua postura e atitude criativa. E os resultados fazem-se sentir. J.A. Deane adapta os circuitos electrónicos a esta particular situação de trio, privilegiando, a par do processamento sonoro em tempo real, a criação de drones, épicos sussurrados de ficção científica, criadores de drama e suspense. É nestes jogos de luz e sombra que assentam todos os impulsos sonoros, com interessante contrapeso no uso da flauta e do trombone em diálogo permanente com a corneta de Butch Morris, sem tiros para o ar nem exuberâncias exibicionistas, numa conseguida interligação entre as três fontes. Pelo-me por isto.08.12.07 VARIABLE GEOMETRY ORCHESTRA ernesto_rodrigues conduction; joão_camões viola; guilherme_rodrigues cello; johannes_krieger trumpet; pedro_portugal trumpet; eduardo_chagas trombone; gil_gonçalves tuba, euphonium; joão_viegas bass clarinet; jorge_lampreia flute, soprano saxophone; fernando_lyra soprano saxophone; alípio_c_neto tenor saxophone; abdul_moimême tenor saxophone; nuno_torres alto saxophone; lizuarte_borges alto saxophone; josé_pessoa alto saxophone; peter_bastiaan melodica; rodrigo_pinheiro piano; armando_pereira accordion; pedro_sousa electric guitar; guilherme_leal electric guitar; daniel_marques acoustic guitar; joão_silva electronics; travassos electronics; nuno_moita turntables; hernâni_faustino double bass; diogo_palma double bass; pedro_lopes percussion; monsieur_trinité selected objects; gabriel_ferrandini drums. – Livraria Ler Devagar (Foto: Rui Portugal)

Live In Oxford (FMR), THE CONVERGENCE QUARTET, disco de composições para quarteto de improvisação, com Taylor Ho Bynum (cornet, flugelhorn), Alexander Hawkins (piano, objectos), Dominic Lash (contrabaixo) e Harris Eisenstadt (bateria). Notas de Simon H. Fell ... Music isn't simply an escape from the complexities, ambiguities and misunderstandings of human existence - although thankfully it can be sometimes. We also need music that provokes tough questions, such as: what is music supposed to 'do'? how do we determine whether a piece of music has 'succeeded' or 'failed', and should we even try? how is it that any truly honest assessment of 'quality' can never be unequivocal? and does this mean we should dismiss any ideals of 'quality' as elitist and simply wallow in a postmodern love-fest? These are the kind of issues that listening to this record will lead you to consider, since this record affords no easy assimilation. The several compositional strategies seem to range from the inscrutable to being perhaps too easily scrutable, and the resulting music includes moments of the sublime, the awkward and the deeply puzzling. At the end of the record, you may even be tempted to ask yourself 'what was that all about?'. Well, thank heavens the Convergence Quartet are prepared to stick their necks out on our behalf.... Na página da Bruce's Fingers.
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Anthony Braxton (sopros), Taylor Ho Bynum, trompete, e Tom Crean, guitarra. Trio (Glasgow) 2005. Ao vivo no Glasgow's Centre for Contemporary Art, em Junho daquele ano, dias depois das actuações no Phonomanie VIII, Festival de Ulrichsberg, Áustria. (Leo Records). A Leo está aqui está a lançar a caixa de 9-CDs-9 de Anthony Braxton, as obras completas para piano que Leo Feigin há anos anda a preparar: Piano Music 1968 - 2000, com interpretações da pianista belga Genevieve Foccroulle e captação sonora de Jon Rosenberg. Nesta altura, o monumento, com edição prevista para Março do ano que vem, de que serão feitas apenas 500 cópias, já está em regime de pré-encomenda.

Na Creative Sources Recordings já se conhecia o diálogo vocal de Ute Wassermann com o som granular do trompete de Birgit Ulher. Foi em Kunststoff, disco que as artistas alemãs gravaram para a editora de Ernesto Rodrigues, em 2004. Trompete que se mistura com a voz e confunde com electrónica na procura de um léxico fora dos limites convencionais. E porque não retomar as linhas refinamento e experimentação vocal, agora com electrónica de raiz? Beneficiando da proximidade e do imediatismo que proporciona a actual tecnologia de gravação, a mezzo-soprano Ute Wassermann, figura simultaneamente da new music e da improvisação, expõe o imenso espectro da sua arte ao nível dos registos, do timbre e da articulação, no uso inteligente do espaço disponível, que combina com a chuva de partículas electrónicas que circulam à sua volta, poalha que se agita e depõe em torno das imensas possibilidades da expressão com aparelho vocal, usado enquanto instrumento musical, como faz o britânico Phil Minton, por exemplo. Em Pollen, o trabalho de Wassermann vive de sons minúsculos, cavos e superficiais, guturais e labiais, imitação de pássaros e insectos
, apitos, assobios, gorjeios, roncos e rugidos, toda uma imensa variedade de sinais sonoros que estabelecem um entendimento "natural" com a participação do galês Richard Barrett, membro do FURT, duo britânico de electrónica, onde desenvolve um trabalho muito diferente, mais dentro do convencionalismo da electrónica digital comum. Aqui, Richard Barrett utiliza as sofisticadas ferramentas electrónicas de que dispõe, para, com apurada sensibilidade e em tempo real, deixar-se contagiar pela actividade da artista vocal (em Pollen, Wassermann não canta uma única nota) e libertar encadeados de sons humanóides. Estes questionam a inventividade e respondem às provocações de Wassermann, criando uma obra sonora densa, ainda que frágil e transparente, rica em sugestões visuais.
'Provenientes de Austin, Texas, mas hoje residentes em Chicago e Bruxelas, os Stars of the Lid são o duo de Brian McBride e Adam Wiltzie. Foram parte fulcral de um grupo de bandas associado ao selo norte-americano da Kranky, que, com gente como os Windy & Carl, Magnog, Philosopher's Stone ou Labradford, reinventou as coordenadas das músicas abstractas, ambient, espaciais, focadas no domínio do cósmico e do intangível (sob o rótulo do mui abrangente pós-rock). Como sempre, no que concerne a designados movimentos de artistas originais, em meados desses anos 90 pareceram confluir, por razões irmãs e influências semelhantes, estes e outros projectos, que sonhavam estrelas nos tectos dos seus quartos, movendo-se a beleza e a tripe cósmica, em busca de salvações celestes. Enquanto os Labradford parecem ter terminado o seu percurso como tantos outros ("Prazision", o histórico álbum de estreia, foi agora reeditado), os Windy & Carl parecem ter abrandado na quantidade de trabalho (apesar do sublime último registo, ainda pela Kranky), os Stars of the Lid, lentamente, continuam a amassar um corpo de trabalho notável, que continua a fazer todo o sentido enquanto organismo vivo e em evolução. Vão-se dedicando progressivamente a notáveis explorações de cariz orquestral para secções de cordas, com acompanhamento e processamento electrónicos, nunca deixando as suas metafísicas guitarras para trás. Continuamos, como sempre, a ver neles o Eno ambiental, Harold Budd ou as passagens sem voz dos últimos dois discos dos Talk Talk, mas o lado Gavin Bryars (especialmente "The Sinking of the Titanic") vem cada vez mais grandiosamente ao de cima. Situam-se entre os reis da música abstracta fundada na orquestração da harmonia e da melodia, no universo da designada clássico contemporânea (com muito Gorecki e Arvo Pärt à mistura), inventando um novo espaço estético. Miles Davis escreveu na autobiografia dele, a citar o Prince, qualquer coisa como: "os pretos, quando vão para a cama, ouvem tambores. Os brancos, ouvem cordas". Stars of the Lid, beleza e amor em estados puros e universalizantes, para quem ainda se rala com essas coisas. É a primeira produção ZDB Muzique / Filho Único numa sala de cinema, ainda para mais numa das nossas mais estimadas na cidade, a sala do Nimas, onde Adam Wiltzie e Brian McBride serão acompanhados de um projeccionista e de um quarteto de cordas. Bons voos'. - Filho Único Quinta 6 /12, às 22h NO CINEMA NIMAS - Beatificação_cósmica_sessions

Steve Lehman Quintet - On Meaning: Steve Lehman (saxofone alto); Jonathan Finlayson (trompete); Chris Dingman (vibrafone); Drew Gress (guitarra baixo); e Tyshawn Sorey (bateria).

O duo Masul é composto por Paul Giallorenzo e por Thomas Mejer. Giallorenzo é improvisador de Chicago, oriundo de Nova Iorque, devotado ao desenho sonoro através de piano e derivados electrónicos. Nesta actividade, tem apreciado todos os contextos estéticos, jazz, noise, improvisação livre, electroacústica, o que vier, em troca de experiências com Fred Lonberg-Holm, Jeb Bishop, Dave Rempis, Tim Daisy e outros. Mejer, de Lucerna, Suiça, também tem formação jazzística e estudou com Urs Leimgruber, Marcus Weiss e Vinko Globokar, dedicando-se essencialmente ao trabalho com saxofone contrabaixo em grupos com Martin Schütz, Fredy Studer, Michael Zerang, Fred Lonberg-Holm e outros. A proposta que elaboraram conjuntamente, intitulada The Arousal City (Creative Sources Recordings, 2007), inscreve-se num domínio estético muito vasto e activo, o da música improvisada de base electroacústica, com a vantagem de ser original relativamente à maioria dos projectos que têm vindo a surgir nesta área, um pouco por toda a parte. Paul Giallorenzo e Thomas Mejer apresentam uma proposta encantatória, no limiar entre o sono e a vigília. Com uma base instrumental constituída por sintetizador, piano, samples, computador (Giallorenzo), e saxofone contrabaixo, samples, e computador (Mejer), o duo ficciona estados alternados de lucidez e alienação, consciência e inconsciência, que percorre de cima a baixo num tom dolente de torpor glauco, induzido pelas tonalidades sépia e cinza que vão sendo impressas em fonogramas de exposição lenta. Inquietante é a permanente sensação de que algo está para acontecer a cada passo, tão bem a dupla gere o dramatismo e o momentum das ocorrências. Para tanto, além da execução instrumental, em que se destaca o espesso e prolongado rumorejar do saxofone, o piano distante e o drones electrónicos, indutores de estados sonoros que primam por uma certa irrealidade melancólica, o Masul aplica várias lentes sobre a realidade circundante, desfocam-na intencionalmente e fragmentam-na em imagens parcelares, sem que com isso a música perca a coerência interna e a noção de conjunto ao longo da narrativa não-idiomática que vai tomando forma. A sensação geral é a que se tem ao acordar de um sonho de que fica pouco para recordar. Visões difusas, agradáveis e envolventes, que fogem no preciso instante em que se deixam aprisionar. Gravação de 2005, realizada no 3030 (actual Elastic), em Chicago.![[Other+Dimensions+at+Sunset+in+Paris+on+20+October+2006+by+John+Sharpe.jpeg]](http://3.bp.blogspot.com/_ZFeQWDDNaD8/RqZdRu3kKwI/AAAAAAAAAuI/x6dorsxwB4E/s1600/Other%2BDimensions%2Bat%2BSunset%2Bin%2BParis%2Bon%2B20%2BOctober%2B2006%2Bby%2BJohn%2BSharpe.jpeg)
Jarrett, tem mantido activa uma mão-cheia de projectos, todos eles nas áreas da improvisação total (à maneira de Keith Jarret, descontadas as influências dos blues, que Stowe não tem), improvisação livre e pós-fusão. No último ano e meio, Stowe lançou quatro discos nas editoras Konnex e Black Saint/Soul Note. Cronologicamente, Brooklyn Moments (Konnex, 2006), capta a Total Improvisation Unit, com Blaise Siwula, Nobu Stowe e Ray Sage, num conjunto de improvisações abstractas em ambiente lírico, com uma ponta de calor à maneira de Don Pullen, aquele em que o pianismo do japonês melhor transmite a sua arte. O trio funciona em pleno, destacando-se o trabalho de construção de Blaise Siwula, saxofonista e flautista conhecido de projectos com inúmeros artistas de Brooklyn e Nova Iorque. Ray Sage, na bateria, opta de modo eficiente por um tipo de drumming mais textural, sem marcação de tempo.
estruturação e fragmentação melódica, com diálogos à maneira de Cecil Taylor e Jimmy Lyons, por entre os quais Minasi se insinua sempre com pertinência. Nesta medida, os Moments de Nova York constituem um passo em frente em relação aos de Brooklyn.
baterista, Alan Munshower e com o histórico percussionista norte-americano, Badal Roy, em tabla e voz. A sessão foi gravada ao vivo no clube An Die Musik, de Bernard Lyons, casa que habitualmente programa concertos de jazz e música improvisada das mais diversas correntes. Na noite de Baltimore, EUA, o trio de Nobu Stowe retomou a suas sequências da total-improvisation jarrettiana, fundindo a improvisação livre com a composição instantânea, num estilo mais próximo do que Stowe designa por post-fusion, subgénero que pratica habitualmente com o Trio Ricochet (Nobu Stowe, Tyler Goodwin e Alan Munshower). O disco balanceia tranquilas exposições sonoras com momentos de maior atrevimento exploratório, denotando uma prática musical regular em conjunto.
e Centazzo, que também utiliza samplers e teclados. De todo o conjunto de discos, este é o mais sereno e introspectivo, cheio de frases delicadas, tanto no clarinete como no piano, esparsos sons de percussão.